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Vincenzo, vamos jogar futebol, vamos.
Eu n�o voltava a Rione h� seis anos.
Eu n�o via minha m�e nem falava com ela desde aquela cena em Floren�a.
Eu tinha medo de que ela se recusasse a me receber
e talvez por isso n�o tivesse ligado para avis�-la da minha visita.
Mas tenho que ser sincera,
tamb�m havia outro motivo, mais secreto.
Para mim, Rione, at� mais do que minha fam�lia, era a Lila.
Anunciar minha visita tamb�m significaria
me perguntar como eu queria lidar com ela.
Eu queria v�-la, estava pronta para isso.
O que est�o fazendo aqui?
Essas pobres meninas nem se lembram da av�.
O que est� dizendo?
Entrem.
Oi, Elsa, pode me dar um beijo?
E voc�, Dede, como est� linda!
Vov�, posso comer mais um pouco?
Coma o quanto quiser.
S�o ovos frescos.
Podemos ir brincar?
V�o para o p�tio.
N�o, n�o no p�tio.
Brinquem ali.
Vov�, podemos ir?
Eu j� disse, sim.
Fiquem aqui embaixo, n�o se afastem.
Eu me mudei para c�,
aluguei uma casa na Via Petrarca.
Que bom.
Tenho que escrever um novo livro,
mas n�o consigo, n�o consigo me concentrar.
Por que isso me importaria?
Por que voc� bebe limonada?
Meu est�mago se revira s� de olhar para voc�.
Voc� n�o est� bem?
Estou muito bem.
N�o, n�o � verdade.
Elisa sabe que voc� n�o est� bem?
Elisa est� gr�vida.
Como?
Por que voc� n�o me disse nada?
Mam�e, vou te levar ao m�dico.
Como est� se sentindo?
S�o todas as coisas que voc� me causou.
Por sua causa, uma veia estourou no meu est�mago.
O que est� dizendo?
Sim, senhora, voc� me matou.
Mam�e, eu te amo.
Eu n�o.
Voc� veio para N�poles sozinha com as meninas?
Sim.
Seu marido n�o vir�?
Hoje n�o � mais como era antes.
Hoje voc� pode ser uma boa pessoa,
mesmo que deixe seu marido e se junte com outro.
- S�rio? - Sim.
E por que n�o diz nada sobre Elisa?
Que est� gr�vida e nem � casada.
Porque voc� n�o � a Elisa.
Voc� acha que eu esperava o mesmo de sua irm� e...
de voc�?
Estou fazendo coisas que deveriam te deixar feliz.
Greco est� se tornando um nome importante.
Fiz muitas coisas est�pidas com voc�.
Eu pensava que a arrogante era a Lila, mas � voc�.
Lila comanda todos eles,
at� mesmo Michele Solara.
E voc�, comanda quem?
Aquela merda do Nino Sarratore?
Agora, Lila tem a pr�pria empresa.
Ela e Enzo realmente souberam progredir.
Vamos embora, r�pido.
Para onde vamos?
Para casa.
N�o vamos esperar pelo vov�?
N�o, em outra ocasi�o.
Voc� gostava daqui quando era pequena?
Era diferente.
Agora tudo mudou.
- Tchau. - Tchau.
Tudo havia mudado, era verdade.
Ou era eu que n�o estava pronta para me reconectar com meu passado?
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com
CAP�TULO 27 COMPROMISSOS
Naqueles meses,
indo e vindo da casa de minha m�e,
consegui n�o encontrar Lila.
Fazia mais de um ano que n�o sabia nada dela,
ela tinha sumido novamente.
N�o queria v�-la e ser reabsorvida por ela e seu mundo.
Oi.
O que est� fazendo aqui?
N�o vou te ligar mais.
Se quiser, pode me ligar.
Voc� consegue ver o mar da sua casa?
Sim.
E como � o mar l� de cima?
Uma linda cor.
� melhor se aproximar,
assim voc� se d� conta de que � s� lixo, urina, �gua suja.
Mas voc�, que l� e escreve livros, gosta de contar mentiras.
N�o gosta de dizer a verdade.
Moro l� agora.
Isso pode mudar.
Quantas vezes dizemos uma coisa e fazemos outra?
Procure uma casa aqui.
A gente se v�.
- Oi, papai. - Oi, Elena.
Encontrei a Lila.
Ela veio me visitar.
J� as suas filhas, eu nunca vejo.
Por que voc� n�o as traz mais vezes?
- Voc� tem vergonha de n�s? - O que est� dizendo?
� tarde, elas fazem a li��o de casa.
E tamb�m temos muitos compromissos.
Mam�e, voc� precisa ir a um m�dico, a um especialista.
Pare de me atormentar,
eu n�o gasto dinheiro com m�dicos.
Oi, papai.
- Oi. - Oi.
N�o pretendo ir ao m�dico, eles se aproveitam dos pobres.
- O que foi? - Falem com sua irm�!
Ela se acha a mais inteligente do mundo e diz que s� falo bobagem.
N�o, eu s� disse que voc� tem que ir ao m�dico,
digam a ela tamb�m.
N�o ousem dizer uma palavra, n�o quero ouvir mais nada.
- Voc�s me deixam furiosa! - Olhem...
Chega disso, vamos!
Depois que Michele competiu para ver quem ganhava mais dinheiro,
sua amiga teve coragem de se separar dos Solara.
E agora, com sua pr�pria empresa, ela ganha muito dinheiro.
� inteligente, muito inteligente,
e faz um esfor�o que ningu�m sabe.
O Enzo � o mais inteligente.
O Enzo? Como assim?
O Enzo n�o serve para nada.
A Lila � quem faz tudo.
Faz e desfaz como bem entende.
E o melhor de tudo � que os Solara nem perceberam.
Al�m disso, � boa, generosa.
O que voc� sabe?
Mam�e, venha!
Mam�e, vamos.
Oi!
Oi!
Eu estava perdendo uma festa hoje � noite.
Desculpe, eu me atrasei.
Vamos comer alguma coisa?
N�o, n�o se preocupe. Esta tarde, na universidade,
fiquei com muita fome, ent�o comi alguma coisa.
Mas estava te esperando.
Vou tomar uma ta�a de vinho e te fazer companhia.
N�o importa, n�o estou mais com fome.
Vou compensar voc� com uma not�cia maravilhosa.
Quer ouvir?
N�o.
Meninas.
Pelo menos voc�s querem ouvir uma not�cia maravilhosa?
- Sim. - Sim.
Vamos ver.
Bem...
Fui convidado para ir a Nova York para dar algumas aulas.
Tudo pago, voo e hotel.
- Onde fica Nova York? - Nos Estados Unidos, sua boba.
N�s vamos tamb�m?
N�o, estou falando com a mam�e. Podemos ir em outra ocasi�o.
- N�o, eu n�o vou. - Mas por qu�?
Como vou fazer? Com quem as deixo?
Com a titia, em Mil�o.
Com meus av�s, quero ir � casa dos meus av�s.
N�o, infelizmente para voc�s, v�o ficar comigo.
Vamos, vistam seus pijamas, que j� � tarde.
Isso mesmo.
E agora vou receber pedidos
de presentes de Nova York.
Elsa?
Eu queria ter uns patins.
Nova York, Elsa: Patins.
N�o os brancos, mas os de todas as cores.
Patins coloridos.
Dede?
- N�o sei. - Vamos...
Eu gostaria de falar da sociedade em que vivemos.
Agora, a fam�lia � hoje, al�m de muitas outras coisas,
um centro de produ��o e servi�os que garante...
Meu livro foi publicado recentemente em Boston, por uma editora pequena.
Eu n�o sabia de nada, que bom.
Eu poderia ir v�-los, ajudar um pouco com o lan�amento.
Seria perfeito combinarmos as duas coisas.
Sim, mas n�o sei com quem deixar as meninas.
N�o podemos deix�-las com o Pietro?
Pietro est� trabalhando tanto.
N�o quero pedir � m�e dele.
A irm� dele desapareceu, n�o sei dela h� tempos.
E minha m�e est� cansada, ela n�o est� bem.
Bem...
Por que voc� n�o pede � Lila?
Lila?
Sei que ela � muito ocupada.
Pelo menos tente.
Apesar da dist�ncia entre n�s,
eu a considerava a �nica pessoa, entre as que eu conhecia,
que se importaria que elas estivessem bem.
Mas isso significava continuar dependendo dela.
Eu atendo.
Ficar� pronto em dez minutos.
Al�?
Lila, estavam comendo?
N�o, n�o se preocupe.
Eu te ligo depois.
Por que todo esse alvoro�o?
Preciso de sua ajuda.
Claro, agora parece que te liguei s� por isso.
Olhe, Elena, estou muito cansada,
e voc� est� enrolando, estou com dor de cabe�a.
Fale logo e n�o se preocupe.
Tenho a oportunidade de viajar para Nova York,
uma editora pequena publicou meu livro,
mas realmente n�o sei com quem deixar as meninas.
Voc� poderia cuidar delas?
Para mim, suas filhas s�o mais filhas que meu filho.
Traga-as para c� quando quiser
e fa�a o que tiver que fazer, pelo tempo que precisar.
Quando ligava para N�poles de Nova York,
minhas filhas n�o queriam falar comigo.
Estava claro que elas estavam bem com Lila.
A viagem foi uma experi�ncia fora do comum.
Senti novamente que n�o tinha limites,
capaz de voar sobre os oceanos,
capaz de me espalhar pelo mundo inteiro.
Quando voltei, eu tinha certeza de que estava gr�vida.
Eu tentava imaginar o que Dede e Elsa diriam ou fariam.
Eu n�o tinha falado sobre isso com ningu�m, nem mesmo com o Nino.
E, durante as f�rias, aproveitei em segredo
e com um prazer imprudente a minha nova situa��o.
Obrigada.
Vejo voc� � noite.
Me deixe ver voc�.
- Voc� mudou seu cabelo! - Sim.
Enzo, oi.
- Oi. - Oi.
- Bem-vinda. - Obrigada.
Olhem, a mam�e est� aqui.
- Mam�e! - Mam�e!
- Oi. - Oi, meus amores.
Oi.
Que penteado lindo!
Obrigada.
- Oi, Gennari. - Oi, tia Elena.
Vamos, cheguei cheia de presentes.
Patins!
Olhe s� isso.
- E estes s�o para voc�. - Obrigada!
Que lindo!
Aqui tem algo para Gennarino, tome.
Tia, voc� � louca!
� couro verdadeiro?
Experimente, vamos.
- Isso � para voc�, Enzo. - N�o precisava.
- N�o fique b�bado. - N�o, venha um dia e bebemos juntos.
Me disseram que � muito bom, eu n�o entendo nada disso.
"The Police"...
Esse � muito bom.
Dede...
Eu te ajudo.
Me conte tudo.
� um pa�s bonito e moderno.
E...
eu tinha me esquecido.
O que � isso?
- N�o precisava. - Claro que sim.
S�o lindos.
- Voc� gostou mesmo? - Sim.
Porque seria complicado ir troc�-los.
- Fique para almo�ar. - N�o, obrigada, j� vamos.
De jeito nenhum. Vou preparar alguma coisa.
Enquanto isso, converse com Lila.
E aqui? Como foi tudo? Elas se comportaram?
Muito bem.
Foram dias muito bons, Elena.
Mal podia te esperar porque preciso te contar uma coisa.
Estou gr�vida.
Lila...
Eu tamb�m.
S�rio?
Sim.
E o pai?
Voc� contou a ele?
N�o contei a ningu�m, s� a voc�.
Se Nino n�o quiser essa crian�a, est� tudo claro.
O que est� claro?
Que primeiro v�m a esposa e as filhas dele, e depois voc�.
N�o, n�o � assim.
Mas n�o tenha uma ideia errada.
Lila.
Nino � muito carinhoso, vem dormir comigo sempre que pode.
E cuida de Dede e Elsa como se fossem dele.
Ent�o, conte a ele hoje � noite.
E Dede e Elsa?
Quando pretende contar a elas?
� dif�cil.
Como posso contar a elas?
As coisas precisam ser ditas claramente, Elena.
Umas poucas palavras bastam.
Dede.
- Elsa. - Lila!
Venham aqui um minuto.
Venham aqui, tenho algo para contar.
Sabiam
que tenho um beb� na minha barriga?
Vou poder brincar com ele?
� claro que sim.
Mas quando ele for mais velho.
E voc�s?
Gostariam de ter um irm�ozinho?
Ou uma irm�zinha?
Eu gostaria, porque me cansei de ser sempre a menor.
E voc�?
Voc� est� esperando um beb�?
Sim.
Menino ou menina?
Ainda n�o sabemos.
Se for menina, eu escolho o nome.
Sim.
Sim, � claro, voc� escolhe.
Se quiser falar sobre a barriga da tia Lila,
n�o diga: "Esta � a barriga de Stefano Carracci".
Diga: "Esta � a barriga de Lila Cerullo".
O mesmo vale para voc�,
sua barriga � a de Elena Greco, n�o de Pietro Airota.
O que isso significa?
Que seria mais justo que Rino se chamasse Rino Cerullo
e que n�s nos cham�ssemos Dede e Elsa Greco.
- Essa ideia � sua? - N�o, da tia Lila.
E o que voc� acha?
Eu concordo.
A tia Lila faz a melhor torta de ma�� do mundo.
A titia me obrigava a usar condicionador.
N�o h� nada que Lila fa�a pior do que eu?
Ela � desafinada.
E n�o conhece nem uma m�sica que a gente goste.
Por que n�o nos leva para dormir l� mais vezes?
Voc� n�o precisa mais viajar?
Chega! Ou vou me ofender.
V�o ao mercado de m�es e comprem outra.
Sim, vamos agora mesmo.
N�o demorei muito para perceber
que com essas conversas sobre pais verdadeiros e falsos,
sobre sobrenomes antigos e novos,
Lila havia conseguido que Dede e Elsa sentissem
que n�o s� era aceit�vel, mas at� interessante
a condi��o que eu as havia for�ado a viver.
Essa era a Lila que eu amava.
Podia aparecer de repente, por entre suas maldades,
e me surpreender.
Ainda est� acordada?
O professor � incr�vel, � 20 anos mais velho do que eu, e � incans�vel.
T�nhamos que falar sobre umas coisas e terminamos no restaurante de sempre.
Ele est� muito interessado em meu livro
e n�o entende por que ele n�o vende.
Acabamos de voltar de Nova York e voc� vai jantar com o professor?
Ele sempre quer sair, acho que n�o suporta mais a esposa.
Onde comeram?
Em um restaurante que ele conhece de um amigo dele.
Voc� disse "o de sempre".
Sim, j� fomos l� v�rias vezes.
As meninas gostaram dos presentes?
Sim, muito.
O que est� lendo?
O �ltimo ensaio de Pietro.
E que tal?
S� li algumas p�ginas, mas achei excelente.
Falam muito bem dele, tanto no mundo acad�mico quanto fora.
"Para Elena, que me ensinou a amar com dor."
Acha que algu�m teria coragem de falar mal
de algo que um Airota escreveu?
Voc� est� com ci�mes.
- Como assim, com ci�mes? - Sim.
Nino, estou gr�vida.
E h� quanto tempo voc� sabe?
Desde Nova York, mas tive medo que voc� ficasse bravo.
Socorro!
� uma coisa linda.
Mas socorro!
Venha c�!
� uma coisa linda!
Voc� vai contar para a Eleonora?
Isso n�o � da conta dela.
Voc� ainda � o marido dela.
Isso � uma formalidade, voc� sabe.
Voc� ter� que colocar seu nome no nosso beb�.
- E eu vou. - N�o, voc� n�o vai.
Sim, eu vou.
N�o, voc� n�o vai.
Sim.
Voc� n�o vai, Nino.
Por qu�?
Vai continuar fingindo que nada est� acontecendo, como fez at� agora.
Me diga uma coisa.
Voc� n�o est� bem comigo?
Estou te negligenciando?
- N�o. - E ent�o?
Elena.
Minha vida � voc�.
Minha vida s�o suas filhas,
essa crian�a que vai chegar.
O resto...
Infelizmente, � um pano de fundo necess�rio.
Necess�rio para quem?
Para quem, para voc�?
Para mim, certamente n�o.
Voc� precisa confiar...
Voc� precisa confiar...
Diga isso de verdade.
Confie em mim.
As semanas seguintes foram dif�ceis para Lila.
Muitas vezes pensei que eu tinha sorte,
reagi naturalmente � gravidez.
Se tivesse sido como foi com Lila naquela �poca, eu n�o teria aguentado.
Seu organismo parecia estar resistindo,
ou pelo menos era o que ela dizia �s vezes.
Especialmente nos primeiros meses,
quando detestava certos cheiros,
vomitava constantemente
e acabava acreditando que o que estava l� dentro
tinha algo contra ela.
Voc� me disse in�meras vezes.
Sim, mas voc� nunca me ouve.
Voc� ligou para meu pai?
Liguei quatro vezes.
Quatro vezes? Quando?
Liguei ontem � noite.
Mas quando? N�o foi o que ele me disse.
Nino?
Nossa, oi.
Como vai?
Muito bem, e voc�?
Bem.
Ainda n�o d� para ver, mas em breve vou precisar de roupas novas.
Vamos ou eu mato essa vadia.
Vejo voc� mais tarde.
Ela me pediu para ir ao pediatra.
O que eu deveria fazer, n�o acompanh�-la?
Vi uma linda fam�lia dando um passeio.
N�o, voc� foi desnecessariamente provocativa.
- Fui? - Sim.
Foi pouco.
N�o disse a ela que o beb� � seu.
Eu perco meu tempo cozinhando para voc�,
lavando as roupas que voc� deixa pela casa,
eu te escuto sempre que voc� tem um problema na universidade,
estou sempre aqui.
Sempre aqui para te receber com alegria.
- Mas sua esposa � outra coisa. - Calma, Elena.
Vamos nos acalmar.
Quantas vezes tenho que te dizer?
Por que voc� n�o entende?
Voc�, e s� voc�, � minha esposa.
Eleonora n�o conta mais para nada.
Venha almo�ar amanh� com meus pais.
Quero que todos saibam o que voc� significa para mim.
Leste.
Vamos, Victoria.
Isso. Agora � sua vez.
Elena, venha. Tem caf�.
Tamb�m preciso me sentar.
Preciso descansar um pouco as pernas.
Mam�e, sente aqui. Vai ficar mais confort�vel.
N�o, n�o.
Quero ficar perto de Elena.
Estou muito feliz por esse beb� que est� a caminho.
Voc� est� linda.
E como Dede e Elsa s�o educadas.
Voc� tamb�m era assim.
Lembro que voc� estava sempre lendo
e, em vez de vir para a praia, voc� ficava lendo.
E � noite, para dormir, voc� me contava
o que leu como se fosse um conto de fadas.
Assim vai me fazer sentir velha.
Como velha, Elena?
Voc� est� linda e em boa forma.
Elena.
Elena.
- Venha. - Deixe-a em paz, Donato.
N�o � poss�vel que eu, uma garota, em Maronti,
estive com esse homem nojento.
Isso n�o pode ser verdade.
Venha aqui um instante.
Calvo, desgrenhado,
ao lado de Alfonso,
meu colega do Ensino M�dio que era t�o deliberadamente feminino.
Venha c�.
Venha.
E eu, na mesma sala que ele,
t�o diferente de quem fui em Ischia.
Que tempo foi esse?
Que tempo foi aquele?
Venha.
Sente-se um pouco conosco.
Essa mulher � uma grande estudiosa.
Uma escritora sem igual em todo o mundo.
Tenho orgulho de t�-la conhecido quando era uma garota.
Em Ischia,
quando veio passar f�rias conosco,
e ela era uma menina,
descobriu a literatura se aproximando de meus pobres versos.
Elena, � verdade que voc� lia meu livro � noite, antes de dormir?
� verdade, sim.
Eu n�o acreditava que conhecia algu�m que tinha escrito um livro de poesia
e que tamb�m escrevia nos jornais.
Agrade�o a voc� novamente pela bela resenha de meu romance.
Foi uma grande ajuda.
A inveja dos med�ocres impediu o reconhecimento que eu merecia.
� isso mesmo.
Desculpe, posso te dizer uma coisa?
Estou entediado com todas essas pessoas, vamos para nossa casa.
Sim, tudo bem.
Papai, vamos embora.
Meninas, vamos embora.
- N�o, vamos... - Sim, vamos embora.
- Tchau, Alfo. - Tchau, Elena.
Se cuide.
E sempre pega o �s.
Vamos.
A �gua deve estar morna, mesmo que seja ver�o e fa�a calor.
Ele n�o dormiu nada � noite e eu tamb�m n�o.
Veja como ele gosta.
Tente voc�.
- Segure a cabe�a. - Sim.
Isso mesmo, muito bem.
Oi, Marcello.
Muito obrigado, Elena.
Voc� n�o precisava vir.
Elisa devia aprender a fazer tudo sozinha.
Ou n�o?
Vou descer um pouco.
Pegue a toalha.
Voc� consegue.
Voc� me ouviu?
Voc� consegue.
Na esta��o de trem de Bolonha,
houve uma explos�o muito violenta.
Infelizmente, o n�mero de v�timas parece catastr�fico.
Pedimos desculpas pela confus�o,
acabamos de voltar do local do desastre
e � realmente chocante.
A explos�o de enorme pot�ncia
provocou a queda de uma parte do pr�dio
da esta��o central de Bolonha, na pra�a.
Estas s�o as primeiras imagens, ali eram...
Elena, atenda voc�.
...as salas de espera, primeira e segunda classe,
e ao lado da cabine, em que os agentes...
Elena, voc� pode atender?
...os bombeiros e a pol�cia tomaram medidas imediatas.
O pr�dio, como mencionamos, caiu 90 por cento...
Al�?
Dezenas de pessoas ficaram...
Sim, chame a ambul�ncia. J� estou indo para a�.
O que aconteceu?
Era o Peppe, a mam�e est� se sentindo mal.
Eu cuido disso, te ligo depois.
Me avise, Elena!
- Onde ela est�? - Elena!
- Aqui. - Mam�e!
Abra a janela para entrar um pouco de ar.
Ela n�o consegue respirar.
- Chamaram uma ambul�ncia? - Ainda n�o chegou.
- Traga um pouco de �gua com a��car. - Sim.
O que foi, Immacolata?
Vamos, mam�e.
Mam�e, n�o se preocupe. A ambul�ncia est� chegando.
N�o, Vittorio, n�o quero ir ao hospital. Eu te amo.
Calma, fique calma, Immacolata.
Tome.
Beba um gole de �gua, devagar.
Bem devagar.
Devagar, devagar.
Meu Deus, n�o quero ir ao hospital, j� estou me sentindo melhor.
Pare. Me ajudem a tir�-la daqui.
- Mas ela disse que est� melhor. - Vamos esperar o m�dico.
N�o atrapalhem e fa�am o que eu digo.
- Vamos. - Sim.
Gianni, segure-a.
Um, dois, tr�s, vamos.
Elena.
Voc� � minha �nica filha verdadeira.
S� me preocupei com voc� o tempo todo.
Sempre e somente com voc�.
E agora tenho que ver como se tornou pior do que eu!
Mam�e, estou seguindo em frente, n�o se preocupe.
N�o acho.
Voc� est� estagnada.
Voc� vai ver que te farei feliz.
Todos n�s te faremos feliz, tanto eu quanto meus irm�os.
Abandonei seus irm�os e me sinto envergonhada.
Isso n�o � verdade.
N�o falta nada para a Elisa,
Peppe e Gianni trabalham e ganham dinheiro, o que mais quer?
Quero corrigir as coisas.
Eu dei os tr�s para o Marcello e estava errada.
O Marcello � mais delinquente que o Michele,
arrastou meus filhos para o lixo.
Voc� se preocupa demais.
Eu me preocupo porque sei de coisas que voc� n�o sabe.
O bairro ficou muito pior, pergunte a Lila se n�o acredita em mim.
Ela � a �nica que pode resolver as coisas no bairro.
S� ela pode ter boas maneiras quando � necess�rio
e ser m� quando n�o h� alternativa.
Voc� precisa me fazer um favor.
Fale com Lila e Enzo, para ver se conseguem tir�-los das ruas,
se os levam para trabalhar com eles.
Mam�e, farei o que voc� quiser,
mas Peppe e Gianni, mesmo que Lila os aceitasse,
n�o iriam trabalhar para ela por pouco dinheiro.
Eles ganham mais com Solara.
Tente assim mesmo.
Voc� est� ausente h� muito tempo, n�o sabe como est�o as coisas aqui.
Mas todo mundo sabe que Lila dominou Michele Solara.
Se um dia decidir fazer isso, ela quebra as duas pernas dele.
Sra. Greco, como se sente?
Um pouco melhor, obrigada.
Se quiser me acompanhar, o m�dico chegou para voc�s conversarem.
Mas precisa se levantar e cal�ar os sapatos porque h� degraus.
Consegue andar?
Venha.
Est�o vendo isso?
Isso � claramente um carcinoma, e est� bem espalhado.
Ainda n�o sabemos exatamente o que �, saberemos com uma bi�psia.
Isso � uma coisa ruim?
Sim, infelizmente, � uma coisa ruim.
� poss�vel operar?
Precisamos avaliar, fazer outros exames
e esperar que os g�nglios linf�ticos n�o tenham sido afetados.
Precisamos saber se esse tumor � um tumor prim�rio
ou se trata de uma met�stase.
Outros �rg�os podem estar comprometidos?
Infelizmente, sim.
Estou morrendo.
Veja bem, Sra. Immacolata, seu quadro cl�nico � complexo,
precisamos fazer mais exames e decidir as terapias nos pr�ximos dias...
O anjo da morte j� me tocou quando eu era pequena.
Com exatamente o mesmo mal.
Est� falando da sua perna?
Acha que teve uma doen�a grave na perna?
Mas eu superei isso, mesmo sendo uma garotinha.
E vai ver que agora eu vou superar isso de novo.
Porque eu sei como sofrer,
aprendi isso quando tinha dez anos e nunca parei, Elena.
Quando voc� sabe como sofrer, o anjo da morte te respeita
e, depois de um tempo, ele vai embora.
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