All language subtitles for The.Beasts.2022.SPANISH.720p.BluRay.900MB.x264-GalaxyRG

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Original subtitles

- Art Subs - 14 anos fazendo Arte para você!

Legenda - willian_as -

PARA PERMITIR QUE VIVAM LIVREMENTE,

OS ALOITADORES IMOBILIZAM AS BESTAS COM O PRÓPRIO CORPO

PARA RAPALAS E MARCÁ-LAS.

O que você faria?

Pararia de trabalhar com ele, no mínimo.

"No mínimo", certo...

Ele o mandaria para a guilhotina.

Por muito menos do que ele fez,

muita gente perdeu a cabeça, Poli.

Você sempre gosta de exagerar.

Poli, quando acha que foi o último francês mandado à guilhotina?

E eu sei lá, porra.

Muito depois do que o último que passou pelo garrote aqui.

Em 1977.

Maldito país de selvagens. E ainda falam mal de nós.

Eu exagero? Um caralho, Perri.

Não ouvi mais ninguém reclamar do caçula dos Rubios.

Ninguém reclamou. E quando você não quer saber...

Você ouviu algo?

Está surdo, Poli?

Diga a ele, porra.

Diga a ele, porra!

Meu cunhado também teve problemas com ele.

"Problemas", certo...

Seu cunhado, Poli, pagou uma fortuna por um fertilizante,

que estava vazando do saco quando ele recebeu.

Vazando!

O cara que vendeu é sem noção, um inepto...

ou é um filho da puta.

Ponto final.

Esse silêncio significa que concorda ou o quê?

O Rubio caçula está só começando, é normal que cometa erros.

Ou você sempre acerta de primeira?

Você nunca erra?

Raramente eu erro.

Senhores, eis Xan Anta, que acerta tudo de primeira.

O Senhor Perfeição.

- Acabamos aqui. - Não está vendo o cinco?

- Que beleza! - Calculado, caramba!

Que bela jogada!

- Conte direito aí. - 23.

Paulino, diga-me, se entregarem atrasada e estragada

a comida dos seus porcos, o que você faz?

Eu dou para os porcos.

Eusebio.

Se trouxerem seus pedidos atrasados, estragados,

aos trancos e barrancos, e ainda resmungando.

Resmungando!

O que você faz, Eusebio?

- Troco de fornecedor. - Já entendi, Xan.

Então agora você entendeu.

Agora mesmo? Agora entendeu.

Nos velhos tempos...

Amadeo, o Primeiro de Savoia! Escute-me!

Nos anos 90,

se trouxessem seu pó atrasado, estragado e de má vontade,

o que você fazia? Nada, meu amigo,

porque você tinha traficantes corretos

que traziam cocaína que não vazava, porra!

Que não vazava!

E nos dias de hoje?

Amadeo, se suas sementes são entregues

atrasadas e de má vontade, o que faz?

- Eu mando tomarem no cu. - Caramba, Perri!

Sinto que até Nossa Senhora pensa igual a mim.

Você não tem coração, Xan.

Ele é o filho de Eloi, é praticamente da família.

Se tiver que ajudar o filho dele, ajudarei como se fosse meu.

Espera, espera...

Cuidado.

Eloi, o pai...

foi à nossa casa várias vezes.

Ele é um bom homem, é educado, uma boa pessoa!

- Certo, Loren? - E ele nos ajudou muito.

Aquele homem cuidou muito bem de mim e do meu irmão Loren.

E da mamãe.

Nós somos tudo o que existe aqui, porra.

Somos quatro gatos pingados.

Se aquele arrombado anda por toda a Espanha

enganando todo mundo,

acabarão associando o nome dele ao seu.

E antes que perceba,

todos nós da região estaremos fodidos,

presos na mesma merda.

Faça o que te der na telha, como sempre faz! Caralho!

Eloi, o pai, concordaria comigo.

E os outros também. Todos eles concordariam.

Só para que fique calado.

O que disse?

Você convenceu o Miguel a ficar e jogar, e agora não se cala.

Você tem culhão de me dizer...?

Estamos te entediando, Francês?

O quê?

Estamos te entediando?

Não vai se despedir?

Aqui na Espanha, cumprimentamos quando chegamos.

E aqui na Espanha, nos despedimos quando saímos.

Não é tão difícil.

Até amanhã.

Aí está.

Loren, conte a ele quando...

- Boa tarde. - Boa.

Vamos.

Tudo bem?

Sim.

- Você foi para a Portela? - Fui.

E?

- O telhado vai aguentar. - Choveu, né?

Sim, mas vai aguentar.

- Você parece cansado. - Estou cansado.

E estou faminto. Você já comeu?

Acho sexy as pessoas que comem bem.

- Concordo. - É?

Mas você está à minha frente, não consigo acompanhá-lo.

Acho que a Liliane gosta de mim.

Não, ela te adora. Mas você fez por onde, né?

- Mesmo? - Sim.

- Como no mercado. - O quê?

Você sempre atrai mulheres... Como posso dizer?

Mulheres com experiência. Elas têm olho para isso,

- sabem o que é bom, minha senhora. - Sem dúvida.

- Obrigada. Tchau! - Dois quilos?

E duas alfaces.

E os tomates? Mês e meio, certo?

Sim, isso mesmo.

Guarde duas ou três caixas para mim, então.

É claro.

Minha cunhada diz que os tomates franceses são os melhores.

- Agradeça a ela por nós. - Qual o seu nome?

- Cheli. - Cheli. Que nome lindo.

5,50, por favor.

Cheli, pode contar com a gente.

Vou para a cama.

- Mas você não comeu nada. - Não.

Já vou.

Faz um tempo que não o vejo.

Olá, Pepiño!

- Bom dia! - Pepiño, como vai?

Muito bem. E vocês?

- Bem. - Muito bem.

- Isto é para vocês. - Obrigado, Pepiño.

- Obrigado. - E um presente.

Chouriço, né?

- Quer um café? - Não, obrigado. Não precisa, Olga.

- Vou preparar. - Não, não se incomode. Obrigado.

- Você quer? - Sim, amor.

Obrigada, Pepiño.

Por favor, não fale sobre isso de novo.

Não vou dizer nada.

Nem sei o que você está fazendo.

Esta terra precisa de um descanso.

Mas podia ter o triplo de tomates aqui.

É a ciência da terra.

A essência?

A ciência!

Se você lesse mais, saberia.

Se você praticasse mais, seu espanhol seria melhor.

Que desperdício de horta.

Titán. Vamos.

Titán, vamos.

Venha aqui.

- Qual o problema? - Não sei.

Simplesmente parou.

Entre. Eu levo você.

Vamos! Mexa-se!

- Terminou? - Brincadeira. Vamos, companheiro!

Vamos, entre!

Vamos, companheiro!

Vocês não brincam na França?

Uma vez é uma piada. Duas vezes é um insulto.

Tudo bem, companheiro. Desculpe.

- Vamos, entre! - Não.

Foi só uma brincadeira, cara.

Eu te levo para a casa do Fran e eles consertam antes do almoço!

Vamos! Estou com pressa!

"Estou com pressa."

Quando você está com pressa?

Certo?

Imbecil!

Até logo, otário!

O que está fazendo?

Venha aqui.

Venha aqui.

Não fique bravo, Francês!

Qual seu problema? Acha isso engraçado?

Você é um imbecil de merda.

Minha conta, Eusebio?

Vou nessa. Até amanhã.

Vá para casa e deixe sua esposa feliz!

Depois da cana que tomou ontem,

é melhor se comportar hoje.

Nada de futebol esta noite!

Ele não vai conseguir. Está muito bêbado.

Como um gambá.

Espero que ele não bata o carro.

Tivemos que ajudá-lo da última vez.

Quando ele acabou na fossa.

Francês...

E agora?

Não dê as costas para nós, Francês.

Quer jogar com a gente?

Dominó. Falta um jogador.

Você está assustado? Não tenha medo.

Venha, enturme-se conosco. Venha aqui.

Deixe disso, Francês.

Isso aí.

É assim que eu gosto.

Aqui, ao meu lado.

Você já nos viu jogar, certo?

Coloque o nome dele, Lui.

Coloque-o como...

Toñito, o Conquistador.

Conquistando tudo em seu caminho.

Sabia que os franceses

vieram nos conquistar no passado?

Mas eles voltaram por onde vieram.

Eles vieram atrás de nós pensando

que éramos imbecis de merda.

O próprio Napoleão disse:

"Eles são uns imbecis de merde".

Imbecis de merde!

Ainda pensam assim, Francês?

Carroça de seis.

Vocês ainda acham que somos imbecis de merde?

Não posso falar por todos os franceses.

- Não? - Não.

Não é uma das pautas principais

do seu conclave anual de franceses em todo 14 de Julho?

Nunca tinha visto seus dentes.

São dentes lindos, como peças de dominó.

Pensamos que você não tinha nenhum.

Vamos fazer uma aposta, Francês. Você e eu.

Uma aposta, entre você e eu.

Se você ganhar esta partida, eu termino todas as casas

que você está ajeitando.

Eu meto o louco, como fazem na televisão.

Como se chama aquele programa, Loren?

Qual?

- Aquele programa das casas... - Reforma Total.

Reforma Total, conhece? É uma loucura.

Três vikings...

compram um barraco que está caindo aos pedaços

e num piscar de olhos, transformam em um palácio bizantino.

Que é o que você quer fazer aqui no vilarejo,

conquistá-lo e transformá-lo...

na porra de um resort para turistas gringos...

Não, não é para gringos.

É para as pessoas daqui.

Sua vez.

Diga-me,

em seu eloquente projeto urbano para o vilarejo,

você não percebeu que somos escanteados?

Não vê que quando todas essas pessoas ridículas

vierem morar aqui, atraídas por suas

alfaces orgânicas, pelo ar puro

e pela própria mãe natureza que deu à luz a todos nós,

e virem as caras feias que Loren e eu temos, vão sair correndo

de volta aos seus países?

Você devia ter assinado

pelas turbinas eólicas, já que você é...

um ecologista ferrenho...

e acho que devia montar seu resort em outro lugar,

com pessoas menos feias, em vez de ficar

tentando fazer a cabeça das pessoas com essa sua lábia...

essa lábia de professor que Deus te deu.

Enquanto Ele nos fodeu, Francês.

Nós poderíamos recomeçar nossas vidas com...

com o dinheiro que teríamos das turbinas eólicas.

- Xan. - Sim, Breixo, o que é?

Se eu não assinei, foi porque não quis.

Mostre algum respeito.

Com o mesmo respeito,

pode pensar que é igual, mas seu caso é diferente, Breixo.

E por quê?

Por muitos motivos, Breixo, mas dois em particular:

Você nasceu aqui e provavelmente morrerá aqui.

Não pode dizer isso.

E segundo, se me deixarem falar,

com você, Breixo...

ao contrário dos outros, podemos conversar, pensar.

Droga, Loren, eu tenho um problema,

não entendo o humor francês, porque...

Acho que ele acabou de dizer algo engraçado e...

Você fez uma piada?

Na verdade, não fiz.

Por que você não assinou?

Você nunca nos explicou bem, por que não assinou?

Já discutimos isso, Xan.

Você já falou mil vezes

que é invasivo, não é ecologicamente correto

e o escambau.

Diga-me de coração.

Diga-me, de verdade, por que não assinou.

Eu não podia.

Disse que não podia.

Você podia, com esta mão.

A que você se masturba.

Ou talvez você simplesmente não quis assinar.

Diga-me, de coração, por que não assinou.

Porque esta é a minha casa.

Xan, deixe ele.

Vamos jogar, deixe ele.

Deixa pra lá.

- Este é o Manolo. - Olá, prazer.

- Minha esposa, Olga. - Prazer em conhecê-la.

- O primo dele nasceu nesta casa. - Sério?

Não entende o que estamos fazendo.

Que cão de guarda você é.

- Entre, venha. - Estou indo!

- Senão, vou te jogar. - Pare de ser chato, estou indo.

- Não está tão fria. - Estou indo, Javi.

- Não está fria, veja só. - Não, não!

- Não, Javi, por favor! - Vamos! Está molhada agora.

Que droga. Está congelando!

Ficará agradável quando nadar um pouco.

Ei, venha aqui.

O que você quer, Francês?

Falar com vocês.

Sobre o quê?

Venha aqui!

Que foi agora, Francês?

Não, eu não bebo quando estou trabalhando.

Quando estou trabalhando não bebo nada.

- Venha aqui. - Estamos trabalhando.

Venha aqui!

Continuem trabalhando.

Xan, venha aqui!

Cinco minutinhos e já vamos.

Tenha um pouco de paciência, porra.

Isso não é muito ecológico, é?

Teremos que arranjar mais duas.

Durante seis meses

não falaram conosco.

Outro dia, no bar do Eusebio, me convidaram para jogar dominó.

Ele me chamou de "Francês" na frente de todos.

Perguntou de novo das turbinas eólicas,

por que não assinei.

E no dia seguinte,

em frente à minha casa, havia duas garrafas desse licor...

- Orujo. - Orujo.

Duas garrafas. E no dia seguinte,

outras duas garrafas.

E a minha cadeira e a da minha esposa...

mijadas.

- Cadeiras mijadas? - Sim.

Certo. Falaremos com os irmãos e se foram eles...

Foram eles.

Não pode confirmar isso, Antoine.

Por favor, foram eles.

Vocês são vizinhos, cara.

Tomem uma cerveja, conversem.

Essas coisas acontecem entre vizinhos.

Mas gostaria de lhe pedir que não volte aos velhos truques.

Que não volte?

Isso não é algo que acontece entre vizinhos.

Não é.

Assine cada página, por favor.

Você entendeu bem o que ele quis dizer?

Com o histórico que vocês têm... por favor...

Não se preocupe, vamos falar com eles.

- Nós vamos. - Por favor.

Não, ela ignora, finge que não é nada.

Ela não me paga

e ainda usa o dinheiro para me comprar bebidas.

Marie, se ela é realmente sua amiga,

sentem-se e conversem, ela vai entender.

- Se ela é mesmo sua amiga. - Sim, eu sei, mas...

Mas ela é tão teimosa, e acha normal, é complicado.

Talvez eu não tenha sido clara, mas...

Ou diga que seu pai vai conversar com ela.

Sim, com certeza ela entenderá o recado se eu disser isso.

Boa ideia.

A mamãe está bem?

Sim. Ela mandou lembranças.

Espero que possamos ir neste verão.

- Oi, meu garotinho! - Oi, vovô.

- O quê? - O que ele está vestindo?

O que é isso? Um macacão?

Sim.

Apague esse cigarro, Marie.

Por que ele está vestido como um sapo? Que pijama é esse?

Antoine.

- Olhe. - O quê?

- Está os vendo? - Não, mas eles estão lá.

Com certeza estão.

Olá!

- O que vai querer? - O de sempre, por favor.

É pra já.

Não é o mesmo de sempre. Depois dorme como uma pedra.

Gosta de dormir bem, né, Francês?

- Um bom jantar e um bom sono. - Não comecem!

Eusebio! Só estamos brincando com o Francês.

Calma, não vamos destruir seu bar.

Eu pago uma rodada pra vocês.

Seu dinheiro não vale nada aqui. Nós mesmos pagamos.

Mas tem que ter cuidado entre vizinhos.

Não, você que deve ter cuidado, porque um dia...

25 DE JULHO: CADA VEZ MAIS PERTO

Bebeu duas garrafas inteiras de licor de café

e meia garrafa de uma branca, que era álcool puro.

Quanto tempo ela ficou acordada

dizendo que estava morrendo com o coração saindo pela boca?

Dois dias.

Eusebio, cadê o que pedi há meia hora?

Está saindo.

Diga, Xan. Seu pai era um bruto.

Meu pai era um grande filho da puta, Perri.

Loren, você não terminou o serviço.

Pintei a porta, ela precisa secar.

E a primeira demão foi com a piroca.

Seu irmão é o nosso Picasso.

Sim, Picasso da Piroca. Picasso da Piroca.

Você gosta disso?

A carne de gato.

Você gosta?

Como é?

Não sabe que é gato?

Xan, ele não sabe que é gato.

Como raios ele saberia que é?

Na França, eles não comem gatos.

Eusebio?

Eusebio.

Tenha coragem de contar a ele. É gato morto?

- Eusebio, porra! - É gato.

Não é gato.

Não, não é.

É canguru, seu burro!

Droga, Francês, não fique assim.

Sempre comemos gato aqui.

O que acha?

O que você acha?

Que o Eusebio mataria uma vaca?

Só para nos alimentar?

Eusebio não tem coragem de dizer porque quer que você pague.

Que você volte.

E deixa eu te dizer...

Ele é o único que quer que você volte.

É o mesmo que comer coelho, porra.

Vamos colher os repolhos até quarta ou as lagartas vão comê-los.

Está mesmo preocupada por eu estar filmando?

É só uma precaução. Talvez nem precise.

Não sei.

- Bom dia, Loren. - Olá, Pepiño.

- Olá. - Olá.

- Descansando? - Sim.

- Está difícil subir até aqui? - Não, de jeito nenhum.

- Está ofegante, é bom se cuidar. - Deixe-o em paz.

Ignore-o.

Fica mais cansado a cada dia, Pepiño?

- E você fica mais idiota. - Me preocupo com sua saúde.

Preocupe-se com a sua, olhe para você.

- Vou pegar suas alfaces. - Nem quero olhar mais esse aí.

- É chouriço? Nada mal. - É claro.

- Nem uma alma viva aqui, Manoliño. - Pois é.

É uma manhã tranquila.

É sempre assim

na porra das férias de verão.

Vou querer 20...

Me dê essas pilhas...

É claro.

O que está fazendo, Francês?

Vou comprar o jornal.

Estou te incomodando?

Precisa olhar para mim para comprar o jornal?

Que merda está olhando?

Nada.

Você é quem está olhando para mim.

Como vai, Antoine?

- Bem. - Tudo certo?

- E você? - Bem, tudo de velho.

- Vai levar o jornal? - Sim, por favor.

Algo mais?

Sim...

Meu dinheiro está no carro. Já volto.

Claro, sem problemas.

Vou querer 20...

Me dê essas pilhas...

- E o jornal? - O quê?

Cadê a porra do jornal, Francês?

O que é isso no seu bolso?

Está coçando o saco? Ou me filmando?

Está paranoico, vizinho.

Você estava me filmando.

Nós o vimos com uma câmera.

Estava me filmando, não é?

Você estava...

Filho da puta!

Antoine?

Antoine, veja isto!

O que foi?

Veja.

Os desgraçados colocaram duas baterias no poço.

É chumbo. Aquela coisa preta era chumbo.

É 16 de agosto. São 11 da manhã.

- Minha esposa Olga viu... - O que está fazendo?

que os tomates quase maduros estão estragados.

Pare com isso. Pare de gravar.

Todos acabados.

Onde você está indo?

Pare de gravar!

Olá, Loren.

- Como vai? - O que é?

O que está fazendo?

- Nada. - Nada?

E seu irmão?

Lá dentro. Por quê?

Por nada.

Loren.

Uma pergunta.

Você experimentou...

nossos tomates?

Por quê?

Nossos tomates.

Você já experimentou?

Puta merda! Me solta! Me solta!

Vocês jogaram baterias de carro em nosso poço?

Sim ou não?

Sim ou não? Responda-me.

Responda-me, Loren.

Vou mandá-los para a prisão.

Loren?

Consegue entender, seu imbecil de merda?

Se manda daqui!

Volta aqui!

Venha aqui, Loren!

Chegue mais perto.

- Não vai usar essa arma? - Talvez eu a use.

- É mesmo? - Chega mais.

- Pare de filmar. Saia daqui! - Não me filme.

Minha colheita está perdida, Xan.

Estou pouco me lixando! Saia daqui!

Sabe o que fez a mim e à minha mulher?

Você nos arruinou!

- Desapareça, caralho! - Nos arruinou!

- O que está fazendo? - Maldição!

Você nos arruinou, desgraçado!

Vá embora da minha casa! Vá embora!

- Vá embora agora mesmo! - Fora daqui, caralho!

- Saia já da minha casa! - Desapareça, porra!

- Por que deixou ele entrar? - Foda-se aquele cara!

Falaremos com eles. Isso é grave.

Entendem o que eles fizeram conosco?

Não se preocupem. Seremos claros com eles.

Eles não devem vir aqui novamente.

Diremos isso. Mas o mesmo se aplica ao seu marido.

Perdão?

Você entrou na propriedade deles.

- Quer comparar? - Entrou sem permissão,

filmando-os, insultando-os e com os ânimos alterados.

- Está tudo gravado. - Eles contaminaram nossos poços!

Calma, Antoine, vamos investigar isso.

Antoine, me escute!

Ouça, venha aqui.

Vamos investigar isso.

Mas não ceda à provocação.

Eles o ameaçaram com uma arma. Você viu.

Não estava carregada.

- Não pode ter certeza disso. - Eu lhe asseguro.

Seu marido não pode entrar na casa dos Antas sem permissão,

- devia ter falado conosco. - Concordo. Mas nós dois

cumprimos as leis, mas eles podem fazer o que quiserem?

Andar armados, contaminar a água...

- Entenderam muito bem. - Não, é difícil entender tudo isso.

Seu marido não devia se aproveitar de sua inteligência com o irmão.

- Do que está falando? - Calma aí!

Lorenzo é especial desde o acidente com o cavalo.

E você é professor. Bem-educado, culto, viajado...

Se aproveitou dele.

Diga-lhes que não queremos vê-los aqui em nossa casa.

Senão, terei que falar com seu superior.

- Está claro? - Sim.

Falaremos com eles agora. Não se preocupe. Vamos.

Podemos ficar com o cartão para analisar...

- Para sua investigação? - Sim.

Breixo. Quantas pessoas viveram aqui antes?

Muitas.

Crianças, até.

Quando reformarmos as casas,

as pessoas vão voltar.

- Se você diz. - A vida é boa aqui.

Minha filha gosta de vir com meu neto.

Já meu sobrinho nunca vem.

O coitado queria as eólicas.

As pessoas agora só pensam em dinheiro. Só nisso.

Exato.

Mas há dinheiro aqui. Se trabalhar bem, há de sobra.

A terra exige muito.

Ele pode te devorar.

Você verá.

Quanto tempo uma cabra leva para produzir um bom queijo?

Se quer um bom queijo, tem que ser de ovelha.

As ovelhas

são maiores e produzem mais leite.

- Nós vamos nos recuperar. - Claro que vamos.

Mas a que preço? Trabalhando como mulas,

usando nossas economias. Até quando?

E o que vem depois? Eles não vão parar. São incontroláveis.

Nós vamos nos defender.

Não viemos aqui para lutar.

Não vamos embora, vamos?

Eles não têm mais nada.

E acima de tudo, não têm nada a perder.

É por isso que precisamos das câmeras.

Você sabe o que eu penso.

O que mais posso fazer?

Eu sei que isso a assusta, mas é a única solução.

Para fazer justiça...

Pare de dizer que é a única solução.

Há sempre outra solução.

Vamos dormir?

Você sabe que não sou nada sem você.

Você sabe.

Pensei em comprarmos algumas ovelhas.

Antoine, sou o Rafael, sobrinho do Breixo.

Eu sinto muito.

Melhor morrer na montanha do que em um hospital.

Estava contando à sua esposa

as boas lembranças dos verões aqui com minha família.

Obrigado.

- Você quer um café? - Não, obrigado.

Provavelmente já sabe disso,

meu tio não tinha filhos, era viúvo

e eu herdei as terras dele.

Posso me sentar?

Faz muito tempo que não venho aqui.

Tenho minha lavanderia, minha vida.

Este dinheiro não mudará a minha vida, eu já estou feito.

- Me entendem? - Não, na verdade não.

É bem simples de entender.

Como herdei o voto do meu tio,

com meu voto ficaria 6 contra 3.

6 a favor das eólicas, e 3 contra.

Eu disse aos meus advogados para não contatarem ninguém ainda.

Estou ciente das...

discussões e problemas que tiveram com algumas pessoas.

Eu sei quem. Meu tio me disse, ele estava muito preocupado.

Ótimo café.

Nós três podemos nos entender.

Esse pessoal da montanha tem o lado bom e o ruim, como viram.

Temos que agir logo ou as eólicas irão para o próximo vilarejo.

Para o pessoal daqui, imaginem que oportunidade perdida.

Irão para outro vilarejo?

Sim, confirmaram aos meus advogados.

- Que vilarejo? - Qualquer um onde haja vento.

E os documentos?

Não os trouxe comigo, mas mando para você.

- Gostaríamos disso. - Mando todos, sem problemas.

Cá entre nós, conheço os dois que votaram contra.

Você os convenceu a votar contra,

mas eles nem moram aqui.

Um vem trabalhar nas próprias terras e o outro só vem no verão.

Conversamos com eles, explicamos bem. É agora ou nunca.

Eu posso estar errado,

mas digamos que eu não esteja,

seriam 8 a favor, e 1 contra. 8, Antoine.

Sei que não se importam com dinheiro,

mas o povo daqui está sofrendo. Precisam compreender.

O dinheiro nos importa, como a todos.

Nada disso. Vocês dão as casas que reformam.

Não são nossas, não podemos vendê-las.

Gastam tempo nelas, compram material, ferramentas.

Isso sai caro.

Não para nós.

Vocês valorizam outras coisas, sou do mesmo jeito.

Mas o povo daqui é sofrido,

nunca viajaram, estudaram, nada disso.

Nós que fizemos essas coisas.

Minhas lavanderias estão indo muito bem.

Eu tenho minha casa.

Igual a vocês. Bem sucedidos.

Vocês têm um projeto lindo, mas...

quem gostaria de morar aqui?

Se fossem hotéis rurais... Mas casas?

Os que estão aqui querem partir e os que ficam... morrem.

Nós viemos para cá.

Pensem bem. Todo esse dinheiro...

Não é tanto dinheiro. Eles pagam menos do que a terra vale.

Mas é dinheiro, Antoine.

Pode usá-lo no seu projeto em outro lugar.

A Galiza é enorme. Isso resolve a vida dessa gente.

- Resolve a vida deles? - Pense nisso.

Nós pensaremos.

Você começou com o pé esquerdo.

O pessoal daqui é simples.

Eles têm o lado bom e o ruim, já viram.

É a segunda vez que diz isso.

É uma ameaça?

Não estou ameaçando ninguém.

Eu só acho que devem ter cuidado.

Inacreditável.

Ouça... Eu penso nos meus filhos.

O que eu quero deixar para eles?

Uma vida mais fácil ou difícil?

- Vocês têm uma filha, certo? - Sim.

Todos esses...

lotes de terra são problemas.

Para todos.

- Prometem que vão pensar? - Já dissemos que sim.

Obrigado pelo tempo de vocês e pelo café.

Tenho que voltar para a lavanderia,

devo ter umas 100 ligações perdidas.

Foi um prazer conhecê-los.

Você vai pensar sobre isso, Antoine?

Acha que eles o enviaram?

Não faço ideia.

O que é isso?

O que fazemos?

Vamos voltar.

E ir para onde?

Tranque sua porta.

Deixem-nos passar, por favor.

- Deixe-nos passar, Loren. - Abaixe o vidro.

- Estamos indo dormir. - Abaixe o vidro.

Por favor.

Abaixe o vidro.

Se eu não abaixar, eles não irão.

Abaixe o vidro.

- Deixe-nos passar. - Abaixe mais.

- Deixe-nos passar. - Abaixe.

- Abaixe mais. - Loren.

- Vamos dormir. - Não abra.

Deixe-nos passar, por favor.

Estou com a minha mulher.

Deixe-nos passar, por favor.

Você não é tão forte.

- Quer café? - Não, obrigada.

Se eu não estivesse lá ontem, eles teriam te matado.

- Não. - Sim. Teriam te matado.

O que faziam lá no meio da noite, esperando com uma arma?

O que estavam esperando?

- Eles estavam bêbados, só isso. - E?

Eles são assim.

Estou com medo. Agora estou com medo.

Você também estava com medo ontem.

Continuaremos vivendo assim?

Eu não quero viver assim.

Acha que eles queriam nos matar?

Eu não. Você sim.

É preciso coragem para matar alguém, eles não têm.

Então vale a pena?

- O que vale a pena? - Isto.

Claro que vale a pena.

Confie em mim.

- Senta. - Porra, Loren, solte o cachorro.

- Vamos, Draco, aqui. - Bom menino.

Vamos, Draco.

Droga, Loren.

Ele prefere a mim. Se você fosse menos feio.

Puta merda.

Hoje eu lhe pago uma bebida.

Peço que me deixe pagar-lhe uma bebida.

E você não pode recusar.

Uma garrafa, por favor, Eusebio.

Sente-se aqui, Loren.

Calmamente.

O que é?

Quando cheguei aqui, bebemos algumas vezes.

E você me perguntou...

o que eu estava fazendo aqui.

Eu não falava sua língua bem o suficiente para me explicar.

Não tinha entendido nada do que você disse.

Eu viajei por muitos lugares.

Me divertindo.

Uma noite, eu estava tão bêbado que tive que parar.

Deitei-me

e vi o céu estrelado.

Quando acordei...

eu estava aqui, neste vale.

Passei toda a minha vida pensando nisto.

Eu dizia: "Quando estiver velho, virei para cá.

E serei livre".

E seria livre justo aqui?

É uma história...

Uma bela história.

Acha que este lugar é um capricho para mim?

Não, Xan. Este lugar é tudo para mim.

É o meu projeto de vida.

- Meu e da minha esposa. - Não, eu não...

Não é isso que eu acho.

- E o que acha? - Você não vai gostar.

Diga.

Não acho justo que seu voto valha igual ao meu,

porque você não é daqui, você é francês.

Sério?

E não é justo, não porque...

Não porque você é estrangeiro...

Não vamos entrar nisso.

Não é justo...

porque você está aqui há dois anos, brincando de fazendinha.

Eu estou aqui há 52 anos. E ele, 45.

Minha mãe, 73.

E estamos fartos de ser miseráveis.

Mas o pior não é isso.

É que não sabíamos que éramos miseráveis,

até os cretinos das eólicas chegarem

e nos oferecerem o dinheiro.

E toda vez que eu me levanto...

às 5 da manhã, com uma ressaca infernal

e minhas costas acabadas, eu lembro de você.

E depois...

começa mais um belo dia.

O que faria com o dinheiro das eólicas?

Você pensou?

É claro.

O que você faria?

E você se importa?

Quero saber, sim. Por favor.

Um táxi. Em Ourense.

- Um táxi? - Um táxi.

Metade do dia, eu dirijo,

a outra metade, meu irmão.

- E sua mãe? - Em casa.

Descansando, ela já trabalhou muito, não?

Na sua casa?

Sim, na minha casa.

Acha que o dinheiro das eólicas é suficiente para tudo isso?

E você sabe?

Não, estou lhe perguntando.

Você fez as contas?

Eu vou sobreviver, como sempre fiz.

Isso é verdade.

Mas você tem 50 anos.

Não tem estudos.

- Está me chamando de burro? - Não.

Na verdade, eu acho...

Eu tinha direito a esse dinheiro.

Eu tinha direito a esse dinheiro, porra!

E você chegou e se colocou entre o meu direito e eu.

Sabia que Loren era um garotinho bonito?

Ficávamos sem palavras diante de sua beleza.

Sem palavras.

Você não sabia?

Um dia, o levei ao bordel e...

o mandaram embora.

Sabe por quê?

As prostitutas disseram que ele as assustava,

que ele era um bruto.

Mas não era isso.

Cheiramos a merda aqui.

Cheiramos a merda.

Tudo que eu quero é uma mulher como a sua.

Uma para mim, outra para o meu irmão.

Aqui não há nem uma.

E um filho? Não posso ter um filho? É impossível aqui.

Lembra do que disse naquela mesa?

Jogando dominó.

"Esta é a minha casa."

- "Esta é a minha casa." - Sim.

Isso ficou na minha cabeça, pois você disse

como se isso só significasse algo pra você.

E não é assim, cara. Esta é a nossa casa também.

Muito antes de vocês dois chegarem, cuidado.

Cuidado!

Se vocês realmente...

Se vocês realmente querem sair daqui...

Minha esposa e eu, também.

Nós iremos.

- É justo. - Eu penso que sim.

É justo.

Mas há um problema.

Você contaminou nossa colheita.

Minha esposa e eu perdemos tudo.

Um ano inteiro de trabalho.

Olhe-me nos olhos

e atreva-se dizer que não foi você.

Atreva-se!

É a sua vingança?

Esta é a sua vingança?

Estou tentando explicar que,

mesmo que eu quisesse, não poderia ir embora.

Porque o dinheiro das eólicas

não é suficiente para começar do zero.

É o que tentei dizer, mas você não quer ouvir, Xan.

Você só escuta o que quer ouvir.

Ouça, por um momento,

pensei que você assinaria, sairia daqui e tomaria no cu.

Foi um belo momento.

Quando minha esposa e eu tivermos uma nova colheita...

Iniciaremos uma nova colheita para recuperar o que perdemos.

Estou disposto a votar novamente.

E se for 8 contra 1, iremos embora.

Até lá, as eólicas vão dar o fora daqui, Francês!

Eu não confiaria no seu amigo Rafael.

O vilarejo ao lado ficará rico

porque somos retardados por não assinar.

Você não entende nada!

São sempre os mesmos que enriquecem aqui.

Sabe quem são eles?

- Não grite. - Não?

Noruegueses que não querem turbinas eólicas em suas terras,

então eles vêm aqui e fazem isso por quase nada!

Não grite comigo.

- Não grite comigo. - Isso te incomoda?

Um pouco.

Você me forçou, não me pediu, me forçou a sair da minha casa.

Você entrou na minha propriedade,

você contaminou minha colheita.

Você me insultou, cuspiu na minha cara,

e mandou um homem à minha casa para me ameaçar.

E está incomodado por eu gritar com você?

Você é um gênio.

Um gênio!

Pensei que estava cansado de me ver.

Já cansei.

- Está cansado? - Sim.

E mesmo assim, estou disposto a conversar com você.

Mas você não me ouve.

Eu nunca mais vou falar com você.

Não posso ir embora, porque não posso.

Você quer que eu vá. O que faremos?

- Essa é a grande questão. - O que faremos?

Nós dois faremos o que temos que fazer.

O que você vai fazer?

O que você vai fazer?

Queria que você tivesse acordado em outro vilarejo.

Você não pode mudar isso.

O que você vai fazer?

Responda-me. O que você vai fazer?

Loren, terminamos aqui. Vamos.

- Está conseguindo? - Sim.

Também temos que começar a capinar.

Muito bem...

vou te ajudar, espere.

Dois minutos.

O quê?

- O que foi? - Nada.

O que é isso? São almôndegas?

- Um cachorro-quente? - Sim...

- Um chouriço? - Não!

- Feliz aniversário, amor! - Obrigado.

Um presente!

- Não esperava? - Feliz aniversário, Pepiño!

- O que é isto? - Não esperava nada.

Não sei. Você pode não gostar.

- Um colete! - Você gostou?

- Não é o igual ao seu? É. - Bem bonito.

Mas o que foi?

O que foi?

Você não gosta da cor?

- O que houve? - Eu amei a cor.

Tome. Dois meses de trabalho.

- Obrigado. - Dois meses de trabalho?

Vamos ver...

Estão de brincadeira. Você que fez?

Não é brincadeira, eu juro.

É ridículo, me desculpe.

Onde você comprou?

No mercado, meu amor.

Sinto muito, é horrível.

- Dois é melhor que um. - Sinto muito.

Eu dou um jeito nisso num instante.

- Você que fez? - Sim.

- Darei um jeito nisso. - Não, sem strip-tease. Não!

- Sim, sim! - Que está fazendo, Pepiño?

Este é para mim, e este é para o meu amigo Antoine.

- Não, não! - Para meu amigo Antoine.

- Sua esposa lhe deu esse. - Olga, gosto que fique com ele.

- Certeza? - É claro.

- Ficará ótimo nele. - Capturarei este momento.

Ficou maravilhoso.

- Como uma boy band. - Excelente.

- Pepiño, um discurso. - Sim, um discurso, Pepiño!

Para comemorar o colete.

É motivo de comemoração.

Agora está resolvido.

E obrigado.

Obrigado, minha Aurora.

Por me aturar mais um ano.

E obrigado a vocês dois por virem à nossa casa

e por serem tão bons vizinhos.

Um brinde a continuar nos chamando de vizinhos por muito tempo.

- Saúde! - Saúde!

- São o mesmo modelo. - O mesmo desenho.

Que engraçado.

- Obrigada, Pepiño, pelas palavras. - Eu que agradeço.

E obrigada a você, Aurora, de coração.

Porque sabíamos quando viemos para cá

que sentiríamos falta de nossos amigos.

E nós realmente sentimos falta deles.

Você sente mais.

Sério?

Talvez, não tenho certeza.

- Mas é ótimo termos vocês. - Obrigado.

E você gosta daqui?

Não sente falta da sua antiga vida?

Sim, eu gosto muito daqui.

Um brinde a isso.

- A estar aqui! - A estar aqui!

Titán.

Você o quer de volta?

Titán!

Vamos.

Vá, pode ir.

Titán!

Titán!

Titán.

Cadê meu cachorro?

Cadê meu cachorro?

Não se preocupe com isso.

Cadê meu cachorro?

É assim que você é corajoso, Loren?

Essa é a sua coragem?

Vamos lá.

Titán!

Daqui até aqui, e daqui até aqui.

E na próxima semana, esta área.

- Anotou? - Sim.

Quero subir por este lado da montanha.

Mas está muito frio no momento.

Tenha cuidado, é muito perigoso lá.

Sim, eu sei.

Xosé, venha aqui um instante, por favor.

Com licença.

- Tem tudo aí? - Sim.

Está tudo aqui.

Certo, vou indo.

- O resto está tudo bem? - Sim.

- Os negócios vão bem? - Vão, sim.

Irá na feira da Barbeira semana que vem?

Irei.

É uma grande feira.

- Obrigada, boa tarde. - Boa tarde.

Sra. Denis, fique à vontade para vir quando quiser.

E nos informe sobre suas buscas.

Pode nos ajudar a encontrar informações.

Mas?

Sabe que aquela área da montanha foi averiguada há um ano.

- Foi o que me disseram. - E é verdade.

Está bem.

- Boa tarde. - Boa tarde.

Está delicioso.

Obrigada.

Quanto custa o alho-poró, por favor?

1,60.

E o seu deu 2,70.

- Obrigada. - Obrigada, querida.

Sim, vou querer o alho-poró.

Eu queria assim, um pouco mais graúdos, sim?

Este, este, este e este.

- Olá! - Olá!

Olá! Tudo bem passarmos por aqui?

Sim, sem problemas.

E para chegar ao rio?

Sim, é por aí mesmo.

Beleza, obrigado.

De nada.

É o que temos, me entristece muito.

- Nove? - Não pode fazer nada?

O que posso fazer? Olhe a sua volta. Não há nada.

Dissemos 15, não 9.

É tudo o que tenho agora. Se as quiser, são suas.

Quanto tempo para as outras seis?

Duas ou três semanas. Me ligue antes.

- Duas ou três semanas. - Sim, eu entendi.

Então, vai querer?

- Não sei. - Acho que deveria aceitar.

Mas tem que pagar por todas agora. Por causa da contabilidade.

- Sacanagem! - Que vigarista.

O que sua amiga disse?

Não sei, cara.

Não entendo metade do que ela diz.

Conte.

Você está bem?

E você?

Como foi a viagem?

Boa, mas estou exausta.

Por que não o trouxe?

Ele é muito novo para faltar aula.

Mãe.

Você precisa sair daqui.

E sabe disso.

Eu vou ficar com você o tempo que precisar

e a ajudarei a vender tudo.

Eva cuidará de Pierrot e iremos embora juntas.

Você pode morar conosco até encontrar algo.

Eu não quero ir.

Você pode morar conosco, eu adoraria.

Eu não quero ir, Marie.

- Por quê? - Você sabe bem.

Me diga de novo.

E aí?

Eu me sinto bem aqui.

Com os assassinos do papai?

Qual é o seu plano?

- Ficar sozinha aqui para sempre? - Não estou sozinha.

Não, claro que não.

Tem um cachorro velho e dez ovelhas.

- Nove. - Mamãe...

Não estou sozinha, Marie. Conheço pessoas daqui.

Eu me sinto bem. Estou bem, você sabe.

Certo.

Você se sente bem e não se sente sozinha.

Mas não acha que o que aconteceu é injusto?

- É o que você acha? - Pois sim.

Faz um ano que tento entender e não consigo.

E cada vez que venho, continuo sem entender.

Eu comento com as pessoas, e ninguém entende.

Isso quer dizer algo, certo?

Talvez precise estar aqui para entender.

Mataram meu pai, posso ter uma opinião, não posso?

Sim. Mas você tem que aceitar minha decisão.

Certo, o que você vai fazer?

Pastorar pela manhã e procurar o corpo do papai à tarde?

- Sim, é o que quero fazer. - Não, caramba!

E é tudo que farei.

Estou com medo, mamãe.

Penso direto em você, preocupada que algo aconteça.

Não aguento, entende?

Essas pessoas moram aqui ao lado.

Você os vê todos os dias. Como consegue viver assim?

- Eu tento não pensar nisso... - Então pense!

Eles mataram o papai!

E ainda estão lá, tranquilos em suas vidinhas.

Você quer ficar nesse inferno onde vale tudo.

Para mim, não é o mais importante.

Não posso deixar que faça isso.

Você vem comigo, querendo ou não. É isso.

Você não está bem, precisa de ajuda.

Eu disse na primeira vez que vim,

e nas seguintes também, mas você me ignorou.

Então pode ir se acostumando à ideia de que irá comigo.

Não.

Não percebe que eles podem vir atrás de você?

Não. Acho que eles têm mais medo do que eu.

Medo de quê? De você?

- Que você vá atrás deles? - Não, de que a verdade apareça.

Mas todos sabem qual é a verdade!

E ninguém se importa com a verdade.

E se eles tiverem medo disso, virão atrás de você.

Não entende?

Não. Eles não vão me machucar.

O papai dizia isso, e veja só.

Ouça, falei com um psicólogo.

E ele disse que se você ficar,

é porque não quer aceitar a realidade.

Você testemunhou uma tragédia e ainda está vivendo nela.

Você se recusa a seguir em frente, mas precisa.

O que está esperando?

- Apodrecer aqui? - Como é?

- Você ouviu. - Cuidado com o que diz, Marie.

Mas é o que vai acontecer. Você acabará sozinha.

Você já está sozinha, droga.

Essas pessoas não gostam de você. Não gostam de pessoas como nós.

Elas sempre riram de nós.

- Por que diz isso? - Você sabe por quê!

A polícia nos ignorou, eles riram de você e do papai,

com sua horta e sua arrogância.

Vocês eram os caipiras.

Eu nunca lhe disse como viver sua vida.

Não a criamos dessa maneira.

Não.

Só quero que meu filho conheça a avó.

Já que para o avô é tarde demais.

Não acontecerá nada comigo, eu juro.

Você não quer morar com a gente?

Nossa vida é tão ruim comparada a este paraíso?

Eu adoraria vê-la mais vezes,

mas quando seu pai e eu viemos para cá,

sabíamos que a veríamos menos.

Que tal pararmos de discutir e vivermos juntas?

Eu preciso de você.

E você precisa de mim.

Marie...

Nós temos nossas próprias vidas.

Quando você saiu de casa,

foi doloroso mas aceitei, a vida é assim.

No começo, quando cheguei aqui, foi difícil

ficar longe de você, de Pierrot e nossos amigos,

mas agora, não quero mudar de vida. Esta é a nossa casa.

Não existe mais "nosso".

Não entende isso?

Eles mataram seu marido e o jogaram em uma vala!

Isso não entra na sua cabeça?

Se você não vier comigo, nunca mais voltarei aqui.

Você nunca mais nos verá.

- É isso que quer? - Está ouvindo o que diz?

Não quero meu filho perto de uma louca.

- Fora da minha cozinha! - Não!

- Não quero mais falar com você! - Conversaremos até cair em si!

Ou a levarei à força!

Mas como você ousa

falar comigo ou com qualquer outra pessoa assim?

Como ousa me dizer o que fazer? Não aprendeu nada na vida?

Mais do que você, certeza.

O que você tem feito da sua vida, além de vadiar por aí,

sair de uma aventura fútil para outra,

de um idiota para outro, com emprego bosta, sem ambição,

sempre com desculpas, porque queria "experiências".

E o que seus pais fizeram?

Sempre a apoiamos, não? Sempre te demos tudo, não foi?

Nunca pedi nada a vocês.

Isso! Porque te criamos assim! Não se esqueça disso.

Acho que a culpa não é minha.

- É mesmo? Certo. - Sim.

Reflita um pouco.

- Pense nas suas decisões. - Não me arrependo de nada.

Por exemplo, ter um filho com aquele sujeito.

- Sua mãe louca que te apoiou. - Deixe meu filho fora disso.

Eu disse o que você tinha que fazer?

- Eu te insultei na sua cozinha? - Pare. Pare!

Escute-me! Eu fui à sua cozinha insultá-la

e dizer-lhe como viver sua vida? Fiz isso?

Não sabe como é estar com outros homens, só conheceu o papai.

Não tem ideia de como é a vida nem de como é ser mãe solteira.

Minha vida foi assim,

porque decidi criar minha filha com meu companheiro.

Não foi você que decidiu ficar fora da minha vida, foi o papai.

Porque ele que decidia tudo e mandava na sua vida.

Seu pai queria quebrar a cara do pai do seu filho, e eu o impedi.

É claro. Com certeza...

Papai sempre decidiu tudo.

Onde vocês viviam, como viviam, quando faziam as coisas.

- Você não sabe nada. - Sempre foi submissa a ele.

Uma mulher patética e pequena.

- Pare, Marie. - Ele sempre mandou na sua vida.

Ele fez isso quando estava vivo e ainda continua depois de morto.

Você não entende.

Eu não entendo?

Sabe o que as pessoas dizem?

O que seus amigos dizem?

Que talvez ele tenha te deixado.

Como você pode me dizer isso?

Não fui eu, foram seus amigos.

Eu espero...

que um dia você saiba o que é amar...

e deixe de ser medíocre.

Vá se foder.

- Olá, dorminhoca. - Olá, Pepiño.

Como vai, bela adormecida?

- Bem. E você? - Estou bem.

Veio ajudar um pouco?

Sim.

O que posso fazer?

Bom dia.

Bom dia.

Vá ao ovil,

remova a neve e troque a palha, tá?

Certo.

Irá ficar muito tempo?

Não sei.

Porcaria!

Pressione por cinco segundos.

- Vem cá, Titán! - Titán.

- Titán, volte aqui. - Bom menino.

Titán, aqui. Titán!

Volte aqui, Titán. Titán!

Vamos, menina. Pare com isso.

Volte aqui, Titán.

Pare de enrolar, vamos.

Vamos!

Vá!

Aqui!

Titán, vamos!

Andando.

Aqui, Titán!

- Está indo? - Estou.

Vai chover.

Veremos.

Eu vou com você.

Você vem?

Há caçadores naquela área.

Sim, eu os ouvi.

Obrigada.

Precisará parar daqui a duas semanas.

Há fortes tempestades se aproximando.

Por que não estão a ajudando?

Seria mais rápido, não?

- Você não precisa ficar. - Eu vou ficar.

- Está tudo bem? - Não, nada bem.

- Por que não procuram com ela? - Marie...

- Medo de encontrar algo estranho? - Não a entendo.

Desculpe, ela está alterada.

Está se desculpando?

Você são tão culpados quanto aqueles dois.

Vocês são responsáveis. Deu pra entender?

Calma aí, não posso permitir isso.

Eu preciso deles do meu lado.

- Certo, quero saber algo, traduza. - Não.

- Traduza, porra! - Não traduzirei nada!

Calma, por favor. Vamos nos acalmar um pouco.

Sentem-se e traduza.

Pergunte como eles puderam simplesmente cruzar os braços

quando um cidadão recebeu ameaças de morte que foram filmadas.

Pergunte a eles.

Está enganada.

- Não estou. - Não há ameaças filmadas.

Eu vi os vídeos.

Não há ameaças de morte nas filmagens.

Então eu estou inventando?

Não, mas você está errada.

As ameaças não foram filmadas.

O material gravado é totalmente inútil.

Já lhe disse isso.

Não me importo.

Vocês deveriam ter vergonha.

Não é o mesmo de sempre. Depois dorme como uma pedra.

Gosta de dormir bem, né? Um bom jantar e um bom sono.

- Não comecem! - Eusebio!

Só estamos brincando com o Francês.

Calma, não vamos destruir seu bar.

Eu pago uma rodada pra vocês.

Seu dinheiro não vale nada aqui. Nós mesmos pagamos.

Mas tem que ter cuidado entre vizinhos.

Não, você que deve ter cuidado, porque um dia...

São 6 da manhã do dia 25 de outubro.

Meu vizinho está me esperando, ele está bêbado,

não posso sair de casa para ir à cidade.

Vamos ver o que acontece.

Olá, vizinho. Está com saudade de mim?

Minha esposa trabalha na terra com um dom natural.

Como um verdadeira conquistadora,

ela é intrépida e corajosa,

ela observa...

todo seu território.

Como uma rainha.

Vamos, Marie, levante-se ou vamos nos atrasar.

Precisamos encontrá-lo.

Ali está ele.

- Olá. - Olá.

O que faz aqui? Não combinamos pra hoje.

- Sim, terça-feira, dia 20. - Não, não...

Não. Hoje?

- Essas são as minhas? - Não estão aqui.

Não estou com as suas.

- Como não? - Eu não a esperava hoje.

Acho que você está enganada.

As ovelhas da próxima semana são melhores para o que quer.

Como assim?

- É para queijo, né? - Sim.

As da próxima semana são muito melhores para queijo.

Então as que você vende não são boas?

As ovelhas que vendo são boas.

Mas é uma boa oportunidade que você tem.

- Não me interessa. - O que houve?

Ele quer me enganar, como sempre.

Essas são minhas ovelhas.

Paguei há dias e vou levá-las hoje, certo?

Você se atrasou, então as vendi. Se chegasse antes, não teria erro.

É difícil cancelar um pagamento, sabe?

- Isso é problema seu. - Venha outro dia melhor.

- Não, não. - Na próxima semana.

Não vou embora daqui sem meus animais! Entendeu?

Pare de achar que sou idiota!

Tudo bem, já entendi.

Temos um probleminha.

Ouça, as ovelhas são dessa senhora.

Lá estão eles.

- Relaxe, está tudo bem. - Sempre com trapalhadas,

- não compro mais a você. - Deixe de agonia!

Não é agonia...

Rapaz! Cancele esse pagamento e gere uma nova fatura.

Não cancele nada.

Sinto muito, mas as ovelhas são da senhora.

- Não cancele nada. - Sinto muito,

mas as ovelhas são da senhora.

De que mal-entendido está falando, exatamente?

A senhora já pagou por essas ovelhas.

- Justo essas? - Exatamente.

Não pode ser. Eu paguei por elas.

Ela deve ter comprado outras.

Posso levar os animais, por favor?

- Não. - Sim.

Claro que posso. Me permite?

Marie. Ajude-me, por favor?

Rapaz, uma ajuda aqui.

Segure-as firmemente pelas patas traseiras.

Venha aqui.

- Para onde as levo? - Lá fora.

O quê? Ela é muito pesada?

- Segure-a com força. - Ei, você!

Mas não a sufoque.

O que foi?

Não fale com ela. Nem olhe para ela.

- Só estou ajudando. - Chega!

Eu disse que já chega!

Está tudo bem, Marie.

Já passou. Confia em mim?

Me espere no carro.

- Oi. - Olá.

Mãe?

Sim?

Tenho pensado em você e no papai.

E...

o amor que tinham um pelo outro era lindo.

Obrigada.

Tome.

Ele vai gostar, você vai ver.

Sim. Eu lhe digo.

Nos falamos?

Cuide-se.

Não funcionou?

Não. É inaproveitável.

Impossível recuperar os dados.

Vão começar as buscas de novo?

Nossa equipe está reunindo uma unidade,

e amanhã pela manhã começaremos as buscas.

Não se preocupe com isso.

Se a câmera estava lá,

então Antoine também estava.

Muito provavelmente.

Olga.

A câmera é um grande achado. De verdade.

O que faz aqui?

Eu quero falar com ela.

Sobre o quê?

Não quero falar com você. Quero falar com ela.

Você fala comigo primeiro. Do que se trata?

Vocês serão presos.

Seremos?

Do que ela está falando?

Isso mesmo.

Vocês serão presos.

E por que, o que houve?

Você fez alguma coisa?

O que você acha?

Posso?

Não, deixe-me.

Eu só quero conversar.

Seus filhos irão para a prisão.

E você...

ficará sozinha, assim como eu.

Meus filhos não fizeram nada.

Seus filhos...

mataram meu marido.

Isso não é verdade.

Eles mataram o meu Antoine.

Somos apenas nós duas agora.

O que faremos?

Estarei aqui.

Se precisar de algo.

Acabamos de encontrar o corpo.

- Vamos agora? - Sim, claro.

PARA MARGO

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