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Original subtitles

Fora.

Fora, Camila, vaza! Sai!

Essa casa é minha. Eu tô mandando você sair!

Sai dessa casa! Sai da minha vida, porra!

Você me ama.

Para, porra!

- Me larga! - Sai, Camila!

- Levanta dessa cadeira, porra! - Seu puto!

Que merda é essa, hein?

Ramones? Vai ficar com isso?

Você odeia isto!

Sex Pistols, você odeia!

Foi você que me deu, mas eu não quero mais essa merda!

Eu não quero mais...

Que é que é, seu puto? Hein?

Hein? Vai dar uma de machinho, é?

Hein? Hein? De traído, é?

Seu puto!

Achou que eu ia ficar mulherzinha aqui dentro de casa, porra?

Cê comprou um pacote, seu merda!

Agora você não vai jogar fora!

Não vai! Não vai!

Reclama com o filha da puta que te comeu.

Para...

Caralho.

Você me machucou.

Cara... seu covarde. Cê me machucou, seu puto.

Merda.

Você me ama

Acabou?

Sai.

Fora, Camila.

Entendeu? Fora!

Ele me expulsou da minha casa.

Eu te falei que ele não aguentava, né?

Preciso de ajuda pra pegar minhas coisas.

Tô precisando de um lugar pra ficar, Márcio.

Camila, você sabe que aqui é só quarto e sala, cara.

Fico naquele quartinho de empregada.

Tem bebida nessa casa não?

Tem nada.

Pior que, por essas horas, tá tudo fechado aqui perto.

Você devia tentar dormir um pouquinho.

Vou escrever.

Ver se eu me acalmo.

Ó...

qualquer coisa tô aí, tá?

Ei.

Só me chamar.

- Tá bom? - Tá.

A culpa...

é sua.

[com voz trêmula] Fora você.

Fora você, seu puto.

Fora você, seu filho da puta!

Seu merdinha!

Seu orgulho idiota tá destruindo tudo, seu merda.

Orgulho besta.

Por quê, hein?

Por que você tem tanto orgulho se eu sou tão apaixonada por você?

Por quê?

Não precisava.

Não precisava.

Ninguém...

vive...

a paixão...

impunemente

Ninguém vive a paixão impunemente.

A intensidade...

é uma doença contagiosa.

Uma doença contagiosa.

E eu não concebo

a vida sem contágios.

Contágios.

Sei...

sobre a dor da solidão,

a falta de ar

e a perda de...

Sei...

que nada, nada mais vai...

Importância... ter importância...

Sei que...

vai... ficar pequeno...

Pequeno.

Sei que o mundo vai ficar pequeno.

...perder o sentido.

Amor então também acaba?

[com voz trêmula] Não que eu saiba.

O que eu sei é que se transforma numa matéria prima,

que a vida se encarrega de transformar.

Em raiva

ou em rima.

Que merda.

Adiantado, pela conta de telefone.

Pega aí.

Valeu.

Vai!

Senão o bicho-patrão te pega.

Fica bem.

Tá?

Paula?

Paula, sou eu, Camila! Paula...

onde é que cê tá?

Liga pra mim.

Vem me salvar, Paula, por favor.

Que saco.

Só tem pirralho nessa merda.

São Paulo...

Quinze de julho de 2001.

Declaração.

Meu blog não é um diário.

Aqui escrevo.

Escrevo porque preciso.

Melhor: vivo porque escrevo.

Não quero saber de opiniões nem de julgamentos.

Não devo nada a ninguém.

Por isso meu blog não tem comentários.

Menos ainda sobre a minha vida.

Isso aqui não é uma página interativa.

Não gostou?

Não lê.

Ó, tá uma delícia.

Cara, silêncio mata. Que ódio.

Você precisa comer.

Ai, Márcio, eu tô gorda.

Cê é louca de ficar tomando bola, né?

Cê já amou um remédio, Márcio?

Hein?

Já amou o efeito de um remédio?

Alô?

Me ligou pra dizer foda-se.

Foda-se, Camila.

Dois pesos, duas medidas, né, Felipe?

Você comeu a prima, a ex-namorada.

Comeu Brasília inteira.

E eu na minha.

Agora vem você e seu silêncio.

Querendo transformar o que foi espontâneo em mim em culpa.

Por que eu não posso comer um cara qualquer de um bar qualquer,

hein, Felipe?

Cê fica assim, como se eu tivesse fazendo a merda sozinha.

E você, hein?

Qual é a sua parte nisso tudo, hein?

Esperar.

Escrever.

É foda, mesmo.

Merda.

Ai.

Quem é você?

Quem é você?

Eu sou o zelador.

Tá tudo bem aí?

Zelador?

O zelador.

Zela...

dor.

Me exclui dessa tua putaria na internet, falou?

Tô incluindo seu silêncio.

Cara...

se você voltar a me expor

do jeito que tu fez, eu te juro, eu vou voltar aqui...

Vai evaporar, isso sim, como o covarde que você é.

Vai tomar no teu cu!

Ninguém precisava saber de nada da gente, isso era problema meu e teu!

Felipe, se eu não tivesse te provocado, até agora você tava dando uma de putinho.

De machinho traído.

Vai dar uma de coitadinho agora, é?

- Do que você tá falando? - Comigo?

- Seu orgulho é idiota, babaca, besta. - Do que tá falando? Tá louca?

- É burguesinho. - Você tá louca? Eu não conto, não?

Não faço a mínima diferença nessa história, não?

Não faço, né?

Não faço, cê não traiu.

Sou eu quem procura, quem procura acha.

Né sua tese? Você não trai.

Você só fode e trepa com todo mundo

e guarda o amor e a paixão pra mim, né isso?

Tô aqui pra te devolver essa merda.

Pegue seu amor, sua paixão, enfia no seu cu,

faz o que quiser, mas me esquece. Chega, tô fora.

Beleza?

Você me ama.

Cara, você é muito ridícula.

- Ridículo é você. - Você é ridícula. Você é patética.

Olha pra você, cara. Nem você se aguenta.

Cara, só me arrependo de não ter batido uma foto

daquele filho da puta ridículo que tava te comendo,

daquele imbecil filho de uma puta.

Pra botar na internet e teu fã clubezinho ver como tu é baixa.

Teu nível é baixo, piranha, patética.

E tem mais, cara.

Eu nunca te disse um "a" atravessado.

- Eu nunca te encostei um dedo. - Olha aqui...

- Se escrever mais uma linha sobre mim... - Você para...

- Se escrever meu nome... - Você para de falar!

- O que cê vai fazer? - Vou voltar aqui e quebrar tua cara!

- Arrancar teus dentes, filha da puta! - Vai me bater, seu puto?

Merda! Sai daqui, seu merda!

Quem traiu foi você, viu? Você que tá se traindo, seu puto!

- Vai se foder! - Vai você!

Merda!

Eu dei meu corpo, mas é você que tá se traindo!

Só que cê não é capaz de entender isso, seu puto!

Será que cê não é capaz de entender isso não, seu merdinha?

Merda!

Eu engoli uma pedra.

Tem uma pedra dentro de mim.

Tem uma pedra.

Fico pensando que ninguém se cura de nada.

Nunca.

E que a dor são poros por onde transpira a escrita.

Tudo sobra em mim.

Ao mesmo tempo, não há nada em mim,

nem ninguém.

Eu sofro de nada.

De ninguém.

Alô?

É ela. Quem tá falando?

Oi, Sílvia.

Tudo bem? Tudo ótimo.

Que é que cê manda?

Um emprego?

Meu chefe agora tá marcando sob pressão.

Ficou no meu pé o dia inteiro.

Paranoia sua, viu, Márcio?

Paranoia nada.

- Ah, tá. - Isso é coisa de maconheiro.

Hum... olha!

Márcio?

Uma coisa.

O quê?

Não precisa ficar tentando me arranjar emprego não, tá?

Eu tenho que me concentrar.

Eu sou muito dispersa,

eu fico me desviando. Tu me conhece.

E é agora ou nunca,

Preciso começar a escrever o meu livro.

Incrível, caramba.

Basta eu ficar solteira pra ficar tudo assim, desinteressante.

Parece até que eu fumei maconha.

Sério. Quando eu fumo maconha, as pessoas ficam assim,

chochas, sabe? Todo mundo fica meio escroto. Os poros aumentam.

Fica todo mundo fedendo a Cheetos.

- Que é? - Credo, Camila.

Tu não, né, Márcio?

Tu é maconheiro, mas é gente boa.

Bom mesmo.

Tô no maior salvo negativo contigo, né?

Tá. Tá mesmo.

- É? - É.

- Então escolhe. - O quê?

- Vai. - O quê?

- Qual é a tua fantasia? Fala. - Como assim?

Vai, que é que tu quer? Fala.

Tu quer uma funkeira cachorrona?

Uma groupie californiana?

Ou uma gostosona do Big Brother? Fala.

- Fala, o que tu quer? - Deixa eu ver...

Eu...

prefiro você de...

Prefiro você de Camila.

Tá, Márcio, vai.

[Márcio] Ué, que foi?

Tô precisando me apaixonar de novo.

Escrevo melhor apaixonada.

Valeu.

Cara, não entendo.

Não entende o quê?

Por que é que homem não consegue ligar no dia seguinte?

Na boa, não entendo.

- Quer saber qual é o problema, Camila? - Sei qual é.

O problema é que todos os homens do mundo têm entre dois e 18 anos.

Quantos anos cê tem, hein, Márcio?

Quantos anos você me dá?

Quinze, vai.

Se liga, Camila.

Olha pra mim direitinho.

Dá pra ver que eu tenho mais de dezoito, não dá?

Que eu tenho um carro.

Que eu tenho um bom emprego.

E...

eu tô afim de uma mulher.

Márcio.

Quando eu saio contigo,

ninguém nunca chegou em mim,

mas agora tem alguém me querendo.

Você notou?

Conheci esse cara que dançava bem pra caramba.

Flertamos loucamente

e estávamos quando efetivando o crime.

Ei, tudo bom?

Quando chegou o amigo dele.

E aí. Camila.

Me apaixonei imediatamente pelo amigo.

Caí de quatro.

Fiquei completamente louca pelo cara.

Henri.

Não consegui dormir mais sem a mão do Henri na minha cintura.

Sem beijá-lo de manhã quando acordava.

Mari?

Sou eu, Camila. Tô no rio.

Tô no telefone 22672024.

Liga pra mim. Vamos ver se a gente se vê. Tô com saudade.

Um beijo.

Quê?

A porra dele é doce.

Doce?

Juro. Tem um gosto bom.

- Doce. - Uau.

Não.

Um brinde ao esperma do francês.

Me empresta seu celular?

Hum. Tá, mas ó...

fala rápido, tô esperando a resposta de um teste.

Só vou ver se ele vai chegar.

- E aí? - Daí!

Camila, esse é o Léo.

Léo, essa é a Camila, minha amigona de Brasília que mora em Sampa.

Veio pro rio atrás do homem da vida dela.

Um francês de dar calafrios na espinha.

Bem-vinda ao Rio.

Um brinde, então.

- Ao Léo e à Mari. - Peraí um pouquinho. É, garçom...

- [garçom] Pois não? - Vê umas 3 caipirinhas pra gente.

- É de morango, né? - Tá maravilhosa.

Então vê mais duas de morango e uma de lima-da-pérsia, tá?

Camila, me conta aí, o que é que... Como foi parar em São Paulo?

Isso é uma outra história.

O que importa é que eu tô no Rio, hoje.

Quero fazer um brinde às meninas de Brasília.

- À nós, Mari. - Peraí, calma. Calminha. Tenham calma.

- Obrigada. - Valeu.

- Um brinde, então? - A quê?

Ao seu sucesso

e... à felicidade eterna...

da Camila.

Uau.

Tim-tim.

Eu vou dar um mergulho.

Nada nunca dá certo de vez.

Eu sei.

Tudo termina sempre acabando.

Só o fim permanece.

O fim eterno de todas as coisas.

Então eu dissolvo antes do fim.

Eu me dissolvo.

Respira.

Respira.

Deita. Deita. Deita. Deita.

Não sei se é a ausência de pernas

ou de mim.

Não sei se é a ausência de chão.

Eu sei que é um amolecimento das formas.

Um derramar das coisas.

Um desmaio.

Um suspiro sem corpo.

Um bicho.

É ser um bicho no vento.

Tanto quanto pessoa na tempestade.

Ou não ser.

Não ser nada e vazio.

Suas coisas.

Você não me conhece.

Eu também não sei quem você é.

Incrível, não é?

Seu amigo pagou até domingo.

Se quiser ficar, fica.

Só que tem que arrumar fiador.

Ou depósito.

Três meses adiantado.

São mil e quinhentos reais amanhã. Cheque ou dinheiro.

Senão você sai no domingo.

Uma sensação horrível tomou conta de mim.

De tal forma que eu só consigo pensar em merda.

Caralho, que merda!

Merda!

Merda!

Márcio. Meu amigo desde os tempos de Brasília,

que nunca deixou de ler um post do meu blog nos últimos 300 anos.

Desapareceu sem deixar vestígios.

Eu vou sofrer por dias e noites de solidão.

Vou perder o brilho dos meus olhos.

Meu cabelo irá cair.

Eu não vou mais conseguir dormir.

Meus dentes azedarão.

Eu vou sentir ânsia de chão.

Quanto?

Duzentos e oitenta reais.

Cês aceitam euro?

Outra vez nós dois.

Vai chover...

"Vai chover" é bonito.

Pingos de amor

Não.

Bons...

- Pra você, viu? - Pra mim levar, é?

- Pra você levar. - Obrigado.

Leva tudo isso aqui, por favor.

Tá bom.

Perdeu?

Vou escrever um livro pra você, Irineu. Perdeu.

Vai chover...

Pingos de amor...

Na, na, na, na, na, na, na, na na, na, na, na...

Na, na...

Se fodeu.

Vai ter que aturar.

Obrigada.

Tá querendo me embebedar e me comer?

Tô.

Que merda.

Paula sempre tem razão.

Eu pago.

Como assim "eu pago"?

Eu quero te comer e faço questão de te pagar.

Nossa.

Assim cê tá me dando tesão.

Seu laptop por um boquete.

Muito caro.

Caro?

Quanto você acha que vale um boquete?

Diz.

Quanto se paga por um boquete?

Eu vou é dormir.

Cansei.

Boa noite, viu, Guilherme?

Oi!

Peguei, tá?

Quem é você?

Meu nome é Camila, sou amiga do Guilherme.

O que é que tá fazendo aqui?

Tô hospedada aqui.

Hospedada?

Quem autorizou?

Que canalha.

Quer dizer que tua mãe é a outra?

E eu o filho bastardo.

Faz esse drama não, né? Por favor.

Ele não te assumiu?

Não fica te enchendo de dinheiro?

Então? Tá reclamando de quê, Guilherme?

Tem uma grana.

Chega, né, Guilherme?

Já basta a bronha que tu bateu ontem.

Se divertiu às minhas custas, né não?

Quando eu tinha treze anos, eu abri uma poupança.

Posso alugar um apartamento pra você.

Aí você só escreve.

Aquele quarto é meu. Esse é da minha garota.

Agora na geladeira nova.

Paula!

Ai, que saudade.

Isso é um cult. Foi muito difícil de achar.

Eu amei, viu? Obrigada.

Esse é um nerd clássico.

Só é.

Mas os nerds eles mandam bem.

A vida inteira vendo filme pornô, né? Tem que aprender alguma coisa.

A máquina sexual por trás dos óculos, das espinhas e das milhares de punhetas.

Frase numa camiseta: "Nerds mandam bem".

- Perigo à vista. - Não é essa a ideia?

Cuidado.

Eles são tarados reprimidos.

A vida inteira sem comer ninguém.

Vão te perseguir com aquela coisa dura.

- Incansável. - Para!

- Vesúvio total. - Paula.

Vão dizer no seu ouvidinho

"Say my name, bitch".

Anos de abstinência vingados numa só noite.

Te comem de todos os jeitos.

Por todos os buracos do seu corpo.

Acabam contigo. Ai...

Dá um puta pornô.

A vingança dos nerds.

- Vamos escrever? - Vamos.

Você vai ser o ator principal.

Vou rodar todo no seu quarto.

Caralho!

Tudo isso na internet.

O puto leva jeito.

Jeito?

Camila, você tá maluca?

Acha legal uma coisa dessa na internet?

Porra, Camila, se você tá cagando, foda-se. Eu não tô.

Me dá o telefone desse filho da puta.

Paula, agora não tem jeito.

Você tá no ar, cara.

Todo mundo já deve ter copiado e redirecionado. Já foi, fodeu.

Ô Camila, sai da minha frente?

Sai da minha frente, que eu tô querendo te matar. Sai.

- Sai, sai da minha frente! - Peraí, porra! Para, Paula!

Guilherme, é a Paula.

Você vai tirar essa merda do ar agora, entendeu?

Imediatamente, assim que desligar o telefone.

Porque senão eu vou aí, parto a tua cara e decepo esse teu pauzinho de merda.

Eu tô falando sério como eu nunca falei em toda minha vida.

Tira essa merda do ar, que eu vou ficar esperando!

Paula?

Paula, para com isso.

Paula...

Paula!

Paula!

Ele já tirou do ar!

Eu preciso organizar o caos que eu sou.

O problema é que eu fico achando que caos é ordem.

É o Guilherme que paga o aluguel.

O meu livro.

Eu vou ganhar reais com meu livro, Paula, eu juro.

Paula, desculpa.

O problema é que eu não sinto a raiva que você sente por causa disso tudo.

É só essa a nossa diferença.

É uma delas.

Vamos melhorar suas condições materiais de vida?

Tive uma ideia.

Vamos colocar um convite no seu blog?

Chá de panela do novo apê de Camila Lopes.

Aceita-se

sofá aconchegante,

mesa com quatro cadeiras.

Uma mesa pra computador.

E a fome?

Ah...

Daniel.

Um moço pediu pra entregar pra Dona Camila. Ela está?

Tchau, minha garota.

Camila...

você não precisa...

Não precisa se expôr tanto assim.

Pra que tudo isso?

Fica tranquila.

Eu não sou a devil girl, né?

Pras tuas ressacas, minha devil girl.

Chegou hoje de manhã. Você não tava...

Eu assinei o recibo.

Muito prazer, sou o Rodrigo.

Sou de Ribeirão Preto. Tô em São Paulo por causa de trabalho

e tô querendo fazer amigos por aqui.

Como que cê chama?

Nada em Ribeirão Preto me desperta interesse algum

que me faça querer conhecer alguém de lá.

Bom.

Posso te oferecer um vinho pra quebrar essa animosidade?

Tô de vodca.

Então, eu fiz um curso nos Estados Unidos de três anos, perto de Boston.

E aí eu sou especialista em detecção de raios infravermelhos.

- Sabe aqueles do cine... - Obrigada.

Sabe aqueles do cinema, que você... o ladrão joga um talco

em cima dos raios, pra ver onde eles estão e poder passar sem ser detectado?

Legal.

Bom, prazer.

Como que é teu nome?

Beatriz.

Então até mais, Beatriz.

Que mala.

Acontece aí.

Beatriz, né?

Rodrigo, né?

Essa aqui é a Cármen, a Taís.

Você tá meio perdido, né, velho?

Nem você tá acreditando nessas baboseiras que cê tá contando.

Chega.

Agora me paga uma dose.

Eu preciso de alguém

que me faça calar a boca.

Alguém que me obrigue a escutar.

Alguém que me domine.

Preciso disso pra parar de ter vontade de ficar olhando pro lado o tempo todo.

Preciso de alguém que me cure.

Um homem que me cure.

Acho que esse cara não existe.

Quer dizer, ainda não encontrei ele.

Mas eu vou continuar procurando.

Beatriz, eu preciso dar uma mijada.

- Eu não vou dar pra você. - Não.

- Ouviu? - Ahã.

Seu merda.

Ouviu, seu veadinho?

- Sabe por quê? - Hum.

- Porque você não sabe dar... - Ahã.

Você não sabe tratar uma mulher, seu puto.

Ai!

Ela gosta de morder, né?

Morde...

Isso...

Ai...

Eu quero ir embora.

- Você me dá tesão, sabia? - Eu quero ir embora.

- Eu vou embora. Sai. - Delícia.

Eu vou embora. Você tá ridículo assim.

Você tá ridículo pelado assim.

- Ridículo? Que ridículo, porra? - Tá ridículo.

Boa...

Olha esse pau mole aqui do meu lado. Você tá ridículo.

Pega no pau, pega.

Para!

Me deixa, porra!

Pô, Beatriz!

- Ô, fica na boa. Vai embora? - Vou!

Veste essa calça ridícula.

Essa bolsa...

Toma.

Que é que foi?

Machucou? Tá tudo bem?

Você não tá bem, meu.

- Para. Para. - Vem cá, tira a bolsa.

Ei, calma.

Calma.

Uau...

- Para. - Calma.

- Não me aperta. - Tira, tira, tira.

Tira essa bolsa.

A bolsa... tira...

- Vai lá dar sua mijadinha, vai. - Já vou.

Vai lá. Vai lá no banheiro.

Vai lá atrás daquela menina, vai.

- Que menina? Eu tô com você. - Vai.

- Vou. Ô Beatriz... - Tenta morar no bar atrás daquela menina.

Então, eu tô com você...

- Vai... - Eu tô com você.

Vamos curtir aqui.

Hein? Vamos...

- Tudo bem... - Não vou dar pra você.

Tá, a gente faz um carinho.

Tudo bem.

Tudo bem.

Hã...

Quer pegar no meu pauzinho, quer?

Ó...

Ah!

- Puto! - Porra!

Sem bater, tá legal?

Sem bater.

Tá? O que é isso?

Vem. Abraço.

- Aqui. - Eu não quero você.

Quer...

Vem.

Isso, abraça, vai.

Você não queria que eu te dominasse?

- Hum? - Você não sabe.

- Não queria? - Você não sabe.

- Ah é? - Você não sabe.

Eu sei, eu vou te dominar.

- Você não consegue. - Vou te dominar.

- Você não consegue. - Dominar...

Vem cá.

Ó, ó...

É só carinho...

Assim...

- na boa. - Beija, porra!

Hum... eu vou te beijar.

Você gosta de mordida.

Hum...

Gostosa.

Ai...

Para!

Caralho!

Mulher, você me deixa com tesão, porra!

- Você não me deixa com tesão. - Não?

- Não. - Quer o quê?

Eu não quero dar pra você. Eu não tô.

Para.

Tá sim, louca...

Não...

Você não é homem pra mim.

Você não é homem pra mim.

Você não é homem suficiente pra mim.

- Porra, Beatriz. - Você não é homem suficiente pra mim.

- Você não é homem suficiente pra mim. - Não?

- Não. - Deixa eu ser.

Deixa eu ser. Deixa eu ser.

Quer merdinha, porra!

Que foi, meu? Quer que eu bata em você, porra?

- Que veadinho. Que veadinho. - Quer apanhar? Não vou te bater.

Ai!

- E aí? - Cara mais... puta que pariu!

- Que cara mais... - Ô!

Ai...

- Broxa! - Quê?

- Broxa. Seu merda. - Você fica me batendo, caralho!

Vem cá. Vem cá.

Me domina, porra!

Quer que eu te domine, né?

Cê não consegue!

Não consegue!

- Vem cá! - Ai!

Eu quero ver.

Vai, porra!

Isso, isso!

Você me dá fome, porra!

É assim, né?

Você quer, né?

Os dias passam.

Meu corpo apodrece.

Corpos apodrecem.

Por isso, nada sou, senão palavras.

Quando escrevo, me afirmo.

Quando falo, ganho sentido.

Quando penso, ganho corpo.

Meu corpo palavra.

Quem é?

Eu sou o advogado da família Leibovitz.

E eu preciso da sua assinatura no termo de rescisão do contrato de aluguel

desse imóvel.

E se eu não quiser assinar?

A decisão é sua.

É claro que, a senhora assinando,

terá mais três meses de aluguéis pagos.

Senão, vamos partir pras ações cabíveis.

Quanto é que você ganha pra fazer isso, hein?

Se eu fosse a senhora, assinaria.

Porra.

Conecta, puto!

Que palha!

Foda-se.

Não deu pra escrever porra nenhuma.

Eu vou é pra rua!

Vou namorar uns dois garotos.

Vou pegar suíte no charme.

Quero muita gorjeta. Muito mon-amour.

Vou como uma mulher-objeto, que isso que é vida.

Sozinha?

E vacinada contra possíveis cantadas idiotas.

Nossa.

Irascível que nem a personagem.

Que personagem?

"Pergunte às árvores solitárias onde o Mojave começa.

Pergunte a elas sobre Camilla

e elas sussurrarão o seu nome."

Por que tá citando Fante? Você me conhece?

Eu não sei se eu te conheço.

Eu sou o Daniel.

Que Daniel?

Daniel Siqueira de Pádua.

Dos e-mails?

Eu.

Você é um filho da puta sádico, né?

Ah, por quê?

Todos os dias abri minha caixa de e-mail te procurando e você não tava lá.

Eu comecei a te inventar.

Eu precisava, entende?

Mas você não aparecia... Eu comecei a te inventar.

Eu fui te inventando. Você me mandou flores, não apareceu.

Me fez ler 300 vezes 38 e-mails te procurando em cada frase,

tentando descobrir em qual deles você tava se escondendo.

Agora você vem e me aparece assim aqui?

Caralho, você é o Daniel?

Sou eu.

Porra, muito prazer, Daniel!

Cara, eu vivo dentro da minha cabeça, e gosto de viver dentro dela.

Por isso, boa noite.

Eu prefiro ir pra minha casa, dormir,

porque, assim, eu volto a ter o Daniel.

O meu Daniel.

É.

Boa noite.

Eu não sei se eu quero te conhecer.

Camila...

ficção não acontece contigo o tempo todo?

Então me reescreve.

Cê quer casar comigo?

Eu não quero mais dormir sem você.

Nunca mais.

Eu pedi pra você não largar a minha mão, e, mesmo dormindo, você não largou.

Eu tô com medo.

Você é perfeito pra mim.

Muito.

Todo.

Da voz ao tamanho do pau.

Agora eu não acho nada.

Não penso nada.

Não quero mais saber de nada.

Eu me abandonei em você.

Nada nunca foi tão bom.

Pra você, minha putinha querida.

Oi, Daniel, sou eu.

Camila.

Eu tava querendo falar contigo.

Eu fiquei com seu isqueiro rosa.

Então liga aí.

Um beijo.

O cara tá se defendendo?

Se defendendo de quê, Paula?

Pelo amor de Deus, isso é muito clichê! O cara tá "com medo de amar?"

Eu não acredito nisso.

Isso é papo de mulher que tá dançando ou que não quer admitir que já dançou.

Não foi isso que rolou.

Ele tava afim.

Porra, ele me olhou, me encarou.

Ele ficou aqui feito...

Foi foda.

Eu não tô dançando. Não tô.

Será que ele morreu?

Ai, Paula, desculpa, tá?

Eu sei que a ligação é cara pra caralho.

Porra, mas o que é que aconteceu, Paula?

Eu estou vazia.

Meu apartamento tá vazio.

São Paulo tá vazia.

Eu estou morrendo de amor.

Eu queria te dar minha última lágrima.

Mas eu estou seca.

Eu não consigo nem chorar.

Eu quero comer esse bolo...

Mais uma.

Eu não vou ser vítima desse cara.

Ele que vai ser minha vítima.

É cada pentelho, cara...

Bom, vamos pedir a conta, né?

A gente podia ir pra festa né?

- Traz a conta, por favor. - É amiga do Gouve.

É amiga minha.

- Oi. - É... bom.

Oi.

Qual é o seu nome?

Aurora.

Aurora.

Camila.

Tudo bem.

Você tem fogo?

- Tem... - Camila, por favor.

Outra hora a gente fala, tá?

- Aurora. - Oi.

Será que ele tá com medo?

Será que ele tá achando que vou dar um escândalo?

Camila, vem cá.

Vem cá, eu sei que a gente precisa conversar, tá?

Mas não agora, tá?

Não assim.

Tá bom.

- Vamos, gente. - Nossa...

Ele tá com medo.

Vamos.

- Vamos, amor. - Como é isso? O que aconteceu?

Ele tá achando que vou apagar o cigarro na cara dele.

- Não, o que é isso? - Para com isso, porra!

Me larga!

- Para! - Que vexame, sua louca!

Outra hora é o caralho, Daniel.

- Espera aí! - Me deixa ir atrás desse covarde.

- Me deixa! - Desse jeito, você não vai!

- Eu vou! Não vai me segurar! - Espera um pouquinho, você não vai!

Porra, quem é você, caralho?

Eu sou o melhor amigo do Daniel.

Então me diz pra onde ele foi. Me diz pra onde ele tá indo, porra.

Camila, dá um tempo. O cara tá mals.

Mals, caralho? Mals tô eu, porra!

Eu fiquei dias e dias na minha casa esperando ele dar sinal de vida.

Fiquei que nem uma louca olhando pra porra do telefone.

Eu chego aqui e ele nem fala comigo?

Quem é a porra dessa Aurora? Quem é essa merda, hein?

Quem é?

Diz pra onde ele foi.

Preciso conversar com ele.

Se eu não falar com ele, vou enlouquecer.

Ah, que ridículo.

Que papo canalha.

Podia bem ter passado um e-mail.

Retornado um telefonema. Nada.

- Camila, eu tô apaixonado pela Aurora. - Para com esse papo, cara. Não é verdade!

Não é possível, Daniel.

Diz o que aconteceu, porra. Fala pra mim.

O que foi aquilo que a gente viveu lá em casa, os três dias?

- O que foi aquilo, foi uma ficção? - Não foi. Aquilo rolou.

Mas desse jeito que você tá falando, rolou mais na sua cabeça.

- Com o Daniel que você inventou. - Vai te foder!

Não fica usando o que falei, não!

Não foi assim que você se apresentou?

Não queria ser reescrito? E agora, porra?

Agora o livro acabou.

Os livros acabam, Camila. Sabia?

Ponto final.

Que merda.

Eu não tô louca.

Eu sei muito bem o que a gente viveu.

Agora o que você vai fazer com isso, pouco me importa. Vai te foder!

Faz o que você quiser, o que você puder!

Foda-se!

A única coia que eu queria de volta era o que você me roubou.

O que que eu te roubei?

A minha capacidade de confiar.

Algumas vezes, quebram minhas pernas. Chutam minha cara.

Pisam em meus dedos.

Eu sobrevivo.

Tenho sobrevivido.

Sou marcada, sim.

Mas faço valer,

cada uma das minhas cicatrizes.

♪ Quando você tira a roupa, algo se revela ♪

♪ Quando você tira a roupa, algo se revela ♪

♪ Você tem uma tatuagem de cicatrizes ♪

♪ Você tem uma tatuagem de cicatrizes ♪

♪ Quando você tira a roupa, algo se revela ♪

♪ Quando você tira a roupa, algo se revela ♪

♪ Você deixa a personagem e vira atriz ♪

♪ Você deixa a personagem e vira atriz ♪

♪ Quando você tira a roupa, algo se revela ♪

♪ Quando você tira a roupa, algo se revela ♪

♪ Você tem uma tatuagem de cicatrizes ♪

♪ Você tem uma tatuagem de cicatrizes ♪

♪ Quando você tira a roupa, algo se revela ♪

♪ Quando você tira a roupa, algo se revela ♪

♪ Você deixa a personagem e vira atriz ♪

♪ Você deixa a personagem e vira atriz ♪

...falta de ar...

...e a perda de chão.

Algumas vezes quebram minhas pernas.

Chutam minha cara, pisam nos meus dedos.

Eu sobrevivo, tenho sobrevivido.

Sou marcada...

Mas faço valer cada uma das minhas cicatrizes.

...dos últimos 300 anos.

Desapareceu sem deixar vestígios.

Eu vou sofrer 13 noites de solidão.

Vou perder o brilho dos meus olhos.

Meu cabelo irá cair.

Eu não vou mais conseguir dormir.

Meus dentes azedarão.

Caralho!

Tudo isso na internet?

O problema é que eu não sinto a raiva que você sente por causa disso tudo.

Que porra é essa?

Isso!

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