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ESTE PROGRAMA CONT�M CENAS FORTES
QUE PODEM N�O SER ADEQUADAS A ALGUNS ESPECTADORES.
Sabe quem foi o Jeffrey Dahmer?
Mentira.
Qual � o seu filme preferido?
Qual � o seu filme preferido?
"O Sil�ncio dos Inocentes"?
� mesmo?
De verdade? T� falando s�rio?
"O Sil�ncio dos Inocentes"?
O que faziam naquele filme? Quer essa?
Sabe o que o Buffalo Bill teria feito com essa aqui?
- Hein? - Teria ficado com ela.
Quero que fique com essa pra voc�.
T� legal?
O Buffalo Bill pegou todas aquelas mulheres
e tirou a pele delas.
Sentimental.
Voc� lembra disso?
Voc� disse pro pessoal l�
do abrigo de Bethesda
que gostava desse filme.
Que era seu filme preferido.
Claro que voc� n�o � bom o bastante pra ser um Hannibal Lecter.
Mas um Buffalo Bill,
seja qual for o nome dele, � mais a sua cara.
Sabia que algu�m pode fazer um filme sobre voc� um dia?
�, v�o fazer. Falando nisso, o FBI vai...
T� falando s�rio. Voc� pode ficar famoso.
Entrar nesse caso assim que chegar aqui.
Voc� pode ficar famoso, cara.
T� entendendo?
Pode ficar famoso.
DO PRODUTOR EXECUTIVO MICHAEL BAY
O cara � um assassino em s�rie.
Acho que ele � maluco.
Ele acreditou mesmo que eu era Jesus.
DE UMA FAM�LIA ASSASSINA EM S�RIE
DA QUAL VOC� NUNCA OUVIU FALAR.
Perguntei por que ele tinha feito aquilo com aquelas pessoas?
Ele disse: "Eu vi o meu pai fazendo."
Ele � o mal na sua ess�ncia.
N�s t�nhamos que derrub�-lo.
Vamos pra pena de morte.
Ao longo da investiga��o,
nos interrogat�rios feitos com o Hadden,
ele foi revelando quem ele tinha matado,
onde tinha matado,
e havia algumas v�timas que ele achava que podia mostrar
pro FBI onde estavam.
Pusemos o Hadden e o Jack no carro
e fomos na dire��o de Wellfleet, em Massachusetts,
pra uma regi�o chamada Pamet Point,
onde o Hadden tinha passado uma boa parte da juventude.
N�s achavamos que esses lugares podiam
estimular o Hadden a falar e cooperar.
Levamos o Jack Truitt com o Hadden
porque o Hadden n�o ia sem ele.
Existia uma liga��o entre aqueles dois.
A seguran�a nessa opera��o era fundamental,
porque n�o pod�amos ignorar que os dois homens
eram detentos condenados.
Ambos eram assassinos, ambos condenados.
Eles j� haviam matado.
Ent�o, ficamos, muito preocupados com a seguran�a
e com uma poss�vel vingan�a contra o Hadden Clark,
uma vez que a m�dia estava acompanhando.
Ele n�o era o cara mais amado do pa�s naquela �poca.
Eu tava meio feliz no in�cio
porque sabe, eu ia passar um tempinho fora da pris�o.
Uau.
T�nhamos uma regra.
Ningu�m podia portar uma arma no carro
com o Jack ou o Hadden dentro, s� pra garantir.
Eles colocaram o Hadden e o Jesus no carro comigo.
O Jesus no banco da frente, o Hadden atr�s, do meu lado.
Eu estava meio preocupada
por ter que me virar ali,
num carro com dois assassinos.
Eu era a mulher do grupo, era jovem.
Eu era nova no FBI
e sabia que o Hadden me via como o elo mais fraco.
Se algu�m fosse virar um alvo, essa pessoa seria eu.
No primeiro dia, passamos pelo menos doze horas no carro.
Sabe, n�o � f�cil falar com qualquer um durante tanto tempo,
muito menos com algu�m com a personalidade do Hadden.
Mas tentei manter uma conversa,
falei sobre s�ries antigas de TV que ele poderia ter assistido,
ou coisas que pod�amos ter em comum.
Por que gosta dos Waltons?
Eles eram a fam�lia perfeita.
Ela se passa na d�cada de quarenta.
Tem muitas coisas na s�rie
que me lembram da minha inf�ncia.
Ela lembra a sua inf�ncia, mas
voc� me disse que a sua fam�lia...
n�o foi boa durante a sua inf�ncia.
Ent�o, por qu�?
Os Waltons s�o uma fam�lia incr�vel, ent�o eu n�o entendo.
Olha...
eu n�o sei,
ela me lembra de algumas coisas.
T�.
� s� uma s�rie. Eu gostava de assistir.
Muita gente gosta de s�ries de terror, eu n�o gosto delas.
N�o assisto s�ries de terror.
Ele queria uma amiga,
algu�m com quem pudesse falar de roupas,
essas coisas, com ele.
A gente conversou sobre lojas, roupas, marcas, e
ficamos amigos.
E ent�o o Hadden come�ou a falar sobre uma mulher.
A Mulher das Dunas de Provincetown.
� um mist�rio que permanece frustrando e desafiando
os investigadores de Provincetown, em Massachusetts.
Quem � a chamada Mulher das Dunas?
E quem a matou?
O contorno do estado de Massachusetts
lembra um bra�o flexionado,
e Provincetown fica bem aqui.
O meu nome � Rick Nagle.
Eu investigava casos arquivados na pol�cia estadual de Massachusetts,
e participei da investiga��o da Mulher das Dunas.
No ver�o de 1974,
uma jovem que passeava com o cachorro numa praia de Cape Cod
encontrou o corpo de uma mulher.
Brutalmente assassinada, a v�tima estava quase decapitada,
nua enrolada em uma toalha de praia
e sem as m�os, que nunca foram encontradas.
Um dos seus antebra�os tinha sido cortado.
A outra m�o tamb�m foi cortada.
O cr�nio foi esmagado
e faltavam alguns dentes.
Esta � uma liga��o a cobrar de...
Hadden Clark.
Eu tava pescando naquela noite em East Point.
Estava subindo as dunas com o meu peixe,
quando vi algu�m.
E o que voc� encontrou?
Um corpo.
Eu n�o prestei muita aten��o nele.
Por que n�o?
Voc� viu uma pessoa que estava
morta e n�o prestou muita aten��o nisso?
N�o.
O corpo dela foi encontrado
do outro lado da rua onde o Hadden trabalhava,
o restaurante Moors.
Voc� trabalhou no restaurante Moors?
Isso mesmo.
Como estava a sua vida na �poca?
Ruim.
Hadden era um grande pescador.
Um pescador muito bom mesmo.
Ele contou que estava com uma vara de pescar.
E disse que puxou conversa com uma mulher.
Ela tinha quase
trinta anos, eu acho.
E uma hora pegou a vara
e esmagou a cabe�a da mulher com ela.
O relat�rio da aut�psia
concluiu que as mutila��es foram feitas ap�s a morte.
Mas a pancada no cr�nio foi a causa do �bito.
Essa � o local onde o corpo foi encontrado,
as dunas, ao lado da estrada.
� um lugar bonito,
mas se pensar no assassinato, � assustador.
Estamos aqui h� mais de trinta minutos
e ainda n�o vimos ningu�m passar.
Voc� pode gritar o quanto quiser aqui, e ningu�m vai ouvir.
"Ei! Socorro!
Ei, aqui.
Socorro!
Socorro, me ajudem, me ajudem.
Socorro, tem algu�m tentando me matar. Socorro!"
O que ouvimos?
Nada. � um bom lugar pra matar algu�m.
O Hadden disse pra todo mundo envolvido nesse caso
que ele tinha matado a Mulher das Dunas.
Ent�o, levamos ele pra Cape Cod, pra regi�o das dunas,
pra ele mostrar onde tinha matado a mulher e dar...
informa��es que n�o foram divulgadas,
pra confirmar que ele era o culpado.
Quando o corpo foi encontrado, n�o conseguiram identificar a mulher.
Era muito dif�cil.
Em 1974 n�o havia exame de DNA.
N�o havia muitas op��es.
Como as m�os dela foram cortadas,
n�o t�nhamos impress�es digitais.
O que fez com ela?
Eu vi um envelope,
no qual ele tinha desenhado uma m�o.
Os dedos tinham sido cortados,
colocados em anz�is e usados como isca.
Eu cortei as m�os dela. E pesquei.
Usei como isca de pesca.
� o tipo de humor dele.
Ele tava provocando a gente, sabe, instigando, dando pistas.
Ele desenhou m�os e ficava dizendo
que ia contar exatamente elas estavam.
Baseado no que o Hadden estava dizendo,
eu tinha certeza absoluta
de que o Hadden Clark tinha matado aquela mulher.
Quando chegamos em Wellfleet,
nos reunimos com a pol�cia local.
N�o d� pra imaginar o que � estar ao lado do Hadden Clark.
N�o � nada agrad�vel ficar perto dele.
� um ser humano terrivelmente perturbado.
Quando eu fiquei ao lado dele,
disse pra mim mesmo
que a coisa mais moralmente certa a fazer naquele momento...
seria colocar a minha arma na cabe�a dele e puxar o gatilho.
Ele n�o devia estar nesse planeta.
Em uma das viagens, durante o transporte,
n�s colocamos o Jack e o Hadden na penitenci�ria de Connecticut.
Como ambos eram assassinos condenados,
o lugar que eles iam ficar tinha que ser adequado
ao grau de periculosidade deles.
Eles n�o podiam ser colocados num pres�dio de seguran�a m�nima.
Eles precisavam estar num lugar de seguran�a m�xima.
Eles tinham que ser colocados
nas �reas e unidades onde estavam os piores entre os piores.
Acho que sei o que fiz com os corpos.
Eu gosto de ficar com os corpos.
Depois de interrogar o Hadden Clark,
conclu�mos que havia v�rios lugares
onde ele podia ter colocado os corpos.
Uma das possibilidades era enterrar os corpos
no mesmo cemit�rio em Connecticut onde o av� dele estava.
E o �ltimo local que visitar�amos seria a propriedade do av� dele,
um lugar onde ele se sentia confort�vel
e onde provavelmente ele havia enterrado a maioria dos corpos.
Por que voc� me disse:
"Voc� nunca me perguntou sobre as outras meninas?"
Eu basicamente tenho
todas essas informa��es escritas num di�rio
que t� num dep�sito subterr�neo em algum lugar em Cape Cod.
J� tentaram encontrar o local,
mas agora ele t� embaixo da terra.
Quantos anos de atividades foram escritos nesse di�rio?
Eu diria que pelo menos cinco anos.
Em cinco anos, muita coisa pode ser escrita em um di�rio.
E ningu�m achou esse di�rio?
Eu disse pra pol�cia como chegar l�, mas eles n�o encontraram.
Ele ainda deve estar l�.
Era quase como se ele estivesse
observando ratos de laborat�rio num labirinto.
Ele gostava de ver os investigadores
atendendo seus caprichos, indo atr�s do que ele dizia.
Acho que ele gostava
desse jogo de gato e rato.
O Hadden ficava dizendo que era a Kristen.
Era a Kristen que matava as pessoas,
por isso ele precisava ser a Kristen
pra nos levar pros locais onde as v�timas foram enterradas.
Ele quis usar roupas femininas
na casa do av�.
Ent�o, t�nhamos que comprar peruca,
suti�, sapatos, uma saia e uma an�gua,
e o nosso or�amento era apenas de cem d�lares.
A Kristen gostava de coisas caras,
roupas finas, coisas de grife.
Eu falei pra ele:
"Kristen, n�o posso comprar isso pra voc�,
mas vou fazer o m�ximo pra encontrar coisas legais."
N�s fomos a uma loja de roupas que estava aberta e a fechamos.
A� os outros agentes e investigadores
chegaram com as armas,
e levamos a Kristen e o Jesus.
Ambos estavam algemados.
Os funcion�rios devem ter ficado apavorados.
Eu achava que aquilo tudo era muito bizarro.
Vou lembrar desse dia pelo resto da minha vida.
N�s levamos ele vestido como mulher.
Ele tava com aquele sorrisinho no rosto, olhos arregalados.
Ele tava com a peruca, com roupas em tons terrosos.
N�o ficou parecendo nenhuma socialite,
mas ele ficou satisfeito.
Em parte ele estava exercendo controle sobre n�s.
Mas demos o que ele queria pra conseguirmos algo em troco.
Sa�mos do pres�dio do condado de Barnstable
pra levar o Hadden pra casa do av�.
Durante a viagem,
ele segurou um colar com um desenho num peda�o de papel�o.
O que � esse desenho?
� uma ora��o?
� Jesus.
Era um cart�o desse tamanho,
com Jesus de um lado,
e do outro tinha uma ora��o.
Por ser um artigo religioso,
n�o pod�amos tirar aquilo dele.
Eu estava no banco de tr�s do carro,
a Desiree estava sentada do outro lado do Hadden.
E eu percebi que ele estava
provocando um sangramento em si memo.
Ele tava arranhando um polegar com o outro,
e eu sabia que ele tinha dito que gostava de...
sangrar como uma mulher,
que era uma coisa que ele fazia quando ele matava algu�m,
recriava a cena.
E imaginei que ele queria sangrar
porque �amos pra umas das covas,
e que aquilo ia ser pra valer.
E eu sabia,
eu tenho um sexto sentido
pra perceber quando tem alguma coisa errada
e eu sabia que tinha alguma coisa errada no carro.
O Clark ficou maluco.
Ele come�ou a gemer e a gritar.
Os pelos da minha nuca ficaram arrepiados.
Ele gritava feito um louco. E n�o parava.
Eu tentei segurar as m�os dele pra ele parar.
Ele tentou me dar uma cabe�ada e me morder.
O Ed segurou a cabe�a dele.
Eu jamais vou me esquecer dos olhos arregalados, a cabe�a dele.
Ele se jogou assim, com os dentes amarelos, gritando.
Quando eu abri a porta do carro,
o Hadden tava muito agressivo,
tentando morder o pesco�o da agente
que estava no banco de tr�s com ele.
Segurei ele pela camisa e dei um soco na cara dele,
o mais forte que pude.
A �ltima coisa que eu queria era ter que atirar nele, ent�o
acalmei a situa��o usando de viol�ncia.
Mas foi muito bom, tenho que admitir.
Com isso tivemos que fazer um desvio e ir at� uma delegacia.
Foi quando o Jack Truitt disse que tinha que contar uma coisa.
Eu disse pro Lou
que eu achava que ele tinha uma arma
escondida no colar.
"Ele tem uma gilete escondida e vai te cortar com ela."
Eles pegaram o cart�o com ele.
E quando abriram, tinha uma l�mina de barbear escondida l� dentro.
Talvez ele estivesse planejando me cortar,
quando estava se contorcendo no banco de tr�s.
Voc� teve medo pela sua seguran�a?
N�o.
N�o. Se ele tivesse conseguido pegar a l�mina,
eu a tiraria dele, educadamente.
Hadden Clark diz ter enterrado algumas de suas v�timas
no local onde o av� morava.
Mas, a pol�cia n�o sabe se o assassino em s�rie confesso
est� contando toda a verdade.
Um homem estranho que colocou uma peruca
e insistiu em trazer um colega de pris�o com ele.
Antes de sairmos,
falei bem tranquilamente no ouvido dele.
Eu disse que se acontecesse qualquer coisa fora do comum,
se eu suspeitasse por um segundo que ele ia tentar fugir,
a minha primeira bala
ia atingir o ouvido com o qual ele tava me escutando.
Entendido?
E o Jack olhou pra mim, eu lembro
que ele tava mexendo na barba, e disse:
"Pode deixar, cara. Voc� n�o vai ter nenhum problema."
Era um lugar bonito.
Uma casa antiga,
cheia de flores,
que ficava no alto de um morro
perto da estrada.
O que deixava o lugar t�o incr�vel era que
quando atravess�vamos o bosque pro outro lado do vale,
cheg�vamos...
numa �rea protegida.
Ent�o, dava pra andar por quil�metros em qualquer dire��o.
E quando voc� � crian�a,
n�o tem nada melhor do que ter
uma floresta � disposi��o pra passear.
Quer�amos ver...
se ele conseguia mostrar
a localiza��o de algum corpo enterrado ali.
Quando come�amos a andar,
parecia que ele estava passeando.
Ele queria ver aquele lugar de novo,
ele queria estar ali.
Acho que foi especial pra ele,
porque foi um lugar onde ele brincava na inf�ncia.
Eu entendia por que ele gostava dali.
Eu vivia com os meus av�s.
E ia pro meio do bosque brincar.
Eu gostava do bosque.
Porque gostava de ficar sozinho.
A gente tava andando pelo bosque,
e...
ele disse que se conseguisse se orientar,
tinha certeza que podia encontrar o corpo dela.
Ap�s algumas horas, ficou claro que ele estava
revivendo suas fantasias e estava gostando de voltar ali.
Foi quando decidi conversar com ele
e disse que ele precisava ser objetivo
e se concentrar no que foi fazer l�.
A� ele me olhou e disse:
"Eu vou comer os seus filhos."
Ele tava adorando.
Ele tava andando no meio do bosque.
E eu pensei:
"Mas que diabos � isso"?
Depois de tudo aquilo, e eu pensei:
"T� bom.
Vou matar esse cara."
O Jack falou que tinha uma ideia.
E ele ficou olhando pro meu quadril.
A� ele disse...
Deixa eu atirar nele e botar um fim nisso.
Voc� s� precisa dizer
que o Hadden tentou pegar a sua arma,
eu tirei a arma dele
e atirei na cabe�a dele.
E pronto.
Ele me disse que:
entendia o que eu estava dizendo
e o que eu tava sentindo,
mas que ningu�m ali ia concordar com aquilo.
Nunca teria feito algo assim.
Seria ultrapassar um limite...
e eu seria t�o ruim quanto o Hadden.
Em certo momento, quando voltamos pra perto da casa do av�,
o Hadden ficou muito agitado.
Quando est�vamos na casa do av�,
ele nos levou at� um local onde
ficava uma constru��o que era uma
esp�cie de varanda fechada que ficava separada da casa,
chamada Wiki-up.
Eu nunca tinha ouvido aquela palavra,
� um termo ind�gena americano pra abrigo.
Ele me contou que quando era crian�a,
�s vezes dormia ali.
Eu conseguia imaginar.
Era uma cabaninha onde ele brincava.
E ele disse que tinha enterrado ali a menina
que tirou do cemit�rio.
Foi por isso que quando decidimos escavar,
escolhemos aquele local.
� um trabalho muito cuidadoso, detalhado
e lento,
cada p� de terra retirada do ch�o
precisa ser examinada com calma
e depois peneirada.
Procuramos qualquer coisa, de
roupas e joias a ossos e dentes.
N�s escavamos uma �rea bem grande, e cavamos fundo.
Levou um bom tempo,
mas n�o encontramos nada.
Ele n�o conseguia apontar um local exato,
se � que havia alguma coisa enterrada ali.
N�o sabemos.
Ele tamb�m n�o sabia dizer onde a Michele estava.
Mesmo quando est�vamos na mata,
a cinco metros de onde tinha enterrado a Michele,
ele n�o reconheceu o local.
N�o encontramos nada
e ficamos muito frustrados com o Hadden.
E ent�o o Jack disse que precisava de um minuto com ele.
Eu sabia que o Jesus tava frustrado.
O Hadden disse que tinha um corpo enterrado ali,
com certeza, mas n�o encontramos nada.
Ele me fez chegar num ponto em que
eu n�o conseguia mais pensar em nada,
a n�o ser que ele...
n�o devia continuar nesse planeta.
Segurei ele pela garganta
e levantei ele do ch�o.
Ele ficou azul.
Quando ouvi a voz do Lou:
"Para com isso, cara, solta",
eu percebi o que tava acontecendo,
e soltei ele.
Quando n�o encontramos nada,
perguntamos onde estavam as coisas que ele prometeu mostrar.
E ele meio que se fechou.
Em seguida ele disse que talvez
estiv�ssemos no lugar errado.
Na estrada, e durante os interrogat�rios que fizemos na
penitenci�ria de Cumberland,
o Hadden Clark nos deu informa��es bem espec�ficas
sobre a Sarah Pryor,
que s� ele poderia saber.
Nos reunimos com a pol�cia estadual de Massachusetts,
e quando avisamos que
est�vamos trabalhando com o crime de Cape Cod,
eles disseram
que j� tinham prendido um suspeito
e consideravam o caso resolvido.
Cerca de um m�s depois do desaparecimento da Sarah,
houve uma tentativa de sequestro n�o muito longe de Wayland.
Mas a mulher conseguiu escapar.
O nome do suspeito era John Whirty.
A pol�cia de Massachusetts
sempre achou que
o John Whirty tinha raptado e matado a Sarah Pryor.
Eu nunca pude olhar o arquivo do caso deles,
n�o sei por qu�.
Hadden, fala s�rio.
O que quer dizer com fala s�rio, cara?
Fala s�rio, cara. Fala s�rio.
T� querendo dizer que fez uma coisa que n�o fez, � isso?
�?
T� legal. Eu n�o fiz.
Voc� � muito previs�vel.
N�o fui eu, t� bom.
Por que voc� t� aqui?
� mais f�cil dizer que eu n�o fiz isso.
Por qu�?
Porque assim � mais f�cil.
N�o fui eu.
Pra quem � mais f�cil?
Pra voc� e pra mim.
T�. T� bom.
Eu n�o tenho a menor d�vida
de que o Hadden Clark matou a Sarah Pryor.
Nenhuma d�vida.
Se eu acho que ele matou a Sarah Pryor,
s� porque ele me contou?
Eu conhe�o os fatos.
Se eu tenho certeza?
N�o.
� uma daquelas coisas que s� d� pra ir at� certo ponto.
Se voc� para a busca aqui,
como sabe se o que procura n�o t� meio metro pra l�?
N�o sabemos.
N�o podemos cavar todo o Cape Cod.
Essas coisas s�o caras.
A investiga��o terminou.
Eu considero o Hadden Clark um assassino em s�rie.
Nunca foi confirmado que o Hadden matou mais algu�m,
al�m da Michele Dorr e da Laura Houghteling.
Mas eu acredito,
pelo modo como ele matou a Michele
e depois limpou o local,
que ele j� tinha matado algu�m
antes daquilo.
Havia uma possibilidade, segundo o que ele dizia.
Mas nada do que ele disse p�de ser confirmado.
Eu nunca deixo ningu�m saber o que eu t� pensando.
� como um jogo de xadrez.
�s vezes,
pra ganhar do advers�rio,
voc� precisa fazer uma armadilha.
Ele pode pensar que vai comer uma pe�a sua,
uma pe�a boa.
Voc� deixou aquela pe�a l� pra ser comida, mas...
� um erro.
Tenho certeza de que ele se divertiu muito,
levando aqueles policiais todos pra onde ele queria,
pras cidades que ele quis ir,
pra procurar corpos.
Sei que ele se divertiu muito com isso.
Porque se eu coloco uma ponta de incerteza na sua cabe�a,
posso brincar com voc�.
E o Hadden sempre gostou disso.
Apenas pela satisfa��o de ser um cretino.
Quando foi levado de volta pro pres�dio, ele me disse:
"Ed, desculpa pelos problemas que causei",
ou algo assim.
Mas ele nunca demostrou remorso.
Temos algumas coisas pra falar primeiro.
Na �poca,
ele pode ter achado que eu era seu �nico amigo.
Por mais que eu n�o gostasse dele.
Levanta. Levanta, cara. Vamos l�.
� dif�cil ser legal com um cara como ele.
Mas... eu fui.
N�o no in�cio, mas no fim.
Quando voltamos,
eu fui transferido pra outra cela,
longe do Hadden.
Foi como se tirassem
um peso dos meus ombros.
Eu tava muito feliz em ficar longe dele,
n�o queria nunca mais ver o cara na vida.
Eu sempre senti falta de estar na sociedade.
Eu ficava olhando pela janela pensando coisas como:
"Cara...
ser� que um dia vou voltar
pro mundo l� fora?
Ser� que vou ter essa oportunidade outra vez?"
Claro...
que eu sempre achava que n�o,
que eu nunca mais ia sair dali.
A cada tr�s, cinco anos,
tinha uma audi�ncia de liberdade condicional.
Ela era r�pida.
Eles diziam que depois me dariam uma resposta.
E ela era sempre "n�o."
A perspectiva do Jack sair da pris�o n�o era muito boa.
Ele pegou perp�tua.
A pol�tica do governador da �poca
� que nenhum preso condenado � pris�o perp�tua
devia receber liberdade condicional.
Ent�o eu conversei com o Davis Ruark.
O Joe Gamble � uma pessoa muito interessante.
� o melhor investigador de homic�dios
com quem trabalhei na minha carreira.
O Joe ficou muito impressionado com o Jack.
O Joe ficou impressionado com a sinceridade do Jack.
O Jack Truitt foi essencial
na recupera��o do corpo da Michele Dorr.
Ele teve a coragem,
dada a sua situa��o na pris�o,
de contar isso pra pol�cia.
Achei que ele tinha sido condenado muito tempo atr�s,
que ele tinha amadurecido
e que n�o representava nenhum risco pra sociedade.
O Joe queria que eu encontrasse alguma forma
de reduzir a senten�a do Jack.
Isso me deixava numa situa��o dif�cil.
O Jack Truitt tinha sido condenado por assassinar algu�m.
Por outro lado, o investigador de homic�dios
que eu mais respeitava
me dizia que aquele homem merecia
uma considera��o especial.
Ent�o, havia um conflito na situa��o.
O Davis Ruark decidiu
procurar um juiz que pudesse reavaliar
a pena de pris�o perp�tua do Jack,
e dar uma senten�a com um n�mero fixo de anos,
permitindo que ele pudesse estar
apto a conseguir a liberdade condicional.
Isso levou ele a
uma audi�ncia com um juiz.
Quando eu fiquei de frente pro juiz, eu estava nervoso.
N�o dava pra imaginar o que podia acontecer.
Todo mundo que foi at� l� pra falar ao meu favor,
se levantou e falou.
Eles queriam que eu falasse na audi�ncia
tudo aquilo que eu tinha pra dizer,
mas era muita coisa e eu n�o sabia o que falar.
Por isso eu s� conseguia chorar.
Foi isso que eu fiz na audi�ncia.
N�o consegui falar.
Quando o juiz voltou,
ele disse que tinha tomado uma decis�o.
Ele revogou a minha pena de pris�o perp�tua
e me deu cinquenta anos de pris�o.
S� se cumpre metade da pena no estado de Maryland, ent�o...
quem � condenado a cinquenta anos,
cumpre s� vinte e cinco.
Eu j� tinha cumprido trinta e seis anos na �poca,
ent�o sabia que ia voltar pra casa.
O que eu posso dizer?
Foi o melhor dia da minha vida.
Foi maravilhoso, cara.
Foi como se
eu tivesse sido aben�oado,
e eu n�o ia fazer nada pra estragar isso.
Simples assim.
No dia em que eu fui solto,
eu tava saindo do pres�dio
e vi a Jackie do outro lado da grade.
Eles ainda n�o tinham aberto o port�o,
mas ela j� estava l�.
Eu perguntei se ela tava pronta pra isso.
Ela perguntou se eu tava pronto pra sair.
Eu disse: "Com toda certeza."
Ele atravessou os port�es
e foi quase como conhecer uma pessoa nova.
N�s fomos pra casa.
Achei a casa imensa.
Eu tava acostumado a abrir os bra�os assim
e tocar numa parede e na outra.
Quando o Jack saiu,
parecia uma crian�a numa loja de doces.
Ele ficou t�o interessado em como tudo havia mudado.
Mas depois ele ficou bravo com tudo que tinha mudado.
Ele ficou bravo porque...
n�o era mais o mesmo homem que foi pra pris�o.
Aquele homem continua dentro dele,
mas n�o pode fazer as mesmas coisas que antes.
O Jack cumpriu sua pena
e pagou um pre�o alto
pelo crime pelo qual foi condenado.
Mas ele fez um grande sacrif�cio,
correu um grande risco pessoal e fez a coisa certa,
levando o corpo da Michele Dorr pra casa.
Eu me sinto bem
com o que fizemos.
Eu pude levar paz
praquela fam�lia.
Eu nunca odiei nada na minha vida.
Mas odeio ele demais.
Tem mais alguma coisa que voc� quer dizer?
N�o.
N�o quero mais saber dele.
�...
� bom ver minha filha novamente assim.
Sorrindo e vivendo.
Se n�o fosse pelo Hadden Clark, ela estaria aqui.
� melhor parar.
� terr�vel pensar na mente doente,
insana, maligna e horr�vel desse homem.
Em como as a��es dele
afetaram a vida de tantas pessoas
e nos mandaram por caminhos que n�o dever�amos ter percorrido.
Eu nunca pensei muito em por que ele fez isso.
Qual era a motiva��o?
Porque n�o seria justo com a Laura,
ela merece todo o espa�o do meu c�rebro.
�s vezes, eu penso com quem ela teria se casado,
onde estaria vivendo.
E se ela teria filhos com a mesma idade dos meus.
Eu penso nela o tempo todo.
Tenho receio dele sair.
�s vezes, procuro seu nome no sistema,
pra saber onde ele est�.
Sabemos que se ele sair da pris�o,
vai matar novamente.
Ningu�m estar� seguro.
Ele � um esquizofr�nico paranoico, e claramente perigoso.
Ele � muito astuto, manipulador.
Ele sabe como agir normalmente
e fingir na frente de outras pessoas.
Ele matou uma menina de seis anos, num impulso,
s� porque teve a oportunidade e estava bravo.
Ent�o, seria muito preocupante se ele fosse solto.
Ningu�m pode obrig�-lo a tomar medicamentos.
N�o d� pra controlar isso.
Se o Hadden sa�sse da pris�o, acho que voltaria a matar.
N�o acho que ele consegue se segurar.
Quando tem algu�m no caminho,
o instinto dele � atacar.
A minha esperan�a � que qualquer comiss�o
que julgue os pedidos de liberdade condicional dele
fa�a a coisa certa,
e que o Hadden jamais seja solto,
mesmo quando estiver muito velho.
Se for preciso, vou ser o primeiro a escrever uma carta
pra comiss�o de avalia��o argumentando contra,
porque esse cara � irrecuper�vel, sabe?
Com certeza ele mataria outra vez.
N�o tenho d�vidas.
Ele me disse pessoalmente
que se um dia sa�sse da pris�o,
primeiro ia matar todos os desafetos,
e depois voltaria a fazer o de sempre.
Assim que ele sair,
vamos ter que ir atr�s dele e acabar com ele.
Vamos mat�-lo.
Eu quero saber o que voc� vai fazer.
O que voc� t� pensando em fazer com as nossas conversas?
N�o sei. Eu ainda n�o sei.
O que voc� mudaria na sua vida,
se pudesse voltar no tempo?
Tem algumas coisas que eu n�o mudaria,
mas acho que algumas das coisas ruins que eu fiz,
os assassinatos,
o que eu fiz foi errado, eu sei disso.
Voc� n�o me perguntou sobre a Doreen Vincent, a Mary Mount.
Nem a Bonnie Beckett, ou a Kate Wilder.
Como assim?
Michele Dorr, Silver Spring, Maryland.
Laura Houghteling, Bethesda, Maryland.
Doreen Vincent, Wallingford, Connecticut.
Mary Mount, New Canaan, Connecticut.
Sarah Pryor, Wayland, Massachusetts.
Bonnie Beckett, Kate Wilder, Brooklyn, Nova York.
Como conhece esses nomes e sabe de onde elas s�o?
Eu morei nesses lugares.
Eu viajei por todo o pa�s.
Eu me lembro de algumas coisas porque eu tava por perto.
Hadden, quem s�o essas mulheres que mencionou agora?
Esses nomes, quem s�o?
Como voc� sabe disso?
Espera um pouco, tem algu�m aqui.
Olha, eu preciso desligar.
O "Mal na sua Ess�ncia" explora o lado sombrio da humanidade.
Ao longo dessa jornada,
citamos poss�veis casos sem solu��o atribu�dos a Hadden Clark.
A nossa esperan�a � ajudar outras fam�lias
a ter um desfecho e encontrar a paz.
O FBI estabeleceu:
Uma linha do tempo e "locais de interesse" de Hadden:
Em agosto de 2022,
a "Mulher das Dunas" foi identificada como Ruth Marie Terry.
Um ano depois, o marido dela, Guy Muldavin,
foi considerado o principal suspeito,
apesar de Hadden ter confessado o assassinato.
Na confiss�o, Hadden disse:
"Eu poderia ter contado o nome dela � pol�cia,
mas depois que eles me espancaram,
resolvi n�o falar nada."
O di�rio detalhado de Hadden, escondido no "dep�sito" de seu av�,
nunca foi encontrado...
Hadden Clark j� tem direito a pedir liberdade condicional.
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