All language subtitles for la violetera

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Original subtitles

Cravos! Cam�lias!

As flores mais bonitas!

- Quer uma, senhorita?

- N�o, obrigada.

Senhorita, um bilhete que vai dar.

Vamos, animem-se. Um cravo?

- Violetas!

- Violetas eu quero! Compre-me.

Obrigada, senhor.

Violetas? As da sorte. Custam apenas um real.

- Aqui est�. - Obrigada, senhor.

Soledad

Soledad! Cinco das quentinhas.

Violetas, senhor? N�o diga que n�o, porque sei que sim.

Violetas para estas belas damas que o acompanham.

Ela vende e n�s, nada.

O que ela tem que eu n�o tenho?

Quase nada! Violetas e vinte anos.

O que faz por aqui, Lola?

Vim v�-la. Onde ir� na ultima noite do ano?

Em nenhum lugar.

Ent�o comer� uvas comigo no camarim do sal�o Bolero.

N�o sei se poderei ir. Ainda tenho que vender isto!

Ent�o uma feliz entrada de ano e uma sa�da ainda melhor.

Obrigada, Lola. E feliz ano novo.

Violetas. Violetas.

Violetas?

Para sua namorada, bonit�o.

Obrigado. De nada.

- � a Soledad?

- Eu mesma.

Vai vender tudo sozinha?

Eu e quem mais puder.

Decidimos que deve sair daqui.

E quem decidiu?

Todas!

�? Isso foi por maioria ou por unanimidade?

Isso foi porque concordamos.

Pois pode ir andando porque n�o vou embora.

- N�o vai? - N�o vou!

Que temperamento!

Foi decidido por unanimidade. Estou dizendo.

Tome isso!

Parab�ns, Fernando.

Vai terminar o ano florido.

Obrigado pelas flores.

- Onde elas est�o? - No camarote.

Vai gostar.

Ainda bem que n�o s�o inteligentes.

Se sabem muito, me aborrecem.

N�o h� esse perigo.

S�o bonitas? Lindas.

A beleza � a �nica forma de intelig�ncia que reconhe�o.

Certo.

Vamos passar uma noite... horr�vel!

Veja! Sua namorada!

Estamos fritos.

Fernando. Alegro-me muito por estar melhor.

E eu, por encontr�-la.

N�o ia na opera?

Mudei de id�ia quando Carlos disse que voc� n�o viria...

porque estava doente.

Muito doente. Estava com uma febre!

Estava e estou! Principalmente agora.

Est� bem melhor!

Por isso disse que a veria ainda que brevemente.

Estamos aqui para desejar que se cumpram todos seus desejos.

Vai entrar conosco?

Imposs�vel. As reca�das s�o um perigo.

Para casa e r�pido.

Terei que obedecer.

Como adivinhou que eu viria ao Apolo?

Um pressentimento.

Pressentimento, hein?

Bom, ent�o adeus.

Boa, muito boa. Que id�ia magn�fica de vir ao Apolo.

Bravo!

Qualquer um pode cometer um erro de calculo.

Mas isso se ajeita logo.

E voc�, bonita?

� comigo?

Sim, bonita.

Tome, bonita.

Entra, Suba ao camarote cinco.

E diga as senhoritas l� que estamos no Sal�o Bolero.

Escute, bonit�o. Vendo flores, n�o sou mensageira.

Pode parecer, mas n�o � a mesma coisa.

Que bom que voc� veio! Vou precisar de voc�.

E o cabo?

Est� a�, ao lado do arm�rio.

S�o sempre os mesmos que vem?

N�o. Mas as inten��es s�o as mesmas.

Pronto, � minha vez, Vamos.

N�o sei o que tem a primavera

Que tudo altera Enchendo de flores

- Viva as mulheres. - Viva a gra�a!

Que carne boa!

De amor se incendeiam Ao suave calor

A primavera Esta��o mais bela

- Vamos, gostosa. - Mais perto. Queremos perto.

Qualquer velho Que passe o ano inteiro

Sem nenhuma chama Tonto e cambaleando

Logo que chega maio

Como um raio Ela desperta

A primavera Esta��o mais bela

- N�o canta bem? - Gosto muito da musica.

�timo. Pelo menos uma que respeita nossos ouvidos.

Mas por que mudamos de programa?

Porque l� iam jogar uma bomba nas mo�as bonitas.

E como s�o bel�ssimas viemos aqui para proteg�-las.

A prop�sito, qual das duas vai proteger?

A primavera Esta��o mais bela

Solte-a! Solte-a, seu bruto.

Eu a peguei! � minha!

- Um beijo, uma caricia. - Solte-me!

Um beijo...

Deixe-a.

E se eu n�o quiser?

- Ele tem raz�o. - N�o, a senhorita � que tem.

Chega, senhores! Por Deus! Musica! Musica!

Cuidado!

- Obrigado. - De nada.

Senhores, por favor. A hora.

Est� na hora! Por favor, um momento.

O ano novo! Vai dar meia-noite. Meia- noite!

Falta um minuto, Preparem as uvas!

Vai dar meia-noite! � meia noite, as uvas!

Ano novo! Ano novo!

Vamos dividir?

Claro.

Uma para voc�... Para voc�.

Viva o progresso!

Viva o ano de 1900!

Viva!

Viva o s�culo vinte!

Viva!

Feliz ano novo, florista.

- Soledad. - Soledad.

Feliz ano novo, senhor...

Fernando.

Com licen�a. Que se torne realidade tudo o que quer.

Sabe o que quero. Ser como voc�, cantar como voc�.

Minha filha, como deseja pouco.

S� me resta proteger as duas.

Comece com o jantar que nos prometeu.

- J� est� na hora. - Vamos j�. Por aqui.

Fernando, a festa continua aqui em cima.

Esperem-me comendo.

Quer jantar comigo?

N�o, obrigada. Ela est� me esperando.

Disse que quero jantar com voc�.

Voc� sempre diz "quero".

E seu eu lhe disser "n�o"?

Pode dizer o que quiser. Seus olhos dizem "sim.

E agora, distinto publico...

O Sal�o Bolero continua com sua programa��o.

Musica, maestro.

Queremos o "Polichinelo".

- O "Polichinelo". - "Polichinelo"

"Polichinelo"! "Polichinelo"!

Com licen�a. Que surpresa!

Achei que n�o o encontraria.

Desculpe, Sr Fernando. Querem que cantem o "Polichinelo".

Prometem n�o belisc�-la.

Nem pensar! Por esta noite, basta.

Cantar assim � como cantar sentada.

N�o vai ter "Polichinelo"?

Ponham todos os f�sforos que tiverem.

"Polichinelo", "Polichinelo"...

"Polichinelo"...

Se n�o cantar v�o por fogo aqui.

E se cantar, fico roxa. N�o!

N�o se preocupe.

Eles gostam da musica, n�o importa quem a cante.

- Pode ser. - Ent�o eu canto.

Isso mesmo.

Fica com seu sal�o e voc�, com sua voz. Anuncie o numero.

E se eles se meterem com voc�?

Aqui estou eu para proteg�-la.

Confia em mim?

Sim.

A pedidos do distinto publico.

O "Polichinelo".

Canta a senhorita Soledad...

Soledad.

Entre os civis E os militares

Tenho todo dia Namorados de mont�o

Como fantoches Vem atr�s de mim

E fa�o com que todos

Dancem assim

Cata catapum Catapum para cima

Vem para cima, polichinelo Catacatapum catapum, catapum,

Como os bonecos No pim pam pum

Tem um velho louco Que j� est� no bico

E para que ele dance Puxo as cordinhas

E mesmo que resista E n�o queira pular

Pula muito contente Se me ouve cantar

Cata catapum Catapum para cima

Vem para cima, polichinelo Catacatapum, catapum, catapum

Como os bonecos No pim pam pum.

- O que acha? - Estupenda! Acha que gostaria...

De cantar aqui? Nem pensar!

Tem um mo�o Desses conquistadores

Desses que s�o famosos pelo que aprontam

Que ao me ver na rua

Vai com seis ou mais

Sempre diz: "Ai, menina" " O que faz comigo?"

Cata catapum. Catapum para cima

Vem para cima, polichinelo

Catacatapum Catapum, catapum

Como os bonecos No pim pam pum

Vamos parabeniz�-la, pois ela merece.

Espere, que j� foram na frente.

Ou�a, sabia que � muito bonita?

Na noite do ano novo, tudo parece bom.

N�o � isso. Quero repetir isso no ano que vem.

Ou seja, amanha, �s 3, na ponte. Voc� ir�?

N�o � cedo?

N�o � muito se ver de s�culo em s�culo. E ia ser...

uma espera angustiante de 12 horas. Voc� ir�?

Pode ser.

Agora, deixe-me ir com minha amiga. Moramos juntas.

Espere, N�s nos esquecemos de uma coisa.

- J� passou uma hora? - N�o,

- Meia noite? - Meia noite.

Feliz ano novo, Soledad.

Feliz ano novo, Fernando.

O senhor Fernando ainda est� dormindo. Acordo-o?

Pode deixar, que eu o acordo.

Parab�ns pelo que fez a noite.

Novo esc�ndalo. Com uma modista, num antro da cidade.

N�o � modista, � florista, J� soube?

N�o se fala de outra coisa em Madri.

E temos um nome a respeitar. Uma fam�lia.

Por isso exijo seriedade na entrada deste ano novo.

� verdade, hoje come�a o ano. Felicidades, querido irm�o.

Ou�a, Fernando. N�o � hora de por a cabe�a no lugar?

A cabe�a? Est� fora do lugar?

Fernando!

N�o seja assim. Um homem que nunca ri � um monstro.

Chega de bobagens!

Est� em idade de se casar.

Casar? N�o se casa pela idade. Isso � no servi�o militar.

Estou falando serio. Magdalena � um bom partido.

A companheira ideal.

Tem raz�o. Por que voc� n�o casa com ela?

Est� louco?

Sim. E para me dizer isso veio me acordar de madrugada?

Madrugada: S�o tr�s da tarde!

Tr�s?

Luis, d�-me minha roupa. R�pido!

Uma roupa qualquer. Onde est� voc�?

Pense no que vai fazer.

Seguir teu conselho. Procurar a companheira ideal.

Para minha roupa.

Isso � intoler�vel.

Tamb�m n�o gostou desta? � dif�cil de satisfazer.

Cata catapum Catapum para cima

Vem para cima, polichinelo

Ia esquecendo. Obrigado por me acordar.

Tenho um encontro muito importante. Obrigado.

Desculpe, Soledad. Atrasei-me um pouco.

Eu tamb�m. Acabei de chegar.

Venha.

Deixe-me v�-la.

Como est� bonita. Viva a noite de ontem.

Est� uma tarde muito bonita.

Mais um milagre. Primeiro, as violetas. Agora, o sol.

Como consegue?

Desejo com for�a e pronto.

� muito f�cil.

Se faz milagres, ou�a-me.

Feche os olhos. Agora precisa desejar algo com muito amor.

Assim.

- Era isso? - N�o.

Aonde vamos?

A qualquer parte fora deste mundo.

Eu gosto. Nunca fui a esse lugar.

Venha.

E isso � fora deste mundo?

Quase.

Bem vindo Sr Fernando.

Aqui ou dentro?

N�o, l�.

O local de sempre.

Agora mesmo.

Bem conhecido aqui.

Vem sempre?

Sim, mas mas nunca contigo.

Gosta?

Daqui se avista o pal�cio Real.

E o caminho que Goya fazia quando pintava para o Rei.

E aqui est� a rainha.

- Como num conto. - Por um dia.

As rainhas o s�o por toda a vida.

Olhe, Fernando. N�o precisa me enganar.

Sa� com voc� e ainda n�o sei por que.

Amanha voltarei a vender flores.

E voc� voltar� a ser um homem solteiro.

Mas n�o me importa, entende?

Por que n�o responde?

O que quer que eu responda?

Sou o mais feliz dos homens porque me falou de voc�.

- Dan�amos? - Sim.

Est� feliz?

Quer dizer, mais feliz do que antes de me conhecer?

Agora, mais.

Quero escut�-la assim, sentindo-se t�o bem.

Nascida em Madri Dos miradores

Embaixadores e gente simples

Era uma modista Muito arrumada

Que dan�ava Como se voasse

Meu namorado Era minha paix�o

Minha vida Era minha alegria

Era o mundo inteiro

Era o namorado De quem jamais se esquece

Era meu amor Era meu querer

Sincero

Diziam-me ao me ver t�o feliz

� Rosa de Madri

A madrilenha Mais bonita e primorosa

A flor de Chamber�

A mocinha mais delgada e mais charmosa

De l�bios de rubi De l�bios de rubi

A que vai por essas ruas T�o animada

Por isso dizem que sou Rosa de Madri

A mocinha mais delgada e mais charmosa

De l�bios de rubi De l�bios de rubi

A que vai por essas ruas t�o animada

Por isso dizem que sou Rosa de Madri

Muito bem.

Sabe que canta com uma gra�a extraordin�ria?

N�o me engane. Porque eu acredito em tudo.

Fernando! Venha c�, por favor.

N�o saia daqui.

O que faz de fraque t�o cedo?

Na verdade, t�o tarde. N�o dormimos te procurando.

Fazendo fiado. Esperando algu�m que pague.

- Fernando... - Com licen�a, querida.

Procurei-o durante a noite toda. Onde se enfiou?

Amanha vou recompens�-la por tanta espera.

Por que n�o agora?

Estou acompanhado. Logo nos veremos. At� amanha.

Paco!

- Sr Fernando. - E a senhorita?

Foi embora.

Estou muito satisfeito com voc�. Achei que n�o fosse vir.

N�o acredite nisso. Detesto quando � obrigat�rio.

- Considera isto obrigat�rio? - N�o. N�o muito.

Magdalena organizou esta festa em sua homenagem.

Ela gosta de voc�. Dif�cil algu�m como ela.

Tem titulo, fortuna pessoal, influencia pol�tica...

bons castelos na Fran�a...

Ou�a, continue com o inventario depois.

- E ent�o? Descobriu algo? - Sim.

- Diga. - Que ningu�m sabe de nada.

Mas isso � um absurdo.

Tem de estar em algum lugar. N�o procurou bem.

Revirei os teatros, perguntei as floristas.

N�o v�em Soledad desde a noite do fim de ano.

Tem que ach�-la custe o que custar.

Procure-a voc�. Dizem que o amor melhora a vis�o.

Isso � uma grande verdade, Fernando.

Viu? Eu o achei antes de voc� me procurar.

Boa noite, Magdalena.

Como vai, Fernando? E voc�, Carlos?

Por coincid�ncia est�vamos comentando que... Com licen�a.

Falavam de mim?

E desta festa espl�ndida.

Neste momento n�o a trocarei por nenhuma outra.

Fernando, voc� n�o est� bem esta noite.

Por que n�o?

se estando com voc� sou o mais invejado da festa?

Ningu�m te conhece como eu. H� alguma coisa em voc�.

� muito inteligente, Magdalena. Eu a admiro muito.

Mas n�o est� apaixonado por mim.

O que falta em mim?

Nada. Tem as qualidades para fazer um homem feliz.

E poucos defeitos que poderiam atrai- lo.

N�o �?

Sabe? Tanta perfei��o me d� um pouco de medo.

Conhe�o meus defeitos. N�o � bom sempre ser julgado.

e questionado.

E n�o gostaria de mudar de vida?

Tenho certeza que poderia chegar muito alto.

N�o lhe atrai a pol�tica?

A pol�tica?

Acho que n�o. E alem disso, francamente, n�o tenho opini�o.

- Empresto-lhe a minha. - E vai ficar sem?

Ent�o usaremos a mesma.

N�o aceito presentes de uma mulher.

Nem sendo eu?

Nem de uma mulher ador�vel e perfeita como voc�.

Obrigada, Fernando. Come�ou a dizer besteiras.

� sinal de que est� tudo bem.

Mais um dia sem sair? J� faz duas semanas.

Pode-se saber o que se passa?

Tenho medo de encontr�-lo e n�o quero.

Aposto que a ver� e nem reconhecer�.

Voc� acha?

Vai estar com outra. Comprar� flores para ela e nem a ver�.

Cale-se, sim? Sa� com ele porque quis.

Vimo-nos e n�o quero v�-lo mais. Tem algo com isso?

N�o � motivo para n�o viver e nem trabalhar.

� coisa minha.

Enquanto tiver dinheiro. Depois vai ser coisa minha.

N�o faltar�.

Vai ao teatro como sempre?

A qualquer lugar menos ao Apolo.

Posso, Fernando?

Mais um privilegio do mais velho.

� um alivio para ele. Que sacrif�cio nos acompanhando.

Est� enganada, Magdalena. Fico encantado.

Eu, em compensa��o, gosto de viver.

Violetas? Como cheiram bem.

Pe�a desculpas por mim.

Diga o que quiser. Voltarei logo.

- Boa noite. - Deixe-me.

Onde estava? Procurei-a por todos os lugares.

N�o � verdade.

�, sim.

Diga porque se escondeu e porque est� querendo fugir.

N�o tenho por que lhe dizer nada. Deixe-me ir.

N�o. N�o quero ficar dando voltas por Madri.

Deve ter sofrido por n�o me ver, n�o �?

Sofrido? Sim, um pouco.

Um pouco?

Muito.

Jure. N�o, n�o jure.

Seria demais. E eu n�o tenho direito a nada.

Nem quero nada.

Nem sou nada. E agora vai me deixar partir?

N�o. Nem agora nem nunca.

O modo mais moderno de se cumprimentar nos sal�es...

� levantar suavemente a m�o at� a pessoa.

O que acha?

Que quer dizer "muito bem".

Que curioso. N�o sirvo para isso.

Tem que se preparar nesta casa.

E com seu prometido... Vamos ver onde paramos.

Sim, aqui. No capitulo dois.

"O cumprimento importante"

Aproxime-se, jovem.

� encantadora.

Vai fazer a reverencia ou n�o?

- Honrad�ssima, Sra. Duquesa; - N�o.

N�o. Est� aqui. Pode dizer "senhora". J� basta.

Ou "Duquesa". "Sra. Duquesa" dizem as cozinheiras.

E "honrad�ssima" � caipira.

Muito bem. Tem toda raz�o. Dizer "senhora" � suficiente.

E as vezes at� demais.

Ol�, Fernando. Como vai?

Eu? Muito feliz.

N�o insistam porque n�o posso ficar. J� vou.

N�o quero que aprenda tudo que Lola lhe ensina.

Pode tratar de esquecer.

Sabe que dia � hoje?

28 de janeiro.

Faz exatamente um ano...

desde a noite que, por minha culpa, perdeu a �pera.

Perdi uma opera mas ganhei um amor.

� uma data importante e n�o lhe trago nada?

Para mim?

N�o, n�o quero presente. N�o sinto falta deles.

Guarde-o.

Gostaria que usasse.

J�ias s�o para serem usadas.

Para que eu ia querer?

Aqui, sempre sozinha. Sem ver ningu�m.

E quem quer ver...

- sem ser eu? - N�o me entende.

Gosto tanto de voc�...

Quando voc� n�o est� aqui...

e eu espero horas e horas, as vezes dias inteiros...

sinto ci�mes que n�o me deixam viver.

� tudo sonho. N�o conhece o ditado...

Ou � rebelde ou � mimosa.

Mimosa, mimosa

Vivo apaixonada

por um homem moreno

Que me deixa louca

Contando as palavras dele Que quando me mimam

Saem de sua boca

E mesmo sabendo Que gosta de mim

Morro de amores Que ele me demonstra

Fico quase morta

S� de ouvi-lo

Repetir-me assim

Mimosa

N�o seja t�o distante Nem convencida

Se j� sabe que a amo Que morro por voc�

Do que tem ci�me

Mimosa

Quando esse apaixonado Vem me ver de noite

Eu n�o tiro os olhos dele

Com um gesto de tristeza Que at� umedece

Meus olhos de pranto

E ele ao me ver desse modo Pergunta ansioso

"O que se passa com voc�?"

Mas eu n�o respondo nada

E a me ver calada

Ele repete assim

Mimosa

Agora, vamos. Temos de comemorar esta data.

Vai sair comigo?

Est� falando serio?

Senhorita, acompanhe-me ao melhor restaurante de Madri.

Boa noite. Aquela mesa, senhor Duque.

Duque � meu irm�o.

Bem, senhor. Por aqui.

Senhora Condessa, senhores. Boa noite,

Um segundo, enquanto escolhem a mesa.

- Ent�o... - Fernando.

Ol�, Magdalena. Como vai?

Achei que n�o estava em Madri.

Quase um ano sem v�-lo.

H� um ano moro no S�timo C�u.

Nada f�cil chegar ali. Se est� sozinho, venha conosco.

N�o estou sozinho, Magdalena. Vim com a senhorita.

A quem est� se referindo? N�o vejo nenhuma senhorita.

Calma, logo a ver� porque � muito bonita.

Permite-me. Senhorita Soledad, Condessa de Blasil.

Magdalena, acredito que seus amigos a esperam.

Isso � quase uma grosseria, Fernando.

Est� se parecendo com as pessoas que o cercam.

Um dos prazeres � n�o dar satisfa��o a ningu�m.

Nem aos seus?

Nem a mim?

Sinto muito. Eu disse "ningu�m".

Eu tamb�m sinto muito.

Teria sido melhor n�o termos nos encontrado essa noite.

Talvez.

Senhora Condessa; a mesa est� pronta.

Obrigada. Acho que n�o vamos nos sentar.

E n�o voltarei at� que selecionem a clientela.

Fico feliz por reinvidicar com energia.

Tudo por minha culpa.

� melhor assim. E agora...

Vamos viver nossas vidas. Queiram ou n�o, gostem ou n�o.

Gosta?

� o que acontece com as festas beneficentes.

Por mais caro que custe os bilhetes, qualquer um compra.

Ele n�o � qualquer um, mas vir aqui com essa mulher...

� um desafio.

N�o se preocupe Magdalena.

Mesmo Fernando lhe comprando vestidos caros...

sempre parecer� uma criada.

N�o olhou bem. Isabel.

Parece uma rainha.

Quer vir comigo? Temos que conversar.

Antes devo te apresentar minha prometida.

N�o acho que seja indispens�vel.

Meu irm�o tem a alma t�o boa que se permite alguns erros.

Agora que j� se conhecem estou � disposi��o.

Volto logo.

Poupe, suas palavras. Sei de mem�ria o que vai dizer.

Sou o mais velho.

Precisamente por isso tem tudo.

Titulo, pal�cio, fortuna e privil�gios.

Respeita a ultima vantagem que tenho, a liberdade.

Esquece uma coisa que n�s dois temos: o dever.

Aceitou o compromisso com Magdalena.

Voc� a empurrou para mim. Mostrei boa vontade.

at� onde consegui. O que mais quer me impor?

Quero que evite ofensas in�teis.

N�o posso impedi-lo de ter uma prometida, como a chama...

Mas n�o se exiba com ela.

A pessoa que acabei de lhe apresentar...

Se a senhorita me acompanhar, est�o a sua espera.

- Sim, senhorita.

Por favor.

Aproxime-se.

Pedi para vir porque queria falar com voc�.

Acho que n�o temos nada a nos dizer...

Voc� e eu.

Me chama de voc�

Por n�o conhecer a sociedade, fa�o o que fazem comigo.

N�o percamos tempo, senhorita.

Quer tirar de mim algo que me pertence faz tempo.

E se n�o estiver errada, para toda a vida.

Pois est� errada, senhora.

Encerremos. Fernando � meu prometido e Madri inteira sabe.

Acaba de me apresentar como noiva. Mesmo que n�o saibam.

Isso � mentira.

Se fosse verdade, deve estar louco.

Quanto tempo acha que vai durar essa loucura?

Fernando � de outra classe. � nobre, rico...

O que voc� pode lhe dar em troca?

Gostar dele com toda minha alma.

Isso n�o conta, eu tamb�m amo ele.

Eu n�o posso viver sem ele. Sen�o nada mais importa.

N�o entendo, vejo que perdi meu tempo.

E voc� sua oportunidade. Pensei em lhe oferecer...

qualquer coisa. Por maior que fosse...

Para que deixasse Fernando.

Agrade�o que n�o tenha feito.

Guarde seu dinheiro, senhora.

Precisar� dele para achar um marido de sua classe.

Acha isso mesmo ou s� est� querendo me insultar?

N�o insulto, falo a verdade.

E agora teria a bondade de chamar para que me acompanhem.

Se nosso presen�a o ofende, partiremos imediatamente.

� o que estou esperando.

Partirei da sua casa, que j� n�o pode ser a minha.

E vou embora de Madri.

Est� bem, fa�a o que quiser e v� para onde quiser.

Mas lembre-se: um dia vai se arrepender do que me fez...

E vai me dar raz�o.

Pode ter certeza que esse dia n�o chegar� nunca.

Agora s� tenho uma certeza: � indigno do nome que leva.

E n�o quero v�-lo mais.

Voltei. Desculpe-me t�-la deixado.

Falou com seu irm�o?

Sim, de coisas sem import�ncia.

Melhor assim.

Voc� se importaria se fossemos embora?

Ia pedir isso.

Muito insensato de Fernando. Fazer rid�culo para a sociedade.

Tem que perdoar, conhe�o a historia, e � de amor.

Se ama tanto, v� vender violetas durante o dia.

E ela de noite, sozinha, claro.

A pessoa de que estava falando � meu irm�o.

Eu sinto muito. Mas voc� deve sentir mais ainda.

N�o permito.

Ent�o por que permite que essa gente entre em sua fam�lia?

O que � isso? "Como Se Comportar na Sociedade".

D�-me isso. N�o preciso mais dele. N�o � mesmo?

Ande logo, quero sair de Madri.

E vai dizer finalmente aonde vamos?

A granada.

Granada? Deve ser muito bonita.

Sim, a Alhambra, El Generalife e a velha catedral onde...

Onde nos casaremos.

V�.

Carlos

E Fernando? Preciso v�-lo.

Entra.

Ol�, Carlos.

Fernando, precisa vir comigo at� sua casa.

Imposs�vel. Partiremos em uma hora.

� preciso se trata de seu irm�o.

Por que? Se ele mudou de id�ia, eu n�o.

Venha, eu lhe suplico. Imediatamente.

O que aconteceu?

N�o posso falar mais nada.

N�o se preocupe, n�o vou demorar.

Est� tudo como ele deixou.

Os criados n�o tocaram em nada at� segunda ordem.

Para Fernando

se chegar a ler esta carta � porque morri

N�o disponho, nem ordeno, nem pe�o nada

Porque sei que conservar� minha casa com dignidade.

Perdoa se te disse que n�o queria te ver mais.

Neste instante, o �nico pensamento que me entristece.

� ir embora sem te dar um abra�o

Mando-lhe um abra�o agora, muito forte.

O que est� pensando fazer?

Obedec�-lo.

Em tudo?

Em tudo.

E, Soledad?

Fernando, finalmente.

Eu li nos jornais. Deve ter sofrido muito.

E quando sofremos...

Sente-se sozinho.

Mas eu pensei muito em voc� perto de mim.

Eu tamb�m, mas de um jeito diferente.

Diferente, por que?

Porque decidi sair da sua vida.

N�o, n�o � isso.

Quer me assustar.

� isso que quer. Para aceitar outro modo de vida.

N�o � isso? Faremos de conta. Estarei aqui.

Vir� me ver quando puder...

Ou quando quiser.

Teremos o que pensa. Eu juro.

Tudo que quiser. Ajude- me.

N�o, Soledad, tem que entender.

Eu entendi tudo que meu irm�o dizia.

Teve que morrer para me desse conta.

Por isso preciso retribuir o amor que me dedicou.

E que eu sempre recusei...

do que respeitar sua vontade acabando com esta situa��o...

que foi a causa de sua morte.

N�o o entendo, Fernando.

N�o posso compreender.

Nunca ouviu falar de princ�pios.

De deveres.

Com o que estou sentindo, n�o h� for�a que ajude a superar.

Imp�e-se contra nossos defeitos, nossos desejos.

e contra tudo que possamos querer.

Nisso consiste a honra dos homens.

Mas n�o quero perd�-lo. N�o posso.

Para mim seria como perder a vida.

Diga que n�o � verdade tudo o que disse. Diga!

Est� decidido.

Herdei muitas coisas.

Inclusive este sacrif�cio. Meu irm�o quis assim.

N�o se preocupe com seu futuro.

Arranjei tudo para que n�o dependa de ningu�m.

Poder� continuar vivendo como viveu at� agora.

Saia.

Saia, saia.

De muita beleza Saiu essa preciosidade

Em um posto de castanhas Que minha m�e tinha

De castanhas chapadas

Me criei rodeada De cultivadores

E ali conheci O menino de quem gostei

Que eu fiquei nessa noite Muito tranq�ila

Apaguem os f�sforos Com um tapa

E tenho no meu quarto

Ao lado de Santo Antonio Um retrato do meu amor

Bem grande

Pode me dizer como lhe ocorreu trazer- me aqui?

Isto � melhor que a sala de espera da esta��o.

Alem disso, n�o veio procurar uma artista?

- Voc� disse artista? - Isso mesmo.

Viva o generoso Viva o primoroso

O mais bonito est� aqui

N�o me preocupo Porque j� escolhi

Quem vai ser meu marido

Uma viagem totalmente in�til.

As melhores artistas espanholas s�o fabricadas em Paris.

S� sabem dizer "ol�" e o publico grita: "Viva Andaluzia".

N�o beba mais.

Como diz o povo, preciso "afogar as magoas".

Nunca as afoga. No maximo, deixa-as de molho.

E depois, n�o � para tanto. Esse ai fez como todos.

Ele n�o era como os outros.

Pode ser que n�o fosse, mas agora �.

Bom, Lola j� me disse. Com que come�amos?

"Crueldade". Eu ensinei a ela.

Como a anuncio?

Soledad.

- Nada mais? - Nada mais.

V�. N�o tenha medo.

Ou�a, maestro. Podemos ir. J� chega.

N�o, espere um momento. Gosto dessa musica.

Quando acabar, n�s vamos.

Quando estou triste Fico s� no meu quarto

Pergunto � imagem da Virgem

O que fiz eu para Que se comporte t�o mal

o que est� fazendo comigo

� um crime

Olhe, menino A virgem v� tudo

Ela sabe Como voc� � mau

O que voc� queria

Com essas bobagens?

O amor voc� busca Em outras mulheres

Serranillo

N�o me mate Serrano

Que crueldade

Faz comigo

Como pode ser assim

Quantas vezes na varanda Me surpreendem

Os primeiros resplendores

Da aurora

Esperando que alguma vez Voc� se lembre

Desta pobre apaixonada

Que te adora

Mas voc� que aproveita Outras paix�es

Em nenhum momento pensar� Que eu te espero

E enquanto isso

Vai me esquecendo assim

Da dor da espera

Eu vou morrendo

Serranillo

N�o me mate, serrano

Que crueldade Faz comigo

Como pode ser assim?

Como cantou bem, Soledad. Como estava boa.

Fa�a o que quiser, mas se perdemos o trem...

H� mais trem do que gente que saiba cantar. V�.

E uma �tima pessoa. quer conhec�- la.

Para que?

Est� preparando um espet�culo novo.

Deve ter ouvido falar dele: Monsieur Garnard.

O que me importa o Monsieur Garnard?

Em compensa��o, voc� me interessa muito, senhorita.

Como artista.

Eu n�o sou artista. N�o sou nada.

O que fazia antes de n�o ser nada?

N�o me lembro.

Uma profiss�o muito rom�ntica: vendia violetas.

Violetas? Uma florista que canta? Muito bonito.

Com licen�a.

Para mim tanto faz.

Vejo que est� passando por um mal momento.

Os bons eu n�o conhe�o.

Mas toda mulher tem uma ambi��o na vida.

Por que se importaria com isso?

O que n�o me importa � o que me interessa.

Tem sorte. Porque a mim, nada mais me interessa.

Por que?

Porque estou morta. Sim, senhor.

Pode-se sair, andar pelas ruas, cantar...

e se estar morta, como eu.

E n�o gostaria de viajar?

N�o. E ao mesmo tempo gostaria de estar longe daqui.

N�o ag�ento mais.

Eu me comportei como um miser�vel.

Sei o que est� acontecendo.

Gosta dela mais do imaginava. Muito mais.

N�o achei que fosse verdade.

Se tivesse visto como olhava, com que angustia desesperada...

Um amor t�o grande pode ofender algu�m?

N�o. N�o pode ofender ningu�m.

Acha que meu irm�o me perdoar�?

Ele o perdoar�.

Aonde vai?

Soledad.

Soledad.

Soledad.

N�o, n�o. Chega!

O que acha?

Nada de mentiras. Que tal?

� preciso for�a. No Frances falta algo. Falta.

Est� ruim, n�o �?

Est� pior. N�o � nada.

A can��o sai de seus l�bios e tem que sair daqui.

Precisa se entregar ao publico por completo, sem vacilar.

Como se com ela vissem sua alma.

Sen�o essa can��o � s� tinta no papel.

N�o se canta s� com a voz, mas com as lembran�as.

As boas e as m�s. E se n�o as tem, inventa- se.

Vamos. Tente outra vez. Em espanhol, se preferir.

e tem temperamento, demonstra.

Amor

A noite de Paris

Nos faz suspirar

Amor, amor

Toda tristonha

Volto a ficar

N�o vemos

Que no cora��o

Ela canta sua can��o

Sonhemos que

A lua est� flutuando Sobre o rio

Esse Garnard � formid�vel. Viu o que fez dela em 3 meses.

Nas pontes de Paris

Souberam de nosso amor

Debaixo de uma ponte

Me deu aquele beijo E desde ent�o

Amo voc� s� por isso

O Sena procura

O mar

E lhe contar� de mim

E lhe dir� que me viu chorar

As pontes

De Paris

Melhor.

No dia da apresenta��o ter� de esquecer do publico...

Da orquestra, de tudo. Pense s� em voc� e nos espectadores.

N�o � t�o f�cil.

O que � isso? Nada � f�cil em nossa profiss�o.

Se quiser ser algu�m aqui...

ter� que esquecer que vendeu flores em Madri.

Olhe, eu n�o lhe pedi para me trazer a Paris...

Nem para me tornar uma artista ou gritar comigo.

O que quero � ir embora. Ouviu bem? Ir embora!

Nem pense nisso. Vai trabalhar, sofrer e estrear� em um m�s.

Aqui sou eu quem mando. Ter� de entender isso.

Ah, �? Muito bem! Amanha volto a meus pa�s mesmo se for a p�.

- Espere! - Vou embora!

� a ultima palavra?

Com educa��o, a ultima.

Bom, cantar� em Paris, querendo ou n�o.

Se apos a apresenta��o quiser voltar, n�o impedirei.

Prometo.

Quando o vi

Ele me disse

Que era meu homem

Vivo s� por ele

Enquanto me quiser ser fiel

Esse homem

N�o posso passar Nem uma noite sem pensar

No meu homem

E dou a ele o que sou

Tudo o que tenho Dou a ele

Ao meu homem Isso � um vigarista

Um gigol�

Mas n�o importo Porque eu o quero assim

Qualquer dia, pois

Ele me far� mal

Outra vez o perderei Portanto n�o sei

O que vai ser de mim

Porque o amo

S� tenho cora��o

Para meu amor

Se me deixar, tanto faz � natural

Que me tenha sempre assim

Porque assim o amo

Eu tento esquec�-lo E me deixo convidar

Pelos homens

Mas n�o pode ser

Porque s� sou mulher

Do meu homem

Por toda Paris Procuro o olhar cinzento

Do meu homem

Se me oferecer seu amor

Eu o perd�o o pior

Do meu homem

Por amor eu sou assim

N�o importa como

Procuro meu homem Sem saber onde andar�

Qualquer dia ent�o

Um homem

Me far� mal Outra vez o perderei

Ent�o eu sei

O que vai ser de mim

Porque o amo

S� tenho cora��o

Para meu homem

Se me pegam tanto faz � natural

Que me tenha sempre assim

Porque assim o amo

J� n�o tenho Cora��o

Obrigada, muito obrigada. Agrade�o de novo?

J� aplaudiram. Que a esperem.

Vamos.

Depois disso ainda quer voltar a Madri?

N�o sei. Agora tenho uma raz�o para viver.

Te aconselho a pensar bem. Sabe o que � um palco?

Poucas saberiam sem muitas lagrimas.

Trabalhar duro e se apresentar todas as noites.

Ao seu lado n�o tenho medo.

Estarei ao seu lado se quiser.

Agora, muitos v�o te admira-la. Melhor para voc�, pior para mim.

Mais uma festa.

Uma noite feliz.

Nem um momento sozinha.

N�o vejo a hora de tomar um banho.

E voc�?

Eu?

Tenho de agradec�-la por tudo que fez por mim.

Eu? Por que?

Ao Rei, que pensou em voc� para um posto de confian�a.

O Rei tem mais confian�a em voc� que em mim.

A vida n�o me preparou para a carreira diplom�tica...

Que n�o � nada f�cil.

Para voc� ser� muito mais f�cil do que imagina.

J� vai ver.

Pensei em tudo.

Nesta pasta eu pus as primeiras instru��es do Minist�rio.

Venha. Leremos juntos, se quiser.

N�o, amanha.

Amanha �s 12 almo�aremos na Embaixada da Fran�a.

E a tarde partimos. No navio.

Quando chegar ao Rio de Janeiro...

deve se reunir com o pessoal da Embaixada...

colocando-os a para do acertado por este Minist�rio...

Fernando.

Posso te fazer uma pergunta?

Claro.

Est� feliz ao meu lado?

Como n�o estaria? Voc� mudou minha vida.

N�o v� me dizer que gosta de mim s� por gratid�o.

� uma palavra triste.

Agora que estamos falando de tristezas...

� verdade que n�o sobrou nenhuma?

N�o.

Ent�o...

Ent�o, se quiser podemos continuar lendo as instru��es.

Muito bem, Senhor Embaixador.

Paris sempre precisou adorar uma espanhola.

Essa ser� a sucessora da velha Ozet.

� um novo milagre de Garnard.

Um casal perfeito. E parecem apaixonados.

Henri Garnard vai se interessar por mim. Serei importante.

Vai v�-la daqui a dois anos.

Sim, mas ela quer e � boa artista.

Ao contrario do nosso caso.

Para viver t�o perto um do outro � preciso querer...

querer apaixonadamente a mesma coisa.

Mas n�s amamos o teatro, a musica..

Para voc� � o suficiente?

E por que n�o para voc�? Devo-lhe tudo o que sou.

E neste momento me tem nos bra�os.

- Mademoiselle Moreno... - Monsieur...

Gostaria muito de ouvi-la cantar.

Simples. Vai ao teatro? Canto todas as noites.

N�o tenho tempo. E depois, quero que cante s� para mim.

Fabrico carros em Chicago. Por uma musica posso lhe dar...

um do ultimo tipo.

� muito am�vel, mas tenho carro. Preciso � de um chofer.

Se isso lhe interessar, diga quanto quer ganhar.

Isso n�o fui eu quem ensinei.

Que pena. Gostaria tanto de ouvi-la cantar.

N�o vai ao teatro?

N�o posso me dar esse luxo, senhorita.

Talvez algum dia.

Algum dia? N�o. Agora mesmo.

Por favor. "Fru fru".

Senhorita Moreno, Deus lhe pague.

Mademoiselle Moreno, muito obrigado.

O senhor? Teria, por acaso, 20 mil francos?

Sim, Mademoiselle.

Exatamente o que me pagam por noite no teatro.

- Aqui est�. - Obrigada, senhor.

Voc� n�o me deve mais nada.

Pegue. Para que v� ao teatro me ver quando quiser.

Faltava a consagra��o liter�rio. J� a tem.

Porque p�s um pouco de vida em sua arte e arte em sua vida.

Assinado: Collet.

O "F�garo"...

Anuncia sua pr�xima turn� pelas capitais da Europa.

O mundo inteiro j� sabe.

Exatamente.

O que ningu�m sabe � que come�ar� por Madri.

Madri? De jeito nenhum.

Por que n�o Madri?

Porque n�o quero. � o suficiente.

Antes de estrear queria voltar � Espanha, lembra?

Vai cantar ainda que s� por uma noite.

Eu lhe suplico. N�o insista mais.

Sei por que n�o quer ir para l�.

Voc� pensa nele. Gosta dele como antes.

E tem medo de v�-lo.

Pode ser.

Apesar de tudo, quero que v�. Mesmo que eu a perca.

Ir� sozinha.

N�o sou bom jogador. J� viu.

Arrisco tudo em uma jogada.

Concorda?

N�o, n�o irei.

APRESENTA��O UNICA DA CELEBRE ARTISTA

Dizem que essa artista t�o bonita � de Madri.

E o senhor n�o queria vir, Embaixador.

Diga a Magdalena o que perdeu ficando no Rio.

Farei isso, senhor.

Como aves migrat�rias

De primavera

Em Madri aparecem

As violeteiras

Que anunciando

Parecem andorinhas

Que v�o piando

Compre uma voc�

Rapazinho

Que n�o custam Mais que um real

Compre de mim Este raminho

Para usar

Em sua lapela

Com licen�a, Excel�ncia.

Desculpe-o, Excel�ncia.

Em seus olhos alegres

Em seu rosto tristonho

Com o que lhe disse um tipo

De madrilenha

Ela o enfeiti�a

E ao lhe lan�ar um olhar

Ela o cauteriza

Compre uma voc�

Rapazinho

Que n�o custam Mais que um real

Compre de mim Este raminho

Para brilhar

Em sua lapela

Compre de mim Este raminho

Para usar

Em sua lapela

� do "New Yorker". Quando vai para a America?

Com certeza, logo.

Do "Imparcial": Garnard a descobriu aqui?

No Sal�o Bolero, sim.

Uma sorte.

N�o, foi o final de um capitulo sem import�ncia

- Conte-o, por favor. - Totalmente esquecido.

Senhorita, o outro numero.

Ouviram, por favor. Vejo-os em breve.

Saiam. Obrigada.

Pedi para todos sa�rem.

N�o devia ter entrado.

O capitulo sem import�ncia tem direito de se defender.

Vejo voc� depois.

Defender-se do que?

Lembro de todas as palavras naquela tarde em minha casa.

Quis honrar a mem�ria de meu irm�o, respeitando sua vontade...

tirando-a de minha vida para sempre.

Fiz isso conscientemente. Menti para que me esquecesse.

Para ter uma lembran�a m� de mim.

Para me esquecer mais facilmente.

Voc� conseguiu.

O que mais quer?

Naquela noite, Soledad...

voltei de novo a sua casa para que me perdoasse.

Disseram que tinha partido.

Que n�o voltaria.

E que n�o tinha partido sozinha.

Desde ent�o...

n�o soube mais nada de voc�.

E agora, ao me ver mudada...

recordou todos os nossos momentos de felicidade.

N�o � isso?

Eu lembrava sempre de voc�.

Quando n�o conseguia...

viver sua vida.

Minha vida...

O que significa essa vida sem t�- la ao meu lado?

Mas estou disposto a tudo para n�o perd�-la de novo.

Iremos juntos a qualquer lugar que quiser.

Mas comigo. Comigo para sempre. Quer?

N�o, Fernando.

Para come�ar de novo � tarde demais.

Por que � tarde? Nunca � tarde demais.

A n�o ser que goste de outro.

Diga a verdade.

Se quer tanto saber, vou dizer.

Amo voc� mais que nunca.

Agora que j� sabe, pode ir.

Pode ir agora mesmo.

Acompanhe o senhor, por favor.

N�o � necess�rio.

Como ela estava?

Est� muito mudada, n�o �?

� natural. Converteu-se na beleza cl�ssica.

J� sei que voc� diz Que sou m�

Que tenho a alma

Negra, muito negra

Que sou interesseira E pretensiosa

E meu orgulho N�o cabe em mim

J� sei por que Fica falando de mim

E que o despeito

Est� matando voc�

De n�o ver sua paix�o Correspondida

Isso n�o ter� Em sua vida

N�o gaste tempo comigo

N�o sou para voc�

N�o se canse de lamentar

�gua Que n�o vai beber

Deixe-a correr Deixe-a, deixe-a

Se vai falando de mim assim Para as pessoas

Deixando meu nome Ser levado pela correnteza

Porque chorando Como um menino

O meu carinho Vai implorar

Se diz que sou m� E que sou perversa

Que tenho a alma

Endurecida

Por que passa a vida Pensando em mim

Se n�o ter� meu carinho?

N�o gaste tempo comigo

N�o sou para voc�

N�o se canse de insistir

�gua Que n�o vai beber

Deixe-a correr Deixe-a, deixe-a

Apague a luz.

Quero ficar sozinha. N�o suporto mais.

Precisa se trocar.

Tem recep��o no Pal�cio.

V� ao carro e traga tudo. Deixe tudo aqui.

Preciso descansar.

Voc� veio.

Viu? N�o cumpro minha palavra.

Desculpe.

� a impaci�ncia do jogador.

Leve-me com voc�. Pelo que mais deseja.

O mais longe que puder.

- Esperam-na no Pal�cio. - N�o, vamos agora mesmo.

N�o pense que me engana.

Sei que foge do que mais quer.

Apesar disso, continuo me encantando.

Quando vejo seus olhos negros

Negros, negros

Como minha sorte

N�o sei o que entra Em meu corpo, Serranito

Sinto a morte

Serranito, sinto a morte

Quando vejo seus olhos negros Negros, negros

Como minha sorte

Ande, v� Pois eu n�o quero

Ficar cansada de voc�

Voc� se comporta Como quem �

Caramba

Que mais quer que eu lhe diga?

Os olhinhos de meu moreno

Parecem animais

Negros como meu cansa�o

Grandes como meus pesares

Os olhinhos do meu moreno

Parecem animais

Ao senhor poderoso

Iluminam quatro luzes

E a mim me iluminam Seus olhos

Caramba

Que brilham como dois s�is

Quanto mais nos aproximamos de Nova York, mais nervosa eu fico.

Acha que v�o gostar? V�o entender?

Pode ter certeza que disso.

Sentir�o o que voc� sente. Ainda confia em mim?

Completamente.

Preciso tanto de voc�, Henry. N�o me deixe nunca.

At� que passe a noite de estr�ia na Broadway.

Sou uma ego�sta.

Sei disso.

Mas me acostumou t�o mal que sem voc� n�o falo, nem canto.

Desculpe.

Eu � que agrade�o, pois amo voc�.

E escute-me: Far� muito sucesso em Nova York.

Fama e dinheiro para sempre.

A� eu j� n�o farei falta.

Mais que nunca. N�s dois juntos, a vida toda.

Sumiu �s 2:20 da manha.

1502 passageiros desaparecidos.

- Todos? - Cale-se!

Sobreviventes a bordo do mercante Titus...

Primeiro a acudir o naufr�gio. � manchete.

O "Le Matin" quer saber de 2 passageiros.

Leia.

Henry Garnard, com G.

Sinto muito. N�o est� entre os sobreviventes.

- Quem � o outro? - Soledad Moreno.

Tamb�m n�o.

Espere antes de responder. Faltam 2 mulheres e um menino.

Aqui est� o parecer.

Choque nervoso e pulm�es cheios.

Podemos informar mais tarde?

Cinco, dez, quinze, vinte...

E vinte e cinco mil francos. Conta acertada.

Terei a satisfa��o de n�o voltar aqui, senhora.

Com isto s�o 180 mil francos.

A vida da Srta Moreno vale muito mais que isso.

Passou oito meses aqui.

E os dos meses em casa tamb�m entraram na conta.

Aqui est� seu recibo, senhor.

Isso mesmo. Nada grave no organismo, cuidados...

repouso por um, dois, tr�s, sete, cem anos!

S�o muito otimistas os senhores m�dicos.

N�o se preocupe.

Chamaram-na da Alhambra para o ver�o. Tem que aceitar.

Venha. Um pequeno ensaio.

Eu conseguirei?

Claro que conseguir�.

Como vai a garganta dos marinheiros aposentados?

Como sempre.

S� me incomoda se eu cantar. E como n�o canto...

Como n�o? Tenho aqui "Flor de Ch�". Boa para sua voz.

Quando quiser.

Flor de ch�

N�o despreze meu amor

Que com voc� a vida

� encanto

E sem voc� � dor

N�o consigo, n�o consigo.

� uma pena, acredite.

Mas n�o posso p�-la na comedia sem nada.

Ser� por pouco tempo.

Preciso trabalhar. Vendi o apartamento e tudo que tinha.

N�o diga isso se quiser um contrato.

Nesta profiss�o, a pobreza...

� certificado de incapacidade.

E tire o luto, tamb�m prejudica.

Afinal, n�o era seu marido.

Ela, com representantes de terceira categoria?

N�o pode ser.

Pois � ela.

Mas era a rainha de Paris.

Era.

O senhor Debon n�o pode v�-la hoje.

Talvez amanha.

Amanha ser� a mesma coisa.

E nos outros dias tamb�m. Eu sei.

Sinto muito.

Obrigada.

Bem vindo, Senhor Duque.

Declara��es para a "ABC". Alguma opini�o pol�tica?

Os velhos falam do que fizeram, os jovens, do que fazem...

e os tontos, do que gostariam de fazer.

Com prazer, eu receberei voc�s em minha casa.

Iremos todos, Senhor Embaixador.

Claro.

Com Licen�a.

At� que enfim, Fernando.

Carlos, que alegria v�-lo depois de tanto tempo.

Quase dez anos. Desde a morte da pobre Magdalena.

Perdi uma grande companheira.

Ficaria feliz ao v�-lo ministro. Vai aceitar, n�o?

N�o sei. Prometi dar minha resposta amanha.

Responder� no ano que vem. Hoje � 31 de dezembro.

Sim, 31 de dezembro.

Espere no carro. Vou me despedir do Minist�rio.

- At� daqui a pouco. - At�.

O que vai fazer esta noite.

Suponho que vir� comigo.

Quero lhe apresentar minha namorada.

Tem namorada?

Vai durar uma semana como sempre.

N�o, desta vez � serio.

Leve-me para conhec�-la qualquer dia desses.

Hoje tenho que jantar com o Ministro e depois...

Depois vagabundearei um pouco por Madri.

Pelos lugares da nossa juventude.

Isso infelizmente n�o volta mais.

� verdade.

Foram os anos em que ped�amos muito da vida.

Lembra-se, Carlos?

Agora quero saber...

quantas de nossas ambi��es nos foram concedidas.

N�o te entendo, Fernando.

Tem tudo. Chegou ao topo.

Mas estou s�.

Chegou onde queria?

N�o. Onde queriam que chegasse.

Saudades?

S� uma.

Mas muito grande.

N�o a esqueceu?

Foi o �nico momento da minha vida que tive um cora��o.

Talvez porque ela o tivesse.

- Est� em Madri? - Sim.

Sabe alguma coisa dela?

- Sim. - Conte- me.

Conte-me.

Porque gosto de dan�ar Meu namorado n�o quer casar

Ele quase me deixou

Que publico ruim o desta noite.

M� ocasi�o para estrear.

Porque tem que chorar

Se deixam de gostar dela

Sozinha na vida Por uma m� sorte

Solteira e sozinha na vida

Canalha

Eu quero morrer

Venham, senhores Senhores, venha alegria

Quero dan�ar

Logo ser� sua vez. Viu como as pessoas est�o.

Cuidado com o que faz.

Estou com um medo horr�vel. Acha que vai dar certo?

Como antes. Na ultima noite do ano tudo d�. N�o se preocupe.

N�o estou acostumada com isto. Posso ir embora?

Depois de te pagar e te anunciar? N�o.

Eles gritam tanto.

A fome grita mais alto.

Venham, senhores Senhores, venha alegria

Quero dan�ar

Pegue. E anime-se que eu os prepararei para voc�.

Respeit�vel publico.

Dance!

Distinto publico.

Faz tempo. uma artista que logo conquistou fama mundial...

estreou neste mesmo palco.

Agora, muito tempo depois de deixar o palco...

N�o resistiu ao chamado da arte...

e do fabuloso contrato que o Sal�o Bolero lhe ofereceu.

Senhores, quem n�o se lembra...

da genial, da incompar�vel Soledad Moreno?

V� e veja como se d�.

V�.

Como aves migrat�rias

Outra vez.

Como aves migrat�rias

As violeteiras

Que...

Que anunciam

Aqui tem mais. Com licen�a. � para atirar no palco.

Compre uma voc�

Rapazinho

Que n�o custam Mais que um real

Compre de mim Este raminho

Para usar

Em sua lapela

Seus olhos s�o alegres

Seu rosto, risonho

O que lhe disse um tipo

De madrilenho

Ele a enfeiti�a tanto

Que se lan�ar um olhar

Ele a cauteriza

Compre de mim

Rapazinho

Que n�o custam Mais que um real

Compre de mim Este raminho

Para usar

Em sua lapela

Senhores! J� vai dar meia noite!

Preparem-se para receber o ano novo.

Feliz ano novo, Soledad.

Feliz ano novo, Fernando.

Legendado por Alexandre Neto

F I M

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