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HOSPITAL BIRKENHOF ALA PSIQUIÁTRICA 5
HOSPITAL BIRKENHOF PSIQUIATRIA - ALA 5
- Bom dia. - Bom dia.
Estás a sentir isto?
São arrepios.
É a tua vez.
Olá, Sissi. Aqui tens.
Uma carta para o Otto.
E uma para ti também.
Para mim?
Venha cá, Sr. Dürr.
Venha. Sente-se.
Ali. Ainda há espaço.
Como está, hoje?
Sr. Dürr?
Conseguiu dormir?
Que tal uma caminhada hoje?
Quero sair.
Mais tarde, Sr. Kramer. Agora é a vez do Sr. Dürr.
Primeiro, façam um ECG ao tipo.
Um ECG exaustivo. Mais nada.
- É o médico daqui? - Sim.
Isso é uma merda.
Sra. Molke.
Quer ir apanhar ar?
Dar uma caminhada?
Talvez com a Sissi?
Não.
Eu quero.
Eu, também.
O que estás a fazer?
Desporto.
Que tipo de desporto é este?
Voar.
Mas não estás a voar.
Estou a aquecer.
- E quando vais voar? - Em breve.
Forças Armadas Federais?
Foi soldado?
Tem uma missão hoje, imediatamente.
Pode mudar-se ali atrás. 13,60 marcos por hora, começa às 14h30.
Espere!
Também preciso dos papéis.
Pois se vivemos, vivemos para o Senhor,
e se morrermos, morremos para o Senhor.
Portanto, vivendo ou morrendo, somos do Senhor.
Dizemos adeus à Sra. Marianne Radke.
Da terra à terra,
das cinzas às cinzas,
do pó ao pó.
Riemer!
Estás a brincar comigo? Que choro é esse?
- Não consigo evitar. - Como assim, não consegues evitar?
- É como é. - É?
Ouve. Pega nas tuas coisas e põe-te a andar. Ninguém precisa de alguém…
Então?
Novamente, nada.
O trabalho era porreiro. Teria gostado.
Não te preocupes.
Não teremos de nos preocupar muito mais tempo.
Anda.
Estive no registo predial.
Estas são as plantas de 1965.
Na altura, era um local industrial com imensas caves.
Olha para a profundidade.
Vê isto.
Estou a dizer-te, sento-me mesmo por cima disso.
Aqui. Mesmo antes do cofre, aí está o meu balcão.
E?
Vamos, ou não?
É da Meike, certo?
A carta.
Não sei nada dela há imenso tempo. Não a queres abrir?
Sim. Mais tarde.
Que se foda isso.
Ponham-se a andar, parvalhões!
- São graxistas a dar graxa! - Entendido, adeus!
Vai-te foder!
Fodam-se todos!
Eu fodo-vos a todos!
Sissi. Vá lá.
- Não. Estou cansada. - Não te faças de difícil.
Para.
Sissi, és a minha namorada, certo? Não sejas assim.
Vá lá, Sissi!
Está bem.
Mas faz pouco barulho.
Estão todos a dormir.
Sissi, podes ficar com o meu turno amanhã?
- Claro. - Obrigada.
- Já vais embora? - Sim, estou cansada.
Vá lá.
Não podes fazê-lo?
- Ótimo. - Vamos lá.
- Boa noite. - Boa noite.
Ainda não leste? És mesmo paciente.
- Boa noite. - Boa noite.
Cara Sissi,
estou a escrever-te porque aconteceu algo.
A minha mãe morreu.
Não é assim tão mau, ela estava velha e não a via há muito tempo.
Mas deixou algo para mim. Não faço ideia o quê.
Não posso voltar por isto.
És a única pessoa que quero que saiba.
Tens de ir ao banco e mostrar-lhes os papéis anexos.
Consigo ouvir o oceano lá fora,
tal como na tua concha, mas mais alto.
Queríamos ir ao mar por causa da tua concha, lembras-te?
Eu fi-lo.
Carinhosamente, Meike.
Querida Meike,
queria ir ao teu banco imediatamente,
mas depois…
Entra no carro!
Parvalhão!
Anda cá!
Estás louco?
A princípio, não tinha medo.
Não sentia nada…
Mas depois…
Depois veio
o silêncio.
Sempre tinha gostado do silêncio.
Mas não deste.
Faltava algo.
A minha… respiração.
Socorro.
Bodo. De onde vieste?
Até logo.
Não consigo ver nada.
O ar não estava a regressar.
Mas o homem veio.
Primeiro, não disse nada.
Apenas olhou para mim.
Não consegues respirar?
Espera.
Volto já.
Tinha comichão no rabo.
Pensei que poderia nunca mais o coçar,
se ele não voltasse.
Volto já.
Se ele não voltar.
Volto já.
Se…
Os homens não voltam, é uma regra antiga.
No passado, iam para a guerra e nunca regressavam.
Depois, iam a protestos e nunca regressavam.
Agora, vão para a reabilitação e não regressam.
É um jogo de merda.
Mas não comigo.
Nem contigo.
Ele voltou.
Ouve.
Vou usar isto para fazer um corte aqui.
E com isto poderás respirar de novo.
Está bem?
Vamos a isto.
Respira.
Vá lá, respira.
Continua.
Isso mesmo.
Queria dizer ao homem
que o suor dele cheirava bem.
Antes, pensava que tinha chupado um rebuçado de menta.
Está a doer-me nos pulmões.
E depois ele chorou.
Mas acho que não estava triste.
Pensei que, se não estivesses sozinha,
talvez também possas ser feliz
com alguém como ele.
Depois veio o túnel.
Vamos inserir o tubo agora.
Eu assumo aos três. Um, dois, três, vá!
Cuidado! A paciente está a fugir!
Número três! Preciso de um ECG, rápido!
- O que se passa? - Estás na pausa para almoço?
- Daqui a cinco minutos. - Eu vou indo.
Então?
Fui útil, hoje. Salvei alguém.
A sério? Como?
Houve um acidente.
Também ouvi outra coisa.
O Schmatt ligou-me.
Certo.
Tive de fazer um atalho pela loja dele. Estava zangado?
Como queres que saiba? Mas para com isso das bombas de gasolina.
- Já tenho os planos todos. - Quais planos?
Os deste grupo.
Bodo. Entramos por ali.
Atravessamos os canais e escavamos entre 10 e 20 metros.
- E depois? - Depois, vamos embora.
- Para Sidney? - Importas-te?
Sidney fica exatamente do outro lado.
Mesmo por aqui.
Só me deram alta passados 53 dias.
O médico disse que era um milagre.
Mas o homem tinha desaparecido.
Estás bem?
Ela está aqui.
Ela está aqui!
Está a chegar!
Sr. Müller, não quer esperar pela Sissi?
Sra. Molke, o que está a fazer?
Não posso esperar o dia todo.
Certo. Adeus.
Sissi!
Olá, querida. Anda.
Hoje, és a Primeira-Dama.
Sissi!
Olá.
Olá!
Olá.
A minha miúda.
Pensava que estavas morta!
Fui salva.
E que tal o bolo agora?
A Sissi vai comer o dela primeiro. Qual queres?
Não interessa. Qualquer fatia.
Sissi, isto é mesmo… Estamos muito felizes.
- Temos… Quer dizer, eu tenho… - Também estou feliz, Werner.
Não tens de morrer, pois não?
- Não. - Não morras.
Não aqui.
É ptomaína.
Não é bom.
Estás bem, Sissi?
Desculpem, só tenho de…
O que se passa? Estás bem?
- Queres que vá contigo? - Desculpa.
Meike.
Não sei o que se passa comigo.
Espero que não te tenhas preocupado demasiado.
Vou ao banco, amanhã.
Se ao menos não estivesse sempre a pensar no homem.
Bodo!
É isso.
Tens medo.
Sim.
Estou de volta, está toda a gente aqui
e tenho medo que nada volte a ser como era.
Não. Tens medo que seja tudo como era.
Acho que tenho de o encontrar.
Podes ajudar-me?
Boom!
E depois?
Ali!
Ele veio dali?
- De certeza? - Sim.
Anda.
Desculpe?
Sim.
Trabalhou aqui no dia 30 de maio?
Quem quer saber?
Eu.
Certo. E ele?
O que tem ele?
Ele também quer saber?
Ele também.
Como quer que saiba onde estava? Foi há imenso tempo.
Adeus.
Adeus.
Talvez se recorde do dia. Houve um acidente no semáforo.
Talvez. Que significado tem isso para si?
- Fui atropelada. - Sim? Parece-me bem.
Sim. O médico diz que é um milagre.
Ainda bem para si.
Quando aconteceu, um homem saiu da sua loja e salvou-me a vida.
Tinha cabelo escuro curto.
E tinha vestida
uma camisa do exército. Com estes botões.
E botas do exército pesadas.
Não o conheço.
Boa tarde.
Tome. Chegou hoje de manhã.
- Está aí tudo? - Está aí tudo.
"Riemer."
- Adeusinho. - Adeus.
Ali.
Riemer. Este homem aqui.
Ouve. Leva o teu maluquinho e vai embora.
- Estás a enervar-me. - O quê?
- Põe-te a andar! - Mas…
Ele está na foto! Diz "Riemer" no uniforme.
- Deve conhecê-lo! - Não conheço! Basta!
Vou dizer que lhe bateu. Que não quer malucos cegos aqui.
Vou ligar para a polícia e ele confirmará o que eu disser.
Sem testemunhas. Diga o que disser, ninguém vai acreditar.
Vão acreditar nele.
Com mais força.
Não mexas nisso. Fica quieto.
Acalma-te.
Vá lá.
Lembras-te?
Então?
Doeu.
Desculpa.
Estás triste?
O que queres?
Sim, o que queres?
Queria voltar a ver-te.
Eu não.
Adeus.
Werner. Tu…
Então?
O que aconteceu?
Um anúncio.
- Um anúncio de cima? - Desta vez, bem lá de cima.
Temos de te prender?
Imploro-te.
Pronto. Está quase.
Tem de ser aberto de novo.
- Não. - Sim.
É importante.
Porquê?
Tenho de partir os dentes.
- Todos. - Os meus dentes?
Não, Werner, não tens. Tu sabes.
Sim. Desculpa. De nada.
Boa noite, Werner.
Queres o sol?
- Olá? - Olá!
Não pode ser.
Ele não está em casa.
Não vou embora.
Saúde.
Como te chamas?
Simone.
Walter.
Sissi.
Onde está ele?
O Bodo? Está a chegar.
São amigos?
Irmãos.
Não são parecidos.
Não.
O teu irmão, qual é o problema dele?
Não é para ti.
Porquê?
Já tem problemas suficientes. Tu serias mais um.
Porquê?
Porque és mulher.
Ele é contra mulheres?
Não.
Sim.
Porquê?
Não sei. Talvez por a dele estar morta.
A mulher dele?
Compreendo.
Como é que morreu?
Um acidente na bomba de gasolina. Não é da tua conta.
Não.
O Bodo foi à casa de banho. Ela abasteceu. E explodiu. De alguma forma.
Quando o Bodo saiu da casa de banho, tinha ardido tudo, incluindo a mulher.
Ainda está na bomba de gasolina, sentado na sanita,
à espera de descobrir que não é verdade.
E que está tudo como estava quando sair da sanita.
É por isso que tem de se afastar.
Para bem longe daqui.
Para sair da sanita.
Para outro país?
Porque anda atrás dele?
O que se passa?
Tens uma visita.
Vou tomar um duche.
O que queres?
Não durmo bem por tua causa.
Quando consigo adormecer, sonho contigo.
Estás louca?
Nem me conheces!
Não. Mas tenho de saber se estarmos ambos debaixo
daquele camião significou algo, ou se foi puro acaso.
Tenho de saber se a minha vida tem de mudar e se tu és o motivo.
Anda.
Adeus.
O que foi?
Põe-te a andar! Vai!
Mas porquê?
Basta!
Vai.
Vai embora.
O que estás a fazer? Qual é o teu problema?
Walter?
Onde está o Walter?
Bodo.
Bodo!
Terá de começar em breve.
Amanhã, tudo mudará.
Como a posso ajudar?
Tenho este papel aqui para…
Porque…
Olá?
TRANSPORTES DE DINHEIRO
Quer que…
Eu descubro, sim?
- Boa tarde. - Boa tarde.
Este documento autoriza-a a abrir uma caixa de depósito.
- Ótimo. - Só precisamos de algumas assinaturas.
Isto será tudo muito rápido.
Não se mexam.
Sentem-se.
Aqui mesmo.
Sentem-se.
Encostados contra a parede. Isso.
Tu, também! Senta-te!
Segura isto nos narizes deles.
Vai!
Vai!
Estável.
Com mais firmeza.
Agora, ele.
Agora. Vamos.
Sim.
Este, 619. Aqui tem.
Obrigada.
QUEBRAR VIDRO
Senhoras e senhores, por favor, abandonem o edifício.
Por favor sigam calmamente para a saída principal.
O que pretendes?
Queres ser um herói?
Dispara, se fores um herói.
Mata-me.
Mata-me.
Mudará tudo.
Terás matado alguém.
A tua vida será diferente.
Não é isso que queres.
Também não te queremos matar.
Só queremos sair daqui.
Está bem?
É por isso que não o vais fazer.
Não o vais fazer.
Parado. Mãos ao ar.
Não te mexas. Eu disse para não te mexeres.
Fica quieto. Quieto, já disse.
O que foi? Vai embora.
Põe-te a andar! O que queres?
Isto não está bem. Tem de baixar a arma.
O quê?
Não pode disparar.
Não é esse o plano.
Entende?
Por favor.
Por favor!
Não! Para!
Por favor…
Vamos sair daqui.
Ajuda-me.
Rápido.
Anda. Ajuda-nos.
Conduz para o hospital.
- O quê? Qual hospital? - Qualquer hospital. Vai!
E o dinheiro?
Ainda está lá.
Não é assim tão mau.
- Está aí alguém? - Está aí alguém?
Olá! Venham cá!
Este homem está ferido.
- O que é que ele tem? - Não consegue ver?
Levou um tiro no estômago.
- Chame um médico! Rápido! - A sério, é urgente!
- Esperem! - Despacha-te!
Bodo.
Tens de sair.
O quê?
Da sanita.
- Sai. - Está bem, vou sair.
Fica quieto agora, sim?
O médico já vem.
Fica quieto.
Está aqui o médico.
Uma ferida de bala?
- Há quanto tempo? - Vinte minutos.
Certo. Preparem o número sete. Chame o Dr. Scheik.
O que queres fazer agora?
Esconder-me.
Em qualquer sítio.
Anda, senta-te.
Posso ver?
Eu conheço-a.
Está morta.
Como a conheces?
Eu enterrei-a.
É importante que saiam.
Ar fresco pelo menos duas vezes por dia.
- Estamos todos um pouco tensos. - Sim, chefe.
Temos de falar sobre os problemas.
Pedi especificamente à Sissi para estar aqui hoje.
Alguém quer dizer algo?
Sim, eu.
- Bem… - Sr. Dürr?
Queria dizer… Há um problema…
Na totalidade.
Olá?
- Pare com essa treta! - Sim, chefe!
E quem és tu?
O que foi? O que queres?
- Onde estou? - Na psiquiatria.
Vais lá. Claro, é isso. Para o crematório.
- O crematório. - … um transporte de dinheiro ontem.
Os criminosos tinham escavado um túnel
e surpreenderam os transportadores durante uma entrega.
Um guarda alvejou os ladrões em fuga
e feriu um deles com gravidade.
Os assaltantes fugiram, mas o dinheiro ficou para trás.
Pouco depois, o alegado segundo criminoso
foi deixado para trás numas urgências locais.
O homem de 40 anos sucumbiu aos ferimentos
do tiroteio.
A polícia está agora à procura…
Para baixo!
Uma injeção, rápido!
Está bem.
Sim, veremos.
Ninguém. Não falta ninguém a nenhuma das alas.
Se calhar queria internar-se e perdeu o juízo.
Falarei com ele quando estiver mais calmo.
Já está calmo. Levou uma boa dose de Benperidol.
Conhece-lo?
Sissi?
Não.
Sim, fala o Kupfer. Podem passar.
OIá, meu amigo,
já te acalmaste?
Agora.
Vamos.
Senta-te ali.
- Posso ficar? - Claro.
O que foi? Saiam da porta, Sr. Steinkohl, Sra. Molke, Sr. Kramer.
- Por favor. - Têm todos de tomar os medicamentos.
- Sim, chefe. - Por ali. Deixem-me passar.
O que estou a fazer aqui?
Não digas nada, está bem?
Finge que não te lembras de nada. Nem do teu nome.
Assim, podes ficar, para já.
Não interessa.
Tudo interessa.
Muito bem.
Para ti também.
Sabes onde estás?
Estamos no hospital psiquiátrico, Birkenhof.
Eu sou o médico desta ala, Thomas Kupfer.
Como te chamas?
Podes dizer-me o teu nome?
Como entraste aqui? Lembras-te?
Consegues ouvir-me? Olá?
Consegues ouvir-me?
Porque estás a chorar?
- Diz-me. Porque estás a chorar? - Não estou a chorar.
Não? Está bem. Mas estou a ver-te a chorar.
Consigo ver que estás a chorar.
Não estou a chorar. É uma disfunção glandular que herdei.
Compreendo.
Sabes que a tua família tem uma disfunção, mas não o nome?
Não acredito que não estejas triste.
Acho que estás muito triste.
Bebeste álcool?
Partiste a TV, hoje de manhã?
Alguém te disse para o fazer?
Havia vozes a comandarem-te?
Se não tiveres documentos, não podemos contactar ninguém.
Terás de ficar até os serviços sociais tomarem conta de ti. É isso que queres?
Queres mesmo ficar?
Podes descansar aqui.
Sissi, pode mudar os lençóis?
Sim.
Venho vê-lo mais tarde.
Vamos deixar o jovem descansar.
Para onde estão a olhar?
Vamos todos morrer.
Sim, sim.
O que estás a fazer?
Cheiras bem.
Céus, de que planeta vieste?
Daqui.
Como assim, "daqui"?
Nasci aqui.
Num manicómio?
E os teus pais?
A minha mãe está morta. Deixou cair um secador no banho.
O meu pai anda por aí.
Como assim?
Um deles.
Um dos malucos?
Sissi!
Ouve. Temos de falar.
- Agora! - O que foi? O que queres?
Podem deixar-me a sós?
Podem deixar-me em paz por cinco minutos?
- Sissi? - Tu, também.
Mas não estás sozinha!
Estão ligados a ti.
O Walter está morto.
O pequeno está a magoar-se!
Foda-se!
Otto! Para com esta merda!
Merda!
Para!
Otto!
Raios!
- Abre! - Otto, abre a boca!
O que é isto?
Otto.
Está bem.
- Otto! - Afasta-te, por favor.
Olá? Cuidado, por favor.
- Otto. - Aqui.
Cuidado, porta a fechar.
Agora, ouçam. Temos de ser extra vigilantes.
Estão todos muito tensos. Colocámos mais uma pessoa no turno da noite.
Os pacientes de risco devem ser restringidos à noite. Incluindo o novo.
Entretanto, há cada vez mais indícios de que o segundo alegado ladrão
é um homem chamado Bodo Riemer.
Tem 31 anos, 1,78 m e cabelo escuro curto.
Esta foto tem cerca de cinco anos.
Também procuram uma jovem
que, aparentemente, estava de guarda no escritório do caixa durante o assalto
e que interferiu mais tarde.
Temos um retrato-robô da mulher, na casa dos 20 anos, cerca de 1,70 m,
com cabelo louro pelo queixo.
A polícia está à procura de mais informações relevantes.
O tempo. Estará sol amanhã. Enevoado, mas sem chuva, com descida
de temperatura, dos 15 ºC para os 13 ºC.
Amanhã, as temperaturas chegarão aos 20 ºC com nuvens, mas sem chuva.
Tenham uma boa noite. Adeus.
Ouve.
Tens de tomar uma decisão.
Uma decisão?
Eu vou embora.
Podes vir comigo.
Porquê nós?
Tive um sonho.
No meu sonho, estávamos juntos.
Éramos irmão e irmã.
Mãe e pai.
Mulher e marido.
E…
Nós os dois éramos ambos.
És louca.
Sim, claro.
Talvez esteja tudo errado.
Mas esta felicidade era uma sorte.
Não acredito em sorte.
Tiveste demasiada má sorte.
O que sabes da minha má sorte?
Sei um pouco.
Sei da bomba de gasolina.
Sei da tua mulher.
Sei do acidente.
Não foi um acidente.
Foi uma discussão.
Uma de muitas.
Não sei quantas tínhamos tido.
Polícia.
Sim, olá. Fala do Hospital Birkenhof, ala cinco.
O assaltante de bancos está aqui.
Está aqui escondido.
De certeza?
Sim, absoluta.
O seu nome, por favor?
Steinkohl. Sou do turno de enfermagem da noite.
Um momento. Pode garantir que não vai embora?
Claro, sem problema. Está morto.
Sissi! O que aconteceu?
Preciso do teu carro. Agora mesmo.
Mas não tens dinheiro. Queres que te dê algum?
- Tenho um pouco. - Não tens medo?
Toma. Está estacionado com as ambulâncias. Mas não tem muito combustível.
Não faz mal.
Mas aonde queres ir?
- Para longe. - Céus, Sissi.
De certeza?
Sim.
Não vou voltar.
O que fazes aqui?
O que queres?
O que foi?
O que aconteceu?
Sissi?
Está tudo bem?
Merda.
Uma torradeira?
Sim.
Steinkohl. É o Steini.
- Boa noite. - Boa noite.
A polícia acha que podemos ter um assaltante aqui.
Vejam! Está alguém lá em cima!
No telhado.
Mostre-nos como lá chegar. Depressa!
Steini.
Sim, isso mesmo. Sim!
Sim, claro.
O que é isto? Não podem fazer isto.
Espera por mim.
Sim. Exato.
Não. Algumas coisas têm de ser claras. Muito claras.
O que é esta merda? Ele é tão duro aqui. Sim?
Muito duro.
Não vou desistir, não.
Tenho de o fazer, sim. Tenho. Não vou desistir.
Desculpa, sim. Desculpa.
Tenho de fazer isto. Algumas coisas têm de ser claras.
O que é esta merda? Muito duro.
Sim! Lamento imenso.
- Muito duro. - Porque fizeste aquilo?
Sissi, por favor. Tens de entender. Tinha de ser claro.
- Sim? - Porque fizeste aquilo?
Posso saltar.
Olá!
Sim, você!
Sissi.
Não se mexa. Estamos a ir.
O que foi?
Sissi.
Até breve. Vou saltar e tudo ficará bem.
Está bem?
Estamos a ir.
Não vais saltar, seja como for.
Anda.
Não!
Está tudo bem.
Eles acham que já partiram.
Está bem?
- O que foi? - Estamos sem gasolina.
A sério?
Aqui mesmo.
Cinquenta.
E vinte. Obrigado. Adeus.
Anda.
Então, e eu?
Adeus.
O que foi isso?
Legendas: Luís Perat
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