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Original subtitles

Taryn Brumfitt, de 35 anos, est� a agitar a Internet

com a sua s�rie de fotografias p�s-parto.

Aprendeu a amar o corpo

e est� empenhada em ajudar outras a fazerem-no.

Ela suporta tudo para encorajar as mulheres a gostarem do seu corpo.

Taryn publicou as fotografias como parte da campanha

para enfrentar as imagens negativas do corpo.

Ela diz que depois do nascimento do terceiro filho,

ficou obcecada com a ideia de voltar a ter o corpo que tinha antes da gravidez.

Era um domingo vulgar,

eu estava com algumas amigas

e est�vamos a falar do nosso corpo.

E elas diziam que se debatiam

com o corpo em mudan�a, com o envelhecimento f�sico.

MOV. IMAGEM CORPORAL

Quando ia para casa, pensei: "O que posso fazer para as ajudar?"

Assim, mais tarde, nessa noite,

publiquei uma fotografia do antes e do depois no Facebook.

ANTES DEPOIS

As fotografias tradicionais do antes e do depois t�m uma mulher antes.

Ela � mais pesada no antes, n�o est� muito feliz

e depois perde peso e aparece milagrosamente feliz.

Portanto, eu troquei o meu antes e depois.

S� leal para com o teu corpo, ama o teu corpo, � o �nico que tens.

Soube logo que publiquei que teria rea��es

porque os computadores e os telefones l� de casa

n�o paravam de dar sinal.

Que raio?

O meu marido, Matt, estava na sala de estar

e gritou: "Que se passa?"

E eu: "Nada. N�o se passa nada."

965 "GOSTO".

Sim, a seguir, a Taryn gritou: "Est� a tornar-se viral!"

E eu: "O que queres dizer com isso?"

Corri para o escrit�rio, vi a fotografia

e indaguei: "O que fizeste com ela?"

Ela disse: "Publiquei no Facebook e tornou-se viral."

Eu: "Que queres dizer com est� no Facebook e tornou-se viral?"

Milhares de pessoas

puseram "gosto", partilharam e comentaram.

E eu: "Est�s a falar a s�rio? Publicaste..."

� que, essencialmente, era a Taryn em pelo.

Em pelo com bom gosto, mas nua na mesma.

A fotografia do antes e do depois espalhou-se por todo o lado.

Foi t�tulo de jornais em Paris,

em Londres, no L�bano, no Canad�,

nos Estados Unidos, na Coreia... em todo o lado.

As pessoas ficaram sideradas ao pensar

que uma mulher pudesse gostar do corpo depois.

ESTAMOS PRONTOS PARA O REAL?

Quer dizer, para mim, viver uma vida normal com os meus tr�s filhos,

trabalhar como fot�grafa

e ter uma equipa de filmagens russa a passar dois dias comigo?

Bom, � esquisito.

Ol�. Chamo-me Taryn Brumfitt.

Para o mundo exterior, parecia que estava num turbilh�o de m�dia.

Ficou chocada com a rea��o que obteve

quando publicou aquele antes e depois?

Fiquei!

Mas o que ningu�m viu foi o que estava a acontecer � porta fechada

e que era eu estar a ver e-mails at� �s duas ou tr�s da manh�,

a tentar ler milhares de e-mails

que recebia de mulheres e de homens tamb�m.

E as hist�rias deles eram,

credo, as hist�rias eram desoladoras.

"Tenho uma filha de quatro anos e nunca nadei com ela

porque n�o quero usar fato de banho."

"N�o tenho intimidade com o meu marido h� tr�s anos

porque acho que sou repugnante.

Ele diz que me ama,

mas n�o consigo estar nua diante dele."

"Fui v�tima de abuso sexual quando era crian�a e nunca contei a ningu�m.

Comi como forma de aliviar a dor, mas agora estou gorda.

E ningu�m sabe a minha hist�ria, toda a gente me julga

como se eu fosse uma porca pregui�osa e n�o sou.

Estou s� a tentar sobreviver."

Muitas pessoas perguntam-me:

"Como aprendeu a gostar do seu corpo e o que fez?"

E acho que, para mim, n�o foi assim.

Nem sempre gostei do meu corpo.

Cresci como a maioria das mulheres,

a fazer dieta, a perder peso, a engordar,

a pensar: "Quem me dera n�o ter celulite",

ou "quem dera ser mais pequena aqui", fosse o que fosse,

mas sempre tive uma imagem corporal razoavelmente saud�vel.

Mas depois de ter tido o primeiro filho, tudo mudou para mim.

Estar gr�vida foi do melhor que h�.

Adorei fazer crescer um beb�, adorei tudo.

- Vinte para as tr�s. - � rapaz.

Ador�vel! Ele...

Lembro-me de tomar um duche umas horas depois

e a barriga que tinha aprendido a amar durante aquele tempo...

Olhei para baixo. E pensei: "O que � que aconteceu aqui?"

Era uma massa informe horr�vel.

CORRA - N�O FUJA DE "A BOLHA"

ASSUSTA COME-NOS VIVOS!

Pois, inicialmente, quando vi,

pensei: "Taryn, acabas de dar � luz.

N�o te preocupes com isso por agora, vai melhorar."

Esperei que melhorasse,

mas lembro-me de que, por volta do m�s e meio do Oliver,

pensei: "Pronto, est� na altura de recuperar o corpo."

Pois, saltei para o campo e joguei arduamente,

e em dada altura fiz uma interce��o

e senti uma coisa quente a escorrer-me pelas pernas.

Disse: "Meu Deus", e fiz chichi pelas pernas abaixo.

Foi devastador.

Nos tr�s anos seguintes,

tive mais dois belos e saud�veis filhos,

mas no que se refere ao meu corpo, as coisas iam de mal a pior.

Tinha mamilos do tamanho de pratos,

em momentos �ntimos, sa�a leite dos meus seios

e houve uma altura em que evacuei diante do Matt

porque o meu pavimento p�lvico estava fechado.

Acabei por odiar o meu corpo.

Parecia que tinha o corpo estragado.

Fazer uma opera��o era uma escolha �bvia como solu��o r�pida

e marc�mos a cirurgia, e tudo o que eu tinha passado,

o �dio, a repugn�ncia pelo meu corpo,

ia ser reparado. Era t�o empolgante.

E depois, estava a ver Mikayla a brincar

e tive um momento:

"Como � que vou fazer a opera��o?"

Que mensagem transmite isso � Mikayla?

O que far� isso por ela?

- Mikayla! Ol�. Olha o passarinho! - Olha o passarinho!

E queria que ela aceitasse e gostasse do corpo dela como era

e fiquei destro�ada, enquanto m�e, ao pensar

que a minha op��o de mudar o corpo

podia fazer com que a Mikayla quisesse tamb�m mudar o dela.

Olhei para ela e pensei:

"�s perfeita, tenhas o aspeto que tiveres."

Por isso, n�o consegui fazer a opera��o. N�o era capaz.

Queria fazer a escolha por ela,

mas continuava a ter um corpo que detestava.

Desde esse momento, bati no fundo.

Estou presa a este corpo horrendo at� ao fim da minha vida.

Tinha uma amiga que era personal trainer

e disse-lhe um dia:

"N�o consigo tirar isto da cabe�a.

Qual � a sensa��o de ter um corpo perfeito?

Mudar-me-ia? Far-me-ia feliz?"

E ela disse: "Porque n�o treinas e entras num concurso de bodybuilding?

Eu: "Est�s a brincar comigo?"

E quando dei por mim, estava todos os dias no gin�sio �s 5h00 da manh�,

a treinar sem parar.

E mudei completamente a minha dieta e a forma como vivia.

Houve muito sacrif�cio pessoal,

mas o Matt e os mi�dos tamb�m se sacrificaram muito.

Durante 15 longas semanas, tive cuidado com o que comia e treinei arduamente

e sabem que mais? Consegui.

... para Taryn Brumfitt.

Ali no palco, esperava sentir que tinha chegado

ao patamar onde tinha querido estar toda a vida.

Tinha um corpo perfeito para biqu�ni.

� o que muitas mulheres pensam e o que as motiva.

E nesse momento, s� me ocorria:

"Para ter o que tenho agora,

foram precisos demasiados sacrif�cios, demasiado tempo,

demasiada energia, obsess�o e n�o vale a pena."

Senhoras e senhores...

Lembro-me de estar nos bastidores a ouvir as conversas

das outras mulheres.

"Quem me dera ter mais isto." "Quem me dera ter menos aquilo."

"Esta parte n�o � �tima." Foi um choque.

Pensei: "Credo, voc�s tamb�m pensam isto."

... Cl�ssico de Adelaide.

Ali estava eu, no meu momento de gl�ria,

com o corpo perfeito e n�o estava feliz.

E algumas mulheres � volta tamb�m n�o estavam felizes.

E isso fez-me refletir.

"Como raio v�o as outras pessoas estar felizes com o seu corpo?"

Senhoras e senhores...

Foi uma grande revela��o para mim e um ponto de viragem na minha vida.

Portanto, no dia seguinte, levantei-me e retomei a minha vida,

mas com o clique da mudan�a na cabe�a, que era:

"Este meu corpo n�o � um ornamento.

� um ve�culo, por isso, tenho de o abastecer bem

e quero mex�-lo e estar saud�vel,

mas quero faz�-lo � minha maneira."

Portanto, correr colina acima e chegar ao topo era bom

por causa das endorfinas e de ser �timo estar junto da natureza,

e n�o tanto devido ao n�mero de calorias que queimei

e a comida tornou-se outra vez um prazer.

Eu adoro comida e adoro boa comida.

Foi realmente um al�vio. Foi realmente libertador.

De facto, a melhor �poca da minha vida foi depois do concurso,

ser apenas eu, mover-me, ser feliz e estar equilibrada.

ESTA MULHER QUER MUDAR A FORMA COMO VEMOS O NOSSO CORPO

Nesta fase, a fotografia antes e depois

fora vista por mais de cem milh�es de pessoas.

ISTO � BOM PARA TODOS

A resposta foi avassaladora

e tornou-se claro para mim que este assunto era muito mais importante

do que eu tinha imaginado.

ODEIO O MEU CORPO

Pode descrever-me o seu corpo em algumas palavras?

N�o � perfeito.

Fl�cido?

Atarracado.

Muito na m�dia.

Pequeno.

N�o gosto das minhas ancas. Acho que s�o largas.

N�o � bom de ver.

N�o gosto deste corpo neste momento, sinceramente.

Quem me dera poder cortar alguma coisa.

Odeio-o. Sinto-me repugnante.

Repugnante.

Sinto-me repugnante.

Era desolador e uma hist�ria t�o familiar.

Apesar de eu saber o que resultara comigo e como fiquei em paz com o meu corpo,

n�o tenho respostas para toda a gente.

N�o s� pessoas que se debatem me contactaram,

mas tamb�m pessoas inesperadas e realmente fascinantes.

Por isso, vou para o mundo

conhecer algumas delas numa viagem de nove semanas.

Tem cuidado.

Sinto-me impelida a tentar compreender porque � que tanta gente

detesta o seu corpo e o que pode ser feito para mudar isso.

Primeira paragem, Sydney.

Vim ter com Mia Freedman.

Ela era a mais jovem editora da revista Cosmopolitan

e h� anos que tem tratado o tema da imagem corporal.

Sempre fui obcecada por revistas.

COFUNDADORA REDE MAMAMIA

Adorava-as porque nas d�cadas de 1970 e 1980

era o �nico tipo de meio de comunica��o feminino

e era o �nico s�tio onde se podia ler sobre assuntos das mulheres

e ver fotografias de mulheres, al�m das revistas para homens, acho eu.

Sabia o que era chegar ao fim de uma revista

de que gostava e sentir que eu n�o era suficiente.

N�o era suficientemente alta, nem magra,

n�o era suficientemente loira, n�o era... Nada era suficiente.

Eu n�o era suficiente.

E quando eu pr�pria me tornei editora,

queria mesmo fazer algumas altera��es.

Primeiro deixei de publicar dietas.

Depois, comecei a usar modelos

de diferentes formas, tamanhos e cor de pele.

A primeira coisa que fiz foi uma sess�o de moda de lingerie

com uma modelo que era tamanho 48.

Na altura, as revistas femininas faziam talvez uma

simb�lica sess�o anual com uma modelo grande

e normalmente era uma rapariga vestida com casacos largos.

E eu era editora da Cosmo.

Queria vesti-la ao estilo Cosmo.

Queria que ela ficasse sensual

como a rapariga da capa estaria vestida,

como uma rapariga tamanho 40 vestia.

A editora de moda ficou horrorizada

e vinha ter comigo a dizer: "N�o arranjo roupa."

Eu: "N�o fabricam roupa para tamanho 48? Acho que fabricam."

E ela disse: "Sim, fabricam,

mas os estilistas n�o querem que as suas marcas

estejam associadas a ningu�m que vista mais de 40."

Fiquei muito chocada com a hipocrisia daquilo,

que n�o se importassem de lucrar com todos os tamanhos,

at� ao tamanho 54 ou maior,

mas n�o queriam que se soubesse que era o segredo sujo deles.

Por isso, disse: "Bom, arranje algu�m que nos mande roupa."

E ela acabou por conseguir

e o fot�grafo n�o quis o nome dele na sess�o,

a maquilhadora n�o quis o nome na sess�o.

Foi uma batalha e continuou a ser

nos sete anos seguintes, enquanto fui editora da revista.

CURVAS MODERNAS

Portanto, Mia, porque foi t�o importante

levar a diversidade corporal � revista?

Se olharmos para as revistas femininas

nos �ltimos 30, 40, 50 anos, pod�amos ser perdoadas por pensar

que s� existe um tipo de mulher em todo o mundo

e que ela tem 1,80 m de altura, anda na casa dos 17 anos,

normalmente � loira, com olhos azuis, pele com ar de pl�stico

e, de facto, � extraterrestre,

porque foi criada em computador.

E as mulheres, consciente e inconscientemente, fazem compara��es.

E se estamos sempre a comparar-nos

com uma coisa que n�o existe realmente,

como podemos sentir-nos bem ao espelho

ou quando olhamos para n�s?

E � preciso ser sempre sensual e magra.

Na gravidez, temos de ser sensuais.

S� podemos ter uma barriguinha.

Quando se d� � luz, � preciso ser uma m�e apetec�vel.

O MEU CORPO VOLTOU

... � preciso ser pantera,

� preciso ser sensual em todas as idades e etapas.

E esse � um fardo e uma indicia��o chocantes

de como a nossa cultura desvaloriza as mulheres s� pelo aspeto.

Habitu�mo-nos tanto a ver s� um tipo de corpo.

Est� por todo o lado. � nossa volta.

Nos autocarros, nos cartazes, nas capas de revistas.

Por�m, acontece que mesmo a rapariga da capa

n�o tem o aspeto com que aparece na revista.

N�o admira que tantas mulheres estejam insatisfeitas com o corpo.

Talvez tenhamos esquecido como � um corpo m�dio.

AUSTRALIANA M�DIA: 161,8 CM

PESO: 71,1 KG TAMANHO: 44

STEFANIA ALTURA: 173 CM

PESO: 70 KG TAMANHO: 44

70 % DAS RAPARIGAS EST�O INSATISFEITAS COM O CORPO

Demorei muito tempo a conseguir ser modelo.

O meu tamanho foi respons�vel porque era considerada demasiado grande.

Vestia tamanho 42.

Neste momento visto tamanho 44,

e v�rias ag�ncias me rejeitaram...

MODELO, AUSTR�LIA

... e foi-me dito que seria modelo de tamanho grande.

Aquilo a que chamavam modelo de tamanho grande era ridicularizado por estilistas

e por modelos de tamanhos m�dios por ser mais curvil�nea,

e �ramos muito vistas como inferiores,

quase usadas como truque.

45 % DAS MULHERES NA GAMA SAUD�VEL DE PESO

PENSAM QUE T�M PESO A MAIS

As pessoas fora do meio das modelos

que veem as modelos como eu, com tamanhos maiores de roupa,

tidas como "tamanho grande", enviam uma mensagem distorcida da imagem corporal

porque quando uma jovem olhar para aquela mulher

igual a ela ser vista como "tamanho grande",

isso � uma mensagem que diz que ela n�o � magra que chegue.

� extremamente traumatizante,

especialmente com os manequins nas lojas, que s�o min�sculos.

Muito poucas s�o naturalmente assim.

Se uma mulher entra numa loja e v� a roupa

que fica lindamente no manequim e a quiser usar,

vai provar na sala de provas,

e se n�o lhe cair bem, se n�o salientar a figura

� muito traumatizante, � perturbador e frustrante.

Pensamos que somos n�s o problema.

90 % ANOREXIA, BULIMIA MULHERES

A mulher n�o � o problema. � a roupa e os estilistas.

Vi tantas mulheres lutarem com a imagem corporal.

AUSTRALIANOS GASTAM 1 MIL/DIA EM DIETAS

Quando se odeia o corpo, isso reflete-se em todos os aspetos.

Reflete-se no trabalho, na educa��o,

na fam�lia, nas rela��es.

Um pensamento que muitas raparigas t�m � "odeio o meu corpo"

e n�o se concentram em nada.

MAIS DE 50 % DAS RAPARIGAS 5-12 ANOS QUER PERDER PESO

Tive depress�o e ansiedade por odiar o meu corpo.

MAGRA � MODA

N�o sa�a do quarto.

Torturava-me ao ver revistas femininas.

Queria ter um dist�rbio alimentar, queria a anorexia para ser magra,

e no mundo da moda h� muita press�o

pelos tamanhos mais pequenos, com medidas min�sculas

e eu vi coisas loucas.

Vi raparigas desmaiarem nos bastidores.

Vi raparigas que comem bolas de algod�o para encher o est�mago.

Viu raparigas comerem bolas de algod�o?

Bolas de algod�o. Embebem em refrigerante e comem, sim.

Viu com os seus olhos?

Elas fazem-no e desmaiam, ficam revoltadas

e o principal tema de conversa � a comida.

Ficam obcecadas.

Quando come�aram a passar modelos,

eram naturalmente magras, com 14, 15 anos,

chegam � puberdade, come�am a ter ancas

e come�am a ter curvas.

Mas a �nica op��o para se manterem como modelos

� contrair um dist�rbio alimentar, j� que n�o mant�m o tamanho.

Quando vejo modelos assim

na passarela da Semana da Moda Australiana,

fico mesmo revoltada porque perpetua o mito

de que um corpo magro � o ideal

e se as modelos t�m de ter medidas t�o estritas

para se manterem naquele tamanho, � de admirar

que tantas mulheres estejam infelizes com o seu corpo?

N�o sei, tem sido intermitente desde a escola prim�ria.

N�o comia ao almo�o e n�o levava comida de prop�sito,

para ver quanto estaria sem comer.

Conseguimos um dia e pensamos: "Isto � bestial.

Agora fa�o dois dias."

E n�o sei, � mais ou menos...

De certa forma, d�-nos for�a,

e pensamos: "Consegui alguma coisa."

Acho que ficamos mais duras para connosco.

N�o sei, introduz-se exerc�cio esgotante

e torna-se cada vez mais dif�cil.

O meu irm�o, ao falar com amigos sobre mi�das que viram numa festa,

ia dizendo: "Aquela � uma gorda."

N�o queremos ser assim.

Quem me dera descobrir uma coisa m�gica

que fizesse com que nunca engord�ssemos.

N�o t�nhamos de nos preocupar com o que com�amos,

faz�amos o que nos desse na gana e estava tudo bem.

N�o ter�amos de viver assim.

Ningu�m devia ter de passar fome

para encaixar no visual de uma revista.

Quer dizer, n�o sou t�o magra naturalmente

e muitas modelos n�o s�o naturalmente magras.

T�m de ter muito cuidado com o que fazem

e isso leva-nos a vida, entendem?

ESTILO DE VIDA PRO-ANA SEMPRE

� desolador saber que h� sites que defendem a anorexia,

que encorajam cada vez mais

jovens e mulheres a tomarem decis�es que podem custar-lhes a vida.

MAGRINSPIRA��O

O que se diria a uma jovem que sente que odeia o seu corpo

e que quer deixar de comer e viver a vida que tem?

O que diria a essa rapariga?

Por favor, n�o pares de comer.

N�o te forces a fazer isso porque...

... � demasiado dif�cil sair e piora de dia para dia.

MI�DAS GIRAS N�O COMEM

N�O QUERO SER LEMBRADA COMO GORDA

SALTA O JANTAR, FICAS MAGRA

A atual ret�rica sobre a obesidade contribui para isto...

PROFESSORA, PSICOLOGIA

... porque se se pinta a gordura como sendo muito m�

e a magreza como sendo boa, ent�o, ser magra � melhor

e mais magra � do melhor que h�.

OBCECADA � O TERMO DOS PREGUI�OSOS PARA DEDICADAS

Coletivamente, basicamente foi-nos incutido o chav�o

de que a magreza � sa�de...

BASTA TRABALHO E DIETA

... gordura � doen�a, por defini��o, e n�o � nada disso.

H� muitas pessoas magras e pouco saud�veis em muitos aspetos.

Comem mal, t�m tens�o arterial alta, seja o que for,

e h� pessoas gordas que s�o muito saud�veis.

A raz�o para a ideia de ter um corpo magro

e de a imagem se ter tornado t�o importante,

� atribu�da essencialmente � globaliza��o dos m�dia.

At� num local como as Fiji,

que tradicionalmente valorizava um corpo maior e mais gordo,

presumivelmente como sinal de riqueza e sa�de,

pouco depois da introdu��o da televis�o,

as mulheres mais jovens come�aram a querer ser magras

e pela primeira vez come�ou a haver dist�rbios alimentares.

Tudo isto acontece muito rapidamente.

Pais bem-intencionados tentam elogiar os filhos,

especialmente as raparigas, e dizem-lhes que s�o bonitos

e provavelmente n�o � boa ideia

porque, mais uma vez, o foco est� na apar�ncia.

N�o importa se � positivo ou negativo.

Diz que a apar�ncia � muito importante.

Portanto, seria �til, especialmente no que se refere �s raparigas,

se os pais pudessem, em consci�ncia,

fazer os seus elogios e coment�rios sobre o que as raparigas fazem,

mais do que sobre o aspeto que t�m.

Durante anos, a sociedade disse �s nossas raparigas para serem bonitas

e �s mulheres para serem bonitas,

como se fosse a coisa importante que elas podem ser.

PARTIDAS

Pelo bem da minha filha e dos nossos filhos,

isto tem de mudar.

DE TODOS OS PROCEDIMENTOS COSM�TICOS

NO MUNDO

86,3 % S�O FEITOS EM MULHERES

IR�O, CAPITAL MUNDIAL

DAS PL�STICAS AO NARIZ

COM MAIS DE 200 000 NARIZES

MODIFICADOS ANUALMENTE

NA COREIA DO SUL UMA EM CADA CINCO MULHERES FAZ OPERA��ES PL�STICAS

NOS EUA MAIS DE 4 MILH�ES DE TRATAMENTOS COSM�TICOS

S�O EFETUADOS ANUALMENTE

Vim aos Estados Unidos ter com umas pessoas

e a primeira que vou encontrar � um cirurgi�o pl�stico.

CIRURGIA COSM�TICA

Vou perguntar-lhe o que pensa do meu corpo.

A forma normal do seio � mais assim.

Por outras palavras, os mamilos est�o no centro do seio.

Portanto, para dar um aspeto jovem...

M�DICO E DIR. CL�NICO

... alguma proje��o, temos de colocar um implante

para dar o volume de que precisa

e tamb�m um pequeno lifting do mamilo onde falamos de...

Para elevar o mamilo para onde deve estar,

no centro do seio,

em vez de estar na parte inferior do seio.

Precisa de aumentar o seio e aquilo a que chamamos lifting de mamilo.

Provavelmente, cerca de 65 % do meu trabalho � no corpo

e o resto no rosto,

nos olhos, no nariz, enchimento, Botox e transplante de pestanas.

Podemos facilmente remover toda esta gordura dos lados,

do abd�men em cima e em baixo,

e conferir-lhe um visual mais magro e esguio.

Definitivamente, podemos p�r a gordura nos l�bios,

se quiser ter l�bios mais cheios,

especialmente quando se olha de perto ao espelho,

coisa que estou certo que vai fazer em casa,

o lado esquerdo do l�bio superior � mais fino do que o direito.

Podemos p�r um pouco mais a�.

De facto, deixe-me dar-lhe um espelho para mostrar.

Enche-se um pouco mais.

Podemos tirar a gordura de que fal�mos

e injet�-la na zona das n�degas

para que fiquem mais firmes.

Podemos sem d�vida livrar-nos destas zonas, o interior das coxas,

para nos livramos disto e ficar com pernas mais pequenas e elegantes.

Assim, as coxas podem n�o ficar separadas,

mas sem d�vida que deixar�o de tocar-se como agora.

Temos muitas senhoras que nos dizem:

"Meu Deus, vi uns filmes

e a minha n�o tem esse aspeto."

Querem ter melhor aspeto l� em baixo.

Muitas jovens que tivemos nunca tinham tido rela��es sexuais

porque tinham vergonha.

T�m um pouco de tecido a mais,

e houve algumas senhoras que tinham provavelmente

cinco ou seis vezes mais do que vemos aqui.

E o objetivo �, basicamente, remover a pele extra

e fazer com que fique com um aspeto menos volumoso.

As mulheres nunca veem a sua vulva ou raramente a veem.

CONSULTORA SEXOLOGIA

Os homens veem os seus p�nis.

Brincam com eles e fazem o que � preciso com eles,

mas as mulheres nunca veem a vulva de outras.

Quando ultrapassam essa vulnerabilidade,

quando t�m a coragem de partilhar:

"A tua vulva � diferente da minha

e a minha � diferente da tua,"

e n�o � o que vemos na pornografia, � a vida!

Somos todas t�o bonitas e t�o diferentes.

Quando olhou para o meu corpo, achou que tem um ar saud�vel ou n�o?

Tem bom aspeto, mas uma vez mais, podia melhorar em rela��o aos seios.

Os seus seios n�o voltam ao normal.

N�o s�o Slinkys que pode puxar para baixo e depois para cima.

Claro que n�o s�o Slinkys.

Forneceram 4000 refei��es aos meus tr�s filhos

e n�o merecem ser desprezados!

Merecem uma estrela dourada no Passeio da Fama.

For�a, mamas!

E enquanto eu consigo rir

do absurdo de injetar a gordura do rabo nos l�bios,

preocupa-me muito que haja a no��o

de como deve ser o corpo de uma mulher.

E estou certa de que existem exemplos positivos.

De facto, lembro-me de ver o filme Laca,

no qual Ricki Lake faz de hero�na improv�vel.

Ela tinha uma forma de corpo que n�o vemos no grande ecr�.

Tive uma rela��o muito complexa e complicada...

ATRIZ, APRESENTADORA

... uma rela��o amor-�dio com o meu corpo, e acho que a maioria tem.

LACA

A minha carreira come�ou porque John Waters me escolheu

para ser a mi�da gorda no filme.

Corny, achas que sou suficientemente boa?

- O que acham, mi�dos? - Sim!

Fui a Tracy Turnblad original,

e que personagem espantosa, que exemplo.

Sou grande, loira e linda.

Entendo porque me escolheu.

O filme subverte a narrativa de Hollywood do tamanho �nico.

A mi�da gorda fica com o tipo e ganha o concurso de dan�a.

Vamos dan�ar!

Mas tamb�m tinha inseguran�as internas quanto ao meu corpo,

quanto � minha apar�ncia, era muito jovem

e n�o era algu�m que atra�sse rapazes.

Era uma sobrevivente de abuso sexual,

por isso, misturei tudo e n�o queria ser atraente para os homens

e acho que comia como forma de me proteger.

Sentia que era uma contradi��o ambulante.

Por um lado, publicamente, tornei-me uma estrela no papel de gordinha ador�vel.

mas por dentro continuava a tentar encontrar-me

e a sentir-me bem na minha pele,

e penso que grande parte da vida adulta foi assim.

E ser famosa e ter essa luta t�o publicamente

� tamb�m uma confus�o.

Durante muito tempo senti... porque emagreci, engordei,

tive um filho, ficava... Era uma montanha russa.

J� pesei 54 quilos e j� pesei 117.

Neste momento, adoraria perder nove quilos.

Fiz 46 anos h� uns dias e tenho tudo,

tenho mesmo tudo, mas continua a ser...

Olho para o espelho e belisco o bra�o.

� como se desejasse ser uma daquelas mulheres

que conseguem ultrapassar e n�o...

... e sentir-me bem como o que tenho hoje.

RICKI EM IOI�

E senti-me acusada durante tanto tempo

porque ali estava depois de ter perdido peso

e estava na capa de uma revista em fato de banho.

Ou seja, que mensagem estava a enviar?

Por�m, estava muito orgulhosa de mim.

� um feito enorme para mim.

Ser uma das capas mais vendidas de todos os tempos.

Eu, quer dizer, nem era assim t�o famosa.

Mas percebo. Uma parte de mim n�o ficou surpreendida

porque tamb�m sou essa pessoa que quer saber como conseguiu.

COMO VENCI LUTA DO PESO

Mas tamb�m me pergunto se presto mau servi�o

ao divulgar tanto uma coisa que deveria ser trivial.

Dev�amos estar a falar do ambiente e da paz mundial.

Portanto, Ricki, j� se perguntou como seria

n�o ter de se preocupar com o peso?

N�o fa�o ideia de como seria

porque a minha vida nunca foi assim.

Nem sequer imagino...

A minha m�e era t�o obcecada com comida e dietas

que eu cresci com isso.

Tinha sempre vergonha de comer

aquele prato extra de comida

ou comer uma sobremesa era um prazer culpado enorme.

Mas � a minha norma e a da maioria das mulheres.

� uma verdadeira luta e incomoda-me o facto

de tantos dias e horas terem sido gastos

a detestar a minha apar�ncia quando me olho ao espelho.

Continuo a ansiar chegar a um n�vel

em que me sinto 100 % � vontade na minha pele.

Estou quase l�. Estou a melhorar.

E � melhor despachar-me porque n�o estou a ficar mais jovem.

� reconfortante ouvir algu�m com um perfil de figura p�blica

partilhar experi�ncias com que todos nos identificamos.

CORISTAS - MILHARES DE LINDAS E 3 FEIAS

Uma pessoa que contactei via Twitter foi a Amanda de Cadenet,

a mais jovem fotografa a fotografar para a capa da Vogue

e n�o se importou de partilhar as suas ideias sobre imagem corporal.

Todas t�m hist�rias sobre o corpo.

� ver se est�o dispostas a ser honestas.

FUNDADORA E CEO

� um assunto que afeta praticamente todas as mulheres e raparigas que conhe�o.

Quando o meu corpo come�ou a mudar de rapariga para mulher,

e em tr�s meses, literalmente, passei

de um corpo arrapazado

para seios grandes e curvas...

De repente, era alvo

de avan�os sexuais indesejados de completos estranhos,

e comecei a n�o querer o corpo que tinha.

E comecei a n�o comer tanto

para perder peso e o meu corpo n�o ter tantas curvas.

Somos vistas de certa forma quando se tem um corpo como o meu.

Podia vestir um saco de batatas,

mas se n�o fosse um saco comprido

ou n�o me cobrisse o suficiente,

podia ser visto como um fato sexual.

Estou em City Clocks, em Islington, com Flava Flav dos Public Enemy!

Engravidei aos 18 anos.

Na altura, trabalhava em televis�o no Reino Unido

e as pessoas comentavam o qu�o diferente eu estava

e quanto tinha engordado

e era muito criticada por ter um corpo de gr�vida

e ainda mais por ter um corpo p�s-gravidez

e isso foi doloroso para mim.

Uma vez mais, recebi a mensagem de que, se formos magras, somos melhores.

Infelizmente, a sociedade n�o espelha muitas op��es para n�s.

Por isso, sentimos que temos de encaixar no que nos � apresentado.

Mas sabem que mais? Quando estou na praia em Barbados,

ningu�m olha para uma rapariga sem rabo.

Nas Bahamas, isso n�o � beleza para eles.

Culturalmente, por todo o mundo, o ideal de beleza � diferente

e penso que tem de ser assim para n�s.

Os nossos ideais de beleza t�m de ser diferentes tendo em contra quem somos.

LOUCOS ANOS 20

SEM MAMAS, LISA DE ALTO A BAIXO, PETITE

ERA HOLLYWOOD

GRANDES MAMAS, CINTURA ESTREITA, CURVAS

OS ANOS 60

MAGRINHA, ALTA, DELICADA

ERA SUPERMODELO

ATL�TICA, GRANDES MAMAS, PERNAS COMPRIDAS

A MISER�VEL DOS ANOS 90

ESQUEL�TICA, P�LIDA, MUITO MAGRA

ATUALIDADE

GRANDES MAMAS, RABO TONIFICADO, COXAS SEPARADAS

Sempre que tenho de fazer algo que seja muito p�blico,

quer seja lan�ar um novo programa de TV ou uma ronda de confer�ncias de imprensa,

v�rias sess�es fotogr�ficas, sei que vai ser um pesadelo para mim

porque a roupa n�o serve,

vou ser criticada pelo corpo pelas pessoas da sess�o,

do g�nero: "Pode provar aquele tamanho amostra?"

N�o tentem p�r-me a provar um top tamanho 32

porque eu sou 38 DD.

Um dos meus mamilos n�o caber� naquilo.

Sei o que vai acontecer

e penso: "Devia perder peso."

E depois penso: "N�o, isso s�o ideias malucas e antigas."

N�o vou fazer isso e n�o vou torturar-me.

Um amigo disse-me antes de o �ltimo programa estrear:

"Amanda, as pessoas n�o ligam o televisor

para verem como est�s vestida ou o teu peso,

ou se est�s muito avantajada ou pouco.

As pessoas ligam o televisor por causa das tuas ideias.

E se n�o comes como deve ser, a tua mente n�o funciona."

Quando estava mais magra as pessoas diziam:

"Meu Deus, est�s espantosa! O que andas a fazer?"

E o que eu queria dizer era: "Nunca estive t�o infeliz na minha vida,

sinto-me completamente destro�ada."

Estava a passar a pior fase da minha vida

e nunca tinha estado t�o magra, n�o conseguia comer.

Sei o que � preciso para o meu corpo ser um tamanho m�dio.

� preciso obsess�o, desviar a minha aten��o dos meus filhos,

desviar-me da minha vida,

faz-me estar obcecada com comida, exerc�cio e calorias,

se posso ou n�o posso comer aquilo,

a que horas posso comer

e "n�o posso comer porque tem aquilo

e n�o posso comer por ter isso."

� um inferno. Um inferno na Terra.

Sabem que mais? Se quero comer a porra de um biscoito que o meu filho fez,

vou comer a porra do biscoito que o meu filho fez.

N�o podia estar mais de acordo.

Foi-nos incutida a ideia de que, se fizermos dieta e formos magras,

estamos saud�veis e s� podemos ser felizes,

mas isso n�o � simplesmente verdade.

N�o queria acreditar nas coisas que escreviam sobre o meu corpo

quando publiquei a fotografia antes e depois.

"� nojento ser teu marido.

O sujeito achou que estava a sair-se bem,

mas tornaste-te uma porca gorda.

Grande � feio. Est�s grande, por isso, est�s feia."

"Vai fazer gin�stica, sua cabra gorda."

"Comia-a s�brio na fotografia do antes.

Precisaria de uns copos valentes na do depois."

Qualquer coisa sexual, especialmente quando se refere � minha mulher,

deixa-me completamente furioso.

N�o casei com a Taryn por causa das coxas afastadas ou do tamanho das mamas.

Casei com ela pela pessoa alegre e amorosa que ela �.

"O facto de teres tido filhos n�o te d�

desculpa para te manteres fora de forma,

isso � pregui�a!"

"Se �s gorda, prepara-te te chamarem gorda.

Estou farto de as mulheres procurarem desculpas para estarem gordas.

Vai para o gin�sio!"

Nem sei como explicar o qu�o errados est�o os que insultam por causa do corpo.

S� porque o meu corpo n�o est� de acordo

com os ideais tacanhos de como deve ser um corpo,

n�o significa que n�o estou saud�vel.

Estou certa de que n�o se pode correr uma maratona quando se � uma porca gorda,

e apesar do que os que insultam pensam,

o meu corpo est� em forma, � capaz e � forte.

E eu quero que a minha filha cres�a a amar e a apreciar o corpo dela

por todas as coisas que pode fazer, n�o s� pelo visual.

Mi�das bombardeadas

com ideias estereotipadas e normativas do que � ser mulher.

COFUNDADORA

Pensam que deviam ter aquele aspeto.

Se n�o tiverem, s�o irrelevantes. Nada t�m a oferecer ao mundo.

Bem podem desaparecer.

Quando erotizamos as raparigas,

quando as reduzimos � soma dos �rg�os sexuais,

quando lhes dizemos que t�m de ser magras e sensuais

e que nada mais importa,

contribu�mos para um rol negativo de resultados em sa�de mental e f�sica.

A forma como as estilizamos e apresentamos em an�ncios,

como sugerimos que as meninas s�o sexualmente interessantes,

sexualmente maduras e dispon�veis,

sugerimos que as meninas s�o mais velhas e mais maduras do que s�o realmente.

E os rapazes s�o formados para ter um sentido de direito

sobre os corpos das mulheres e raparigas.

Vamos para um s�tio mais rom�ntico.

Grand Theft Auto V, onde os rapazes pagam a uma mulher prostituta

para ter sexo e matam-na para recuperar o dinheiro.

Os rapazes da escola prim�ria jogam isto.

Sopra.

E o que atrai num jogo como o Grand Theft Auto V

� n�o ser passivo.

O rapaz n�o est� a ver uma coisa.

Ele est� a participar. Est� a faz�-lo, representa.

Sente o carro abanar durante o sexo.

Sente-se a mat�-la com a arma.

O impacte � ele v�-la sangrar e morrer.

Assim, se nos importamos genuinamente com os jovens,

dev�amos fazer alguma coisa para abordar a paisagem cultural

com a qual muitos nos debatemos

para criar filhos felizes, saud�veis e resistentes.

Porque � que os interesses pr�prios dos anunciantes

s�o postos acima do bem-estar das crian�as e dos jovens?

Para onde quer que v�, h� uma no��o comum de desespero.

Os pais est�o preocupados com o impacte que a erotiza��o das meninas

e a objetifica��o das mulheres est� a ter nos filhos.

Num mundo ideal, as mensagens transmitidas � minha filha seriam...

VICTORIA, CANAD�

... muito diferentes.

Seriam inclusivas de todos os tipos de corpos,

incluindo o nosso tipo de corpo, o dela e o meu.

E num mundo ideal,

eu n�o teria de fazer constantemente...

Qual � o termo?

Controlo de danos.

Controlo de danos. Sinto que... Estou a emocionar-me,

mas parece que estou a apagar mil fogos todos os dias,

atrav�s dos m�dia, das mensagens,

da televis�o, de tudo.

Estou a afogar-me num mar de meios de comunica��o.

S� UMA INSPIRA��O

25 % MAIS OLHOS JOVENS

1 SEMANA, TESTADO

PERDE PESO � TUA MANEIRA

MI�DAS LOUCAS E VIVAS

Por mais desmoralizante que seja, h� esperan�a.

Pessoas como Jes Baker, que est�o a debater-se

contra os ideais t�xicos sobre apar�ncia, sentimentos e comportamento.

BLOGGER IMAGEM CORPORAL

H� uns anos, estava a iniciar-me nos blogues,

e os m�dia s� falavam do CEO da Abercrombie & Fitch.

Ele tinha feito declara��es

de que n�o vendiam roupa de tamanhos enormes para mulheres...

"Muitas n�o cabem nem podem."

"S� temos gente bonita nas lojas.

Porque as pessoas bonitas atraem outras."

... porque s� vendiam a mi�dos giros

e n�o valorizavam mulheres maiores.

"A Abercrombie s� quer gente de barriga lisa,

com ar de quem usa a prancha de surf."

Assim, em resposta a isso, decidi colaborar

com uma fot�grafa local e outra modelo

para recriar um an�ncio da Abercrombie & Fitch.

ATRAENTE E GORDA

As pessoas ficaram em choque.

As pessoas n�o sabiam o que fazer daquilo.

Adoraram e detestaram absolutamente

e tudo entre os extremos e em todos os lados do espetro.

Foi realmente incr�vel ver tanta emo��o

a sair de uma imagem.

O mundo quer, eles adoram, precisam.

Adoram o fator choque do an�ncio.

E � assim que recondicionamos o c�rebro,

que vemos novas imagens, diferentes,

para substituir e equilibrar as antigas.

Portanto, Jess, dietas. O que achas delas?

Bom, na maioria s�o um fracasso. Em geral, s�o emocionalmente desgastantes.

Tendem a lixar-nos o corpo de forma negativa.

E t�m sido uma coisa que me provocou

muito sofrimento emocional e f�sico toda a vida.

N�o sou a favor das dietas. Sou contra as dietas.

E a ind�stria das dietas ganha milh�es de d�lares todos os anos.

� espantoso para mim, h� investiga��o

que mostra que mais de 90 % das dietas n�o resultam.

Isso � t�o verdadeiro.

De facto, aprendi a nunca confiar numa palavra

quando as primeiras tr�s s�o "die" (morre).

No in�cio de uma dieta, temos grande esperan�a

porque estamos empolgadas e decididas a comer menos

e reparamos provavelmente que perdemos peso.

A coisa que a seguir notamos

� que come�a a ser mais complicado manter.

Agora, passamos a vida a pensar em comida,

temos mais consci�ncia dos cheiros

e queremos mesmo quebrar a dieta.

Quando o corpo � privado de calorias,

faz com que pensemos em comida.

PROF., INVEST., AUTORA

Garante que nos concentramos menos noutras coisas,

para nos concentrarmos em arranjar comida e cuidar de n�s.

Altera at� a perce��o do paladar na boca,

para que uma gama maior de sabores nos interesse,

para que estejamos mais dispostos a comer seja o que for para obter calorias.

Mas o corpo pode abrandar o metabolismo,

gasta-se um pouco menos de energia

e, portanto, apesar de estar a comer menos,

a dieta est� a provocar aumento de peso.

N�o � que as pessoas estejam a falhar.

As dietas � que falham �s pessoas.

N�o paramos para pensar o qu�o incrivelmente fant�stico o corpo �.

Em vez disso, concentramo-nos num pormenor limitado que � o peso.

PLANO DE DIETA

Devo dizer que deitar fora o livro da dieta

foi uma das coisas mais libertadoras que j� fiz.

VICTORIA - CANAD�

De vez em quando, vemos trabalho de algu�m que provoca mesmo impacto.

Depois de anos a trocar e-mails com a colega fot�grafa Jade Beall,

estava empolgada por, finalmente, conhec�-la pessoalmente.

Desde os meus dez anos que vivia obcecada com a imagem,

especificamente de mulheres magras

que pareciam n�o ter poros,

que pareciam ter uma beleza inating�vel.

E fiz algumas fotografias de mim pr�pria

para tentar encontrar paz com o facto de n�o ser uma pessoa retocada em Photoshop.

Tinha tido um filho.

Estava mais em baixo do que nunca, um falhan�o.

Estava gorda, estava feia,

tinha uma grave depress�o p�s-parto,

e tirei fotografias a mim pr�pria, nua,

e chamei-lhes Linda.

Revolucion�rio!

Publiquei-as no meu site e na p�gina de fot�grafa no Facebook

e as pessoas adoraram, tal como estavam,

a salientar a minha celulite,

a salientar as olheiras escuras

de tentar arranjar solu��es para a nova vida,

de me sentir assustada, gorda e alegre

e n�o apagar todos os pormenores do momento.

Aqueles pequenos pormenores s�o lindos.

Tornam-nos insubstituivelmente belas.

Fui uma adolescente com muito acne

e adorava ver uma rapariga,

uma adolescente com manchas na cara,

na capa da Seventeen a quem chamassem bonita.

N�o consegui ver-me ao espelho durante tr�s anos

por causa das manchas e sentia-me repugnante,

absolutamente repugnante,

s� por causa da textura da minha pele.

A primeira mulher que fotografei depois de publicar o autorretrato

nunca tinha mostrado a barriga.

� bailarina.

E revelou as embara�osas estrias.

E os filhos dela gostam tanto da mam� deles.

Foi um momento perfeito e ela tem muito orgulho na fotografia.

A fotografia foi a todo o lado, por todo o mundo.

Tamb�m gosto de chamar a isto fotografia terap�utica

porque � um processo, � um treino, uma esp�cie de ioga.

� preciso treinar para come�ar a sentir realmente a pose.

� preciso treinar vermo-nos sob diversas luzes,

com as nossas rugas, com a borbulha do dia.

As pessoas dizem: "Jade, podes remover a borbulha?"

E eu percebo. � tempor�ria.

Mas � tamb�m um sinal de como a vida est� sempre a mudar.

E n�o vou remover a borbulha.

A maioria das que tinham um ar alegre mandam e-mail, no dia seguinte.

Por exemplo: "Sinto-me vulner�vel."

Uma pequena ressaca de vulnerabilidade.

Algumas mulheres assim que saem...

"Pela primeira vez, gosto de mim."

E querem voltar. "Vamos fazer outra sess�o."

Sim, s�o fabulosas.

Sem d�vida que n�o veem um corpo aclamado.

Diversidade, etnicidade, forma de corpo,

com membros, sem membros,

todas as formas diferentes como chegamos ao planeta

ou aquilo em que nos tornamos, como mudamos no planeta,

e o qu�o espantoso isso �.

N�o h� dois corpos iguais.

E todas estas coisinhas tornam-nos �nicos.

E ser visto � incrivelmente fortalecedor.

Quando vemos imagens de Photoshop,

dizemos: "Quero ter aquele aspeto,

mas n�o fa�o ideia de como chegar l�."

Em vez de: "Ela parece-se comigo e � linda."

- Est�? - Ol�, Mickey! Como est�s?

Recebi outro...

Viajar tanto como viajo pode ser cansativo,

mas a melhor parte do meu dia � falar com a fam�lia.

Como foi o encontro com a Jade?

Foi bom. Ela foi t�o positiva.

Divertimo-nos muito e fal�mos horas a fio!

Uma coisa que me intriga � a quantidade de tempo e dinheiro...

REP�BLICA DOMINICANA

... que as mulheres gastam a desafiar a idade.

E num mundo onde tantos

tentam erradicar as estrias e rugas,

vim ter com algu�m que se habituou a am�-las.

E, Renee, vou pedir-lhe

para fazer v�rios movimentos com a cara

e vou pedir que fa�a cada movimento duas vezes.

Quero que mantenha cada posi��o at� eu dizer para descansar.

- Sim. - Preparada?

- Sim. - Muito bem.

A primeira � levantar as sobrancelhas.

Comecei a ser modelo aos 12 anos.

E tinha a aspira��o de ser supermodelo

como a Linda Evangelista...

COFUNDADORA

... Cindy Crawford e Claudia Schiffer.

E depois, de repente, eu tinha 29 anos,

estava a escrever no meu di�rio um dia

e escrevi: "H� qualquer coisa de errado em ti.

Vais morrer."

TENS DE SABER O QUE � OU MORRES

Muitos meses e muitos m�dicos depois,

lembro-me de estar diante da m�quina de Raios-X,

olhei para cima e fiquei siderada

ao ver a minha cabe�a com um enorme tumor cerebral.

O m�dico a dizer:

"A boa not�cia � que este tipo de tumores nunca � canceroso,

mas a m� not�cia

� que esta � uma das mais perigosas formas de cirurgia cerebral

e tem de ser operada imediatamente."

O MEU NEUROMA AC�STICO

Acordei cerca de 13 horas depois da cirurgia

a ouvir as pessoas minha volta a falarem de algo ter acontecido,

alguma coisa tinha corrido mal.

A �nica coisa que sustentava o meu nervo facial

era o pr�prio tumor,

portanto, logo que come�aram a retirar o tumor

o meu nervo facial desmoronou-se.

De um lado do rosto, nenhuma ruga nem marca

e deste lado do rosto

vi a pessoa que conheci toda a vida como sendo eu

e vi...

Vi as minhas linhas de sorriso

e eu tinha trabalhado arduamente para as ter,

porque tinha vivido muito.

E senti toda a minha experi�ncia de vida de um lado da minha cara

e do outro lado, nada.

E solte.

Para baixo e juntas.

Tente uma vez mais. Para baixo e juntas. Aguente.

Todos os dias ia para a frente do espelho,

olhava para os meus olhos e dizia ao lado direito da minha cara

para se comportar como o lado esquerdo da minha cara

e depois, gradualmente, eu conseguia ver

parte de um dentinho quando me ria,

e depois outro surgia e, finalmente, viam-se dois dentes.

Quando ia ter com pessoas, diziam: "Meu Deus, � milagre!

Eu dizia: "Sim! Meu Deus, � milagre!"

E depois retirava-me

e dizia que era um milagre e que estava grata,

mas n�o me sentia muito bem.

Sinto falta de mim. Sinto...

Entrar numa sala com um grupo de amigos

e como me sentia quando o meu sorriso aparecesse.

Pensei: "Renee, podes ficar deprimida por causa disto,

para o resto da tua vida,

ou podes arranjar maneira de continuar a brilhar

com a luz que tens dentro de ti."

Comecei a fazer v�deos para as redes sociais.

Para mim, era uma das coisas mais ousadas que podia fazer,

pimba, mostrar a cara diante da c�mara.

No in�cio, julguei que estava a faz�-lo por mim

e atrav�s do processo de partilhar com tanta abertura e vulnerabilidade,

podia ver o cora��o das pessoas a abrir-se.

Via a minha hist�ria e os meus defeitos tocarem as pessoas.

Saltar os defeitos � �timo, aceit�-los � maravilhoso,

e depois celebrar realmente?

Quando fazemos isso, permitimos o mesmo espa�o aos outros.

Deixamos de julgar tanto os outros.

As outras pessoas deixam de julgar tanto.

� mesmo um caminho para a paz.

Adorei a ideia de n�o julgar e, nas minhas viagens,

ouvi muitas hist�rias de inspira��o,

de desafio e de determina��o,

mas nem toda a gente est� no caminho para a paz.

Imperfeito.

Queria ser mais magra.

N�o gosto.

Demasiado grande e gorda.

Talvez seja um nadinha gorda.

Gorda.

H� dias em que me apetece chorar.

Parece incr�vel que tantos de n�s

tenham perdido a perspetiva do que importa.

Lembra-me uma mulher que conheci

que corrige a hist�ria sobre o que � realmente importante.

60 MINUTOS

Aos 24 anos, esta brilhante engenheira de minas

inscreveu-se para uma maratona de 100 km no deserto australiano.

Eis Turia na pista, em setembro de 2011.

Est� a dar �nimo a Kimberly,

mas poucas horas depois

estaria a lutar pela vida

depois de ter sido apanhada num inc�ndio na mata.

Foi uma �poca de choque porque acordamos todas as manh�s

e olhamos para n�s quando escovamos os dentes

e, de repente, acontece-nos alguma coisa

e quando vamos ver-nos ao espelho,

n�o sabemos quem est� a olhar para n�s.

Era mais ou menos como se a pessoa no espelho

n�o fosse eu.

Eu n�o me via assim.

ESCRITORA, ORADORA

Mas agora, quando olho o espelho, vejo-me,

o que soa bastante rid�culo, porque quem mais poderia eu ser?

Talvez tenha sido a melhor coisa que me aconteceu.

Consegui criar uma vida para mim

pela qual estou mesmo apaixonada.

O meu acidente deu-me voz e a oportunidade de ser ouvida,

e deu-me os recursos

para canalizar a energia para algo que me apaixona,

a trabalhar com a Interplast e na minha funda��o.

Podia ter sido a pior coisa que me aconteceu ou a melhor.

N�o sei. Acho que ningu�m sabe.

Lembro-me de algu�m ter parado o Michael na cidade

e de perguntar porque continuava comigo.

Quando soube, fiquei destro�ada.

Pensei: "As pessoas s� pensam isto de mim?"

Eu era apenas uma mi�da bonita?

Sou muito mais do que a minha apar�ncia.

Tenho imensa sorte por t�-lo.

Presumo que n�o seja mesmo sorte. Eu sou incr�vel.

Com a capa da Woman Weekly, recebi muitos e-mails de mulheres.

Diziam: "Odeio o meu corpo, odeio a minha cara,

odeio as minhas pernas, os bra�os."

� um desperd�cio de energia as pessoas passarem

o tempo todo preocupadas com a apar�ncia,

em vez de se preocuparem com o que podem contribuir.

Penso que est� tudo na mente.

Se nos sentimos constrangidos com alguma coisa,

muita gente vai reparar,

mas se o encaramos, as pessoas n�o se importam.

As pessoas est�o demasiado enredadas na vida delas

para se importarem com o que estamos a fazer.

Passei por uma coisa grande pela qual a maioria das pessoas n�o passa,

por isso, penso: "Se consegui come�ar a minha vida do zero,

n�o sei porque ser� que os outros n�o podem."

E isso talvez soe um pouco cruel,

mas � assim que sinto.

SA�DA

LONDRES

Para qualquer um, ter de enfrentar a cr�tica interna

pode ser um dos maiores desafios.

Vim a Londres para ver pessoas

que conseguiram ultrapassar a cr�tica,

aceitar-se e amar-se como s�o.

Um dia, olhei para o espelho e pensei: "Credo."

Depois fomos ao m�dico.

O diagn�stico foi ov�rios poliqu�sticos,

o que provocou o nascimento de muitos pelos faciais.

Costumava ir � esteticista para tirar os pelos.

ATIVISTA

Voltavam a crescer em for�a e por toda a cara.

Sim, e mais escuros, mais espessos e compridos.

Passei anos e anos a remover os pelos faciais

e detestava o meu corpo pelo seu aspeto,

por isso, fazia-lhe mal e punia-o, fazendo-me mal.

Era terrivelmente doloroso.

O meu quarto era o meu ref�gio.

Ia para a escola e voltava diretamente para o quarto.

N�o sa�a nem tinha vida social.

ABERRA��O

N�o conseguia conhecer pessoas nem fazer amigos.

O ponto de viragem foi o dia em que decidi p�r fim � vida.

Acho que as pessoas n�o percebem quanta for�a � precisa

para acordar um dia e dizer: "Queres saber?

Hoje quero acabar com a minha vida."

� preciso muita energia e, para mim, era energia negativa.

E pensei: "Bom..."

Estava literalmente sentada na cama

e estava pronta para avan�ar

e pensei, numa fra��o de segundo: "Porque n�o transformas

esta energia negativa em energia positiva,

assumes o controlo da tua vida

e aprendes realmente a ser feliz?"

Lembro-me de estar sentada na cama,

e de passar por todas as etiquetas negativas

e, de facto, colocar etiquetas positivas em mim.

Quando algu�m me chamava feia, eu dizia: "N�o, sou linda."

Se algu�m me chamasse gorda, dizia: "N�o, sou sensual."

Acho que � isso que devem fazer.

Acho que as mulheres t�m de come�ar a encontrar palavras positivas para o corpo

e a grav�-las no cora��o.

Tens de te sentir bonita. Tens de sentir amor por ti.

Tens de sentir compaix�o por ti.

� o ponto de viragem interno que � preciso mudar antes de mais.

Adoro a minha barba.

Sim, tenho as mais diversas rea��es.

Alguns ficam intrigados e outros s�o muito maus.

Chamam-me coisas como "mulher-homem" e "mulher-macho".

Ou dizem-me logo que preciso de me barbear,

que sou feia, mas eu n�o me sinto feia.

Sinto-me muito bonita, por isso, quando se aproximam

com coment�rios desses,

afasto-as porque sei que n�o � verdade.

Sei que � o que pensam de mim.

E para elas, essa opini�o pode ser real, mas para mim, n�o.

Vivo uma vida diferente e isso � bom.

Estou feliz com ela.

N�o h� uma resposta definitiva sobre o que � a beleza.

A beleza � o que se faz dela.

Somos todos t�o diferentes.

Temos de celebrar o facto de sermos diferentes,

e isso, em si, � a beleza.

Amem o vosso corpo pelo que ele �

porque o vosso corpo � o �nico que t�m

e porque se queixam de um corpo t�o bonito?

Ando em viagem h� muito tempo.

Sinto falta de casa, da minha cama, e sobretudo dos meus filhos.

Atrav�s das redes sociais, pude contactar com pessoas espantosas.

Uma mulher com a minha paix�o

pela mudan�a de atitudes na imagem corporal

� a atriz alem� Nora Tschirner.

Convidou-me a ir a Viena, a um acontecimento de passadeira vermelha

e estou entusiasmada por ir aos bastidores

e ouvir as opini�es dela sobre este mundo.

VIENA

Acho...

N�o sei bem, mas acho que devia vir de vestido comprido.

N�o me disse que era preciso!

� uma coisa formal. N�o � para usar vestido de noite?

Isto tem ar de vestido de noite...

Talvez na Austr�lia.

Merda!

Centrarmo-nos no visual

� uma corrida que podemos vencer durante uns anos

e depois acabou porque come�amos a envelhecer.

ATRIZ, REALIZ., PROD.

Nunca ouvi ningu�m dizer que venceu.

Mas ent�o, mesmo assim, quando se � atriz e a cara aparece no ecr�

e � uma coisa grande...

... h� momentos em que come�amos a pensar:

"Bom, quer dizer, este lado tem melhor aspeto."

E tive de me obrigar a n�o ser muito r�gida nesse aspeto.

N�o, mas a s�rio, tento n�o ir muito a esses acontecimentos.

Porque � demasiado: "Meu Deus, viste quem estava l�?"

O cen�rio Gossip Girl,

uma vez que j� n�o tenho 16 anos, � muito desgastante para mim.

- Sim. - Acho eu.

Fiz sess�es fotogr�ficas em que achava gra�a ao "Meu Deus",

e com ar de quem nunca tinha sorrido na vida

e tudo era super intenso

e tinha tinta por todo o corpo e tretas...

Sei como fazer isso e j� o fiz, mas era muito jovem.

Agora tamb�m digo: "Cara�as, porque gostava tanto disso?"

Quando olho agora, sinto que � est�pido.

Nos filmes mais bem-sucedidos que fiz, tinha o papel de patinho feio,

do g�nero que nunca se transforma em cisne.

� uma personagem fabulosa. Adoro-a. Anna Gotzlowski.

� uma esp�cie de marrona que usa casacos tricotados largos...

� mesmo uma marrona.

E tem �culos, mas ela escolheu o estilo.

Falou-se inicialmente em deixar que mudasse de estilo na hist�ria

e p�-la a usar lentes de contacto,

mas desistimos da ideia e deix�mo-la manter-se assim

e sempre que ela come�a a aperaltar-se

e se torna outra pessoa para um encontro ou assim,

corre tudo mal, e isso era fixe.

Nora, passou muito tempo sob as luzes da ribalta.

Qual � a sensa��o de ser julgada?

Se � comigo, n�o dou muita import�ncia.

Tento envolver-me muito emocionalmente

se vejo isso acontecer na televis�o,

em programas de escolha de elenco,

em que adultos que devem saber que s�o modelos

falam �s pessoas do espa�o entre coxas,

isso vai levar � pr�xima gera��o de pessoas

que est�o ainda mais centradas em coisas sem import�ncia.

Senti que era sempre mais feliz quando ia caminhar

durante o inverno e tinha um casaco grande

e a cara ficava vermelha por estar frio,

n�o me maquilhava e cheirava a raposa velha.

Melhor Vestidos e Pior Vestidos 2000 e qualquer coisa

num jornal alem�o e eu disse: "N�o � muito bom",

e de repente, vi-me.

Onde estava? Em que lado da lista?

Vou desiludi-la. N�o estava no lado bom.

E o que se passa � que ela dizia: "A forma como est� maquilhada,

o penteado, o ar desmazelado,

� uma bofetada na cara do estilista."

- Est� a brincar! - N�o, a s�rio.

� horr�vel.

Esta � a Nora.

A esbofetear pessoas.

A esbofetear pessoas na cara.

Sinceramente, hoje � ganhar ou perder.

� Guerra dos Tronos. Posso morrer.

Porque se der mais uma bofetada a um estilista por n�o usar maquilhagem

ou n�o usar a certa...

Nora, a que me trouxeste?

N�o sei. N�o disseram. Achei que era uma gala de gatos.

A roubar-me o dia mau.

Estou ali, com 20 pessoas a gritar para mim,

a tentar obrigar-te a fazer uma coisa e tentamos fazer...

S�o assustadores.

E acaba com eles a serem...

Sinto sempre que os desiludo.

O pr�mio para a atriz mais popular...

Nora Tschirner!

NOVA IORQUE

� bom estar em NI para a sess�o fotogr�fica

que celebra a diversidade corporal.

Atr�s da c�mara est� um homem que fotografa para Ralph Lauren,

Gucci, Victoria's Secret e por a� fora.

Algumas destas mulheres que se veem nos filmes, em an�ncios

ou em revistas fazem-nos pensar: "Caramba, s�o perfeitas."

Pois bem, na cabe�a delas n�o s�o.

Pedem que n�o as fotografemos em determinados �ngulos,

que n�o as fotografemos de formas que achem pouco lisonjeiras

porque t�m problemas com a imagem corporal.

E toda a gente tem isso.

Toda a gente tem cr�ticas interiores...

... que as inibem e funcionam como obst�culo

� realiza��o e � felicidade.

Vou p�-las muito maiores do que as dela.

O que me espantou sobre estar aqui com estas mulheres,

e h� grande variedade de pessoas,

foi uma mulher bastante pesada,

uma mulher com problemas f�sicos...

Fica muito bem.

... uma modelo transg�nero.

O denominador comum era o afeto e a aceita��o uns dos outros.

Boa. N�o, meninas, est�o �timas. A s�rio.

E penso que se houvesse mais afeto e aceita��o,

em vez de cr�tica, palavras odiosas e apontar de dedos,

o mundo seria muito melhor.

Um, dois, tr�s.

As pessoas com incapacidade vis�vel

s�o alvo de olhares

e pormo-nos diante de uma c�mara controla o olhar

e d�-nos uma sensa��o de poder.

Sim, est� a olhar para o meu corpo,

mas vou controlar a forma como olha para o meu corpo

e fa�a coment�rios sobre o que sinto em rela��o ao meu corpo,

e n�o me diga as suas perce��es do meu corpo.

Vou controlar o que v� e como me v�.

E vou escolher o olhar e sentir-me com poder

colocando o corpo diante da c�mara.

Foi uma nova experi�ncia para mim.

Quando ouvi falar daquilo, imediatamente, a minha mente disse:

"N�o, de modo nenhum. N�o � uma op��o."

E n�o parava de pensar naquilo,

no facto de poder ajudar pessoas.

Depois comecei a pensar que n�o...

As minhas inseguran�as n�o importam.

Esperava que pudesse inspirar outras pessoas com problemas "trans"

no mundo delas a gostarem do seu corpo, acho eu.

Foi uma jornada para mim. Ainda estou a trabalhar nisso.

Esta noite mudou-me. Mudou completamente a forma como me vejo.

Ver outras mulheres com outro tipo de corpos

� vontade e confiantes em rela��o ao corpo

fez-me ficar mais forte.

N�o se trata de sermos n�s contra elas.

Trata-se de mulheres unirem-se

e dizerem: "Vejam, somos bonitas. Somos todas confiantes.

Trabalhemos juntas.

Vamos mostrar ao mundo que podemos ser todas bonitas juntas."

Espero que haja por a� uma mulher de tamanho grande

que n�o goste muito do seu corpo,

que me veja de suti� e cuecas

e que pense: "N�o � assim t�o mau." Est�o a ver?

Especialmente as m�es.

O peso est� associado a ter filhos,

algumas estrias e um pouco de celulite.

No fim de contas, ningu�m olha para n�s e diz: "Que nojo."

Tu � que d�s cabo de ti

e crias o palco para as pessoas olharem com desprezo,

mas quanto mais gostares dele, mais os outros v�o gostar.

N�o tenho problema nenhum.

� bom gostarmos de n�s como somos.

Eu tenho um princ�pio.

Quando est� na minha presen�a n�o � permitido

falar mal de si pr�pria.

� contagioso.

Podemos contagiar de forma negativa ou positiva,

por isso vamos em frente com o positivo e contagioso.

N�o h� alternativa.

A sensa��o de que uma pessoa consegue ser aceite,

de ser inclu�da, � uma sensa��o maravilhosa,

por isso, penso que se queremos sentir-nos melhor,

abrimos os bra�os e aceitamos os outros.

Estou de regresso � Austr�lia.

Primeira paragem, Sydney, e depois para casa.

Estou t�o entusiasmada! Mal posso esperar.

Recebi um telefonema de um sujeito chamado Nigel Marsh.

Convidou-me a participar um evento de nata��o nudista

no Porto de Sydney e eu disse: "Quem � o senhor?"

Quase desliguei porque pensei que era um tarado,

mas depois de o conhecer, decidi que participar

no Sydney Skinny parecia ser uma excelente ideia.

As pessoas despem-se, mas n�o tem que ver com nudismo.

FUNDADOR DO SYDNEY SKINNY

� libertador e s� pensamos: "Que bom."

Se calhar, devia deixar de ficar angustiada com o meu pneu,

ou com a perda de peso. N�o faz diferen�a.

Ficar em forma, n�o ficar, ningu�m se importa.

N�o � o ponto principal da vida,

passar a vida angustiados

por n�o termos a forma corporal

com que os m�dia insistem que devemos preocupar-nos.

Portanto, a� vamos n�s!

As pessoas n�o refletem no que � importante para elas,

n�o por serem m�s, mas por viverem com pressa.

Sabemos o que � ter filhos, empregos e assim

e � preciso uma das grandes quatro antes de refletirem como deve ser.

S�o elas: morte, doen�a, div�rcio, redund�ncia.

E todos conhecemos pessoas que tiveram trag�dias na vida.

Dizem: "Pensei e o que � importante, a s�rio, s�o estas coisas."

Mas se n�o tivessem tido essas trag�dias,

n�o teriam parado para pensar.

E o interesse em nadar � poder ajudar algu�m

a refletir sem ter de passar pelas Quatro Grandes.

N�o espere at� a sua mulher o deixar ou at� ter uma doen�a horr�vel.

Que tal pensar:

"Estou a viver o tipo de vida que quero?"

Acabei a prova de nata��o

e sinto-me completamente empolgada, muito feliz e...

Conheci duas mulheres na praia.

Uma estava junto de mim, era uma completa estranha,

deu um guincho e disse:

"H� outra mulher com uma mama, tal como eu!"

Correu e abra�ou a mulher que tamb�m tinha perdido uma mama.

E estas mulheres gostam do seu corpo, mesmo s� com uma mama.

E foram corajosas

e eram mulheres muito bonitas.

E isso, para mim, vale ouro.

Diagnosticaram-me cancro da mama h� quatro anos,

quando estava gr�vida do meu segundo filho.

Vou fazer 40 anos este ano e foi a oportunidade perfeita

para aceitar quem sou e o meu corpo

enquanto m�e e mulher, esta � a pessoa que sou agora

e n�o me importo.

Em grande medida foi gra�as ao meu marido.

Ele disse: "Que importa? � s� uma mama."

E os meus filhos n�o se importam. Tenho dois rapazes.

Eles acham alguma piada e at� � fixe

a m�e deles ter uma s� mama, serve at� para se gabarem.

E tenho uma esp�cie de ditado. Quando saio do duche, em casa, digo:

"Para onde foi a minha mama?"

E eles dizem: "Est� num frasco algures, num laborat�rio cient�fico."

H� mais de dois meses,

decidi descobrir o motivo de tantas pessoas odiarem o seu corpo

e o que podemos fazer para melhorar.

Acho que tive algumas respostas

e tive a imensa sorte de conhecer e de me relacionar com pessoas incr�veis.

Editores de revistas s�o criticados pelo que p�em na capa

e pelo recurso a modelos e Photoshop

e dizem: "� isso que as mulheres querem."

N�o � o que elas querem,

porque a circula��o de revistas diminuiu muito.

Sinceramente, as mulheres n�o querem isso

e agora votam com a carteira.

N�s somos a nova revista.

N�s definimos o que � a verdadeira beleza,

o que � sentirmo-nos realmente confort�veis na nossa pele,

o que � ter uma imagem corporal positiva.

Come�a por as pessoas partilharem as suas hist�rias.

Come�a por as pessoas se livrarem da vergonha.

Come�a por as pessoas aceitarem os outros como eles s�o

e n�o toler�-los apenas

ou apenas aceit�-los,

mas verdadeiramente encontrar aquela coisa no outro

que vemos como peculiar, ou diferente, ou �nica

e gostar das pessoas como elas s�o.

Estando na fase em que estou, em que gosto do meu corpo,

digo que � fabuloso e que me orgulho dele.

Posso centrar-me em algo mais importante.

Olha para ti nua.

Diz que �s bonita mesmo que n�o acredites.

Finge at� conseguires.

Eu diria que o meu corpo � exuberante, suave e...

� reconfortante para os meus filhos e para o meu marido.

Diria que mudo de forma.

Sou suave.

E cheiro bem.

� meu. � a minha casa.

� meu amigo. � a minha alma g�mea.

� grande, � bonito

e perigosamente curvil�neo.

H� tanta bondade no mundo

e eu estou ansiosa por partilhar convosco tudo o que aprendi.

Na vossa vida haver� pessoas

que v�o tentar dizer-vos que t�m de mudar,

mas n�o � verdade.

O objetivo da vossa vida n�o � ser um ornamento para olhar,

mas antes para levar a cabo, sentir, conseguir e contribuir.

Querida rapariga, n�o cometas os meus erros.

N�o desperdices um �nico dia da vida em guerra com o teu corpo.

Aceita-o.

H� 7,5 MIL MILH�ES DE HABITANTES NA TERRA

DE TODAS AS FORMAS E FEITIOS

� a resposta perfeita!

PERFEITA

EU ACEITEI... ACEITAS?

JUNTA-TE AO MOVIMENTO

Legendas: Ana Cristina Ferreira

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