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A Casa das Sete Tumbas
Cecilia, vamos à casa para ver como a boba alimenta os porcos.
Não, Clara. Eu não quero.
Por quê?
Não gosto daquela casa. Eu não quero ir.
E ao pombal?
Também não.
Podemos ver as pombas e os pombinhos.
Não, não. Vou embora.
Vamos.
Não. Não. Eu não quero ir.
Vamos. Não seja assim.
Não, não. Eu disse que não quero.
Como está você?
Alô.
Quem é?
Feliz, Feliz aniversário.
Obrigada.
Tome. Trouxe-lhe um pequeno presente. Escolhi como se fosse para mim.
- Obrigada. - Como está?
Bem.
"Estou preparando uma viagem para o 8 de abril,
Uma viagem de turismo para aposentados. Europa em julho..."
E já estou pensando nas férias de verão.
Como sempre, Cecilia fala e fala e você fica quieta.
É sempre o mesmo.
A casa.
As aulas de piano.
O passado é o meu refúgio, Cecilia.
Eu penso nisso.
Lembro-me de quando éramos crianças.
A cidade.
Lembra-se?
Sabe o que acho?
Você fica muito tempo sozinha,
presa nesta casa.
Também é minha culpa, fico meses sem vê-la.
Sim, você desaparece.
-Mas sempre lembra do meu aniversário. -Mas só até o quadragésimo, eu prometo!
Clara.
Clarita.
Você deveria ter um bebê.
Não.
Não, eu não quero.
Não. Filhos não.
Se Roberto continuar viajando assim...
Eu não quero.
Sabe de uma coisa?
Eu me apaixonei.
Sim.
Seu nome é Armando.
Ele é de Ramallo.
Quem?
Meu namorado.
- Armando! - Sim, Armando.
Você nunca falou dele.
Hmm...não, acho que não.
Mas se quer saber, eu te conto.
"Começamos brigando."
"Eu estava atravessando a rua. Estava chovendo."
"Um carro quase me atingiu. Tinha a cor do sangue."
"Um homem bonito estava dirigindo. Eu fiquei sem palavras..."
Eu atendo.
Garota, o rapaz da entrega da soda, sabe que está sozinha?
Por causa dos seus olhares.
Para mim nunca olhou.
Tem certeza de que quer se casar?
Tão certa que ele não terá chance de dizer não.
Ousaria entrar em sua casa?
Sim, por que não?
Mas você nunca quis chega perto daquela casa.
Eu não entendo.
Que casa?
Encontrei este envelope em casa. É seu?
Ah, que legal!
É uma fotografia.
Queria que visse o Armando. Olhe e me diga o que pensa.
Aqui.
Sexta-feira vou para Ramallo.
Estou com tanta vontade de vê-lo.
Não aguento mais.
Olhe para você.
Você não escalaria uma cerca por medo de rasgar seu vestido.
Vê como as pessoas mudam?
Quando criança era uma tola.
E agora mudei!
Mas espere. Não lhe disse a melhor parte.
Eu preparei uma surpresa para o Armando.
Vou um pouco antes para ver sua cidade.
E sua casa.
Sim. Vou para a casa dele.
Devia ter visto sua cara, foi divertido.
Queria ter tirado sua foto.
Eu saí e você foi embora. Por que não esperou?
Você estava se divertindo jogando tênis.
Não quis interromper.
Vamos. Diga-me. Quem é ela?
- Quem é ela? Vamos! - Quem é?
Sabe, eu amo sua pequena cidade.
Amor, você não acha isto um pouco bobo?
Hunh?
É absurdo você viver aqui e eu em Buenos Aires.
Nunca nos vemos. É terrível.
Vamos.
Vamos.
Me caso com você, Cecilia.
- Como assim? Tão de repente? - Sim.
Sim, já tive o suficiente. Eu quero viver com você.
Eu tenho que levar algumas mercadorias para Bragado.
Então, voltaremos.
E não importa nada e ninguém que não seja nós.
Não vá.
Eu sempre gostei de estradas de terra.
Que estranho.
Por que estranho? É uma casa.
Ei, amigo.
Oi.
Diga-me. Para onde esta estrada leva?
Quem sabe? Parece que nem Deus sabe.
Já que estão aqui. Perdão por incomodar.
Não tem um pouco de combustível?
A patroa não os suporta.
Tenho que queimar gatos quando a casa está cheia de ratos.
Ela não quer ver ninguém rondando a casa.
Saiam!
Por aqui não há saída!
Não lhes disse?
Ouça, podemos passar a noite aqui?
Está louco, Armando?
Acho que temos um pneu furado.
"Crianças... nunca entrem na casa da bruxa...
...porque ela tem um guarda-costas, Ketl."
"Atrás da casa há um cemitério."
É protegida por Ketl.
Nas noites de tempestade surgem fantasmas.
Os fantasmas dançam e de repente...
... aparece a bruxa!
Ela traz um filho.
E o filho fica entre os fantasmas dançantes.
Os fantasmas começam a chupar seu sangue até que o pobre garoto esteja morto.
"Quando o dia vira noite, aparecem enormes aves de rapina."
"Eles pegam a cabeça do garoto e a jogam no pombal,
e as suas pernas no poço da casa da bruxa."
- Vamos, Armando, por favor. - Vamos, não se preocupe, vamos.
- Eu quero ir embora. - São boas pessoas.
São pessoas do campo.
Deve ter sido um dos meus ratinhos.
Por que os deixou ficar?
Sei o que estou fazendo!
Ele quis ficar porque sentiu alguma coisa.
Deixe-o desfrutar da mulher esta noite.
Eles nos trancaram?
Vamos.
Estão loucos, Armando?
Estão loucos!
- Não vê que querem nos matar. - Chega! Chega!
Se é a primeira coisa que pensa. É melhor dormir.
Dormir? Como? Aqui? Neste lugar?
Me diga como viemos parar aqui?
Aquela maldita estrada de terra! Por quê?
Ei, pensei que lugares como este, te excitavam.
- Vamos aproveitar. - Não brinque, Armando! Falo sério!
- Há alguém embaixo da cama. - Debaixo. Sim, está bem.
Agarrou a minha perna.
Acho que quem está ficando louca é você.
-Eu juro, alguém tocou a minha perna! -Mas não há ninguém aí!
Eu juro, eu senti! Por favor!
Viu? Não há nada!
"Eu prometo sair da sua vida."
Eu irei embora. Juro que vou embora.
Mesmo que esteja morrendo de vontade de te ver.
Eu gosto desta casa.
"Como você pode ser tão calmo?"
Por favor, Armando, eu imploro. Tire-me daqui.
Por que me olha assim? Eu não entendo.
Quem criou gatos? São traidores, como os homens.
Fez tudo que eu disse?
De onde acha que eu vim com Juan?
Enterraram tudo?
Muito fundo.
Você ficou com as botas, imbecil!
Jogue-as no poço!
- O que foi isso? - Tiros!
Não ouviu? Tiros!
Merda! Acha que eu conhecia esta casa, hein?
Vou ficar louca.
Não deixe que eles se aproximem do cemitério.
Não deixe que eles se aproximem do cemitério.
"Não!"
Descanse em paz.
Como podem descansar, se me perseguem todos os dias?
Não esqueça dos vermes.
Nem carne nem osso permanecerá do seu marido.
Os que chegaram serão os últimos.
Ninguém entrará mais nesta casa.
E ninguém romperá a paz do cemitério.
Armando!
Hein?
Por que nos trancou?
Pergunte à patroa.
A porta está aberta.
- Podemos fugir. - Sabe o que eu estava sonhando?
Que caí em um poço.
Um fantasma me ofereceu uma escada.
Sim, Cecilia está aqui comigo.
Não, ela saiu. Voltará mais tarde.
Alô.
Alô.
Alô.
Responda, por favor.
Alô!
Responda!
Venha.
Venha!
Onde você estava?
Onde você estava? Eu perguntei.
Encontrei uma caveira no pombal.
E o poço está cheio de gatos mortos.
Gosto dele, mas se ele tocar meu rosto, morrerei.
Não saberá o que fazer de tão tonto.
Você é linda, Cecilia.
Uma tempestade se aproxima.
Sabia que estava sozinha.
"Tranquei seu homem"
"Ele não sairá até que eu diga"
"A velha é louca?"
"E sabe por que ela é louca?."
"Velha Azucena envenenou o marido."
"Ela arrancou a cabeça, o descarnou...
e colocou na gaiola, com as pombas."
"Isso não é ser louca?"
"Ela afoga os gatos."
"Eu os queimo."
"Nem seu espírito é deixado."
"Se quer matar Cecilia, me ajude a matar a velha Azucena.
Aqui, todos fazem o que eu digo.
Enquanto tiverem comida, os homens não se rebelam.
Sonham ficar no comando.
Eles pensam que sou rica.
São como cães babando.
Não gosto de ficar sozinha quando há trovão.
"Ninguém é nada nesta casa."
Mas agora os que estão aqui
estão condenados.
A tempestade acabou.
Que Deus nos ajude.
Armando é um covarde.
Postos à prova, todos os homens são covardes.
Vamos.
Esta noite iremos embora.
Ei!
O que é?
Nada. A porta está aberta. Certamente ela voltou.
- Viu alguém? - Não, mas a porta está aberta.
O que vai fazer?
Vou observá-los.
- Não. Estou assustada. - Vamos.
Não. Vamos voltar, por favor! Eu insisto!
Tem alguém em casa?
Fique aqui.
O que está acontecendo? Quem fechou?
Abra, por favor!
Quem está aí? Por favor, abra!
- "Abra." - Quem é?
O que está acontecendo?
- "Por favor abra a porta!" - O que querem?
"Sou o irmão da Cecilia. Por favor abra a porta."
- "Nós queremos sair. - Onde está Cecilia? Ela está aqui?"
"Abra, por favor."
Eu sei onde está Cecilia.
"Por favor, abra."
Mas não poderá sair.
A única que pode ajudar é Azucena.
"O que está dizendo? Quem é Azucena?"
E só eu posso pedir.
"Quem é Azucena?"
Por que você veio?
- "Por que veio arruinar tudo?" - "Abra a porta!"
Por quê?
Por quê?
Agora que Azucena lhe deu o vestido vermelho.
Estou te incomodando?
O que está procurando?
Nada.
Apenas olhando.
É tão lindo o entardecer no campo.
"Na cidade é dificil de ver."
Não é o mesmo na cidade.
Lá, os homens são puro blá blá.
"Por que diz isso?"
Eles nunca suam.
Não têm cheiro.
O que disse?
Gosto do cheiro de um homem.
Esse cheiro ...
Farei se me tirar daqui.
"Ouça!"
"Chega dos seus jogos! Abra a porta!"
Não, Cecilia, você não vai sair.
Só quando eu quiser que saia.
Você não se lembra?
Hein?
Não.
Você nunca lembra de nada.
Da casa.
Das tumbas.
Da minha boneca.
Do poço.
Do pombal.
Mas quando me trancou,
você lembrou, não é?
Quando me trancou no galpão.
Você gostou disso, não foi?
Você gostou!
Você me trancou! Eu estava sozinha!
Eu estava com medo.
Muito medo.
A luz é ruim.
Não consigo encontrar o caminho.
Malditas corujas!
- Tenho um mau pressentimento. - Vamos, por favor.
Não se preocupe.
Sei pagar favores.
Onde entraram?
Fique quieta.
Os mortos sabem o que fazem.
Se eles entraram é por uma razão.
O que é?
Não gosto de andar aqui. Este lugar é assombrado.
- Quem disse? - Ninguém se aproxima.
Então como sabe?
É porque, ninguém se aproxima.
Vamos. Não quero perder a criatura.
A criatura é um animal. Somos cristãos.
São pessoas boas! De que bruxas falavam?
Está saindo algo da boca.
Eles o mataram.
Hã?
Juan. Eles o mataram.
O que está dizendo?
Eu vi. Eu vi.
Havia sangue no carro.
Quem são eles?
Ele tem cara de idiota.
Mas ela! Parece muito boa.
Vale a pena atirar nela.
O que faz no meu quarto, Ruperto?
Encontrou o que procurava?
Está me enganando também?
Uma mulher como você não se engana.
Fique tranquila. Já disse que vou tirá-la daqui.
Não vai sair Cecilia.
Não vai sair!
- "Deixe-nos sair!" - "Não falaremos de você."
Tem que morrer!
- "Não tem nada a ver conosco!" - "Deixe-nos sair!"
Não está arrependida?
Não está!
Não vai sair Cecilia!
Nunca! Ninguém irá te salvar!
Não vai sair!
Armando.
O vaqueiro partiu.
Disse que nos tiraria daqui.
Nós dois?
Ou apenas você?
Os caçadores. Armando.
Eles não foram embora.
Vá falar com eles.
Preste atenção.
Depois que eu matar Cecilia,
você mata a velha.
Atrás da casa, junto à colina. A velha os enterra lá.
Você não poderá
escapar.
Cecilia.
"Gás!"
"Essa mulher está louca? Por favor! Chega!"
Não! Tem que morrer Cecilia.
Você não é boa.
Tem que pagar por tudo que me fez!
Por tudo que me fez!
Por que não queria entrar na casa?
Por que não queria entrar na casa?
Se portou muito mal comigo.
Muito mal!
Não quero vê-la mais com homens.
Os homens são porcos,
e devemos tratá-los como porcos.
"Você sabia que era importante eu entrar naquela casa,
para olhar o poço."
"Por sua culpa nunca fui capaz de fazê-lo."
"Se tivesse entrado naquela casa
tudo teria sido diferente para mim".
"Não vai escapar, Cecilia."
"Não vai escapar, Cecilia."
"Não poderá escapar Cecilia.
"Não poderá escapar Cecilia.
"Você está tão suja,
tão suja,
que a única coisa que posso fazer
é te matar."
Você matou todos meus homens.
Você os roubou! E os matou!
Quem entende as mulheres? Caramba!
E ela?
E ela?!
Eu...
"Eu te amo."
"Eu te amo muito."
Sempre quis ser como você e nunca pude.
Mas vou te salvar.
Vou te salvar, Cecilia.
Cecilia!
Não, não!
Cecilia!
Cecilia!
Cecilia!
Não, não!
"Abra! Abra a porta, por favor!"
"Estamos aqui! Abra por favor."
"Vocês, crianças...
não entrem na casa da bruxa."
"Ketl está lá,
o guarda-costas da bruxa."
"Atrás da casa
há um cemitério ...
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