All language subtitles for The Trials of Oscar Wilde 1960 Peter Finch

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Original subtitles

- Legendas - Lu�s Filipe Bernardes

Londres nos anos 1890

- Chame um coche, por favor. - Sim, senhor.

H� anos n�o vejo uma pe�a t�o brilhante.

O homem � um g�nio. Foi muito divertido.

Dizem que est� escrevendo outra. Mal posso esperar.

Cocheiro!

O teatro ingl�s acaba de ganhar um novo g�nio.

Wilde seria o primeiro a concordar com voc�, Harry.

Pena eu n�o apreciar o autor tanto quanto apreciei a pe�a.

Dane-se o autor contanto que nos ofere�a pe�as como essa.

O LEQUE DE LADY WINDERMERE

Ent�o, Oscar, Como se sente com todo esse sucesso?

Alguma d�vida, Robbie?

Parab�ns, Oscar. Brilhante a sua pe�a, brilhante!

Sou for�ado a concordar consigo, Lord Sonning.

Sr. Wilde, fiquei encantada com sua pe�a!

Eu apreciei at� o intervalo.

Pobre Lady Sonning, guarda resqu�cios de uma feiura devastadora.

Sempre fui grande admirador de sua obra, Sr. Wilde.

Eu tamb�m sempre fui grande admirador da minha obra, Sr. Shaw.

- Frank! - Oscar, pe�a espl�ndida.

Obrigado. M�e, minha querida!

Que triunfo, meu filho, um verdadeiro triunfo.

Ada, o que vai dizer de minha pe�a na sua revista feminina?

Tecerei os maiores elogios como voc� mesmo o faria, Oscar.

Voc� sempre foi a melhor cr�tica do meu trabalho.

- Mas eu nunca critiquei seu trabalho. - Exatamente.

Estou t�o orgulhosa, Oscar.

E eu de voc�.

Voc� est� linda.

Oscar, as pessoas est�o olhando.

Ora, Oscar nunca se importa com seu comportamento em p�blico.

E o que mano Willie achou da pe�a? Se � que conseguiu assistir do bar.

Estou totalmente s�brio, Oscar.

Reservei uma mesa no Savoy. Chame um coche, Robbie.

Constance, pena que n�o possa vir, mas sabe como s�o esses jantares comemorativos.

N�o tem problema.

Minha m�e a levar� para casa, n�o �, m�e?

Claro! Willie, pegue meu casaco.

Ada.

Vamos, Bosie.

- Boa noite, Sra. Wilde. - Boa noite, Bosie.

Um cravo verde. Que del�cia de excentricidade.

- Rid�culo, se quer saber. - Quem � o rapaz bonito com ele?

Nossa, Edith, voc� est� por fora. Toda Londres s� fala nisso.

Uma vergonha o comportamento dele.

Esses artistas acham que podem tudo.

- Mas quem � ele? - Lord Alfred Douglas, filho do Queensberry.

- Se eu fosse Queensberry, eu... - Faria o qu�?

O que faria?

O que faria?

Com licen�a.

Lord Alfred, lembra-se de minha filha, Phyllis?

Como vai, Sra. Somers?

Pobre Sra. Somers, sempre empurrando aquela filha.

Pois est� perdendo tempo com ele.

- Meu Deus! - Que maldade.

Bosie!

Nem sequer me cumprimenta mais?

O que voc� quer, pai?

N�o imagina o mal que me faz v�-lo expor-se a tamanho rid�culo?

Pra cima e pra baixo com esse Wilde como um cachorrinho de estima��o?

Vai fazer outra de suas cenas?

Danem-se as cenas, n�o tolerarei esse comportamento!

Gostaria que sa�sse com desportistas ou lutadores profissionais?

Pelo menos meus amigos se comportam como homens.

- Tenho mais de vinte e um anos... - Rec�m-feitos!

N�o lhe devo explica��es por meu comportamento nem permiss�o para escolher meus amigos.

Voc� desonra o nome dos Queensberry!

Bosie, o coche j� chegou?

Oscar, esse homem insuport�vel � meu pai.

- Lord Queensberry, prazer em conhec�-lo. - O prazer � todo seu, Sr. Wilde.

- Vamos, Oscar. - Espere, tenho umas coisas a lhe dizer.

Agora escute aqui...

Francamente, acho que o p�blico j� viu bastante encena��o por hoje.

- Exijo que me escute! - Estou escutando. Ali�s todo o teatro est�.

Bravo, Wilde.

Deveras divertido, n�o foi, querida?

Fico lisonjeado, Sua Majestade.

Sra. Langtry, est� lind�ssima.

Amo elogios, Oscar, tanto quanto voc�.

N�o sabia que era um mecenas das artes, Queensberry.

Julgava que luta-livre era seu forte.

Obrigado pela noite encantadora, Wilde. Aguardaremos ansiosos sua pr�xima pe�a.

Boa noite, senhor. Vamos, Bosie?

Escute bem, pai.

Chega de me perseguir. Na pr�xima vez que interferir em minha vida

ou escrever mais cartas insultantes,

n�o hesitarei em procurar amparo legal.

Ter� a lei no seu encal�o mais cedo do que espera, rapaz.

- Bom dia, Edward. - Bom dia, Sr. Wilde.

- Linda manh�. - Sim, acho que andarei um pouco.

Siga-me.

- Para onde, senhor? - Ao Caf� Royal.

Caf� Royal? Muito bem, senhor.

Sr. Wilde, Sr. Wilde! Meus leitores querem saber uma coisa.

- Para que jornal voc� escreve? - O Echo.

Mas se quisessem saber alguma coisa, eles n�o leriam o Echo.

- Por que usa sempre um cravo verde? - Sr. Wilde, seu livro Dorian Gray...

- Como? - Por que sempre usa um cravo verde?

Considero a natureza um tanto inepta.

� inimagin�vel que nunca tenha pensado em cravos verdes.

Mas � s� dar um tempo.

Sr. Wilde, seu livro Dorian Gray tem recebido duras cr�ticas.

N�o por mim.

Muita gente tamb�m o considera um imoral.

Ora, mas o que � imoralidade?

Para mim, conformar-se com os tacanhos padr�es morais desta era vitoriana...

� o maior exemplo de imoralidade.

Mas dizem que muito do que escreve, inclusive sua filosofia,

...s�o basicamente imorais. O que teria a dizer?

Posso ter ofendido algumas pessoas, mas estou certo de que em 50 anos...

as obras de Oscar Wilde ser�o leitura b�sica em toda escola prim�ria.

Pena que n�o estarei l� para receber os direitos autorias.

Devo dizer que jornalistas seriam os �ltimos a falar de moralidade.

- Como? - � verdade, Lord Alfred.

Existe algo mais imoral que um jornal?

Condena jogos de azar na primeira p�gina e d� palpites das corridas na �ltima.

Brilhante, Bosie. Queria ter dito isso.

Mas dir�, Oscar, dir�!

Quando voltar a Oxford poder� dizer que ofuscou Oscar Wilde.

Se voltar, com certeza eu direi.

Como assim?

N�o sabiam? Eu fui expulso.

Parab�ns!

Atualmente os melhores alunos est�o sendo expulsos.

O que voc� fez, Bosie, botou fogo nas cal�as do reitor?

Gar�om, mais champanhe.

Francamente, acho que educa��o demais faz mal. N�o � verdade, Oscar?

Com toda certeza.

A ignor�ncia � um fruto delicado. Ao m�nimo contato ela desaparece.

N�o me disse que tinha sido expulso.

- N�o? - N�o.

- Ah! - Por qu�?

Assunto ma�ante demais.

Ma�ante ou n�o, gostaria que me contasse.

Houve um esc�ndalo com um rapaz da cidade, sabe como Oxford � provinciana.

Eu achei at� divertido mas...

...infelizmente meu pai n�o.

Ficou t�o enojado com "aquele" filho dele, como me chama,

que acabou me renegando de vez.

Assim, fiquei sem um tost�o.

- Frank, voc� est� b�bedo. - B�bedo? Quem est� b�bedo?

Oscar, alguma vez j� me viu beber al�m da conta?

N�o, s� levar tombos aqu�m da conta.

Por que n�o me falou disso antes?

- Voc� estava t�o ocupado com sua pe�a e... - Qualquer problema � s� me procurar.

E se precisar de dinheiro, n�o se preocupe.

- Voc� � muito gentil comigo. - Gosto muito de voc�.

Ademais, para que serve a amizade?

Venha, Sr. Wilde, estamos ficando sem assunto.

Ainda bem que n�o � sem vinho.

Nesses �ltimos anos fiz uma descoberta maravilhosa.

�lcool tomado em doses suficientes produz todos os efeitos de uma bebedeira.

Senhores, quero fazer um brinde, � juventude.

Oscar, fala como se fosse um velho.

E sou. Faria de tudo para recuperar minha juventude perdida...

...exceto praticar exerc�cios ou acordar cedo.

Gar�om, mais uma garrafa de champanhe.

- Boa noite, senhor. - Ol�, Arthur.

Oscar, disse que vinha almo�ar.

Tive que me encontrar com meu editor.

As crian�as estavam perguntando por voc�.

Recusam-se a ir para a cama antes que lhes conte uma hist�ria.

Ah, est� bem.

Papai! Papai!

Que hist�ria � essa de n�o irem dormir?

Queremos que nos conte uma hist�ria.

Entendi... Bem, vejamos qual eu contarei hoje.

N�o demore, Oscar.

- Gigantes ou drag�es? - J� contou uma de gigantes ontem.

- J� contei a do pr�ncipe feliz? - N�o.

Bem no alto da cidade, numa enorme coluna, ficava a est�tua do pr�ncipe feliz.

Era todo ornamentado com folhas fin�ssimas de ouro.

No lugar dos olhos, duas safiras reluzentes.

E um grande rubi reluzia na empunhadura de sua espada.

Era lindo como um cata-vento.

Pois n�o?

O Sr. Oscar Wilde?

N�o sei se ele est� dispon�vel, meu senhor.

- Meu nome � Wood. - Wood?

Sim, sou amigo do Lord Alfred Douglas.

Ah, sim. Queira entrar.

Verei se o Sr. Wilde pode receb�-lo.

Minha querida e pequenina andorinha, disse o pr�ncipe,

voc� me conta coisas fant�sticas.

Mas o mais fant�stico de tudo...

...� o sofrimento dos homens e mulheres.

Com licen�a, tem uma visita para o senhor.

Est� bem.

Chama-se Wood, senhor.

- Wood? - Disse ser amigo de Sir Alfred.

- Entendi. - Est� na sala da frente.

Obrigado, Arthur.

Sr. Wood?

Isso mesmo, senhor.

Muito delicado, delicado demais.

Soube que � amigo de Lord Alfred.

Bem... de certa maneira, sim.

Muito simp�tico que ele �, muito.

- Ele nunca o mencionou, Sr. Wood... - Alfred Wood.

Mesmo nome que o senhor.

N�o sou nenhum lorde, mas...

como diria um poeta como o senhor, "O que h� num nome?"

- Conhaque, Sr. Wood? - Obrigado.

Conheceu Lord Alfred em Oxford?

N�o foi bem em Oxford, n�o como possa imaginar.

Eu...

prestava alguns servi�os para ele.

Ele sempre foi muito gentil comigo.

Um cavalheiro como o senhor em todos os aspectos.

� um prazer conhecer qualquer amigo de Bosie.

Bosie? Ah...

Sim, claro.

Sa�de.

�timo conhaque.

Espanta o frio dos ossos.

Bem, eu...

N�o farei rodeios, como se diz.

Por mero acaso eu...

...encontrei essa carta sua para Lord Alfred Douglas.

Uma carta muito bonita, se me permite dizer.

Mas h� certos trechos que podem ser...

...mal-interpretados, talvez seja a melhor palavra.

Como voc� chegou a ela?

Eu costumava passar as roupas de Lord Alfred.

Ele � muito exigente com suas roupas.

Como deve bem saber.

Encontrei em um dos bolsos.

Est� pedindo que eu compre minha pr�pria obra, Sr. Wood?

- Bem, eu... - Ora essa, n�o vejo muito sentido.

J� me ofereceram 60 libras por ela.

Ent�o sugiro que a venda imediatamente.

Eu mesmo jamais recebi proposta t�o alta por uma prosa desse tamanho.

Tome a carta. Foi tolice minha pensar que poderia extorqui-lo.

A verdade � que estou desesperado por dinheiro e...

...a fome leva as pessoas a fazerem coisas est�pidas.

Ora, gostaria de um sandu�che de presunto?

Est� gozando de mim, senhor.

Pelo contr�rio, est� se saindo muito bem.

- Acho que j� vou indo. - N�o, n�o, fique, termine seu drink.

� muito gentil de sua parte.

Mas um p�ssimo criminoso, se me permite dizer.

A verdade � que vim a Londres atr�s de trabalho.

Trabalho, Sr. Wood � a maldi��o das classes bebedoras.

O segredo para se manter jovem...

...� ter uma paix�o desordenada pelo prazer.

Quarenta libras?

Estou saindo para jantar. Gostaria de me acompanhar?

� muita gentileza, senhor.

H� um charme fascinante na tibieza de suas inclina��es criminosas.

Desconfio que leve uma vida maravilhosamente perversa.

Todo mundo tem o lado bom e lado mau.

Voc� � um fil�sofo nato. Estou certo de que vamos nos dar muito bem.

Sa�de.

Posso servir o jantar, senhora?

N�o entendo, o Sr. Wilde disse que ia jantar em casa.

Talvez tenha sido chamado a neg�cios.

- Sim. - Vamos aguardar?

- N�o, jantarei sozinha. - Muito bem, madame.

- Bosie, est� quase uma hora atrasado. - Sim, eu sei.

Hm, conhe�o essa cara. Geralmente � um pren�ncio de cenas desagrad�veis.

Espero que esteja enganado. Estou de �timo humor.

- Est�? - Estava.

Claro, depois de jantar com seu amigo ontem no Savoy.

O Sr. Wood?

Francamente, Oscar, n�o tem vergonha?

- O homem � um criado. - Um criado muito divertido.

Bosie, gra�as a Deus que n�o me deixo inibir pelo seu senso de classe.

D� para perceber.

Afinal ele era seu amigo.

- Eu mal o conhecia. - N�o foi essa a impress�o que ele me deu.

Bom dia, milord.

- O que ele queria afinal? - Dinheiro, como qualquer pobret�o.

Deseja fazer seu pedido, milord?

- E voc� deu? - Por um bem de grande valor.

Uma carta que escrevi para voc� em Oxford.

Posso recomendar a lagosta, milord?

- Um... um linguado � meuni�re. - Sim, milord.

Est� dizendo que ele o chantageou?

Largar aquela carta onde qualquer um pudesse encontrar...

n�o s� foi uma irresponsabilidade sua...

como falta de respeito por algo que eu esperava fosse...

...�ntimo e pessoal.

- Gar�om, traga um champanhe, r�pido. - Sim, milord.

Bosie, parece que estou fadado a pagar por suas indiscri��es e suas extravag�ncias.

Dinheiro, � s� nisso que pensa?

Quando era jovem, pensava que dinheiro era o mais importante.

Hoje tenho certeza

Ora, Oscar, voc� nunca est� satisfeito. Um livro que � um sucesso, pe�a no West End.

Com casa lotada de credores.

Sabe quanto eu j� gastei desde que estamos juntos?

Claro, deve ter anotado tudo.

Almo�o aqui todo dia, jantar no Savoy, ceia no...

- Olha s� o que fez! - Perd�o, senhor.

V� embora, pare com isso!

Champanhe sempre dos melhores. Seu paladar � muito delicado.

Bosie, voc� parece achar-se no direito de viver �s minhas custas,

num luxo ao qual nunca foi acostumado.

Pago suas contas de hotel, de alfaiate, as d�vidas de jogo.

Voc� exige sem eleg�ncia e recebe sem gratid�o.

Terminou?

Seja franco, Oscar, esperava o qu�?

Que eu fosse um menino de rua que pudesse comprar com ninharias...

...e um almo�o ocasional num restaurante no Soho?

H� dois anos eu lhe ofere�o minha amizade.

Admirei sua genialidade, ri de suas piadas, adulei sua vaidade.

E ainda questiona o pre�o dessa amizade.

Ela n�o tem pre�o que pague!

Para meu Bosie, do Oscar Natal de 1895

- Boa noite, Sr. Wilde. - Boa noite, William.

Sidney.

Obrigado, senhor.

- Boa noite, Sr. Wilde. - Boa noite.

Quero que leve isto... a este endere�o...

� logo ali na esquina.

- Imediatamente. - Muito bem, senhor.

- Ol�, Robbie. - Ol�, Oscar.

- O que vai tomar? - Um conhaque, dos grandes.

John, um conhaque grande.

Me d� um cigarro, devo ter esquecido os meus em casa.

- O qu�? - Cigarro.

- Ah, sim, claro. - Obrigado.

O que foi, Oscar?

- N�o est� passando bem? - N�o, s� muito cansado.

Seu conhaque, senhor.

Obrigado.

Oscar.

Sabia que alguns membros do clube est�o fazendo press�o para que seja desligado?

Espero que n�o, ou terei que procurar outro lugar para dormir � tarde.

Faz ideia do quanto est�o falando de voc� e o que est�o dizendo?

Amo esc�ndalos sobre os outros.

Mas quando se trata de mim acho fastidioso.

Falta o charme da novidade.

N�o creio que v� achar esse rumor fastidioso.

Robbie, est� preocupado com meu bem-estar? Que impertin�ncia.

N�o foi minha inten��o. Oscar...

Eu entendo que suas extravag�ncias sejam s� para causar efeito.

Voc� � um artista. O p�blico espera que seja diferente.

Mas n�o � mais um jovem poeta asc�tico rec�m-chegado de Oxford.

� um autor de grande sucesso no pico da carreira.

Frequenta a realeza, convive com a nata da sociedade.

Ah!

Est� � beira de um precip�cio.

Contanto que se comporte como jogral, a sociedade o aceitar�.

Mas se cobrar toler�ncia al�m da conta...

...ela o lan�ar� nas profundezas da obscuridade.

Ora essa.

O halo que o cerca pode muito bem tornar-se uma forca.

Francamente, Robbie, que t�dio.

Diga-me s� uma coisa.

Isso que falam de voc�...

...n�o � verdade, �?

N�o sei que rumores s�o esses, n�o teria como responder.

Dizem que est� sendo chantageado por causa de sua rela��o com Bosie.

Que voc� convive com criminosos, com cavalari�os.

Soa bastante divertido e intrigante.

Continue.

S� quero ouvi-lo dizer que n�o � verdade.

Robbie,

magoa-me profundamente que se prevale�a de nossa amizade...

...para invadir minha vida privada.

Julgava-o um cavalheiro.

Vejo que me enganei.

S� quero ouvi-lo negar, Oscar.

Pense o que quiser, Robbie.

- O Sr. Wood chegou, senhor. - Obrigado.

Robbie, como gosto muito de voc� esquecerei tudo que acabou de dizer.

Boa noite.

Boa noite.

Ol�, Oscar.

Lindo o seu clube.

Gostei daquilo.

Que tal um champanhe hoje?

N�o precisava ter-se preocupado.

Precisa se alimentar.

Gostou?

J� comi nos melhores restaurantes da Europa...

...mas nada se compara aos seus p�es doces.

Onde est� o vinho?

- N�o entregaram esta semana. - Ora essa, por que n�o?

Quem sabe porque devemos 85 libras ao fornecedor?

Estamos vivendo a cr�dito, n�o podemos continuar assim.

Quando eu terminar esta pe�a, tudo estar� resolvido.

Se for Bosie, diga que n�o estou.

Preciso falar com o Sr. Oscar Wilde.

- Sinto muito, o Sr. Wilde n�o est�. - Mas eu exijo que...

- Onde ele est�? - Por favor...

Wilde, quero falar com voc�. Sente-se.

Ora, Lord Queensberry. Tudo bem Arthur, pode ir.

Vejo que a nobreza n�o det�m o monop�lio das boas maneiras.

�s favas com as boas maneiras.

O que tenho a lhe dizer tem pouco a ver com boas maneiras.

Ent�o presumo que tenha trazido seu amigo monstruoso para apoio moral.

Tratando-se de moral tenho todo o apoio de que preciso.

� raro encontrar algu�m cujo senso de moralidade fosse dominante...

sem que ela fosse cruel, desalmada, vingativa...

e totalmente desprovida de um laivo de humanidade, Lord Queensberry.

Pessoalmente, acho prefer�vel ter cinquenta v�cios n�o naturais a uma virtude n�o natural.

Isso n�o � dif�cil de acreditar.

Agora escute aqui...

Suponho que tenha vindo fazer um discurso.

Nesse caso, espero que seja breve, pois tenho trabalho a fazer.

Wilde.

Wilde.

Estou aqui para protestar contra seu relacionamento asqueroso com meu filho.

O que diz � revoltante e calunioso.

E exijo que se desculpe.

Eu me recuso a desculpar-me.

Recuso-me a me desculpar por dizer algo que � de conhecimento...

...de todo cocheiro ou mensageiro em Londres!

Lord Queensberry, est� realmente insinuando haver alguma conduta impr�pria...

...entre mim e seu filho?

N�o digo que haja.

Digo que parece, o que � t�o ruim quanto.

Mas isso eu lhe digo.

Se os pegar juntos novamente,

vou ca��-lo com um a�oite e o abaterei a chicotadas.

Vejo que quando se trata de lutar,

voc� ignora as regras dos Queensberry.

S� estou lhe avisando.

E eu lhe aviso que se n�o sair j� de minha casa, eu o porei para fora.

N�o sairei enquanto disser o que tenho a dizer.

Pelo contr�rio, vai sair j�!

Pegue-o! Pegue-o!

Arthur, abra a porta!

- Este senhor est� de sa�da. - Sim, senhor.

Este, Arthur, � o Marqu�s de Queensberry, o indiv�duo mais infame de Londres.

Nunca mais o admita nesta casa, fui claro?

Sim, senhor.

- Agora saia. - Est� bem.

Mas vai se arrepender, isso eu lhe prometo.

Prometo!

Voltem j� para seus quartos!

Isso � tudo, senhor?

Espero que sim, Arthur.

Isso precisa parar!

S� depende de voc�, Arthur.

Ora essa, n�o posso mais trabalhar em paz?

N�o basta os credores batendo � porta,

Bosie invadindo a casa como se fosse um clube,

e agora esse tosco com seus pugilistas de aluguel.

For�a bruta d� para tolerar, mas mentes brutas j� � demais.

� um golpe baixo no intelecto.

Oscar, eu lhe imploro que termine essa amizade com Bosie.

N�o por mim, mas por seu pr�prio bem.

Ele toma demais do seu tempo, exige demais de suas emo��es.

Eu sei.

A verdade � que...

o rapaz tem uma estranha fascina��o por mim...

...da qual n�o consigo me livrar.

Ele precisa de voc� mais que voc� a ele.

Precisa de voc� porque � fraco e presun�oso.

E voc� lhe d� um status que nunca teria sozinho.

Continuar� sugando de voc� at� n�o sobrar mais nada.

Ele vai destru�-lo, Oscar.

Quando me casei com voc�...

n�o acreditava ser poss�vel amar algu�m tanto quanto a amava.

Eu ainda o amo, querido.

Para mim voc� � maior e melhor que qualquer outro homem no mundo.

Ajude-me, Constance.

Ajude-me.

Por que n�o viaja um pouco, pelo menos at� terminar sua pe�a.

Talvez desanuvie sua cabe�a.

Sim, pode ser.

Sempre gostou do tanto do mar, por que n�o vai para Brighton?

Deve estar bem sossegado nesta �poca do ano.

�tima ideia, Constance, mas...

se mal temos dinheiro para pagar as contas, como pagarei o hotel?

Faz meses que n�o toco na mesada de meu pai. N�o � grande coisa mas...

- N�o, Constance, n�o... - Por favor!

Por favor.

Eu te amo.

Eu te amo.

Meu Deus, Sr. Wilde, por onde o senhor andou?

Conversando com os elementos, Sra. Burgess.

- Est� todo encharcado! - Escutando a sabedoria do mar.

A noite inteira na rua num tempo destes.

Vamos subir e tirar essas roupas molhadas...

Mas est� tudo aqui, cada palavra, cada epigrama, Sra. Burgess

- �timo, mas vamos... - Cada movimento, cada intervalo.

Est� tudo aqui. E o mais importante �...

...quem � Ernest.

- Ernest e sua tia... Vamos subindo, vamos...

Voc� � muito gentil, Sra. Burgess.

Bem, se n�o se fizermos alguma bondade nesta terra...

...melhor nem estar aqui.

Eu vejo assim.

Fique a� bem agasalhadinho.

Tem certeza de que este � o endere�o certo?

Foi para c� que o trouxe, n�o tem como errar.

- Um sujeito bem art�stico, ele. - Aguarde-me aqui, por favor.

Muito bem.

Bom dia, senhora.

Haveria a mais remota possibilidade de estar hospedando um Sr. Oscar Wilde aqui?

Sim, senhor.

Que extraordin�rio... Posso entrar?

Claro.

- Em que quarto ele est�? - � s� subir as escadas.

Mas seria melhor n�o incomod�-lo.

Ele passou a noite toda fora e n�o est� nada bem.

N�o diga.

Pensei at� em chamar um m�dico.

Um m�dico s� receitaria um pouco menos de conhaque na sua soda.

Ora.

- Ent�o � aqui que anda escondido, hein? - Bosie!

Como voc� me cansa, procurei-o por toda parte.

Vasculhei todos os hot�is em Brighton. Parecia um detetive.

- O que voc� quer? - O qu�?

O que eu quero? Nada. S� queria te ver.

Nossa, que escurid�o.

Realmente voc� n�o parece nada bem.

Acho que me resfriei ontem � noite.

Que loucura ficar num lugar desses.

Nem imagino a comida.

Assim que soube que estava em Brighton, claro que fui direto para Grand.

Naturalmente.

Estou numa su�te deliciosa com vista para o mar.

Cuja conta receberei oportunamente, claro.

S�rio, Oscar,

n�o admito que fique nem mais um minuto neste tug�rio.

Ademais, tem gente fascinante hospedada no Grand.

Veja s� esse quadro, francamente.

Ser� que n�o entende que vim para terminar minha pe�a com paz e tranquilidade?

Voc� e seu pai estavam me enlouquecendo em Londres.

Bosie, eu preciso trabalhar.

Eu seria a �ltima pessoa no mundo a interferir com seu trabalho.

Querendo ou n�o, voc� interfere.

- O que voc� tanto procura? - Meu len�o, o que mais seria?

Meu Deus, toma!

Francamente, voc� doente fica insuport�vel.

- N�o � minha culpa se estou resfriado. - Mas sim de estar estar insuport�vel.

Essa � a nova pe�a?

"A Import�ncia De Ser Prudente".

Sim, est� quase terminada.

Fico feliz em saber. A pobreza n�o lhe cai bem.

Na verdade, acho que voc� foi muito injusto.

Desaparece e me deixa sozinho sem um centavo.

Quer terminar nosso relacionamento, � isso?

N�o sei o que quero, s� quero que me deixem em paz.

"Obrigado pela companhia, foi �timo enquanto durou, agora suma."

Bosie, n�o percebe que estou doente? Mal sei o que estou fazendo.

Mas e eu?

N�o me importa, contanto que v� embora e me deixe em paz!

Quer dizer para sempre?

N�o d� para continuar. Seus...

ataques insanos, suas extravag�ncias...

Isso tem que parar, Bosie.

Meu pai ficar� feliz de saber que enfim conseguiu rompeu nosso relacionamento.

Nossa, est� abafado aqui, nem sei como consegue respirar.

N�o aguento mais ser um joguete nessa guerra infernal entre voc� e seu pai.

Pelo amor de Deus, feche essa janela.

Est� me responsabilizando pelos ataques malucos do meu pai?

N�o vejo muita diferen�a entre voc�s, s�o dois malucos.

Bosie, a janela.

Bem, assim j� � demais.

� assim que me agradece esses dois anos dedicados a voc�?

- Meu Deus, o que eu fiz para merecer isso! - Como pude ach�-lo t�o maravilhoso?

Pelo amor de Deus, Bosie, v� embora!

Veja s�, um �dolo da sociedade choramingando feito um vira-lata.

Voc� acha que vou deixar por isso mesmo?

Acha que vai me recha�ar s� porque n�o te sirvo mais?

Voc� n�o � meu pai!

Bosie, ficou maluco?

- N�o sabia que � um mal de fam�lia? - Largue isso!

Bosie, por favor!

Como voc� fica insignificante quando est� com medo.

Nunca pensei que sentiria medo de mim.

Esse lugar me deprime.

Ah...

Teria um dinheiro para eu pagar o cocheiro, eu...

Esquece.

- Aguarde-me, por favor. - Sim, senhora.

- Boa tarde, madame. - Boa tarde, Arthur.

- O Sr. Wilde est�? - Est� trabalhando no momento.

Mas a Sra. Wilde est� na sala da frente.

A Sra. Leverson, madame.

- Ada! - Desculpe aparecer sem avisar.

Imagine! Arthur, providencie um chazinho, por favor?

Claro, madame.

Que bom te ver. Nossa, voc� est� gelada.

Venha aquecer-se perto da lareira.

Estava bordando meu presente de anivers�rio para o Oscar.

Acha que ele vai gostar?

Com toda certeza, est� lindo.

Oscar tem um gosto refinad�ssimo, at� para as coisas mais simples.

- Como ele est�? - Ah, muito melhor.

S� precisava de algu�m que cuidasse bem dele.

E o Bosie?

Est� tudo acabado agora, gra�as a Deus.

Voc� n�o imagina como estava, Ada.

Uma mulher que ameace um casamento at� se compreende.

Mas um homem.

Constance! Estou ouvindo a voz de Ada?

� sim, querido!

Preciso esconder isso para n�o estragar a surpresa.

- Ada, minha querida! - Est� com a cara �tima, Oscar.

Hm, que del�cia de chap�u.

Constance, onde est� aquela garrafa de champanhe que eu guardei?

- Oscar, vai come�ar a beber t�o cedo? - Claro que vou, � uma celebra��o.

Voc� terminou a pe�a.

A cortina desce no terceiro ato de A Import�ncia de ser Prudente...

...assim que toca a campainha. Ada, voc� tem um timing perfeito.

- A pe�a � boa? - Extraordin�ria.

H� anos que n�o me sinto t�o feliz. Trabalho, estou perto das crian�as,

Constance � um anjo da guarda.

Acho at� que estou ficando enfadonho, bourgeois...

e muito velho.

Voc� sente saudades dele, n�o?

Sim.

�s vezes, quando vejo a claridade do sol no c�u vespertino,

ou ao passear pelo rio olhando as �guas escuras,

parece que o vejo passar por mim no escuro...

...a� me sinto terrivelmente s�.

J� viu isto?

N�o consegui encontrar as ta�as de champanhe, faz tempo que n�o as usamos.

Oscar, o que foi?

O irm�o mais velho de Bosie morreu ontem num acidente de ca�a.

Nossa, que horror.

Deve ter sido o Francis, n�o �?

Bosie era muito chegado a ele, n�o?

- Arthur. - Senhor?

Quero que v� ao correio enviar um telegrama.

Sim, senhor.

Acho que ele vai precisar de mim.

Tendo Deus Todo Poderoso chamado para si a alma de nosso querido irm�o,

assim devolvemos seu corpo � terra...

Bem...

dir-se-ia que s� uma morte enseja uma reuni�o familiar nesta casa.

Est�o todos muito silenciosos!

Acabo de perder um filho. Isso n�o significa nada para voc�s?

Hm?

Voc� � m�e dele, n�o chora por seu filho?

O �nico filho homem de fato que jamais teve?

- Francamente, pai. - O �nico homem de fato entre voc�s tr�s!

- Adeus, m�e. - Adeus, Bosie.

Bosie!

Aonde pensa que vai?

Enterrei meu irm�o. Nada mais me prende aqui.

Esta � sua casa, maldi��o!

Voc� pertence aqui!

Nasceu aqui!

Kinmount � a casa dos Douglas h� mais de trezentos anos!

- Adeus, Percy. - Bosie.

Bosie.

N�o v�, filho, fique aqui.

S� por alguns dias, hein?

Sinto-me t�o solit�rio aqui �s vezes e...

S� por alguns dias, hein, filho?

Chama-me de filho?

N�o sou seu filho.

Voc� me renegou, ou j� se esqueceu?

Renegou-me a mim como a toda a fam�lia. Enxotou minha m�e desta casa com seus...

...abusos e sua imoralidade!

Perseguiu-me a ponto de ter que me afastar de voc�...

...por receio do que pudesse fazer se pusesse as m�os em voc�.

Tentei fazer de voc� um homem.

Tentei proteg�-lo de si mesmo como qualquer pai digno...

Essa dignidade voc� perdeu no momento em que enxotou minha m�e desta casa...

...e trouxe sua amante para morar aqui.

- Maldita insol�ncia! - Por favor!

Devia chicote�-lo at� ficar mole!

Quem � voc� para falar em moral?

- Pelo amor de Deus, pai! - E ele com aquele maldito Wilde?

Gra�as a Deus eu pus um fim naquilo.

Um dia desses voc� ainda h� de me agradecer de joelhos por isso.

Ele me mandou um telegrama esta manh�.

Pelo menos ele tem mais compaix�o pelo meu luto do que voc�.

Vou voltar para Londres hoje � tarde, e esteja avisado!

Da pr�xima vez que tentar interferir na minha vida,

eu compro uma pistola e vou atr�s de voc� para mat�-lo!

Bosie!

Bosie!

Bosie!

Voc� n�o mais filho meu, est� me ouvindo?

N�o � meu filho!

Volte para seu amiguinho! Mas eu ainda vou me ver com voc�.

E com ele tamb�m!

Porei os dois atr�s das grades!

Est� me ouvindo?

Atr�s das grades!

Preciso muito me desculpar voc�, Oscar.

- Comportei-me pessimamente... - N�o se fala mais disso.

�s vezes uma boa briga esclarece as coisas.

O que vai fazer quanto a seu pai?

Juro que � s� por sua causa que ainda n�o entrei com um processo contra ele.

Envolver sua fam�lia toda num esc�ndalo n�o ajuda ningu�m, exceto os jornalistas.

N�o importa, contanto que me deixe em paz.

Nossa, por que estamos falando do meu pai?

Sua nova pe�a estreia no s�bado.

Dev�amos estar brindando ao sucesso.

Sucesso?

Ora, meu caro, tem alguma d�vida de que ser� um sucesso?

� Import�ncia De Ser Prudente.

� import�ncia da amizade.

Espere a�.

- Lord Queensberry? - Sim.

Perd�o, mas recebi ordens expressas para n�o permitir sua entrada no teatro.

Bah!

- Deve estar louco. - Sinto muito, senhor.

- Afinal, quem � voc�? - Oficial de pol�cia, senhor.

N�o me diga... oficial de pol�cia.

Ajude um aleijado, senhor.

Perd�o, senhor, n�o � permitido entrar sem autoriza��o.

- Sabe com quem est� falando? - Com certeza, Vossa Senhoria.

Escute aqui, por que n�o vai andando e esquece isso tudo?

Quer estragar a noite das pessoas?

- Eu ainda tenho muita influ�ncia! - Com toda certeza, milord.

Pois bem, comunicarei isso aos seus superiores.

Parece meio frouxo das ideias, hein?

Tor�amos para que ele n�o volte.

Senhoras e senhores, diverti-me imensamente esta noite.

Os atores deram uma magn�fica interpreta��o nesta pe�a maravilhosa.

E a rea��o de voc�s foi muito inteligente.

Parabenizo-os pela sua interpreta��o,

o que s� faz provar que apreciaram a pe�a tanto quanto eu.

- Que humor. - Olha o Queensberry.

- Queensberry, o que ele est� fazendo aqui? - Louco como sempre, suponho.

Louco.

Com licen�a, com licen�a!

Sr. Wilde.

Permita-me lhe oferecer isto.

Lindo. Sempre que as cheirar me lembrarei do senhor.

Ao Clube Albemarle.

R�pido.

R�pido!

Posso ajud�-lo?

D�-me uma caneta.

Agora, quero que voc�...

entregue este bilhete...

...ao Sr. Oscar Wilde.

Muito bem, senhor.

Para Oscar Wilde, posando de sodomita.

- Toma, Edward. - Obrigado, Sr. Wilde.

- Bom dia, Wilde, parab�ns. - Obrigado.

Wilde, meu caro, vi sua pe�a ontem. Passei mal de tanto rir.

Vejo que se recuperou muito bem, Major.

Sr. Wilde. Um senhor pediu que lhe entregasse isto ontem � noite.

Soube que sua pe�a foi um grande sucesso.

- Meus parab�ns, senhor. - Obrigado, Sidney.

Ol�, meu caro, adorei sua pe�a.

Sem d�vida alguma, Sr. Wilde, por si s� o que est� escrito neste bilhete...

j� � motivo suficiente para processar Lord Queensberry por difama��o.

Isso significa que assumir� o caso, Sir Edward?

O mais importante � se deseja levar avante essa a��o.

- Mas claro! - Por que pergunta, Sir. Edward?

Sem d�vida a defesa de Queensberry alegar� que os dizeres alvo da den�ncia...

...eram justific�veis e de fato verdadeiros.

Mas n�o �!

Mesmo assim, a defesa far� de tudo para provar que �.

E isso pode tornar-se bastante embara�oso para o Sr. Wilde.

Eu concordo. N�o vale a pena, Oscar.

Queensberry � um louco. Process�-lo � exatamente o que ele quer.

Por isso mesmo ele deixou aquele bilhete.

Mas se deixarmos por isso mesmo, nada o segurar�.

H� que se tra�ar algum limite, � uma quest�o de princ�pio.

Acho que Lord Alfred tem raz�o. O homem tem que saber at� onde vai.

Ent�o deseja entrar com a a��o.

Desejo.

S� quero ver a cara de meu pai quando eu subir no banco de testemunhas.

Voc� n�o testemunhar�, Bosie.

Ficou maluco, Oscar?

Sou vou falar como ele tem me perseguido,

como enxotou minha m�e de casa com suas maluquices...

N�o quero que se envolva, Bosie.

Receio dizer que Lord Alfred j� est� envolvido.

Claro que estou envolvido.

N�o o quero exposto a esc�ndalos mais que o necess�rio.

- Oscar, n�o percebe que... - Bosie, voc� n�o testemunhar�, ponto final.

Deve perdoar Bosie, ele � meio impulsivo.

D� para perceber.

Enfim, voc� tem um caso bastante robusto.

Qual � o problema, Robbie?

Est� determinado a se autodestruir, � isso?

N�o entendi.

Achei que pensasse com a pr�pria cabe�a, uma cabe�a brilhante.

- Ora, Robbie... - N�o pode deixar-se levar por Bosie!

- Qual � a alternativa? - Viaje para o exterior.

Deixem Queensberry e o filho brigarem entre si, eles se merecem.

Tarde demais, Robbie.

Bem, Sir Edward. estou � sua inteira disposi��o para o que for necess�rio.

Apenas uma pergunta que preciso fazer.

Por favor.

S� aceito este caso, Sr. Wilde,

se me der sua palavra de honra como cavalheiro ingl�s,

que nenhuma das acusa��es feitas � verdade.

Asseguro-lhe, como cavalheiro irland�s, que nenhuma delas � verdade.

Ent�o, at� amanh� �s 10:30. Pode ser, Sr. Wilde?

Muito bem. Sr. Humphries.

Jornais! Queensberry preso!

Jornais! Jornais! Edi��o especial!

Queensberry preso! Jornais! Jornais!

Aquele � Edward Carson, defensor de Queensberry.

Frequentamos Trinity College juntos.

Sem d�vida far� seu trabalho com doses extras de amargura de um velho amigo.

Sil�ncio!

Todos de p�.

Todas as pessoas que sejam parte interessada perante os Ju�zes de Sua Majestade, a Rainha,

sob Jurisdi��o deste Tribunal de Justi�a Criminal, aproximem-se e marquem presen�a.

Deus salve a Rainha.

Fa�am entrar John Sholto Douglas, Marqu�s de Queensberry.

John Sholto Douglas, Marqu�s de Queensberry.

O senhor � John Sholto Douglas, Marqu�s de Queensberry?

Sou, sim.

Os jurados, em nome de Sua Majestade a Rainha,

declaram sob juramento que John Sholto Douglas, Marqu�s de Queensberry,

com intento de difamar Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde,

instando este a reclamar seus direitos pelo constrangimento p�blico,

o esc�ndalo e o opr�brio resultantes,

no dia 4 de fevereiro do ano de 1895,

na jurisdi��o deste tribunal,

escreveu e publicou de forma ilegal e com intento malicioso...

uma cal�nia falsa, escandalosa, perniciosa e difamat�ria,

na forma de um bilhete...

...endere�ado ao supracitado Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde,

em que escreveu as palavras,

"Para Oscar Wilde, posando de sodomita."

Sil�ncio no tribunal.

...sujeitando a danos, esc�ndalo e opr�brio o mesmo Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde,

e atentando contra a paz de Sua Majestade a Rainha, sua Coroa e sua dignidade.

John Sholto Douglas, Marqu�s de Queensberry,

como se declara diante da acusa��o?

Culpado ou inocente?

Inocente, milord.

Data venia, Excel�ncia,

a defesa sustenta que a alegada cal�nia,

no sentido literal das palavras nela contidas,

� verdadeira tanto substancial como factualmente.

E que era de interesse p�blico que o teor da alegada cal�nia fosse publicado.

- Tal alega��o j� consta dos autos? - Sim, Excel�ncia.

Obrigado, Sr. Carson. Que a testemunha fa�a o juramento.

Segure a B�blia com a m�o direita e leia o cart�o.

Juro por Deus Todo Poderoso dizer a verdade...

Coloquei o bilhete num envelope que enderecei ao Sr. Oscar Wilde.

Ao entrar no clube, eu o entreguei ao Sr. Wilde...

...e disse que Lord Queensberry pedira que lho entregasse.

Olhou para o cart�o depois que foi entregue?

Sim, senhor.

Obrigado, Sr. Wright.

- N�o tenho perguntas, Excel�ncia. - A testemunha pode retirar-se.

N�o creio haver qualquer insinua��o por parte da defesa...

...de que Lord Queensberry n�o tenha deixado o bilhete no clube Albemarle,

ou que tenha escrito as palavras denunciadas por meu cliente.

Na sua justificativa quanto ao intento de denegrir o car�ter do Sr. Wilde,

a defesa apresentou como prova uma carta...

...escrita pelo Sr. Wilde para Lord Alfred Douglas, filho do acusado.

Proponho que essa carta seja lida para o tribunal.

"Meu menino.

Seu soneto � uma beleza.

E � prodigioso pensar que o l�bios vermelho rosa...

...possam ter sido feitos n�o apenas para a m�sica e o canto,

...mas para a loucura do beijo.

Sua alma dourada e fina caminha entre a paix�o e a poesia.

Eu sei que Jacinto, a quem Apolo amava loucamente, era voc� nos dias hel�nicos.

Sempre, com amor imorredouro, seu, Oscar."

As palavras contidas na carta podem soar um tanto extravagantes...

...para os mais afeitos a escrever cartas comerciais.

Sil�ncio!

Mas o Sr. Wilde � um poeta.

E essa carta � por ele considerada soneto em prosa...

e da qual n�o se envergonha nem um pouco.

Pe�o agora que o Sr. Oscar Wilde suba ao banco de testemunhas.

Segure a B�blia com a m�o direita e leia o cart�o.

Juro por Deus Todo Poderoso que direi a verdade,

toda a verdade e nada mais que a verdade.

O senhor � Oscar Wilde e � o autor desta a��o.

Sim.

- Quantos anos tem, Sr. Wilde? - Trinta e nove anos.

� casado, Sr. Wilde?

Sim, e tenho dois filhos, um de nove anos, outro de oito.

E quando conheceu Lord Alfred Douglas?

Em 1891.

Um amigo o trouxe a minha casa.

E desde ent�o se tornaram mais chegados.

Foi convidado v�rias vezes a minha casa.

Como convidado seu e de sua esposa?

Com certeza.

Em mar�o de 1893...

teve conhecimento de que uma carta sua endere�ada a Lord Douglas...

...chegara �s m�os de uma certa pessoa?

Sim, um homem chamado Wood me procurou...

...dizendo t�-la encontrado no bolso de um casaco pertencente a Lord Alfred.

Ele pediu dinheiro por essa carta?

Disse que um homem lhe havia oferecido 60 libras por ela.

E o que respondeu?

Disse que nunca recebera proposta t�o alta por uma prosa daquele tamanho...

...e aconselhei-o a vend�-la para o tal homem imediatamente.

Antes disso, j� havia sofrido v�rios constrangimentos...

...por parte de Lord Queensberry, n�o � verdade?

Sim, escreveu v�rias cartas abusivas para mim e para meus amigos...

e uma vez ele invadiu minha casa incitando-me a expuls�-lo.

E o que aconteceu nessa ocasi�o?

Ele fez certas acusa��es acerca de minhas rela��es com Lord Alfred e...

...eu lhe disse: "Lord Queensberry,

realmente est� acusando a mim e seu filho de conduta impr�pria? "

E o que ele respondeu?

Ele disse, "N�o digo que esteja, digo que parece."

Sil�ncio no Tribunal!

Mais uma perturba��o e esvaziarei o tribunal.

Sr. Wilde.

Chamaram-lhe aten��o algumas declara��es feitas nos autos...

...registradas pela defesa de Lord Queensberry...

...quanto a certas pessoas denunciando sua conduta com elas.

Sim.

Sr. Wilde,

existe a menor veracidade em qualquer uma dessas acusa��es?

Absolutamente nenhuma em qualquer uma delas.

Obrigado, Sr. Wilde.

Sr. Wilde,

disse mais cedo que tinha trinta e nove anos.

- Correto? - Sim.

Nasceu em 1854, assim teria mais de quarenta.

N�o �?

Muito bem.

Hm...

E que idade tinha Lord Alfred Douglas quando o conheceu?

Entre vinte e vinte e um.

Menos de vinte e um, hm...

E desde ent�o voc�s t�m sido muito chegados.

Sim.

- Ficou com ele em v�rios lugares. - Sim.

Em Oxford, Brighton em v�rias ocasi�es.

Sim.

E em v�rios hot�is em Londres.

Sim.

Tamb�m j� viajou ami�de com ele para o exterior.

Sim, para o Egito, Paris e Monte Carlo.

Poder-se-ia portanto descrever sua amizade como... �ntima.

Sim, muito.

De fato.

Tenho aqui a revista chamada Chameleon...

que cont�m um artigo de sua autoria e dois poemas de Lord Alfred Douglas.

Sim, achei-os superlativamente bonitos.

� mesmo?

Lembra-se do t�tulo desses dois poemas, Sr. Wilde?

Sim, um se chamava Em Louvor � Vergonha, e o outro Dois Amores.

Obrigado.

Esses dois amores eram dois rapazes, n�o?

Sim.

Um rapaz chama seu amor de verdadeiro,

e o outro o chama de vergonha.

Correto.

Acha possa ter sugerido algo impr�prio?

N�o, de jeito algum.

Hm.

H� outro artigo nesta revista...

cujo t�tulo � O Padre E O Ac�lito. Voc� leu?

Sim.

Achou este artigo de alguma forma imoral?

Pior, foi muito mal escrito.

N�o � a hist�ria de um padre que se apaixona por um coroinha?

S� o li uma vez e nada me faria l�-lo de novo.

Achou a hist�ria blasfema?

Acho que viola qualquer c�none art�stico de beleza.

- Isso n�o � uma resposta. - � a �nica que posso dar.

Quero saber se achou a hist�ria blasfema.

Achei hedionda e o final foi totalmente errado.

Responda, achou ou n�o achou a hist�ria blasfema?

Achei horrenda. N�o uso a palavra blasfema.

Entendo.

Nesta mesma revista...

encontram-se algumas frases e filosofias dirigidas aos jovens...

...contribu�das pelo senhor.

"Perversidade � um mito inventado por gente boa...

para explicar o que os outros t�m de curiosamente atrativo."

Acha isso verdade?

� raro eu achar o que escrevo uma verdade.

"As religi�es morrem quando se prova que s�o verdadeiras."

Isso � verdade?

Sim, eu sustento isso, mas o assunto � complicado demais para ser tratado aqui.

Acha seguro apresentar-se um axioma desses como filosofia para jovens?

Acho sobremaneira estimulante.

"Se algu�m diz a verdade, esteja certo de que ser� desmascarado mais cedo ou mais tarde."

� um paradoxo interessante, mas n�o confio muito que seja um axioma.

Quer seja moral ou imoral?

N�o existe moralidade ou imoralidade no pensar.

- Existem emo��es imorais. - Exatamente!

Bem, esta � a introdu��o ao seu livro O Retrato de Dorian Gray.

"N�o existe livro moral ou imoral. Os livros s�o bem escritos ou mal escritos."

- Isso expressa sua opini�o? - Minha opini�o sobre arte, sim.

Ent�o por mais imoral que seja um livro,

se for bem escrito, na sua opini�o � um bom livro.

Se for bem escrito no sentido de produzir um senso de beleza.

Ent�o um livro bem escrito que propale posi��es morais pervertidas...

...pode ser um bom livro?

Obras de arte n�o propalam posi��es. Posi��es s�o para pessoas.

Um romance pervertido pode ser um livro bom?

N�o sei o que quer dizer por romance pervertido.

Sugiro ent�o que O Retrato de Dorian Gray seja tomado como exemplo para tal.

Apenas para os toscos e analfabetos.

A afei��o e o amor do artista pelo jovem Dorian Gray...

...pode levar o indiv�duo comum a crer numa certa tend�ncia?

Desconhe�o as opini�es de indiv�duos comuns.

Hm.

Pe�o licen�a para citar algumas passagens desse livro.

O artista Hallward fala para Dorian Gray.

"� verdade que o tenho venerado bem mais romanticamente...

...do que um homem faria com um amigo.

Jamais amei uma mulher.

Assim que o conheci, sua personalidade exerceu uma grande influ�ncia sobre mim.

Admito que o amava louca, extravagante e absurdamente."

Diria que esse trecho descreve um sentimento natural de um homem por outro?

Dorian Gray tinha uma personalidade extraordin�ria.

Devo entender que voc� como artista nunca experimentou o sentimento aqui descrito?

N�o. � uma obra de fic��o.

Vejamos ent�o frase por frase.

"Devo admitir que o amei loucamente."

O que teria a dizer sobre isso? J� amou algum homem loucamente?

Jamais senti adora��o por ningu�m, exceto por mim mesmo.

- Deve achar-se muito espirituoso. - De forma alguma.

"Amei-o extravagantemente."

Quer dizer financeiramente?

Ah, sim, financeiramente. Acha que estamos falando de finan�as?

- Eu n�o sei do que est� falando. - N�o?

Ent�o espero ser bem claro antes de terminar.

Chegamos ent�o � carta que escreveu para Lord Douglas.

Come�a com "Meu menino".

Por que um homem de sua idade...

...haveria de dirigir-se a um jovem vinte anos mais mo�o por "Meu menino"?

Gostava dele, sempre gostei dele.

Voc� o adorava?

N�o, eu gosto dele... Mas essa n�o � uma carta qualquer.

Seria o mesmo que perguntar se um soneto de Shakespeare � indecente.

Supondo que n�o fosse um artista o autor desta carta,

diria que � uma carta apropriada?

O homem que n�o fosse um artista n�o teria escrito essa carta.

Mas eu diria pelo bem de sua reputa��o...

...que n�o h� nada de t�o especial em:

"...esses seus l�bios vermelho rosa..."

Depende muito de como � lido.

"Sua alma dourada e fina caminha entre a paix�o e a poesia."

Isso � uma frase linda, Sr. Wilde?

N�o como o senhor l�, Sr. Carson, l� muito mal.

Eu n�o me declaro um artista, Sr. Wilde!

E ouvindo-o testemunhar fico muito feliz que n�o sou.

Excel�ncia, acho que n�o conv�m meu nobre colega falar desse jeito.

Sr. Carson, sugiro que n�o emita opini�es pessoais neste tribunal.

- Fica muito dif�cil, Excel�ncia. - Mesmo assim.

Quando conheceu o homem chamado Wood, Sr. Wilde?

Ele veio � minha casa, creio que foi em janeiro de 1893.

E na mesma noite sa�ram para jantar.

Sim.

N�o pesou o fato de que tinha vindo para chantage�-lo?

Pesou sim, e eu estava determinado a enfrent�-lo.

Convidando-o para jantar e dando-lhe quarenta libras?

Percebi que a carta n�o tinha valor algum...

...e dei-lhe o dinheiro de tanto que se lamentava por estar desempregado.

Diria que primeiro voc� teve rela��es imorais com ele e depois lhe deu o dinheiro.

Excel�ncia, protesto contra os m�todos de interrogat�rio do meu nobre colega.

N�o vejo qualquer impropriedade por parte do Sr. Carson.

Obrigado, Excel�ncia.

Conhece um homem chamado Charles Parker, Sr. Wilde?

Responda a pergunta.

Sim, era um amigo de Lord Alfred.

E um homem chamado Atkin?

Sim, era amigo do Parker.

E um homem chamado Grainger?

Sim, era um criado de Lord Alfred.

E Taylor, conhece algum Taylor?

Sim, frequentei algumas festas em sua casa, n�s...

E todos eles, com exce��o de Taylor,

eram jovens de cerca de vinte aanos?

Gosto da companhia de jovens.

Deu dinheiro a algum deles?

- Talvez... - Ou presentes?

Cigarreira de prata para o Sr. Taylor.

Bengala com cast�o de ouro para o Sr. Parker.

Um livro para o Sr. Wood com dedicat�ria "Para Alfred, de Oscar"?

Voc� sabia, Sr. Wilde,

que Wood estava desempregado havia tr�s anos,

que Parker era um criado e que Taylor tamb�m estava desempregado?

Isso n�o teria afetado minha amizade com eles.

Entretanto presenteou-os, divertiu-se com eles em diversas ocasi�es.

Sem d�vida beberam vinho e champanhe.

Champanhe gelado � minha bebida favorita, apesar de contra-indicado por meu m�dico.

- N�o importa o que seu m�dico diz. - Nunca me importo.

Nesses jantares, seus convidados sem d�vida bebiam muito champanhe.

- N�o os obrigava a beber. - N�o os intimidava?

Que cavalheiro intimidaria seus convidados!

Que cavalheiro intimidaria um criado e um cavalari�o, Sr. Wilde?

Excel�ncia, protesto veementemente contra esses coment�rios ir�nicos.

Sr. Carson, pe�o que se limite a perguntas, n�o opini�es.

Muito bem, excel�ncia.

Voc� sabia, Sr. Wilde, que Taylor, Atkin e Parker...

haviam sido presos numa batida realizada em uma casa em Fitzroy Square?

Sim, eu li sobre isso.

Est� ciente de que foram acusados por pr�ticas delituosas?

Soube que a a��o foi julgada improcedente.

Quanto ao jovem Grainger.

- J� jantou fora com ele? - N�o, nunca.

Mas o conhece.

Sim, era um criado na casa de Lord Alfred em Oxford.

- Ent�o esteve com ele em v�rias ocasi�es. - Fiquei na casa em v�rias ocasi�es.

Grainger servia � mesa.

Voc� j� o beijou, Sr. Wilde?

Nossa, jamais! Ele era feio demais.

Por isso n�o o beijou?

Sr. Carson, est� sendo muito insolente!

Disse que jamais o beijou?

A pergunta � tola.

Ent�o por que mencionou que ele era feio demais?

N�o sei porque mencionei que era feio.

Apenas me espantou seu coment�rio insolente...

...e a maneira insultante como vem me tratando nesta oitiva.

Por que mencionou sua feiura?

- Simplesmente porque... - Por qu�, por qu�, por qu�?

"N�o beijei Grainger porque era feio."

Protesto, excel�ncia!

Est� colocando palavras na boca da testemunha.

A testemunha colocou palavras na pr�pria boca.

N�o admito essas contendas entre os advogados.

Excel�ncia, o nobre colega n�o tem direito de insinuar certas condutas...

...com pessoas n�o representadas neste tribunal e cujo depoimento nem ouvimos.

Mas ouviremos, Sir Edward!

Pretendo apresentar cada uma das pessoas ora mencionadas...

...amanh� de manh� neste tribunal.

Wood, Parker, Atkin, Grainger e Taylor...

...relatar�o suas experi�ncias escabrosas nas m�os da testemunha.

Como voc� mesmo admite, um bando de chantagistas e suspeitos.

Mesmo assim aqui estar�o para depor.

Provar�o os argumentos de meu cliente sem deixar margem de d�vida.

Sil�ncio no tribunal!

Acho que seria o momento oportuno para suspendermos a sess�o.

A testemunha pode descer.

A sess�o ser� retomada amanh� �s dez.

Todos de p�.

Todas as pessoas que sejam parte interessada perante os Ju�zes...

Antes de come�ar esse julgamento,

deu-me sua palavra que todas essas acusa��es eram inver�dicas.

Eu sei, foi tremendamente est�pido de minha parte, mas...

...receei que n�o aceitasse o caso.

Do jeito que est� j� deve ter percebido que � um caso perdido.

O mais me preocupa � que quando Carson apresentar essas testemunhas,

como de fato pretende fazer,

as provas que apresentarem implicar�o sua pris�o com base em acusa��es muito graves.

- Sir Edward, posso dizer uma coisa? - Por favor.

Isso tudo come�ou com meu pai acusando o Sr. Wilde...

...de manter uma rela��o imoral comigo, n�o foi?

Sim.

Ent�o por que diabos eu n�o posso testemunhar e...

- Bosie, pela �ltima vez... - Mas n�o � verdade, voc� sabe que n�o �!

Essa nega��o seria de grande import�ncia, Sr. Wilde.

Em minha opini�o, n�o deix�-lo testemunhar seria um grave engano.

Um de que se arrependeria para o resto da vida.

Senhores, eu tenho f� infinita no bom senso do homem comum.

E como disse, se o caso depende de...

...depoimentos de delatores subornados e de criminosos como Wood e Parker,

acho inconceb�vel que um j�ri brit�nico aceite a palavra deles contra a minha.

Gostaria de ter tanta certeza.

Bem, seja como for.

Mas fiquem sabendo que Lord Alfred n�o se apresentar� como testemunha.

Muito bem.

Bem, tentarei salvar o que sobra de sua reputa��o...

desligando-me do caso amanh� de manh�.

Por sinal, sua presen�a n�o ser� necess�ria amanh� no tribunal.

Na verdade, sua presen�a n�o � necess�ria sequer neste pa�s.

H� um barco partindo para Calais hoje �s dez da noite.

Aconselho que esteja a bordo.

Antes de condenarem Lord Queensberry,

pe�o que considerem se n�o � natural que um pai se revolte em tais circunst�ncias.

Lembrem-se que o filho de Lord Queensberry era t�o dominado por Wilde...

...que amea�ou matar o seu pr�prio pai.

Agora preciso abordar uma quest�o mais dolorosa do caso.

Infelizmente � meu dever trazer aqui alguns jovens...

- Wilde viajou? - N�o.

...para contarem suas tristes hist�rias.

Chamarei primeiro Charles Parker.

Sua Excel�ncia permite que interrompa para fazer um aparte?

Aparte esse de grande import�ncia.

Pois n�o, Sir Edward.

Com licen�a, Sr. Carson.

Deve estar claro Sua Excel�ncia...

que aqueles que representam o Sr. Wilde neste caso...

...est�o numa posi��o de terr�vel ansiedade.

Um veredito a favor de Lord Queensberry...

pode ser interpretado como prova conclusiva...

...quanto �s acusa��es de impropriedade feitas contra o autor,

Sr. Oscar Wilde.

Nesse caso, passar�amos dias e dias a investigar quest�es das mais aterradoras.

Nessas circunst�ncias, acho que n�o estaria exorbitando dos meus deveres...

...ao declarar em nome do Sr. Wilde que me exonero do caso.

Se assim deseja, Sir Edward, eu concordo.

E se me permite dizer, nestas circunst�ncias acho que tomou uma decis�o sensata.

- Vai pegar um coche? - Sim, vamos.

Mande isso para a reda��o o mais r�pido poss�vel.

Oscar Wilde se retira do caso!

- Tome um coche, corra. - Sim, senhor.

Os termos objeto da den�ncia ou eram justific�veis ou n�o eram.

Se o eram, a afirma��o "posando de sodomita" � verdadeira,

e a publica��o era de interesse p�blico.

Podem agora deliberar sobre seu veredito.

J� alcan�amos a um veredito, Milord.

Levante-se o r�u.

Senhores jurados, acreditam que os as alega��es da defesa foram provados ou n�o?

Sim, acreditamos.

E consideram o acusado culpado ou inocente?

Inocente, Milord.

Sil�ncio no Tribunal!

Quietos! Sil�ncio na corte!

Quietos!

- Eles n�o perderam tempo. - Como assim?

Uma c�pia das provas foi enviada ao Diretor do Minist�rio P�blico.

Bosie, pelo amor de Deus, pare...

...de andar para cima e para baixo.

Ora... n�o comeu nada, senhor.

N�o estou com fome. Obrigado, Arthur.

Oscar, acabo de saber de um dos rep�rteres.

Emitiram um mandado de pris�o contra voc�.

E Constance e as crian�as?

Eu mesmo os embarquei no trem.

Obrigado, Robbie.

Oscar, eu lhe imploro, ainda d� tempo de pegar os trem das dez.

- Deixei o coche esperando a� fora. - Est� perdendo seu tempo, Robbie.

Estou tentando h� duas horas.

Oscar, por favor, me ou�a.

- � tarde demais. - N�o � tarde demais!

Veja, s�o 9:35, em tr�s horas podemos estar na Fran�a.

Parece que voc� est� precisando.

- Sr. Wilde? - Sim?

Somos da pol�cia. Temos um mandado de pris�o.

� mesmo?

Pe�o que nos acompanhe � delegacia.

Bosie, fa�a uma coisa para mim.

Qualquer coisa.

Saia do pa�s, se poss�vel hoje.

- N�o posso desert�-lo... - Por favor, Bosie!

Est� bem.

Ent�o � adeus, hm?

- Oscar, n�o acredito que... - Adeus.

- Irei com voc�. - N�o ser� necess�rio.

Obrigado.

Por que me olha desse jeito?

N�o � minha culpa. Eu o amei tanto quanto voc�.

Acha que n�o faria o que pudesse para...

Fa�a o que Oscar mandou, Bosie.

Deixe o pa�s.

Quanto antes melhor.

"Lord Queensberry vitorioso."

"Sr. Oscar Wilde proscrito e degradado para sempre."

J� n�o era sem tempo.

A moral e os bons costumes prevalecer�o...

...e esse mal que grassa em nossa sociedade ser� eliminado para sempre."

Ainda bem, nunca gostei dele.

N�o suportava suas pe�as. S� imoralidades.

Ora, Bentley, o homem ainda nem foi julgado.

Inocente at� prova em contr�rio, etc...

Se estivesse em meu regimento seria amarrado a um canh�o e a�oitado.

Esses artistas s�o todo iguais. Um bando de degenerados cabeludos.

Voc�s est�o levando isso a s�rio demais.

Viva e deixe viver, � o que digo.

Afinal o que importa o que eles fazem, contanto que n�o seja na rua...

...e espantem os cavalos.

Quer que os queime, Sr. Brace?

N�o, ora essa. O sujeito pode ser solto.

Sr. Humphrey... Sir Edward.

Eu... n�o me disseram que eram voc�s.

Sr. Wilde.

N�o sei que provid�ncias tomou quanto � sua defesa.

Mas se for do seu desejo, estamos prontos para represent�-lo.

Obrigado, fico-lhes muito grato.

H� certos aspectos legais nesse caso que me chocaram profundamente.

A acusa��o baseou todo o processo em provas fornecidas por testemunhas...

...que confessaram crimes desde assaltos, a furtos e chantagem.

Mas a Coroa n�o tem a menor inten��o de processar essas testemunhas.

Elas continuar�o soltas.

Isso tudo s� fez abalar minha profunda f� na justi�a brit�nica.

Assim sendo, ficaria honrado se aceitasse meus servi�os.

Obrigado...

Mas ainda n�o saldei as custas do �ltimo processo...

...e estou bastante endividado.

Sr. Wilde,

Sir Edward e eu concordamos que a quest�o de honor�rios � fora de cogita��o.

Obrigado.

Obrigado.

Bem, temos muito do que tratar, Sr. Wilde.

Fa�am entrar Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde.

Sil�ncio no tribunal!

Sil�ncio!

� Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde?

Sim.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde,

o senhor � acusado de 25 crimes.

Na primeira acusa��o,

os jurados aqui representando a Coroa...

...afirmam que Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde,

em 14 de mar�o do ano de 1893...

...no Condado de Londres e na jurisdi��o deste tribunal,

de sexo masculino, praticou ilegalmente atos graves de indec�ncia...

...com outro indiv�duo de sexo masculino chamado Alfred Wood,

infringindo assim os estatutos que se aplicam,

e atentando contra a paz de Sua Majestade a Rainha, a Coroa e sua dignidade.

Na segunda acusa��o, os mesmos jurados...

...infringindo assim os estatutos que se aplicam...

e atentando contra a paz de Sua Majestade a Rainha, a Coroa e sua dignidade.

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde,

como se declara ante tais acusa��es?

Culpado ou inocente?

Inocente.

Milord, senhores jurados.

as nove primeiras acusa��es da den�ncia referem-se a conduta impr�pria do r�u,

com um jovem chamado Alfred Wood.

As tr�s seguintes a Frederick Atkin.

Duas a Taylor, tr�s a Charles Parker...

e a �ltima � conduta de Wilde com um jovem de nome Shelley.

Mostraremos como Wilde se esfor�ou sistematicamente...

de modo a influenciar a mente desses jovens para causas perversas...

...e mold�-los aos seus caprichos depravados.

Senhores jurados, ap�s ouvirem os depoimentos desses homens,

asseguro-lhes que estar�o justificados em julgar o r�u culpado em todas as acusa��es.

Chamarei primeiro Alfred Wood.

Fa�am entrar Alfred Wood.

Alfred Wood!

Segure a B�blia com sua m�o direita e leia do cart�o.

Juro por Deus Todo Poderoso que tudo que disser ser� a verdade,

toda a verdade e nada mais que a verdade.

Que Deus me ajude.

Nesses anos todos como advogado...

...n�o lembro ter-me confrontado com testemunhas t�o desprez�veis.

Wood, Parker, Atkin.

A acusa��o deve ter raspado o fundo do tacho para encontrar essa esc�ria.

N�o entendo como um homem da estirpe de Wilde consegue associar-se a gente desse n�vel.

Para tanto teria que entender a natureza da pervers�o de Wilde.

Mas eu sou advogado, n�o um m�dico.

Para mim � repugnante, degenerado, inatural.

Mas sinto muita pena dele.

� terr�vel que um homem talentoso e genial como Wilde...

...se veja crucificado por um bando de chantagistas e criminosos ordin�rios.

Resta pouca esperan�a de uma absolvi��o, n�o �?

N�o sei, a caso j� foi julgado pela imprensa e pelo p�blico.

A depender delas, Wilde � culpado.

Depois � s� aguardar a senten�a.

S� nos resta esperar que, passada essa histeria de preconceito e �dio,

possa despontar alguma lampejo de indulg�ncia e caridade crist�s.

Est� dizendo ent�o que o depoimento de Alfred Wood � totalmente inver�dico?

� verdade que jantamos juntos, mas acusa��o de impropriedade n�o procede.

E quanto a Charles Parker, onde ele falta com a verdade?

Ele nunca foi para o hotel comigo, jamais jantou comigo ou entrou em meu quarto.

Tomamos ch� uma vez no St. James, mas todo o resto...

N�o � verdade.

E sobre Atkin, o que tem a dizer?

Excel�ncia, meu nobre colega parece esquecer-se...

...que a testemunha Atkin cometeu perj�rio no banco.

Por isso mesmo o senhor dispensou a testemunha.

O depoimento da testemunha n�o foi retirada dos autos, Sir Edward.

Na minha humilde opini�o, deveria ter sido.

Isso cabe a mim decidir.

Como preferir, Excel�ncia.

Quanto ao depoimento de Atkin, Sr. Wilde?

As acusa��es de indec�ncia s�o totalmente falsas.

Ent�o, todas essas testemunhas, segundo diz, mentiram esse tempo todo.

Com a maior facilidade.

Como escritor e romancista experiente, assombra-me a inventividade deles.

Aparentemente tamb�m se deixou assombrar pela juventude deles.

Sou um apaixonado pela juventude.

Sim, isso n�s j� percebemos.

Passemos agora para esta publica��o, o Chameleon.

Excel�ncia, teremos que nos submeter novamente a esses discursos...

...sobre a moral liter�ria do acusado?

Segundo me fez entender o nobre colega,

n�s �amos nos restringir �s acusa��es feitas na den�ncia.

Este interrogat�rio � para quest�o de m�rito, Excel�ncia.

Devo dizer que por quest�o de m�rito, as perguntas s�o cab�veis.

N�o tomarei muito seu tempo, Sr. Wilde.

Tenho certeza que n�o, Sr. Gill.

Nesta revista � qual fez uma contribui��o...

...consta um poema de Lord Alfred Douglas, chamada Dois Amores.

Cont�m os seguintes versos.

�Am�vel jovem,

dize-me por qual raz�o andarilhas por este reino encantador t�o triste e suspirante?

Conta de antem�o, qual � teu nome?

E ele diz: Meu nome � Amor.

De imediato, o primeiro se voltou pra mim e gritou: �Ele mente,

pois Vergonha � seu nome!

Amor sou eu, e era para neste jardim estar sozinho,

at� que ele veio sem pela noite ser convidado.

Eu sou o amor verdadeiro, que mutuamente o rapaz e a mo�a consome.

E diz o outro, suspirante,

Pois como queiras.

Eu sou o amor que n�o ousa dizer seu nome.�

E qual � o amor, Sr. Wilde,

� o amor que n�o ousa dizer seu nome?

O amor que n�o ousa dizer seu nome...

neste s�culo � a tamanha afei��o de um homem mais velho por um jovem...

tal o que havia entre Davi e J�natas,

aquele que Plat�o fundamentou toda a sua filosofia,

e que o senhor encontrar� em sonetos de Michelangelo e de Shakespeare.

� uma profunda afei��o espiritual t�o perfeita quanto � pura.

Neste s�culo ele � incompreendido.

T�o incompreendido que...

...pode ser chamado de amor que n�o ousa dizer seu nome.

E por isso estou onde estou hoje.

Mas � lindo, � perfeito, � a forma mais nobre de afei��o.

N�o h� nada de inatural nele.

� intelectual.

E ami�de h� de ser encontrado...

entre um idoso e um jovem...

quando o idoso tem intelecto e o jovem tem toda a esperan�a, felicidade...

...e encanto da vida � sua frente.

Que assim seja, o mundo n�o entende.

O mundo escarnece dele...

...e �s vezes manda algu�m para o pelourinho por isso.

Tolice!

Sil�ncio no tribunal! Sente-se, senhor!

� menor manifesta��o que se repetir, mandarei esvaziar a sala.

N�o tenho mais perguntas, Milord.

A testemunha pode descer.

A acusa��o encerra o caso, Milord.

Com sua permiss�o, Milord, senhores jurados.

A quest�o que v�o decidir � extremamente grave e s�ria.

Sua posi��o � de extrema responsabilidade.

Os �nimos do p�blico t�m-se voltado contra o Sr. Wilde...

com a publica��o de trechos poesia e literatura...

...especialmente do seu livro O Retrato de Dorian Gray.

Assim eu lhes pergunto, senhores jurados,

Um autor pode ser julgado pela moral das personagens de seu livro?

Stephenson foi acusado de ser um monstro lascivo e depravado...

...por ter escrito O M�dico e o Monstro?

Quanto � afei��o que o Sr. Wilde expressou em suas cartas,

ele mesmo a descreveu como afei��o pura, verdadeira.

Sem conex�o alguma e o completo oposto das pr�ticas lascivas descritas neste tribunal...

...pelo bando de criminosos da acusa��o.

O Sr. Wilde n�o � um homem comum.

� um home que j� escreveu poesia e prosa, dramas brilhantes, ensaios encantadores.

Escreve cartas que podem parecer-nos extravagantes, pomposas,

exageradas, at� absurdas.

Mas ele n�o se envergonha ou se acovarda de produzir tais cartas.

Ao se expor atrav�s de cartas como essas dizendo:

"N�o me acanha o julgamento que a sociedade possa fazer de meu trabalho",

isto n�o � a maior prova de sua inoc�ncia?

A inoc�ncia, senhores jurados, tem coragem e f� no veredito final dado pela humanidade.

Quanto aos depoimentos do jovem Parker,

Atkin, Wood e seus associados,

digo com todo respeito que nenhum j�ri pode condenar algu�m...

...com base em suas declara��es eivadas.

Mais horr�vel � saber a liberdade do r�u...

esteja nas m�os de gente dessa laia.

Assim, antes de deliberarem este caso,

eu lhes imploro que sua decis�o seja guiada apenas por aquelas testemunhas...

...que voc�s, como homens dignos e honrados que s�o,

possam dizer de plena consci�ncia que depuseram de forma verdadeira e honesta.

E se uma vez analisadas as provas...

acharem que as acusa��es n�o foram provadas,

sei que ficar�o felizes que a boa reputa��o, t�o enlameada por todo tipo de preconceitos,

ter� sido salva pelo seu veredito da ru�na completa.

E permitir� que o Sr. Wilde, um basti�o das letras,

viva uma vida honrosa e ilibada,

e possa oferecer-nos, na maturidade de seu g�nio, joias de literatura...

...das quais j� tivemos grandes vislumbres.

Todos de p�!

Senhores jurados, vejo que n�o conseguiram alcan�ar um veredito.

� verdade, Milord.

Se concedermos mais algum tempo, para suas delibera��es...

haveria alguma perspectiva de chegarem a um consenso?

J� deliberamos durante tr�s horas, Milord...

...e a �nica conclus�o a que chegamos � n�o que conseguimos concordar.

N�o tenho d�vida de seu esfor�o para chegarem a um consenso.

Por outro lado os transtornos de um novo julgamento seriam enormes.

Milord, n�o vejo qualquer possibilidade de um consenso.

Ent�o, meus senhores, voc�s est�o dispensados.

Obrigado, Milord.

Milord, com rela��o � fian�a.

Pode levar semanas at� um novo julgamento.

Novo julgamento, novo julgamento, novo julgamento...

Ol�, Robbie.

Sr. Wilde, conseguimos levantar dinheiro para fian�a.

Vamos, Oscar, vou lev�-lo para casa.

Quem pagou minha fian�a?

Percy, irm�o de Bosie, deu a maior parte.

- Percy, que gentileza. - O resto veio do Reverendo Headlam.

- Cinco mil libras no total. - Que absurdo!

Nem um criminoso comum receberia fian�a t�o alta.

- O Reverendo Headlam. - Hm-hmm.

Extraordin�rio. Eu mal o conhe�o.

- Oscar, vamos para um hotel. - N�o!

Sr. Wilde!

Sr. Wilde, fiz tudo que pude.

Consegui salvar alguns de seus manuscritos, mas...

Est�o vasculhando a casa feito abutres.

- Vinte! - Vinte e cinco libras!

Temos 25 libras por esta rar�ssima primeira edi��o...

de Walt Whitman, seja l� quem for.

Vamos, ouvi trinta?

Trinta... trinta e cinco?

Trinta e cinco? Vamos, n�o temos a noite toda.

Trinta ent�o. Dou-lhe uma, duas, tr�s.

Charles, o senhor ali com o charuto.

Pois bem. Ora, ora, ora, o que temos aqui?

Uma pintura "menino querido" em pessoa.

Muito bonito, com certeza, muito bonito.

O que estou ouvindo por esta obra de arte? Dez shillings?

- Dez shillings! - Dez shillings! Algu�m d� uma libra?

- Uma libra. - Uma libra!

Uma libra, uma libra...

Com licen�a, senhoras e senhores.

Acho que temos companhia.

Quem sabe Sua Emin�ncia n�o d� um lance por esta pintura art�stica?

Que tal 30 libras?

Vamos, Oscar, j� n�o viu o suficiente?

N�o?

Pois bem.

Uma libra. Dou-lhe uma, duas...

Quarenta guin�us.

Quarenta... quarenta guin�us.

Ent�o, algu�m d� mais que 40 guin�us?

Muito bem, vendido para Sua Senhoria por 40 guin�us.

Charlie, d� a pintura para o cavalheiro.

Quarenta guin�us.

- Obrigado. - O que vai fazer com ela agora?

Pendurar no banheiro.

C�us, que desperd�cio de 40 guin�us.

Nossa, n�o est� exagerando?

Uma bebida cairia bem.

Com licen�a.

Com licen�a. Obrigado.

Com licen�a.

Com licen�a, obrigado.

Com licen�a.

Vamos, Oscar.

Bem, perdemos uma boa chance.

Dev�amos ter pedido a Sua Emin�ncia que autografasse uns livros, hein?

Bem... um manuscrito original da com�dia hilariante "A Import�ncia De Ser Prudente"...

...do finado Oscar Wilde.

Algu�m d� dez libras?

Sr. Wilde.

Sinto muito, senhor, mas preciso pedir que se retire.

- Que se retire? Como ousa... - Sinto muito.

- N�o percebe que o Sr. Wilde... - Tudo bem, Robbie.

Vamos.

Impressionante o tipo de gente que admitem aqui.

Pensei que fosse um lugar de alto padr�o.

- Acho revoltante! - Vamos, bebam � vontade.

- Pague a conta, Freddie. - Pode deixar, Q.

Cocheiro!

Deus te aben�oe, Sr. Wilde.

Ol�, Amy.

- Knightsbridge, por favor. - Sim, senhor.

Droga, est� chovendo.

- Chame minha carruagem. - Adeus, Oscar!

Vamos entrando, vamos.

- Siga-o o mais r�pido que puder. - Tally-ho!

Est�o nos seguindo. O homem deve estar louco.

- Isso todo mundo j� sabe. - V� mais r�pido, cocheiro!

Corra, mais r�pido!

Isso � uma loucura. Vou andar.

- Pode parar! - Oscar, deixe de tolice

N�o farei voc� passar por isso.

- Oscar, para onde voc� vai? - Para a casa de minha m�e.

Pode ir, cocheiro.

Ent�o, meu querido, onde est� seu amiguinho?

Por que est� fazendo isso, Queensberry?

Por que est� acossando o homem desse jeito?

J� n�o o puniu o suficiente?

Parece que n�o me conhece muito bem. N�o me satisfa�o com pouco.

Isso � �bvio.

Diga a Wilde que n�o sossegarei enquanto n�o o vir a sete palmos.

A sete palmos estaremos todos no mesmo n�vel.

Isso n�o para aqui.

Vou persegui-lo enquanto estiver vivo.

Enquanto estiver vivo!

Ent�o, Q, a ca�ada terminou?

Vamos para o Savoy.

Vamos para o Savoy.

Oscar! Oscar, � voc�?

- Willie! - Sim, minha m�e querida, o que foi?

M�e querida, a senhore devia ter sido uma atriz.

Nem Sarah Bernhardt daria uma Lady Macbeth melhor.

Mas esse luto n�o seria meio prematuro?

Oscar ainda n�o morreu, n�o �?

- Eles o crucificaram. - M�e, se vai come�ar de novo, eu...

- Quem �? - Willie, deixe-me entrar pelo amor de Deus!

Willie, deixe-me ficar, deixe-me ficar...

...ou morrerei pelas ruas.

Est� b�bedo?

Toma.

Esse � meu filho?

Esse � Oscar Wilde?

Esgueirando pelo escuro como um animal amedrontado?

M�e, pelo amor de Deus.

Levante-se! Levante-se e encare-os!

Pelo amor de Deus, n�o os deixe entrar, Willie!

Willie, abra a porta.

Meu filho est� pronto para eles.

Robbie, gra�as a Deus voc� veio.

Ada... Robbie, o que ser� de mim?

N�o podia pelo menos ter tirado seu casaco? Est� todo encharcado.

Ele est� mal, devia estar na cama.

Mas ele n�o pode ficar aqui.

� que...

Seria embara�oso...

Junta um monte de gente em frente � casa o dia inteiro e...

...se descobrirem que ele est� aqui, sabe-se l� o que podem fazer.

Meu filho n�o tem medo deles!

Ele os enfrentar�!

Como bom irland�s que �!

Ele pode dormir em minha casa.

Vamos, Oscar.

N�o v� dormir muito tarde, filho.

Precisa dormir o quanto puder...

...nesses dias terr�veis que estamos todos vivendo.

Vamos, Oscar.

N�o estou pensando em mim, entende?

Ele � meu irm�o. Mas minha m�e, ela n�o est� muito bem e...

esse choque pode...

O r�u fique de p�.

Senhores jurados,

alcan�aram um veredito?

Sim.

Consideram o r�u no banco culpado ou inocente?

Culpado, Milord.

Sil�ncio no tribunal!

E o veredito � da maioria?

Sim, culpado.

Sil�ncio!

Oscar Wilde, o crime pelo qual foi condenado � de tal gravidade...

que requer a maior conten��o para n�o descrever...

...numa linguagem que prefiro n�o usar,

os sentimentos que devem surgir no cora��o de todo homem de integridade...

...que tenha ouvido os detalhes desses terr�veis julgamentos.

O fato de que foi centro de um terr�vel c�rculo de corrup��o de jovens...

...� imposs�vel de se duvidar.

E, dadas as circunst�ncias, aplicarei a senten�a mais severa prevista em lei.

Embora, na minha opini�o, ela seja totalmente inadequada para um julgamento desse tipo.

A senten�a do tribunal � que seja preso...

...em regime de trabalhos for�ados por dois anos.

Todos de p�.

Todas as pessoas que sejam parte interessada perante os Ju�zes de Sua Majestade, a Rainha...

Vamos, para tr�s todos! Afastem-se!

Vai cortar o cabelo agora, hein?

Eu nunca tinha visto um homem Com olhar t�o atormentado

Sob aquele teto azul Como o c�u pelos prisioneiros � chamado.

E cada nuvem que em liberdade passava seu rastro prateado deixava.

Meu querido, suas m�os!

De tanto que trabalho, nunca estive t�o ocioso.

Por favor, minha querida, temos t�o pouco tempo.

Oh, Constance, como esperei esses meses todos que viesse.

Teria vindo antes, Oscar, s� que...

N�o sei, tudo est� t�o confuso e...

Por que veio agora?

Trouxe m�s not�cias, n�o queria que soubesse por terceiros.

Sua m�e.

Ela morreu, Oscar.

N�o sentiu dor, morreu durante o sono.

Quisera eu sair daqui dessa forma.

N�o fale assim, Oscar, seja paciente.

N�o � paci�ncia que me falta aqui,

� apatia, e a apatia � o pior dos v�cios.

Constance, acho que n�o sobrevivo mais um ano disso.

Oh, querido.

� s� a lembran�a das crian�as que me mant�m vivo nesses meses terr�veis de espera.

Como eles est�o?

Est�o bem.

Logo ser� anivers�rio do Vyvyan.

- Oscar... - Ele faz nove ou dez?

O tempo passa t�o devagar.

Oscar, n�o posso permitir que veja mais as crian�as.

S� estou tentando fazer o que acho certo.

Eu pensei e pensei e...

Perdoe-me, meu querido.

Por favor, me perdoe.

Oscar.

Trouxe-lhe uns cigarros.

Uns petiscos e um pouco de frango.

Imagino como seja a comida.

Adeus, meu querido.

Dar� tempo para ele pagar o trem?

Se corrermos.

- At� logo, Sr. Wilde. - At� logo, Dick.

Obrigado.

Obrigado, querida.

Oscar.

Vamos, precisamos correr.

Voc� est� muito bem, Oscar.

As crian�as mandaram lembran�as.

Obrigado.

Disse que voc� estava muito doente. Voc� entende.

Sim, claro.

Melhor falarmos s�rio, n�o temos muito tempo.

Falei com meu advogado para pagar-lhe 150 libras por ano.

N�o � muito, mas � que eu posso.

Fico muito agradecido, Constance.

S� que preciso impor uma condi��o.

Se vir ou se comunicar com Bosie de novo os pagamentos ser�o suspensos.

Sim, eu entendo.

Pode parecer duro, mas fa�o isso para ajud�-lo.

Carregador.

- Para o trem, senhor? - Sim.

Ada!

Est� mais linda que nunca.

Que bom te ver, Oscar.

- Passagens, madame. - Est�o com o cavalheiro.

Obrigado.

Ah, Robbie, n�o aguento v�-lo t�o mal.

Ontem eu falei com o m�dico da pris�o. Mais seis meses e n�o sairia vivo de l�.

Constance...

Quero que se lembre disso.

Eu sempre a amei e sempre amarei.

Fala como se... Voc� vai ficar bom de novo.

E esquecer� esse dois �ltimos anos.

Come�ar� a trabalhar de novo.

Conhe�o-o muito bem, Oscar. � s� come�ar a escrever e...

Ada, n�o fique t�o deprimida por minha causa.

Existe melhor recompensa por nossos pecados que ser exilado para Paris?

Com certeza morrerei como vivi.

Al�m das minhas posses.

- Que chap�u lindo. - Oh, Oscar.

Adeus, querida.

Cuide bem das crian�as.

Ol�, Oscar.

Eu nunca entendi, Ada.

Nunca consegui entender.

"Apesar disso � escutem bem � todos os homens Matam a coisa amada;

Com galanteio alguns o fazem Outros com face amargurada;

Os covardes o fazem com um beijo, Os bravos, com a espada!"

- Legendas - Lu�s Filipe Bernardes

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