All language subtitles for Kalushi The Story of Solomon Mahlangu (2016)

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Original subtitles

Solomon!

DIAGONAL STREET, JOANESBURGO, �FRICA DO SUL

13 DE JUNHO DE 1977

Aonde v�o cavalheiros?

E o que h� nessa mala?

S� umas roupas e assim...

Todos de p�.

Podem sentar-se.

Merit�ssimo, o Estado acusa o arguido,

Solomon Kalushi Mahlangu,

um homem de 21 anos de origem sul-africana,

com resid�ncia no Bloco 242 C, Mamelodi, Pret�ria, de...

... dois homic�dios,

duas tentativas de homic�dio,

envolvimento em viol�ncia p�blica, e viol�ncia contra propriedade.

Jovem,

o Estado acusa-o de dois homic�dios,

duas tentativas de homic�dios,

envolvimento em viol�ncia p�blica

e viol�ncia contra a propriedade.

E, por �ltimo, mas mais importante,

do ato de conspirar.

O ato de conspirar para uma finalidade comum

no interesse de outrem, nomeadamente, Mondy Motloung, que n�o est� presente,

para estes atos.

Obrigado, Merit�ssimo.

Presumo que tenha discutido as acusa��es com o seu cliente, Sr. Mailer?

Sim, Merit�ssimo.

E como se declara o arguido?

Das acusa��es de homic�dio, e tentativa de homic�dio,

declara-se inocente.

Das restantes...

... tamb�m inocente.

O julgamento ser� marcado para 13 de fevereiro.

O arguido ser� transferido para a pris�o de Fort, em Joanesburgo,

at� � conclus�o do julgamento.

Todos de p�.

Esta � a minha fam�lia. A minha m�e, Martha, e o meu irm�o Lucas,

um carcereiro e, por vezes, meu pai.

Sempre quiseram o melhor para mim

e prepararam-me para ser um homem,

uma responsabilidade a que eu daria o devido valor

durante o meu rito de passagem no Transvaal Oriental,

quando nos tiraram � for�a da nossa terra e nos empurraram para a pobreza.

Deix�mos o meu pai enterrado no ch�o �rido.

Juntos, aguentamo-nos e ajudamo-nos como podemos.

Fomos escravizados pela pobreza.

E a minha educa��o deveria ser a liberta��o da minha fam�lia.

Foi a 6 de abril, professora. De 1652.

Dube, ainda est�s a cagar?

Foda-se, Mahlangu, sai daqui!

Miles Davis disse uma vez:

"O Jazz � o irm�o mais velho da revolu��o. A revolu��o segue-o".

- Como est�s? - Bem. E o senhor?

Muito bem. Trazes muito dinheiro.

Shukr Alhamdulillah.

Gasta-o sempre aqui e Al� aben�oar-te-�.

- Adeus. - Adeus.

Cabr�o de merda!

Procurem o �s de espadas.

Velhote, 2 rands cada aposta.

�s de espadas.

- Mondy. - V� l�, querida. Tu, a�.

Se acertares, podes comprar um amaciador para esse cabelo!

- Mondy. - Que foi?

- Porque n�o vieste � escola? - Deixa-me em paz.

V� l�, meu.

Pol�cia! Vamos bazar!

Alto!

Brenda Riviera.

Ela n�o vive nesta realidade. Ela escolhe fazer parte disto.

Est�o atrasados!

� inteligente. � linda.

- Brenda, desculpa. - E � minha.

Brenda.

Qual � o problema da tua mi�da?

Sabem que mais?

Como v�o estudar quando estiverem na pris�o?

Brenda, o Mandela tamb�m est� preso

e continua a estudar.

Os nossos l�deres t�m de ser educados.

Olha para ti. N�o queres estudar

e usas uniforme escolar. Que disparate � esse?

Temos exame de Hist�ria e n�o estudaste.

N�o me fales de Hist�ria.

Vou contar-te a nossa hist�ria. Para um segundo.

Sabes o que aconteceu em 1652, quando o van Riebeeck chegou?

Encheu isto tudo de mesti�os!

Depois, veio o Vasco da Gama na sua nau e encheu-nos de especiarias.

Agora, tudo o que comemos � picante!

Conheces o Shaka Zulu? N�o me parece.

Conheces a Rainha Modjadji? A Rainha Chuva?

N�o! Conheces o Hlatshwayo, ao menos?

O Cetshwayo.

Sim, esse.

Sabes quem matou o Rei Hintsa?

Harry Smith. Pois �.

Ent�o, n�o me lixem. N�o me venham com Hist�ria.

Fodam-se l� os b�eres

e a Educa��o Bantu,

que v�o todos � merda...

Aqui, no meio das pessoas?

Queres matar-nos a todos com essa grande boca?

Controla-te. Os bufos andam por a�.

Responde � minha pergunta. Qual era a sua miss�o?

A miss�o deles era...

Violar e saquear! Mondy, rapaz! Como est�s?

- Brenda. Como est�s? - Estou bem.

O teu pai sabe que est�s aqui?

Solly Mahlangu. Ent�o? O que tens a�?

Miles Davis?

Jesus!

Sabes o que � isto, rapaz?

Isto � brutal.

S� que n�o vos ensinam isso.

Dizem-vos que vieram estabelecer um posto comercial

no extremo mais austral e menos civilizado de �frica.

O seu nome � Thomas Masuku.

Mas conhecemo-lo como Tommy London,

um ativista Mamelodi local e um her�i da luta.

Londres estava a recrutar estudantes para o CNA

com o objetivo final de se erguerem contra o regime.

N�o sabia o que pensar dele, mas ele era intrigante.

Londres n�o era um gangster, mas era perigoso.

E falava num ingl�s perfeito. Tommy London.

Sim!

Sim. Queremos que se juntem ao movimento para combater o sistema.

Vamos fazer um protesto depois de amanh�.

No dia 16 de junho, no Soweto.

- Est� bem. - Estou a arranjar autocarros.

Quero que venham, sim?

E que pe�am a mais pessoas para mostrar apoio.

Com certeza, Bra-T. L� estarei.

- Tamb�m vou. - Ei, n�s n�o vamos.

- J� disse que vou. - E eu digo que n�o.

Solly, a Educa��o Bantu � uma piada.

N�o v�s que te est�o a fritar o c�rebro?

S� querem fazer-te acatar todas as suas ordens.

"Sim, patr�o." N�o, patr�o. Desculpe, patr�o.

Esperem.

Tenho algo para voc�s.

Pirralho.

Andor.

- Tio London, quero brincar. - Anda, sai.

Anda l�. Os adultos t�m neg�cios a tratar.

Despacha-te.

Eu dou-te um doce, est� bem?

Quero levem alguns para distribuir.

"Os afric�nderes que v�o para o inferno."

Vemo-nos no autocarro. Atr�s da esta��o.

- A 16 de junho. - Bra-T, d�s-me o meu disco, por favor?

Ter�s o teu disco a 16 de junho.

No Soweto.

- Vamos. - N�o stresses. Vamos l�.

Vamos.

- Miles Davis � o maior! - At� logo, Tommy.

J� podes brincar, mi�do.

Tem cuidado com o meu carro.

"O boxe � como o jazz.

Quanto melhor �, menos pessoas apreciam."

George Foreman.

Ol�, Lucas.

Como est�s, mano?

�timo.

Est�s fixe?

Sim.

Tudo bem.

Fixe.

Feliz anivers�rio.

Lembraste-te.

Claro. Como poderia esquecer?

Peso-pesado.

Ent�o e o disco?

Podes ir ouvir.

Fixe.

A minha m�e.

Uma empregada dom�stica que � paga para criar outra fam�lia

nos sub�rbios de Pret�ria.

- Ol�, m�e. - Ol�, meu filho.

Est�s um homem. Pareces o teu pai.

- A s�rio, m�e? - Sim.

Como foi o dia?

Correu bem, mas os b�eres s�o feitores de escravos.

Irm�o, como vai o trabalho?

� trabalho, Solly. Fa�o-o e recebo dinheiro. O que posso dizer?

Ent�o e tu?

- Tudo bem, mas a Pol�cia... - Solly. � o trabalho deles.

Que tal � ser um homem? Deves safar-te bem com as mi�das.

Bra-Lucas, n�o gosto de...

- �s maricas? - Lucas...

Tenho de ir trabalhar.

As mi�das v�o fazer fila. N�o sejas tot�. H� que...

Lucas...

Cuidado, mundo, que a� vem o meu lindo filho.

M�e!

- Para onde vais? - Para Marabastad.

Olha, compra-me rap�. Est� quase a acabar.

- Certo m�e. - Compras?

- Sim. - Obrigada. N�o te esque�as do passe.

M�e...

- At� logo. - At� logo.

Sol, meu. Como vais?

- Ol�, Mondy! - Ol�.

- Est�s com quem? - Ent�o, Miles Davis?

Ent�o, o protesto no dia 16, vens?

- Mondy, n�o posso. - Podes, sim.

- Vou trabalhar. - �s vendedor ambulante!

Tenho de ajudar a minha m�e e o meu irm�o.

O teu irm�o? Ele ganha bem, a trabalhar para o inimigo.

N�o me venhas com essa merda.

Merda? Merda � ser vendedor ambulante, seu vendido.

O qu�? O que disseste, meu?

- Solly... - Ent�o!

Merda.

Parece que te esqueces de quem olhou por ti na inicia��o.

E tu, Bra-T...

Onde est� o meu disco?

Ent�o, e o povo? H�?

Qual povo?

Mfana, s�o cobardes como tu

que permitem que os brancos nos governem.

N�o, Bra-T. Cobarde � algu�m que mata um irm�o negro.

O Aranha era um traidor in�til.

Se estivesse aqui agora, matava-o outra vez.

Ent�o basta ser rotulado de traidor para ser morto?

Ent�o, matem-me. O Mondy chamou-me bufo.

- Est�s a abusar, rapaz. - Estou?

Est�s pois. Tem cuidado.

- Mondy, vamos. - Vai-te foder.

LIBERTEM MUMIA

- O que tens? - Nada.

- Diz alguma coisa. - Certo. Est� bem.

Que mais te ensinaram na inicia��o?

Brenda, o que acontece na inicia��o n�o sai de l�.

- Mas porqu�? Diz-me. - � conversa de homens.

E a quem vou contar?

- J� disse, � coisa de homens. - E ent�o?

Podes desistir.

Anda c�.

Se n�o abres a boca e me dizes,

tamb�m n�o ter�s o que queres.

- Querida, n�o. - Pois �...

Ent�o achas que �s melhor do que os que se juntam � luta?

Brenda...

Perdi o meu pai para os b�eres. N�o t�m cora��o.

J� o senti na pele. N�o quero falar sobre isso, est� bem?

Pensava que n�o tinhas medo.

Brenda, eu n�o tenho medo de nada.

Eu vou ao protesto. Contigo ou sem ti.

Amar algu�m...

Amar-te a ti...

... � ver a maior ambi��o da minha vida...

... personificada.

STEVE FOT�GRAFO

16 DE JUNHO DE 1976

Cebolas, tomates, ma��s...

... e bananas.

Solly, faltam dois rands.

N�o. Ainda me devem dois da semana passada.

- Uttran! Devemos dois rands ao Solly? - Sim.

- At� logo. - Ent�o? Solly!

S� PARA BRANCOS

Apanhei-te, malandro!

Apanhei-te, sacaninha.

N�o. N�o fiz nada!

Desviem-se!

Achas que podes fugir-nos?

Achas que podes fugir? Cabr�o!

Vamos ver como corres de est�mago cheio.

Anda. Levantem-no. Anda.

Vejamos como corres agora.

Por favor...

Come.

Come.

Nada disso! Come!

Por favor...

V�, come!

- Est� bem. - Come!

Come tudo.

Isso. Muito bem.

Come.

- J� n�o consigo mais. - N�o? Porqu�?

Por favor, n�o consigo.

� melhor arranjar espa�o.

O Soweto foi um banho de sangue, rapaz. Meu Deus!

Solly, vamos embora. Daqui a dois dias.

Vens ou n�o? O Lucky vem connosco.

Sim.

Ent�o, o que dizes, Davis? Alinhas?

Solly, por favor, n�o v�s com eles.

Vamos.

Solly, desculpa.

Devia ter-te dado ouvidos.

Por favor, perdoa-me por te ouvir.

N�o, Brenda.

O cobarde sou eu.

N�o digas isso.

Deixei-te ir sozinha

e fiquei para tr�s.

Que homem � que faz isso?

Desculpa-me.

Mataram crian�as inocentes.

Havia c�es...

... g�s lacrimog�neo...

... e pedras a voar... por todo o lado.

O barulho era tanto!

A multid�o era ensurdecedora.

E, de repente...

... tudo ficou em sil�ncio

Foi horr�vel.

Ouvia-se a carne a ser rasgada dos ossos.

Ouvia-se a vida a ser sugada dos corpos.

Depois, s� se ouviam tiros. Ainda agora... S� consigo ouvir tiros.

Tiros. Crian�as a cair no ch�o.

Tiros. Crian�as a cair no ch�o. Tiros.

Nunca vi tanto sangue na vida.

Porque � que aqueles b�eres nos odeiam tanto?

O que lhes fizemos?

Se n�o esteve no protesto de 16 de junho, porque foi para o ex�lio?

Estava farto.

Zangado.

A minha fam�lia foi tirada � for�a da nossa terra ancestral.

Levou o meu pai � morte. Tive de ajudar a minha m�e.

E a minha integridade foi violada. N�o aguentava mais.

O que faria o senhor?

Al�m disso,

sab�amos do que eram capazes.

- Quem? - O regime racista afric�ner.

Capaz de matar estudantes em protesto.

- Arruaceiros e agitadores. Criminosos. - Crian�as.

A marchar pela liberdade.

Sabe, o Soweto deixou-nos zangados. Eu fiquei zangado.

E eu nem sequer estava l�.

Pol�cias a matar crian�as.

Est�vamos fartos de s� termos pedras quando nos alvejavam com balas.

�amos combater fogo com fogo.

Porque n�o est�s a comer?

N�o tenho fome, m�e.

Solomon...

Isto n�o � viver.

Deus n�o pode querer que vivamos assim.

Kalushi, n�o questiones Deus.

Deus tem os seus des�gnios.

E quais s�o, m�e?

Olha para o meu rosto.

Que Deus permite

que crian�as sejam espancadas e mortas?

Que nos tirem a nossa terra...

... e o pai?

N�o metas o teu pai nisto.

Eu tenho a certeza que, se o pai fosse vivo,

n�o estar�amos a viver assim.

Solomon...

N�o fales assim com a m�e!

Lucas, Solomon, Jesus est� vivo. Tenham f�.

Agora, come, meu filho.

M�e...

Ainda est�s � espera de Jesus?

Achas que ele vai voltar e resolver os nossos problemas?

Jesus nunca mais voltar�.

Est� morto.

Disseram-nos na inicia��o...

... que quem morre n�o volta.

Lucas! Ainda o matas!

O que te deu, ultimamente?

Um dia destes, vais arrepender-te de dizer essas coisas.

Deixa-o ir, m�e.

Meu filho...

Caramba! At� que enfim, Solly!

- Despacha-te! - Entra!

- Que mala enorme � essa? - O que trouxeste?

Porque �s t�o lento?

- M�e. - Sim?

- O Solomon foi embora. - Embora? Para onde?

Deixou este bilhete.

"Irm�o Lucas,

Fui-me embora. Por favor, n�o me procures."

Foi embora, m�e!

Desde quando � que deixa bilhetes quando vai trabalhar?

Hoje � um dia importante na igreja e j� estou atrasada.

M�e, o Solomon partiu de vez!

Procura-o.

Quando voltar da igreja, quero ver-vos aqui aos dois.

Estes mi�dos p�e-me louca.

Estamos lixados.

Onde foste buscar este charuto?

Tommy, foi o que se arranjou.

Estamos no meio de nenhures!

Sabes quantos pol�cias procuram pessoas como n�s?

Talvez seja o radiador?

Meu, n�o temos tempo para isso.

Davis, meu rapaz. Aqui est� o teu disco.

Tragam as coisas. Despachem-se. Vamos.

Tommy, pod�amos tentar arranj�-lo...

N�o h� tempo. Fizeste merda da grossa.

Como sa�ram do pa�s?

Cruz�mos a fronteira verde e entr�mos em Mo�ambique.

Est�vamos s� a marchar e os b�eres come�aram a disparar.

Apenas a marchar.

Eu esperava que viesses juntar-te a n�s no protesto.

Pensei que mudasses de ideias.

V� l�, Davis, s� queremos saber. O que se passou?

Estavas com outra rapariga? Porque a Brenda estava connosco.

Fomos l� para lutar pela liberdade das pessoas. Pela tua.

Eu tu nem apareceste.

E agora nem nos dizes o que se passou?

London, n�o te pedi para lutares por mim, pois n�o?

Esque�am isso.

- S� quero saber. - Meu...

Ent�o, Solly...

Deixa-o ir. A mala deve estar � cheia de fruta.

Bra-T, estamos a andar h� muito tempo. Onde � esse s�tio?

Estamos quase l�, Mondy.

Vamos por este caminho e seguimo-lo at� ao rio.

Quando chegarmos �s pedras, estamos quase...

- Merda! - O que foi?

Caramba! Esta camisa custou-me 50 rands!

Caramba, meu, pensei que era algo s�rio.

Bra-T, � uma camisa de grife.

Camisa de grife, os tomates. Compras outra em Mo�ambique.

Mo�ambique? � uma edi��o limitada.

De certeza que n�o h� crocodilos aqui?

N�o. Continuem.

Cuidado com as pedras.

Andem, despachem-se!

- N�o h� cobras neste rio? - N�o, vamos l�.

Venham, rapazes. Estamos quase l�.

Sim!

Irm�os, bem-vindos a Mo�ambique.

Vorster, seu filho da puta!

Conseguimos!

P�! M�os ao alto!

- Para baixo! - N�o disparem!

- N�o dispares. N�o dispares. - Isto � Mo�ambique!

N�s sabemos. Somos do CNA, camaradas.

- Aonde levam as malas? - Calma, camaradas.

- O qu�, p�? - Somos do CNA, camaradas.

Isso � meu!

Para baixo!

Para baixo!

- Calado! Quantos s�o? - Quatro. Quatro.

- Quantos? - Somos quatro.

Cala a boca!

Ol�.

ACAMPAMENTO DE REFUGIADOS XAI XAI MO�AMBIQUE

20 DE JUNHO DE 1976

Ol�.

Mondy...

Mondy...

Mondy, acorda.

Bebe isto.

Isso mesmo. Bebe.

Onde estamos?

Em Mo�ambique.

O London e o Lucky Boy est�o ali.

Conseguimos.

Sim, conseguimos.

Mondy. Vais ficar melhor.

- Davis. - Ol�, Lucky.

Estes Shangaans ainda te matam. N�o estamos em Pret�ria.

N�o quero saber.

Muito obrigado.

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO PAULO FREIRE

Obrigado.

Meu, quem � o puto que vem atr�s de ti?

Ah. N�o sei.

Ol�. Como te chamas?

Muito bem...

Mondy. Certo? Lucky.

E Tommy London.

E eu sou o Solomon.

- Diz l�: "Solomon". - "Solomon."

Isso. �timo. E tu, chamas-te...

N�o tenho nome.

Est� a mentir. N�o h� ningu�m sem nome.

N�o, Bra-T. Acho que est� a falar a s�rio.

Vamos dar-lhe um nome. N�o custa nada.

- Coca-Cola! - "Coca-Cola"?

Sim, "Coca-Cola"!

- N�o, meu. - "Coca-Cola"?

N�o!

Est� a brincar.

Chama-lhe "Fanta", meu.

- N�o. - � muito melhor.

Sim, meu. Para dar alguma cor ao pobre mi�do.

O qu�? Ainda mais cor? N�o precisa de mais!

� black, como eu!

Deve ser "king size".

Coca-cola.

- Veem? - Gostas desse nome?

- Est� bem, anda c�. - Coca-Cola.

Ol�, Coca-Cola.

Coca-Cola.

Solomon, Coca-Cola.

Coca-cola.

Sim, meu. Jesus.

- Um. - "Um".

- Dois. - "Dois".

- Tr�s. - "Tr�s".

- Quatro. - "Quatro".

Cinco.

H�? "P�o"?

Tamb�m ouviram, certo?

Muito bem, rapazes. Estamos aqui h� meses.

Ou planeamos uma fuga ou compramos a nossa sa�da.

S�o as �nicas op��es.

Estou contigo, Bra-T. Tu � que decides.

A comida aqui � uma merda,

as retretes tresandam.

Olhem para este p�o. D� para jogar � bola com ele.

E estou farto de bater punhetas.

Mondy, falemos a s�rio, por favor.

Estou a falar a s�rio.

Temos de avisar a malta de Lusaca. T�m de nos tirar daqui.

Tenho um plano. Quanto dinheiro t�m?

Solly, homem?

O Miles Davis est� sempre a sete passos para o c�u.

Plano B.

Bra-T.

Para a pr�xima, v� se atinas.

Para n�o acabarmos em situa��es destas.

Por falares ingl�s j� pensas que �s o maior?

Merda.

Segue. Vai, Cola. Vai.

Segue, vai.

Com a ajuda do Coca-Cola,

arranj�mos papel de contrabando,

e come��mos a enviar cartas ao CNA em Maputo

para que avisassem Lusaca.

Envi�vamos uma carta por semana,

a pedir um resgate.

Ap�s seis meses em Xai Xai, Mo�ambique come�ou a afetar-nos.

Mas n�o pod�amos desistir.

Certo. Vamos c� ver...

Ah. �s um maroto.

Bra-T,

h� seis meses que estamos nesta merda de pa�s.

Foi para isto que nos trouxeste aqui?

Portugueses, FRELIMO, mi�dos chamados Coca-Cola,

mosquitos, crian�as sempre a chorar, a chuva que n�o para.

Bra-T...

... faz alguma coisa.

Terminaste?

Para onde est�s a olhar?

Que fazes com a minha camisa?

Responde-me, seu ladr�ozinho!

Mondy, que se passa contigo?

� um mi�do! Est�s maluco?

Vai dar uma volta, cabr�o.

Vai refrescar as ideias.

Escuta, Cola.

N�o te preocupes com ele, est� bem?

Irm�o Mondy.

Foi neste rio, quando estava cheio.

A minha m�e costumava lavar-me aqui.

Faz-me pensar nela.

Foi antes da guerra.

Tens saudades?

Sim.

- S�o quantos? - Quatro.

- Levem-me l�. - Sim, capit�.

S�o da �frica do Sul?

Estou a falar convosco!

- Sim. - Sim.

Fa�am as malas.

- O qu�? - Ah, fazer as malas!

Malta, o CNA respondeu �s nossas cartas.

Vamos!

- Vamos! - At� depois, comida nojenta!

Vamos!

E o mi�do?

- Pode ficar. Ele � �rf�o. - N�o sou.

N�o, ele est� comigo.

Ouve. A primeira regra da sobreviv�ncia � cuidar do n�mero um.

Se queres sobreviver, ouve o que te digo.

Vamos.

N�o, irm�, est�s a cometer um erro.

- Ele fica. - Ele est� comigo.

- Ele est� comigo! - N�o. Solomon!

- Solomon! - N�o! Ele vem comigo.

- N�o me deixes! Solomon! - Coca-Cola.

- Solomon! - Coca-Cola!

Solomon! N�o me deixes!

Solomon!

PERTO DE LUANDA, ANGOLA 27 DE ABRIL DE 1977

Sigam-me.

Entrem.

N�o tem nada a ver convosco. S�o traidores da UNITA.

Eram do MPLA.

Sigam-me.

Esta ser� a vossa casa nos pr�ximos meses.

Ponham-se � vontade.

Camaradas, isto � um acampamento de engenharia.

O treino come�ar� em breve.

Rapazes, j� viram como isto �.

Temos de ficar atentos.

Protejam-se, sim? E protejam-se uns aos outros.

Camaradas, avan�amos agora para treino de combate e opera��es militares.

- Viva o CNA, viva! - Viva!

- Viva a Carta da Liberdade, viva! - Viva!

- O poder! - � nosso!

- � nosso! - O poder!

Acabo de ser informado

que o nosso comandante-chefe, O.R. Tambo, o general,

tem uma mensagem para n�s.

Aproximem-se, camaradas.

A todos os nossos comandantes, quadros e comiss�rios em Angola, viva.

- Viva! - Viva!

- A todos em Mo�ambique, viva. - Viva!

- Aos compatriotas em Angola, viva. - Viva!

- Viva Umkhonto we Sizwe, viva. - Viva!

A AK-47 tem tr�s posi��es de disparo.

Seguran�a em cima. Tudo para baixo � fogo �nico semiautom�tico.

No meio, � metralhadora.

Fogo totalmente autom�tico constante e r�pido.

Sim?

Comandante, quando vamos receber uma Kalashnikov?

Em breve, camarada. Ter�o uma arma em breve.

Sim?

E, comandante, quando partimos? Quando come�amos mesmo a lutar?

Camaradas, lembrem-se, este treino � essencial.

� perigoso pegar numa arma sem a saber usar.

N�o s�o mercen�rios. S�o combatentes pela liberdade!

- Entendido? - Sim, comandante.

- Entendido? - Sim, comandante!

... combater o regime minorit�rio de Vorster

para vingar o sangue de mais de mil estudantes inocentes

que apenas se opunham ao afric�ner. - Fogo!

Compatriotas, n�o somos assassinos, mas revolucion�rios.

Viva a revolu��o.

- O poder! - � nosso!

- � nosso! - O poder!

- T�m medo deles? - N�o temos medo. Eles que venham!

- O poder! - � nosso!

- � nosso! - O poder!

- O poder! - � nosso!

- � nosso! - O poder!

J� chega, camaradas.

A papa de milho est� fria.

Ol�. Essa � a linguagem do opressor.

Como sabem, camaradas,

a Educa��o Bantu � um instrumento usado por Verwoerd, e agora por Vorster,

para garantir um suprimento infinito de oper�rios sem educa��o.

Destina-se a assegurar o dom�nio dos b�eres. Chega!

Concordo. Quero dizer...

O regime � inimigo dos africanos, da consci�ncia africana,

mas acho que tamb�m vai ser um inimigo para os brancos.

Concordo. N�o nascemos todos homens livres?

Ent�o, meu?

L� est�s tu com o afric�ner.

Cala-te, meu.

A ARTE DA GUERRA SUN TZU

MANIFESTO UMKHONTO WE SIZWE

Camaradas.

A Carta proclama a prote��o de todos os sul-africanos.

Negros, brancos, indianos ou mesti�os.

N�o importa quem vos deu � luz.

O que importa � que fa�am parte da solu��o que derrubar� o imperialismo.

S� assim pertencer�o aqui.

UMkhonto we Sizwe. O que significa para voc�s?

O que queremos alcan�ar?

Qual � a natureza da luta que enfrentamos?

Bem, n�s somos a lan�a da na��o.

O nosso objetivo � combater o inimigo.

Sim, mas somos mais do que apenas lutadores.

Somos amantes.

O Che Guevara disse uma vez que a revolu��o � o maior ato de amor.

Amor pelo nosso povo. Amor pelo nosso pa�s.

� isso que � o MK.

� a nossa causa. � o amor.

Solomon.

Em que parte de Angola recebeu o treino?

Foi num campo de engenharia perto de Luanda.

E, por favor, diga ao tribunal.

Nesse treino, foi ensinado a evitar

quaisquer baixas civis?

Sim.

�ramos constantemente relembrados de que dev�amos evitar baixas civis.

Faremos um curto intervalo.

Prontos...

Fogo!

Cessar fogo, camarada. Camarada!

Para de disparar!

O que se passa, cabr�o? Qual � o teu problema?

Qual � o teu problema, caralho?

Tens uma pila pequena? � por isso que disparas assim?

Se mais algu�m fizer uma estupidez destas, enfrentar� um pelot�o de fuzilamento.

- Entendido? - Sim, comandante.

Compreendes?

Sim, comandante.

Puto do maricon�o!

� vontade!

Camarada, posso falar consigo um momento?

Lamento pelo teu amigo Coca-Cola.

Mas ele sobreviver�.

Eu j� fui como o Coca-Cola.

Mas o teu amigo Mondy est� descontrolado. Tens de o vigiar.

� o que acontece quando se acredita tanto em algo.

E tu, em que acreditas?

Acredito na mudan�a.

Quero dizer, grit�mos, ansi�mos...

... e nada.

Est� na hora de fazermos algo.

Gosto da tua paix�o.

Mas lembra-te,

os revolucion�rios t�m de estar dispostos a matar ou ser mortos.

J� mataste algu�m?

N�o.

N�o tenhas pressa de o fazer.

N�o queres ver a vida a esvair-se dos olhos de algu�m.

V�s a sua alma partir...

... e sabes que foste tu que a levaste.

N�o queres isso na consci�ncia.

Vai.

Sim, comandante.

Comandante, posso falar consigo a s�s?

- Pode esperar, camarada? - N�o. Prefiro que n�o, comandante.

� sobre a nossa miss�o.

Comandante, compreendo a import�ncia desta miss�o para o movimento.

Por isso...

... preferia n�o ir com alguns membros da minha...

As decis�es v�m do topo.

� uma quest�o pr�tica. Vais com os da tua zona.

- Eu entendo, mas... - � uma ordem, camarada.

Vamos continuar com as instru��es.

Camaradas, receberam forma��o em sabotagem. Correto?

Sim, comandante.

Agora, sabem fabricar explosivos caseiros a partir de materiais comerciais.

- T�ticas de combate militar. Certo? - Sim, comandante.

Apenas alvos do governo. E evitar baixas civis.

Parar os servi�os b�sicos, como os correios...

- Esquadras de pol�cia. - E instala��es el�tricas.

Durante as pr�ximas tr�s semanas, receber�o mais instru��es.

Evitem dar nas vistas.

Camaradas, lembrem-se, nunca entrem em p�nico.

Quadros, agora fazem parte da M�quina Urbana de Transvaal do MK.

Senhores, devem lembrar-se de que est�o na linha da frente.

Camaradas, fiquem perto do r�dio.

N�o o percam.

Se algo acontecer, ser� a tua chave para vossa sobreviv�ncia.

SUAZIL�NDIA 10 DE JUNHO DE 1977

T�m de seguir por este caminho.

V�o com cuidado e boa sorte.

- Adeus. - Adeus.

Camaradas. Ali est� a posta-restante. Venham.

Camarada Mondy.

Camarada Lucky.

H� mais alguma coisa.

Foda-se! Protejam-se!

Bra-T. Est�s bem?

- N�o consigo ver! - Calma.

- Anda. - Camaradas, levem tudo.

Para nossa prote��o, a posta-restante estava armadilhada.

Um facto que o camarada London tinha esquecido.

V�m algu�m? Est� a� algu�m?

Kira! Sossega!

Sim? Posso ajudar?

Procuramos ma��s.

- Quantas? - Quatro. E estamos � espera de mais um.

C�us, London. Estou � tua espera desde ontem.

- Entrem, r�pido. - Camarada...

Venham, camaradas.

Onde � que andaram? Os vossos documentos est�o prontos desde ontem.

Perd�o, camarada. Fic�mos retidos.

Camaradas, o London perdeu muito sangue. Ter�o de continuar sem ele.

Ainda consigo lev�-los.

� s� um pequeno corte. V� l�, Dawood.

London, trato ferimentos h� muitos anos.

E o hospital fica a cinco horas daqui...

Eu � que os meti nisto. Est� bem?

- Sou respons�vel. - N�o.

O camarada Dawood tem raz�o.

N�o est�s em condi��es de viajar. E temos um longo caminho pela frente.

Bra-T. N�o podemos deixar-te aqui.

Sim, Bra-T, o Mondy tem raz�o.

Sim. Sim, rapazes. Eu vou levar-vos...

Camarada London...

O camarada Dawood informou-te de que n�o est�s em condi��es de viajar.

Sugiro que sigas o seu conselho.

Era de Lusaca.

Falei-lhes do acidente e da nossa situa��o.

As postas-restantes t�m de ser mais seguras. N�o �s o primeiro.

E disseram que o camarada London deve ficar e recuperar.

N�o. Ent�o e a miss�o?

A miss�o continua.

Olhem, j� estamos atrasados. Eu conhe�o o Transvaal Oriental.

Nasci l�. E eu e ele fizemos a inicia��o l�.

- Eu posso indicar o caminho. - �timo.

Informarei o Alto Comando que o camarada Kalushi

� o vosso comandante agora.

O qu�?

H� algum problema, camarada?

H�, pois. O que tens tu de especial?

- Tenho fam�lia l�. - E depois? Isso faz de ti o qu�?

- E estou melhor capacitado. - Tu, capacitado?

Camaradas!

N�o tens disciplina...

- Disciplina? - Ordem, camaradas!

Acabou a discuss�o.

O camarada Kalushi leva-vos pela fronteira. Entendido?

Como disse ao camarada London, os documentos est�o prontos.

- S� preciso das vossas fotos. - Certo.

Pr�ximo.

Pr�ximo!

POL�CIA FRONTEIRI�A

REINO DA SUAZIL�NDIA

Camaradas, lembrem-se, a Pol�cia da Suazil�ndia � picuinhas.

N�o lhes deem motivos para suspeitas.

Boa sorte, rapazes.

Aqui est�o mil rands.

E as instru��es da pr�xima posta-restante. Sabem o que fazer.

A luta continua, camarada.

Obrigado, camarada Dawood.

S� HOMENS NEGROS

SERVI�OS DE EMIGRA��O

- Quem �s tu? - Byron Sikhosana.

- O qu�? - Byron Sikhosana.

E o que fazes na �frica do Sul?

Vou visitar familiares.

PROCURADOS

Senhor, o que acha?

Cheira-me a terrorista.

- Bem-vindo � �frica do Sul. - Obrigado.

- Quem �s tu? - Jabulani Sikhosana.

Com o anivers�rio do 16 de Junho a apenas quatro dias,

a Pol�cia e o Ex�rcito redobraram esfor�os.

As principais rotas para o Soweto est�o sob vigia.

Cr�-se que h� dois batalh�es a postos nas bases militares pr�ximas.

- Solly, temos um plano. - Que plano?

- Temos de ir ao Soweto. - A nossa miss�o � em Tembisa.

- Quem est� em Tembisa? - A miss�o � em Tembisa, n�o no Soweto.

Ouviste o r�dio? Precisam de n�s no Soweto.

E se os comandantes tiverem outra miss�o no Soweto?

Meu, eles que se fodam.

Phineus. Sou eu, o Mahlangu. Abre.

Quem �? Bate como um pol�cia...

O que foi?

Primo, h� que tempo! Como est�s?

Fixe, Phineus.

Fixe.

Mondy. N�o te via desde a inicia��o. N�o acabaste, seu c�o!

N�o comeces com as tuas merdas.

Est� bem...

Est�o t�o s�rios? Morreu algu�m?

Quem � este?

Lucky, Phineus. Phineus, Lucky.

Fixe.

Entrem, estamos a beber.

Pareces t�o zangado!

Est� frio l� fora.

Est�o para aqui, a beber.

Phineus, isso � de homem?

Estamos s� a relaxar um pouco.

Cavalheiros,

ficarem aqui a queixar-se de como s�o oprimidos na vossa terra

n�o vai resolver nada.

� hora de ripostar.

Est� na hora de se educarem.

De se disciplinarem.

Est� na hora de os combatermos, de matarmos estes c�es.

N�o. Matar n�o resolve nada. A disciplina sim.

Ent�o, malta...

Est�o a falar a s�rio?

Phineus. A liberdade � coisa s�ria.

O comboio parte daqui a uma hora. Vamos.

O que � que ele quer?

Fomos a Tembisa fazer o reconhecimento da miss�o.

Tudo bem.

Podes ver por ti mesmo.

N�o se passa nada em Tembisa.

Certo. E o que querem fazer no Soweto?

Temos treino militar, meu. Vamos lutar.

Dar esperan�a ao nosso povo.

O Mondy e o Lucky tinham raz�o.

Agora �ramos soldados. Dev�amos estar na linha da frente...

Vamos embora.

Vai.

... no Soweto.

Ma��s, bananas...

Bananas.

Dube.

Dube.

Dube?

- Orlando? - Para Orlando � este.

Mais dois?

Ol�...

Calma. Est� quase. S� mais uma pessoa.

Aonde v�o, cavalheiros?

Ah, Orlando, senhor agente.

E o que h� nessa mala?

S� umas roupas e assim...

Mondy!

Mondy!

Mondy!

Merda!

Mondy!

Solly! Vemo-nos no ponto de encontro.

Est� bem. Mondy!

- Apanhem-nos! - Foda-se!

Mondy!

Despacha-te, meu.

Larga-me!

Larga-o!

- Juro que o mato. - N�o te mexas.

N�o disparem!

At� te borras todo, cabr�o!

Mondy, espera!

Solly, levanta-te!

Corre, Solly!

Mondy!

Foge, Solly!

Solomon!

Solomon!

Onde est� ele? Onde est� o Solomon?

Vai-te foder, meu...

Merda! C�us!

Isto � um ataque terrorista.

Quem nomeamos para tratar nisto?

O primeiro-ministro pediu-me pessoalmente para vir c� de Pret�ria,

para assegurar que fazemos...

Vamos. Anda!

... que voc�s fazem o que deve ser feito. - Cala-te!

Anda l�!

Fazes-me perder tempo!

Levantem-no!

Solomon...

Precisamos de algu�m inteligente e com a cabe�a fria.

Ministro, quero apresentar-lhe

o Inspetor-Chefe Eric van Heerden.

Anda, r�pido!

Cala a puta da boca!

Ele vai tratar do caso.

Van Heerden, n�o queremos problemas.

Tratar� deste caso com determina��o e efici�ncia.

- Ser� que nos entendemos? - Sim, ministro, perfeitamente.

Um bom dia, cavalheiros.

Vais falar agora?

Achas que �s esperto?

Quem � o Solomon?

Est�s a gostar, Jabulani?

Queres que paremos?

Diz-me quem � o Solomon.

O Byron disse-me para te perguntar a ti.

N�o queres falar?

Vou perguntar-te mais uma vez.

Quem.. �... o Solomon?

Seu kaffir in�til de merda!

- Ol�. - Ol�. O que se passa aqui?

- Como assim? - Estou a tentar preparar o caso.

Est�o a dar cabo deles enquanto tento interrog�-los.

Estamos s� a amolecer os kaffirs para o interrogat�rio.

Solomon Kalushi Mahlangu.

Onde estudaste?

J� dei o meu depoimento.

Queres que volte a chamar os outros?

Muito bem.

Lucas Mahlangu, trabalha como guarda prisional.

Vive com Martha. Em Mamelodi.

A tua fam�lia.

E depois h� esta... mesti�a.

Brenda.

A tua namorada?

A minha fam�lia n�o tem nada a ver com isto.

Estou s� a perguntar.

- Onde estudaste? - N�o sabem nada.

"Irm�o Lucas.

Fui-me embora. Por favor, n�o me procures."

Ent�o, quando escreveste esta carta para o Lucas... onde foste?

Fugi de casa.

A s�rio?

Ent�o, como acabaste na Rua Goch com armas militares

onde morreram duas pessoas inocentes?

Certo.

Onde estudaste?

Na Secund�ria de Mamelodi.

Secund�ria de Mamelodi.

Phineus.

Phineus.

J� queres falar?

Anda.

Anda l�.

Senhores, tenho de voltar ao tribunal. Sejam breves.

Foram longe demais com o interrogat�rio do Motloung.

Bem, com todo o respeito, Ministro, ele estava assim quando me nomeou.

Sim, mas quais s�o as implica��es?

O outro pode ir a tribunal? Como se chama?

- Mahlangu. - Sim. O Mahlangu pode ser julgado?

Sim, ministro. Mas a maioria das testemunhas aponta o Motloung...

Motloung, Mahlangu. Malditos nomes de kaffir...

Quero l� saber das testemunhas. Algu�m vai ser enforcado ou n�o?

- Ministro... - Que mensagem vamos enviar?

Morreram duas pessoas. Assassinadas a sangue-frio.

Duas boas raz�es para enforcar esse c�o do Mahlangu.

Ministro, e se n�o conseguirmos provar que o Mahlangu...

Que se foda, van Heerden.

Ele era um dos kaffirs que andavam a correr pelas ruas de Joanesburgo,

a disparar metralhadoras e atirar granadas de m�o ou n�o?

- Dois brancos morreram ou n�o? - Sim, ministro.

N�o subestime o longo bra�o da lei.

Anda.

Bem-vindo � pris�o de seguran�a m�xima de Pret�ria Central.

Quando sa�res daqui, ser� num caix�o.

Muito bem, deixa ver se percebo.

Tu tinhas escapado. Porque voltaste?

Ouvi tiros.

E o Mondy estava a gritar por ajuda.

Ent�o, sabia que havia algo errado.

Tiveste oportunidade de fugir. Trata-se da tua vida, Solomon. E voltaste?

N�o podia deix�-lo para tr�s.

- V� l�... - Solomon, socorro!

Sacana!

Solomon...

Larga isso!

- Ele disparou contra n�s. - N�o quero saber. Para tr�s.

- Solomon... - Para tr�s!

Mondy. O que fizeste? Mondy!

JOHN ORR MANUTEN��O

Apanhem-nos!

Larga a arma! Larga o caralho da arma!

Solomon...

Levem-nos.

E... foi quando nos levaram ao John Vorster.

Foi o que aconteceu.

Veremos o que podemos fazer.

Vai ser uma batalha dif�cil at� ao fim. Mas vamos lutar.

Trabalho no armaz�m John Orr, na oficina.

Sou um mechy. Um mec�nico.

Est�vamos a tomar ch� no escrit�rio do Sr. Kassner...

Estava eu, o Sr. Kassner, o Sr. Wolfendale e o Sr. Hartog.

Aquele tipo, o Ted, � mesmo um idiota, n�o?

- Raios, que idiota. - Podes crer.

Idiota ou n�o, vou ver na mesma.

Est�vamos a beber ch� no meu escrit�rio quando um jovem Bantu apareceu � porta.

- Quem? O arguido? - N�o, o outro.

O outro? O Motloung?

Motloung.

Identificou-o agora, h� bocado e identificou-o na fila de suspeitos.

- O Motloung. - Sim. O Motloung.

Sim, podes dizer isso outra vez. O gajo � mesmo idiota.

Idiota ou n�o, vou ver na mesma.

Solly!

- Passa o a��car. - Solomon!

Obrigado.

Onde est� ele?

Ent�o o Motloung entrou. Diga ao tribunal o que aconteceu a seguir.

Perguntou: "Onde est� ele?"

Onde est� o Solomon?

E n�s n�o sab�amos do que ele estava a falar.

- "Onde est� ele?" N�o disse mais nada? - S� isso.

Ou�a, tem de compreender que � costume os Bantus virem procurar trabalho,

ou serem apenas nativos chatos.

E pomo-los a andar.

Mas este...

- Onde est� ele? - Quem?

- Onde est� o Solomon? - O qu�?

... entra na porta e...

... puxa de uma metralhadora e desata aos tiros.

Merda!

A arma dele parou... Encravou.

O sr. Kassner e o sr. Wolfendale estavam mortos no ch�o.

Quando ele come�ou a disparar, atirei-me ao ch�o e comecei a gatinhar.

E uma bala ro�ou-me o bra�o e ca� debaixo da mesa.

Vi que a arma tinha encravado e disse: "Kenny, vamos apanh�-lo."

Kenny, r�pido! A arma dele encravou. Vamos apanh�-lo!

Procurei um...

Encontrei um... tubo de a�o.

E eu...

Estava em cima do arm�rio.

Solomon!

E depois... aproximei-me e...

Bati-lhe.

Solomon...

O arguido veio das traseiras do armaz�m.

Solomon...

Mas, Merit�ssimo eu...

... n�o sei porque est� ele a ser julgado...

Ele n�o fez nada.

N�o disparou nem nada...

Sr. Bragg, j� chega. Pode descer.

Todos de p�.

Muito bem. Hoje correu bem.

Uma testemunha-chave da acusa��o disse claramente

que n�o estavas nem perto do local do tiroteio.

� uma vit�ria.

E s� se lembra de te ver depois do tiroteio.

- Exatamente. - Muito bem. N�o nos entusiasmemos.

Olha, v� se descansas.

Como est� o p�?

Est� bom. Melhor.

At� amanh�.

Sr. Mailer.

Irm� Priscilla.

Obrigado.

Obrigado a ambos.

Phineus.

Phineus.

Costumas ficar na Rua Molozi, 1112, em Middelburg?

Sim, � a minha casa, senhor.

E conheces o arguido, Solomon Mahlangu?

- Sim, senhor. � meu primo. - Certo.

E lembras-te do que aconteceu

na noite de 11 de Junho de 1977

em tua casa?

Senhor, o Solomon veio a minha casa,

juntamente com Mondy Motloung e Lucky.

E lembras-te se transportavam algo?

Phineus, transportavam algo?

Tinham sacos, malas e mantimentos, senhor.

Meu senhor, para que conste, as provas A1 a A10.

Essas s�o as malas. Eis os mantimentos.

Armas.

Balas. Granadas.

Com as quais pretendiam aterrorizar o povo da �frica do Sul.

Reconheces isto, Phineus?

Sim. � um disco, meu senhor.

Eu sei que � um disco. A quem pertence?

Senhor, o Solomon deixou-o em minha casa.

O que prova que ele estava l� nesse dia.

Phineus, o Solomon disse-te alguma coisa?

Phineus, ele disse alguma coisa? Merit�ssimo, preciso mesmo de ajuda.

A testemunha pode falar, por favor?

- Jovem, � melhor... - Eu ouvi!

Ele fez um discurso, senhor.

Muito bem. E o que disse ele nesse discurso?

Senhor, ele disse que dev�amos juntar-nos ao CNA para matarmos os b�eres.

Juntarem-se ao CNA...

... para poderem matar brancos.

E foi a �ltima coisa que ele disse?

N�o tenho mais perguntas, Merit�ssimo.

Alguma pergunta, Sr. Mailer?

Nenhuma, Merit�ssimo.

A testemunha pode retirar-se.

J� acabaram. Podes descer.

Pedimos-vos, em nome do Pai, do Filho e do Santo...

� muito doloroso para ele ter sido tra�do pelo Phineus.

O nosso pr�prio sangue.

N�o disseram que foi o tal Mondy que disparou?

Sim, m�e.

Mas a lei dos objetivo comun diz...

... que o Solomon tamb�m � culpado, mesmo que n�o tenha disparado.

� a lei deles.

Irm�o Lucas.

Brenda.

Como est� a m�e?

Ela n�o aguenta mais.

Estamos todos a sofrer.

� por isso que ela n�o te veio ver.

A m�e...

... mandou-te isto.

Diz-lhe que lhe agrade�o. Vai manter-me quente.

Ent�o...

Desculpa ter-te deixado.

N�o te preocupes. J� n�o importa. � passado.

Est�o todos bem l� em casa?

Sim, est�o bem.

Amo-te, Brenda.

Amo-te com todo o meu cora��o. Sempre.

Solly, tenho medo.

N�o tenhas.

Quando pensares em mim,

Olha para os c�us...

... e eu estarei entre as estrelas...

... a brilhar para ti.

Escuta. Vamos tirar-te daqui.

Conhe�o os guardas quase todos.

- De que est�s a falar? - Estou a falar de uma fuga.

Quando chegar a Mamelodi, falo com o Bra Frank.

As janelas destas celas s�o suficientemente grandes.

O Bra Frank estar� � tua espera.

- Irm�o... - Brenda.

Irm�o Lucas,

J� causei problemas suficientes...

... a toda a fam�lia.

Podemos tirar-te daqui...

Acaba aqui.

J� aceitei isso.

� melhor fazeres o mesmo.

Adoro-vos.

A todos.

Est� na hora.

Tenho de ir.

Deix�mos as nossas casas e fomos para o ex�lio em busca de liberdade.

Mas a liberdade est� dentro de n�s.

O MK preparou-nos para a guerra, mas aqui n�o havia armas.

Nem granadas. Nem camaradas.

- Mahlangu. O tribunal espera-te. - Aqui havia correntes, paredes e a�o.

Para isto, ningu�m nos pode preparar.

Este foi o �ltimo campo de batalha,

onde lut�mos pela �ltima vez.

O arguido que se levante.

Nas �ltimas semanas,

ouvi a apresenta��o do caso "Estado v. Solomon Mahlangu".

N�o referirei todas as provas na minha leitura do julgamento.

Quero concentrar-me na quest�o do objetivo comum.

Quero mencionar...

... que quando o arguido teve oportunidade de fugir do local

com o Lucky, no dia 13 de junho, na paragem de t�xis, n�o o fez.

Permitam-me lembrar-vos que o arguido saiu da rep�blica

por sua decis�o, para obter treino militar.

E voltou com dois dos seus camaradas.

E n�o h� d�vida de que agiram com um objetivo comum.

Eles j� tinham e estavam a realizar um intuito em comum.

Se o arguido tivesse inten��o de abandonar a arma,

ou de se afastar de Mondy Motloung,

teria fugido ainda na loja de garrafas.

Nestas circunst�ncias, o gatilho da arma de fogo

que causou a morte de dois cavalheiros inocentes

� igualmente puxado pelo arguido,

pois partilhavam uma inten��o e um objetivo comum.

Nestas circunst�ncias, temos de chegar � conclus�o

que n�o h� circunst�ncias atenuantes.

Foi considerado culpado de todas as acusa��es.

Deseja dizer algo ao tribunal antes que seja pronunciada a senten�a?

Tudo o que queremos � liberdade.

� tudo o que queremos.

Liberdade.

Liberdade para as crian�as aprenderem.

Liberdade para os homens trabalharem, para as m�es amarem...

... para uma na��o crescer. � s� isso...

� s� isso que queremos.

Igualdade.

Para todos.

Repare...

... eu sou apenas um de muitos.

Um soldado de infantaria.

Muitos, muitos mais vir�o depois de mim.

Portanto...

... n�o h� nenhum tribunal...

... for�a policial...

... ou ex�rcito...

... que consiga impedir o virar da mar� da revolu��o.

Nenhum castigo que possam aplicar neste tribunal...

... nenhuma lei que o vosso governo possa impor...

... conseguir�o matar a vontade do povo.

Porque n�s lutaremos.

Vamos continuar a lutar...

... at� que todo o nosso povo seja livre.

E talvez consigamos at� libertar-vos de voc�s pr�prios.

Por isso, podem odiar-nos...

... rebaixar-nos...

... torturar-nos e matar-nos,

mas n�s lutaremos.

E havemos de ser livres.

Um dia, havemos de ser livres.

O poder!

- O poder! - � nosso!

Solomon Kalushi Mahlangu...

... � condenado � morte.

Ser� levado para a Pris�o Central de Pret�ria em data a designar

e ser� enforcado at� falecer.

E, finalmente, Miles Davis disse:

"Se me dissessem que s� tinha uma hora de vida,

pass�-la-ia a esganar um homem branco.

F�-lo-ia bem devagar."

Mas na minha �ltima hora, digo isto:

O meu sangue regar� a �rvore que dar� os frutos da liberdade.

Digam ao meu povo que os amo e que devem continuar a luta.

A luta continua.

"O meu sangue regar� a �rvore que dar� os frutos da liberdade.

Digam ao meu povo que os amo e que devem continuar a luta.

A Luta Continua!"

Solomon Khalushi Mahalangu 6 de abril de 1979

Ap�s a execu��o de Solomon Kalushi, o governo sul-africano pr�-Apartheid

executou cerca de 2800 indiv�duos

ao abrigo da Lei do Objetivo Comum, com uma m�dia de 233 execu��es por ano

de 1979 a 1989.

A pena de morte foi abolida pelo novo regime a 6 de junho de 1995.

Aquando do lan�amento deste filme, a Lei do Objetivo Comum

ainda fazia parte dos estatutos.

Legendas: Henrique Moreira

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