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Eu sou o maioral do tranv�a, que pela rua serena,
leve brancas a�ucenas despertando simpatias.
Com essa taritaria de minha modesta corneta,
brinde � mo�a sedutora, seu madrigal de alegria.
Gritavam as mo�as, adeus maioral, me d� o cravo que leva em sua lapela,
e eu muito contente dizia que sim, e todas as mo�as se lembram de mim.
Depois do regresso de minha ocupa��o, levo gravada sua boa inten��o
e sou um passado que quer retornar,
a ser o que foi, rel�quia de ontem.
Margarita!
De mil hist�rias que rondam minhas ins�nias,
hoje quis resgatar a de Aniceto.
N�o sei muito bem o porqu�, mas algo tem.
Mais que a hist�ria semelhante a um conto.
Morria j� o outono.
O ar j� cheirava a folhas queimadas.
E os vinhedos, passado o fragor da colheita, repousavam.
Esse entardecer, levantaram o acampamento
e foram embora os �ltimos ciganos.
Sem sua policromia e alvoro�o, minha cidadezinha...
...retomou sua cor, de terra branca e seca. E seu cheiro.
Sim... foi num outono.
Final de um outono quando o Aniceto e a Francisca se encontraram.
O c�u vai cair.
Sabe que sua cara me parece conhecida?
Mas n�o lembro de onde.
Trabalho no centro.
Vim ver como iam os ciganos.
E j� ia voltando.
Eu tamb�m vou para o centro...
Aniceto.
Compadre.
Compadre, vai me desculpar, mas...
fiquei sem grana.
N�o ser� problema.
Lindo o rel�gio...
Francisca!
Senhora.
Termine a� e v� dormir, filha.
Sim, sim. J� terminava, senhora.
Voc� gosta de galos?
Poderia te contar muitas coisas dos galos.
Sobretudo do meu... Valente e matador como nenhum outro.
V� este rel�gio?
Ganhei com ele...
S�o lindos, os galos.
Claro que... Tudo � quest�o de ideologia...
N�o?
Sim.
Como anda meu compadre?
Meu corpo... ria como uma pessoa.
Ent�o...
a padroeira se deu conta de que era uma bruxa...
e lhe gritou tr�s vezes:
"Venha pelo sal". "Venha pelo sal".
"E no outro dia, n�o vai mais am�-lo".
Veio a vizinha do lado, a pedir sal.
Era a vizinha?
Aniceto.
Aniceto.
Est� por amanhecer.
Me diga...
Voc� n�o se cala nunca?
Por?
N�o para de falar.
� que estou contente.
N�o quero dormir.
Compadre.
Venha.
Venha.
Me aceitaram.
N�o, n�o!
Tenho que ir, v�o me repreender.
N�o se chateia, n�?
N�o, santinha.
V�.
V� que est� linda!
- Tchau. - Tchau, santinha.
Sabe que sua cara me parece conhecida?
Mas n�o lembro de onde.
No Baile.
Dos municipais.
S�o todos os domingos.
De dia trabalho na quadrilha.
Voc� gosta de galos?
Poderia te contar muitas coisas dos galos.
Sobretudo do meu... Valente e matador como nenhum outro.
V� este rel�gio?
Ganhei com ele...
S�o lindos, os galos.
Claro que... Tudo � quest�o de ideologia...
N�o?
Como se chama?
Luc�a.
Luc�a.
Qu�?
Nada.
Que te amo!
Aniceto,
Te esperei a noite inteira sem dormir.
O que aconteceu?
Voc� precisa colocar cinza na lareira, para que n�o se resfrie.
Tem dinheiro na latinha.
Passei sua camisa, mas falta o bot�o de baixo.
Hoje trago um e ponho.
Se puder, passe pela loja de ferragens e me conte o que aconteceu.
Vou trabalhar.
Te amo. A Francisca.
Na manh�, era como a m�sica que vinha de longe.
"J� estamos no outono", se diz a Francisca,
ao ver que os ciganos haviam voltado.
Pensou em Aniceto, e sorriu esperan�osa.
Bom...
Tchau...
Tchau...
Quem � esse cara?
Um primo.
Que primo?
Um primo, cara.
Voc� tem que aprender...
Voc� n�o vai mais me ver.
Uma, cavalheiro.
J� volto.
Puta que pariu!
Que caralho vendo a este usur�rio filho da puta!
Compadre,
te pe�o a �ltima.
Teu velho?
Dormindo. Que voc� quer?
Diga a ele...
Diga a ele que vendo a cama.
- Est� dormindo. - Diga a ele.
Disse n�o. Cama n�s temos.
Que grosseiro, cara.
- Bom... Tchau. - N�o. Para, para, para...
Diga a ele...
Diga a ele que vendo o galo.
Quanto quer?
Uns 100.
T� bem.
Disse 60.
Como, 60?
� um galo vencedor.
� assim.
Est� bem.
Estes ciganos s�o todos ladr�es.
Passei...
Como anda, compadre?
Que me diz? Estou vivendo...
Compa, me traga neira e amendoim.
Que acha de minha gordinha?
Est� bem, hein?
Olhe o que poderia ter sido, compadre.
Como anda a branquinha?
O galo?
O galo est� bem, compadre.
Segue com a Luc�a?
Mais ou menos.
Por?
Ela rec�m saiu com um cara.
Uma louca!
Eu n�o vim por ela.
Depois de tudo, que Deus a ajude, n�?
Bom, compadre. Tchau. Depois nos vemos.
Tchau.
Vir a vender o galo...
por essa puta?
Por que n�o morri?
60...
Nem que fosse pra comer.
Usur�rio filho da puta.
Mando mat�-lo?
N�o, senhor.
Usur�rio...
Compadre!
Quem anda a�?
Compadre.
Aniceto.
Aniceto.
Est� por amanhecer.
Me diga...
Voc� n�o se cala nunca?
Por?
N�o para de falar.
� que estou contente.
N�o quero dormir.
Tradu��o: Leandro Afonso Ajustes by DanDee
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