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Biel?
Biel, acorda.
Biel?
Biel, v� l�.
Biel!
Biel, v� l�. Acorda.
Porque n�o est�s na sala de opera��es? V�o oper�-la agora.
- O qu�? - Biel, anda l�.
- Mas agora? - Sim.
- V�o oper�-la agora? - Sim.
N�o vai dar tempo, merda!
BASTA! GREVE J�!
ASSASSINOS
�REA CIR�RGICA
- Desculpa. - Onde estavas?
- Desculpa. N�o pensei... - Podemos concentrar-nos?
Bisturi.
Est�o �timos, malta. Quando acabarem, pendurem-nos nos corredores.
Estes s�o os folhetos para dar na rua.
Sinto mais massa tumoral. � pior do que parece na TAC.
Merda.
S�o 23h51.
Pedes ao teu interno que pare de dizer os minutos?
Todos sabemos ver um rel�gio.
Vamos precisar de pelo menos mais duas horas.
N�o, paramos j�.
- Paramos e pensamos no que fazer. - O que h� para pensar?
Diz ao teu chefe o que fazemos nestes casos.
- Bom... - N�o o metas nisto. � entre n�s.
Entre n�s?
Estamos aqui para salvar a vida da tua paciente, ou n�o?
N�o � uma guerra nossa.
N�o me lixes. Quem decidiu operar a esta hora?
Tu � que decidiste oper�-la de urg�ncia.
Como fazemos?
Em circunst�ncias normais, remover�amos o tecido canceroso.
Em circunst�ncia normais?
E n�o s�o circunst�ncias normais?
Sa�de p�blica!
Estamos no Hospital Joaqu�n Sorolla, em Val�ncia, onde � meia-noite
come�a uma greve do pessoal m�dico sem precedentes.
T�m no��o do que isto representa?
�s vezes, salvar vidas requer decis�es dr�sticas.
� o objetivo desta greve.
Os servi�os de urg�ncia perdem a paci�ncia!
GREVE INDEFINIDA
GREVE
Meia-noite, malta.
Vai come�ar a greve.
- Vamos fechar a paciente. - N�o. Vamos terminar a cirurgia.
O que fazemos?
Voltem �s vossas posi��es.
Pilar, estamos a operar h� demasiado tempo.
A paciente n�o aguenta mais stress.
Queres parar para n�o a submeter a mais stress?
N�o � devido � tua devo��o a esta greve absurda?
Eu vou ficar. Quem fica comigo?
Novato, fizeste um juramento de que o teu chefe j� n�o se lembra,
mas tu, sim.
"Salvar a vida do paciente acima de tudo."
� isso que fazemos, salvamos vidas.
Deixamos a pol�tica de fora.
Vais ou ficas?
Bebemos um copo em breve, sim?
Sim. Adeus!
Vou levar para a c�mara.
Ramiro!
Bom dia.
- O areeiro � fresco? - Se o auscultar, ainda respira!
- Onde est� a Rosa? N�o acredito em ti. - Rosa!
O doutor n�o acredita que o peixe � fresco.
Bom dia, Dr. Moa.
Mais gelo aqui!
Sou o Biel, o seu interno.
Claro. Como est�s? Podes tratar-me por tu. E fica aqui, podes ajudar.
Est� bem.
Ol�, doutor.
- Como est�s? - Muito bem.
- Posso ajudar? - O que tens para mim?
Ligaste-lhe, foi?
N�o o censures, foi por gostar de ti.
Posso ver o caro�o?
- N�o � nada. - Vamos ver.
- Sentes-te cansada? - O normal.
Com as horas que trabalhamos, n�o admira.
Vem ao hospital quando puderes. O meu interno mete-te l� dentro, certo?
Muito obrigada.
Vamos adiantando trabalho. Sabes picar?
Sim, passei um ver�o no Sud�o a recolher sangue.
Perfeito.
V�o l� para dentro, arrega�a a manga.
Que sorte! N�o vais encontrar um tipo mais giro para te tirar sangue.
Sim, l� giro, �.
Gostas de mero?
Malta, ainda fico mais algum tempo no hospital.
Estou c� h� 22 horas. Depois conto o meu turno.
Adoro-vos. Viva os profissionais de sa�de!
Se te apanham com essas bolas, est�s tramado.
O qu�? Tornou-se a minha imagem de marca. Agora pedem sempre.
Al�m disso, temos de trazer alguma alegria para o hospital, n�o?
O que est�s a fazer?
J� n�o sei se o admiras, ou se ele te excita.
O Moa? Claro que o excita. N�o v�s?
- Vai para o teu balne�rio. - T�m papel? J� n�o temos.
Deixa ver.
Olha para ele.
Com o crach� de sa�de p�blica.
- Sim, achas mal? - Eu?
Se fossem todos como ele...
N�o o defendas. Ele nem sabe como te chamas.
- Vamos. - Acidente de via��o.
Vamos!
- Com licen�a. - Desculpe.
Quatro feridos num acidente de via��o. Uma delas est� gr�vida.
- Est� na box 11. - Certo.
Biel, pede o relat�rio do 18 e vou contigo.
Rodri, vem comigo.
Estamos sentados h� mais de duas horas. Nem somos poucos.
Blanca, onde est�o os especialistas?
V�.
J� pass�mos por pior.
N�o olhes para mim.
- Os �rg�os est�o bem. - Sim?
O batimento card�aco... Os batimentos card�acos est�o fortes.
Tem a certeza?
- N�o tarda, ter� tr�s beb�s saud�veis. - Por pouco, apanhava-me, doutora.
Sim. Vai ter de deixar o trabalho, o internato...
Uma �tima ideia, engravidar agora.
Ouviu alguma coisa?
Eu n�o ouvi nada.
A paciente sofreu uma contus�o forte.
O cinto aparou o golpe, mas pode ter fraturado uma costela.
Demos-lhe Lorazepam para a acalmar.
- Ol�. - Ol�.
Bom dia.
- Pode tirar os �culos? - O qu�?
Os �culos, por favor.
N�o quer tir�-los para n�o ser reconhecida. � a...
Eu consigo ouvir.
Patricia Segura.
- Consigo ouvir tudo, estou aqui. - Patricia?
Sou o Biel. Biel de Felipe.
Meu Deus, Biel! O que fazes aqui?
- Terminei Medicina e... - Acabaste num hospital p�blico.
Pe�o desculpa.
Quase t�o desconcertante como eu estar aqui.
Porque eu, bem... Era o hospital mais pr�ximo.
Queria ir ao privado, mas acabei aqui.
Tentei convencer o pessoal da ambul�ncia e...
Est�s giro.
Bem, sempre foste.
Tu sempre foste giro.
Muito giro.
- Agora, um pouco mais. - Obrigado.
Deixa-nos a s�s?
Desculpa.
- Posso examinar-te? - Sim, claro. Examina-me.
Vejamos...
Est� a doer?
O que aconteceu?
N�o sei bem. A noite foi muito longa.
Um carro despistou-se... acho.
Ainda estou a processar. Como est� o teu pai?
Est� bom.
Foi o melhor chefe que j� tive.
O melhor chefe do mundo.
- Posso puxar isto para baixo? - O qu�?
Puxa.
N�o � preciso tanto.
Toca, querido, �s m�dico.
Desculpa.
N�o faz mal.
- Desculpa, � que a enfermeira... - Eu entendo.
Ela deu-me... n�o sei, um comprimido.
Sei l� o que me deu.
Patricia, fazes o autoexame?
- Desculpa? - N�o...
Tens um alto aqui
e outro aqui.
Vou chamar o Dr. Moa.
Quem?
� o melhor oncologista do hospital.
N�o, espera. Porqu� um oncologista?
Um momento.
Calma, amor, est� tudo bem. N�o adorme�as.
- Desculpe, pode v�-la? - Desculpe.
- Desculpe, pode ver a minha filha? - Vai ser vista ali.
Est� tudo bem.
Est� tudo bem, amor.
Lavem as m�os para se manterem saud�veis.
Tussam para o cotovelo e n�o para o ar.
- Usem m�scara... - Pode ver a minha filha?
- Custa-lhe respirar. - Claro.
Na rece��o disseram...
H� horas que esperamos para sermos atendidas.
- Certo. - Ela n�o est� a respirar! Entende?
H� imensa gente � espera e est� a fazer v�deos!
- O meu turno acabou. - Ela n�o respira!
- Calma. - Por favor, ajude-me!
Desculpe. Ele � meu interno.
Eu pedi-lhe que fizesse o v�deo para uma mi�da com cancro.
- Certo, doutor? - Sim.
- Doutora, precisam de si na box dez. - Sim, vou j�.
Por favor, examine-a. � r�pido. Por favor.
S� um segundo.
- Imploro-lhe, por favor. - S� um segundo.
- V� a paciente. - Eu? N�o sou pediatra.
Se ela esperar pelo pediatra, vais ter uma queixa.
V�-a. Falamos do v�deo depois.
E liga aos pais, por favor.
Andas a ignor�-los e n�o posso continuar a defender-te.
- Na box dez? - Sim.
Para onde levas essas toalhas? Diz-me que s�o para o lixo e n�o para lavar.
Ainda vamos pedir aos pacientes que as tragam de casa.
- H� quanto tempo lhe custa respirar? - H� uma semana.
Tenho-lhe dado Ventolin, mas n�o melhorou.
Houve alguma mudan�a na escola? Est� preocupada...
- O qu�? - N�o sei, talvez...
Se mais algu�m disser que a minha filha de 8 anos tem ansiedade
ou que � tudo da cabe�a dela, n�o respondo por mim, doutor.
Sim. Podemos descartar asma e alergias.
- Ela tem comido bem? - Pouco.
E antes custava-lhe comer?
Como assim?
Tem sinais de malnutri��o,
o que pode afetar o sistema imunit�rio.
N�o sei cuidar da minha filha, ent�o?
- Como? - � isso?
N�o lhe dou de comer? A culpa � minha? Sou m� m�e?
A minha filha tem dores no peito. Custa-lhe respirar.
Para a diagnosticar, tenho de saber todos os dados.
Ela come tudo? Latic�nios?
Legumes? Prote�na?
Que vergonha. N�o sabe o que dizer e s� lhe ocorre insultar-me?
Garanto que n�o � isso. Posso recomendar que continue o Ventolin.
Pois, muito obrigada, doutor.
- Vamos ver... - Muito obrigada.
O dia todo aqui com uma crian�a que n�o consegue respirar.
- Pode levar... - N�o, obrigada.
Vamos encontrar algu�m que nos leve a s�rio.
Sinais vitais muito baixos, quase n�o reage.
Avisaram o hospital que estamos a chegar?
Porra, o que consumiram?
Depressa, estamos a perd�-lo!
Vamos!
Marta, vai buscar os relat�rios, assim que entrarmos.
Vou busc�-los.
Vamos. Cuidado!
Porra. Ajuda-me, cara�as!
Vamos!
- O que lhe aconteceu? - Tens�o 7/4. Glasgow 7.
- Consumiu droga com ele. - N�o.
Levem-no para a reanima��o. Que droga era? Hero�na?
- GHB. - Mais um.
Vai acabar por vos matar.
N�o imaginam o perigo que � a merda dessa droga.
A tua cara �-me familiar. Trabalhas aqui?
Est�s a ter um ataque ou n�o queres dizer?
Quique?
N�o est�s de servi�o hoje. Est�s bem?
Sou interno. Trabalho aqui. Mas � melhor ir indo.
Nem penses.
Ficas a ajudar-me. Vou buscar o FAST.
Que pupilas s�o essas? O que consumiste, p�?
Quando nos atendem?
Quique, est� em paragem.
- Roc�o, est� em paragem! - D�-lhe 1 mg de adrenalina.
A dar 1 mg de adrenalina.
O que se passa?
Dei-lhe 1 mg de adrenalina, mas n�o reagiu.
Para qu�, se est� em fibrilha��o ventricular?
V�. Gel.
- Carrega a 300 joules. - Carregado.
Afastem-se!
Vai dormir para curar isso.
Fingimos que n�o estiveste c�.
Prometa-me que n�o vou sofrer.
Quando as coisas complicarem, injeta-me o que tiver de ser.
N�o quero saber da lei.
Morfina, ou o que for. Sen�o, vou comprar cavalo.
Rosa...
Vais ter os melhores cuidados paliativos.
Prometo.
Obrigada.
- Ent�o, querido, que cara � essa? - Ent�o?
Se � por a m�quina de caf� de Oncologia n�o funcionar, esta tamb�m n�o funciona.
Oxal� fosse s� isso o que n�o funciona neste hospital.
Acabo de declarar o estado terminal a uma paciente por n�o ser vista a tempo.
Tudo bem, estivemos sobrecarregados na pandemia
e perdi 30 % dos pacientes com cancro porque n�o se atreviam a vir c�.
Mas agora � o qu�?
Porque deixamos morrer pessoas t�o cedo?
N�o exageres, n�o � assim t�o mau.
Ele n�o est� a exagerar.
Pilar, olha para eles.
- Quantos turnos fizeram este m�s? - S�o pagos por isso.
Recebem uma mis�ria, e tu sabes disso.
Sim, est� tudo p�ssimo, vai tudo descambar...
- Como queiram. - Sim.
As pessoas queixam-se muito do servi�o de sa�de.
E que fazemos n�s?
Vemo-los, tratamo-los e salvamo-os quando podemos.
Est�o a dar cabo do Servi�o Nacional de Sa�de.
E, se n�o nos defendermos, Pilar,
se n�o dissermos "basta", v�o continuar a lixar-nos.
E como tencionas defender-te?
Pod�amos convocar uma greve por tempo indeterminado.
Mostrar o que � um pa�s sem m�dicos.
- Uma greve? - Sim.
Como todas as feitas em v�o
que � como se n�o existissem por causa dos servi�os m�nimos?
Talvez tenhamos de fazer uma sem prestar servi�os m�nimos.
Continua a sonhar, N�stor.
Pergunta-lhes porque � imposs�vel. A um dos novos.
Dr. Moa, tem um momento?
Ele j� te ajuda, mas, primeiro, responde-me a isto.
Porque nunca far�amos uma greve total?
N�o, respondo eu.
Basicamente, por duas raz�es.
Primeiro, porque embora se diga que n�s, m�dicos, somos solid�rios
e que far�amos tudo pelos outros,
na verdade, somos individualistas e narcisistas.
Cada um olha por si.
Segundo, porque, se fiz�ssemos uma greve geral,
ter�amos de deixar pacientes morrer.
E nenhum m�dico toleraria isso.
Porque fizemos um juramento.
"A vida dos nossos pacientes acima de tudo."
E sobretudo acima da pol�tica.
Por isso, n�o faremos greve.
� por isso que dev�amos ir.
- Estou? - � a m�e do �scar?
Sim, fala a m�e do �scar.
- O qu�? - Quando estiver est�vel, ser� levado.
Em que hospital?
O meu filho est� aqui?
O que lhe aconteceu?
Fizemos exames a tudo. Dizemos-te quando tivermos os resultados.
Mas, Pilar...
Sabemos que foi uma overdose.
O qu�?
N�o.
� imposs�vel.
Quem o trouxe? Onde estava?
N�o sabemos. Veio de ambul�ncia.
Com quem? Quero falar com eles.
Quero saber onde o apanharam. Quero saber tudo e j�.
O que v�s aqui?
Uma massa tumoral.
Pode ser benigno? N�o sei, calcifica��es finas.
Temos de fazer uma bi�psia, mas n�o estou muito otimista.
- Que merda... - O que foi?
Eu conhe�o-a.
� uma amiga. Bom, amiga de fam�lia.
- Patricia Segura? - Sim, � ela.
Se pudermos ser discretos...
Porque �s amigo da presidente da Generalitat?
Porque vem a um hospital p�blico se quer acabar com eles?
Enfim...
Temos de fazer mais exames.
J�.
Ol�, Sra. Segura. Sou o Dr. Moa. Como se sente?
Bom... Se me tivessem dito ontem quando estava com amigas
que hoje ia estar a fazer uma bi�psia para saber se tenho cancro,
n�o teria acreditado.
� muito para assimilar. Mas, no pior dos casos,
vamos dar gra�as ao acidente por permitir detetar cedo.
Bom, eu...
N�o quero ofender, mas... Ia sentir-me mais segura no Santa Ana.
- Prefiro ver caras conhecidas. - E a minha n�o?
N�o leves a mal, Biel.
Deita-te.
O Dr. Moa � um dos melhores oncologistas da Europa.
Se correr mal, o Santa Ana manda-te para c�.
� o que fazem os hospitais privados.
Certo.
N�o...
N�o leves t�o a s�rio a propaganda de esquerda. N�o te deixes levar.
Tenho um seguro �timo. Vou ser bem tratada, como sempre.
E n�o deve ser nada grave, certo, doutor?
- Biel, tu sabes faz�-lo. - Credo...
Muito bem. Vais sentir uma leve picada.
- Quase nada, n�o te preocupes. - N�o, vai doer.
� melhor ser sincero e dizer a verdade.
Quando sentir dor, saber� que � normal.
Vai ser sempre sincero?
Se tiver meses de vida, tamb�m me dir�?
Vamos ver o que diz a bi�psia.
N�o adianta pensar j� nisso.
- Est� algu�m? - Ol�!
- Onde est�o? - No terra�o. Anda c�.
- Trouxe mantimentos. - Boa.
Muito bem.
- Como vai isso? - Bem.
Que dias compridos! Nem sei a que cheiro.
A minha irm� acha-me o pior m�dico do mundo.
Bom, nem me considera m�dico.
Ora, Rodri. �s um novato, como todos n�s.
Perdeste o ogre da Dra. Amaro destro�ada com o filho.
Ai sim?
Trouxeram o filho para o hospital com uma broa daquelas.
Ela fez uma cena na Urg�ncia.
Quique, est� tudo bem? Est� sempre a fazer porcaria.
O que disseste, Rodri?
- Como se chama o mi�do? - O mi�do?
- Sim. - N�o fa�o ideia.
Estava hist�rica,
a jurar que ia matar a pessoa que tinha arranjado a droga ao filho.
- A desgra�ada estava um caco. - � normal, n�o?
O que se passa?
Ouve. Isto fica entre n�s, entendido?
Fui eu que levei o mi�do ao hospital.
Est�vamos numa festa de sexo e, de repente, desmaiou.
Aquela Roc�o viu-me com ele. Se contar � m�e, mata-me.
Comeste o filho de uma especialista. Os gays s�o mesmo kamikazes.
Que foi? N�o tens para onde ir?
- Isto � muito mais interessante. - Ouvi que estava todo pedrado.
� verdade?
Bem, ele tomou GHB, speeds, coca, tusi,
poppers, cristais, MDMA...
- Credo. - E algumas pilas.
- Incluindo a tua. - E aposto que sem preservativo.
Eu tomo a PrEP.
Boa. Todos sabemos que a PrEP evita hepatite, s�filis, gonorreia...
Viram se tinha doen�as ven�reas? Sabem que fodeu v�rios?
Rodri, a gonorreia n�o te p�e neste estado.
A hepatite, sim.
- Claro. - Pode afetar-lhe o f�gado.
O Rodri tem raz�o. Ainda dizes que n�o �s bom m�dico.
Vais ter de contar.
Pelo amor de Deus.
J� estou farto de estudar.
Vamos beber um copo ao bar de karaoke?
Fizeste-me um chup�o? Ficaste entusiasmado com o meu pesco�o.
E se fiz?
O meu namorado n�o vai gostar.
N�o sabia que tinhas namorado.
Quando bebo, esque�o-me.
Como est� o Rodri?
Ele n�o foi feito para isto. Talvez n�o o devesse proteger tanto.
Ele sabe como tratar os pacientes.
E hoje mostrou ter crit�rio e cabe�a.
Devias dar-lhe um voto de confian�a.
Ele n�o tem de ser igual a ti para ser um bom m�dico.
Estou?
Sim, est� est�vel.
Para j�, est� bem.
S�o urgentes. N�o as metas no sistema.
- D�-mas diretamente. - Rom�n?
- O que faz aqui t�o tarde? - Para mim, � cedo.
Quis vir mais cedo para rever uns casos
e, bom, Deus ajuda a quem madruga.
� melhor deixar Deus fora do hospital. Est� a ignorar-me desde ontem.
Doutora?
Tenho a certeza de que o seu filho vai ficar bem.
Vai ficar, sim.
Vou tratar disso.
- Com licen�a. - Desculpe.
Afastem-se, por favor.
Foda-se... Nunca mais sa�mos durante a semana.
Vai buscar algo para a ressaca. Sorri e as enfermeiras d�o-te tudo.
- Bom dia, rapazes! - Bom dia!
Divertiram-se ontem � noite?
#Demiss�o, #BezanaSegura,
#CarregaNoPedal. Boa.
#Demiss�o.
Emilio, chega, caramba!
J� ouvimos.
Como raio sabiam que eu estava b�bada?
A pol�cia divulgou o relat�rio?
N�o, espera... O hospital.
V�o pagar por isto.
Qual era o n�vel de �lcool no sangue?
Bastam duas cervejas, certo?
- Sim. - Bom, meus senhores.
Como damos a volta a isto? Ideias.
Pousem o croissant. N�o viemos comer.
Patricia?
Patricia, est�s connosco?
- Sim. - �timo.
Passa tudo por mim primeiro. T�m os vossos contactos, �timo.
Mas os jornais, a televis�o... Tudo por mim primeiro.
N�o tenho sido informado.
Temos v�rias op��es. Sugiro que sejamos agressivos, radicais.
Primeiro, quimioterapia para reduzir o tumor e, se conseguirmos, cirurgia.
Vou morrer, Biel?
Apanh�mos a tempo.
Que grande porra! Se for ao Santa Ana, operam-me amanh�.
Ningu�m a impede.
Pode pedir uma segunda opini�o. Sobretudo quando pode pagar.
Inacredit�vel.
Patricia, ouve. O melhor � seres tratada pelo Dr. Moa.
C�us...
Senhora presidente!
Senhora presidente!
� verdade que sofreu um acidente?
Consta que estava acima do limite legal de �lcool.
- � verdade? - Como est�?
Uma declara��o para La Vesprada d'Ana. Pode dizer porque foi hospitalizada?
Nada de declara��es. A senhora presidente tem de recuperar.
Senhora presidente, s� uma pergunta.
Sim, calma.
Primeiro, muito obrigada por terem vindo.
Eu sei...
... que ouviram as not�cias e estou bem.
Mas...
... quando me examinaram,
encontraram um caro�o na mama.
- Um caro�o? - Sim, um tumor.
Tem algum tipo de diagn�stico?
- Um tumor. - Vai manter a atividade pol�tica?
Os m�dicos dizem que o apanh�mos a tempo, que isso � o principal.
Por isso, devo precisar de algumas sess�es de quimioterapia
e talvez de ser operada.
Vai ser dif�cil,
mas nada que outras mulheres n�o tenham j� enfrentado.
E tamb�m tive a oportunidade de ver em primeira m�o
que todos os recursos que este governo investiu na preven��o compensaram.
Por isso, encorajo todas as mulheres a fazerem exames,
porque a preven��o salva vidas.
Temos de estar orgulhosos do nosso Servi�o Nacional de Sa�de
e dos nossos hospitais de Val�ncia,
pioneiros na tecnologia na Espanha e na Europa.
O nosso Servi�o Nacional de Sa�de funciona e melhor do que nunca,
apesar dos pessimismos e cr�ticas.
Encorajo as mulheres a virem fazer exames.
Desculpe, senhora presidente.
- Este � o Dr. Moa. - Por favor.
O meu oncologista. Talvez queira falar do diagn�stico.
N�o.
Pe�o a todas as mulheres que est�o a ouvir esta mensagem
que n�o venham fazer exames.
Queria pedir-vos o contr�rio, porque a preven��o salva vidas,
mas estamos assoberbados. N�o aguentamos. Sinto muito.
S�o os cuidados de sa�de a que estamos condenados.
A preven��o salva vidas, mas n�o a podemos praticar.
Sinto muito.
Qual � o estado da senhora presidente?
Senhora presidente!
Calma, sim?
- Um segundo. - Ent�o? O que se passa?
Menina, 8 anos. Dores no peito e custa-lhe respirar.
Ela estava a morrer e eu n�o sabia o que fazer.
Ela queria vir para c�. �s o tipo dos v�deos?
- Tem a satura��o muito baixa. - Box quatro.
E chama a Dra. Donoso.
Olha para o pulm�o esquerdo. Porque n�o fizeste um raio-X ontem?
- Sa�ram antes de a poder examinar. - E porqu�?
Ela estava a exigir que a vissem.
N�o sei o que aconteceu, mas tens um ar culpado.
Se queres ser levado a s�rio, porta-te como um m�dico a s�rio.
Menos redes sociais e mais proatividade.
Mostra-me que sabes algo. Que devemos fazer aqui?
Muito bem.
Ent�o...
Segundo os sintomas e as imagens da TAC,
pode ser fibrose qu�stica.
Temos de fazer mais exames, uma prova de suor e at� um teste gen�tico.
Tamb�m tem um pneumot�rax.
Primeiro, vai para a sala de opera��es e pomos-lhe um tubo.
Depois, logo se v�.
Informa a m�e, obt�m a autoriza��o, e fazemo-lo hoje.
Tem de ser j�. Desenrasca-te.
- Muito bem dito, N�stor. Obrigado. - Obrigado.
Nerea?
- Belo discurso! - Deixou as coisas bem claras.
- Vamos ver se ajuda. - De certeza.
O homem do momento! Despejaste tudo hoje.
Ficaram embevecidos.
Mas se o meu ex te vir, mata-te.
- N�stor! - Por falar no diabo...
O que est�s a tramar?
Deixei passar estes disparates dos novatos mas a ti, n�o.
- N�o � caso para tanto. - Leo, n�o.
Sabes a confus�o que fizeste? As chamadas que recebo?
Puseste o hospital sob os holofotes.
N�o me fa�as falar da tua carreira. Se pudesse, despedia-te j�.
Mas �s um kamikaze, est�s-te nas tintas.
A presidente j� n�o quer ser tratada aqui.
- J� n�o queria antes, Llu�s. - Tr�-la de volta.
Est�s a p�r em risco o emprego de todos os que trabalham aqui.
Sobretudo o teu, n�o �?
Agora que �s diretor do hospital, n�o � bom para ti.
N�o v�s por a�.
Olha, sabes o que � mais triste nisto tudo?
Se aquela mulher tinha alguma hip�tese de ficar boa, era contigo.
Mas, gra�as � tua bocarra, condenaste-a � morte.
ONCOLOGIA
Patricia, como est�s? Podemos falar?
Claro, vou abrir.
Obrigado.
Biel, n�o estava � tua espera.
Trouxe uma pessoa. N�o te zangues.
E ouve-o, por favor.
Esse senhor j� n�o � o meu m�dico. N�o tenho de o ouvir.
Entendo que n�o queiras que seja o teu m�dico depois do que fez,
mas ouve-o dois minutos.
Ele que me ou�a a mim.
N�o foi pelo que fizeste.
N�o foi por me teres apanhado desprevenida. A s�rio.
Estou habituada, caramba. N�o � isso.
Foi por me veres no meu momento mais vulner�vel
e me teres atirado aos le�es sem escr�pulos.
Diz-me... Como posso confiar em ti?
Como sei que vais ser m�dico e n�o sindicalista?
Patricia, ele s� quer saber dos pacientes, garanto-te.
Prometes-me que na minha recupera��o a cura ser� sempre o mais importante?
Prometo.
N�o acredito em ti.
Fecha a porta ao sair, Biel.
Como est� ela?
- Ligaste � tua m�e? - N�o atende.
- Deve ter o telem�vel no sil�ncio. - N�o sabes onde trabalha?
Trabalha num bar e limpa casas.
Est� sempre a mudar, n�o sei onde est�.
Est� muito doente. Vai melhorar com a cirurgia?
Vai.
Mas precisamos da autoriza��o de um progenitor.
Sen�o, n�o podemos operar.
Est� bem?
Consegui que seja operada daqui a duas horas. Tens a autoriza��o?
- Bom... - Sim.
Ela j� assinou.
Boa, �timo.
Queres participar na cirurgia?
Adorava.
Achas-te muito esperto?
Copio a assinatura da minha m�e na perfei��o.
N�o. Tens duas horas para obter a autoriza��o.
Mas ela vai autorizar que a operem.
Ora bem, se n�o a operarmos j�, morre.
- De certeza que a m�e autorizaria? - Claro, n�o?
O que fariam? Avan�ariam?
- N�o sei, Rodri. - A mi�da tem de ser operada.
O que � isso?
S�o as an�lises dele. N�o contem nada.
Merda. Deu positivo em tudo.
Gonorreia, hepatite, VIH.
- E tu a foder sem preservativo. - A quest�o n�o � essa.
N�o explica o que est� a causar isto. A hepatite n�o afeta o f�gado.
E se n�o forem as DST?
Disseste que desmaiou e caiu no ch�o.
Bateu com a cabe�a? Fizeram-lhe uma TAC?
� uma hemorragia.
Sim, � uma hemorragia.
E se for a causa do coma?
Pode ser.
Est� com hipertens�o e bradicardia. Avisa o neurocirurgi�o!
Saiam! Depressa!
Depressa!
�scar?
- O que aconteceu? - A TAC diz que tem um hematoma subdural.
- Quem pediu a TAC? - Precisa de uma craniotomia, j�!
Avisa a Dra. Donoso.
V�, por ali!
Et voil�.
Pronto.
Dra. Donoso, j� terminou? Precisam de si na sala de opera��es quatro.
- Agora? - � o filho da Dra. Amaro.
Por favor, doutora.
J� vou.
Toma.
S� falta inserir o tubo e suturar. Consegues?
- Consegues? - Sim.
Boa.
Bandeja, por favor.
J�sica, preciso que ajudes o Dr. Casta�o.
- O que aconteceu? - � um hematoma subdural.
Temos de come�ar. Cada minuto conta.
Por favor. � meu filho.
Bisturi.
Pin�a e separador.
Gazes.
Est� a sangrar muito.
- O INR est� controlado? - Sim, 0,9.
- De certeza? - Sim, doutora.
Est� tudo bem?
Mais gazes.
Eu marco e tu abres.
A tens�o est� a baixar, n�o demores muito.
N�o!
O que se passa, doutor?
Gazes!
Pin�as, bandeja e irriga��o com soro.
Temos de parar isto.
- Est� inst�vel. - Precisa de uma toracotomia.
D�-me o bisturi.
C�us, n�o vejo nada.
Gazes.
Est� a sangrar muito.
Bisturi 22.
Aspirador.
A hemorragia est� a fazer a tens�o cair.
Bomba de norepinefrina.
J�sica?
H� muito sangue.
Mais gazes!
Est� a perder muito sangue.
- O que fa�o? - Vamos perd�-la!
Rodrigo! V� l�!
N�o o posso manter assim muito tempo.
Est� limpo.
- Temos de suturar. Est� a perder sangue. - Temos de suturar.
- Vamos faz�-lo juntos. - O qu�?
Dois porta-agulhas com absorv�vel 4/0 e duas pin�as Adson sem dentes.
Um de cada lado.
Doutor, estamos a perd�-la!
N�o sei o que fazer.
Chama a minha irm�, a Dra. Donoso.
Est� em paragem. Iniciar RCP.
Meu Deus!
Algu�m tape a ferida! Por favor, Emi!
Dra. Donoso, o seu irm�o precisa de si.
Que v� outra pessoa.
Tu ficas aqui.
J�sica...
V� l�!
V� l�, foda-se!
N�o!
- N�o, por favor! - Perdemo-la, Rodrigo.
- N�o. - Perdemo-la.
Est� a estabilizar.
Obrigada.
Sinto muito.
Legendas: Carla Barroso
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