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Nos anos 90, a verdade andava por aí. E era bem estranha.
Podemos confiar no Governo?
Podem ter sido os extraterrestres.
- Chega de mentiras! - OVNI! As pessoas têm o direito de saber!
Conspirações negras inundam o grande público.
De repente, os americanos começaram a ver todo o tipo de conspirações à sua volta.
É profecia!
Alguém é o Filho de Deus.
E transformam-se em atos de terror interno.
Nunca pensei que ele pudesse cometer um ato tão hediondo
sobre outros americanos.
Enquanto outra ameaça tomou forma, vinda de um lugar que nem conhecíamos,
mas que, em breve, nunca mais esqueceríamos.
Ninguém entendeu as implicações do primeiro atentado ao World Trade Center.
Os Anos 90, a década em que deixámos de nos preocupar com a União Soviética.
O Muro de Berlim tinha caído.
A Guerra Fria tinha acabado. Não tínhamos um bom vilão.
Já não tínhamos um inimigo. Penso que isso...
...abriu-nos, como cultura, a todo o tipo...
...de ideias conspirativas.
Na ausência de um inimigo real,
focámos a nossa atenção num candidato improvável.
Com o que nos vamos preocupar a seguir? E se fosse com aquilo que há no espaço?
Nos Anos 90, a crença em conspirações de extraterrestres atingiu um novo máximo,
com a ajuda de uma nova forma de conectar estranhos...
...a sala de conversa da Internet.
As pessoas podiam juntar-se e partilhar as suas teorias da conspiração.
É tipo, como é que nunca encontrámos extraterrestres?
Onde estão? Onde se escondem? O que se passa?
Uma história antiga sobre um misterioso objeto voador
e o suposto encobrimento por parte do governo, ganha uma nova vida.
E a cidade de Roswell, no Novo México, torna-se uma meca para os crentes.
Quando temos algo como Roswell,
é um exemplo clássico disso,
uma história que se espalha rapidamente por causa da Internet
e todas as pessoas que pensam ter visto um OVNI em qualquer lado,
podem colocar isso num site de OVNI
e ter alguém a dizer: "Sim, eu também vi."
Em 1997, 64% dos americanos acreditam que extraterrestres visitaram a terra.
Eu e a minha mãe tivemos encontros de quarto grau,
também conhecidos como experiências de rapto.
Fomos submetidas a exames físicos,
leitura da mente e processos reprodutivos.
Programas de televisão populares alimentam o fascínio por OVNI.
Hoje temos o psiquiatra da Universidade de Harvard, John Mack,
que estudou os casos de cerca de 100 pessoas
que afirmam ter sido raptadas por extraterrestres.
Como é um rapto extraterrestre típico? Se existe um rapto típico.
A pessoa é levada por uma luz azul.
Podem ver uma nave espacial, ou não. Podem ver a sua casa a afastar-se.
São levadas para um ambiente estéril,
luz brilhante.
Há pequenos seres, com os seus grandes olhos negros.
A legitimidade dada às conspirações extraterrestres
também inspira uma das séries de televisão mais icónicas dos Anos 90.
Ao apresentar o Ficheiros Secretos,
usei uma pesquisa científica
que mostrava que um grande segmento
da população americana acreditava
em extraterrestres ou OVNI.
O Ficheiros Secretos era sobre
as coisas que se movem na noite. Era sobre lobisomens e extraterrestres...
Depois ganhou uma mitologia muito mais densa.
A ideia de que o governo conspirava contra nós
e que havia híbridos humanos e alienígenas e uma potencial invasão a caminho.
Acho que há uma enorme conspiração aqui, Scully.
Eles têm um OVNI aqui, tenho a certeza,
e farão tudo para mantê-lo em segredo.
Se...
Se... isso fosse verdade...
-...seria um escândalo nacional. - Não estás a pensar em grande.
Se fosse verdade, seria a confirmação
da existência de vida extraterrestre.
OVNI! OVNI! As pessoas têm o direito de saber!
O Ficheiros Secretos toca nesta ideia de que há coisas
que o Governo sabe,
mas que não quer que saibamos.
- Chega de mentiras! -Chega de mentiras!
Chega de mentiras!
Finalmente, em 1997,
quando as teorias da conspiração de Roswell atingiram proporções míticas,
o governo conta a verdade sobre uma série de missões ultrassecretas 50 anos antes.
Muitas das coisas que as pessoas pensam ter visto
correspondem perfeitamente aos projetos de pesquisa da Força Aérea.
Estes projetos de pesquisa incluíam discos voadores
e enormes balões de grande altitude.
Na verdade, isso é o que o governo diz ter caído no deserto do Novo México.
Estamos muito orgulhosos deste relatório.
Pensamos, no nosso gabinete, que isto responde a muitas questões
e responde-lhes logicamente e com integridade.
A Força Aérea, corajosamente, intitulou o seu relatório como "Caso Fechado",
mas com a lenda de Roswell, isso é pouco mais do que um desejo.
Apesar de esta revelação ter feito mossa nas conspirações de OVNI,
a confiança das pessoas no Governo já estava desgastada
e tinha sido levada ao limite por um evento trágico, cinco anos antes.
Waco, no Texas, 1993.
Uma seita religiosa apocalíptica, chamada Ramo Davidiano,
construiu um complexo para os seus seguidores.
Quando Cristo se revelar, será segundo as escrituras!
A maioria entre os 20 e 40 anos, pertencentes à classe média,
os davidianos acreditavam que o seu líder, David Koresh, era o novo Messias.
Há 150 Salmos aqui.
Algumas pessoas ficam admiradas por eu os saber todos.
Alguém é o Filho de Deus.
-Ele é o Filho de Deus? - Espero que seja.
O que faria por ele?
Amo-o como um irmão.
Koresh manda os homens entregarem as suas esposas e filhas,
e torna-se pai de muitos filhos dentro do complexo,
alguns com meninas de apenas 12 anos.
Ele convence-nos de que não faz mal,
de que nos está a fazer um favor
ao tornar-nos esposas dele, porque ele afirma ser Deus,
e estamos a ter bebés com Deus.
A crença central do Ramo Davidiano é que o apocalipse está iminente.
Começaram a acumular armas ilegais, incluindo AK-47...
...levando o direito às armas e a liberdade religiosa ao limite.
Jesus disse aos apóstolos para andarem com uma espada? Sim.
É profecia! Portanto, não haverá desculpas!
Têm mais de 300 armas e munição penetrante.
A entrega de uma caixa de granadas espoleta uma investigação em grande escala
por parte do Departamento de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo, a ATF.
Com relatórios de abuso infantil,
decidem invadir o complexo.
28 de fevereiro de 1993
Mas os resultados são catastróficos.
Eles tinham mais poder de fogo do que nós. Conseguiram atingir-nos através de portas.
Devido a isso, muitos dos nossos agentes foram feridos.
Quatro agentes da ATF e cinco davidianos são mortos.
Parecia uma cena da guerra do Vietname,
com o helicóptero médico a chegar para retirar as pessoas. Foi o caos.
Foi muito perturbador.
124 membros do culto permaneceram dentro do complexo,
incluindo o seu líder, David Koresh.
ATF, vocês estão errados.
Se querem falar comigo, então venham falar comigo.
Vêm com armas apontadas às minhas esposas e aos meus filhos,
porra, estarei à porta quando aparecerem.
Com a escalada do conflito, o FBI assume o comando.
Recebi um telefonema do escritório federal,
e eles disseram: "Bob, faz a mala.
"Tens de ir para Waco."
Bob Ricks e a sua equipa tentam negociar um acordo pacífico,
mas Koresh recusa entregar-se,
alegando estar à espera de instruções de Deus.
À medida que a notícia do impasse entre o culto e o FBI se espalha,
chegam espetadores de todos os cantos do globo.
Tínhamos mais de 2000 membros da imprensa presentes.
Na verdade, eram tantos, que criaram a sua própria cidade.
Para alguns dos peregrinos, David Koresh e os seus seguidores tornaram-se heróis,
enfrentando de forma corajosa um governo descontrolado.
É o que vos digo, por vezes temos de nos armar
contra este tipo de Gestapo...
-E matá-los. - Não vou...
Quando vêm a nossa casa,
vamos deixá-los entrar e disparar?
As pessoas assistiam todas as noites para ver o que ia acontecer.
"Como é que isto vai acabar?"
Com as negociações paradas, os agentes trazem mais equipamento.
Com o impasse entre os davidianos e o FBI
a passar de dias para semanas,
o FBI corta o abastecimento de água e eletricidade do complexo
para forçar os membros do culto a sair.
Mas Koresh e os seus leais seguidores recusam ceder.
Esta é a hora do fim, as profecias estão a ser cumpridas
como está escrito no Livro do Apocalipse.
Já vi e estive envolvida em muitas religiões,
e são todas falsas, são todas tretas.
Isto é a verdade, eu sei que isto é a verdade.
A verdadeira preocupação era quantas pessoas poderia ele matar,
para causar um incidente, para nos fazer atacar e sermos mortos?
Amas o papá?
Vamos ficar bem porque é Deus que nos guia.
19 de abril de 1993
Após 51 dias de negociações falhadas,
o FBI injeta gás lacrimogéneo nos edifícios.
Demos-lhes vários ultimatos.
Vamos continuar a gaseá-los
e a tornar o ambiente deles tão desconfortável quanto possível
até que saiam do complexo.
Um incêndio deflagra.
Chamas enormes no topo do edifício.
Enormes nuvens de fumo negro.
Conseguíamos sentir ondas de calor a um quilómetro de distância...
...atravessavam o campo e chegavam até onde estávamos.
O resto acontece em direto na televisão.
Não vemos ninguém a sair do complexo.
25 crianças e 50 adultos, incluindo Koresh, morrem no complexo.
Basicamente, o governo dos Estados Unidos instigou um ato terrorista
contra os seus próprios cidadãos. Isso é errado.
A investigação concluiu que o incêndio foi provocado pelos davidianos.
Questões sobre o fim do Rancho Apocalipse
continuarão por meses e talvez anos.
Podemos nunca saber a verdade, a maioria dos membros morreu,
e, até agora, só ouvimos uma versão,
a versão do governo federal.
Muitos culpam as autoridades pelas mortes, alimentando a paranoia antigoverno.
Havia cada vez mais movimentos de extrema-direita, as milícias,
que capitalizavam o sentimento antigoverno.
É a liberdade religiosa,
a liberdade de expressão,
o direito às armas.
Eles não fizeram mal a ninguém.
Porque é que o governo fez o que fez?
Retiraram-lhe os seus direitos. Isso foi o principal.
Retiraram-lhe os direitos e fazem isso todos os dias.
Se o governo continua a alienar as pessoas dos seus direitos,
a guerra é inevitável, a revolução é inevitável.
Para muitos conspiracionistas, Waco alimentava a ideia
de que uma rede sinistra comandava o mundo.
Michelle Rauch lembra-se de ter entrevistado
uma das muitas pessoas que se dirigiram a Waco para testemunhar o impasse.
Ele era contra o que estavam a fazer ao David Koresh.
Opunha-se muito à forma como o complexo foi invadido.
Alguém me disse que muitas pessoas ficariam assustadas
com algo deste género.
Ele tinha medo do governo.
Tinha medo do governo que, na opinião dele,
queria controlar a vida dos americanos.
Vendo o governo como o inimigo,
este espetador perpetraria, em breve, uma terrível vingança.
O Edifício Alfred P. Murrah, no centro de Oklahoma,
19 de abril de 1995.
Um enorme carro-bomba explodiu no exterior
de um grande edifício federal no centro de Oklahoma City.
O edifício albergava escritórios do governo local,
incluindo o gabinete local da ATF.
Enquanto os investigadores tentam perceber a destruição,
a data começa a assumir uma importância sinistra.
O meu agente assistente diz: "Bob, sabes que dia é hoje?"
E eu disse: "Como assim?" Ele diz: "Hoje é 19 de abril."
Dezanove de abril é o aniversário do assalto final em Waco.
O Bombista de Oklahoma deixou para trás provas cruciais,
e Timothy McVeigh, o mesmo homem que assistiu aos acontecimentos em Waco,
foi acusado dois dias depois.
Nunca pensaria que alguém, mesmo com pontos de vista diferentes dos meus,
pudesse cometer um ato tão hediondo sobre outros americanos.
McVeigh, um veterano da Guerra do Golfo, justificou o ataque como um ato de revolta
contra um governo que ele via como tirânico.
Penso que o efeito geral do atentado de Oklahoma City
foi iluminar alguns destes
cantos mais escuros da sociedade americana.
Foi um alerta para muitos americanos.
Enquanto o país se tenta conciliar com a tragédia,
o presidente Bill Clinton representa o luto nacional
e voa para Oklahoma City.
Perderam demasiado,
mas não perderam tudo...
...e, certamente, não perderam a América.
Achei que ele foi muito sincero.
Falou connosco como um de nós.
Se alguém pensa que os americanos são, na sua maioria, maus e egoístas,
deveria vir a Oklahoma.
Penso que foi um momento de viragem, porque o Bill Clinton conseguiu dizer:
"Na verdade, o governo não é um grupo de pessoas
que conspira contra vocês, que são maus.
São funcionários públicos honestos,
e 168 foram mortos hoje neste ataque."
O discurso de Bill Clinton ajuda a unir uma nação dividida.
Mas enquanto a nação lambe as feridas de ataques terroristas internos,
um inimigo muito mais aterrorizador toma forma no exterior.
Nos Anos 90, enquanto os americanos se debatiam com o extremismo interno,
outra conspiração muito maior desenvolvia-se fora do radar.
World Trade Center 2, Nova Iorque,
26 de fevereiro de 1993.
Uma explosão ao início desta tarde
destruiu a cave do World Trade Center.
Nuvens de fuligem subiram pelas escadas
até ao topo das torres de 110 andares.
Seis pessoas morreram. Mil pessoas ficaram feridas.
Torna-se claro que os atacantes esperavam derrubar a torre norte
contra a torre sul, explodindo os seus alicerces.
Estruturalmente, aquele edifício é suportado por quatro grandes colunas.
Ao destruí-las,
seria como partir as pernas
duma cadeira.
A explosão teve origem numa bomba de 600 quilos,
carregada numa carrinha e estacionada na garagem subterrânea.
Pareceu ser um acontecimento único.
Talvez aquilo devesse ter feito soar os alarmes.
Como morreu pouca gente,
não foi visto como parte de um potencial padrão de ataques.
Os investigadores analisam os fragmentos
e ligam a carrinha a um serviço de aluguer em Nova Jérsia.
Segundo fontes do FBI,
ao analisarem os recibos de estacionamento, encontraram um
que os levou a uma agência de aluguer.
Descobriram que estava ligada a um grupo fundamentalista muçulmano.
Os quatro bombistas, que frequentavam uma mesquita
conhecida por radicalizar os seus membros, foram presos e condenados.
Mas as autoridades são incapazes de ver a conspiração maior.
Caímos numa falsa sensação de segurança.
Deveríamos ter estado mais atentos ao terrorismo extremista islâmico.
Ninguém entendeu as implicações daquele primeiro ataque ao World Trade Center.
Não perceberam que havia um rasto que levava até ao Médio Oriente.
Três anos depois, uma visita presidencial de rotina a Manila,
capital das Filipinas, quase acaba em tragédia.
O presidente Clinton atravessou meio mundo,
para se reunir com líderes cujas nações representam
metade da economia mundial.
A segurança será apertada para a visita do presidente.
Com reuniões a toda a hora,
o presidente apressa-se para acompanhar a sua agenda extenuante.
Mas escondido, outro temporizador começa a contagem regressiva.
Os Serviços Secretos recebem um relatório
onde havia algumas informações que incluíam as palavras
"uma ponte" e "casamento".
O percurso do presidente atravessava uma ponte,
mas foi a palavra "casamento" que alertou os Serviços Secretos.
Em linguagem terrorista, "casamento" pode significar assassinato.
Quando foram procurar, encontraram uma enorme bomba debaixo da ponte
que podia explodir toda a comitiva presidencial.
O chefe dos Serviços Secretos disse: "Sr. Presidente, vamos por outro lado."
O presidente chega em segurança, mas este não foi um incidente isolado.
Vídeo da Al Qaeda
Os investigadores depressa ligam os terroristas à Al-Qaeda,
um grupo responsável pelo ataque ao World Trade Center em 1993...
...e a um homem chamado Osama Bin Laden.
Isto deve provar que encaramos este problema
de forma muito séria, por nós,
e pelos amigos da liberdade em todo o mundo,
e continuamos a enfrentá-lo.
A CIA decidiu
que o Bin Laden era a maior ameaça
e criou uma equipa especial
para o procurar, para o vigiar.
Foi a primeira vez que a CIA se concentrou num indivíduo.
À medida que o nome se espalha
para lá do estreito confinamento da comunidade de inteligência...
...em 1997, dois jornalistas da CNN
decidem correr o risco de tentar entrevistá-lo.
Ele escolheu-nos, e seria a sua primeira entrevista em televisão.
Colocaram-nos umas vendas.
Fomos transferidos para um veículo todo o terreno,
no qual fomos transportados para as montanhas.
Acabámos por chegar à cabana de um pastor.
Puxaram a cortina que servia de porta, e ali estava o homem.
E uma das primeiras perguntas que fiz foi:
"Vocês declararam guerra contra a América?"
E ele disse: "Sim, declarámos guerra contra a América."
Pode dizer-nos porquê?
Declarámos uma jihad, uma guerra santa contra o governo dos Estados Unidos,
por ser injusto, criminoso e tirânico.
Ele não mencionou Hollywood ou...
...a Madonna, ou drogas, ou álcool, ou...
...homossexualidade, ou feminismo, ou qualquer questão cultural
como parte do seu criticismo aos Estados Unidos.
Foi uma diatribe de uma hora
contra a política externa dos EUA.
Quais são os seus planos futuros?
Vão vê-los e ouvir falar deles nas notícias.
Se Deus quiser.
Depois da entrevista, pensei, isto é muito interessante,
mas como vai atacar os Estados Unidos a partir daqui?
Descobriríamos muito em breve.
Legendas: Hugo Ferreira
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