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Que significa esta barreira? � nova.
Um privil�gio concedido pela princesa ao jovem bar�o.
O velho morreu?
Lamento.
Os cavalos s�o seus? Precisa de uma licen�a.
Uma licen�a? J� passei por aqui vinte vezes sem licen�a.
Ningu�m passa sem a licen�a.
Ou tem licen�a ou regressa para donde veio.
Levo-os para a feira.
Trinta, e deixo-os consigo.
J� desci o pre�o.
Comprei-os por 20 libras h� um m�s.
- N�o pode passar, n�o tem licen�a. - S� conhece a est�ria da licen�a?
Ent�o deixe-nos alguma coisa. Os cavalos, os dois pretos reluzentes.
Poder� recuper�-los quando receber a licen�a.
Os meus cavalos? Isso � idiota. Eu devo vend�-los.
De acordo... deixe os pretos.
C�sar, fica. Trata dos cavalos at� que eu regresse.
Onde est�o os cavalos?
Os dois pretos que estavam ali.
Kohlhaas.
Governador.
Magn�fico.
Ele � soberbo.
Ele � verdadeiramente excepcional. N�o compreendo como o fazes.
Qualquer outro comerciante t�-lo-ia guardado para si, mas tu...
Queres fazer-me perder a cabe�a, n�o �?
O que est�s a fazer a�?
Quem te deu autoriza��o para tir�-los?
Ladr�o.
Soltem os c�es.
Isso n�o � a B�blia?
N�o a l� em voz alta?
� a B�blia. Mas n�o em latim.
Gostarias de ler?
"A-tra-v�s...
" ...dum...
"...vidro...
"...escuro."
"Atrav�s dum vidro escuro."
� uma imagem.
Uma forma de ver o mundo.
"Escuro..."
Algo que se v�, mas n�o se reconhece.
Um inimigo.
Ou um amigo.
Ou a si mesmo.
Tenho algo para ti.
N�o era preciso.
Sabes o que eu pensei a primeira vez que te vi?
"Se pudesse tocar naquele homem...
"...s� uma vez.
"Ele � t�o bonito!
"Beberia a sua ternura de um bebedouro de porcos."
Est�s a corar.
Voc�s v�o fazer amor?
A mam� disse que n�o devo fingir dormir quando vos oi�o.
Eu ouvi-os.
Quem fez aquilo?
Onde est� o meu servo?
Foi-se embora.
Tivemos de procurar os cavalos.
Pusemo-los a trabalhar para pagarem o seu sustento.
O que lhe aconteceu?
Fugiu com os cavalos. Foi o que aconteceu.
Ent�o apanh�mos os cavalos, mas ele... fugiu.
N�o acredito no que diz.
Acredite ou n�o... fa�a como entender.
Procuro os meus cavalos, meu Senhor.
Os cavalos de sela, pretos...
que ficaram consigo como garantia.
Est�o no est�bulo.
Ele j� os viu.
Ele est� a fazer barafunda porque est�o sujos e fizemo-los trabalhar.
Aqueles n�o s�o os meus cavalos.
Deixei-lhe dois animais magn�ficos,
bem alimentados e de boa sa�de.
Eu quero os meus cavalos como estavam.
Senhor! A princesa j� n�o concede privil�gios de portagem.
Esteve a zombar de mim.
Agora eu quero os meus cavalos.
Irei para a Justi�a, Senhor.
Por qu�, exactamente, me d�s esse dinheiro?
Mostra-lhe.
Eu quero que ponhas uma queixa em tribunal.
Exigindo a repara��o dos danos, sofridos pelo C�sar e por mim.
O Direito de Portagem j� n�o existe.
A Chancelaria confirmou-o.
O C�sar sempre esteve ao meu servi�o.
Eles lan�aram os c�es sobre ele.
Deixo-te isto para os custos processuais.
E diz-lhes que quero os meus cavalos como estavam.
Bem alimentados e em perfeita sa�de.
� um potro.
� o teu cavalo.
Olha...
Ele vai p�r-se de p�.
Venho do tribunal.
O teu apelo foi rejeitado.
� a terceira vez. N�o haver� outra.
O bar�o que te prejudicou...
� parente dum gentil-homem da Corte.
Aconselho que recuperes os teus cavalos.
Porque n�o desmontas?
Eu n�o posso ficar.
Devo partir.
N�o queres comer qualquer coisa?
Por favor...
...n�o insistas.
Acabamos assim?
Kohlhaas...
O teu neg�cio � t�o fr�gil que n�o suporta a perda de dois cavalos?
- Por que te fazes desentendido? - Vai e pega os teus cavalos...
Quais cavalos?
Aquelas bestas meio-mortas
que eu deixei l� h� tr�s meses?
Prefiro que me deixes fora disso.
M�e, vem ver.
"Considerando a ac��o movida pelo comerciante de cavalos,
"Michael Kohlhaas, contra Sua Senhoria.
"Julgamos que o Senhor a quem foram confiados os seus cavalos,
"n�o os ret�m de forma alguma.
"Poder� recuper�-los por sua iniciativa,
"ou designar um lugar onde Sua Senhoria possa libert�-los.
"Consideramos ainda Michael Kohlhaas como um litigante calunioso...
"e instamo-lo a n�o ocupar a Chancelaria com tais queixas...
"...sob pena de pris�o."
Est�s a vender a terra?
Se comprares agora, n�o vou regatear o pre�o.
Quanto me ofereces por tudo?
Tudo o qu�?
Tudo.
A terra... a casa.
O que disse o C�sar?
Que pretendes levar a tua queixa at� � princesa.
Que est�s a vender a casa.
Desembara�as-te de n�s?
Judith...
Deus deu-me uma mulher,
crian�as,
a quem amo mais que tudo.
Pretendes que me arrependa disso pela primeira vez na minha vida?
O que devo fazer?
Oferecer as minhas desculpas ao bar�o?
D�-me a queixa.
Deixa-me ir.
Judith...
H� uma s�quito em torno da princesa.
Como te pretendes infiltrar?
A golpe de espada?
O s�quito em torno da princesa � uma Corte.
Se queres mesmo que a tua queixa seja ouvida...
Meu amor...
Deixa-me ir.
Volta a p�, com a �gua.
Eu vou mais depressa sem ti.
"Senhor...
"Senhor de todos os senhores,
"Tu, que conheces os pensamentos humanos.
"Criador do trov�o, do rel�mpago, do nevoeiro...
"do vento, da neve, da chuva...
"Tu que crias os seres perec�veis, os mant�ns, os alimentas...
"Recebe a alma da Judith."
Recebe a alma de Judith.
"Asperge-a com o orvalho da Tua gra�a."
Asperge-a com o orvalho da Tua gra�a.
"Sob a sombra das Tuas asas."
Sob a sombra das Tuas asas.
"Senhor, h� muito pesar pela Judith."
Senhor...
"Deixa-a habitar Contigo."
�men.
Eu posso ficar em casa, tamb�m.
Lisbeth.
Quando tudo acabar, eu vou buscar-te.
Eu prometo-te.
A B�blia diz que perdoemos os nossos inimigos.
Pe�o a Deus... que Ele nunca me perdoe
como vamos perdoar aos c�es do nosso Senhor.
Vistam-se.
Baixa isso.
Pega nisso.
O bar�o est� a p�. N�o pode ter ido longe.
Eles pedem para vir connosco.
O que dizes?
Sendo assim, eu vim, Senhor Kohlhaas,
e apresento-lhe os meus respeitos.
Um �nico homem e o seu cavalo contra o mundo inteiro!
Isso � muito forte.
Eu tamb�m...
Eu tamb�m... violei leis.
Ouve, ouve! Eu tamb�m violei leis.
Bem, �s vezes. Como todos os homens.
Quero dizer que... se houvesse um Deus justo...
n�o estou seguro do que se passaria.
Depois, se... se pusesse numa balan�a
o que eu fiz e...
e no outro prato...
o que me fizeram...
Olha, olha.
Olha, alcan��mos o Senhor Kohlhaas.
� para vossemec�s.
Ter� de se esperar um pouco, mas ele vai engordar.
Quanto pretendes por ele?
N�o, n�o, n�o, nada. � um presente.
O Kohlhaas n�o aceita presentes.
N�s vamos pagar-te.
Quem sabe lutar?
Quem � que j� foi � guerra?
Sabeis o que Senhor faz aos camponeses que se revoltam?
Manda cortar-lhes os dedos.
Arrancar-lhes os olhos.
Torturam-nos lentamente.
Isso dura um dia.
A morte de um campon�s � uma piada.
Eu fui soldado.
Sei do que falo.
Tu, o grande, vens comigo.
Os outros, ide para casa.
Eu... eu...
Eu... posso lutar.
Mostra.
Eu... quero aprender.
Eu quero... ver o Senhor Kohlhaas.
� importante.
Trouxe o porco. Eu n�o me esqueci.
O bar�o...
O bar�o...
Eu sei onde ele est�.
Quando eu era crian�a, uma rebentou uma revolta
numa prov�ncia vizinha, a alguma dist�ncia.
Um dia, um mendigo que tinha passado por aquela prov�ncia
levou � casa de meu pai um "Manifesto dos Revoltados".
Era um dia de festa,
havia convidados em todas as nossas divis�es.
O padre leu o primeiro artigo
e toda a gente se desmanchou a rir.
O meu pai rasgou o manifesto
e expulsou o mendigo � paulada.
Porqu�?
Os camponeses queixavam-se, em doze artigos,
de valerem menos que os nossos c�es.
Eu tinha doze anos.
A grande revolta dos camponeses teve lugar um m�s depois.
O meu pai perdeu a vida.
Tr�s casas da nossa fam�lia foram queimadas e demolidas.
Diga ao governador que foi a coisa mais discreta que encontrei.
Depressa, e n�o fale com ningu�m.
Do que est�s � espera? Despacha-te.
O t�mulo da Judith est� florido.
Obrigado.
O vizinho j� n�o quer a casa.
Guarda-a para ti.
Podes recomprar a terra quando quiseres.
Tu sabes, n�o posso ficar convosco.
Eu sei.
O que queres que eu fa�a?
Regressa.
O que vais fazer com ela?
Ela � minha filha.
H� not�cias de casa?
Ningu�m te julga.
Nem uma palavra contra ti.
E tu?
Como me julgas?
O bar�o acaba de deixar a abadia.
� pela mam� que fazes a guerra?
N�o.
Pelos cavalos?
N�o.
C�sar.
Duas esquadras.
Dezoito homens.
Os meus homens.
N�o nos apropriamos.
Compramos.
Pagamos...
...a quem pertence.
E n�o aceitamos quaisquer donativos.
As gentes d�o porque t�m medo.
A guerra n�o d� o direito.
As pilhagens,
os roubos...
...� o Senhor.
N�o somos n�s.
Avan�a.
Saquearam a tua casa.
Mostra-me quem te fez isso.
Tens algo a dizer?
E essa a tua ideia de justi�a?
Enforcar os teus pr�prios homens?
� por isso que queimas e massacras?
Parece que te preparas para devastar uma cidade inteira.
Todas esta gente que levas para a guerra...
Eles sabem o que os espera?
O que lhes contaste?
Que Kohlhaas foi v�tima de uma grande injusti�a?
Tu �s um comerciante.
O teu neg�cio � pr�spero.
Para ti, a vida � doce.
Que esfor�os fizeste para obteres justi�a?
Eu, vejo que o teu cora��o � mau.
Est�s a levar toda esta gente
para uma guerra que n�o lhe diz respeito.
Vejo que a espada que empunhas n�o � a Espada da Justi�a.
Que n�o �s um Soldado de Deus.
Deus... foi largamente esquecido
em toda esta hist�ria.
Kohlhaas...
O que te espera sobre a Terra � o cadafalso.
E v�s todos, sabeis muito bem o que vos espera l� no Alto.
Foi uma honra para mim, conhecer-te.
Conheces-me?
Eu li a tua B�blia...
e lia-a aos meus filhos.
Se todos agissem como tu,
n�o haveria Ordem, nem Justi�a.
Tu mesmo...
que farias se entre as tuas pr�prias tropas
cada um tomasse a iniciativa de fazer justi�a
e vingar-se por conta pr�pria?
� um atributo superior, o de julgar.
Ningu�m pode ser juiz da sua pr�pria causa.
Deus ajuda-te...
se souberes sofrer como Ele to pede.
Se aprenderes a resistir, a suportar a injusti�a.
Ainda n�o sabes que n�o conv�m a um crist�o
lutar de espada e arcabuz...
mas com a cruz e a paci�ncia?
Que o Seu triunfo n�o � a domina��o nem o poder
mas a submiss�o e a humildade?
Eu passei a minha vida a convencer a Igreja e os pr�ncipes
de que n�o tinham raz�o para nos temer.
Que tudo o que aspir�vamos
era poder viver e prosperar ao seu lado.
A tua revolta...
...fez recuar tanto a nossa causa.
A mulher...
que eu amava...
que carregava um filho meu...
foi ao pal�cio da princesa...
implorar!...
que me prestem a justi�a que me assiste.
Dep�e as armas.
Se o bar�o cuidar dos meus cavalos...
Em nome da tua f� e dos teus filhos.
...com as pr�prias m�os.
De todas as crian�as educadas pelos nossos princ�pios.
Se ele devolver os meus cavalos de boa sa�de,
eu deponho as armas.
E se n�o?
Afirmas que lamentas a perda da tua mulher.
Que est�s inconsol�vel.
N�o sabes que h� meios de vencer a morte?
Todas as esp�cies vivas as t�m.
Da formiga ao Homem.
Tu...
...tens a mais simples.
"N�o matar�s."
A morte � uma escolha.
Aquele que n�o mata, n�o morre.
O que � preciso que consideres hoje...
n�o � a tua for�a, que � grande,
n�o � a maldade do teu advers�rio, que � ineg�vel.
Apenas te pe�o que verifiques
se o que est�s prestes a fazer est� de acordo com a justi�a
e com a tua consci�ncia.
� bonito dizer ao desafortunado palavras que voam como flechas.
Ocorreu-te pensar que o fizeste em nome do teu pr�prio fim?
E a crian�a que deixar�s?
Um pensamento que j� n�o te habita?
N�o te esque�as:
Morremos sozinhos.
Tiveste isto, desde o princ�pio.
A princesa est� a negociar.
Eu n�o.
N�o pe�o mais nada al�m do que est� escrito aqui.
Preferiria que te remetesses ao esp�rito das Escrituras,
ao inv�s dos argumentos da princesa.
Ouvir�s a minha confiss�o?
Ajoelha-te.
Est�s preparado para perdoar ao teu inimigo,
ir recuperar os teus cavalos
e lev�-los para casa para cuidar deles?
Estou preparado para perdoar aqueles que me injusti�aram inconscientemente.
Mas...
o bar�o...
Deixe-me exigir que ele trate dos meus cavalos
com as suas pr�prias m�os.
Pastor...
Recusas-me a paz?
Com Deus, sim.
Com a princesa, est� nas tuas m�os.
"A Princesa de Angoul�me, Rainha de Navarra, irm� do Rei,
"concede o perd�o a Michael Kohlhaas, e o direito de passagem,
"para uma nova instru��o do seu caso...
"...na condi��o de que ele deponha as armas"?
"Se o tribunal rejeitar a sua queixa,
"o dito Kohlhaas submeter-se-� � lei por ter feito justi�a com as pr�prias m�os.
"Pelo contr�rio, se o tribunal lhe der raz�o,
"ele e as suas tropas ser�o perdoados,
"e a amnistia cobrir� as ac��es de que se tornou culpado no pa�s."
Eu vi injusti�a, por isso recorri �s armas.
Ter�o as minhas armas. N�o vou lutar mais.
Cada um, regresse a sua casa.
Hoje n�o vai morrer ningu�m.
E aqueles que j� est�o mortos?
E C�sar?
Amnistia!
Deponham as armas.
Deponham as armas.
Todos.
Tu depuseste as armas?
J� o fiz.
Tens filhos?
N�o.
Uma mulher?
N�o.
N�o deixaste nada para tr�s? Tens a certeza?
N�o tenho mais nada.
Est� bem.
N�o sei para onde ir.
Sabes onde est� o J�r�mie?
Sabes para onde vai?
Michael Kohlhaas?
Majestade.
Tu sabes quem sou?
O meu pai chamou-lhe "Majestade".
Foi no meu pal�cio que a tua m�e foi ferida.
Acreditas se te disser que lamento?
Acreditas que foi culpa minha?
A cidade que te preparavas para destruir antes de depores as armas...
Eu estava l�.
Lamentei n�o ter tantos homens como tu.
Com a tua for�a, podias ter conquistado muito mais, por que depuseste as armas?
Eu n�o quero mais nada, Majestade. Somente o que me � devido.
Tu �s um fan�tico.
Tenho princ�pios.
Um parente do bar�o usou a sua posi��o para fazer desaparecer a tua queixa.
Sabias?
Sim.
Tu �s como eu.
Vives tanto pelo amor como pelo medo que inspiras.
Se inspiras apenas o medo, toda a gente te detesta.
E o amor...
...� sinal de fraqueza.
Mas duvido que estejas s�.
Os ex�rcitos...
Tens uma crian�a.
Gostaria que aceitasses uma escolta.
Majestade, creio que...
Homens... para tua protec��o.
At� ao julgamento.
O bar�o pode ter encontrado os teus cavalos.
Num estado lastim�vel, mas vivos.
Vai e identifica-os.
O tribunal confirmar� se est�o no seu estado original.
Ter�s o que pretendias.
Foram quatro?
Haver� quatro.
Duas �guas e dois potros.
� por isso que tens tudo pronto? Vamos para a feira?
Estamos � espera dos novos. Eles v�o connosco.
Temes por mim?
N�o sei, s�o as ordens.
Tu conhece-las.
Farei como quiser.
Um dos teus servos n�o entregou as armas.
Dois nobres foram mortos,
as suas propriedades roubadas e distribu�das aos camponeses.
Mas eu j� n�o tenho servos.
Isto n�o interessa.
A princesa deu-me a sua palavra.
A princesa considera que a amnistia foi violada.
Isso faz de mim um prisioneiro?
Desce.
Lisbeth.
� hora de ir.
Onde � a casa?
Vamos exactamente na direc��o oposta.
Lisbeth.
Come.
Temo que tenha de ir morar com a minha tia.
N�o podes viver sozinha, Lisbeth.
Eu nem a conhe�o.
Eu conhe�o-ao.
E a casa?
O que tem a casa?
Voltarei l�?
Lisbeth,
isso n�o � poss�vel.
Ma��s...
da tua casa.
O vizinho concordou.
Falei com ele.
Ele escreveu-te uma carta com os detalhes.
Aqui, a qualquer momento, as pessoas v�o come�ar a rezar.
Os sinos tocam, e eles ajoelham-se.
Todos ao mesmo tempo.
Tinha-me esquecido.
S� os judeus e n�s permanecemos de p�.
O que est� para vir...
...� dif�cil.
� dif�cil para mim encontrar...
Eu n�o sei.
Uma palavra.
A princesa interveio.
Eu n�o vou ser torturado,
ou esfolado,
ou queimado.
Gra�as a Deus.
Sabes alguma coisa?
Sim.
Queres dizer-me?
N�o.
O pior � a certeza.
Eu conto:
A cada dia, aproximo-me da Judith.
E afasto-me da Lisbeth.
N�o � a morte.
� morte, estou eu acostumado.
Sou crente.
Mas a certeza absoluta do dia, da hora... e como...
...� o mais dif�cil.
Kohlhaas...
Em nome de Marguerite, Princesa de Angoul�me
Rainha de Navarra,
irm� do Rei,
� hoje que te presto a justi�a que solicitaste.
Submeto-te o que te foi tomado pela for�a:
Os teus cavalos.
O dinheiro de repara��o pelo teu servo.
C�sar n�o tinha fam�lia.
D� isto a algu�m que necessite.
O dinheiro de repara��o para ti.
Dois anos de pris�o pelo que ele te fez.
Tens o que pretendias.
Os cavalos s�o para ti.
Lisbeth...
Eu sei que est�s zangada.
N�o pe�o o teu perd�o.
Tive a fortuna de te ter.
Tu �s corajosa.
Magoas-me os dedos.
Eu quero ir...
...agora.
Acompanha-a.
Esperamos alguma coisa?
N�o.
Michael Kohlhaas...
Tu, a quem desta forma foram restaurados os direitos,
est�s preparado, por teu lado, por haveres violado a paz,
a restaurar os direitos de Sua Majestade, o Rei,
aqui representado por esta entidade jur�dica?
Estou pronto.
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