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Original subtitles

Vamos, mi�das! Um pouco mais depressa.

T�m que p�r mais entusiasmo.

N�o se pode obter mais partido disso?

- � dif�cil de melhorar. - Pois h� que tent�-lo.

Abaixa-o da�. Sobe para o ajudares.

Passem raparigas. Que o ajudante as vejam.

S�o as raparigas eleitas para a cena da modelo.

Muito bem. Podes descansar um momento.

Alto. Alto! A m�sica!

Deem meia volta devagar.

A volta completa.

Muito bem.

A jovem loura. Aproxima-te, por favor.

Tem isso presente, Parker. Necessitamos de uma aut�ntica sensa��o. Uma bomba.

J� a temos. � isto o que necessitamos.

Muito bem raparigas. As outras podem retira-ser.

Vai ao Departamento de Alfaiataria. Sabes onde �?

Sim, senhor.

� por ali.

Oh, obrigada. Muito obrigada.

Iludida.

Que cabelo!

E que corpo. Como se chama?

Jean Harlow.

Motor. Ac��o!

Vamos, abandonem a cal�ada.

Aqui n�o h� nada que fazer.

Circulem. Abandonem a cal�ada.

Vamos. Tu n�o. Tu podes ficar onde est�s.

- Obrigada, agente. - N�o tem de qu�.

Mas o que � isto?

Como me puseram!

Ouve!

Cortem!

N�o te mexas, querida. Quieta. Vale a tomada.

Vamos ver...

Vale a tomada. J� o tinhas ouvido.

Toma um primeiro plano aqui.

Luzes. Preparados para um primeiro plano.

Sil�ncio. Quarta tomada.

Aten��o! Luzes!

- Preparados? - Preparados.

Se rueda.

Motor!

Ac��o!

Bem. Cortem.

- Est�s bem? - Sim.

- Sabem onde est� o Sr. Hanson? - No seu camarim.

- Obrigada. - As tuas.

Eu sou s� um ajudante de direc��o,

n�o o director do est�dio.

Adeus.

Entra.

Ol�.

Cerveja?

- A s�rio n�o queres? - N�o, obrigada.

Tu �s a da cena do embargo, n�o?

A que eles levam a cama em que est�s deitada.

E o que est�s a vestir?

Tira a bata. N�o consigo ver atrav�s da roupa.

�s das recatadas, eh?

Fecharei a porta.

Vira-te.

Vejamos como ficas deitada.

N�o tenho muito tempo.

Quantas sess�es tens na pel�cula?

Uma.

Gostarias que fossem cinco?

- Escute... - Escuta-me tu.

Se procurares ser am�vel comigo, dar-te-ei mais trabalho.

N�o, obrigada.

N�o queres fazer carreira nesta profiss�o?

Sim, mas pelo meu talento.

Tu n�o �s a Sara Bernhardt, querida.

Tens que tirar partido de tudo o que

a natureza te deu.

Sempre foi assim.

Comigo n�o.

Pega ou larga.

Rogo-lhe que me solte.

Est� bem.

Central, diga-me.

Ponha-me com a produ��o.

Produ��o. Fala o Teddy.

Far� falta outra rapariga para a cena da cama.

- Quem preferes? - Um momento.

J� pensaste?

Uma rapariga que n�o fique com vergonha de rodar essa cena.

Ol�, querida.

Eh, jovem. N�o me d�s o teu pagamento?

N�o me pagaram.

Tenho um cavalo que corre �s tr�s. O que fa�o agora?

Diz-lhe que n�o corra.

- Marino. - Diz-me, querida.

- Ocorreu alguma coisa? - N�o te pagaram.

- Jean. - O que � mam�?

O que se passa?

A �nica coisa que querem de mim � que me exiba.

Tens uma boa figura.

Para eles sou s� um corpo, sem rosto nem sentimentos.

O que se passou hoje?

Bem...

Estive no camarim do ajudante de direc��o e...

- Ele n�o tentaria...? - Claro que tentou.

Cinco dias de trabalho ou nada.

Que iria pegar ou largar

- E tu deixaste-o. - No momento.

�s demasiado joven para esta profiss�o.

� um mundo perverso e cruel.

S� para aqueles que pensan com maldade.

A ti quem te perguntou?

Nesta vida tem-se que engolir o amargo com o d�ce.

O que sabes tu disso?

Tive as minhas experi�ncias e desenganos.

- N�o v�s que est�s a sofrer muito? - N�o estou a sofrer.

Estou cansada de voc�s n�o trazerem um d�lar para casa.

- Que posso fazer eu? - E tu, pr�ncipe Marino Bello?

Lev�-las-ei � assolarada e rica Calif�rnia.

Viveremos nela com todo o luxo.

Colheremos com as m�os os frutos das �rvores.

Asseguro-te que esse dia chegar�.

Eres un vulgar so�ador.

- � o teu pai. - � o meu padrastro.

- A nobreza corre por minhas veias. - Sim...

Rei do engano, pr�ncipe pregui�oso, conde in�til e bar�o charlat�o.

Vou dar-te uns a�oites para te ensinar a respeitares-me um pouco.

Sou demasiado inteligente para n�o aprender nada de ti.

Chega. Que coisas te ocorrem.

Todos sabemos o que �s, n�o?

Tens uma l�ngua de v�bora, pequena.

Mas �s demasiado honesta para fazer carreira no cinema, eh?

Marino...

No dia que decida atirar-me na corrente f�-lo-ei porque quero, e n�o em teu benef�cio.

Antes morrer de fome.

- N�o digas essas coisas, filha. - Deixa-me. N�o me encontro bem.

- Queres que te prepare alguma coisa? - S� preciso de estar s�.

Achas que deixaste esse trabalho definitivamente?

N�o sei.

Espera que se acalme...

e convence-a para que volte.

D�s conta do que pedes?

Algum dia tem que mostrar que � uma mulher.

Mas n�o deste modo.

Damos demasiada import�ncia a quando, a como e a onde.

Sim � o primordial na vida.

A mais lindo de tudo � que isso pode ser feito.

Nem toda a gente pensa o mesmo.

� uma mi�da apaixonada.

Ferve-lhe o sangue.

Herdou-o de ti.

Marino...

Porque n�o trabalhas?

Trabalho sempre...

Trabalho, trabalho...

Como se isso fosse o �nico objectivo da vida.

Quero algo melhor para n�s.

Quero fazer algo que mere�a a pena.

Quero fazer algo que mere�a a pena.

E se estou amarrado...

Mas devemos muito dinheiro.

E temos de comer.

Se a tua filha trabalhar ainda que s� seja...

uma temporada...

estou certo de o conseguir.

Ter�s tudo.

Dinheiro, criados...

Mas ela n�o quer trabalhar ali.

Trabalhar�. Mas ela n�o quer trabalhar ali.

Trabalhar�.

Imag�na que n�o quer.

Trabalhar�. N�o se resignar� a n�o fazer nada.

Vem c�.

Vem.

Vem, meu amor.

N�o te preocupes com a nossa pequena Jean.

Atr�s desse fr�gil e delicado corpo...

esconde-se uma mulher t�o forte como uma est�tua de m�rmore.

Sim, mas tu n�o precisas de esperar.

Se eu aceitasse um emprego...

com quem te distrairias durante o dia?

Lamento. Hoje n�o h� nada.

Outro dia ser�. N�o p�de ser. Paci�ncia.

Bem, mi�das. Coloquem-se numa fila a olhar para l�.

- Aquela com a blusa de bolinhas. - No plat�, por favor.

E tu.

Betty.

Tu. N�o, tu n�o. A rapariga que est� atr�s.

No plat�, por favor.

E tu.

E tu. S�o suficientes.

Obrigado, mi�das. Chegam.

Lamento, raparigas. N�o h� mais nada.

Ac��o!

Cortem! Boa tomada.

T�m uma hora para almo�ar.

- O que h�, querida? - Ol�.

Depressa. S� t�m uma hora.

Toma, mi�da.

Eh, um momento.

O que se passa, Jim?

Perd�o.

- Aconteceu alguma coisa? - Sim...

- Tu n�o est�s no elenco. - Eu trouxe-a para fazer um teste.

- A s�rio? - Sim.

� estranho. N�o me disseram nada.

Mas asseguro-te que se esqueceram.

Sim, n�o duvido.

Vamos, n�o percamos tempo.

Queres um refresco?

- Laranjada, por favor. - Uma laranjada.

- Ol�, Arthur. - Ol�, Bob. Alegro-me que trabalhes.

Senta-te.

Senta-te.

Vamos, come.

- Est� bom? - Sim.

Quem � voc�?

Ah...

Arthur Landau.

Agente.

Queres representar-me?

Pois n�o sei.

Acabo de a ver uma magn�fica interpreta��o.

Digna de Chaplin.

Basta um quarto de d�lar para te pagar?

N�o.

Receava. Toma, fica com o resto

ou chama a pol�cia se preferires.

Acalma-te. Aqui sobra sempre comida. V� l�, senta-te.

Vamos, vamos...

Come o frango, parece bom.

Eu j� te havia visto trabalhar.

Por certo, bastante mais

aligeirada de roupa.

Ah, eu entendo.

Tu �s da mesma esp�cie mas n�o tens tanta pressa em atacar.

Sabes como � a vida, �eh?

Sim, mas n�o por experi�ncia.

Uma boa not�cia.

Eu sei.

Toda a gente o proclama pelos est�dios.

A decente Jean n�o quer ceder.

Por tanto n�o haver� carreira no �cran.

Quanto achas que vai resistir?

Se eu proponho sempre.

E se a fome te acorralar?

- Aonde quer chegar, senhor...? - Landau. Arthur Landau.

Sim. Agente.

Agente de quem?

Das estrelas da manh�.

Levo j� dez anos de of�cio.

Tenho bom olho.

Para as jovens louras e famintas.

Eu olho sempre para o futuro.

E dentro de um ano...

dentro de cinco anos...

n�o a vejo uma jovem loira e com fome.

Vejo uma estrela desejada por todos e muito rica.

Coberta de peles.

Num carro com chofer que a acompanha todos os dias at� ao seu camarim.

Vejo que os dois sonhamos o mesmo a meu respeito.

J� sucedeu com outras e pode-se repetir.

J� tens agente?

N�o roubaria a comida.

Aceite a minha oferta. Dar-lhe-ei trabalho e voc� d�-me dez por cento.

Passa o dia aqui para ver quem pica?

Represento doze actores.

Um trabalha neste filme.

Sou honrado. Tenho uma esposa encantadora e quero-lhe.

E por uns dez por cento posso oferecer-lhe o trabalho que tanta falta lhe faz.

De acordo?

De acordo.

Termine. Trabalhar� dentro de dez minutos.

- A s�rio? Onde? - Aqui, neste filme.

Ah, esquecia-me de algo importante...

- De qu�? - Como se chama?

Harlow. Jean Harlow.

Nem eu poderia inventar outro melhor.

- � aut�ntico. - Bom.

Tudo em mim � aut�ntico, Sr. Landau.

Muito melhor.

N�o pense que esta profiss�o � f�cil.

� de malucos.

Um jogo em que toda a gente engana.

Mas a partir do qual se pode retirar uma boa maquia.

- Vive s�? - Com a minha m�e e o meu padastro.

- N�o gosta dele, n�o �? - Eu n�o disse isso.

A sua voz disse.

N�o se trata do que se diz, mas sim de como se diz.

Lembre-se. Eu estudo as pessoas.

Um produtor pode gritar comigo, insultar-me, e no entanto

sei que chegaremos a um acordo.

Se n�o estivesse interessado, diria um ressonante "n�o".

H� que saber, que os dois lados da c�mera actuam de igual modo.

N�o compreendo como voc� n�o � o melhor agente da cidade.

� t�o dif�cil como ser um bom m�dico.

� trabalho de artes�o.

Requer estudo, paci�ncia, tempo e muito tes�o.

� na pr�xima esquina.

Um mont�o de escombros junto a uma b�ca de rega.

N�o tente imitar-me.

- A imita��o... - � o sinal mais evidente do fracasso.

Seja sempre voc�.

A �nica. A original Jean Harlow.

Pode-se comprar uma c�pia da Mona Lisa por 10 centimos.

E n�o qualifique de mont�o de escombros a sua casa.

O aspecto de uma casa carece de import�ncia.

O importante � o que ocorre dentro dela.

Pare antes do mont�o de escombros junto a uma b�ca de rega.

De acordo.

Bem.

Nasceu na Calif�rnia?

Eu vim do Kansas. Sou de l�.

O nosso melhor gado vem do Kansas.

Como foi a da c�r do seu cabelo?

- De onde sacou a ideia? - Nasceu comigo.

� sua?

Original de Jean Harlow.

V�?

Se tivesse imitado Clara Bow, nunca teria reparado em si.

Quer os seus dez por cento?

Um d�lar. N�o � muito por toda uma tarde de trabalho.

Uma viagem de mil quil�metros...

come�a com um passo.

N�o dar� nem para a gasolina.

Um dia atirar-me-� � cara os meus dez por cento.

Isso nunca.

A natureza humana.

- Amanh� ligar-lhe-ei. - Adeus.

Obrigada por tudo, Sr. Landau.

- Isso n�o era necess�rio. - Eu sei.

Mas n�o pude evit�-lo.

Ah, n�o se comprometa para s�bado � tarde.

Porqu�?

Passaremos o fim-de-semana no rancho do Jack Harrison.

Jack Harrison? N�o ser�...?

O astro do �cran, sim.

Boa tarde, n�ufragos.

Falas tu.

Acaba de chegar Landau com os salva-vidas.

- Ol�. - Ol�, Arthur.

Eh, cavalheiros.

Apresento-vos Jean Harlow.

- Que tal? - Encantado.

Aquele t�o moreno e feio � o Jack Harrison.

Ol�.

O que est� sentado a teu lado � Rex Chambers.

O b�bado do charuto � o famoso director Dave Northcroft.

E o bonit�o que bebe leite � o infame produtor Marvin Silver.

Que acaba de te apagar da sua lista.

- Cinco mais. - Que sejam 10.

Vou.

Aqui tens.

Salchich�o, conservas, fruta...

� uma defer�ncia de Landau e companhia.

- A20. - Ah, que pesado.

Marie!

N�o grites tanto, homem.

Cartas.

Um copo?

N�o, obrigada.

Queres tomar um banho?

O caso � que...

n�o trouxe fato de banho.

Querias alguma coisa, Jackie?

- Sim. Arranja-lhe um fato de banho. - De seguida, querido.

Segue-me, amor. Vamos l� acima.

- Divertes-te? - Acho que sim.

Nunca tinha estado num lugar t�o bonito.

Diz-me...

Que programa h�?

- Querida! - Chama-me Jean.

Jean. Est� bem, Jean.

Isto n�o � um concerto. � a casa de Jack Harrison, que � muito diferente.

Esses indiv�duos que viste s�o bons rapazes.

Mas s�o homens tamb�m.

Assim, se n�o quiseres problemas, vai antes que eles deixem de ser bons rapazes

e se sintam homens.

N�o tenho nenhum m�do deles.

Eu n�o temo ningu�m.

N�o os conheces. N�o os conheces.

Sete.

Oito.

Nove.

- Dez. - Ah, muitas vezes um fracasso!

Dave, lembras-te daquela vez que te mandaram � piscina vestido?

Sim, mas vinguei-me bem.

Se tivesses visto como saiu...

Ol�, encanto.

Jean.

Apetece-te um copo?

N�o.

Como queiras.

Tens o cabelo molhado ainda.

J� secar�.

Arthur...

Arthur...

- Escuta, boneca... - A sua casa � maravilhosa, Sr. Harrison.

Claro. Um lugar acolhedor onde pode isolar-se com um livro ou...

com pessoas agrad�veis.

Arthur!

O que aconteceu?

Foi um prazer tomar um banho na sua piscina.

Alegro-me, mas espera um momento.

Por favor, n�o me toque. Arthur!

Arthur!

Arthur!

Arthur!

O que se passa?

O que ocorreu?

O que contaste sobre mim �quela mi�da?

Jack... � nova na cidade.

� nova em todas as partes.

Viu-te na tela e tem m�do de ti.

Oh, Arthur!

Deverias ter esclarecido que eu n�o sou como nos filmes.

N�o esque�as o seu nome.

� Jean Harlow.

Tenho a certeza que n�o esquecerei.

Bem, � hora de ir para a cama.

Boa noite.

Boa noite, Jack.

Muito obrigada por tudo, Sr. Harrison.

Arthur.

Diz.

Vai desmaiar. As suas pernas tremem. D�-lhe algo.

�gua de Azahar.

Eu estraguei tudo, certo?

Pois sim.

J� n�o quer ser meu agente?

N�o � isso.

Eu n�o sabia o que poderia acontecer.

Uma coisa que nunca farei � fornecer raparigas.

Tem corpo de mulher mas reac��es de menina.

Sim. � certo.

Eu s� queria que conhecesse os grandes do cinema no seu ambiente.

Para que n�o se desconcentre ao trabalhar com eles.

Nunca serei capaz de conseguir.

Sim consegui-lo-�.

Mas h� que superar esse m�do dos homens.

M�do dos homens?

Eu n�o tenho m�do dos homens.

Tenho m�do de mim.

N�o quero que a minha carreira comece e acabe numa cama.

N�o quero que a minha carreira comece e acabe numa cama.

Se chega a tocar-me sei que teria ca�do a seus p�s...

vencida sem remiss�o.

J� o tenho.

O qu�?

O seu lan�amento.

Uma mulher d�ce, linda, ing�nua...

mas com fogo no seu interior.

Sente m�do de si pr�pria...

porque lhe arde a alma.

Provocativa e sensual at� um ponto.

Ent�o... pam!

Bata com a porta e ponha loucos os homens.

Represente voc� esse papel e ter� mais trabalho do que pode realizar.

N�o poderia consegui-lo?

Lamento, mas j� sabe que o seu compromisso � �s onze.

Eu sei, mas s� resta um papel feminino neste filme

e tenho de entrar l� antes que chegue Travers com as suas raparigas.

- N�o quer que o seu chefe perca isso? - N�o quero ver-me numa confus�o.

O que acha de dois bilhetes para a noite de boxe de sexta-feira?

J� vi combates melhores ali dentro.

Acabo de o receber, directamente, de Paris.

� o perfume da moda.

Mesmo que eu consiga esse papel, a sua comiss�o ser� insignificante.

N�o interessa a comiss�o. Trata-se de iniciar uma grande carreira.

Esta � a cara que a Am�rica est� a desejar ver.

Alto. Alto!

Disse-te para n�o o atirares no ensaio.

Lamento.

- Vai-te maquiar novamente, vamos repetir. - Sim, senhor.

V� l� mexe-te, mexe-te. Mexe-te!

Pinky, necessitas de uma rapariga para o teu filme?

As raparigas encontro-as �s dezenas.

Mas nenhuma como Jean Harlow.

- N�o ouvi falar dela. - Vais ouvir.

Pinky.

Asseguro-te que tem um corpo de sonho.

E um sorriso que � o nascer-do-sol no deserto.

Um cabelo como tu nunca viste. Ouro branco.

- E um sal�rio em conson�ncia, suponho. - Trabalhar� pelo m�nimo.

E eu renunciu a minha comiss�o.

- Quinta tomada. - Motor.

- A rodar. - Ac��o.

Huevos frescos, se�orita.

- Ol�, Jean. - Bom dia, Arthur.

O pequeno almo�o, madame.

Oh, tu pensas em tudo.

Oh, cinco da manh�.

N�o me levantava t�o cedo nem para casar.

Tenho dois trabalhos para si hoje.

Uhm... dois b�los na minha cara?

Saias rasgadas ou cair em cimento fresco?

Acha que eu a faria fazer isso?

N�o, porque algo pior te aconteceria.

Hoje vestir-se-� como uma senhora.

Ac��o!

Cortem! Boa tomada!

Toda a gente no plat� doze, de seguida.

Sim, senhor. J� ouviram. Mexam-se!

Vamos, levar o que fa�a falta.

V� como n�o era cimento, querida?

Jean.

Jean.

A tua casa.

Oh.

Amanh� � domingo e poder� dormir at� tarde.

Segunda-feira come�a a trabalhar �s sete.

Isso se n�o tiver apanhado uma pneumonia e os meus ossos o permitam...

e as contus�es que tenho em todo o corpo.

N�o ser� sempre assim, querida.

O importante � que rode todos os metros de pel�cula que possa...

e se prepare para quando chegar o grande dia.

Come�o a duvidar que esse dia chegue.

Chegar�.

E todos reconhecer�o a sua valia.

Boa noite.

Coragem.

Ponha-me um pouco mais de vinho.

Certamente. O vinho � a poesia deste mundo.

Acreditem amigos.

H� tesouros ocultos ou enterrados por toda a terra.

Milh�es. Bili�es...!

que s� est�o � espera que algu�m chegue com alguns d�lares e os descubra.

Tenho mapas.

Mapas que me deixaram os meus antepassados.

Boa noite, minha querida estrela do cinema.

Apresento-te aos meus amigos.

- Boa noite. Muito gosto. - Aqui t�m a pequena Jean.

A que ensinei a falar...

e a comportar-se como uma senhora.

Vinho de importa��o.

Os vinhos da Calif�rnia n�o s�o apropiados para paladares selectos.

Tr�s d�lares a garrafa.

Eu tive que trabalhar duas horas por cada garrafa que est� nesta mesa.

Oh, Jean...

Sim. Mas quem te deu a oportunidade para que ganhes dinheiro?

Marino Bello. N�o � assim?

E v� se o teu agente encontra um papel adequado para mim em algum filme.

Ele s� trata com pessoas.

N�o h� que lhe dar import�ncia.

Uma boa actriz � sempre uma mulher temperamental.

J� se sabe, o rosto e a cruz...

da beleza.

Jean, filha.

N�o deves ser t�o cruel com Marino, pelo menos diante dos seus amigos.

Ganhar esse dinheiro custou-me muito.

J� o sei, mas...

Tive que deixar golpearem-me, que me destro�assem os vestidos...

que me dessem duche com mangueiras, me atirassem vestida a uma piscina...

encheram-me de lama.

Mas n�o para que esse gigol� beba vinhos de importa��o.

N�o faz nada de pr�ctico, eu sei, mas...

� um desaproveitado, uma sanguessuga.

� muito dif�cil para n�s continuarmos a puxar, e ele

d� festas aos seus amigos.

N�o o faz com m� inten��o.

N�o suporto esta m�sica.

Pensa que...

� o nosso anivers�rio.

O anivers�rio da nossa b�da.

Lamento, mam�.

Lamento de verdade.

N�o tem import�ncia.

Sei o que te ocorre.

"N�o poderias tentar mudar?"

Sim poderias.

Mas n�o o fazes.

E � o homem com quem eu me casei, o homem que quero.

Algum dia isto suceder� a ti.

E compreender�s o que quero dizer.

Eu nunca poderia casar-me com um homem que n�o gostasse de mim.

Podes odiar um homem por muitas coisas.

E no entanto, podes tamb�m...

querer esse homem sem saber porqu�.

Eu n�o poderia.

H� de ser por tudo ou por nada.

Oxal� suceda como tu o desejas.

Mas eu apaixonei-me dele...

sem o poder evitar.

� um bom homem.

Ainda que tudo na sua vida sejam sonhos.

Est� bem, mam�.

Se tu o desejas, farei o poss�vel por o entender.

Estou cansada.

Ser atriz � desgastante.

Eu n�o sou uma actriz, mam�.

Mais uma boneca. Um saco daqueles que os boxers golpeiam.

Uma boneca do Pim, Pam, Pum.

N�o sou um ser humano, mas mais um objecto nos estudos.

Mam�.

Que gosto tem esse vinho de importa��o?

Prova-o tu e saber�s.

Est�s preocupado com essa mi�da, verdade?

Achas prudente dedicar-lhe tanto tempo?

Trata-se de uma pergunta...

ou de uma reprova��o?

Eu diria que de uma pergunta.

Est�s apaixonado por ela?

Como te pode ocorrer isso?

Sabes que s� tenho um amor e que lhe tenho sido sempre fiel.

Sim, eu sei.

- A tua ag�ncia. - Exacto.

N�o. Tu sabes que �s tu.

S� que agora...

preocupa-te essa rapariga de um modo especial.

Sim.

� certo.

� uma rapariga sem educa��o, de reac��es imprevis�veis. Nada sofisticada.

� um exemplar �nico.

Original.

Uma aut�ntica revela��o.

Em que sentido?

� a inoc�ncia junto � promessa sensual.

Reflecte

uma paix�o clara e limpa, sem complica��es.

Supondo que isso exista.

Existe.

Uma vez na vida de cada mulher.

Depois do seu primeiro amor, do seu primeiro homem.

Essa paix�o limpa, clara e fresca...

transforma-se em algo parecido ao m�do e surge a incerteza.

Falo da vida profissional, n�o da vida �ntima.

Pode-se separar uma da outra?

S� sei que tenho um diamante por talhar nas minhas m�os

e tenho que vend�-lo como se fosse vidro.

Ningu�m est� disposto a pagar o seu pre�o.

Nesta pequena bobine est�o todos os pap�is que ela fez.

Sabes o que me custou, rodar estes metros?

Sim. Anos da tua vida.

Eu recorri a todos os truques da profiss�o.

Eu tive que lutar contra o indescrit�vel para continuar a trabalhar.

Eu fiz isso por nada, perdendo dinheiro.

E o que eles usaram at� agora?

De extra, um palha�o manda-lhe com um b�lo

ou, simplesmente, focam as suas pernas.

Que nojo de profiss�o!

Anda, deitar-te, querido.

Sim.

A �nica coisa que me consola � que...

se ela chega ao cume eu tamb�m triunfarei.

Ela pode fazer de mim o agente famoso que sempre sonhei ser.

Se eu conseguir transform�-la numa estrela deslumbrante.

Em toda esta bobine n�o diz uma frase.

Mas se algum produtor importante acedesse a v�-la...

quem sabe...

Faz tu porque a vejam.

Os grandes negam-se em receber-me.

N�o sou ningu�m para eles enquanto n�o representar uma estrela.

Manley roda um filme muito importante e ele precisa de uma rapariga.

Mas os seus ajudantes n�o me deixam chegar at� ele.

Eles n�o dizem que gostam...

de caras novas?

E de novos corpos.

Se eu me apresenta-se com um vestido apertado...

e medisse noventa de busto...

tenho a certeza que me receberiam no acto.

� natural.

D� essa bobine � tua protegida e ela que a apresente.

Sabes uma coisa.

Vou ter que me associar a ti.

Quando voc� queira, Sr. Landau.

Olhe isto.

Quando ela sorri parece que se ilumina o �cran.

E quando caminha toda a gente se vira para a ver.

Veja, n�o podem evit�-lo.

- Senhor! Senhor... - Landau. Arthur Landau.

Permita-me que acabe de ver a mercadoria, n�o me assedie.

Eu apenas enfatizei os detalhes.

N�o sou partid�rio disso.

N�o � preciso elogiar a geleia do pequeno almo�o para saber se eu gosto.

Certo.

Tem alguma cena rodada com di�logo?

Pues...

A verdade � que tive que reunir o material com tanta pressa que...

N�o.

E como sei se sabe falar?

Pois claro que sabe falar. Jean, diz algo, qualquer coisa.

O juramento de bandeira, tu sabes isso?

Todos o sabemos, mas interessa-me a sua dic��o num filme.

Bem, poderiamos fazer-lhe uma prova, porque n�o?

Uma prova completa custa-me tr�s mil d�lares.

Talvez eu possa contribuir com metade?

N�o � essa a quest�o. � que se eu fizer um teste, e resultar bom

e depois n�o chegamos a acordo. Eu perco tempo e dinheiro.

Diga-me agora.

Quanto pede por Jean Harlow?

Quanto?

Um contrato por tr�s anos sem op��o para a reter.

$200 � semana quando n�o trabalhe.

250$ quando trabalhe.

E um aumento de 50$ ao segundo e terceiro ano.

Dentro de dez dias deve apresentar-se nos est�dios.

Agora, Sra. Bello, fa�a o favor de assinar aqui.

Um momento, por favor.

Considera prudente assinar esse documento?

Jean � menor de idade, tem que o assinar a sua m�e.

Escute-me primeiro. Sou um homem com experi�ncia.

Para que te serve...

Quantos cinemas h�, aproximadamente, na Am�rica?

O que tem isso a ver?

- Pois n�o sei. 14 ou 15 mil. - Exacto.

E se esse produtor obtiver s� um d�lar

e ponho uma quantidade rid�cula por filme.

Um d�lar, em cada cinema...

cobrar� duas vezes por cada filme...

o dinheiro que vale esse contrato.

� surpreendente.

Agora, Sra. Bello, fa�a o favor de assinar aqui, por favor.

Agora, Sra. Bello, fa�a o favor de assinar aqui, por favor.

- Anda, mam�, assina. - Um momento, amor.

Quem te deu a vela neste funeral?

Esse homem far� uma fortuna com o trabalho da Jean.

E a n�s atiram-nos nos uns quantos centimos, pouco valor.

A n�s n�o. A mim.

200 d�lares � semana � uma ofensa.

� mais do que tu ganhas em todo um ano.

O que pretende, Sr. Bello?

Pode ver?

Tu v�s. Ele sim escuta-me.

1.000 d�lares � semana seria mais justo.

Adicionando um aumento de 500 d�lares ao ano.

Isso � rid�culo.

- Acabou? - De momento sim.

Mas talvez possa ter novas ideias, mais tarde.

Deixe-me explicar uma coisa sobre este trabalho:

Ganhar dinheiro � o mais f�cil nesta profiss�o.

Mas quando algu�m j� triunfou.

O dif�cil � conseguir a primeira oportunidade.

O que voc� e o Manley ignoram � que eu teria oferecido a Jean por nada.

Inclusive teria pago por um papel num grande filme.

Claro. Cala-te e deixa que a mam� assine.

Assino, Marino?

N�o.

Mas se eu j� tiver chegado a um acordo verbal com Manley. Dei-lhe a minha palavra.

N�o tinha nenhum direito para o fazer.

Talvez o que fa�a falta seja um agente com novas ideias.

Tu �s um parvo. Deixa a mam� assinar de seguida.

Se voltas a insultar o teu pai n�o assinarei este contrato.

Esqueceste-te que devemos 500 d�lares?

O aluguer, a mercearia, as suas d�vidas de jogo

N�o tens sapatos decentes e h� roupa por levantar na lavanderia.

Assina de uma vez, por favor.

Tendr�s que buscarte otro agente, peque�a.

- N�o. - Tira as m�os de cima de mim.

Chegar a isto costou-me um ano de trabalho sem ganhar nada.

A tua fam�lia pode fazer o que quiser da tua vida, mas n�o da minha.

Neste neg�cio, a �nica coisa que me garante � a minha palavra.

Dei-a, e n�o pretendo faltar a ela.

Poderiamos ter ido longe. Ser todos ricos, mas...

Arthur, por favor, n�o te v�s embora.

Se pensas que vais arruinar tamb�m a minha vida, est�s enganado.

Mam�...

Queres que te diga o que este monstro tentou fazer?

Sabes o que tem estado a pretender desde que entrou nesta casa?

- Queres que te diga? - N�o.

N�o. N�o quero ouvir mais nada.

Nem uma palavra.

Sr. Landau, quer dar-me outra vez esses documentos?

Falaste demasiado, Marino.

Todos nos temos excedido.

Vamos, Jean...

Que vergonha, foi horr�vel.

Acalma-te.

Eu andei com m�do, sorri de m�do e eu falei com m�do.

Mas os vestidos eram lindos.

O que significa isso?

L�grimas pela noite, felicidade pela manh�.

Como os meus nobres ancestrais costumavam dizer.

- Cala-te, pe�o-te. - De acordo.

O filme teve boa cr�tica.

Mas ela n�o.

Eu lembro-me do primeiro filme que fez, Sr. Manley.

Acho que nem sequer chegou a estrear.

Eu jogo o meu dinheiro. Voc� pode fazer o mesmo por ela?

- N�o. - Bem, n�o me interrompa.

Como disse, eles n�o veem uma actriz nela.

S� a v�em como mulher.

Como um s�mbolo.

Ela � uma actriz med�ocre, mas levantou os homens nos assentos.

O corpo mais sensual que se tem visto no �cran.

Considero a sua voz desagrad�vel e a sua interpreta��o carente de talento.

Mas como homem, eu n�o paro de me repetir...

que mulher!

Fant�stica.

Isto n�o � uma mulher, � um monumento.

Quem vai apanhar!

Tem uma silhueta sensacional.

Desde a cabe�a at� aos p�s.

Farei com que se apresente pessoalmente ali onde eles exibem o filme.

Por um valor extra?

Para 250 � semana mais dietas.

J� investi muito e vou recuper�-lo embora deva viajar pelo pa�s a fazer striptease.

Estar� disposta a colaborar?

Claro, Sr. Manley.

T�m sido t�o am�veis comigo...

que n�o sei por onde come�ar.

Pelos pendentes, e v� seguindo.

Um cr�tico desta localidade disse que eu n�o sou uma aut�ntica actriz.

Por acaso h� algo em mim que n�o seja aut�ntico?

N�o interessa o que ele diga acerca de mim.

Est� enganado.

Algu�m na sala, pergunta o que p�e quando vai para a cama.

O despertador.

Menina Harlow, por favor.

O que acha que um homem procura numa mulher?

O que n�o encontra na sua mulher.

Gosta de Cleveland?

Eu s� vi metade, os seus homens.

Acha que o mundo se tornou demasiado sensual?

Espere at� o ano que vem e reveja a taxa de natalidade.

Acha que uma mulher pode viver s� de olhares?

Se aquele que a olha � o homem que ela gosta...

E como a olha a si Richard Manley?

O que quer dizer com isso?

Circula o rumor de que a pediu em casamento.

Richard Manley n�o costuma pedir nada, toma.

Voc� aceitaria?

Casar com Richard Manley seria como beber uma cerveja.

Uma bebida frouxa e de muito pouco conte�do.

- Estou bem assim? - Encantadora.

S� h� tempo para mais uma fotografia.

Obrigado.

- Vamos, linda. - Obrigado por todo.

Por favor, senhores...

Obrigado, Menina, Harlow. Esperamos v�-la de novo.

Jean!

Arthur, alegro-me por te ver.

- Parece que passaram anos. - Deixa que te veja.

Mudaste. Est�s irreconhec�vel.

Eu n�o poderia apresentar-me a meio milh�o de homens sem me afectar.

Eu sei que foste muito bem. Tenho o escrit�rio cheio de recortes.

Sr. Landau, como est�?

Com um mont�o de facturas por pagar.

Sra. Bello.

Ol�, Arthur.

Uma bengala com um cabo de ouro...

sapatos de 30 d�lares.

Charutos habanos.

Gravatas de 10 d�lares...

Esse brilhante � aut�ntico?

Desde sempre.

As j�ias aut�nticas s�o o melhor investimento.

- Sr. Bello. - Vamos.

Quero saber o que aconteceu na minha aus�ncia e o que devo fazer agora.

� teu?

Tu tens a culpa.

Obrigas-me a parecer que sou um agente com �xito.

Maravilhoso carro, mas...

Onde iremos n�s?

Subam para esse t�xi.

- E levem a bagagem. - Muito bem.

Por favor.

Vamos, amor.

N�o te esque�as de dar uma boa gorjeta ao chofer.

Neglig�ncia.

N�o deverias ter dito aquilo sobre Manley.

No gui�o n�o estava previsto.

J� sei.

Mas eu estava cansada de repetir as mesmas respostas

uma e outra vez e decidi agir por conta pr�pria.

Mas chegou aos seus ouvidos.

E o que fez?

- Riu-se. - Riu-se?

Sim. E ent�o disse: "Quando voltar, leve-a para minha casa ".

Que quiz dizer?

Tu achas?

E tu o que lhe disseste?

Bem, sim.

- Que sim? - Sim.

Em certa ocasi�o disseste-me que tu

nunca te dedicarias a proporcionar...

- Mulheres. - Exacto. Disseste isso.

Mas n�o disseste que dependia da import�ncia de...

Queres escutar-me?

- Tenho direito a falar, incumbe-me. - Queres calar-te?

Manley n�o � nenhum homem vulgar.

- N�o faz amor com mulheres vulgares. - Isso n�o interessa nada.

Isso fez-te fazer esta viagem n�o s� por causa do filme,

mas para te proporcionar um nome, e ele conseguiu isso.

Vestidos, hoteis de primeira...

entrevistas, fotografias...

Tudo com um s� fim.

Que eras suficientemente importante para fazer amor contigo.

- E tu sabias? - Claro que eu sabia.

N�o � o melhor a que podes esperar?

�s tu quem decide isso?

�s igual ao Marino Bello, mas utilizass outra t�ctica.

O que interessa agora � renovar o teu contrato.

E para isso devo ir a sua casa?

Manley � um homem lento a rodar filmes.

Podem passar meses sem surgir outro papel para ti.

Tiveste um bom come�o...

e quero que tu continues a aparecer nos �crans regularmente.

- Posso trabalhar noutro est�dio. - Ele n�o o permitir�.

Se n�o agilizas a mente apenas ser�s uma rapariga bem lan�ada.

Eu pensei que era o agente que tinha de agilizar a mente.

assim ir�o esquecer-te at� que se volte a falar de ti.

Bonita perspectiva.

Est�s decidida a jogar forte?

O que tenho que fazer?

Tens que ir para a casa dele.

Arthur...

asseguro-te que n�o te entendo.

Entender-me-�s.

Bem. Vais-me deixar mostrar a casa?

Claro.

Por favor.

Gosto da m�sica.

Podes escolher: jazz, cl�ssica...

- �pera. - Tudo menos �pera.

A sua galeria de trof�us?

Umas quantas mulheres as que fiz famosas.

Gostaria que o teu retrato estivesse aqui um dia.

Preferia-o na capa de uma revista.

Tudo � poss�vel nesta vida...

sim se sabes...

escolher o caminho adequado.

Espera.

Vou-te mostrar o meu quarto.

Gostas?

� real?

Sim � real?

Isto � s� o princ�pio.

O closet.

� encantador.

O dela...

e o dele...

e a casa de banho.

E...

para uma ocasi�o...

que requeira um ambiente ex�tico...

reservo isto.

Gostas?

N�o sei se estou no C�u ou no Inferno.

- Ficarias confort�vel aqui? - Quem n�o ficaria?

Comigo?

Isso j� n�o, Sr. Manley.

Chama-me, Richard.

N�o o conhe�o o suficientemente bem, nem acho que me convenha conhec�-lo.

Um homem que te lan�ou para a fama?

Que te pode dar um nome que nunca vai esquecido?

Sei qual � esse nome e n�o soa bem.

�s r�pida a responder.

E a correr tamb�m. Pare de me perseguir.

Vem aqui.

N�o.

- Porque aceitaste o meu convite? - Para jantar juntos.

E n�o suspeitaste do que eu queria?

Sim, mas isso n�o me obriga a agradar-lhe.

Paguei por ti muito mais do que tu vales.

Isso � o que voc� acha.

Eras uma qualquer.

N�o, ainda n�o sou.

Porque achas que �s diferente das outras?

Porque eu sou a Jean Harlow e n�o mais um trof�u na sua parede.

Asseguro-te

que quando saires daqui o ser�s.

Antes ter� que me matar.

Antes ter� que me matar.

Fora daqui!

N�o sairei sem lhe dizer o que penso de si.

J� o disseste, fora!

Voc� � nojento, um verme.

Eu dou e exijo compensa��o.

Deveriam tranc�-lo.

N�o trabalhar�s mais para mim.

Nem eu quero.

N�o eras nada quando te acolhi, mas menos ser�s quando te largar.

Tu nem sequer �s uma actriz.

N�o �s nada mais que uma curiosidade f�sica.

Mas quando quiser ser amada n�o terei que comprar ou for�ar algu�m.

Est� bem?

Sim. Eu deixei intacto.

Nunca vi a um homem t�o fora de si como Manley.

Mas acho que lhe disse tudo o que ele merecia.

Decidiu rescindir o meu contrato.

- N�o te preocupes. - Leva-me para casa.

O que aconteceu?

A pior coisa que pode acontecer a uma pessoa.

- Tu insultaste-o? - Isso parece errado?

Ele n�o me preocupa. Sabes porque � que eu te trouxe aqui?

S� tu me interessas.

Ele disse que eu n�o sou actriz.

Teria gostado de fazer uma cena no seu pr�prio quarto.

Ele levou-te para o quarto dele?

- E eu, Arthur... - O qu�...

Eu n�o queria sair, tu sabes.

Como eu luto comigo pr�pria?

Eu acho.

Tu disseste 60.000 d�lares?

60.000 d�lares, Sr. Landau.

Por 60.000 d�lares posso comprar

todo o coro titular do teatro Roxy. Inclusive o teatro.

Eu n�o defini o pre�o, Sr. Redman.

Foi Manley em pessoa.

Pois � pouco razo�vel.

- Viu o filme? - Claro.

Leu as cr�ticas da sua tourn�e?

Fiz mais que isso.

Vi-a actuar quando esteve em New York.

- Ent�o interessar-lhe-�. - Tudo � interesante neste neg�cio.

H� que saber o que se tem que descartar...

e com o que se deve ficar.

- A mi�da causou sensa��o. - En certo aspecto nada mais.

Olhe, Sr. Landau...

Aqui produzimos filmes para agradar a milh�es de espectadores.

Olha bem. Milh�es!

E n�o s� da Am�rica.

Mas sim de todo o mundo.

N�o.

N�o podemos pensar s� no nosso p�blico.

Pessoas que v�o ver uma mulher que usa um vestido t�o apertado...

como a sua pele, faz coment�rios indecorosos.

Com ela ningu�m fez isso.

Estiveram muito perto de o fazer.

Acredita-me...

Aqui produzimos filmes familiares.

Com�dias musicais, filmes de aventuras

inocentes hist�rias de amor, pel�culas do Oeste

e inclusive filmes protagonizados por c�es.

Olha para essas placas, s�o todas pr�mios.

Olha ali. J� viste uma colec��o como esta?

Significa alguma coisa, n�o?

Conheces algum pr�mio dado a uma mulher por se exibir em roupas �ntimas perante o p�blico?

N�o, claro.

De todo o modo obrigado pela entrevista.

S� queria ofrecer-lhe a oportunidade de ter uma grande estrela.

Sente-se, n�o terminou.

H� algu�m a�?

Sim, senhor?

Que venham a Sally Dune e...

o Paul Bern. J� de seguida, por favor.

Bem, Sr. Landau...

Os tempos mudam.

N�o � assim?

E �s vezes � necess�rio mud�-los.

A Menina Dune...

� respons�vel por oscultar a opini�o p�blica.

E o Sr. Bern...

� um homem...

inteligente...

refinado...

justo.

E por�m, � da profiss�o, voc� v�.

Felizmente para mim, acredite.

Vale o que pesa em ouro.

Menina Dune...

- apresento-lhe o Sr. Landau. - Muito gosto.

Como est�?

Sente-se, por favor.

Sente-se, Menina Dune.

O que l� a Am�rica na actualidade?

Novelas de mist�rio com muita ac��o e sexo.

Novelas de guerra com viol�ncia e sexo.

Biograf�as do tipo psicol�gico e sexual.

Ya.

E que espect�culos prefere?

Com�dias de "cama" e musicais com sexo.

E acredita que o sexo persistir�?

Refiro-me ao campo do espect�culo. Por exemplo nos filmes.

Esteve sempre presente, embora apenas na sua apar�ncia agrad�vel.

Que aspecto ter� a outra?

Quer voc� dizer algo sexual, mas bom e limpo?

� uma pergunta dif�cil de responder.

Voc� vai entender que n�o lhe pago 500 d�lares � semana para fazer perguntas f�ceis.

Ah, o Sr. Bern.

Sr. Landau, apresento-lhe o Sr. Bern.

- Encantado, Sr. Landau. - O mesmo digo eu, Sr. Bern.

O tempo que voc� come�a a perder a apertar m�os neste est�dio.

Sente-se, por favor. Paul...

o Sr. Landau oferece-nos uma mi�da chamada Jean Harlow.

- Sim, eu j� a vi. - Viste-a.

E que opini�o te merece?

Acho que vai muito longe.

Porqu�?

Porque � o que o p�blico gosta hoje.

D�ce em certos momentos, de ingenuidade acentuada...

Apaixonada noutros at� ao exagero.

Produz um grande impacto emocional.

� uma combina��o pouco frequente. A perfeita esposa e amante.

Porque n�o me disseste tudo isso antes?

N�o sabia que lhe interessava.

N�o me interessa a mim. A �nica coisa que me interessa � o dinheiro.

Desde que as circunst�ncias o comandam...

chegou o momento de produzir filmes

desse outro aspecto do amor que o p�blico pede.

Sr. Landau, n�o pode negar que � um homem de sorte.

O meu desejo de ganhar dinheiro...

e as fraquezas do ser humano podem fazer-me muito rico.

� ador�vel.

Camarim de Jean Harlow, diga?

- Oh, Arthur. - Sim, acaba de chegar.

Sim.

Cozinha, chuveiro, estufa, tocador...

poderia viver aqui. Isto � melhor que a minha casa.

S�o da mam� e do Marino.

� de Redman, a sua pr�pria caligrafia.

Arthur, �s um encanto.

Paul Bern.

A m�o direita de Redman. J� te falei sobre ele.

Esse que dizes que tanto me ama?

Eu amo-o ainda mais a ele.

Essa cesta � minha.

Sr. Harrison.

- Ol�. - Ol�.

S�o as minhas �ltimas poupan�as. Nem sequer me ficou um cart�o.

Muito obrigada.

- Bem-vinda a esta confort�vel pris�o. - Obrigada de novo.

Desculpem se interrompo.

Uau, se �s o ladr�o de luvas brancas.

- Ol�, feio. - Por fim deste o grande golpe, hein?

Pensei que se tu chegasses, com mais raz�o poderiam chegar outros.

Ligaste para Redman. Deveria ir ver o seu despacho de seguida.

Pedi-lhe que se afastasse com qualquer desculpa.

- Eu n�o fecho a porta ao acaso. - Tu saber�s do que ela � capaz.

Vamos tomar uma bebida.

N�o, n�o. Sem borbulhas.

Apetece-me algo que entre melhor que o champagne.

Trouxe isto para que possa dar um trago aqui quando me apetecer.

Bebe em pleno dia?

Tentei beber a dormir, mas foi um fracasso.

Onde est� o seu camarim, Sr. Harrison?

Jack.

- � a porta cont�gua. Perd�o. - Sim.

Conheces muito bem isto, hein?

Sim. Era o camarim de Irma Morelli.

Quem o diria? Irma Morelli.

O que foi feito dela?

Foi v�tima de um ataque de senso comum. Despediu-se.

Foi-se quando ainda tinha um pouco de beleza, sa�de e moral.

E isso � o que deverias fazer tu tamb�m.

N�o chegares nem a sentar-te.

Dares meia volta e saires daqui.

- Isto parece um funeral. - E �: o teu.

Se te ficas aqui, vais-te enterrar em vida.

Tudo isso que dizes parece um gui�o de filme.

Sim. Dentro de em pouco j� nada te parecer� real.

E n�o te sentes lisonjeada por este camarim.

� bonito, mas h� um c�o no est�dio que tem um muito melhor.

Pela mi�da mais encantadora que pisou estes plat�s.

Obrigada, senhor.

Jack.

Pelo homem mais bonito e interessante que alguma vez conheci.

Bem, pelos dois.

Queres ser uma estrela do cinema, eh?

Bem...

Achas que j� chegou a tua hora.

- Claro, que n�o. - N�o.

Tudo o que fizeste para chegar at� aqui...

n�o � nada comparado com o que vais ter que fazer agora.

No �s mais que um peda�o de carne.

Passaram-te pelo triturador, condimentaram-te...

deram-te outra forma...

e logo...

far�o pequenas alm�ndegas que v�o atirar ao p�blico e eles v�o-te comer...

at� deixarem somente os ossos.

N�o sei, mas tu pareces ter sobrevivido.

Sim.

Mas no dia antes de entrar aqui, era duas v�zes mais homem que agora.

Embora me reste uma oportunidade.

Resta aos dois, se fizermos alguma coisa j�.

O que � que devemos fazer?

Casa-te comigo e fujamos juntos para qualquer parte.

Posso faz�-lo j� que n�o me casei com ningu�m ainda.

Inclusive tenho poupado algum dinheiro.

Anda, vamos.

Suponho que n�o esta�s a falar a s�rio.

Sim, a s�rio.

H� algo em ti que me apaixona desde o dia em que estiveste em minha casa a tremer.

Eu gostaria de casar contigo.

Sou Paul Bern.

- Passe por favor. - Obrigada.

- Como est�s, Paul? - Ol� Jack, que tal?

Apanharam-nos a celebrar a chegada de Jean.

� uma rapariga muito hospitaleira.

Obrigada pelas suas fl�res, s�o lindas.

Foi um prazer, Menina Harlow.

Menos Senhor e Menina e mais chamada �s portas antes de entrar.

N�o se preocupe.

Na pr�xima vez n�o me esquecerei.

Assim gosto, se n�o for muito violento.

Menina Harlow, eu vim busc�-la para lhe mostrar os est�dios.

Eu estou indo para o M�xico.

Para pescar.

Bem.

Sorte.

N�o andes a distribuir sorte.

Pois quando necessitares, n�o vais ter.

Alto, n�o sigas.

Vamos ao princ�pio outra vez.

Jean...

Com mais desenvoltura desta vez.

Est� bem.

Vamos, senta-os. por favor.

Qu�o dif�cil � faz�-lo compreender?

Cuidado, s�o pouco inteligentes estes animais.

Agora, por favor, sorria, Menina Harlow.

Menina Harlow, o seu carro est� esperando-a.

O meu carro?

Sim. Compr�-mo-lo hoje.

Comprado? Com qu�?

Parte com dinheiro e parte a cr�dito.

Tens que viver de acordo com a posi��o que hoje ocupas.

Sim, mal tenho tempo de viver.

T�-lo-�s.

Chegar� o dia em que ser�o recompensados os teus esfor�os.

Casaco novo, hein?

Claro. Um casaco novo para um novo neg�cio.

O meu cart�o

E os meus respeitos.

Marino Bello. Assessor de Investimentos.

Vais ser um conselheiro.

Dentro de um ano n�o te rir�s desse modo.

Esta � uma cidade nova, um novo Estado.

Ser� poss�vel negociar com petr�leo, com gasolina...

construir-se-�o edificios, haver� milhares de neg�cios.

Todos os investimentos que fizeste foram um completo fracasso.

N�o todos.

A prova � que eu sempre acreditei em ti.

Est� certo.

Ver�s a explos�o que darei ao nosso dinheiro. Deixa-mo a mim.

De momento fiz um �ptimo investimento

Oh, n�o.

A tua m�e e eu acord�mos a gest�o dos nossos neg�cios m�tuos.

O que compraste?

- Uns terrenos. - Onde?

Onde, onde, onde?

Num lugar onde podes viver de acordo com a tua fama.

�s muito popular, n�o deves esquecer.

- Disp�es do meu dinheiro... - Por uma vez, d�-me uma oportunidade.

Eu tive azar, mas n�o foi por falta de bom senso.

E fui capaz de fazer a tua m�e feliz, certo?

Deixa-me que tente fazer-te feliz a ti tamb�m.

Est� bem, tenta.

Ao fim e ao cabo...

n�o � mais que o meu dinheiro.

Jean, este � o amanhecer de um novo dia para n�s.

"A mulher � m�vel como uma pena ao vento...

sotaque silencioso e pensamento".

Por favor, senhora a cabe�a um pouco mais � direita, Menina Harlow.

Um pouco menos.

Isso assim.

Quieta, quieta.

� s� um minuto, Menina Harlow.

Quieta.

J� est�.

Simplesmente ador�vel.

Vamos, pessoal, apressem-se.

Coloque-os daqui.

Aten��o, a� chega.

J� a temos aqui, Jean Harlow.

A �nica, a incompar�vel Jean Harlow.

A mulher mais bela do mundo que chega acompanhada por Jack Harrison.

Significa que o meu fim est� pr�ximo j� passaste � minha frente.

As senhoras primeiro.

Nesta profiss�o n�o. �s a primera porque o conquistaste.

Agora, �s a estrela mais solicitada.

Disposta a aceitar o desafio?

- Deixe-me respirar fundo. - J� pode. Vamos l�

Esta adora��o fren�tica finalmente chega a um cora��o, certo?

Assusta-me. Se vir as cartas que me escrevem...

- Recebeste a minha? - Queimou-a a censura.

Pareces exausta.

E tu est�s a ficar cinzento.

D�-me um beijo, Menina Harlow!

Porque n�o passamos o fim-de-semana deitados ao sol na praia?

A minha m�e tem-me ditoe que � perigoso deitar-me.

Ent�o podemo-nos sentar em minha casa, que acha?

Prometi a Paul Bern ir a um concerto e a jantar.

Da� s� conseguir�s c�imbras e uma indegest�o.

O mesmo que tu me oferecias, n�o achas?

Em que est�s a pensar?

Perguntava-me em que � que estarias a pensar tu.

Nos filmes.

- Muito interessante. - E em ti.

N�o, n�o te rias.

Os artistas influ�nciam a cultura dos povos.

Que influ�ncio eu na cultura?

Vestidos apertados...

banhos de espuma, habita��es...

A vida n�o gira s� � volta da filosofia.

N�o, mas j� sei que existem muitas outras coisas como

por exemplo o dinheiro...

- o m�do do fracasso... - A paix�o.

Os meus cr�ticos a isso chamam-lhe pecado.

Pergunto-me se os cr�ticos s�o capazes de se apaixonarem.

Os meus n�o.

Mas o teu p�blico sim.

�s centenas, aos milhares.

Apenas a olhar para ti.

Vou ter que ir ver os meus filmes.

Se chegares a apaixonar-te por ti pr�pria, retira-te.

E casa-te com um homem atractivo e inteligente.

Conheces algum?

Sim. Conhe�o um.

Eu.

- A s�rio, Paul. - Falo a s�rio, Jean.

Eu vi todos os teus filmes v�rias v�zes.

E tu conseguiste que eu acredite no cinema.

Achas que posso interpretar pap�is de maior envergadura?

Acabo de te oferecer um.

- Obrigada, mas... - Jean.

N�o o rejeites sem o meditares a fundo.

� o melhor papel que se escreveu para ti.

Ter�s que falar com o meu agente.

Ele trata de todos os meus assuntos.

� tua sa�de.

Vamos, derruba-o de uma vez.

D�-lhe. A esquerda, a esquerda.

Do que est�s � espera?

D�-lhe, d�-lhe forte.

Isso. No est�mago, no est�mago.

No est�mago.

- Castiga-o. - Fez algo errado?

N�o.

Tombou-o. Fora de combate!

Amigo Jack...

Eu n�o costumo dar conselhos �s pessoas.

Gr�tis, queres dizer.

Quero dizer que o que um homem faz na sua vida privada, s� � da sua incumb�ncia.

Desde logo.

Contando que n�o tenha um contrato contigo.

Eu pedi alguma vez um favor pessoal?

Ainda n�o.

Pois t�o pouco te vou pedir agora, pelo contr�rio.

Sou eu que vou faz�-lo.

- Isso � pior ainda. - Gostas da Jean Harlow?

- Gosto da Jean Harlow. - E tu gostas dela.

Excelente, porque n�o p�es m�sica?

Os dois s�o solteiros, os dois s�o estrelas.

S�o um para o outro. Autorizo que cases com ela.

A �nica coisa que me faz indeciso � conhecer a tua aprova��o.

Aprovo de todo o cora��o. Isto mais ningu�m deve saber.

Nunca me importou a tua aprova��o, diz-me...

h� algum motivo especial para este s�bito acto de generosidade?

Desde j�.

Claro que h� um motivo, ele existe.

Paul Bern perdeu a cabe�a por ela.

N�o trabalha, n�o pensa e passa as horas a contemplar as suas fotografias.

Anda pelos est�dios como um c�o perdido. No me s~erve para nada.

Porque n�o permites que se case com ela?

Bem, porque temos uma estrela...

com o corpo de uma corista, uma mente inexplorada

e uma atraente vulgaridade de modos e linguagem.

Em resumo, tu �s o seu tipo.

Muito lisonjeiro.

Paul Bern imp�s a tit�nica tarefa de a educar.

At� de a fazer ler livros.

- Inaudito. - Sim.

E recitar poesias e escutar quartetos de cordas.

- Aonde vai parar o mundo? - N�o sei.

Mas ver�s em quanto tempo ter� sotaque de Harvard,

e se vai recusar a entrar na banheira e beijar o canalizador.

Sim, ri. � muito divertido.

Mas acredita em mim. No dia em que se tornar a Sra. Harlow

perder� o favor do p�blico.

- E eu perderei o dinheiro. - Ao menos �s sincero.

N�o totalmente.

Eu pensei que tu �s um homem a quem n�o entusiasma os filhos,

o que me asseguraria disp�r da Jean seis meses a cada dois anos.

Gostaria muito que tu te casasses com ela.

Agrade�o as tuas boas inten��es,

mas tens que contar com o consentimento dela.

Isso n�o � problema.

Tu trabalhas com ela nos filmes.

E se necessitares de ajuda...

eu arranjar-te-ei um bom roteirista.

Foi um prazer conversar contigo.

Jean?

- Encontras-te bem? - Deixa-me, mam�.

Queres uma ch�vena de caf�?

N�o, obrigada.

Julg�mos que ficarias depois do jantar.

Pens�vamos jogar uma partida de Parch�s.

De repente, deu-me vontade de subir aqui.

N�o acho que te divirtas muito aqui sozinha.

Diz-me.

Um quarto s� com uma pessoa � a coisa mais aborrecida deste mundo.

N�o queria dizer isso.

Porque tu nunca tiveste que pensar nisso, mam�.

H� muitos anos que o teu quarto n�o est� vazio.

Que coisas dizes.

� a verdade, mam�.

No sabes a tristeza que se experimenta

e o que provoca a falta de um homem ao nosso lado.

Porque est�s t�o apaixonada por Marino?

� realmente t�o interessante?

Filha, por favor. N�o gosto de falar dessas coisas.

N�o acho que haja nada de mal em falar dele.

Bem, eu n�o sei porqu�.

Mas eu amo-o.

Dizes que n�o sabes?

Garanto-te que invejo o teu amor por Marino.

� a primeira vez que te oi�o falar dele sem o insultares.

Mas n�o o posso suportar.

No entanto, dir-se-ia que est� na posse de algum segredo especial de vida.

Sabes,

momentos antes de entrares,

estava a examinar o meu corpo frente a este espelho.

Tratava de averiguar em que se diferencia do das outras mulheres.

Porque enlouquece o p�blico?

A mim parece-me vulgar e corrente.

� o modo como te comportas e como actuas.

Sim, mas... o curioso � que na realidade

n�o sei o que fa�o nem porque o fa�o.

Sai-te natural, � instintivo.

E n�o te esque�ass que as pessoas v�em em ti precisamente...

o que desejariam ver nelas pr�prias.

Isso � precisamente o que me assusta.

- Porqu�? - Porque quero...

que o amor seja algo distinto para mim.

Isso desejam-no todas as mulheres.

Mas eu n�o quero nada que possa ser vulgar e corrente.

Quero que seja como...

o quarto de Richard Manley.

Cortinas, luzes de c�res, fl�res...

m�sica, chuva tropical...

Quem sabe? Talvez o seja.

Oh, mam�!

O meu p�blico morreria a rir se me ouvisse dizer tudo isto, certo?

Jean, minha filha...

Toda a gente...

homens e mulheres t�m o mesmo problema.

Procura um homem a quem ames, casa-te com ele e deixa que a natureza siga o seu curso.

Falas como se isso fosse muito simples.

E �.

Harlow casa-te.

- N�o posso acreditar. - Lamento muito, Jack, mas � verdade.

Eu fui o primeiro a pedir-te.

E ele foi o �ltimo.

E ter que saber pelos jornais...

Acredita que queria dizer-te pessoalmente.

Porqu�, Jean?

Porque escolheste o Paul Bern e n�o a mim?

Porque n�o sou digno da tua confian�a e ele �?

Porque n�o sou culto e ele �?

Porque eu tenho uma duvidosa reputa��o com as mulheres e ele n�o?

Porque ele te pode ajudar na tua carreira e eu n�o?

- Escuta, Jack... - � essa a verdade?

� pelo que te acabo de dizer?

Sim, mas n�o o deverias ter dito assim.

Garanto-te que sofri uma decep��o.

Sinceramente, Jean...

lamento imenso perder-te.

Oh, Jack.

- Gostaria de te explicar, mas... - N�o. Cala-te. � melhor que n�o digas nada.

Espero que me convides para a b�da.

A s�rio que gostarias de ir?

Sou pr�cticamente da fam�lia?

Bem, prometes que te manter�s s�brio e n�o causar�s nenhum problema?

Prometo.

Se me deixarem beijar a noiva.

Oh, s� diante de testemunhas.

Ent�o ser� melhor que a beije agora.

Sr. Bern, quer voltar a beij�-la, por favor?

Quietos.

Muito bem, obrigado.

- Uma mais, por favor. - J� � suficiente, obrigado.

Paul, parab�ns.

Levas uma mulher maravilhosa, n�o te ocorre troc�-la.

E s� dois filhos, n�o mais.

Parab�ns, Jean.

Comporta-te como a magn�fica actriz que sempre �s.

O homem mais decepcionado deste mundo felicita o mais feliz.

Obrigado, Jack.

E agora, a �nica raz�o porque estou aqui.

- Parab�ns, Paul. - Obrigada, Arthur.

- Espero que sejas muito feliz com ela. - Agrade�o-te.

- At� breve, querida. - Vemo-nos nos est�dios.

Felicidades, que sejas muito feliz.

Percorreste um longo caminho para chegar a isto.

Mas muito bonito gra�as a ti.

Eu s� dirigi o tr�nsito. Sorte

Que sejas muito feliz.

Acabou de te casar com a realeza feita mulher

Trata-a como a uma rainha.

Procurarei faz�-lo.

E depois desta maravilhosa lua-de-mel...

espero que nos vejamos com mais frequ�ncia para falar de neg�cios.

Claro, com muito gosto.

Nunca te vi t�o bonita, minha querida Jean.

Destro�as o cora��o do teu padrastro, mas...

que vamos fazer? � a lei da vida.

Cortamos o b�lo?

- Parece o b�lo dos teus primeiros filmes. - Sim, � verdade.

Dos que me atiravam � cara?

Toma.

Quietos, por favor.

Gracias.

- Est�s a tremer. - Eu acho que eras tu.

Amo-te.

Espero que dure sempre.

D�-me um pouco de b�lo, estou faminto.

Tens raz�o.

Vivam os noivos! Vivam!

Boa viagem, felicidades.

Aonde v�o em lua-de-mel?

Para sua casa. Eles t�m que se apresentar a trabalhar na segunda-feira.

Tens um cora��o de pedra.

N�o me censures, fracassado. Largaste-me a m�o.

Estou envergonhado, garanto-te.

Jean, o que se passa? Que fazes aqu�?

Arthur...

Arthur, desejaria estar morta.

- O que se passou? - Paul ter-me-ia matado.

Teria sido capaz, estou certa.

- Mas o que sucedeu? - Tem cuidado, magoaste-me.

Arthur.

Beatrice, d�-me algo de beber, por favor.

- N�o necessitas beber. - Sim, necessito.

Trago algo de seguida.

Senta-te.

N�s lut�mos.

- Na vossa noite de n�pcias? - Bateu-me.

Porqu�?

N�o sei ainda o que aconteceu. S� sei que queria sair de l�.

P�s-se feito um animal e tentou impedir-me.

O que te atingiu?

- D�i-me muitoo as costas. - Deixa-me ver.

Oh, Santo Deus!

Como p�de fazer uma coisa assim?

Ca� de costas contra uma mesinha.

Mas diz de uma vez o que aconteceu.

- N�s lut�mos. - Sim, e que mais?

Sucedeu tudo t�o depressa...

Porque motivo?

Eu fui a causa de tudo.

- Enfureci-me contra ele. - Porqu�?

Oh, Arthur, Beatrice...

Ele n�o quer uma mulher. O que quer � uma m�e, uma companheira.

Um simples objecto de decora��o.

�...

�...

Bern n�o pode fazer amor.

Nunca na vida o poder� fazer.

O homem que eu esperava, o homem que tanto me excitava...

n�o me deseja.

Tinha rezado para que esse momento fosse lindo.

E foi horroroso. Foi uma coisa horrorosa.

P�s-se de joelhos e beijou os meus p�s.

Pediu-me que ficasse a seu lado e que eu o tent�-se compreender-me.

- N�o digas mais nada. - Necessito de dizer tudo.

Ent�o sa� de casa e comecei a correr, mas ele alcan�ou-me...

e p�s-se a chorar e a suplicar.

Disse que n�o tinha que me preocupar...

que eu encontraria a paix�o se assim o desejasse.

Tivemos uma terr�vel discuss�o.

Cheguei a dizer-lhe coisas vergonhosas.

Ent�o, p�s-se como um louco e

atirou-me ao ch�o sobre vidro partido e

m�veis virados.

Foi incr�vel.

Depois ficou parado, quieto, frio como o gelo.

Como se n�o entendesse o que tinha acontecido.

Ent�o eu apanhei o meu casaco e sa� a correr.

N�o sei como consegui chegar at� aqui.

S� sei que n�o parei de chorar.

Oh, Arthur, o que posso fazer agora?

N�o sei.

Eu sim. Vou avisar o doutor.

N�o.

Ainda n�o.

N�o conv�m que se saiba.

- Precisas de um m�dico urgentemente. - Eu disse que n�o.

Oh, que horror.

O am�vel e educado Paul Bern.

� incr�vel.

O tribunal j� decidiu?

E n�o me venhas com o pretexto do nosso dever para com o p�blico.

N�o te esque�as que devemos isso a ele.

O p�blico alimenta-se mais das nossas debilidades do que das nossas virtudes.

E embora nos rejeite, n�s continuamos a viver os nossos problemas.

Para que possamos focar as coisas ao nosso...

ponto de vista.

Querer�s dizer ao teu.

Todos temos as nossas falhas.

Tu est�s contaminado pela gan�ncia comercial.

Jean pela vaidade.

E no que a mim respeita...

Deixemos a filosofia barata e vamos � realidade.

Tu �s o causador desta situa��o.

- O que pensas fazer? - Achei que me ias dizer tu.

Est� bem, eu to direi.

Vivereis separados um tempo razo�vel

e ent�o, sem ningu�m saber...

Os jornalistas descobrir�o tudo em menos de dois dias.

�No esperar�s que ella viva aqu�?

N�o te esque�as que para o bem ou para o mal...

nos cas�mos.

E onde est� o bem?

N�o cheg�mos a averiguar.

A julgar pelo que se viu, n�o teria durado muito tempo ao teu lado.

Vou ter que tratar s� com o teu agente?

N�o.

Tu j� disseste dez por cento Pertence-te, saia.

- N�o vou sair porque tu dizes isso. - Eu disse para saires.

- Por fim. Isto � o que estava � espera. - Basta. Quietos os dois.

Cuidado, ele � dos que preferem bater mulheres

- Por favor, n�o, Paul. - Deixa-o, solta-o.

Queres parar de procurar discuss�es?

Estou ansioso para lhe dar uma li��o.

Deixa-me que fale a s�s com ele.

- N�o ganharemos para m�dicos. - Por favor!

Est� bem.

Tinha que desabafar.

Esperarei l� fora pelo que possa acontecer.

Porque te casaste comigo?

Porque te queria.

Queria-te j� antes de te conhecer.

Fui eu quem te recomendou a Redman.

Como me podias querer sabendo...?

N�o era um impedimento, nada o �.

Eu acreditei que me ajudarias.

Ent�o porque me o ocultaste?

Porque sabia que tu me terias rejeitado.

Por favor, n�o me toques.

Jean, n�o fujas de mim.

Oferecer-te-ei todo o meu amor.

Exceptuando o que n�o podes.

D�-me tempo.

Ajuda-me.

Cinquenta milh�es de homens e fui casar-me contigo.

Posso fazer muito por ti, educar-te.

Posso comprar os livros e a m�sica em qualquer loja.

Mas como ser companheira, mulher e m�e se n�o �s meu marido?

Ajuda-me a superar isso.

O pior � que eu n�o posso ajudar-te.

N�o dizem que tu �s a deusa do amor?

Tudo isso tem sido publicidade.

Tu sabes bem que isso � falso.

Sou una mulher vulgar com problemas correntes.

Tenta ent�o compreender o meu problema.

Eu disse correntes.

S� podemos fazer uma coisa, pedir a anula��o.

- Depois dessas manchetes? - Eu n�o as escrevi.

-Eu serei a chacota de toda a gente. -Eu saberei superar isso.

- Mas eu n�o. - � o �nico meio. Ter�s que o fazer.

Procurarei ajuda. Irei ver um m�dico, um psiquiatra.

- Isso deverias ter feito h� anos. - D�-me uma oportunidade.

D�-me tempo.

Jean, sabes que n�o posso...

viver sem ti.

� tudo t�o repugnante...

Jean...

N�o exponhas aos olhos do mundo o que sou.

Lamento muito, Paul.

Mas com o meu problema eu tenho o suficiente.

Diz?

O qu�?

- Paul Bern atirou em si pr�prio. - Paul o qu�?

- Paul Bern, o que se casou com a Harlow. - Quando, onde?

Ao que parece encontraram-no no seu quarto.

Quem se encarrega do caso?

Perkins e Thomason. Est�o a caminho.

- Est� morto? - N�o sei.

- E onde est� a Harlow? - Aonde est� a Harlow?

Ningu�m o sabe.

Esta vai ser uma grande reportagem.

Oxal� viva at� que obtenhamos a informa��o.

Extra! Desapareceu Jean Harlow!

Extra! Extensa informa��o!

Extra!

�ltimas Not�cias!

Toda a Hollywood acompanha na sua d�r a Jean Harlow!

Jean...

Est�o � espera de ti.

Jean...

- Mam�. - O que �, filha?

N�o quero ir.

Tens que o fazer.

Porqu�?

Porque era o teu marido.

Ontem eu estava no topo do mundo.

Hoje no mais baixo.

Isso n�o � verdade.

L� as cartas e os telegramas e ver�s que n�o.

Hoje s� tens que pensar no Paul...

e n�o em ti.

Pensou ele alguma vez em mim?

Desde que o conheci n�o fez mais do que pensar em si pr�prio.

Ten sensatez, Jean. N�o fales assim de um morto.

Neste momento n�o h� ningu�m mais morto que eu.

Mas eu garanto a todos voc�s...

que amanh� eu n�o estarei.

- Quem pensa agora em trabalhar? - Eu.

Tu �s uma mi�da que sofreu uma grande trag�dia.

Necessitas de umas f�rias.

O p�blico sofre por ti, compreende a tua desgra�a.

Solidarizou-se contigo.

O �nico que lhes devo � um bom filme a cada quatro meses.

E quero rodar um agora, e outro e outro sem parar.

O que pretendes demonstrar com isso?

Que vivo. Que tudo em mim vive.

Isso n�o � necess�rio.

Pensa no muito que valho agora.

Sou um caso curioso.

- T�o apaixonada que o seu marido... - N�o fales assim, por favor.

tirou a vida por n�o se sentir bastante homem.

Deixa em paz os mortos.

N�o achas que j� se alterou essa bilheteira que tens para o cora��o?

Nestas circunst�ncias n�o, e n�o mere�o esse ju�zo de ti.

Everett...

S� quer trabalhar para n�o pensar no sucedido.

Est�s completamente equivocado.

Quero trabalhar porque isso � a �nica coisa que sei fazer neste mundo.

Vou para o meu camarim.

Quero ler alguns gui�es.

Arthur...

O mal desta profiss�o � que a gente adjudica na vida real o papel que representa no �cran.

Confiam no seu f�sico e cr�em que sempre ser�o amados.

Nunca se cansam nem se desenganam.

D�-lhes um papel princ�pal num filme e eles tamb�m v�o querer isso na vida real.

D�-lhes um bom papel uma vez e depois eles v�o querer trabalhar todo o dia.

N�s fizemos uma estrela de Jean Harlow...

e somos respons�veis de que coma e de que viva.

A comida que ela necessita existe s� nas pel�culas.

Vai morrer de fome.

Seis meses.

Seis meses, duas pel�culas...

E duas caixas de whisky.

Fabricaram-no para se beber, n�o?

Tudo neste mundo � para ser usado, n�o �?

Suponho que sim.

Tu, eu, o dinheiro, o tempo, os amigos, tudo.

Onde est� a mam�?

Foi ao cinema.

Pobrezinha. Tenta fugir da vida.

� s� uma ilus�o. Nada pode escapar.

Tem cuidado. S�o mapas valiosos de terrenos petrol�feros.

O mais valioso neste mundo s�o as coisas vivas.

Como sei que tu j� est�s cansada de me manter, bem...

trato de ganhar o meu pr�prio sustento.

N�o tentes ser o que n�o �s.

Eu conhe�o-te bem.

Esta noite toca filosofar.

�s um homem que vive das mulheres.

- Por favor... - N�o, n�o te censuro.

Se as fazes felizes...

� mam� tens-la feito muito feliz segundo ela diz.

Seis meses.

O meu per�odo de luto terminou, e com ele...

fiz o que a dec�ncia exige...

para guardar decentemente a mem�ria do meu defunto esposo.

Eu antes agradava-te, lembras-te?

E continuas a agradar-me.

Marino, necessito de ajuda.

Esse tipo de ajuda em que tu pareces especialista.

N�o te surpreendas, Marino.

Sei que est�s a pensar que antes ridicularizava de ti.

Mas agora � tudo diferente.

Bem?

Tu nunca soubeste compreender-me.

Como n�o soubeste compreender-te a ti mesma.

Tentei ser teu companheiro, fazer de ti minha filha.

Mas tu correspondias-me odiando-me.

E leste nas minhas inten��es as tuas pr�prias debilidades, n�o as minhas.

Reconhe�o que sou um homem vulgar.

Que sou apenas um sonhador.

Que sou ap�tico, e sem sorte nem �xito na vida, mas...

tamb�m sou um homem de princ�pios.

Peco, � verdade, mas quase sempre por neglig�ncia.

Por descu�do.

E pe�o-te que n�o voltes a sugerir-me nada parecido...

ou abandonarei esta casa imediatamente.

Oh, nunca chegarei a entender os homens.

Os que eu acho uns desavergonhados resultam ser bons.

E os que acho bons, resultam ser...

em fim...

Ajudas-me?

Marino...

- Afasta-te de mim. N�o voltes a faz�-lo. - Hip�crita.

Se procuras alguma coisa, vai procur�-la a outro lado.

N�o te preocupes.

Irei busc�-lo a outra parte.

A todas as partes.

Um costume que aprendi contigo entrar sem dizer.

- Ol�, Jean. - Ol�.

- O que me ofereces? - O que tu quiseres.

Isso d� azo a grandes possibilidades.

O que me ofereceres eu aceitarei.

E n�o tens que te limitar �s bebidas.

- Jean apresento-te a Serena. - Ol�.

Uma nova protegida?

Minha mulher.

Cas�mo-nos a semana passada em Tijuana.

- Apresento-te a Jean Harlow. - Eu reconheci-a. Como est�?

Bem.

- Felicidades. - Obrigada.

Bem, eu tenho que ir.

- Por n�s n�o o fa�as. - Gostariamos que ficasse.

� que me esperam uns amigos...

em alguma parte.

Vejo-te nos est�dios, Jack.

Na segunda pela manh�.

Diverte-te, Jean.

�, exactamente, o que tenho em mente.

Algo se passa com ela?

A todos n�s se passa algo, querida.

E �s vezes custa-nos muito averiguar o que �.

Boas noite.

Diga ao Sr. Manley que Jean Harlow est� aqui.

Sim, Menina Harlow.

Sr. Manley...

creio que lhe devo alguma coisa.

Espero que tenha reservado espa�o na sua galeria para o meu retrato.

O quarto � para a esquerda Se n�o me engano.

Exacto.

Nesse caso, n�o me custar� encontr�-lo.

O que diabo se passa contigo?

Nada.

Uma aventura � perdo�vel, Jean.

Mas outra coisa � fazer isso toda a tua vida.

- A minha vida privada � da minha conta. - Contanto que n�o d�s esc�ndalos.

Se n�o fosse por mim, irias sair, diariamente, nos jornais sensacionalistas.

S� fa�o o que fazem as pessoas correntes e vulgar.

Desde que te converteste numa estrela deixaste de ser uma pessoa corrente.

- Quem disse isso? - Digo-o eu.

E os jornais, e os produtores dos teus filmes.

E os milh�es de d�lares que foram investidos em ti.

Assim, faz o favor de deixar de beber,

de deixar de ir a hot�is com desconhecidos,

e de fazer que me envergonhe de ti.

Tu trabalhas para mim. Eu darei ordens e tu cumpri-las-�s.

Eu trabalho para mim mesmo.

Tenho muitos clientes, e tu �s s� um deles.

- Eu s� tento aconselhar-te. - Os teus conselhos tem o seu pre�o.

Eu j� te disse que um dia me atirarias � cara os meus dez por cento.

Quando est�s a subir, n�o.

Mas quando come�ares a cair, chamar�s ladr�es a todos os que te rodeiam.

- Quem disse que eu come�o a cair? - Olha!

Olha este rosto.

D�s-te conta? Que olheiras, que rugas.

Dentro de um ano far�s pap�is de segunda categoria.

Depois, pap�is sem nenhuma import�ncia.

- E finalmente... - Cala-te!

D�-me vontade de te despedir.

F�-lo.

H� muitos agentes nesta cidade dispostos a mentir por um sal�rio m�nimo.

Imploro-te, vai e deixa-me em paz.

- Se eu te puder ajudar em alguma coisa... - N�o! Vai e deixa-me em paz.

N�o me atrevo a deixar-te s�. N�o sei o que �s capaz de fazer.

Tenho direito a fazer o que queira da minha vida.

Eu tenho enriquecido todos voc�s.

Tu tens casa, fam�lia, pessoas com quem viver.

Deixa-me descobrir por mim mesma o que me faz falta.

Vai-te e deixa-me, por favor.

�ltimas informa��es!

�ltimas informa��es. Jornal, senhor?

Leia as �ltimas informa��es dos sucessos do dia.

�ltimas informa��es!

Tentei chegar ao mais alto.

Mas � medida que o ia conseguindo...

estava mais longe de ti...

e de mim.

- Mam�. - O que �, minha filha?

Tentarei faz�-lo melhor.

Prometo.

O p�blico quere-me.

A s�rio que me quer?

A s�rio?

Adora-te. Toda a gente te adora.

Mam�.

Minha filha.

Prometo.

Serei uma boa rapariga.

Uma boa rapariga.

Mam�.

Mam�!

- Algo sucede. - Jean!

Jean!

Por favor, doutor.

Ajude-a.

Minha pequenina.

Jean!

N�o.

N�o.

Jean!

J� nada pode ajud�-la, Sra. Bello.

Lamento muito.

Tinha s� 26 anos.

A pneumonia � algo que ainda n�o conseguimos vencer.

Ela n�o morreu de pneumonia.

Ela morreu da vida.

Deu tudo aos outros.

E n�o sobrou o suficiente para ela.

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