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Original subtitles

Legendas - Kilo

Em 1994, Oregon tornou-se o primeiro Estado...

a legalizar o suicidio assistido.

Na época, só dois países, a Suiça e a Holanda...

autorizavam a prática.

Desde sua promulgação...

mais de 500 moradores do Estado do Oregon...

deram fim às suas vidas por meio dessa lei.

Roger Sagner foi o 343º.

Roger, você está pronto?

- Você está pronto? - Claro.

Então, ficará sentado, e terá de tomar...

Ao me deitar.

Alguém quer fazer alguma pergunta...

sobre como vai ser?

Roger tomará a medicação.

Ele deverá tomá-la...

entre 60 e 90 segundos.

Ele tomará a medicação...

e entrará em coma...

em questão de minutos.

Depois disso...

Vocês esperarão até eu morrer.

Não sabemos quanto tempo vai demorar.

Roger, falei com a outra mulher...

e disse que o remédio tem um gosto ruim.

Você pode beber um suco ou outra coisa.

Vamos ver se vou conseguir.

- Você quer um suco? - Sim, pode ser.

- Temos um refrigerante. - Certo, tudo bem.

Quer que eu deixe preparado, Roger?

- Deixe um copo aqui. - Roger, espere.

Antes de começarmos...

quero fazer duas perguntas.

Claro.

Serei incisiva. Você ainda pode mudar de ideia.

- Não vou mudar de ideia. - Certo.

E o que o medicamento vai causar em você?

Ele vai me matar, e me deixar feliz.

Então, vamos dar-lhe o remédio...

e você terá de tomá-lo entre 60 e 90 segundos.

Não precisa ser de uma vez. Beba devagar.

O gosto é muito ruim.

Há um refrigerante aqui, para beber depois...

mas não junto com o remédio.

Você quer dizer algo à sua família?

Agradeço a todos por estarem aqui.

- Amamos você. - Nós o amamos, Rog.

Vamos deixá-lo sozinho.

Agradeço pela sabedoria...

dos eleitores de Oregon...

por me darem a honra...

de escolher...

e fazer minha própria vontade...

para resolver meus problemas.

Obrigado a todos.

- Amo vocês. - Nós também, Rog.

Não quero ver essa parte.

Isto é, bem...

Agora, já é tarde.

Não precisa beber tudo de uma vez, Roger.

Beba devagar.

Alguém pode limpar meu queixo?

Claro.

Tem gosto de madeira.

Ele nunca bebeu, então não sabe...

Qual tipo de madeira?

Ele não sabe distinguir madeira de álcool.

Está chegando.

Está chegando...

Minha cabeça está mais leve.

Ouço vozes suaves me chamando.

Agradeço a todos...

sobretudo à equipe que preparou o remédio.

Digam à próxima pessoa que tem gosto de madeira...

mas que não é tão ruim.

Foi fácil, pessoal. Foi fácil.

Adeus, Roger.

COMO MORRER NO OREGON

Gordon Green. O médico deixou uma receita.

- Gordon Green? - Sim.

Tenho um plano Regente, da Blue Cross.

O senhor trouxe o cartão?

Claro. Eu não sabia que teria cobertura.

Certo.

O total ficou em $89,52.

Aqui está a mercadoria. E aqui está seu cartão.

- Obrigado. - Muito obrigado.

- Obrigado. - Tenha um ótimo dia.

Claro. Todos os dias são ótimos para mim.

- Como você está? - Estou bem.

Vamos logo para casa.

- Onde vai guardar isto? - Deixe comigo.

Preciso saber se devo por na geladeira.

Acho que não. Ele não disse nada.

Este é o último remédio que terei de tomar.

Olá, Sue. Aqui é Gordon.

Sei que é domingo, mas deixarei um recado.

Hoje fui comprar o remédio na farmácia...

e ele já está comigo.

Tenha um bom dia, e um bom fim de semana.

Oh, rapaz.

Bem, ainda bem que terminou.

Sim.

Foi mais fácil do que pensei.

É.

Olá, Sue. Aqui é Gordon.

Sei que é domingo, mas deixarei um recado.

Voluntários do Grupo Compassion and Choices...

ajudam grande parte dos que utilizam a lei.

Sue Dessayer é voluntária há sete anos...

e um dos membros mais participativos do grupo.

Sinto-me privilegiada por estar na vanguarda...

de tal movimento médico, social e político.

Quando vou encontrar alguém pela primeira vez...

sempre há um pouco de ansiedade...

e acho que a ansiedade é produtiva.

Nunca trato o processo...

com indiferença.

Nunca sei se eles vão entender...

o que estão buscando...

além do processo todo.

E sempre me lembro de que a decisão é deles...

e que eles comandam tudo.

- Olá Elizabeth. - Hoje, ela não está bem.

- É mesmo? - Mas entre.

Olá, Sra. Lucke.

Sou Sue Porter, do grupo de apoio.

Falamos ao telefone algumas vezes...

sobre a senhora querer dar fim a sua vida...

e receber a medicação para talvez fazer isso...

se essa for mesmo sua decisão.

Por isso estou aqui...

Não, você não está.

Dar fim a minha vida? Ainda estou vivendo...

mas para mim, a vida já acabou.

Só quero...

sair da vida.

Essas pessoas...

perderam o controle...

e nos dizem repetidas vezes...

que querem a medicação para terem um controle.

Assim, caberá a elas tomarem essa decisão.

Infelizmente, fui diagnosticado com ELS...

há cerca de um ano...

e recebi um diagnóstico de seis meses de vida.

Ainda posso andar com dificuldade...

mas só quando o prazo terminar...

eu tomarei essa decisão.

Então, Gail, como reage ao ouvir o que Peter diz?

Ele pensa nisso há muito tempo.

Vai ser difícil, pois sempre estivemos juntos.

Ele ainda é maravilhoso.

e me ajuda demais.

Este é o pedido...

da medicação...

para acabar com a vida de forma humana e digna.

Peter, você deve assinar...

e ter duas testemunhas para comprovar...

que sua decisão é sadia.

E talvez o tempo previsto...

até você não andar mais...

possa mudar.

Esse prazo pode mudar. Nada é tão definitivo.

Entendi. Eu agradeço.

Então, está tudo pronto.

Temos um cuidado muito grande...

para alertá-los...

de que não vendemos um processo.

Não fazemos isso.

Nós oferecemos uma opção.

E conforme falo com as pessoas...

ou entro em contato com elas...

sempre me lembro...

de salientar essa ideia.

Lembre-se de pedir Seconal. Você quer o mais barato?

Não sei. Qual é aquele de beber?

É o Nebutol. Na verdade, ele está no formulário.

Ele está aqui.

Nebutol.

Sra. Wakefield, não podemos prever quanto vai custar.

Certo.

Mas o Nebutol custa mais de $ 1mil.

O Seconal custa $130.

Vejo essas situações com certo pragmatismo...

pois deve ser assim.

Se tudo fosse emocional, eu não conseguiria.

- Olá, Sue. - Olá, Donna.

- Como está? - Estou bem, e você?

- Estou ótima. Obrigada. - Entre.

- Prazer em vê-la. - Igualmente.

- Olá, Gordon. - Olá, Sue.

- Você está ótima. - Obrigada.

Sente-se.

Donna ou Gordon, o remédio está aqui?

Donna, ele está na gaveta de baixo...

no lado direito.

Fomos buscá-lo, e não tivemos problemas.

Ótimo.

Deu tudo certo, e esperamos que ele fique guardado.

Mas se eu estiver na cama depois de um derrame...

vou querer usá-lo.

Não ficarei na cama para ela cuidar de mim.

Sabe, vi meu pai sofrer por 12 anos com isso...

e um lado dele parou de funcionar.

Ele dizia que era como viver num barril.

Ele via e ouvia tudo, mas não fazia nada.

E ele sempre dizia que queria por um fim.

Com minha mãe foi a mesma coisa.

Ela queria por um fim.

E eu não sabia por que eles queriam isso...

mas hoje, entendo.

Conseguimos enfrentar tudo por um tempo...

mas depois, nos cansamos.

Mas eu aguentarei firme até chegar a hora.

Então você comprou Seconal.

Há três medicamentos aqui.

Sei que já falamos disso antes...

mas representamos a escolha, e nunca a morte.

Então, caso você opte por tomar este remédio...

faremos da seguinte forma. Farei duas perguntas.

Vou lhe dizer que você pode mudar de ideia...

e depois, pedirei que me explique...

como a medicação funciona.

E você terá a opção de fazer como quiser.

Você pode ter somente Donna aqui...

ou pode chamar os amigos.

- Você pode... - Só ela já basta.

Você pode mudar de ideia. A decisão é sua.

Isto é Seconal...

e há 100 cápsulas aqui.

- Mas você não tomará todas. - Eu levaria um dia inteiro.

- Exato. - Eu ficaria exausto.

Então vou abrir e esvaziar as cápsulas...

e depois, adicionarei 170ml de água morna.

Eu beberia uma cerveja para ajudar a descer.

Você pode beber o que quiser.

Isto deve ser consumido em um minuto...

- ou um minuto e meio. - Vai ser fácil.

E as pessoas entram em coma em poucos minutos, Gordon.

Meu coração é tão ruim que nem vai conseguir.

Ele vai parar logo.

Já tenho pequenos surtos quase todos os dias.

É mesmo?

Acho que não vou precisar disto...

mas um dia, vou querer me deitar e não acordar.

E não há nada de errado nisso.

Então, pela primeira vez, farei a coisa certa.

Estou me sentindo bem. Podemos repetir.

Não será a última vez.

Eu não me lembrava de quão íngreme é.

Será que... acho...

Bem, vamos tentar chegar ao topo?

Eu topo.

Estou bem.

- Vocês podem me carregar. - Pode deixar.

Estou me sentindo bem.

Já fiz muita coisa esta manhã.

Já fui a Goodwill. E me lembrei agora...

de que ia chamar as pessoas para levarem minhas roupas,

mas vocês podem ir primeiro.

Eu queria saber...

Você precisa tocar a árvore.

Ela disse que queria uma camiseta usada.

É mesmo? Ela quer a verde.

É boa ideia, mas depois pensei, "e o que eu quero"?

Então eu disse: "posso ficar com o Volvo"?

Você pode usá-lo quando quiser.

Quer ir por aqui?

Bem, podemos dar a volta, e descer pela...

- Como está se sentindo? - Estou bem.

Na verdade, se quiser ficar com o Volvo...

Em novembro de 2007...

tive uma horrível dor de estômago.

Era uma dor terrível que eu nunca tive.

Então, fui ver o que era, algumas semanas depois.

A médica pediu uma ultrassonografia...

e depois de receber os resultados...

ela me chamou ao consultório...

e começou a chorar.

Ela disse que eu tinha algo grande no fígado.

Cody tinha um câncer primário do fígado...

do tamanho de uma toranja.

Era um tipo de câncer que não podia ser curado...

por meio de quimioterapia e radiação.

É um câncer que só deve ser tratado com cirurgia...

e não há muitas opções eficazes.

Tínhamos só uma chance de removê-lo...

e esperamos que fosse o suficiente para ela.

Fiz a primeira cirurgia.

Parecia ter corrido tudo bem...

mas houve complicações, e fiquei 50 dias...

internada na UTI do hospital.

Fiquei em coma por um bom tempo...

e, de repente, abri os olhos e disse...

"o que houve comigo"?

Na noite anterior à segunda cirurgia...

ela deveria tomar analgésicos...

mas vomitava muito...

e não conseguia manter as pílulas no estômago.

Então, os analgésicos pararam de fazer efeito...

e ela disse que não queria ter uma noite daquelas de novo.

Se ela tivesse morrido no hospital...

seria como se ela fosse tirada de nossas mãos...

porque ainda lutávamos para ficar com ela.

E os hospitais servem para isso...

para manter as pessoas vivas.

Precisei aprender a andar de novo.

Eu não comia, e não podia ir ao banheiro sozinha.

Eu não podia tomar banho sozinha.

Se eu caísse, não podia me levantar.

Passei seis meses sem poder cuidar de mim.

Achamos que talvez tivéssemos evitado o pior...

mas o radiologista disse que viu algo no ultrassom.

Eu vi que era, e logo pensei na volta do câncer.

O câncer havia voltado...

e não tínhamos muitas opções boas para ela.

Os resultados desta doença não mudaram em 30 anos.

Se pudermos retirá-lo, ótimo...

mas se algo ficar para trás, o câncer voltará...

e ficará mais agressivo.

Ela disse que se o câncer voltasse...

e não houvesse muitas opções de tratamento...

e ela teria de pensar na lei de Morte com Dignidade.

Fiquei chocada ao pensar na esfera intelectual...

de uma lei que apoia meus valores...

contra prescrever uma receita para um medicamento...

que pode acabar com a vida de alguém.

O que me levou a tomar a decisão certa foi...

falar com minha irmã, que teve câncer de mama...

sobre como eu gostava dessa mulher...

e tudo que passamos juntas.

Passamos um ano inteiro numa relação muito íntima...

como médico e paciente...

e eu gostava muito dela e de sua família.

E minha irmã disse que eu não teria dúvidas...

e que deveria ajudá-la, pois era a médica dela.

E esse foi um ponto decisivo para mim.

Se eu tivesse opção, preferiria não morrer.

Mas saber que vou morrer daqui a três meses...

com um líquido saindo pelos poros parece bom?

Acho que não.

Prefiro morrer enquanto ainda me sinta bem...

e enquanto eu puder falar com minha família.

Ela se preocupa muito com seus filhos...

e também é muito digna.

Para ela, é difícil estar doente...

Porque ela gosta de mostrar que está saudável.

Fui criada no campo.

Sacrificávamos os cães e os cavalos.

Não deixávamos nenhum animal sofrer.

Cody me ensinou que não fazer mal...

tem um significado diferente para cada um.

Para ela, fazer mal era perder o controle...

e fazer da forma em que o corpo decidir...

em vez de deixar a pessoa decidir por si.

- Desculpe. - Você sentiu dor?

Você está tomando alguma medicação?

Tomei algumas hoje...

porque essa dor é um pouco assustadora.

Mas não tomo nada. Nunca tomei.

Mas é claro...

que esse tipo de dor...

tira nossa capacidade de tomar decisões.

Vamos ver.

Então, o remédio é este.

É muito bom saber que eles estão aqui...

e que não terei de passar por mais burocracia.

Não preciso mais ir à farmácia.

Eles já estão aqui.

Posso tomá-los quando eu quiser.

Não é algo que eu deva fazer.

Não estou num hospital onde alguém diz...

que devo fazer outra tomografia...

ou que devo passar...

por outra cirurgia.

Optarei por tomá-los quando eu quiser...

e se eu quiser.

A voluntária disse que saberei quando for a hora...

e confio nela em relação a isso.

Saberei quando minha vida não valer mais a pena.

Cody foi diagnosticada com seis meses ou menos de vida.

No dia 16 de fevereiro

ela planeja tomar a dose letal de Seconal...

no dia 25 de maio, no Memorial Day.

O dia está lindo. É incrível.

Quando vocês eram pequenos...

trouxemos calças e sapatos extras...

mas hoje, não fizemos isso.

Sinto-me como se já estivesse morta.

É estranho receber...

um diagnóstico tão ruim...

e ter de esperar...

para saber o que vai acontecer.

Mas com a lei...

posso ter um controle.

Posso oferecer isso a minha família.

Então, a maré está subindo ou descendo?

Muito engraçado.

E isso significa que posso me divertir...

sair para passear...

ir ao litoral...

e fazer tudo sem pensar em quando vou morrer...

porque eu já sei.

Meu filho, engenheiro e matemático...

não aceita muito bem...

e não fala sobre isso.

Quando ela soube, há um mês...

que o câncer voltou...

foi um choque.

Ela ligou para mim...

e só disse que o câncer havia voltado...

que tinha seis meses de vida...

e que tudo ia ficar bem.

E pensei: "vai ficar tudo bem"?

"Você tem seis meses de vida, e não fará nada"?

Aquilo era o oposto de ficar bem.

Eu não disse a ela que nada ia ficar bem.

Só pensei em duas coisas.

Eu poderia ficar zangado com ela pelo telefone...

ao saber que ela tinha câncer...

e fazê-la se sentir pior...

ou eu poderia aceitar e dizer: "sinto muito".

E eu me decidi pela segunda opção.

T, você me fez vir aqui.

T disse: "Eu sei que você está lutando...

mas se você não está lutando por você...

você lutaria por mim"?

Claro que eu faria isso se houvesse uma chance...

mas não há.

Obrigada, T.

Ainda penso nisso como uma desistência...

por ela não tentar tudo que há disponível...

mas ainda acho racional e correto...

não tentar fazer tudo que há disponível...

porque 95% de tudo só vai lhe garantir...

dois ou três meses.

E isso só vai lhe trazer mais dor...

e mais custos.

Não gostei dessa ideia. Quem pensou nisso?

Sei que é difícil, mas eles são ótimos.

Lindo! Lindo!

Sei que eles ficarão bem.

Estou escrevendo cartas, e pensando em tudo.

Esse é outro aspecto maravilhoso dessa lei.

Ela me dá uma chance de pensar...

em como quero deixar as coisas no final.

As imagens...

Desculpe.

Há momentos em que ela está pronta para ir.

Ela não gosta de estar doente.

Mas você sabe, há dias em que ela está...

saudável e grata por estar viva.

Não vou morrer com um líquido...

escorrendo pelos poros e pelas pernas.

Não vou pesar quase 100 Kg de novo.

Não vou perder meu cabelo de novo.

Não me sentirei humilhada de novo...

por perder o controle das funções corporais.

Minha morte será organizada...

e não será fácil para minha família...

mas será muito melhor que as outras opções.

Ela diz que será fácil mas não para nós...

quando ela, você sabe...

tomar o medicamento...

e finalmente descansar.

Mas eu estarei lá.

Olá, meu nome é Odill...

e eu queria saber se vocês têm...

alguma informação impressa ou algo assim.

Estou pensando em fazer isso...

nos próximos meses.

E é isso.

Obrigada.

Meu nome é Derek Humphry.

Sou jornalista, escritor...

presidente da Organização para Pesquisa sobre Eutanásia...

e ha 30 anos, fundei a Sociedade Hemlock.

A missão da Sociedade Hemlock era...

ajudar as pessoas com problemas...

para morrer aqui e agora.

E depois, mudar a lei...

da melhor forma possível.

e de forma democrática em todos os EUA...

para autorizar a opção de morrer.

Eu me envolvi na questão em 1975...

quando minha primeira esposa teve câncer.

Eu não sabia nada sobre eutanásia...

e nem sobre o direito de morrer.

Na época, essa questão não era pública...

e era difícil saber algo sobre ela.

Na noite passada, um vídeo educativo...

exibido por um canal de TV do Oregon...

parecia inofensivo se não pensássemos...

que ele seria um guia para cometer suicídio.

O repórter Dan Lothian, da NBC, foi conferir.

Deve-se fazer um lanche leve...

duas ou três horas antes do fim planejado.

Como morrer, agora já está na TV...

desde a mistura da bebida letal...

até achar o gás correto e o saco da morte.

Em seguida, devemos ter um saco plástico...

do tamanho exato para cobrir a cabeça.

Esta é a forma caseira criada por Derek Humphry...

autor deste guia para o suicídio...

intitulado de "Saída Final".

Isto é o que recebo todos os dias.

São cópias de Saída Final e do Guia para Eutanásia.

O grupo Compassion and Choices, uma organização nacional...

assumiu a Sociedade Hemlock há alguns anos...

e há outro grupo muito bom...

o Compassion and Choices, de Oregon.

O essencial para a lei de Oregon ser aprovada...

e para os médicos a terem aceitado...

é que o médico não mata o paciente simplesmente.

O paciente se mata.

A Associação Médica Americana...

como todas as associações médicas do mundo...

é contra a eutanásia...

que é feita por meio de uma injeção letal.

E por isso o Dr. Kevorkian ficou preso por 9 anos...

por injeção direta na veia.

A lei de Oregon já foi testada...

e agora, é hora de tentar levá-la para outros Estados,

O movimento tentou aprovar uma lei em Washington...

similar à lei de Oregon.

E foi uma disputa.

UM ANO ANTES

Ao ver estas fotografias...

posso notar...

quanto eu estava apaixonada...

e quanto eu o adorava.

Posso ver no meu rosto e no rosto dele também.

Sinto como se esta foto tivesse sido feita ontem.

Eu me sentia a mulher mais sortuda do mundo...

por tê-lo conhecido.

E eu era. Eu era mesmo.

Quando ele fez 55 anos, no ano 2000...

fomos ao médico e vimos que Randy tinha...

câncer no cérebro e na medula espinhal.

Foi um diagnóstico muito triste...

e soubemos que ele morreria assim.

O tratamento era muito agressivo...

e gera uma série de efeitos colaterais...

que podem ser piores do que a morte.

Ele fez uma cirurgia que removeu parte do tumor...

em junho de 2000.

Depois, foram meses de radioterapia.

Ele passou por três tipos de quimioterapia...

e retirou um nódulo de um lado da cabeça...

que controla o equilíbrio.

Então, ele começou a tropeçar e cair...

e feria a cabeça.

Eu chegava do trabalho e o achava sangrando.

Então, em 2005 o câncer voltou...

e Randy resolveu parar com o tratamento.

Ele não queria mais.

Ele pediu ajudar ao hospital...

no sentido de eles o auxiliarem...

caso ele quisesse morrer.

Mas eles não puderam ajudá-lo, pois era ilegal.

Então, ele disse que queria ir para Oregon...

porque lá era legalizado...

e eles disseram que ele não viveria o bastante...

para fixar residência.

Ele disse: "Se não quiserem me ajudar...

não preciso de vocês".

Depois disso, as coisas pioraram.

Ele ficava na cama o dia inteiro.

Ele não controlava os braços e as pernas...

e gritava de dor.

O pior aspecto era a incontinência.

Ele teve que usar fraldas, e odiava isso.

A visão dele foi comprometida...

e os olhos saíam do globo ocular...

até ele não conseguir mais fechá-los.

Um ano após esta foto ter sido feita...

estávamos no hospital...

e eles pediram o cartão do convênio para Randy.

A recepcionista achou que ele tivesse 80 anos.

Em um ano, a aparência dele ficou assim.

Eles acharam que ele tinha 80 anos.

E todos os dias, ele me dizia como se sentia...

e que metade do corpo não estava presente.

Ele sentia que estava deixando seu corpo...

e sentia que estava voltando ao seu corpo...

mas depois dizia...

"Nancy, como posso deixar este corpo"?

"Como faço para deixar este corpo para sempre"?

"Não quero mais voltar".

Eu não podia fazer nada, exceto segurar a mão dele...

e era só isso.

Seis semanas antes de morrer, ele disse...

"Nancy, será doloroso e horrível".

"Prometa que você irá ajudar a mudar a lei".

E prometi a ele que mudaria a lei...

e que não sabia como ia fazer aquilo...

nem o que ia acontecer e nem quanto tempo levaria.

Quando fiz essa promessa a Randy...

Quando se ama alguém, você concorda...

e diz que vai ajudar.

Só depois, você procurará saber.

Seis ou sete meses após a morte dele...

falei com algumas pessoas do Compassion and Choices...

contei a história de Randy e disse que faria de tudo.

Era o que meu marido queria, e eu faria de tudo.

Então, eles me chamaram...

dizendo que estariam na capital, em Olympia...

e me pediram para falar.

Aceitei na hora...

e foi assim que comecei.

Ainda não assinei.

Perguntei ao pessoal da campanha...

se a última assinatura poderia ser minha...

e eles prontamente aceitaram a ideia.

Meu nome é Nancy Niedzielski.

Há dois anos, neste mesmo mês.

meu marido, Randy, morreu de câncer cerebral.

Por favor, ajudem-me a cumprir...

a promessa que fiz ao meu marido...

legalizando a Morte com dignidade...

ao dizerem "sim" para a lei I - 1000.

Obrigada.

Quando finalmente assinei a cédula...

eu estava tão tomada pela emoção...

que quase não consegui assinar.

Um passo adiante.

Eu tremia.

Isto é para você, Randy.

Eu o amo, acima de tudo e um pouco mais.

SIM! PARA I - 1000

Cody sobreviveu ao prognóstico de seis meses.

Ela iniciou um novo tratamento paliativo...

que melhorou sua qualidade de vida.

Por um tempo, achei que todos estavam esperando minha morte.

Mas hoje, não me sinto mais assim.

Voltei a ser eu mesma.

Pela primeira vez, desde que tudo começou...

eu me sinto mais atrevida.

E de certa forma, isso é confuso.

Eu deveria estar muito doente...

mas me sinto ótima.

E isso é muito legal.

Passarei outro Natal com as crianças.

Então, tudo parece voltar...

ao normal.

Mas agora é diferente. É uma nova normalidade.

Eu não definiria outra data.

Quando somos diagnosticados, queremos ter certeza...

e uma data nos dá essa certeza.

Mas é uma certeza vaga.

Eu tinha seis meses de vida.

Felizmente, a nova lei não reforçou a data...

porque fiz tudo o que podia fazer nesse tempo...

e caso aconteça algo dramático...

já estou preparada.

Mas por enquanto, posso esquecer disso.

Tem sido ótimo para mim e Stan...

porque tivemos um verão inteiro de férias...

que nem esperávamos e passamos um tempo juntos.

Então, tem sido um ótimo verão...

um verão inesquecível.

E é difícil não pensar...

que talvez eu não morra.

Talvez eu viva por mais 20 anos.

Mas tento transformar esse pensamento em...

"puxa, que dia lindo".

Saber que posso cozinhar...

beijar meu marido...

e falar com meus filhos...

por mais um dia...

É ótimo.

- Como você está? - Estou ótima.

- Ótimo. - Isso é bom.

Ontem, tomamos o desjejum juntos...

com as crianças, e vi que Cody ficou cansada.

Então sugeri que ela fizesse uma pausa...

mas ela quis caminhar.

Então, fomos até o topo...

tocamos na árvore, e descemos de novo.

- Muito obrigado. - Que bom.

E as pessoas têm falado...

que ela nunca esteve tão linda.

Mas é porque estou magra. É só por isso.

E é perturbador porque a sociedade funciona assim.

Eu já ia dizer que isso não é bom.

Não é mesmo.

Jill e eu temos falado sobre as pessoas...

acharem que estou ótima. São pessoas que nunca vi.

"Foi a dieta do câncer. Muito obrigada".

Eu só não entendo porque estou tão bem.

E gostaria de saber quanto tempo vai durar.

E sei que ninguém sabe.

A verdade é que eu estaria supondo.

Você não demonstra sinais...

e eu não vejo sinais de problemas no fígado.

Ou seja, você não está tendo hemorragias...

e nem hematomas.

Você não tem mais acúmulo de líquido na barriga.

Bem, de fato, estou um pouco inchada.

Parece que está saindo um pouco mais.

A dobrinha está aparecendo mais?

Mas falo de um acúmulo que a faz parecer grávida.

É um acúmulo de líquido bastante significativo.

Você já viu alguém com insuficiência hepática...

que tenha esse acúmulo?

- Já li sobre isso. - Não é sutil.

em termos de tempo, essa é a parte difícil.

Não sei quando os tumores vão obstruir...

os dutos biliares para gerar um acúmulo...

e causar um risco de infecção.

Pode ser algo muito rápido.

Daqui a dois meses, você poderá dizer...

que está mais fraca do que no mês anterior.

Então, saberemos que isso é o começo.

Mas não sei...

Posso examinar o dreno para ter uma ideia.

Vamos limpá-lo...

para ver se achamos algo.

Só quero ter uma ideia de como você está.

Avise se começar a sentir calafrios.

Ele está entrando com facilidade...

e não tem dificuldade para sair. Ótimo.

A coloração está boa. Mas já vi alguns.

Tem alguns pedacinhos, mas não é muito.

Agora, pude ver uma boa amostra.

O dreno não era seu?

Está tudo bem.

Não vejo muitos pedaços que possam me dizer...

que seu dreno esteja obstruído.

- O que é isto? - Isso é a bílis.

Ela está numa solução salina.

E talvez as partes sólidas sejam algumas bactérias...

ou mesmo um tumor, é difícil dizer.

- É isto aqui. - É mesmo? Ele é assim?

Pode ser.

Estou sem o microscópio, mas pode ser.

Já tentei me colocar no lugar de minha mãe...

e é muito difícil...

saber que você morrerá em alguns meses...

sem ter a opção de controlar isso.

Todos da família gostam de estar no controle...

e acho que todos nós gostaríamos de ter opções...

para assumir o controle de nossas vidas no final.

Pobre Jilly. Ela terá de voltar para D.C.

Sabe T., quando você estiver aqui, no sábado...

faremos um vídeo da família.

Poderíamos fazer um vídeo de nossa conversa, Jilly.

Passo por períodos de calmaria...

mas também passo por períodos emotivos.

Geralmente, é quando penso no futuro...

e naquilo que eu gostaria que minha mãe visse...

mas não poderá ver.

Um dos meus destaques da minha última viagem...

foi vê-la revendo suas joias e lenços.

Ela estava mesmo se desfazendo deles.

Ela estava deixando seus objetos comigo.

E houve um momento em que pensei...

que ela tinha ido buscar outras coisas...

e fiquei lá, dobrando os lenços e pensando...

que seria tudo diferente se ela já tivesse morrido.

Sabe, o fato de estar lá, dobrando os lenços...

seria trágico em vez de ser um momento bom.

U. S. Air, é aqui.

Acho que as crianças não estão tão preocupadas...

porque tenho sorte por não me sentir doente.

Mas ninguém sabe como vou me sentir em alguns meses.

Enquanto isso, continuamos vivendo.

e tudo ficará bem.

Mas agora, eles ainda podem trabalhar...

tirar férias e pensar sobre as coisas deles...

em vez de esperarem pela minha morte.

Fiz um bom trabalho. Eles estão voando,

Não preciso ligar para eles o tempo todo.

Obrigada, querido.

Esta é a KUOW 94.9, de Seattle.

O debate ético e pessoal sobre a iniciativa 1000...

será esta semana.

Uma pesquisa anônima com médicos...

mostra que 50% são a favor, e 42% são contra.

Este país tem problemas em relação à morte.

Todos morrem de medo, e não falam sobre isso.

Quando vejo a importância dos cuidados com a saúde...

não sei dizer se a lei...

será crucial para isso.

Meu pai estava morto, mesmo estando vivo.

Ele tinha o direito de fazer o que fez...

e eu apoio a iniciativa.

Eu não sabia onde fui me meter.

Foi assustador. Foi duro.

Eu não estava acostumada a falar com a imprensa.

Eu nunca havia feito isso antes...

e não me importava se fosse difícil.

Eu tinha uma missão.

Quer informações sobre a I - 1000?

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