All language subtitles for Permette.Rocco.Papaleo.1971.portuguese

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
nl Dutch
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

ROCCO PAPALEO

Ei, Rocco, gosta de Chicago?

Aqui tem mina?

É outra viagem de núpcias.

Nos encontramos mais tarde, às 18:15 no Estádio.

Papaleo, se o desafiante estiver em dificuldade...

você sobe ao ringue e dá uma força!

Nos vemos lá dentro, os lugares são próximos.

Nós vamos por aqui.

Procura algo?

Deve estar se perguntando o que estou carregando.

É um lustre, para a minha casa.

Esta é uma grande cidade. Parabéns, senhora.

Desculpe, seu guarda. Permita-me. Sou Rocco Papaleo.

-O Estádio fica longe? -Uns 2 km.

Vou explicar. Meus amigos estão me esperando no Estádio...

daqui a meia hora, às 18:15.

Vim só para isso, somos mineiros...

viemos ver a luta de boxe pelo campeonato mundial...

na categoria peso médio.

Entende, talvez seja melhor pegar um táxi.

-É melhor. Fica lá. -Obrigado, gentileza sua.

O andar, por favor?

-Quinto. -Quinto também.

Nos vemos esta noite.

Eu também trabalho no setor de elevadores.

Sexto.

-Sétimo. -Décimo.

Ouça, ouça, desculpe... Permita-me. Rocco Papaleo.

O que aconteceu? Sente-se mal?

Diga!

Não, ao contrário, estou bem.

Levante-se devagar.

Disse para desligar o rádio.

-Como se sente? -Bem, estou bem mesmo.

-Venha, me dê a mão. -Ah, sim, me desculpe.

-Permita-me. Rocco Papaleo. -Não é hora disso. Levante-se.

-Estou bem, de verdade. -Vamos, apóie-se em mim.

Não foi nada. Foi só um tombo.

Deixe que eu faço, são só objetos pessoais sem valor.

-Senhorita, o carro. -O que há?

Disse para tirar o carro. É proibido estacionar aqui.

Eu não estacionei. Parei por causa do acidente.

-Aquele homem poderia ter morrido. -Sim, mas não morreu.

-Agora, tire o carro! -Venha, vou levá-lo ao hospital.

Ao hospital. Quero ficar tranquila.

Hospital? Não, não. Eu tenho uma saúde de ferro.

-Como quiser. -Só faltava isso.

Foi gentil, mas agora vou pegar um táxi porque...

às 18:15 tenho que estar no Estádio...

para assistir à luta de boxe...

Pelo campeonato mundial de peso médio, já sabemos.

-Posso lhe dar uma carona. -Daria uma carona? Verdade?

Saia daí.

Ouça, desculpe o transtorno.

-Eu vou com a senhorita. -Entre.

Não sei dirigir sem música.

Você deve pensar: e nem com música.

Que mulherão!

Obrigado... chegou em boa hora.

-Perdi, devo ter perdido. -Perdeu, como? Onde estava?

Aqui no bolso, não está mais. O resto está aqui.

Este é o bilhete do trem, mas o do estádio não está.

Se estava com ele, tem que achar, procure bem.

-É inútil, deve ter... -Aqui dentro não está.

Deve ter voado quando a senhora...

Digamos, quando me deixei atropelar pela senhora.

Seus amigos já entraram?

Sim, já faz tempo. A luta está para começar.

-Talvez esteja com eles. -Não, porque cada um...

estava com sua entrada. Repito: entrada número 1.

Era importante essa bendita luta?

Muito. Vim aqui exatamente para isso.

12 horas de trem. Partimos hoje, à meia-noite.

E agora?

Agora, não querendo me fazer de vítima, sou um imbecil.

Acho que vou ver a luta pela TV, em algum bar.

-Assista também. -Podia ter ficado em casa.

Um idiota, eis o que você é.

Eu que devia ter tido a sorte de ter sido atropelado.

Uma mulher boazuda, cheia de grana atropela você...

-Mas aconteceu comigo. -E você nem tirou proveito.

Em dinheiro ou em espécie, ela devia pagar você.

Repito: ela foi gentil, me ofereceu até uma cerveja.

Uma cerveja? Ela devia lhe dar uma cervejaria!

-Que golpe! -Entende bem disso...

Modestamente. Quando jovem fui lutador de boxe.

Por isso em 53 vim da Itália para os EUA. Para a Luva de Ouro.

E o que é a Luva de Ouro?

Um campeonato mundial de amadores.

Explico: eu já tinha qualidades técnicas surpreendentes.

-Que bom! E ganhou? -A Luva de Ouro? Não.

Perdi. Normalmente eu perdia. 30 lutas, 30 derrotas.

-É uma boa média. -Sim, mas... que som foi esse?

-Canto de baleias apaixonadas. -Entendi.

Na Sicília os atuns também cantam.

Faço questão de esclarecer que sempre perdi por pontos.

Só uma vez fui nocauteado. Por um polonês.

Justamente no Luva de Ouro.

-Esse gancho foi maravilhoso! -Maravilhoso!

-Boa noite, Pancho. -Boa noite.

Este é Pancho, o fiel mexicano, meu guarda-costas.

-Acreditei que fosse... -Gostou?

Quando viajo sozinha ele vai comigo, sentado ao meu lado.

Quando saio para trabalhar, eu o deixo aqui...

no meio do quarto, com uma faca enfiada nas costas.

Se os ladrões aparecerem, acham o cadáver e fogem.

Por que depois do Luva de Ouro não regressou à Itália?

Por nada. Gostei dos EUA.

Não, obrigado, estou satisfeito.

Está claro que o desafiante está em dificuldades.

Porém, demonstra grande capacidade de recuperação.

Possivelmente vão mostrar os meus amigos.

-Diga, sou achatada? -Achatada? Como?

Achatada... aqui.

Não, muito pelo contrário. Isto é, está certinho.

Me parece bem certinho.

Por que ficou vermelho?

A luta está duríssima.

Lute, senão o polonês o mata.

Mostre essa garra! Odeie, odeie.

Formidável esse gancho de esquerda.

Senhorita, foi um nocaute daqueles!

Srta. Jenny, eu me despeço sem incomodá-la.

Senhorita...

Parto à meia-noite. Se vier se despedir, pergunte por Papaleo.

P.S. Obrigado por tudo. Nunca me esquecerei.

P.S. Eles não são achatados.

-Quem são? -Vêm do oeste, da Califórnia.

-É uma marcha de protesto. -Uma procissão de protesto.

Gostei, é um protesto contra quem?

Contra todos. Até contra aqueles iguais a você, que pegam táxi.

Mas se eu não tomasse um táxi perderia o trem.

E até contra aqueles que tomam o trem.

Se quiser saber, eles atravessaram os EUA a pé.

Com uma cruz no ombro...

para se submeterem ao mesmo martírio de Cristo.

Sim, mas Cristo não carregou a cruz sobre rodinhas.

Essa é a entrada para o Estádio, não para o trem.

Para o Estádio? Verdade? Esta é a entrada da luta.

Então, no acidente, perdi a passagem de trem.

Ainda bem que não percebi. Deixe-me explicar.

Olhe quem está aqui. O senhor 'Repito, digamos assim Papaleo'.

Você não estava na luta, ninguém o viu.

-O desafiante esperou você. -Queriam até adiar a luta.

-Porque não estava lá. -Depois explico.

Vou comprar outra passagem e já volto. Desculpe, o guichê?

Não querendo incomodar, sabe que horas são?

Ei, mas aquela é Jenny. Jenny!

Desculpe minha ignorância, mas você trabalha em quê?

Nisto.

Acho que trabalha em uma tabacaria.

Se machucou? Como se sente?

Completamente Jenny!

-O senhor vai para onde? -Paraíso.

Uma para Milwaukee.

Canto de baleias apaixonadas.

Partirei à noite, linda.

Lindíssima. Uma Madonna. Uma Madonna americana.

5 e 2 são 7. 12, 17, 27. 10 para o trem.

12, despesas imprevistas e 5 para comer e dormir.

Jenny...

Então, a cidade toda está coberta com você?

Sou achatada?

Nunca na vida vi alguém assim.

Hoje eu a vi, falei com você, toquei-a, Jenny.

Ei, espere.

Não a queime.

O que foi?

-Esta é Jenny, uma amiga. -Amigos não existem.

O mundo é um pedaço de lama grudada no sapato.

Se não acredita em amizade, no que acredita?

No álcool que bebo e nas fêmeas que fodo.

Diga, transou com essa Jenny? Usou-a?

Se quiser se dar bem comigo nem pense nessas coisas.

Mesmo assim, permita-me. Rocco Papaleo.

Eu me dar bem com você? Mesmo enxergando pouco...

sei distinguir uma árvore de um cretino.

E você não tem ramos nem folhas.

-Você está me ofendendo. -Ofendo sim, mundo cão.

As mulheres foram feitas para trazer comida ou costurar?

Não, idiota, para serem jogadas na cama.

Você fala assim porque nunca teve uma amiga.

-Eu tenho uma, veja. -O que é?

-Uma bomba! -Uma bomba?

Sim, feitas com estas mãos, peça por peça.

5 kg de dinamite.

-Mas, então, pode explodir. -Deve explodir.

Há 30 anos estava na África, em uma companhia de artilharia.

Explorávamos o terreno à procura de minas.

Eis o que é o mundo: um campo minado de merda.

Cada passo pode ser o último.

Entendi que é melhor colocar as bombas e não pular nelas.

Por quê? O que quer fazer com aquela bomba?

Por enquanto, nada.

Ando e a carrego comigo dia e noite, só isso.

No meio das pessoas nojentas, me sinto seguro com ela.

Por que tem tantas pessoas dormindo ao relento?

Vai ver que o Hilton estava lotado.

As pessoas, filhas de um cão, passam por mim e me empurram.

Mas ninguém sabe que Gengis Khan carrega uma bomba...

com 5 quilos de dinamite. Não sabem, aqueles miseráveis.

-Gengis Khan? -É, quero ser chamado assim.

Ele foi um grande homem, um exterminador!

-Vamos ao barbeiro? -Não, para mama Rosa.

Ainda aqui? Você nunca erra o caminho?

Sabe que aqui você não tem crédito.

Dá um tempo, Mama Rosa, poupe o fôlego que tem.

Respeite os pagadores. Sou convidado dele, que tem dinheiro.

Desculpe, permita-me. Rocco Papaleo.

Deixa pra lá. O nome já é suficiente.

O sobrenome é só uma corrente fodida que nos amarra à família.

E a família é uma merda.

E quanto aos filhos, nem se fala. Acredite.

Um filho só lhe dá uma satisfação na vida:

exatamente 9 meses antes de nascer.

Mas antes de nascer... como?

Ah! Exatamente quando você... certo.

-Duas sodas. -Quer brigar? Dois uísques.

Mostre o dinheiro a esse infiel.

Eu estava lhe dizendo que a família é um nojo.

Sabe por que digo isso?

Veja o exemplo do meu filho: me jogou na rua...

como um cão sarnento, como um cão.

Por que ele o expulsou?

Porque a danada da esposa dele foi contar...

-que transei com ela. -Transou com ela?

Mas não disse para seu filho que não era verdade?

Mas era verdade. E a culpa foi minha?

Ela rebolava o dia todo pela casa só de anágua.

E ele devia ter ficado feliz em saber...

que o pai dele, aos 70 anos, ainda consegue foder uma mulher.

Contente, como? É a mulher dele.

É minha nora! Pra mim, ele ficou com inveja.

Vai ver a esposa disse que trepo melhor que ele.

Papaleo! O que faz aqui? Não foi embora?

Eu tenho cigarro. Me faltava o fósforo, então...

-Acontece. -Não, não parti ainda.

Tinha negócios a resolver por aqui.

Certo, fez bem. Sempre há tempo para partir.

E depois, quer comparar uma cidade como essa com...

-Onde você mora? -Kikinghorse.

-Kikinhorse? -Sim, no Alasca.

Bom, já vou, tchau.

Tem razão. Vá para a grande cidade.

Com aquele ritmo frenético contagiante que...

Obrigada.

-Por acaso quer uma carona? -Bom, na verdade...

-Pra que lado vai? -A senhora vai pra onde?

-Para o centro. -Ótimo, eu também.

Estou pronto.

Podia ter me acordado antes de ir embora.

Deixei um bilhete, escrito por mim.

Eu vi, um bilhete maravilhoso.

Principalmente o final.

Eu já cheguei. Onde você tem de ir?

Bom, vagamente, digamos que...

Acorda! Onde tem negócios para resolver?

Na verdade, não tenho nada para fazer.

Descobri, por acaso, a sua identidade.

Descobriu.

E então? Foi por isso que não partiu?

-É isso? -Sim, mas...

vou embora esta noite, é melhor.

Resumindo: ficou por minha causa.

Freios poderosíssimos.

-Eu tenho coisas a fazer. -Sim, entendo.

Mas depois...

-Quer almoçar comigo? -Num restaurante?

Sim, com caviar e champanhe. Me espere aqui.

Nem vou me mexer. Serei incansável.

17 menos 2 no Mama Rosa, menos 1,50.

Sobram 14 dólares e meio. Talvez dê.

Ei, eu pago. Você é meu convidado.

-Não reclame. -Muito gentil.

Ei, ouça.

Menino, olha a mamãe. A mamãe te chamou.

-Que tal? -Desculpe, está falando comigo?

Não me reconhece? Sou aquela que o convidou para almoçar.

-Assim fica muito legal. -Agora muito obrigada.

Como você é cretino!

Mal nos conhecemos e já me trata como se fosse da família.

-E como fico com essa preta? -Até melhor.

É verdade, fico bem. Mas não gosto.

Efetivamente, fica melhor assim, ao natural.

-Este é para você. -Para mim?

Este é para você.

-Para mim! -Sim.

O que será?

Linda, de bom gosto, a última moda. Agradeço gentilmente.

-Vou vesti-la. -Sim, vista.

Não vamos ao restaurante. Vamos para a praia.

Gosto de caminhar na areia.

Está bem, é melhor. Não estava com fome mesmo.

Antes vou dar uma paradinha.

-Vou telefonar, depois praia. -Fique à vontade.

Não devia ter ligado. Ele vai ver.

Nojento!

-Como? -Não é com você.

Desculpe, fica pra outra vez. Não iremos à praia.

Claro, não há problema. Aliás, repito: o ar do mar...

faz mal... para a minha asma.

-Sinto, mas tenho que ir. -Até logo.

-A gente se vê de noite? -Esta noite?

É até melhor. Esta noite, quando? Onde? A que horas?

-Está bom às 4? -Às 4.

Não dá. Às 4 tenho psicanalista. Fica para às 7.

Às 7 é melhor para mim.

De acordo. 6:50 na minha casa.

-Assim jantamos juntos. Topa? -6:50, definitivamente.

-Tchau, Papaleo, até de noite. -Até de noite, Jenny.

-Lembre-se: 6:50. -Serei pontual.

Fez bem, sempre há tempo para partir.

Aquela é Jenny. Eu a conheci ontem.

Hoje à noite vou jantar na casa dela.

Sorte sua.

Amanhã vou pegá-la e levá-la embora.

Pode ser uma boa idéia.

Rocky Marciano, grande!

Vai, Sugar Robinson!

Joe Lewis, grandíssimo!

Não o conheço.

Max Chemony!

Rocco Papaleo. Imbatível.

Desculpe, permita-me. Rocco Papaleo.

Sou, como diria, alguém da família.

-Que família? -A família do soco.

-Lembra-se de Kid Navarro? -Lembro, sim.

No ano em que Kid Navarro foi campeão...

eu lutei com um polonês que me impôs uma dura lição.

Os poloneses batem mesmo.

Se soubesse, há tempo não vejo uma academia...

Posso dar uma olhadinha? Recordações.

Claro, vá. Conheço um Papaleo que foi lutador.

Vai, Rocco, senão o polonês te mata.

Mostre sua garra! Tem que odiá-lo. Odeie.

Vai, vai, vai, vai tomar no cu.

Escorreguei, estou destreinado.

Mas, no meu tempo, até fui bem.

Tinha um bom gancho...

era a minha melhor arma, mas não sabia aproveitá-la.

Você tem uma pegada implacável. Entendo disso.

Você pode ter sucesso no mundo do ringue.

Não quero ter muito futuro. Quero ter muito dinheiro.

Dinheiro não é tudo. Tem a satisfação.

Por quê? Ganhar dinheiro não é uma linda satisfação?

Acha que vou deixar quebrar minha cara por amor ao esporte?

Entendo completamente a nobre arte.

Sabe por que quase todos os campeões de boxe são negros?

Possivelmente porque vocês são mais fortes.

Não, porque temos mais fome.

Indiscutivelmente, talvez tenha razão.

Vou ficar um tempo na cidade, vamos nos rever.

Nos tornar amigos, sabe como é, uma mão lava a outra.

Quer se tornar meu amigo?

Sim, por quê? Você é racista?

Ah, sim. Venha ouvir o que acha esse outro amigo meu.

Tem uma moedinha?

Me dá.

Para mim?

Existe só um sistema eficaz para resolver...

o problema dos negros: matá-los, todos.

Quem fala?

Está gravado, não está ouvindo. É serviço público.

Basta discar o número do Partido Nacional Socialista Americano.

Desculpe.

Desculpe, permita-me. Rocco Papaleo.

Prazer. Não se molhe, venha embaixo do guarda-chuva.

Gentileza sua. Aproveito com prazer.

Ainda bem que minha esposa me mandou pegar o guarda-chuva.

E pensar que há meia hora o sol brilhava.

Me deu abrigo, me pagou um café e agora me traz a um lugar com música.

Você é mais que um amigo, é um anjo azul.

Outro, em seu lugar, preferiria acompanhar uma linda moça.

Viu quantas têm aqui, dá até para contar na ponta dos dedos.

Sabe o que digo? Eroticamente falando...

a mulher negra é melhor que a branca.

Cá entre nós, tive minha primeira experiência sexual aos 16 anos...

com uma mulher negra.

Foi lá no meu país, com uma abissínia.

Ei, mas esses... só dançam com homens.

E esses também são dois machos.

Dois homens, duas mulheres. Qual a diferença entre homem e mulher?

A diferença pode ser pouca, mas nesse pouco há tudo.

No meu país, aqueles assim são chamados 'bichas'.

Eu não gosto, não sei... me dão...

Desculpe, mas... podia ter me dito que você...

-Lamento muito. Como se chama? -Phil.

Creia, Phil, sinto muito, como lhe dizer...

Não faz meu gênero. Sinto muito.

Não foi nada, imagine. Aliás, eu que peço desculpas.

Você diz que não gosta. E quem gosta?

O fato é que não somos... todos iguais.

Há aqueles que conseguem se entrosar e...

fazem sucesso justamente porque agradam às mulheres...

porque as deixam curiosas.

E há homens inofensivos às mulheres, inteligentes, espirituosos.

Mas alguns entre nós não possuem esse espírito.

Não querem gritá-lo na cara das pessoas.

Falei da minha esposa. Não tenho esposa.

Nós tentamos disfarçar...

mas as pessoas entendem e nos desprezam, nos evitam.

Não é pela humilhação, é que estamos sempre sozinhos.

Não temos ninguém com quem falar.

Ou então, ficamos com alguém sem falar.

Alguém que lhe ajuda ou que lhe pede ajuda.

E quando as pessoas faltam, falta tudo.

Concede-me esta dança?

8 horas. Ela marcou às 7. Estou aqui desde às 6.

Assim fico com mais fome.

-Ouça, Jenny... -Sim, diga.

Há solução para tudo.

Galantemente, ele a acompanha até a porta.

E então, o que há de estranho nisso?

Você é gozado. Achou que essa tal Jenny fosse virgem?

Podia ter dito que tinha namorado.

Como se diz? O silêncio vale ouro.

-Alô? -Sou eu, repito, Papaleo.

Olá.

Desculpe, foi impossível ir às 18:50 como combinamos.

É, eu esperei, mas não o vi chegar.

Estava jantando com amigos.

Aproveito a ocasião para agradecer novamente...

e dizer que parto à meia-noite.

Eu teria ficado feliz em poder me despedir de você.

Bom, são apenas 22:30.

Pego um táxi e chego rapidinho aí.

Mas como? Já está aqui?

-Bom, não quer entrar? -Rapidinho.

-Quer alguma coisa? -Não, obrigado.

-Não quer nada mesmo? -Não, não, obrigado.

Eu, ao contrário, estou de novo com fome.

-Vou fritar dois ovos. -É, ovos têm vitaminas.

-Proteínas. -Proteínas, isso mesmo.

-Então, vai partir? -Vou, às 24:10.

Ah, que pena.

Que pena!

Vai ver ela nem liga para o cara de óculos.

Mas já que está por aqui podia ficar mais alguns dias.

Quando pensa em voltar? Podia achar trabalho aqui.

Eu, por exemplo, conheço um italiano que tem um cargo importante.

Ele poderia lhe arrumar um lugar, não acha?

Adoraria. Talvez fosse...

-Não. -Como eu posso?

Não, eu entendo. Alguém o espera em sua cidadezinha.

Sim, muitas pessoas me esperam. Não são parentes, sou solteiro.

Mas... tenho muitos amigos.

Vou ficar.

-É, pode ficar? -Claro, não partirei esta noite.

Um dia a mais, um dia a menos. Como se diz: tempo é dinheiro.

Amanhã vou dar uma procurada e... o telefone.

Alô? Como? Estão loucos? Como às 8?

São quase meia-noite. Vou ter que levantar às 6!

Com que cara vou estar?

Tá bom, às 8.

Não, vou com o meu carro.

Ah, é verdade.

Estou sem o carro, eu o emprestei.

Mande me buscar. Às 7, está bem.

Terá que levantar cedinho amanhã.

Obrigada, é sempre assim.

Parece que fazem de propósito, querendo me deixar em crise.

Sabem que antes do meio-dia não consigo ficar de olhos abertos.

Justo hoje que teve um dia tão cansativo.

Escute, como sabia que eu estava sem carro?

Quando subi, reparei que não estava na porta.

Repara em tudo, hein?

Posso aproveitar e dar um telefonema?

-À vontade. -Obrigado.

Alô, Mama Rosa? É o Papaleo quem está falando.

O Sr. Gengis Khan por acaso está aí?

Quem está no aparelho? Ah, Mama...

Mas o que está dizendo? Não estou entendendo nada.

-Esses trotes me irritam. -Velho, sabe por que sou pago?

Na verdade, não. Nunca entendi isso.

Então, vou lhe contar. Para que respeitem a lei.

E sabe o que diz a lei, velho?

Que os cidadãos são todos iguais...

e que policiais são piores do que os outros.

A lei também diz que os velhos alcoolizados e sem teto...

sem meios para sobreviver e perigosos para si e para os outros...

devem ser trancados no asilo. Para isso, basta uma denúncia.

Arruma-se uma denúncia... do seu filho.

Não, mesmo sendo um cafajeste...

não se prestará a essa sujeira. Não assinará nunca!

Verá que saberei convencê-lo, velho.

E depois, é para seu próprio bem. Você é velho.

-E está ficando cego. -Não diga essa palavra!

Não é verdade, é uma calúnia. Eu enxergo muito bem, olhe.

Posso fazer qualquer coisa sozinho, como todos os outros, vê?

Não preciso de ninguém. Enxergo melhor que você, homem da lei.

Posso viver sozinho, fazer tudo sozinho, sozinho, sozinho.

Porque eu enxergo bem!

Você está cego, velho.

Hoje vê menos que ontem e amanhã verá menos que hoje.

E sabe bem disso. Por hoje fica assim.

Mas eu juro: vou arrastá-lo ao asilo com as minhas mãos.

Entende, velho? Para o asilo!

Asilo!

O que aconteceu?

O que aconteceu?

O bastardo disse que estou ficando cego mas não é verdade.

Deixe-o no chão, vai cair de novo!

Eu não tenho catarata. A verdade é que...

aquele filho da mãe quer se vingar.

Se vingar? Do quê?

-O que fez para ele? -Eu? Nada.

O fato é que aquele porco explorava uma moça...

obrigando-a a se prostituir.

-O policial? -É, ele.

E não é o único. Há vários assim.

Se ela não lhe dava o dinheiro, apanhava pra valer.

Uma noite, encontraram-na sangrando na calçada...

e na manhã seguinte, alguém denunciou o policial ao capitão...

e depois ajudou a moça a partir para outra cidade.

Quer saber de uma coisa?

Aquele animal botou na cabeça que fui eu!

-E foi você? -Sim.

Fui eu, por isso jurou se vingar.

Vai ver se meu filho assina aquela denúncia fodida...

para me internar, mas para o asilo eu não vou! Não vou!

Prefiro mil vezes perambular na rua...

do que ficar com aqueles velhos cagões que borram as calças.

Não, você não deve ir. Isso seria um absurdo.

Não, eu não vou. Sei o que tenho que fazer.

Sim, eu conheço. Já me mostrou, agora feche.

Lembre-se: o que tiver que ser, será.

Ninguém me procurou?

Sim, um tal de Onassis.

-Linda, você paga a bebida? -Vocês me dão pena.

Os jovens se realizam com as motos. Os velhos, com o vinho.

Para as mulheres agora, só as lésbicas.

Vamos, seus molengas! É capaz que amanhã não consigam mais.

Ah, esta é Linda. Uma puta e tanto. Daquelas!

Desculpe, permita-me. Rocco Papaleo.

Prazer. Permita-me, Linda.

Permita-me, Linda.

Prazer, permita-me.

Por favor, sente-se, senhora.

São duros como o mármore. Toque-os.

-Não quero. -Toque para ver.

-Posso tocar? -Claro, à vontade.

Dá gosto encontrar alguém que sabe apreciar.

Mármore. Duros.

Não disse? Se soubesse o quanto ela é boa!

Conhece mil truques. É uma verdadeira profissional.

É como uma professora: sempre há o que se aprender.

Sim, sabe, tive muitos alunos.

Em suma, é uma espécie de escola noturna.

E nem é interesseira. Dá crédito.

Se você não tem dinheiro, assina.

Não é como essa sanguessuga que quer o dinheiro antecipado.

Ela não paga nada por aquilo que oferece.

Eu, ao contrário, tenho que comprar o uísque.

Eu pago, doçura, tome. Dê-lhe o dinheiro, sim?

É casado?

Bom, como dizer? Não.

E como faz quando está com vontade de fazer amor?

Lá onde moro, tem uma mulher que passa a cada 15 dias.

Uma tal de Betty, conhece?

Não creio que a conheça. Nos EUA somos muitas.

Cuidado, Linda! A polícia está à procura de uma menor.

Romanticamente falando, ela é o máximo.

Só cobra um dólar porque somos muitos, entendeu?

Entendi. E entendi também que você...

não é o homem que irá me enriquecer.

Mas às 4 da manhã, não devemos desprezar nem mesmo um dólar.

Vamos.

Ouça, Jenny, há solução para tudo.

Venha.

Não, não posso.

É verdade, é muito gentil mas... não sei como dizer.

E depois tem ele. Não podemos deixá-lo assim.

Até amanhã ele não precisa de mim nem de você nem de ninguém. Vamos.

Sim, sim, está bem.

Sabe o que eu fiz? Adotei uma linda menina.

-Sabe qual é a cor dela? -Negra!

Ninguém a recrimina por ter uma mãe puta.

Mas todos me recriminam porque tenho uma filha negra.

Já chegamos.

Com licença.

Veja, amor, este senhor é amigo da mamãe.

Mostre ao senhor o que sabe fazer.

Mas eu pensava que ela fosse uma criança.

É uma criança. Só tem 14 anos.

Se visse os peitinhos dela. Não se compara aos meus.

Levante a camisola.

Não, não repito. Já chega.

Mande-a dormir, coitadinha.

Claro, vamos levá-la para a cama conosco.

Aliás, vou colocá-la bem no meio, assim não cai da cama.

Conosco? Não. É muita gentileza, mas por favor não. Não quero.

Por quê? Você é racista? Não dorme com uma negra?

Mas se fosse branca, as coisas não mudariam.

É que... ela é jovem demais.

Me parece uma qualidade, não?

Mas tão pequena e você a manda com os homens?

Ouça, se fosse costureira, eu lhe ensinaria a costurar.

Enfim acordou!

O que aconteceu? Onde estou? O que houve?

O que tinha que acontecer.

O rio vai para o mar e o lobo, para a ovelha.

Qual ovelha? O lobo foi para qual ovelha?

Para a ovelha negra, a mais jovem, a mais tenra.

Os lobos gostam dos cordeirinhos.

Cordeirinhos? Não, não é possível, não pode ser. Não!

Sim, ela ficou muito feliz.

Já foi comprar uma roupinha com os 20 dólares que lhe deu.

O que foi?

-Eu dei 20 dólares? -Sim, foi muito gentil.

Mas 20 dólares é tudo que... tudo que... eu tenho.

-Que tinha. -Não, que eu tenho.

Não, não, que tinha.

Mas não se preocupe, foram mais que suficientes.

20 dólares. 20 dólares para a ovelha.

O lobo? Que lobo?

É verdade, não estão mais aqui.

Até o dinheiro do trem. O que faço agora?

É bom ser generoso com menores de idade, assim elas não falam.

Senão, pode acabar metido em sérias encrencas.

Mas eu, honestamente, não me lembro de nada.

E depois, 20 dólares são... como dizer, a gota d'água.

Nosso trabalho é diferente dos outros.

Paga-se mais às novatas do que àquelas com 30 anos de serviço.

Talvez seja melhor assim.

O destino quer que fique nesta cidade.

Você tem que ser uma gazela, não um rinoceronte.

Uma gazela. Vamos logo. Está bom.

Me dê a outra máquina.

Bom, bom, sim. Anda.

Até que enfim! O roupão!

O que vão fazer?

Desligue o ventilador. Desligue as luzes.

Preparem o aparelho.

Um café?

Puxa, que dureza o seu trabalho.

Mas essas tomadas não podiam ser feitas no verão?

Talvez no verão a mandem trabalhar com roupa de neve.

Ah, bom dia, senhorita.

Permita-me. Rocco Papaleo.

-Como sabia que estava aqui? -Ontem à noite...

ouvi você falar sobre a praia.

Então, vim até aqui para falar daquele seu conhecido italiano.

A pessoa importante, porque tenho um tempo livre...

e gostaria de encontrá-lo e falar com ele.

-Quem? -Meu compatriota da exportação.

Ah, sim, Boca de Ouro. Vai até Boca de Ouro.

Danda, me dê um papel.

-Que incômodo, não tenho pressa. -Não, é melhor você ir logo.

Quem pensa que é, Ettore Scola?

Obrigado.

Um pedaço da Sicília vem beijar a testa do filho distante.

Fale, fale, de onde você é?

Falando francamente, sou de Pagliana.

Pagliana, província de Palermo. Ah, Itália, a Itália.

É como o primeiro amor, não se esquece nunca.

Se me dissessem: pode voltar à Itália mas precisa perder um olho.

Sabe o que eu faria? Diga, diga.

Voltaria para a Itália?

Nunca, com os olhos não se brinca. Só tenho dois.

-Se me permite, fico com eles. -Certo, certo.

Estou nos EUA e me dizem para escolher um lugar para viver.

Sabe o que eu faria? Diga, diga, diga.

Voltaria para a Itália.

Não, iria para a Suíça. Aquilo sim que é país civilizado e tranquilo.

Fora isso, sabe o que tenho no coração? Diga, diga...

-Bem... a Suíça... -Não.

-Os EUA? -Não.

-A Itália. -Bolas, é difícil entendê-lo.

Em que outro lugar encontra pessoas, música, terra, sol, aquela...

Aquela lua.

Não, aquela fome! A fome é um sentimento indispensável...

para a formação de um povo.

A fome desenvolve a inteligência, a fantasia, o amadurecimento.

É mesmo. A fome faz bem mesmo.

Quando estou com um italiano sinto-me 10 anos mais jovem.

Sabe quantos anos tenho? Vamos, diga um número.

-52. -63, no mês passado.

Rocco Papaleo, sabe o que digo? Sinto-me um meninão, entende?

Eu posso fazer tudo, entende? Andar, correr, tudo mesmo.

-Diga. -Entendi.

Mas vamos ao que interessa. Está desempregado?

Sim, momentaneamente.

Eu tenho 200 funcionários, poderia dizer: venha trabalhar amanhã.

Amanhã, não, agora, imediatamente.

-Sim, estou pronto. -Mas não digo.

Sabe por que? É impossível trabalhar com italianos.

Falam muito, se zangam, exageram, fofocam e são nervosos.

-E são todos ladrões. -Não são todos assim.

Nem todos, somente aqueles que foram paridos por uma mulher.

Explico, quer comparar com a seriedade dos americanos?

Aqui, só quero americanos trabalhando para mim.

Aceito até os negros, só que pago meio salário.

Certo, os americanos são mesmo melhores.

Vê como concordamos? Por isso, mesmo sendo patrícios...

me vejo na obrigação de dizer não.

Diga à Srta. Jenny que se precisar de mim, estou à disposição.

É uma grande mulher, acredite.

Eu nunca nego ajuda, por isso tome. Beba à minha saúde.

Até logo, gostei de você, e lembre-se: viva a Itália!

-Quem é? -Desculpe, me enganei.

Papaleo! Entre!

Não... estava passando e vi que esqueceu as chaves no painel.

Obrigada, já que subiu acidentalmente, entre.

Não, obrigado, está com visitas, não quero...

Este é Papaleo, de quem tinha falado.

Permita-me. Rocco Papaleo.

Se não me der 100 dólares, me mato.

O ato sexual é uma coisa...

Tem os que procuram um jeito para não trabalhar.

Serviriam uma pílula para o controle de natalidade dos operários.

Vamos tirar um sarro com o italiano.

Vamos.

A Jenny disse que tem uma voz bonita, é verdade?

Cante alguma coisa.

Raio de italiano que não sabe cantar.

-'Funicoli, funicolá'. -'Al di lá'.

Cante para mim.

Maravilhoso.

Ah, se Modugno ouvisse. Parece o Caruso.

É até melhor.

Tchau, menina, gosto de você.

-Cante outra. -Não repita, se não ele canta.

Ouça, poderia mandar você cantar. Todavia, lhe abraço.

Se continuar me gozando na frente de Jenny...

vai pagar caro pelo seu jogo sujo, não importa o que aconteça.

Arrasto você daqui e arrebento sua cara, entendeu?

Agora vamos voltar tranquilamente e não comente nada.

-Não é verdade, Nick? -Verdade.

Agora que vai ser um rapaz educado, vou dar outro conselho.

Deixe a Jenny em paz, entendeu?

Você é um porco, como pode enfiar a língua na boca daquela senhora?

O que você quer que faça? Aquela é a minha esposa.

Tchau, querida.

Tchau, muito obrigada. Boa noite.

Boa noite para todos.

Jenny, cuidado com o Nick.

Por quê?

-O Nick é casado. -Não!

Com a ruiva.

Ela deveria ter complexo dos seios, não é o seu caso.

Desculpe, tinha que falar porque somos amigos.

Como se diz? Olho por olho? Agora vá deitar e não pense nisso.

-Durma bem. -Obrigada.

-Não dê importância. -Boa noite.

Boa noite, Jenny.

Não há outros lugares? Tinha que ser justamente aqui?

Querem tirar minha licença? Fora daqui vocês dois.

Estava caminhando sozinho, nem os vi.

O que eles queriam de mim?

Quem eram?

Quem eram, ainda não entendeu.

É tão fácil! Eram 4 negros fodidos que caçam os brancos.

Ou 4 brancos fodidos que agridem os brancos...

para depois culparem o poder negro.

Ou 4 árabes fodidos que pensaram que fosse judeu.

Ou 4 judeus fodidos que pensaram que você era árabe.

Para mandar para aquele lugar.

Ou 4 porto-riquenhos bêbados, ou 4 policiais fodidos...

querendo mostrar às autoridades que está na hora de usar tanques...

contra os porto-riquenhos, árabes, judeus e negros.

Foi isso, é tão fácil.

Ou então, 4 bichas fodidos que gozam dessa forma.

Ou 4 drogados fodidos, ou 4 patrícios fodidos da sua máfia.

Ou 4 marinheiros fodidos de folga, querendo manter a forma.

Foram eles, é fácil. Não entendeu ainda?

Não, agora chega, entendeu?

Você é um velho fodido, não quero ouvir mais nada.

Não é verdade o que você disse.

Não se massacra um homem sem motivo.

Vai saber quem eles estavam procurando?

Diz isso porque está no fim. Porque é velho e cego...

e tem ciúme deste mundo que cresce enquanto você morre.

Não. Estava escuro. Não vi nada. Tinha saído da casa da Jenny.

-Quem? -Uma amiga.

Se quiser, pode telefonar e confirmar.

O senhor conhece Jenny?

Não, mas conheço este outro, você o conhece, beleza?

Não tive o prazer, quem é esse senhor?

É o Presidente honorário da Associação Filantrópica Internacional...

de Incentivo e Tráfico de Drogas, Narcóticos e Similares.

Ouviu, Duquesa, esse cavalheiro disse que não a conhece.

Por acaso deixaram-no assim no mesmo lugar em que o achamos.

-Aceita um cigarro, capitão? -Não fumo.

Sim, conheço. Foi ele que colocou o pacote no meu bolso.

Mas que pacote?

Não se preocupe, a duquesa sabe que tenho o vício de não acreditar nela.

É mesmo um péssimo vício.

O seu é lindo.

E esse outro tipo, você conhece, beleza?

Não, não.

Não se lembra de mim? É o anjo azul. Até dançamos juntos.

E ele dança bem?

-Mas por que o prendeu? -Adivinhe.

É verdade que é meio veado, mas não faz mal a ninguém.

Explico: só faz isso porque se sente só.

Nós iremos lhe fazer companhia.

Pense em você beleza, e volte para sua vinícola no Alasca.

Antes que me afeiçoe a você. Olhe, beleza, não sou veado.

Foi muito gentil, obrigado. Capitão, até logo.

Não tenha pressa, se despedirá de mim amanhã de manhã.

Amanhã?

Como não tem onde dormir, será hóspede do governo americano.

Desculpe, o que significa ser hóspede do governo americano?

O senhor quer dizer que eu... Mas o que foi que eu fiz?

Posso dar um telefonema rápido?

Para quem? Jenny?

Não. Não conheço nenhuma Jenny.

Cante para mim.

Comunicado urgente.

-Até logo, vá dormir. -Boa noite.

Jenny.

Não, até aqui. Não aguento mais. Chega! Há limite para tudo!

Não larga do meu pé, parece um gato de casa. Não é possível.

Encontro você em todos os lugares.

Liga todas as horas, aparece como se fosse um cobrador...

no trabalho, quando como, durmo, faço amor...

na cozinha, no restaurante, no portão...

até no banheiro do cabeleireiro.

Aparece na minha frente como se fosse um fantasma.

É uma perseguição!

Jenny, mas eu sempre pedi.

Sei que gentilmente sempre pede licença.

E eu sempre deixei gentilmente entrar.

E agora gentilmente peço para desaparecer. Cansei.

Me encheu. Urgente, quero comunicar uma revelação importante.

Que em algum lugar estão montando outro outdoor meu?

Que estacionei o carro em lugar proibido?

Ou que o pneu murchou? Ou a meia está furada?

Diga, que revelação urgente?

Nada.

Nada. Você bem disse, não temos mais nada a dizer.

Ou quer dizer que o Nick é casado?

Você quer casar com ele? Acha que eu não sabia?

Você sabia? Então por que fugiu quando falei? Me gozou.

Posso saber em que raio de mundo você vive?

Claro que é casado, a esposa sabe que ele dorme comigo.

E ela dorme com um cara que antes dormia comigo.

E que eu apresentei. Pedi para ir embora, não ouviu?

-Só queria tirar os vidros. -Rocco, vá embora.

Me chamou de Rocco pela primeira vez.

Sim, agora vá.

-Te vejo amanhã, Jenny. -Nem amanhã, nem nunca. Nunca.

Tinha que me levar à praia. Você prometeu.

Não é possível.

Mas o que faz, não vê que assim fere as pessoas à sua volta?

Sim, mas não é importante.

Esse frango é muito bom, Papaleo.

Mas é meio ruim, tem muito sal, Papaleo.

Em suma, Papaleo, esse frango está um nojo!

Sim, é verdade. É nojento, porém é bom, ótimo.

Você sempre diz sim!

Sim, honestamente, é verdade.

Se tivesse atropelado o presidente dos EUA teria me saído melhor.

E teria sido melhor para todos. Mas quem é você?

Desculpe, permita-me. Rocco Papaleo.

Já entendi como se chama, mas não entendi o que quer.

Rocco Papaleo, o que quer?

Quer ser ressarcido? Quer dinheiro? Quanto?

Ou então, quer transar comigo? Então, vamos.

Vamos acertar essa conta de uma vez por todas.

Quer fazer amor comigo? Estou pronta.

Está bom assim? Mexa-se, se é isso que você quer.

Jenny paga sua dívida de gratidão. Depois cada um segue seu caminho.

Aproveite, ande. Esta noite estou disposta a dar até pra você.

Onde prefere? No quarto ou aqui no chão? Ou na cozinha?

Impotente! Eis o que é! Com as mulheres e com os homens.

Olhe ao que o reduziram. Perdeu todas as lutas no ringue...

e continuará perdendo sempre, até na vida.

Jenny, eu pensava que fôssemos amigos.

E por que eu seria amiga de alguém como você?

Porque, como dizer... você é a única pessoa boa que encontrei.

Boa? Sua amiga? Mas se eu odeio até a mim mesma!

Olhe, olhe aqui. Duas vezes eu tentei.

Duas vezes... mas me dei mal.

E você considera boa alguém que... para chegar onde, afinal?

Alguém que faz olhos de puta para vender mais cigarros.

Uma que dormiu com metade das pessoas dessa cidade.

Com as pessoas importantes e até com as que não valiam nada.

Porque nunca se sabe...

E até com uma mulher! A esposa de um chefão da TV.

Sim, uma mulher. E nem foi tão ruim.

Não, não é verdade. Repito, não é verdade, Jenny.

-Sim, é verdade. -Diz isso para me ferir.

Para se machucar. Não, não acredito.

-Não é verdade, Jenny. -Cale-se, não sorria.

Eu te odeio, Cristo, te odeio!

Vá embora, Rocco.

Entrou, olhou ao redor, e assim que o vi disse-lhe:

Tenho uma denúncia para sua internação, assinada por seu filho.

Gengis Khan levantou e gritou: não, não vou para o asilo.

Ninguém pode me obrigar, nem um policial, nem um filho bastardo.

Não sou cego, eu enxergo. Enxergo muito bem.

Verdade?

Prove isso, velho.

Prove.

Antes de morrer disse: dêem isso para Rocco.

-Eu tenho uma amiga: veja. -E o que é?

Bomba.

-Bomba? -5 kg de dinamite.

Mas... mas então pode explodir.

5 kg de dinamite. Tem que explodir, deve explodir.

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.