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Voou sobre a minha casa, h� umas semanas.
Colossal.
Encheu os c�us, a s�rio.
Fez a terra estremecer.
Sim, � canja.
� o Vulcan.
Esta � toda a hist�ria
sobre um dos mais admirados avi�es da Gr�-Bretanha e do seu �ltimo voo.
O Avro Vulcan era o avi�o que protegia a na��o,
um �cone da Guerra Fria projetado para lan�ar
uma retalia��o nuclear em massa sobre a Uni�o Sovi�tica.
Atualmente, existe apenas um Vulcan capaz de voar,
mas sendo agora demasiado dispendioso mant�-lo,
esta obra-prima da tecnologia est� prestes a aterrar para sempre.
VOO FINAL
S�o 30 anos ap�s a reforma,
ent�o, n�o podemos dizer com 100 % de confian�a que vai correr tudo bem.
Estamos em territ�rio desconhecido.
Na minha dire��o, Guy.
Guy Martin obteve acesso privilegiado
para ajudar a preparar o avi�o para a sua miss�o mais ambiciosa,
uma viagem de despedida de 1600 km, pela Gr�-Bretanha.
- Meu Deus. � lindo. - Brilhante.
Ele vai experimentar a rara honra de voar numa forma��o do Vulcan.
Creio que podia ter saltado para o Vulcan e apenas...
Estava mesmo muito perto.
E ele tornar-se-� num dos poucos civis
que alguma vez controlou um avi�o militar.
- Tem o controlo. - Obrigado.
Foi um pouco mais do que sacar um cavalo.
Os bombardeiros nucleares Vulcan partiram de lugares como este.
O Aeroporto Robin Hood, pr�ximo de Duncaster, foi uma base da RAF.
Dos 136 Vulcans constru�dos, apenas um continua a voar.
� aqui que ele est�, no seu hangar da Guerra Fria dos anos 50.
JULHO DE 2015
Adoramos um novo projeto. Adoramos um novo trabalho.
Matr�cula: XH558.
Nome: Spirit of Great Britain.
� um grande avi�o.
Esta � a primeira vez que o Guy v� um Vulcan de perto.
Olhem para isto. � enorme. � do tamanho do c�u.
Quarenta e cinco toneladas, com os dep�sitos vazios.
Noventa e tr�s toneladas, cheio de combust�vel.
Tem catorze dep�sitos de combust�vel.
N�o consegue, mas quase atinge a velocidade do som.
Cerca de 1130 km por hora. � um grande avi�o.
O Vulcan foi um extraordin�rio passo em frente.
O conceito foi concebido em 1947, por Roy Chadwick,
cujo outro c�lebre bombardeiro, o Lancaster,
tinha entrado ao servi�o havia apenas cinco anos.
Passar de um bombardeiro Lancaster para isto no espa�o de cinco anos?
� totalmente diferente. N�o se pode comparar.
Poder-se-ia dizer que � um salto qu�ntico.
Eu n�o usaria essa palavra. Ainda n�o pensei na palavra que usaria.
Mas � apenas... um daqueles momentos.
Quem teve esta ideia? � um daqueles momentos.
Olhem para isto.
Tem a estrutura de um ca�a, mas pode lan�ar bombas nucleares.
H� quatro meses de exibi��es a�reas, antes do �ltimo voo do 558
e o Guy come�a o trabalho a apresentar-se ao seu novo chefe.
Ouvimos falar muito sobre o Taff. Ele � gal�s, n�o �?
Ele � gal�s. Eu j� devia saber.
Kevin "Taff" Stone � o engenheiro chefe do 558.
- Como est�? - Prazer em conhec�-lo. Sou o Guy.
- Prazer em conhec�-lo. - Qual � o plano?
Este � o homem respons�vel por manter o Vulcan a voar,
desde que passou o prazo de validade.
Ent�o, se uma asa cair, a culpa � sua.
Sim. Eu poderia ser considerado culpado em tribunal e ir para a cadeia.
Ele sabe que poderia ser preso por cinco anos.
E ent�o, antes que o Guy se possa aproximar do 558...
Estamos realmente num aer�dromo vivo e ativo.
... o Taff insiste em algum treino essencial.
Inicia��o em cuidados de seguran�a.
Sou um socorrista, se houver algum problema, posso ajudar.
- Exatamente. - E, claro, n�o nos embebedamos.
N�o sou muito bom nisso.
Mas isso n�o interessa.
Se isso significa poder trabalhar num Vulcan, ent�o, empenho-me.
Taff � um ex-engenheiro da RAF, extremamente experiente.
Trabalhou nos Vulcans durante 30 anos,
e voou com os Red Arrows como t�cnico de apoio.
- Existem assentos ejet�veis. - Certo.
O 558 � o seu orgulho e alegria.
Ele � temperamental, exige grande manuten��o, mas adoro-o.
ENGENHEIRO CHEFE
� um avi�o com uma engenharia adequada.
N�o h� caixas negras para nos dizer o que est� mal.
� preciso conhecer e sentir o avi�o.
- � a nossa introdu��o. - Acabada a introdu��o, podem come�ar.
Sim.
Aguentem. Para cima.
O primeiro trabalho � importante, testar os motores do 558.
O que est� a acontecer?
O Taff requisita a ajuda do Guy para a primeira etapa crucial do trabalho.
Uma manivela, portas de seis toneladas. L� vamos n�s.
- Certo, vou come�ar, ent�o. - Vamos l�.
- Assim. - Assim. Est� a...
- Uma porta com seis toneladas. - Sim.
Est� cheia de balastro, das explos�es das bombas.
- A s�rio? - Sim. J� chega, Guy.
Este procedimento de manuten��o � realizado a cada 20 horas de voo
e tem sido feito desde que o Vulcan entrou ao servi�o, h� 59 anos.
Hoje, � a �ltima vez que ser� feito, enquanto ainda voar.
As empresas que fazem as verifica��es anuais de seguran�a do 558
j� n�o t�m as necess�rias compet�ncias dos anos 50,
por isso, no final do ano, a licen�a para voar n�o ser� renovada.
Eu n�o estou ansioso que isso aconte�a.
Queremos sempre ser os melhores
e queremos continuar a s�-lo at� ao fim
e depois pensamos: "Mas n�o quero que seja o fim."
S� queremos continuar, tanto quanto nos for poss�vel.
Parece que estamos a cair num abismo.
Foi feito para voar e est�o a livrar-se do melhor bombardeiro brit�nico de sempre.
T�CNICO DE MOTORES
H� algo de errado nisto.
Pronto.
� isto.
Isto � um motor a jato para ligar os motores a jato.
Estamos prontos, Sam.
- A ligar o motor quatro. - Master ligado.
- A igni��o est� ligada. - Ar para o motor quatro.
Bot�o para dentro.
Depois de ligado, cada motor � verificado � pot�ncia m�xima.
Sugando 100 quilos de ar por segundo, gera o lend�rio uivo do Vulcan.
O HOMEM CONSTRUIU ISTO!
As verifica��es em terra correram bem. A desligar. Sem combust�vel.
Ele bebe muito, rapazes. Bebe mesmo muito.
Obrigado a todos. Est� tudo completo. Correu tudo bem.
Tudo bem, o ch�o estava a tremer, mas, al�m disso,
mexeu-me com as entranhas.
� um daqueles... Nunca senti nada assim.
Mas, sim, passou no teste. Estamos mais perto de um voo final.
Vai ser emocionante.
Este deslumbrante avi�o foi inteiramente projetado e constru�do na Gr�-Bretanha.
Foi a primeira m�quina brit�nica da era at�mica.
E, no entanto, come�ou como um humilde esbo�o num jornal.
Quando a Segunda Guerra Mundial acabou, come�ou a Guerra Fria.
Perante uma Uni�o Sovi�tica cada vez mais hostil,
o primeiro-ministro trabalhista, Clement Attlee,
encomendou um programa de bombas at�micas, o dissuasor nuclear da Gr�-Bretanha.
Isto deixou o Minist�rio do Abastecimento
com o problema de saber como entregar este dissuasor.
Eles procuravam um avi�o capaz de transportar
uma carga nuclear de cinco toneladas para Moscovo, em menos de tr�s horas,
a voar ao dobro da altura de qualquer coisa que l� passara,
de modo a evitar as defesas russas.
A A.V. Roe, de Manchester, respondeu ao desafio.
O diretor t�cnico, Roy Chadwick,
percebeu que as asas convencionais n�o estariam � altura da tarefa.
Em vez disso, sugeriu uma radical asa delta triangular.
� um grande esfor�o para o levantar, porque a asa tem uma �rea enorme.
Torna a fuselagem muito inflex�vel,
porque est� unida num corpo �nico
e h� uma �rea muito grande para armazenar gasolina.
Ou combust�vel. Diz-se combust�vel.
Os esbo�os de Chadwick tornaram-se planos para um avi�o feito em torno de uma bomba.
Uma tripula��o de cinco homens, foi quase uma ideia posterior.
Tem de dar uma olhada aqui.
H� alguma luz? Ser� que a c�mara vai apanhar isto?
� aconchegante, companheiro.
Certo.
O que temos aqui �...
Aqui fica o piloto, o n�mero um.
Aqui, o copiloto.
Este sou eu, nas escadas, e n�o h� espa�o.
H� muito pouco espa�o.
Aqui fica o operador eletr�nico.
Ele trata da parte el�trica do avi�o
e h� muitas coisas el�tricas por aqui.
Agora, o navegador, ele tem em conta a rota do avi�o.
E aqui fica o navegador de combate. Ele trata do lan�amento das bombas.
Veja isto, no canto. V� isto?
Um lan�ador de bombas manual.
� um bot�o poderoso.
Ent�o, pensamos: "Certo, um, dois, tr�s, quatro, cinco."
E isto � o sistema de aquecimento
que levou 90 minutos a aquecer.
Faz circular o ar na c�mara do motor para aquec�-lo. Noventa minutos.
Partiste-me todo.
Mas ele est� ocupado.
Vou pressionar o bot�o.
No in�cio dos anos 80, a frota do Vulcan chegou ao fim de sua vida �til
e foi desmontada para sucata.
Mas o 558 recebeu uma suspens�o da execu��o,
quando foi comprado por um entusiasta particular.
Nesta tarde, na C�mara dos Comuns,
o Sr. Jonathan Aitken anunciar� a venda do Vulcan XH558
ao Sr. David Walton.
Sabe quanto ele pagou? Obtive a revista original
e a not�cia original.
Enfim, em 1992, ele pagou 25 000 libras.
Assim, de repente, pensa-se: "C�us, 25 000.
Ter um Vulcan por 25 000 libras. �timo."
Mas depois temos de pensar: "Como explicar isto � nossa mulher?"
O 558 era agora uma pe�a de museu,
mas cinco anos depois, em 1997, um grande f� do Vulcan teve outras ideias.
Disse para mim: "Raios me partam, se este avi�o n�o voltar a voar."
CEO NA VULCAN TO THE SKY TRUST
Ainda agora sinto um arrepio na coluna.
Robert Pleming, um cadete da RAF empenhado,
f�sico nuclear, disc�pulo de Stephen Hawking,
e pioneiro em redes de computadores no in�cio da World Wide Web,
desistiu do seu sal�rio de executivo para tentar que o 558 voltasse a voar.
Era um enorme risco pessoal.
A DESPEDIDA DO VULCAN
Alguns dos meus amigos pensaram que eu estava louco.
O que, para ser franco, era uma explica��o plaus�vel.
Considero isto como o Evereste dos restauros de aeronaves, deve ser,
e �s vezes perguntava-me se eu viria ou n�o a ser o Mallory ou o Hillary.
Creio que tive a intui��o de um engenheiro, sem d�vida.
Desde os primeiros dias,
estava convencido de que poder�amos voltar a p�r o avi�o no ar,
mais baseado no instinto do que num real e firme conhecimento.
Pens�vamos que seria preciso cerca de 1,5 milh�es para restaurar o avi�o.
Veio a provar-se que est�vamos a subestimar os gastos.
O projeto estava perto da ru�na financeira
e, como �ltimo recurso, Pleming passou tr�s atarefados meses
a preparar uma candidatura para o Heritage Lottery Fund.
� isto, s�o dois volumes, 110 000 palavras,
do que � preciso para fazer um pedido de subven��o bem-sucedido � Lottery Fund.
Um romance bastante razo�vel.
Foram-lhes atribu�dos 2,7 milh�es de libras,
as doa��es p�blicas mais do que duplicaram este valor
e, em 2017, depois de 100 000 horas de trabalho,
o restauro mais complexo do mundo foi retirado do hangar.
O 558 foi rebocado diante do seu p�blico de admiradores,
rolou at� � pista,
fez o uivo familiar,
atingiu 187 quil�metros por hora
e voou pela primeira vez em 14 anos.
O avi�o tem sido uma estrela de espet�culos a�reos desde ent�o.
Tem tido um custo.
Acho que podia ter ganho muito mais dinheiro do que ganhei.
N�o sei se o stress causou ou n�o problemas de sa�de,
mas houve algumas complica��es de sa�de importantes ao longo do caminho.
Com certeza que valeu a pena. Sem d�vida.
Demos tanta alegria a tantas pessoas.
Um trabalho que se faz por gosto. Quanto custou?
N�o se pergunta, mas pensei que deveria perguntar.
T�nhamos de angariar, todos os anos, � volta
de 2 250 000 libras. - Dois milh�es e um quarto?
Bem, podemos levar o avi�o at� �s pessoas.
Somos vistos por cerca de dois a tr�s milh�es de pessoas por ano.
E isso d� uma libra por cada sorriso.
O Vulcan �, em grande parte, financiado pelo dinheiro p�blico
e participa em exibi��es durante cerca de 40 horas por ano.
S� a manuten��o, para manter o avi�o seguro,
ascende a uma conta anual de um milh�o de libras.
Nenhum dos servi�os de manuten��o do Vulcan � uma tarefa f�cil.
Verificar a fadiga da estrutura do avi�o, exige que ele seja levantado do ch�o.
Mas baix�-lo novamente
� um dos procedimentos mais arriscados que se pode realizar.
Guy ter� que prestar aten��o a tudo o que o chefe da equipa lhe disser.
Muito bem, vamos trabalhar.
Parece dram�tico dizer que se baixarmos o macaco muito depressa...
LONGARINA TRASEIRA
... daremos cabo do avi�o, mas � mesmo assim.
Assim que os suportes das asas s�o removidos,
o avi�o fica apoiado em macacos hidr�ulicos.
Quarenta e cinco toneladas de um inestim�vel avi�o
s�o equilibradas em apenas quatro pequenos pontos de eleva��o.
Se o descermos incorretamente e ele escorregar,
podemos destruir completamente o avi�o
ou entortar a sua estrutura.
Raios.
N�o h� estruturas sobresselentes,
ent�o, se ela entortasse o avi�o ficaria para sempre no ch�o.
Guy trabalhar� ao lado do ex-t�cnico da RAF, Ray Watts.
Ficaremos de olho no Mark. Os nossos dois descem juntos.
E os rapazes descem juntamente.
Em resumo, se houver alguma d�vida e n�o estiveres bem, gritas: "Parem."
E n�s os quatro pararemos.
Sim.
Iniciei-me neste trabalho dos 18 aos 22 anos
e � uma liga��o que permanece connosco.
Vai ser um dia triste, quando for o �ltimo voo.
Ver� muita gente aborrecida
e n�o quero falar nesse dia.
Todos juntos, para baixo.
Guy liberta lentamente a v�lvula e o procedimento minucioso come�a.
Acha que este ritmo � um pouco...
Est� �timo. Observamos esta, tamb�m. Observa as duas.
O Taff estava sentado no cockpit a observar o fio-de-prumo,
por isso, ele sabia se alguma das partes baixava demais ou de forma obl�qua.
� quando se pode entortar a estrutura, ent�o, todos descem os macacos calmamente.
- Descer apenas � frente. - Descer apenas � frente.
Est� bem, parar.
Conseguimos ouvir a estrutura a ranger.
O que foi aquilo?
Ningu�m entrou em p�nico e o Taff indica
qual a corre��o fracion�ria que � necess�ria.
O da frente direita desce apenas um.
O fio-de-prumo volta para o centro.
Parar.
Estes rapazes j� fizeram isto antes, por isso, estamos em boas m�os.
Trinta e cinco minutos ap�s o in�cio do processo,
o Vulcan desceu 45 cm e est� novamente seguro no ch�o.
Pousado. � isso, acab�mos.
- Agora tiramos o Vulcan do deck. - Muito bem, amigo.
Estou impressionado por me terem confiado o bot�o do macaco.
Mas tudo bem, n�s conseguimos faz�-lo.
Obrigado. Boa, Ray.
O design radical do Vulcan
depende de uma s�rie de sistemas el�tricos complexos para o ajudar a voar.
Embora sejam comuns hoje em dia,
quando foi feito o primeiro prot�tipo, nos anos 50, n�o estavam testados.
N�o havia programas de computador sofisticados naquela �poca
para nos dizer se ele ia voar ou fazer isto ou aquilo.
Era preciso constru�-lo e encontrar um piloto doido o bastante para pilot�-lo.
Esse homem era o elegante tenente-coronel Roly Falk.
PILOTO DE TESTES DO VULCAN
O Roly estava sempre impec�vel, com o seu fato cinzento.
Ele dizia: "Um avi�o deve estar t�o limpo como um carro.
N�o deve ser necess�rio vestir roupas de prote��o."
Em agosto de 1952, Falk avan�ou, para ver se um Vulcan de tamanho normal voaria.
Foram precisos cinco anos para chegar a este ponto.
O designer da Avro, Stuart Davies, desenvolveu o conceito delta
e testemunhou a viagem inaugural com a sua filha.
Eu tinha 12 anos e junt�mo-nos aos outros espetadores.
FILHA DO DESIGNER DO VULCAN
Uma grande expetativa.
Autorizado a rolar para a pista 26.
Ele provocou-nos um pouco,
porque ele fez um ou dois pequenos testes na pista
antes de fazer alguma coisa.
698, Woodford Tower, estamos autorizados a descolar.
E ent�o, este belo p�ssaro descolou
e todos pens�mos: "Uau."
Todo o condado de Cheshire parou. O tr�nsito, tudo parou...
CHEFE DA LINHA DE PRODU��O
... porque nunca tinham visto nada assim.
Pensaram que era extraterrestre.
Apareceu sobre a nova linha de montagem, aqui em Woodford,
e fez um tonneau como um ca�a.
N�o podia acreditar que um avi�o t�o pesado pudesse rodar sobre o seu eixo.
Partiu os vidros do telhado da nova linha de montagem.
e ficou assim por muito tempo, at� o telhado ter sido reparado.
Nunca me esqueci. Todos os trabalhadores o consideraram fant�stico.
O piloto submeteu-o a muitas manobras.
Nem todas elas foram manobras que lhe tinham pedido para fazer.
E lembro-me do meu pai ter dito: "Ele n�o devia ter feito aquilo."
Mas isto mostra qu�o bom era o avi�o.
Claro que o Roly era um excelente piloto,
mas ser um excelente piloto n�o garante que o avi�o seja perfeito.
� absolutamente vital que o avi�o seja pilotado
pelo pior piloto do esquadr�o e n�o apenas pelo melhor.
Ent�o, antes do avi�o ter sido entregue � RAF,
pilotos corajosos, como Tony Blackman, tiveram de test�-lo at� ao limite.
O Vulcan era particularmente emocionante
porque, � velocidade m�xima, perdia-se o controlo.
O avi�o tentava apenas mergulhar at� casa.
A Avro passou quatro anos a aperfei�oar o design,
usando o mais poss�vel tecnologia de ponta.
Como analisar ondas de choque em t�neis de vento e usar os primeiros computadores.
C�lculos que demorariam meses,
podem agora ser feitos em quest�es de minutos.
Foi o que foi incr�vel no Vulcan.
Apesar deste lament�vel procedimento,
transform�mo-lo num bombardeiro eficiente.
O Vulcan entrou ao servi�o em 1956,
mas a sua forma influenciou o design dos bombardeiros furtivos, 30 anos depois,
e os seus motores Rolls-Royce Olympus tornaram-se o cora��o do Concorde.
O meu pai orgulhava-se imenso disso
e sempre que o vi voar,
v�m-me as l�grimas aos olhos, penso no meu pai.
Estamos a v�-lo.
Guy Martin est� prestes a ver uma das exibi��es finais
do �ltimo Vulcan capaz de voar,
o lend�rio bombardeiro nuclear.
Ouve este som?
Ele faz este barulho entre 85 e 97 % da acelera��o.
N�o foi feito para fazer isto.
� o ar a fluir rapidamente pelos motores e pelas entradas.
� uma resson�ncia, como soprar no gargalo de uma garrafa.
N�o sei se ouve isto. Ele acelerou, l� em cima.
O uivo. Ouve-se um uivo.
A �nica coisa melhor do que assistir a uma exibi��o do Vulcan a partir do solo,
� v�-la a partir dos c�us.
A forma��o de acrobacia a�rea Blades voou v�rias vezes ao lado do 558
e assinalam isto, a sua �ltima exibi��o em conjunto,
convidando um Spitfire para se juntar � forma��o
e o Guy.
Muito bem, companheiro.
Vai ser pilotado por Myles Garland,
um dos mais jovens l�deres de esquadr�o do Red Arrows.
N�o sejas t�mida. A minha m�e n�o era.
Qual a maior loucura que fizeste?
- A maior loucura que fiz? - Sim.
Alguns segundos ap�s a descolagem,
o Guy est� muito perto da asa do Vulcan.
N�o creio que algu�m tenha chegado mais perto de um Vulcan em pleno voo
do que eu e o Myles.
Creio que poderia ter saltado para o Vulcan como um...
Sabe, eu... Eu podia... Estava mesmo muito perto.
Parecia que ia cair do c�u.
Mas n�o. �amos a 290 km por hora.
Olha para aquilo.
Raios.
Podemos ver o tamanho dele, em rela��o ao Spitfire.
O Spitfire � 20 anos mais velho do que o Vulcan,
mas ainda n�o est� perto da reforma.
O que nos leva a uma pergunta �bvia.
H� muitos Spitfires a voar. Por que raz�o o Vulcan n�o pode continuar?
Ele n�o � t�o simples, amigo.
Porque o Spitfire, os cabos, bielas e liga��es, podem ser feitos numa oficina,
mas o Vulcan n�o poderia estar mais longe disso.
Possui 23 km de cabos, mais de 100 000 pe�as
e sem controlos manuais, se houver alguma falha no sistema,
n�o pode planar at� ao solo.
Com as empresas que garantem a sua seguran�a,
a ficarem sem as antigas compet�ncias necess�rias � sua manuten��o,
o 558 tem de retirar-se.
O Vulcan vai acelerar agora, Guy. Podes querer film�-lo.
Perfeito.
Olhem para ele.
Sim, � o voo com a totalidade do Vulcan.
Mega. Perfeito, rapazes. Muito obrigado.
Provavelmente, sou a �ltima pessoa a chegar t�o perto de um Vulcan em voo.
Estou s� a dizer.
Apanhei tudo.
J� fez isto antes.
Isto nunca mais vai acontecer, pois n�o? Estou a ser lamechas.
Estive todo o tempo sentado a admirar a coisa,
apenas a admir�-lo.
Ainda estou a abanar a cabe�a.
Deem-me um minuto. V�o beber um ch�.
Pode ser um agrad�vel avi�o de exibi��es, hoje em dia,
mas o Vulcan foi projetado para ser uma m�quina de matar.
No auge da Guerra Fria,
era a pe�a central do QRA do Comando de Bombardeiros.
Mexam-se.
QRA significa alerta de rea��o r�pida,
um grupo especial pronto para executar rapidamente uma retalia��o em massa,
no caso de um ataque sovi�tico.
Cada esquadr�o Vulcan tinha de ter um avi�o carregado com uma arma nuclear,
preparado para partir, a qualquer momento, vinte e quatro horas por dia.
Aten��o. Daqui fala o Controlador dos Bombardeiros.
Autentica��o, Whiskey Nine Juliet.
Sempre que esta chamada ocorria, claro que o cora��o acelerava.
PILOTO DO VULCAN
Dorm�amos com os nossos fatos de aviador.
O objetivo era poder agir rapidamente...
OPERADOR ELETR�NICO DO VULCAN
... e chegar depressa ao avi�o.
Sab�amos que se nos atrapalh�ssemos, haveria...
NAVEGADOR DO VULCAN
... m�sseis a caminho do Reino Unido.
Tamb�m sab�amos que quando cheg�ssemos � Noruega,
n�o restaria muito do RU,
ent�o, �amos apenas fazer-lhes o que eles nos tinham feito.
Uma das coisas que t�nhamos de aceitar
era o facto de que poder�amos causar a morte
a centenas de milhares de pessoas em terra.
N�o � um pensamento agrad�vel e n�o gostaria de o ter feito,
PILOTO DO VULCAN
mas se tivesse sido necess�rio, t�-lo-ia feito.
De volta ao hangar do 558, o trabalho de manuten��o continua.
Guy ter� de inspecionar uma turbina no interior das entradas de ar.
Pensei que teria de ficar mergulhado em �leo
ou de ficar nu para entrar,
mas, na verdade, est� tudo bem, h� muito espa�o.
N�o sabemos o que pode rachar ou partir-se, a seguir,
ent�o, temos de estar atentos.
Procuramos fissuras nas l�minas.
Consegue ver o que estou a observar com a lanterna?
Se tivesse passado por aqui algum rebite ou algum p�ssaro
ou uma crian�a pequena, haveria marcas nas l�minas.
Ouve este barulho?
As l�minas t�m uma folga na base.
Quando isto aquece e ganha velocidade,
a for�a centr�fuga mant�m-nas apertadas.
� assim que devem estar. O problema � se n�o chocalharem.
Quinta-feira de manh�, sentado numa entrada de ar de um Vulcan?
O melhor trabalho de mec�nico.
N�o quero riscar nada.
Perfeito.
Est� tudo em ordem, tanto quanto pude ver. Vamos trabalhar.
Uma das tarefas que n�o fizemos...
Nenhuma tarefa est� completa at� que o chefe da equipa Taff a registe
no certificado de trabalho da Autoridade da Avia��o Civil.
Se quiser assinar por uma tarefa neste avi�o.
Perfeito. �timo. Muito obrigado.
Est� nos documentos oficiais, logo, eu sei a quem responsabilizar.
Est� tudo sob controle. N�o se preocupe.
O 558 est� apto a voar, por enquanto, mas h� um aspeto de seguran�a
que sempre ensombrou o Vulcan.
ASSENTO EJET�VEL
Enquanto o piloto e o copiloto tinham assentos ejet�veis,
o design n�o permitia adapt�-los aos assentos traseiros da tripula��o.
MEMBRO DA TRIPULA��O TRASEIRA
Mas para n�s fizeram assentos girat�rios
e tinham almofadas de apoio do assento.
Fico nesta posi��o, puxo esta alavanca ao lado,
que enche a almofada, como uma almofada insufl�vel.
E n�o conseguimos controlar.
Se for acionada, ejeta-nos para a entrada da cabine.
Claro que h� um problema, se o trem de aterragem estiver para baixo,
ent�o, mesmo atr�s da sa�da de emerg�ncia est� o trem dianteiro.
A roda est� a olhar para mim.
N�o vai ser bom para a nossa dentadura.
De alguma forma, tenho de descer e saltar nesta dire��o, desviando-me daquilo,
enquanto tento abrir o paraquedas.
Perd�o?
A melhor maneira de sair, � descer com as pernas abertas,
para que os p�s deslizem para fora at� aos bra�os hidr�ulicos da porta.
Depois, agarrarmo-nos ao bra�o a estibordo.
Estibordo? De que lado �?
E lan�amo-nos para fora, pelo lado da porta.
Espere. Tenho o meu sapato preso.
Na esperan�a de passar ao lado do trem de aterragem dianteiro.
Tenho de...
Agora, puxar o paraquedas e tentar desviar-me daquilo.
Mesmo que o trem n�o estivesse para baixo,
uma sa�da de emerg�ncia era extremamente perigosa.
N�o � totalmente adequado e n�o houve muita gente a sair, realmente.
Ao todo, houve 15 acidentes com Vulcans e, em dez deles,
todos os que sa�ram daquela maneira morreram.
As probabilidades n�o s�o altas. Posso entender.
Um dos membros da tripula��o de apoio, que teve de arriscar, foi Peter West.
Eu ouvi um estrondo. Bem, foi uma colis�o com p�ssaros.
Os dois motores da direita incendiaram-se
e pela primeira e �nica vez na minha carreira de quase 35 anos na RAF,
pressionei a tecla e enviei um pedido de socorro.
O avi�o era o 558, o Vulcan em que o Guy est� a trabalhar.
As pessoas disseram-me: "Meu Deus, o 558 quase te matou."
Pelo contr�rio, o 558 manteve-nos vivos.
Mesmo com um buraco na asa direita, o avi�o manteve-se no ar.
A dois meses da viagem de 1600 km, que o 558 far� pela Gr�-Bretanha,
a equipa est� confiante de que a estrutura se ir� aguentar bem.
Mas ele tem 55 anos
e como nenhum outro Vulcan voou por tanto tempo,
a equipa nunca sabe quando pode surgir um problema.
E no dia 5 de setembro, surgiu um.
Nos controlos estava
o piloto da companhia a�rea Virgin Atlantic, Bill Perrins.
Fizemos algumas exibi��es, est�vamos a preparar-nos para aterrar
no aeroporto de Prestwick, na Esc�cia,
PILOTO DO VULCAN
e o trem de aterragem n�o desceu completamente.
As filmagens de um observador captaram o trem da frente defeituoso.
Parecia imposs�vel aterrar em seguran�a e, com o combust�vel a esgotar-se,
o aeroporto deu in�cio aos protocolos de emerg�ncia.
Phil Davies estava no Vulcan, a trabalhar como operador eletr�nico.
Pensamos que entrou algum ar no sistema,
assim, o trem da frente desceu at� cerca de 70 graus.
OPERADOR ELETR�NICO DO VULCAN
Tent�mos contactar um avi�o militar brit�nico.
A RAF enviou-nos um Spitfire.
Pode dizer-me a sua velocidade, por favor? Estou � sua direita.
Ent�o, o Spitfire apareceu, voou ao lado dele
e confirmou que o trem n�o estava totalmente para baixo.
Parece que n�o desceu completamente.
Muito obrigado.
Decidimos ir at� ao mar para fazer descer o trem
e, subitamente, o velho avi�o decidiu que n�o queria aquilo
e, com um baque, o trem de aterragem baixou e trancou.
Vulcan, pista 3-0, livre para aterrar.
SERVI�O DE BOMBEIROS DO AEROPORTO
O trem da frente tinha descido,
mas ningu�m tinha a certeza de que aguentaria a press�o da aterragem.
Perrins manteve o nariz no ar at� ao �ltimo segundo
para tentar aterrar da forma mais suave poss�vel.
O avi�o tinha conseguido e, para o piloto, est� na hora do 558 se reformar.
Pessoalmente, creio que � o momento certo
para acabar com isto e encost�-lo.
Certamente, quando eu atingir uma idade equipar�vel,
n�o quero que me obriguem a fazer coisas que n�o quero fazer.
Quero apenas sentar-me no sof�, refilar e beber umas cervejas.
Muito obrigado a todos pela vossa paci�ncia, desligo.
Muito bem, Vulcan.
Existem apenas cinco pilotos qualificados para pilotar um Vulcan, atualmente,
e os regulamentos da avia��o pro�bem o transporte de passageiros.
Ent�o, s� existe uma forma do Guy poder experimentar um Vulcan.
Este � o XM655.
Embora n�o esteja em condi��es de voar,
est� suficientemente preservado para poder rolar... rapidamente.
Guy ter� permiss�o para experimentar isto no cockpit,
sentado ao lado do tenente-coronel Mike Pollitt.
Bom dia a todos. Deem as boas-vindas ao nosso novo piloto, Guy Martin.
Sim, sou eu.
Normalmente, h� quatro meses e meio de s�lidos estudos
e, depois, quatro ou cinco viagens antes que um copiloto possa fazer
o seu primeiro voo com a sua tripula��o,
ent�o isto ser� muito resumido para o seu treino de hoje.
- Feliz? - Sim.
- Quer descolar? - Se quero?
- Sim. - Ele quer.
Perderia todas as licen�as e iria a tribunal.
PILOTO DO VULCAN
E a Autoridade da Avia��o Civil dava cabo de mim.
- N�o valeria a pena? - Seria consigo a bordo.
Estes rapazes gostariam disso. Eu adoraria.
A ideia � perder velocidade imediatamente antes da descolagem,
usando a asa como um gigantesco freio aerodin�mico,
o significa que o Guy tem de seguir um conjunto muito preciso de instru��es.
Vai sentar-se no assento da direita, que � o do copiloto.
Vamos mostrar-lhe alguns dos interruptores.
que precisam ser usados no lado direito,
e vou salientar especificamente o indicador da velocidade do ar.
- E vai atingir 75 ou 80 n�s. - Certo.
Nessa altura, puxamos atr�s a manete da pot�ncia,
disparamos os freios aerodin�micos, levantamos o nariz
e, assim, a asa � exposta ao fluxo de ar.
- Para abrandar. - Sim, vai desacelerar.
J� ligou um motor a jato?
J� ligou um motor a jato?
- Definitivamente, n�o. - �timo.
- Estou s� a pensar. N�o. - Boa.
Vai ser uma honra, ensin�-lo a ligar um motor.
N�o, nunca.
- Eric, ligar o motor quatro. - Pronto o quatro.
A ligar, agora. L� vai ele.
Est� feito. Mais pot�ncia. Sim.
- Est� bem? - Est� a faz�-lo por intui��o. �timo.
Muito bem. Ligou o seu primeiro motor a jato.
Podem remover os cal�os e sair da frente, por favor.
Certo. Estamos prontos para avan�ar.
Pergunto se estou autorizado a entrar na pista principal.
- Est� autorizado. - Obrigado.
Ponha as m�os no manche. Isso mesmo.
- Este � o ASI, indica a velocidade. - Sim.
Mantenha-o debaixo de olho.
Avise-me, se vir algo estranho.
S� � permitido rolar � pot�ncia m�xima, por pouco tempo.
mas vai exigir toda a concentra��o do Guy
para ajudar o tenente-coronel Mike Pollitt a manter o Vulcan no ch�o.
Est�o todos bem?
Todos prontos aqui atr�s. Sem problemas.
- E estamos prontos para ir. - Certo.
Os motores s�o levados � pot�ncia certa.
Cinco segundos.
Vai.
Elevou-se um pouco.
Cinquenta, 55, 60, 65, 70, 75.
A 145 km por hora, puxam o manche para tr�s, para reduzir a velocidade.
O nariz eleva-se.
Um pouco antes da descolagem, eles baixam o nariz.
Creio que foi mais do que um cavalo.
Os freios aerodin�micos s�o acionados,
bem como os trav�es das rodas
e param o bombardeiro de 70 toneladas.
J� pode relaxar.
N�o h� muito espa�o para erros.
Mal consegui controlar a velocidade. H� muita acelera��o.
A experi�ncia do Guy n�o acaba aqui.
- O controlo � seu. - Obrigado.
O novo copiloto brit�nico � encarregado
de rolar este inestim�vel avi�o de volta � base.
Os pedais, o controlo das rodas e a pot�ncia s�o seus.
- O trav�o de m�o ainda est� ligado? - Est� desligado.
Sim, pode dar-lhe um pouco de pot�ncia.
E verifique a lateral.
Isso d�-lhe a perce��o da velocidade
e permite verificar se a ponta da asa est� livre de quaisquer obst�culos.
A cerca de 32 km por hora?
Mais perto dos 48, agora.
� quase t�o bom como conduzir um Scania, n�o �?
� a mesma coisa, exatamente.
Veja esta c�mara. Temos um lugar na linha central.
Ent�o, v� um pouco mais para a direita, Guy.
Est� bem.
V� curvando gradualmente, quando eu disser. Para a direita, agora.
Muito bem.
- Estou um pouco nervoso. - Bem, isto foi muito bom.
Um Vulcan de 70 toneladas.
Este rapaz nasceu para isto.
- Pare. - Sim. Freios acionados.
- Fant�stico. - Desligar motores.
Pode desligar os motores um e quatro, por favor, Guy? S�o os exteriores.
Est�o desligados.
Desligar o dois e o tr�s, por favor.
Fant�stico. Muito bem.
Foi muito bom.
Muito obrigado a todos.
Qual a opini�o do capit�o sobre o mais novo recruta do esquadr�o Vulcan?
Ele � bom. � mesmo bom.
Eu diria que se fiz�ssemos isto mais tr�s ou quatro vezes,
eu o deixaria fazer isto sozinho, depois. A s�rio, muito bom.
Os pilotos do Vulcan foram sempre rigorosamente treinados,
mas parecia que eles ou os seus avi�es nunca estariam em a��es de combate.
Em 1982, o tempo do Vulcan estava a acabar.
Ent�o, apenas tr�s meses antes de se reformar,
o velho e cansado bombardeiro foi finalmente chamado � a��o.
A Argentina tinha invadido as ilhas Malvinas,
os tanques sa�ram �s ruas e os avi�es tomaram
o local mais estrat�gico, o aer�dromo de Port Stanley.
A Gr�-Bretanha queria destruir-lhes a pista,
para que n�o pudesse ser usada pelos r�pidos jatos da Argentina.
Mas o desafio era usar bombas normais para atingir um alvo com 40 m de largura,
que estava a 12 900 km de casa.
Mesmo atacando do meio do caminho, de uma base na ilha da Ascens�o,
este seria o raid a�reo mais longo da hist�ria militar brit�nica.
Est�vamos longe de qualquer costa, ent�o, n�o pod�amos usar o nosso radar...
OPERADOR DE RADAR DO VULCAN
... assim, durante muito tempo, n�o sab�amos onde est�vamos,
sab�amos apenas, obviamente, que est�vamos a ir para sul.
O Vulcan precisava de mais de 136 400 litros de gasolina para cumprir a miss�o,
mas os seus dep�sitos s� podiam transportar 40 900 litros.
A �nica forma de obter combust�vel, t�o afastados de casa,
era com uma sucess�o de 11 avi�es de abastecimento
e um plano de abastecimento em voo muito complicado.
Eu nunca tinha visto nada assim.
Eu n�o entendia. N�o conseguia compreender.
Mas, felizmente, tinha Dick Russell ao meu lado direito.
PILOTO DO VULCAN
Virei-me para ele e disse: "Percebe disto?"
E ele disse: "Sim". Eu disse: "Gra�as a Deus".
O reabastecimento � muito, muito complicado.
Com pequenos movimentos da manete de pot�ncia...
PERITO EM REABASTECIMENTO DO VULCAN
... gradualmente aproximamos a nossa sonda da cesta da mangueira de abastecimento.
� mais f�cil dizer do que fazer.
A explica��o do piloto para o reabastecimento em voo foi
como tentar enfiar esparguete no traseiro de um gato.
Transpira-se e muito, por vezes.
�s vezes, existe turbul�ncia, o que vai tornar tudo ainda mais dif�cil.
� muito stressante.
H� tanta coisa que pode correr mal.
Se lan�asse aquilo � traseira do avi�o � sua frente,
ele provavelmente cairia, a sonda seria arrancada
e atingiria o seu avi�o, que provavelmente cairia.
Poderia complicar-se, mas gostamos de algum risco.
E n�o bastou reabastec�-lo uma s� vez, tiveram de o fazer sete vezes,
mas depois do reabastecimento final, eles perceberam que n�o era suficiente.
Estavam agora fora do alcance de qualquer outro avi�o de abastecimento.
Se continuassem a miss�o, provavelmente n�o regressariam a casa.
O Martin pensou nisso. Posso ouvi-lo agora.
Ele disse: "Eu n�o fiz todo este percurso para voltar atr�s."
Eu estava absolutamente determinado a continuar com aquele ataque.
Dirigindo-se para o alvo a 640 km por hora,
o computador de bombardeamento foi ligado,
uma calculadora mec�nica de 1940
que calculava para onde lan�ar a bomba, a 3 km de dist�ncia.
� genuinamente mec�nica.
A trajet�ria deve levar as bombas at� ao alvo.
� fascinante.
O sucesso da miss�o depende agora de Bob Wright.
� uma quest�o de pressionar o bot�o para que as bombas caiam do avi�o.
Finalmente, o contador chega a 21.
Eu disse: "Acabaram-se as bombas."
De um carregamento de 20 bombas de 54 quilos,
apenas uma atingiu a pista de aterragem, mas bastou
para os jatos n�o poderem usar a pista. Ent�o, a miss�o estava cumprida.
E hoje, 33 anos depois do seu melhor momento...
AEROPORTO ROBIN HOOD 10 DE OUTUBRO DE 2015
... ser� a viagem de despedida do Vulcan pela Gr�-Bretanha.
Mas depois de meses de planeamento,
o evento pode ter de ser cancelado devido ao espesso nevoeiro.
Consegue ver l� fora?
N�o, n�o consegue. � esse o problema.
Esperando o melhor,
a equipa decide preparar o seu querido avi�o para o voo.
H� quatro meses que o Guy se juntou � equipa em terra
para a ajudar a trabalhar neste emblem�tico aparelho.
Isto significa muito para estes rapazes
e quando se aperceberem, v�o ficar emocionados.
Sim, � como um amigo. Sinto-me doente.
T�CNICO DE ESTRUTURAS
Todas as recorda��es.
Como se vai sentir quando ele for arrumado?
Ele faz parte de n�s.
T�CNICO DE MOTORES
Vamos ficar tristes quando ele morrer.
- � comovente. - Sim?
PINTOR DE ESTRUTURAS
Somente o chefe da equipa, Taff, parece manter a cabe�a fria.
N�o.
S� n�o demonstro.
Antes do voo, ainda t�m tr�s de horas de trabalho pela frente.
Os sistemas pneum�ticos s�o reabastecidos.
Qualquer um pensaria que ele j� tinha feito isto.
Muito bem.
A press�o dos pneus � verificada
e o 558 � abastecido com combust�vel.
- Com licen�a. - Desculpe. Onde nos quer?
Para cima, gira no sentido dos ponteiros do rel�gio para o bloquear.
Leva 40 minutos...
N�O OBSTRUIR ABASTECIMENTO EM CURSO
... e custa 24 000 libras.
Uma hora antes da descolagem programada, o nevoeiro come�a a desaparecer.
O 558 pode ser entregue aos seus pilotos.
O que significa para si?
� a 63� vez que voo nele, nos �ltimos 5 anos,
tem de ser importante para mim.
E sei que gosta de m�quinas e de tecnologia,
quanto mais se aprende sobre ele, mais fant�stico se torna o design.
Sim, vou sentir saudades.
O capit�o Bill Perrins informa o Guy sobre a miss�o.
Vamos passar rapidamente a oeste de Harrogate.
- Depois, at� ao aeroporto de Newcastle. - O passeio certo.
Depois, todo este percurso pela costa nordeste,
para este de Edimburgo e para baixo, pelo Lake District,
que deve estar lindo hoje, n�o deve haver turbul�ncia.
- Qu�o baixo ir�? 152 metros? - A 153 metros. E depois...
- Gosto desta precis�o. - E ent�o vamos voar ...
- Sobre Woodford. - Certo.
O avi�o nasceu em Woodford. Nottingham, Derby e depois de volta aqui,
e aterrar. E � isto. - Meu Deus.
A �ltima vez. Muito triste.
Temos de apanhar um avi�o e voar.
Vamos a isso.
- Torre de Doncaster, Vulcan. - Boa tarde.
Posso ligar os motores?
Motores em a��o. Ligados.
Est�o todos bem?
Permiss�o para rolar.
Estou � espera do aceno do Taff.
Aqui est� ele.
Est� a acontecer.
Ficarei feliz quando ele descolar, saberei que o nosso trabalho foi bem feito.
O 558 est� prestes a come�ar a sua viagem mais ambiciosa,
onde ir� cobrir um total de mais de 1600 quil�metros.
E a� v�o eles.
Rota��o.
Trem recolhido.
Fiquei um pouco arrepiado.
Isto provoca uma emo��o curiosa, na verdade.
H� pessoas por todo o pa�s que estar�o a ver isto pela �ltima vez...
� um momento estranho.
O membro da tripula��o, Phil Davies,
garante que a viagem �pica seja pilotada com precis�o militar.
Estamos cinco segundos atrasados, em rela��o ao tempo programado.
O primeiro marco � a esta��o de radar da Guerra Fria, em Menwith Hill.
Os f�s est�o por todos os lados, com as suas c�maras.
Brilhante.
- Est� mesmo muita gente aqui. - Sim, as estradas est�o bloqueadas.
Surpreendente. Temos uma vista fant�stica.
A voar sobre Yorkshire Dales, a 402 quil�metros por hora,
o Vulcan logo alcan�a o rio Tyne
e est� autorizado a voar sobre o centro de Newcastle.
Muito obrigado. H� muita gente feliz aqui em baixo.
Uma hora ap�s a descolagem, chegam ao estu�rio do rio Forth
e ao famoso pico de Edimburgo, King Arthur's Seat.
� uma cidade espetacular, vista daqui.
- Sim, � not�vel. - Sim.
A quest�o �, quanto tempo levar�
at� eu ter de comer esta sande?
N�o costumas comer tartes?
Com mais de 50 locais para visitar,
o �ltimo Vulcan a voar estava a ter o que merecia.
O Vulcan era especial.
N�o h� mais nada como ele.
Todos v�o chorar l� em casa, posso assegurar,
e eu tamb�m, certamente.
Ver o 558 deixar de voar, vai ser uma perda triste para mim.
Vou lembrar-me dele com muito carinho.
Para mim, foi o melhor avi�o do mundo. Adorei-o.
Ele est� a voar lindamente. Isso � t�o triste.
Vamos ficar de luto.
A viagem foi um sucesso magn�fico, com 300 mil espetadores a assistir.
O voo final do Concorde n�o conseguiu isto.
- N�o, pois n�o? - Eu estava l�.
Lake District teve grandes multid�es nas margens de Windermere.
Sim, posso v�-lo agora, bem na frente.
H� muitas pessoas a agitar bandeiras. Lindo.
Passou por Manchester e pelo seu helic�ptero da pol�cia
e em Woodford, perto de Stockport, onde j� existiu uma f�brica
na qual os Vulcans eram projetados, constru�dos e postos a voar.
Faz mais barulho quando passares. D�-lhes esse espet�culo.
Ele tamb�m deu uma volta pelo Sul para completar a viagem,
passando pela Ponte de Severn, por Dover e pelo estu�rio do Tamisa,
antes de, finalmente, regressar a Doncaster,
onde o XH558, o Spirit of Great Britain.
permanecer� em terra para sempre.
Espero que tenha gostado, que tenha aprendido algo.
Aprendi muito.
Bem, � o m�ximo, n�o �?
Foi projetado aqui, constru�do aqui
e, depois, restaurado aqui.
Um grande feito.
Continuem.
Aquele � o Guy Martin.
Eu estava nervoso quando estava na pista, a sinalizar.
� um grande avi�o a vir na nossa dire��o. Eu n�o teria hip�tese.
- Foi uma boa sinaliza��o. - Maravilhosa.
Tem sido uma experi�ncia intensa.
Conheci muitas pessoas interessantes, com muita paix�o por este avi�o,
e isso foi �timo.
Espero que tenham ficado satisfeitos, porque acabou.
� isto. Ele nunca mais vai voar.
Legendas: Geny Pereira
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