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Arranjei este macarrão, podes levar-me até ao Tyler?
Sim.
Tudo o que tenho de fazer é contar a minha história?
Sim.
Fica a 160 km daqui, porquê?
As histórias são importantes.
Podes vir a mudar de ideias, depois de ouvires a minha.
Deixa-me a ser eu a decidir isso, começa pelo teu nome
Ed.
De onde és, Ed?
De Oregon.
É para lá que estás a tentar ir
Há lá pessoas?
A minha família.
Acho que estão lá, não sei.
É um longo caminho até casa.
Comecei em Daytona.
O que há em Daytona?
Nada de bom. Nem na altura.
Então o que estavas a fazer em Daytona?
Queres ir ter com o Tyler? tens de me dar mais.
Estava... em tourné.
Com uma banda?
Pois, quem me dera.
Uma equipa desportiva?
Pareço-te um tipo atlético?
Então o que era?
É uma coisa muito, muito idiota.
Fazia "stand-up".
- Por que é que não me querias dizer? - Porque é patético.
Deixei os meus pais, a minha irmã e um sobrinho que nunca cheguei a conhecer.
E tudo isso para quê? Por um sonho estúpido?
Disse a mim próprio que, quando ficasse famoso retribuiria tudo.
Pagaria a hipoteca dos meus pais, Iria comprar um carro para a minha irmã,
Isso era o que eu dizia a mim próprio. Mas não era por eles.
Era por quem?
O que é que achas?
Não o estava a fazer para ajudar a minha família.
Estava a fazer porque queria que as pessoas gostassem de mim. E que achassem que tinha piada.
Mas as pessoas que gostavam de mim e achavam que tinha piada,
Estavam a 4800 km de distância quando tudo ficou fodido.
Estavas a correr atrás do teu sonho. Que mal tem isso?
Nunca iria acontecer.
- Não conseguia perceber isso. - Por que é que nunca iria acontecer?
- Porque não era assim tão bom. - Então, não sabes isso.
Fazia-me bem uma boa gargalhada. Experimenta lá
Não, não queres ouvir nenhuma das minhas piadas.
Quero saber a tua história. Isso faz parte dela.
É uma caminhada muito longa até ao Tyler. - Está bem.
Então, costumava fazer esta rima sobre rappers a cantar sobre alcool.
E a coisa acaba com rap de piratas
Vamos ouvir.
É tão estúpida.
Navegamos até ao porto à procura de uma festa...
oh oh oh e uma garrafa de Bacardi.
Pois, também não se riram em Daytona... Portanto...
O que foi?
Antes desta conversa...
acho que não falava com outra pessoa viva à cerca de três meses.
E...
acho que me levou...
não sei bem, um ano, para chegar até aqui.
Vou demorar mais um ano a chegar a Oregon.
E não sei se a minha família ainda estará lá.
Se ainda estarão vivos.
O meu sobrinho já terá dois anos.
Nem cheguei a conhecê-lo.
A culpa é minha
É tudo culpa minha.
Desculpa, não me quero queixar.
Quero dizer, agora é difícil para toda a gente, tu sabes.
Eu sei.
A toda a hora.
Ok.
Estamos prontos para continuar.
Nem cheguei a tirar a minha faca.
Sabes que é inacreditável como é que ainda estou vivo?
A sério...
a quantidade de vezes que quase morri.
E nunca foram por motivos importantes, percebes?
Como se estivesse a salvar um orfão ou assim, não.
Foi sempre pelas coisas mais estúpidas.
- Como o quê? - Como isto!
Ou, como uma vez que encontrei um saco enorme de feijões.
Suficiente para um mês, o que é um triunfo raro para mim.
Estava a regressar com o meu prémio...
Um deles aparece não sei de onde.
Um tipo bastante assustador, os dentes a sair para fora.
Um olho pendurado e assim.
- E eles nunca estão sozinhos, certo? - Certo.
Apareceram mais a cambalear vindos de todo o lado
e vêm em direção a mim, mas obviamente, a única coisa que me importava eram os feijões
O do olho pendurado, aproxima-se de mim, tenta agarrar-me
eu começo a empurrá-lo com o meu saco
ataco com a minha catana.
Finalmente saí dali, comecei a correr o mais que podia.
Ainda tinha o saco, o que era bom... mas era algo pesado e olho para trás
e o do olho tinha desaparecido.
Ou mais ou menos.
Afinal ele ainda estava preso ao saco.
Pelo menos metade dele ainda estava.
O braço dele tinha perfurado o saco, as entranhas a baloiçarem
e eu tinha estado a arrastar metade deste demónio aterrador,
pela rua a baixo como se trata-se de um prémio.
E a melhor parte foi que o saco tinha um grande buraco
Perdi os feijões todos, fiquei sem um único feijão.
Acreditas nisto?
Meu.
Obrigado.
Pelo quê?
Por me lembrares de como é fazer alguém rir.
Pois, já vai há algum tempo.
Se gostares de histórias de quase morte
contadas pela boca de um idiota, tenho imensas.
São as minhas preferidas.
Histórias de quase morte contadas por um idiota.
Bem, sou a pessoa que procuras.
Quem é que não gosta?
A que distância fica Waco? a cerca de quatro horas? Achas?
Sim, são cerca de 480 km daqui.
Gostei da tua história, quero ouvir mais.
Proponho-te ir para Waco, se quiseres
Sim, claro que sim.
- Ok . - Vamos lá.
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