All language subtitles for My.Brilliant.Friend.S04E02

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Original subtitles

D� uma olhada nisso.

� um espet�culo, n�o �?

E olhe aqui.

O sol entra por todos os lados.

Se voc� gostar, n�o precisa se preocupar com o aluguel.

Eu vou cuidar de tudo.

Acabaram de me oferecer um excelente trabalho,

que vai resolver os problemas econ�micos.

Quando pretendia me contar?

Pensei em te contar aqui. Voc� gostou ou n�o?

Acho que � perfeito.

Olhe.

O que h� de errado com voc� hoje?

Amanh� quero me encontrar com Eleonora.

Por qu�?

Tenho que falar com ela.

Quero saber o que ela sabe sobre n�s,

quando voc� saiu de casa, h� quanto tempo n�o dormem juntos.

Quero saber se o pai e a m�e dela sabem que seu casamento acabou.

Desculpe, por que n�o pergunta isso para mim?

Se algo n�o ficou claro para voc�, eu explico.

N�o, eu s� confio nela.

Voc� � um mentiroso.

De onde sa�ram essas hist�rias?

Chega, seu homem maldito.

Com quem acha que est� lidando?

N�o deixarei um imbecil como voc� se aproveitar de mim!

O que est� fazendo?

Calma. Vamos nos acalmar, por favor.

Vamos nos acalmar.

Vamos nos sentar.

Vamos nos acalmar, por favor.

Podemos nos sentar?

Vamos nos sentar e eu explicarei tudo.

Vamos nos sentar um pouco, por favor.

Bem...

Voc� sabe bem que, antes de ir para a Fran�a,

eu contei tudo a Eleonora,

mas, quando voltei, as coisas se complicaram muito,

porque Eleonora come�ou a agir como louca.

Ela come�ou a fazer coisas...

Uma vez, ela pegou uma faca e quis enfi�-la na barriga,

j� quis se dar um tiro.

Fiquei com muito medo e, no final, sim,

falei que n�o est�vamos mais juntos.

Mas, no final, ela percebeu que todas as minhas aus�ncias,

minhas desculpas inveross�meis eram para te ver.

Sabe o que ela fez?

Come�ou a fingir que nada estava acontecendo,

que acreditava que eu estava indo a confer�ncias,

e que eu n�o te via mais.

E agora vivemos nessa esp�cie de fic��o, entendeu?

E est� tudo �timo.

Tanto � verdade, que estou aqui.

Posso ficar com voc�, dormir com voc�, quando eu quero, viajo com voc�.

Ela sabe disso, mas se comporta como se n�o soubesse de nada.

Elena.

N�o quero dar desculpas a voc�,

s� quero que me entenda.

Voc� mentiu para mim e para ela.

Voc� n�o fez isso por amor a nenhuma das duas.

- N�o, isso n�o � verdade. - Sim, �.

Fez isso s� por voc�.

Porque voc� � um covarde

e n�o tem coragem de assumir suas decis�es.

Elena, posso ter errado, mas pe�o desculpas.

S� fiz isso para evitar uma trag�dia.

Juro que posso fazer o que quiser.

Podemos at� ter um apartamento juntos.

Se acabou.

CAP�TULO 26 DISPERS�O

Por que est� fazendo isso?

N�o me ligue aqui novamente.

Sim, tudo bem.

- Me deixe em paz por um tempo. - Como eu fa�o isso?

Nino, droga, pare com isso.

- Ent�o me diga... - Chega.

N�o, ent�o me diga o que posso fazer.

Voc� n�o entendeu nada, v� se danar!

Eu atendo.

- Al�? - � a Lila.

- Quero falar com a Elena. - Sim.

Vou cham�-la agora mesmo.

Sua amiga est� no telefone.

Al�?

Elena, como voc� est�?

O que voc� acha, Lila?

Voc� est� em Turim?

Sim, estou, para onde poderia ir?

Como voc� est�? N�o vai dizer nada?

Bem, estou �tima. N�o se preocupe.

Mas me diga uma coisa.

Estou ocupada.

Fique bem.

O que est� fazendo?

Estou tentando garantir que n�o diga mais vulgaridades em seu dialeto,

n�o � um espet�culo agrad�vel.

Me deixe em paz e cuide da sua vida.

- O que significa isso? - Voc� sabe.

Eu n�o sei de nada.

Pietro me disse que voc� teve amantes.

- Eu? - Sim, voc�.

N�o se fa�a de desentendida.

Eu assumi minha responsabilidade diante de todos,

mesmo diante de Dede e Elsa,

e pago as consequ�ncias das minhas atitudes.

Voc�, por outro lado, que se veste t�o bem, �...

� s� uma burguesa hip�crita que varre o lixo para debaixo do tapete.

Voc� � uma pessoa ruim.

N�o faz ideia do que significa

amar algu�m de verdade e renunciar a ele.

Voc� parece submissa, t�mida,

mas esconde um desejo de controlar tudo que nada pode mudar,

nem o estudo, nem os livros.

Tania!

Desculpe, senhora.

Eu s� lamento...

que as meninas n�o cres�am aqui.

Elas poderiam ter tentado n�o ser como voc�.

Tania, por favor,

ajude a Elena a fazer as malas dela e das meninas.

Farei isso sozinha.

Aten��o, trem chegando de Floren�a na plataforma tr�s.

Onde vamos dormir hoje?

- Quando vamos � casa dos av�s? - Estou com fome.

- Eu tamb�m. - Fiquem calmas.

Iremos para N�poles.

- Por qu�? - Porque sim.

Com o Nino?

O trem para N�poles sai da plataforma seis.

Vamos l�, mexam-se.

Eu tinha pensado em ir � casa de Nino e Eleonora sem aviso pr�vio

e dizer a eles que se minhas filhas e eu est�vamos naquela situa��o,

tamb�m era por culpa dele e que tinham que pagar por isso.

O trem para Mil�o parte da plataforma 19.

Eu queria que minha confus�o o atingisse,

que o envolvesse,

como estava me envolvendo.

O trem para Mil�o parte da plataforma 19.

- Venham. - Para onde estamos indo?

Depressa!

Esperem por mim!

Vamos, entrem.

Entrem, entrem.

Me ajude.

Entre, Elsa.

- Pode colocar a minha tamb�m? - Coloque voc�.

Estou com fome.

Uma coisa de cada vez.

Mam�e, pode nos dar os sandu�ches da vov�?

O trem a Mil�o est� prestes a partir.

Tome.

Solicitamos aos acompanhantes que des�am.

Por que estamos indo para Mil�o?

- Eu quero o de salame. - Esse � para mim.

- Mentira. - Cale a boca e coma o seu.

- Eu quero o seu! - � meu!

- Parem! - � meu.

Chega!

� meu!

Eu disse chega!

S� no trem eu entendi o motivo daquela mudan�a brusca de destino.

Apesar de tudo,

o amor estava se contorcendo ferozmente dentro de mim

e a pr�pria ideia de fazer mal ao Nino era repugnante.

Por mais que eu escrevesse e pensasse muito sobre a autonomia feminina agora,

eu n�o sabia como viver sem seu corpo, sua voz, sua intelig�ncia.

Foi terr�vel confessar isso a mim mesma,

eu ainda o queria, eu o amava mais do que minhas pr�prias filhas.

Vou mostrar a casa a elas.

- Oi. - Oi.

� direita fica a cozinha.

Aqui � outra sala, onde se pode comer.

E aqui est�o minhas tr�s amigas inglesas.

Infelizmente, v�o embora amanh�.

Oi.

- Oi. - Oi.

Elas s�o minhas amigas.

E o nosso quarto?

Ali.

Franco.

Sim?

Veja quem est� aqui.

Oi, Elena.

Oi.

Oi.

Como voc� est�?

- Bem... - Mam�e, venha ver!

Nossa, voc� � a Elsa!

E voc�, que � a maior, � a Dede.

Oi.

Como voc� � linda, Dede!

Fico feliz em te ver.

Eu tamb�m.

Mam�e, venha ver. Tem uma poltrona gigante.

Eu durmo aqui.

N�o, eu durmo ali.

Porque quero dormir ao lado da mam�e.

V�o pegar suas malas.

Temos que fazer a cama.

Faremos isso mais tarde.

Podem ficar pelo tempo que quiserem,

voc� sabe como � aqui.

E tamb�m sabe o quanto eu te amo.

Mas voc� agiu errado ao tratar minha m�e assim.

- Ela se comportou muito mal. - Agora.

Mas antes ela te ajudou.

Ela s� fez isso para o filho dela n�o ficar mal.

- Voc� � injusta. - N�o, sou clara.

Tamb�m quero ser clara, minha m�e � minha m�e.

Diga o que quiser sobre meu pai e meu irm�o, mas n�o se meta com ela.

Bem, aqui est�o os len��is e as toalhas.

E se precisarem de cobertores, pode peg�-los daqui.

O banheiro � ali.

E assim termina o tratamento para h�spedes.

A partir de agora, est�o em casa, podem fazer o que quiserem.

Come�o a colocar os len��is?

V�o lavar suas m�os, o banheiro � ali.

Al�?

Nino.

Elena.

Onde voc� est�?

Estou em Mil�o, na casa de Mariarosa.

Como em Mil�o?

Por que n�o veio para N�poles?

E o que vou fazer em N�poles?

Como, o que voc� vai fazer? Pode parar com isso?

Como posso viver sem voc�?

Estou te esperando h� um m�s.

Como voc� est� vivendo agora?

Elena, por favor, pare com isso!

Por que est� me respondendo assim?

Pouco a pouco as coisas v�o melhorar, acredite em mim.

Eu nunca mais dormi com Pietro.

Mas voc� continuou dormindo com Eleonora.

Elena, pode parar de ficar obcecada com isso?

Eu j� expliquei a voc�...

Sim, mas o que fa�o se voc� n�o voltar?

N�o aguento mais, Elena.

J� decidiu alguma coisa?

Sobre o qu�?

Sobre o qu�? E voc� me pergunta sobre o qu�?

- Al�? - Elena?

Me deixe explicar. Me deixe falar tamb�m.

Mam�e, est� frio, n�o quero mais.

Coma! Coma logo.

Como assim por que o aluguei?

V�o para o nosso quarto.

Elena, est� me ouvindo?

Sim, estou aqui.

Quero que voc� venha com suas filhas e venham morar na Via Petrarca.

Elas n�o podem morar a� para sempre.

Voc� se lembra como � bonito?

Eu voltei ontem, � cheio de luz.

E voc�?

Vou com voc�s.

Sim e depois?

E depois o qu�?

O qu�? Eleonora.

Elena, confie em mim, me ou�a.

Pouco a pouco, vou resolver tudo, prometo.

Juro a voc� pelo nosso amor.

Entendeu?

Entendeu?

Tenho que ir, estou ocupada. Tchau.

Vou me esconder aqui.

N�o conte a ningu�m.

Tudo bem, se esconda. Para baixo.

N�o tem ningu�m aqui.

Mas eu a ouvi entrando.

Est� enganada.

- Eu vou pegar voc�! - N�o!

Porque voc� sempre perde!

N�o, eu te deixo ganhar porque voc� � lenta!

Na maternidade, a mulher abandona seu corpo para seus filhos.

Ela se deixa ser devorada por eles e devemos nos rebelar contra isso.

Nenhuma mulher pode se considerar livre

se n�o tiver pleno conhecimento e controle de seu pr�prio corpo.

Essa � a quest�o que precisamos abordar.

Costumamos dizer isso sobre tudo,

mas nunca dizemos isso sobre a maternidade.

E como tenho a sorte de ter Elena Greco aqui em casa,

eu gostaria muito que ela tamb�m nos dissesse algo.

Vamos, Elena.

Eu poderia come�ar com Elsa Morante,

que diz que ningu�m pensa que uma m�e tem um corpo de mulher.

Para os filhos e filhas, as m�es t�m um corpo disforme.

N�s tamb�m achamos isso

e talvez ainda pensemos isso de nossas m�es,

e dev�amos nos envergonhar disso.

Aqui est�o minhas filhas, aqui est�o elas.

E talvez elas tamb�m pensem assim,

me vejam assim,

talvez mais velha do que santa.

Eu vou?

Sim.

Continue.

Se o corpo gera, e o que ele pode gerar,

� um corpo de feridas, de cicatrizes...

� a pol�cia.

Boa noite, podemos ajud�-los?

Boa noite, um inquilino reclamou.

De qu�?

Ele disse que tem gente fazendo barulho.

Estou com algumas amigas, estamos falando de maternidade.

N�o sei se isso pode ser definido como um esc�ndalo.

Acho que tamb�m n�o � muito tarde, j� que as meninas ainda est�o acordadas.

Mas gostaria que entrassem.

N�o � preciso, senhora.

Ou senhorita.

N�o conseguem decifrar o que sou, noiva, casada, solteira?

"Mariarosa" est� bom.

- Venham, venham. - N�o � necess�rio.

Sim, � importante.

Por favor, entrem.

Por aqui.

Por favor.

Mariarosa, voc� foi presa?

Por favor, encontrem um lugar.

Boa noite.

Boa noite.

Posso lhes garantir que minha tia � professora.

O nome dela � Mariarosa Airota e ela ensina Hist�ria da Arte.

Entendi.

Pod�amos pedir aos nossos amigos para nos contarem

sobre suas m�es, sobre como as percebiam

desde que eram pequenos.

Infelizmente, precisamos ir, estamos trabalhando.

Mas constatamos...

Constataram...

Obrigado por sua gentileza.

- De nada. - Ande.

- Boa noite. - Boa noite.

Certo, e ent�o?

Os bra�os dos plebeus devem sempre trabalhar

para encher as barrigas dos patr�cios ou haver� problemas.

Mas?

Mas?

Mas Menenius Agrippa trapaceia.

Desculpe...

Se a Elsa come, sua fome passa?

N�o.

N�o, nem para os plebeus,

porque seu trabalho termina na barriga dos patr�cios.

Desculpem, me atrasaram na editora.

E a Mariarosa?

Voltar� mais tarde com uma surpresa.

- Que surpresa? - O qu�?

Que surpresa?

Mais tarde.

Meu Deus, estou destru�da.

Est�o estudando?

Estou analisando o ap�logo, mas � uma estupidez.

- Por que diz isso? - Ele disse.

Franco!

Mam�e, diz que, se eu comer, voc� engorda.

- O que voc� est� dizendo? - � assim.

J� terminamos, certo?

- Me diga voc�. - Sim.

Sim.

Foi um dia exaustivo.

Elas podiam ter sido nossas.

Elas seriam alguns anos mais velhas.

Meninas, seu pai est� aqui.

A surpresa chegou.

- Como? - Papai!

Papai!

Aqui est�o voc�s!

Me deixem v�-las.

Que lindas, como cresceram!

- Oi, Elena. - Oi.

Vamos, venham.

Bem, como est�o por aqui?

Muito bem!

Vamos dormir quando queremos!

- Como assim? - � verdade!

N�s nos divertimos � noite. Sempre tem gente.

Mas nem sempre, n�o vamos exagerar.

Como fazem para levantar?

Quando nos levantamos, estudamos.

- � verdade que elas n�o v�o � escola? - Elas estudam aqui.

Uma vez, at� a pol�cia veio!

- A pol�cia em casa? - Sim, bem aqui.

E a Doriana?

Doriana?

- Como estudam aqui? - N�s as ajudamos.

� provis�rio, se elas ficarem, podemos organizar...

� provis�rio?

E quais s�o os crit�rios por tr�s de "� provis�rio"?

� assim que voc� e minha irm� vivem?

Eu vivo como eu quiser.

Quanto a elas, n�o parecem nem infelizes, nem ignorantes.

Um de n�s sempre as ajuda.

- Um de voc�s? - Quem estiver aqui.

Quem estiver aqui?

S�o duas irrespons�veis, sabia?

Voc� as tirou de uma casa onde tinham disciplina,

para virarem umas vagabundas.

O que quer fazer? Quer lev�-las com voc�?

Voc� e Doriana v�o cri�-las? Acha que n�o sou capaz?

O que voc� acha?

Elas podem viver em uma situa��o provis�ria?

Podem estudar com quem estiver aqui?

N�o podem ir � escola como as outras crian�as?

Calma, Pietro.

Desculpem se me intrometo,

mas eu tamb�m as ajudo a estudar �s vezes.

Claro, estudam com um de voc�s, quem estiver aqui,

e, �s vezes, elas t�m sorte e voc� est� aqui.

Posso te dizer que as meninas s�o boas, estudam o necess�rio

e seu n�vel de aprendizado � muito alto.

Elas precisam de uma vida normal.

N�o vou te dizer o que suas filhas precisam.

N�o. De fato, eu vou te dizer, eu digo.

Elas precisam de um m�todo, um crit�rio.

Esta casa est� cheia de gente, aqui tocam, discutem.

N�o pense que gosto disso, vivo o tempo todo trancado no quarto.

Mas isso tamb�m tem um crit�rio, Pietro.

Com certeza � passageiro.

Nem Elena nem as meninas ficar�o aqui muito tempo.

Mas se posso ser sincero,

acho que, quando elas forem mais velhas,

entre suas melhores lembran�as, estar�o os dias que passaram aqui,

na casa de Mariarosa.

� prov�vel que sim.

E eu n�o acharia isso errado.

Mas a pergunta que precisamos fazer �:

Elas conseguir�o voltar a ter uma vida normal?

Provavelmente nem os adultos conseguiriam,

imagine elas.

Na casa de seus pais elas t�m uma fam�lia,

mas aqui tamb�m.

E � mais divertido para elas.

Franco, n�o respondeu � minha pergunta.

Elas ser�o obrigadas, v�o resistir, mas depois v�o ceder.

Desculpem.

� que estou preocupado com voc�s, s� quero o melhor para voc�s.

Sua m�e e eu queremos o melhor para voc�s,

nisso concordamos.

Sim, � isso mesmo.

Pietro estava certo.

- Tchau. - Tchau.

A melhor coisa para minhas filhas era diferente do que eu queria acreditar.

Era justo que elas estivessem com outras crian�as,

que tivessem hor�rios, deveres de casa e colegas de classe.

Posso voltar para casa com voc�?

N�o fa�a birra.

Pode pelo menos me acompanhar l� dentro?

Amor, j� se passaram mais de duas semanas,

a professora disse que voc� tem que ser mais independente.

V�, eu fico olhando para voc�. V�.

Oi, Elsa.

V�, estou te olhando.

Eu vivi aqueles dias desprezando a mim mesma,

n�o conseguia tirar Nino da cabe�a.

Eu n�o o via h� quase tr�s meses

e admiti para mim mesma que sentia muita falta dele.

Eu sempre pensava nele.

At� as ruas da cidade me faziam imaginar

como teria sido se eu tivesse andado nelas com ele,

se estiv�ssemos voltando juntos depois de deixar as meninas na escola.

O que est� fazendo aqui?

Sa� de N�poles ontem � noite.

Elena, vamos conversar, estou ficando louco.

- Eu estou... - Me deixe em paz!

Elena!

Disse para me deixar em paz!

Se eu for embora, ser� um inferno, eu sei.

E qual seria o resultado?

Que eu n�o poderia viver uma vida tranquila com voc�.

Voc� tem que me ouvir, Elena.

Eu conhe�o a Eleonora,

sei o que pode acontecer.

O que voc� est� dizendo?

Estou dizendo que n�o posso deixar a Eleonora,

mas n�o posso viver sem voc�.

Ent�o eu entendi bem.

Voc� est� me propondo, como se fosse uma solu��o razo�vel,

sair do papel de amante

e aceitar ser uma esposa paralela.

N�o foi isso que eu disse, n�o � isso.

Sim, � isso.

N�o � bem assim!

V� embora! Volte para o lugar de onde veio!

Vim aqui para te contar uma coisa

que n�o quero que outros contem.

Diga.

Quer saber por que me comportei assim?

Porque a Eleonora est� gr�vida de sete meses.

E � por isso que � t�o dif�cil deix�-la agora.

Franco!

Franco.

Fa�a-o ir embora.

Por favor, fa�a-o ir embora.

Espere aqui.

- Venha. - Franco, fa�a-o ir embora.

Mande-o embora!

Sim, sim...

Tome.

Elena.

Sente-se, vamos.

Por favor, mande-o embora.

Franco, tire-o daqui.

A esposa dele est� gr�vida de sete meses,

ele mentiu para mim o tempo todo.

Est� tudo bem.

Ele n�o fugiu.

Ele veio at� aqui para te contar, viajou a noite toda.

Isso significa algo...

Significa que ele � um mentiroso,

que � superficial, que � incapaz de escolher.

Eu sei, voc� tem raz�o.

Voc� tem raz�o.

E se ele n�o conseguir te amar de outra forma?

Dane-se voc� tamb�m.

Tenho que me acostumar a viver sem voc�.

Agora � dif�cil.

Mas n�o posso viver sem voc�.

Voc� nunca consegue se separar de nada nem de ningu�m.

N�o, n�o � verdade.

Para ter voc�, preciso manter tudo.

V� embora.

O que vai fazer agora?

Por que a titia n�o jantou conosco?

A Mariarosa est� em Bordeaux, vai voltar daqui a alguns dias.

Onde fica Bordeaux?

Na Fran�a.

Mas Franco est� aqui.

Sim, Franco est�.

Mas se ele n�o saiu do quarto, significa que n�o est� com fome.

Terminaram?

V�o vestir seus pijamas.

Mam�e, j� estamos de pijama.

Mam�e desligada.

Franco trabalha com o qu�?

Escreve, estuda.

N�s nos conhecemos em Pisa, na universidade.

Ele me ensinou muitas coisas,

era o mais famoso da faculdade,

todos o seguiam.

Voc�s j� foram namorados?

Sim.

Sente-se e coma alguma coisa.

Coma, vai te fazer bem.

V�o brincar para l�.

O que voc� tem?

Como est� se saindo com a editora?

Assinei o contrato, mas ainda n�o escrevi nem uma palavra.

O editor quer que eu o publique o mais r�pido poss�vel.

Mas n�o consigo fazer isso.

Minha cabe�a est� em outro lugar, n�o consigo me concentrar.

�s vezes, me pergunto, por que tenho que escrever outro livro?

Isso n�o � autom�tico, n�o � um trabalho,

n�o faz sentido ter a obriga��o de fazer isso.

Em outro lugar, onde?

Voc� sabe onde.

Minha cabe�a est� em N�poles.

� onde o Nino est�.

Estou pensando em voltar para l�.

Se voc� o ama mais do que a si mesma, � melhor aceit�-lo como ele �,

com esposa, filhos,

e essa tend�ncia permanente de dormir com outras mulheres.

E as porcarias que ele � e ser� capaz de fazer.

Elena.

N�o h� nada a fazer.

O amor s� acaba quando podemos voltar a n�s mesmos

sem medo

nem repugn�ncia.

Por que est�o correndo?

Vamos, mam�e, preciso fazer xixi!

- Fa�a xixi nas cal�as, boba. - N�o a chame de "boba"!

Me deixe em paz.

E voc�, n�o fa�a xixi nas cal�as. Deixe-a em paz.

Dede!

Dede!

Pode me ajudar a arrumar a mesa, amor?

Podemos comer l� fora?

Sim.

Mam�e, veja.

Mam�e, estava na frente do quarto de Franco.

E por que voc� tirou de l�?

Voc�s fizeram muita bagun�a esses dias?

- N�o. - De jeito nenhum.

Bem, vamos deix�-lo em paz.

ELENA, N�O DEIXE AS MENINAS ENTRAREM.

Franco?

Franco?

Dede.

Dede.

Elsa.

Mariarosa.

Silvia.

Mirko.

Nino.

Nino.

Por qu�?

Eu gostaria de ter esperado antes de ir embora,

de ficar com a Mariarosa,

mas ela parou de ter uma atitude fraternal em rela��o a mim

e se tornou cada vez mais hostil.

Ela se irritava se as meninas faziam barulho ao brincar,

se irritava ainda mais se eu dava bronca pelas brincadeiras barulhentas.

Ent�o fiz as malas e voltei para N�poles.

Eleonora ainda estava gr�vida quando voltamos a nos amar.

E quando ela deu � luz uma garotinha chamada Lidia,

Nino e eu t�nhamos voltado a ser um casal de amantes

com seus pr�prios costumes,

uma linda casa, duas meninas e uma vida bem intensa.

Mas o que eu e minhas filhas faz�amos em N�poles?

N�s est�vamos l� s� para agradar o Nino?

Eu estava mentindo quando me apresentava como livre e independente?

E estava mentindo para meu p�blico, apesar de todas as palavras,

quando me deixava ser controlada por um homem

at� o ponto em que suas necessidades se impunham sobre as minhas

e as das minhas filhas?

Da Via Petrarca, o bairro parecia uma p�lida rocha ao longe.

Eu podia me dizer que era uma pessoa diferente agora,

que n�o tinha mais nada a ver comigo,

mas isso n�o era verdade, eu olhava sempre querendo v�-lo.

Eu sabia que n�o tinha mais desculpas, que havia chegado a hora de enfrent�-lo.

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