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NENHUM FILME REPRODUZ, FIELMENTE, A VIDA HUMANA.

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INIMIGO PÚBLICO Nº1 - PARTE 2

ESTAÇÃO CLIGNANCOURT, PARIS 2 DE NOVEMBRO DE 1979

Isso é um alívio para eles.

-Quantos homens? -Uns 30, não mais.

-Por quanto tempo os seguiram? -Terei detalhes mais tarde.

-Houve erro policial? -De modo algum, pode olhar.

-Correu tudo bem? -Sim.

Duas agências cooperaram, Anticrime e Táticas Especiais.

Ele abriu a porta. Tinha duas granadas defensivas.

Demos um aviso, ele não se rendeu.

Se não deixasse o caminhão passar, ele fugiria.

Jojo.

Maca! Maca!

Vamos sair daqui.

Espere.

POLÍCIA

Mil novecentos e setenta e três.

Quinta-feira.

Oito de março.

Declaração...

de Mess-rine, Jacques...

Escrivão! O que quebra antes, as algemas ou o aquecedor?

Não é Mess-rine, é Mesrine.

Como em Mirosmesnil, e não Mirosmess-nil.

-Ou Rosny, e não... -Chega, Mesrine!

Seus amigos, Grangier e Ardouin.

Não os conheço.

Não os conheço.

Sr. Jack!

Porta-aviões.

É bom revê-lo!

Você engordou.

-Estou de dieta. -É mesmo?

-Estou vendo. -Vou provar.

Sempre pronto.

Porta-aviões.

Vamos.

-Aonde vai? -Vamos neste também.

Assalto! No chão!

No chão! Vamos, mulher, rápido!

Não se mexa! Não se mexa, ouviu?

Não se mexam.

Encha isto. Ponha o dinheiro aí. Rápido!

Encha isso. Rápido!

Vamos, vamos!

São dois!

O caixa me reconheceu? Parabéns para ele.

E Grangier e Ardouin também.

Mentira.

Eu disse que não os conheço.

Meus parceiros usam máscaras. Mande seu caixa se danar.

Pegamos você. Não se vanglorie.

Não se mexa! Não se mexa!

Desista, Mesrine. Polícia!

Roubo, tentativa de assassinato, você admite.

Mas não os cheques roubados?

Não me importo de dizer o que fiz...

mas não confessarei algo que não fiz. Não é lógico.

Teremos de transferi-lo para o tribunal de Compiégne.

Você será preso. E por muito tempo.

Sairei em três meses. Quer apostar?

O que foi?

-Preciso ir ao banheiro. -Não.

Quer que eu faça na mesa do juiz?

Seja rápido.

Vou me limpar com os pés?

Espere.

Está bem.

É veado ou gosta de cheirar cocô?

Quero privacidade.

Vou fazer no chão. Me deem um tempo.

Tempo.

Pronto.

Juro.

Depressa.

Já vou.

Estou melhor.

Sr. Mesrine, sua aparição...

Excelência, é ilegal ficar de algemas.

Viola meus direitos.

Seu sermão a mim sobre a lei é cômico.

Não vai precisar de suas mãos.

-Excelência... -Basta, Mesrine.

Todos no chão! Tire minhas algemas.

Tire, rápido.

Gordo, contra a parede!

Depressa!

Ninguém se mexe! Ninguém, entenderam?

Você vem comigo, juiz.

Ninguém se mexe! No chão!

Levante. Não se mexa!

Não se mexa!

Largue a arma. No chão!

Ninguém se mexe!

Ninguém se mexe!

Ande!

-Isto não vai ajudá-lo. -O pátio.

Largue a arma no chão, ou atiro no juiz! Largue!

Eu atiro no juiz. Para dentro!

Para dentro. Entrem no caminhão. Agora!

Peça reforço!

Rápido!

Rápido!

-Por que não ficou com o juiz? -Dirija!

Depressa!

Jack! Jack!

Me dê a arma.

Afaste-se, ou eu atiro! Para trás!

Vou atirar!

Saia da frente!

Robert, ele está ferido. Pode fazer algo?

Eu fecho.

Venha.

-Jacques, notícias de casa. -O que é?

Seu pai está no hospital.

Vou cuidar de você.

Droga.

Jacques Mesrine já fez pior, mas nunca tão audacioso.

Ele escolheu o lugar de sua fuga.

Quando foi preso em março, ele contestou a condenação anterior.

Ele sabia que seria julgado aqui, em Compiégne.

Quando pediu para usar o banheiro ontem...

foi porque seus cúmplices haviam deixado uma arma...

Ele está falando de mim.

Voltando ao tribunal, estava armado.

"No chão, ou atiro no juiz!"

Eu nunca disse isso. Nunca.

Para os policiais da França que o subestimaram...

não há dúvida de que Mesrine...

deve ser considerado inimigo público número um.

Número um.

Número um.

Pai, pai...

sou eu.

Sou eu.

Jacques.

Jacques.

-Você está bem? -Por que veio?

Os bancos estavam fechados. Resolvi visitar meu pai.

Você veio.

Sua filha.

Você viu sua filha?

Ainda não.

Não fui um filho bom. E nem um pai.

Sou assim. O que posso dizer, pai? Desculpe.

Sou assim.

Deve ser minha culpa.

Não.

Seja lá o que aconteça, você ainda é o pai dela.

Eu sei.

E ainda é meu filho.

Sinto muito. Me perdoe.

É melhor você ir agora.

Eu sei.

Mãe, filhos, empregados do pai. Ninguém mais.

Ele não é burro de vir.

PARIS, SETEMBRO DE 1973

O que houve? Bateu numa porta?

Não, é o boxe.

Você luta?

Michel também.

Sabe dirigir?

Teremos um trabalho em alguns dias. Interessado?

UNIÃO DE BANCOS DE PARIS

Houve uma série de assaltos.

O veículo suspeito é um Renault 16 prata.

Placa 7791-YL-75.

Veículo localizado.

Localizamos o carro suspeito.

A rua não é lata de lixo. E aqui não pode estacionar.

Saia do carro e mostre os documentos.

Saia do carro, por favor.

Não se mexa. Mãos para trás.

Droga.

Saia!

Saia!

Pare! Pare!

Saia daí!

Abra a porta! Saia!

Saia!

Não se mexa!

Vá!

Vá!

Ali!

Vamos pegar La Chapelle.

Vire à direita.

Por ali!

Ali!

Droga!

Vamos!

Depressa!

Saia da frente!

Tudo bem. Vamos!

-Sentem-se! -Ninguém se mexe!

-Olhem para baixo! -Meu ouvido.

Eu disse que ele não conseguia, é grego.

Quase fomos pegos.

Tudo bem, tem razão.

Desculpe. Agora, dá um tempo.

Um tempo? Ele foi pego. E agora?

Ele vai abrir o bico.

Droga.

Ouça. Um cara que escolho nunca abre o bico, entendeu?

Dane-se.

Nunca!

Já que é tão esperto, resolva isto sozinho.

-Dane-se, Mesrine. -Cai fora.

Saiam! Todos fora!

Vamos! Vamos!

Comissário Broussard?

Vamos esperar mais?

Eu aviso.

Estamos no telhado há 8 horas. Está chovendo.

Percebi. Eu avisarei.

Idiota.

Polícia! Abra a porta!

Renda-se. Está cercado!

Polícia! Renda-se. O prédio está cercado!

O quê? O quê? O que está havendo?

Quem está aí? O que querem?

Saia! Ou arrombo a porta!

Vá se danar! Estou com a gangue de Baader-Meinhof.

Vou explodir o prédio!

Viva a revolução! Vista-se.

Sim. Maravilha!

Desista, Jacques, está exagerando!

-Quem me chama de Jacques? -Robert Broussard.

Comissário da Anticrime.

Broussard? O barbicha?

Aquele que aparece nos jornais?

Isso mesmo.

Pare com isso e entregue-se.

Primeiro: Dane-se!

Segundo: Como vou saber que é você? Jogue sua credencial sob a porta.

-E ser baleado pela porta? -Eu também, pegando sua credencial.

É verdade.

Tem minha palavra. Sabe que não minto.

Não vou atirar.

Vamos, Broussard.

Seja valente.

Está bem, Jacques.

Estou esperando.

Aqui está.

Então?

Broussard...

-preciso de dois favores. -Se forem razoáveis.

Primeiro: Libere a garota que está comigo.

Segundo: Me dê 20 minutos. Preciso fazer uma coisa.

Algo mais? Um carro, motorista?

Eu terei isso. Não há escolha. Ou é guerra.

Então?

Então?

Vinte minutos, Jacques!

Vinte minutos!

O que faremos? O que eu faço?

O que faço? Me dê algo para fazer.

O que farão comigo?

Os fósforos na mesa.

Na mesa!

Eles vão me prender?

Vou para a cadeia?

Não quero ser presa!

-Relaxe, relaxe. -Não consigo.

Cale a boca!

Está bem? Cale essa boca.

O que farão comigo?

Calma. Vai dar tudo certo.

Calma.

O que está fazendo, Mesrine?

Está armando para nós?

Eu disse 20 minutos, não 45.

Broussard...

tem coragem de vir me pegar sem arma e sem colete?

Por que eu deveria?

Para ver se consegue.

Eu faria.

Broussard!

Luta na mesma categoria de peso que eu?

Então, Broussard?

Eu vou.

Está bem, Jacques. Estou sem arma e colete.

Tem coragem de sair desarmado?

Como chama isto?

Ei, fotógrafo! O momento de glória de Broussard.

Como quiser.

Sabe por que não matei você e seus homens antes?

Tiras não pensam, agem.

Havia uma mulher.

Só por isso. Havia uma mulher.

Da próxima vez, nada de mulheres nem champanhe.

Só eu e você.

Então...

á próxima vez.

PRISÃO DE LA SANTÉ PARIS, 1973

Guarda!

Guarda!

O que quer, Jacques?

Quem é este? Pinochet?

É um general chileno.

General chileno?

Um vagabundo sai na manchete, e nada sobre mim!

-É um golpe de estado. -Golpe de estado?

Me consiga uma máquina de escrever.

Vou escrever.

Verei o que posso fazer.

Vá.

Pinochet.

Pinochet.

INSTINTO DE MORTE Pode explicar isto?

MARÇO DE 1977

É o meu livro.

Não é um livro, é suicídio.

Será julgado em dois meses e confessa 40 crimes.

Todo policial da França está atrás do seu livro.

Vão comparar com casos antigos e desenterrar corpos.

Então é melhor que desenterrem aqui.

Por quê?

Não é verdade?

As pessoas gostam de ritmo, ação.

E?

Nenhum júri vai me achar tão burro...

para confessar coisas que me levariam à forca.

Você sabe, nas ruas...

sou um astro.

Você agrada às pessoas, mas as assusta também.

Se puderem diminuir esse medo prendendo você, elas o farão.

Você é tão classe média, advogada. É uma figura.

O juiz permitiu uma visita.

Eu cresci.

Estou vendo.

Não sou mais um bebê.

Você está linda.

Obrigada.

E seus irmãos?

Boris e Bruno estão bem.

Dão muito trabalho.

Que estranho!

Não ande de moto com vagabundos.

Bancando o pai de novo?

Não está por perto pra me vigiar.

Tenha cuidado mesmo assim.

Quando vai voltar?

Não imediatamente.

Desculpe, querida.

Não há como nos vermos.

É melhor.

Se eu quiser vê-lo, sei onde encontrá-lo.

Sinto sua falta.

Jacques Mesrine...

você continua negando qualquer relação com Ardouin?

Já disse que não conheço esse homem.

Sr. Ardouin, levante-se para que Mesrine possa vê-lo melhor.

Não, eu não o reconheço.

Com esse nariz, eu me lembraria!

Você nega ter feito um juiz de refém...

para cobrir sua fuga?

O quê? Como bom cidadão, busquei proteção judicial.

O que há de errado nisso?

Você ainda pretende fugir de novo?

Excelência, por trás dessa echarpe dos 101 Dálmatas...

sabe que quando estamos no inferno...

fugir é o certo. Eu até diria que é um dever.

E além disso, que é um negócio.

Eu nunca falo sem base alguma.

Senhoras e senhores, sabem que chave é esta?

Sabem?

É a chave das minhas algemas.

Vejam a cara deles.

Querem saber como a consegui?

Comprei de um funcionário da cadeia.

Por 3 mil francos, senhoras e senhores.

Jornalistas...

júri...

este é o sistema que a Promotoria se esforça em apoiar, em vão.

O comissário Broussard, esperto como sempre...

sentado perto dos jornalistas. Comissário!

Cheque você mesmo.

E por que possui tantas armas, Sr. Mesrine?

Excelência, como posso dizer?

Um inexplicável sentimento de perigo...

me persegue desde criança.

Não reclamem. Cuido dos meus inimigos.

Menos trabalho pra polícia, mais para os paramédicos.

Ele forjou a imagem de um homem agradável.

Um fora da lei, é claro, mas que não mata uma mosca.

E até trata bem suas vítimas.

Que piada!

Nada mais que uma desculpa para encobrir sua brutalidade.

Não há bandidos limpos.

Há apenas bandidos.

E você é um bandido, Mesrine.

Atira quando é necessário.

Quando as coisas vão mal, você vai até o fim.

Senhoras e senhores do júri, precisam aplicar a lei e as punições.

Não existe sociedade sem punições.

Então, sou o inimigo público número um?

Isso é uma bobagem.

Sou inimigo de uma única entidade pública. Os bancos.

É claro. Eu os roubo.

Então, eles não gostam de mim.

Mas quando roubo um banco...

não acho que violo a lei.

Apenas roubo um ladrão maior que eu.

Querem me jogar em um buraco?

Jogar fora a chave e o falsário?

Joguem, me joguem naquele buraco.

Mas vou fugir.

Vou fugir.

Podem contar com isso!

O tribunal e o júri, por uma margem de 8 votos...

sentenciam Pierre Vandhoren...

a 5 anos, com direito a sursis. Michel Grangier...

a 7 anos de prisão.

Michel Ardouin...

a 10 anos de prisão.

E o réu, Jacques Mesrine...

á pena de 20 anos em segurança máxima.

MARÇO DE 1978

Sr. Bernard, tem isqueiro?

É claro, Sr. Jacques.

Obrigado.

-Oi, Luc. -Oi, Jacques.

Oi.

Por que o exercício? Tem algum plano?

Pode me responder.

Sou Jacques Mesrine.

E daí? O que está fazendo no meu pátio?

Por aqui, eu consigo o que quero.

Estou vendo.

Você sabe...

já escapei três vezes.

Eu também.

Sim, mas...

talvez queira fugir de novo.

Sou François Besse.

Ouvi falar.

Nenhuma notícia do líder da Democracia Cristã...

-que foi executado... -Revista!

Pelas Brigadas Vermelhas ontem à noite.

Faz 52 dias que a polícia de Roma...

Revista!

Revista! Revista!

Quando Aldo Moro foi sequestrado em 16 de março...

os italianos se chocaram...

com o assassinato de seus cinco seguranças.

Apesar do que foi dito sobre o destino de Aldo Moro...

É o papel alumínio.

Está bem.

Sua advogada está aqui.

Chefe!

Quero entrar. Estou com frio.

Dois minutos. Primeiro, levamos Jacques.

Dois minutos.

Bom dia.

-O que há? -Sobre a coisa do Canadá.

Não tenho o arquivo.

Sem problema.

Chefe! Chefe!

-O que há? -Precisamos de um arquivo.

Está com meu vizinho. Queria o conselho dele.

-Besse? -Isso.

Você ouviu? Pegue o arquivo, por favor.

-Está bem. -Obrigado, chefe.

Se souberem, serei expulsa da Ordem.

Isto é a minha vida.

Não se preocupe. Está salvando minha vida.

Não arruinarei a sua.

Vai dar certo.

Já está dando.

Está com o arquivo de Mesrine.

Temos um problema.

Para trás.

Besse, o que está fazendo?

O que está havendo? Contra a parede.

A arma!

Tirem a roupa. Rápido!

Não me olhe assim.

As calças.

Rápido, rápido!

Olhem para parede! Mãos para cima.

Cale a boca! Cale a boca!

Deixem-me ir. Cumpro prisão perpétua.

Calma. Vamos. Por aqui. Depressa.

Na cela. Rápido.

Ouça, você é um prisioneiro, entendeu?

Pegue isto.

Não se mexa.

Cale-se e ande, entendeu?

Calado.

Desça, desça.

Desça, vamos!

-Pegue a escada. -Alguém quer ir?

-Ninguém? -Que pena.

Depressa.

Vamos.

Não se mexa. Largue a arma!

Jogue a arma!

Jogue essa arma!

Na parede!

Pegue isto.

Escada na parede.

Rápido!

Tire seu paletó.

-Tire, droga! -Tudo bem.

Me dê isto.

Venha aqui.

François, as luvas.

Cubra-nos.

-Cubra-nos! -Entendi.

Cubra-nos!

Se alguém se mexer, eu atiro!

Prenda isso.

Senhor!

Requisição policial.

Rápido!

-Desça! -Saia do carro.

Rápido!

-Saia. -Fora!

Saia daí!

Rápido!

Vamos!

Vamos!

Rápido!

Vamos!

O horror chega ao fim. O desafio das brigadas vermelhas à Itália...

termina em assassinato. Aldo Moro está morto.

O presidente da Democracia Cristã é morto pelos terroristas.

Nenhuma denúncia foi necessária.

Houve uma ligação anônima sobre um carro-bomba...

perto da sede do Partido Comunista.

Não havia bomba, mas, sim, um homem no banco traseiro.

Um homem morto, Aldo Moro.

Droga. Onde estava?

Me avise.

Jean-Luc, é um prazer lhe apresentar...

princesas Annie e Christiane.

Olá.

Meu primo Jean-Luc. Ele vende armas.

Sentem-se. Sejam boas com ele. Muito boas.

Olhem para ele. Está muito carente.

-É de verdade? -Não mexa!

Então...

Bruno...

Jean-Luc?

Venha cá.

Fiquem à vontade e não mexam em nada.

Não mexam nas armas.

Volto já.

-Então? -Quem são essas vadias?

-Não são vadias. -São o quê?

Jacques Mesrine fugiu. Apesar de evitarmos sensacionalismo...

precisamos noticiar que o inimigo público número um...

está solto desde esta manhã.

Essa é a terceira fuga. Uma mais espetacular que a outra.

Elas fazem anúncios de lingerie.

Dois presos estavam com ele. Um deles foi morto...

Você gosta de salada, eu, de taco.

É isso que vou comer.

François, não...

Não estrague tudo.

Estamos indo. Seu amigo não parece bem.

Não, venha cá. Annie, François, o que é isto? Fique.

Está assustando Annie. Desligue a TV.

Não acreditem na imprensa. São um bando de mentirosos.

Precisamos agir.

De novo? Ei, François!

François?

Era você na TV?

Me chame de Jacques.

Jacques Mess-rine?

Mesrine. Jacques Mesrine.

Jacques Mesrine.

Muito prazer.

Detetive Vaugier.

Inspetor Heriot.

Bom dia.

-Seu supervisor está? -Sou o chefe da delegacia.

Há sempre tantos assim?

Vieram de Paris para checar minha lista de plantão?

Não me responda, policial.

Quantos trabalham à noite?

Um total de dez.

O que eu disse? Nada mal.

Por quê?

Ultimamente, soube de alguma atividade...

relativa àqueles dois malucos, Besse e Mesrine?

Acha que ousariam tentar alguma coisa por aqui?

Com esses dois, nunca se sabe, certo?

Em todo caso, cuidado com o menor, ele é o pior.

Henri, melhor não demorarmos. Temos mais trabalho.

Obrigado, senhor.

Até breve então.

Não tão breve, espero.

Achei que seria difícil. É um regimento.

Mesmo como um exército, eles são uns covardes.

Notas falsas, vocês disseram.

Querem checar o cofre para eles.

Seria o melhor.

Têm um mandado?

-Nossa credencial. -Não, um mandado.

Um mandado.

Mandado? Quer um mandado? Eu tenho um. Veja.

Um bom mandado. Um mandado Zevon.

Encha isto, velho.

Depressa. Vamos ao cofre.

Vamos. O cofre.

Ali.

Depressa.

Não me olhe assim.

-Pronto? -Pronto.

Vamos!

Vamos!

Vamos, droga!

Vamos!

Segure-se!

Pelotão de busca, em forma!

Essa não.

-Morreu. -Droga!

Aproximem-se.

Atenção!

Pelotão, preparar!

Obrigado, mas minha perna...

Reporte-se ao comando.

Pelotão... dispersar!

Me dê sua gravata.

Direita!

Mexam-se!

Vamos.

Jacques Mesrine e um cúmplice...

assaltaram o cassino Deauville sexta à noite.

Escondendo o carro na mata ao sul de Bernay...

os bandidos estão nessa área. Reforço policial está a caminho.

Já chega.

Pronto. Melhor, não?

Viu a roupa?

Obrigado pelas roupas.

Então...

o que acham de, em vez da escola...

irem passear com seus tios François e Jacques?

E papai e mamãe. Se quiserem ir.

Vamos votar. Eu quero ir.

François, o que diz?

Somos dois.

Papai?

Isso.

E mamãe?

E as crianças.

A família toda concorda.

Muito bom.

Vamos.

Cuidado com as costas.

Venha cá.

Qual seu nome?

Daniel.

Conhece as estradas para Chaufour?

Você os leva e nos deixa lá, certo?

Ou então...

Preciso falar?

Ótimo.

Feche.

Vamos. Andem!

Andem!

Senhora. Bom dia. Guarda nacional.

Apesar de 300 soldados vasculharem a mata ao sul de Bernay...

apesar de cães, helicópteros e da unidade especial...

O que é isto?

Um comando.

Abra o porta-malas, por favor.

Levante o braço do banco. Desligue o rádio.

Levantem o braço, crianças.

Meu Deus! Meu Deus!

Parem, por favor. Parem.

Pare.

Senhora, tem algo a dizer?

Checaremos seu carro.

Saia e abra o porta-malas.

Certo. Obrigado.

Calma, crianças.

Guarda nacional, bom dia.

-Bom dia. -Algo a declarar, senhor?

Não.

-Senhora? -Guarda nacional, pare o carro.

-Estou cansado disso. -Eu disse para parar.

-Tudo bem, crianças? -Sim.

-Saí às 4h. -Precisamos checar, senhor.

Cacem Mesrine, não a nós.

Senhor, não discuta. Não discuta. Baixe o tom.

Não há nada aí atrás. Viu? Nada.

Não discuta. Não discuta, senhor.

Pode ir, senhor.

Não discuta.

Não há ninguém aqui.

Daniel, venha cá.

Venha, Daniel.

Venha, Daniel.

Venha.

Pegue.

Pelas roupas e pelo silêncio.

Sim.

Quanto deu a ele?

Cem mil.

Cem mil? Por trapos? Que comerciante!

Pare.

Você foi bom.

Vão.

Estamos com a unidade da guarda móvel...

Ali.

Podemos atravessar. Veja.

Me dê isso.

Veja. Você duvida.

É óbvio.

Veja. Você duvida.

Tudo bem?

Continue.

Você consegue. Está vendo?

Não confia em mim.

É mais fundo aqui.

Venha.

Pegue.

Tudo bem aqui, tudo bem.

Cuidado. Aqui não!

Segure isto. Segure.

-Por quê? -Vou jogar isto na margem.

-Está longe. -Confie em mim.

-Não. -Confie em mim!

Não.

Está muito longe.

Droga!

Cuidado!

Venha cá, François.

François!

-Está afundando. -Afundou!

Era a sua parte.

Chega.

O que é aquilo ali? Veja. O que é?

Nossa!

Um barco.

Equipes de busca continuaram pela noite...

e novas buscas foram organizadas em outras florestas.

A polícia está convencida...

de que os fugitivos saíram da zona alvo antes da busca...

e está aumentando a zona alvo.

Bom dia.

Bom dia.

Então? O que vai me pagar?

Champanhe. O melhor. Você tem Cristal?

É claro.

Uma garrafa.

Qual é seu nome?

Sylvia.

E você?

Qual é seu nome?

Jacques, Jacques!

-Qual é meu nome? -Jacques, Jacques, Jacques!

Li meu horóscopo de manhã.

E o que dizia?

Que eu ia me apaixonar.

Então, Isabelle? Trouxe meu presentinho?

-Obrigado. -Podemos começar?

É claro. Comece.

Por que faz tudo isso?

Porque não gosto de leis.

E não serei um escravo do meu despertador.

Não sonharei com uma vida. Não olharei uma vitrine...

e pensarei: "Isto vai me custar 10 meses de trabalho." Não.

O que você quer da vida?

Glória? Dinheiro?

Que pergunta! Dinheiro, dinheiro e mais dinheiro.

Vivemos em um mundo de exploradores.

Mas não exploro ninguém. O que eu faço?

Procuro o dinheiro. Nos bancos.

E a política? É de esquerda ou direita?

Nenhum dos dois. São todos corruptos. Nem preciso dizer.

Não posso confiar nos políticos.

Você diria que é perigoso?

Perigoso? O que você acha?

Sim, talvez.

Não sei.

O que acha?

Perigoso? Depende.

Com tiras armados, sim. Não tenho limites.

Dispare!

Muito bom.

Perigoso...

Talvez.

Talvez eu seja.

Como acha que vai envelhecer e morrer?

Sinceramente, não acho que viverei muito.

Vão me matar. Vou morrer.

Isso é lógico. É o desfecho. E, afinal...

um homem que viveu na Unidade de Segurança Máxima...

tem todo direito. Então, tenho todo direito.

Isso não é meio tenebroso?

-Você tem planos? -Muitos planos. Sempre.

Fecharei a Segurança Máxima. Sabe o que é ficar 5 anos lá?

Cinco anos na USM? Vou soltar todos de lá.

Vi homens serem cortados, dilacerados, quebrados.

E se Sr. Alain Peyreffite, do DOJ, não entender...

Sou perito em nitroglicerina.

Matarei juízes se precisar.

Querem uma gangue francesa Baader-Meinhof?

Querem as Brigas Vermelhas? É melhor pensarem.

Se for preciso treinar com os palestinos, eu treinarei.

Explodiremos isto tudo.

Quer um café?

-Com prazer. -Quer açúcar?

Olá.

Bom dia.

Quero a "Paris Match".

E a Marie Claire.

Sim. Aqui está.

Jacques Mesrine?

-Sim? -Você está na "Paris Match".

Já era tempo.

Aqui.

O menu de hoje é perna de cordeiro.

Não sei vocês, mas estou farto da comida inglesa.

"Se for preciso treinar com os palestinos, eu treinarei."

"Se Peyreffite recusar, serei pior que Baader-Meinhof."

Eu disse isso.

E serei.

"Sou perito em nitroglicerina."

Continue.

"Matarei juízes se precisar." Que besteira é essa?

Não é besteira, é revolução.

-O quê? -Revolução.

Somos bandidos, não idealistas. Não destruímos o sistema.

Viu isso, amor? O típico insignificante.

E por ser tão pequeno, pensa pequeno.

Não ajo como todo-poderoso.

Não quero me vingar do Estado.

Está bem, mas não me peça para autografar sua cópia.

Limpe o rabo com isso.

Pare.

François, venha comer.

-Não trabalho assim. -Eu uso a imprensa.

-Só isso. -Melhor resolvermos isso.

Se você quiser. Mas no jantar.

Venha.

Tragam os réus.

Consegui uma oportunidade de ouro. Ouça.

Vamos sequestrar um milionário.

-Para quê? -Que pergunta é essa?

Para pegar dinheiro.

E acredite: O que achei é indesejável.

Ninguém vai chorar.

Um monte de titica.

Ele aluga apartamentos.

É coisa boa, confie.

Espere.

Sabe o que faremos depois disso?

Compramos umas bazucas.

François, iremos na USM.

Ouça, Jacques, atacar a USM, por que não?

Mas depois, para onde eu vou?

Depois...

A verdade é que você nunca vai parar.

Você quer destruir o sistema.

Eu quero mantê-lo, para consumi-lo.

Você está delirando.

E o pior é que não percebe.

Delirando?

-Delirando. -Que expressão é essa?

Não sei o que é isso.

SARTHE, JUNHO DE 1979

Bom dia. Sr. Lefévre está?

Sou filho dele, e vocês?

Comissário Vaugier, polícia. Posso entrar?

De que se trata?

Seu pai possui uns prédios. Queremos fazer umas perguntas.

Vou chamá-lo.

Obrigado.

Em que posso ajudá-los, senhores?

Alguns inquilinos seus deram queixa de más condições.

Precisamos levá-lo á delegacia.

-Não pode ser aqui? -Não. O que ia parecer?

Está bem, vamos.

Não deve demorar.

-Peça o carro ao Charles. -Não precisa, temos o nosso.

Nós o traremos quando terminar.

Está bem. Vamos.

Obrigado pela cooperação.

A partir de agora...

está em custódia da Frente de Libertação da Palestina.

Palestina?

O que tenho a ver com isso?

Alugo apartamentos em Paris.

Nem sou judeu.

Sem problema.

Você se renderá a mim, Jacques Mesrine.

Mesrine?

Vai me prender por muito tempo?

Se pagar o resgate, poderá ir para casa.

Quanto quer?

Dez milhões. Em dinheiro.

Dez milhões?

Não, é muito dinheiro.

Esse preço... Tenho 82 anos, não vale a pena.

Pode me matar.

Vai nos dar oito milhões.

-Não. -Como assim?

-Não. -Não é você que decide, idiota.

-Me dê sete, e ponto final. -Não!

Em quanto está pensando?

Seis, em quatro vezes.

Em quatro vezes?

Em quatro vezes?

Primeiro: São em 3 vezes.

E se nos enganar, eu o matarei de graça.

Entendeu?

Entendeu?

Sim, sim.

Esse cara não presta.

Comida boa, conhaque ótimo.

Não somos tão diferentes, Sr. Mesrine.

Gostamos de coisas boas.

E se, para consegui-las...

for preciso extorquir dinheiro de um trabalhador...

por que não?

Bobagem. Somos bem diferentes.

Você é explorador.

Eu sou revolucionário. É diferente.

Sr. Mesrine, sabe a diferença entre revolucionário e bandido?

É uma charada?

Um revolucionário teria posto uma bala na minha cabeça...

e deixado meu corpo no porta-malas de um carro.

E não pediria um centavo. Por outro lado, o bandido...

pede um resgate, pega o dinheiro e me liberta.

É isso que vai fazer.

Está bom.

Há uma terceira possibilidade.

Pego o dinheiro, mato você e o coloco no porta-malas.

Não pensou nisso?

Então, tudo isso nos jornais, "Mesrine, o bandido honesto...

que cumpre a palavra"...

é tudo mentira?

-Jacques? -Na Bélgica...

foi preso o parceiro de fuga de Mesrine, François Besse...

que participou de vários assaltos.

Besse havia sido comparsa do inimigo público número um.

Nos subúrbios de Bruxelas, foi preso com outros três...

Pobre François.

Com pistas da polícia francesa, a polícia belga...

Preso pela polícia belga. Precisa ser muito burro.

Eu o conheço. Não ficará preso muito tempo.

Muito bem.

"Lapin chasseur", á moda Sr. Jack.

Vamos comer.

Está tudo quieto.

Vamos ver.

Já faz uma hora. Quando pegaremos o dinheiro?

Deixe-os esperar. Sempre faça isso. Nunca se sabe.

Que carro é aquele parando perto de Lefévre?

Deixe-me ver.

Esse cretino!

Eu disse.

Sujou. É a droga da polícia.

Veja.

Vamos testar seus parabrisas.

Trouxe os tiras, não?

Tentou me enganar?

Farei valer a pena.

Vagabundo.

Ele está aguentando.

Hora de ir.

Seu filho me traiu. Levou a polícia!

Juro que não acontecerá de novo.

É bom mesmo. Pelo seu bem.

Estou avisando.

Então?

Boas e más notícias.

O vovô vai para casa logo, porque o filhinho...

fez o primeiro pagamento.

E a boa notícia. Veja.

Sorria. Vou tirar uma foto. Segure isto.

Está quase no fim.

Sorria e diga "X".

BESSE: UMA FUGA NO ESTILO MESRINE

"X"...

Seiscentos mil. A vida não é linda?

Olá. Bem-vindos à BMW.

-Vou lhes mostrar... -Chega. Quero este.

Agora mesmo, senhor.

Não é o bom Realmente não é o bom

Nem o mau

Eu não dou a mínima

Veja só, amor.

Pode passar, senhor.

Outro forasteiro.

Onde está a polícia?

Aqui estamos!

Prove aquele.

Lindo.

Quanto?

Você está preso.

Você gosta, Fripouille?

Deslumbrante.

Mesrine pensa o mesmo...

desde sua pena de 20 anos, há um ano, em maio de 77.

Ele fugiu, mas será capturado.

Ele não pode falar de seu status de inimigo público Nº 1.

PARIS, AGOSTO DE 1979

Charlie!

Charlie Bauer, o homem invisível.

É difícil encontrá-lo.

Digamos que não sou tão livre quanto você.

Tenho de me reportar a um grupo de camaradas.

Certo, esqueci.

Seus camaradas de extrema esquerda...

que lhe ditam como beber, comer, quem ver?

Acha que pode derrubar o sistema sozinho?

Não acho. Eu sei. E estou fazendo.

Tem lido os jornais? Leu meu livro?

Uma parte.

Não gostei de tudo que li.

Não tem nada a ver com quem eu sou nem com o que faço.

Não me importo de dizer que, se nos conhecêssemos na Argélia...

seria lado a lado, face a face, arma em punho.

Eu sei.

Eu o teria matado.

Seria bom não errar. Não temos nada para provar...

Vou para casa, com minha família.

Mantemos contato.

Se precisar de algo, é só pedir.

Mais cedo do que pensa.

Meu amigo.

Tchau.

Que comportamento é esse?

O que é isso?

-Que comportamento? -Ficar se exibindo.

Por que me importo? Você é só um corpo bonito.

O quê?

Lembra de onde a peguei?

O quê? Ninguém me pega.

Só se tiver...

Ninguém me pega. Ninguém me compra!

Se me respeitasse, não diria isso!

Respeito? Fala de respeito? Respeito?

Fala de respeito?

Depois dessa exibição para o meu amigo?

Que amigo?

Ouça, ele esteve na UMS, como eu.

Basta saber quem ele é.

François era seu amigo.

Mas você quer dar a última palavra e sempre fica sozinho.

E é assim que vai acabar, Mesrine.

Sozinho.

Por quê?

Você vai me deixar? É isso?

Por que diz isso?

Qual é o problema?

Não me ama mais?

Quero sair daqui. Quero sair daqui.

-Vamos sair. -Está mentindo.

-Vamos sair. -Está mentindo, não vamos.

-Você será morto, Mesrine. -Não, ninguém vai morrer.

-Prometa. -Prometo.

-Prometa de novo. -Prometo.

Prometo.

Mamãe!

Essa não é a mamãe. Receba-os, amor.

A terra dos direitos humanos, onde os humanos se humilham.

É verdade. Depois, prendem você e você vira um animal ou defunto.

Precisamos acabar com esse sistema repressivo...

que continua além da pena. Você bem sabe...

que, comparada à USM, a guilhotina é quase um favor.

Primeiro: Acabar com os muros das prisões.

Segundo: Libertar os camaradas lá de dentro.

Terceiro: Formar um exército com eles.

Quer derrotar o sistema?

Bata a carteira deles.

Roube bancos. Eu faço isso.

Bancos sempre foram roubados. E ainda estão aí. Sabe por quê?

O que faz com o dinheiro?

Compra joias para Sylvia e carros caros para você?

Não, amigo, você não destrói o capital, só o exalta.

Fugi quatro vezes. Nada mal.

Quantas vezes o pegaram?

Já pensou nisso?

Não pegarão mais.

Agora, eles não têm opção. Precisam me matar.

Ao menos, assim, morrerei deste lado do muro.

Amor?

Não posso conversar.

Ela me chuta o saco.

Mas por outro lado...

O que foi?

Parei com isso. Faz mal à saúde.

Acha que vai morrer disso?

Nunca se sabe.

Diga que é feliz.

Vamos embora daqui.

Enquanto temos dinheiro.

Vamos ficar mais um pouco. Então, deixaremos o País.

Enquanto isso, não se preocupe.

Enquanto estivermos juntos, nada nos acontecerá.

Você é linda.

Eu te amo.

Também te amo.

Acho que é Charlie.

Conhece Dallier?

Jacques Dallier?

Um fascista idiota...

trapaceiro convertido, mas que ainda é informante da polícia.

Um vagabundo.

Leia isto.

Leia. Leia isso!

"Mesrine...

o bandido desonroso."

Eu. Eu!

"Que trai seus amigos e não cumpre a palavra."

Canalha.

O que você vai fazer?

Venha.

Entre. Entre!

Charlie?

Me diga, Dallier...

seu jornal, "Minute", sempre apoiou a USM?

Eles são de extrema.

Com esta manchete, posso viver em uma ilha.

Uma ilha? Qual é o problema do interior da França?

França?

A França já foi boa.

Então, nos anos 40, o que fizeram?

Uniram-se a Hitler.

Nos anos 60, aos árabes.

Deram a Argélia aos nativos. Droga!

A Argélia não pertence aos argelinos?

E os EUA, aos índios?

Quem constrói uma nação? Os brancos ou os selvagens?

Você foi policial. O que acha da polícia?

Uns idiotas. Um bando de vagabundos.

Morrem de medo de você.

O Grande Jacques, Mesrine. É ridículo.

Em 1961, a polícia era diferente.

Endireitaram os árabes.

Mas depois, veio Papon.

Bom chefe, Papon.

Se eu fosse você, tomaria cuidado com Broussard.

Está atrás de sua filha.

É mesmo? Acha que ele será condescendente?

Eu sei do que são capazes.

Com certeza.

E quanto a mim? Sabe os planos deles?

Matar você.

Sem dúvida.

Espere.

Chiclete?

Não.

Kalashnikov. Boa arma.

Vamos.

Leve isto.

Ande.

Ali.

Ande.

Posso começar a entrevista?

Estou com Jacques Mesrine, que responderá a umas perguntas.

-Você é Jacques Mesrine? -Assim me disseram.

Você é Jacques Mesrine?

Não sei o que lhe disseram.

Há medo em seus olhos.

-Está com medo? -Não.

Parece desconfortável.

Estou surpreso.

Com o quê? Seu jornal queria falar comigo, não?

Então, sequestrou Lefévre?

Largue o microfone.

O quê?

Largue. Tire a roupa. Suas roupas.

Quer uma manchete? Vai ter.

Vamos parecer real. Tire a roupa! Tire a calça.

Assim saberão que você sofreu.

Ninguém imagina que está do nosso lado.

-Porque não está. -Mas você disse...

Vamos.

-Quer uma manchete, não? -O que vai fazer?

Vamos algemá-lo.

Parece mais real.

-Vai ficar bonito. -As mãos.

Prepare o palco.

-Mas... -"Mas, mas..."

Cale a boca.

Cale a boca!

Vou explicar.

Não é mais Dallier entrevistando Mesrine.

É Mesrine entrevistando Dallier.

Espere, eu...

-Qual é o seu nome? -Espere!

Qual é o seu nome? Qual é o seu nome?

-Jacques Dallier. -Jacques Dallier, isso.

Nome de veado.

Veado!

Para quem trabalha? Diga!

-"Minute". -O quê?

-"Minute". -Isso mesmo, "Minute".

O que é isso? É um jornal fascista?

Escreveu um artigo sobre mim? Foi você?

-Não fui eu. -Seja honesto, é melhor.

Foi você!

Escreveu um artigo sobre mim!

Veado! Foi você? Não sou correto com meus parceiros?

Você disse isso?

Você me difamou?

Meu parceiro está ali. Pergunte a ele. Veado!

Jornalistas de merda que me difamam!

Eu os encho de chumbo! Chumbo!

Vou mostrar o que fazemos na Argélia.

-Você vai grasnar. -Pare!

Isso não. Ele é o fascista, não nós. Pare.

Mate-o. Acabou.

Tem razão.

Não, fizemos muito barulho.

Ele já era.

Leu os jornais?

O quê?

Aquele maldito Dallier está vivo. Imagina?

E daí? Melhor ainda.

Melhor como? É uma catástrofe.

Eu disse para não mandar as fotos.

Até a imprensa simpatizante ficou chocada.

Que se danem! Miseráveis de direita.

Ele nem é jornalista. É um informante.

Essas considerações não significam nada aos jornalistas.

Dallier é jornalista. Você atirou em um deles.

"Um deles". O que isso significa?

Ouça, leia os jornais.

A partir de hoje, nossos dias estão contados.

Até mais.

Olá, meu amor. Se estiver ouvindo isto, minha Sylvia...

é porque morri. Apenas uma lembrança de minha voz.

Sim, querida. Seu marido foi morto. Pela polícia.

Sabe, amor, quando um homem escolhe viver pelo roubo...

pela violência...

ele não morre em sua cama.

Enfim, saber quem atirou primeiro não importa.

Minha morte não é mais absurda...

do que morrer em um acidente de carro...

ou trabalhando em uma fábrica.

Então...

a morte, no final, não existe.

A morte não é nada para quem sabe viver.

Ao menos, posso dizer...

que não desperdicei minha vida.

O crime não compensa. Mas quanto ao coração...

eu tive você, meu amor.

E ser criminoso foi uma escolha minha.

Eu escolhi o conforto por meio do crime...

sempre almejando... bem, quase sempre, eu acho...

os abastados, os ricos.

Quando estiver morto, não serei culpado de nada. Terei pagado.

O estranho é alguns me verem como um exemplo de herói.

Mas, na verdade, não há heróis no crime.

Apenas homens que escolheram viver fora da lei.

Morri empunhando uma arma, mesmo não tendo tempo de usá-la.

A única coisa que sei, é que, se estiver ouvindo isto...

eu estarei em uma cela de onde não há fuga.

2 DE NOVEMBRO DE 1979

Seu jornal.

HOMENAGEM DE BARRE A ROBERT BOULIN

Boulin será notícia velha amanhã, não acha?

Não dou a mínima.

Está saindo.

A ruiva saiu.

Um poodle na coleira.

Está andando.

Na Rua Belliard, para Mont-Cenis.

Ela chegará em 3 segundos.

Dom falando. Ela parou.

O que está fazendo?

Está olhando ao redor.

Um homem está saindo. Olha ao redor.

Droga, é ele! Está na Belliard.

Atravessa a Mont-Cenis.

É ele.

Vai na direção de vocês, GG.

Já o vi. Está na Rua Belliard.

Eu o perdi.

GG? GG, você o vê?

Eu não o vejo.

Droga!

Lá está ele.

Ele anda devagar. Um pouco atrás da ruiva.

Continua olhando ao redor.

Droga!

E se ele perceber que a Iona é uma isca?

O que eu faço?

-Relaxe, ele não vai... -Cale a boca!

Está olhando para a van.

Ele está vindo. Vou desligar.

GG?

GG?

GG?

Não os vejo.

Como assim?

Estavam bem na minha frente. Está vendo alguma coisa?

Não vejo nada.

Tenha calma.

Não vejo nada. Lá está ele!

Muito bem.

Mesrine está aqui, com a garota. Em um BMW marrom metálico.

Placa 83-CSG-75. Repito...

Está voltando ao prédio. É todo seu, Jojo.

O BMW está voltando.

Na minha direção.

Está parando.

Estão saindo. Ela primeiro.

Ela está indo para o prédio.

Ele está saindo.

-Na minha direção. -Calma, calma.

Ele está vindo. O que eu faço?

Jojo, responda.

Jojo?

Ele se encostou no meu carro. Quase borrei as calças.

Ela está pondo coisas no porta-malas.

Ela entrou no carro.

Estão indo para aí, GG.

Já os vi. Estão na Rua Belliard.

Estão na Mont-Cenis. Nós o vemos.

Em poucos dias, irei a Milão com Charlie.

Milão? Por quê?

Encontrar uns amigos dele. Brigadas vermelhas.

-Não vai me levar? -Não posso.

O BMW passou por mim. Velocidade média.

Farol vermelho na esquina.

Não se zangue.

Pode decorar nosso novo apartamento.

Sem você não tem graça.

O cara acabou de parar atrás de três carros.

Prepare para a Clignancourt. Não o deixe pegar a via expressa.

Não vou demorar.

Aqui é Dom. Indo para Ornano.

Você me ama?

Sim, eu te amo.

O farol abriu.

-Preparar. -O BMW está andando.

Aqui é Jojo, indo para Clignancourt.

Vejo a Clignancourt. Tudo limpo.

Droga!

Nasci a menos de 1.600 m daqui.

BMW vindo. Estou vendo.

-BMW à vista. -Droga!

-Passe. -Deixe-o passar.

Saia! Saia!

Eu disse para sair, ouviu?

Eu disse para sair. Saia.

Meu cachorro!

-No chão! -No chão!

-Vocês mataram meu cachorro! -Não se mexa!

Vocês mataram meu cachorro, miseráveis!

Não se mexa!

Não se mexa! Não se mexa!

Não se mexa!

Não se mexa!

Não se mexa! Não se mexa!

As algemas.

Vamos.

O cachorro. Leve-o ao veterinário.

Cerquem tudo.

Aonde foi o caminhão?

Acabou. Ele está morto.

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