All language subtitles for The Real Miyagi (2014) (1)

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Original subtitles

Há tantas pessoas nas artes marciais

e no mundo do cinema que não estudaram nada

de artes marciais, e que só enganam as pessoas

e falam sobre com quem estudaram

e as coisas todas que fizeram

quando, na realidade, não fizeram nada.

O Demura Sensei é o único genuíno.

Senhoras e senhores, o Sr. Fumio Demura

Nas artes marciais, há senseis de karaté,

e depois há o Fumio Demura.

Ele está a léguas de todos nós.

- E foi uma das pessoas fulcrais

que trouxe o karaté para os Estados Unidos

e a espalhar o karaté por todo o mundo a partir dos Estados Unidos.

- Nunca vi tão bela precisão.

Para mim, foi a coisa mais bonita que eu vi naquela noite.

O Bruce não usava muito as armas, ele usava adereços.

Mas ele considerava o nunchaku muito, muito dinâmico,

E, claro, o Sensei Demura foi o percursor, o fundador,

se quiser, dos métodos do nunchaku.

E tinha um livro sobre esses métodos .

Então, o Bruce estudou o livro e falou com o Sensei.

e foi assim que ele aprendeu a usar o nunchaku

É um verdadeiro artista de artes marciais, e ponto.

E ainda existem muito desses tipos por aí.

A razão do meu sucesso como lutador de karaté

devo-a ao Sr. Demura, e gosto muito de si.

- Ele foi a pessoa responsável

por ter dado vida ao Mr. Miyagi

em termos da sua perícia em artes marciais.

E o Demura Sensei não está cheio de enigmas,

e banalidades, como as frases manipuladoras de Hollywood.

É um homem muito humilde, calmo, um homem genuíno,

que realmente fez qualquer coisa, percebe?

A sua subida foi difícil no Japão,

veio para a América e abriu os seus dojos

e criou uma comunidade de artes marciais excelente.

O Fumio Demura foi nomeado para

PRÉMIO SENSEI KARATÉ FUMIO DEMURA

ao Black Belt Hall of Fame, duas vezes.

Já é obra ser nomeado uma vez,

mas ele conseguiu ser duas vezes.

OK!

SHITO-KYU KARATÉ

SANTA ANA, CALIFÓRNIA

Sabe, isto aconteceu há quase 47 anos.

E ... o Chuck Norris veio cá

e o Jun Lee,

e o Bob Wall , e até apareceu o Bruce Lee.

Vieram cá muitas pessoas.

São memórias.

Este sítio era uma casa normal,

e custava muito dinheiro para usar empreiteiros,

por isso, tudo que está aqui fomos nós que fizemos.

Cada aluno, cada pessoa que passou por aqui, parou,

espetou um prego, entregou uma alma.

Esta casa é velha, mas as pessoas

deixaram aqui muito suor.

17 DE MARÇO DE 2011

HÁ UM ANO A FILMAR ESTE DOCUMENTÁRIO, RECEBEMOS UMA CHAMADA DUM ALUNO DE DEMURA

SENSEI DEMURA ESTÁ EM COMA

E TEM APENAS 5% DE HIPÓTESES DE VIVER

- Uau, Ui!.

PATE E. JOHNSON Coreógrafo de duplos

Se acontecesse alguma coisa ao Sensei Demura,

seria horrível, que pensamento horrível.

Seria como ver um filho morrer antes de mim,

Sabe, é uma coisa muito difícil de dizer.

- Se acontecer alguma coisa ao Sensei,

DAVE SHAH Aluno de Demura

Não haverá outro Demura Sensei.

Só há um Demura Sensei.

ISAAC FLORENTINE Realizador

- Um grande vazio.

Sim, um grande vazio.

Porque acho que ninguém no mundo do karaté

ninguém o pode substituir,

o pode substituir.

- Os dados em percentagens não são bons,

DR. LARS ANKER NEUROCIRURGIÃO

porque cada caso é diferente,

mas tive que preparar

a família e os seus amigos um pouco.

Levou algum tempo a explicar para que ficasse claro

que isto é uma situação de risco de vida

e que pode não haver um final feliz.

UM ANO ANTES DESTE INCIDENTE

FEVEREIRO DE 2010

Saudação para a parede da frente!

One, two three...

- Agora, esta parte vem daqui,

bam, isto é onde acaba.

Carregue para baixo.

Agora, vem para aqui

agora para aqui, por baixo, trá-lo para cima.

Em 1961, ganhei todos os campeonatos do Fim de Ano.

E depois, em 1962-63 joguei três anos seguidos

Eu (competi) três anos seguidos

Só podem competir duas pessoas de cada província.

Aqui está o primeiro combate dos quartos de final.

Chuzo Kodaka à vossa esquerda,

e à vossa direita está Fumio Demura.

DEMURA

Golpe de nível médio. Olhar em frente!

Em 1964 tivemos os Jogos Olímpicos de Tóquio.

Nessa altura, a minha Federação disse,

"Vocês saem da equipa."

"Tragam-me pessoas novas para competir."

Ainda era muito novo, por isso decidi sair

e fazer outra coisa, para provar a mim mesmo.

Andava à procura de um sítio para onde ir.

Depois conheci um homem famoso,

um americano chamado Don Drago.

Pedi-lhe para arranjar forma de ir para o Canadá ou a América.

E ele disse, "Eu conheço o homem".

E foi assim que me apresentou o Dan Ivan.

- Ele era da C.I.A., um militar,

e andava à procurar de instrutores.

Andavam a visitar tipos de dojos diferentes.

Então, eu estava a fazer demonstrações,

e quando a demonstração acabou,

o Dan Drago e ele vieram ter comigo...

e ele queria aprender.

Então, comecei-lhe a ensinar isto.

E alguns meses depois, ele disse,

"Estás interessado em ir para a América?"

E eu disse, "Claro que estou."

Lembro-me de como ele estava apavorado quando veio

para cá, sem dizer uma palavra de inglês

GREG COLLIER ALUNO DE DEMURA

e só com 300 dólares na mala,

só tinha isso quando veio para cá.

Ele veio para os EU sozinho,

SHIGERU SAWABE MESTRE

a pagar as despesas pessoais.

- Não é como hoje,

só da porta ao avião.

Tinha que sair, dar uma volta,

começar a subir.

Ele não sabe como se dá esse passo,

cada passo para subir, o que eu senti.

A última coisa que ele se lembra de ver

foi a mãe dele a dizer-lhe adeus,

e essa era a imagem que ele tinha na mente,

da sua mãe a acenar,

e a pensar, "Isto é uma grande asneira."

KINUE DEMURA IRMÃ DE DEMURA

Estávamos todos a chorar

porque nunca tínhamos estado separados.

Tanto medo, em cada passo.

Porque ia para outro país.

Não tinha dinheiro,

não falava o idioma.

Quando cheguei aqui, no primeiro dia,

o que senti foi, "Quero ir para casa."

Chorei durante dois dias.

- Quando chegou cá não falava inglês

CHRISTIE E DAVID HINES ALUNOS DE DEMURA

e era muito intimidante porque a sua forma

de captar a atenção era a bater um shinai no chão

sabe, a fazer barulho.

E contava em Japonês, e era mesmo,

sabe, com aquela voz grossa.

Tem sido assim desde que ele chegou, e era,

era muito assustador.

Eu pensava que ele estava só a gritar muito,

mas era só mesmo porque não falava inglês.

Alguém pensou que seria uma boa ideia

levá-lo a Knott's Berry Farm.

Antigamente era muito diferente.

Não era politicamente correto, ou nada disso assim.

Na viagem de comboio, havia uns ladrões que entravam

e faziam um pequeno quadro,

entravam com espingardas barulhentas.

Ou seja, faziam muito barulho,

a disparar as espingardas, com fumo.

E ele entra no comboio, e estamos a andar,

e, de repente, estes tipos entram

e começam a disparar as espingardas e tudo

e a fazer o que lhes pagaram para fazer.

E, de repente estavam a voar no ar,

e o Sensei está a tirar-lhe as espingardas.

E estão a tentar tirar o Sensei dali

"Não, isto faz parte do espectáculo," e coisas assim.

- Quando chegamos aos Estados Unidos

ele não sabia o que era uma sanita.

As sanitas são diferentes na América e no Japão,

eles só se agachavam sob um buraco, ou qualquer coisa assim.

Mas ele usava a casa de banho

mas ninguém lhe tinha ensinado a usar a sanita.

Então, ele pensava que era para usar a sanita ao contrário

ele pensava que o tanque de água era,

"Olha que mesa tão fixe."

Então, sentava-se ao contrário e escrevia cartas à mãe,

e lia revistas, e coisas assim.

Ele nem percebia

que era para se sentar na outra direcção.

O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS Apresenta

O NOSSO INIMIGO... O JAPONÊS Filme produzido para formação da Armada

Vão ver o segundo de três filmes

que foram feitos para nos ajudar

a avaliar o nosso inimigo, o Japão.

MICHAEL MATSUDA MUSEU DA HISTÓRIA DAS ARTES MARCIAIS

Havia muito racismo, e preconceitos,

antigamente, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial

quando o Japão entrou na guerra contra a América.

Muitos instrutores enfrentaram racismo.

MUSEU DA HISTÓRIA DAS ARTES MARCIAIS

mesmo neste museu, quando comprámos este edifício,

na escritura dizia, "Não pode ser vendidos a japoneses."

Por isso, todos enfrentámos o racismo muitas vezes.

Claro, o Fumio Demura também enfrentou racismo

quando veio para a América.

Foi uma grande luta quando as pessoas, sabe,

os campos de concentração tinham acabado há pouco,

a guerra tinha terminado recentemente, por isso havia

muitos preconceitos contra o povo Japonês.

Por isso, ele teve que encarar isso, e, não obstante,

ele ainda fez história, mudou a América.

YOKOHOMA, JAPÃO

Em 1945

quase no fim da guerra.

Um B29 entrou neste templo.

Mas estava escuro e ninguém sabe o que é.

Mas no próprio templo

está tudo igual.

Não mudou nada.

A minha casa fica atrás daquele edifício ali.

Não fica muito longe daqui.

Mas às vezes ia por um atalho.

Tinha que ir pelos..., ir pelos arbustos

por aí abaixo, até ao templo

e depois passar por trás da estação.

Durante a guerra o meu pai comprou casa nesta área,

porque fica na topo da montanha e é muito sossegado.

A minha casa antiga já tinha sido destruída,

bombas por todo o lado, o meu pai salvou-me a vida.

A mãe vinha aos Estados Unidos para o visitar

e ele queria ter algo simpático para lhe mostrar,

Sabe, um sítio agradável para ela ficar,

um apartamento, ou algo parecido,

THANH NGUYEN ALUNO DE DEMURA

E o Sensei tentava arranjar um sítio,

e arrendar um sítio, e tinha o dinheiro.

E as pessoas recusavam arrendar-lhe casa

porque, sabe, ele era Japonês

e elas diziam, "Você não tem dinheiro."

E o Sensei dizia que lhes mostrava o dinheiro,

e eles recusavam à mesma.

Um dia assinava o contrato, e no dia seguinte

vinham dizer, "Preciso do dinheiro de volta."

E eu dizia, "Porquê?"

"Pois, o meu pai disse, não conseguimos fugir dos japoneses."

E eu disse, "Então, tome-lá."

BILL BLANKS ATOR ARTES MARCIAIS

- Quando eu o vi, não vi um Japonês.

Vi o seu espírito, vi o seu budo,

o espírito de um homem, como ele mexia o corpo.

E isso intrigava-me.

E o meu objectivo era as pessoas não verem

a minha cor, mas o meu espírito.

E quando as pessoas vêm isso, não vêm cor,

e eu penso que foi isso que ele fez.

TAMLYN TOMITA ATRIZ

Para espalhar esta arte, karaté, pelos Estados Unidos,

e pelo mundo, através das sombras e da escuridão,

como o racismo e a xenofobia,

e até o ódio puro,

o que mostra o tipo de carácter

e o tipo de espírito que ele tem, porque é uma luz.

Ele sabe que esta arte que é o karaté

é maior do que ele.

PARQUE JAPONÊS DE VEADOS

O Japanese Deer Park foi um passo ousado.

Sabe, pouco depois do fim da guerra,

de repente apareceu um parque cultural Japonês de veados

a falar sobre a cultura japonesa,

era como se fossem a uma versão em miniatura, suponho,

do que os Ocidentais pensavam que era o Japão.

Tinham espectáculos, dança japonesa,

uma piscina onde as mergulhadoras

WILLIAM CHRISTOPHER FORD ATOR DE ARTES MARCIAIS

mergulhavam e apanhavam ostras.

- Tinham um pequeno parque com veados.

Fomos lá, e eu vi as dançarinas japonesas.

"Olha, podemos fazer aqui qualquer coisa."

Eu não lhe pedi dinheiro.

Só para fazer uma demonstração grátis de karaté.

No verão, durante três meses,

fizemos demonstrações todos os dias.

No fim do verão conseguimos um contrato de um ano.

KEVIN SUZUKI ALUNO DE DEMURA

As demonstrações japonesas eram sempre banais,

pelo menos para o espectador americano,

"Ó, é só mais uma demonstração japonesa,"

são todas de um certo molde.

É tudo mais mecânico, é tudo

bum, bum, bum, stop.

E eles não se mexem.

Eu fazia isso no início.

O problema é que os americanos não percebem

porque é que paramos aí.

- Até então, sabe, quase ninguém

fazia a coreografia tradicional.

EMIL FARKAS HISTORIADOR DE ARTES MARCIAIS

Sabe, eu trabalhei no cinema,

por isso, quando fazemos isso, não é muito tradicional.

Sabe, é pontapés circulares e saltos etc.

A maioria desta demonstração tinha

artes marciais tradicionais, mas construída

de uma forma coreografada.

Se for ver um filme sem som,

sem reacções,

será que paga par o ir ver?

A reposta é "Não."

- Ele percebeu que, para

tornar o karaté popular, tem que trazer

humor, e colocar humor na demonstração.

Gerida para encontrar aquela linha muito ténue

entre karaté muito bom e humor,

que era maravilhoso.

Foi a primeira pessoa que vi em competição.

no mundo do karaté, que pegou na música

e que fez tudo ao ritmo da música.

Parecia que ele sabia contar a música.

- Então começamos a fazer mais,

foi um grande êxito.

Mas sem nos magoarmos,

era o que queríamos fazer, e começámos a fazê-lo.

Foi um grande sucesso.

- A execução dos movimentos,

GERALD OKAMURA ATOR DE ARTES MARCIAIS

os gestos, é tudo com muita precisão.

Os pés dele podem vir do chão até à tua garganta.

ao teu nariz, quase que pode tirar macacos,

o homem é bom.

Foi uma das primeiras pessoas a usar armas.

incrivelmente bem, porque, nessa altura,

em 1967-68, acho que nunca tinham visto nunchakus

ou espadas, ou esse tipo de armas,

ou paus ou arcos.

BRIAN MCMILLAN DOMADOR

Claro, a especialidade do Demura era os nunchakus.

Eu lembro-me disso.

E foi essa a primeira vez na vida que vi nunchakus,

sabe, que eu vi fazer isso.

E a velocidade e a agilidade

e a dedicação deste homem era tão óbvia.

Mas o que fazia as suas demonstrações tão espectaculares,

é que ele compreendia muito bem os ângulos das câmaras.

Todas as técnicas têm aspectos fortes e fracos,

mas ele consegue ver o ponto de vista dos espectadores,

e o que fica melhor.

Mas é uma linha muito ténue que diz,

"Estás-te a exibir para o público, ou és mesmo assim tão bom?"

E eu digo, sim, ele é mesmo assim tão bom.

STEVEN SEAGAL ATOR DE ARTES MARCIAIS

Eu era fã dele, e pensava que ele era bom professor.

E senti-me muito honrado e feliz

de estar a demonstrar karaté com ele.

Era um sítio chamado Japanese Deer Park.

Todos os dias tinham uma grande demonstração de karaté.

Um dia de apresentações familiares.

Cinturões pretos que vinham fazer lutas e

katas e partir pranchas e coisas diferentes desse tipo,

por isso, divertimo-nos muito juntos.

Isto é um tambor que eles usavam para atrair pessoas

para verem o espectáculo no Japanese Deer Village, e

ALDEIA JAPONESA

Pelo que ouço, o Steven Seagal andava com o tambor

a bater para atrair o público

para virem ver o espectáculo

quando ajudava o Sensei com demonstrações

no Japanese Deer Village.

O ponto alto é sempre quando ele diz,

"Uma coisa que o boxe não tem

que o karaté tem, são os pés."

E atira com o pé para a frente, e contra o seu oponente,

ele aterra mesmo no queixo do oponente e congela-o.

E é quando todos dizem "Ó", e, por isso,

isso é o momento definitivo da demonstração de karaté

que define o Sensei, a meu ver.

- Ao mesmo tempo tive alguns problemas

tive muitas queixas do Japão,

incluindo do meu Sensei.

Ele disse, "Estás a errar.

Se não te endireitares, pomos-te na rua."

Os tradicionalistas japoneses nunca gostaram do que

o Fumio Demura estava a fazer no Deer Park.

Estava a torná-lo mais criativo, com mais estilo,

e o que o público americano queria.

DON WARRENER ARTISTA DE ARTES MARCIAIS/PRODUTOR

Ouvi essa história, e digo que estão enganados.

O Sensei Demura promoveu as artes marciais desde o primeiro dia

em que chegou à América, de uma forma positiva que

influenciou milhares e milhares de indivíduos.

- As pessoas no Japão diziam,

"O Sensei está a arruinar o vosso nome,"

ou, "está a denegrir a vossa imagem" ao Sensei Sakagami

porque anda a fazer estas coisas,

e agora estão a dar espectáculos.

Em 1969 ou 70 convidei a minha mãe para vir a este país.

Então, disse à minha mãe que podia ser o último espectáculo,

por isso, era melhor ir ver porque posso não fazer mais.

Ela disse, "Então porque não?"

Eu respondi, "Há muitas queixas do Japão."

"Eles viram?"

"Não."

"Então isso significa que só ouviram,

é inveja."

"Se estás a fazer algo errado, é melhor desistires já."

"Mas se não estás a fazer nada errado,

mostra o teu valor."

O meu Sensei veio ao Canadá e contactou-me,

e eu fui lá.

Ele nunca a tinha visto.

Então, depois da sua demonstração, fiz parte da minha.

E ele disse, "Onde é que aprendeste isto?"

Eu disse, "Você não me disse para parar,

eu estou a fazer isto na Califórnia."

Depois disto, ele não me disse mais nada

YUKIO DEMURA IRMÃO DE DEMURA

O Sensei Sakagami na escola de karaté

sempre teve muita consideração pela capacidade do Fumio.

E a marca do nome do Fumio estava colocada junto à do Sensei

em vez da do filho dele. Foi um grande encorajamento,

não só para os meus irmãos mas também para mim,

tornar Fumio um irmão de confiança.

EM 1975 A ALDEIA DO PARQUE JAPONÊS DE VEADOS FALIU

Dois dias depois, o Las Vegas Hilton

ligou-me para fazer uma audição.

Então, dois dias depois, levámos a equipa para Las Vegas.

E fizemos o nosso primeiro espectáculo.

Fomos contratados.

- Era um espectáculo de samurai, e pensei,

o Sensei era o samurai, e havia uma rapariga

que era a donzela em apuros,

e depois, dois samurais bêbedos e descontrolados,

que traziam a parte do humor ao espectáculo.

Dois ou três tipos metiam-se com duas raparigas

GARY PITS APRESENTADOR DA HBTV

e chateavam-nas e empurravam-nas,

e, claro, o Sensei Demura espancava-os.

Estive lá dois anos num espectáculo profissional

Ninguém tinha feito isso, mesmo hoje.

Não há japoneses, karaté ou artistas de artes marciais

num espectáculo em Las Vegas.

Tivemos um tempo muito duro em Las Vegas.

Esse espectáculo de Karaté era óptimo, todavia.

KEN KAZAMA ATOR

O espectáculo era duro.

A estrada certa do Arizona para Vegas...

Demorava oito ou seis horas?

Cinco horas e meia. Era...

Era incrível.

Percebi como a América é grande.

Era como "Como pudemos lutar contra este país durante a guerra?"

Com licença!

Isto foi como voltar à escola no dia.

Não acho que ainda seja assim.

Vamos visitar o templo para adoração.

Quando estava na escola, e tinha que ir,

às vezes era difícil.

E vinha para aqui, debaixo da árvore,

e lia um bocadinho.

Nessa altura não havia ar condicionado

estava tanto calor,

eu dormia aqui.

Lembro-me que o Fumio é o mesmo,

O tipo de sangue AB cobre todos, certo?

Então temos três tipo B e três tipo O.

- Então isso faz de nós seis. - Sim.

Que é o Fumio, eu e quem?

Nobu chan? Verdade?

Vocês os dois são totalmente diferentes. O que és tu?

Eu sou tipo B.

Também és tipo B?

Então Yukio e tu são B.

Não, eu não sou. Eu disse que sou O, não disse?

Tenho quatro irmãos e duas irmãs.

E ainda estão todos vivos.

E também tinha dois meios-irmãos,

ambos já faleceram.

Eu e o meu irmão nascemos antes da segunda guerra mundial

por isso tivemos algumas dificuldades.

O meu pai tinha um negócio de circo.

E depois veio a II Guerra Mundial.

A empresa do meu pai faliu

e na mesma altura também teve uma espécie de AVC.

- Depois de ter caído

ouvi o meu irmão a correr

para o médico que vivia talvez a um quarteirão.

Mas depois ele faleceu logo.

Ele era muito trabalhador.

Tomou conta de nós desde que era muito jovem.

Porque era o filho mais velho.

Mas ele queria atingir o objectivo dele ao mesmo tempo.

Assim, tentou fazer as duas coisas.

MITSUE SHIRAKAWA IRMÃ DE DEMURA

Trabalhou sem dormir.

Não tivemos um pai.

Geria as despesas domésticas em nome da nossa mãe.

Ficava muito frustrado quando o dinheiro era desperdiçado.

Não tinha sapatos, não tinha roupa

Claro, era um miúdo, por isso

queríamos brincar, mas não tínhamos nada,

comecei a trabalhar por volta dos 12 anos.

Comecei a trabalhar com os jornais permanentes,

e a trabalhar no porto.

O momento mais difícil foi

quando fomos comprar arroz.

E recusaram-se a vender-nos porque não tínhamos dinheiro.

Assim a nossa mãe...

... penhorou o Quimono dela para podermos comprar arroz.

O meu trabalho era ir à loja.

Continuávamos a ter o mesmo problema.

Chegamos ao fundo do poço nessa altura.

Mas o Fumio tinha um sonho de ir para a América.

E eu queria que ele corresse atrás do sonho dele.

Por isso disse-lhe para ir.

Disse que tomaria conta da família.

Porque isso era o melhor...

Foi por isso que o Fumio foi para a América.

Estou contente porque pude ajudá-lo a ter sucesso.

Sofremos muito.

Eu pensei...

A mãe ficaria feliz por saber que ele era uma estrela.

Depois dele ter ido para os EU,

TERUO DEMURA IRMÃO DE DEMURA

foi enviando dinheiro para a nossa mãe.

Estava totalmente sozinho

num país estranho.

E começou a ser bem conhecido

pela sua capacidade e esforço.

Acho que isto é fantástico.

Nos anos 60 não havia mesmo escolas de artes marciais

em todas as esquinas ou em todos os centros comerciais

como se vê hoje.

RAYMOND HORWITZ REVISTA BLACK BELT

E não havia muitos instrutores qualificados.

Fumio Demura por acaso era extremamente proficiente

com técnicas com e sem armas.

E isso era interessante,

porque havia sempre tipos que eram muito bons,

uns com armas e outros sem armas,

mas ele era bom nas duas situações.

Por isso o Black Belt agarrou-se a isso.

BLACK BELT REVISTA EM VÍDEO

Fumio Demura, nascido em Yokohama.

sétimo dan, conselheiro técnico

da equipa de karaté dos Estados Unidos

As pessoas eram receptivas à sua perícia,

à sua proficiência e simplicidade.

A maioria dos instrutores japoneses como o Nishiyama

e o Okuzakuno, não davam entrevistas,

não se envolviam com revistas,

eram muito distantes.

Por outro lado, o Sensei tinha artigos nas revistas,

era muito, muito visível.

De todos os instrutores de artes marciais japoneses,

no país, diria que ele era,

nessa altura, certamente o mais visível

e o mais acessível.

Quando eu era um jovem na Suécia, gastei as minhas

últimas dólares para comprar a revista Black Belt

demorou por volta de seis meses a chegar dos Estados Unidos.

FUMIO DEMURA - Um Perito em Armas das Supremas nas Artes Marciais

O Sensei Demura estava na capa

e lia sobre ele.

O seu livro sobre Nunchakus,o livro sobre Tonfa,

quer dizer, li todos os livros de armas

que ele publicou.

BLACK BELT KARATÉ por FUMIO DEMURA

BO armas de karaté de autodefesa

por Fumio Demura

NUNCHAKU Armas de Karaté de Autodefesa

KAMA

KARATÉ por Fumio Demura

Eu punha um capacete e pegava nos nunchakus

FUNDAMENTOS DO NUNCHAKU

e tentava trabalhar com eles como ele fazia

e não conseguia, mas, sabe, eu tentava.

Bem, eu penso que acertei na minha cabeça e nos cotovelos,

é onde normalmente se acerta.

Sim, o primeiro.

É muito fácil fazer parecer que uma pessoa é boa

no que faz num filme ou na televisão

mas se vir um filme com imagens não editadas

do Fumio Demura em acção com um nunchaku, não se pode negar

que a sua precisão é de tirar a respiração.

RICHARD RABAGO ATOR DE ARTES MARCIAIS

O meu irmão tentou fazer aquilo uma vez

e partiu o queixo do outro tipo.

MICHAEL JAI WHITE ATOR DE ARTES MARCIAIS

- Encomendei um livro

chamado Nunchaku Avançado,

que é engraçado, porque

eu não percebia quase nada sobre o nunchaku.

Eu só tinha cabos de vassoura cortados

com uma corrente enrolada e depois girava-os

como um maluco.

E pensava que tinha jeito

por isso, não comprei nunchaku para principiantes,

mas nunchaku avançado.

Mas foi o livro de Fumio Demura.

E lembro-me do seu primeiro livro sobre Nunchaku

NUNCHAKU - ARMA DE KARATÉ DE AUTODEFESA Por Fumio Demura

Era como wow, todos falavam nele.

Bem, o Bruce, em 65, no Angeles City College

e o Sr. Nishiyama fizeram um torneio

e convidaram-me.

Então fiz uma ou duas demonstrações, com armas,

e depois ele foi lá.

E nessa altura, claro, nada de inglês.

Por isso o meu parceiro, Dan Ivan,

traduziu para mim.

"KATO" DE GREEN HONETS Pratica mesmo kung-fu?

E ele disse, "Este tipo está num filme."

Eu não fazia ideia.

ESTUDO CINTURÃO NEGRO: Karaté passa Judo

Perguntou-me, "Pode sentar-se?"

Eu disse, "Claro."

Não tive problemas, sentei-me comecei a conversar.

E depois, passamos pelos escritório da revista Black Belt,

era onde ele ia sempre.

E eu fui lá.

Foi onde nos começamos a encontrar.

Depois escrevi outro livro chamado Nunchaku,

NUNCHAKU ARMAS DE KARATÉ DE AUTODEFESA

e ele queria usar armas.

Então ele começou a treinar com o livro,

ANATOMIA DO NUNCHAKU

e depois fazia perguntas, como

"Faria isto?

"Faz-se assim, e assim."

POSIÇÕES As posições do Nunchaku são...

E ele era...

muito inteligente para um apresentador.

Então ele sabe o que o público quer.

Então começou a fazer isso.

E estamos aqui para

partilhar, e não para exibir

o que temos para oferecer.

- Nessa altura , os Internacionais,

era o maior torneio de artes marciais no mundo

e quando se chegava ao palco dos Internacionais,

a partir daí, toda a gente sabia quem tu eras.

O Ed Parker levou o Bruce para lá

e, da mesma forma, levou o Fumio Demura,

e por isso, ficou muito conhecido

na industria de artes marciais

- O meu parceiro, Dan Ivan, disse,

"Tem que vestir isto."

Um gi prateado, e não um gi branco.

Prateado! Eu disse, "Espere um minuto, espere um minuto"

"Isto, eu não consigo fazer isto."

Ele disse, "Não, tem que o fazer."

"Tem que fazer isto."

E eu acreditei no que ele disse, e disse, "Está bem."

E eu fi-lo!

Percebi que estava

sem energia.

E sabia que a sua reputação estava em risco.

Ele disse-me, ele disse "Foi aí que fiquei nervoso,

porque sabia que tinha que fazer uma performance muito boa."

Quando eu vi a demonstração dele pela primeira vez, foi cortante,

nunca vi ninguém usar assim uma arma

tão perfeito e preciso e usava uma arma

mesmo junto ao seu próprio corpo.

Era tão magistral.

E vê-lo usar o que chamam as foices

e gadanhas e tonfa.

Vê-lo fazer isso era uma arte.

Parecia que tinham pegado numa caneta e

o desenhado em cada movimento que ele fazia,

era sempre tão preciso.

- Com pessoas a voar na sua direcção

T.J. STORM ATOR DE ARTES MARCIAIS

e ele fazia pop, pop, pop!

E era absolutamente perfeito.

Sempre com precisão na perfeição.

Era como ver um filme com todas as edições

- O que ele fazia tinha tanto timing,

parava mesmo ao pé da cara

e ficava a 15 milímetros da cara.

Mas era até onde ir e fazer tantos danos como possível,

mas mostrar o controlo e exactidão que tinha.

E isso é difícil de fazer.

- Se eu não soubesse, diria que estavam

todos a levar com murros e pontapés

quando eles o atiravam, porque eles

voavam pelo ar.

Mesmo os efeitos sonoros do braço a deslocar-se,

o seu gi fazia pop!

E ouvi-lo ficas assim,

"Ai!"

E os espectadores estavam em silêncio, e ouvia-se o gi fazer

pop, pop, pop,

Fazia um pontapé para o lado

e olhavas para a pessoa ao lado e

"Uau!"

Agora se fores a todo lado no Japão,

em todo lado, é assim que se fazem demonstrações,

todos fazem isso.

Isso aumenta a minha confiança.

Fiz as coisas certas.

Comecei no segundo ciclo,

na escola secundária fiz artes dramáticas,

queria ir nessa direcção,

mas o meu pai estava completamente contra.

"Não podes viver disso, esquece."

E eu desisti.

Então em 1977, um dos meus amigos,

que é um wrestler profissional, perguntou-me se queria

ir a um casting para um filme.

Quando fizemos o casting para o filme

BRIAN MCMILLAN DOMADOR

estávamos no edifício da Playboy

em Sunset Boulevard.

O Fumio estava lá, e estavam 50 duplos com ele

E tínhamos estes tipos todos, e eles pensavam que

eram valentões e que iam fazer estes papeis

No momento em que o realizador disse que

iam trabalhar com

tigres verdadeiros, e leões e ursos verdadeiros,

estes animais diferentes, de repente

70% ou 80% dos tipos levantaram-se e saíram.

E claro, o Demura não sabia o que se estava a passar

e ficou.

Foi por isso que pediram pessoas das artes marciais,

porque são mais fortes.

Tínhamos lá seis ou sete pessoas,

todos grandes, com 115 kg

um metro e noventa e três, ou quatro.

Eu era o mais pequeno

Por isso, cada vez que o tigre saía da corrente

ele atacava-me.

Odiava, porque atacavam-me sempre a mim.

Então, aprendi um pouco mais.

Perícia é uma coisa, mas eu tinha confiança.

Mas perguntei ao tipo, "Consegues fazer isto?"

Ele disse, "Sim."

"OK, se ele consegue, eu também consigo."

Depois tornei-me sócio dos sindicatos

Atores e Artistas Associados da América Membro

Depois disso, tentei conseguir, sei lá.

Todas as semanas ia a uma entrevista.

Nunca conseguia.

Eu sei porquê, por causa do meu idioma.

Foi o Bruce Lee que começou a sensibilização,

a maior sensibilização, a meu ver.

KUNG-FU AGORA: A MODA QUE GUIOU UM POVO

O grande empurrão aos Americanos para as artes marciais.

Na época, era o Kung Fu,

mas acho que mais Americanos conheciam a palavra karaté.

Depois o 'Karate Kid' foi lançado,

e depois ouve outro grande empurrão.

- Boa, Daniel, é assim, mais um!

A Produção chamou-me, e disseram, "O Chuck Norris recomendou-o

para entrar num filme.

Pode vir cá?"

Então, eu fui lá, e era o 'Karate Kid'

PAT E. JOHNSON COREÓGRAFO DE DUPLOS

O Jerry Weintraub, o produtor do Karate Kid,

e o Jerry, acho que mais do que qualquer coisa

queria ver alguns verdadeiros

artistas de artes marciais japoneses.

Ver o que um homem conseguia ser.

Mas acho que parte da sua educação,

porque ele não sabia mesmo nada de artes marciais,

era falar com verdadeiros mestres das artes marciais.

Então, eu li o guião, e disse,

KARATÉ KID Um Guião Original por

"Qual é a minha parte neste trabalho?"

"Miyagi."

"Oh, OK."

Então procurei a parte do Miyagi, Miyagi,

Miyagi, Miyagi.

Espere lá, este é o papel principal.

Eu não consigo fazer isto.

E eu disse-lhe, "Desculpe, mas não posso fazer isto."

"Quer tentar?"

Eu disse, "Não posso tentar.

Não tenho experiência suficiente para isto."

Então eu disse, "Desculpem."

Então voltei as costas.

- Eu pus-me nas mãos de Robert Kamen

JOHN G. AVILDSEN REALIZADOR

em termos de karaté,

pois, sabia tudo sobre a matéria.

O escritor, Robert Kamen,

tinha estudado Goju Ryu em Okinawa

quando estava na tropa.

Havia um homem de Okinawa em quem

ele baseou a personagem do Mr. Miyagi.

Mas ele não tinha essa personalidade,

esse homem aqui.

A três de maio, o Pat Johnson,

eu conheço-o através do Sr. Chuck Norris,

telefonou-me e disse, "Sensei,

pode vir ao estúdio?"

Então eu fui lá.

O Pat contribuiu muito.

Não só na formação

e na coreografia,

mas também como árbitro.

Juntei os dois

ROBERT MARK KAMEN ARGUMENTISTA

- ele conhecia-o porque toda a gente

que pertencia às artes marciais conhecia o Sensei.

Então apresentei-os

Falaram muito.

Mas o Robert tinha uma ideia bastante clara,

devido ao tempo que passou em Okinawa,

O que era um verdadeiro mestre.

Por isso ele conseguiu identificar logo

que o Sensei Demura era essa pessoa.

Depois encontramos o Pat Morita,

mas ele não fazia karaté.

Então, quero que seja você.

Depois vieram mais pessoas.

E quando lá cheguei, então não é que

estava lá o Sensei Demura!

Então, conversámos.

E quando chegou a altura,

quando o Pat chegou, puseram os três lado a lado

com o Pat ao meio, e o Pat é um homem pequeno.

O Pat Johnson disse ao produtor, "Não"

"Eu quero aquele."

O Sensei Demura era tudo

que eu pensava que o Mr. Miyagi devia ser.

Mais um pouco, de um lado para o outro, para trás aqui.

para aqui não, mais para o lado.

O Pat Morita nunca o tinha conhecido,

e eu juntei os dois.

E o Pat Morita baseou

o Mr. Miyagi no Demura Sensei.

E claro, só podia haver uma pessoa

que eu considerava para fazer de duplo

Daniel-san, venha aqui.

VÍDEO DE CASA DO REALIZADOR

Mostra-me pôr cera, tirar cera.

Nem pensar.

Mostra-me.

Os elementos envolvidos na sua representação

do Mr. Miyagi vêm do Demura Sensei,

e do escritor, Robert Mark Kamen,

e do Pat Morita.

Vêm de todas a suas histórias colectivas para construir

esta figura conhecida como Miyagi Sensei.

O Pat Morita pegou na personalidade acessível

e humilde do Demura Sensei

e integrou-a na personalidade do Miyagi

que ele interpretou.

Ele queria passar tempo com o Sensei

porque ele queria reter essa essência, aquela voz.

EVELYN GUERRERO MORITA MULHER DE PAT MORITA

Sabe, porque o Sensei tinha aquele, aquele sotaque.

SEAN KANAN ATOR ARTES MARCIAIS

Quando se fala nos filmes do Karate Kid,

já todos os viram,

toda a gente conhece as personagens,

E, obviamente, o Sensei Demura foi uma parte

importante na criação do Mr. Miyagi

uma personalidade magnífica.

Se o Mr. Miyagi não conseguisse executar as artes marciais,

e só conseguisse falar,

não tinha criado tanta

ligação com o público.

YUJI OKUMOTO ATOR ARTES MARCIAIS

Lembrava-se sempre que devia de dar 100%

em tudo que fazia, se não, não o fazia. Era

essa a essência principal da personagem do Pat,

VÍDEO DA CASA DO REALIZADOR

que não se faz perguntas, faz-se o que se tem que fazer,

porque existe uma razão para o fazer.

Por isso, acho que foi isso que o Pat levou

da personagem do Mr. Miyagi.

Tira esse sorriso da cara, e não o voltes a pôr!

Sim, senhor!

Ali está o campo

RON THOMAS ATOR ARTES MARCIAIS

onde atravessamos o campo.

E lembro-me que uma noite estávamos a filmar,

se vir o comprimento daquele campo,

tivemos que saltar a vedação ali,

e correr o mais depressa possível

para apanhar o Ralph, que tinha o seu traje de duche

e nós estávamos vestidos de esqueletos.

Algumas noites de filmagens,

a filmar a cena principal a corrermos

pelo campo fora.

A filmar-nos, com o Cobra Kais a tentar

fazer a cena da luta que tínhamos coreografado,

com o Ralph a levar murros, literalmente,

murros com sangue na boca

e, se bem me lembro, quase que lhe partiu o nariz.

Billy Zabka, sem querer, deu um pontapé na cara do Ralph.

Quando um homem te enfrenta, ele é o teu inimigo

Foi aqui que o John Avildsen disse,

"Sabem, já chega.

"Acho que não estão à altura desta tarefa.

"Vamos trazer o Fumio, e a sua equipa,

"e vamos acabar esta cena da luta, e fazê-la com deve ser,"

E foi aqui, mais ou menos, que tínhamos a parte de cima

de uma vedação e o Fumio subiu-a,

saltou para o outro lado,

claro, no papel, de Miyagi, fazendo o duplo de Pat Morita.

E depois trouxe a sua equipa para finalizar

a cena da luta, onde ele os virava,

eles caíam na terra.

Ele acabou connosco, os Cobras

que eram os nossos duplos.

Eu provavelmente estava a dormir nessa altura.

E acho que o Ralph estava nas Urgências,

não sei.

Não sei quem o abordou, mas disseram-lhe,

"Sabes, valia mais não dizer

que foi você que fez as acrobacias."

E o Pat ficou consternado, e disse,

"E não vou assumir o crédito daquilo,

está a brincar comigo?"

"Está a pedir-me para mentir?"

"É um filmezinho, sabe,

e venderia mais bilhetes se o público

pensasse que você fazia as suas próprias acrobacias,

teria mais impacto."

E ele disse, "Isso pode ser verdade, mas não vou mentir.

"Quero que o Sensei tenha todo o mérito."

O mestre Demura é tão experiente que

fez que tudo parecesse muito verdadeiro.

E, mais uma vez, ninguém se magoou.

O Pat Morita vinha

de um princípio muito, muito humilde.

Ele esteve num desses campos de concentração durante a

Segunda Guerra Mundial

onde punham todos os japoneses.

Creio que foi entre os oito anos até aos 13.

E isso é outra parte da história,

a razão que o Sensei e o Sr. Pat Morita são tão próximos.

Quando o Sr. Morita fala sobre esse acontecimento,

vêm-lhe lágrimas aos olhos.

Na vida de Pat, ele

conheceu muitos senseis japoneses.

Mas quando ele conheceu o Sensei Demura,

é como se se acendesse uma lâmpada.

Foi como, "É este,

este é o escolhido."

Como se fosse, "É de este que eu tenho andado à procura,

É este o homem que eu quero emular no ecrã."

Pôr a cera, mão direita.

Tirar a cera, mão esquerda.

Pôr a cera, tirar a cera.

Tem que se lembrar que o Pat Morita

tinha sido um humorista em Las Vegas.

PAT MORITA "O HIP NIP"

E chamava-se o Hip Nip,

era o seu nome artístico.

De repente estava frente a frente

com o samurai sobre o qual ele

tinha feito as suas pesquisas.

E ali estava ele, em pessoa,

Antes dos filmes do Karate Kid,

DWIGHT LOMAYESVA ALUNO DE DEMURA

ele passava pelo dojo, só para ver,

imagino que estava a tentar criar uma personagem.

JACKI LONG ALUNA DE DEMURA

O mais engraçado é que não falava Japonês,

por isso, quando o vimos no filme, vimos isso tudo,

mas ele não tem nenhum sotaque.

Obrigada Demura Sensei,

Por me ter ensinado durante 25 anos, para eu falar assim.

Oiçam, ganhei a vida assim, pessoal.

Organizámos uma celebração para o aniversário de 25 anos

e o Pat Morita foi um dos primeiros

a dizer que ia lá estar.

Agora, mais tarde na minha carreira, tive muita sorte

por conseguir o papel do Miyagi

no Karaté um, dois e três

e, com sorte, nove, 17 e 28.

Eles tiveram uma boa amizade durante anos.

LAURO CHARTRAND REALIZADOR / COREÓGRAFO DUPLOS

E podia-se ver que o respeito que o Pat Morita

tinha pelo Sensei era tão extremo,

acho que ele o idolatrava de várias maneiras,

E acho que, parte do Sr. Morita queria

ser mais como a Sensei.

A interacção entre o Pat Morita e o Fumio Demura Sensei

era de irmão mais novo com um irmão mais velho.

Porque, embora o Pat estivesse a representar o Miyagi Sensei,

ele sabia quem era o verdadeiro, era o Demura Sensei.

E o Demura Sensei tratava-o como um irmão mais novo

com tanto afecto.

Essa relação, essa revelação, para melhor dizer,

acrescentou anos à vida de Pat Morita

e eu acho que o Sensei lhe dava esse tipo de inspiração.

Ele só me fez sentir mais novo

com a sua influência, com a sua estabilidade

com o seu espírito de rocha,

a sua compaixão pelo seu próximo.

Inadvertidamente, ele realmente trouxe muitas qualidades

ao meu trabalho, que eu tive a sorte de demonstrar.

O Sensei Demura tinha muito respeito

por aquilo que o Pat Morita tinha alcançado

como Japonês americano.

Ter subido e chegado aonde chegou como actor

no seu esforço em tentar pesquisar matéria para

encontrar a personagem ideal para o Mr. Miyagi,

Concentre-se, olhe nos meus olhos.

Ninguém, muito menos o Pat,

esperava ser nomeado neste papel.

As pessoas esquecem-se que o Pat Morita foi nomeado

para um Óscar, porque 'Karate Kid' não soa

bem como um filme de calibre para um Óscar.

Ele disse, "Isso é coisa de brancos."

"Os asiáticos não recebem esse tipo de elogio."

Foi um prazer conhecer este homem.

Sinto que o conheci toda a minha vida.

Diria que, no mínimo,

deu a sua presença ao meu ser.

Essa admiração que ele tinha pelo Sensei

e a admiração que o Sensei tinha por ele,

sabendo o que o Pat tinha passado,

era tão mútua que eles eram

mesmo como irmãos.

O Pat Morita tinha um grande respeito

e admiração pelo Mestre Demura.

Eles combinavam como a manteiga de amendoim e a geleia,

acho que se tornaram bons amigos.

Um dia vou ensinar este homem

como se apanha moscas com pauzinhos.

E depois sei que contribuí qualquer coisa para a sua vida,

percebem?

O Pat pedia sempre ao Sensei para ser o seu duplo,

em tudo o que fazia,

não só nos filmes Karate Kid.

Eu estava a gravar 'Ohara'

O meu trabalho era correr para o vilão,

JANEIRO DE 1987

ele subia e saltava a vedação

e depois ia para o primeiro andar,

Então, ensaiei e correu bem.

Quando tentei fazer a cena novamente

fiquei um pouco tonto.

Um dos técnicos de iluminação estava a ver-me

e disse, "Está bem?"

E eu disse, "Sim, acho que estou a ficar constipado."

"Não", disse ele, "está a ter um ataque cardíaco."

Eu disse, "Eu, nem pensar."

E eu disse, "Não, acho que não, não se preocupe,"

Ele ignorou-me e foi falar com o realizador e o produtor,

Eles entraram e disseram, "É melhor ir ao hospital.

"Já tenho ali o carro e tudo."

Eu disse, "Estou bem."

"Não, não, não, eu é que mando, não se preocupem.

"Vá."

Então fui ao hospital.

O médico disse, "Não se mexa."

Eu estava, não estou a brincar,

a ter um apagão, tudo escuro.

"Teve um ataque cardíaco."

Todos chegamos lá com a idade

e precisamos todos de abrandar, e aliviar algum stress.

Todos lhe dizemos isso, mas ele tem muito que fazer,

Mas ele escolheu continuar,

e o passado apanhou-o

Ele disse, "A minha perdição é piza,"

porque ele adora uma piza.

Uma piza.

Não uma fatia de piza, uma piza.

Sim.

Quando ele veio para cá, um buffet de pizza era notícia.

DAVID JONES ALUNO DE DEMURA

De facto, uma das suas alcunhas era Boca de Lixo,

porque ele pegava em metades de piza

e dobrava-as ao meio e comia-as como uma sandes.

A minha última vida acabou aí.

E depois, voltei do hospital,

e arranjei uma vida nova.

Todos os dias me levanto às cinco da manhã

e venho para aqui pescar.

Às oito horas volto para casa, tomo um duche,

e vou para o dojo.

Todos os seres humanos precisam de,

como se diz, yin e yang,

É o que nos falta, por isso uso isto

para o yin, a parte calma,

e o dojo é o yang, que é a parte de acção.

É assim que me equilibro.

Pois, isto é um jogo

entre mim e a os peixinhos,

e neste momento os peixes estão a ganhar.

Amanhã.

VÍDEO DE CASA DO REALIZADOR

Então, porque é que não me disse

que ia à pesca?

Não estavas cá quando eu fui.

Mas eu talvez quisesse ir,

Já pensou nisso?

Estavas a treinar karaté.

Telefonei-lhe, e disse,

"É a minha festa, podes vir cá?"

Ele disse, "OK, lá estarei."

Então eu disse, "Está bem, eu marco-te

as viagens e tudo."

Disse, "Não, não se preocupe.

"Lá estarei."

Então eu fiz-lhe um 'tanto' especial,

que é uma faca curta com um símbolo,

Eu gostaria de lhe dar um agradecimento especial

de toda a minha tradição de samurai.

E não estou a brincar, caíram lágrimas.

Ele estava a chorar.

Sensei, você,

este é um momento muito emocionante para mim.

Sim, eu sou um actor.

Sim, eu tive uma nomeação para um Óscar

para melhor actor secundário,

Mas nada é igual a este tipo de prémio

do coração deste homem.

Todos os dias durante três dias seguidos,

"Sensei, obrigado, obrigado,"

Ficou tão surpreendido com esse presente.

Sentia que, se alguém merecia o presente

era o Sensei, e não o Pat.

Foi a todas as mesas cumprimentar as pessoas

e tirar fotografias com toda a gente.

Normalmente essas pessoas não fazem isso,

no seu nível, uma pessoa conhecida, ele fê-lo a toda a gente

Ele amava os fãs, dizia ele,

"Sabes, querida, sem eles não seria ninguém.

"Eu não seria ninguém e sem o Sensei eu não seria ninguém."

No ano seguinte, em Junho, telefonei-lhe,

não atendeu.

Depois foi ao Chile e vi as notícias.

Vi a sua fotografia, mas não sei espanhol,

e disse, "O que se passou?"

Ele disse, "Isto?"

Eu disse, "Que é aquilo?"

"Morto."

NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA

PAT MORITA MORREU AOS 74 ANOS

Notícias na hora de AP News Agency.

Tristeza e elogios hoje à noite do Karate Kid,

Ralph Macchio, para o homem que fez o papel do

seu mentor no filme.

O actor Pat Morita,

que ganhou uma nomeação para um Óscar pelo seu papel

no Karate Kid original, morreu.

A sua esposa, a D. Evelyn Guerrero Morita

disse que ele faleceu de causas naturais em Las Vegas.

Disse, numa declaração, que o marido,

que ficou conhecido no seu papel em Happy Days,

tinha dedicado toda a sua vida à representação e à comédia.

O Morita representou Mr. Miyagi,

um papel que lhe ganhou elogios.

Ele deixa a sua esposa e três filhas

de outro casamento.

O Pat Morita tinha 74 anos.

Depois do seu primeiro enfarte,

começou a passar mais tempo a viajar

e a aumentar a organização.

Acho que ele tinha um plano empresarial,

se lhe quiser chamar isso,

que ele queria espalhar para outras partes do mundo

e juntar mais pessoas e mais artes marciais,

e espalhá-las mais.

A minha organização

está em 32 dois países, oficialmente.

E também temos cerca de 14 estados nos Estados Unidos

Há cerca de 15 mil membros aqui.

Na América do Norte, ele é absolutamente

CAMERON STUART ALUNO DE DEMURA

uma das maiores influências.

A sua natureza mais aberta. Acho que muitos grupos

são muito reservados e não se misturam facilmente

com outros grupos, se não estiverem a fazer exactamente

o que eles estão a fazer, como eles querem.

Às vezes não estão assim muito interessados.

Eu penso que foi a força pura do Sensei que

atraiu tantas pessoas e a sua abertura.

Reconheço que ele foi um dos poucos indivíduos

que conseguiu construir uma ponte

entre a cultura japonesa e a cultura norte americana

sem ofender ninguém

Os do tae kwon do adoram-no, os do karaté adoram-no,

os do Shodukan adoram-no, os do jiu-jitsu adoram-no,

toda a gente adora este homem

É uma pessoa única,

e um verdadeiro mestre das artes marciais.

Ele telefona-me dois meses antes

BENEDETTO E ANTHONY SORRENTINO ALUNOS DE DEMURA

e diz, "Anthony,

"vou aí daqui a dois meses."

"Despacha-te e diz-me o que precisas

porque só vou estar em casa

dois dias entre viagens."

Ele diz, " Tenho que ir à Grécia, Nova Jersey, Venezuela,

Costa Rica, e depois vou a França,

e depois vou aí.

Só vou estar em casa dois dias no meio disto tudo."

E penso, como consegue fazer isso?

Quer dizer, com a sua idade é incrível.

O Sensei é o primeiro a chegar ao avião.

Acho que, em parte, é porque não é casado.

Pode dedicar todo o seu tempo.

Basicamente, esqueci-me.

É diferente, é muito difícil

ter uma família naquilo que eu faço.

Porque eu não quero

fazer toda a gente infeliz, isso é o principal.

Porque a minha mulher tinha que ser melhor

do que eu a tomar conta das pessoas.

Se os meus alunos não gostassem da minha mulher,

não conseguiria.

E vejo todas as outras pessoas assim.

Se o dojo tem sucesso, a mulher é melhor do que ele.

É o que eu sinto.

Lembramo-nos das pessoas por muitas coisas.

Alguns porque construíram grandes estruturas,

tiveram grandes sucessos.

Nas artes marciais, para o Fumio Demura,

ele é um homem dedicado à sua arte.

Não me consigo lembrar de muitas pessoas de que posso

dizer o mesmo. Mas dele posso dizê-lo,

ele é dedicado verdadeiramente à sua arte.

17 DE MARÇO DE 2011 O DIA DO SEU INCIDENTE

Eu disse, "Sensei, o que é que se passa, não parece bem."

Disse, "Não me sinto bem.

Podes vir cá e levar-me ao hospital?"

Liguei ao cardiologista dele

em Los Angeles, sabe o que o médico disse?

Ele disse, "Beba muita água e descanse,

e venha cá ver-me amanhã."

Foi o que ele disse.

EMERGÊNCIA

Fui ao hospital, entrei e fui às Urgências.

Disse, preciso de ajuda, tenho uma pessoa no carro

que não está bem, ele está doente."

A enfermeira das Urgências saiu e eu disse-lhe,

"Precisamos de levar o Sensei lá para dentro."

"Tenho um pressentimento que ele não está bem,

é óbvio que não está."

Ela disse, "Não."

"Leve-o para casa

e se ele piorar,

traga-o outra vez."

Eu disse, "Por favor leve-o para dentro."

"Eu conheço este homem e a sua doença."

"Confie em mim quando eu digo que ele não está bem."

Ela disse, "Não."

"Ou o leva para dentro, ou eu levo-o

para a sala das Urgências no meu carro."

"A escolha é sua."

E, de repente,

ele perdeu os sentidos.

E eles mexeram-se tão rápido,

Parecia que tinham atirado uma granada para as Urgências

O Dave encontrou o cirurgião,

ele disse ao Dave, "Quero prepará-lo,

ele provavelmente não vai sobreviver."

SEAN DEMURA SOBRINHO DE DEMURA

E os médicos explicaram que

que o seu cérebro tinha sido empurrado

devido ao hematoma subdural.

Ele tem 5% de probabilidade de sobreviver

e se ele sobreviver,

provavelmente ficará num estado vegetativo.

Mesmo quando fazemos uma cirurgia,

eles podem ficar vivos e não acordar.

Ou, mesmo depois de uma cirurgia, por vezes

há tantos danos secundários

que o edema cerebral é de tal forma que se torna incontrolável

e finalmente as funções do cérebro param.

No estado de Califórnia, isso define

o momento que a pessoa morre.

Quando o cirurgião saiu

ele disse-nos "OK", já terminámos."

E abalou-me.

Perdi o controlo.

Nem imagino como seria

o dia que ele já não estiver aqui connosco.

Não sei o que farei.

Ele faz parte da família.

O Sensei tem a capacidade de fazer toda a gente

sentir que estão mais próximos dele do que qualquer outra pessoa,

sabe, que são mais especiais.

De repente vimos movimentos.

Ele vira a cabeça como se se quisesse levantar.

Ele inclina-se para o lado e diz,

"Eu não desisto."

"Eu não desisto."

E depois adormeceu outra vez.

DEPOIS DE CINCO DIAS EM COMA

O SR. DEMURA ABRE OS OLHOS E RECUPERA A CONSCIÊNCIA

Para recuperar de uma doença destas,

é óbvio que é preciso ter um espírito forte.

E mais tarde tive conhecimento

da história do Sr. Demura,

e, subitamente, pareceu-me menos improvável

que ele tivesse uma

recuperação destas.

Os seus primeiros passos no dojo depois da doença

depois de ter tido alta do hospital e tudo,

ele tentou manter a sua compostura

quando entrou pela porta.

Ele nessa altura usava um andarilho, entrou,

Tê-lo a entrar no dojo, foi como meses depois,

foi um estigma estranho.

Foi a primeira vez que ele voltou.

O que será regressar da morte,

conseguir vê-lo e não queria acreditar.

Foi surreal vê-lo entrar no dojo

- Todos choravam.

Num instante, estava tudo a chorar.

Pela primeira vez, vi o Sensei sensibilizado,

começou com uma lágrima no olho,

e começou a chorar.

Nunca o tinha visto assim.

E só vejo coisas diferentes nele

agora, quando se ri das coisas

e mostra a suas emoções mais do que antes.

E acho que ele aprecia mesmo o facto

de ainda estar entre nós.

Na realidade, ele está a matar-nos na aula.

Sejam mais rápidos!

Com mais força.

Com mais forças!

Mais força!

Temos uma cadeira para ele à frente, ele senta-se

Mas é tão esperto,

e ele gosta de dizer "mais uma vez."

A aula da manhã termina às 13.30, e às 13.50

ainda está a dizer, "Mais uma vez."

Estamos a transpirar e a morrer, mas é maravilhoso,

e vimos que ele está tão motivado agora

para nos dar os seus conhecimentos

com mais urgência do que antes.

Antes ele conseguia mexer-se

e fazer coisas deslumbrantes,

mas agora até tem dificuldade em andar.

- Olá. - Olá Sensei

Olá, olá

Onde está a bengala?

- O quê, sem bengala? - Não a trouxe.

Está com um aspecto fantástico.

Sim, estou cada vez melhor.

Tenho sorte de ainda estar vivo, sabe?

Sim.

Tantos senseis não dizem nada.

morrem e vão-se embora.

Está feliz?

Sim, porque vocês estão mais saudáveis

É por isso é que estou feliz.

Se vocês estão doentes, é muito triste,

eu não fico feliz.

Se eu morrer, já não posso falar.

Todo o meu conhecimento desaparece.

Por isso, agora quero falar a toda a gente

para saberem o que faço, para a próxima geração,

poderem continuar daqui a mais 100 anos

a ter o meu espírito.

Ele pensa nisso todos os dias

Ele quer fazer outra demonstração.

Acho que é uma das suas forças condutoras

para ficar fisicamente capaz de fazer uma demonstração.

Mas agora o que ele precisa

é de trabalhar para recuperar o equilíbrio.

Mas a sua mente está muito forte,

e todos os dias, nas suas actividades físicas

ele está a tentar fazer que o corpo faça

o que conseguia fazer antes.

Eu gostaria de o fazer

mas não sei.

Isso depende de Deus.

Mas treino o mais possível

DEZ MESES DEPOIS DESTA DOENÇA VAI AO JAPÃO PRESTAR HOMENAGEM AOS PAIS

É uma porta automática.

Eu visito as cinzas dos meus pais aqui

É uma espécie de apartamento no cemitério.

Ela dava-nos muita educação.

Tem que se confiar nas pessoas.

Foi o que ela fez.

Tínhamos uma pequena loja.

Ela abriu um negócio, mas nunca lá estava.

E um homem veio comprar qualquer coisa,

e a mãe pensava... e eu queria um rebuçado,

e eu punha o dinheiro lá, tirava o troco,

tirava o meu troco, e toda a gente confiava.

E um dia, alguém roubou dinheiro,

E ela disse, "Talvez ele precise do dinheiro,

por isso, esquece isso."

Ela era assim.

É por isso que tenho o dojo.

Eu não lhe toco.

Deixo o dinheiro lá.

E nunca peço às pessoas para pagarem,

digo para virem pagar, "Tens que pagar,"

e é só isso.

Sim.

Já chega.

DOIS ANOS E MEIO DEPOIS DESTE INCIDENTE

Consegue imaginar-se

a fazer demonstrações neste momento?

Ainda tenho que fazer uma demonstração.

Só eu é que posso melhorar,

mas neste momento é muito difícil.

Mas estou a tentar.

Por isso, tenho medo quando não consigo mexer a perna

as mãos não estão presas, consigo usá-las

Mas se não conseguir com as pernas, posso usar a mão.

Se não tiver uma mão, posso usar outras coisas.

Só crio algo.

Se pudesse dizer qualquer coisa ao seu pai,

neste momento, se ele estivesse aqui à sua frente

o que é que lhe dizia?

Olhe para mim.

Eu fiz isto, sim, para ele.

O que pensa sobre o casamento agora?

Bem, o casamento é um pouco diferente,

eu sou um cinturão branco,

Tenho a certeza quando as pessoas se casam,

têm dificuldades.

Mas acho que cometi um erro aí.

Não devia pensar dessa forma.

Mas já penso assim há alguns anos, é um problema que eu tenho

por isso é que disse que errei.

Devia ter escolhido uma pessoa e casado.

E, depois,

ver o que acontecia.

Mas agora já é tarde.

Gostaria de ter um filho.

Mas tenho milhares

de crianças por todo o lado.

Para mim, as crianças são o meu investimento.

Não interessa o país que visito.

Quero que todas as crianças sejam como os meus filhos.

É por isso que os treino.

FUMIO DEMURA CELEBROU OS 50 ANOS A ENSINAR KARATÉ NOS EU EM FEVEREIRO DE 2015

CONTINUA A VIAJAR PELO MUNDO A PARTILHAR O SEU CONHECIMENTO

Se o Rowley não pode vir...

Talvez...

Talvez possa...

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