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Ei! Tem um barco aqui!
Sente-se aqui embaixo.
Precisamos descer, eles ainda estão aqui.
Tudo bem.
Aqui, vamos.
Venha.
Vamos.
Venha.
Vamos.
Temos que ir rápido à delegacia.
Olá.
Esse é meu amigo, o Trepa.
Essa é a Ani.
Sente-se.
Vou fazer um chá, certo?
- Eu quero a minha mãe. - Eu sei.
Vou levar você até ela.
Primeiro pegarei algo para você beber.
Por que roubou meu carro?
Sinto muito.
É cada uma...
Sinto muito, não tive escolha.
Eu não podia informar, colocaria todos em risco.
Temos alguém vazando informações na delegacia.
Por que não confiou em mim?
- Porque teria informado. - Não percebeu?
Eu só livro você de encrenca.
Até agora, ninguém sabe que bateu o carro bêbada.
Eu não tenho energia para suas maluquices.
Por que foi buscar a garota sem reforços?
Por quê?
- Sabe de quem ela é filha? - Sou todo ouvidos.
Do Wiktor Molski.
Então, terei que interrogá-la.
Você decide se vem ou não.
Tudo isso é para sua segurança e de sua mãe, certo?
Está com fome? Não?
Pizza? Pão de massa de pizza? Milkshake de morango?
Tudo bem, se ficar com fome, avise.
Podemos começar?
Hoje é dia 28 de janeiro de 2023.
Estamos na delegacia de Szczecin, são...
Oito e doze da manhã.
Diga seu nome, de onde você vem e quantos anos tem.
Meu nome é Ani.
Sou da Bielorrússia.
Minha mãe e eu morávamos em Minsk.
Tenho 12 anos.
Como veio para a Polônia?
Minha mãe e eu estávamos fugindo da polícia.
Minha mãe disse que encontraríamos meu pai.
Por isso fala tão bem nossa língua?
Meu pai é polonês.
Eu fiz aulas de polonês.
Qual é o nome do seu pai? Quando o viu pela última vez?
Wiktor Molski.
E faz muito tempo.
Acho que mais de dois anos.
Eu não me lembro.
A mamãe trabalha para ele.
O que sua mãe faz?
Ela encontra gente para limpeza e manda para a Suécia.
Eu sei que é difícil.
Tiveram que fugir da Bielorrússia com outras mulheres no contêiner?
Como saiu do contêiner? Quem libertou você?
Eu estava muito doente.
A viagem foi muito longa.
Minha mãe pediu ajuda.
Finalmente, um cara jovem abriu o contêiner.
Veja essa foto.
Foi esse homem?
Foi.
A testemunha reconheceu Oliwier Galewski.
E o que aconteceu?
A mamãe pediu para ele nos ajudar.
Mas ele só quis me levar.
Ele me carregou para o carro.
O Pawel estava lá.
Esse é o Pawel?
A testemunha reconheceu Pawel Lanski.
O Pawel me levou para longe de lá.
- Para a casa onde achei você? - Não.
Primeiro, ele me levou para outro lugar.
O Pawel se encontrou com um homem lá.
O homem
ficou gritando com o Pawel, ele estava empurrando.
Zawieja, um minuto?
- Pause um pouco. - Certo.
Já volto, certo?
O que a filha dele fazia no contêiner?
Não sei.
Onde a encontrou?
Pawel Lanski estava com ela
em uma casa de campo.
Foi onde a encontrei.
A garota acabou de dizer
que Pawel ajudou o Oliwier a tirá-la do contêiner,
que a colocaram em um carro e levaram a um local onde ela viu
o Pawel brigando com alguém.
Ela pode identificar a pessoa?
Eu tenho uma ideia.
Traga-me algo concreto.
- Gosta de pizza? - Gosto.
Ani, podemos voltar para nossa conversa?
Você disse que o Pawel levou você de carro
e que não foram direto à casa onde encontrei você,
mas foram para outro lugar e Pawel discutiu com alguém.
- Isso. - Consegue descrever o lugar?
- Lembra de algo? - Tinha muitos barcos
e um grande hangar.
- Barcos pequenos e um hangar grande? - É.
Pode olhar essas fotos?
Talvez consiga lembrar-se de algo.
Sim, o lugar é esse.
Nosso carro estava estacionado aqui.
Devemos mostrar para ela o vídeo que o Galewski mandou?
Certo.
Pode dar uma olhada nisso?
Sim.
Foi essa a briga e esse era o homem empurrando o Pawel.
Tenho certeza, o carro estava bem perto.
Se for verdade, quer dizer que Galewski mentiu para nós
e mandou a gravação de outro dia.
Certo, vou verificar os metadados da gravação.
Obrigada, Ani, você ajudou muito.
- Quando vou ver minha mãe? - Logo, prometo.
- Aneta? - Sim?
Alguém precisa ficar aqui, ela não pode sair.
- Se precisar ir ao banheiro, vá junto. - Certo.
Eu sei.
- Pode tirar as algemas, por favor? - Posso.
- Café? - Não, obrigado.
Para sua sorte, ela está bem.
Não sabia que o Oliwier era tão importante para você.
Sinto muito por sua perda.
Sua família sabia do relacionamento?
Entendo que tiveram que manter segredo.
No meio do meu pai e nas docas, não teríamos muita compreensão.
Sua mãe sabia?
Sabia.
Sei que seu pai obrigou você a assumir a culpa
e dar o depoimento mentiroso.
Mas sua mãe confirmou
que seu pai obrigou você a assumir a culpa.
Então, se testemunhar contra seu pai,
pode derrubá-lo de uma vez por todas e livrar-se dele.
Entendeu?
Na noite que Oliwier morreu,
meu pai ligou avisando que outro carregamento chegaria.
O Oliwier tinha licença para operar o guindaste.
Era quem eu confiava mais.
Pawel.
Você sabia que estava participando de tráfico de pessoas?
Eu sabia que era contrabando.
Cigarros, equipamentos, carros.
Mas o Oliwier abriu o contêiner
e viu que havia mulheres lá dentro.
- Certo? - É.
Eu fiquei muito bravo com ele.
Nós brigamos.
O Oliwier implorou para eu ajudar a garota doente e tirá-la do contêiner.
Ele disse que só terminaria o serviço se cuidássemos dela.
Decidimos levá-la ao estaleiro do Galewski.
E esperar até o Oliwier terminar o carregamento.
Dê uma olhada nisso.
O Oliwier disse que lá estaria vazio e poderia pensar no que fazer com ela.
Quando entrei, vi Stanislaw Galewski totalmente bêbado, ele me atacou.
Por quê? O que ele disse?
Não sei, falou enrolado.
Ele me chamou de "viado do caramba".
Então, ele não sabia que eram um casal?
Ele não podia saber, não teria aceitado, então...
- Mas, naquela noite... - Ele deve ter descoberto.
Foi por isso que me atacou.
Trepa, a casa está segura, a perícia está lá.
Trouxemos seu carro, está no estacionamento.
- Legal, obrigado. - Claro.
Aqui está.
Quando mostrei as fotos do estaleiro para Ani,
ela confirmou que era o lugar onde Pawel a levou.
Então, a briga que ela viu
foi entre Pawel e Stanislaw Galewski.
Motivo?
Ele estava furioso,
pois tinha descoberto que o filho era gay.
Sim, Pawel e Oliwier eram um casal.
O Galewski ficou maluco.
Bingo!
O vídeo do Sr. Stanislaw foi gravado na noite que o Oliwier morreu.
Dez e meia da noite.
Certo, o Galewski saiu do estaleiro depois da meia-noite.
O que fez lá por quase duas horas?
Acho que ele foi falar com o filho, furioso.
Acho que faz sentido, mas é tudo circunstancial.
Vá falar com o Galewski.
- Se ele confessar, podem prender. - Vamos, então.
Está mentindo para mim.
Não sei
do que está falando.
Está começando a me irritar de novo.
Por que queimou sua propriedade?
Pelo seguro?
Por que quis me enganar e jogar a culpa nos Lanski?
Eu não fiz nada disso.
Escondeu a data do vídeo de segurança e entregou evidências falsas.
O que está escondendo? Sou toda ouvidos.
Podem me prender, o que vocês querem? Não aguento mais!
Na noite de 22 de janeiro, você falou com Maria Lanska, certo?
Ela contou que Pawel e Oliwier eram um casal, não?
- Sim. - E não conseguiu suportar.
Quando Pawel chegou, você o atacou e usou a gravação contra ele,
é isso?
Sabia que o Pawel não machucaria o Oliwier
e o Oliwier faria tudo pelo Pawel.
- Por que quis incriminá-lo? - Porque meu filho não era assim.
Sabia que seu filho trabalharia para os Lanski naquela noite?
Nas docas?
Eu estava bêbado.
Eu queria conversar com ele.
Ele não me escutava, não tinha tempo, nunca me levava a sério.
Eu nunca fui um modelo para ele.
Eu só queria o melhor para ele,
- explicar tudo para ele. - E você foi?
Foi encontrar o Oliwier na doca para falar com ele ou não?
Oliwier!
Quando desci do barco,
eu logo o vi.
Tudo bem, só me conte,
com calma, tudo que lembrar.
O que você está fazendo?
- Eu vou pegar você! - Calma!
Está saindo com macho agora? Que merda!
Quando cheguei ao local, o Oliwier ainda estava vivo.
Se não estivesse naquele estado nem tivesse ficado lá,
ele poderia ter sobrevivido.
Detetive Trepa, polícia de Szczecin.
Sr. Galewski, é meu dever informar
que você está preso
por suspeita de homicídio
e por negligência
de Oliwier Galewski. Você tem direito de ficar em silêncio
e chamar um advogado.
Um segundo!
- Quem é? - O zelador do prédio.
Vim verificar a água.
Janek!
Hania, esconda-se!
Oi, linda.
Você vem comigo.
- Posso colocar os sapatos? - Pode.
Quem é minha menina querida? Minha doce filha?
Nós vamos ao parquinho hoje?
Vamos, vá se trocar.
E vamos ao cinema.
Depois vamos comer.
Vamos ficar bem.
E também faremos uma viajem maravilhosa.
E amanhã, escola, ficaremos bem.
Não é? Agora vista a jaqueta.
NÚMERO PRIVADO
Alô?
Gostou da foto?
Estou com sua filha e você com a minha.
Em uma hora, será informada sobre quando e onde faremos a troca.
Eles não atendem.
Estamos quase chegando, eles estarão lá, não se preocupe.
Merda.
Mãe.
Mãe!
Espere, aqui.
Janek?
Janek?
- Levaram a Hania! - Machucaram você?
- Não. - Bateram em você?
Faça alguma coisa! Eu abri a porta. Salve-a!
Não foi por mal, e agora?
- Vou trazê-la de volta. - Certo.
- E o Janek? - Machucou a cabeça.
- Vou pedir ajuda. - Espera, não.
- Hania! - Não ligue, espere.
Temos que fazer como ele quer.
Não temos escolha.
Preciso trazer a Hania de volta.
Então, faremos assim.
Farei um curativo nele e já vamos.
Obrigada.
Pare aí.
Enquanto meu marido estava preso,
eu e meu filho tínhamos a transportadora, um negócio legítimo.
Quando meu marido foi solto,
ele foi forçado a cooperar com Wiktor Molski,
para que o Molski pudesse organizar livremente
o tráfico de pessoas.
- E de drogas. - Detetive?
Parabéns por resolver o caso.
Se tivesse seguido o protocolo,
talvez teríamos resolvido o assassinato antes e sem complicações.
Vocês terminaram aqui.
Graças ao depoimento da Sra. Lanska, a promotora poderá prender o Molski.
Obrigada, tomara que dê certo.
Com licença, chefe, podemos conversar?
Bom trabalho, parabéns.
Ele sabe que estamos com a filha do Molski?
Eu não contei.
Temos que levá-la de volta para a mãe no centro de detenção.
Posso fazer isso? Ela confia em mim.
Eu prometi pra ela, sabe?
Tudo bem, vá.
Obrigada.
- Está tudo bem, ela dormiu. - Obrigada.
Oi, Ani.
- Precisamos ir. - Ver a mamãe?
Eu conto tudo no caminho.
Está pronta?
Entre.
Tenho a localização.
Quarenta minutos.
Ani, escuta.
Não vamos até sua mãe.
Vai encontrar seu pai.
Por quê?
Porque seu pai quer muito
- ver você. - Quero minha mãe!
Faça o que a Kasia mandar.
Vai ficar tudo bem.
Você mesma disse que seu pai quer ajudar você, certo?
Então, primeiro verá seu pai, depois sua mãe encontrará vocês, certo?
Certo.
Por que ainda estou aqui?
Sente-se, já vai descobrir.
Sente-se.
Vamos.
Seu filho mudou o depoimento.
Agora ele diz que todo o acordo com o Molski foi ideia sua
e organizavam tráfico de pessoas.
Mentira.
Ele confessou que embarcou um contêiner cheio de mulheres no navio
e escondeu da polícia por ordens suas.
Ele vai pagar fiança e testemunhar para a promotoria.
Você está louco?
Também temos depoimentos detalhando
seus encontros com Molski com datas, horários e lugares específicos.
Além da transcrição de todas as conversas.
Como?
Estamos com os documentos e notebooks que estavam no seu porão.
A Maria entregou?
O que ela ganha com isso?
Prometemos uma vida sem você.
Ela vai entregar tudo.
Você passará a vida na cadeia.
Sr. Lanski, está sendo acusado de tráfico de pessoas
e de auxiliar imigração ilegal.
Está em prisão preventiva, aguardando julgamento.
Podem levá-lo.
Venha.
Vamos.
Parem!
Elas podem andar sozinhas.
Você é muito corajosa.
Sinto muito, agora vá com seu pai.
Hania!
Acabou, estou aqui.
Vai ficar tudo bem.
Chefe, eles estão aqui.
Zawieja!
Viu como é fácil quebrar você? É boazinha demais.
Não venha atrás de mim ou vai acabar como Radwan e seu marido.
Perdão, não tive escolha.
O que vocês fizeram?
Estão felizes agora?
Vocês nunca vão se livrar de mim, ouviram? Nunca!
Quer dizer algo em sua defesa?
Ele sequestrou minha filha.
Então, é tão ruim quanto imaginei.
Você passará pelo comitê disciplinar pelo que fez.
Sim.
- Zawieja, sinto muito, mas... - Vou facilitar.
Eu quero ajudá-la a sair.
Você terá que apoiar o pedido de asilo dela.
O quê?
Kasia,
por quê?
Ela vai procurar a filha, é a última pessoa
que pode me levar ao Molski.
Certo, eu topo.
Eu vou ajudar você.
Fácil assim?
Não vai reclamar?
- Não. - Não vai me mandar deixar para lá?
- Não parece você. - O que posso fazer? Nada.
- Não é mesmo? - Até parece.
Eu não tive escolha.
O Molski ameaçou minha filha, tive que entregar a Ani.
Eu entendo.
Na verdade, ele não é um pai ruim.
Eu conheci há alguns anos, quando trabalhava
como prostituta.
E me apaixonei por ele.
Sabia que ele traficava pessoas?
Sabia.
E a polícia da Bielorrússia estava atrás de você?
Eu sei que devo ser punida pelo que fiz na vida,
mas, por favor, não me mande de volta à Bielorrússia.
Não se preocupe.
Vou ajudar você.
Certo?
Precisará pedir asilo.
Eu vou apoiar.
- Certo? - Obrigada.
Dê aqui.
Obrigada, espera.
Marinheira, pode subir.
Pule!
- Você vai com a gente? - Não, é o cruzeiro das meninas.
Fica para a próxima.
- Tudo bem. - Toca aqui.
Então...
Estará aqui quando eu voltar?
Depende de quais são seus planos.
Alguns dias, talvez um pouco mais.
Que tal você me ligar? E eu venho.
Pode passar a corda?
Claro.
Por que está rindo?
- Partimos! - Vamos lá.
Cuidado!
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