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Original subtitles

Voc� j� chegou.

Achei que s� chegaria � tarde.

Eu n�o queria passar outra noite em Manitou.

Terminou a cerca?

Me pagaram 5 d�lares extras por termin�-la mais cedo.

Est� trabalhando tanto.

Olha quem est� falando.

Sim, mas n�o tenho que viajar quando trabalho.

Tenho que ir aonde h� trabalho, Michaela.

Temos uma hipoteca pra cobrir.

Eu sei e me sinto t�o culpada por isso.

Se eu n�o tivesse queimado tudo na cl�nica...

O que acontece com voc�, acontece comigo.

Estamos nisso juntos.

E depois, trabalhar tanto n�o importa.

E a dormir sozinho que eu n�o consigo me acostumar.

Que bom que est� em casa.

� o �nico lugar onde eu quero estar.

Pra onde vai?

- Tenho que cozinhar. - Cozinhar?

E arrumar a casa.

Nosso h�spede chega hoje.

Daniel?

- N�o precisa se incomodar com ele. - Mas ele � o seu velho amigo.

- Quero causar uma boa impress�o. - N�o se preocupe.

- Daniel � como se fosse da fam�lia. - Exatamente.

Por que Dorothy ocupa espa�o com artigos desse tipo?

Quero not�cias locais. Locais.

Quem liga pra o que acontece em Nova Iorque?

E da� se a Bolsa de Valores est� em queda?

- Em queda? - Ei, voc� quase perdeu uma orelha.

Eu li no Denver Post que ela estava est�vel.

A� diz que os rica�os est�o se assustando e cancelando investimentos.

Ent�o s�o tolos.

Alarmistas.

A Bolsa est� inst�vel. � preciso se preparar para seus altos e baixos.

Faz mais de um ano que voc� foi a Virginia City, Sully.

Aposto que a mina de Daniel cresceu muito.

�.

Quanto ouro acha que Daniel achou?

N�s n�o perguntaremos � ele. N�o � educado perguntar sobre dinheiro.

Aposto que Daniel n�o ligaria se voc� perguntasse � ele sobre procurar ouro...

Michaela.

Um lembrete amig�vel.

No dia de hoje, est�o 3 meses atrasados com sua hipoteca.

Acredito que errou as contas.

Ter� o resto. Tem a minha palavra.

Tenho mais do que isso. Tenho sua assinatura.

Nos pap�is do empr�stimo. Documentos obrigat�rios.

E aqueles prazos est�o l� por uma raz�o.

Apreciamos sua paci�ncia, Sr. Lodge.

Haver� taxas pelos atrasos. Penalidades.

- E o pr�ximo pagamento � em uma semana. - Outro lembrete amig�vel?

Mas � claro.

Temos um trem pra encontrar. Se n�o se importa.

Ora...

- Olha pra voc�. - Mas o que � isso?

Chamam isso de terno, Sully.

Sully n�o est� acostumado a me ver assim.

Voc� est� muito bem.

Venha conhecer os outros.

- Matthew Cooper. - � o nosso xerife.

Sei. Sully contou as confus�es que a gente causava?

N�o. Deve ter esquecido.

- Voc� deve ser Brian. - Ol�, senhor.

S� Daniel, Brian.

Seu pai me escreveu sobre voc� e at� falou de seus artigos.

- Falou? - �.

Colleen est� na escola.

Mas essa... � a irm�zinha dela, Katie.

Ela � um anjo, Sully.

�, sim.

E...

Essa � a minha mulher, Michaela.

� um prazer conhec�-lo, Daniel.

O prazer � todo meu, senhora.

Esperei um bom tempo pra que se conhecessem.

- Vamos pra casa. - Eu pego a bagagem.

Obrigado, xerife.

5� Temporada - Epis�dios 18-19 Uma Casa Dividida

E de repente...

A mina inteira desmoronou.

E 2 tolenadas de pedras ca�ram perto de mim, parando h� cent�metros de Sully.

Mas voc� acha que ele entrou em p�nico, Brian?

N�o, senhor.

Sully s� esperou. Nem se moveu.

Eu n�o podia. Minha perna estava presa.

Foi Daniel que me tirou de l�. Podia ter morrido...

mas continuou cavando at� me achar.

- Voc� salvou a vida do Sully. - �. Bem... Ele faria o mesmo por mim.

Seremos eternamente gratos por isso. Como poder�amos recompens�-lo?

Bem... Que tal um jantar, Michaela? Estou meio com fome.

- Pode me dar uma m�o, Brian? - Claro.

Voc� vai ficar no quarto da Colleen. Mas tudo bem.

Ela levou aquela coisas de menina pra escola.

Isso � um al�vio, Brian.

Ele � �timo, Sully.

� simp�tico, encantador...

Mas...?

Eu n�o sei. Eu esperava que seu melhor amigo fosse...

Algu�m como voc�.

Daniel e eu temos pensamentos parecidos.

Sim, mas mesmo assim...

Mas em qu� eu estava pensando?

N�o h� ningu�m como voc�.

Vamos.

Jake.

Viu o nosso an�ncio novo?

"Fim-de-semana Especial.

- Bebidas gr�tis para h�spedes do Pepita." - Bebidas gr�tis?

Leia os detalhes.

"Exigida estadia de 2 semanas."

2 semanas de estadia. Gostei disso.

� uma hist�ria real.

Nunca sei quando est� brincando, Nuvem Dan�ando.

Boa tarde.

Voc�s dois est�o passando muito tempo juntos.

Estou escrevendo sobre ele, Jake.

- Tenho que fazer pesquisas. - Que tipo de pesquisa?

Bem, por exemplo, na pr�xima vez, ele vai mostrar como reunir ervas.

Voc� vai sair com ele?

Sozinha... Na floresta?

� onde as ervas crescem, Hank.

Um centavo.

- � uma boa cozinheira, Michaela. - N�o sei o que costuma comer...

mas agrade�o sinceramente.

O fogo est� apagando. Vou buscar mais lenha.

- Posso ajudar? - Claro.

- N�o vai terminar de contar como...? - Brian.

- Voc� mal deixou Daniel respirar! - Tudo bem.

Brian, eu volto em um minuto.

Vamos.

Ele � um bom garoto, Sully.

- Um bom filho. - �, ele � sim.

Eu devia saber que estava sendo modesto comigo.

- Do que est� falando? - Ora...

Dessa casa.

Voc� a descreveu como se fosse uma pequena cabana na floresta, mas...

Mas isso!

Eu quis dar algo especial � Michaela.

- Uma boa casa pra ela e as crian�as. - E conseguiu.

Obrigado.

Ent�o vai se estabelecer, hein.

Logo que eu achar a mulher certa, acho.

E agora que vendi a mina, tenho tempo de sobra pra procurar.

A vendeu?

Por todos esses anos eu andei por a�, explorando, tentanto achar ouro.

O estranho � que quando o encontrei, foi como se...

a melhor parte tivesse... terminado.

- E o que vai fazer agora? - N�o sei exatamente.

Mas eu fiz meu dinheiro e quero fazer algo importante, sabe?

Mas primeiro eu quero garantir que voc� ter� sua parte nos lucros.

- Que lucros? - Da mina, Sully.

Todo o tempo gasto e o trabalho duro que voc� teve me ajudando a come��-la.

N�o fiz isso pelo dinheiro. Eu fiz porque precisava da minha ajuda.

Eu sei disso.

E eu n�o teria conseguido sem voc�.

� a sua parte.

- � uma parte bem grande. - E voc� a mereceu.

Daniel...

Eu... Fico contente por seu sucesso.

E aprecio muito isso. S�rio. Mas...

Eu n�o posso aceitar.

Ainda � t�o teimoso e orgulhoso como sempre foi, n�o �?

Acho que sim.

Est� bem, por enquanto.

Vou ficar um pouco e espero que voc�... reconsidere.

Claro.

Ele foi muito decente e generoso em oferecer.

Robert E tem mais trabalho pra mim.

Vou continuar procurando.

Ficaremos bem.

- Quando eu conheci Sully? - N�o caiam nessa.

Foi em Nova Iorque. �ramos mais jovens que voc�, Brian...

e Sully estava ocupado me apresentando seu punho esquerdo.

E eu conheci o punho direito dele logo depois.

- Querem dizer que estavam brigando? - Pois �. Por um jogo de gude.

- Tivemos uma... diferen�a de opini�es. - Mas a gente se entendeu.

De algum jeito, estivemos do mesmo lado desde ent�o.

E ent�o vieram pro oeste juntos.

Exato. No in�cio da adolesc�ncia, prontos pra tomar a fronteira.

Devem ter deixado alguns rastros pelo caminho, hein?

�, criamos algumas confus�es.

Grace!

Que coragem. Dois meninos viajando sozinhos desse jeito.

N�o foi tanta coragem quanta a sua e de Robert E, Grace.

Se mudar pra um lugar estranho... E agora, olhem pra voc�s.

Os dois t�m os pr�prios neg�cios.

- Bem, trabalhamos duro pra isso. - N�o o bastante.

E voc�, Dorothy. Dirigindo um jornal.

Admiro muito o que fazem por essa cidade.

Que tipo de trabalho voc� faz, Daniel?

- Estou no ramo da minera��o. - Carv�o?

- Ouro. - Ouro?

- Como conseguiu? - Tive sorte.

Encontrei um pouco.

- Quanto exatamente? - N�o � educado perguntar sobre dinheiro.

Sully, talvez devesse pegar algumas dicas com o seu amigo bem-sucedido.

Perd�o, senhor, mas talvez voc� devesse pegar algumas dicas com Sully.

Isso deve dar.

P�ssegos.

Est� bom, n�o est�?

Claro.

Suas compotas s�o sempre deliciosas. Obrigada.

Muito obrigado.

Sully me falou sobre a sua bondade.

- Agora eu vi por mim mesmo. - Bem... muitos me pagam dessa forma.

Normalmente eu n�o me importaria, mas... agora...

Infelizmente n�o aceitam p�ssegos no banco.

� uma pena.

Mas � bom fazer suas compras e neg�cios banc�rios no mesmo lugar.

� mesmo, n�o �?

- Daniel j� chegou? - Ainda n�o.

- O que � isso? - O or�amento.

Or�amento? Mas, Michaela, eu...

N�o sei como conseguiremos guardar o suficiente.

Temos o empr�stimo, a escola de Colleen...

Talvez dev�ssemos telegrafar para a minha m�e.

N�o vamos emprestar mais nenhum centavo da sua m�e.

- Mas... - Michaela... Eu consegui um trabalho.

Numa cria��o de gado.

Um rancheiro passou no Robert E pra contratar homens.

Mas uma cria��o de gado? Quer dizer que ter� que sair de casa de novo.

Quanto tempo dessa vez?

S� por alguns dias.

- Talvez n�o precise ir. - Brian, eu tenho que ir.

Mas Daniel acabou de chegar.

- Talvez se... - Brian, eu n�o gosto de deixar voc�s.

Mas essa � a melhor chance de conseguirmos mais dinheiro. Eu posso...

cobrir a hipoteca pelos pr�ximos 3 meses com isso.

Quando voc� vai?

Depois de amanh�.

N�o vai ser f�cil, mas temos que tirar esse empr�stimo das nossas costas.

N�o vou deixar que a gente perca a nossa casa.

� uma promessa.

Sete, oito...

E uma mo�a comprou dois daqueles seus... como � o nome?

- Braceletes. - Que seja.

O que d�... nove.

Dez. Um d�lar pra cada um. N�s concordamos.

Cinquenta centavos.

Um d�lar.

Eu me lembro.

Por que n�o senta um pouco l� fora?

Ar fresco vai te fazer bem.

Estou confort�vel.

Dois fazem dez.

Bom dia, Nuvem Dan�ando.

N�o sabia que voc� estaria na cidade hoje.

- Fica para o almo�o? - Desculpe, Michaela. Tenho hora marcada.

Com Dorothy.

- Bom dia, reverendo. Loren. - Michaela.

Loren, preciso comprar algumas coisas e...

Vou precisar que coloque na minha conta.

Bem... Est� bem. Acho que eu poderia...

- come�ar uma outra p�gina. - Eu apreciaria isso.

Na sua l�ngua, Valeriana e Erva de S�o Crist�v�o.

Podemos fazer um ch� com elas para o sono.

Um ch� pra dormir.

Como aprendeu tanto sobre ervas?

Aprendi com o meu pai, que aprendeu com o dele.

- Passou por gera��es. - Sim.

Foi uma honra receber esse conhecimento, mas agora...

Minha fam�lia e meu filho se foram... E as tribos est�o dispersas.

Eu me pergunto:

Quem vai aprender isso agora? Quem vai saber?

Me ensine, Nuvem Dan�ando, e eu anotarei tudo.

E ent�o mais pessoas aprender�o.

Alfazema.

A alfazema � usada para o qu�?

Nada. Ela cheira bem.

O que � aquilo?

Deixa eu ver.

- Vai sair a que horas amanh�? - L� pelas oito.

J� selei ele pra sua viagem.

Tomei a liberdade de p�r ferraduras novas.

Ferraduras novas?

�. Eu n�o queria que tivesse problemas por l�.

- Bem, obrigado, Robert E... - Ah, esque�a isso.

Obrigado.

- Ol�, xerife. - Daniel.

Sully, escuta, eu soube de algo que voc� tem que saber.

O que �?

� sobre aquele rancheiro que te contratou.

Ouvi falar que se o gado n�o � vendido por um pre�o alto...

ele n�o paga seus homens como prometeu.

- � verdade? - Como eu disse, eu ouvi falar.

Mas � arriscado. Talvez n�o devesse ir.

Eu tenho que ir, Matthew.

Se ele pagar como deve, ser� um bom dinheiro.

Eu sei, mas...

- Que foi? - Estive pensando.

Eu posso vender a minha casa. Afinal, voc� a deu pra mim.

- Isso mesmo. E te dei ela. - Mas eu quero ajudar...

Eu aprecio isso. Mas fique com a sua casa e n�o se preocupe.

Vai dar tudo certo.

Tem muita gente aqui que se importa com voc�.

Olha, Sully...

Me parece uma vergonha voc� deixar sua fam�lia...

por um trabalho pelo qual pode nem ser pago...

E tudo isso pra dar tudo o que conseguir ao Preston?

Eu preciso, Daniel. Emprestei dinheiro do banco e agora preciso pagar.

Suponhamos que voc� esque�a essa cria��o de gado.

Suponhamos que eu te empreste o dinheiro.

Me escute.

Deixe eu te emprestar o dinheiro. Assim voc� paga o banqueiro...

e fica devendo pra mim.

P�r dinheiro entre amigos n�o � bom.

N�o vou aceitar um "n�o" como resposta t�o f�cil.

Pense nisso.

Eu vou perguntar de novo.

Est� bem.

Obrigado, Robert E.

Aqui est�! Olha o que estava na orelha dela!

Vem c�, garotinha. Vamos ver se consigo tirar mais uns trocados de voc�.

Vamos ver.

Tudo bem. Olha isso.

- Ele � cheio de truques, n�o �? - �.

Eu gosto de ter um tio.

Eu queria que voc� estivesse aqui enquanto ele est�.

J� conversamos sobre isso, Brian.

Eu sei.

Mas ele � seu amigo.

Por que n�o pega o dinheiro dele?

Como sabe disso?

- Eu... - Brian?

Sully...

Brian me escreveu uma carta.

Uma carta?

Ele s� disse que os tempos estavam dif�ceis.

Quando eu vi como voc� e a m�e estavam preocupados...

E voc� tendo que viajar o tempo todo...

Eu n�o sabia o que fazer.

A� eu lembrei que voc� foi ajudar Daniel quando ele precisou.

Me desculpe, pai.

Tudo bem, Brian. Eu sei que s� quis ajudar.

Ent�o, quando chegou, voc� j� sabia que precis�vamos de dinheiro.

Exato, eu j� sabia.

- Isso parece caridade, Daniel. - N�o, Sully. N�o � caridade.

- Tenho certeza que Daniel... - Isso � caridade, Michaela.

Est� muito claro.

Eu volto antes que percebam.

Olha...

Eu aprecio o que tentou fazer, mas...

Eu entendo. Voc�...

Tem que tomar conta de tudo sozinho.

Agrade�o por ficar aqui de olho em tudo enquanto estou fora.

� um prazer, Sully.

Ser� bom te ver quando eu voltar.

- Tchau, Sully. - Tchau, Brian.

Cuide-se.

Entre.

Daniel.

N�o quis me intrometer. Achei que gostaria de almo�ar.

Eu adoraria, mas estou muito ocupada.

N�o com pacientes.

Bem, eu... vou vender alguns dos meus suprimentos.

- N�o acabou de compr�-los? - Sim.

Na verdade, meu microsc�pio chegou hoje, mas...

Sinto que tenho que contribuir com alguma coisa.

Sully est� longe, trabalhando tanto...

E meus suprimentos s�o novinhos, posso conseguir um bom pre�o por eles.

Michaela...

Receio que eles deixaram de ser "novinhos" quando voc� abriu a caixa.

� prov�vel que valham 60 ou 70% do que voc� pagou por eles.

E depois, um dia ter� que comprar outros novos.

Se os meus pacientes me pagassem em dinheiro...

Voc� pediu � eles?

Bem... Eu assumi que se pudessem, me pagariam.

N�o pagariam?

Acho que sim.

A maioria das pessoas pode pagar, mas o que voc� tem que fazer �...

N�o, n�o. Continue, Daniel, por favor.

Bem... Ent�o...

O que voc� tem que fazer �...

- Fixar seus pre�os. - Pre�os?

�. Como a Grace faz com o Caf�... Robert E com a ferraria...

- Jake e Hank com o hotel deles. - Mas eu trato ferimentos e doen�as.

N�o vendo sopa ou alugo quartos.

� uma �tima m�dica e isso � o mais importante.

Mas acho que tem o direito de ser paga por seus servi�os como os outros.

A maioria das pessoas daqui � pobre.

Deixe eu te perguntar uma coisa.

Se estivesse em Boston, tratando pessoas num escrit�rio chique...

Teria algum problema em cobr�-las?

- Acho que n�o. - �timo.

Ainda em Boston, se algu�m cortasse o dedo, quanto cobraria pra dar os pontos?

Um corte simples?

Eu n�o sei... Um d�lar, talvez.

Ent�o cobre cinquenta centavos aqui.

25 centavos por constipa��o?

Dois d�lares por fraturas?

Que tal um ap�ndice? Quanto cobraria pra remov�-lo?

Cinco d�lares.

Isso vale duas fraturas e meia.

E um carb�nculo? Quanto cobraria por ele?

Grande ou pequeno?

- Boa tarde, cavalheiros. - Ah, Dorothy.

- Por que n�o puxa uma cadeira? - Ela n�o gostaria daqui, reverendo.

- N�o tem �ndios. - Dorothy, preciso te avisar...

Dizem que se voc� passar tempo demais com aquela gente...

sua pela ficar� t�o vermelha quanto o seu cabelo.

Tudo bem, reverendo.

Preciso de sil�ncio. Tenho trabalho a fazer.

Por que disseram essas coisas?

Est�o falando sobre ela e sua pesquisa de �ndio.

As pessoas n�o gostam disso.

- Poderia esperar um instante? - Obrigada, Grace.

Quantas p�ginas desse caderno voc� vai encher sobre aquele �ndio?

- Quem? - Voc� sabe de quem estou falando.

- Nuvem Dan�ando. - Achei que soubesse o nome dele.

Vou terminar quando eu terminar, Loren.

Ainda preciso aprender mais sobre os costumes e maneiras dele e...

S�o t�o diferentes dos nossos. S�o fascinantes.

Isso � fascinante ou ele �?

- E eu te deixei fazer isso... - Voc� deixou?

Mas agora voc� foi longe demais.

As pessoas est�o come�ando a comentar...

Que pessoas?

Tem que parar de v�-lo.

- E quanto ao meu livro? - N�o se trata mais do livro.

Dorothy, voc� sempre foi uma dama respeit�vel nessa cidade, mas...

O que voc� est� fazendo...

N�o � certo.

� como se eu tivesse olhado pra elas e elas fossem...

as m�os de minha av�. S� que s�o as minhas.

S�o as m�os fortes de uma mulher que trabalhou muito em sua vida.

Fiz o que eu precisava.

O jun�pero e a �gua morna aliviaram a rigidez?

Aliviaram um pouco.

Gostaria que tentasse adicionar uma colher dessas folhas...

na pr�xima vez.

Deixe-as de molho na �gua.

Essa combina��o se mostrou eficaz.

- Certo, Dra. Mike. - Estarei aqui se precisar.

Do contr�rio, volte em seis semanas.

� s� isso, ent�o?

- H� a... quest�o do pagamento. - Ah, sim!

Ainda bem que me lembrou.

S�o guardanapos.

Eu mesma os bordei antes da minha artrite piorar.

S�o muito lindos, Sra. Craig. Mas eu estava falando de...

S�o 50 centavos por sua visita.

- 50 centavos? - 25. Eu quis dizer 25.

Mas... Eu esperava que...

Ficar�o lindos na minha mesa, Sra. Craig.

Obrigada.

Ora, o que temos aqui.

- Melhor de sete? - Est� ficando tarde.

Mas eu quero dar outra chance ao Daniel, m�e.

Eu... j� perdi bastante... Mas voc�...

- J� � um campe�o. - T� bom.

- Amanh� ent�o. - Amanh�.

- Boa noite, m�e. - Boa noite.

Como foi hoje?

- Bem, eu cobrei todos os meus pacientes. - �timo. Isso � �timo.

Mas eu n�o disse que me pagaram.

Pelo menos... voc� tentou.

Damas?

N�o. Eu jogo xadrez.

Xadrez?

Voc� joga xadrez?

Eu adoro, mas n�o jogo h� anos.

- � o meu tipo de oponente. - Bem...

Vamos ver, ent�o?

N�o pense que vou facilitar s� porque voc� � a mulher do Sully.

�timo.

Assim n�o ter� desculpas depois...

quando perder.

Ent�o acha que serei um desafio, n�o �?

N�o quero assust�-lo, Daniel...

Mas eu...

Ganhei um tr�feu ou dois...

Ou seis, na minha �poca.

Seis?

Me lembro que quando eu era crian�a, minha...

Minha m�e e minhas irm�s se recusavam a jogar comigo.

S� o meu pai gostava de jogar comigo.

Mas ele gostou menos quando comecei a ganhar.

Ent�o acho que � melhor... eu ficar de olho em voc�, hein?

� melhor.

Pronto.

Sua vez.

Bom dia, Miss Lipton. Sra. Crawford.

Aqui est�o suas c�pias da Gazeta...

Sempre achei Nuvem Dan�ando apenas um sujeito intrigante...

Mas se minha associa��o � ele come�asse a custar meus neg�cios...

Eu cortaria meu contato com ele imediatamente.

Obrigada por dividir essa observa��o comigo, Preston.

Seria s�bio descontinuar sua rela��o com ele.

- Receio que n�o seja da sua conta. - Receio que seja, sim.

Se trata de exatamente 49% do meu neg�cio.

Ou esqueceu que somos co-propriet�rios da Gazeta?

Est� bem.

N�o vou ficar parado perdendo clientes por suas indiscri��es tolas.

Eu vou entrevistar Nuvem Dan�ando �s 3 horas dessa tarde.

Ent�o saia do meu caminho.

Dorothy, voc� trabalhou muito por isso.

Quer perder tudo s� por causa de um �ndio?

Eu sempre mantenho meus registros completos, claro...

Mas nunca dei muita aten��o a um livro caixa.

Agora...

Meus pacientes receber�o um recibo... E uma receita - se me pagarem -,...

E todas as transa��es ser�o registradas...

aqui.

Est� indo muito bem, Michaela.

Ora, voc� me inspirou.

Veja...

Eu tenho que garantir que registrei tudo certo.

Com certeza.

Essas colunas s�o para os meus gastos - suprimentos e tal...

E essas para os recibos.

Bem, voc� fez tudo certo.

E bem limpo e organizado. Eu devia ter esperado isso de voc�.

Obrigada, Daniel. Por todos os conselhos.

Foi um prazer te ajudar.

J� � hora do almo�o?

Bem, eu acho que �.

Outra entrevista com o �ndio?

Isso mesmo.

Vestida assim? Sem penas?

Os �ndios gostam de mulheres com penas.

Como � dentro da tenda do Nuvem Dan�ando?

Ele n�o tem uma tenda, Jake. Foi obrigado a morar numa cabana.

E como � dentro da cabana dele?

Ter�o que ler meu livro pra descobrir.

Quer dizer que esteve mesmo l� dentro com ele?

Ei, Dorothy...

Acho que ouvi ele te chamando.

J� chega!

Dorothy?

- Executar a hipoteca? - N�o tenho escolha.

- Mas Sully chegar� em alguns dias. - N�o posso esperar tanto.

Muitos dos meus investidores perderam dinheiro com a queda da bolsa...

E dois deles cancelaram seus empr�stimos.

O que isso tem a ver com minha casa?

Preciso de capital.

E sua casa � uma propriedade desej�vel.

Penso que render� �timos lucros ao meu banco, e muito r�pido.

Eu esperaria uma grande dificuldade em vend�-la, Sr. Lodge.

J� que os propriet�rios n�o t�m a menor inten��o de sairem.

E � muito conveniente...

tirar vantagem do fato de que Sully est� longe.

Espero resolver esse assunto sem rancor, mas...

A menos que se prepare para pagar seus d�bitos...

amanh� logo que eu abrir o banco...

n�o terei escolha a n�o ser executar a hipoteca e legalmente,...

com uso de for�a, se preciso, despejar voc�s.

N�o me diga que o torneio de damas dessa noite acabou.

N�o tem muita competi��o pra ele.

N�o vejo como ganhar algum jogo nessa casa.

Se importa se n�o jogarmos hoje?

- Michaela, est� tudo bem? - Claro. Est� tudo bem.

S� estou cansada.

Eu tamb�m estou meio cansado.

- Boa noite, Daniel. - Boa noite.

Desculpe, Michaela.

Eu peguei no sono.

Est�... muito frio.

O que h� de errado?

Aconteceu alguma coisa?

O que foi?

Daniel, eu...

O que? O que �?

Preston, o banqueiro...

Hoje logo cedo ele executar� a hipoteca.

Executar? Ele n�o pode fazer isso.

Aparentemente ele pode. E ele far�.

E Sully n�o chegar� a tempo com o dinheiro para pag�-lo.

Fiquei pensando numa maneira...

Alguma coisa...

N�o h� nada que eu possa fazer.

Vamos perder a nossa casa.

Eu n�o vou deixar, Michaela. Eu pagarei o empr�stimo.

Sim.

Pra mim, Sully mereceu aquele dinheiro. Sei que ele n�o pensa assim,

mas estou certo que ele n�o iria querer que perdessem sua casa.

Ele construiu essa casa por amor � voc�...

e � sua fam�lia. Voc� n�o pode...

deixar que algum banqueiro venha e a tome.

Eu sou amigo de Sully.

E agora sou seu amigo, tamb�m.

Me deixe fazer isso.

Por todos voc�s.

Certo.

Bom dia, Sr. Lodge.

Bom dia.

- Como foi? - Foi �timo.

Pagaram o que prometeram.

- Que �timo. - Bem a tempo de pagar o Preston.

N�o precisa fazer isso.

J� paguei nossa hipoteca, Sully.

Onde conseguiu o dinheiro?

- Deu � ela? - O banqueiro ia executar a hipoteca.

- Preston cancelou o empr�stimo. - Mas eu ia chegar com o dinheiro.

N�o era o bastante. Ele queria o pagamento integral.

Voc� renegociou?

Voc� nem tentou?

- Sully, n�s n�o pod�amos fazer nada. - "N�s"?

Isso n�o tem a ver com voc�. � a minha fam�lia.

Achei que tivesse entendido isso.

Voc� sabia como eu me sentia sobre isso.

- E o que eu deveria ter feito? - Devia ter me esperado.

- Ter�amos perdido a nossa casa. - Voc� n�o tem certeza disso.

Voc� me fez uma promessa.

Disse que nunca deixaria que perd�ssemos nossa casa.

Por que n�o posso dever essa promessa � voc�?

- Porque � diferente. - Por qu�?

- Porque eu � quem devo cuidar das coisas. - Por qu�?

Porque voc� � o homem? O marido?

Isso o faz mais respons�vel do que eu?

Sully, voc� mesmo disse que o acontece com voc� acontece comigo.

- Enfrentamos tudo juntos. - Voc� s� n�o devia ter feito isso.

Ainda estamos endividados, s� que agora...

- estou devendo a um amigo. - � melhor do que ao Preston.

N�o culpe Michaela. Ela n�o queria o dinheiro. Eu insisti.

Por qu�? Sabia que eu cuidaria de tudo.

Sim, eu sabia.

Mas se pudesse ver como a encontrei...

no meio da noite...

Na sala, perto da lareira. Doente de preocupa��o.

N�o pode entender? Eu tinha que fazer alguma coisa.

Eu vou te pagar. Centavo por centavo.

Considere isso como o seu primeiro pagamento.

Est� um belo dia, reverendo.

- Nuvem Dan�ando? - Sim.

Talvez gostasse de andar um pouco l� fora.

Loren fica muito ocupado � tarde.

Sozinho.

Ah, sim. Bem...

J� andei l� fora sozinho.

Reverendo, voc� vive nessa cidade h� muitos anos...

Sua mente ver� o que os seus olhos veem.

Acho que sim.

E se perder seu caminho, seus amigos e vizinhos podem gui�-lo de volta.

Toma. Suas coisas n�o vendem mais.

N�o vendem?

- Mas algu�m comprou... - N�o vendem.

E est�o tomando muito espa�o na minha loja.

Ent�o, acho que n�o ter� mais motivos pra vir pra cidade, n�o �?

Nuvem Dan�ando.

Nuvem Dan�ando...

Eu...

Precisa me perdoar pelo outro dia.

Tive um prazo inesperado.

Prazo?

Um trabalho que deve ser terminado em um certo tempo.

Eu espero que possa entender.

Eu entendo, sim.

� um bom trabalho, Sully, mas...

V� devagar. O Sr. James s� vem buscar o cavalo amanh�.

Eu quero deixar tudo pronto, s� isso.

- Deu tudo certo na cria��o de gado? - Sim.

- O rancheiro cumpriu com a palavra. - Que bom.

- Isso deve melhorar sua situa��o. - Acho que sim.

E voc� n�o vai precisar pegar tanto trabalho.

Robert E, se...

- Se n�o precisa da minha ajuda, eu... - Preciso, sim. Claro que preciso.

Eu n�o quero que procure trabalho pra mim...

Eu tenho um monte de trabalho aqui, Sully. Eu...

S� estou dizendo que voc� acabou de voltar.

E da�?

Voc� mal viu a sua fam�lia...

e trabalha como se houvesse fogo sobre voc�.

- Eu estou bem. - Eu sei, mas...

Se quiser passar algum tempo na sua casa agora...

especialmente com Daniel te visitando...

Eu tenho d�vidas pra pagar.

Bem, quando terminar, vou precisar de ajuda com os cavalos.

Pode deixar.

Obrigado.

O que est� fazendo?

Eu vim pra ajudar Sully, mas s� causei problemas.

Mas voc� teve a melhor das inten��es.

Mas n�o deu certo.

Voc� s� teve um desentendimento...

Uma discuss�o com o seu velho amigo.

N�o � uma raz�o para ir embora.

N�o acho que Sully me queira por perto.

Quer, sim.

- Sua amizade � muito importante para ele. - Pra mim, tamb�m.

� mais uma raz�o para voc� ficar.

N�o, eu devo ir.

- Me sinto respons�vel por isso. - N�o � culpa sua.

Isso n�o teria acontecido se eu n�o tivesse aceitado o dinheiro.

Sinto como se... eu tivesse me colocado entre voc�s dois, e...

Eu n�o posso tolerar isso.

Por favor.

Fique e converse com Sully.

Fa�a isso por mim.

Ainda andando pela ferraria?

- Isso se chama trabalho. - Mas por qu�?

Seu d�bito foi pago.

Pode voltar a fazer o que normalmente faria.

N�o fique na defensiva, Sully.

S� fico imaginando porque continua fazendo esse tipo de trabalho.

- Deve precisar muito do dinheiro. - Isso mesmo.

Por que n�o empresta mais do seu amigo rico?

Porque ainda vou pagar de volta.

� s� orgulho ferido ent�o, n�o �?

Voc� deixou seu lar para sustentar sua mulher e fam�lia...

e descobriu que o seu amigo se intrometeu e tomou seu lugar.

Ningu�m tomou o meu lugar.

Que escolha infeliz de palavras. Me perdoe.

S� fico pensando... Por que gasta seu tempo e habilidades aqui...

trabalhando por centavos?

- Se tem algo a dizer, diga logo. - Certo.

O que acharia de construir uma casa inteira?

Criar o projeto, usar os melhores materiais, ter o comando total...

e ganhar todo o dinheiro para pagar o seu amigo de uma s� vez?

Quem � que est� contratando?

Eu gostaria de me mudar no ver�o.

Sully, voc� � o especialista.

Leve essas id�ias em considera��o.

Poderemos discutir a planta final depois que voc� der uma olhada.

Est� bem.

Estou muito satisfeito por estar trabalhando para mim.

Est� trabalhando pra ele?

Sim, estou.

Robert E me disse que estava aqui. Por que est� fazendo isso?

Eu construo a casa dele e te pago.

Sim, e finalmente serei o orgulhoso dono de um original de Byron Sully.

- Est� mesmo decidido? - Estou.

- Ent�o eu vou ajudar. - N�o, eu...

Sim, Sully. Vou ficar e fim de papo.

Vamos terminar isso juntos.

- Ent�o vai pagar o que me deve. - Com licen�a.

Vai ajud�-lo a construir a minha casa para que ele possa te pagar?

Isso mesmo.

Que tipo de pessoas voc�s s�o?

Amigos.

- Estou terminando. - Pronto?

Vamos l�.

� um �timo peda�o de terra.

Preston chegou � cidade...

descobriu a melhor terra e garantiu que fosse o dono.

A vista � linda.

Muita gente costumava vir aqui pra admir�-la.

Na verdade...

gostavam especialmente de sentar sob essa �rvore.

E Preston a derrubou.

Voc� deve ter... uma lista enorme de reclama��es contra esse cara.

N�o costumo guardar rancor.

Claro que n�o.

Venha. Vamos continuar.

Os ossos est�o fortes, Dra. Mike.

E nem tem cicatriz.

- Costurou muito bem. - Obrigada.

N�o quero que fa�a esfor�o por seis semanas, mas...

depois disso pode fazer tudo normalmente.

Mas poder� sentir alguma dor se chover.

Quer dizer que vou saber o clima pelo meu osso?

Exato.

- O que � isso? - A conta. Por meus servi�os.

- Conta? - Ve-ver� que est� tudo em ordem.

Uma fratura composta. Corre��o do deslocamento...

fechamento do ferimento e todos os seus retornos, incluindo hoje.

Tr�s d�lares?

Acredito que seja um pre�o justo.

Mas eu esperava... Digo, minha mulher ia fazer tortas de ma��...

E isso seria �timo...

Minha fam�lia sempre gostou delas, mas...

Eu preciso mesmo exigir o pagamento em dinheiro a partir de agora.

Mas 3 d�lares, Dra. Mike? N�o tenho condi��es de pagar isso agora.

Eu entendo.

Quanto poderia me pagar agora?

Sr. Perkins...

Com certeza um bra�o curado...

vale mais que um charuto novo.

Eu tenho quase um d�lar comigo.

- Isso d� por enquanto? - Est� �timo.

Vou te dar a sua receita.

Vai colocar a janela balc�o aqui?

Foi o combinado. Disse que queria ver o nascer do sol.

Bem... Eu pensei melhor e decidi que prefiro ver o p�r do sol.

Ent�o a janela vai ficar � oeste.

S� mais algumas mudan�as menores.

Talvez seja melhor me seguir.

No geral, acho as varandas muito boas...

com um desenho muito bom.

Mas...

Daniel.

Michaela.

Eu mal podia esperar para contar � voc� e Sully.

Eu fui paga hoje. Em dinheiro.

Ora, parab�ns!

Bem, foi dif�cil para mim ter que insistir, e..

- eu n�o gostei disso, mas... - Mas foi bom ser paga por seu trabalho.

Sim. Foi, sim!

Eu gostaria mesmo de uma sala separada, com estantes...

uma sala para p�r uma mesa. Um escrit�rio.

- Outra sala. - Sim.

E acho que � uma boa hora para discutirmos uma altera��o no cronograma.

- Que altera��o? - Quero minha casa pronta em 4 meses.

- Em 4 meses? - N�o se assuste, Sully.

Darei 10% de b�nus, como um incentivo...

Se voc� termin�-la a tempo.

Mas se n�o conseguir...

Descontarei cada dia de atraso do seu sal�rio.

Isso n�o fazia parte do acordo, Preston.

Com certeza esse prazo n�o ser� um problema.

Afinal, agora voc� tem a ajuda do seu amigo ali.

Ora, ora.

Isso deve aquecer o seu cora��o, Sully.

Ver seu melhor amigo e sua esposa se dando t�o tem.

Imagino que devem ter se conhecido muito bem enquanto voc� esteve fora.

Quero te agradecer, Daniel.

Por ficar e se acertar com Sully.

Claro.

Bom dia, Sr. Harriman.

Sr. Harriman, n�o pegou o seu jornal essa semana!

- Reverendo! - Bom dia, Dorothy.

- Voc� est� bem assim...? - Sim, estou �timo.

Andei tanto por essa rua. Posso fazer isso cego.

Bem, � �timo ver que...

Digo, � bom que esteja aqui fora aproveitando o dia.

N�o posso passar o dia todo sentado na loja do Loren.

Eu sei como � isso.

Se importaria de caminhar um pouco comigo?

Pra manter os cavalos fora do meu caminho?

Ora, claro.

Obrigado.

Parece que o Sr. Harriman n�o estava muito amig�vel hoje.

Bem, ele...

N�o, n�o estava.

Dorothy, estar cego n�o me impede de saber o que acontece nessa cidade.

Reverendo, o que as pessoas est�o dizendo ou pensando...

- N�o � verdade. - N�o estou perguntando se � verdade.

Sabe, h� uma coisa estranha sobre a minha cegueira.

�s vezes acho que ela me ajuda a ver as coisas mais claramente do que nunca.

Como assim?

Quero dizer que, como n�o posso mais ver como as pessoas s�o...

O que est�o vestindo, a cor da pele...

Nada exterior importa muito pra mim.

Agora � como se eu pudesse ver por tr�s disso.

Por dentro das pessoas.

Seus cora��es e almas.

- Parece ser uma coisa maravilhosa. - Pode ser.

Um homem como Nuvem Dan�ando, por exemplo...

Foi ele quem me sugeriu que eu desse mais essas caminhadas.

Foi?

Isso mesmo.

Sabe...

Eu nunca tomei muito tempo para conhec�-lo...

Mas agora que posso ver...

Nuvem Dan�ando � uma alma muito boa e am�vel.

Me sinto com sorte s� por conhec�-lo.

Obrigado pela caminhada, Dorothy.

Foi um prazer.

Obrigada.

Michaela.

Est�o adiantados.

Ent�o...

Como foi o resto do dia?

Bem, eu dei 23 pontos na perna do Sr. Bailey...

Tr�s centavos cada ponto. � isso.

Vou buscar minhas coisas.

Boa tarde, cavalheiros.

Miss Dorothy.

Miss Dorothy. � bom v�-la.

Sully... eu soube que voc�s dois est�o construindo a casa de Preston.

Isso mesmo.

Voc� consideraria...

p�r uma tranca especial nela, pra Preston ficar preso l� pra sempre?

S� se eu ficar com a chave.

Daniel, poderia me ajudar?

Claro.

Obrigada.

Venha.

- Vejo voc� de manh�, Dorothy. - Tudo bem, Michaela.

- Senhores. - Miss Dorothy.

Vamos?

"A batalha progrediu...

logo ap�s o luar ter dan�ado sobre o lago prateado.

No final, apenas um homem ficou em p�.

O s�bio e nobre Cavaleiro.

Saudando seus compatriotas, ele montou em seu cavalo branco...

e partiu silenciosamente noite adentro."

Fim.

Foi maravilhoso, Brian. Muito descritivo.

Foi muito empolgante.

- Foi a sua melhor hist�ria, Brian. - Obrigado!

- Voc� tem escola amanh�. - Eu sei.

- Boa noite, Daniel. - Boa noite.

- Boa noite. - Boa noite, m�e.

- Boa noite, Sully. - Boa noite, Brian.

Quer jogar?

Eu jogo.

Eu sei jogar.

Eu sei que joga bem, mas...

Era s� deixar o tabuleiro fora do arm�rio, ou eu n�o pensaria em pedir.

Ora, eu adoraria jogar xadrez com voc�.

Acho que vou dormir.

Mas ainda � t�o cedo.

Por que n�o fica por aqui? Sully n�o joga faz tempo e...

O jogo n�o deve demorar muito.

N�o tenha tanta certeza.

N�o. Eu... Eu estou cansado.

Ent�o est� bem. Vou buscar um caf�.

- Boa noite, Michaela. - Boa noite, Daniel.

Cuidado que est�o quentes.

Obrigado.

Obrigado.

T� cheirando gostoso, m�e.

Vai fazer algo especial na escola hoje, Brian?

Sim. Vamos come�ar um cap�tulo novo. Sobre os exploradores.

Exploradores? Parece interessante.

Quanto tempo vai levar pra construirem a casa do Sr. Lodge?

Alguns meses.

Ent�o voc� vai ficar aqui por esse tempo.

� tempo demais pra uma visita. Acho que vou...

procurar um lugar na cidade pra eu ficar.

Posso me virar com a casa sozinho se quiser ir embora.

Sully, eu prometi que o ajudaria, e vou ajudar.

� bem vindo a ficar aqui o quanto quiser, Daniel.

� um �timo h�spede.

Como da fam�lia.

Obrigado, Michaela. Obrigado.

Claro. Fique o quanto quiser.

Como assim... tenso?

Bem... Sully e Daniel estavam...

Muito calados.

Estar calado n�o � incomum pra Sully.

N�o, quero dizer extremamente calados.

Achei que a quest�o do dinheiro tivesse acabado, mas...

Obviamente n�o acabou para Sully.

Sinto uma certa raiva nele.

- Em rela��o � voc�? - N�o, em rela��o � Daniel.

Ele at� tem me dado mais aten��o.

Na noite passada ele quis jogar xadrez comigo.

- Xadrez? - Ele queria muito jogar.

Nunca notei que ele tivesse algum interesse antes.

Antes de Daniel chegar.

Michaela...

- Acho que Sully est� com ci�mes. - Ci�mes?

- De voc� e Daniel. - Dorothy...

E acho que Daniel...

- est� apaixonado por voc�. - N�o seja rid�cula.

Bem...

Talvez voc� n�o perceba, mas...

Sully com certeza percebeu algo e...

Eu tamb�m percebi.

Quando eles te buscaram hoje...

algo t�o simples como te ajudar a p�r seu casaco...

deixou Daniel muito desconfort�vel.

- Isso � uma bobagem. - E quando voc� ia subir na carro�a...

O jeito como ele olhou pra Sully, com medo de tocar sua m�o.

N�o. De jeito nenhum. Daniel � o melhor amigo de Sully.

- Isso n�o � poss�vel. - Michaela....

�s vezes, quando estamos bem no meio da situa��o...

N�o conseguimos perceber o que est� havendo...

Voc� pode perceber o que quiser...

mas n�o significa que seja verdade.

Sim, imagino que tenha raz�o...

Mas... talvez o que as pessoas v�em...

seja verdade.

E voc� s� n�o queira aceitar.

Tenho pacientes para ver.

Michaela.

Daniel.

N�o esperava te ver aqui.

Sully me mandou comprar madeira.

Michaela, posso falar com voc� por um minuto?

Claro.

Eu nem sei como come�ar, mas...

Daniel, a-acabo de me lembrar.

Tenho um paciente para ver agora. Podemos conversar mais tarde?

Claro. Nos vemos na sua casa, ent�o.

Sim.

- Espero n�o estar interrompendo... - Como pode ver, estou muito ocupado.

Vim me desculpar por n�o encontr�-lo naquele dia.

- Voc� tinha... um prazo. - N�o.

N�o tinha, n�o, Nuvem Dan�ando. Esse foi s� um pretexto.

Eu escolhi n�o vir.

As pessoas da cidade... n�o entendem como eu posso...

Elas n�o acham certo...

que eu e voc�... Voc� e eu...

passemos um tempo juntos.

Para o meu livro.

Meu povo tamb�m n�o aprova.

Ent�o voc� entende.

Que n�s dois vivemos entre pessoas tolas?

� que eu gostei muito de nossas entrevistas. Nossas conversas.

Eu gostei muito de nossas conversas.

- Muito mesmo. - Eu tamb�m.

E quando penso que podem acabar...

Bem, minha... minha pesquisa est� quase terminada.

E ent�o n�o vamos falar mais?

Sim, vamos falar, Nuvem Dan�ando. Quando eu te ver.

Acho que � isso que est� me incomodando.

N�o as fofocas da cidade.

� que... Quando minha pesquisa terminar...

e eu come�ar a escrever o livro...

N�o haver�... uma raz�o pra eu te ver.

Ou sim?

As pessoas viram algo que n�s n�o vimos?

Sobre n�s?

- Isso � uma bobagem... - N�o.

Precisamos considerar...

Sobre n�s.

Sim.

O que n�s somos um para o outro?

Exatamente?

N�s somos... amigos.

Amigos.

- O jantar est� �timo, Dra. Mike. - Obrigada, Matthew.

Fico feliz por ter vindo.

Eu n�o perderia isso.

Eu vi Ben Marcus hoje na cidade.

Ben Marcus?

Como ele est�?

Est� bem.

- E a fam�lia dele? - Est� bem, tamb�m.

Ele mandou sauda��es.

O Sr. Bray falou de fazer grandes mudan�as no armaz�m.

� mesmo, Brian? Que mudan�as?

Mudar as coisas de lugar.

Que coisas?

Voc� sabe. Coisas.

Outro �timo jantar, Michaela.

Me d�o licen�a?

Xerife.

Daniel?

- Eu n�o quis te acordar. - O que est� fazendo?

Achei que era hora...

de eu ir embora.

Est� partindo?

Acho que � o melhor.

Mas no meio da noite?

Tem que se despedir de Sully. N�o pode ir agora.

- Por favor, n�o v�. - O que est� havendo?

O que est�o fazendo aqui?

- Eu estava indo embora. - �timo.

- Sully, voc� n�o quis dizer isso. - Quis, sim.

Eu vi como voc� olha pra ela.

Vamos. Diga � ela.

Voc� vai negar?

O que est� esperando?

- Eu n�o sei o que... - Vai logo!

Ele � seu amigo.

Ele era.

- Bom dia, reverendo. - Dorothy.

Senhores. Sra. Fowler.

- Bom dia, Sra. Davis. - Ent�o... S� isso?

Deixe eu ver...

- E aquelas coisas feitas por �ndios? - J� disse que n�o vendo mais.

Mas eu quero um par desses mocassins.

Dorothy...

Voc� tem alguma esp�cie de conex�o pessoal com esses �ndios, n�o �?

Talvez possa me conseguir uns bons mocassins.

Sou jornalista, Hank, e n�o do ramo de sapatos.

E o tal de Nuvem Dan�ando?

Ele poderia me ajudar.

Tenho certeza que ele teria prazer em ajud�-lo.

Agora tem "certeza"?

Ent�o deve conhec�-lo muito bem.

Pra falar a verdade, sim.

Nuvem Dan�ando � um cavalheiro.

E sinto orgulho por poder cham�-lo de meu amigo.

E continuarei a v�-lo quando eu quiser... e onde eu quiser.

E se algu�m n�o aprova isso...

E me refiro � todos...

Ser� mesmo uma pena.

Dorothy, voc� viu Sully essa manh�?

O procurei em todos os lugares.

N�o, Michaela, eu n�o o vi. O que houve?

Ah, Dorothy. Aconteceu uma coisa terr�vel ontem � noite.

Voc� tinha raz�o.

Sully acredita que Daniel tenha sentimentos por mim.

Oh, c�us.

Ele ficou muito nervoso e saiu.

Ele s� precisava de um tempo pra se acalmar.

Mas eu n�o o encontro em lugar nenhum.

- O que ele deve estar pensando...? - Michaela, Sully ama voc�.

Nunca vi um homem t�o devotado � sua esposa.

Ele vai voltar pra casa.

N�o se preocupe.

Esses bancos devem ser muito desconfort�veis.

Eu dormi no Pepita de Ouro.

Por acaso voc� viu Sully l�?

Ele saiu de casa?

Michaela, eu lamento muito sobre tudo isso.

A �ltima coisa que eu queria era trazer problemas pra voc�s dois.

Ent�o vamos procur�-lo.

Diga � ele que o que ele pensou � uma bobagem, um absurdo.

- N�o posso fazer isso, Michaela. - Por que n�o?

Por que n�o � uma bobagem.

O que Sully pensou � verdade.

Voc� � a melhor mulher que eu j� conheci.

N�o, Daniel, por favor...

E Sully... � o melhor amigo que eu j� tive.

� por isso que devo ir.

�, deve mesmo.

Adeus, Daniel.

Michaela.

Queria falar com voc� antes de ir.

Vou esperar em casa.

� o homem mais sortudo do mundo, Sully.

E eu s� posso desejar toda a felicidade pra voc�s dois.

Eu nunca quis que isso acontecesse.

Eu s� n�o pude evitar.

Eu sinto muito.

Eu tamb�m.

Parece que n�s sempre estamos...

colocando milhas entre n�s.

Milhas n�o importam.

N�o.

Todos � bordo!

Diga adeus ao Matthew por mim.

E ao Brian e � Katie.

Sentirei a falta deles.

Eles tamb�m v�o sentir sua falta.

Eu te aviso onde vou ficar.

Acho bom.

Porque eu ainda vou te pagar.

Aposto que vai.

At� o �ltimo centavo.

Que bom que est� em casa.

� o �nico lugar onde eu quero estar.

Traduzido e legendado por J. M. Mazaia

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