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As vezes eu sonho com uma �rvore.
E essa �rvore � a minha vida.
Um galho � o homem com o qual devo me casar.
E as folhas, meus filhos.
Outro galho � o meu futuro como escritora.
E cada folha � um poema.
Um outro galho � a minha brilhante carreira acad�mica.
Mas enquanto eu estou l� tentando escolher.
As folhas come�am a ficar marrons e come�am a cair.
At� que a �rvore fica completamente sem folhas.
Sylvia Paix�o Al�m das Palavras
Nova edi��o da Saint Botolph's Review.
Nova edi��o da Saint Botolph's Review.
Tom.
Tom.
Tom.
Tom, onde est�o as revistas?
Ainda est�o na impressora.
Te vi vendendo elas.
Ah, � verdade.
N�o me criticaram, sim?
N�o, eles falaram bem.
Est� em Poesia, p�gina 11.
"Essencialmente comercial".
"Poeticamente burguesa".
"Claramente ambiciosa". N�o � muito apreciada.
Quem pensam que s�o?
Pode perguntar a eles mesmos se quiser.
H� uma festa de lan�amento no Women's Union esta noite.
�s 8:00h.
"As Namoradas de Fallgrief" Edward Hughes
- Onde est�? - Quem?
- Quem escreveu. - O qu�, esse artigo sobre voc�?
N�o. Quem escreveu "A Noiva de Fallgrief."
Foi Edward Hughes.
Ted.
Est� ali.
- Li os seus poemas. - Como?
Assim que os vi, soube que eram coisa boa.
Poemas magn�ficos, excelentes, perfeitos.
N�o choro de crian�a como os outros.
S�o colossais.
Magn�ficos.
Enormes ventos soprando em vigas de a�o.
- Voc� gosta? - Eu gosto.
"Oh, mais querido, imaculado diamante".
Afinal quem � voc�?
Sylvia Plath.
Sylvia Plath.
- E que escreveu o poema... - Voc� fez as migalhas dele. Sim.
N�o... foi o editor.
Devia saber que � muito bonita.
- Est� neles, n�o? -Sim...
Estou.
Tenho uma obriga��o na outra sala.
Oh, Jesus Cristo!
Ficarei com isto.
O predador negro.
Um dia encontrarei minha morte nele.
"Um dia encontrarei minha morte nele"?
- � um pouco m�rbido, n�o? - � meu predador negro.
- Bem, n�o se iluda muito. - Por qu�? O que voc� sabe?
Para ele e o seu grupo a �nica coisa que importa � a poesia.
Todo o resto � uma distra��o.
Incluindo namoradas formais.
Inclusive norte-americanas bonitas...
formadas e com bicicletas vermelhas.
Ted Hughes.
Ted Hughes.
Edward Hughes.
Edward Hughes.
Sylvia Plath.
Ted Hughes.
Sra. Sylvia Hughes.
Pula.
- Sil�ncio! - Oh, merda!
- Qual? - Aquela.
- Como voc� sabe? - A luz est� acesa.
- O que vai fazer? - Para tr�s.
Oh, droga.
- Deixa-me tentar. - Sim.
O que est� fazendo? Maldito seja!
Droga. Droga!
Quem �? Quem est� a�?
Procuro a Sra. Sylvia Plath.
Ela n�o est� aqui, ent�o caiam fora.
Desculpe.
Por favor, poderia dizer a ela que Edward Hughes...
Ted Hughes veio visit�-la?
Chegou tarde.
- Ele esteve aqui. - Quem?
Seu predador negro.
Ele e seu parceiro de jogos, b�bados, jogaram pedras na minha janela.
- Achou que era a sua, aparentemente. - O que ele disse?
Nada compreens�vel.
Sylvia... deixou o endere�o.
"O principal defeito de Henry King era mascar fumo de tabaco.
Finalmente tragou alguns que se amarraram como n�s em suas v�sceras.
Imediatamente chamaram os m�dicos mais famosos..."
N�o, n�o. � magia.
N�o � sobre m�gica. N�o � como m�gica. � magia.
"Quando Henry no seu �ltimo f�lego, gritou: "Oh, meus amigos..."
� m�gica de verdade. N�o � inventar truques...
ou tirar coelhos de chap�us.
Encantamentos...
feiti�os, cerim�nias, rituais... o que s�o?
S�o poemas.
O que � um poeta ent�o?
- � um chamanista, � o que ele �. - Ou ela.
Um bom poema � uma arma.
E n�o � como uma pistola de ar comprimido.
� uma bomba. � como uma, grande bomba sangrenta.
� por isso que fazem com que os meninos a aprendam na escola.
N�o querem que experimentem faz�-los por si mesmos.
Quero dizer, imagina se um soneto surgisse acidentalmente.
Pum.
- Beba! - Tolices.
Sylvia!
- Venha, Sylvia. - Vai.
Nos presenteie com algo da sua poesia americana.
Vai.
"Se forem voc�s que movem os cora��es destas filhas...
contra seu pai...
n�o deixem que as armas das mulheres,
as gotas d'�gua, manchem minhas bochechas!
"N�o, suas velhas abomin�veis! Eu me vingarei de voc�s dois...
Mais r�pido!
"que todos ver�o... farei tantas coisas ...
"no que consistir�o, ainda n�o sei...
- Mais r�pido! -"...mas que ser�o o espanto da Terra.
"Voc�s pensam que vou chorar? N�o, eu n�o vou chorar!
"Tenho grandes motivos para chorar...
"mas este cora��o se partir� em cem mil peda�os antes que venha a chorar!
Oh, tolo, vou enlouquecer!"
Vamos, Ted.
"Conhe�o todos voc�s e quero respirar os caprichos de sua brandura.
"N�o obstante, imitarei o sol nisto...
"que permite �s vis nuvens venenosas ocultar sua beleza do mundo...
"para quando lhe agradar ser outra vez o mesmo...
"fazer-se admirar mais, passando atrav�s das sujas e feias neblinas...
Mais r�pido.
"Se todo o ano fosse composto de feriados...
"seria t�o aborrecido se divertir como trabalhar...
"mas como chegam poucas vezes, chegam desejadas...
"e nada satisfaz tanto como os sucessos excepcionais.
"Assim, quando abandonar esta desarrumada conduta e pagar a d�vida...
"como n�o tenho empenhada a minha palavra,
transbordarei as esperan�as dos homens."
"E a semelhan�a de um brilhante metal de fundo emba�ado...
- "minha regenera��o... - Mais r�pido.
"...ao reluzir sobre as minhas faltas...
"parecer� mais merit�ria e atrair� mais olhares...
"que uma reputa��o sem nenhuma mancha que a fa�a ressaltar.
"Escandalizarei assim para fazer do esc�ndalo uma arte...
"reparando o tempo perdido enquanto ningu�m suspeita disso.
"Desgra�ados.
"Ah! Julieta querida! porque � t�o bela?
"Tenho que acreditar que o fantasma da morte gostou muito de voc�...
"e que esse aborrecido monstro te guarda,
"reservando-a para que seja a sua concubina?
"Assim o temo e por isso permanecerei sempre a seu lado...
"sem sair jamais deste pal�cio de noites sombrias.
"Aqui...
"aqui quero ficar com os vermes, donzela de sua servid�o.
"Oh, voc�...
"portas do f�lego, selem com um beijo leg�timo...
"o pacto sem fim com a monopolizadora morte.
"Brindo por minha amada.
"E com um beijo...
Eu morro."
Como fez essa cicatriz?
Tentei me suicidar h� tr�s anos.
quebrei a caixa que minha m�e guardava os son�feros.
Desci no por�o e me escondi num lugar debaixo da casa.
Tomei e dormi.
Alguma vez teve algo que quisesse apagar?
N�o.
E?
E tomei muitas das benditas p�lulas e vomitei.
Tr�s dias depois, minha m�e e meu irm�o me encontraram e me tiraram.
E a cicatriz?
Cortei o rosto no cimento quando tentavam me tirar.
Uma lembran�a da morte.
Sim.
Porque estava morta.
S� que me levantei outra vez.
Como L�zaro... Lady L�zaro. Esta sou eu.
N�o faria isso se soubesse.
O qu�?
O que t�m a� embaixo.
Santo Deus! O que � isso?
Olhe.
As vacas s�o muito inteligentes. Sabia disso?
S�rio?
Muita gente n�o faz justi�a a elas.
O que acha que elas prefeririam?
Milton ou Chaucer?
Chaucer.
Obviamente.
Senhoras, apresento-lhes a "Esposa de Bath".
"Se a experi�ncia...
"e n�o a autoridade reinasse neste mundo...
"bastaria para mim falar das desgra�as do casamento.
"Porque, senhores, desde que eu tinha 12 anos de idade...
"enaltecido seja Deus que vive eternamente...
"Oh, � lindo.
"De maridos na porta da igreja...
eu tive cinco."
"Vinte e tr�s de agosto de 1956.
lhe agradecemos pelo manuscrito que apresentou recentemente...
mas n�o podemos us�-lo agora.
portanto, o devolvemos com nossas sauda��es.
Sinceramente...", bl� bl� bl�.
- Quantos hoje? - Dois.
Sa�ram agora.
E datilografei mais quatro c�pias do seu manuscrito...
sendo que agora s�o sete em circula��o.
Sylvia!
Vamos. Acorde.
- Que horas s�o? - N�o importa. Olhe isto.
Olhe, olhe, olhe.
"Parab�ns, "O Falc�o na Chuva"...
foi escolhido o volume ganhador do primeiro pr�mio do Centro de Poesia"...
- Voc� ganhou! - Ganhei, puxa!
Voc� ganhou.
Nem sequer sabia que tinha me inscrito.
Sabe o que isto significa, n�o?
Que ser� um poeta publicado.
E?
Que vamos aos Estados Unidos?
E?
Aqueles que Deus uniu...
nenhum homem pode separar.
Ah, n�o, Daniel. A� n�o, querido.
Ponha a�. Fica muito melhor.
Sim. Fant�stico. "Boston, Massachusetts - 1960"
"Boston, Massachusetts - 1960"
Eu gostaria de amarrar isto se conseguir. C�us.
- M�e! - Ah, querida.
Bem-vinda � nossa casa, minha querida.
- C�us. - Est� linda.
Ah, minha do�ura. Ent�o este � o �bermensch?
Encantado em conhec�-la, Sra. Plath. Sylvia me falou muito de voc�.
Esperemos pelo bem de todos que parte disso seja verdade.
Deixem as malas. Sam e Daniel cuidar�o delas.
Sam... Daniel!
O que achou?
Ainda muito l�quido.
Sobre o Ted.
� muito...
O qu�?
N�o sei.
Diferente.
Por que nunca ningu�m � bom para voc�?
Como vai se manter?
N�o quero que me mantenham.
Ele vai ser um grande poeta.
Acaba de ganhar o pr�mio de poesia que W.H. Auden julgou.
S�rio?
E eu tenho dinheiro guardado .
E quando isso acabar?
M�e, eu trabalho como professora.
E sempre posso vender hist�rias para essas revistas est�pidas. N�o importa.
Querida, sabe que sempre quis o melhor para voc�.
Bom, ele � o melhor para mim.
O que quer que diga ent�o?
Que gostou dele.
O ama?
Eu o amo.
Ent�o eu gosto dele.
Sra. Bergstrom.
- Ol�. Como vai? - Eu estou bem.
- � um prazer v�-la. - E est� linda.
Obrigado. Este � o meu marido, Ted.
- Ol�. - Encantado em conhec�-la.
- Ouvimos muito sobre voc�. - Digo o mesmo.
- Est�o se sentindo bem? -Ol�... estamos muito bem.
- Que bom. - Obrigado.
Est� fazendo com que nos sentimos em casa. N�o � verdade?
Se fechasse os olhos, poderia estar de volta no Mytholmroyd.
Est� com a prega levantada, querida.
Elizabeth, deixe-me apresentar o Ted.
- Ted, Elizabeth Brooks. - Muito prazer.
- Meu... voc� sim � a presa do dia. - Ted vai ser um grande poeta.
- Seu �ltimo livro ganhou... o que foi? - O pr�mio do Centro de Poesia.
� muito bom. Chama-se "O Falc�o na Chuva".
- Realmente maravilhoso. - Voc� o leu?
Sim. � claro.
O que achou do poema sobre a girafa?
Escutem este sotaque.
- N�o havia um poema sobre uma girafa. - Diga algo mais.
Preciso beber algo. Desculpem-me, senhoras.
Isto � do pai de Sylvia?
Sim. Os zang�es eram a sua especialidade.
Era a �nica coisa em que pensava.
Antes da guerra, na Alemanha...
seus colegas sempre o chamavam "Der Bienenk�nig".
- Isso significa... - "Rei das Abelhas".
Sim, isso mesmo.
Esse era Otto. Rei das Abelhas.
Deve perdoar meus amigos, Ted.
Eles n�o tiveram as vantagens que voc� teve.
E quais seriam?
Ter que lutar pelo que quer.
� por isso que ela est� apaixonada por voc�. Sylvia, � claro.
Ai, Meu Deus. Houve...
Oh, houve...
N�o quero parecer desleal, mas houve...
muitos outros jovens, mas n�o a assustavam.
Mas ela os assustava, acho.
Voc� �...
Voc� � muito diferente.
Mas acho que a assustou e � por isso que ela gosta de voc�.
Voc� acha que eu a magoava. N�o, eu n�o a magoava.
Sabia que encontramos ela bem onde est� parado? A� embaixo.
Pensamos que estava morta, estava t�o p�lida, t�o branca.
Algumas pessoas querem que as encontrem. Sylvia n�o queria.
Ela simplesmente...
meteu-se num buraco e esperou at� morrer.
Seja bom com ela.
Sempre.
Sonetos para Orfeu
- Oi. - Espero que goste de peixe.
Oh... olhe isso. Meu Deus.
- Divertiu-se? - Claro.
At� que enfim refrescou.
- Estava muito calor antes, n�o? - � verdade...
Estou um pouco... desarrumada porque comecei a assar e fiz...
- Assar? - Fiz um bolo de nata de verdade...
mas ficou um pouco estranho no meio.
Decidi jogar fora e come�ar de novo.
Mas o melhor � que o segundo ficou mais bonito que o primeiro.
Pensei que fosse escrever.
Sabe que, alguns maridos ficariam felizes se suas esposas...
ficassem em casa e lhes preparassem belos bolos.
Estou feliz. S� que estaria mais feliz se estivesse escrevendo.
Tenho o ver�o todo para escrever.
- Como foi o seu passeio? - Bom.
Tenho um poema. Um bom.
Voc�?
Estou seca.
Isso � porque n�o tem nada para dizer.
- N�o sou uma escritora. - Jamais ser�.
- N�o sirvo para nada. - Faz excelentes bolos.
Sabe qual � o seu problema?
Tenho um marido que acha que pode me dizer como escrever poesia?
N�o h� nenhum segredo nisso.
S� tem que escolher um tema...
e colocar a cabe�a nisso.
Tem que escrever. Isso � o que fazem os poetas.
Sim, bom, isso � f�cil de dizer para voc�.
Sai para dar um passeio de bicicleta e volta com uma epop�ia em hex�metros.
Eu me sento para escrever, e saem bolos para vender.
Sabe qual...?
Sabe qual � o meu problema?
� que n�o tenho um tema.
A novela Falcon Yard, � sobre o qu�?
� sobre... uma garota que conhece um rapaz.
- N�o. � sobre o que realmente? - De voc� e eu.
Do que se trata realmente?
De mim.
Uma garota que passa o ver�o na praia?
N�o, essa n�o sou eu de verdade.
Sim, claro que �. Me falou que era a respeito de voc�.
O que estou tentando dizer � que j� tem seu tema. � voc�.
E continua mudando de assunto.
- Ele continua enfeitando. - Est� bem, est� bem, est� bem.
Droga.
- Jesus Cristo. - O qu�?
A corrente est� nos arrastando.
N�o consigo remar de volta.
As pessoas afogam-se assim.
Tentei me afogar uma vez.
Nadei mar adentro o mais longe que pude...
mas ele me cuspia como se eu fosse uma b�ia.
Acho que ele n�o me queria.
Sabe, � engra�ado...
sempre fui feliz at� que fiz nove anos.
Sempre estava alegre.
Ent�o o meu pai morreu.
Meu pai foi enterrado debaixo de cinco bra�os de �gua.
Os corais s�o seus ossos; as p�rolas s�o seus olhos.
"Destr�i. Destr�i. Destr�i.".
Zomba do subconsciente.
"Ama e produz! Ama e produz!"...
Tagarela da consci�ncia.
E o mundo ouve s� o tagarelar do "ama e produz".
Se nega a ouvir o zumbido de destrui��o que jaz debaixo...
at� que chegue o momento em que ter� que ouvir.
O americano tem que destruir!
Este � o seu destino".
E finalmente, este...
poema de Yeats, acredito...
ilustra...
este ponto muito bem.
Bom, pelo menos eu espero isso.
Perd�o.
"O Pesar do Amor".
"Sobre os telhados a algazarra dos pardais,
"A lua redonda e cheia, e um c�u de mil estrelas,
"E as folhas sempre a murmurar os seus recitais,
"Haviam afastado o mundo das suas mazelas.
"Ent�o voc� chegou...
"com esses lindos l�bios vermelhos,
"E junto a eles todas l�grimas da terra,
"E o drama dos navios nas �guas tempestuosas
"E o drama dos milhares de anos que ela encerra.
"E agora, no telhado a guerra dos pardais,
"A lua p�lida e no c�u brancas estrelas,
"De inquietas folhas e cantilenas sempre iguais,
Est�o tremendo sob o mundo e as suas mazelas".
Obrigado.
Muit�ssimo obrigado. S�o muito am�veis. Fiquei muito emocionado.
- Voc� tamb�m. - At� logo.
- Com licen�a... - Eu tamb�m adorei...
Sr. Hughes, sua voz...
� t�o poderosa.
Mas o que achou das palavras?
Das palavras?
Quando publicar� o seu pr�ximo livro?
Bom, quando eu escrever um.
Deve ser maravilhoso estar casada com um poeta t�o brilhante.
Sim, � mesmo.
� mesmo. Pode nos dar licen�a por um momento?
- Claro. - Com licen�a.
Sinto muito. Estou exausta...
e tenho uma pilha de ensaios alta assim para corrigir.
Voc�s se importariam se formos agora ou daqui a um minuto?
Tenho que agradecer � Merwin por essa cr�tica.
- E Len Baskin est� aqui. - Quem � Len Baskin?
- Ele organizou tudo isto. - Ah, claro. Claro.
Ou�a, leve o carro.
Est� bem.
Te vejo mais tarde.
Bem.
O Sr. Hughes encontra-se?
N�o.
Disse que daria uma olhada na minha poesia.
Disse que n�o haveria nenhum problema.
Me desculpe se a incomodei.
Me desculpe.
Pelo qu�?
N�o sei ainda.
Quem � ela?
Quem?
N�o � ningu�m.
Uma estudante. Estava...
naquela aula de cria��o liter�ria que te falei.
Tinha escrito v�rios poemas e me deu pena dela.
- Acha que estou transando com ela. - Voc� est�?
Ah, pelo amor de Deus!
Este lugar realmente est� te afetando, n�o?
Este bando de velhas obcecadas e maliciosas...
que acreditam que seus homens come�ar�o a saborear carne fresca.
Na verdade, n�o estou transando com ela.
Mas se transar com minhas alunas, ser� a primeira a saber.
Ontem � noite...
Estava muito cansada.
Organizei tudo para n�o estar t�o cansada.
Sinto muito.
N�o � s� sobre voc�. � sobre mim tamb�m.
N�o posso escrever aqui.
- Dever�amos voltar para a Inglaterra. - E viver do qu�?
Sobreviveremos, querida.
Eu irei me atrasar muito.
Me encontre depois da aula.
Pare com isso!
� Scheila, Sandra... Sei l�!
- Ela est� apaixonada por voc�? - Como eu vou saber?
- Por que ela correu? - Ela estava... atrasada, ou...
Oh meu Deus, voc� me fez de idiota.
Datilografando seus poemas, perdendo meu tempo lecionando
em vez de estar escrevendo. Oh meu Deus!
Para me satisfazer com sua gl�ria refletida.
Devia ganhar uma medalha por servi�os prestados � poesia anglo-americana.
Bem, para ganhar a maldita medalha, voc� tem que escrever um maldito poema.
Oh, mas eu n�o tenho tempo, tenho?
Porque estou presa nessa casa enquanto voc� est� transando com minhas alunas.
Tudo bem, transei com ela. Transei com ela, admito.
- E sabe de uma coisa? Foi glorioso. - Pare com isso.
Acariciar o traseiro dela, seus peitos...
Pensei que fosse o que voc� queria ouvir!
Nunca me abandone.
N�o irei.
Londres, Inglaterra - 1960
Est� vendo isto?
Isto � o mundo.
P�gina 14...
na linha... linha 14.
Sim. P�gina 14, linha 14.
Tem um "e". Sim.
N�o, dois... dois "v". Pode abrir?
P�gina 40.
Sim. Depois linha 8.
Pr�ximo a "Curva da Lua Nova".
Estes homens s�o todos iguais.
- N�o teria pensado... - Correto.
- Certo. - Depois de "O Falc�o na Chuva"...
todo o c�rculo liter�rio esperava que o seu pr�ximo livro fosse um...
anti-cl�max.
Mas me d� gosto dizer que os confundiu e se superou.
- � maravilhoso. - Na p�gina de tr�s.
Na capa posterior.
Acabei de fazer caf�. Quer uma x�cara?
Acho que pode falar com o seu agente sobre isso. Est� bem?
- Ol�. - Ol�.
- Voc� deve ser o Sr. Alvarez. - Sim, exatamente.
E voc� � a Sra. Hughes?
Turno da Noite?
"Turno da Noite". � um poema que publicou no Observer.
Ah, sim. Turno Noite. Sim. Era um bom poema.
�, eu sei. Eu o escrevi.
- Voc� � Sylvia Plath. - A mesma.
- Muito prazer em conhec�-la. - Igualmente.
- Tem escrito outros poemas? - Sim.
De fato, tenho um livro de poemas que ser� publicado muito em breve...
chamado "O Colosso".
- Eu adoraria l�-lo. - Obrigado. Seria uma honra.
O COLOSSO - Sylvia Plath
Falei com George a semana passada e estava muito otimista.
Pode ser que leve outros seis meses...
Tudo se trata de p�r uma cara num nome. E ent�o...
Por o seu nome ao contr�rio e vice-versa.
Temos o Charlie Hetheringham aqui, do TLS.
Robinson, do Critical Quarterly.
- Aquele? - Sim.
E o Telegraph est� ali e o Times.
V� este sujeito com as orelhas grandes?
Ele � f�cil. � do Listener.
Ent�o, � uma boa assessoria... N�o �?
Isso � um bom sinal, n�o? Que todos eles vieram?
� obvio. N�o se iluda muito, mas sim, � um bom sinal.
S�o todos empregados p�blicos que ganham a vida como jornalistas.
O seu trabalho � proteger seu "status quo".
Sr. Robinson.
Sr. Robinson.
Esqueceu isto.
Obrigado.
Acha que poderia critic�-lo?
Este? Acho que n�o. Acabamos de receber o novo Pasternak.
E Betjeman sair� na pr�xima semana...
e h� um E. E. Cummings que est� a caminho.
N�o est� na mesma linha, realmente, Sylvia...
Plath.
Pobrezinha. N�o deve ser f�cil para ela...
...deve estar cansada disso.
De qualquer forma, boa festa.
Agrade�a ao chefe.
- Isto � bom. - O qu�?
Do Alvarez. Muito bom.
Ou�a.
"Seus poemas jazem seguros numa massa de experi�ncia...
que nunca saem realmente � luz do dia".
Logo tem uma entrevista e diz:
"� esta sensa��o de amea�a...
como se ela estivesse continuamente intimidada...
por algo que poderia ver unicamente com a extremidade do olho...
o que brinda a sua obra... sua distin��o".
E o resto?
- � uma boa cr�tica. - Uma cr�tica?
Mas � uma boa cr�tica.
Ou�a, � dif�cil. Sabe que vai ser dif�cil.
-O meu primeiro livro... -Ganhou pr�mios.
Eu atendo.
Al�?
N�o, n�o. Nenhum problema.
Sim.
Ah, n�o, claro. � claro.
Sim. N�o, n�o. Isso n�o � nenhum problema.
Bem. Est� bem.
At� logo. At�...
Era Moira Doolan, a senhora da BBC que te falei.
Enviei para ela essa id�ia para um programa de r�dio infantil.
Lembra?
- N�o. - Bom, quer que almocemos.
Acho que est� interessada.
Est� muito em cima da hora, n�o?
Te vejo mais tarde.
At� logo.
Sim, � da BBC?
Posso falar com Moira Doolan da r�dio infantil, por favor?
Tem id�ia de que horas ela saiu?
Por acaso sabe se ela foi sozinha?
Sabe se ela voltar� esta noite?
Entendo.
Estou a procura de uma pessoa que poderia ter estado com ela.
Seu nome � Edward Hughes.
Meu nome � Sylvia Plath Hughes e eu...
N�o fale comigo nesse tom de voz.
- Que droga est� acontecendo? - Onde esteve?
O que est� havendo?
Fiquei doze horas sentada aqui! Onde esteve?
- Estive numa reuni�o! - Isso foi h� doze horas atr�s!
Foi uma reuni�o durante o almo�o que se prolongou at� o jantar!
Liguei para a BBC e disseram que Moira Doolan tinha sa�do!
- Era outra reuni�o! Nos reunimos depois! - A fic��o n�o � o seu dom, n�o?
- N�s fomos jantar! - Por que n�o me diz onde esteve?
- � uma mulher com mais de 40 anos. - Mentiroso desgra�ado!
Eu te amo.
Ama?
Um m�s adiantado, isso bastar� como dep�sito.
Tem um dormit�rio, cozinha...
outro dormit�rio, um est�dio,
para o que quer que seja que queiram us�-lo.
E esta � a sala, que j� viram. Isso � tudo.
N�o � muito, eu acho.
N�o, � fant�stico.
Seria maravilhoso para o David.
- Por qu�? O que faz? - Sou poeta.
N�s tamb�m.
Voc� �...?
Ted Hughes. Trarei uma garrafa de vinho.
- Eu sou Sylvia Plath. - Ai, Meu Deus. Isso...
Dei de presente a Assia uma c�pia de seu livro "O Colosso".
Isso � incr�vel.
Sim, adoro seus poemas.
S�o muito bonitos. S�o aterrorizantes.
T�m esta caracter�stica perturbadora.
O qu�?
N�o, � s� que...
essa � a melhor cr�tica que j� recebi.
- Estou ansiosa para me mudar. - Sim, claro.
N�o acham que Devon � muito isolada?
Passem um fim de semana conosco.
Obrigado.
- N�o deveriam fazer isso? - O qu�?
Vir para Devon e passar um fim de semana.
Sim. Claro que sim.
- Sair da cidade. - Eu adoraria.
Devon, Inglaterra - 1962
Quer ir mais alto?
Eu atendo.
Al�?
Oi.
N�o, estou bem.
Ambos estamos bem. Como est� ?
Como est� David?
Ah, �? Que bom.
N�o, isso seria fant�stico, claro.
No s�bado est� bem.
Sim, sim.
Sim.
Eu adorarei.
Para voc� tamb�m. At� mais.
Eram Assia e David.
Querem vir este s�bado. Ser� agrad�vel, n�o?
Deus, isto � uma fonte de inspira��o.
Estou contente em ver voc� e o Ted de novo.
- Me d� sua m�o. Tem muito lodo. - Ai, Meu Deus. N�o se importa?
- Vamos l�!? - Obrigado.
Obrigado tamb�m. Est� sendo...
Esta sopa est� extraordin�ria.
- Coma mais um pouco. - N�o, n�o consigo. Obrigada.
Por favor. Me deixe lhe servir.
H� mais que suficiente.
S� um pouquinho...
- Aqui est�. - Obrigado. Sempre gostei de comer.
Ted diz que tem a nova grava��o do Robert Lowell.
O qu�?
-Robert Lowell... a nova grava��o. - O qu� tem isso?
Poder�amos ouvir depois talvez?
Est� bem.
Obrigado.
Obrigado.
Obrigado.
Com licen�a.
N�o se importa de me dizer o que est� havendo?
Eu te vi.
- Viu o qu�? - Por qu� insiste em me humilhar?
Sylvia, ningu�m est� te humilhando.
Para que se incomodar?
Voc� mesma faz um excelente trabalho.
- Posso encher seu copo? - Por favor.
Ah, c�us. Olhem isto.
N�o devia ter se incomodado tanto.
Estou come�ando a pensar o mesmo.
Santo Deus.
Obrigado. Chega para mim.
Obrigado.
Obrigado.
- N�o est� comendo. - N�o, estou � sua espera.
Me sentirei muito insultada se n�o comer.
Quer?
N�o, sirva-se.
Me diga, como se vira para escrever, com o beb�?
Eu?
Ah, n�o.
N�o. Mas Ted sim.
E isso � o que realmente importa, n�o?
Ele � o verdadeiro poeta da casa.
O mar ainda quebrava as ondas violentamente e a noite se esfuma�ou...
em nossa frota do Atl�ntico Norte, quando o marinheiro afogado se agarrou a rede.
Cintilava uma luz de sua cabe�a emaranhada e de seus p�s de m�rmore.
Se agarrava � rede com os m�sculos enroscados de suas coxas.
O cad�ver estava sangrando uma chaga vermelha e branca...
- Vou lavar os pratos. - Eu te ajudo.
- N�o precisa. - Eu insisto.
...ou as janelas dos camarotes num casco pesado pela areia.
- Eu lavo, voc� seca. - Sim.
E se elevava por volta do mar cada vez que vinha...
onde o chantagista com uma perna de pau ladra...
seu nariz em cima a frente do Ahab...
e o nome escrito com giz amarelo.
O que est� acontecendo?
N�o est� acontecendo nada.
Assia me contava sobre um sonho que teve.
Posso ajudar?
Queria que voc� e Assia fossem embora amanh� cedo.
� que estou cansada. Estou muito cansada e...
N�o sabe pelo que estou passando. Tenho dois filhos pequenos.
Se tivesse filhos, entenderia.
Sinto muito.
� claro.
- Quando voltar�? - N�o sei.
Daqui h� uns dois dias, talvez tr�s.
Depende de quanto demorar.
- Em que n�mero estar�? - Ainda n�o decidi com quem ficar.
Acho que j� estou farto de dormir no ch�o.
Provavelmente vou para um hotel.
N�o precisa ir, sabia?
Preciso sim.
Sylvia.
A verdade vem para mim.
A verdade me ama.
Al�?
Eu sei quem �.
Al�.
Saia daqui.
Isto � a luz da mente.
Se a lua sorrisse, se pareceria contigo. Sua cor vermelha fala com a minha ferida.
Ela me arrastaria, cruelmente, porque � erma.
Espessa, vermelha e escorregadia...
Sua nudez oculta nossa seguran�a.
De quem � esta caixa branca larga na horta?
N�o preciso aliment�-las com nada.
Chispei no seu azul...
Nossas manoplas de tecido, cuidados e doces...
Com a m�o nua acaricio as cristas.
O homem de branco sorri...
Assim n�o posso ver o que h� l�. Um deus apoderou-se de mim...
Levemente, atrav�s de suas brancas ataduras...
Um mundo de brancos dias calmos numa fossa privada de sombras.
N�o me posso soltar e o comboio avan�a rapidamente...
A Fuga da Assassina...
"Os alde�es nunca gostaram. Est�o dan�ando e sapateando em voc�.
Sempre souberam que foi voc�.
Pai, pai, seu bastardo, estou cansada".
�...
� o qu�? O qu� �?
Ficou bom?
Bom?
Deus, sim.
Esse poema "Pai", o uso da met�fora...
o modo em que vai crescendo no final...
passando da escurid�o a uma explos�o de f�ria.
� absolutamente assombroso.
Estou pensando em voltar para Londres.
Enviarei para voc� mais alguns assim que estiver instalada.
Eu gostaria disso.
Sylvia...
Sei que isto deve ter sido dif�cil para voc�.
N�o.
Na verdade, nunca estive mais feliz.
E nunca mais escrevi. � como se...
agora que ele se foi, estou livre.
At� que enfim posso escrever.
Eu acordo entre 3:00h e 4:00h, porque essa � a pior hora...
e escrevo at� de manh�.
Realmente sinto como se Deus estivesse falando atrav�s de mim.
E agora n�s precisamos da estrelinha p�rpura.
Vai aqui em cima.
Coloque todas.
Temos o floco de neve.
Muito bom.
Onde ele vai viver?
Ali.
Est� linda.
Ol�?
- Ol�? - J� vou.
Lamento muito incomod�-lo.
Moro aqui em cima e ficamos sem luz. N�o tenho �gua quente.
- Estou com meus filhos l� em cima... - Houve um corte de energia.
Bem quando a gente precisa de calefa��o e luz para manter a vida...
o governo corta a luz.
- Por qu�? - Para criar o car�ter nacional.
Deixe a estufa acesa para ter calor e para ferver �gua para se lavar.
Darei algumas velas...
e f�sforos.
- Aqui est�o. - Obrigada.
Deve pensar que sou uma est�pida mulher americana.
Ah, n�o, n�o � nada disso. Achei que era canadense.
- Sim. Bem, obrigada. - Foi um prazer.
- Muito obrigada. - At� logo.
Ol�, querido. Isto � para voc�.
Feliz Natal, querida.
N�o vim s� para v�-los. Queria te ver tamb�m.
Queria ver como estava.
Sinto sua falta. Sinto falta de voc�s todos.
O Natal � muito dif�cil.
Podemos conversar? Podemos nos sentar?
Ainda est� ficando com ela?
Tenho seguido um longo caminho.
A lua n�o v� nada disto.
E a mensagem do disco � sombria...
sombria e silenciosa.
N�o sei mais o que fazer.
N�o posso voltar para ela, mas a amo tanto que �...
Quer outro?
Obrigado.
Este � extraordin�rio.
E Lady L�zaro, o poema sobre...
os suic�dios fracassados.
O desespero...
a entristecedora sensa��o de um press�gio e entretanto sem um rastro...
de irrita��o ou histeria...
nenhuma s�plica de compaix�o.
A riqueza de imagens.
Tais horrores...
mas expressos com...
com uma frieza...
como a...
como a confiss�o de uma assassina.
J� tem um t�tulo para sua novela?
- "O Sino de Cristal". - Quando publicar�?
No Ano Novo.
Vai me deixar ler?
� uma obra para ganhar dinheiro.
Me arranja um cinzeiro?
Claro.
- N�o sabia que fumava. - N�o fumo.
Mas estou come�ando.
Estou pensando em provar coisas novas.
S�rio?
Como o qu�?
Estou pensando em encontrar um amante.
Que sugestivo.
Quem � ele?
Olha, sei como voc� se sente.
- N�o, n�o sabe. - Sei.
Compartilhamos em comum um...
Eu tentei...
Eu tentei...
Como?
Igual a voc�. Son�feros.
Tomei muitos.
Todo mundo faz isso, n�o?
�s vezes sinto que n�o sou...
s�lida.
Sou oca.
N�o h�...
nada por tr�s dos meus olhos.
Sou o negativo de uma pessoa.
� como se eu nunca...
nunca tivesse pensado nada.
Nunca tivesse escrito... nada, nunca tivesse sentido nada.
Tudo que eu quero � sombrio...
sombrio e silencioso.
Olha...
uma coisa que sei da morte...
� que n�o �...
uma reuni�o ou voltar para casa.
N�o h� nenhum...
a sua vida n�o passa como um rel�mpago sobre voc�...
e a parte que falta em voc� n�o se encaixa no seu lugar.
� como...
� como que tudo se lixe.
N�o h� nada.
O que faz ent�o quando a sua vida...
fica t�o mal quanto � poss�vel ficar...
e continua a ficar pior?
Voc� continua seguindo adiante.
Olha.
Ou�a.
� muito linda.
E tem uma mente maravilhosa.
E voc� � uma excelente...
uma excelente poetisa.
E voc� e o Ted...
voc�s se entendem de maneira...
que outras pessoas s� podem sonhar.
Pelo amor de Deus, n�o jogue tudo pelo ar s� por...
N�o quero ouvir o nome dele!
Ia dizer s� por causa de um namorico.
Est� bem? Entre.
Vou morrer. Vou morrer logo. Quem cuidar� dos meus beb�s?
Sra. Hughes, n�o entendo. Por que est� dizendo que vai morrer?
Est� doente? Esteve doente?
- N�o, n�o estou doente. - Acho que devia chamar um m�dico.
N�o, n�o, n�o chame um m�dico.
N�o sabe o que fazem? O prendem num espeto e o enchem de fa�scas.
Sim. Sinto muito.
N�o, eu � que sinto.
� que estou t�o ansiosa que...
Estou t�o ansiosa que...
Ai, Deus, � tudo minha culpa. � tudo minha culpa, � tudo minha culpa.
A �nica coisa que podia pensar era o que aconteceria se...
algu�m me tirasse isto.
Viu?... Se temer algo com for�a o suficiente...
pode fazer que aconte�a.
Esta mulher...
eu a invoquei.
Eu a inventei. Entende?
N�o, sinto muito. N�o entendo.
� que estou t�o cansada. Estou t�o cansada.
Se pudesse dormir um pouco, s� um pouco...
Estou t�o exausta.
Acho que devemos arranjar algu�m para cuidar dos seus filhos.
- Ai, Meu Deus. Deixei eles l� em cima. - N�o, n�o v�.
Vou ver se est�o bem. Tudo bem se eu fizer isso?
Fique a�.
� um homem muito bom.
Me lembra um pouco meu pai.
Sim, al�, Kate. � Sylvia.
Estou bem. Eu...
quero saber se posso te ver.
Entendo.
Dr. Hawkins, � Sylvia.
Preciso de ajuda. Eu...
acho que n�o posso...
me controlar.
Est�...
muito bonita.
Entre, por favor.
Gostaria de tomar uma bebida?
Por favor.
O que quer, Sylvia?
Queria te ver.
Pensei que...
gostaria de nos ver.
Pensei que houvesse algo errado.
Alvarez me disse que foi tirar uma d�vida com ele.
Me disseram que estava tomando p�lulas.
N�o.
Deus, como senti saudades.
Quase fiquei louca.
Nem sequer somos duas pessoas.
Inclusive antes de nos conhecermos, fomos...
estas duas metades...
perambulando com grandes...
buracos abismais dentro de n�s com a forma de outra pessoa.
E logo nos encontramos e finalmente nos tornamos um s�.
Mas logo � como se n�o pud�ssemos suportar ser felizes...
ent�o nos dividimos outra vez pela metade.
Na primavera, dever�amos voltar a Devon.
Voltaremos a Devon e seremos s� n�s...
e as crian�as e o nosso trabalho.
Ser� como se tudo isto nunca tivesse acontecido.
E o ver�o e o outono e este horr�vel inverno...
tudo se esvair� quando as folhas aparecerem.
E parecer� s� um pesadelo que nunca foi real.
N�o a ama como me ama.
Jamais ter� com ela o que tem comigo. Sabe disso.
Eu sei.
Deixe-a.
N�o posso.
Ela est� gr�vida.
Est� tudo bem?
Tem selos?
� uma tolice, eu sei, mas tenho...
que enviar umas cartas aos Estados Unidos esta noite e...
Por correio a�reo e n�o tenho selos.
N�o pode envi�-las pela manh�?
N�o.
N�o, uma bab� vir� de manh�, entende, vem uma bab�.
E, de qualquer maneira, n�o estarei aqui pela manh�.
Entendo... sim, acho que tenho alguns.
Aqui est�o.
- Obrigada. - Selos.
Obrigada.
- Bom, boa noite. - Boa noite.
Ou�a, quer que chame algu�m?
N�o.
N�o, s� estava tendo...
Acabo de ter o mais lindo... sonho.
Eu te amo, querida.
A caixa est� fechada. � perigoso.
N�o h� janelas, por isso n�o posso ver o que tem l� dentro.
S� h� uma pequena brecha.
Nenhuma sa�da.
Ariel - por Sylvia Plath
Em 11 de fevereiro de 1963, Sylvia Plath cometeu suic�dio.
Foi encontrada morta na sua cozinha, onde inalou g�s do fog�o.
Um ano depois, Ted Hughes supervisionou a publica��o...
do seu �ltimo manuscrito de poemas.
A cole��o, "Ariel", tornou-se num dos livros de poesia...
mais celebrados e mais vastamente lidos do s�culo 20,...
e fizeram de Sylvia um �cone para gera��es de leitores.
Em 1998, Ted Hughes quebrou um sil�ncio de 30 anos sobre Sylvia...
com a publica��o de "Cartas de Anivers�rio",
uma s�rie de poemas que relatam a hist�ria do seu relacionamento.
Ele morreu de c�ncer algumas semanas depois.
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