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Nos Anos 90, a Geração X entra na idade adulta
e enfrenta uma crise de identidade.
O início dos Anos 90 parecia ser uma era onde o tempo parara.
Mas prepara-se uma revolução.
E, de repente, temos um Starbucks em quase todas as esquinas.
Os amigos passam a ser a nova família.
Meu Deus.
A nossa missão era tentar fazermo-nos rir uns aos outros.
Há lá melhor lugar para trabalhar?
Um poeta improvável cria um hino para uma geração.
Achei que o Kurt Cobain era dos melhores deles todos.
E um visionário regressa do deserto.
Não percebi que ele ia mudar o mundo.
Não me interessa ter razão, só me importo com o êxito.
Os Anos 90 ligaram-nos a um modo de vida totalmente novo.
É o início dos Anos 90
e, se os baby boomers viviam na via rápida,
os filhos deles, a Geração X, querem uma pausa,
porque nesta década só se quer descontrair.
E há um lugar que se está rapidamente a tornar a nova Meca dos Anos 90.
A minha bebida no Starbucks é o cappuccino.
Meu Deus! Um expresso com muito pouco leite.
Venti, London Fog, com leite de amêndoa.
Latte grande. Com leite gordo, amigo!
Eu bebo café frio com metade natas e metade leite.
Sem açúcar. Um bocado chato.
A Starbucks explode ao longo dos Anos 90.
De repente, esta é a última novidade,
é onde as pessoas querem passar o seu tempo livre.
Mas muito antes da Starbucks surgir,
a América não fazia ideia de como gostava do seu café.
Quando eu era pequena, o café era uma coisa ignóbil
que se bebia num restaurante barato.
Era aquele horrível café de saco,
e sabia a queimado, por ter estado ali
o dia inteiro.
Foi uma viagem a Itália que inspirou um homem de negócios
a criar uma tendência que mudaria para sempre a América.
Howard Schultz viaja até Itália e repara que eles têm
uns bares de expresso incríveis e quer trazê-los para os EUA.
O café saiu do restaurante barato tradicional
e tornou-se um produto que marca um estilo de vida.
Já não era o copo de 35 cêntimos
no restaurantezeco.
De repente, era um lugar para encontros com amigos, para conviver.
Não tarda muito, a Starbucks embala o café e ganha imenso dinheiro.
A empresa sediada em Seattle tem mais de 2300 lojas em 13 países
e controla quase 30% do mercado da venda a retalho do café gourmet
nos Estados Unidos.
No final dos Anos 90, a Starbucks abre uma nova loja por dia.
A Starbucks tornou-se um império tão grande
porque captou um momento cultural
em que a cultura do café
começou a mudar a forma como as pessoas viam o mundo.
Em breve, até as estrelas pagam por uma dose diária...
...quando a Starbucks se torna a nova casa longe de casa para toda uma geração.
Pensando na Geração X, em toda essa cultura do café,
de repente, onde é que passam os tempos livres?
Quando não estão em casa nem no trabalho, para onde vão?
É o que os sociólogos denominam "terceiro lugar,"
onde se pode ir para se ter interação social
com alguém, num lugar público.
E trata-se de uma cadeia de venda a retalho
que está a ser conduzida pela forma como uma geração a usa.
Mas numa cidade, o novo estilo descontraído da Geração X
trouxe uma mudança radical à paisagem cultural.
Todo este progresso teve um efeito muito sinistro.
Nova Iorque está a tornar-se agradável.
De súbito, nos Anos 90 olhamos em volta
e: "Eles estão a beber café sentados em sofás!"
Víamos um lugar assim e pensávamos: "Parece ser agradável."
Alguém quer mais café?
Fizeste-o ou estás só a servi-lo?
- Estou só a servi-lo. - Sim, tomo uma chávena.
Não sei se Friends inspirou a Geração X
a abancar no café, ou se o terá antes legitimado.
O Joey tinha um amigo imaginário na infância. Chamava-se...
- Maurice! - Certo. Ele era...
-Cowboy espacial! - Certo!
O que é que o Chandler Bing faz?
Friends baseava-se na realidade. Bem, de certa forma.
Os seis personagens de Friends não se baseiam literalmente
- em nós ou num conhecido nosso. - Aspetos de nós.
Sim, nuances...
Aquele macaco tem um Ross no rabo!
Surgiu de algo real.
O apartamento de Nova Iorque é que não era real.
Recebemos imensos ataques por causa dos apartamentos
e do tamanho deles, e se aquelas pessoas os podiam pagar.
E eu dizia sempre que eram mais baratos, porque não havia quarta parede.
Se o nosso apartamento não tivesse uma quarta parede
e se perdesse todo o anonimato, seria acessível.
Friends também era impulsionado pelas experiências dos atores,
e nenhum pormenor era ignorado.
- Quem temos aqui? - Homem de vinte anos.
Tem um dedo do pé direito amputado.
Na vida real, não tenho a ponta do dedo da mão,
e acho que eles queriam fazer algo acerca disso
e eu disse: "Pode ser uma característica minha,"
então, eles mudaram para um dedo do pé.
Quem trouxe uma cenoura?
- O quê? - Não é o dedo do pé.
Isto é um bocado de cenoura muito pequeno e frio.
Sim, foi divertido.
O conceito da série é que os nossos amigos são a nossa família
e, em muitos casos, isso era mesmo assim, nos Anos 90.
Em que parte do corpo é que a Monica enfiou um lápis aos 14 anos?
Não!
No ouvido!
Se os Anos 90 tinham sido muito sobre andar com os amigos,
outro líder cultural cria novas tendências...
quando a banda grunge Nivana conquista o mundo.
O Kurt está absolutamente desesperado por ser a maior estrela rock do mundo.
Estamos em 1991
e Seattle torna-se rapidamente o centro da cultura em voga nos Anos 90,
porque a cidade que nos trouxe o venti mocca
está prestes a ser tomada por um roqueiro exaltado!
Havia uma verdadeira sensação, no início dos Anos 90,
de que entráramos, de algum modo, numa era
em que o tempo parecia ter parado.
Estávamos à espera do próximo acontecimento
que definisse a nova década.
Os Nirvana eram recentes e, de repente, aquilo explodiu!
Vem tal como és, como eras
Como quero que sejas
Como amiga...
O êxito dos Nirvana "Come As You Are" torna-se rapidamente
o hino angustiado dos adolescentes dos Anos 90.
E Kurt Cobain e Courtney Love são o rei e a rainha do grunge
mudando a imagem da Geração X.
Chamavam-nos muito "a voz de uma geração".
Ele devia ficar empolgado com isso. Eu ficaria.
Quero dizer a todos nesta sala que a Courtney Love,
a vocalista do sensacional grupo pop Hole,
é a melhor... do mundo.
Foi um elogio que me fizeram várias vezes, e eu pensava...
O que terei feito de diferente?
O novo poeta da década até transforma um anúncio de desodorizante
em algo profundo.
Espírito adolescente
Quanto mais brincas, mais duro é. Espírito adolescente.
Com as luzes apagadas é menos perigoso
Aqui estamos, entretém-nos
De repente, para um adolescente, aquilo parecia uma década a sério.
Os Anos 80 tinham acabado.
Entretém-nos, um mulato...
Adorei o grunge.
Adorei que as pessoas voltassem a representar...
Para mim, o Kurt Cobain foi um dos maiores de todos.
"Smells Like Teen Spirit" fica em 9.o lugar no Top 500 da Rolling Stone.
"Nevermind" vende 30 milhões de cópias no mundo inteiro.
Não eram só os miúdos brancos que eram grunge,
eram miúdos negros como eu que eram hip-hop.
Identificávamo-nos com ele porque havia uma rebeldia.
E o que eu adorava no Kurt não eram só as suas canções incríveis
e a maneira como ele as apresentava,
mas ele era anticelebridade, era antifama.
Encaramos a nossa música como liberdade musical.
Ele defendia algo
e defender algo era muito importante.
Não, não vamos tolerar a homofobia.
Chega de tretas machistas... Sim, somos feministas.
Está muito preocupado com o sexismo.
Como chama a atenção das pessoas para o problema?
Escrevendo canções tão contundentes como Rape Me.
Insatisfeito com o brilho da ribalta, Kurt começa a enfurecer-se contra ela.
Vocês foram mesmo... simpáticos.
Sou teimoso demais para me permitir comprometer a nossa música,
ou transformar-nos em grandes estrelas rock.
Não me sinto assim.
Mas por trás do mito há uma história bem diferente.
Ele estava sedento.
Escreveu para todas as agências discográficas, grandes ou pequenas:
"Nós pagamos. Deixem-nos ficar na vossa agência."
Estava absolutamente desesperado por ser a maior estrela do rock mundial.
Mas fez parecer que isso lhe fora imposto.
O primeiro par do grunge, ou "Kurtney," como lhes chamaram os media,
torna-se uma novela do rock and roll.
Quando um artigo da "Vanity Fair" pôs a mulher dele a gabar-se
do consumo de heroína na gravidez, Love alegou ter sido um erro de citação.
O artigo da Vanity Fair foi publicado na semana em que Frances Cobain nasceu,
e foi extremamente prejudicial para a reputação de Courtney.
E dizia que ela injetara heroína sabendo que estava grávida.
Fomos perseguidos pelo Departamento de Serviços das Crianças.
Fomos perseguidos e tivemos de sair de Los Angeles.
Posso ameaçar processar,
mas podia gastar todo o dinheiro que ganhei no ano passado
a lutar contra o artigo da Vanity Fair,
e eles ganharem, têm mais dinheiro.
Sob uma enorme pressão, Kurt começa a autodestruir-se.
Quanto mais bem sucedidos se tornavam os Nirvana,
mais o Kurt começou a virar-se para dentro.
Era um sujeito perturbado, que tivera uma má infância,
e extremamente sensível.
O êxito ampliou toda a sua
depressão, patologia, tristeza e demónios
e, muitas vezes, ele odiava o que tinha criado.
Sabíamos desde o princípio que ele estava condenado.
Kurt Cobain, o vocalista
Dos Nirvana, a banda rock imensamente popular, morreu.
Aparentemente, suicidou-se aos 27 anos.
Milhares participaram numa cerimónia fúnebre em Seattle,
onde os fãs passaram uma gravação de Courtney a ler o bilhete de suicídio
"A verdade é que não posso enganar-vos, nenhum de vocês,
"Isso não é justo para vocês nem para mim.
"O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas fingindo
"e dando a ideia de que me estou a divertir a 100%."
Não me arrependo particularmente, mas não era propriamente
a Jackie Onassis e o John-John a despedirem-se do JFK.
A nota termina com uma citação de Neil Young:
"É melhor arder do que desaparecer."
E, com essas palavras, Kurt Cobain sai da realidade e torna-se uma lenda do rock.
Poderíamos mesmo dizer que foi a última grande estrela do rock
antes de todo o modelo económico, financeiro e político
da música moderna implodir.
Com São Cobain no panteão,
um novo tipo de messias está prestes a ajudar a Geração X
a sair da escuridão,
com uma segunda vinda que irá mudar o nosso modo de vida.
Falam do regresso de Jobs,
como se fosse algo saído do Antigo Testamento.
Obrigado.
Estamos em meados dos Anos 90 e uma nova luminária californiana irá mostrar
a luz à Geração X com o filme mais radical da década,
e todo o seu futuro depende do seu êxito.
Um amigo disse-me
que as histórias de êxito rápido demoram muito.
Olá, sou o Steve Jobs.
Esta história começa dez anos antes,
quando Steve Jobs foi expulso sem cerimónias da Apple,
a empresa cofundada por ele,
após um confronto na sala de reuniões com o CEO John Sculley.
Foi uma das experiências mais difíceis
pelas quais já passei na vida.
Muita gente ficou chocada, porque nunca ninguém pensou
que houvesse um confronto entre o Steve e eu, que...
em que ele não saísse vencedor.
O Steve ficou tão abalado. Ele não chorou à minha frente,
mas ficou tão em baixo.
Sentia que a sua missão na vida era desenvolver computadores
e que não ia poder fazer isso na Apple.
Trata-se da empresa que ele criou na garagem dos pais.
Era um tipo que tinha feito tudo, fora o criador do produto
e, de repente, diziam: "Não podes gerir a tua empresa."
Mas isso eram os Anos 80.
Agora são os Anos 90, e Jobs encontrou outro amor,
investindo numa start-up em dificuldades chamada Pixar.
A Pixar era uma empresa tecnológica.
Vendiam sistemas muito complexos, dedicados à animação digital,
que requeriam computadores muito grandes.
Começaram a fazer filmes como forma de exibir a sua tecnologia.
Em 1995, a nova empresa de Jobs tem uma pequena festa de revelação
chamada Toy Story.
Até ao infinito e mais além!
Com o lançamento iminente do filme, a aventura de Jobs
está prestes a chegar ao auge.
O filme é um grande êxito,
e a Pixar torna-se logo uma marca fiável no entretenimento.
O "Toy Story" foi revolucionário porque era divertido,
e era aquela nova tecnologia que não desanimava.
Não era fria, não nos fazia sentir distantes
da ação nem das pessoas.
Toy Story também transforma radicalmente a sorte do seu principal investidor.
Um rapaz gerado por computador e os seus brinquedos
tornaram o seu dono de carne e osso um homem muito rico,
Steven Jobs tem 40 anos e, de um dia para o outro, tornou-se bilionário.
Sim, durão?
Uma semana após a estreia de "Toy Story",
o investimento de 10 milhões de Jobs vale 1,2 mil milhões.
Aqueles anos no deserto que passou fora da Apple
ajudaram-no mesmo a aprender a ser mais artístico,
e a trabalhar melhor em equipa.
O êxito de "Toy Story" pode ter reinicializado o encanto de Jobs...
...mas ele ainda está de luto pela Apple.
A Apple hoje está a morrer.
A Apple está a ter uma morte muito dolorosa.
É lamentável, e não acho que seja reversível nesta altura.
Desde a partida de Steve Jobs da sua amada Apple,
Bill Gates da Microsoft tem dominado o mundo dos computadores.
Os produtos da Apple deixaram de ter imaginação.
A empresa estava meio inflacionada e sem orientação.
A Apple tem outros problemas. Faltas de peças-chave, encomendas não supridas,
caos na administração.
Havia uma sensação, na Apple,
mas também fora dela: "Quem somos nós?"
"O que fazemos aqui? Qual é o objetivo?"
Agosto de 1997. É a Macworld Expo.
Mas, com uma dívida de mil milhões;
a Apple está tão mal, que está a 90 dias de ser esmagada.
A Apple precisava dele, mas Steve Jobs estava a dirigir
um incrível estúdio cinematográfico inovador na Pixar.
Mas nunca se esquece o primeiro amor.
E, ao fim de 12 anos, o filho pródigo regressa a casa.
Falam do regresso de Jobs como se fosse algo saído do Antigo Testamento.
Foi uma grande excitação e energia.
Foi um momento de grande emoção.
A ressurreição da Apple não seria fácil,
mas o seu salvador tinha um novo plano radical.
Temos de largar a ideia de que, para a Apple ganhar, a Microsoft tem de perder.
Tenho hoje aqui um convidado especial, via transmissão por satélite.
BILL GATES Fundador da Microsoft
Bom dia.
Bill decidiu enviar à Apple um salva-vidas,
de facto, para impedir que se afogassem.
A Microsoft, baseada em Seattle, investe 150 milhões na Apple.
Ninguém exceto o Steve Jobs podia ter conseguido
este negócio com a Microsoft, para investirem na Apple,
que era, claro, sua arqui-inimiga e rival há anos.
Deram à Apple algum alívio financeiro,
e isso também nos deu a hipótese de fazer o que tínhamos a fazer.
Mas há algumas desvantagens em trabalhar com um salvador.
Na sede da Apple, a pior coisa possível
era ser apanhado no elevador com o Steve.
Pois ele fazia-nos uma pergunta,
e, se não déssemos uma boa resposta, podíamos perder o emprego.
Muitas vezes, ele era muito mais bera do que o necessário.
Era mais conveniente usar a escada.
Não me interessa ter razão.
Só me interessa o êxito.
O Steve Jobs seguia a filosofia de Henry Ford de:
"Se perguntássemos, as pessoas diriam querer cavalos mais rápidos."
Ele acreditava que as pessoas só saberiam o que queriam quando ele o mostrasse.
Com a ajuda do investimento da Microsoft, Jobs larga uma bomba cor de rebuçado.
Este é o iMac.
Quase se ouvia o sobressalto na sala.
É tipo: "Meu Deus, olha para aquilo!"
Parece vindo de outro planeta. E de um planeta bom!
O que é aquilo?
A traseira disto é mais bonita do que a frente do outro, aliás.
Lembro-me de pensar:
"Em termos estéticos, é a coisa mais fixe que já vi."
O iMac da Apple é uma maravilha de simplicidade.
Os clientes podem levar um iMac para casa,
abrir a caixa e estar na Internet em menos de dez minutos.
O iMac duplica a quota global do mercado da Apple.
Muito impressionante.
Vendem 800 mil iMacs em 139 dias.
A ressurreição da Apple é vista
como uma das maiores reviravoltas comerciais da história.
O Steve Jobs voltou
e, obviamente, renovou a empresa de uma maneira espetacular.
Mas não me apercebi de que ele ia mudar o mundo.
Nos dez anos seguintes, com as suas atraentes maravilhas sem fios,
Steve Jobs vai munir a geração amante do grunge e frequentadora de cafés
com as ferramentas do futuro.
Parecia que a vida tinha explodido,
e podia-se estar sempre em comunicação.
Essas ferramentas mudavam a nossa vida
e, sempre que as ligávamos, dizíamos:
"Sim, foi disto que sempre precisei e nunca soube!"
Obrigado, Steve Jobs!
Legendas: Maria Júdice
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