All language subtitles for Vanishing.Of.The.Bees.2009

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Original subtitles

Desde os primórdios da civilização,

a abelha tem simbolizado trabalho árduo,

unidade e cooperação.

Estes insetos peludos

vivem em colônias

onde cada abelha trabalha pelo bem do todo.

No interior de uma colônia de milhares, existe apenas uma rainha.

Enquanto ela deposita ovos, as suas filhas operárias trabalham na colmeia,

ocupando diferentes funções durante a sua existência

As tratadoras cuidam da rainha e das abelhas recém-nascidas.

As defensoras protegem a colmeia de invasores.

e as forrageiras saem da colmeia para coletar alimento e água,

para partilharem com a colônia.

As abelhas de uma colmeia podem visitar mais de 100.000 flores num único dia.

Ao encontrar uma flor, a abelha coleta pólen como alimento

e néctar para fazer mel.

O néctar doce e o pólen nutritivo são a sua recompensa

por desempenhar uma das tarefas mais importantes da natureza,

a polinização.

A polinização depende principalmente de dois fatores:

os insetos ou o vento.

O corpo da abelha recolhe grãos de pólen quando ela se esfrega no interior de uma flor.

Quando a abelha chega a outra flor,

o pólen que leva cai no estigma dessa flor.

O sucesso da flor depende desse momento de fertilização.

Dentro da parte que resta, fica uma única célula

que se formou com a fecundação.

Ela começa a crescer, até que haja muitas células

que tomam a forma de semente. Uma semente dentro de um fruto.

Muitas pessoas não sabem que um em cada três alimentos que comemos

chegou à nossa mesa por causa destas abelhas.

E se elas não existissem...

... não teríamos os nossos frutos, os nossos vegetais.

Se quisermos comer algo mais do que batatas,

mais do que trigo, aveia, milho e arroz,

precisamos das abelhas.

Mas cada abelha, individualmente, também é fascinante.

Ela foi projetada para fazer o que faz,

que é ir por aí, recolher pólen e mel e trazê-los.

Ela tem pêlos, que geram eletricidade estática quando voa,

e quando chega a uma for, o pólen gruda nela.

Ela tem encaixes especiais nas pernas frontais, que limpam as antenas.

As antenas conseguem cheirar, medir a temperatura,

o oxigênio e o dióxido de carbono.

É algo realmente incrível.

Esta poderá ser uma das histórias mais intrigantes e perturbadoras

que já recebemos há muito tempo.

Algo está acontecendo com as abelhas.

Na Itália e nos EUA, as abelhas estão desaparecendo e o problema é grave.

Aqui está uma colmeia vazia, totalmente abandonada.

Desapareceram misteriosamente mais de 10 milhões de abelhas em Taiwan

e os apicultores têm tido dificuldade para ganhar dinheiro.

Algo está matando as nossas abelhas em números surpreendentes

O DESAPARECIMENTO DAS ABELHAS

O primeiro apicultor nos EUA

a chamar a atenção para esses desaparecimentos misteriosos

foi David Hackenberg.

Hackenberg tem cerca de 3 mil colmeias e trabalha com o seu filho Davie.

Juntos, levam abelhas a pomares de macieiras, amendoeiras,

campos de abóboras e mirtilos por todo o país.

Comecei com as abelhas em 1962 com um projeto escolar.

Nasci e cresci numa fazenda leiteira, onde criávamos bezerros.

Gostávamos de mel e comprei uma colmeia na primavera de 1962.

A minha mãe me disse que eu desistiria assim que elas me picassem...

Mas quando me formei na escola, já tinha umas 200 colmeias

e nós ríamos das ferroadas. Fui picado e tornei-me apicultor.

Ei, você tem um quadro?

Tenho uma caixa cheia de mel.

Estamos vistoriando estas abelhas para levá-las para a Califórnia.

Temos que colocá-las em quadros limpos, para as colmeias ficarem prontas.

Levamos dois tabuleiros, cerca de 800 colmeias.

Esperávamos levar três, mas elas continuam a desaparecer.

Em outubro de 2006 Dave Hackenberg descobriu grandes perdas de abelhas

e anunciou-as ao mundo.

A descoberta colocou-o no centro das atenções e criou uma grande agitação.

Apresento a vocês Dave Hackenberg.

Foi ele que levantou o alerta.

Fez um barulho suficiente para chamar a atenção e agradecemos a ele por isso.

Para onde estão indo as abelhas? E por que?

A 12 de novembro de 2006, às 16h00,

fomos a Ruskin, na Florida, para recolher 400 colmeias

e elas estavam vazias. Não havia abelhas nas caixas.

36 delas ainda tinham um punhado de abelhas, mas a maior parte não.

E, três semanas antes, aquelas eram boas colmeias.

Tornou-se notícia em fevereiro de 2007, quando apareceu no "Philadelphia Enquirer".

No dia seguinte, apareceu em 487 jornais de todo o mundo.

Alguns dos melhores cientistas do país tentam compreender o fenômeno

mas ninguém está mais mergulhado nesse mistério

do que o homem que fez essa descoberta.

- As abelhas desapareceram? - Sim.

- Para onde foram? - Não sei.

Quero dizer, eu fiquei de quatro e rastejei, procurando,

e não havia abelhas mortas em nenhum lugar!

Não encontramos abelhas. Elas tinham voado para outro lugar.

- E nunca regressaram. - Nunca voltaram para casa.

Conheço o David Hackenberg há mais de 20 anos.

Somos apicultores da Costa Leste,

vamos às mesmas fazendas, no Maine.

Conheço o Dave e o irmão, Eli, desde pequenos.

Conheci-os quando levavam abelhas para o Norte.

Houve épocas em que precisei de ajuda e que o chamei,

e eu fiz o mesmo quando ele precisou de ajuda.

Nosso papo era a nossa terapia.

Conversávamos várias vezes por dia.

Quando conversamos, é quase uma terapia,

porque... é difícil. As abelhas estão morrendo e...

... e muita gente pensa que a culpa é nossa.

Ele sempre foi um bom amigo, mas quando as abelhas dele desapareceram,

comecei a ligar para ele diariamente.

Eu fazia piadas, só para não pensar no suicídio...

... mas isto não é uma brincadeira.

O cientista Dennis van Engelsdorp monitora a saúde das abelhas.

no estado da Pensilvânia.

Quando Hackenberg anunciou as inexplicáveis perdas,

van Engelsdorp foi um dos primeiros a chegar no local.

David Hackenberg começou a se queixar muito sobre este problema em novembro.

E precisávamos de alguém como ele,

porque sabíamos que outros sofriam do mesmo problema.

E ele estava certo.

Relatos de perdas catastróficas de abelhas

chegaram de apicultores de várias partes dos EUA,

bem como de Taiwan, Argentina, China,

França, Itália e vários outros países.

Por todo o planeta, abelhas desapareciam

e ninguém sabia o porquê.

No início de 2007, cientistas dos EUA

criaram uma força-tarefa para estudar o fenômeno.

Identificaram os diferentes sintomas

e denominaram o fenômeno como "Síndrome do Colapso das Colmeias - SCC".

Os sintomas do "colapso das colmeias" são os seguintes:

uma colônia está totalmente morta, não há abelhas na colônia ou no apiário,

e também não se encontram os patógenos conhecidos,

como a "varroa" ou o "ácaro da traqueia".

E quando restam algumas abelhas na colônia,

encontramos apenas um punhado de abelhas jovens e a rainha.

E sabemos que há uma perda rápida,

porque se encontram muitas abelhas jovens ou bebês na colônia,

e as abelhas não costumam abandonar os filhotes.

Ou seja, há muitas abelhas jovens,

mas não encontramos abelhas mortas na colônia, nem no apiário. Elas voaram para longe.

Este apiário é uma coleção de colônias que trouxemos há 2 meses,

colônias que suspeitávamos que tivessem a SCC.

Este é um exemplo em que temos apenas dois quadros com abelhas.

Não tem mais abelhas.

É uma colônia na última fase do colapso.

A rainha não sai...

Pode estar doente, mas não morre.

Podemos ver algumas abelhas aqui... Esta é a rainha.

E podem ver que tem um bom grupo de crias

e ovos até as bordas. Ela está tentando recuperar a população,

mas as abelhas morrem num ritmo mais rápido.

Duas das colônias morreram e estamos analisando o que houve com elas.

Esta está horrível, mas eu esperava que houvesse muitos mais danos.

Esta manhã, abrimos uma colmeia para analisar

e quando voltamos à tarde, ela já estava vazia.

3 mil abelhas sumiram.

Esta é uma colmeia que os cientistas encontraram há dois dias.

Estava cheia de abelhas. Três horas depois, não havia ninguém em casa.

Simplesmente foram... embora.

"A abelha é mais honrada do que outros animais, não porque trabalha, mas porque trabalha para os outros." - São João Crisóstomo

As colmeias são transportadas pelo homem para polinizar

plantações desde os tempos do Egito Antigo

Os Antigos Egípcios levavam colmeias em jangadas pelo Nilo,

acompanhando as floradas.

Hoje as abelhas são transportadas em semirreboques

e polinizam alimentos no valor de 15 bilhões de dólares por ano, só nos EUA.

Os apicultores comerciais, como Dave Mendes,

não obtêm a maior parte da sua renda do mel,

mas de contratos de polinização com fazendeiros,

que dependem da apicultura para produzir frutos e vegetais.

Se fizer calor, temos de dar água às abelhas à noite.

Se fizer frio...

- Vocês as cobrem. - Exato.

Abaixo dos 10 ºC, não é bom para elas.

Acima dos 10 ºC,

e o tempo ficar quente, assim

como nós temos sede, as abelhas também têm.

Elas foram carregadas na noite passada,

saíram de Fort Myers ontem à noite,

irão viajar provavelmente durante 4 dias.

Essas colmeias chegarão a Lost Hills, Califórnia,

num campo de amendoeiras que há lá.

Ficarão lá até meados de março e depois voltam.

Chegarão ao Rancho Babcock e em meados de maio

irão para o Maine para polinizarem mirtilos.

Irão quase até à fronteira canadense, no condado de Washington.

Daí, irão de caminhão até ao Massachusetts para as amoras.

Quando acabarem, voltarão à Flórida e, possivelmente, de volta ao rancho.

Quando os jornalistas me perguntam o que se passa com as abelhas,

perguntam se haverá abelhas suficientes para a polinização.

O que eu tento enfatizar é que essa é apenas uma das preocupações.

As abelhas são um indicador da qualidade ambiental.

Quando as abelhas estão morrendo, algo está errado.

E isso irá afetar todos nós.

Fui a várias convenções com o meu amigo Dave Hackenberg.

O Dave me pergunta o que vamos fazer,

como vamos acabar com isto.

Deveríamos conseguir resolver isso.

Não sei.

Desculpe...

Acho que isto está além do nosso alcance.

Isto são colmeias mortas que recebemos, estamos organizando todas elas.

É agoniante para essa gente, porque também é o sustento deles.

É apenas um dos edifícios que temos, cheios de colmeias mortas.

Sou um apicultor comercial desde... hã...

Sou da quinta geração de apicultores.

Sempre tivemos problemas, mas...

... este é um problema com uma gravidade que nunca vimos.

Estamos na segunda semana de fevereiro, e desde o dia de Ação de Graças,

perdemos praticamente o negócio. As abelhas estão morrendo.

Não sei o que vamos fazer.

Temos algumas opções que estamos explorando, mas...

... não sabemos.

Ao ficar sem o negócio,

Rick Smith despediu-se amargamente da empresa familiar de apicultura.

É devastador e doloroso.

A solução já não está nas minhas mãos.

As pessoas têm uma longa história de ligação com as abelhas.

E essa ligação deve-se em parte ao fato de que, na Antiguidade,

não havia nada tão doce. Eles não tinham a cana-de-açúcar.

As únicas coisas doces eram as frutas.

Para quem provava mel sem conhecer o açúcar, era o néctar dos deuses.

Era algo incrível.

O mel era mágico, era medicinal.

Era de longe o remédio mais antigo.

No Antigo Egito, era usado como uma panaceia

para praticamente qualquer moléstia do corpo humano.

Tal como na Grécia e em Roma.

No Mundo Antigo, as abelhas eram vistas como proféticas.

O comportamento das abelhas e dos enxames era visto como um presságio.

Se os enxames se instalassem em casas ou templos

isso era visto como uma espécie de mensagem ou bênção.

A abelha representa claramente o aspecto feminino do divino,

pelo fato de a rainha ser o centro da colmeia.

Na cultura greco-romana, a rainha e as abelhas estavam associadas

ao que eu chamo o feminino sagrado ou, simplesmente, a deusa.

As abelhas são uma sociedade feminina.

Todas as abelhas operárias são fêmeas e constituem 95% da população.

Recolhem mel, constroem os favos, protegem a colmeia e cuidam dos filhotes.

Os zangões, os machos,

servem apenas para acasalar com a rainha.

Se estes matriarcados produtores de mel eram proféticos na Antiguidade,

que mensagem terão para nós hoje?

As abelhas estão nos dizendo que temos de abrir novamente a consciência

para a ideia de que há os aspectos masculino e feminino da divindade.

E estes dois têm que entrar novamente em equilíbrio,

respeitando o corpo da Terra como mãe.

A coleta de mel tem sido parte integrante da cultura humana

desde a Idade Paleolítica.

Pinturas rupestres desde a África do Sul até Espanha

mostram homens subindo em árvores, rodeados por nuvens de abelhas

ou usando fumaça para acalmar as abelhas, na busca do ouro líquido.

Ainda hoje os coletores de mel entram nas densas florestas malaias

onde escalam a "tualang", a árvore mais alta da Ásia

É lá que a abelha gigante "apis dorsata"

faz as suas colmeias.

Antes da caçada ao mel, Pactay faz um fumigador com tiras de junco.

Com 84 anos, ele lidera a operação com os seus filhos e netos,

transmitindo esta antiga tradição.

"Quanto mais examinamos a abelha, mais percebemos que o funcionamento de uma colmeia vai muito além da nossa compreensão." - Leo Tolstoy

Casos da Síndrome do Colapso das Colmeias, ou "SCC", foram registrados

em 35 estados.

Cientistas de todo o país unem esforços

e usam técnicas no estilo "CSI" para descobrir as causas.

Da Florida à Califórnia,

os cientistas recolheram amostras de abelhas, cera e pólen,

e as enviaram para análises em laboratório.

Um dos desafios é que não se encontram as abelhas mortas pela SCC.

Ainda assim, a investigação levantou um novo conjunto de questões.

Surpreendeu-me o pouco que eu sabia

e o pouco que havia para analisar para saber o que se passava.

Foram feitos alguns estudos nos anos 30 e 50,

mas hoje, quando disseco abelhas, eu faço com um propósito,

se procuro ácaros, sei o que devo fazer.

Nos primeiros estudos que fizemos com a Universidade da Pensilvânia,

descobrimos que estas abelhas tinham todos os tipos de patógenos possíveis

e isso nos levou a crer que o sistema imunológico foi afetado.

Algo estava deixando as abelhas suscetíveis a tudo.

Foram investigados vários suspeitos, inclusive o ácaro "varroa".

Esses parasitas se alimentam do sangue da abelha,

transmitem vírus e depositam ovos nas células das larvas de abelha.

Outro suspeito era o microsporídeo "nosema ceranae",

que dificulta a alimentação das abelhas, deixando-as fracas demais.

Também suspeito era o recém-descoberto vírus da paralisia aguda

encontrado em muitas colmeias atacadas pela SCC.

Mas, após investigações exaustivas, os cientistas concluíram que

embora os três suspeitos afetassem as abelhas,

nenhum deles era a causa primária da SCC.

Durante a pesquisa, os cientistas formularam várias outras teorias

algumas que valiam ser investigadas, outras não.

Ouvi de tudo.

Desde pilhagens até ...

... uma conspiração russa em que eles haviam colocado genes nas abelhas

e enviaram raios, a partir de satélites, para matá-las...

Como cientista, não posso descartá-las, mas não parece muito provável.

Os telefones celulares também foram suspeitos

e, por algum motivo, falou-se muito nisso.

Foi uma má interpretação de um jornal alemão,

e a pessoa responsável já se retratou por essa associação.

Mas continua-se a falar nisso.

Não cremos que essa seja a causa,

embora não recomendemos que os criadores dêem celulares às abelhas,

porque são insetos muito sociais e poderiam levá-los à falência, com tantas chamadas...

E porque só polinizariam os mirtilos (Blackberries)...

"Escuta, hoje não vou poder ir."

Os apicultores tornaram-se peritos em substituir colmeias mortas.

Um apicultor normal dirá que perde 30% das colmeias por ano.

Se um criador de vacas, um produtor de milho ou de maçãs

perdesse 30% da sua produção por ano...

Chamaria a Guarda Nacional quando as vacas começassem a morrer em Montana!

Mas os apicultores só têm de abrir a colmeia em dois, pôr outra rainha

e preencher esses vazios muito bem, mas isso torna-se num pesadelo,

porque, sempre que têm esses colapsos, eles têm que corrigir a perda.

Apesar dessa rápida solução de dividir as colmeias,

os apicultores ainda não produzem o suficiente.

Nos últimos anos, na América,

não tem havido abelhas suficientes para polinizar as amendoeiras.

Os produtores foram falar com o Dep. de Agricultura,

e perguntaram se podiam importar abelhas de outros países.

E creio que há 3 anos,

receberam permissão para trazerem abelhas da Austrália.

As abelhas começaram a chegar de avião ao aeroporto de São Francisco,

e foram levadas para Central Valley. Mas chegaram confusas,

porque vieram do outro lado do mundo, de uma estação oposta,

mas polinizaram as amendoeiras.

As abelhas agora atravessam oceanos para resolver a escassez

algo que, por si só, é insustentável.

Contudo os cientistas americanos continuam sem conseguir determinar

a causa do desaparecimento das abelhas.

Tratamento Experimental com açúcar e antibiótico

Escolhemos estas porque parecem ter SCC.

Temos tido ideias que são um tiro no escuro.

Estão tentando recuperá-las?

Sim, para ver se conseguem se reequilibrar e não morrer.

Estas colônias deveriam estar mortas dentro de semanas.

Estamos vendo se há uma forma de lidar com as colônias em colapso.

Não temos grande esperança, mas...

Na maioria dos casos, as colônias com SCC

não tiveram um problema imediato com ácaros ou o vírus "nosema"

Já excluímos muitas coisas

e estamos agora focados em alguns fatores que restam.

"Tal como a abelha, o sábio deve recolher sabedoria de várias escrituras." - Bhagavad Gita

Os apicultores holísticos optaram uma abordagem oposta

às grandes operações de transferências migratórias.

Ter muito menos colmeias e não deslocá-las para polinização

são algumas das diferenças da sua prática.

Igualmente picados pelo amor às abelhas,

esses homens e mulheres reconhecem um diferente conjunto de suspeitos

para explicar o enigmático desaparecimento das abelhas.

No centro-oeste de Illinois, estamos criando uma fazenda biodinâmica.

No coração da fazenda, há um refúgio para abelhas.

Um santuário, onde as abelhas podem ser tratadas

de uma forma em que não são exploradas ou vistas apenas como objeto de lucro.

Escolhemos este local em Illinois, por estarmos no coração rural,

onde se encontram os maiores danos.

Estamos cercados por milho e soja da Monsanto.

Essas são as principais lavouras.

Os habitantes do Iowa e aqui do Illinois,

já não podem beber da água dos seus poços,

por ser tão venenosa.

Eu não estaria fazendo o trabalho que faço

se não tivesse esperança de que podemos reverter as coisas.

Pouco a pouco.

Queremos fazer bálsamos, pomadas e produtos medicinais

com o que as abelhas nos dão,

a cera, o própolis e o mel.

E ensinar como tratar as abelhas de forma diferente,

para podermos fortalecer o seu sistema imunológico,

reconstruir as suas forças inatas.

Uma prática comum que Gunther acredita ser prejudicial

para a saúde e vitalidade das abelhas

é a forma como os apicultores comerciais tratam a abelha rainha.

Enquanto as operárias e o zangões vivem apenas algumas semanas ou meses,

uma rainha pode viver até 5 anos.

Ela é a mãe de todas as abelhas das sua colmeia.

Os apicultores comerciais matam rotineiramente a rainha,

ao fim de poucos meses

e substituem-na por uma mais nova, criada artificialmente.

Os apicultores tiram a rainha da colmeia e apertam a sua cabeça,

para depois introduzirem uma substituta numa gaiola.

Essa gaiola impede a colônia de matar a rainha estranha,

até que todas se adaptem ao seu odor.

E a forma de criar rainhas, que é mecanizada e artificial,

é a principal responsável pelo ataque à abelha.

Outra prática que os apicultores holísticos

acham que está minando a saúde das abelhas é a inseminação artificial.

A abelha rainha é adormecida com dióxido de carbono

e fecundada com semen recolhido de zangões.

Fazem isto para escolher traços específicos

mas os críticos consideram que isso reduz o banco genético.

Estou abrindo a câmara vaginal da rainha.

Pego os fórceps e puxo o ferrão.

É um pedaço de tecido que temos de afastar.

Pomos o semen diretamente no canal do ovário.

Calculamos a quantidade de semen em microlitros.

Dá o equivalente a 8 ou 10 zangões.

A seguir... retiramos isto e libertamos a rainha.

Agora, está pronta para fazer o seu trabalho.

Parece um pouco entorpecida, mas vai acordar logo.

Outro método industrial de apicultura sob suspeita

é a prática de tirar o mel das abelhas e encher as colmeias com xarope de açúcar.

É como alimentar os seus filhos com "junk food"

e eles fazerem o mesmo com os filhos deles.

Se fizermos isso ao longo de 100 gerações,

que saúde terão os seus tataranetos?

Foi isso que fizemos com a abelha.

Alimentamos as abelhas com açúcares vazios, quando deveriam receber

a dieta rica do néctar das flores.

O privilégio de ser um apicultor,

não é gerar o máximo de mel possível.

Temos abelhas para podermos contribuir para a polinização.

Na verdade, o futuro da apicultura não está num apicultor com 60 mil colmeias.

Está em 60 mil pessoas com uma colmeia,

todas elas aprendendo a arte e o ofício da apicultura

como uma prática holística.

Dee Lusby é considerada a "abelha rainha" do movimento da apicultura orgânica.

No início de 2008 o seu grupo de apicultura orgânica no Yahoo

tinha mais de mil membros,

o que a levou a organizar a primeira conferência anual de apicultura orgânica.

Os apicultores orgânicos não dão xarope de açúcar às suas abelhas

ou pólens artificiais, normalmente usados por grupos comerciais.

Eles também se opõem ao uso de acaricidas,

agrotóxicos que alguns apicultores põem nas suas colmeias,

para combater ácaros.

Veterana condecorada do Vietnam, Dee vive num deserto remoto

nos arredores de Tucson e consome 3,5 litros de mel por semana.

O que você acha que é a SCC?

Penso que é uma combinação na qual,

quando as abelhas não estão em sintonia com a Natureza...

... ficam expostas a todo o tipo de parasitas, vírus, bactérias e fungos,

que acabam por eliminá-las.

É uma situação triste, porque...

... muitas destas pessoas são obrigadas a transportá-las,

por não conseguirem vender mel e ganhar sustento.

E ao se verem obrigadas a isso, têm de recorrer à agricultura industrial,

e quando estão na estrada, onde não podem alimentá-las,

têm que fazê-lo artificialmente,

e quando o fazem na estrada e acontece alguma coisa,

normalmente perdem 10% das rainhas e têm de comprar rainhas artificiais.

Quando se tornam migratórios, entram num sistema que é...

... como uma estrada para o inferno.

"Vede como os meus olhos se iluminaram por ter provado um pouco deste mel." - Bíblia

Não estaria aqui hoje com as abelhas se não fosse pela polinização.

Não podemos competir com os preços mundiais de mel,

porque a China, a Argentina e toda essa gente nos encostou na parede.

Há 4 ou 5 anos, o mel chegava aqui com cloranfenicol.

Já ouviu falar desse antibiótico?

Provoca anemia aplástica, e vem no mel chinês.

E isso foi descoberto e proibido.

Agora, o sujeito importa misturas de mel e as vende como mel.

Isto aqui são containers de mel que entram neste país.

São misturas de mel.

Este aqui mostra quatro containers de mel que contêm xarope de lactose.

É feito a partir do leite.

Cada um deles tem uma mistura qualquer.

Este aqui tem um xarope de milho rico em frutose.

Neste aqui, trouxeram três containers. Tem açúcar de beterraba.

É o mesmo mel que temos aqui.

- Você deixa a gente dar uma olhada? - Sim. Mas não filmem isso.

Está bem.

Podem ver aqui.

Estão com a câmara desligada? Desliguem.

Não podemos ficar aqui muito tempo, senão vão desconfiar.

- Estão vendo aqueles tambores verdes? - Sim.

Aquilo é a mistura. O mel falsificado.

Todos eles dizem que vêm da China.

"Produto da China."

Mas eles declaram um valor irrisório ao entrar no país e não pagam taxas.

Declaram o valor a 36 cents por quilo!

E os alfandegários permitem isso!

Não existe mel por 36 cents o quilo. Nem a água se compra a esse preço!

Não se compra nada com isso.

E esse cara faz isto há anos.

Está destruindo o negócio.

Se tirarmos o mel suspeito, que chamamos assim por não ser mel puro,

se o tirarmos do mercado, esse mel que vem de fora,

talvez o preço do mel subisse,

mas o problema é que a FDA não quer saber.

Vai para panificadoras como a General Mills, a Pillsbury,

a Kellogg's, e por aí fora.

É uma pena ver como este país vai acordar um dia sem abelhas.

As pessoas vão perguntar:

"Onde estão as frutas e os vegetais que costumamos comprar?"

e vamos dizer-lhes: "Ainda não chegou o navio da América do Sul ou Central."

"Esta semana não há. Volte a semana que vem."

E as pessoas vão ter que se acostumar com isso.

Cerca de 35% da fruta e dos vegetais que comemos, são importados.

E há quem diga que em algumas áreas da agricultura,

dentro de 10 anos, vamos importar a maioria das frutas e vegetais.

As frutas virão da China e do México, mas se algo correr mal

e eles precisarem dessa comida para eles mesmos, quem nos vai alimentar?

Não sei se haverá alguém.

No início de 2008, o desaparecimento das abelhas

continuava a ser relatado em todo o mundo,

sem que tivesse sido encontrado um elo comum para a causa.

Enquanto os cientistas continuavam a procurar uma solução

os apicultores migratórios

tinham dificuldades em cumprir os seus contratos de polinização.

Na primeira colheita do ano, a mais rentável para os apicultores,

Hackenberg e Mendes trabalhavam lado a lado

inspecionando colmeias em campos de amendoeiras da Califórnia.

Aqui não há pólen.

Olha o fundo. Podem não estar saudáveis.

Aqui está a rainha.

Está feliz.

E também é bonita.

- Não é bonita? - É.

Está pondo os ovos, o que significa que...

- Elas estão felizes. - Isso mesmo.

Alô?

Hackenberg e Mendes souberam que o seu amigo e colega apicultor

Brett Adee acabara de descobrir um enorme colapso das suas colmeias.

Foram até o local e testemunharam o pior caso de SCC jamais registrado.

40 mil colmeias de colônias saudáveis se transformaram em caixas vazias

numa questão de semanas.

2 bilhões de abelhas desaparecidas.

- Aproveitamos para tirar uma foto? - Vou tirar.

E a coisa continua, vai até a colina! Em todos os lugares.

A gente pensa que faz ideia do que isto é...

Não dá para imaginar.

Parecem fotos do Holocausto. É um holocausto de abelhas.

Quero ver o que isso pode ser...

Isto aqui é perturbador.

Devia haver abelhas mortas...

Com tantas colmeias...

não há abelhas mortas para tanta colmeia.

Tive um mau dia naquele apiário em Ruskin, Florida,

Perdi 40.000 colmeias.

Na fazenda de Brett Adee, 24 km a oeste daqui...

Foi um dos piores dias da minha vida.

Estar ali e ver tamanha devastação...

Vejo uma colmeia ali...

Será que restam abelhas?

Duvido.

Um pequeno zumbido, algumas abelhas.

Não são suficientes, não são viáveis.

Desapareceram...

Só tem umas seis abelhas ali.

Não tem rainha.

Por isso...

Neste último encontro de apicultores em Sacramento,

houve vários apicultores que foram ver Hackenberg e disseram:

"Devo-lhe um pedido de desculpas. Ouvi você falar disto há 1 ano"

"e pensei que você fosse apenas um mau apicultor."

"Agora que vi isto nas minhas colmeias, sei que eu estava errado."

Com a Síndrome do Colapso das Colmeias atacando pelo segundo ano seguido,

os cientistas continuavam sem encontrar uma explicação.

Lentamente a investigação orientou-se para as práticas agrícolas

que nos deixaram tão dependentes das abelhas.

"A agricultura pode parecer fácil quando o arado é um lápis e se está a mil quilômetros do campo de milho." - Dwight David Eisenhower

Antes, havia fazendas em que o agricultor criava porcos,

algum milho, um grande pomar e galinhas.

As fazendas eram diversificadas. Era a fazenda americana típica.

Hoje, os nossos agricultores cultivam milho,

ou macieiras.

Ou um ou outro, não produzem milho e maçãs.

São extensos hectares, centenas, por vezes, milhares, de uma só coisa.

Isso é a monocultura.

É pouco provável que haja muitas abelhas numa monocultura.

Por que? Porque em 50 semanas do ano, não há nada para elas comerem.

O que uma abelha faria num lugar desses? Só se fosse estúpida.

Contradiz a lógica do mundo natural. Não existem monoculturas na Natureza.

Não é assim que ela funciona. Ela não põe todos os ovos no mesmo cesto.

Portanto, para manter uma monocultura, é necessária muita intervenção.

Quando se tem uma monocultura, é preciso pesticidas,

porque as pestes adoram monoculturas.

Cada animal e planta tem as suas pestes e doenças,

e quando essa peste ou doença encontra uma monocultura,

é uma festa! Há tanta comida que a sua população explode.

É muito difícil controlar uma peste, porque quando se instala,

tem tudo o que precisa e multiplica-se.

Então, para sustentar as monoculturas,

nós as pulverizamos com produtos químicos tóxicos.

Mas quando começou o uso generalizado de pesticidas?

Como foram inventados?

Aqui na Alemanha, em Leverkusen, havia uma escola de guerra química,

na Primeira Guerra Mundial.

O Exército Alemão foi o primeiro a usar a guerra química.

Depois da Primeira Guerra, quando já não havia guerra,

eles meio que "coinventaram" os pesticidas.

Os produtos químicos da guerra passaram a ser de uso civil.

Estes químicos, que eram munições, passaram a ser usados no setor privado,

e as empresas viram isso como a transformação perfeita para a sua indústria.

A guerra química e os pesticidas são dois lados da mesma moeda.

Os químicos são idênticos e foram as mesmas empresas e as mesmas pessoas

que inventaram essas substâncias.

Pegamos coisas que sobraram da Segunda Guerra Mundial

e fizemos químicos para a agricultura e para nos alimentarmos.

Tínhamos matado pessoas com aquilo,

e agora tentaríamos matar insetos, para depois comermos essas coisas.

Isso faz sentido? Não me parece, mas eu sou apenas um bobão.

Com a mudança dos pesticidas dos campos de batalha para os mercados,

os químicos nem sempre entregaram os benefícios que prometiam.

INSETICIDA DDT USADO PARA COMBATER A PARALISIA INFANTIL

Com a possibilidade de uma epidemia de paralisia infantil,

as autoridades sanitárias de San Antonio, Texas

atacaram os portadores dos germes por toda a cidade.

Com aspersores especiais e o DDT descoberto na guerra,

partes da cidade ficam cobertas com o inseticida,

na luta para impedir a propagação da poliomielite.

São usadas toneladas de DDT nesta luta contra a temível doença,

cujo principal alvo são as crianças.

A guerra volta a contribuir com uma das suas descobertas para salvar vidas.

O DDT, o Clorpirifos...

... foram químicos que defendemos como tendo riscos aceitáveis numa década,

e depois considerados inaceitáveis, na década seguinte.

Eu não gosto de usar químicos, seria bom não ter de usá-los,

mas não se pode ter uma boa colheita sem usar químicos.

Se voltarmos a cultivar tudo de forma orgânica,

os insetos, como muitos sabem, tomariam conta do mundo...

... se não usássemos métodos de controle.

Os pesticidas foram criados para matar insetos,

mas esses químicos costumam causar grandes problemas às abelhas.

As abelhas e os pesticidas sempre tiveram alguma interação,

normalmente negativa,

porque as abelhas vão às colheitas e elas estão cobertas de pesticidas.

Há muito tempo as abelhas são afetadas pelos pesticidas.

Estou no negócio da polinização desde o início

e sempre trabalhei perto de pesticidas.

Houve um forte movimento no país para nos afastarmos deles.

Quando as abelhas eram pulverizadas, nós percebíamos logo.

Havia abelhas mortas e uma queda da população.

Até recentemente, os agricultores aplicavam pesticidas por via tópica,

pulverizando as suas colheitas.

Os apicultores podiam proteger as suas abelhas, mudando-as de lugar, durante a pulverização.

Se os pesticidas causassem algum problema,

era fácil saber, devido às abelhas mortas em volta das colmeias.

Mas esses pesticidas acabaram sendo substituídos

por outros mais novos, supostamente mais seguros.

Ao contrário dos antigos químicos de curta duração,

esses "pesticidas sistêmicos" mantêm-se na planta toda a sua vida.

Com os antigos pesticidas... digamos que temos um tomateiro.

Pulverizava-se a planta, os insetos alimentavam-se das folhas e morriam.

Os pesticidas sistêmicos são usados na irrigação ou nas sementes

e incorporam-se à própria planta,

ficando ativos nas folhas e, em alguns casos, no pólen e no néctar durante florada.

Esses pesticidas matam os insetos, causando-lhes danos subletais.

Debilitam os sistemas imunológicos, descontrolam a digestão,

prejudicam as capacidades de orientação e danificam sutilmente o cérebro.

Estes efeitos podem ser particularmente nocivos para os insetos

que vivem em colônias, como a abelha melífera.

Se ficar perdida ou separada da colônia,

uma abelha sozinha não pode sobreviver mais do que 24 horas sem a sua colmeia.

Desde a sua introdução, os pesticidas sistêmicos

tornaram-se os inseticidas de maior crescimento no mundo,

com marcas como a Gaucho e a Poncho,

que passaram a ser usados em larga escala nos EUA em 2003,

não muito antes do surgimento da Síndrome do Colapso de Colmeia.

Com os novos pesticidas, os sistêmicos,

podemos ficar expostos e não ter sintomas durante muitos meses,

mas quando os sintomas surgem... são devastadores.

Os produtos usados atualmente

foram testados e considerados seguros para as abelhas,

mas isso é verdade com uma dose letal. Quando a abelha chega numa flor,

o produto não é suficiente para matá-la.

Mas ela o leva para a colmeia e dá de comer às abelhas em crescimento.

Isso não é estudado, porque as autoridades não o exigem.

Não existe nenhuma pesquisa sobre isso.

O que nos preocupa são as doses não letais ao longo do tempo,

e o efeito que isso tem na saúde das abelhas.

Mas medir os danos subletais causados pelos pesticidas é uma tarefa desafiante.

Maryann Frazier, pesquisadora da Universidade da Pensilvânia,

começou a investigar se os pesticidas, em especial esses novos sistêmicos

poderiam explicar a queda da população de abelhas no país.

Para analisar o impacto dos pesticidas, temos de recolher amostras,

por isso, recolhemos amostras de mel ou pólen, ou mesmo de abelhas ou cera.

A questão inicial era saber se os pesticidas,

em particular os sistêmicos, seriam a causa da SCC.

Decidimos participar num grande projeto sobre a SCC,

e com isso, descobrimos uma quantidade incrível de pesticidas.

Então, a questão tornou-se muito mais complicada.

Sim, os pesticidas estão presentes, não há dúvida,

mas qual o impacto desses pesticidas? O que fazem à abelha?

É essa a nova questão.

A ideia de que estes pesticidas que vemos em pequenas quantidades

estão causando efeitos subletais,

é muito mais difícil de diagnosticar e de compreender.

Eles podem estar interferindo no sistema nervoso das abelhas,

e, consequentemente, com a capacidade de elas aprenderem ou memorizarem,

ou no seu sistema imunológico,

debilitando-o e impedindo-o de combater doenças.

Com a SCC devastando as abelhas pelo segundo ano,

o drama desses polinizadores mudou-se para a capital do país,

onde o Congresso decidiu debater sobre as abelhas.

David Hackenberg e Dave Mendes viajaram até Washington DC,

para exporem as preocupações sobre as suas abelhas e o nosso ambiente.

Em fevereiro do ano passado, investigadores agrícolas

em conjunto com o Dep. da Agricultura,

chamaram este declínio em massa das abelhas de

Síndrome do Colapso das Colmeias,

e decidiram determinar a causa do problema.

Muitos apicultores do meu distrito

têm sido devastados emocional e financeiramente

pela perda repentina das suas colônias de abelhas.

Gostaria de chamar Dave Mendes,

vice-presidente da Federação Americana de Apicultores, de North Myers, Florida.

Gostaria de poder dizer que, após últimos 18 meses,

teríamos determinado a causa da SCC, mas isso não seria a verdade.

O que posso dizer aos senhores é que muitos apicultores

têm uma boa noção do que está prejudicando as abelhas.

O que está acontecendo é que estes novos produtos, os chamados sistêmicos,

podem ser aplicados no solo, nas folhas

e nas sementes do milho, por exemplo.

Pela minha experiência e de vários apicultores,

se levarmos as abelhas para uma área onde esses produtos são usados,

meses depois, entram em colapso,

e as abelhas que deixamos longe das colheitas, continuam bem.

Muitos dos presentes estarão a par dos recentes atos na Alemanha

para restringir o uso de muitos pesticidas sistêmicos.

Isso acompanha as leis implementadas na França para limitar esses produtos,

até que se prove claramente que são seguros para as abelhas

e outros insetos benéficos.

"Todo o homem tem dois países: o seu e a França." - Thomas Jefferson

O desaparecimento das abelhas certamente

teria sido uma grande preocupação para Napoleão Bonaparte,

que fez das abelhas um símbolo do seu reinado.

A escola de apicultores mais antiga do mundo

ainda existe no Jardim de Luxemburgo

e há inclusive colmeias que ouvem árias no telhado da Ópera de Paris.

Há 15 anos, as abelhas começaram a desaparecer na França,

de uma forma semelhante à Síndrome de Colapso de Colmeias,

que chamaram de "doença das abelhas loucas".

Discutíamos a morte das abelhas numa conferência na Austrália,

e quando o investigador americano falou,

foi como se ouvisse o que acontecera em França há 10 anos.

Os problemas começaram em 1995,

quando os agricultores passaram a usar o pesticida sistêmico Gaucho, da Bayer.

Filmamos as abelhas em girassóis orgânicos

e em girassóis tratados com o pesticida Gaucho,

e vimos o comportamento das abelhas.

Sobre os girassóis orgânicos, a abelha recolhe o pólen e o néctar

de modo preciso e ritmado.

Mas sobre os girassóis tratados com o Gaucho,

as abelhas ficavam desorientadas e confusas,

tentavam se limpar constantemente e acabavam por cair.

Nessa altura, havia quem nos acusasse de sermos maus apicultores.

Mas não conseguiram me convencer de que havia maus apicultores

na França, na América, na Itália, na Austrália, na Espanha e na Alemanha,

e que se queixavam do mesmo problema.

Defendendo que o declínio massivo das abelhas

era mais do que um problema de maus apicultores,

os apicultores franceses saíram às ruas.

Juntaram-se aos milhares em cidades por toda a França,

na Torre Eiffel e em frente à Bayer Crop Science,

a empresa que fabrica os pesticidas sistêmicos em questão,

como o Gaucho e o Poncho.

Por que fez isso, senhor?

Para me manifestar. Vamos trazer um monte de colmeias mortas

para eles saberem como é.

Não há abelhas, não sabemos onde estão.

É tudo o que resta.

O que representa isto?

A morte do apicultor, porque se as abelhas morrem, o apicultor também.

Penso que no início, surpreendemos a Bayer,

porque eles pensavam que os apicultores eram agricultores ignorantes e sonhadores,

que eramos individualistas,

e que não nos sabíamos organizar.

Mas nos reunimos e contratamos um advogado.

Pusemos um enorme processo judicial em cima deles,

recolhemos provas científicas e obtivemos resultados.

Ao analisar as provas em tribunal e escutar os protestos do público

o ministro francês da agricultura proibiu os pesticidas sistêmicos

no milho e nos girassóis.

Suspendemos o uso do Gaucho, porque o nosso dever é proteger o ambiente.

Depois de termos tido conhecimento das enormes perdas dos apicultores,

decidimos proibi-lo.

Para saber mais sobre a proibição,

Hackenberg e Mendes atravessaram o Atlântico

para uma conferência internacional de apicultores na França.

Henri Clement convidou-os para falarem

e trocarem impressões com os apicultores e cientistas europeus.

- Pode-se ir até ao topo? - Claro que sim.

É importante que haja relações entre os apicultores na França e na Europa,

porque isto é um grande problema.

Esses pesticidas.

Nós também achamos.

O problema nos EUA é que nós precisamos da ciência.

Ainda não temos a ciência e não é o que o Governo pretende.

O que descobrimos foi que os pesticidas iniciam o processo

e depois vêm os vírus... - Exato!

Para mim, o problema é: primeiro, os pesticidas,

e o efeito dos pesticidas... - Vírus, nosema ceranae, verroa...

- Quando você está intoxicado... - Sim, sim.

... vieram de longe, atravessaram o Atlântico.

Na primavera de 2004, levamos as abelhas ao estado de Nova Iorque,

e as macieiras tinham sido pulverizadas com Assail,

um produto sistêmico da Bayer.

Os cientistas estão descobrindo esse produto no pólen,

mas o problema não é encontrá-lo, é saber o que fazer a respeito disso,

porque as agências de proteção ambiental aprovaram-no

e agora cabe a nós provar para eles que há um problema.

Um dos nossos objetivos em vir aqui à Europa,

é aprender quais pesquisas científicas vocês já têm

para podermos levá-las e mudar também as nossas leis.

As abelhas recolhem o pólen e parecem bem.

Mas depois, comem o pólen guardado na colmeia

e, 6 meses depois, entram em colapso.

É isso que temos visto.

No inverno, as abelhas alimentam-se do pólen.

É muito difícil provar...

... por causa do tempo que decorre entre a causa e o efeito.

Suspeitamos que quando está no pólen, afeta as abelhas de forma diferente

na sua fase de crescimento.

As abelhas que eclodem têm o sistema nervoso afetado.

Não mostram diferenças físicas, mas algo está errado com elas.

E parece levar mais do que uma geração.

Tivemos a oportunidade de conversar com cientistas e apicultores daqui

sobre os nossos problemas e os deles.

Há algumas diferenças, mas no geral, o problema parece ser o mesmo.

Apicultores de todo o mundo têm suspeitas semelhantes

e começaram a se manifestar.

Os apicultores britânicos pediram fundos de pesquisa para investigar esta crise.

- O que é que nós queremos? - Oito milhões!

- Para quando? - Agora!

Não pedimos muito. Já ajudaram os bancos.

Queremos 8 milhões!

Salvem as nossas abelhas, salvem a nossa agricultura!

Preocupados com a saúde das abelhas,

países como a Itália, a Alemanha e a Eslovênia

também proibiram certos pesticidas sistêmicos

que os apicultores, entre outros, acreditam estar por trás

dos desconcertantes sintomas da Síndrome de Colapso das Colmeias.

- Ministério da Agricultura Italiano -

Temos aqui hoje uma delegação de apicultores franceses...

"Seria possível descrever tudo cientificamente, mas isso não faria sentido, tal como não faria sentido descrever uma sinfonia de Beethoven como uma variação de pressão de onda." - Albert Einstein

A maioria dos governos europeus usa o princípio da cautela

quando aprovam o uso de pesticidas.

Isto coloca a segurança

como a principal prioridade na legislação de químicos tóxicos

promovendo uma atitude de prudência.

O interessante na Europa é que eles vivem uma ideia diferente,

são mais cautelosos.

Se houver um problema, tiram o produto do mercado até saberem o que se passa.

Aqui nos Estados Unidos, é ao contrário!

Lançamos o produto e depois vamos ver o que acontece!

A EPA decide a aprovação de um pesticida com base na chamada "avaliação de risco".

Esta prática permite a exposição do público ao risco,

se a EPA determinar que esses riscos são razoáveis.

Trata-se de uma agência que legisla por avaliação de risco.

Ela não gosta do princípio da precaução, enquanto prática ou filosofia.

Basicamente, diz que podemos mitigar os riscos dos químicos.

O problema é que, devido aos nossos fracos sistemas reguladores,

ainda não fazemos todas as perguntas que deveriam ser feitas,

antes de registrarmos esses químicos.

E uma das coisas que não estamos questionando adequadamente,

são os efeitos subletais dos químicos.

Os regulamentos da EPA referem-se a doses letais para as abelhas adultas.

Eles pensam que cumpriram a sua missão, mas ainda falta muita coisa.

Quando eles mudaram a natureza dos pesticidas,

tinham de mudar as leis, e isso não aconteceu.

Outro problema que os apicultores têm com o processo de aprovação da EPA

é aquilo que chamamos de "a raposa tomando conta do galinheiro".

Quem financia a investigação?

Sabe como é que a EPA funciona neste país?

Eles não fazem qualquer investigação. São os fabricantes que fazem a pesquisa

e depois enviam os resultados à EPA, para eles decidirem se aprovam ou não.

Quando falo com as pessoas aqui do estado e lhes pergunto

se é a Universidade da Florida ou o Dep. da Agricultura que pesquisou,

eles me remetem para os toxicólogos da Bayer.

Peguei no telefone, falei com o toxicólogo

e ele me disse que me enviaria os estudos.

Ele os enviou e constatei que eles põem imidacloprida em xarope de açúcar,

dão isso às abelhas adultas,

estudam-nas durante um, dois, três dias e acabou!

Quando falei com o toxicólogo, perguntei sobre as larvas

e ele disse que não tinham analisado isso, que não precisam fazer isso.

Portanto, a agência cuja função é decidir se um pesticida é seguro. ,

fundamenta-se nos dados fornecidos pelas empresas que mais lucram com ele.

Deviam tirar a palavra "Proteção" do nome, porque eles não protegem nada!

Não estão protegendo nada.

Deviam ter outro nome qualquer.

Quando as pessoas põem de lado a questão dos pesticidas e dizem:

"Os pesticidas são usados há anos, qual é a diferença agora?"

A diferença está nos resíduos, na duração do produto.

Os sistêmicos são concebidos para terem resíduos duradouros.

Quando são usados durante algum tempo, deixam resíduos duradouros no solo.

Que se acumulam com o tempo.

E ainda não se estudou muito essa acumulação e quais as consequências.

Será que ao fim de algum tempo

essa acumulação é suficiente para matar uma abelha?

Provavelmente.

E isto levanta a questão: o que fazem estes pesticidas quando combinados?

Todos sabemos que quando vamos à farmácia

nos perguntam quais outros remédios estamos tomando junto,

porque se preocupam com a potencial interação entre os compostos.

Sabemos que juntos, dois compostos pode ser mais tóxicos

do que individualmente.

É como voltar à aula de química.

Pegávamos num pouco disto e daquilo, juntávamos tudo e não havia problema.

Mas quando adicionávamos algo mais e a mistura começava a fervilhar,

aquilo tudo ia pelos ares!

O sinergismo nunca foi analisado.

Nunca ninguém fez testes, porque não é obrigado a isso.

A EPA não exige isso.

A resposta ao porquê de uma agência federal como a EPA nos EUA

não questionar o óbvio ou o que qualquer cientista consideraria lógico,

está na influência da indústria química.

Criamos agências como a EPA para regular a ganância das empresas.

Mas elas não têm feito isso. Ao contrário, foram corrompidas.

Cinicamente, tenho de dizer que se tornaram num bando de "pestitutos".

"Tudo o que afeta alguém diretamente, afeta a nós todos indiretamente. Esta é a estrutura inter-relacionada da realidade." - Martin Luther King, Jr.

Quando alguém me pergunta alguma coisa, eu digo:

"Vou perguntar às abelhas."

"Você é o Dr. Doolittle? Conversa com as abelhas?"

E eu digo que sim. Não é uma conversa verbal, mas...

Podemos ter todas as teorias do mundo, mas temos de perguntar às abelhas.

As abelhas estão nos dizendo que este é um problema complexo,

mas o cérebro humano acredita que nós temos a sabedoria,

e que podemos identificar a causa do problema,

quando, na verdade, existe uma constelação de fatores complexos

que se relacionam, coexistem,

criam sinergias e efeitos cumulativos,

que o processo científico não mede.

Por um lado, é um mistério. Não sabemos ao certo qual a causa,

se é um vírus, um pesticida... há muitas teorias contraditórias,

mas em termos gerais, sabemos exatamente qual é a causa.

São essas enormes monoculturas da agricultura americana e mundial,

que estão dificultando a vida das abelhas

e criando condições em que elas ficam vulneráveis a doenças

e expostas aos pesticidas.

Na nossa cultura, a ciência tem a última palavra,

é a máxima autoridade em assuntos de biologia.

Há outras formas de conhecimento muito poderosas, além da biologia.

Há o conhecimento local, dos apicultores,

o conhecimento daqueles que sabem observar o mundo natural.

Os cientistas dos pesticidas dizem que a ciência não prova isso.

Bem, a ciência pode não provar, mas eu vivo no mundo real.

Essas abelhas são reais!

Devíamos escutá-los, porque muitas vezes eles chegam ao conhecimento antes que a ciência.

Sabemos que nestas áreas, sempre que encontramos milho, soja

e todas essas culturas tratadas com pesticidas sistêmicos,

as abelhas são dizimadas.

Na agricultura americana, mais de 95% da comida que comemos

é tratada com pesticidas.

São usadas anualmente mais de 500 mil toneladas

desses químicos tóxicos nas nossas lavouras.

O que leva os EUA a produzirem comida desta forma?

Não creio que o agricultor esteja à procura de uma solução rápida.

O agricultor faz parte de todo o sistema

que se baseia na produção de...

... quantidade. Comida barata.

A comida barata não é tão barata como parece.

Acabamos tendo que pagar o preço.

Pagamos em termos de danos ambientais e da nossa saúde futura.

E a comida que parece cara hoje, pode não ser a longo prazo,

se ela ajudar a nos mantermos saudáveis.

A agricultura de grande escala e as pessoas que a controlam,

as empresas de químicos, de sementes e todo o resto,

têm a mentalidade de que, daqui a 10 anos, não vamos cultivar frutas e vegetais,

mas que seremos os maiores produtores do mundo de milho, soja,

algodão e colza,

e deixaremos que os outros produzam frutas e vegetais.

Há 20 anos, a produção média de milho,

a colheita média era de 1900 kg por hectare.

Hoje, é o dobro.

Com culturas geneticamente modificadas e pesticidas sistêmicos...

estão prevendo chegar aos 7600 kg por hectare daqui a 20 anos.

Isto é visto como sucesso.

Se a qualidade desse milho é a mesma ou se nos deixa doentes...

ou se provoca algo em nós... isso é secundário!

RECEIOS SOBRE TRANSGÊNICOS QUE "PODEM CAUSAR DANOS HEPÁTICOS E RENAIS"

A minha opinião sobre o colapso das colônias

é de que se trata de um dos sinais inequívocos

de que o nosso sistema alimentar é insustentável.

É uma palavra que agora se usa muito,

mas significa que ele está destruindo as condições das quais depende.

Tem contradições internas que levarão ao colapso.

A questão sobre se podemos alimentar o mundo sem químicos tóxicos,

há muito tempo foi respondida.

Apesar de toda a tecnologia moderna, temos o mesmo grau de perdas de colheita

que tínhamos antes da revolução dos pesticidas.

Continuamos a perder cerca de 1/3 das colheitas na agricultura convencional

para as infestações.

É uma grande perda.

Mas nunca perdemos nem viremos a perder mais do que isso nos sistemas orgânicos.

Embora existam alternativas mais seguras

o atual cenário agrícola impacta mais do que as abelhas.

Muitos sentem que outras formas de vida têm sido prejudicadas

pelos resíduos de pesticidas que circulam em nosso ecossistema.

Este problema dos pesticidas sistêmicos não afeta apenas as abelhas,

mas todos os principais polinizadores naturais.

Os morcegos, os beija-flores, outras abelhas solitárias...

Não são apenas as aves, os peixes e os insetos correm riscos

devido ao uso de pesticidas.

A realidade, além da questão moral, deveria nos fazer recuar e questionar

se todo o dinheiro no mundo pode nos comprar um ambiente ou boa saúde.

E, obviamente, a resposta é negativa.

Não estamos propriamente matando pessoas com pesticidas,

não vemos os cadáveres junto às colmeias ou nas ruas,

mas estamos deteriorando os sistemas do nosso corpo,

causando autismo nos humanos, ou dificuldades de aprendizagem,

e os mecanismos naturais das abelhas sendo desgastados,

ao ponto de elas não conseguirem navegar ou procurar alimento.

"Quando a última árvore tiver morrido, o último rio tiver sido envenenado e o último peixe tiver sido apanhado, veremos que não comemos dinheiro." - provérbio dos índios Cree

Em 2010...

... no final do outono de 2009, 2010,

parece que teremos a maior perda de abelhas desde que a SCC começou.

O que eu farei, tal como outros apicultores,

é viajar a 650 km de distância nesta primavera,

para manter as minhas abelhas afastadas dessas áreas nocivas.

Temos de aceitar o fato de que, não importa o que fizermos,

uma parte delas irá morrer.

De certa forma, estamos numa guerra,

e vamos perder uma percentagem dos nossos soldados, consistentemente.

Mas continuaremos a lutar.

Para ajudar os apicultores em sua luta,

um dos principais grupos ambientais americanos veio em auxílio das abelhas.

A NRDC processou a EPA no Tribunal Federal de Nova Iorque,

porque a EPA fez uma bobagem com o registro do pesticida sistêmico Movento.

Os apicultores chamaram a atenção da NRDC

para o fato de as suas colmeias estarem perdendo abelhas,

e uma das coisas estranhas relativamente a este químico

era a inexistência de abelhas mortas fora da colmeia.

Elas simplesmente desapareciam.

A NRDC venceu todos os processos e bloqueou a venda no varejo do Movento.

Em todo o mundo, apicultores, cientistas e cidadãos preocupados

reconheceram os pesticidas sistêmicos como um problema.

E agora, muitos voltaram seus olhos para a França

para saber se as proibições levaram a melhorias.

Nas regiões onde os produtos não foram mais aplicados nas colheitas,

as abelhas se recuperaram no prazo de um ano.

O futuro da abelha, tal como o da água, da energia e dos transportes,

definirá a viabilidade do Homem sobre o planeta.

Inicialmente, Gunther Hauk esperava trazer a cura ao mundo rural

mas, depois de ver os estragos causados pela agricultura industrial,

decidiu mudar-se para um lugar distante das monoculturas.

Tivemos de sair da fazenda de Illinois, uma fazenda de 250 hectares,

e encontrámos este local maravilhoso na Virgínia, em Floyd,

onde não estamos cercados pelo milho e soja da Monsanto,

mas por pastos e campos de feno.

As abelhas são os garantidores da vida da Natureza.

Por isso, temos que tentar cuidar delas.

Ao cuidarmos delas, cuidamos de nós próprios.

Einstein disse uma bela frase:

"Não podemos mudar os problemas que temos"

"usando a mesma mentalidade que os criou."

A nossa mentalidade tem de passar por uma grande transformação.

Esta abordagem a uma agricultura mais sustentável,

em que incorporamos lugares para os polinizadores nativos,

e para a fauna e a flora nativas,

e áreas livres de pesticidas para os insetos,

penso que é esse o futuro.

Não se trata de voltar à agricultura de há 100 anos,

mas de olharmos para agricultura moderna

e garantir que ela funciona em harmonia com o ambiente.

"Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos informados e decididos pode mudar o mundo. Na verdade, sempre foi isso que o mudou." - Margaret Mead

Neste momento, em 2010,

a "Apicultores Orgânicos" tem cerca de 3400 membros,

e quando começamos, éramos uns 300.

Temos crescido.

Há quem diga que a SCC é um mal que vem para o bem.

Não só colocou as abelhas no centro das atenções,

mas a preocupação generalizada também criou uma onda de apicultores amadores.

As pessoas estão ajudando as abelhas e tudo mais,

ao trazerem esses polinizadores felpudos para a sua vizinhança.

O movimento levou a cidade de Nova Iorque

a legalizar a apicultura em seus cinco distritos.

Em 24 de março de 2010, a cidade mudou a legislação

seguindo o exemplo de Seattle, Chicago e São Francisco.

Na França, eles marcham nas ruas com os tratores e o Governo muda as coisas.

Nos EUA, não funciona assim.

As pessoas têm de se queixar aos congressistas e aos senadores

e dizer: "Eu não gosto de como as coisas estão."

"Eu me preocupo com aquilo que como, me preocupo com as abelhas,"

"e com todos os outros insetos que estão desaparecendo."

Uma das coisas que eu percebi na América é que os políticos respondem a cartas,

e também sei que respondem à imprensa.

Não sei se vocês leram este artigo no New York Times.

Parece que as abelhas estão desaparecendo em todo o país.

Dezenas de milhões.

Não há sinal de abelhas mortas, elas desaparecem misteriosamente.

É assustador, não?

Sem abelhas, não há mel.

É a forma de a Natureza dizer: estão me ouvindo agora?

Onde estão as minhas abelhas?

AS ABELHAS ESTÃO DESAPARECENDO.

AJUDE-NOS A TRAZÊ-LAS DE VOLTA.

Apoie o seu agricultor orgânico local.

Faça do planeta um lugar saudável, onde as abelhas possam prosperar.

Ao salvar as abelhas, salvamos muito mais do que as abelhas.

Há soluções práticas

que podemos usar todos os dias para salvar as abelhas.

O primeiro local para começar é em casa,

diminuindo o uso de químicos tóxicos nas nossas residencias e jardins.

Alternativas seguras aos pesticidas e práticas de jardinagem holísticas

são muitas vezes mais eficazes do que os venenos

que se generalizaram nos subúrbios e nas plantações.

Não temos de esperar pelo Governo para agir em alguns desses problemas.

É importante a ação do Governo, mas podemos fazer algo hoje.

Votamos três vezes ao dia sobre o quê comemos e o quê não comemos.

E ambas as decisões são igualmente importantes.

Por isso, votar com o seu garfo tem um grande poder.

Ao fazê-lo, pode sustentar os sistemas alimentares

que cuidam melhor das abelhas.

Escolher produtos orgânicos é outra forma eficaz de ajudar as abelhas

e manter-se saudável, assim como o planeta.

Podemos salvar mais abelhas fazendo compras no mercado local

onde nos podemos divertir e comprar alimentos deliciosos.

Se estas opções não estiverem disponíveis ou a comida orgânica lhe parecer cara,

você pode fazer uma horta e cultivar os seus produtos.

Até em apartamentos podemos ter plantas na janela.

Um gramado não oferece grande coisa para as abelhas, nem tão pouco para nós.

Substitua o seu gramado por um jardim com flores.

Crie habitats para as abelhas. Não é difícil atrair abelhas.

Queríamos ter uma horta,

porque é a primeira vez que temos uma casa com terreno.

Tenho ouvido falar que as abelhas não têm comida suficiente,

devido à urbanização.

E decidimos plantar diversas espécies.

Agora, temos um jardim feito por nós.

Olá, abelhas.

E adoro ver que a minha filha está aprendendo a gostar da Natureza.

Ter um pouquinho de Natureza no quintal é bom.

O drama das abelhas também inspirou a criação de jardins

em locais importantes.

Na primavera de 2009, a primeira-dama Michelle Obama

plantou uma horta orgânica na Casa Branca.

E para ajudar os frutos e os vegetais a crescerem,

a horta tem uma colmeia.

para descobrir como você pode ajudar as abelhas, visite:

www.vanishingbees.com

E esperamos poder obter mudanças, não só para o bem das abelhas,

mas para todos nós.

LEGOS

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