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Meu Deus!
Meu Deus!
"REF�M ASSASSINO"
CHURRASCO COSTELETA
ENTRE ESTAMOS ABERTOS
Hoje est� calor.
Muito quente.
Mais quente do que nove mulheres nuas em um Volkswagen.
Muito quente.
Jimmy, pode ligar o ar-condicionado?
Estou fritando.
Para mim, est� bom.
Miser�vel.
Esse homem n�o sabe o que � um ar-condicionado.
Ele nunca ligou aqui.
- Ela vai ficar bem. - Ela vai ficar sozinha.
Starr, falamos sobre isso. Voc� disse que estava a fim.
Eu sei. Foi na teoria, agora � realidade.
Pode crer. Estamos quase saindo da cidade, o carro est� carregado.
N�o podemos voltar agora.
- Pare. - O que foi?
Pare.
Falamos que �amos filmar.
N�s combinamos a viagem toda. Vamos l�, todo mundo adora isso.
Agora, n�o, Billy, por favor.
Que se dane.
Quer ficar nesse buraco para sempre?
Eu, n�o. N�o vou ficar como meu pai...
me acabando em uma usina at� o fim da vida.
Eu vou embora daqui.
Se n�o sairmos j�, talvez nunca mais tenhamos outra chance.
Eu sei.
D�-me um sorriso.
Como vai sua m�e, Erlene?
N�o sou mais Erlene. Agora meu nome � Starr, com dois "r".
Mande lembran�as a ela.
Noreen, voc� est� bem gostosa para uma coroa.
Eu tenho 32 anos.
N�o ligue. Ele � uma anta.
O que eu falei? O que foi?
Noreen, ao trabalho.
Jimmy, fiquei em p� o dia todo. Estou cansada.
Quer saber? Eu vou demiti-la.
J� n�o me demitiu demais neste m�s?
- Desta vez, � s�rio, Noreen. - Quem vai querer trabalhar aqui?
Tem um monte de mo�as querendo trabalhar aqui.
Jimmy, voc� fala tanta mentira, que d� at� nojo.
Eu n�o estou de brincadeira. N�o estou.
Com licen�a.
Tem telefone aqui? O de fora est� quebrado.
Tem um l� nos fundos.
- O que foi? - Estou com dor de cabe�a.
Forte?
Daqui a pouco passa.
Noreen.
Voc� me d� um peda�o da torta de lim�o?
Eu sei. Foi uma decis�o dif�cil.
Tive de rebolar um pouco, mas fechei a venda.
Certo.
- Como vai? - N�o posso me queixar.
- O que vai querer? - Um caf� iria bem.
- J� aviso, est� forte. - S�rio? Muito forte?
- Levanta at� defunto. - �timo, preciso dirigir bastante.
- A cozinha vai fechar. Quer algo? - N�o quero, obrigado.
Quer torta de nozes? A nossa � a melhor das redondezas.
Afirma��o ousada, mo�a. Pode provar isso?
Pergunte a qualquer um em Silver Lake.
Como n�o conhe�o ningu�m, vou ter de acreditar em voc�.
- Voc� � confi�vel? - Juro sobre um monte de b�blias.
- Fica para depois. S� um caf�. - Voc� que sabe.
Voc� n�o � da regi�o. Est� s� de passagem?
Para onde vai?
Como?
Para onde est� indo?
- Nova York. - Nova York?
- Sim. - Voc� mora l�?
Brooklyn.
Nossa, Brooklyn. Eu sempre quis conhecer Nova York.
E voc� mora l�. Que sorte a sua.
J� vi que n�o conhece o Brooklyn.
N�o. Conhe�o poucos lugares.
Devia ir l�.
Bem que eu queria, mas n�o vou sair daqui t�o em breve.
- Sinto muito. - N�o sinta.
A cidade n�o � ruim. J� foi cidade de veraneio.
Muitos barcos, nata��o. Vinha gente de longe.
- E o que aconteceu? - O lago secou h� alguns anos.
S� sobrou um buraco no ch�o.
Deixe-me entender. N�o existe um lago em Silver Lake?
N�o.
- Mas ao menos tem aquela torta? - Tem.
- Meu nome � Noreen, ali�s. - Oi, Noreen. John Dixon.
- Muito prazer, John. - O prazer � meu.
Aqui tem banheiro?
- Nos fundos, perto dos telefones. - Certo.
Aperte duas vezes a descarga. Est� meio emperrada.
Vou lembrar disso.
Voc�s ouviram Lord of the Ball.
Esta � a 101, WTKJ, a FM country.
Agora, as manchetes. Homic�dio m�ltiplo no Condado de Union.
Come�a neste fim de semana a Quermesse de Lincoln...
e o alargamento da rodovia 501 teve um problema.
Mas, antes, as not�cias da WTKJ s�o um oferecimento...
- O que foi? - Sil�ncio.
O que foi?
Assassinatos no Condado de Union.
Assassinatos?
Quatro mortes s�o investigadas pela pol�cia de Union.
Os assassinatos tipo execu��o ocorreram em Aberdeen.
Os corpos de Tom Carter, 44 anos...
sua esposa Lucille, 41...
e seus dois filhos, de 6 e 9 anos...
foram encontrados na casa deles hoje � noite.
Meu Deus.
Foram mortos com tiros na cabe�a de arma calibre 22...
ap�s serem amarrados e enrolados em pl�stico.
A pol�cia procura um homem...
com uma picape preta antiga e com liga��o com os crimes.
E outra not�cia...
Meu Deus, aonde vamos parar?
� loucura. � simplesmente loucura.
Suspeito, picape preta, deve ser f�cil de achar.
Que tipo de pessoa mata uma crian�a?
Um louco, isso sim.
Isso est� errado.
Vamos voltar ao trabalho.
- Voc� est� bem? - Houve alguns assassinatos hoje.
- S�rio? - Uma fam�lia inteira.
O marido, a esposa e duas crian�as pequenas.
- Voc� os conhecia? - N�o, mas criancinhas, sabe?
Voc� tem filhos?
N�o, Deus n�o quis nos dar. Deve ter sido melhor assim.
E voc�? � casado?
Eu era.
Ela morreu faz dois anos.
- Meu Deus, sinto muito. Eu n�o... - N�o, tudo bem.
Ela era uma boa mulher.
Sabe, acho que vou comer alguma coisa.
POR FAVOR, SENTE-SE
CHURRASCO
TORTA
- Isso me d� at� um neg�cio. - O qu�?
- H� um doido solto por aqui. - N�o h� doido nenhum.
Como vai o Frank?
Como sempre.
- J� arrumou emprego? - Per�odo integral na frente da TV.
- Ele vai achar alguma coisa. - Se procurar.
Voc� podia mand�-lo embora.
Eu me casei para a alegria e para a tristeza.
Essa � a tristeza, eu acho.
Voc� pode larg�-lo.
E vou para onde? Vou fazer o qu�? Sou s� uma gar�onete.
Sei l�.
Voc� podia fugir comigo.
O que Bobbie Sue diria sobre isso?
Bobbie Sue... ela gosta mais de voc� do que de mim.
Ali�s, preciso ir para casa e ficar com a patroa.
- Quanto eu devo? - US$ 5,91.
- � isso mesmo? - Deixe-me ver.
US$ 2,20 do hamb�rguer. US$ 0,75 das batatinhas...
US$ 1,65 da torta...
US$ 0,95 do ch� gelado, s�o US$ 5,55 mais imposto.
- S�o US$ 5,91. - Caramba, garota.
Voc� n�o � uma gar�onete burra, sabe contar.
Que bom, sei contar. Isso mais 5 centavos, compro um caf�.
Anime-se, Noreen.
A coisa vai melhorar.
N�o pode chover eternamente.
Desculpe, mo�o, a cozinha j� fechou.
Qual � a cidade mais pr�xima?
Silver Lake.
Mas j� deve estar tudo fechado.
Silver Lake. E depois dela?
S� vacas e milharais durante horas.
Gostaria de uma torta ou um caf�?
Vou pensar.
Vai pedir alguma coisa?
Sim, quero um steak.
A cozinha fechou. Quer uma torta?
N�o.
- Temos a melhor torta da regi�o. - E quando foi que eu pedi torta?
Quero um caf�.
- Pois n�o. - Pode ser?
Algum problema a�?
Voc� deve ser surdo. A mo�a disse que a cozinha fechou.
N�o vou preparar nada.
Se n�o gostou, a porta � ali.
Noreen, cora��o, preciso do meu troco.
Encontre-me nos fundos.
Como?
Vou pegar um caf� nos fundos.
Est� tarde, Hank. Vou ao banheiro antes de ir embora.
O que est� havendo?
Aquele homem.
Que homem?
O que entrou aqui. Estou com m� impress�o dele.
Por qu�?
Pode ser ele.
Ele?
Aquele que matou aquela fam�lia.
Noreen.
Ele n�o tem cara de assassino em s�rie. E eu sou policial.
N�o � porque voc� v� "America's Most Wanted"...
que voc� � perito em assassinos.
Pode parar a�. "America's Most Wanted" tem papel vital...
na captura de muitos bandidos neste pa�s. � importante.
Lonnie.
- Voc� s� est� cismada. - N�o � isso.
Mesmo que ele fosse o assassino, o que ele n�o �...
ele n�o pararia aqui para tomar caf�.
J� estaria bem longe daqui e teria sa�do do condado.
Certo. E se voc� estiver errado?
N�o posso interrogar uma pessoa s� porque voc� cismou.
Voc� � o policial. V� falar com ele.
- Falar com quem? - Voc� quase me mata de susto!
Nossa, s� est�vamos conversando.
- O que vai querer? - Mais caf�.
Pois n�o.
Ele s� quer mais caf�, viu? S� quer mais caf�, s� isso.
Desculpe.
Voc� est� bem?
Parece que viu um fantasma.
Voc� est� bem?
Aquele cara a assustou.
Talvez voc� deva falar alguma coisa.
Quem? Eu?
Quem usa o distintivo � voc�. Fa�a seu trabalho.
Com licen�a.
Por favor, mo�o.
N�o � da minha conta, mas o que o traz aqui?
- Aqui? - Ao nosso pedacinho do para�so.
- O que o traz aqui? - N�o � da sua conta.
Somos simp�ticos aqui.
Gostamos de conhecer estranhos. S� quero saber, s� isso.
- N�o diga. - Pois �.
S� quero ficar sossegado.
Eu entendo isso, eu entendo. Para onde est� indo?
- N�o � da sua conta. - Eu sou um oficial da lei.
Quando eu fizer uma pergunta, quero uma resposta.
Voc� � um oficial da lei?
Exato. Voc� quer engrossar? S� fiz algumas perguntas.
- � mais um subdelegado, certo? - Eu sou o subdelegado.
S� quero lhe fazer algumas perguntas.
N�o quero encrenca. Voc� quer? Se voc� quiser, estamos a�.
- S� quero sossego, como falei. - E ter�, depois de responder.
V� se danar.
Agora chega! Voc� j� me insultou demais.
Usar essa linguagem aqui, n�o vou tolerar isso.
Preciso que responda a algumas perguntas.
A conversa acabou.
A conversa n�o acabou. Sou um oficial da lei, e voc� vai falar!
Mo�o, estou falando com voc�!
Que tal isto? Talvez isto chame sua aten��o. Que tal?
Fale j� qual � o seu carro!
Vai me matar, seu guarda?
Eu sei o que fazer com isso. Responda �s minhas perguntas.
Se pegar uma arma, � bom estar pronto para usar.
N�o vou perguntar de novo.
Responda j�!
Mo�o!
Mas que droga!
- Que tal isso? - Lonnie.
- Que tal isso? - Lonnie.
Chamei sua aten��o agora, valent�o? Chamei?
D� mais um passo. Diga-me qual � seu carro.
Diga que carro voc� tem!
- � uma caminhonete. - Uma caminhonete.
- Disseram caminhonete preta. - Eu sei, eu sei.
De que cor?
Est� a� fora. Por que n�o vai ver?
Est� escuro. Daqui, parece preta.
� vermelha.
Pode me ajudar aqui, Hank?
Est� bem.
Vermelha, segundo voc�. Vamos ver.
Que barato.
� vermelha.
Vermelha?
- Tem certeza? - N�o sou a Martha Stewart...
mas sei a diferen�a entre preto e vermelho.
� vermelha.
� vermelha.
� vermelha.
Desculpe, mo�o.
Lamento.
Foi um grande mal-entendido.
Procuramos um cara com uma caminhonete.
A pol�cia fez um comunicado pelo r�dio.
Procuram um homem com uma caminhonete preta.
O que esse homem fez?
Matou algumas pessoas.
J� foi emo��o demais para uma noite s�.
- A conta, por favor. - Pois n�o.
J� volto.
Eu devia vir mais aqui. Eu n�o sabia que tinha at� show.
Voc� est� bem?
Ainda estou tremendo.
Calma.
Vai ficar tudo bem. Acho que ele n�o vai voltar aqui t�o cedo.
Meu Deus!
Por favor.
Sentada.
Venha aqui.
ENTRE ESTAMOS ABERTOS
DESCULPE ESTAMOS FECHADOS
Quero a chave de todo mundo.
Carteiras, celulares.
Coloquem tudo na mesa. Todo mundo. J�.
Voc�.
O que foi?
- Traga aqui. - Eu?
Sim. Tudo. Pegue e traga aqui.
Tire tudo e ponha aqui.
S� isso?
Tem certeza de que � s� isso?
Certo. Volte e fique sentada.
Pare!
Meu Deus.
- Algum problema a�? - Meu Deus.
Perguntei se h� algum problema a�.
N�o, tudo certo.
Ent�o, fique sentado.
Voc� disse que era tudo.
N�o me enrole, amor.
Sim, senhor.
Volte e fique sentada.
Jack in the Box...
por que n�o vem at� aqui?
Aquele cara ali no ch�o?
Arraste-o para fora.
Para fora onde?
Aonde voc� quiser...
mas leve.
- N�o vou tocar nele. - Fa�a o que eu mandei!
Sen�o, vai levar bala!
N�o consigo, mo�o. Vou vomitar.
Ent�o vomite...
mas leve, como eu mandei.
N�s vamos morrer. N�s vamos morrer.
Vamos morrer.
- Vai ficar tudo bem. - Vamos morrer.
- Estou apavorada. - N�o diga nada. Nem se mexa.
Droga.
Ser� que ele vai nos matar?
N�o sei.
- Estou com muito medo. - Eu tamb�m estou.
Eu queria fazer algo.
- Voc� mora perto? - Sim.
Seu marido. Ele vai sentir sua falta e ligar para a pol�cia?
N�o.
Acho que s�o oito balas na arma.
Talvez sete na espingarda.
Como sabe disso?
Lonnie est� com uma 1911. Cabem oito balas.
- Voc� � perito em armas? - Mais ou menos.
O que est� dizendo?
Dev�amos enfrent�-lo.
- Voc� ficou louco? - N�o. Somos cinco, ele � s� um.
Ele n�o vai atirar em todos.
Mas vai atirar em alguns.
Ele vai nos matar mesmo. Assim, ao menos, temos chance.
N�o sabemos o que ele quer.
Meu Deus, n�o vou ficar aqui sentado, esperando para saber.
Voc� est� comigo?
- Por que n�o? - Sou vendedor, n�o super-her�i.
O que voc� sugere ent�o?
Esperar?
Esperar o qu�? Para morrer? Nem a pau.
Vamos calar a boca a�?
Mo�o?
O que foi?
Sei que est� com medo.
Do qu�?
- N�o � tarde demais. - Tarde demais para qu�?
De parar tudo isso antes que piore.
Por favor.
Por favor.
Fiquem a� sentados, de bico fechado.
Sou eu, o Greene.
Voc� deve ser o Sr. Smith, j� que est� armado.
Caramba.
Nash disse que voc� era frio, mas tenha d�, assim � demais.
Ser� que pode apontar para l�? N�o gosto de armas.
Certo, n�o � do tipo simp�tico.
Entendi. Voc� est� trabalhando. Est� ocupado. Tudo bem.
J� que est� ocupado...
vou ser bem direto. J� terminou?
- O qu�? - O servi�o. J� terminou?
O que acha?
Tudo bem. Ent�o, isto, meu amigo, � tudo seu.
Est� tudo a�.
Pode contar, se n�o acredita em mim.
Ent�o, estamos quites.
Foi um prazer negociar com o senhor e duvido que eu...
v� precisar de seus servi�os de novo, mas vou recomend�-lo.
E detesto ressaltar o �bvio...
mas eles viram minha cara, ent�o, vai cuidar deles, certo?
Sim.
Certo. Eu adoraria ficar e v�-lo, mas tenho um encontro. Boa noite.
Sentado.
Por qu�?
Porque eu mandei.
Por qu�?
- Sentado! - N�o estou entendendo sua l�gica.
Sentado!
Isso � algum golpe? Quer mais dinheiro?
- J� peguei seu dinheiro. - Porque n�o tenho mais.
Disseram-me que voc� era mais profissional...
e n�o entendi qual � a sua.
Mas vou ligar para Nash e contar para ela.
- Temos um grande problema. - Problema?
Que problema?
Eu n�o sou Smith.
DESCULPE ESTAMOS FECHADOS
Certo, ent�o...
voc� n�o � Smith.
E tamb�m n�o � tira?
Havia um tira aqui, mas ele j� morreu.
Eu o matei.
Certo.
Deve estar querendo alguma coisa. Todo mundo quer alguma coisa.
Claro.
Estamos chegando a algum lugar. Estamos chegando.
Ent�o, o que voc� quer?
A verdade.
Tudo bem, eu lhe digo o que voc� quiser.
- Quem � Smith? - Smith?
- Sim. - Smith. Smith. Ele...
N�o sei.
N�o sabe ou n�o quer me falar? Qual � o caso?
Pode me desamarrar e me soltar? Eu lhe pago.
- J� peguei seu dinheiro! - Eu pago mais.
Voc� disse que n�o tinha mais! N�o passa de um mentiroso.
N�o, eu n�o sou. Eu, olhe, eu direi o que quiser ouvir.
O que voc� quer saber?
O dinheiro na maleta. De onde veio?
Foi de um neg�cio.
Um neg�cio?
- Sim. - Que tipo de neg�cio?
Acho que n�o posso falar.
Acho que pode.
N�o posso.
Resposta errada.
N�o, por favor! Vamos conversar!
Vamos conversar. Eu lhe pago, eu juro.
Eu tenho cr�dito.
Meu Deus.
Eu n�o devia estar aqui.
Eu n�o devia estar aqui. Isso n�o est� certo.
A droga de conven��o.
Eu n�o queria ir, e meu chefe me obrigou.
S�rio.
Eu devia ter ido direto para casa...
mas tinha de parar justo aqui, justo hoje.
Que azar infeliz.
Vou morrer nessa lanchonete no meio do nada e � toa!
- Meu Deus! - Eu sinto muito. Sinto muito.
Eu sinto muito. Escute-me. Eu sinto muito.
A culpa n�o � sua.
Eu sempre fui azarado.
Se � que adianta falar, gostei que voc� tenha vindo.
Quem � Smith? E de onde veio o dinheiro?
- N�o posso lhe contar. - Pode. Pergunte como sei disso.
Pergunte: "Como voc� sabe?"
Como voc� sabe...
que vou responder...
� sua pergunta?
Porque j� vi isso, j� passei por isso.
Centenas de vezes.
Vai acabar falando tudo. Todo mundo fala.
Tem de se perguntar uma coisa. At� onde aguenta sentir dor?
At� onde aguenta sentir dor, Sr. Greene?
Acho que precisa de um incentivo a mais.
- N�o! Tudo bem! - Diga j� o que quero saber!
- N�o, por favor, eu falo! - Fale j�!
- Eu vou falar, eu vou falar! - N�o esconda nada!
Certo, eu conto. O que voc� quer saber?
- Tudo. - Certo.
Tudo.
- Por onde quer que eu comece? - Pelo come�o � bom. Tente isso.
Certo.
Sou um homem de neg�cios. Isso � tudo neg�cio, certo?
Eu tenho terras de fam�lia...
no Condado de Anson.
Vamos construir um shopping. Vou doar, meus s�cios v�o bancar.
�timo neg�cio.
� perfeito. Eu podia imprimir o dinheiro j�.
S� faltava vender mais um lote de terra.
Um lote enorme, onde ficaria o estacionamento.
Mas o dono...
resolveu que n�o ia vender.
Ofereci o triplo do que valia...
mas ele n�o quis.
Ele queria ser fazendeiro.
Sabe, criar vacas, galinhas e tal.
Quem quer ser fazendeiro hoje em dia? Enfim...
sem esse lote, estou frito.
O neg�cio parou. E n�o posso contar aos meus s�cios.
Eles me matariam. S�o verdadeiros abutres, loucos por dinheiro.
E, quando eles se cansam, come�am a querer sangue.
Sou apenas um homem de neg�cios e fiz uma op��o.
Eu precisava agir. Um associado me p�s em contato com um nome.
Sr. Smith.
Smith.
Quem � esse Smith afinal?
- N�o sei. - Mas como n�o sabe?
N�o sei. Nem o telefone dele eu tenho, ele que me liga.
Como ele �?
N�o sei. Como vou saber? S� nos falamos por telefone.
Esse Smith, o que exatamente ele vai fazer para voc�?
Ele vai convencer...
o fazendeiro a vender a terra.
Como?
N�o sei. N�o sei qual � o esquema dele.
N�o sabe?
- O que ele fez com o fazendeiro? - Que diferen�a faz afinal?
Para mim, nenhuma. O que ele fez com o fazendeiro?
Ele o matou.
E o que mais?
Sua esposa.
S� isso?
E os filhos.
N�o ficaram herdeiros.
A terra vai para o banco.
E eu consigo um neg�cio melhor.
- Foi assim que aconteceu? - Sim.
N�o sabe o que vai acontecer, mas voc� est� frito.
O qu�?
O que vai fazer?
O que vai fazer?
N�o!
Por favor, n�o fa�a isso! N�o fa�a!
- O que foi? - Temos um grande dilema aqui.
- Do que est� falando? - Daquele saco de dinheiro ali.
O que tem isso?
O que tem? Ele pertence a Smith.
- Como assim? - Um de voc�s � o Smith.
Um de n�s?
Ele chegou antes de mim. � um de voc�s.
Seu imbecil. Tenho cara de matador de aluguel?
Sei l�. Talvez voc� seja.
Louco varrido.
E voc�? Voc� � matador?
Sim, se contar os animais que j� atropelei.
Como pode ter certeza? Talvez n�o tenha vindo.
Ningu�m abandona um saco de dinheiro desses. Ningu�m.
E esses dois?
- E voc�, universit�rio? - N�o sou matador.
Sou um artista.
Eu devia matar voc� primeiro.
Decida para mim. S�o duas possibilidades. Talvez.
Talvez.
Quem � o matador? Quem � Smith?
- Nenhum dos dois. - Como sabe?
Hank vem aqui duas vezes por m�s. N�o pode ser ele.
Duas vezes por m�s? E voc� acha que o conhece bem?
N�o t�o bem, mas ele n�o � matador.
E ele?
Ele tamb�m n�o.
E se eu obrig�-la a adivinhar?
E se eu lhe der tr�s segundos?
- N�o posso. - Quem �?
- N�o posso. - Tr�s.
- N�o posso! - Dois.
- Por favor. - Um.
- Meu Deus. - Certo, espere, espere, espere.
Espere, espere.
Eu falo.
Quero falar com voc�.
N�o. Ele se ofereceu. Fale com ele.
N�o me interessa. Quero falar com voc� primeiro.
Vamos.
- S� quero ir para casa. - Eu sei. Eu sei.
Tudo bem. Vai dar tudo certo, eu garanto.
Olhe.
O que foi?
Ele cometeu um erro. N�o o algemou.
E da�?
Ele est� ficando descuidado. Tive uma ideia.
- Preciso pegar a arma dele. - Mas como?
- Preciso chegar perto dele. - N�o estou entendendo.
Viu o que est� acontecendo, certo?
Ele vai matar aquele cara e depois vai me matar.
Preciso que voc� o distraia.
Fa�a-o virar por um segundo.
Como vou fazer isso?
Voc� vai gritar bem alto. Fa�a-o virar de costas.
A� eu pego a arma.
Voc� consegue?
Sim, consigo.
�timo.
Pode sossegar. N�o sou matador.
� o que voc� diz.
E o que vai acontecer?
Vou fazer perguntas, e voc� vai responder.
- Perguntas sobre o qu�? - Sobre voc�.
- N�o tenho nada de especial. - Todo mundo � especial.
Cada um de n�s � um lindo e �nico floco de neve.
- Nunca ouvi tamanha babaquice. - Est� me chamando de babaca?
Est� me chamando de babaca? � isso?
N�o, senhor.
Voc� � soldado, n�o �?
- J� fui. - Lutou na guerra?
Guerra do Golfo. Tempestade no Deserto.
- Participei da batalha. - O que voc� era?
Atirador. Tinha uma boa vista da batalha.
- A batalha que vi foi diferente. - Qual batalha, senhor?
Digamos que eu gostava de gente. E o Iraque? Voc� foi l�?
Sa� antes.
Sorte sua. O que faz agora?
Sou motorista de caminh�o.
� casado?
Sim, senhor.
H� quanto tempo?
Onze anos.
Onze anos de casado.
Como se chama sua esposa?
- Ela se chama Mabel. - Mabel. Que nome lindo.
- Ela deve ser uma boa mulher. - A melhor.
A melhor. Voc� a ama?
- Como? - Perguntei se a ama, soldado.
- Claro que eu a amo. - Voc� n�o mentiria, n�o �?
- J� falei que eu a amo. - Mentiroso!
N�o gosto que me chame de mentiroso.
N�o est� mentindo?
O que � isso?
O que � isso?
� sua carteira, certo?
O que est� fazendo com isso a�?
Levando camisinha para outra pessoa? � de outra pessoa?
� sua ou n�o �?
�.
Muito bem.
O que faz com essa porcaria?
Faz sexo com outras pessoas al�m de Mabel?
J� conseguiu o que queria. Posso ir agora?
Claro que n�o.
Por qu�? J� falei tudo que queria.
Eu n�o terminei de falar com voc�!
Com quem voc� fez sexo...
al�m da esposa que tem h� 11 anos?
- Isso n�o � da sua conta. - Agora � da minha conta.
Parei de falar.
Quem �?
Quem �?
Eu n�o sei. Eu n�o sei.
N�o sabe ou n�o quer falar? Qual dos dois?
- N�o sei o nome das pessoas. - � mais de uma?
Quem s�o? Prostitutas?
Algumas.
Onde voc� as encontra?
Paradas de caminh�es, postos de gasolina.
- E sobretudo em banheiros. - Est� fazendo sexo com homens?
Sim.
- Por qu�? - Porque eu gosto!
Excitante, n�o?
- Sim. - Melhor do que com sua esposa?
Sim.
Voc� � o Smith?
Posso ser quem voc� quiser, s� n�o me d� outro tiro.
Por favor, n�o me d� outro tiro.
- Voc� � o Smith? - Sim, eu sou o Smith!
- Voc� n�o � o Smith. - N�o!
Voc� matou um inocente.
Esse � o problema com os m�todos de interrogat�rio violentos.
�s vezes, voc� s� ouve o que quer, em vez da verdade.
Ele n�o merecia morrer.
Isso � question�vel. Ele serviu a um prop�sito, a meu ver.
Que prop�sito? Como assim?
Por que est� fazendo isso?
� uma brincadeira para voc�? Brincar com a vida dos outros?
Precisamos separar o joio do trigo.
O que isso quer dizer?
Li em um livro. Para quem n�o entende a situa��o em que est�.
E qual � a minha situa��o?
Voc� � boa pessoa.
S� que est� no lugar errado, na hora errada.
Voc� poderia mudar isso.
N�o posso.
Voc� tem o poder de mudar.
N�o, n�o posso.
Pode, sim.
Por favor, fa�a a coisa certa e v� embora j�.
Tenho um servi�o e vou conclu�-lo. � assim que funciona.
Um servi�o?
Um servi�o?
Torturar e matar pessoas � um servi�o?
Por que est� fazendo isso?
Que diferen�a faz?
Faz diferen�a. Saber ajuda.
Se quiser saber a verdade, eu falo. S� vim aqui comer alguma coisa.
De repente, virou um caos.
Foi isso que aconteceu. Foi isso.
Paci�ncia. N�o tem mais volta.
- Voc�, John. Em p�. - N�o.
- Em p�. - N�o � ele.
- Saia dessa mesa. - Calma.
Tudo bem.
Fique a�.
Levante-se.
Ali. Sentado. Vamos, em p�.
Vamos.
Vamos.
Pare a�.
N�o vou arriscar com voc�.
POR FAVOR, SENTE-SE
Amor.
- Eu vou morrer. - N�o diga isso.
N�s vamos morrer.
Vamos morrer.
Fique reto.
Voc� � Smith?
N�o sou Smith. Meu nome � Dixon.
Dixon.
Claro que �.
Escute, trabalho com vendas. S�rio, com vendas.
- Vendas. - Sim, estou falando s�rio.
Tenho cara de matador? Tenho?
Por que acha que sou matador?
S� sobrou voc�, e ela n�o �, com certeza.
Por favor. Por favor, eu n�o sou Smith.
Se n�o �, n�o serve para mim.
Por favor, pare! N�o percebe que ele n�o sabe de nada?
Espere.
Desculpe.
Voc� � ou n�o � Smith?
Posso falar que sou o coelhinho da P�scoa, mas n�o faria diferen�a.
Mas voc� � Smith?
Sim. Eu sou Smith.
- Estamos chegando a algum lugar. - Estamos.
- Voc� matou aquela fam�lia? - Sim.
Matador de aluguel?
- Trabalhador aut�nomo. - Para quem voc� trabalha?
N�o � da sua conta.
- Agora � e posso faz�-lo falar. - Eu acho que n�o.
- Sou muito bom no meu trabalho. - Tenho certeza de que �.
N�o faz diferen�a. Isso eu posso dizer.
Fui treinado para fazer isso.
Sim, voc� falou. Ex-militar, certo?
- Sim. - Voc� � um interrogador, certo?
- Sim. - Conhe�o seu tipo.
- Profissional. - Um maldito s�dico.
Pois �.
E trabalha para o governo, certo?
Faz sentido.
Explora��o de recursos humanos. Eu me dei bem nisso.
Uma mente deturpada para um servi�o doentio.
- Disseram isso para me dispensar. - Eles o dispensaram?
Dist�rbios de personalidade.
Eu n�o servia para o servi�o.
Quinze anos fazendo o trabalho sujo deles e depois me largaram.
Que azar.
Fiquei dois anos na cadeia. N�o ganhei pr�mios nem aposentadoria.
S� me dei mal.
Mas que pena.
Lamento decepcion�-lo, sabe?
Mas n�o vou lhe dizer o que quer saber.
Posso faz�-lo falar. Sou �timo nisso.
Sabe o que eu acho? Acho que vai cansar de tentar.
A� voc� vai me matar. Ent�o, chega de me enrolar, certo?
Digo o seguinte: As pessoas para quem eu trabalho...
a fam�lia...
� uma fam�lia poderosa, com contatos por toda parte.
Se me matar, o bicho vai pegar para o seu lado, amigo.
N�s dois somos parecidos, sabia?
Sinto decepcion�-lo de novo, mas somos bem diferentes.
Eu mato por dinheiro. � trabalho. Nada mais, nada menos.
Voc� mata porque, sabe, n�o bate bem.
Voc� vai me matar, certo? Ent�o, mate logo.
N�o aguento mais esse papo.
- N�o tem medo de morrer? - N�o.
Mas tenho medo que continue falando.
O que foi? Algum problema?
E se eu mat�-lo e pegar o dinheiro?
Seu pessoal vai me perseguir e me matar.
Se n�o matar, e pegar o dinheiro, voc� vem atr�s de mim, certo?
� mais ou menos isso.
Sabe, voc� podia me dar o dinheiro e ir embora.
E voc� me esqueceria?
N�o, mas voc� teria uma boa dianteira.
O pa�s � grande. Talvez eu nunca o ache.
E rachar a grana? Vamos rachar?
- Sinceramente? - Sim.
Eu iria atr�s de voc� e o mataria.
Por que n�o aceita metade e vive para gastar?
Porque eu s� seria metade feliz.
Mas teria sua sa�de.
Sabe...
n�o espero que entenda isso, porque voc� � um louco homicida...
mas � o princ�pio da coisa.
Fiz um servi�o. Mere�o e espero ser pago por ele. Quero tudo.
- � uma op��o dif�cil. - Complicada mesmo.
N�o o invejo.
O que faria se fosse eu?
- Se estivesse no seu lugar? - Sim. O que faria?
Eu n�o estaria no seu lugar.
Mas o seu n�o � muito melhor.
� uma quest�o de opini�o.
� isso que voc� acha?
Sabe o que estou achando?
Vou lhe dizer uma coisa. Acho o seguinte...
voc� est� tendo um dia ruim em uma vida que j� � p�ssima.
Chegou aqui e Barney Fife come�ou a atorment�-lo.
Voc� explodiu, come�ou a matar. Por qu�? Sei l�.
N�o sou psiquiatra, mas...
agora voc� est� frito.
Frito e mal pago. E sabe disso, por isso pensou no dinheiro.
Posso pegar o dinheiro, ir para o M�xico, deixar tudo para tr�s.
Morar na praia, tomar tequila e ver o p�r do sol.
S� que seus problemas est�o s� come�ando.
Pode me matar...
mas meu pessoal � como uma Hydra. Cortando uma cabe�a, nascem duas.
Nunca ir� parar de fugir, n�o se esconder�. Eles o achar�o.
E eles ir�o lentamente, mas com certeza...
mat�-lo.
� isso que eu acho.
Eu falo o que penso.
N�o posso deix�-los falar com a pol�cia, falar com seus amigos!
Vou matar todo mundo. Ningu�m jamais saber� que estive aqui.
Achei que voc� se julgasse um profissional.
Voc� � um grande amador.
Voc� est� bem?
Sim.
Gra�as a Deus.
Eu o matei.
Voc� n�o tinha escolha.
Ele morreu mesmo?
Sim.
N�o acredito que eu o matei.
Era ele ou voc�.
Est� tudo bem.
Isso est� come�ando a doer.
Pode abrir? A chave est� ali.
Pegou a chave?
N�o.
O que foi?
N�o posso.
N�o pode o qu�?
N�o posso solt�-lo.
Noreen.
Eu sei quem voc� �.
Eu jamais a machucaria. Eu juro.
Vai me matar assim que der.
Est� bem.
Certo.
Ent�o, n�o me ajude. O que vai fazer? Vai me entregar?
Vai me prender?
Sim.
Eu n�o faria isso.
Por que n�o?
Acha que a pol�cia pode proteg�-la?
Voc� jamais estar� segura.
N�o se mexa.
N�o vou para a cadeia.
Parado a�!
Vai atirar em mim?
N�o me obrigue.
Acho que n�o vai.
Vou, sim.
N�o acredito.
E como voc� sabe?
Pelo seu jeito de segurar a arma.
Eu atiro, eu juro.
Voc� n�o consegue, Noreen, matar algu�m de prop�sito.
Um ser humano? Voc� n�o � o tipo de pessoa que sabe se defender.
Voc� n�o me conhece. N�o sabe nada sobre mim.
Sei muita coisa sobre voc�.
Seu casamento est� falido h� anos e n�o tem coragem de cair fora.
Cale a boca.
Certo? E trabalha nesta espelunca sei l� h� quanto tempo...
servindo a caipiras e ganhando uma mis�ria.
N�o tem prazer no trabalho.
Aposentadoria?
Mesmo assim, n�o tem coragem de sair, tem?
Cale a boca!
Por isso acho que voc� n�o tem coragem de atirar.
Pare!
Eu vou atirar em voc�.
Abaixe essa arma, Noreen.
N�o chegue mais perto.
Abaixe a arma.
- Vou atirar! - Abaixe essa arma, Noreen!
Pare!
Pare. Pare.
- Estou falando s�rio. - N�o, eu que estou.
Cale a boca.
Sabe de uma coisa?
Acho que nem tem bala nessa coisa.
Como?
Acho que essa arma est� vazia.
N�o est�, n�o.
Vamos ver. Vamos pensar. Quantos tiros foram dados? Sete?
Oito?
Nem sei. Na confus�o, perdi as contas.
E eu sou profissional. Voc� � s� uma gar�onete toupeira!
Quer saber? Quer saber?
Tem raz�o. Sou uma gar�onete toupeira.
Minha vida � rid�cula e chata.
Tenho pavor de mudan�as. Eu fico quando devia ir.
N�o sou muito inteligente...
e acho que nunca serei feliz.
Mas sei de uma coisa que voc� n�o sabe.
� mesmo? O qu�?
Eu sei contar.
Uma no homem alto.
Duas no Hank.
Tr�s nos jovens.
Uma no teto.
Sete balas.
E tem uma para voc�.
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