All language subtitles for Mary.and.Mike.S01E01

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Original subtitles

"MARY & MIKE" � UM PROGRAMA DE FIC��O

INSPIRADO EM UMA HIST�RIA REAL OCORRIDA NO CHILE NOS ANOS 70.

V�RIOS PERSONAGENS, NOMES E SITUA��ES

FORAM ALTERADOS POR RAZ�ES DRAMAT�RGICAS.

Espero que minhas ora��es valham a pena, padre.

N�o se preocupe, minha filha.

Deus ir� ouvi-las.

Lutar contra a tirania

� uma maneira de dizer sim ao reino de Deus.

Lembre-se de que Jesus era um revolucion�rio.

E sempre lutou por causas justas.

Esperem, o que est�o fazendo?

Me soltem! Socorro!

Me ajudem, por favor, me ajudem!

Me ajudem! Eu sou um padre! Chamem o arcebispo!

Eu sou padre. Sou cidad�o espanhol, por favor!

Me ajudem! Por favor!

Me ajudem, por favor!

Eu sou padre, sou um cidad�o espanhol!

Me ajudem, por favor!

Esses caras pensam que somos idiotas.

Quer um pedacinho? Tem am�ndoas.

Fique calmo.

Ol�.

Bom dia, senhor.

Documentos do carro, por favor.

Saiam do carro.

Saiam do carro!

Senhor, desculpe, uma pergunta.

Na escola de pol�cia n�o lhe ensinaram boas maneiras?

DIRET�RIO DE INTELIG�NCIA NACIONAL DA REP�BLICA DO CHILE

Responda a minha pergunta, filho da m�e.

Vamos.

Droga!

M�e?

Quero um cachorro de anivers�rio.

J� falamos sobre isso, Sim�n.

Humanos com humanos, cachorros com cachorros, certo?

Sim�n?

N�o gosto que me interrompam quando estou trabalhando.

- O que aconteceu? - Travou de novo.

Bem, cedo ou tarde, essa porcaria ia falhar.

Por que n�o compra outra?

N�o, essa tem muitas lembran�as.

- De seus dias revolucion�rios. - Claro.

Esque�a isso. Pode consertar amanh�.

Por favor, ningu�m bate na porta nesta casa?

- Desculpe. - O que quer, Constanza?

Nada. Que nojo.

- Ol�, Gladys. - Ol�, querida.

- Bom dia, senhorita. - Ol�.

MATILHA DE C�ES

Sim�n, tome isso.

Eu te odeio. Eu vou "suicidar" voc�.

Voc� n�o pode fazer isso.

Eu sei. Ela � minha irm�.

N�o por isso, voc� n�o "suicida" algu�m,

cada um se suicida sozinho.

- Sim, voc� pode. - Cony!

- "Suicidaram" Allende. - Pare com isso, Constanza.

Vamos, por favor. Sim�n?

Sim�n.

- Sim�n! - J� vou.

Vamos l�.

Tenho que estudar demais.

Pelo menos vai ler alguma coisa.

Deve ser de fam�lia ent�o

porque Sim�n tamb�m n�o sabe ler.

- Sei sim. - N�o, n�o sabe.

- Sei sim. - O que diz aqui?

"Bispo de Santiago

denuncia desaparecimento misterioso

de um padre espanhol."

J� vimos, voc� l� muito bem.

Pode pegar as crian�as na escola? Tenho oficina.

- Sim. - Depois da escola,

vou estudar na casa de uma colega.

O pai dela vai nos buscar, ent�o n�o se preocupem comigo.

- Quem � ela? - Jarufe.

Eu n�o gosto dela.

- Por qu�? - Porque n�o.

- Porque s�o �rabes. - Por favor, m�e!

- N�o � por isso. - Sim, �.

- Tchau. - Tenha um bom dia.

Voc� tamb�m.

Bom dia.

O padre j� estava ficando entediado.

E o seu Deus, padre?

Onde ele est�? N�o consigo v�-lo.

Parece que ele n�o vai chegar.

Pena que ele n�o esteja aqui num momento como este.

Tente agora.

Boa sorte na prova.

Para quem era o chocolate?

Milagres n�o existem, padreco.

Me ajude.

De onde vem o dinheiro?

Voc� n�o tem vergonha?

"Com suas m�os delicadas,

a mulher deslizava o metal frio

nos genitais inchados do padre,

no instante em que fez contato.

O santo homem lan�ou um profundo gemido.

A dor e a ard�ncia que sentiu

eram o olhar definitivo do Criador."

Obrigado.

Algu�m tem uma opini�o sobre o que Mary leu?

Eu achei inveross�mil.

- Eu adorei, Mary. - Obrigada.

Por que n�o acontece no Chile?

- Eu me pergunto... - Porque a� seria inveross�mil.

Por qu�? Essas coisas n�o acontecem aqui?

O que acontece em seu pa�s, em sua pr�pria terra,

aparece de imediato na literatura, se faz notar.

Se a hist�ria se passasse no Chile, seria muito mais...

- corriqueira. - Mas a realidade

� sempre mais "punga" que a literatura.

As coisas que o Carlitos diz!

- Est� indo muito a Buenos Aires. - A palavra � italiana.

Gostei da ambienta��o da hist�ria de Mary.

- Obrigada. - Tamb�m gostei disso.

Mas uma garota judia com um padre cat�lico?

- N�o sei... - Mary morou em um "kibutz".

Ela sabe do que est� falando.

Ent�o voc� tem que matar

para escrever sobre um assassino?

N�o, a cena do crime sempre pode ser recriada.

O escritor n�o deve se contentar com a realidade.

� preciso toc�-la, modific�-la.

Sempre a partir do poder de sua pr�pria perspectiva.

Mas � preciso modific�-la.

Obrigado, Mary.

Eu adorei.

Voc� tem um talento not�vel para o suspense.

Todos n�s sab�amos que voc� o faria desaparecer.

Mas n�o sab�amos como.

- Parab�ns, Mary. - Obrigada.

Envie para um concurso. N�o seja t�mida.

Agora, antes de continuar...

Tenho uma p�ssima not�cia, infelizmente.

N�o podemos mais usar este espa�o magn�fico.

- N�o! - Por qu�?

Infelizmente, teremos que postergar a oficina liter�ria.

At� novo aviso.

N�o podemos conseguir um lugar novo?

- Sim! - N�o a m�dio prazo, acho.

Vamos fazer na casa do Carlitos, � enorme.

O que acham de fazer na minha casa?

� longe, mas h� carinho.

Um pouco mais r�pido! Mais r�pido!

- Mais, Javier! - N�o d�, � proibido!

Um pouco mais!

Aqui n�o.

- Por que n�o? - Algu�m pode nos ver.

- Quem? - N�o sei, algu�m pode nos ver.

Mas n�o tem ningu�m aqui.

Prefere ir � praia?

- Quando? - Agora.

A casa � grande.

Se quiser convidar uma amiga, eu acho �timo.

Era isso que queria, n�o �? Vamos?

Vamos ficar mais um pouco, Cony.

Sim, mas se insistir, vamos embora.

Eu me tornei amiga �ntima da esposa do diretor do kibutz.

Ela me contou um segredo terr�vel do kibutz.

E a quest�o � que ningu�m queria ter filhos no kibutz.

Era um problema s�rio.

Um dia, decidiram contratar trabalhadores de outros lugares.

E pensamos: "Estrangeiros"

"Nunca!", disse uma garota chilena.

Adivinhem quem encontrou a solu��o para o problema?

A garota chilena.

Tudo l� era compartilhado.

At� os maridos.

At� os preservativos.

Obrigada.

E ficavam guardados em um lugar comum, num sal�o.

Quem quisesse usar um, ia l� e pegava.

Uma noite, eu e minha amiga resolvemos ir escondidas

e fizemos um furo com uma agulha em cada um.

Agora esse kibutz � o mais populoso de Israel.

- Qual o nome do lugar? - Kissufim.

Nunca fui mais feliz que naquele lugar.

Ent�o por que voc� voltou?

Porque acredito na propriedade privada.

Pelo menos do pr�prio marido.

Quantas hist�rias, n�o �?

- Imagino que gosta de m�sica. - Imaginou certo.

Gostaria de uma dan�a?

Tem certeza que quer ir nesta chuva?

Tenho medo que meu pai veja voc�.

Quem � o seu pai? Miguel Enr�quez?

Quem � Miguel Enr�quez?

Um cara que meu pai odeia.

Pelas coisas que ele diz, deve ser um cara terr�vel.

Ele s� � ciumento.

Ele te disse alguma coisa?

Sobre o qu�?

- Sobre n�s. - Ele n�o faz ideia.

- O que o sei pai faz? - Como?

Seu pai, com que trabalha?

Eu n�o sei.

Acho que ele tem uma importadora.

Coisas eletr�nicas. Algo parecido.

Ele n�o � seu pai verdadeiro, n�o �?

Eu tenho que ir, Javier.

Nunca te investigaram

depois de passar tanto tempo com os comunistas?

N�o, nunca.

Eu vou te investigar.

� s�rio, vou pedir que a comiss�o te interrogue

para saber o que voc� realmente pensa.

Acha que eles sabem a diferen�a entre um sionista socialista

e um comunista chileno?

Tenho vontade de fazer uma oficina liter�ria em casa.

Envie seus homens e eu prometo

que vou alfabetiz�-los.

Deve ser a agulha da vitrola.

Tenho outra no escrit�rio. Com licen�a.

Vai me deixar aqui dan�ando sozinha?

- Gostaria de vir comigo? - Sim.

Um militar com gosto para a arte.

Fascinante.

Eu n�o podia deixar que estragassem, n�o �?

Pensa em devolver alguma?

N�o, a batalha � contra suas ideias...

Tenho certeza de que havia uma agulha de vitrola aqui.

- Eu encontrei. - N�o, n�o encontrou.

Vamos, general.

Demore um pouco mais para encontr�-la.

- Sim, encontrei. - General.

Sim�n?

Voc� n�o deveria estar dormindo?

Eu n�o quero.

Eu passaria o dia dormindo, se pudesse.

- Tenho sonhos estranhos. - Como o qu�?

Que estou ao lado de uma piscina.

Eu caio e n�o consigo sair.

Mas quando voc� acorda, est� tudo bem.

Tamb�m acontecia comigo quando estava na escola.

Quando eu tinha prova e n�o estudava.

Voc� n�o fez o dever de casa.

- N�o. - Vou pegar voc�!

Venha, vamos dormir.

O que aconteceu com sua orelha?

Ele tinha um ano.

Minha m�e saiu e ele ficou com o pai.

Foi culpa dele.

Ele estava trabalhando em uma inven��o

enquanto Sim�n dormia do lado dele.

Um extintor explodiu e Sim�n ficou surdo.

Venha, cavalheiro.

Venha para c�.

O que foi, o gato comeu sua l�ngua?

O beijo era necess�rio?

O que voc� acha?

N�o exagere, foi s� um beijo de despedida.

Mike, fiz isso para cuidar de voc�.

Para cuidar de mim?

� assim que voc� cuida de mim?

Tudo bem, fa�o escondido da pr�xima vez.

Talvez voc� j� tenha feito.

Voc� implantou um microfone. Escute a fita.

O futuro deste pa�s depende de como fazemos as coisas.

Se continuarmos assim, n�o ficaremos juntos.

E se eu tivesse demorado mais para implantar o microfone?

Eu teria transado com ele.

- Ele n�o era t�o feio. - Pare com isso.

- N�o seja t�o indiferente. - Eu n�o sou.

� sim, voc� n�o percebe porque � muito jovem.

Como voc� o conheceu?

Eu trabalhava na Ford. O pai dele era gerente l�.

Ele aparecia no escrit�rio.

Assim como est�o vendo,

com seu cabelo comprido e olhos azuis.

Muito mais bonito do que agora.

Se o pai era gerente da Ford, ele � rico.

O que est� dizendo? Veja o casebre onde moramos.

O que voc� fazia na Ford?

Eu era secret�ria.

Secret�ria?

Sim, eu falo bem ingl�s.

E isso � muito neste pa�s, aqui mal falam espanhol.

Feliz anivers�rio!

- Voc� gostou, Sim�n? - Sim.

- Est� tomando "pisco sour"? - Sim, est� delicioso.

N�o tinha percebido. J� estou meio tonta.

Por que n�o vai para casa?

Aqueveque pode vigi�-lo.

Estou bem aqui.

N�o se preocupe.

Sim�n estava feliz.

Obrigado, foi muito gentil.

Ele � um menino especial.

Muito solit�rio.

Ele precisa de muita aten��o. Assim como voc�.

Da pr�xima vez que quiser dar um presente a ele,

me avise primeiro.

Com licen�a.

Mary e Mike.

O casal mais explosivo da Am�rica do Sul.

Como est�o?

Muito bem. Obrigada. Este lugar � muito bonito.

Muito mais bonito que seu ingl�s.

Estou muito satisfeito, tudo correu bem na outra noite.

E como voc� dan�a bem.

Obrigada.

H� muito tempo que suspeitamos do general Ahumada.

Ele era �ntimo do general Prats no governo de Allende.

Gra�as a voc�s, poderemos ter certeza

de que eles ainda mant�m contato.

Qualquer um pode fazer uma bomba, general.

Nem precisa ser inteligente.

S� precisa ter m�o firme e seguir as instru��es.

O que quer dizer com isso?

Quero mostrar que objetos comuns tamb�m podem fazer danos.

Voc� nem precisa gastar muito dinheiro.

Pode haver uma bomba aqui dentro.

Muito bem.

Como se usa?

Pode usar a qualquer momento.

Voc� aperta o bot�o quando quiser.

Pode dar a qualquer pessoa.

E explodi-lo duas semanas depois.

Posso explodir um avi�o cheio de pessoas?

N�o, n�o � suficiente para isso.

Voc�s est�o me animando.

Fazer as coisas discretamente sai mais caro.

� preciso criar caos, terror.

Isso � muito mais barato.

Todo o pa�s vir� atr�s de n�s, general.

Eles simplesmente v�o parar de perturbar o governo.

Ficar�o apavorados ao saber como fazemos as coisas aqui.

Isso significar� uma grande economia para o pa�s.

O que voc� est� comendo?

Me ajude.

Me ajude!

Escute!

Quantas vezes j� disse para n�o brincar aqui?

Chega, vamos.

Matilha maldita, general.

Esses c�es assustam as pessoas, comem coelhos.

Derrubaram um potrinho outro dia.

Voc�s j� tentaram usar veneno?

Eles n�o comem animais mortos. S� comem o que ca�am.

O que v�o fazer?

A mesma coisa que se faz com todos os c�es.

Com os c�es comunistas, judeus, marxistas e leninistas.

Encher de tiros.

De onde eles v�m?

L� embaixo, as pessoas jogam c�es na rua �s d�zias.

� o que acontece quando a economia come�a a funcionar.

As pessoas perdem o cora��o.

Eles devem gostar de sangue.

Que amoroso.

Isso � para o Sim�n?

N�o.

Isso vai ser interessante.

Ent�o quer se tornar um soldado do ex�rcito chileno?

- Eu adoraria. - Sente-se.

- Sente-se. - Obrigada.

Pena que voc� � um "ianque".

Um gringo disposto a dar a vida por este pa�s, general.

E voc�, com que trabalha, Mary?

Sou escritora.

Ela escreve os relat�rios, general.

Escrevo contos, principalmente.

Em seu tempo livre, ela tamb�m escreve contos.

Ela � t�o talentosa que pode fazer todas essas coisas.

Apresento o General Prats. Sua nova miss�o.

Onde querem fazer isso?

Na Argentina.

Imagino que t�m gente do governo argentino cooperando.

Sim, h� meses. Mas eles n�o conseguiram.

N�o quero ter nada a ver com aqueles desgra�ados.

O que acha?

� um dinossauro.

Eles podem ser extintos?

- Por que est� t�o feliz? - Por que n�o?

- Me conte. - � uma surpresa.

Voc� virou militar! Sim!

- Voc� gosta de Buenos Aires? - Eu adoro.

Ent�o vamos para Buenos Aires.

Enrique, tem fogo?

Sua casa � majestosa.

Majestosa!

N�o sei se vamos poder nos concentrar para ler algo.

- Vai ser dif�cil ir embora. - Sim!

Hoje, quando vinha para c�,

pensei que veria uma placa: "Bem-vindos � Argentina."

- Que exagero. - Um pouco longe.

- A� v�m o "pisco sour". - Que bom!

Com licen�a.

- Obrigada, Gladys. - De nada.

Obrigada!

- � "pisco sour"? - Todos t�m uma ta�a?

Obrigado!

Bem, companheiros...

Que estranho falar assim!

Bem, colegas literatos, artistas,

� uma honra receb�-los em minha casa, � verdade.

� importante desenvolver esse espa�o para poder debater

sobre literatura e beleza,

que fazem tanta falta neste pa�s.

- Sa�de. - Sa�de!

Adorei sua casa, Mary. � como estar no campo.

Eu adoraria morar aqui.

- Parece assombrada. - Sim, � ideal para escrever.

PADRE GERARDO ARIZT�A ENCONTRADO MORTO

Livros de terror!

Pode ser.

Na verdade, estou com essa ideia em mente.

�s vezes ou�o ru�dos estranhos.

Estou escrevendo um livro de terror, autobiogr�fico.

Os nomes ser�o alterados, claro.

Deve ser terr�vel morar nesta casa.

Neste bairro, com esta fam�lia.

Coitada, um horror.

Algum de voc�s escreveu algo que gostaria de ler?

- Eu. - O qu�?

- Um conto. - Como se chama?

Matilha de c�es.

Presidente, o que � felicidade para o senhor?

Sou feliz sempre que estou com meus netos.

Felicidade � viver esses aspectos humanos

que s�o t�o importantes.

Eu me refiro � felicidade privada.

- Sente-se. - E para voc�, senhora?

Bem, � justamente ter sa�de.

Poder desfrutar, com sa�de e tranquilidade

da nossa fam�lia,

poder realizar as obras de caridade

nas quais estou empenhada,

e que Deus continue a dar

a mesma felicidade e a mesma tranquilidade

ao pa�s que temos hoje.

OS ANIMAIS UTILIZADOS NESTE PROGRAMA

N�O SOFRERAM MAUS TRATOS. Sso?

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