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Não temos tempo a perder, Diego.
Amarrados não poderemos enfrentar ninguém.
Eu cansei de fugir, Agustin. Já te disse.
Que merda, Diego.
Pretendo morrer de velhice e não por sua culpa.
Por isso você está aqui amarrado como um porco?
Quer morrer de velho...
Você sabe quem será o primeiro empalado assim que
- eles arrombarem essa porta? - Sim eu sei, Agustin, eu...
Não. Serei eu por acobertar você.
Toda a minha vida acreditei ser algo que eu não sou.
A minha vida toda!
Nos atacam!
Resistam, homens.
Quietos aí.
Eu os quero sem um ferimento.
São malditos bandidos espanhóis.
Sou eu a quem procura...
É mesmo...
Icem a bandeira. Digam que somos aliados do governador.
Você dizia?
Encontramos.
Augustín, não.
Não se renda, Diego...
Fogo.
Sitiados A Outra Face da Conquista.
Eu disse para não chamar a atenção.
Fique atrás de mim e não abra a boca.
Três meses antes.
- Pela ordem. - Estou procurando o Moro.
- Quem procura por ele? - Ele está me esperando.
Diga que dou o Capitão Gonzáles. Venho do sul.
Um momento.
Capitão Gonzáles?
Capitão? O que é isso de capitão? Capitão de que?
Do exército espanhol. Do que mais?
É uma piada, não é?
E é melhor ficar calado se
- não quiser arruinar tudo. - Você era capitão dos ladrões.
Cala a boca...
- Podem entrar... - Depois de você, "capitão"...
O que há com você? Veio do mar ou da terra? De onde vem?
Droga, capitão. Quanto tempo você está ai observando?
Tempo o bastante para ver que você não perdeu o jeito, amigo.
Você parece bem, Gonzáles, parece bem.
Lamento não poder dizer o mesmo de você...
Quem é esse emburrado com você?
Diego, meu filho.
Pobre coitado, lamento por ter que aguentar esse
chato como pai...
Vamos beber um pouco. Sentem-se. Garoto?
Quer brincar com alguma das meninas?
Recebeu minha mensagem?
Você não estaria aqui se não...
- O que me diz? - Te levar ao oriente?
Não é fácil, mas também não é impossível.
Tudo depende do quer você puder dar em troca...
O que você acha?
Você é um safado sortudo...
Se você diz...
No Oriente tem tudo. Tem seda, especiarias, animais exóticos...
Tem de tudo. Eles não se interessam por nada nosso.
Tirando isso. Eles gostam mais de dinheiro do que de água.
Eu sei onde estão as minas. Tenho os mapas.
Não é o maldito tesouro de Tisquesusa,
mas vai te interessar.
Não. Primeiro vamos beber, capitão, vamos ver como
nos ajudar mutuamente e quantas mentiras nós iremos dizer
enquanto estivermos bêbados. Logo mais você me mostra esses
mapas e veremos se posso te colocar em um barco para
o Oriente com seu filho. O que acha?
Vamos beber. Garoto?
Aqui estão as minas de prata. Essas são as mais produtivas.
Com tantas pedras que você nunca viu na vida. Com uma encomenda
de 20 escravos será o suficiente para explora-la.
E o truque?
Que truque?
Vamos capitão. Você não está mentindo para mim?
Aqui não tem nenhuma pedra de prata, ou você tem algo ai
que te faça pagar tão caro
por uma viagem ao outro lado do mundo?
Não minto. De qualquer forma irei em um dos seus barcos.
Se não cumprir com minha palavra, você pode me matar.
O que acontece com seu filho que ele não fala?
Ele é bem educado.
Farei com que partam antes do amanhecer.
Sem equipamento nem armas. Estejam prontos para
quando aparecer os primeiros raios de sol.
Parado, vamos revista-los.
Os espanhóis revistam tudo que sobe aos barcos.
Estão irritados pelo tráfico de ouro que existe
no porto de Lima.
Saúde soldados. Aqui meus convidados,
o capitão Gonzáles de Nájera e seu filho Diego rumo ao Oriente.
Capitão...
Obrigado.
Garoto...
Soldados...
Desculpe, capitão.
Boa viagem e bons ventos.
Porque esses dois tem que me
olhar como se fosse um deformado?
- Eu a vi. - Não diga mentiras.
Capitão.
Silencio. É a lei.
Desculpe capitão, você está
¡sento, mas devemos revistar o seu filho.
O que vocês querem ver? Não tenho nada.
Eu te disse.
Chamem os Guardas!
O que está acontecendo? Estão loucos? O que é isso?
- Leve-o. - Pegue-o.
Que o índio não escape.
Agustin, pelo amor de deus. Os espanhóis confiscaram meu
barco e não querem que ele parta, me encheram de perguntas
e quase terminei preso por sua culpa.
Onde está o meu filho?
Primeiro me diga que merda está acontecendo aqui.
Onde ele está?
Estou aqui.
- Você está bem? - Sim.
- Te machucaram? - Não fizeram nada.
Você tem que nos tirar de Concepción o quanto antes.
Tenho que tirar vocês?
Você está me devendo. Vinte anos atrás eu salvei sua vida.
Há vinte anos você não mentia tanto, Agustin.
E agora também não.
Você quer que eu arrisque o que eu tenho por você
e pelo seu filho? Muito bem. Ao menos me diga o que está
acontecendo, porque estão
perseguindo vocês e o que é isso da marca?
Eu te conto quando estivermos a salvo.
Vamos, Diego.
Agustin.
Fiquem aqui dentro, lá fora é muito perigoso.
Trabalharão para mim. Quando os espanhóis se acalmarem,
veremos o que fazer. Tudo bem?
Certo.
Que isso?
Olá.
De onde você vem soldado?
Então como foi? Chega...
Bem? Parece que sim.
Aqui tem algo para vocês. Tudo bem...
Agustin, Agustin...
Os espanhóis liberaram meu barco.
Bom, então vamos...
Um momento. Te deixei a salvo, te dei cobertura,
comida e abrigo. Estamos prontos.
O que vocês dois fizeram? Me conte...
Ele nem sequer sabe. Ele não pode saber.
- O que você ganha escondendo? - Estou protegendo ele.
Se ele não souber, não vai precisar mentir.
Como você vai dizer a ele quem ele é?
Ele é ele. Um espanhol criado entre os mapuches,
buscando, igual a todo mundo, um lugar para viver em paz.
Desde a primeira vez que nos vimos você
não deixou de olhar minha mão.
Coloque uma moeda na minha mão e eu te direi o que eu vejo.
Tem que ser de ouro.
Não tenho ouro comigo.
Todos os índios levam ouro.
Muito bem, seja hoje por você e quem sabe algum dia por mim.
Você é um rei...
E você minha rainha.
Se não me levar a sério vou
amaldiçoar o seu caminho e você vai morrer...
Não sou rei de nada, sou apenas um mapuche tentando
não ser escravizado pelos espanhóis.
Você é um rei marcado.
Essa é uma marca do meu povo.
O seu povo não marca a sua gente. Você é um rei que
não sabe que é rei. E não vai encontrar seu destino até
que a coroa esteja em sua cabeça.
Então você irá lembrar de mim.
Não vai encontrar nenhuma paz enquanto você levar
o bastardo do rei da Espanha com você.
Por isso preciso sair do império.
Por que quer sai dele e não aceitar o seu destino?
Por que não leva-lo a Espanha?
Não percam tempo com isso, procurem o bastardo.
Não importa o custo, não importa nada.
O único que importa é encontra-lo e enforca-lo.
Nós temos que ir. Agora.
Não é pra menos, você tem o homem que poderia reclamar
o trono do maior império do mundo.
O que está fazendo? Nós temos que lutar, temos que ajuda-los.
Não podemos fazer nada por eles.
Vai chegar a nossa hora de lutar. Agora temos que fugir...
Nem todo o ouro das índias causa essa loucura que
a marca de Diego causa.
Vamos, mais rápido. Descarreguem de uma vez.
Você é um imbecil. Recolha isso imediatamente. E faça com que
não falte nenhuma maldita moeda.
Está bem, vamos, depressa.
Leva isso para longe daqui. Estupido.
Vamos, descarreguem.
Depressa.
Leitões, leitoas e porquinhos, que bonito seria minha bandeira
se tivesse um chicote e se você não usasse calças.
A moeda continua desvalorizando, sua majestade.
Creio que é necessário tomar algumas atitudes...
Assumir uma nova divida será o melhor caminho, sua majestade.
Se fizermos isso, estaremos falidos antes do natal.
Falidos? Meu deus.
As embarcações com ouro e prata não deixam de chegar das Índias.
Rápido. O que acontece com esse
nariz prodígio que não encontra o rastro?
Vamos voltar com as mãos vazias para o palácio?
Sua majestade, o silêncio é essencial para que
os porcos não se espantem.
Então cale a boca e pare de assustá-los.
Naquela direção.
- Fantástico. - Sua majestade. Seu arco.
Tudo o que você precisava era de um empurrãozinho extra.
Ali, estou vendo.
Procurem-no.
Pode deixar majestade, vou busca-lo.
Rápido.
Conseguiu majestade.
Muito bem majestade. Um tiro impecável, sem dúvidas.
O que tem de mais ficarmos aqui?
Você vai conhecer muitas mulheres na sua vida, acredite.
Mas aqui tem uma que eu gosto muito, não tenho que procurar
por outra, nem quero continuar fugindo.
Nos vamos embarcar essa noite.
O Moro já deveria estar aqui. Merda.
O que é a marca que eu tenho nas costas?
Uma marca mapuche.
Os mapuches não marcam sua gente.
Por que você sempre tem que questionar tudo?
Porque estou cheio de ir de um lado para o outro sem entender
o que está acontecendo e porque estão me procurando?
Por ser índio.
Existem muitos "índios" como eu e nenhum está
fugindo como um rato.
Não vamos ter essa mesma discussão outra vez.
Voltamos a discutir o mesmo
porque você nunca quer conversar.
Do nada descubro que você é um capitão espanhol, que tenho
uma marca que não sei o que é, que você salvou a vida do Moro
não sei quantas vezes e quantas coisas mais.
Quer saber, estou de saco cheio porque para vossa senhoria nunca
quer falar, porque para vossa senhoria nunca
é um bom momento para isso.
Exatamente. E agora também não é.
Então, quando?
Nunca.
Não vou embarcar para nenhum lugar até que você
me diga o que está acontecendo.
O que está fazendo?
O que eu devia ter feito antes, me libertando de você.
E o que vai fazer? E ir para onde?
Ficar aqui e se arriscar por uma garota?
Isso é coisa minha.
Não. Seu destino é coisa minha também.
Olha "capitão", até aqui estivemos bem.
Se você não me disser eu vou descobrir sozinho
o que é essa maldita marca que eu tenho.
Não volte a falar dessa marca se quiser continuar vivo.
Pare de me dar sermão. Você não é o meu pai.
- Estamos prontos. - Boa sorte...
Você não vai a lugar nenhum.
O que você está fazendo?
Eu te libero da missão, capitão.
Eu mesmo vou levar o bastardo até a Espanha.
- Me soltem... - Pega ele!
Não...
Mais algumas horas e vamos chegar.
Não é uma boa época para atravessar a selva.
Ainda mais com prisioneiros.
Prefiro arriscar a sorte na selva, cruzar até Portobelo
que dar a volta pelo Cabo de Hornos.
Tratem-nos bem. Temos quatro dias para chegar
a Portobello e de lá vamos a Cartagena.
Boa sorte.
Não se desespere. Você vem comigo.
Um barco nos espera lá do outro lado e vou precisar de um guia.
Levamos para a Espanha o melhor tesouro de todos. Vamos.
Como você pode me esconder algo assim?
Toda a minha maldita vida eu me senti um estranho sem entender
porque e você escondia a resposta, Agustin.
As coisas não são tão simples assim...
Você mesmo ia me entregar ao seu maldito rei, não é?
Você é um egoísta.
Cala a boca e caminha.
Reage pelo menos uma vez, Agustin.
Sou o filho do rei? Do maldito rei que eu odeio?
Foi isso que você me escondeu? Desgraçado.
Quietos. Já basta ou vou ter que colocar uma mordaça em cada um?
Chega, parem. Já chega.
Vamos.
Sua mãe me contou há muitos anos
e juramos jamais voltar a mencionar esse assunto.
Que solução brilhante.
Simplesmente brilhante. Vamos mentir. Quem se importa?
Foi a maneira de te manter a salvo.
Foi a maneira de se esquivar do problema. Se você tivesse me
contado, poderia estar alerta, poderia ter me defendido
ou fugir por conta própria,
ou simplesmente me entregar seja lá o que for.
Minha mãe está morta. E se você também estivesse morto
quem iria me dar resposta sobre essa maldita marca que tenho?
Sua majestade o rei, antes de me enforcar?
Soltem-nos e andando.
O caminho a frente está cheio de índios... Vamos.
Vamos.
O que foi isso?
Vá dizer a Francis que ele chegou.
Imbecil, vai logo avisar a Francis.
- Bem vindo a bordo... - Francis?
Viram a marca deixando o Reino do Chile,
sabe-se lá para onde ia.
Pode ser a última notícia que tivemos dela.
O rei pede para que se ocupe pessoalmente de encontra-lo
e o leve com vida para a Inglaterra.
Um bastardo de Felipe II nas mãos do rei da Inglaterra,
permitiria reclamar legitimamente o trono da Espanha
e portanto, reclamar legitimamente
a posse das Índias.
O capitão quer saber em troca do que?
Ouro.
Em troca de todo o ouro que
você puder carregar em seu barco.
Me peça o que quiser Francis...
- Te levarei diante da corte. - Da outra vez você
- prometeu o mesmo. - Agora é diferente.
- Por que? - Porque estou dizendo.
Se você conseguir o bastardo, Francis. Será você que vai
leva-lo diante ao rei.
O que está fazendo aqui?
Minha visita o incomoda, governador?
A última vez te disse que não queria mais vê-lo em terra.
Os rumores sobre o bastardo de Felipe voltaram a aparecer...
Não brinque com essas coisas. Tenho o Duque de Lerma enviando
cartas em cada barco que chega da Espanha. Está obcecado para
saber se existem notícias desse bastardo. Como se fosse fácil
encontrar alguém nessas malditas terras.
Está perto...
Está muito mais próximo do que você acredita, Governador...
Do que está falando?
Bleckwedel esteve no meu barco...
ofereceu uma fortuna em ouro por ele e outras coisas.
Isso significa que está perto, muito perto...
Onde?
Não sei, mas seja onde estiver para ir até a Espanha
tem que passar por aqui...
Por que um protestante vai querer o bastardo de Felipe?
Para leva-lo a Inglaterra diante do rei e reclamar
o trono da Espanha. Essa é a minha missão.
Mas isso significa o fim para todos, a menos que...
A menos que?
A menos que sua visita aqui signifique o contrário...
Parece que a minha presença aqui começa a ser bem-vinda...
Governador...
Quanto tempo será necessário para chegarmos lá?
Senhor, com esse clima deveríamos levantar
as velas e atracar no porto.
Não quero nem sequer...
não quero nem sequer me aproximar de Cartagena com
o bastardo atado na adega.
Quero zarpar na Espanha o quanto antes.
A tempestade não vai nos deixar partir antes de amanhã de manhã.
Procure mais sete homens. Carreguem o barco durante
a noite com ou sem tempestade
e seguiremos rumo a Espanha. Entendeu?
Sim, senhor.
Quietos. Vamos, me dê isso...
O que há contigo, quer terminar morto ou o que?
Tudo isso que tem é meu. Me devolva.
Não me diga...
Troque o ouro de nossa gente por vinho e tabaco para
destruir sua mente...
Você é um pobre diabo. Saia daqui, saia...
O que queria fazer? Se matar?
Eu a vi, Zipa.
Ninguém entra sozinho no mar, essa é a regra.
Estou dizendo que eu a vi.
Está ai, o tesouro do galeão espanhol.
Eu também a vi, mas não dá pra chegar.
Onde você conseguiu?
Estava com o soldado que o roubou. Eu o segui por dias...
Obrigada.
Obrigada.
Temos que encontrar o caminho para casa, Zipa.
Está ai nesse baú, no fundo do mar.
Eu, Cucu e Napu tentamos muitas vezes, mas não conseguimos...
Tem que ter um jeito.
Amanhã, quando a tempestade passar vou recuperar
essa esmeralda para você. Eu prometo...
Está muito perigoso. Esperaremos que a tempestade melhore
e continuaremos carregando. Faltam apenas duas viagens.
Acho que é melhor ficar e passar a noite em terra.
Tem medo de remar até o barco no meio dos trovões?
Não vejo graça.
Isso porque você está bebendo pouco, covarde.
Não sou covarde, mas também não sou idiota. Podíamos ter
atracado no porto como Deus manda,
o barco já estaria cheio.
Ouvi dizer que o Moro não queria
colocar o pé na terra por conta daquele na adega...
Deve ter sido outro motivo. Ninguém desce a ancora
no meio do mar por causa de dois escravos.
Segundo o que eu ouvi do próprio Moro, o índio não é só
um escravo é o bastardo do rei da Espanha.
Essa é a maior estupidez que já ouvi na minha vida.
Pelo bastardo do rei então.
Silencio, imbecil. Por que acha que temos tanta pressa
em ir até a Espanha?
Saúde companheiros. Ouvi que estão indo para a Espanha?
Até que essa tempestade passe, não iremos a lugar nenhum.
Posso convidar vocês a uma rodada?
Rápido.
Tirem daqui... É a última viagem.
Vamos logo que a tempestade diminuiu.
Nos atacam.
Destruam tudo.
Parados aí...
Encontramos.
Sorte sua.
Icem a maldita bandeira.
Matem-nos...
Não é nenhum desses. O que houve com o barco espanhol?
Qual dos dois? Um dorme no fundo do mar. O que você abordou segue
pegando fogo. Os sobreviventes serão vendidos como escravos.
Os sobreviventes serão massacrados. Mas que merda...
Eu tinha o bastardo em minhas mãos...
Nós sabemos. O que não entendemos é porque você
foi com tão poucos homens para a abordagem...
O que está insinuando?
Nada. Só disse que se tivesse compartilhado a informação
com todos, talvez o bastardo estivesse conosco.
- Onde ela está? - Em sua cabine...
Mortos e feridos aqui!
Água!
Você rebola muito bem.
É assim com todos? Você faz isso com todos, mulher?
Todos somos iguais.
Me deixe acabar...
Eu já acabei.
Capitão, as falésias estão à vista.
Que merda grumete. Um dia vou empalar você na proa do barco
se continuar entrando assim.
Preparem a prancha.
A prancha? Quem você vai matar?
Você...
Que merda é essa, Francis? O que é isso? Eu não fiz nada
além de servir você. Assim que você agradece?
Com a maldita prancha, como se eu fosse um espanhol?
Você tinha o bastardo e o perdeu...
Os malditos espanhóis invadiram o meu barco.
Você foi de grande ajuda antes, mas agora, você não compartilha
a informação que tem, se gaba nas tavernas espanholas.
Não me deixa outra opção Marcus.
Vamos, Francis. Graças a mim você sabe onde está o bastardo.
Não faça isso, pelo amor de deus.
Me deixe trazê-lo como te prometi...
Você já fez isso. E falhou.
Por favor, Francis. Vamos fazer assim, vamos nos acalmar,
me dê uma semana, te prometo que em uma semana eu voltarei
com o bastardo e você poderá
zarpar para a Inglaterra com ele.
Nem sequer te peço ouro em troca, só peço que
me deixe em terra. Eu mesmo vou procura-lo e te trarei.
Você fala demais.
Armas...
Aqui está, capitão.
Você era o capitão?
Onde está o bastardo?
Estava na minha adega, senhora. Mas agora eu não sei.
Não voltei a vê-lo.
Mas poderia reconhece-lo?
Sim senhora, claro que sim.
Deixe-o com os demais. Vá logo.
- Quem é ele? - O que importa?
Você não tem coração? Não vê que é um pobre coitado?
Tudo bem?
Agustín...
Está tudo bem? Quem é Agustín?
Agustin...
Nunca se renda, Diego. Nunca...
Ei, quem é Agustin?
Você me escuta? Acorda.
Encontraram o corpo de Marcus na praia.
O espetaram como um frango, senhor.
O beijo de Francis.
O que isso significa?
Que perdemos o bastardo e temos os dias contados.
É isso que significa.
Vendam os sobreviventes e repartam o ouro entre os homens.
Por esse não acho que pagarão muito, apenas respira.
Isso não é um problema, capitão.
Capitão. A costa de Cartagena está a vista.
A luneta.
Vivo ou morto, o bastardo está ali em algum lugar
e não vamos descansar até encontra-lo.
Vamos sitiar essa maldita cidade se precisar,
mas vamos encontra-lo.
Não volte a me contradizer diante de sua majestade.
Assumir uma nova dívida seria o fim da economia da coroa.
Mas efetiva para certos negócios do rei.
Do rei ou do Valido do Rei?
Mantenha as coisas simples e a cabeça no lugar.
O Rei entende pouco e quase nada dessas tarefas.
Só sugiro que sejamos conservadores.
Seu dever como economista é seguir a mim. Como acha que
posso financiar a luta contra
os piratas ingleses sendo conservador?
Rubis e safiras da Asia, ouro e esmeraldas das Índias.
Existe uma pedra em cada esquina do império, majestade.
Uma postura imaculada sua majestade, digna de um rei.
Meu pescoço não pensa o mesmo.
E você minha querida, também deseja ficar em uma pintura?
O que é toda essa porcaria?
As joias que vestirão a nova coroa de sua majestade...
Mas que honra. A rainha não vai ajudá-lo com isso?
Nem com isso, nem com o herdeiro, nem com nada.
A rainha passa mais tempo fofocando com sua mãe
do que se envolvendo comigo.
Você já escolheu, eminência?
Esperava que você me ajudasse com isso...
Claro que sim, vejamos. Muito bem...
Termine depressa, sua majestade precisa descansar.
Majestade, o contador tem algumas novidades em
alguns movimentos econômicos que precisam da sua assinatura.
Resolva você. A posteridade é mais importante que
uma assinatura. Ou não?
Senhor, tenho notícias vindas do mar e não são boas...
Diga logo.
Encontraram o bastardo, senhor.
Majestade...
Excelente. Como que isso é uma má notícia?
O levavam cativo em um barco de comerciantes. Provavelmente
alguém ignorava sua ascendência.
O barco foi atacado por piratas e os piratas repelidos por
dois galeões de nossa armada. Houve uma batalha e o barco
do bastardo afundou, senhor, provavelmente o bastardo
está morto no fundo do mar.
Essa é uma constatação ou mera opinião pessoal?
Opinião pessoal, senhor.
Levamos mais de 15 anos procurando e ele escapa
como areia entre os dedos, imbecil. Me traga certezas.
Com um rei que prefere posar com porcos ao invés de
administrar o reino, sabe quanto duraria essa dinastia
se aparecer um bastardo reclamando o trono?
Sabe?
Francis afundou nossos galeões, senhor.
Francis Drake está na costa de Cartagena?
Piratas.
Piratas! Corram, piratas... Socorro.
Não vai encontra-lo...
Não vai encontrar o bastardo...
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