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ZONA DE RISCO
Se você está contente bata palmas
Se você está contente bata palmas
Se você está contente e quer...
Amor, não tão alto. Vai acordar a mamãe.
É aqui.
-Não saia do carro. Está um gelo. -Como vai?
Se não soubesse quem você é não te reconheceria.
-Talvez porque já faz alguns anos. -Só alguns, 35. Bem-vindo.
Eusebio, o guarda. Minha esposa, Cláudia.
-Bem-vinda, senhora. -Essa é minha filha Julia.
Como está, senhorita? Gosta do interior? Vai gostar daqui.
Estou congelando aqui. Não estamos longe, mas a estrada está ruim. Tenha cuidado.
Eusebio é gente boa. Ficaremos bem aqui, meu amor.
Um tesouro.
Não tem casa melhor aqui em San Pedro. O barco também é para você.
A calefação está ligada desde de manhã.
Já falei com a Rosana, a garota que encontrei para sua filha.
É bem esperta. Vão se dar bem. Quero que se sinta em casa.
Ricardo, precisam da sua ajuda.
-Papai, poderei dormir lá em cima? -Venha aqui.
-Vamos levar isso para dentro? -Sim.
Me falem se precisarem de alguma coisa.
A qualquer hora. Se ficarem com frio, se quiserem algo...
A mobília é velha, mas é de madeira maciça. Muito boa.
Se precisarem de algo mais é só dizer.
Dezessete, 18, 19 e 20.
Muito bem, agora enxágue, querida.
Tomou os remédios?
Viu esse céu maravilhoso aí em cima?
-Querida. -Não gosto deles, Ricardo.
Sei que fazem bem,
mas fico cada vez mais cansada.
Está ficando mais bonita.
Não diga bobagem.
É muito bonito.
Vamos gostar daqui. Você vai ver.
Poderá passar bastante tempo com a Julia.
Diego teria adorado isso.
Vamos entrar. Está muito frio.
Todas as lojas eram nessa rua. Lembra?
-Não tinha nem dez anos quando partimos. -Como poderia lembrar?
O bar foi para os campos de arroz.
Tínhamos mais coisas, mas a situação está cada vez pior.
Bem, aqui é a matriz.
Está meio bagunçado. Sabe como é, um homem sozinho...
Essa mesa grande é minha. Mas pode usá-la.
Como quiser.
Muito bem. Vamos para o campo?
-E essa arma? -É meu terceiro braço. Está sempre comigo.
Eusebio.
Sra. Francisca.
Ricardo, olá. Sou Francisca Romero, estou aqui para lhe dar as boas vindas.
Temos que ser gratos aqueles que vêm nos ajudar. Além disso, você é daqui.
Mas não te conheço.
Meu pai era Rodrigo Gracia. Fomos embora quando eu era muito pequeno.
Minha cabeça só lembra do que quer.
Tenho certeza que será muito bom ter você por aqui.
Estão passando por uma situação muito delicada.
Espero que possamos remediá-la antes que seja tarde.
Sim. Moramos em uma terra maravilhosa, Ricardo.
Quase não nos falta nada, exceto trabalho.
E agora, água, é claro.
Essas pessoas vivem da terra. Os últimos anos foram
um verdadeiro desastre para eles.
Verdade. Estudei bem a área. A ideia é traçar um plano
que preserve Laguna Blanca, o habitat e claro, às pessoas.
Se estudou a área, sabe quem sou.
Todos aqui trabalham nas minhas terras. Sou como sua fonte de vida.
-Tenho uma grande responsabilidade. -Fonte de vida.
Sim, os alimento e eles dependem de mim.
Sou a fonte de vida deles.
Estou certa de que entende nossas prioridades. São as mesmas.
Sei que sua entrada no comitê científico especializado em zonas úmidas
depende do sucesso deste projeto.
Mas não se esqueça da seriedade que te cerca.
Também já foi sua.
Não pode desistir das suas raízes e nem rejeitá-las.
Não estou rejeitando nada. É exatamente por isso que estou aqui.
-Para defender este lugar. -Que bom.
Defender este lugar significa defender sua gente.
Não vou mais te segurar, deve ter muito o que fazer.
Tem um bom recruta.
Confie nele. É um bom homem.
Espero que esteja confortável em sua nova casa. É minha melhor propriedade.
Diga olá para sua esposa e filha por mim.
Esta parte é controlada do portão que fica atrás do caniço. Está vendo?
-Estou. -Tem mais dois que regulam outras zonas.
-São três no total? -Sim, três.
Também tem as pequenas valas que distribuem a água pelos campos.
E o portão geral há dez quilômetros, no final de Laguna Blanca.
Os Mouros fizeram tudo isso. Eram muito espertos.
Faz tantos anos e mesmo assim, aqui está.
-O geral abastece os outros três? -Isso. Mas foi construído mais tarde.
Ele controla o fluxo total caso haja uma emergência.
Garças-caranguejeiras,
são nativas.
Têm hectares para viver. Não podem reclamar.
Eusebio?
Achei que a Reserva havia fornecido a casa.
A Sra. Francisca a cedeu para a corporação. Mas é propriedade dela.
Não sei se quero morar lá com minha família.
Não quero ficar devendo nada para ela.
Não sei como e nem porque me contou, mas ela sabe coisas sobre mim.
Ela tem muitos contatos e se preocupa com os negócios.
Faz anos que tem tudo organizado e compra toda a colheita dos fazendeiros da área.
Se não aceitam o preço que ela estabelece, não vendem.
-Isso. -Há muitas Franciscas pelo mundo.
O que ela fez quando descobriram que as garças estavam se aninhando aqui?
Ela se aproximou dos ecologistas e a reserva foi declarada.
Criaram algumas leis e medidas, mas ninguém percebeu.
Continuaram fazendo o de sempre, caçando e pescando.
O problema é que
não importa o quanto seja protegido, esse animal não vai alimentar ninguém.
As pessoas aqui vivem da lagoa. Precisam da água para irrigar os campos de arroz.
E quando não houver mais água?
Bem, o que posso dizer?
Aqui o que importa, é o dia a dia. Comer. Não pense que todos consigam.
Tem muita miséria, Ricardo.
Por que aceitou esse trabalho? É uma mudança e tanto.
Precisávamos mudar de ares.
Terminei um trabalho no Brasil e tive a opção
de voltar para os Estados Unidos ou para a Espanha.
Então, voltou.
Sim, pois já sabia que Laguna Blanca estava passando por uma situação crítica.
Meu pai não gostaria se visse como esse lugar está.
Tenho ciúmes quando vejo gente como você.
Tive uma esposa, sabia?
Ela era teimosa.
Morreu jovem, de repente.
Me falaram que com o tempo eu teria minha vida de volta, mas não.
Tem filhos?
Tenho um.
Há dois anos o mandei para longe. Não quero que acabe aqui.
Como um guarda, assim como eu.
Não gosta do que faz?
Gosto de pensar que meu trabalho é manter a lagoa como minha esposa Isabel gostava.
É mais ou menos o que acontece com você e seu pai.
Nossa, dez anos.
Dez anos e três meses.
Caçadores ilegais.
Papai! Mamãe e eu vimos uma cobra!
Uma cobra? Não acredito! Era grande assim como você?
Como ela era? Mordeu seu bumbum?
-Ficamos firmes, mas era grande. -É mesmo?
-Sim. -Amanhã vou te levar a um lugar bonito.
Papai, podemos procurar sapos?
Podemos procurá-los e ficar olhando. Mas não vamos pegá-los.
Olhe! Estão vindo de lá. Está vendo?
-São marrequinhos? -Não, querida. Eles se escondem.
Mas veremos muitos.
-Faz tempo que estamos aqui? -Não sei, esqueci.
Esqueceu de novo? Tem a memória de uma formiga?
O que acontece com você? É uma formiguinha?
Amor, vamos colher algumas amostras. Você vem?
Não.
-É muito difícil, pai. Não vejo nada. -Estou indo, querida. Espere.
Vamos ver. Vou te ajudar.
Não mexa tanto. Venha, olhe.
Junte os ombros e levante. Me deixe ajudar.
Pronto. Está vendo?
Julia, meu amor. Venha aqui. Sente aqui comigo.
Fique calma, amor. Não saia daqui.
Olá.
Desculpe, mas esta é uma área protegida. Não podem caçar aqui.
Quem disse?
Como assim?
Está é uma reserva natural.
Nos deixe em paz. Saia daqui.
Estou pedindo com educação, mas se quiser, posso chamar a guarda.
Está maluco?
Calma, querida. Estão ficando loucos?
Acha que somos loucos?
Muito loucos. Quer que eu chame a guarda? Vou ligar para o Eusebio.
-"Vou ligar para o Eusebio". -E você? Não sabe falar?
-Deixe a menina em paz. -Veja como ela se esconde.
Cuckoo!
-Patinha! -Vá se ferrar. Não olhe para ela!
Que droga está fazendo?
Vamos.
Adeus!
Gregory Peck.
Meu amor, está tudo bem. Tudo certo.
Foi apenas um susto, querida.
Julia, olhe.
Se a mamãe perguntar, vimos uma cobra e nos assustamos.
Fiquem quietos! Me escutem!
Deveríamos ser gratos. O Conselho se importa conosco.
-Ninguém liga para nós. -Ele irá garantir nossa irrigação.
Não podemos pensar apenas neste ano. A seca continuará.
Só se conhece o campo colocando a mão na massa. Não de um escritório.
Calem a boca! Deixem-no falar!
O Sr. Gracia vem de outro lugar onde conheceu outros tipos de irrigação.
Não podemos continuar assim. Não teremos água para outras temporadas.
-Dê o fora daqui. Não precisamos de você. -Sinto muito pela situação.
Mas têm que entender que as medidas que tomaremos serão para o seu bem.
A longo prazo verão que trazem benefícios para vocês.
-A longo prazo? Que está te pagando? -Não precisamos de você.
Não sabem o que estão falando! Os recursos estão se esgotando!
Não podem pescar como bem entenderem! E pegar toda a água.
Nem caçar como quiserem.
Calem a boca! Silêncio!
-Não pode falar assim com eles! -Posso.
-Ficarão contra você! -Estão contra mim desde o início.
Aqueles dois apontaram um revólver para mim na frente da minha filha!
-Como assim apontaram uma arma? -Sim, os dois que entraram por último.
Estavam caçando e disse para pararem! Apontaram a arma na frente da minha filha!
Acha que não posso falar assim? Isso vai mudar. Pode ter certeza!
Como pode apontar uma arma para ele, imbecil?
-Não cruze a linha, Eusebio. Cuidado. -Não seja atrevido!
Não responda para mim ou te arrebento.
Não tem que me dizer o que ou não fazer. Está do lado deles.
-Não estamos em guerra. -Por enquanto.
Acha mesmo? Fique quieto.
Ovídio, mais dois vinhos.
Ele acabou de chegar.
Vamos lhe dar uma chance. Vamos fazer o que ele disser. Vamos tentar não...
Não o que?
Não caçar ou usar a água? Vá se ferrar!
Conte para a Sra. Paca e nos diga o que ela acha!
Olá.
De onde veio?
Estava lá em baixo terminando o jantar da equipe.
-O jantar? -Isso.
Diga ao seu irmão que ele está sendo muito amigável com aquele cara.
-Ele veio até aqui para nos arruinar. -E como você sabe o que ele vai fazer?
Aquela besteira sobre os patos.
-Por que alguém nos diria o que fazer? -Não sabia que você era cientista.
Ovídio, me dê outro.
Pois estou farto dos ambientalistas. Aquele cara sabe fazer chover?
Estou perguntando se ele vai fazer chover!
-Se não souber, que dê o fora daqui! -Tomás!
-Você é que deveria dar no pé. -Sim, claro.
Se continuarmos tirando água da lagoa, irá secar.
Não haverá patos e nem água para beber.
-Estão todos fazendo o que querem. -E o que queria que fizessem?
Não sei.
É por isso que esse homem está aqui.
-A água baixou muito para quatro anos. -Porque não chove! Não entende isso?
Vamos ver se ele tem culhão para me mandar parar de irrigar.
Vamos ver!
-Venha, te levo para casa. -Está bem.
Ovídio, coloque tudo na conta.
Vamos lá.
Saúde a todos.
Já chegaram.
Vão achar que é provocação.
Eusebio, a provocação é cada um, fazer o que quer.
-Essa é a outra zona, certo? -Coloque todas as placas aqui.
Coloque-os aqui como do outro lado.
NÃO ULTRAPASSAR
USO RESTRITO, SOMENTE MEDIANTE AUTORIZAÇÃO
PASSAGEM PROIBIDA
PROIBIDO CAÇAR E PESCAR
RESERVA NATURAL LAGUNA BLANCA BEM-VINDOS
-Assim? -Isso, balance as pernas.
Querido? Acha mesmo necessário?
Sei que faz por mim, mas...
E seus remédios?
Estão aqui.
Já tomei, pare de me encher.
Olhe, não acho que precisamos dessa garota para a Julia.
Amor, vou me ausentar bastante.
Será só por alguns meses. Até ela ir para a escola.
Eles precisam de um plano urgente.
-Certo. É tão sério assim? -Sim, é.
-Ainda bem que chegou para salvar o mundo. -Com certeza.
É o Eusebio. Até mais tarde.
-Vai cortar a água? -Vão me agradecer no final. Você vai ver.
Até mais tarde, meu amor.
-Que trabalho escravo. -Um que ninguém quis fazer.
Aí dizem que temos muita miséria aqui.
Ninguém está feliz com isso tudo.
Como as máquinas chegarão aos campos com as correntes?
Quando precisarem passar, vão passar. Não se preocupe.
E como você tranca isso?
Sou o único que tem isso.
O que está fazendo?
Feche isso! Feche!
Qualquer um pode abrir isso com um alicate.
Coloque uma trava para bloquear, por favor.
-E isso? Há quanto tempo está assim? -Não importa.
Chame alguém para trocar todas as juntas que estão assim.
Estão ali. Quem são?
Não sei. Não dá para dizer daqui.
Vamos mais rápido! Vamos pegá-los!
Ricardo, já estão saindo.
Mas estavam caçando, droga! Você é o guarda!
O que está havendo?
Deixe para lá. Me leve para casa.
Por que tenho que ir com você? Quero que a Rosana também vá!
Você vem comigo e ponto final. A Rosana irá depois.
-Sente e coma. -Por que não a manda ir? Poderá ficar.
Justamente por isso.
Me sinto trancada aqui e quero ir até a cidade.
-Você vai comigo! -Não quero!
Calma. Por que não vamos os três juntos, hoje à tarde?
O que é? Qual é o problema?
Quero ir agora e pronto, querido!
Bem, ligue para a Rosana te ajudar. É para isso que a temos.
Sim, mamãe! Ligue para ela!
-Diga sim! -Vamos ver.
-Já chega. -Pare de falar.
Está me deixando tonta. Agora vá se trocar.
Leve as bonecas com você, está bem?
Desculpe, amor. Deveria te ajudar. Está pior que eu.
Pare com isso. Pare.
-Saia daqui. -Sim, meu amor.
-Tenha um bom dia. -Você também, querido.
Te deram uma bela casa.
Não quero armas na minha casa.
Na sua casa?
O que foi? Por que não posso carregar a arma?
Veio para me ameaçar?
Eu?
Por favor, vá embora e diga ao seu chefe que não funciona assim.
Meu chefe? O que não gostamos
é que alguém de fora chegue aqui e nos diga o que podemos ou não fazer.
-Vim para lhes ajudar. -Vá embora!
Recebeu seu aviso.
Quem era?
Um vizinho que queria saber sobre o novo sistema de irrigação.
Ricardo.
Um vizinho que queria informação. Só isso.
Está tudo bem. Fique tranquila.
Meu irmão...
é um coitado. Não sei o que fazer com ele.
Ele não pode aparecer assim, Eusebio. Estava bem alterado.
Não se preocupe. Falo com ele.
Não me dê.
-Guarde para amanhã. -Pode deixar.
-Um quilo e meio de tomate, por favor. -De acordo com meu marido,
o seu quer mandar em todo mundo aqui.
Muitas ordens pelo pouco tempo que estão aqui.
Como? Não sei do que está falando.
-Meu marido veio ajudar. -Ajudar!
Ajudar com o que? Nos proibindo de ganhar nossa vida? Não nos deixar comer?
-Estão se confundindo. -Não estou dizendo que é culpa sua.
Mas não vou vender para você.
-Julia, vamos. -Me deixe brincar, mamãe.
Vamos logo.
Tomás!
-Tomás? -O que?
Não se aproxime da casa do Ricardo!
-E por que não? -Não teria coragem!
Faça o que estou dizendo e não me desobedeça mais!
Se nossa mãe estivesse aqui você não falaria comigo assim.
Me ouviu?
Se ela estivesse aqui não falaria assim!
Amor, é verdade.
Não me venderam nada. Nem uma bala para sua filha.
O que fazendo para eles, Ricardo?
Quem? Eu? O que eu estou fazendo para eles?
Estou tentando ajudá-los, mas são ignorantes. Especialmente o Eusebio.
Talvez precisem de tempo para se adaptar.
O que precisam fazer é ouvir mais e fazer o que lhes dizem.
-Oi! -Rosana!
-Olá, querida! -Vai almoçar com a gente?
-Claro, fique. Temos comida suficiente. -Sim, fique!
Não. Farei uma revisão com a Julia e volto para casa. Tenho comida pronta lá.
Os remédios.
Então, vamos brincar um pouco? Sim?
Se já fez sua lição podemos brincar.
Daqui quatro dias vamos almoçar na casa da Rosana, pois vendem para ela.
Amor, vamos nos acalmar um pouco. Vamos falar com...
Não quero que todos saibam que tomo antidepressivos, pode ser?
-Está bem. Sem problemas. -Pare!
Querida.
Estou muito tonta!
Você não fica tonta?
-Um pouco. -Mais rápido!
Que legal!
Ela caiu!
Obrigado.
Quatro malditas gotas que no fim não servem para nada.
Eusebio, queria me desculpar pelo meu comportamento ontem.
Obrigado por tudo que tem feito por mim.
Me falou sobre sua esposa, sua vida e sobre suas coisas.
Foi franco comigo e também quero ser com você.
Cláudia e eu estamos passando por um momento ruim.
Não quero que isso...
Bem, não quero que isso interfira na nossa relação ou no trabalho.
Perdemos nosso filho a pouco mais de um ano.
Desde então as coisas não estão nada boas.
Uma das medidas é atrasar a irrigação por pelo menos um mês.
Não faz sentido liberar tanta água com o calor. É desperdício.
Podemos ter os mesmos resultados com menos água, ficando longe do verão.
Se adiarmos a irrigação, será ruim para a semeadura.
-A planta não completa seu ciclo. -Eusebio, é uma situação emergencial.
-Funcionou perfeitamente no Brasil. -A unidade no Brasil é diferente.
Vai dar certo.
Não podemos fazer mais nada.
Querida, tomou seus remédios?
Tomo mais tarde, está bem?
Papai!
A menina.
Pai!
Te peguei!
Venha aqui!
Tudo bem!
-Acabou. -Calma.
Meu amor, não foi nada.
-Não? Nos atacaram, Ricardo. -Vou falar com o Eusebio amanhã.
Falar o que? Nos atacaram e tem que denunciar.
-Não faça de conta que nada aconteceu. -A menina está dormindo. Se acalme.
Está bem?
Sei o que estou fazendo. Falarei com o Eusebio, está bem?
Aqui está. Tome.
Água. Desculpe.
-Eusebio, ela está histérica e com razão. -Precisa lhes dar algo, Ricardo.
Precisa relaxar um pouco. Se fizer isso, verá como as coisas irão melhorar.
Primeiro foi o Tomás, não vendem para nós e agora estão nos apedrejando.
Ricardo, se não der o braço a torcer, não sabe o que vai acontecer.
Porcaria de ratos.
Vou desenhar um anjo na nuvem.
Balance mais alto.
Está bem.
Vou alcançar o céu.
Feito.
Temos que deixar secar muito bem por algumas horas.
Está bem, vou com você.
Estique.
Estique mais os joelhos.
Você consegue?
Olhe, mãe! Estou indo muito alto.
Rosana, mais forte!
Para quem está escrevendo?
Para minha mãe.
Verdade?
Cuidado para que ela não caia.
Julia, vamos entrar.
-Mamãe, não! -Ande.
-Entre. -Me solte!
Solte!
Papai!
O que foi?
Veja o que te trouxemos.
Um filhote!
-É para mim? -Claro que sim.
Papai, veja como eu vou alto!
-Como está? -Me deixe.
Cláudia?
Mais cuidado com minha filha!
Cláudia!
Desculpe.
-Qual é o seu problema? -Não! Qual é o seu?
-O meu? -Por que a defende?
Não a conhece e a colocou dentro de casa.
-Essa garota é estranha. -Como assim?
Porque cuida bem da nossa filha?
Porque não posso cuidar dela, não é?
-Não é? -Amor, calma.
Fale! Trouxe alguém para nossa casa e não acha que ela faça coisas estranhas.
Ainda mais depois de ontem à noite! Quero ir embora!
Querida, acabamos de chegar! Só porque quebraram janelas?
Não foram só janelas, Ricardo! Nos atacaram.
Sabe quem são.
E aquele cara com a arma?
-Por que não quer denunciar? -Se acalme um pouco, por favor.
-Falei com o Eusebio. -Não quero saber do Eusebio.
Disse que se não gostássemos poderíamos ir embora.
Não conhecemos ninguém e não sabemos quem são! Mas não nos querem aqui!
-O que estamos fazendo aqui? -O que fazemos aqui?
Tentando fazer você melhorar.
Não sei o que fazer ou para onde ir para te ajudar!
Está falando que estamos aqui por minha causa?
Não, Ricardo. Estamos aqui por sua causa.
Assim como fomos ao Brasil por sua causa! É sempre por você!
A vida inteira fui onde você quis! Sempre respeitando o que você precisava!
E o que eu preciso!
-Só pensa em si mesmo. Sempre ocupado... -Com o que?
O que?
Um para mim.
E um para você.
A verdade é que está muito gostoso.
Meu amor, me desculpe por hoje de manhã.
Está sendo muito difícil acostumar com essa nova casa, não está?
Certo.
-Nós três ficaremos bem aqui, vai ver. -E o Rocky?
O Rocky também, claro.
Muito bem, vamos dormir.
Aqui está, querida.
-Me entendeu, Rosana? -Sim, senhora.
Mas mãe, quero brincar com o Rocky!
Meu amor, primeiro a lição depois pode brincar. Entendeu?
Um beijo. Coma tudo.
E se brincarmos primeiro?
Não gosto que tenham vindo aqui tão rapidamente.
San Pedro é um lugar bem tranquilo.
É verdade que as pessoas estão bem isoladas de tudo.
E às vezes, pequenos delitos não têm consequências.
-Vieram da Argentina? -Não, do Brasil.
Vivemos no Brasil por dois anos, a trabalho. Antes morávamos nos EUA.
Brasil e suas praias.
Sempre quis ir, mas sabe como é, as mulheres mandam.
Tenho quatro em casa, então nem abro a boca.
Inspetor?
O que vai fazer?
O que aconteceu foi muito desagradável.
Não nos sentimos seguros.
Olhe,
somos uma delegacia muito pequena para atender uma região tão grande.
Poderia enviar alguém de vez em quando. Uma viatura, uma vez ao dia.
Certo. Vou pedir que aumentem a patrulha em San Pedro. É o que posso fazer.
Mas posso garantir que não tem porque se preocupar.
Foram quatro idiotas que não tinham nada melhor para fazer.
-Não hesitem em voltar aqui se precisarem. -Obrigada.
Muito obrigado.
Te digo que tenho uma queda pelo Brasil e pela Argentina.
-Me disseram que nasceu aqui. -Sim, nasci. Meu pai era o professor.
-Mas fomos embora no início dos anos 80. -Anos 80.
Me ouça,
sua posição aqui é muito delicada.
Bem,
gostaria de te contar uma coisa. Mas quero que fique entre nós.
-Como? -Venha me visitar. Te levo para almoçar.
-Mas... -Uma outra hora. Mas não demore.
Bom, pelo menos parece que ele quer nos ajudar.
Está melhor?
Por favor me avise da próxima vez que ficar fora até de madrugada.
-Pelo menos faça pela sua filha. -Cláudia.
Cláudia!
-Alô, Eusebio. -Não posso publicar isso. É loucura.
Vamos adiar a irrigação por um mês, não dois.
-Não vai dar certo. Será um desastre. -Eusebio, publique a resolução.
Está procurando encrenca e quer me levar junto.
Publique a droga da resolução como está! E não fale comigo dessa maneira.
Está bem.
Anunciarei agora mesmo.
Já tomei.
Não te fariam mal também.
Disse que vou anunciar amanhã.
-Por que não nos diz agora? -Exato, cara!
-Parem de me encher. Saberão amanhã! -Parece que você não entende.
A Sra. Francisca está muito brava com você.
O que ele não quer falar é que esse desgraçado veio para acabar conosco.
-E você está do lado dele! -O que está fazendo aqui?
Venha! Vamos seu desgraçado!
Me escute! Pois é a última vez que você fala do assunto. Entendeu?
-Quem quebrou as janelas? -Eu não sei.
Tomás, não vou continuar cobrindo suas besteiras.
Sabe o que estou dizendo?
Pelo amor de Deus! Pense sobre o que você tem em casa! Seu bêbado desgraçado!
É isso.
Quer transar como minha esposa.
Do que você está falando?
É a última vez que você fala isso! Entendido?
Você gosta dela.
Vá para casa dormir.
-Bom dia. -Olá, Ricardo.
Não! Não pode ser!
Sabia disso? Entende que não dá!
LISTA DE IRRIGADORES
-Então era isso? -Sabe que não é possível!
Por Deus, fale com este homem!
Como podem fazer isso conosco?
Vão morrer!
Não podemos fazer nada?
O que temos que fazer é o oposto.
-Tem que explicar para ele. -Com licença.
Me deixem passar.
Eusebio, você é um traidor. Ou faz alguma coisa ou pagará por isso.
Não esperava que viesse tão rapidamente.
-Sua esposa está mais calma? -Sim, está. Desde que conversaram.
Se pudesse me fazer um favor, pedir para uma viatura passar em casa às vezes.
Pode deixar. Mas já te disse, há poucos policiais para tanta gente.
Sinto falta de um bom vinho.
São todos iguais. Todo mundo fabrica vinho.
-Um bom vinho para esquentar o corpo. -Desculpe, inspetor.
O que me disse ontem me deixou preocupado. Por isso vim o mais rápido possível.
Não falei da maneira mais apropriada,
-mas aqui estamos. -Sim.
Sabia que havia outro biólogo antes de você?
Nunca lembro seu nome. O sobrenome é Zarate. Conhece?
Queria falar com você para te explicar como as coisas funcionam aqui.
A casa que te deram é a melhor da área. Mas também é a mais isolada.
Olhe, acho melhor mudarem para a cidade. Terão mais segurança.
-A casa é muito boa, mas... -Não sei por que está me dizendo isso.
Zarate...
foi encontrado morto no lago.
Afogou na lama.
-Achado morto? O que aconteceu? -Esta é a parte confusa.
Quando soubemos fomos até o lugar.
Nem chegamos a ver o corpo.
A Guarda Civil chegou primeiro e estavam há 30KM.
Desculpe, mas não estou entendendo.
Dizem que Zarate era um homem solitário.
Teve que fazer um relatório declarando se é possível ou não ter uma reserva aqui.
-Isso lhe acarretou complicações. -Então, alguém o assassinou.
Em nenhum momento disse que ele foi assassinado, Ricardo.
Só queria que soubesse que foi tudo muito estranho. Os passos dados.
Nunca nos ligaram para obter informação. É o procedimento entre forças policiais.
A investigação foi concluída por um relatório forense
que determinou morte natural por infarto.
Ninguém nunca veio atrás do corpo. Se vieram, não fiquei sabendo.
E o que você acha disso? Está me contando por alguma razão.
Trabalho aqui há muitos anos. Mas não sou daqui, entende?
Logo depois que cheguei percebi como as coisas funcionavam
e percebi que o que poderia fazer era garantir que todos se dessem bem.
Uma vida tranquila e a quantidade certa de problemas.
Me relaciono bem com todos e não me meto onde não sou chamado.
-Isso é uma virtude aqui. -E você é policial.
Sou policial.
Também sou pai, marido e avô.
Ricardo, Laguna Blanca não é a coisa mais importante da sua vida.
A distribuição de água que você designou
não é compatível com a tranquilidade da sua família.
Isso foi publicado hoje de manhã. Como sabe e quem te disse?
Notícia ruim chega rápido. É o que posso dizer.
Então porque me trouxe aqui?
Não pode falar mais nada mas sabe de muita coisa.
-Quem mandou você me falar tudo isso? -Está enganado, Ricardo.
-Por que não me falou do Zarate? -As pessoas estão nervosas.
-Por que não me disse nada? -Me solte!
-Não posso confiar em você! -Não. Eu é que não posso confiar em você.
Ninguém sabe o que aconteceu com o Zarate.
-Por que não falou dele? -Porque ninguém sabe o que houve!
Mas te falo uma coisa, se continuar assim, será o próximo.
-Ninguém consegue saber o que houve! -Por que você veio?
Não está ajudando e estão de saco cheio de você.
-Não estou nem aí! -Este é o problema!
Não veio para nos ajudar! Nem sabe por que está aqui!
Não veio para resolver nossos problemas.
Veio para resolver os seus mas não sabe quais são.
É melhor ir embora, não precisamos de você.
Não vou cortar a água dessa maneira! Não conte comigo!
-Você aí! O que está fazendo? Vá embora! -Preciso de água.
-Preciso pegar água! -Saia daqui!
É apenas água.
Venha.
Preciso ir lá embaixo.
Deixou a porta da cozinha aberta de novo ontem.
Quantas vezes já falei que quero tudo trancado?
-Me desculpe, senhora. -Não me chame assim!
Meu nome é Cláudia.
Rosana!
Rosana!
Vamos brincar com o Rocky!
Julia, primeiro o café da manhã e depois a lição.
Venha comigo.
Julia, volte aqui!
Vamos lá, Julia. Vamos tomar café da manhã.
Vamos comer.
Sente aqui, querida. Isso.
Vou despedir a Rosana!
Ela á má, feia e não te ama!
Agora você tem que estudar!
Não, mãe. Me deixe brincar.
Não!
Vai comer e estudar!
Vou morar com a Rosana. A amo mais que você.
Fale baixo, vão te ouvir.
Minha filha, estou cansada de você! Você me ignora!
Mas mãe, sou muito boazinha.
Não é! É a pior filha que já tive!
Será castigada pelo resto de sua vida!
Não vou te perdoar!
Cuidado! Traga para cá!
Saiam daí!
Não!
Puxem!
Não entendeu nada, não é verdade?
Achei que fosse mais inteligente, Ricardo.
A água sempre acha o caminho. Assim como eles.
Eles fazem o que você manda.
Dependem de mim. Já te falei isso.
Poderiam ter causado todo tipo de estrago.
Mas não. Decidiram lutar e continuar trabalhando, apesar de você.
Você tem sorte.
Já o Zarate...
Não brinque com a minha gente, Ricardo.
E muito menos comigo.
Está me ameaçando?
Isso não vai acabar assim.
Claro que não.
Alô, sou Ricardo Gracia, biólogo da reserva de Laguna Blanca.
Cinquenta, 76, W, T, D.
Estou ligando de San Pedro. Poderia falar com a gerência, por favor.
Saia daqui.
-Não. -Saia da minha casa.
-Mamãe, não! -Julia, querida, venha aqui.
-Solte minha filha. -Julia, aqui.
Falei para deixar minha filha em paz!
Solte-a!
-Dê o fora daqui! -Rosana!
Vá e não volte! Me entendeu?
Rosana!
Rosana!
-Julia, meu amor. Está tudo bem. -Rosana!
-Chega! -Você é má!
-Cale a boca! -Eu te odeio!
Julia, querida.
Julia, me perdoe!
Perdão, Julia!
Julia.
Julia?
Julia, meu amor, perdão.
Abra a porta.
Julia?
Abra essa porta.
Por favor, Julia.
Julia, abra!
Estou falando para você abrir essa maldita porta!
Julia!
Eusebio veio te procurar.
-Me diga que diabos está acontecendo. -Papai!
O que?
Mamãe despediu a Rosana, gritou comigo e me bateu!
Para o quarto, mentirosa!
-Não fale assim com ela. -Vá logo!
Não fale assim com a menina! Vamos para seu quarto, meu amor.
Papai também já vai.
-Por que está falando assim com ela? -Está ficando louco?
Eusebio me contou que cortou a água.
-Como pôde fazer isso? Não é possível! -E você sabe o que fazer?
Pode me dizer por que demitiu a Rosana? Qual é o seu problema?
Não aguento mais ficar aqui!
Deveríamos estar melhorando mas está muito pior!
Fico sozinha aqui
vendo uma estranha qualquer roubar minha filha de mim!
Ela está aqui para te ajudar!
Ela estava aqui porque você queria que ela cuidasse da Julia!
-Acredita que fui eu? -Bem...
Acha que o Diego foi minha culpa e não sabe como lidar com isso?
-Tome um ansiolítico. Vai te ajudar. -Esqueça esses malditos remédios!
Faz dias que não tomo!
Parou com o tratamento? É por isso que está assim. Claro.
Querido, Diego está morto.
Está morto e você não quer falar dele!
Não preciso de remédios!
Preciso de você!
Está agindo como se o Diego fosse aparecer a qualquer momento!
Aceite que ele morreu e que não voltará.
Você é incapaz de me perdoar e não sei pelo que!
Pois não tenho culpa! Não podia ter feito nada mais! Juro!
O mesmo teria acontecido com você!
Cale a boca! Droga!
Aceite. Vai ter que admitir mais cedo ou mais tarde.
Aceite e não descarregue a raiva que tem por mim nessas pessoas!
Feche tudo! Ricardo!
Julia!
Vá para baixo da cama e não saia daí.
Ricardo, o que está fazendo? Deixe isso aí.
Ricardo, por favor! Vá para dentro.
Meu amor, tome.
Segure firme nele e cante uma música.
Eusebio, atenda.
Por favor, atenda.
Vamos, atenda.
Porcaria!
Saiam da minha casa!
A casa não é sua!
É nossa. A água também.
Miguel, faça esse cachorro ficar quieto.
Não!
Seu maldito!
Vamos ver onde seus culhões estão.
A fêmea, a esposa ou a garota?
Abra!
Abra logo!
Mamãe! Socorro!
Venha, amor.
Fique aqui.
Vai pagar por isso.
Tomás! Deixe-o. Vamos embora!
Está tudo bem, minha querida!
Fique quieta, está bem?
Vão para seus carros!
Tomás, deixe a arma.
Vai matar seu irmão?
Quer me ver morto para poder transar com minha mulher.
Desgraçado! Saia logo daqui!
Cláudia! Ajude!
Socorro, Cláudia!
Cláudia, ajude, por favor.
Ricardo!
Pegue pelo outro lado. Levante-o.
Isso, vamos.
Cláudia, ouviu o médico.
Precisa levá-lo ao hospital. Não vamos piorar as coisas.
Para que tudo isso, Eusebio?
Seu marido é uma boa pessoa.
Mas para ele isso tudo foi muito pessoal.
Parei de entendê-lo.
Às pessoas têm que levar suas vidas,
mas ele entendeu de outro jeito.
Cláudia, ele estaria melhor em um hospital.
Você e sua filha ficariam mais tranquilas.
Vou entrar.
Bem, vou encontrar um lugar para enterrá-lo.
Não voltarão.
Mas é melhor trancar tudo.
-Mamãe? -Diga.
Quero ver o papai.
Querida ele estará melhor amanhã e então poderá vê-lo.
Vamos comer.
Ele era muito parecido com meu marido.
Os mesmos gestos.
As mesmas caras.
Também nunca ficava quieto.
Era como ele.
Estávamos no Brasil.
Ricardo nunca estava em casa.
Graças a ele conseguiram recuperar uma área húmida que estava desaparecendo.
Ele estava muito bem.
Nós quatro estávamos óptimos.
Julia tinha seis anos e me enlouquecia.
Sempre tinha que ficar atrás dela.
Diego tinha oito.
Aprendeu a nadar quando ainda era bebê.
Ricardo fez questão de ensiná-lo no pouco tempo que tinha.
Estávamos na piscina.
Ele ficava me mostrando
como nadava bem.
As cambalhotas debaixo da água.
Meu menino estava tão feliz.
Em menos de um minuto...
fui até a cozinha
para pegar a comida da Julia.
Quando voltei,
ele estava de bruços.
Teve uma cólica
bem naquele momento.
Por que isso aconteceu conosco?
O que fizemos de errado?
O que?
Meu menino.
Cláudia.
Antes de vocês, havia outro biólogo aqui. Zarate.
Ele veio para oficialmente declarar Laguna Blanca uma reserva.
Logo depois foi encontrado morto.
Enterrado na lama.
Essa Vila...
Partam assim que Ricardo estiver melhor.
Faça isso.
Meu marido sabia disso.
Mesmo assim nos colocou em perigo.
Sinto muito.
"Aurélia, a água viva disse, o problema de ser invisível é que tudo é visto."
Mamãe.
O que foi?
-Sinto saudade do Rocky. -Sei disso, querida.
Ele deve ter ido longe e se perdeu.
Mas como é muito esperto, com certeza voltará.
Está bem?
"Mas ela era uma água viva feliz e alegre.
Dançava com seus tentáculos enormes como uma bailarina de gelatina.
-Linda e cheia de vida." -E se os homens com as armas o pegarem?
Quem amor?
Os que apontaram armas para nós e falaram que eu era um patinho.
O que mais aconteceu, amor?
-Me diga, o que mais aconteceu. -Nada.
-Mamãe, quero o Rocky de volta. -Sim, meu amor.
Se ele não voltar amanhã vamos atrás dele.
Agora, vamos dormir. Certo?
Como pode?
Filho da mãe.
Rocky?
Rocky?
Rocky!
Rocky!
Não faça isso de novo, Julia! Entendeu?
Nunca mais!
Quero que o Rocky volte, mãe!
Cláudia?
Por quanto tempo dormi?
Cláudia.
Você sabia de tudo.
E não se importou.
Desculpe?
Onde está a menina?
Onde a Julia está?
Responda. Onde ela está?
Cláudia, cadê a Julia? Diga!
Onde a Julia está?
Cláudia? Vamos, me diga. Onde ela está?
Diga! Onde?
-Onde a menina está? -Eu não sei.
Julia?
Julia! Onde você está?
Julia?
Julia!
Meu amor, vamos!
Para o porta-malas.
Calma.
Onde está minha filha?
-Pelo que vejo ainda está muito confuso. -Me fale onde minha filha está.
Onde sua filha está? Acha que pode entrar assim na minha casa?
Acha que pode vir aqui nos perturbar?
Arruinar nossa maneira de viver?
Para poder usar sua medalha de biólogo notável?
-Você não sabe onde sua filha está? -Não vou perguntar de novo.
Seu pai foi embora daqui rejeitando nossa terra e a nós.
Procurava uma vida melhor.
Não éramos muito para ele.
Nem para você.
Ele acabou como um ninguém.
Nunca usou uma, não é mesmo?
-Vai atirar em mim? -Cadê minha filha?
Julia!
Chegou a San Pedro como ele partiu, um covarde.
Onde está minha filha?
Ricardo! Solte a arma. Isso é exagero.
Traidor.
Ricardo.
A Sra. Francisca não tem nada a ver com sua filha.
Meu irmão matou Zarate.
Em uma briga. Foi acidente.
Encobri tudo e a Sra. Francisca o protegeu.
Ele não tem nada a ver com sua filha. Juro pela memória da minha esposa.
Tomás matou Zarate.
Mas te juro que Julia não está aqui.
Te disse que tinha sorte em conhecê-lo.
É um traidor.
Tudo que fiz foi te proteger.
-Quero te ajudar! -Quem ousaria levar sua filha?
Pense.
E agradeça Eusebio.
Se não fosse por ele estaria morto faz tempo.
Ricardo.
Sua esposa não está bem.
Vá até ela.
Te ajudo a procurar a Julia.
Ricardo!
Ricardo?
Ricardo?
Tomás, deixe a arma aí.
Deveria ter me matado.
Deveria ter acabado comigo.
Desgraçado!
Desgraçado!
Filho da mãe!
Maldito!
Seu maldito!
Ricardo!
E agora, seu filho da mãe? E agora?
O que vamos fazer? Você e eu?
Seu desgraçado!
Me diga!
O que faço com você?
O que?
Fale.
Fale.
Achou que podia tudo.
Não!
Ricardo!
Ricardo.
Ricardo, Por favor!
Foi você que nos ligou?
Onze, doze, treze, catorze e quinze.
Muito bem.
Está estável, mas precisamos ir para o hospital imediatamente.
Vamos agora!
Quer vir conosco?
Precisam do meu depoimento.
Obrigada.
Ricardo.
Ricardo?
Ajude seu pai.
Meu amor.
Talvez daqui um tempo, estaremos atirando uns nos outros por causa da água.
Aí lembraremos de você.
Fiz tudo que podia.
Sim, fez tudo ao seu alcance.
ZONA DE RISCO
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