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''Meu pai faleceu.
venha, Gaveston.''
Meu pai faleceu.
venha, Gaveston
e divida este reino com vosso estimado amigo.''
EDUARDO II
''Meu pai faleceu. venha, Gaveston,
e divida este reino com vosso estimado amigo.''
palavras que me enchem de prazer.
Que maior b�n��o pode recair sobre Gaveston
que viver e ser o favorito de um rei?
Doce pr�ncipe, l� vou eu.
Estas...
Estas linhas amorosas me teriam feito vir a nado desde a Fran�a
e, como Leandro, jacente na areia,
para que v�s me tomeis em vossos bra�os.
Londres a meus olhos de exilado � como o Eliseu
a uma alma rec�m chegada.
N�o � que ame a pessoa,
mas � o que possua o que tanto pretendo.
Acabou-se o inclinar-se ante semelhantes soberbos.
meus joelhos t�o s� se dobrar�o diante do rei.
e a multid�o n�o � mais que chispas
rastrilhadas no rescaldo de sua pobreza...
que se fodam.
Quem sois?
Um viajante.
Deixe-me ver.
Poder�ais servir-me � mesa e contar-me mentiras no jantar.
Quem sois?
-Um marinheiro. -Um marinheiro.
H� estalagens para gente assim.
N�o acolho batalhas e, portanto, senhores, marchei.
N�o s�o homens para mim.
Quero poetas lascivos, complacentes.
M�sicos que, ao acariciar uma corda,
possam atrair o d�cil rei � minha vontade.
M�sica e poesia s�o sua fraqueza.
Por isso terei m�scaras italianas � noite,
doces discursos, com�dias,
espet�culos prazerosos.
Meu senhor.
n�o beijeis minha m�o.
Abrace-me, como fa�o convosco. Por que ajoelhar-vos?
Acaso n�o sabeis quem sou?
vosso amigo,
v�s mesmo... outro Gaveston.
e desde que parti daqui,
nenhuma alma no inferno
tem sofrido maior tormento que vosso pobre
Gaveston.
Esse Gaveston depravado voltou?
Sim, ilustr�ssima,
e vive para vingar-se de v�s.
A �nica causa de seu ex�lio.
Gaveston, se n�o sois reclamado...
deveis regressar agora mesmo � Fran�a.
Para n�o ser irreverente a esses h�bitos,
N�o devereis arrastar um p� fora deste lugar.
Se meu doce Gaveston se separasse de mim,
esta ilha se afundaria no oceano.
''Gaveston, se n�o sois reclamado,
devereis regressar � Fran�a.''
Despoje-o de sua mitra dourada,
desgarre sua estola
e batize-o de novo no Canal.
Irm�o, n�o ponhais m�os violentas sobre ele,
posto que se queixar� ao chefe em Roma.
Como se faz com o do inferno.
Eu me vingarei dele por meu ex�lio.
Perdoai-lhe a vida,
arrebatai-lhe seus bens.
S� v�s o bispo e recebei suas rendas.
Eu vos entrego. Fa�a o que preferir.
Ir� para a pris�o e morrer� entre barrotes.
Confine este padre puto na Torre.
Conv�m uma pris�o a sua santidade.
Por esta ofensa, Deus conden�-lo-� ao inferno.
Eu te declaro Camareiro-maior,
Secret�rio-Chefe de Estado e meu,
Conde da Cornualha,
rei e senhor de Man.
Meu senhor, estes t�tulos excedem meu valor.
Teu valor est� muito acima de meus obs�quios.
E, por isso, para igual�-lo, recebe meu cora��o.
e se por estas honras fores invejado,
Eu te darei mais.
Queres ouro? toma meu tesouro.
J� me bastar� desfrutar de teu amor.
Bem-vindo, meu amigo.
Irm�o.
O menor desses t�tulos poderia bastar para algu�m
- de mais alta estirpe que Gaveston. - O qu�?
Tu te incomodas que Gaveston se sente aqui?
� uma grande honra e assim ser�.
Meu senhor, esses t�tulos excedem em muito seu valor.
Basta, irm�o,
N�o posso tolerar essas palavras.
Primeiro sua roupa sagrada foi rasgada e desgarrada.
Logo puseram suas m�os violentas sobre ele.
-Logo foi encarcerado. -e seus bens arrebatados.
� certo. o bispo est� na Torre
E todos os seus bens e posses entregues a Gaveston.
O qu�? � que querem tiranizar a Igreja?
Ah, maldito rei e maldito Gaveston.
Nem queremos nem pensamos em toler�-lo.
� que ningu�m pode enfrentar esse escravo?
Todos sofremos, mas ningu�m se atreve a pronunciar uma palavra,
posto que da m�o caminha junto ao nosso rei.
E mais: a guarda de sua excel�ncia lhe aguarda
E toda a corte come�a a adul�-lo.
Esta terra, vilmente corrompida por seus passos,
sem d�vida ser� seu eterno t�mulo, ou o meu.
Arranc�-lo-emos do peito do rei.
E na porta do tribunal penduraremos esse campon�s
que est� inflado com o veneno do orgulho ambicioso.
Ser� a ru�na deste reino e a nossa.
E a nossa.
Seu humor lascivo n�o me entristece, mas eu o recha�o.
Que algu�m de t�o baixa estofa, possa, por gra�a de seu soberano,
-chegar a ser t�o insolente. -E levar os tesouros do reino.
enquanto os soldados se amotinam pelo soldo,
ele leva nas costas a fortuna de um senhor.
E como se fosse Midas, espalha-a pela corte.
Com gente da pior esp�cie aos seus p�s
cujas vestimentas fant�sticas armam grandes espet�culos,
como se parecesse Proteu, o deus das formas.
enquanto outros caminham por tr�s, o rei e ele,
desde uma janela, riem das pessoas como n�s.
e zombam de nosso cortejo
e ca�oam de nosso atuendo. Isso � o que me impacienta.
Este Eduardo � a ru�na imperial.
V�s, vil�o, por qu� se fala de v�s como de um rei
se apenas sois um cavaleiro por nascimento?
Se fosse um campon�s, sendo meu servo,
eu me orgulharia que vos inclineis perante ele.
-se eu fosse rei. -Desfazei-vos do odioso Gaveston.
Tenha, Mortimer,
levai minha coroa e sentai-vos no trono.
Houve alguma vez algum rei t�o desobedecido como eu?
Olhai onde a irm� do rei da Fran�a se senta
retorcendo as m�os, batendo no peito.
O rei, eu temo, a tem maltratado.
Duro � o cora��o que fere uma santa como esta.
Esse Mortimer. Eu o matarei.
Se nos amais, meu senhor, odiai Gaveston.
Estes condes, meu senhor, e eu mesmo,
Juramos diante do leito de morte de vosso pai
que ele jamais retornaria ao reino.
Ficarei com Gaveston,
e v�s sabereis qu�o perigoso � opor-se ao rei.
-Bem dito. -Senhor,
Por que enfrentais vossos semelhantes
que por natureza vos amar�o e honrar�o?
Como vos atreveis a desafiar um rei na cara dele?
Irm�o, vinde, e deixai que suas cabe�as
prediquem sobre picotas por ofender com suas l�nguas.
Nossas cabe�as.
Vamos. Deixemos este rei doente.
Dois reis na Inglaterra n�o podem governar de uma s� vez.
Mas n�o ide, deixe-me ser rei at� o anoitecer
para poder contemplar essa coroa brilhante
e que meus olhos recebam sua �ltima satisfa��o.
Minha cabe�a, a �ltima honra obrigada a ela.
e que ambos conjuntamente cedam seu direto anelado.
Mas mal posso suportar perder minha coroa
e meu reino sem motivo.
Mas...
Mas...
O que o c�u ditar
devo obedecer.
Tome,
tome minha coroa.
Que fazes aqui sentado?
Se desconfiais, partirei, meu senhor.
N�o, n�o. n�o.
N�o.
N�o!
N�o.
N�o, porque se vens matar-me,
Devereis voltar outra vez.
Por tanto, fiquem.
Senhora,
-Aonde vai Sua Majestade t�o depressa? -At� o bosque, gentil Mortimer.
A viver em desconsolo e pernicioso descontento.
Porque agora, meu senhor, n�o me aprecia. Ele se diverte no amor de Gaveston.
Acaricia suas bochechas e se reclina sobre seu pesco�o.
Ele lhe sorri em seu rosto e lhe susurra ao ouvido.
E, ao me ver, franze a testa como se dissesse:
''V� aonde preferir, eu tenho meu Gaveston.''
N�o est� claro que est� enfeiti�ado?
A esse astuto e arrivista lisongeiro
expatriaremos ou perderemos nossas vidas.
O rei desconfia tanto que, se ouvir que falei convosco,
Minha honra ficar� sob suspeita.
Venha, vamos. Empurre, empurre. Assim se faz, vamos.
Continue assim, continue assim. Vamos, esfor�o.
Para cima e apereta, para tr�s.
Celebra��es de holgazanes, mascaradas,
Espet�culos lascivos
E presentes pr�digos entregues a Gaveston
deixaram secos vossos cofres
e vos enfraqueceram.
Qui�n os ama sen�o uma corte de aduladores?
� este o dever perante vosso rei?
-Conhecemos nosso dever. -Indicar-lhe seus semelhantes.
Por que am�is a quem o mundo tanto odeia?
Porque me ama mais que o mundo inteiro.
V�s me ofendeis, Gaveston.
N�o somente corrompes meu senhor
e sois um alcag�ete para seus lacaios,
como agora deveis questionar minha honra.
N�o era minha inten��o. Vossa Majestade deve perdoar-me.
Vil�o, sois v�s quem rouba meu senhor.
N�o, minha senhora, foi v�s quem roubou o meu senhor.
Suave brisa que sopra at� a Fran�a,
transforme-se em temporal.
Tenho aqui a ordem de expatria��o de Gaveston.
Pe�o que assinai vossos nomes.
Permiti-me.
D�-me esse papel. Quero escrever meu nome.
O nome de Mortimer estremecer� o rei.
Desejo exil�-lo destas terras.
A n�o ser que o rei repudie esse campon�s.
Meu senhor, pegarei em armas contra o rei?
Que necessidade tenho?
O mesm�ssimo Deus j� pegou.
''Me ritroverai per una selva escura.
Per a dirita via, dela sparita.''
''Em plena viagem de nossa vida,
me encontrei em um bosque escuro,
onde o caminho direito desaparecia.''
''Ah! Quanto a dire qual era la cosa dura!''
Que um homem de nobre estirpe possa suportar esta vis�o...
Olhai com que menosprezo nos olha o campon�s.
Podem os le�es sentirem-se adulados por formigas trepadoras?
Sua queda � iminente.
Ponha suas m�os sobre o traidor Gaveston.
vossa merc� faz bem em t�-lo ao seu lado.
Porque em nenhum outro lugar estar� mais seguro.
Assinai, como temos feito, por seu ex�lio.
Condenai-o, se se nega e depois poderemos destron�-lo
-E escolher outro rei. -Sim.
Maldizei-me, destronai-me,
O pior que se lhes ocorra.
Vamos, vamos, assinai.
Homens vis, selvagens e zafios buscariam a ru�na de meu Gaveston.
v�s, que sois nobre, tende piedade dele.
v�s, que nascestes pr�ncipe, esque�ai-o.
Por isso, assinai e deixai que Piers Gaveston parta.
Ou proporei aos nobres do reino...
que esque�am a obedi�ncia e leadade para convosco.
N�o � certo que esteis comprazido de expatri�-lo?
Estou obrigado e, por tanto, comprazido.
Em vez de tinta,
escreverei com minhas l�grimas.
Toda vez
que n�s dizemos adeus,
eu morro um pouco.
Meu senhor, tenho ouvido aqui e ali que serei desterrado.
� verdade?
� verdade, doce Gaveston.
Deveis partir ou serei destronado.
Doce amigo, tomai-o com paci�ncia.
Meu amor n�o diminuir� jamais.
Minha esperan�a tem se convertido neste inferno de dor?
v�s desta terra e eu de mim mesmo estamos desterrados.
vendo que devo partir, n�o renovo minha pena.
Acaso houve rei mais desobedecido do que eu?
� pouco o tempo que tens
e, portanto, deixe que minha vista se recrie.
� algo digno de lamentar de um rei.
...come�o a cantar por isso.
N�o h� amor melhor.
Mas que estranha a mudan�a,
de maior a menor.
Toda vez
que dizemos adeus.
Quando est�s perto,
h� um ar de primavera.
Posso escutar uma larva
que come�a a cantar.
N�o h� amor melhor.
Mas que estranha a mudan�a,
de maior a menor.
Toda vez
que dissemos adeus.
Quanto correm para desterrar a quem amo.
N�o se moveriam se fosse por meu bem.
Por que um rei deve estar sujeito a um padre?
Enquanto os semelhantes que ap�iam assim a Igreja,
Se eu sou rei, n�o viver� ningu�m.
Mas, por que amais quem o mundo odeia tanto?
Foi embora,
e, por sua aus�ncia, eu lamento.
jamais a pena esteve t�o perto de meu cora��o. PAREI
Foi embora.
Foi embora.
N�o me adules, rameira imunda.
Fora.
Quem, sen�o meu marido, devo adular?
-Mortimer. -V�s vos enganais.
Tu te familiarizas demais com esse Mortimer!
e, por isso, Gaveston foi desterrado.
Mas quero que conven�as a nobreza,
ou jamais te reconciliar�s comigo.
Vossa Majestade sabe que n�o est� em minhas m�os.
Ent�o saia.
N�o me toques.
O c�u pode ver
que n�o amo ningu�m mais que a meu rei.
Quando deixei minha doce Fran�a e embarquei,
a feiticeira Circe,
caminhando sobre as ondas,
devia ter mudado minha apar�ncia.
Ou no dia de meu casamento,
a ta�a de Himen,
estava envenenada.
Ou, com esses bra�os
pressionando sobre meu pesco�o,
me asfixiassem
e eu n�o vivesse para ver,
como meu senhor
me abandona assim.
Devo suplicar-vos,
devo falar francamente.
e, poder assim,
trazer Gaveston para casa.
E ele poder� mimar Gaveston
e eu serei infeliz para sempre.
Meu cora��o � como um junco apenado
que late como os martelos de C�clope
e, com o ru�do, enlouquece meu c�rebro aturdido
e me desespero por meu Gaveston.
fez que uma f�ria sem sangue emergisse do inferno
e, com meu cetro real, me espancou at� morrer,
quando me obrigaram a abandonar meu Gaveston.
Como se encontra vossa excel�ncia?
Ah, Mortimer.
Neste momento, o rei est� furioso
E confessou que n�o me ama em absoluto.
Ah, pois deixai-o j�, minha senhora, n�o o ameis.
Querido Mortimer, ele me ordenou suplicar seu retorno do ex�lio.
Tal � a vontade do rei e eu devo obedecer
ou serei expulsa de sua real presen�a.
Isso � verdade? Foi bom expuls�-lo do pa�s.
� certo que devemos cham�-lo de novo?
Este motivo faz do branco, negro. E da noite fechada, dia.
N�o desejaria ver Gaveston morto?
Eu gostaria.
Meus senhores, detesto o vil Gaveston.
Espero que vossas senhorias n�o questionem isso.
E, por isso, ainda que solicite seu regresso, n�o � por seu bem,
sen�o por nosso proveito e pelo do reino.
Mas se estivesse aqui, detestado como �,
qu�o f�cil seria para mim subornar um servo vil
para receber sua senhoria com um punhal.
Por que n�o se fez isso desde o princ�pio?
Porque, meus senhores, n�o nos ocorreu.
Meu bom senhor...
Meu bom senhor, venho trazer not�cias.
Confabulaste com vosso Mortimer?
Gaveston, meu senhor, ser� perdonado.
A not�cia � boa demais para ser verdade.
Mas, me amarias se assim fosse?
Se assim fosse, o que Eduardo n�o faria?
Por Gaveston,
mas n�o por Elizabete.
Por v�s, bela Rainha, se v�s amais Gaveston,
pendurarei um ling�ete de ouro de vosso pesco�o,
vendo que tendes suplicado com tanto �xito.
Nenhuma j�ia pende de meu pesco�o, exceto estas, meu senhor,
nem desejo obter mais riquezas que as deste tesouro.
como um beijo revive a pobre Elizabete.
Uma vez mais, receba minha m�o,
e que este momento seja um segundo enlace entre v�s e eu.
E que este seja mais feliz que o primeiro.
O vento � bom.
Por qu� demora?
Temo que haja naufragado no mar.
- Meu senhor. - O qu�? Que novidades?
Gaveston chegou?
N�o sabemos nada de Gaveston. A que vos referis?
N�o me amam os que odeiam meu Gaveston.
Deixai a sua livre albedr�o.
Muitos reis tiveram amantes masculinos.
O grande Alexandre amava Hefesto.
H�rcules, o Conquistador, chorava por Hilas.
E, por P�troclo, o duro Aquiles babava.
E n�o s� reis, sen�o os homens mais s�bios.
Os romanos amavam Ot�vio,
O s�rio S�crates, o selvagem Alceb�ades.
Deixe a sua alteza, cuja juventude � flex�vel,
e promete-lhe tudo o que deseje,
que desfrute livremente desse conde de poucas luzes,
j� que a maturidade lhe far� apartar-se dessas brincadeiras.
vossa aus�ncia me fez marchitar-me.
Mas, agora, esta vis�o � mais doce que vossa partida,
amarga e irritante para meu cora��o.
Amado senhor, vosso discurso me emudece.
Ainda assim, tenho palavras para expresar minha alegria.
O pastor castigado pela ira invernal
n�o se regojiza mais por ver a primavera chegar
que eu ao contemplar Vossa Majestade.
Quem �? A Rainha?
Sim, Mortimer,
A Rainha desgra�ada...
Cujo l�nguido cora��o e introspec��o estouraram.
E cujo corpo de luto cont�nuo, desperdi�ado.
Estas m�os est�o cansadas de separar meu senhor de Gaveston,
do vil Gaveston.
E tudo em v�o,
posto que muito franca sou,
e ele me ignora
e se compraz com seu amado.
Ningu�m de v�s sa�da meu Gaveston?
Saudar-lhe?
Saudar-lhe?
-Sim. -Bem-vindo, Camareiro-Mor.
Bem-vindo, � o bom Conde da Cornualha.
-Bem-vindo. -O rei e senhor de Man.
-Irm�o, ouviste? -Estes condes e bar�es me utilizam.
-Meu senhor, n�o posso suportar. -Atacai seus pesco�os.
Eu vos autorizo.
Vis e an�dinos condes,
de gloriosa alcurnia,
voltai a vossas casas a comer vossas carnes.
N�o vindes aqui ca�oar de Gaveston,
cujos altos pensamentos jamais ca�ram t�o baixo
para pousar sua vista em uma caterva como esta.
Paga com tua vida.
Furioso Mortimer, que fizeste?
Pagareis por este ato criminoso. Fora de minha presen�a.
N�o vos aproxmiais da corte.
N�o me expulsar� da corte por Gaveston.
Vigilad vossa coroa, se lhe respald�is assim.
Mortimer, estas palavras ferem apesar de seus anos.
Agora todos conspirais para crucificar-me.
Mas se viver, pisarei sobre as cabe�as de todos aqueles
que, com seus olhares, pisam em mim.
Meu inflamado cora��o, da raiva explode.
qu�o a menudo me h�o enganado meus semelhantes.
e n�o oso vingar-me, posto que sua poder � grande.
mas, � que o cacarejo de essas galinhas assusta a um le�o?
Eduardo, mostre vossas garras
e deixe que seu sangue sacie vossa sede de vingan�a.
Se sou cruel e devengo um tirano,
que se digam obrigado
e se arrebentam tarde.
a corte est� desnuda, estando privada de aqueles
que hacen que um rei parezca glorioso ao mundo.
Calumnias contra ele se oyen nas calhes,
baladas e rimas compuestas de sua destrono.
Pobre Gaveston,
n�o me tienes mais que a mim.
Mortimer se tem envalentonado.
e amea�a com guerras civiles sem pudor.
Por qu� n�o o confina na Torre?
N�o me atrevo,
j� que o povo lhe quer bem.
Quem dera Mortimer e lsabelha o celebren com veneno.
-o conoc�is, Gaveston? -sim, meu senhor.
Se chama Spencer.
Por meu bem, deixe que sirva a sua majestade.
Spencer, querido Spencer,
os adopto aqui,
meramente pelo amor de vosso amo e senhor.
Apesar dos tempos, apesar dos inimigos.
Meu senhor, nada poderia fazer-me mais feliz
do que ter o favor de Vossa Majestade.
Meu senhor, vejo que vosso amor por Gaveston
ser� a ru�na do reino e a vossa.
agora os nobres amea�an com guerras.
e, por tanto, irm�o, desterradle para siempre.
Sois um inimigo de Gaveston?
sim, e me d�i t�-lo favorecido alguma vez.
Traidor.
Ide embora.
choriquead com Mortimer.
N�o me estranha que soliviant�is a nobreza,
se eu, vosso irm�o, sou rechazado assim.
Por amor a esta, nossa terra natal,
me algu�m a v�s e dejo ao rei.
Me temo que sois enviado por interesse,
para minarnos com vossa prova de amor.
Meu honra quedar� supeditado a meu verdad.
Nunca um Plantageneta faltou com sua palavra.
Portanto, confiamos em v�s.
Gaveston se regojiza com o rei.
n�s os cogeremos desprevenidos.
ningu�m ser� t�o ousado como para tocar ao rei.
mas n�o interceder� por Gaveston, nem seus amigos.
fuja, aprisa. esses condes t�m o poder.
fiquem, meu senhor.
Nunca arremeter�n contra v�s.
n�o confio neles, Gaveston. Parti.
Galopai depressa, atrav�s do c�u
e a negra noite, em uma herrumbrosa carruagem.
Entre ambos, encurtai o tempo, eu vos rogo,
para poder ver o dia que mais desejo,
quando me encontrar com esses traidores em batalha.
Por que o rei e Gaveston partiram?
Vosso ex�rcito dividido em duas dire��es perderia for�a.
Por esta andrajosa ins�gnia de meus ancestrais,
que barrou a costa deserta desse mar morto,
de onde prov�m o nome de Mortimer,
que avan�arei
e o toque f�nebre por Gaveston soar� bem alto.
Persiga-o r�pido e n�o poder� escapar.
O rei o abandonou e seu s�quito � pequeno.
Ainda assim, espero que minhas penas acabem logo.
E que Gaveston, nesse dia bendito,
morra.
Ainda assim, luxuriosos senhores,
Escapei de vossas m�os,
Vossas amea�as,
advert�ncias e persegui��es encarni�adas.
E embora tenha partido ao lado do rei Eduardo,
Piers de Gaveston jaz imp�vido,
respirando com esperan�a.
Spencer,
nem as riquezas de meu reino poderiam resgatar Gaveston.
Est� condenado � morte. Conhe�o a maldade de Mortimer.
V�s, orgulhoso alvoro�ador da paz de vosso pa�s,
corruptor de vosso rei, por estes motivos ardereis.
-Lorde Camareiro-Mor. -Bom Conde da Cornualha.
Senhor governador de Man.
Monstro de homem,
N�o buscai outra fortuna, miser�vel, al�m da morte.
Obrigado a todos, meus senhores,
J� que percebo que decapitar-me � uma morte
e enforcar-me � a outra
e a morte � tudo.
Vamos, deixe que vossa sombra parta com o rei Eduardo.
se eu fosse o rei Eduardo, o soberano da Inglaterra,
filho da encantadora Leonor de Castela,
o grande Eduardo Longshanks,
levaria estes andrajos, esta raiva
e sofreria desconsoladamente perante esses bar�es,
que me desafiam assim, em minha pr�pria terra,
em meu pr�prio reino?
Meu senhor, perdoe minhas palavras.
Recordai da magnanimidade de vosso pai?
Tendes em alta estima vosso nome?
Por acaso n�o sofreis, majestade, ao ser despojado de vossa nobreza?
Arranque-lhe as cabe�as e que prediquem desde as picotas.
sem d�vida, tais li��es ensinar�o o resto,
j� que suas prega��es ser�o de grande utilidade
e aprender�o a obedecer o seu leg�timo rei.
Sim, gentil Spencer,
temos sido suaves, am�veis demais.
Mas agora brandiremos nossos a�os.
Consumai vossa vingan�a diante desses bar�es
e n�o deixeis as mortes de vossos amigos sem vingar.
pela terra, a m�e comum de todos n�s,
pelos c�us
e por todo o globo que gira,
por esta m�o direita e pela espada de meu pai,
e por todas as honras pertenecentes � minha coroa,
tomarei suas cabe�as e suas vidas por ele,
tantas quanto casas, castelos,
cidades e torres tenho.
Traidor Mortimer!
Se sou o rei da Inglaterra,
em lagos de sangue, vosso tronco decapitado,
vosso corpo arrastarei.
Bebereis de vossos despojos e vos afogarais em vosso sangue.
Vil�es, que mataram meu Gaveston!
''bar�es al�ados em armas por mim, sa�dam a sua alteza
com longa vida e felicidade
e me pedem que comunique a Vossa Majestade
que, sem derramamento de sangue,
ter� padre e ter� rem�dio,
que de vossa real pessoa expulsai esse Spencer,
qual galho putrefato que mata a vinha real,
cujas folhas douradas adornam vossa cabe�a principesca,
cuja tiara, o brilho da qual cega arrivistas t�o perniciosos.
Dizem eles, e afeituosamente aconselham Vossa Majestade,
a valorizar a virtude e a nobreza
e que tenha os velhos senadores em alta estima
e que se desfa�a de aduladores lisongeiros e hip�critas.''
Traidores. E continuam jactando-se orgulhosamente?
Rebeldes, que delatariam seu rei, seus seguidores,
seus amigos e seus prazeres.
Ainda assim, v�,
v� como me separo de Spencer, meu amigo.
Marche comigo. Por Eduardo, coroado rei de novo.
Por S�o Jorge e pela Inglaterra e pelo bem do rei Eduardo.
Os reis mal governados s�o o motivo desta ru�na.
e Eduardo, vossa m�o pouco firme tem posto estas terras a perder
e provocado que os canais do reino transbordem
com sangue de vosso pr�prio povo.
Basta de assassinatos, basta de mentiras. O amor livre nunca morrer�.
Basta de assassinatos, basta de mentiras. O amor livre nunca morrer�.
E pelas les�es e ferimentos que Eduardo nos tem provocado,
sua Rainha e sua terra,
voltemos a erguer as armas para combat�-lo com espadas.
Que a Rainha retome em paz
sua credibilidade, sua dignidade e sua honra do rei
que causa estragos � sa�de da Inglaterra.
Baixo � vosso orgulho.
Creio que inclinais a cabe�a.
Mas avan�aremos, traidor,
Chegou a hora de vingarmos todas vossas bravuconerias.
Pelo assassinato de nosso querido amigo,
Ao qual v�s bem sabeis que nossa alma estava unida.
O bom Piers de Gaveston,
Meu doce favorito.
Rebelde,
Renegado,
v�s o destro�aram.
Maldito miser�vel que visteis o prisionero.
O pobre Piers, assassinado.
Eu rio de vossas amea�as. � tempor�rio o que podeis infligir-me.
O pior � a morte
e melhor morrer que viver
sob a inf�mia de um rei como v�s.
Um irm�o? n�o, um assassino de seus amigos.
Soberbo Eduardo, me prescreve de vossa presen�a?
Apoiarei a Rainha agraviada
e certificarei que n�o ter� m�o dura.
Rei antinatural,
matar homens nobres e estimar aduladores.
Rapaz,
vos sente decepcionado por isto
e pensa que ainda podemos adaptar-nos juntos.
N�o, n�o.
Chegamos longe demais.
Maldito miser�vel.
Por que vos tendes de toda a humanidade,
al�ado em armas contra vosso irm�o e vosso rei?
N�o gosto desse abrandamento.
Lamento a m� fortuna de meu senhor,
Mas o bem deste pa�s me levou a esta horr�vel guerra.
Creio que o rei Eduardo vencer� todos n�s.
Xeque-mate.
Esta vida contemplativa � o c�u.
Que esta vida tranq�ila eu pudesse levar.
Em vosso colo, reclino minha cabe�a,
abrumada por tantas preocupa��es.
Quem dera n�o voltasse a abrir estes olhos,
que jamais voltasse a levantar esta cabe�a inclinada,
que nunca mais batesse este cora��o moribundo.
Cuidado, meu senhor, esta sonera n�o pode ser boa.
Aqui tens uma liteira para vossa alteza,
que espera vosso prazer e o dia nos persegue.
Uma liteira, dizes?
Jogai-me em um caix�o
e at� as portas do inferno, enviai-me daqui.
Que Plut�o toque badaladas de morte por mim
e a�lhe por minha morte na orla de Caronte,
j� que amigos, Eduardo n�o tem
al�m dele.
E ele
deve morrer sob a espada do tirano.
Oh, dia,
o �ltimo de dita na terra.
Batalhas triunfais d�o ao deus dos reis,
os que lutan justamente
e temem sua ira.
Desde ent�o, governamos com certeza
Obrigado ao grande arquiteto do c�u.
e a v�s.
Senhora, sem ofensa, se posso preguntar,
Como tratar� com Eduardo em sua queda?
Dizei-me, a que Eduardo vos refere?
A vosso pai.
N�o o chamarei de rei.
Basta!
O nobre Eduardo n�o est� mais.
Partiu de aqui, partiu de v�s.
Minha alma...
Bichona.
Continuai v�s, sol celestial,
Nunca deixei que a noite posea esta paragem.
Permanecei quieto, v�s, rel�gios dos elementos.
Todas as horas e esta��es, fiquem onde estais.
Que Eduardo continue sendo o justo rei da Inglaterra.
Mereceis todo isto, querido Mortimer.
Elizabete poderia viver toda a vida convosco.
fiquem convencidos de que vos quero bem.
Bela Elizabete, agora temos nosso desejo.
Os orgulhosos corruptores de um rei fraco de esp�rito
prestaram homenagem � forca sublime.
O pr�prio Eduardo est� preso
e n�s governaremos o reino.
N�o � a primera vez que eu matei.
Aprendi em N�poles a envenenar flores,
a estrangular com um golpe seco no pesco�o,
a perfurar a tr�quea com a ponta de uma agulha.
ou enquanto dormem,
a tomar uma pluma e soprar um pouco de p� em seus pulm�es.
ou a abrir sua boca e jorrar merc�rio.
mas tenho m�todos mais heroicos que esses.
Eu, eu e mais ningu�m deverei saber como ele morreu.
Enquanto n�o houver testemunhas, d� no mesmo.
Encomendai-me humildemente a vossa majestade
e diga
que me esfor�o em v�o
para aliviar sua dor e conseguir sua liberdade.
e levai isto a ele, como prova de meu amor.
lhe matar�is quando a cesi�o estiver feita.
Minha dieta diaria s�o lhantos descora�onadores
que pudrem quase o arm�rio de meu cora��o.
a Rainha nos envia para ver como estais,
pois ela se compadece de vossa desgra�a.
Diga a Elizabete, cujos olhos se tornaram a�o
que expeliriam fogo antes de derramar uma l�grima,
que esta masmorra onde me ret�m � a cloaca
onde vai parar toda a imund�cie do castelo.
e aqui, imerso neste loda�al encharcado,
tenho estado durante dez dias.
e por miedo a dormir, algu�m n�o deja de golpearse o corpo.
Me d�o p�o e �gua, sendo rei.
Por falta de sono e sustento,
minha mente est� perturbada
e meu corpo entumecido.
e se tenho extremidades ou n�o, n�o sei.
Quem dera meu sangue se filtrasse por minhas veias
como a �gua por estas vestes andrajosas.
n�o mais, meu senhor, me parta o cora��o.
Tumbaos.
se as palavras gentis pudessem reconfortar-me,
vossos discursos teriam aliviado as penas,
posto que am�vel e atento siempre fuisteis.
tenha paciencia, n�o os lament�is.
lmaginad que esta pris�o fora vossa corte.
aqui Londres. a vida do rei sigue sendo...
Dejadle ser rei. sou muito joven para reinar.
n�o os quej�is, � a vontade de vosso pai.
Deixe-me ver ao rei primeiro. ent�o, o harei.
-Claro que sim, querido sobrinho. -irm�o, sab�is que � impos�vel.
-Por qu�? Est� morto? -n�o, deus n�o queira.
essas palavras s�o muito falsas.
Meu senhor, sua irm�o tem traicionado ao rei e, por tanto, n�o os fi�is.
venha, filho, com este gentil cavaleiro e comigo.
convosco irei, mas n�o com Mortimer.
ent�o, jovenzinho, os levarei � for�a.
Socorro, tio Kent. Mortimer me far� mal.
que miser�vel � esse bem-estar comum,
Onde os senhores guardam corte
E os reis est�o confinados em pris�es.
Tentastes resgat�-lo?
� nosso rei.
� meu tio.
� vosso inimigo.
Sois v�s rei? Devo morrer a vossos olhos?
Meu irm�o ou seu filho s�o reis.
E nenhum deles deseja meu sangue.
Onde posso buscar ref�gio?
n�o temais, rapaz.
Se vosso tio vivesse, cobraria vossa vida.
� um traidor, n�o pense mais nele.
venha.
Decreto, revogo.
Fa�o o que me compraz.
Temido sou mais que amado.
Pois que seja temido
e, quando franzir a testa, que a corte empalide�a.
agora sou o protetor.
o que � certo � que a Rainha e Mortimer
governar�o o reino e ningu�m nos governar�.
Meus inimigos acossarei, meus amigos promoverei
e ordenarei o que deseje.
Querido Mortimer,
a vida de Elizabete,
fiquem convencidos, de que vos quero bem.
Algo continua zumbindo em meus ouvidos.
E me diz que, se eu dormir, n�o despertarei.
Sei que vens matar-me.
O que faz vossa majestade desconfiar?
Perdoai-me, a congoja me deixa lun�tico.
Sabeis que sou rei.
Esse nome... sinto uma grande congoja.
E minha coroa?
N�o est�.
N�o est�.
E eu continuo vivo?
Estas m�os nunca se mancharam com sangue inocente.
Nem se manchar�o com a de um rei.
Muito bem.
Sei que a pr�xima noticia que trar� ser� minha morte.
E ser� bem-vinda.
Para os homens desprezados, a morte � felicidade.
Todos os lugares s�o iguales
e toda terra � boa para enterrar.
essa mirada vossa s� pode augurar morte.
Vejo minha trag�dia escrita em vosso rosto.
Mas espere, reprimi essa m�o sangrenta
e deixe-me ver o golpe antes de que chegue.
Fortuna cruel,
agora vejo que, em vossa roda, h� um ponto
ao que, quando os homens aspiran,
v�o de cabe�a para baixo.
A esse ponto cheguei
e, vendo que mais alto n�o podia chegar,
Por que devo lamentar minha queda precipitada?
que s�o os reis, quando os regimentos desaparecem,
sen�o sombras perfeitas � luz do dia?
n�o sei, mas disto estou certo,
que a morte todo o acaba e s� posso morrer uma vez.
Venha, morte
e com vossos dedos feche meus olhos.
ou, se vivo, deixe que me esque�a de mim mesmo.
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