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Original subtitles

Cabra!

Vamos violar-te, cabrona!

Calem a boca!

Cala-te tu também!

Quero comê-la!

Vou-te dar duro, puta!

Olha-me quando falo!

♪ Um dia nos juncos,

♪ a minha brilhante água adormeceu.

♪ Vieram os guardas à água,

♪ para a levarem cativa.

♪ fecharam a tua cela, com chave dupla.

♪ Porque entre os teu dedos,

♪ a fonte da vida fugirá,

♪ como pequenos barcos levados pela espuma branca.

♪ Olhando os seus olhos,

♪ a juventude esvaía-se com a corrente

♪ Zarpa, zarpa,

♪ amanhã atracarás.

♪ A fonte da minha vida ainda não está pronta para casar.

- Os objectos de valor. - Obrigado.

Ela não veio de mãos vazias.

Estou a ver.

- De onde vem? - Da prisão de Fresnes.

- Motivo? - Para estar mais perto da família.

Bom, estávamos à espera dela.

Ainda 1.76?

Quem lhe disse para se despir aqui?

Falo consigo.

Despiu-se antes de lhe dizer. Já viste isto antes?

"PERDIDAMENTE"

Adaptação livre do Romance de Florent Gonçalves e Catherine Siguret PROÍBIDA DE AMAR Publicado por "Prensas da Cidade"

Branca de neve!

Senhoras, silencio!

Olá, linda!

As outras estão não pátio.

Podes começar a desempacotar.

O Ministro chega sexta, por isso comporta-te.

- Olá. - Que fazes aqui?

Que é esta merda? Tira-me da vista.

Acalma-te! Deixa-a!

Faz-se de má mas não é assim.

Lixo-te quando estiveres a dormir.

Tranquila Sonia, deixa de nos chatear.

Que faz este lixo branco na minha cela?

Qual é o teu problema? Não é a tua cela.

Esquece, está naqueles dias.

Consegues crer naquela merda na TV?

Francamente, deviam filmar-nos.

É mais interessante o que se passa aqui.

Não suporto a cara dessa cabrona, que morra.

Vês isto?

Estarás em casa.

Onde está o verniz?

- Aqui tens. - Obrigado.

Queres pôr?

- Não sou uma rameira. - É para a Ministra.

A Ministra pode beijar-me o cu.

Relaxa.

Vem visitar a nossa prisão porque é melhor ou assim.

Por mim estou-me a cagar.

Inclusive vão preparar um desfile de moda.

A mim parece-me bem.

- É uma boa mudança. - Continuas na prisão.

Estás sempre pelo nariz.

Está com ciúmes porque não desfila.

- Vai à merda. - Não amues, não é grave.

Um dia quem sabe. ' Inch' Allah'.

Nos teu sonhos.

Deixa-me.

Nunca vês TV. Que te interessa que te vejam?

Deixa-me.

Ladra muito mas não morde.

Quem tem lume?

Toma.

Melanie? Nunca fizeste sexo durante as visitas?

- Asqueroso. Falas a sério? - Que é asqueroso?

Não faço coisas dessas.

É sujo. No quero doenças.

És uma gorda mentirosa.

- Todas o fazem por lá. - Eu não.

Ela fê-lo, fê-lo.

E ela também.

- Nunca o fiz. - Mentira.

Espera, espera!

A semana passada, não disse até as posições?

- Não o fiz. - Escondam os cigarros.

Rápido, rápido. Fecha a janela depressa.

Despacha-te.

Bom trabalho. Não podemos deixar-vos sós 5 minutos.

Sabem ser proibido fumar na cozinha.

Sabem por quê?

É mau para a saúde.

Agora a sério. Sabes porquê?

Essa aí não fala.

Mas chupa-o.

Ela entende.

- Veio de Fresnes. - Faz três dias.

Sei quem és.

Aconselho-te a que não sobressaias.

Mélanie.

O teu pedido de liberdade parcial não foi concedido.

- Há outra comissão em 3 meses. - Tanto tempo.

É muito tempo. Estou cansada de fazer frangos.

- Queres fazer outra coisa? - Não.

Lahouel!

Lahouel, despacha-te, és a seguinte.

Froment!

Que queres?

Sobrou algo?

- Não. - Vá lá, ela é nova.

Desopilem, não tenho nada!

Que se passa?

Ela é nova, não tem vestido.

É para ti?

Dá-lhe o branco.

- Este? - Sim, esse.

Despacha-te, não temos tempo.

Boukara!

Viste o guarda que pensa que és a Beyonce?

- Vai ali a Ministra. - Deixa-me ver.

Vejam o Director com a Ministra.

Posso ver?

Espera um segundo!

Mexam-se, vamos começar. Vá!

Que fazes? Estás maluca?

Fica-lhe bem assim.

Essa é a Pilar.

Afasta-te dela, está maluca.

Despacha-te, Anna, és tu.

Pediu para me ver?

Vá lá, escuto-o.

Posso ficar com o trabalho

na cozinha depois do meu processo?

A audiência é em Paris,

pelo que serei transferida para Fleury

e dizem que é duro.

- Quando é o teu processo? - Em Abril.

Abril, em quatro meses?

Dá-nos tempo para encontrar uma solução.

- Tenho medo que me substituam. - Compreendo.

Mas precisam de cozinhar na sua ausência.

Não prometo nada, depende da afectação das outras.

Veremos quando chegar o momento, ok?

Não será o processo que a inquieta?

É cansativo, sabe.

Sai de manhã, regressa tarde.

Revistas diárias, audiências intermináveis...

Eu sei.

Apanharei quanto tempo, segundo você?

Não sei, não é o meu trabalho.

Sabe quem sou?

Sim, um pouco.

E?

E então o quê?

Que pensa de mim?

Não grande coisa.

Explico-te, não estou aqui para a julgar.

Nem a razão porque está aqui me importa.

Esse trabalho é da justiça.

A mim cabe-me zelar, para que passem bem aqui

Ok?

Margaux!

- Como está, senhor director? - Bem, obrigado.

Karine, pode trazer-me o dossiê da Srta. Amari, por favor?

É para já. A sua filha está aqui.

Obrigado.

Não se esqueça de a fechar.

Como estás, querida?

- Estás bem? - Sim.

Sentada na minha cadeira?

Desculpa, tesouro, não vi a hora. Sou teu em dois minutos, sim?

Mostra-me o teu desenho.

Muito bonito.

Somos nós daqui a uns anos.

Obrigado.

Karine, podes pedir que apaguem o aquecimento?

- Fecho a porta? - Sim, é só empurrar.

Não tenho problemas com a sua filha.

Vai tudo bem.

Vai bem em todas as matérias, uma criança inteligente.

Mas...

Penso que deviam falar com ela.

Por?

Os colegas fazem pouco dela.

Ter os dois pais na prisão não é normal.

Perdão?

- Os outros pais interrogam-se. - Sobre o quê?

Trabalhamos em prisões.

Não estamos na prisão.

Somos funcionários como você, por isso não entendo.

Calma, não foi isso que quis dizer.

Porquê ficar calmo?

É exactamente o que disse em tom superior.

Deviam ter orgulho em vez de criticar a minha filha.

Não foi o que lhe quis dizer. Sinto muito.

Estás louco? Que te deu?

Que é esse meia-leca de funcionário, com ar de superioridade?

- E tu que és exactamente? - Funcionário, mas artista.

- Um artista maldito. - Frustrado também.

Estou tão frustrado, querida. já não posso mais.

Estás louco.

Espero há três dias para ir à enfermaria.

Não tenho dormido.

Não tenho dormido nada!

Que quer que faça? Que me mate? É isso?

Gostas da minha blusa?

É bonito.

É bom que gostes, ofereceste-ma.

Agora não gostas? Que se passa, já não gostas?

Sim, mas não é para isso que te mando dinheiro.

Desculpa-me, faz anos que não me oferecem nada.

Vá lá, estamos no natal.

Quem é aquela rapariga ali?

Ninguém.

- Não te dá problemas, de certeza? - Sim, de certeza.

- Também trabalhas aqui? - Claro que sim.

- Ainda pintas? - Não, estou na cozinha agora.

Pedi-o em Fresnes mas não deixaram.

Não confiavam em mim com uma faca.

Não és criminosa, filha.

- Pagam-te quando? - Nove euros.

- É óptimo. À hora? - Ao dia.

Bem.

Não foi muito caro.

Comprei-o no mercado. Achei-o bonito.

Tens razão.

Como estão os teus amigos?

Não os vejo muito agora que estás aqui, não é grave.

Por quê?

Não me falam. Já não me querem ver.

Alguma vez lutaste com ela?

Na prisão, sim.

No boxe normal pode-me ganhar.

Mas no 'Thai' usas as pernas.

No Thai, ganho-lhe.

Olá meninas.

Acabaste a conversinha com a mamã?

Para mim, são as tíbias.

Viste a mãe? Tem bom par de mamas.

Gostava de as apreciar.

Pergunto-me se as tuas são iguais.

Posso vê-las?

- Deixa-nos. - Pára, estamos a falar.

- Talvez a viole, mais tarde. - Violar, tu?

Tira as mãos.

Vai à merda!

Basta! Parem! Parem!

Vamos lá, Pilar! Parte-lhe a cara!

Dá-lhe!

Vamos lá, Anna!

Cabrona!

Larguem-me!

Já te acalmaste?

Deixem-me.

Obrigado.

Bom dia.

Feche a porta, por favor.

Sente-se.

Queria falar do incidente da semana passada.

Não pode voltar a acontecer.

Precisa de mais controlo.

Outro episódio destes e haverá sanções.

O seu processo está próximo, precisa comportar-se.

Já entendi, obrigado.

Aonde vai?

É para a ajudar que o digo.

Não sou eu que estou encarcerado.

Tem aconselhamento?

Temos psicólogos aqui. Para a ajudar, sabe?

Prefiro falar consigo.

Não parece.

Podemos reunir-nos de vez em quando antes do processo.

Para falar.

Terminámos?

Não. Tenho tempo.

Eu também.

É complicado para a minha mãe sem mim. Está só.

- E o seu pai, onde está? - Não tenho pai?

- Está morto? - Não, não faço ideia.

- Porque ri, é engraçado? - É você: "Está morto?"

Relaxe, estou a brincar.

O meu pai, quase não o conheci..

Não me olhe assim, sucede aos melhores.

Tens aulas, para fazer um curso?

Aqui?

Não, na Sorbonne.

- Posso brincar também. - Não tem piada.

Vou às aulas. Para ter o diploma para ir para a faculdade.

Isso é bom.

Sim, mas temo atrasar-me por causa do meu processo.

O que tem de ser tem muita força.

O principal é levá-lo com seriedade.

Que fazes agora por exemplo?

No curso?

Analiso textos, coisas assim.

- Qual texto? - Phèdre.

Racine.

O nome do autor é "Racine."

Não sei. Está-me a confundir.

Refere-se a "Racine", como "raiz"?

Sim.

O seu primeiro nome é Jean, como eu.

Jean Racine.

- É patético. - Sim, tens razão.

Gosta, do texto?

Sim, mas é só o principio.

É bastante duro para ela. É vítima do destino.

- Crê no destino? - Não sei.

Phèdre foi há 2 mil anos. As coisas são diferentes agora.

Sim, é diferente.

Raios.

Estou-te a magoar?

Isto deve aguentar até amanhã.

És um anjo.

- Que fazes? - Desculpa, pensei...

É por isso que és boa comigo?

Raios, não se pode confiar em ninguém aqui.

Acabaste com ela!

Arrumaste-a.

Ela deu-lhe de tal forma!

Então, estás chateada?

Não falas?

Que se passa com esta tipa?

- Bom dia, advogada. - Olá, Director.

Como vê esse dossier?

Complicado.

Mas ela era menor quando o fez

e não tem antecedentes.

- Bem, boa sorte. - Adeus.

Adeus.

Então abandona-nos?

- Não o desejo. - Creio em ti.

O meu advogado disse 15 anos.

Quase mais que a minha idade.

Ninguém sabe, podem ser 12.

Mas que grande ajuda.

Não, é o meu trabalho.

Como é em Fleury?

Magnífico. Grandes espaços verdes,

não há barras nas janelas.

Não, estou a brincar.

É gigantesco, agitado. Ficará contente por voltar.

Não é precisamente divertido aqui.

Bom, cuide-se.

- Vai-se? - Não, é você.

Não se esqueça do da cozinha.

Não, não me esqueço.

Amari. Horas de ires.

A camisa.

O vestido.

Sutiã.

As cuecas.

Vira-te.

Abre a boca.

Está bom, Podes vestir-te.

Como vai, Anna!

Como se sente?

Em que pensa? Para se vestir assim?

Tens de se cobrir.

Pelo amor de Deus.

Assim está melhor.

E então?

Como foi?

Guardei-te pão.

"Queria fazer um esforço.

Estar linda e bem apresentada.

Fiz tudo ao contrário.

Sou um fracasso.

Dizem que colhes o que semeias.

Por isso mereço tudo o que apanho.

Sinto-me verdadeiramente culpada.

Espero regressar rápido e trabalhar na cozinha.

Anna."

Jean?

Que estás a fazer?

Vens deitar-te?

Está em sessão, senhor.

Não, impossível, a menos que seja testemunha.

A stra. Amari recorda-me muitas mulheres de hoje,

perdidas entre a erotização do corpo, ao máximo

e um desejo ardente de estabilidade afectiva.

Esta ampla e perigosa brecha,

simboliza a perda dos fundamentos de toda uma geração.

Pelo que peço uma pena de prisão de 10 a 12 anos.

Apanhou 9 anos. Não serão 20 se apela.

Já cumpriu quanto?

- Quatro anos, é isso? - Um pouco mais.

Com uma redução de pena, sai a seguir a apelar.

Terá o quê, 24 ou 25 anos?

24.

Muitas mulheres começam a vida bem mais tarde.

Como funciona a redução de pena?

Sabe bem, depende de si, da sua conduta aqui.

Então depende de si também.

- Que quer dizer? - É quem faz o relatório, não?

Eu e os outros graduados, não o faço só.

Sabe usar um computador?

Nem todos sabem aqui, creia-me.

Tenho um projecto para si, ocupa uma tarde por semana.

Mas eu já trabalho na cozinha.

A cozinha por agora não pode ser.

Foi assignada ao serviço geral.

Não é o fim do mundo. Pode-se sai da cela, ar livre.

Que mais tenho de fazer?

Desenvolvi um projecto para comprar produtos no exterior.

- Como uma cantina ou assim? - Algo assim.

Excepto que os produtos serão mais baratos

porque estão perto de expirar.

Esse é o truque?

Sim é o truque.

É melhor pagar por gel de duche, 2, que 6 euros.

Resumindo, o que fará será gerir

os pedidos das detidas em função do seu dinheiro.

E a gama de produtos proposta pela loja.

E então, como vai?

Bem, creio.

Ordenei os artigos por categoria: Higiene, alimentação, etc,

depois entrei com a data de caducidade.

Se passarmos o dia, os produtos desaparecem automaticamente.

Isso é fantástico.

Mas isto aqui...

Que é isto?

São...os fundos das detidas.

Muito bem, continua assim.

Senhoritas, silêncio, por favor. Podemos começar de novo?

Tenho a atenção de todas? Então;

para continuarmos, um pouco a conversa sobre

o texto de Phèdre, que talvez já leram.

Gostaria discutir alguns pontos e sobretudo

interessa-me ter a vossa visão.

Por exemplo:

Decidimos enamorar-nos?

Que quer dizer com enamorar-se?

Realmente amamos ou temos a ideia de amar?

É interessante. Que pensam as demais?

O que faz que nos enamoremos de alguém?

Penso que...

- Força. - Deixa-me terminar.

- Deixa-me exprimir. - Fala-nos sobre a sala de visitas.

Faça favor, Mélanie.

Não nos decidimos enamorar,

mas decidimos permanecer.

Não decidimos nada.

Sucede quando tem que acontecer, e...

É uma questão de "feeling".

O que é o "feeling"?

Que seja um borracho.

Que seja um borracho!

- Ok, está bem, o físico então. - A personalidade?

A personalidade o físico.

- O charme! - O charme.

É como te faz sentir, muitas coisas, são;

as borboletas no estômago. - Estão de acordo?

As estrelas.

Há diferentes tipos de amor. O romântico, o passional...

Há amores que...

...se tornam possessivos, não queremos largar.

Que sabes disso? Ainda és virgem.

Ela ainda é virgem!

Tocada pela primeira vez.

Às vezes o amor é proibido por tabus morais.

- Exactamente. - Mas o coração é outra coisa.

É o famoso combate entre a razão e o coração.

Por exemplo, Phèdre, ama alguém que não tem o direito de amar.

Isso impede-a que ame?

Isso chateia-me. Diz: "Ela não tem o direito de amar."

Quem diz que tem o direito?

Não sei.

Falaste de interdições morais.

Serão quais as interdições, por exemplo,

ao nível da moral?

Não é por...

...porque algo está proibido, acontece de qualquer forma.

Estou de acordo contigo.

- Isso é o que acontece na obra. - De facto.

Leiamos um extracto. Pode ler, Aida?

Sim, sou a Aida.

"O meu mal vem de mais longe.

Apenas ao filho de Égée,

pela leis do matrimónio, estava prometida.

A minha paz e felicidade pareciam bem seguras.

Atenas mostrou-me o meu soberbo inimigo."

"Vi-o e ruborizei,

empalideci quando o vi."

A minha alma angustiou-se terrivelmente.

O meus olhos já não viam,

já não podia falar,

senti o meu corpo frio e depois em fogo.

Olá, Priska.

Estás a trabalhar, que bem.

É Phèdre?

Não, não é Phèdre.

- Perdão? - Não, não é Phèdre.

Passa-se algo?

Diz-me.

Quero sair daqui.

Entendo.

Não. Não o entende.

Posso?

Anna, sabe que na prisão...

Não tem nada a ver com a prisão.

Se não se trata da prisão,

então qual é o problema?

Você.

Perdão?

Não o compreende?

Aonde vai?

Vou-me, não tenho direito?

E os seus papéis?

São para si. leia-os.

"O meu mal vem de mais longe.

Há um segredo que não posso guardar mais tempo.

Em Fleury não deixei de pensar em si.

Depois de vir é ainda pior.

O meu coração está mal, tudo é impossível.

Eu sei-o. Por isso quero partir.

Então transfira-me, por favor

Anna."

Jean.

Alô, sim?

Vou já para aí.

Que se passa?

Há um problema com uma miúda.

Tenho de ir.

Foi a Pilar que o fez.

A companheira queixava-se de dores de barriga e ela bateu-lhe.

Chegámos o mais rápido que pudemos.

Larga-me!

Cabrona!

Vamos pô-la no isolamento.

Sim.

Tenho más noticias.

Quais?

A detida estava grávida.

Perdeu o bebé.

À priori está fora de perigo.

Avisamos a família?

Não, faço-o eu amanhã.

Boas noites.

Como vão as coisas?

Precisas entender que...

...o que fazemos é importante.

Somos a única prisão em França que faz isto.

Em qualquer outra parte, os preços disparavam porque...

Com calma, com calma.

Perdão.

Ainda queres ir embora?

Agora tomas banho às escuras?

Quê?

Nada, olho para ti. Não tenho direito?

Boas noites.

Que é isto?

É a nossa casa.

- São horas que me dês uma chave. - Uma chave?

Sim, fiz toda a decoração.

Somos nós?

Sim, estamos um pouco gordos.

A tua casa é boa. Perdão, nossa casa.

Espero que gostes.

Gosto de ti, sim.

Os gatos de Raï falavam 4 horas antes de cantar.

Vê, olha o director ali.

Quero que me ensines 'Ya Zina'.

Já não nos suportamos.

Está fora de controlo com ela,

discutimos o tempo todo.

Agora não.

De acordo, mas concretamente, que se passa?

Insultos.

Atira-me tudo o que pode.

- Depende do seu humor. - Ok.

Há quanto tempo dura isso?

Mais..mais de um mês.

Bom o relatório é excelente, boa conduta,

não vejo a comissão a negar.

Mas não garanto nada.

Bem, obrigado em todos os casos.

- Resto de bom dia. - Obrigado, adeus.

Querias ver-me?

- Senta-te. - Estou bem de pé.

Como queiras.

Há algum problema?

Diz-me, fala.

Fizemos parvoíce, sinto-o, não tem como durar.

Organizei a tua transferência, tens razão,

é melhor para nós.

Estás a brincar, não?

Não.

Sinto muito.

Não, não o entendo, falas a sério?

Anna, fi-lo por nós.

Não, fizeste-o por ti.

Escrevi-te uma carta antes de me papares.

- Eu sei, li-a. - E?

Não tens tomates.

Não me toques.

Guarda!

- Terminou? - Sim, terminámos.

Olá, chamo-me Elise.

Sou supervisora da prisão Santé em Paris.

Como podem ver, também organizo ateliês de pintura.

É a primeira vez que venho aqui.

Mas vai correr tudo bem,

pois falaram-me muito de vocês.

Bom, não perdamos tempo. Vou precisar de um modelo.

Modelo qual? Uma 'top model'?

Fala a sério?

Não, necessito que uma pose

para que as outras a desenhem.

Não serei eu.

Nem em sonhos.

Vá lá, mudaremos de modelos durante as aulas.

Por que não o fazes?

Muito bem, senhorita.

Instale-se aqui a cima.

Prendam o papel no cavalete.

Mas ela leva-o a sério?

A boazona!

Bom...

...não é indispensável, mas se ninguém se opõe...

Desenhamos os teus seios?

Por que te cobres? Mostra os seios.

Ah, isso cheira bem.

A Louise já se deitou?

Com banho e penteada.

Tomou banho e penteou-se?

Isto está quase pronto.

Jean?

Que fazes?

Quê? Não gostas?

Vi-te hoje quando a tipa se despiu.

- Não conseguias desviar os olhos. - Não importa.

Será transferida no fim da semana.

Até lá, fica na solitária.

Já não a podemos guardar aqui.

- Não pode fazer isso. - Sim, infelizmente posso.

Foi demasiado longe, prevenimo-la.

Transfere-me e denuncio-o.

- E dizes o quê? - Destruo-o, contarei tudo o que sei.

Tudo o que vi. Tudo o que todos sabem aqui.

Não sabe nada e não viu nada.

Vai-se saber tudo o que fez à pequena.

Só entre nós, eu não me fiaria.

A miúda está louca e é uma verdadeira cabra.

Se nota, sente-se.

Obrigado pelo conselho.

No seu lugar, faria o mesmo.

Crê que é superior,

mas é ela que o vai lixar!

Idiota!

SALA DE INFORMÁTICA

- Que faz? - Não consegue ver?

Por que não está na sala de informática?

- Vou-me qualquer modo. - já não vai.

E você Michot, que faz aqui? É o descanso?

Vá.

Volte para o trabalho.

Ainda não terminámos.

Você também, Castejón, para a cela.

- Vemo-nos logo, Anna. - Sim.

Podes fazer isso mais tarde.

Nunca fiz isto na vida.

Mentiroso.

Não te mexas já te disse.

Nunca cortaste o cabelo à tua esposa?

Não é um segredo, usas aliança.

Que chatice não termos um espelho.

Tens filhos?

Por que não me respondes?

Se tens uma esposa, forçosamente tens filhos.

É pior se não falas. Ponho-me a imaginar.

O que é que imaginas?

Tu a chegar a casa à noite e

filhos que correm para os teus braços.

Queres que te diga?

Não, creio que, preferiria não saber.

Hoje não, talvez um dia.

Eu não tenho filhos, se pões a questão.

Mas não é definitivo.

Imagino que não.

Um dia quero tê-los, quero prevenir-te.

Então?

- Então, não está mal. - Mesmo?

Tu também podia usar um novo corte.

Por quê?

Não é fácil, mas posso cortá-lo se quiseres.

Tu cortar-mo? Sim, tens razão.

Não me disseste, porque já não me vou?

Não funcionou. Não te quiseram.

Mentes-me, não tiveste coragem.

Não, juro-te.

Diz-me a verdade.

Isto não é um jogo para mim, sabes?

Pára de me mentir.

Para começar, é cobarde.

E além disso faze-lo mal.

Juras que não me mentes mais?

Juro-te.

Então diz-me...

Agora mesmo, queres-me?

Não dizes nada?

Quero que o façamos bem.

Quero dar-te prazer.

Vem cá.

Se ela se vai na sexta,

quero que me relembre quando vir esta bracelete.

Soube que era meu inclusive antes de mo dar.

Que fizeste ao cabelo?

Está bom, fica-te bem.

Desde quando vês isso?

Não acreditava ter espaço para uma irmã mais velha.

E tu fazes o papel da minha irmã mais velha.

Mas porque fazes tudo isso para obter coisas?

- Gosto muito dele, sabes? - És só um pedaço de carne.

Já verás.

- Vês-te com ele lá fora? - Não sei.

Ainda falta muito tempo, não posso fazer projectos.

Nem sei quando saio, onde, como, e com quem?

Tens razão.

Podes parar com a TV?

É idiotice.

É deprimente.

Uma vez mais.

Vá lá, uma última vez.

Vá lá, só uma última vez.

Há três vezes, que é a última vez.

Mais tarde, se quiseres, fazemo-lo de novo.

"As palavras...

...prontas a sair recusam passar pelos meu lábios.

Uma força imperiosa obriga-me a falar,

mas uma força ainda maior impede-me.

Sejam minha testemunha:

Tu no céu, que o que quero, não o quero mais.

Será que...

...não podes exprimir o que estás ansiosa por me dizer?

"O fácil é exprimir sentimentos vulgares,

mas para os sentimentos elevados, não se encontram palavras."

"Não tenhais medo, oh minha mãe,

de me confiar os teus desgostos?"

"Chama-me tua irmã, querido Hippolytus,

ou tua escrava.

Tua escrava é melhor.

Quando estou preparada a fazer tudo o que queirais."

Sim?

Sim, Karine.

A reunião, senhor director. Os oficiais esperam-no.

Ah, esqueci-me completamente.

Amari, podes acabá-lo sozinha?

Certamente, senhor.

Adoram ter frigoríficos nas celas, pedem mais.

Isso é pela nova loja começada no inicio do ano.

Perdão Sr. Director mas tenho uma questão

a pôr sobre essa cantina.

Porque é bom encomendar em grandes quantidades,

mas é preciso pagar.

Tenho medo que aumentem os negócios ilícitos.

Exactamente.

Creio que poder comprar produtos a preços normais,

deve instaurar um sentimento de justiça e

e ao contrário atenuar a delinquência,

a longo prazo. Algo mais?

Alguns interrogam-se sobre a detida,

a quem encarregou a gestão das ordens.

Que quer dizer, Hervé?

Porque não passou pela comissão de avaliação?

É uma tarde por semana, é nada.

Além de que ela é do serviço geral, não?

Parece estar a passar muito tempo com ela.

Especula-se.

Todos trabalham na Penitenciária há anos,

já sabem como se passa.

Rumores, rumores, rumores...

As pessoas falam, não os podemos parar.

Repito-lhes, este programa é um êxito,

somos os primeiros em França a instaurá-lo, pelo que...

...por uma vez regozijemo-nos.

- É tudo? - É tudo por hoje.

Obrigado, que tenham um bom dia.

Então continuas aqui?

Sim, acabaram por se apegar a mim, creio.

Sabes...

Telefonei à Mona, a vidente.

Há bom.

- Ela ainda existe? - Sim ainda existe.

- Por que lhe ligaste? - Por ti.

Por mim?

Sim, para que me falasse de ti.

Senti que me escondias coisas.

E perguntas-te isso à Mona.

A Mona que não me conhece.

Tu escondes-me qualquer coisa?

Não me disseste que vias alguém.

Tens de o deixar. Não é bom para ti.

O que sabes do que é mau para mim?

Que sabes do que é mau para mim?

Por que vieste aqui?

- Para te ajudar. - Porque vieste aqui?

Foi a Mona que mo disse.

A Mona não me conhece, caraças!

E tu tampouco me conheces! Vai!

Não venhas aqui, vens a minha casa para me atazanar!

- Mas esta não é a tua casa. - Pára, pára! Basta!

Pára de me falar. Porque vieste aqui?

Não conheces nada de mim e atreves-te a julgar-me?

Desde quando sabes o que é bom ou mau para mim?

Conheces-me? Afasta-te de mim!

- Não podes ajudar-me! - Não digas isso.

Pára de tentar ajudar-me! Porque...

Não grites assim, vão vir.

Estou aqui porque quero ajudar-te.

Trata de compreender-me.

Mas é pelo teu bem. Estás a fazer parvoíces.

Crê-me, crê-me. Vem cá.

- Mas não sabes nada. - Mas sim!

Mas não, não vês que não sabes!

Não venhas aqui, merda.

Pára de vir aqui!

Nem sabes mesmo quem sou.

- Escuta-me, sou tua mãe! - Hoje és mãe?

Está orgulhosa de ti quando olhas para mim?

Estás orgulhosa de ti? Do que fizeste!

Mesmo quando estou feliz não o entendes.

Mesmo quando sou feliz!

♪ A minha pequena é como a água,

♪ ela é como uma fonte de vida.

♪ Ela corre como um ribeiro,

♪ que as crianças perseguem.

♪ Corre, corre, rápido se puderes.

♪ Nunca, nunca

♪ te aprisionarão.

♪ Quando as flautas cantam,

♪ quando as águas bravas bailam...

♪ Ela levará os rebanhos

♪ ao pé dos olivais...

Credo.

Que estás a escutar?

Escuta.

É a tua mãe?

Arruinámos-lhe a vida, eu e o meu pai.

Isso é demasiado.

Não tem piada.

Que faz ela na vida?

É auxiliar de enfermeira.

- Num hospital? - Não, nas casas das pessoas.

Casas de velhos. Ocupa-se da irmã também.

Que se passou?

Estava a meter-se no que não devia.

É normal. Está inquieta, é tua mãe.

Mas no que respeita a mim,

não tinha razão disse-lhe que estava bem.

Nunca me senti tão bem desde que estou na prisão.

Nem sequer posso ser feliz. É de loucos.

Crês que está mal?

O quê?

Pára, que queres?

Uma recordação.

Porquê uma recordação?

Para quando não estiveres.

- Pára. - És bela.

Eu também, te posso mostrar algo?

Força.

Sim, linda.

Idiota.

Vê, também tenho um.

Que é isso?

É de todas, dividimo-lo.

Cada uma tem um cartão SIM.

Relaxa-te. Não queres o número?

Não é para rir.

Dou-to, depois fazer o que quiseres.

Isto é absurdo.

Pensaste que eras o único que tinha um?

Que fazes?

Vou-me.

E por um tempo.

São as férias. Tenho uma família, lembras-te?

Voltamos ao apartamento de montanha do ano passado.

Encontras a tua amiga Mathilde.

Podem fazer aulas juntos, estão no mesmo nível, não?

RESPONDE-ME! - Não é assim,

a Mathilde diz que é mais rápida nos skis que eu.

Tem duas estrelas.

Papá?

- Sim, querida? - Levas-me às aulas de ski?

A Mathilde diz que vai de manhã e

NÃO QUERO MAIS FALAR-TE - depois do meio-dia.

- Jean? Estás connosco, ou não? - Perdão.

A Louise pôs-te uma questão.

Levas-me ao curso de ski?

Se esquiares comigo vais ser mais rápida que a Anna.

Mathilde.

Chama a limpeza?

O meu escritório nunca esteve tão sujo!

Está de folga.

Então é chamar alguém do serviço geral.

Amari, por exemplo.

Está seguro, senhor director?

Karine!

Sim?

- Senhor, a detida chegou. - Fá-la entrar.

Bom dia.

Bom, pode-nos deixar, obrigado.

Raios, que se passou?

Não compreendeste que não te quero ver mais.

Atenção ao tom.

Estou-me a lixar, não sou a tua puta.

Não nos façamos mal.

Mas é mal que tu me sabes fazer.

- Não digas tontices. - É a verdade.

Tu nem te dás conta.

Não dás conta de nada

Só te tenho a ti.

Tu estás aqui no teu escritório.

Preenches estes pequenos papéis.

Depois voltas para tua casa.

Não, pára!

Não faças isso.

Não faças isso.

- É super pesada. - Dá-ma.

Tens medo?

Medo de quê?

Às vezes quero que tudo se acabe, mas não consigo.

Mesmo para cair, não tenho forças.

Estou aqui.

Não, tu não te preocupas.

- Isto excita-te, é tudo. - Pára.

- Que recebeste no natal? - Bonecas.

A sério?

Os meus presentes eram melhores.

Sim e ainda há as prendas do avô e da avó.

Sim.

Que te vão oferecer?

Playmobil.

Dei a tua carta ao pai natal.

♪ Há tantas raparigas dando mamadas por sapatos Louboutins.

♪ O que chamas a isso?

♪ Pouco intelecto?

♪ Sem dinheiro, sem família, com 16 anos e meio de Miami.

♪ Estou desperta a noite inteira, tentando obter riqueza.

♪ Estado a trabalhar, trabalhar, trabalhar no meu.

♪ Ganhei ao jogo duas vezes, tenho de obter um modo de viver.

♪ Estado a trabalhar, trabalhar, trabalhar no meu.

♪ Agora tenho este trabalho.

Raios partam.

A tua mãe não veio.

Podes regressar à tua cela.

Espera, espera.

Não, assim não.

Estás louca? Que te deu?

Raios!

Merda.

Raios.

Deixe a sua mensagem: "Jean Firmino."

Olá.

Obrigado.

Porque fizeste isto?

Por que vieste?

Dê-me outra bebida, por favor?

Traga duas.

Obrigado.

- Pára. - Beija-me.

Deixa-me em paz! Não quero beijar-te.

Afasta-te.

Ela disse que não! Vai-te.

Qual é o teu problema?

Tem a certeza? Vemo-nos depois.

Senhora Amari? Bom dia, sou o Director.

Sei quem é. A minha filha falou de si.

- Como está ela? - Recuperando forças.

Bom, e você?

É a si que devia perguntar.

Entre, eu fico aqui.

Bom dia.

Não, senhor, é impossível.

Mas vim ontem.

Foi aberto um inquérito.

O acesso está interdito a todos da prisão.

Pode dar-lhe? É chocolate, sei que ela gosta.

Está alguém?

- Elise? - A Louise dorme, acorda-la.

- Já regressaste? - Esperámos-te na Gare.

Merda, estou desolado.

- Vais dormir aqui? - Não, és tu.

Lindo nariz.

Pode explicar-me o que estou a fazer aqui?

A admin. penitenciária foi

alertada de disfunções no seu estabelecimento.

- Que disfunções? - Sente-se, digo-lhe.

Não tenho muito tempo. De que quer falar?

Sente-se por favor e deixe-me

pôr-lhe as questões.

- Quer um café? - Não, obrigado.

Onde esteve em 30 de Junho, 2009?

Como quer que saiba? Já faz 6 meses.

Teria de perguntar à minha secretária a agenda.

Talvez no escritório ou em casa, não sei.

Não tentou assistir ao processo da nova detida?

Qual?

Vai assim tantas vezes ao tribunal?

Se posso, sim.

E ao hospital quando estão doentes?

- Senhor Firmino... - Comandante.

Comandante Firmino.

Recebemos uma carta de uma ex-detida que denunciou

a proximidade de relações com outra detida,

a senhorita Amari.

E considerou isso como sério?

- Essa rapariga é um veneno. - Então sabe de quem falamos?

Ela ameaçou-me se a transferisse,

não é incomum, não me diga que se surpreende.

Durante a sua ausência, abrimos um inquérito preliminar e

não foi só ela a comprovar essa proximidade.

Um inquérito preliminar?

É verdade que a detida tem vários postos de trabalho

em violação dos estatutos da sua prisão?

A senhorita Amari está no serviço geral

e ocupa-se uma tarde por semana da gestão da cantina.

Não considero que seja trabalho a tempo inteiro.

Por que não passou pela comissão ao atribuir esse posto?

Ela era a única que o podia fazer.

Necessitávamos de alguém com condenação longa

e que soubesse usar o Excel.

Que é raro encontrar na prisão.

Conhece a alcunha da senhorita Amari?

Não.

"A directora." Diz-lhe qualquer coisa?

Não.

Está ao corrente do que circula?

Se escutasse os rumores, ter-me-ia deitado com todas,

dirijo uma prisão de mulheres.

Não me interessa. Escuto-o.

Além da sua mãe, beneficia de outra visitas?

Sim.

Mas não sei quem a vem ver.

Se tem namorado,

a sua vida privada não me interessa.

Quando fomos à cela encontrámos um telefone?

Está ao corrente?

Que haja telemóveis na prisão? Não, novidade! Bem.

Senhor, não terminámos.

Comandante.

A gestão da prisão é todos os dias

no terreno e em contacto com detidos,

não detrás de um computador.

Subi os degraus um a um. Hoje sou Comandante.

Se o fiz mais rápido que os outros,

é porque uso a autoridade e a psicologia.

Aparte os rumores, não tem nada sobre mim.

Quero dizer-lhe que a detida será transferida,

para a prisão de Fleury-Mérogis antes do seu apelo.

O que quiser, não me importa.

Comandante...

A sua folha de serviço é excelente.

Não arruíne tudo.

Feliz aniversário!

Feliz aniversário, papá.

Obrigado, querida.

Porque fizeste isto?

- Não te dá prazer? - E a ti?

Que há comigo?

São os teus 40 anos, hoje, não os meus.

Juntei-te uns anúncios.

Também queres que mude de trabalho?

Não. Não quero que mudes.

Não posso continuar a fingir.

Ou mudas as coisas ou fazes as malas e vais.

Bom aniversário!

Feliz aniversário, querido, Jean!

- Sim? - Somos nós, estamos cá em baixo.

Merda, esqueci-me completamente.

Estás a brincar, não?

Não, estou desolado, eu...

Não posso, hoje.

Como não podes, hoje?

Não, tenho algo muito importante, sinto muito.

Vá lá, Jean! Uma vez por semana não é complicado.

Compenso-te, prometo.

Estou desolado.

- Que se passa? - Vem do tecto!

Gostaste do que fiz esta manhã?

Sim, estás louco. Que te passou?

É porque não podes vir amanhã?

Não é prudente.

Incomodaram-te de novo?

Não, mas...

É melhor ser discreto.

É por isso que só me ligas pelo telefone da minha mãe?

Entre outras coisas.

É por isso que paraste de trabalhar também?

Não, isso é diferente. Pedi uma folga.

Estava farto de estar na prisão sem ti.

Um mês é muito.

Que sabes tu do passar do tempo?

Desculpa, não te queria dizer isso.

Em breve poderemos ver-nos.

Terás permissões da saída após o teu processo de apelação.

Vens-me ver na minha 1ª saída?

Mas é evidente.

- Espero-te por detrás do muro. - Sem o teu uniforme?

Sem o meu uniforme.

Já sabes do que gostavas, ou ainda não?

Sim sei, gostava de ir ver o mar.

É complicado ver o mar.

Bem, não sei, um bom hotel.

Ok, um hotel.

Não, não um hotel, um bom hotel.

Não um decadente.

Prometido.

Um bom hotel.

Queria dizer-te, quando estou em baixo...

Penso nos nossos momentos juntos.

Digo-te mesmo que mesmo que tenha sido duro, foi bom.

Imagino nós dois lá fora também.

Eu também.

Não me vais esquecer?

Bom dia.

- Bom dia. Bem vindos. - Obrigado.

Reservei um quarto em nome de Firmino.

Firmino?

- Que está as olhar? - A ti.

Chateia-te?

Isso é uma novidade.

Não, é diferente. Já não sou a tua prisioneira.

Passa-se algo?

Não estás bem aqui?

Meu amor?

Não me chames meu amor, por favor.

Que te passa?

Diz-me!

Não sei o que se passa, podes vestir algo?

Sim.

Faz um mês que esperamos este dia.

Justamente por isso, queria fazer as coisas bem.

Não está bem, não gostas disto aqui?

Não sei. Há a tua esposa e a tua filha.

Esse problema é meu, não teu.

Deixa-me falar por uma vez. Na prisão pago a minha dívida.

Reconstruo-me.

- E aqui... - Anna?

Falta-te pouco tempo.

Quando saíres estarei lá. Isso é o que importa.

Não, quando sair não me quero sentir,

ainda mais culpada, do que quando entrei.

Tinhas mais roupa vestida, quando entraste.

Não tem piada.

Não.

Aonde vais?

Não vou longe.

Ah sim, já começas assim?

Já o sabia.

- Tu abandonas-me. - Como se pudesse.

Isto assim começa bem.

- Vais-te mesmo? - Necessito lume.

- Agora tu fumas? - Sim, apetece-me.

Atenção, é mau para a saúde.

Bom dia, um isqueiro, por favor.

Levo um cartão de telefone também.

- Com quanto de crédito? - Tem ilimitado?

Não.

Levo este aqui.

12 euros.

Toma, é para ti.

Só tem 4 horas, mas posso carregá-lo à distância.

Guarda o chip e dá-me o cartão, para o número.

- Sabes como o esconder? - Não, mas viro-me.

Obrigado.

- Papá? - Abre!

Ainda estás em pijama?

Não pode ser.

Continuas meio a dormir.

É grande abraço.

Vá, vai-te vestir, depressa.

Levo-te à escola hoje.

Ainda sabes onde é?

Posso entrar 2 minutos, enquanto se veste?

Trouxe croissants.

Quatro minutos, vamos!

- Não tenho fome, já te disse. - Por favor, dá-me prazer.

Não te queria convidar, como te faço entender?

Pára, por favor.

Essa tua história é séria?

Não sei.

É complicado.

Que é que te deu?

Sabes como me chamam agora?

São rumores.

Para os outros, talvez.

- Amas essa rapariga? - Sim.

Sabes que te vai esquecer, quando sair?

- Sabes como é? - Não creio.

Ah sim?

Que vais fazer então? Uma família?

- Pára. - Diz-me, interessa-me.

Qual é o teu projecto?

Abrir um restaurante, uma pizzaria?

Não sei.

- Gostaria de voltar à pintura. - Pára...

...com a pintura, é ridículo.

Nunca hás sido um pintor.

Não és um artista.

Estou farta desse complexo de merda.

Filho de um mecânico, director de prisão.

Tens uma filha e esposa que te amam!

Não é suficiente?

Que é que te falta?

Uma miúda para te sentires bom e forte?

É essa a tua obra de arte?

És patético.

Estou pronta.

Louise, querida, espera o teu pai na entrada.

Desperta, por favor.

Desperta.

Não te espero eternamente.

Vamos, querida. Toma a tua mochila.

Alô?

Alô?

Quem é?

O Jean está?

Não, o Jean não está,

foi acompanhar a filha à escola.

Quem está na linha?

Não fez já suficiente dano?

Acha que seria diferente, se eu desaparecesse?

Sim, desaparecer é o melhor que tem a fazer.

Que vais fazer?

Não sei.

Devias ir ver alguém.

Tens de o dizer.

Confia em mim. Vai a um médico.

Por que não queres?

Fazes isso para o proteger?

Ele pode perder tudo.

E então tu? Não tens nada a perder?

Não posso fazer-lhe isso.

Tem uma carreira, uma família.

Podias ter pensado nisso antes.

Não é culpa dele.

Ah sim, então é culpa de quem?

Não engravidaste sozinha.

E onde está ele para consertar esta parvoíce?

Como pode consertar, não está ao corrente?

Tens de ir ao médico.

Os médicos não vão falar.

Além disso...

como poderiam saber quem é o pai?

Porque não há mais ninguém.

Dizes tu que o sabes.

Todos sabem por que vim para aqui.

Não tens aquele tipo que vem falar contigo à sala?

Não.

Quando saíste no dia de licença,

podes ter visto, não importa quem.

Se não o fazes por ti, fá-lo pelo teu filho.

Queres tê-lo?

Não sei.

Só queria uma família.

Nunca lhe quis roubar a sua.

Olá, Karine. Decidi regressar mais cedo.

- Estava de férias? - Não, na realidade não.

Em todo o caso está soberbo.

Obrigado.

Não posso ir ter contigo.

Esqueci-me do telefone, pelo que se tentares contactar-me...

- Um momento! - Senhor Director...

- Senhor Firmino? - Sim.

Que é ?

A partir deste momento está à guarda da justiça.

Eu, mas?

Não, não pode fazer isto.

- Não aqui. - Senhor...

Que se passa?

Reviste o escritório. Nós vamo-nos.

Sim, sou eu.

Não consegui encontrar-te.

E esqueci-me do telefone, se me chamares...

Sim, um momento!

Um beijo, amo-te.

Tire as calças.

Vire-se.

Baixe as cuecas.

Está bom, vista-as.

Senhor Firmino...

Faz 4 anos a Penitenciária pediu-nos que abríssemos um inquérito

para indagar a natureza da sua relação com

uma certa detida...

A senhorita Anna Amari.

Relação que, segundo a Penitenciária pode

trazer prejuízos à segurança da prisão,

de que foi responsável.

Continua a negar as relações com a detida?

Temos uma lista de chamadas para este número.

Reconhece-o?

É surpreendente porque comprou o cartão.

Temos a foto.

Senhor Firmino...

Quer manter o seu trabalho?

Diga-me a verdade.

- Foi manipulado? - Perdão?

Ela serviu-se de si?

Não terá com que se inquietar.

A admoestação mantém-se na sua administração.

Eu não o quero saber.

Que me está a sugerir?

É a sua única chance de sair.

Mas não é o que pensa.

Ela está enamorada, dos seus belos olhos?

Cale-se.

Não compreende nada, não a conhece.

Sim o suficiente para ter uma ideia, sim.

Eu também.

Bom, o juiz de instrução decidirá.

Passou a uma detida com quem tinha,

relações privilegiadas um cartão telefónico.

Por isso será acusado, de acordo com o código penal,

a três anos de prisão.

Enquanto espera o seu processo, fica em liberdade condicional

e deve manter distância com a senhorita Amari.

Isso não deve ser um problema porque ela volta para a prisão.

É uma pena, porque ela estaria livre no fim do mês.

- Anna? - Que fazes aqui?

Sabia que tinhas licença hoje.

Estás maluco, não podes estar aqui.

Ninguém me viu.

- Há chuis por todos os lados. - Vá lá, entra.

Anna? Anna?

Que se passa contigo?

Escutas-me ou quê?

Olha-me!

- Não nos podemos ver. - A quem é que importa?

Senão o fazes por ti, fá-lo por mim.

Vá, vem.

Amo-te.

- Vai-te, peço-te. - Porquê?

Não consigo mais.

- Tenho de ir. - Quem é ele?

Um amigo, já te falei dele.

- Aonde vais? - A nenhuma parte.

- Vem, levo-te. - Não, preferia que não.

- Quem é este? - Ninguém.

Porque fazes isto?

Mas porquê?

Que te fiz? Diz? Deixei tudo por ti!

Deixa-a em paz ou quê!

Pensaste bem? Estás segura?

Peço-te que tomes este medicamento.

Toma.

UM ANO DEPOIS

Bem, façamo-lo como acordámos, ok?

Ela manipulou-o.

Está de acordo?

É a única solução possível.

A sessão está aberta. Por favor, sentem-se.

Estamos reunidos hoje

para nos pronunciar-nos sobre o caso Firmino-Amari.

♪ Sim, perdemos a guerra.

♪ Sim, admito-o.

♪ Sim, a vida vence-nos no final.

♪ Sim, a vida é como uma bigorna.

♪ Sim, queria mostrar-te

♪ que nem sempre estaremos a fugir.

♪ E sim, é certo, não tenho os meios...

♪ E quando os bolsos estiverem vazios, melhor rir.

♪ Não sejamos inimigos,

♪ realmente não vale a pena.

Claro que as montanhas são belas.

Claro que há vales.

Crianças a saltar sobre as minas,

claro que noutro vale.

:: Tradução ferneiva ::

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