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Original subtitles

Onde está a minha filha?

Ela estava contigo. Onde está?

- Ela foi levada. - Levada?

Vamos recuperá-la.

É o Hamzad.

Ele vai tentar apanhá-la sozinho.

A Parwana chegou.

Chamo-me Omar.

Temos muito que falar.

Estão a ver um dos maiores depósitos de lítio do mundo.

O Faraz Hamzad controla-o.

E tornou-o um amigo inesperado.

O Hamzad não é amigo dos talibãs.

Quanto dinheiro estará lá em baixo

para juntar inimigos figadais?

Baba Ghor Ghori.

És o monstro?

Quem és tu?

O que encontrámos ali atrás?

Serviços secretos dos talibãs.

Ela está morta. A Emily.

Já está morta há uns dias.

Não sabes do que ela é capaz.

Nem sequer fazes ideia de quem ela é.

Mas sei quem ele é.

É uma questão de tempo até ela dizer a coisa errada

e ele não aguentar mais.

O VELHO

Se tivermos sorte,

alguns de nós sobreviverão.

Por aqui.

O que sabes?

Sei que trabalham para o Faraz Hamzad.

E sei que raptaram uma agente federal e a mantêm aqui contra a vontade dela.

Então, não sabes nada.

Não sabes onde estamos.

Não sabes quem somos.

Nem sequer sabes o teu nome.

A tua mãe escondeu-te tudo.

Chamo-me Angela Adams.

Sou agente especial do FBI.

Se colaborares comigo,

há a possibilidade de eu persuadir o FBI

para não te deter e acusar de rapto.

Vais usar isto.

Irá ajudar quando ele vier.

Quando quem vier?

O teu pai.

Achas que o meu pai se importará com a minha roupa quando chegar?

O teu pai está aqui.

O teu pai é o Faraz Hamzad.

O teu nome é Parwana.

Foste-lhe roubada, pela calada da noite, pela tua mãe

e por um americano a quem chamávamos convidado e amigo.

É quem tu és.

Então, devia falar com ele.

Ele deve querer ver-me.

Não.

Se ele é meu pai, não achas que devia falar com ele diretamente?

Parwana.

Parwana.

Parwana.

Parwana.

Parwana.

Parwana.

O que fazes aqui?

Raptaste-me.

Vieste com o Harold Harper quando o chamei.

Encontraste-me e eu encontrei-te.

Porquê?

Não sei.

O meu pai, atrás de ti.

Combateu os soviéticos da primeira vez que vieram.

Foi o braço direito de um rei.

Era um grande homem.

E o pai do pai dele.

Lutou contra o exército da Rainha Vitória para manter a liberdade.

Era um académico. Escrevia poesia.

Queria saber de onde vinha.

Foi por isso que vim no avião.

Foi daqui que vieste.

Estás entre homens que enfrentaram invasores britânicos,

persas e mongóis.

Homens que sacrificaram tudo para legar algo aos filhos.

Homens que lutaram, sangraram,

discutiram e escreveram para manter o país livre.

Quero saber da minha mãe.

Quero saber quem ela era.

Quero saber quem ela era para ti.

O que te disseram?

Que eras perigoso para a minha mãe.

E que o meu pai a ajudou a fugir de ti.

O que mais disseram sobre mim?

Nada.

A tua mãe era fria e insensível.

Ela manipulou. Mentiu.

Traía quem quer que fosse, quando e como lhe convinha.

Não.

Ela era diferente, antes disso.

Para além disso. Devia haver mais.

Devia haver esperança e amor nela.

Nunca o vi porque ela nunca mo mostrou.

Mas quero saber o que me faltava e quero saber porquê.

Vim de muito longe.

Cheguei até aqui.

E usarei o que quiseres que eu use.

E responderei pelo nome que quiseres chamar-me.

Mas conta-me uma coisa boa sobre ela.

Diz-me o que eu perdi.

Não sei o que achaste que ia acontecer.

Não sei o que esperas que aconteça agora.

Mas sei que temos de falar

sobre este caminho

que nos abriste.

Sei que,

se não falarmos sobre isto,

não vais gostar do que vai acontecer.

Ou do que vai custar.

Peço desculpa, tentei fazê-lo ir-se embora,

mas ele insistiu em falar consigo.

Senhor,

é um prazer voltar a vê-lo.

Quem és tu?

Conhecemo-nos quando fui nomeado chefe da secção

que supervisiona as operações de Panjshir.

Secção.

És um espião.

Sou seu admirador.

Cresci com as histórias das suas façanhas.

Por isso, vim cumprimentá-lo.

E oferecer-lhe os meus serviços.

Obrigado, mas não preciso dos teus serviços.

Tem a certeza?

Porque acho que posso ajudá-lo

a lidar com a situação infeliz

da sua hóspede.

Por favor, compreenda que,

em Panjshir,

há muito pouco que eu não saiba.

Mas, em Cabul,

nos ministérios,

onde as decisões são realmente tomadas,

sou eu que observo.

Mas eu ouço.

Ouço coisas.

E hoje ouvi dizer que tem uma americana

à sua guarda

que pode ser muito perigosa para si.

Devias fazer um exame auditivo.

O que ouço é incorreto?

Sim.

Não há depósito de lítio perto de Meshbahar,

um depósito que o seu povo descobriu

e controla e que Cabul

considera crítico para a sua sobrevivência económica?

Um depósito que o tornou indispensável para explorar

devido às relações que tem com os EUA?

Relações que ficaram tensas

após o rapto de uma agente do FBI.

Tem cuidado, rapaz.

Não me conheces

e desconheces o perigo que estás a convidar.

Não cumpriu

o seu último

pagamento.

O tributo

que paga ao Ministério pelo direito de ignorar as regras deles,

as nossas regras,

as minhas regras...

... nunca chegou.

Parece-me que segura uma bomba prestes a rebentar nas mãos

e, por alguma razão, não consegue largá-la.

Por isso,

dê-ma.

Tem cuidado,

porque eu conheço-te, Omar.

Sobrinho do Abdul.

O teu tio preteriu-te

para os cargos mais cobiçados.

Liguemos ao Abdul

para sabermos o que é mais importante para ele:

as tuas perguntas

ou o meu comércio?

Uma última coisa.

Ouvi dizer que dois americanos

podem tentar resgatar a refém

que não raptou.

Um deles é um alto funcionário do FBI.

Farei o que puder para os deter.

Por respeito

a si.

Estamos atrasados?

Não sei se é verdade...

Ele não viria cá se não fosse verdade.

Quero saber porque é verdade.

Porquê?

Sabemos porquê.

Aquele homem disse-te porquê

e voltará mais cedo ou mais tarde para voltar a dizer-te.

Eu trato dele. Ele não é uma ameaça.

Não é uma ameaça enquanto o nosso dinheiro sustiver os mestres dele.

Mas esse escudo está a enfraquecer, e ele sabe disso.

A situação é insustentável.

Estamos no meio

de inimigos figadais.

Não é uma posição em que se possa fazer jogadas repentinas e ousadas.

Assim que a libertássemos,

teríamos de explicar porque a raptámos.

Atingimos o ponto em que algo tem de ceder.

É apenas uma questão de saber quando

e quanto irá doer.

Não digas nada.

Não há nada que eu queira ouvir.

Não há mais nada a dizer.

Vivi com isto tanto tempo.

Acordei com isto, adormeci com isto.

Afoguei-me nisto, querendo saber.

E não querendo saber.

Agora sei e...

... acabou-se.

És exatamente o que eu temia que fosses.

És a tua mãe.

Seu cobarde.

Não me queres ouvir?

Estás mortinho por que fale.

Sei o que queres saber.

Só tens medo que eu o diga.

Não devias ter vindo.

Não vim.

Tu trouxeste-me.

Mataste o meu amigo. Raptaste-me, porra.

Fizeste isso tudo e não tens perguntas?

Ou és um burro,

ou és um monstro ou um cobarde de merda.

Raios partam. Escolhe! Ou pergunta-me o que me queres perguntar!

Porra!

O que aconteceu?

Não sei.

Fosse o que fosse, não estava a resultar.

Por isso, vamos fazer isto por agora.

Claro.

Só em inglês?

Por agora, ficarás aqui.

Esta é a Faruza.

Ela cuidará de ti.

Vem.

Podes parar?

Por favor?

- Quem és tu? - Sou a filha da Bina.

Ela era irmã do marido da Khadija.

Não os conheço.

Sou tua prima.

Sabes quem eu sou?

Sim.

Como sabes?

Lembro-me.

Não falávamos sobre isso. Não falamos dessas coisas.

Mas houve sempre um vazio nesta casa.

Sabíamos que faltava alguém.

Sentíamo-lo diariamente.

Não sei o que se passa.

Para ser sincera, pensei que já estivesses morta.

Se antes havia algum plano...

... agora não há plano nenhum.

Tenho perguntas.

Claro que tens.

Conhecias a minha mãe?

Sim.

Porque se foi embora? O que aconteceu?

Ela ainda não te disse?

Ela morreu.

Porque se foi embora?

Estava com medo?

Estava em perigo? Estava perturbada?

Não são as perguntas certas.

Tenho direito a respostas.

Estás zangada?

- Podes crer que estou zangada. - Estão todos zangados.

E vê aonde isso nos levou.

Quando quiseres fazer outras perguntas,

sabes onde me encontrar.

Obrigada.

Não faz mal.

Tens jeito com ele.

Tens filhos na tua terra?

Não.

Nem por isso.

Como se chama ele?

Farouk.

O pai dele está aqui?

Quando os talibãs voltaram, lutámos.

O meu marido foi um dos primeiros a perder a vida a tentar proteger-nos.

Depois, o teu pai enviou uma mensagem para Cabul, por mensageiro.

Ao anoitecer, os soldados deles foram-se embora.

Ele mantém-nos seguros.

Sempre.

Sem ele, as coisas seriam muito difíceis para nós.

Seria muito perigoso.

Seria horrível.

Ele diz que tem sido paciente, mas agora é a vez dele.

Queres que te salve?

Com licença.

Sim, está bem. Já vou.

Sim.

Está bem.

Tens um pequeno esconderijo.

O Faraz Hamzad mentiu.

A si.

A todos.

A dimensão das mentiras ainda é desconhecida,

mas a sua existência é evidente.

Vi-o com os meus olhos.

A nossa relação com o Faraz Hamzad

está a ser reavaliada.

Talvez

tenhas razão

e seja sensato

exercer mais controlo sobre o negócio dele.

Seria uma boa altura

para lhe fazeres uma visita.

Isto devia ser impossível.

Disse que não haveria sanções contra a nossa família,

que tinha garantias.

Garantias que ninguém violaria.

Estou a olhar para ele.

Está tudo parado.

Há aqui soldados talibãs.

Alguém do seu lado violou as garantias.

Alguém suficientemente poderoso para as ignorar.

Quem fez isto

colocou-nos numa situação impossível

e temo o que aí vem.

Saí-me bem?

As americanas não aprendem a coser?

Esta não, pelos vistos.

Vi a minha mãe a fazê-lo.

Tudo.

Sempre me pareceu um fardo.

Como algo a que tinha sido condenada.

Costumava sentar-me a observá-la,

a tentar perceber o que ela desejava fazer.

Agora pergunto-me se foi a única coisa que a fez feliz.

Aquilo que a fez sentir-se ligada ao lugar onde aprendeu a fazê-lo.

Juro que pensei que, se encontrasse um sítio que a conhecesse,

todas essas perguntas teriam respostas.

Como se houvesse uma quantidade interminável de respostas.

Mas talvez isso não seja real.

Talvez um fantasma seja isso.

A ausência de respostas na forma de uma pessoa.

Veste isto.

Não compreendo.

Já não estás segura aqui. Veste isto.

Para.

O que se passa?

O que não é seguro?

O que é isto?

Ele quer falar com o comandante.

Vim pelo Hamzad.

Eles que se afastem.

Ele não responde perante ti,

e certamente não perante isto.

Eu sei que ele mentiu.

Sei que têm uma mulher de grande valor e anónima.

O Ministro já não o protege.

Vais trazê-lo até aqui

ou terei de o ir buscar?

Vem comigo.

Eu levo-te até ele.

Vamos.

O que estás a fazer?

Tornaste isto muito pior do que tinha de ser.

Podíamos ter-te subornado,

podíamos ter conspirado contigo para ganhares influência,

se era isso que querias.

Piorei as coisas?

Há um momento, ter-me-ia contentado com o Hamzad.

Mas agora?

Quando baixarem as armas,

vou recrutar todos os rapazes da aldeia.

Transformaram isto numa catástrofe.

Por isso, volto a perguntar.

O que achas que estão a fazer?

Aonde vamos?

A um sítio para desaparecer.

Uma gruta da qual falei à tua mãe.

Ficarás lá a salvo por uns tempos, até arranjar forma

de te mandar embora a salvo e de vez.

Lamento a perda da tua mãe.

Deve ter sido difícil.

Foi.

Obrigada.

És feliz?

Não sei o que isso significa.

Não sei porque te trouxe aqui.

Acho que desejava ver-te,

que ia para além da escolha.

Para além das palavras.

Para me despedir de ti,

pela primeira

e última vez.

Só queria saber o sítio a que regressarias

e se serias feliz lá.

Não sei.

Posso fazer-te uma pergunta?

Sim.

O que pensas de mim?

Pode não ser uma pergunta justa.

Eu...

Eu gostava de saber.

Queres saber algo bom sobre a tua mãe.

Digo-te o seguinte.

A tua mãe ensinou-me a lição mais valiosa da minha vida.

Que podemos amar uma pessoa

ou confiar nela.

E, seja quem for a pessoa,

por mais profundamente que a ames,

por mais impossível que pareça,

acabarás por ter de escolher.

Não acredito nisso.

Então, ainda bem que soubeste por mim.

Ainda bem que tens tempo de fazer as pazes,

antes que a lição decida que deve ser aprendida.

O que foi?

A gruta é ali.

Pensei que ninguém a conhecia.

E não conhecem.

Tradução: Nuno Oliveira

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