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Os anos 80, onde não há êxito maior do que o excesso.
Riqueza e arrogância.
Tudo era exagerado.
Mas não era apenas isso.
Os anos 80 foram uma década de contradições incríveis.
Esta é a história de 10 anos que mudaram o mundo.
E quando fazer o que amamos pode transformar a paixão em lucro.
Espera-nos um mundo totalmente novo.
Foi uma década que mudou a vida.
A nova tecnologia cria novas oportunidades.
Pensei que ganharíamos uns 20 mil dólares.
Uma nova raça de empreendedores atingiu alturas vertiginosas.
Não sabemos o que estamos a fazer. Somos miúdos.
E o capitalismo ganha consciência.
- Olá, sou o Ben. - Jerry.
Este é um Peace Pop.
Mudando a nossa maneira de viver, brincar e comer para sempre.
A mudança começou nos anos 80.
No início dos anos 80,
os ginásios eram só homens, músculos e suor.
E há uma figura de proa deste novo movimento.
Arnold Schwarzenegger,
28 anos, 1,88 m, 109 kg.
O homem-músculo austríaco ganhou fama
após o êxito do culturismo em "O Homem dos Músculos de Aço".
Isso é o que eu chamo posar.
Em 1982,
o tipo grande e musculoso entrou para o grande ecrã.
Esmaga os teus inimigos.
Manda trazerem-nos diante de ti e ouve os lamentos das mulheres deles.
Por todo o país, aspirantes a Arnie malham a sério.
Ora vejam, os ginásios de todo o país estão cheios de músculos.
A população volumosa está mesmo num ciclo florescente.
Mas as mulheres que queriam treinar
queriam uma alternativa aos ginásios dominados pelos homens.
Eram muito mais para os homens.
Homens que se queriam parecer com o Schwarzenegger, ou o Rambo.
E lembro-me de ouvir as mulheres dizerem como se sentiam intimidadas.
Não havia muitas opções para mulheres
que quisessem treinar e ir ao ginásio nos anos 80.
E é uma estrela de cinema já no topo da carreira
que mergulha de cabeça neste desafio.
Isso é um fato, e não uma ficção.
Quer a amemos ou odiemos,
Jane Fonda salienta-se decididamente pelas suas crenças revolucionárias.
Mas Fonda mal sabe que, na década de 1980,
virá a ser o centro de um tipo de revolução bem diferente.
Impulsionado por um aparelho que entrega finalmente o poder às pessoas.
Isto é, poder cinematográfico.
Tudo começa com Fonda a fazer uma declaração política.
Dois, quatro, é só somar, não queremos irradiar.
Diria que defendemos a eliminação imediata da energia nuclear
e um programa de choque para a conversão
às tecnologias renováveis alternativas.
A paixão de Fonda pela mudança
condu-la a "O Sindroma da China",
um thriller anti-energia nuclear.
Eles em segundo plano e um plano comigo e...
Sim.
HÁ UM ACIDENTE NUCLEAR
12 DIAS APÓS A ESTREIA.
Fonda defende a causa dela e depois cai.
Trazia uns sapatos com cunha, muito altos, vaidade.
Queria parecer mais alta.
Estava a correr e caí e, como já tinha partido o pé,
parti-o no mesmo sítio.
Está tudo bem, ele vai ficar bom.
Uma estrela de cinema precisa de se manter em forma.
Já não podia fazer balé e tinha um filme a chegar,
"California Suite", e tinha de usar biquíni.
O que havia de fazer?
Até aí, Fonda mantém-se em forma fazendo balé.
Mas, com um pé partido, precisa de uma alternativa.
A minha madrasta disse: "Olha, há uma aula
no estúdio da Gilda Marx."
E eu fui lá.
Foi uma hora e meia com música muito fixe.
Nunca tinha feito uma aula assim.
Achei o máximo.
Jane Fonda decide assumir uma nova causa,
trazer igual oportunidade de exercício às massas.
Não era bonito as mulheres suarem.
Não havia nenhum tipo de aulas de ginástica.
Podíamos ir a um ginásio e ficar de pé numa plataforma
com uma tira à volta do traseiro,
e ela fazia-nos estremecer.
Sente-a a trabalhar para si?
E era tudo.
Com tão poucos ginásios para mulheres,
Fonda decide criar o seu próprio ginásio.
Dava a aula das 6h00
antes de começar as filmagens.
E essa aula estava cheia.
O simples facto de poder conviver e suar com a Jane Fonda
tornava tudo isso muito mais divertido.
Isso mudou a minha vida. Thomas Jefferson disse:
"As revoluções podem começar nos músculos."
Jefferson pode ou não ter dito isso.
Mas alguém lhe sugeriu que usasse a mais recente tecnologia
de entretenimento doméstico para o treino dela.
Nunca vira nenhum vídeo.
Não conhecia ninguém que tivesse um leitor de vídeo, nem quaisquer...
Nem quaisquer vídeos.
Em 1981, o mercado de vídeo era minúsculo.
Nem se sabia se era legal gravar a partir da televisão.
VÍDEO CASEIRO ILEGAL EM 1984.
Só 2% das famílias dos E.U.A. têm leitor de vídeo.
E, digamos, esses 2% não vão todos ver
os vídeos de treinos da Jane Fonda.
É um mercado que mal existia há alguns anos.
50% das cassetes disponíveis são de pornografia hardcore.
Mais uma razão para Fonda se recusar a atravessar
a barreira da videocassete.
Eu disse: "De modo algum,
sou atriz.
Não vou fazer isso." Pensei que arruinaria a minha carreira.
Ela concorda em usar a voz,
mas não o corpo, para um vídeo dos seus treinos.
Desculpem, podemos recomeçar outra vez essa parte? Obrigada.
Pensei: se as pessoas me virem todos os dias em maiô,
como irão acreditar em mim em diferentes personagens no grande ecrã?
Mas o realizador dela, Sid Galanty, não aceita um não como resposta.
Tive de a convencer
de que as pessoas iam comprar o vídeo por ter o nome dela
e esperam vê-la no vídeo.
O meu ex-marido, Tom Hayden e eu,
tínhamos uma organização política na Califórnia
chamada Campanha pela Democracia Económica.
E o Sid ia-me instigando e importunando,
até que eu pensei: "Sabes que mais?
Não sei quem compraria, mas isto podia render-nos uns 10 mil dólares
e isso iria ajudar a organização política,"
então, cedi.
Mas o político não tarda a tornar-se pessoal.
E pronto.
As mulheres adoravam fazê-lo.
Os homens gostavam de as ver treinar.
E praticamente toda a gente começou a fazer exercício.
O vídeo de treino chega mais à vida americana do que se pode imaginar.
Seguem-se mais 23 vídeos de sucesso.
Podia-se estar a viver em Chicago ou Nova Iorque,
e treinar com a Jane Fonda
e podia-se estar a fazer o mesmo que fazíamos nos estúdios.
Por isso, foi uma ideia genial.
Jane Fonda torna político o que é pessoal.
Parecer bem torna-se a nova ideologia dos Anos 80.
1987: PRIMEIRAS SPIN BIKES
1989: PRIMEIRO STEP
De repente, as mulheres perceberam
que não tinham de morrer de fome,
não tinham de se envolver em quaisquer transtornos alimentares.
Poderiam fazer o treino na privacidade da casa delas,
e isso alteraria os seus corpos.
E mudaria os seus cérebros.
Mudaria as suas ideias sobre si próprias.
E o treino de Fonda ajuda
a desencadear uma revolução paralela no setor tecnológico.
Dentro de um ano, as vendas de videocassetes quase duplicam.
É um fenómeno comercial. Os negócios não poderiam estar melhor.
Uma em cada dez famílias dos E.U.A. já tem um gravador de vídeo.
Os primeiros donos de leitores aderiram à nova indústria
dos vídeos caseiros, que subiu em flecha.
EM 1988, 60% DOS LARES AMERICANOS TÊM UM LEITOR DE VÍDEO.
Passámos de meia dúzia de pessoas com leitores de vídeo
no início da década,
para praticamente todos o terem até ao final da década.
"Workout" torna-se no vídeo mais vendido nos Anos 80.
A queda de Jane Fonda nas filmagens torna-se numa corrida caseira.
Queria dizer que fui uma boa mulher de negócios.
Estaria a mentir. Foi um perfeito acaso.
Como se costuma dizer, o tempo é tudo.
E é o tempo e a prática
que virão a tornar o passatempo rebelde de um adolescente num fenómeno global.
Estamos em 1981,
um jovem chamado Tony Hawk está de volta à urgência.
Pela quarta vez no mesmo mês.
A dada altura, o médico
levou-me para uma sala longe dos meus pais
e perguntou se estava a acontecer algo que lhe tivesse ocultado.
Insinuando que os pais me batiam.
Mas a única pessoa que bate no Tony Hawk é o Tony Hawk.
Passei por uma grave série de lesões,
quando comecei a ficar bom.
Parti a pelve, o polegar, costelas, o cotovelo.
Perdi dentes, desloquei o ombro.
30 traumas cranianos.
E ele nem sabe
que é uma nova tecnologia cinematográfica
que virá a torná-lo uma super-vedeta global.
À medida que os anos 80 avançavam, as câmaras foram diminuindo
e, de repente, surgiu uma câmara que qualquer um pode acionar.
Uma revolução está prestes a ser televisionada.
No ano passado, chamavam ao vídeo de 8 mm
o formato do futuro.
Em 1983,
a JVC e a Sony lançaram as primeiras câmaras de vídeo portáteis.
A câmara de vídeo VHS-C da JVC faz o mesmo
que as câmaras de 8 mm...
Não são baratas. Mas os aspirantes a Spielberg já podem
filmar facilmente vídeos coloridos com som.
E não é por acaso que, já havendo oito milhões com leitor de vídeo,
esta revolução tecnológica japonesa está prestes
a tornar uma paixão de um adolescente
num lucro gigantesco.
Desiludidos com os desportos convencionais,
miúdos como Tony Hawk são atraídos por desportos alternativos...
como andar de skate.
Estamos a crescer na América
e temos acesso a uma série de desportos.
Futebol, basquetebol, basebol.
São todos sancionados, estão ligados às escolas,
estão ligados aos pais.
O skate não está ligado a nenhuma dessas coisas.
Um desporto sem uniforme, sem árbitro,
e, acima de tudo, sem regras.
Os miúdos identificam-se com isso, em especial, se já se sentiram
marginais e solitários, que é mesmo...
Era onde eu estava.
No início da década de 1980, com a recessão a fechar os parques de skate
devido aos preços dos seguros...
estes rebeldes iam até lá e ficavam na boa.
O que aconteceu em 1984 foi a invenção das rampas,
e aí, skaters como Tony Hawk inventaram saltos acrobáticos.
Ele fazia manobras que nunca julguei serem possíveis.
Pensava: "Se esse miúdo cair, vai estilhaçar-se como porcelana,"
porque estava a ir tão alto e o que estava a fazer era tão perigoso.
Tinha um nível de perícia inacreditável.
A minha única motivação é progredir.
Apenas poder continuar e fazer coisas novas.
Mas Tony Hawk nunca sonhou até onde iria essa coisa nova.
Até que conheceu outro rebelde chamado Stacy Peralta.
Sou ex-skater.
Não pertenço à América corporativa.
Eu vinha da rua.
Stacy gosta muito de alta tecnologia, incluindo
uma dessas novas câmaras de vídeo XPTO de que falámos.
Quando o Tony Hawk tinha 13 anos e olhou para mim e eu tinha 26,
viu um espírito semelhante.
Não viu um homem de negócios, viu um companheiro do skate.
É a parceria ideal.
Tony Hawk tem potencial de estrela,
e Peralta tem as máquinas recém-inventadas para criar estrelas.
Contratei uma pequena equipa...
e no primeiro dia em que filmámos,
achei que eles não me ouviam
e senti que eram condescendentes comigo.
Por isso, despedi-os.
Aluguei uma câmara e comecei a filmar-me a mim próprio.
Filmámos durante duas horas e ele tinha uma câmara
e eu fiz alguns truques, e foi essa a minha participação no vídeo.
Almoço, quinto take.
Lembro-me de estar na mesa da cozinha a editar os filmes
e pensar "O que é isto?"
Peralta quer distribuir o primeiro vídeo de skate
a algumas lojas especializadas.
Tenciona vender 300?
Saem logo 30 mil.
O que acontecia a estes vídeos de skate
é que os miúdos iam comprá-los e viam-nos 100 ou 200 vezes.
Viam-nos vezes sem fim.
Imensos miúdos escreviam
a dizer: "Por favor, façam outro para o ano."
E aí, começámos a fazer um vídeo todos os anos.
Isto é um skate.
Aquilo não é um skate.
PERALTA COMEÇA A VENDER SKATES DA MARCA TONY HAWK.
Isto é que é um skate.
Hawk e o seu companheiro tornam-se vedetas do skater internacionais.
Meu Deus, ele é lindo.
Em todos o lado, tínhamos multidões de milhares de pessoas.
Era estranho, de repente sermos reconhecidos em grande escala
por termos feito algo a que ninguém ligara durante tanto tempo.
A dada altura, acho que pagávamos ao Tony Hawk
20 mil dólares por mês, com base no fato de vendermos
20 mil dos skates dele de marca todos os meses.
Então, quando o Tony Hawk estava no liceu,
ganhava imenso dinheiro.
Em 1987,
o skate disparou, de uma indústria de 4 milhões de dólares
para uma indústria de 300 milhões de dólares.
Infiltrando-se em filmes e anúncios.
Em meados dos Anos 80,
os anunciantes e agências ganharam consciência
dos elementos da contracultura, e o truque foi,
como adotamos para nós mesmos, em nome dos nossos clientes,
digamos, uma imagem de marca interessante, atual ou moderna?
Para isso, temos de associar a marca ao skate, ou a outros símbolos.
Acho que, de uma forma maquiavélica,
um brilhante esquema de marketing
de grandes negócios da década de 1980 foi, em vez de entrarem em lutas
com a contracultura,
porque não simplesmente ser dono dela?
Se não podes vencê-los, junta-te a eles.
A contracultura é agora a cultura de venda livre.
E isso tem uma expressão perfeita em dois ex- hippies
cujos nomes em breve serão conhecidos.
- Para que conste, você é? - O Jerry.
- E você? - O Ben.
- E isto é? - Gelado.
Quando Ben Cohen e Jerry Greenfield se tornaram amigos,
não imaginavam onde os levaria o amor deles pela comida.
Conhecemo-nos no sétimo ano, por sermos os mais lentos
e rechonchudos da turma.
Foi depois da faculdade que eles se sentaram e disseram...
"Vamos criar um negócio."
Acabámos por fazer um curso por correspondência
sobre como fazer gelado e escrevemos à Univ. Estadual da Pensilvânia
e eu e o Ben inscrevemo-nos num curso de 5 dólares.
Dividimos e pagámos 2,5 dólares cada.
E tivemos 100 em todos os testes.
Aí, percebemos que tínhamos de fazer gelados.
Juntaram 12 mil dólares para comprar uma antiga bomba de gasolina
na Meca hippie de Burlington, Vermont.
E começar a bombear gelado.
Mas há um pequeno problema.
Ben Cohen tem uma capacidade de paladar reduzida.
É ele o tipo do paladar, ou é o Jerry?
Os pedaços são pequenos.
Não, é o Ben, decididamente.
Aqueles de nós que não temos uma verdadeira noção de paladar
compensámos com uma boa sensibilidade na boca.
-E as texturas... -É por isso que quer pedaços grandes?
Os contrastes de texturas, sim, isso é muito importante.
É interessante ter um criador de sabores
que não tem a noção do paladar.
Mas nada poderia preparar Ben e Jerry para o que estava para vir.
Uma guerra gelada com um dono de uma empresa do ramo
e a sua marca de gelados preferida.
Em 1981, Ben e Jerry começaram a vender o gelado deles
a cerca de 30 restaurantes locais, mas, de uma forma muito hippie,
não ganham dinheiro nenhum, meu.
É quando decidem pô-lo em copos
e vendê-lo por atacado a mercearias que o negócio resulta.
Começaram a ter um séquito,
cada loja de Burlington dizia:
"Este é o nosso gelado."
"Isto é Vermont. É Ben e Jerry."
As pessoas tornaram-se fiéis ao sabor.
O meu Ben & Jerry's preferido é o Peanut Butter Cup.
Adoro aquela manteiga de amendoim lá dentro.
Chunky Monkey!
Quando eu era gordo,
comia o gelado de brownie da Ben & Jerry's
a toda a hora.
Cherry Garcia. É uma viagem.
Até que, de repente, aquilo ganha um grande impulso
e começa a crescer.
Com o dinheiro a rolar, Ben e Jerry optam
por aplicar o dinheiro recém-adquirido para mudar o mundo.
Uma bola de cada vez.
Usamos a embalagem para falar de uma questão que nos interessa,
que é a paz mundial.
O que torna a Ben & Jerry's verdadeiramente diferente
é eles serem muito fiéis à sua missão social.
Quiseram ser chefes deles próprios e fazê-lo à sua maneira,
e, muitas vezes, com um toque idealista.
Ben e Jerry são um novo tipo de empresário,
que alia o consumismo dos Anos 80 aos valores dos Anos 60.
Não se limitavam a vender-nos um bom produto,
vendiam-nos uma ideia, uma imagem, um sonho.
Em 1983, com os negócios a crescer, Ben e Jerry concordam
que é altura de se expandirem até Boston.
De repente, as pessoas começaram a notar,
porque estava vender-se mais depressa do que o Haagen-Dazs.
E é aí que começam os problemas.
O gelado é...
O único luxo que a maioria das pessoas pode pagar.
Reuben Mattus começou tudo quando lançou a Haagen-Dazs,
um nome sem significado, criado para parecer estrangeiro.
Agora, produz mais de 60 milhões de litros por ano,
numa grande fábrica de New Jersey, com outra a abrir em breve na Califórnia.
A Haagen-Dazs domina o mercado dos gelados de luxo,
ganhando mais de 115 milhões de dólares por ano.
E parece que querem manter-se assim.
Estava no escritório,
e ligou-me um senhor da Haagen-Dazs.
E disse: "Chuck, tem de se decidir.
Ou está com a Haagen-Dazs ou com a Ben & Jerry's.
É muito simples. Tem que decidir a quem é fiel."
Liguei ao Ben...
Contei-lhe o que tinha acontecido.
E o Ben desatou-se a rir.
Eu disse: "Podes rir-te, mas isto é sério,
porque temos de tomar uma decisão comercial.
Ben e Jerry decidiram enfrentar o poder.
Começou uma guerra de gelado sem prisioneiros.
Não era legal. era ilegal fazer aquilo,
era basicamente um bloqueio ao comércio justo.
Ben e Jerry podem ter sido hippies idealistas,
mas isso não significa que não aguentem uma luta.
E bateram onde dói mais.
Como a Haagen-Dazs é propriedade da Pillsbury...
A nova farinha da Pillsbury.
Ben e Jerry pegaram nessa figura icónica, o Boneco de Massa,
porque ele tinha a ver com tudo o que a Pillsbury fazia.
E perguntaram: "O que receia o Boneco de Massa?"
E imprimiram isso em autocolantes
e puseram-nos nos seus copos de gelado
e incitaram as pessoas a escrever cartas ao CEO da Pillsbury.
A imprensa adorou.
Aquilo aparecia, como que por magia, em todo o lado.
A Pillsbury só sentiu vergonha por o Boneco estar a ser atacado.
Como podia um boneco ser mau?
Acontece que o boneco tem medo de alguma coisa.
De dois sujeitos de Vermont a fazerem o que adoram.
A Pillsbury recebeu uma enchente de cartas de consumidores irados.
Então, a Haagen-Dazs assumiu uma posição tipo:
"Vamos retirar-nos discretamente, porque isto é má propaganda."
Viram-se obrigados a recuar.
Esta estratégia de marketing do poder popular prevalece.
A Ben & Jerry's pôde vender o seu produto em Boston.
E as vendas subiram bem depressa.
EM 1988, REAGAN TORNA-OS "PEQUENOS EMPRESÁRIOS DO ANO."
Não deve haver dois homens de negócios mais improváveis
do que Ben e Jerry.
Quem diria que dois hippies a tirar um curso por correspondência
levariam a esta empresa global multimilionária,
mas foi o que aconteceu.
Costumam citar-nos como os dois licenciados mais famosos do curso
por correspondência da estadual. Acho...
Agora, o preço subiu, com o nosso êxito.
- Quanto é agora? - São uns 17,50 dólares.
Tudo o que você precisa é de amor,
a par da paixão pelo seu produto,
de compreender o seu mercado
e, claro, um bom advogado.
A América empresarial nunca mais será a mesma.
Há um novo homem de negócios.
Há o império da Whole Foods a começar,
com comida orgânica, excelente e saborosa.
Há um novo tipo de negócio, que pegou nesta ideia de finais dos Anos 60, 68
e a tornou numa forma de ganhar dinheiro.
Às vezes, parecia que os Anos 80 estavam em guerra com os Anos 60.
Mas o espírito dessa década também inflamou indústrias totalmente novas.
É bom ser-se idealista antes dos 30 anos.
O nosso mundo está prestes a mudar, para sempre.
Legendas: Maria Júdice
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