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JOALHERIA POLACHECK
Harold!
Chegou cedo.
Eu sei. Vim buscar uma coisa.
Onde está a Peggy? Achei que nunca se desgrudassem.
DIGITE A SENHA
- Sim? - Como vai, Harold?
Já estou aqui.
Só um lembrete. Não banque o herói.
Se ouvirmos a polícia, a Peggy morre.
- Posso falar com ela? - Seja rápido.
Deixe-me falar…
Alô? Deixe-me…
Alô?
Banco de trás.
Solte-a. Disse que soltaria.
Foi um prazer negociar com você. Valeu pelo carro, Harold.
- Vem, Peggy. - Harold!
- Está tudo bem? - Paul.
Sim, tudo bem.
- Saiam do carro! - Vai!
Saiam!
Tudo bem!
Feliz Halloween.
Relaxa.
Vic! O que você fez?
- Era ele ou eu. - A gente podia ter fugido!
- Entre! - Eu não vi nada.
- Não vi. - Não acelere.
- Acabei. - A Peggy também não viu.
Eu não acabei.
Não!
MONK: UM DETETIVE DIFERENTE
Sr. Monk, você está bem? Todos estão esperando.
- Está ali. - O quê?
O cachorro, você sabe…
O cachorro… fez cocô.
Você pisou nele?
Se eu tivesse pisado, estaria naquela ambulância,
a caminho da Emergência, não é?
Rezando pela doce libertação que só a morte pode trazer.
Monk, o que acha?
Quem estamos procurando?
Eu diria que é um terrier. Um Yorkie, talvez um Chihuahua.
Já deve estar longe. Nunca o pegaremos.
Ele não consegue se concentrar por causa do…
Por causa do quê?
Do cocô de cachorro.
Tenente?
Limpe aquilo pra mim, sim?
Obrigado.
Sargento?
Sim, senhor?
Limpe aquilo.
Não, não.
- Senhor, não pode parar aí. - Não, tudo bem.
Eu sou detetive.
Eu sou detetive. Só um segundo. Aqui está.
Aqui…
Segure isso. Já vou achar.
Costumo deixar bem…
Ah, achei. Aqui está.
Marty Eels, investigador particular.
Estou aqui para salvar seus traseiros. Capitão!
- Capitão Stottlemeyer! - Caramba.
Quem é esse?
Marty Eels. É um investigador particular.
Coisas bobas. Divórcios, fraudes de seguro.
É um mala sem alça profissional.
- Oi, capitão. - Oi.
Você está ótimo!
Emagreceu ou sua camisa ficou maior?
Marty!
O promotor tirou sua licença?
Não, foi uma suspensão temporária.
Não, não, não.
- Foi um mal-entendido. - Mal-entendido?
Enfim, já são águas passadas.
Então, eu estava no bairro
e ouvi uma chamada no rádio da polícia…
Olha, Marty, estou ocupado.
Sim, por isso pensei em vir dar uma mão.
E então? A joalheria foi roubada.
Bom, isso é óbvio.
Temos um segurança morto e o gerente está desaparecido.
Então está achando que o gerente…
- É, algo assim. Com licença. - Deixe-me dar uma olhada.
Uma ajuda a mais não fará mal.
Posso ver algo que deixaram passar.
Não deixamos nada passar, Eels.
Temos uma equipe de perícia aqui.
E está vendo aquele homem?
Aquele é Adrian Monk.
Acho que estamos bem.
Capitão, o Monk disse que não posso simplesmente jogar isto fora.
Tenho que levar pra longe e enterrar.
Posso ver isso?
Claro.
Não pode jogar isto fora. É uma prova.
Ainda está fresco.
- Eu diria que é de uns 90 minutos atrás. - Marty…
Não faz mais ou menos esse tempo que o crime aconteceu?
O cão poderia ser da vítima ou de um dos criminosos.
Acho que isto é importante, mas o Monk ia jogar fora.
Bem, ele pode estar certo.
- Vamos levar isto como prova. - Sim, senhor.
Capitão, veja.
O gerente da loja mora em Oakland?
Sim, como você sabe?
É o cachorro dele.
Ele é de Oakland.
Dá pra ver a licença azul na coleira.
Você consegue ver daqui?
É algo que eu chamo de "atenção aos detalhes", mas…
Vá buscar o cão.
Adrian Monk, Natalie Teeger, este é Marty Eels.
Investigador particular.
Oi, como vai? Tudo bem?
Só ouvi coisas boas sobre você.
Não sou uma competição. Só vim pra ajudar.
Pode me dar um lenço?
Então, o que temos?
Capitão, eu não acho que tenha sido o gerente.
Pra começar, ele não trancou a porta quando saiu.
Além disso, observei mais sangue na calçada.
Acho que houve dois disparos.
É, ele pode estar certo. Bom trabalho.
- Obrigado, querida. - Capitão!
Ele tem razão.
Peggy é do gerente da loja.
"Harold Gumbal. Rua Geary, Oakland."
Se o gerente fosse roubar a própria loja,
ele não traria o cachorro.
Nem o abandonaria.
Não foi o gerente.
Tem razão, não foi o gerente.
É o seguinte…
É o seguinte.
Esse cachorro era um refém.
O gerente foi obrigado a roubar a loja.
Algo deu errado, e atiraram no segurança.
Com licença.
O que ele está fazendo?
Capitão.
Bom, ele viu a chapinha do cão do outro lado da rua.
Certo, eles foram embora no carro do Gumbal.
Seguiram para o sul.
Vão deixá-lo assim que possível.
Vamos pro aeroporto.
É perda de tempo.
Não iriam pra lá. Há seguranças.
- Vejam na estação de trem. - Trem?
É, tente a San Bruno.
Ou a Millbrae.
Eles surtaram quando atiraram no segurança.
Podem ter descartado a arma
ou roupas sujas de sangue por aqui.
O que você está fazendo? O que…?
Esse cachorro farejou um esgoto recentemente.
Estão vendo esses bueiros?
Os criminosos podem ter jogado alguma coisa neles,
e talvez o cachorro tenha visto tudo.
Me poupe. Ele está brincando, certo?
Ele está brincando. Esse cara está brincando.
Só vai levar dois minutos para verificar.
Oficial!
- Verifique aquele bueiro. - Capitão.
Ele só cheirou um cachorro. Isso é impossível.
Capitão!
Estavam no bueiro, como ele disse.
Não.
Não, mãe. Eu não saí no jornal.
Porque não tinha repórteres lá.
Achei várias pistas.
Achei três ou quatro pistas.
O capitão ficou impressionado. Ele está aqui.
Um segundo, ele mesmo vai dizer.
Capitão, é a minha mãe.
Diga pra ela como eu me saí bem na cena do crime.
Sra. Eels? Oi.
O Marty foi ótimo. Você ficaria orgulhosa.
É um detetive de primeira classe.
Também estou ansioso pra conhecê-la.
Está bem, tchau.
- Que barulho é aquele? - Ela está no trabalho.
Trabalha numa companhia aérea.
Ela é operadora de controle de qualidade.
Entrem.
Vamos. Sentem-se.
Aqui. Natalie, venha se sentar.
Sentem-se. Fiquem à vontade.
Monk, sente-se.
- Sente em qualquer lugar. - Não estou bem.
- Ele disse que não está bem? - É.
Então, capitão, estou no caso ou não?
Preciso perguntar algo.
Claro.
Onde você estava ontem às 8h?
- Na hora do assalto? - Isso.
Vocês acham que estou envolvido?
Por quê? Só porque ele não conseguiu me acompanhar?
Onde você estava, Marty?
No hospital.
Hospital St. Andrew.
Suspeita de concussão.
O que aconteceu?
Bem… É um pouco constrangedor.
Eu apanhei à beça de um cliente.
Ele me bateu muito.
Pois é.
Eu deveria seguir a esposa dele e tirar fotos.
Ela o estava traindo.
Não. Esse é ele. É o meu cliente.
Você tirou fotos do cara com a própria esposa?
Sim, tirei. Cometi um erro.
Sou humano.
Então, o negócio é que eu estava no hospital
durante o assalto à joalheria.
- Podem verificar. - Faremos isso.
Por que é difícil acreditar que sou bom?
Porque, Marty, você nunca foi bom.
Na verdade, você era ruim.
Bem, eu tenho me doutrinado. Aprendi a me concentrar.
Esse é o segredo. Foco.
Certo, Monk? Eu estou certo?
Centro de Educação Continuada da Bay Area.
Ensino à distância?
É totalmente credenciado.
- Onde você estudou? - Berkeley.
É uma boa instituição.
- Acredito que também seja credenciada. - Sim, sim, é credenciada.
Então, capitão, eu estou no caso ou não?
Me coloque no time, professor.
Achei as máscaras de esqui, não achei?
Olha, Marty, mesmo que eu quisesse,
não tenho dinheiro para contratar dois consultores.
Que tal o seguinte?
Não precisa me pagar, a menos que eu traga resultados.
Isso não vai te custar nada.
Capitão, posso…?
- Não pode contratá-lo. - Ele achou as máscaras de esqui.
Depois de cheirar um cachorro.
Isso não é possível.
Olha, Monk, às vezes, quando você está atrás de pistas,
parece mágica para mim.
Eu não sei como você consegue.
Talvez ele esteja fazendo algo que você não entende.
Está trapaceando.
- Ele é um trapaceiro. - Disher.
Você não está na quarta série, Monk.
- Ele está trapaceando. - Como?
Como?
Eu não sei.
Encontramos o carro do gerente.
Adivinhem onde?
Na estação de trem?
Em San Bruno. Ótimo trabalho.
- Você acertou. - Vamos conferir.
Marty, vamos. Você vem comigo.
Ele está trapaceando.
Desculpe. Com licença, eu…
- Prossiga. - Depois de você.
Por favor.
Muito estranho, não é?
Vamos dispensar algum deles.
É, mas qual?
Marty Eels.
E-E-L-S. Significa "enguia" em inglês.
Ele sempre quis ser detetive.
Ficava acordado até tarde lendo The Hardy Boys debaixo das cobertas.
Então, o seu filho está ajudando Adrian Monk?
Quem está ajudando quem? Essa é a questão.
Adoro isso.
Adoro o que faz com as mãos. É um lance das antigas.
Obrigado.
O que você fez?
É lama.
Dá pra saber onde ele esteve.
Comendo a lama?
Ele comeu a lama.
- Isso funciona? - Não!
É loucura.
Capitão, qual é a altura do gerente?
Mede 1,78m, de acordo com a habilitação.
Outra pessoa dirigiu este carro, porque o banco foi ajustado
para alguém que mede 1,80m.
Desculpe. Com licença.
É impossível saber isso.
Ajustes de assento não são tão exatos.
Devo anotar 1,80m?
Não sei. Sim.
Use um lápis.
Bem, aqui vamos nós.
Este mapa foi usado recentemente.
Isso significa que o motorista não conhecia esta área.
- Eu vi isso. - Mas não disse nada.
Eu estava esperando a minha vez.
Eu sabia disso. Capitão.
Ele está trapaceando. Trapaceiro.
Ele me viu olhando.
E este carro esteve na Rodovia 47.
Como você já sabe disso?
Está tudo nos detalhes.
Veja os insetos mortos no para-brisa.
Isto é um mosquito-bantam-de-asas-cinza.
E ele é mais comum onde?
Alguém sabe?
- Reservatório Walter Creek. - Em Livingston. Estrada 47.
Isso é fantástico.
"Mosquito-bantam"?
Vamos abrir o porta-malas. Monk?
O sangue ainda está fresco.
Está mesmo. Bom trabalho.
Anote. Um ponto pro Monk.
Tudo bem, o Gumbal foi arrastado para fora do carro
e levado para a mata.
Muito bem, vamos nessa.
Pisaram recentemente nestas folhas.
Tenho 1/16 de sangue Cherokee.
Legal. Foi o que eu pensei.
- O que ele está fazendo? - Não consigo olhar.
Ele está usando uma varinha?
Os índios faziam isso. Ele tem 1/16 de Cherokee.
Esse é o meu menino.
Todo mundo está conseguindo ver?
Tirem muitas fotos. O filme é barato.
Acho que encontrei o gerente.
Para trás! Para trás!
Saiam daqui!
Tirem esse pessoal daqui.
Ele foi baleado no peito.
Chamem o legista e tragam a perícia.
Isolem esta área agora!
Vocês ouviram!
Dez passos para trás! Vamos!
Levem essas coisas. Baker, tire esse pessoal daqui!
- Isso é interessante. - O quê?
Não está vendo?
Olhe para os braços.
Não é uma posição natural.
O quê? Não é natural?
Ele queria nos dizer alguma coisa.
Em seu último suspiro,
ele nos deixou uma mensagem.
"Em seu último suspiro."
Ele estava tentando nos dizer o nome do homem que o matou.
Vejam. Acho que ele está apontando para o relógio.
Não, não está.
Capitão, existe algum criminoso chamado Casio que faria algo assim?
Casio?
- Canhoto? - Capitão.
Dial?
Eddie Dial.
Cumpriu sete anos por sequestro e assalto a banco.
Saiu em liberdade condicional.
- Bom, vamos atrás dele. - Sim, senhor.
Baker!
Johnson!
Mãe, você viu minha câmera?
Procurou no seu casaco?
- Nos bolsos? - Sim, procurei em todo lugar.
Eu não a vi, filha.
Peça pro Sr. Monk te ajudar.
Por favor.
Tem todas as fotos da minha viagem escolar.
Fui a fotógrafa oficial.
Se eu a perder, não vou ganhar nota.
Quando a viu pela última vez?
Eu a vi ontem, na sala de estar.
Aquela planta foi tirada do lugar recentemente.
É verdade. Como você sabia?
Normalmente elas se inclinam na direção do sol.
Esta está inclinada para o outro lado.
Olá.
Sr. Monk, muito obrigada.
- Ele não é o melhor? - O melhor de todos.
Você é mesmo incrível.
Esperem aí.
Quando regaram esta planta?
Hoje de manhã.
A câmera não poderia estar ali esta manhã.
Ela teria ficado molhada.
Obrigado por tentar, Julie.
Minha mãe me obrigou a fazer isso.
Sr. Monk, você é incrível de verdade.
Você provavelmente é o melhor do mundo.
E está certo sobre o Marty.
- Ele está trapaceando. - Não sei.
Ele está, sim. Alô.
Sim, senhor.
Sério?
Certo, tudo bem. Estamos a caminho.
Pegaram um dos assassinos. Vão interrogá-lo.
Julie, voltamos logo, filha!
Natalie, não é Eddie Dial, certo?
É ele.
Achamos a carteira do gerente no seu quarto do hotel, Eddie.
Acabou.
Pegamos você.
Olha, cara, eu não machuquei ninguém, beleza?
Nem sequer tenho uma arma.
Bem, duas pessoas estão mortas, Edward.
Quem disparou?
Aposto que foi esse cara.
Blanchard, Victor P.
Vocês foram vistos juntos na semana passada.
- Onde ele está, Eddie? - Não sei.
Capitão, posso?
Onde está seu parceiro, Eddie?
Eu não sei.
Ele está dizendo a verdade. Ele não sabe.
Tem um mapa?
É um detector de mentiras humano.
Não acredito nisso.
Eu também não acredito.
- Ele está conseguindo. - Ainda assim eu não acredito.
O que você está vendo acontecer
é impossível, é simplesmente…
O quê? O que é isso?
O que achamos no quarto do Eddie, incluindo passagens para a Costa Rica.
- Acharam as joias? - Ainda não.
- Mas o Marty vai achar. - Certo.
Então, Eddie, onde você escondeu as joias?
Foi aqui?
Não. Foi aqui?
Não.
E aqui?
Está esquentando.
Você as escondeu aqui, Eddie?
Sim. Elas estão no parque estadual.
Dá um tempo.
Conheço a região. Tem uma torre de água aqui.
Você…
Você as escondeu perto da torre de água, Eddie?
- Bingo. - Legal.
Ligue pro Dunlop e diga para ele nos encontrar lá.
- Mande-o levar pás. - Sim, senhor.
Não sei como vou escrever isso.
- Marty. - Sr. Monk.
Por que não vão na frente? Encontro vocês lá.
Despache duas viaturas
para o parque estadual, agora.
É trapaça!
Como ele está trapaceando, Monk?
Temos um suspeito que confessou.
Ele encontrou o carro e o corpo.
- Está solucionando o caso sozinho. - Trapaceando!
- Natalie, o que acha? - Acredito no meu chefe.
Enfim, é melhor a gente ir.
Em um ou dois carros?
Monk, por que você não fica aqui?
Vamos deixar o Marty cuidar do caso.
- Espere, você o está demitindo? - Não, não.
É que o Marty parece estar a mil.
Ele pegou o jeito do caso.
Você cuida do próximo, certo?
Eu te ligo. Tenho que ir.
Então acharam as joias?
Estavam onde o Marty disse que estariam.
Claro.
E como assim? Eles pediram para você se afastar do caso?
Disseram que Marty estava indo bem.
Acho que não queriam que eu o atrapalhasse.
Adrian, tenho certeza de que tudo isso é temporário.
Talvez ele realmente seja melhor do que eu.
Sim, bem… Isso seria tão terrível?
Quero dizer, se você não fosse o número um?
Um ex- policial que eu conheço ensina justiça criminal da faculdade Fulton.
Ele me ofereceu um emprego no ano passado.
Talvez eu ligue pra ele.
Certo, então vai desistir?
- Pode ser. - Não.
Não estou sugerindo que desista.
Estou dizendo que sempre tem alguém melhor.
É a condição humana.
Por exemplo, tem um psiquiatra novo na cidade, o Lowenstern.
Agora, eu sei que não tem como eu ser tão bom quanto ele.
Eu sei isso. Eu aceito.
Melhor do que você?
Ele é brilhante.
Foi indicado para o Nobel.
Mas a questão é que você acha que pode gostar de lecionar.
Eu não sei. Me conte mais sobre esse Lowenstern.
Posso te apresentar.
Ele trabalha do outro lado da rua. Cobra US$ 400 a hora.
Então, onde estávamos?
Muito bem.
Bom dia, chefe.
Não tinha esponja redonda.
Calma, eu vou comprar depois.
Não se preocupe com as compras.
Você vai me levar pra Fulton. Marquei um horário.
- Agora? - Às 11h vou falar com o reitor.
Você vai desistir? Simples assim?
Acho que eu seria um bom professor.
Sr. Monk, você seria péssimo.
Levaria quatro semanas para corrigir uma prova.
Você é um detetive. Um ótimo detetive.
- Você vai me levar ou não? - Não, não vou.
Está magoado e não está raciocinando.
Tudo bem, tudo bem, eu vou de táxi.
Você vai de táxi?
- Sabe o que fazem nos táxis? - Tudo bem!
Tudo bem, eu mesmo vou dirigir.
Vou alugar um carro.
Viu só? Estou discando o número.
Não é blefe.
- Você ao menos tem habilitação? - Sim, eu tenho.
Tudo bem, é isso.
Este é o último dígito.
Disquei o número. Está tocando.
Obrigado por ligar para a locadora.
Esta ligação poderá ser gravada.
Estou na espera.
Sr. Monk, a faculdade Fulton fica a 160km daqui.
Fica ao norte da interestadual.
- É depois de uma ponte. - Eu sei.
Eu tenho uma venda para passar sobre pontes.
Você vai dirigir.
Bem lembrado.
Acho que consigo.
Posso olhar por baixo dela.
Não vou deixar!
Nunca dirigiu sobre uma ponte na sua vida!
Que escolha eu tenho?
Com licença. Desculpe, senhor?
Sim?
Minha filha estuda na Fulton.
Você não precisa ir pela ponte. Pode pegar a estrada até lá.
- Estava nos ouvindo? - Sim, senhor.
Sou operadora de qualidade.
Estou monitorando a chamada.
- Eu estava na espera. - Sim, senhor.
Começamos a ouvir assim que a ligação entra.
Não acreditaria nas coisas que ouço.
Pessoas se pegando, discutindo.
Eu poderia escrever um livro.
Você conseguia me ouvir, enquanto eu estava na espera.
Isso mesmo.
Oi, Monk! Que surpresa agradável.
Esse cara é da revista San Francisco.
Sou um dos dez solteiros mais cobiçados.
Dá pra acreditar?
Precisamos conversar.
Não é uma boa hora, Nat.
Você me chamou de Nat?
- Tire uma foto comigo, Monk! - Não.
Aqui. Não, isso é legal. É uma reunião de grandes mentes.
Philip Marlowe e Sherlock Holmes.
É sobre sua mãe.
Algo que ela pode ter ouvido no trabalho.
A música está alta. Não entendi.
Tire uma pausa.
Uma pausa.
Sabemos como você fez tudo, Marty.
Nós descobrimos.
Como eu fiz o quê?
Sua mãe não ensinou que mentir é feio?
Na verdade, foi ideia da sua mãe.
Ela trabalha numa companhia aérea?
No departamento de controle de qualidade?
Sim, e daí?
Esta chamada poderá ser gravada.
Aconteceu o seguinte.
Depois que os assassinos, Blanchard e Dial, voltaram para o hotel,
eles contaram as joias
e ligaram para a companhia aérea atrás de passagens pra Costa Rica.
Eles foram colocados na espera.
O que eles não sabiam era que a sua mãe
já estava na linha, monitorando a chamada.
Devem ter ficado um tempo na espera,
porque falaram sobre tudo.
Quem mataram, onde desovaram o carro
e até onde esconderam as máscaras.
Mas ela não chamou a polícia. Ela te ligou.
E disse o que precisava saber para solucionar o caso.
Ou pelo menos fingir que o solucionou.
Você é um homem muito inteligente.
Sim, ele é pra valer.
Pois é.
Mas, claro, vocês sabem que não têm nenhuma prova.
Companhias aéreas não gravam as chamadas?
Sim, Nat, acredito que gravam.
Sim, certamente gravam.
Mas essas conversam costumam ser acidentalmente apagadas.
Então é a sua palavra contra a minha.
Em quem você acha que todo mundo vai acreditar?
No incrível Marty Eels
ou no detetive ultrapassado?
Não param de ligar.
Casos, casos.
Vocês se importariam?
Alô. Eels Investigações.
Oi, Marty, eu tenho uma proposta para você.
- Quem é? - Vic. Nunca nos conhecemos.
Acho que conhece meu sócio, Eddie Dial.
Você e seus amigos o prenderam ontem.
Como conseguiu meu telefone particular?
Está na discagem rápida da sua mãe.
Minha mãe?
Achou que poderia me ferrar e sair ileso?
Onde ela está?
Acabei de deixá-la. Ela está bem.
Por ora.
Se quiser vê-la de novo, ouça.
As joias pertencem a mim.
- Eu as quero de volta. - Joias?
Leve-as ao terminal de ônibus na Rua Dunn às 20h.
Coloque-as no armário 240 no piso superior.
- Tenho uma chave reserva. - Espere!
Não tenho acesso às joias.
Elas estão na delegacia. São provas.
Você consegue.
Li tudo sobre você. É a sensação do momento.
Diga que quer examinar a prova.
Diga que quer preparar uma armadilha.
Não importa o que diz, beleza? Só quero que as consiga.
- Ah, e Marty? - O quê?
Nada de polícia. Venha sozinho.
Lembre-se. Se alguma coisa me acontecer, sua mãe morre às 20h20.
Espere!
Sr. Monk! Sr. Monk!
Espere! Espere, Sr. Monk!
Sr. Monk, espere! Espere!
É o Vic Blanchard. Ele me ligou.
- Raptou minha mãe. - Vou ligar pro capitão.
Não, nada de polícia,
senão ele disse que vai matá-la.
Sr. Monk, por favor, você tem que me ajudar.
Você estava certo! Eu não sei o que estou fazendo!
Vamos.
Certo, vamos repassar de novo.
Lembra-se de alguma outra coisa que ele disse?
Nada de polícia!
Se ele sentir o cheiro da polícia, ela morre.
Marty, ninguém chamou a polícia!
Ela está certa. Ouça.
Sabemos onde ele estará às 20h.
Se encontrarmos a sua mãe antes disso,
a polícia poderá prendê-lo.
Eu sei, eu sei.
- Natalie. - Tudo bem.
- Sujou tudo… - Estou limpando!
Marty, pode se sentar no sofá?
Está deixando o Sr. Monk muito nervoso.
Tudo bem, mais uma vez.
O sequestrador disse que a deixou, certo?
Ela não está muito longe de onde ele fez a ligação.
Você se lembra de alguma outra coisa sobre o telefonema?
- Tipo o quê? - Qualquer coisa!
Barulhos no fundo.
- Eu não sei! - Ele não sabe.
A ideia nem foi minha. Minha mãe me obrigou a fazer isso.
Ela me obrigou.
Disse que era a única maneira
de um babaca solucionar um crime.
- Ela parece um amor. - É a minha mãe.
Não pode falar mal da mãe dos outros.
- Qual é o seu problema? - Marty!
Marty, Marty, concentre-se.
Pode tentar pensar?
Você deve ter ouvido alguma coisa.
Sim.
O mar. Acho que ele estava perto do mar.
Isso.
E tinha um barulho, tipo um clang.
Clang?
Com um som antes.
Era como uma pancada. Clang.
Pancada! Clang!
Certo, me dê um minuto.
- Pancada! Clang! - Sim, Marty, eu entendi. Pancada, clang.
Deixe-me pensar.
- Pancada! Clang! - Certo.
Meu Deus, ela está aqui.
- Certo. - Está aqui!
Mãe! Mãe!
Não, Marty, não. Não se separe! Fique perto do grupo!
Marty, eu quero que você se concentre.
Pode se concentrar?
Tudo bem, o cara disse que ela morreria às…?
- Às 20h20, foi é? - Por que 20h20?
- Por que não 20h ou 20h30? - Às 20h20.
- Pense! - Estou pensando.
- Pense mais. - Pense você.
Eu não sou o detetive famoso.
- Mas era, até duas horas atrás. - Natalie!
O quê?
- Às 20h20. - O que é 20h20?
Maré alta.
MARÉ ALTA: 8h20
Mãe!
Mãe! Mãe!
Tem que ser aqui.
Vai, Marty, vai!
Mãe! Mãe! Mãe!
Vou esperar aqui fora!
Vou dar cobertura pra vocês!
Mãe!
Mãe!
Mãe! Mãe! Espere!
Aguente firme, Sra. Eels!
Marty!
Depressa!
- Mãe! - Meu Deus! Rápido!
Marty, solte-a! Precisa soltar!
Está bem!
Depressa, Marty!
Aguente firme, Sra. Eels!
- Rápido! - Precisa se apressar!
Depressa, Marty!
Depressa!
Blanchard! Mãos pro alto.
Polícia!
Sr. Blanchard, você está preso pelo assassinato de Harold Gumbal.
Ande! Vamos.
Vamos logo.
Ótimo, obrigada.
Eles o pegaram. Acabou.
Que bom!
Sra. Eels, você provavelmente vai ter que testemunhar
sobre a ligação que ouviu.
Você contou pra ele?
Eu não contei.
Ele descobriu.
É um detetive de verdade.
Na verdade, ele encontrou a senhora.
Não tínhamos ideia de onde você estava.
Ele juntou todas as pistas.
Ele…
Realmente foi uma das investigações mais originais que eu já vi.
É um detetive incrível.
- O estilo dele é como… - O quê?
Ele não precisa de ajuda.
Não. Nenhuma ajuda.
Sério?
Quando o sequestrador ligou, eles surtaram.
Sou propenso a surtar.
Eu tive que dizer: "Vamos nos concentrar, porque minha mãe está em apuros!"
E isso fez com que todos se concentrassem.
Mas eu tive que me concentrar nos barulhos de fundo.
Consegui ouvir o mar.
E ouvi um clang e uma pancada.
- Uma pancada e um clang. - Uma pancada e um clang.
E… 20h20.
Isso chamou a minha atenção. Por que não 20h?
Por que não 20h30?
E então me lembrei: a maré alta é às 20h20.
Quando descobri essa informação, tudo se encaixou.
Marty… Marty, você é maravilhoso.
Quero agradecer ao departamento de polícia,
particularmente o capitão Stottlemeyer
e Adrian Monk.
Foi um caso muito difícil para mim.
Ontem à noite, eu tomei uma decisão.
É a decisão mais difícil da minha carreira,
mas eu vou renunciar à minha carreira
e assumir um cargo de professor na faculdade Fulton,
onde vou ensinar técnicas de investigação criminal moderna.
Você estava certo sobre ele, não é?
Ele estava trapaceando.
Aqui, Sr. Eels.
Desculpe. Derrubei a chave.
Ele estava trapaceando.
Tradução: Ana Paula Badaró
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