All language subtitles for Anna Karenina (1948) WEBRip Oldies

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Original subtitles

ANNA KARENINA de Tolstoy

Sincronia: Labok

TODAS AS FAM�LIAS FELIZES SE PARECEM UMAS COM AS OUTRAS...

AS INFELIZES S�O INFELIZES CADA UMA � SUA MANEIRA.

A CONFUS�O REINAVA NA CASA DOS OBLONSKI.

Oh.

O qu�? O banheiro tamb�m?

- Matviei, o que devo fazer? - Isso vai passar, senhor.

Sua senhoria pretende levar os filhos com ela...

e a cozinheira tamb�m est� indo embora.

Bem, almo�arei no Hermitage com o Sr. Lievin.

Quem � aquela?

A nova governanta inglesa.

N�o haver� mais aulas de franc�s.

A mademoiselle Roland foi dispensada ontem � noite.

- Sua senhoria encontrou a carta. - A carta?

Sua carta para a mademoiselle Roland.

Salvos! Estamos salvos!

Minha irm� Anna chega de S�o Petersburgo hoje.

Ainda pensando em seu filho?

Sim, acho que sim.

Perguntava-me o que ele est� fazendo nesse momento.

Voltando de sua caminhada, seguido pela coitada e ofegante Marietta.

- Quer ver uma foto dele? - Eu adoraria.

- Aqui est� - Sim.

Oh, ele � encantador.

N�o �?

� um pouco parecido com seu esposo...

mas o que ele tem de bonito, puxou de voc�.

Eu nunca sei o que meu filho pode estar fazendo.

- Talvez seja melhor assim. - Oh, por que condessa?

Repare nesses olhos, minha querida...

e talvez voc� entender� o que eu quero dizer.

Ele � muito bonito.

Princesa, eu n�o deixaria de lhe dar meus cumprimentos hoje...

mas s� posso ficar por um momento.

Prometi encontrar a minha m�e na esta��o de trem.

Ent�o, a condessa est� abandonando a sua amada S�o Petersburgo?

Ela n�o consegue mais ficar longe de sua amada Moscou.

Ela pensar� assim por uma semana.

Minha m�e afirma que viajar � muito cansativo...

mas ela passa a metade do tempo em trens.

Al�m disso, dessa vez, ela est� vindo a meu pedido.

Kitty, minha crian�a, o que voc� est� fazendo?

Estou certa que o conde Vronski detesta leite.

Oh! Desculpe-me, eu...

Eu vou gostar.

Gostaria de mais ch�?

Estava me esquecendo de ti, Konstantin Dm�trievitch.

Talvez um pouco.

- Est� bem ado�ado? - Sim, obrigado.

Kitty?

Eu...

quero lhe dizer por que fugi de Moscou no ano passado...

e por que voltei hoje.

Estou com medo, Konstantin Dm�trievitch.

Com medo?

Do qu�?

De machuc�-lo.

Ent�o, talvez seja melhor...

que eu n�o lhe diga por que eu voltei hoje.

Kitty n�o podia esperar um marido melhor.

- Ele � bonito, rico, brilhante... - Brilhante demais.

Prefiro aquele outro l�.

Ele � um bom sujeito.

Querido, n�o conhece o gosto feminino.

Nem elas conhecem, infelizmente.

Konstantin Dm�trievitch...

eu gosto de voc�.

Eu gosto muito de voc� mesmo.

Mas � imposs�vel.

Perdoe-me.

Meus cumprimentos, meu caro conde.

- Meus cumprimentos. - Quem ir� encontrar?

Apenas minha m�e. E voc�?

- Minha irm�, Anna. - Ah, a madame Karenina.

- Sim. Voc� a conhece? - N�o, acho que n�o.

Ao menos, deve conhecer meu famoso cunhado, Alexei Alexandrovitch.

Por reputa��o e de vista, como todos os nossos grandes estadistas.

Dizem que ele � uma enciclop�dia ambulante.

Um grande chato.

Eu vou ver se consigo achar meu irm�o.

- Annushka, cuide de minha mala. - Sim, madame.

Ah, aqui est� voc�. Recebeu meu telegrama?

Sim. Fez boa viagem?

Excelente. Tive uma companheira encantadora.

Bem, meu querido. Como voc� est�?

- Muito bem. - Ah, que bom.

Dizem-me que voc� est� de romance novo.

N�o sei do que est� falando, m�e.

- Encontrou seu irm�o? - N�o.

Seu irm�o est� aqui, madame.

- Acho que n�o me conhece. - Sim, conhe�o.

Sua m�e e eu conversarmos sobre voc� quase o caminho todo.

Est�vamos falando de nossos filhos.

Isso deve ter lhe entediado bastante.

Sobre o que mais voc� acha que as m�es conversam?

Bem, condessa, n�o tenho mais hist�rias.

Se a viagem durasse mais,

eu n�o teria mais nada para lhe contar.

Alexei, v� achar o irm�o de Anna.

� claro.

Oblonski! Oblonski! Aqui.

- Anna. - Stiepan. Como est�, querido?

Muito mal. Vou lhe explicar. Conto com voc�.

� alguma coisa grave?

- Afastem essas pessoas! - Para tr�s!

Para tr�s agora! Afastem-se.

Para tr�s! Afastem-se.

Fiquem a�. Era o chefe dos empregados. Foi esmagado.

Oh, vamos. Detesto acidentes.

Vamos embora. N�o se chateie.

A carruagem acabou de voltar da esta��o...

com Anna Arc�dievna.

O que eu farei com as crian�as?

Bem, agora � tarde demais para partir esta noite.

Deixe-me ajud�-la.

� melhor que as fa�a ir para a cama.

Acho que elas n�o ir�o at� verem a tia.

Tudo bem. Est� certo, ent�o.

Dolly, estou t�o feliz em lhe ver.

Oh.

Minha querida, ele me contou tudo.

N�o consigo lhe dizer o quanto estou triste por voc�.

- N�o. - Eu n�o vou defend�-lo.

Precisamos conversar, e ver o que pode ser feito.

N�o h� nada a ser feito.

O pior de tudo � que n�o posso deix�-lo por causa das crian�as...

e eu n�o posso viver com ele...

depois do que aconteceu.

Fui uma perfeita idiota.

Eu n�o sabia absolutamente de nada.

Por oito anos, acreditei que eu era a �nica mulher que ele amou.

Acho que sei como homens como Stiepan veem essas coisas.

No �ntimo, eles desprezam essas mulheres.

Oh,

desprezam sim e demarcam uma linha entre elas e suas fam�lias...

�? Mas ele a beijou.

Eu sei. Ele fez voc� sofrer horrivelmente...

e mesmo assim n�o consigo deixar de me sentir triste por ele tamb�m.

Dolly, ele lhe ama de verdade.

Olhe para ele. Ele est� t�o infeliz.

- Acha mesmo que ele est� infeliz? - Sim.

Humpty Dumpty num muro se sentou.

Humpty Dumpty grande tombo levou.

Nenhum cavalo ou...

- Va at� ela, Stiepan. - Cavaleiro do rei...

puderam remontar o Humpty Dumpty outra vez.

Katia, Tania.

Srta. Hull, acho que as crian�as podem ir para a cama agora.

Sim, sua senhoria.

Mas tia, ainda n�o lhe vimos.

Iv�n.

- Ent�o? - Tudo ficar� bem.

- O que foi, Kitty? - Como est� bonita, Anna.

- Tia Anna, ir� ao baile? - Mostre seu vestido para n�s.

- Sim, assim que estiverem na cama. - Promete?

- Prometo. - Promete?

- Prometo. Quando � o baile? - Amanh�, na casa dos Meskov.

Venham, crian�as. N�o incomodem a sua senhoria.

- Venha aqui. Obrigada, querida. - Voc� tamb�m, Iv�n.

- Venha, Katia. - Aqui estamos.

Kitty, sei por que quer que eu v� ao baile.

Quer que todos compartilhem de sua felicidade.

Como sabe, conheci o capit�o Vronski na esta��o de trem.

Bem, o que o Stiepan andou lhe dizendo?

A hist�ria toda.

A m�e dele diz que ele � um grande her�i.

Mas � claro que as m�es s�o sempre tendenciosas.

Que pena que seu marido n�o p�de vir.

N�o consigo imaginar Alexei Alexandrovitch Kar�nin dan�ando.

Ele ficaria perdido sem pap�is do estado na m�o.

Muito bem, crian�as, voc�s podem ir para a cama agora.

Minha esposa...

A melhor, a mais doce a mais gentil esposa que um homem poderia desejar.

- Anna. - Dolly, querida, estou t�o feliz.

Boa noite, m�e. Boa noite.

- Boa noite, querida. - Boa noite, querida.

Muito bem, crian�as, agora podem dizer boa noite para seu pai.

Boa noite, pequeninos. Boa noite. Boa noite. Boa noite.

Agora para cama como boas criancinhas. Aqui estamos.

N�o esque�a de sua promessa, tia Anna.

N�o, n�o esquecerei, minha querida.

Agora, preciso me apressar. Ainda n�o desfiz a mala.

Diga a Sua Excel�ncia que eu desejo lhe falar.

Esperarei aqui.

- Boa noite. - Estou lhe incomodando?

S� queria saber se vai se juntar a n�s...

no jantar no clube que marcamos para quarta-feira � noite.

� muito gentil, mas n�o devia ter sa�do de seu caminho, pois...

nos ver�amos no baile dos Meskov.

� claro!

Mas eu n�o tinha certeza que voc�s iriam.

Oh, Anna, que vestido maravilhoso.

- Anna Arc�dievna. - Caro pr�ncipe.

- Oh, sim, � maravilhoso. - Kitty, a felicidade em seus olhos...

� mais bela do que qualquer vestido.

- Minha cara. - Anna, querida.

Com licen�a.

- Anna Arc�dievna. - Boa noite, conde.

Como � prazeroso lhe ver novamente em Moscou.

N�o pode me recusar essa dan�a, n�o?

Meu caro Korsunski, voc� sabe muito bem...

nunca dan�o, a menos que n�o possa evitar.

Hoje n�o pode. Est� bonita demais.

Nesse caso, vamos dan�ar.

Desculpe-me, Kitty. Eu n�o tinha lhe visto.

Gostaria de dan�ar?

Com prazer, conde.

Senhoras e senhores...

encontrem seus parceiros para a polonaise...

Daria-me a honra de dan�ar comigo?

Lamento, mas prometi essa dan�a ao conde Vronski.

Tem certeza? O engano n�o pode ter sido da parte dele.

Devo ter confundido as dan�as.

- Que bobagem minha. - Gostaria de dan�ar?

Voc� se importa se eu n�o dan�ar?

O meu sapato est� doendo.

Lamento. Deve ser uma tortura.

Sim.

Minha capa.

N�o seja rid�cula, filha. N�o pode sair antes do jantar.

Estou cansada, m�e. Prefiro voltar para casa.

Mas voc� quase n�o dan�ou.

Pensei que o conde Vronski tinha lhe reservado a mazurka.

Gregori me levar� para casa.

N�o fique no frio. E v� direto para cama.

Ela n�o est� se sentindo bem?

Ela est� chateada.

O que deu naquele jovem para agir daquele jeito?

Eu lhe disse, sempre preferi o outro, minha cara.

Vamos jantar para que n�o notem a partida dela.

Eu o mandei trazer especialmente da Irlanda.

Ele � pequeno para corridas, mas muito valente. Uma beleza.

Espero que ele fa�a grande sucesso.

A menos que a disputa seja forte, acho que tenho chance esse ano.

Voc� estar� l�?

Eu n�o sei. Costumamos ir �s corridas.

N�o perco uma Copa Militar desde crian�a.

Como seu vestido � belo.

Bem, Anna Arc�dievna, voc� n�o vir� jantar?

N�o, obrigada, condessa.

Vou embora de manh� e acho que devo descansar antes da viagem.

- Precisa mesmo ir? - Acredito que sim.

Mas saiba que dancei mais essa noite do que costumo dan�ar...

durante o inverno inteiro em S�o Petersburgo.

Ent�o, com licen�a. Foi uma noite encantadora.

Devia ter ficado uns dias a mais.

A casa n�o � a mesma sem voc�.

Eu preciso ir, Dolly. Realmente preciso.

Kitty n�o est� muito bem.

Ela mandou a criada para lhe dizer adeus no seu lugar.

Sabe, � por causa de Kitty que estou indo.

Ela estava t�o feliz.

E ela esperava tanto desse baile e eu...

- estraguei a noite dela. - Sim.

O capit�o Vronski dan�ou muito com voc�.

Sim, mas eu n�o tenho culpa.

Ou talvez eu tenha... um pouco.

Mas foi sem inten��o.

Voc� falou igualzinho ao Stiepan.

Oh, n�o. Eu n�o sou como Stiepan.

Querida, vou embora, tendo tornado Kitty minha inimiga...

e eu sou t�o afei�oada a ela.

Voc� a far� entender, n�o �, Dolly?

Diga-lhe que espero que em breve eles estejam casados...

e que ela ser� muito feliz.

Agora onde est� Stiepan? Vou perder o meu trem.

- Stiepan! - Estou indo, estou indo.

Anna, voc� � incr�vel. Acorda cedo e bem ap�s uma noitada.

N�o sei como voc� consegue.

Dan�a como uma debutante.

N�o se lembra dos cora��es que quebr�vamos nos velhos tempos?

Ah, est� bem.

N�o sei do que estou falando.

- Est� tudo carregado? - Sim, Excel�ncia.

- Bom, ent�o � melhor irmos. - Tchau, querida Dolly.

Tchau, Anna.

Nunca esquecerei o que voc� fez por mim.

Lembre-se que eu lhe amo...

e sempre amarei, n�o importa o que acontecer.

Agora, precisamos ir.

- A madame n�o consegue dormir? - N�o muito bem.

Que esta��o � essa?

Klin, madame. A poucos minutos do mar.

Obrigada. Vou sair para respirar um pouco.

N�o sabia que voc� iria para S�o Petersburgo. Foi chamado de volta?

Sabe que eu irei l� para ficar onde voc� est�...

porque n�o posso fazer outra coisa.

Lamento se o que eu acabei de dizer lhe desagrada.

Espero que esque�a isso...

e eu esquecerei tamb�m.

Nem uma palavra...

nem um gesto seu eu jamais esquecerei.

Como eu posso?

Nem uma palavra...

nem um gesto seu eu jamais esquecerei.

Como eu posso?

- Bom dia, Excel�ncia. - Bom dia. Para dentro.

Annushka, minha mala.

Veja que gentil e dedicado marido voc� tem...

como nos velhos tempos, ardendo de desejo de lhe ver, querida.

- A noite foi muito ruim? - Como est� Sergei?

� essa a recompensa que recebo por minha dedica��o? Ele est� bem.

Eu o deixei vir para lhe ver. Ele est� na carruagem.

Teve uma boa noite, madame?

Sim, muito boa, obrigada, conde Vronski.

Acredito que eu tenha a honra de lhe conhecer.

Minha cara, parece que voc� foi com a m�e

e voltou com o filho.

Voc� est� de volta da licen�a, sem d�vida.

Estou lisonjeado que encontrou t�o pouco em Moscou para ficar l�.

Posso ter a honra de lhe visitar?

Recebemos visitas �s quintas.

Tive muita sorte de poder vir.

Estou atolado de trabalho no momento.

Andrei! Andrei, ela est� vindo!

Meu querido, voc� passou bem?

Temia n�o lhe ver nunca mais.

Vamos, vamos. Que exagero.

Tr�s dias. Eu chorei?

Coitadinha.

Ela est� morrendo de vergonha. Ele precisa fazer isso?

Ele insiste em fazer um exame completo, querida.

Nenhuma jovem devia ser examinada assim. � indecente.

Eu sei o que h� de errado com ela, mama.

N�o � nada que rem�dio cura.

Deixe-me sozinha com ela por um momento.

Ent�o, doutor?

Acha que eu n�o sei?

Acredite, n�o vale a pena ficar assim.

Todas n�s j� passamos por isso.

Pelo amor de Deus, n�o tenha pena. Isso me deixa louca.

Voc� acha que estou assim por um homem que n�o me ama.

- Voc�, minha irm�... - Kitty.

Eu n�o sou como voc�...

Engolindo seu orgulho e voltando para um homem...

que a traiu com outra mulher.

Ah, Dolly.

Estou t�o triste.

Precisa me contar tudo.

Konstantin Li�vin falou com voc�?

Sim, mas...

eu estou t�o triste.

Onde estavam seus pensamentos h� pouco?

Ainda no Minist�rio, confesso envergonhado.

Esse parecer me preocupa.

Estou me arriscando ao denunciar a neglig�ncia de nossa administra��o.

Todavia, o caso � bem claro.

Eu apresentei uma mo��o ao Conselho Imperial.

Essa mo��o, � claro, ser� diferente para cada prov�ncia...

e o Conselho...

E voc�?

No que est� pensando?

Nada. Acho que estava sonhando acordada.

Perdoe-me. Eu estava come�ando a entedi�-la.

Preciso lidar com meus documentos cansativos.

Ah! Vai sair esta noite?

Esqueceu? Prometeu me levar para a �pera.

� claro, mas lamento muito. N�o poderei ir.

Natalia est� no seu camarote?

Sim, n�o se preocupe. N�o ficarei sozinha.

O conde Vronski estar� l� tamb�m...

- e a querida Betsy. - Que espl�ndido.

Ent�o, eu n�o preciso ficar com remorso.

Eu poderia ficar se voc� quisesse.

N�o, minha querida.

Os assuntos da R�ssia n�o exigem que n�s dois fiquemos entediados.

Va e aproveite a sua noite.

J� sei h� um tempo que a R�ssia n�o precisa de mim...

mas pensei talvez se voc�...

Alexei Alexandrovitch.

Entre.

Boa noite, Sua Excel�ncia.

- Voc� est� com tudo? - Tudo, Excel�ncia.

- Boa noite, Theodore. - Boa noite, madame.

- Anna. - Sim?

Mande meus cumprimentos � Natalia.

N�o est� na cama ainda, Sergei?

Mas voc� disse que eu podia, mam�e.

Sim, mas n�o a noite toda.

- N�o, mam�e, mas estou ganhando. - Ah, entendo.

Estou indo para a �pera, querido e vim lhe dar um beijo de boa noite.

Boa noite, mam�e.

N�o devia ter pulado a minha vez. N�o vi. Estava beijando mam�e.

Agora, vou lhe pegar.

Quer que eu fique para jogar com voc�?

Ah, n�o. Voc� sempre me derrota.

Eu estou com um rei.

� sua vez. V�.

- Boa noite, Marietta. - Boa noite, madame.

Ah! Aqui est� a mesa.

Agora, podemos nos dedicar ao nosso v�cio favorito.

Coloque-a aqui.

N�o, sou amiga da Anna. Sim, tamb�m posso dizer isso.

Desde que voltou de Moscou, acho que ela est� bem diferente.

H� algo de estranho nela.

A mudan�a talvez se deva ao fato de que h� uma sombra atr�s dela.

- Uma sombra? - A sombra do conde Vronski.

Sua l�ngua � muita afiada, minha cara.

Vai mord�-la um dia. Anna � uma pessoa ador�vel.

Ah, n�o a estou culpando.

Porque ningu�m age assim...

isso n�o nos d� o direito de julgar os outros.

Anna, minha cara. Chegou a tempo.

Como est�, Natalia? Boa noite, conde.

Fal�vamos de voc�.

Ent�o, talvez eu tenha vindo cedo demais.

De jeito nenhum. Diz�amos que era a mulher mais linda da �pera.

L�dia � sempre t�o generosa.

E verdadeira.

Boa noite, caro conde.

Obrigada.

Meu caro Vronski, que bom lhe ver.

- Est� bem? - Sim, e voc�?

Pensei que odiava �pera.

Gostaria de ficar elegantemente entediado, como outras pessoas.

- N�o estava no camarote de Anna? - Sim.

Ent�o, n�o pode ter ficado t�o entediado.

Anna, minha cara.

Agora, meus amigos, n�o devemos manter os esp�ritos esperando.

- Anna, vai se juntar a n�s? - Anna, querida.

- Boa noite. - Vamos tentar nos comunicar...

com o esp�rito de uma mulher famosa por seus casos amorosos.

N�o, obrigada, realmente. Madame Karenina � uma livre-pensadora.

Ela n�o acredita nessas coisas.

Pelo contr�rio, eu sou terrivelmente supersticiosa.

At� acredito em sonhos.

Faz algum tempo que tenho um pesadelo que me aterroriza...

- � sempre o mesmo. - Eu tamb�m.

Eu sonho todas as noites com p�ssaros...

pequeninas e fr�geis criaturas.

O sonho muda.

E eu sou um dos passarinhos.

Algu�m me pega entre os dedos e me asfixia.

Deve ser o pr�prio H�rcules.

Meu pesadelo � menos po�tico.

Eu vejo um velhinho de barba branca...

vestido em farrapos...

e carregando um martelo.

Ele bate em algo com um peda�o de ferro...

e eu ou�o um som met�lico.

N�o sei por que...

mas essa imagem est� ligada intimamente � minha morte.

Isso � bem estranho, n�o �?

Sil�ncio. Todos.

Vamos parar de falar. Coloquem suas m�os sobre a mesa.

Dedos com dedos. General, seus dedos precisam se tocar.

- Juntos. - Agora, vamos nos concentrar.

Apaguem as luzes.

As vibra��es est�o muito fortes esta noite.

- Shh! - Shh!

Quem far� perguntas?

Voc�, � claro, minha cara. Os esp�ritos s�o seus convidados.

Tive not�cias de Moscou.

Kitty Tch�erb�tski est� muito doente.

� mesmo?

Isso n�o significa nada para voc�?

Sim, mas o que eu posso fazer?

Voc� � insens�vel.

Gostaria de ser assim.

Esp�rito, voc� est� a�?

Se estiver e quiser responder, bata uma vez.

Qual � o seu nome? Feodora?

Bata uma vez se for "A", duas se for "B"...

e assim por diante para o alfabeto.

Vim para a �pera essa noite de prop�sito, para falar com voc�.

Isso precisa terminar.

Diga-me o que voc� quer que eu fa�a.

Se voc� me ama, como diz que ama...

devolva a minha paz.

N�o sei o que � paz...

e n�o posso devolv�-la para voc�.

N�o vejo paz no futuro, nem para voc� nem para mim.

S� vejo tristeza e desespero � nossa frente...

a menos que seja felicidade...

tanta felicidade.

N�o � mesmo esperan�a?

Para o meu bem, nunca fale assim comigo de novo.

Vamos ser amigos.

A princesa pediu que as luzes fossem apagadas...

pois est� se comunicando com os esp�ritos.

Oh? Est� bem.

Nunca poderemos ser amigos.

Voc� sabe disso.

Eu n�o pe�o nada...

mas o direito de sofrer...

e de ter esperan�a, como nesse momento.

Mas se at� isso � imposs�vel...

pe�a-me que eu v� que eu irei.

N�o, n�o consigo fazer isso.

Feodora: Ela est� aqui.

Diz a hist�ria que voc� foi uma grande amante.

Pode revelar para n�s...

amar vale a pena?

Ainda n�o est� na cama? Que surpresa.

J� � tarde, Alexei Alexandrovitch.

Quero falar com voc�, Anna.

Falar comigo? Sobre o qu�?

Bem, vamos conversar, precisamos...

mas � tarde e eu preferia ir dormir.

J� que perguntas sobre sentimentos s�o quest�es de consci�ncia...

sobre as quais n�o tenho direito de investigar...

mas � meu dever como chefe de fam�lia lhe guiar.

Do que voc� est� falando?

Anna, voc� n�o foi voc� mesma essa noite.

Alexei Alexandrovitch, eu n�o lhe entendo.

Sinto que uma indiscri��o...

da qual voc� foi culpada hoje � noite...

pode levar as pessoas a falarem de voc�.

Indiscri��o? Essa noite?

Fui � casa da princesa Betsy essa noite...

para traz�-la para casa.

Percebi, ou melhor, foi imposto ao meu conhecimento...

que sua conversa com o conde Vronski...

atraiu consider�vel aten��o.

Isso n�o � t�pico de voc�?

N�o gosta que eu me divirta e n�o gosta que eu me entedie.

N�o fiquei entediada essa noite. � isso que lhe perturba?

Por favor, n�o estale seus dedos.

Sabe o quanto n�o gosto disso.

Realmente, acho impensado de sua parte me causar essa ansiedade boba...

justamente quando eu mais preciso de todos os meus poderes mentais...

e devia me concentrar em assuntos importantes.

Por favor, deixei-me acabar de me despir.

� meu dever lhe recordar de suas obriga��es.

Nossas vidas est�o unidas por Deus.

Esse elo s� pode ser quebrado por um crime.

Tal crime causa uma puni��o.

Realmente n�o sei de qual crime voc� est� falando...

e estou morrendo de sono.

Eu te amo.

Considero o ci�me um sentimento aviltante...

mas h� certas leis de decoro...

que n�o podem ser quebradas sem as mais graves consequ�ncias.

N�o tem nenhuma explica��o para me dar?

N�o h� nada a explicar...

exceto que estou caindo de sono.

N�o pude deixar o dia passar sem lhe ver.

Ele est� aqui?

E se ele estiver? N�o penso nele.

Para mim, ele n�o existe mais.

- Por que precisamos sussurrar? - O que isso importa?

A �nica coisa que importa para mim no mundo � seu amor.

Quero lhe levar embora daqui...

- Esque�a tudo menos sua felicidade. - Voc� � minha felicidade.

Ol�, Anna.

Como est�, minha querida?

Eu s� cheguei ontem, a tempo de testemunhar seu triunfo.

- Veremos. - Voc� estava l� na �ltima corrida?

Eles ca�ram como bolas de boliche.

O pr�ncipe Makhotin ficou muito ferido.

Esses saltos s�o suicidas. Cuidado para n�o quebrar o pesco�o.

Vou se cuidar. Preciso ir agora.

A princesa Betsy est� esperando no seu camarote. Vamos se juntar a ela?

- Ent�o, Makothin caiu? - Sim, no fosso aberto.

Um salto dif�cil. Precisar� ter cuidado l�.

Anna, querida, parece preocupada.

Aquelas quedas lhe assustaram.

- Acho que me assustaram um pouco. - Entendo bem isso.

Se eu tivesse algum familiar ou algu�m da minha afei��o entre os jovens oficiais...

eu estaria morrendo de medo.

N�o se angustie, cara condessa.

Voc� nunca morrer� de medo.

Voc� nunca gostar� de ningu�m.

O que acha dessas corridas, Sr. Kar�nin?

A �ltima corrida n�o foi nada mais do que um massacre.

Perigo, minha cara dama, � parte obrigat�ria dessas corridas de oficiais.

N�o se esque�a que os homens que cavalgam hoje s�o soldados.

O perigo � parte de seu treinamento.

Sim, mas o perigo quando serve a um prop�sito.

Eles dar�o o sinal para o in�cio.

Eu mesma acho muito fascinante.

Se tivesse sido romana, como teria amado aqueles gladiadores.

Todo aquele sangue.

Bravo!

- Que saltador! - Est� falando do de cinza?

Sim.

� o Kuzolev.

Vamos, Kuzolev.

Olhe esse salto.

- Oh, n�o! - Quem caiu?

- � Kuzolev. - O de cinza caiu.

- Ele est� vindo. - Quem?

- Vronski. - Bom!

- Aquele n�o � Vronski? - Sim, na frente.

- Vamos, Alexei! - Vamos, Vronski!

Vamos, Vronski!

Vronski est� liderando!

- Agora, o fosso aberto. - O fosso aberto.

Podemos ir se quiser.

Capit�o Vronski caiu, mas est� de volta.

Pegue meu bra�o, Anna. N�s iremos.

Conde Vronski n�o se feriu. O cavalo ser� sacrificado.

Pela terceira vez, ofere�o-lhe meu bra�o.

Eu trouxe a Anna aqui. Eu a levarei de volta.

Lamento, princesa. Posso ver que Anna n�o est� muito bem.

Eu mesmo a levarei para casa.

Coitada. Como eu a entendo bem.

Sou obrigado a lhe informar que sua conduta hoje...

foi extremamente impr�pria.

Eu j� lhe pedi para se portar em p�blico...

de modo a n�o dar motivo para a fofoca de l�nguas maldosas.

Tal cena me faz sentir que pode haver verdade em tais fofocas.

Talvez eu esteja enganado.

N�o, n�o est� enganado.

Estou lhe ouvindo, e pensando nele.

Eu o amo.

Tenho medo de voc� e lhe odeio.

Fa�a o que quiser comigo.

Lamento muito por t�-lo feito esperar.

De modo algum.

Entre, por favor.

N�o quer se sentar?

Oh, desculpe.

Desculpe-me.

Agora, o que posso fazer por voc�?

Antes de eu come�ar a falar sobre o meu caso...

devo insistir que � um assunto estritamente particular.

N�o seria advogado se n�o soubesse manter segredo, Excel�ncia.

- Sabe quem eu sou? - Eu sei quem o senhor �.

E conhe�o o bom trabalho que est� fazendo pela R�ssia.

Tenho o infort�nio de ser um marido enganado.

Desejo romper rela��es com minha esposa legalmente...

isto �, pedir o div�rcio...

de maneira a separar meu filho de sua m�e.

Tais sentimentos n�o s�o incomuns nos est�gios iniciais...

mas costumo ver meus clientes demonstrarem uma real prontid�o...

para chegar, digamos, a um acordo.

Tem certeza que n�o h� possibilidade de reconcilia��o?

N�o. Ela � culpada. Ela precisa ser punida.

Bom. E o senhor est� decidido quanto � quest�o da cust�dia?

N�o posso deix�-la se beneficiar com sua culpa.

Bem.

Segundo nossas leis, o div�rcio � poss�vel nos seguintes casos...

e somente nos seguintes casos. Deixe-os esperando.

- � a senhora, senhor. - Deixe-a esperar.

Primeiro, em caso de defici�ncia f�sica de um dos c�njuges.

Segundo, cinco anos de aus�ncia sem not�cias.

Terceiro, adult�rio devidamente comprovado.

Estou certo em pensar que estamos tratando do �ltimo caso?

- Sim. - Ah, bom.

Aqui, � preciso fazer uma subdivis�o.

Adult�rio por um dos c�njuges...

e reconhecido pela pessoa culpada...

ou delito flagrante.

Poderia providenciar que um deles fosse pego no ato?

Na minha posi��o, devo evitar qualquer esc�ndalo p�blico.

Ent�o, Excel�ncia, precisamos ter uma prova.

- Que prova? - Cartas, por exemplo.

Sim, mas lembre, as cortes eclesi�sticas...

que julgam casos dessa natureza...

tem uma grande afei��o por detalhes.

Preciso de cartas bem detalhadas.

O que voc� est� fazendo?

- O que voc� est� fazendo? - Procurando umas cartas.

Voc� n�o tem direito.

Assumimos direitos que n�o s�o nossos.

Voc� me despreza, n�o?

Um marido tra�do � um papel ruim...

dif�cil de interpretar com dignidade.

O que voc� far� com essas cartas?

Vou me divorciar de voc� e obter a guarda de Sergei.

N�o pode tirar Sergei de mim.

Com essas cartas, eu posso.

N�o pode tir�-lo de mim.

N�o o ama como eu. Ele � meu.

- Eu n�o aguentaria isso. - E eu?

Algu�m j� perguntou se eu posso aguentar isso?

Algu�m j� perguntou...

minha casa abandonada...

sozinho com minha tristeza...

minha vergonha.

Eu nunca quis lhe ferir.

Algumas coisas s�o mais fortes do que n�s.

N�o posso me ajudar.

N�o posso mudar nada do que aconteceu.

Voc� � um bom homem.

N�o poderia ser t�o cruel a ponto de tirar o meu filho de mim.

Alexei? Poupe o meu amor por ele...

e o amor dele por mim.

Em nome do amor, as pessoas acham que podem qualquer coisa.

O amor tem todos os direitos.

Perguntou-se ao menos uma vez se eu lhe amava?

Que tipo de amor voc� me deu?

Eu falhei em meu dever com voc�?

Dever. Isso � tudo que voc� viu em mim, mais um outro dever...

junto com o seu dever com o Estado, com a sociedade...

seu dever com os outros.

Isso n�o � amor.

N�o consigo lhe entender.

Estou indo para Moscou. Nunca mais voltarei aqui.

Enquanto isso, devo insistir na preserva��o das apar�ncias.

At� que eu tenha tomado as medidas necess�rias para reivindicar minha honra

que eu lhe informarei.

Mas Sergei... O que far� com Sergei?

Meu advogado responder� essa pergunta.

N�o pode me torturar assim.

Por favor, deixe-me Sergei. Por favor.

Sinto como se nada tivesse existido...

al�m das paredes desse quarto.

Sei que deveria me sentir envergonhada...

mas n�o sinto.

Meu querido, � como se voc� tivesse me trazido � vida.

Agora, n�o tenho nada, a n�o ser voc�.

Lembre-se disso.

Acho que n�o h� nada que eu possa dizer que mude sua decis�o de sair?

N�o, senhor.

Relaxe. Esque�a minha patente por um momento.

Nos conhecemos h� muito tempo.

- Espero ainda ser seu amigo. - � claro.

- Homens como voc� s�o requisitados. - Por quem?

Pela R�ssia e pela sociedade.

Tenho certeza que a R�ssia e a sociedade podem se virar sem mim.

Como posso dizer para voc�?

Imagine que est� carregando um fardo e quer ficar com as m�os livres.

Coloca o fardo nas suas costas, isso � o casamento.

Sem o casamento, est� arrastando o fardo e suas m�os est�o ocupadas.

Voc� nunca amou.

Eu sou casado.

Entendo perfeitamente o que eu estou fazendo.

Oh, mas certamente o marido dela sabe. Ele deve saber.

Ah, querida Anna. Boa noite.

Boa noite. Estamos falando de Liza Merkalova.

- Ela est� aqui, Liza Merkalova? - Em frente.

Ah, sim. Ainda bela como sempre.

E ela tem aquela mistura fatal de inoc�ncia e deprava��o.

- Deprava��o? - Digo isso com admira��o, querida.

� meu tributo a uma mulher que p�de manter o marido e o amante...

em perfeita concord�ncia um com o outro por 10 anos.

A regra de ouro � que as hipocrisias n�o devem ser infringidas.

Qual � o significado dessa conversa estranha?

Estranha? Um tri�ngulo amoroso � sempre um assunto favorito.

�?

Liza Merkalova se comportou sensatamente.

Seu m�nage se tornou quase respeit�vel.

Muitas jovens est�o se apaixonando e desprezando a sociedade...

mas h� maneiras e maneiras de se fazer isso.

- H�? - Ela obedeceu as regras.

Ela n�o desafiou a sociedade ent�o nada foi alterado.

Ela evitou a cat�strofe.

Mas mesmo assim continua a ser assunto de conversas.

Um assunto leve, n�o tr�gico.

Pode-se levar algo muito a s�rio e transform�-lo numa trag�dia...

pode-se trat�-lo de maneira simples e serena.

Sabe, minha querida, acredito que esteja inclinada para o lado tr�gico.

Sim, talvez eu esteja.

Perdoe-me. Eu a verei mais tarde.

O que �, Anna? Qual � o problema?

Oh, meu querido, vamos embora.

Vamos, querida, terei minha dispensa do ex�rcito em um m�s.

Ent�o, partiremos.

O que andaram dizendo para lhe angustiar?

Oh, nada. Nada mesmo.

Mas � como se fiz�ssemos parte da pr�pria hipocrisia deles.

T�o barata, t�o satisfeita.

Anna. Assistente, r�pido.

E isso, cavalheiros, � minha ponderada opini�o sobre o assunto.

Concordam que nosso amigo fez um trabalho valioso, muito valioso.

- E... - Um telegrama urgente, Excel�ncia.

E que seu parecer � bem documentado.

Com licen�a.

Todavia, antes n�s, dessa comiss�o, prosseguirmos...

acho que precisamos continuar os pontos que ele apenas cita...

o que estou para propor n�o � menos do que uma mudan�a radical...

e fundamental na lei existente.

Acho que pegarei o trem noturno para S�o Petersburgo.

Tais propostas, sem d�vida, causar�o uma grande tempestade.

Todavia, estou pronto para enfrent�-la.

Cavalheiros, vamos ouvir o que sua Excel�ncia...

A. Alexandrovitch Kar�nin prop�e sobre o assunto.

Como est� sua senhora?

H� pouca esperan�a, Excel�ncia.

A crian�a nasceu morta.

Gra�as a Deus que veio, Sua Excel�ncia.

Ela s� falou do senhor desde ontem.

Temo que n�o h� muita esperan�a.

- Algo para mim? - Sim, Sua Excel�ncia.

O resto foi enviado para Moscou como sempre, Sua Excel�ncia.

N�o, n�o. Va embora. Eu n�o estou sonhando.

O que voc� quer de mim?

Anna Arcadi�vna.

Veja, ele veio. Ele est� aqui.

Quem � voc�? O que est� fazendo aqui?

Doutor Leveille.

Est� atendendo Anna Arcadi�vna?

Sim, fui chamado com urg�ncia. Temo que ela tenha tido uma reca�da.

- Falarei com voc� mais tarde. - Vou entrar com voc�.

Ele nunca se recusaria a vir.

Ele era t�o gentil.

Ele tem olhos como os de Sergei.

Por isso, n�o ouso olh�-Io de frente, pois tem os olhos de Sergei.

O Sergei jantou?

N�o pode deixar que ele se assuste.

Marietta precisa dormir no quarto dele.

Sou eu, Anna. Eu vim.

Alexei. Chegue mais perto, mais perto, perto.

Estou com pressa. Em breve, n�o serei capaz...

de entender nada...

mais.

D�-me �gua.

Eu vou morrer.

As coisas s�o simples quando se vai morrer.

Oh, n�o, n�o, Anna. Voc� n�o vai morrer.

O que eu estava dizendo?

Como essas flores est�o mal pintadas.

Est�o parecidas com violetas.

Tudo est� confuso de novo.

� tudo t�o dif�cil.

Ah, sim, sim. Sim, � isso.

� isso o que eu queria lhe dizer.

Eu continuo a mesma pessoa de antes.

A outra mulher dentro de mim, ela se apaixonou.

Que cansa�o.

Espere, espere.

Voc� n�o sabe...

sou eu mesma de novo.

Eu n�o o amo mais.

Alexei.

Eu s� quero uma coisa.

Eu quero que voc� me perdoe...

que me perdoe...

totalmente.

� melhor ir agora. Ela adormeceu.

Alexei Alexandrovitch.

Quero que ou�a com aten��o o que eu preciso dizer...

para que voc� n�o me entenda mal.

Como sabe, decidira pedir o div�rcio e tinha at� iniciado o processo.

Confesso, fui motivado pelo desejo de vingan�a.

Mais do que isso, quando soube da doen�a, at� desejei a morte dela.

Mas agora eu a vi e a perdoei.

E a alegria do perd�o tornou claro o meu dever.

Estou disposto a oferecer a outra face.

Essa � a minha posi��o.

Pode pisar em mim na lama, tornar-me alvo de riso dos outros...

mas se ela viver, n�o vou abandon�-la...

nem falar uma palavra de censura contra voc�.

Se ela desejar lhe ver, vou lhe avisar...

mas agora acho melhor voc� ir.

Hei, Vronski morreu.

- O qu�? - Vronski morreu.

Hei, espere um pouco. Ele n�o est� bem morto. Ou�a.

"Conde Alexei Vronski, capit�o da guarda montada...

que acabou de renunciar a seu posto...

feriu-se acidentalmente enquanto limpava seu rev�Iver.

A ferida � grave, mas sua vida n�o est� em perigo".

Acredita que foi um acidente?

N�o � algo l�gico no caso de um militar?

Entreguei minha ren�ncia. N�o sou mais um oficial.

Quebro o meu rev�Iver. Ele n�o � mais �til para mim.

Mas o rev�Iver quer continuar militar, ent�o dispara.

Aquela � a carruagem do Oblonski?

- Ol�, meu caro rapaz. - Ol�, que bom lhe ver.

Trabalhando duro, hein?

Que surpresa. Voc�s vieram para ficar, � claro.

Bem, � muito gentil.

Mas s� viemos para lhe trazer a nova sela que voc� pediu.

- Ah, sim. Obrigado. - Ela est� dentro da carruagem.

- Acho que gostar� dela. - Sim?

V� v�-la.

- Bom dia. - Bom dia, Konstantin Dm�trievitch.

Fiz o que nenhuma outra garota no mundo faria.

Meus pais morreriam de vergonha.

Fico feliz que tenha vindo.

Desculpe-me pelas minhas m�os. Elas est�o muito sujas.

Est�vamos na colheita.

Sabia que voc� n�o voltaria para mim.

Eu o feri tanto, t�o injustamente.

E nessa manh� quando li no jornal sobre o acidente do conde Vronski...

e n�o senti nada...

foi que eu percebi que era voc� quem eu sempre amei.

N�o � preciso dizer nada.

Estava esperando por voc�.

Lamento que n�o possa ir ao casamento.

Nossa presen�a juntos nessa cerim�nia...

poderia ter silenciado muitas fofocas maldosas.

Eu tamb�m lamento.

Por favor, diga a Kitt por mim que espero que ela seja muito feliz.

Acho que n�o poderei dar esse recado.

Tal coloca��o poderia parecer como uma condescend�ncia da minha parte.

Voc� est� esquecendo do primeiro noivado de Kitty...

que foi terminado por raz�es que n�o preciso mencionar.

Voc� precisa ser bem discreta em sociedade.

Como voc� quiser. N�o � importante.

Boa noite, minha querida.

Tente dormir um pouco.

- Sergei. - Sim, m�e.

Vamos, r�pido. Estamos atrasados.

Sergei.

Sergei, est� indo sem me dar um beijo de despedida?

Estamos atrasados, querida. Sergei ir� beij�-la quando voltar.

Tchau, m�e.

Sergei.

Annushka.

- Sim, senhora. - Est� tudo pronto?

Sim, senhora. Mas a senhora ainda est� muito fraca.

Ela precisa descansar uns dias a mais.

N�o posso mais suportar isso.

Senhor Deus eterno...

que unistes por um elo indissol�vel aqueles que est�o separados.

V�s que aben�oastes Isaac e Rebecca...

e demonstrastes Vossa compaix�o aos descendentes deles...

aben�oai agora Vossos servos...

Konstantin e Ekaterina...

e levai seus cora��es � bondade.

Alexei, lembra da casa que vimos na nossa primeira noite em Veneza?

- Disse que era como um pal�cio. - Sa�do de um conto de fadas.

Sim.

- Bem, � nosso. - Nosso?

Nosso pelo tempo que quisermos.

Isso quer dizer at� quando morrermos.

N�o h� ningu�m aqui?

Ningu�m... at� de manh�.

Ent�o, mandarei todos os rel�gios do mundo ficarem parados.

Est� um pouco frio hoje, n�o est�, Enrico?

Sim, Excel�ncia 21 de setembro, outono.

A senhora j� est� aqui h� tr�s meses. Sim, h� tr�s meses.

Olhe, s�o russos. Hei! Hei!

O que est�o fazendo aqui? Anna, venha.

Soube que parte da frota russa estava ancorada no Mar Adri�tico.

Bem, por que n�o me contou?

Mas eles s�o da cavalaria. Olhe para suas dragonas. Hei! Hei!

Preciso ir falar com eles. Voc� se importa, querida?

Quer muito fazer isso, n�o quer Alexei?

Devo servir o caf� agora, senhora, ou esperar� o conde?

- N�o, n�o esperarei mais. - Est� bem, senhora.

Giuseppe, Giuseppe.

Com licen�a, senhora. O que faz aqui?

Eu tinha lhe proibido de incomodar a senhora. Venha.

N�o fique brava. N�o brigue com ele.

- Ele me far� companhia, venha. - Obrigada, senhora.

- Quer um doce? - Sim, senhora.

Obrigado.

Eu tenho um filho no meu distante, distante pa�s...

um menininho como voc�.

Por que n�o o trouxe com voc�?

N�o era poss�vel.

Ol�, querida. Estou um pouco atrasado.

Que dia. Encontrei dois velhos amigos.

Eles me levaram ao navio. N�o me deixaram escolha.

Bem, sabe como �. Um brinde ao czar. Um brinde � R�ssia.

Um brinde ao regimento. Um brinde aos eslavos.

Bem, sabe como �.

Como eu pensava, era um transporte de tropa.

A bordo estavam os segundos soldados da cavalaria e os...

Estavam a caminho dos B�Ic�s.

N�o � uma guerra, n�o exatamente.

Mas os turcos est�o tensos.

Estamos tomando precau��es.

Pode haver at� algum combate.

Jantou sozinha, n�o foi querida?

Sim, mas um cavalheiro tomou caf� comigo.

Giuseppe.

Alexei, sabe o que estive pensando essa noite?

Estamos longe h� muito tempo, e tem sido realmente maravilhoso.

Mas em breve ser� inverno...

e Veneza � triste no inverno.

Ent�o, eu tamb�m gostaria de ver a R�ssia novamente.

Sei que voc� preferiria ficar aqui.

Mas mesmo assim, vamos.

Querida.

E agora, senhoras e senhores...

Gostaria de propor um brinde ao nosso amigo.

- Ao nosso amigo. - Estou muito grato a todos.

De fato, obrigado. Obrigado.

- Estamos felizes com o minist�rio. - S�o Petersburgo est� muito orgulhosa.

- Parab�ns, senhor. - Estou feliz em v�-la de novo.

Estou t�o feliz. Ele tem trabalhado tanto no comit�.

Concordo plenamente.

� claro que seus amigos j� esperavam.

Ouviu a novidade? Est�o falando disso?

N�o sei como ela ousa aparecer na cidade.

Estragou tudo para mim.

Meu caro, em tal prova��o, a amizade n�o � suficiente.

Somente no amor � que encontramos o verdadeiro apoio.

No amor que Ele nos legou...

ele ir� ajud�-Io a se manter.

Houve um tempo em que eu aproveitaria essas honras.

Eu teria gostado de dividi-las com algu�m.

Mas agora que estou sozinho, totalmente sozinho...

esmagado pelo rid�culo que sei que as pessoas sentem...

apesar de n�o demonstrarem para mim.

Por�m, eu n�o sei o que fiz para merecer isso.

Pensei muito, mas n�o consigo descobrir onde est� minha culpa.

N�o, de fato. Voc� agiu com bondade e esp�rito crist�o.

Estou muito grato por sua solidariedade.

Parab�ns, Alexei Alexandrovitch.

Obrigado, princesa.

Tenho uma mensagem de Anna para voc�.

- Eu estava esperando. - Eu n�o a vi, � claro.

N�o poderia nas circunst�ncias. Sou apenas uma mensageira.

- O que ela quer de mim? - Ela pede que a deixe ver o filho.

Suponho que n�o tenho o direito de recusar.

Voc� n�o v� mal em ningu�m?

Pelo contr�rio, tudo me parece mal.

N�o perdoo as atitudes dela,

mas entendo seu sentimento de m�e.

Bem, tudo tem limite.

Posso entender a imoralidade, mas n�o consigo entender a crueldade.

Como ela p�de vir para abrir suas feridas novamente?

Estou pensando mais no meu filho do que em mim.

Poderia levar a perguntas imposs�veis de serem respondidas.

Se ela ainda tivesse um pouco de sentimento, nunca teria pedido isso.

Eu j� me decidi.

Stiepan Arc�dievitch. Desejo lhe falar.

Com prazer, Alexei Alexandrovitch.

Com licen�a, minha querida. � um neg�cio importante.

Com licen�a.

Decidiu-se sobre aquele assunto?

Que assunto?

O posto vago na dire��o do cr�dito m�tuo da ferrovia da Crim�ia.

Poderia falar a meu favor...

� sobre outro assunto que gostaria de lhe falar.

� sobre sua irm�, Anna.

A situa��o dela � dolorosa, eu sei. Pode-se dizer que ela merece.

Mas n�s, como parentes, ficar�amos muito gratos...

se pudesse fazer algo para melhorar um pouco a situa��o dela.

Eu ia dizer que recebi um pedido de Anna.

Ficaria grato se a informasse que seu pedido foi recusado.

Mas o div�rcio se tornou uma quest�o de vida ou morte.

N�o estou falando de div�rcio! A vida de Anna n�o mais me diz respeito.

Preocupo-me apenas em proteger meu filho e minha reputa��o...

da qual preciso para a continuidade interrupta da minha carreira.

Estou certo que voc� ser� guiado por sentimentos mais elevados.

Ningu�m pode dizer que n�o agi segundo princ�pios crist�os.

Senhora, senhora.

Vim ver o Sergei. Eu pedi ao seu pai...

- mas n�o pude esperar a resposta. - Ah, mas...

Como est� o Sergei? Ele est� bem?

- Como ele est�? Est� comendo bem? - Sim, ele est� crescendo t�o r�pido.

- Qual � altura dele? - Ele tem essa altura.

J�? Marietta, preciso v�-Io.

Deixe-me entrar. Ningu�m me ver�.

Bem, n�o � o mesmo porteiro. E Sua Excel�ncia est� com convidados.

- Mas eu preciso v�-Io. - E isso n�o � o pior.

Sua Excel�ncia nos disse para dizer...

que voc� estava morta.

Os convidados est�o come�ando a sair.

Venha amanh�, bem cedo, antes de Sua Excel�ncia acordar.

Vou deix�-la entrar.

O que � isso?

Vim por parte do pr�ncipe Skorodumov para ver Sergei Alexeich.

- N�o acordou ainda. Est� dormindo. - Est� tudo bem, Kapitonitch.

Entre, senhora, mas precisar� ser r�pida.

Senhora!

� contra as minhas ordens!

Sergei.

M�e. � voc�, m�e?

Sim, meu querido.

Faz tanto tempo que voc� n�o vem me ver.

Sei que voc� est� morta.

Estou sonhando e posso lhe ver, n�o estou?

Sergei, estou aqui.

Estou aqui.

Hoje � meu anivers�rio. Sabia que voc� viria.

Senhora, senhora, precisa ir. Algu�m est� vindo.

M�e, est� sentando no meu pijama novo.

Meu querido, como se veste sem mim?

- Como voc�? - Senhora, por favor.

- Marietta, cuidar� dele? - Sim.

- Ele n�o esquecer� de mim. - N�o, senhora.

Como ousa entrar nessa casa?

Como ousou dizer a uma crian�a que sua m�e morreu?

O que eu deveria ter lhe dito? Que ela fugira com seu amante?

S� posso concluir que o tipo de vida que voc� escolheu...

afetou seus princ�pios.

Alexei Alexandrovitch...

vai aceitar o div�rcio?

N�o pe�o mais pelo meu filho.

Eu lhe suplico que me d� essa �ltima chance de ser feliz.

Parece-me que tem tudo que desejou.

Voc� aceitar�? Certamente, n�o pode negar.

N�o posso agir contra as minhas convic��es religiosas.

Eu considero esse assunto encerrado.

Por favor, entenda. N�o posso fazer isso.

Minhas filhas est�o crescendo.

Preciso viver em sociedade pelo bem do meu marido.

N�o posso convid�-la para vir na minha casa.

Ela n�o � pior do que as centenas de pessoas que recebe.

Foi a primeira a ach�-la encantadora.

Como companheira de viagem, sim.

N�o como a amante de meu filho. Aos olhos de Deus, � minha esposa.

Vamos dar nomes certos �s coisas.

- Desculpe-me, eu n�o sabia... - Eu j� estava de sa�da.

Tchau, meu querido filho.

Eu conhe�o a sa�da.

Tchau, Anna Arc�dievna.

Teve um dia agrad�vel? Diga-me onde esteve.

O que a sua m�e estava fazendo aqui?

- Tentando lhe tirar de mim? - N�o, Anna, por favor.

Ela � o como os outros com as m�os cheias de pedras.

Anna, eu lhe pe�o. N�o fale assim da minha m�e.

Asseguro-lhe que � um assunto de total indiferen�a para mim...

o que sua m�e pensa, ou com quem ela quer que voc� se case.

Casar?

Soube da princesinha Sorokina.

Anna.

Qual � o seu problema?

Acho que n�o consigo viver mais assim, me escondendo de todos.

Alexei, vamos � �pera hoje � noite.

Por qu�? Voc� sabe que isso est� fora de cogita��o.

- Por qu�? - Bem...

na verdade, eu precisarei ir.

Minha m�e me pediu para encontr�-la l�.

Sabe por que n�o podemos ir juntos.

Eu n�o quero saber.

O que os outros podem dizer ou achar n�o � importante.

N�s nos amamos e nada mais devia importar.

- Por que n�o podemos ir? - Voc� n�o entende que...

N�o, eu n�o entendo.

Est� bem. Va com sua m�e. Eu vou sozinha.

N�o, n�o sozinha. Natalia gostar� de ir comigo.

Se ela n�o puder, tenho certeza que h� muitas outras pessoas que ir�o.

N�o h� ningu�m como a madame Patti.

Ela deve ter a voz mais bonita do mundo.

Alexei, nossa princesinha Sorokina est� falando com voc�.

Desculpe-me, princesa.

Sim, a madame Patti tem uma voz muito bonita.

Minha querida, temo que ele esteja perdido para voc� e...

e tamb�m para mim.

� sua culpa, toda sua.

Disse-lhe para n�o vir. Sabia que ia ser desagrad�vel.

Desagrad�vel? Enquanto viver, n�o vou me esquecer disso.

Foi revoltante. Ela disse que era uma desonra sentar ao meu lado.

S�o palavras de uma est�pida. Por que deix�-las lhe perturbar?

N�o est� dando certo com eu nessa posi��o intoler�vel.

Voc� que me levou isso.

Sempre soube que nunca dever�amos provocar insultos.

Diz "n�s", mas quer dizer eu. Tem liberdade de andar com seus amigos.

Sou eu que preciso ficar nas sombras.

- Comporto-me como se estivesse livre? - Em outras palavras, voc� � prisioneiro?

Voc� est� fazendo o que pode para criar uma pris�o para n�s dois.

Ent�o, voc� acha isso uma pris�o?

Incita-me a dizer coisas para brigar.

Eu nem sei o que �, mas sinto que voc� est� hostil comigo.

Se voc� soubesse o qu�o perto estou da calamidade...

como estou com medo, com medo de mim mesma.

Alexei, seus sentimentos por mim n�o mudaram, n�o �?

Anna, sabe que meus sentimentos por voc� nunca podem mudar.

Mas, querida, precisa escrever a Kar�nin para lhe pedir o div�rcio.

O que foi?

- Estou certa que ele recusar�. - N�o, ele n�o ir� recusar.

Ele aceitar� e depois poderemos ir juntos aonde quisermos...

nos casar e viver.

Sim. Sim, est� bem.

Est� bem. Eu vou escrever para ele.

Mas preferia n�o esperar a resposta em S�o Petersburgo.

N�o h� mais nada que nos prende aqui. Nada.

Vamos para Moscou.

Est� bem, querida. Quando quiser.

Amanh�, ent�o. Amanh�.

Ah, perdoe-me...

por ser t�o imprevidente, ego�sta e infeliz.

Eu te amo, Alexei.

Eu te amo.

Telegrama para Sua Excel�ncia.

Obrigado.

- De quem �? - O qu�?

- O telegrama. - Ah, � da minha m�e.

Ah. O que ela diz?

Quer que eu volte a S�o Petersburgo, para acertar algo sobre os nossos bens.

Mas acabamos de sair de l�.

� uma desculpa.

Sei que se for a S�o Petersburgo, voc� n�o voltar�.

Seja sensata. �...

s� um assunto de neg�cios, levarei alguns dias no m�ximo.

Est� bem. Abandone-me. Va para S�o Petersburgo se quiser.

- N�o estamos acorrentados. - Anna, por que tudo isso?

� apenas a incerteza de sua posi��o que lhe torna suspeita.

Incerteza? O que voc� quer dizer?

Estou totalmente em seu poder. O que h� de incerto nisso?

Anna, querida. T�o logo saibamos do div�rcio, vamos nos casar.

E ent�o voc� n�o precisar� mais se torturar.

N�o me fale sobre o div�rcio.

N�o quero que isso influencie mais a minha vida. Por que voc� se preocupa?

Voc� n�o escreveu para Karenin?

N�o. N�o?

Por qu�?

Por que, Anna?

Se ele aceitasse o div�rcio, voc� se sentiria obrigado a se casar comigo.

N�o quero lhe impor esse tipo de obriga��o...

- especialmente agora. - Agora?

Quando h� essa conspira��o entre voc� e sua m�e.

Que conspira��o?

Para que case com a princesa Sorokina.

� muito rid�culo falar disso. Recuso-me a discutir com voc�.

Queremos o div�rcio. Precisamos dele desesperadamente.

Precisamos? Por que de repente ele se tornou t�o necess�rio?

Anna, sabe t�o bem como eu. Isso vai continuar sem parar.

Quero que saiba que me recuso a ter esse tipo de discuss�o novamente.

- A princesa Oblonski tem visitas? - Sim, minha senhora.

Pr�ncipe e princesa Tch�erb�tski e o Sr. E a Sra. Li�vin est�o aqui.

- Ah, ent�o eu... - Anna, como � bom lhe ver.

Desculpe-me, n�o sabia que tinha visitas. N�o quero lhe incomodar.

Mas � s� a Kitty e sua fam�lia. � claro que voc� deve ficar.

N�o, eu prefiro n�o ver ningu�m agora.

Al�m do mais, eles n�o iam querer me ver.

Anna, tem algo errado? Voc� parece t�o estranha.

Dolly, precisava vir ver algu�m, e voc� era a �nica pessoa.

Voc� n�o me condena e me despreza, n�o �?

Minha querida. Eu te amo e sempre te amarei.

Certamente, ele te ama tamb�m.

Eu n�o sei.

Eu me preocupo com isso dia e noite.

�s vezes, acho que eu estou o perdendo...

que estamos sendo irresistivelmente separados.

Querida, n�o ouso lhe contar que eu fui ver o meu marido...

e que ele n�o quis me dar o div�rcio.

Ent�o, voc� n�o pode se casar.

Ah, n�o precisa se preocupar. N�o vou pedir que me receba.

Ah, sabe que sempre ser� bem vinda na minha casa.

� o beb� da Kitty. Venha v�-Io. � um lindo garotinho.

Est� acontecendo uma revolu��o l� em cima.

Poderia achar que era o primeiro beb� a nascer no mundo.

- A Kitty deve me odiar. - Ah, sei que ela n�o odeia.

E ela ficaria t�o chateada se voc� n�o subisse para v�-la.

Por favor, Anna.

Cuidado, cuidado.

Rapaz, essa n�o � minha primeira vez.

Veja quem veio lhe ver.

Anna, tia Anna.

Iv�n.

Ela ficar� bem, querido. Sa�a agora.

Querida, a Dolly me pediu para vir v�-la.

Mas se preferir que eu v�, n�o tenha medo de dizer,

j� estou acostumada.

Mas Anna, Konstantin e eu precisamos lhe agradecer por tudo.

Olhe, ele n�o � lindo? Ningu�m teve um beb� assim.

Sinta o peso dele.

- Ele n�o � pesado? - Sim.

- Est� na hora, senhora. - Ah, sim, vamos crian�as.

Para fora, v�o brincar.

Coitadinho, deve estar com muita fome.

Por favor, o cavalheiro pode vir aqui?

- Vamos, Konstantin. - Est� bem. Est� bem.

N�o est� cansada demais ap�s receber toda essa gente?

Sil�ncio, crian�as. O recreio acabou.

Sua tutora est� esperando.

- Por que est� aqui? - � voc� que me deve uma explica��o.

Como assim?

N�o precisava esconder que tinha visto seu marido.

Agora est� livre para me deixar como eu sabia que voc� ia fazer.

Voc� est� muito nervosa.

Foi voc� quem disse que era imposs�vel continuar vivendo assim.

Se n�o me ama mais, seria mais honroso dizer isso. Por que mente para mim?

Anna, n�o teste minha paci�ncia. Sempre fiz tudo o que me pediu.

Agora me chama de mentiroso.

Um homem que me censura...

e que me diz que renunciou a tudo por mim n�o tem honra.

- Diga o que voc� quer de mim. - Quero o seu amor, mas isso � passado.

Anna, n�o � verdade. N�o � verdade.

Mas se est� decidida a se punir...

n�o h� nada que eu possa fazer a respeito.

Voc� se arrepender�.

"Eu fui para S�o Petersburgo...

e retornarei em dois dias".

"Eu fui para S�o Petersburgo. E retornarei em dois dias".

Mas ele n�o vai voltar.

Ele nunca voltar�.

Acabou.

Nunca mais o verei.

Ele se casar� com a jovem Sorokina.

Sua m�e o obrigar� a se casar.

Ele a amar�.

Eu o seguirei e o punirei.

Vou fugir dele...

e de mim mesma.

Todas essas pessoas. Todas indo a algum lugar.

Por que elas se preocupam? N�o podem escapar de si mesmas.

Sergei. Pensei que eu o amava.

Era eu mesma quem eu realmente amava.

Eu o troquei por outro amor.

Eu poderia viver sem ele.

Ele parece t�o convencido.

Ele � ambicioso.

Alexei tamb�m era.

Ele tinha orgulho de mim.

Agora, isso j� passou.

N�o h� nada mais para se orgulhar.

Por que n�o apagar as luzes...

quando n�o h� nada mais para ser visto?

Que esta��o � essa?

Klin, senhora. A uns minutos do mar.

Obrigada.

Klin.

Eu preciso sair...

para respirar um pouco.

Ah, eu o amava cada vez mais.

Ego�sta. Ele me amava cada vez menos.

Ele queria liberdade.

Nada pode mudar qualquer um de n�s.

� muito tarde.

Sim, muito tarde.

Alexei.

Oh.

Nem uma palavra...

nenhum gesto seu eu jamais esquecerei...

nem posso esquecer.

Klin.

Eu o conheci aqui...

h� muito tempo, muito tempo.

Estava nevando.

"E A LUZ SOB A QUAL ELA LERA O LIVRO DA VIDA...

ACENDEU-SE DE S�BITO, ILUMINANDO AS P�GINAS ESCURAS...

DEPOIS OSCILOU, ENFRAQUECEU E APAGOU-SE PARA SEMPRE".

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