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Muito embora tenha estado, regularmente em circulação,
OS NIBELUNGOS nunca foi apresentado
em nenhuma versão alemã completa
quer seja por não restar nenhuma cópia de exibição completa,
ou cópia directamente extraída do negativo da câmara.
Este restauro fotoquímico foi realizado com negativos da câmara incompletos,
e também com cópias de arquivo.
O processo de colorização seguiu os métodos convencionais usados à época,
e é baseado nos processos técnicos de tintagem
produzindo-se a película a preto e branco,
e posterior colorização realizada num banho de corante.
Os intertítulos em alemão foram extraídos de cópias existentes
e restaurados digitalmente a partir dos seus negativos.
Os intertítulos em falta que foram reconstruídos
estão identificados com o logotipo Murnau-Stiftung.
Para esta edição em alta-definição, a imagem foi corrigida em diversas zonas,
e os defeitos mais evidentes foram retocados.
OS NIBELUNGOS
Realizador: Fritz Lang
Argumento: Thea von Harbou
Cinematografia: Carl Hoffmann e Günther Rittau
Cenografia e Construção: Otto Hunte
Colaboradores de Cenografia:
Erich Kettelhut e Karl Vollbrecht
Desenho do Dragão: Karl Vollbrecht
Figurinos: Paul Gerd Guderian
Maquilhagem: Otto Genath
Música: Gottfried Huppertz
Elenco:
Rainha Ute: Gertrud Arnold
Kriemhild: Margarete Schon
Hanna Ralph
Siegfried: Paul Richter
Rei Gunther: Theodor Loos
Gerenot: Hans Carl Muller
Giselher: Erwin Biswanger
Volkervon Alzey: Bernard Goetzke
Hagen Tronje: Hans Adalbert Schlettow
Dankwart: Hardy von Frangois
Mime, o Ferreiro: Georg John
Alberich, o Nibelungo: Georg Joh
A Donzela Rune: Frida Richard
O Padre: Georg Jurowski
O Nobre Rapaz: Iris Roberts
OS NIBELUNGOS
Dedicado ao Povo Alemão
Canto I
De como Siegfried matou o dragão.
Então falou Mime, o hábil ferreiro:
Parta para sua casa, para Xanten,
Siegfried, filho do Rei Siegmund!!
Já não tenho mais nada a ensinar-lhe!
Já ouvisteis falar alguma vez
do castelo de Worms do Reno e...
dos reis que nele reinam?
Quero partir para conquistar Kriemhild.
Mostrai-me o caminho até Worms ou perderás a vida.
Que tenhas uma boa viagem, Siegfried filho de Siegmund!
Jamais chegarás a Worms!
Então Siegfried, o jovem, entendeu a canção que o pássaro cantava:
Aquele que se banhar no sangue do animal...
será invulnerável e imune a golpes e estocadas.
Assim termina o Canto I
Canto II
De como Volker cantou sobre Siegfried para Kriemhild e...
como Siegfried chegou a Worms.
Então cantou Volker. O violino soou:
Aquele que matou o dragão, o filho de Siegmund
entrou no reino dos Nibelungos.
Venceu a luta e matou o dragão.
Não tem rival em toda a terra.
Então falou Alberich o Nibelungo:
Poupai-me a vida em troca do meu capuz mágico, meu herói!
Far-te-á invisível e permitir-te-á adoptar qualquer forma!
Poupai a minha vida e fará-lo-ei o Rei mais rico na terra!
Os Nibelungos forjam a coroa do soberano das terras boreais...
o Rei dos gigantes do gelo.
Nenhuma espada do mundo se pode comparar a Balmung.
Os Nibelungos forjaram-na em fogo de sangue.
Que a herança se converta em maldição para o herdeiro!
Em pedra se converta aquele que na pedra crê.
Assim cantou Volker. O violino soou:
Então ficou Siegfried, aquele que matou o dragão, o...
dono e senhor do tesouro dos Nibelungos.
Doze reinos subjugou o forte.
Doze reis foram seus vassalos.
Então falou Kriemhild, filha de Ute:
Volker, aceitai esta capa
que eu mesma bordei com minhas mãos...
como agradecimento pelo seu canto!
Siegfried, o filho do Rei Siegmund,
aguarda às portas do castelo...
com doze dos seus cavaleiros
e solicita uma audiência
com o Rei Gunther!
Então Hagen Tronje falou:
Deixai que, aquele que matou o dragão, siga... Rei Gunter!
Negai-lhe as boas-vindas!
Que ninguém possa dizer jamais que em Worms
não sabemos como se saúdam os reis!
Siegfried, o filho do Rei Siegmund,
será bem-vindo!
A noite passada tive um mau sonho...
E neste momento este sonho invade os meus pensamentos!
Rei Gunther, venho pedir-lhe a mão de sua irmã!
O Rei Gunter, também,
O Rei Gunther também deseja casar-se, e...
aspira por uma donzela
poderosa e audaz...
Brunhild é o seu nome,
e é cingida com a coroa da Islândia.
O seu castelo rodeado de chamas...
torna-se invencível nas terras da Aurora Boreal.
Porque me lembras de Brunhild, se sabes que só o herói mais forte,
aquele que a vencer três vezes, poderá possuí-la?
Siegfried, o herói,
aquele a que nenhum outro se iguala...
chegou em boa hora a Worms!
Ele pode ajudar-nos a conquistar Brunhild para vós!
Doze reis são meus vassalos.
Jamais fui vassalo de um rei e...
jamais o serei!
Prepare-se para ir em busca da noiva, Rei Gunther, pois...
Siegfried, o forte herói,
conquistará Brunhild para si.
Assim termina o Canto II
Canto III
De como Siegfried conquistou Brunhild para Gunther.
Heróis estrangeiros chegam de barco a suas praias.
Os estrangeiros aproximam-se do lago de chamas.
Quando o mais forte chegar, as chamas extinguir-se-ão.
Preparai-me, donzelas!
Será uma luta como jamais foi visto!
Bem-vindo herói, para a luta pela vida e pela morte.
Nem para a vida nem para a morte, pretendo a sua mão, Brunhild!
É o Rei Gunther quem a corteja!
Antes que anoiteça, Rei Gunther,
as suas armas destroçadas adornarão a minha sala!
Rei Gunther, conceda-me permissão
para avisar os barcos que...
antes do anoitecer chegarás para empreender o regresso a casa...
com Brunhild, a sua prometida real!
Que a tripla luta comece, Rei Gunther!
Deverá vencer-me três vezes, rei:
No lançamento da pedra,
no salto em comprimento,
e no arremesso da lança.
Animai-vos, rei!
Lançarei a pedra por vós!
E o sustentarei no salto!
Assim termina o Canto III
Canto IV
De como Brunhild chegou a Worms e de como os reis se casaram.
Preparem as bodas! O barco do rei já se aproxima!
Chegámos ao nosso destino, minha rainha!
É o homem que me venceu por três vezes na luta?
Sou sua prisioneira! Jamais serei sua mulher!
Cumpra a sua palavra, Rei Gunther, como cumpri a minha!
Se Kriemhild aceitar, herói, hoje celebraremos duplamente as bodas!
Desde quando é costume entre reis...
entregar filhas de reis a seus vassalos?
Siegfried, o filho do Rei Siegmund,
não é meu vassalo.
Hoje mesmo, selaremos a nossa irmandade com sangue.
Rubro se mescla com sangue rubro.
Inseparáveis caem as gotas.
Que sucumba no caminho,
em desonra...
aquele que for desleal
com o seu irmão de sangue!
Brunhild pode ter sido vencida,
mas não foi dominada!
Deve o Rei de Burgundia converter-se em assunto de humilhação...
por culpa de uma mulher obstinada?
Execrável é aquilo que foi parcialmente feito.
Deixará desamparado o amigo
que lhe deu a própria irmã?
O capuz mágico transformá-lo-á
naquilo que quiserdes.
Vergue a resistência de Brunhild
adoptando a figura de Gunther!
Assim termina o Canto IV
Canto V
De como, seis luas depois das pompas
da boda de Siegfried
os tesouros dos Nibelungos
chegaram a Worms, e...
de como as rainhas discutiram entre elas.
Ó rei, o esplendor de Burgundia empalidece!
Grande falta lhe fazem os tesouros dos Nibelungos!
Seria loucura recusar
o que Siegfried fraternalmente lhe oferece.
E Kriemhild vale muito mais
do que todo o ouro do mundo.
Veja o que encontrei!
Tira a pulseira, Kriemhild,
a dona dos tesouros dos Nibelungos...
não precisa de ter aquilo
que guarda um vil segredo.
Kriemhild, escute como consegui a pulseira, mas... guarde segredo.
Os tesouros dos Nibelungos chegam à corte.
Rei Gunther, por quanto tempo pensa que Siegfried e Kriemhild...
permanecerão em Worms?
Eles ainda continuam aqui.
por desejo de minha mãe.
Estais vós, Brunhild,
disposta a substituir
a filha de Ute?
A honra de seu irmão
depende desta pulseira.
Nenhum ser humano jamais
deve voltar a vê-la!
Rei Gunther, parece-me que é chegada a hora
de concederdes permissão ao senhor Siegfried
para regressar a Xanten!
Nunca! Irá quando ele o decidir!
Vou às orações, filha minha! Venha comigo!
Quero ir à catedral com o séquito
e honrarias da Rainha da Burgundia.
A mulher de um vassalo não entra na catedral antes da Rainha da Burgundia!
Como ousas chamar deste modo Siegfried, meu esposo?
Siegfried apresentou-se a mim como um vassalo e servo de Gunther!
Exercia funções de servo para o meu esposo!
Vós... aquela que ele recusou...
aquela que ele obsequiou... ousais injuriar Siegfried?
Abram caminho à Rainha da Burgundia, esposa de um vassalo!
Reconheceis esta pulseira, Rainha da Burgundia?
Como é que esta pulseira chegou às suas mãos?
Aquele que, usando o capuz mágico, a venceu três vezes na figura de Gunther...
Siegfried, meu esposo, deu-ma de presente!
Ela disse a verdade?
Matai Siegfried!
Matai Siegfried!
A sua indiscrição, herói, foi pior que um assassinato!
Matai Siegfried!
Siegfried está a salvo da sua vingança! Ele, que matou o dragão, é invulnerável.
Excepto onde pousou a folha de tília, ali também o alcançará o aço!
Rei Gunther, deixe nas minhas mãos aquele que matou o dragão!
Selámos a nossa amizade com sangue!
Devo matá-lo apesar de ele me ter sido sempre leal?
Aquele que me tomou a pulseira...
também me tomou como sua mulher!
Tomou a minha virgindade!
Avisa os Burgundios, Tronje, que os convido para uma caçada!
Para matar um cão raivoso... um lobo feroz.
Assim termina o Canto V
Canto VI
De como Gunther rompeu a sua lealdade a Siegfried.
Consegueis guardar um segredo, Kriemhild?
Uma vez quebrei um voto de silêncio. Não voltarei a fazê-lo, jamais!
A caça ao cervo pode facilmente tornar-se...
numa caçada a homens.
Recebi uma mensagem secreta
de que a guerra ameaça Burgundia.
Ainda bem, Kriemhild,
que tenhais por esposo aquele que matou o dragão, o invulnerável.
Quem me garantirá que no fragor da luta...
por uma fatal coincidência...
uma lança não o alcance onde pousou a folha de tília?
Se desejais que o proteja,
preciso de conhecer o sítio
onde o invencível é vulnerável.
Vós, o mais leal dos leais,
não me aconselhas mal!
Eu mesma vos marcarei o ponto,
com uma pequena cruz!
Venho despedir-me, Brunhild.
Estamos a reunir-nos para uma caçada,
no bosque de Odenwald.
Lembrai-vos de meu juramento, Rei Gunther:
Não comerei nem beberei...
até que seja reparada a minha desonra!
Oh, meu amado senhor, não saias do meu lado!
Na última noite sonhei
que um javali enfurecido vos despedaçava.
Oh, meu amado senhor, não me deixes!
Sonhei algo mais, ainda:
Duas montanhas caíam sobre vós!
Hoje mesmo reconciliar-me-ei com Gunther...
a quem o destino transformou em inimigo.
Mãe, sinto como se o meu coração sangrasse.
A caçada no bosque de Odenwald durou desde manhã até ao pôr do sol.
Um punhado de ouro vermelho por um trago de vinho branco!
Quebrou-se uma das rodas do carro que trazia o vinho.
Mas, sei onde há uma fonte fresca, herói!
Sempre ouvi exaltando-vos,
como o mais ágil dos homens.
Se vos aprouver, faremos uma corrida,
vós e eu,
pelo primeiro trago.
Gunther, meu irmão, voltemos a ser amigos!
Quanto regressardes da fonte!
Então falou o cruel Hagen: A caçada terminou!
Assim termina o Canto VI
Canto VII
De como Kriemhild jurou vingar-se
de Hagen Tronje
Estais livre do vosso juramento, Brunhild,
Siegfried está morto.
Bem-aventurado sejas, Rei Gunther.
Pelas mentiras de uma mulher...
desteis a morte ao vosso mais leal amigo!
Clamo por justiça, Rei Gunther!
Hagen Tronje matou o meu esposo!
Lealdade por lealdade, Kriemhild!
A sua acção é a nossa!
O seu destino é o nosso!
O nosso peito, o seu escudo!
Ainda que vos escondeis atrás de meus parentes...
ou nos altares de Deus, ou no fim do mundo...
não escapareis à minha vingança,
Hagen Tronje!
Comunicai ao Rei Gunther, meu irmão, que...
a Rainha da Burgundia morreu!
Assim termina a lenda de Siegfried.
Restauro:
Com a colaboração de:
Os parceiros seguintes também contribuíram no restauro:
Laboratório de restauro de filme:
Consultor de qualidade de imagem e tintagem:
Banda sonora original:
Reconstrução e sincronização:
Música em ZDF/Arte Edition
Gravado com:
Director musical:
Edição de som:
Edição sincronizada:
Engenheiro de som:
Produção musical de:
Editoriais
Director de produção:
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