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Temos notícias de última hora esta manhã.
Teme-se que uma criança britânica de três anos
tenha sido sequestrada em Portugal.
As autoridades locais dizem que a menina estava de férias com os pais
na Praia da Luz, no Algarve.
Iremos avançar mais detalhes...
O calendário mudou.
Deixou de haver 3 de maio, 4 e 5.
Era o primeiro dia do desaparecimento da Madeleine, o segundo, o terceiro.
Contávamos os dias a partir do desaparecimento dela.
Rezemos pelas crianças de todo o mundo.
Por Kate e Gerry McCann e por todos os pais de crianças raptadas.
Por Madeleine...
Apanhámos o voo noturno de Toronto
e aterrámos em Lisboa a 5 de maio.
Tinha o Caspian nos braços, na altura com cinco meses,
e havia uma portuguesa idosa e baixa
que nos disse: "Segurem no bebé.
Raptaram uma criança inglesa."
Eu disse: "O quê? Onde?"
"Na Praia da Luz."
Era uma rapariga muito bonita,
desapareceu numa perfeita noite de verão
e ninguém parece saber o seu paradeiro.
UMA SÉRIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX
Havia um ou dois suspeitos.
Algumas coisas no comportamento dele eram suspeitas.
DESAPARECIDA HÁ 2 DIAS
EPISÓDIO 2 "SUSPEITO"
À primeira vista é banal.
Uma família de férias, adormecem as crianças
e vão jantar perto do apartamento.
Acho que a solução, Ben, passa por encaixar tudo o que se passou aqui.
Se olharem para a geografia...
Vão ver as crianças por turnos.
É tudo muito normal.
Só tinham de sair do bar de tapas perto da piscina e vir até esta calçada.
Atrás desta parede branca é difícil de ver
o que se passa dentro do restaurante,
mas é interessante reparar que neste pequeno beco
é possível ver o que se passa pela vedação.
Então quem estivesse a ver conseguia ver quem entrava e o que se passava
porque o apartamento dos McCann é aqui mesmo...
É bem público.
Está tapado pelos apartamentos grandes do outro lado da rua.
Há algumas pessoas hospedadas aqui...
Não paro de pensar na questão que se punha no primeiro dia,
que era: "Como?". Como é possível...
ROBERT HALL CORRESPONDENTE BBC
... que um estranho soubesse
que as crianças estavam sozinhas,
entrasse e tirasse uma delas sem acordar os outros
e sem a acordar?
Voltaram a sair.
Não sabem quando a próxima pessoa naquele jantar
voltará a entrar naquelas portas.
A rua é bem iluminada.
Acho que só se pode concluir que
alguém estava a vigiar aquele...
... apartamento, alguém...
... planeou aquilo.
Nunca tinha visto tantos jornalistas britânicos,
e depois vieram mais de outros países,
Bélgica, Espanha, até dos Estados Unidos.
A imprensa do mundo está aqui.
Apenas correspondentes locais desses diários britânicos.
- Agora existem imensos jornalistas... - Muitas pessoas,
e todos fazem neste momento esta pergunta:
será possível encontrar Maddie?
Éramos demasiados para aquela ruela em frente ao Ocean Club...
... que disputávamos por território.
"Credo, tenho de falar para a câmara. Pode sair daqui?
Pode deixar-me só fazer este direto?"
De resto, a busca às quatro casas...
Os turistas aqui alojados não conseguem bem acreditar no sucedido.
Senti-me perdida.
JAYNE JENSEN TURISTA NO OCEAN CLUB
Estava de férias e este desastre aconteceu.
Imaginem um resort de férias lindo e pacato,
de repente cheio de pessoas por toda a parte.
O aparato dos média não parava de aumentar.
Todos os jornais estavam lá.
Televisões, helicópteros, a Sky News e tudo mais.
Todos queriam a sua notícia.
Sentimo-nos a andar às voltas,
estávamos no centro das atenções.
Voltámos para o nosso apartamento e lá ficámos,
não sabíamos onde ir, nem o que fazer.
Vieram cães, helicópteros,
várias equipas de busca.
A polícia voltou esta manhã, os cães...
Onde quer que fossemos tentavam entrevistar-nos,
perseguiam-nos.
E diziam: "Diga só alguma coisa e deixámo-lo ir.
Diga-nos o que se passa."
Viu alguma coisa?
O desespero pairava.
- Algum indício ou testemunha? - Nada.
Ninguém viu nada?
Não.
Por aquela altura começaram a surgir questões,
porque, como pai, espera-se
que o filho reapareça dentro de horas.
Eles só podiam ficar no resort e esperar.
Pela segunda noite consecutiva
Gerry e Kate McCann vieram a público pedir ajuda.
Voltamos a apelar por qualquer informação,
por mais pequena que seja,
que possam conduzir ao regresso da Madeleine.
Os involvidos sabem que esta noite não poderá haver descanso
caso haja uma chance de esta menina voltar a casa sã e salva.
DESAPARECIDA HÁ 3 DIAS
Sete minutos depois das seis, nenhum resultado nas buscas de Madeleine McCann.
Hoje não foi comunicado nada
pelas autoridades portuguesas à comunicação social,
o que tem causado alguma confusão.
Recordo-me que nos primeiros dias
eu saía das instalações da polícia e ninguém me conhecia.
As autoridades portuguesas demoram a passar informação.
Quando a Praia da Luz estava com montes de jornalistas, televisões e tudo mais,
tudo se passou a complicar.
Pensei: "Graças a Deus ninguém me conhece." Mas isso foi nos primeiros dias.
A polícia portuguesa não divulga informação
à medida que a investigação se desenvolve.
Para nós isso é estranho, acho que..
As pessoas têm direito a ser informadas
que a polícia e que os órgãos judiciais estão a fazer alguma coisa,
mas o nosso ordenamento jurídico em termos penais e processuais
é um segredo de justiça. Salvaguarda portanto
a investigação e a descoberta da verdade material.
É essa a razão por que existe o segredo de justiça,
para não pôr em causa a própria investigação.
A polícia aqui não pode contar com câmaras de vigilância.
São uma raridade em Portugal, exceto nos postos de gasolina.
Foi-nos dito que um funcionário viu uma mulher e uma menina
cuja descrição correspondia a Madeleine.
Uma menina parecida a Madeleine
foi vista de mãos dadas com uma mulher
poucas horas após ter sido dada como desaparecida.
Tudo indica que uma pessoa
viu um homem com um menina parecida a Madeleine
com um comportamento estranho num supermercado...
Há muita especulação.
Há relatos de que um indivíduo careca carregava uma menina loira...
Diz-se que um homem careca ir rumo à marina,
mas ninguém pode confirmar.
Era óbvio que a polícia nos mantinha afastados da informação.
Fazíamos suposições baseados no que víamos
quanto à estratégia deles.
Todos querem notícias desta menina...
Estávamos 24 horas por dia em direto, sem saber nada.
... uma criança de apenas três anos...
Só sabíamos que ela tinha desaparecido.
JON CLARKE JORNALISTA INDEPENDENTE
Tenho fotografias em alta definição desde o primeiro dia.
Isto é a polícia a chegar com cães
por volta das quatro ou cinco da tarde do primeiro dia.
Por esta altura, havia muitos detetives em Lagos,
e nenhum deles sabia o que fazer.
Isto é a Polícia Judiciária,
é uma esquadra engraçada.
Dá para ver o distintivo aqui.
Estes detetives têm roupas simples, parecem mal vestidos.
Estão a pensar no que fazer a seguir.
Tem que haver uma resposta rápida da polícia.
Estatisticamente, as primeiras 72 horas
são horas vitais para a polícia trabalhar e avançar.
DESAPARECIDA HÁ 4 DIAS
Aqui é possível ver a o quão pequena é a polícia perante este problema.
Há centetas de pequenos apartamentos e mansões,
todos precisam de ser revistados,
ainda mais problemas para uma polícia já nos limites.
É por esta altura que
a população da Praia da Luz triplica,
de 400 000 para 1.5 milhões de pessoas.
É especialmente difícil
para uma polícia pequena com recursos limitados.
É especialmente difícil para delegações pequenas
que nunca trabalharam neste tipo de casos.
... as imagens da polícia na fronteira espanhola são preocupantes.
Os agentes devem revistar os veículos que saem de Portugal.
Mas ficaram quarenta minutos dentro do carro para se protegerem da chuva.
Na procura de uma criança o tempo é o inimigo.
Uma carrinha de vidros fumados passa
algumas horas depois de Madeleine desaparecer.
A Polícia Judiciária demorou
a estabelecer operações stop
e bloqueios para encontrar o eventual raptor.
Já tinha passado muito tempo,
se era para sair com a criança para o estrangeiro,
numa hora, hora e meia atravessa a fronteira.
Há coisas que são quase impossíveis de nós pararmos.
Numa conferência de imprensa esta manhã,
a polícia finalmente, e talvez tarde demais,
fez a descrição de um suspeito.
Uma pessoa, caucasiana,
com cerca de 35, 40 anos de idade,
estatura média, cerca de 1.77 metros,
e possivelmente a carregar uma criança
ou um objeto que possa ter sido confundido com uma.
No início da investigação foi necessário recorrer a um desenhador da polícia
para desenhar o que era referido pela Jane Tanner em termos
do homem que tinha visto com a criança ao colo.
Foi criado um retrato-robô.
A polícia mostrou-o a este comerciante.
Era uma cara oval com cabelo.
Nenhuma característica distinta, sem nariz, boca ou olhos.
Claro que a descrição é vaga,
mas o importante é a data.
... o que trato que lhe foi mostrado
como sendo "um ovo com cabelo".
Ela descreve o cabelo e o desenho fica parecido a um ovo
e foi até publicado, o que foi ridículo.
Porque é que se publica uma coisa daquelas?
Muito obrigado. Estamos com um amigo da família McCann,
Jill Renwick. Bom dia.
Bom dia.
Falou com eles ultimamente?
A última mensagem que recebi da Kate dizia:
"Não tenho esperança na polícia portuguesa. Ajudem-me."
Depois ligámos a toda a gente que pudesse ter influência ou que conhecesse alguém,
políticos e jornalistas, para ver se os ajudavam.
Os McCann tinham ligações familiares com pessoas da imprensa,
e envolveram quem puderam para sensibilizarem a situação.
Silêncio, por favor.
Estejam à vontade.
Temos umas palavras a dizer à pessoa que está com a Madeleine,
ou que esteve com ela.
A Madeleine é uma criança bonita, esperta, engraçada e amável...
O que se quer é precipitar.
Causa pressão no raptor, se há um raptor.
O raptor sabe que a partir dali estão atrás dele.
Por favor diga-nos onde está ela...
... ou ponha-na num sítio seguro...
Para quem esteja a ouvir e tenha estado no Algarve...
Pede-se que reparem no olho direito dela.
Aquela marca diferenciava-a de quase todas as crianças
À PROCURA DE MADDIE
Como dizia um colega nosso, aquilo era a marca da morte.
Ao divulgar aquilo pomos em risco a própria criança.
E a sua sobrevivência.
Imploramos-lhe para que solte a Madeleine.
Precisamos da nossa Madeleine, e ela precisa de nós.
É uma escolha difícil.
Ou se enfrenta ou se foge,
e, na situação deles, o seu primeiro pensamento foi:
"Mais publicidade, mais probabilidade de ela voltar."
Hoje é Dia da Mãe em Portugal.
É costume as filhas darem flores às mães nesta manhã de Primavera.
O objetivo desta cerimónia é pegarmos no que sabemos...
Estávamos lá há uns dias e passámos a noite
na nossa nova casa, sabendo que a criança tinha desaparecido,
não fazíamos ideia de magnitude do que nos esperava na manhã seguinte,
o primeiro domingo na Luz como padre do Algarve.
Foi quando conheci a Kate.
Chegámos para a missa em inglês, que começava ao meio-dia.
As portas abriram-se
e ouvimos um som estranho.
Era estranho... Pareciam grilos ou algo assim.
Centenas, filas e filas de câmaras,
a fotografar estes pais que não sabiam da sua criança.
Só espero para os pais que a menina apareça,
como nós todos temos filhos.
Não há palavras para descrever aquilo que notávamos que ia no coração dela.
Compreendemos a angústia dos pais e de toda a comunidade local.
Afeta toda a gente.
O Gerry e eu queremos expressar a nossa gratidão
a todas, especialmente à comunidade local,
que nos tem apoiado imenso.
Não podia ter pedido mais. Só queria agradecer.
Por favor continuem a rezar pela Madeleine.
Ela é amável.
DESAPARECIDA HÁ 6 DIAS
As buscas pela criança com o apoio de outros residentes
e da GNR foram sempre buscas
por uma criança viva.
Penso que sabem da pressão dos média internacionais.
Os esforços policiais intensificaram-se.
Foram chamados 150 detetives
que trabalham em turnos de três dias.
No desaparecimento de uma criança deve-se
fazer um inquérito de bairro.
Saber quem ali vive, há quanto tempo,
quem não vive, quem chegou há pouco tempo.
... mudanças nas operações policiais, operações stop.
A polícia revista um acampamento...
Centenas de apartamentos de todas as unidades turísticas da Praia da Luz
estão a ser revistadas pela PJ.
Não há porta que fique por abrir.
Deve haver uma procura cientificamente meticulosa.
Devem procurar em zonas de construção, em campos e na água.
Mas isso não é tudo.
Ao mesmo tempo, procura-se aquela criança como se estivesse viva,
e se as autoridades estiverem preparadas e forem rápidas
a probabilidade de resgate é elevada.
Isto não acontece aqui.
Não se houve falar disso, é um choque.
Todos querem ajudar e fazer alguma coisa.
As pessoas, no geral, procuraram.
Os portugueses ajudaram a polícia o máximo que puderam.
Há mais voluntários a cada hora que passa.
Residentes e turistas. Podem não ser peritos...
Passei a maior parte do tempo com a polícia
no outro lado do cordão policial,
com a GNR, que trabalhava no terreno.
ROBERT MURAT RESIDENTE PRAIA DA LUZ
Pairava um entusiasmo, algo...
Talvez entusiasmo seja a palavra errada, havia uma energia.
As pessoas estavam positivas de que a iam encontrar.
... quem quer que tenha informações...
Havia muita cobertura.
Jornalistas por toda a parte,
a tentar descobrir o que se passou
e a tentar tirar o máximo de informação possível.
A minha mãe montou uma banca,
foi aqui que se viu a comunidade a unir-se.
Podem não estar à vontade para falar.
Mas podem vir aqui escrever.
Não vou perguntar o nome nem nada, para estarem à vontade.
Vamos ver se descobrimos algo.
Esperemos que sim.
A polícia portuguesa confirma o rapto de Madeleine McCann
do apartamento de férias.
Os detetives acreditam que a menina de três anos está viva.
Pela ordem jurídica portuguesa,
não é só o rapto que dá resgate.
Se alguém levar uma pessoa para ato sexual,
é nessa base que estamos esperançados.
Ali atrás do muro
fica a janela de onde se suspeita
que o invasor tenha entrado.
A polícia confirmou que procurou pedófilos
alemães e britânicos que moraram na área
ou que tenham cá vindo e que estavam na lista da Interpol,
o que foi muito sinistro.
Lori Campbell, representante do Sunday Mirror,
foi a aldeias locais em busca de pedófilos conhecidos na zona.
... passei de carro e achei um sítio bonito...
Havia um grande número de agressores sexuais
que tinham estado naquele perímetro.
É incomum? Não.
Primeiro, os agressores também vão de férias.
Segundo, alguns deles vão com fins predatórios,
porque podem encontrar crianças e jovens
com roupa reduzida, e podem passar despercebidos.
LONDRES REINO UNIDO
A polícia encarregue da investigação de Madeleine
pede a todos os que estiveram na Praia da Luz
na quinzena do desaparecimento
que tragam fotografias das férias.
Não queremos fotografias da paisagem.
Não queremos fotografias das suas famílias.
Queremos que olhem para as fotografias
e que reparem em quem está em segundo plano.
Sabíamos onde os McCann tinham ido, às praias a que foram,
onde estiveram na piscina,
então analisámos as fotografias e as áreas
onde os McCann estiveram.
Isso também permite que quem tenha fotografias
faça upload delas...
Muitas vezes, se um predador estiver inclinado a atacar
ao ver uma criança por quem fique subitamente atraídos,
é muito provável que a observe por muito tempo.
Estávamos desesperados para ajudar,
tentámos inovar o mais possível com as tecnologias que tínhamos.
Encorajo qualquer um, porque acreditamos que
alguém que tenha cá estado ou que viva cá terá alguma coisa
ou sabe de algo suspeito sobre alguém
que nos levará a encontrar a Madeleine.
DESAPARECIDA HÁ 8 DIAS
Fico mais preocupada com o passar do tempo
e assusta-me que possa andar alguém à solta.
No início pensei que a menina tivesse fugido.
Depois ouvi que tinha sido raptada,
entrei em pânico.
Não dormi.
Devo ter dormido duas horas esta noite,
desde o sucedido. Não paro de olhar por ela.
Os locais e muita gente tinham suspeitas,
mas nunca se sabe ao certo.
É muito difícil saber.
Havia muito receio e paranoia.
... que tem um restaurante a 1 km da cena do rapto.
Hoje disse-me ter visto um homem estranho.
Tinha calças brancas, sujas.
- Parecia desorientado? - Sim, completamente.
Vimos alguém de cabelo curto.
Estávamos a tentar juntar peças.
Mas, como é óbvio, às vezes as investigações dependem da sorte
e, nas melhores investigações, nós fazemos a nossa própria sorte.
Havia um ou dois indivíduos
que eram mais suspeitos que os outros.
A primeira pessoas com quem me cruzei foi um homem
que descobri mais tarde ser Robert Murat, que dizia ajudar a família
em traduções e informar as pessoas dos acontecimentos.
Ele disse-me a que horas desapareceu...
... a idade, o nome. Acho que foi ele a usar o nome Maddie
em vez de Madeleine, como os pais lhe chamavam,
não sei se eles usavam essa alcunha.
... com o peluche rosa, o favorito de Maddie...
Era muito abordado pela imprensa.
Lembro-me de alguém me perguntar de que cor era o pijama, o que vestia,
essa foi a primeira vez que conheci o grupo dos McCann.
E perguntei-lhes isso.
Não me lembro se me responderam logo ou mais tarde.
Não me lembro dos detalhes, mas perguntei-lhes.
Cativante, mas um pouco estranho.
Invulgar, digamos.
Ele estava lá, simplesmente,
é como se tivesse decidido que ia ser o oficial de ligação,
o intermediário,
que falava com a imprensa e ajudava.
Podia estar só a tentar ajudar, a fazer o seu melhor.
Ele morava aqui,
trabalhava aqui, provavelmente só queria ajudar.
Os elementos sobre o eventual suspeito são poucos.
Está feito um retrato-robô do que se pôde fazer até agora.
A partir daqui, não posso dizer mais nada.
Não divulga qualquer informação acerca desta pessoa
que não sabemos se é homem ou mulher, português
ou inglês, da mesma nacionalidade que os pais.
À PROCURA DE MADDIE
Todos estão a juntar as peças, mas ainda falta
a peça principal que pode levar à descoberta de Madeleine.
Estávamos num bar da Praia da Luz,
estava a relaxar depois de um dia complicado.
Dizíamos: "O que ouviste? Ouviste isto?"
No decorrer da conversa
foi mencionado Robert Murat. Era um homem
que vivia sozinho, passava muito tempo a falar com jornalistas
e a descobrir o que se tinha passado.
No início guardei para mim,
mas depois a Lori Campbell, repórter do Sunday Mirror,
também o achou estranho.
Fez-lhe muitas perguntas sobre o seu envolvimento, e ele foi muito vago.
A certa altura estava a falar com duas jornalistas,
uma delas era Lori Campbell.
Enquanto falávamos, reparei que um jornalista
ou um fotógrafo me tirava fotografias.
Fiquei um bocado chateado. Disse-lhe:
"Não sei porque me tira fotografias.
Por favor não as use."
"Não, não é nada."
Disse: "É porque aquele indivíduo me está a fotografar,
não sei porquê."
Acho que ela o achou estranho por causa da investigação de Soham em Inglaterra,
as duas meninas que tinham desaparecido.
As duas meninas foram vistas na câmara de vigilância
deste parque de estacionamento.
Pensa-se que estas sejam as últimas imagens de Holly e Jessica.
É porteiro da escola.
As meninas, Jessica e Holly, conhecem-no
e tê-lo-iam visto à entrada. O que se passou?
Não as conheço.
Estava na entrada a lavar a minha cadela, que fugia e voltava sempre suja.
Se olharmos para os assassinatos de Holly e Jessica,
assassinatos polémicos do Reino Unido...
Não ajuda eu ter sido uma das últimas pessoas a falar com elas,
se não a última.
Não paro de pensar nessa conversa, talvez pudesse ter dito outra coisa
que as mantivesse aqui por mais tempo.
O porteiro Ian Huntley
oferecia ajuda e falava com a imprensa.
Elas foram na direção da biblioteca, por ali.
Ele fazia questões para ter mais informações para ele,
o que acabou por torná-lo suspeito.
É frustrante saber que há...
... pessoas com essas inclinações no meio de nós, e não sabemos quem são.
- Ian Huntley é acusado do assassinato... - Assassinou Holly e Jessica
e deixou os seus corpos a apodrecer numa vala.
Em tribunal não pediu desculpa aos pais uma única vez.
"Sem piedade nem arrependimento", disse-lhe o juiz ao dar-lhe pena perpétua.
Pessoas da proximidade que se ofereceram
para ajudar e apoiar
correspondem a um perfil
no qual as pessoas viram o comportamento inicial de Robert Murat.
Houve a situação do Ian Huntley, que apareceu e disse: "Eu posso ajudar."
Robert Murat aparece e diz também: "Eu posso ajudar."
Era um pouco estranho.
Dois jornalistas com a sensação
de que algo não está certo, de que precisamos de fazer alguma coisa.
Ela escreveu que o homem agia de maneira estranha.
DESAPARECIDA HÁ 10 DIAS
Fui jantar.
Apercebi-me que havia um carro atrás de mim.
Quando saí, o carro veio atrás de mim.
Antes de chegar ao parque de campismo na Luz
parei e o carro seguiu em frente.
Deixei-o ir e fui atrás dele.
Decidi então, como estava a ser seguido,
ir ao gabinete da PJ.
Subi as escadas e bati à porta. Ninguém respondeu, não estava ninguém.
Liguei então ao inspetor que estava encarregue da operação da Luz
e contei-lhe a situação.
Disse-lhe: "Acho que estou a ser seguido.
Se quiser falar comigo venha aqui ter.
Se..." E ele respondeu-me: "Não temos nada a ver com isso.
São jornalistas."
Voltei para o carro e arranquei,
vi o carro que me seguia...
... e fui atrás dele.
Acho que não foi a decisão mais inteligente.
Depois de ver a matrícula voltei para Casa Liliana.
Liguei ao inspetor
e disse-lhe que estava a ser seguido.
Ele disse: "Mas não somos nós"
"Está bem", disse eu. Ele disse:
"Que tal irmos beber um copo a Lagos?"
"Está bem".
Já era um bocado tarde.
Ele trouxe mais um homem
e fomos todos a Lagos.
Acho mesmo que me queriam embebedar.
Infelizmente para eles, não bebo. Bebi café.
Robert Murat começou como tradutor em alguns depoimentos que
foram recolhidos na Praia da Luz.
Depois, denunciam-no como
podendo estar envolvido no desaparecimento da criança.
Tínhamos uma equipa de vigilância a seguir o Robert Murat.
Isso foi realizado e continuou nessa noite.
A casa onde viva Robert Murat foi alvo de um sistema de radar
para saber quantos vultos havia dentro de casa.
Ligaram-me no dia seguinte às sete
e disseram-me que tinham desenvolvimentos
e precisavam que eu fizesse traduções para eles,
ao que eu disse: "Está bem, deem-me uns minutos
para me levantar." Saí da cama,
vesti uma camisola. "Precisam de mim."
Fui até ao portão e começaram a busca em minha casa.
Era de manhã em Casa Liliana,
a 200 metros de onde Madeleine McCann desapareceu,
quando a polícia chegou em carros civis e procedeu à maior busca da investigação.
Alguém disse: "A polícia está a ir à casa do Murat."
E foram todos a correr pela rua até lá.
... onde continua a confusão
com os jornalistas a querer contar a história.
O suspeito é nada mais nada menos que um inglês...
A polícia estava em casa dele, a escavar,
e as atenções desviaram-se
do apartamento de onde Madeleine desapareceu
para a casa de Robert Murat.
A polícia judiciária esteve sempre na mira de Robert Murat
como sendo o suspeito do desaparecimento de Madeleine.
Estão aqui desde as sete da manhã.
Detetives forenses trabalham sob uma tenda no estacionamento.
- Quem mora aqui? - Aqui?
- Sim. - Eu.
Sabe porque estão a revistar?
Não sei, não posso dizer nada.
Estive no local durante todo o fim de semana.
e algo no seu comportamento era desconcertante...
O nosso trabalho de jornalista é reparar em coisas
e tirar conclusões,
e as pessoas estavam a começar a tirá-las.
Ele tem uma esposa e um filho no Reino Unido, no norte da Inglaterra,
está a atravessar um divórcio.
Ele era demasiado próximo à investigação.
Passava muito tempo a falar com os média...
Vi o Robert Murat no primeiro ou no segundo dia
a tentar ajudar, tal como nós.
Para verem o quão perto as duas casas são,
a casa de onde Madeleine desapareceu é no fim da rua.
Basta andar 200 metros para chegar à casa
que a polícia está agora a revistar,
entre a vegetação e o alcatrão.
RESTAURANTE TAPAS
Talvez eu seja ingénua e não tenha pensado nessa possibilidade,
mas talvez tenha sido ele.
Eles entraram em minha casa,
no meu quarto, levaram tudo
e puseram-me no carro da polícia,
rumo à esquadra da PJ, em Portimão.
Estava assustado.
Não fazia ideia do que se passava.
Pensei: "Sê honesto, diz a verdade, isto vai passar.
Eles vão continuar e descobrirão que não fui eu."
Mas eles não queriam isso.
Não era isso que queriam.
Queriam que eu confessasse.
Havia dois agentes da PJ,
um escrevia e outro interrogava.
Demorou muito porque ele escrevia com dois dedos.
Não era datilógrafo.
Não me deram comida nem água.
Nada.
Nesse dia estava nas instalações da polícia.
Foi feito um interrogatório normal.
Havia várias pessoas a andar de um lado para o outro, era intimidador.
Diziam-me que eu era culpado e que estava feito,
quanto mais dizia que não mais eles diziam que estava a mentir.
Não fazia ideia do que se passava.
Estava de rastos.
Não... não estava mesmo funcional.
Senti que fui armadilhado.
Senti que eles iam fazer de tudo para...
... me incriminarem.
Saíram a meio da noite,
desaparecendo na escuridão com Robert Murat.
Um homem de 33 anos residente na zona dos acontecimentos
foi apontado como suspeito formal.
O indivíduo foi interrogado como tal, mas nenhuma prova foi recolhida
que pudesse levar à sua detenção e consequente interrogatório judicial.
Ser "arguido" em Portugal é invulgar.
Não quer dizer que seja culpado, mas sim algo mais que um suspeito.
É oficialmente um suspeito.
É algo sério para polícia.
Terá de perguntar à PJ.
Parece que será o fim...
- O que acha? - Terá de perguntar à PJ.
- Está satisfeito? - Terá de perguntar à PJ.
Eles não dizem nada.
- Há um motivo para isso. - Desculpe?
- Há um motivo para isso. - O que acha da operação?
- O que acha? - Robert?
Acho que ele ter sido libertado não significa que não esteja envolvido,
nem que as pessoas à volta dele não o estivessem.
Significa que não havia provas suficientes.
Para mim, fazia jus ao meu trabalho
que as minhas suspeitas sobre aquele homem fossem levadas a sério
e levassem a uma potencial confissão.
Foi um avanço muito evidente e muito interessante no caso.
Nas últimas 36 horas,
a investigação do desaparecimento de Madeleine parece, pela primeira vez,
ter encontrado foco.
Naqueles circunstâncias somos todos detetives amadores
a juntar tudo o que sabemos para tentar chegar a algo.
Era possível, muita gente pensou:
"Isto é o desfecho. Tudo bate certo."
Parece ser um grande desenvolvimento, tudo muito rápido,
mas não sabemos onde acabará.
Só sabemos que há um suspeito formal
e que mora nesta casa.
Sai da propriedade, ainda sob vigília.
Jenny Murat, com um cartaz de Maddie no vidro traseiro,
e o seu filho a ser interrogado.
Não vê mesmo de uma vista.
Dá a sensação que não é muito normal.
A mãe dele diz que na noite do desaparecimento
estavam os dois juntos em casa, então...
Espero que resolvam isto rapidamente,
o nome dele anda por aí,
é desprezível falarem dele sem terem provas concretas.
Andava fora de casa, às voltas, sem conseguir parar.
Andava às voltas e voltas...
Nem conseguia...
... formar uma frase,
juntar duas palavras, fazer sentido.
Punha-me num quarto escuro,
subia para cima de uma cadeira e só queria morrer.
Era um inferno autêntico.
RAPTADA ENQUANTO DORMIA
As notícias de um tabloide
não estimulam necessariamente o intelecto.
Estimula as emoções.
Estimula a partir dos títulos
ou pelos cabeçalhos da televisão,
de forma a que, quando lermos,
digamos: "Meu Deus!"
Ele é agente imobiliário.
Culpado!
Tem um olho estranho.
Culpado!
Quer ajudar no caso.
Mais que culpado!
COMPORTAVA-SE COMO HUNTLEY
SUSPEITO OU BODE EXPIATÓRIO?
É preciso ver a situação do Robert Murat,
uma pessoa com um aspeto estranho,
que tinha a ex-mulher em Inglaterra
e uma filha da idade da Maddie, o que era ainda mais estranho.
A voar desde o oeste,
vamos pela rua e passado uns segundos
a mansão de Robert Murat torna-se visível.
Foi aqui que a polícia deteve o homem apontado como suspeito formal
ontem de manhã.
O facto de o apartamento ser quase visível da casa dele
dá a ideia de que a família foi observada durante dias
para ver os seus movimentos.
Parece que este homem é o centro da investigação
mas ainda não foi acusado, nem sequer foi preso.
As buscas podem não dar resultados.
Sabemos que a polícia também revistou esta habitação
onde habita o cunhado de Murat.
Os detetives também investigaram este pacato hotel
na aldeia de Burgau.
É propriedade da prima de Murat, Sally Eveleigh.
As autoridades portuguesas informavam os jornalistas,
porque no fundo queriam que o culpado fosse alguém como ele,
pois isso iria limpar a imagem do
turismo da região.
Conhecia Robert Murat?
Não vou falar sobre isso.
O presidente do governo regional diz que os recentes eventos
estão a perturbar aqueles que cá vieram relaxar.
Gostaria de dizer a todos os jornalistas,
lembrem-se que podiam ser vocês naquela casa.
A pior ideia que podia surgir
era que andava um pedófilo/assassino à solta em Portugal.
DESAPARECIDA HÁ 13 DIAS
Do interior da casa os técnicos da Judiciária
levaram, tanto quanto sabemos, material informático.
Os agentes seguiram esta pista: um pedófilo, sem cadastro,
inglês, residente na Praia da Luz.
E também, não vimos nas imagens, mas
foram vistos agentes com cassetes de vídeo na mão.
Estamos a falar provavelmente de motivações sexuais, de um pedófilo...
Boa tarde.
Um homem foi constituído arguido no desaparecimento de Madeleine.
Robert Murat, tem 35 anos...
Quando descobri que o Robert foi interrogado
fique: "Este é o tipo para quem estou a fazer um website."
Eu conheço-o.
Trabalhava de noite e de dia,
então não prestei muita atenção no início,
pensei: "Será verdade?" Porque tinha coisas a fazer.
Para mim, era alguém normal que morava na Praia da Luz com a mãe.
Que mal poderá fazer a alguém?
Naquela altura tinha 22 anos
e já tinha começado a minha própria empresa de informática.
Fui apresentado ao Robert
para usar os meus serviços e criar um website para a propriedade.
Também se fala de Sergey Malinka.
Quando tentávamos recolher mais informação,
havia uma relação entre ele e o Robert Murat,
começam a levantar essa suspeita.
Um amigo disse-me que a Sky News me queria entrevistar.
Não o conheço bem pessoalmente.
Fiz um website para ele
e temos mantido uma relação somente comercial.
Investigávamos alguém,
depois esse alguém ia falar com jornalistas.
Fui quando o abordámos.
Ficaram com o meu telemóvel, as chaves do carro
e puseram-me num carro preto.
Perguntei-lhes: "Quem são vocês? Que se passa?"
Disseram: "Somos da polícia." Mas não mostraram identificação.
Pensei que fosse uma multa de velocidade ou de estacionamento,
algo assim parvo,
ou talvez tenha copiado software que não devesse,
era como aqueles filmes de ficção científica
que não acreditamos que acontece na realidade.
Durante as primeiras duas ou três horas estive sentado no carro, em Lagos.
Depois levaram-me até uma gasolineira na autoestrada,
ignorando todas as minhas perguntas.
Foi assustador. Temi pela minha vida.
Não tive direito a fazer uma chamada nem a fazer perguntas.
Basicamente prenderam-me no carro,
e esperaram por um mandado de busca para o meu apartamento.
Sergey Malinka. Há poucos pormenores disponíveis
sobre quem é este homem.
O que posso dizer nesta altura das investigações
é que se trata de um homem na casa dos trinta...
Tentava dizer-lhe que o equipamento não era meu.
Estava a arranjá-lo para outras pessoas.
O homem de camisa amarela...
Quando estavam a pôr as coisas no carro deles
vi umas 150, 200 pessoas por toda a parte, com câmaras.
Não há preparação possível para aquilo.
"O que faço? Como ajo?
Para onde olho? Escondo-me?
Ou não?
Estar numa situação que não consigo controlar,
desprovido de direitos essenciais
é... pior que morrer, acho.
Os últimos desenvolvimentos da investigação
lembram-nos do seu objetivo:
os pais de Madeleine.
A investigação decorre à volta deles.
No que nos diz respeito, até ser provado o contrário,
acreditamos que a Madeleine está a salvo
enquanto continuamos os nossos esforços.
DESAPARECIDA HÁ 14 DIAS
Não se riam, está?
Era como uma sandes de almofadas e redes,
para não fugir e abrir alguma coisa.
Em 1998 a Rússia teve problemas
quando o dólar disparou.
Estes são os meus pais quando se casaram.
Muitas pessoas perderam as suas posses e negócios.
Os meus pais, infelizmente, foram vítimas disso,
e vieram para a Europa à procura de uma vida melhor.
Quando estava na Rússia queria alcançar algo.
Então em Portugal foquei-me em...
... tornar-me numa pessoa de sucesso.
Na noite passada a polícia foi ao apartamento de Sergey Malinka, 22 anos.
Diz-se que criou um website
para o britânico suspeito neste caso, Robert Murat.
As notícias diziam todo o tipo de coisas sem veracidade,
era de loucos.
Chamaram-me de pedófilo, predador sexual,
da Máfia Russa, traficante de humanos.
A minha mãe foi interrogada.
Isso foi um dos momentos mais difíceis,
porque a minha mãe mal falava português ou inglês,
nem consigo imaginar aquilo por que passou naquele quarto.
Vi o meu pai, estava pálido,
e a minha mãe chorava no sofá,
a dizer: "O que se passa? Porque nos tratam assim?"
É por sermos russos?" Eu disse: "Não tem nada a ver.
Fizeram muitas perguntas sobre o Robert. Achei estranho
fazerem perguntas sobre ele, e não sobre mim.
Expliquei-lhes a minha relação com ele.
Não conhecia segredos nem a vida pessoal dele.
Não tinha nada a dizer-lhes.
Quanto mais cansado ficava,
mais agressivos e intrusivos ficavam os agentes.
Eventualmente as coisas ficaram feias,
e ele disse: "Vou pôr esta miúda nas tuas coisas" ou assim,
e bateu-me nas costas com a palma da mão enquanto o dizia.
O último detetive a entrar na sala foi o Sr. Amaral.
Parecia estar sem fôlego ou assim,
eu estava sentado e ele disse: "De pé." Deu um pontapé na cadeira.
Perguntou-me: "Sabes alguma coisa desta chamada
que o Robert te fez à meia-noite?" Acho que eram 23h30.
Eu disse que não, não me lembro dessa chamada.
A polícia tinha suspeitas de que
se passava algo estranho, uma conspiração
às 23h30, 23h40 da noite em que a Maddie desapareceu.
A polícia estava...
... a investigar a chamada que fiz com o Sergey,
nunca neguei ter feito essa chamada. Simplesmente não me lembro.
Não houve qualquer conversa.
Não sei se liguei com o telemóvel no bolso, pode ter sido.
Pode ter sido um toque... Não sei. Honestamente não me lembro dessa chamada.
PORQUE LIGARIA O SUSPEITO AO RUSSO PARA DEPOIS NEGAR?
O facto de esta chamada ser feita à noite era muito suspeito.
Acho que passámos pelo mesmo durante horas
com inspetores diferentes.
Acho que cada um deles tirou as próprias conclusões
quando não concluíam nada de mim.
No fim só disseram: "Está livre, pode ir."
O Correio da Manhã também garante
que os computadores apreendidos a Sergey Malinka tinham os discos rígidos apagados.
Confiscaram computadores e 27 CD-ROM.
Há alegações sobre o conteúdo desses CD-ROM.
Será que pode falar sobre isso?
Não.
É melhor não.
Porque acho...
Acho...
Acho que é uma oportunidade de se...
Pois, mas não tenho maneira de provar, porque não só confiscaram o disco rígido
como também muitos CD dos clientes e...
Dizem que encontraram pornografia lá.
Mostre-me um computador que não tenha um cookie
de um site pornográfico.
Não estou a dizer se tinha ou não.
O que estou a dizer é que deviam dizer que computador tinha
e que computador não tinha, porque assim é vago. "Há algo ali."
No que toca a suspeitos,
sei que tem havido muita resposta dos média nesse sentido.
Em nome da família,
espero que tratem todos os suspeitos
como gostariam de ser tratados, e que são inocentes
até alguém for acusado, detido e condenado por um crime.
Obrigado.
Legendas: Pedro Marques
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