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ESTA HIST�RIA FOI INSPIRADA EM EVENTOS REAIS.
ALGUNS PERSONAGENS E SITUA��ES S�O FICT�CIOS.
EM MEM�RIA DE PEDRO COSTA
A primeira vez que ouvi falar de Baler, eu tinha 20 anos.
Me disseram que era uma cidade tagala,
ao norte de Manila.
Um lugar amaldi�oado cercado por mar e selva,
habitado por rebeldes sanguin�rios que odiavam a Espanha.
Uma noite,
em outubro de 1897,
o destacamento que defendia a cidade foi massacrado sem piedade.
Houve medo...
Tenente!
Desespero...
caos.
Foi uma vergonha.
De 50 soldados, apenas 13 sobreviveram.
Eles lutavam por sua liberdade.
E n�s, pela sobreviv�ncia de um imp�rio.
E perdemos.
Tr�s meses depois, fui mandado com o pr�ximo grupo.
Nossa miss�o era recuperar aquela cidade amaldi�oada
e a grandeza da Espanha.
Eu n�o sabia ainda,
mas est�vamos destinados a ser os �ltimos defensores do Imp�rio,
os �ltimos nas Filipinas.
Nunca tinha estado numa guerra
e achava que, para sobreviver,
eu s� precisava de um pouco de sorte
e bom senso.
Eu era jovem.
Era ing�nuo.
N�o vejo ningu�m.
� o que fazem melhor: se esconder, matar, se esconder...
J� chega, Ron. Vai ficar com dor de barriga.
Mantenha os olhos bem abertos.
Barcos ao mar, armas a postos!
Vamos, homens!
- Barcos ao mar! - Vamos, mais r�pido!
Deus nos ajude.
- Vamos! - Como me meti nessa? Porcaria!
Tenente, h� um homem na praia!
Mart�n Cerezo, 2. Batalh�o de Ca�adores.
Irm�o Carmelo, eu cuido da par�quia.
� respons�vel por estes homens?
O Capit�o Las Morenas faz isso. Ele est� vindo.
- Voc� veio de Manila? - Sim, Padre.
Para recuperar a cidade.
- Qual � o melhor acesso? - Uma hora rio acima.
Os rebeldes partiram h� duas semanas.
Baionetas a postos!
Os nativos que restaram s�o muito pac�ficos.
Deixe que eu decido isso.
Avan�aremos em duas fileiras. Carjaval, voc� vai � frente.
Todos bem atentos. Andando!
Abra a bandeira e venha comigo.
Luis, v� com cinco homens checar a igreja.
Pode deixar!
Qual � a grossura dessas paredes?
Quase um metro e meio.
Isso aguenta o impacto de artilharia pesada.
Al�m da sacristia, o que mais podemos usar como dep�sito?
Sargento Jimeno Costa.
Sobrevivente do destacamento anterior.
�s suas ordens, Tenente.
Estou esperando h� semanas.
Segundo o regulamento, deveria ter ido com seus homens a Manila.
O primeiro dever de um militar, Tenente,
� defender a Espanha.
N�o fez isso muito bem.
Eu n�o me rendi. Deus sabe que lutei at� perder as for�as.
Isto parece pouco para voc�? Ou isto?
Se os tagalo vierem de novo,
precisar� de mim, Tenente.
Conhe�o bem este lugar.
Por que n�o hasteou a bandeira?
Eles destru�ram a nossa.
E os nativos querem essa.
Jose.
Hasteie-a.
Vai guardar de lembran�a?
Cuidado com as mulheres da cidade, Tenente.
Todas elas s�o espi�s para o inimigo.
- Qual � o seu nome? - Teresa.
Ela � uma puta e o irm�o luta com os rebeldes.
O que meu irm�o faz � da conta dele.
N�o tenho nada contra a Espanha.
Fui batizada
e canto no coral da igreja.
O que voc� canta? Cantos de natal?
Can��es de amor.
O que voc� quiser.
Que m�sicas voc� conhece?
Espanholas, filipinas...
Cante uma.
- Canto quando for paga. - Como todas as putas.
Vou lhe dizer...
Continue.
S� pagou por isso.
Bem-vindos a Baler,
senhor.
Os rebeldes fazem parte de uma organiza��o ma��nica,
chamada Katipunan, que quer a independ�ncia das Filipinas.
N�o se importam da Espanha estar aqui h� 400 anos,
de termos constru�do suas cidades.
Querem que a gente saia, e mortos.
Os tagalo s�o dur�es.
S�o muito violentos e t�m grandes aliados:
o calor, a mal�ria,
furac�es e animais selvagens.
Voc�s s�o muito jovens, muito inexperientes
e inaptos.
Se realmente quiserem sobreviver,
ter�o que aprender r�pido.
E os que n�o o fizerem, que Deus tenha piedade.
Sobreviveremos.
Essa virgenzinha d� sorte.
Sorte para todos ou s� para voc�?
Se quiser confiar na Virgem, tudo bem.
Mas os que morreram aqui tamb�m tinham crucifixos.
Morreram pela Espanha.
Pela Espanha. O que a Espanha fez por voc�?
N�o escolhi estar aqui.
Ent�o por que diabos est� aqui, Juan?
Apontar!
Fogo!
Carregar!
Fogo!
- Cessar fogo. Abaixem as armas. - S�o ruins assim de verdade?
� a primeira vez que atiram.
Meu Deus.
Voc� falou, senhor. Ter�o que aprender.
N�o sei se ter�o tempo.
Ent�o teremos que cavar muitas tumbas.
N�o quero que minha esposa fique vi�va.
Apontar!
Sei que a sua morreu h� pouco.
Fogo!
Tamb�m perdi minha filha. Tr�s dias de idade. Tuberculose.
- Meus p�sames. - Fogo!
Por que n�o ficou na Espanha?
Era o �ltimo lugar que eu queria estar.
Fogo!
N�o veio para se sacrificar?
Olhe, Tenente, na guerra h� dois tipos de soldados:
os que querem medalhas e os que querem voltar para casa.
Se puder escolher, escolho os primeiros.
Esses s�o os mais perigosos.
Fa�am com vontade!
Um c�rculo � minha volta. Vamos!
- Em c�rculo! - Mantenham a dist�ncia!
N�o acertaram nem o tamanho das suas botas?
Mandam voc�s sem saber atirar.
- Com botas do tamanho errado. - Eu me adaptarei, Tenente.
Sua moral est� alta assim?
Se eu voltar da guerra com uma carta de recomenda��o,
posso estudar na Real Academia.
- Estudar o qu�? - Pintura, Tenente.
Quero ser pintor. Dom Gabriel disse que sou bom.
- Quem � Dom Gabriel? - O prefeito de minha cidade.
Prometeu pagar meus estudos se eu voltasse com essa carta.
Se queria te fazer um favor, deveria ter pago
para tir�-lo do ex�rcito.
Dom Gabriel � patriota.
- Diz que a Espanha precisa... - H� muitos patriotas como ele.
Que mandam outros enquanto se empanturram.
O objetivo � restaurar o tom e brilho originais
e enfatizar os contornos.
Veja.
Est� vendo?
E quer que eu fa�a isso?
Eu vi seus desenhos.
E o tenente me disse que quer pintar.
� uma oportunidade.
N�o sei, padre. N�o tenho muita pr�tica com pinc�is.
- N�o quero profanar... - Profanar?
Sou um mission�rio pelo mundo h� mais ou menos 20 anos.
Se fizesse s� o que o semin�rio ensinou, estaria morto.
Filho,
os nativos gostam de ouvir hist�rias.
S� estou lhe pedindo
que me ajude a torn�-las mais atraentes.
E n�o preciso lhe dizer que enquanto faz esse trabalho
n�o precisar� lutar ou fazer qualquer outra coisa.
Quando Deus est� no comando, o capit�o n�o comanda.
Preparar rifles!
Apresentar armas!
Descansar armas!
Cabe�a erguida! Com orgulho!
Quem lhe ensinou a pintar assim?
Aprendi com calc�rio e argila.
Enquanto meu av� pastoreava, eu ficava desenhando.
De onde voc� �?
Fuenlabrada de Los Montes, Padre. Na Extremadura.
Filho, acho que nasceu no lugar errado.
Crocodilos.
Sargento.
�s vezes v�m em busca de cachorros, gatos...
de qualquer coisa que encontrarem.
Adoraria se comessem o cachorro do capit�o.
Como diabos pode trazer um cachorro para a guerra?
Voc� n�o descansa nunca?
N�o. J� me capturaram uma vez.
Isso n�o se repetir�.
� sua primeira guerra?
Cuidado para n�o se viciar.
Viciar em qu�?
Matar.
Fique quieta!
Quieta!
N�s a capturamos em dire��o �s colinas com comida.
Soltem-na.
Sargento...
O que pensam?
O que diabos pensam disso?
Que traria comida para voc�s?
Essa cadela sabe onde voc� dorme, o que come, o que caga!
Ela quer nos foder, e ningu�m far� isso comigo!
� para o seu irm�o.
� s� comida, n�o tenho nada a ver com essa guerra.
Agora tem.
V� embora. Sargento...
- Tenente! - Solte-a.
Se quiser se juntar aos seus, fa�a-o.
Mas d� um recado ao seu irm�o.
Se voltarem a Baler, estaremos esperando.
E, desta vez, n�o haver� rendi��o.
� um erro solt�-la.
� sinal de fraqueza.
Sabe o que � sinal de fraqueza?
Matar mulheres.
Alto l�!
- N�o atirem! - Alto!
- � o correio espanhol! - Fiquem atentos!
Ajudem-me, ajudem-me.
Ele est� mal.
Estamos em guerra com os americanos.
O qu�?
Nos acusaram de afundar um navio em Havana.
Sua frota destruiu a frota espanhola em Cavite.
E Manila?
Est� cercada.
Cruzou a Serra Madre para chegar aqui?
Os tagalo...
Os tagalo lhe atacaram? Quantos havia?
50? Quantos viu?
Fora! Todos para fora, por favor!
Segurem-no. Levantem-no.
Perdoai as nossas ofensas,
assim como perdoamos os que nos tenham ofendido.
E n�o nos deixeis cair em tenta��o,
mas livrai-nos do mal.
Am�m.
Senhores, o QG de Manila
n�o nos mandar� mais suprimentos.
Isso nos isola do resto do pa�s.
De agora em diante, dependemos de n�s mesmos.
Os rebeldes est�o esperando a hora certa chegar para descer.
H� 50 de n�s
e pode haver 100, 200
ou mesmo 1000 deles.
Para evitar surpresas, tomei uma decis�o.
Transformaremos a igreja em fortaleza
e nos refugiaremos dentro dela.
Confiscaremos os animais para reserva no caso de nos cercarem.
Berm�dez, ocupe o curral.
Eduardo, v� com tr�s homens revistar aquela cabana.
O resto, comigo.
Algu�m lhes disse para fugir, Sargento.
Usaremos o p�tio da igreja como horta
e cavaremos um po�o para termos �gua fresca.
A sacristia ser� nossa enfermaria
e o por�o, nosso dep�sito.
Foi o �ltimo?
E ergueremos a bandeira espanhola bem no alto do campan�rio.
Senhores, n�o podemos lhes dizer o que se passa em Manila,
San Juan ou Havana,
mas posso lhes dizer o que faremos aqui.
Lutaremos. Viva a Espanha!
Viva!
30 DE JUNHO DE 1898
Quem est� a�?
Quem est� a�?
Os tagalo est�o atacando! Est�o atacando!
Fogo!
Saiam!
R�pido!
�s trincheiras! N�o deixem que se aproximem da igreja!
Vigil, cuide do p�tio.
Carvajal, leve seus dois melhores atiradores para o coro.
- Posicione-os nas janelas. V�! - Sim, senhor.
Todos para as trincheiras!
R�pido!
Vamos! Fogo! Fogo!
Atirar � vontade! Todos em posi��o!
Vamos!
�s trincheiras! Protejam-se!
Vamos, vamos!
Fogo!
N�o deixem que cheguem perto!
Andr�s.
Meu Deus. Atirem � vontade.
Recarregar baionetas!
Continuem atirando!
Suba, porra! Suba!
Levante-se! Porra!
Tenente! Recuar das trincheiras.
- Capit�o... - Ordene a retirada!
Jimeno! Bater em retirada!
Para tr�s! Bater em retirada!
Cessar fogo! Recuar!
Retirada?
As guerras n�o s�o ganhas assim, Tenente.
Vamos!
Eles chegaram!
Vamos! Para cima! Vamos!
Vamos!
Estavam em maior n�mero, Carlos. Eram milhares.
Isso n�o � verdade.
Como n�o?
N�o eram milhares. N�o exagere.
Onde diabos estava?
Lutando, como voc�.
Est� me chamando de mentiroso?
Est� me chamando de mentiroso?
Soldados!
O que est�o fazendo?
Certo...
Consegue seguir este dedo?
Voc� estava no alto. Diga para ele quantos havia.
Milhares, vindo de todos os lados, como baratas.
Mas a pior coisa � que estamos sozinhos.
Manila n�o vai mandar ningu�m.
Temos comida e muni��o. Podemos aguentar.
Somos 50 homens assustados numa igreja.
Assustados?
Uma s� batalha e j� est�o chorando como menininhas?
Capit�o!
Capit�o!
Pode falar.
Enviaram um emiss�rio.
Tenente, saia para ver o que querem.
Mois�s, pegue sua Mauser.
Carvajal, no alto. Voc�s, comigo.
Calixto Villacorta, aqui � o Comandante Luna Novicio,
chefe das for�as filipinas da regi�o Katipunan.
Tenente Mart�n Cerezo, do 2. Batalh�o de Ca�adores.
O comandante n�o quer mais sangue.
Os espanh�is est�o derrotados.
Pe�a ao comandante para entregar suas armas e aceitar a jurisdi��o espanhola.
Est�o perdendo a guerra.
Daqui, vejo mais mortos seus do que meus.
Deveria me consultar com seu chefe.
N�o h� nada a se consultar.
Daremos tr�gua at� amanh�.
Cada lado enterra os seus.
Cuidem dos mortos.
E a�?
Querem que a gente entregue as armas.
N�o fizeram nenhuma oferta?
N�o estamos em condi��o de receber ofertas, capit�o.
N�o olhe tanto, todos terminaremos assim.
Cale-se.
Juan, ajude aqui.
Pode deixar. Eu fa�o isso.
Segure firme.
Ele apodreceu! Temos que pux�-lo.
N�o � melhor cobri-lo com terra?
- Voc� iria querer ficar aqui? - Vamos!
Juan!
Ajude-me.
Juan...
O que est� fazendo?
Desertando.
Juan!
Juan!
O que est�o esperando? Atirem!
Atirem! � uma ordem!
Atirem!
Dizemos adeus a esses her�is de guerra,
com eterna gratid�o por seus esfor�os.
Que sejam premiados por Deus
ao receb�-los nos c�us.
Que Sua Santidade os tenha em gl�ria e que permane�am em nossos cora��es.
Am�m.
Am�m.
Maus tempos vir�o e temos que nos preparar.
Isso...
nos ajudar� a aguentar a fome e o desespero.
O que �?
�pio.
N�o h� o suficiente para todos, mas podemos dividir.
J� provou?
Antes das Filipinas,
eu evangelizava no sul da China.
L�, eles d�o suas vidas por isso.
Os homens se viciam, perdem os dentes,
e as mulheres perdem at� a dignidade.
Mas tamb�m alivia a dor.
Que dor?
Toda dor.
Se Deus quer que eu siga trabalhando,
e acredito que queira,
preciso estar forte.
E voc� tamb�m.
Eu?
Fume.
Fume.
A maior parte dos espanh�is n�o sabe ler,
mas sabem que Cortez conquistou o M�xico
e sabem por causa das pinturas, impress�es, desenhos.
O que isso tem a ver com o M�xico?
Filho, um imp�rio nasceu l�,
e talvez ele morra aqui.
N�o diga isso, Padre.
O que eu digo n�o importa.
� o Senhor que decide.
Se isso acontecer,
ser� um desastre.
Sim, mas algu�m ter� que pint�-lo.
O que fazem aqui?
Parem de escutar! Est�o nos enganando!
Quem n�o estiver de guarda, volte para a igreja.
Vamos!
Pois
minha m�sica...
Filhos da puta!
Viva a Espanha!
Um viva �s Filipinas!
Preciso de sua risada
Preciso de seus beijos
Preciso de seu brilho
Preciso de sua risada
Preciso de seus beijos
Preciso
de seu brilho
10 DE OUTUBRO DE 1898
TR�S MESES DE ESTADO DE S�TIO
Aqui, Ron.
Onde est�, Ron?
Ron.
Ron.
Dever�amos sacrificar o cachorro do capit�o.
N�o acha, Tenente?
- N�o tem muita prote�na. - N�o, mas � alguma coisa.
Os sacos de comida que desperdi�amos foram sua responsabilidade.
Aposto que em Manila ele cuidou melhor dos biscoitos do cachorro que de nossa comida.
Cuidado com a boca, Sargento.
Tenente, o capit�o...
n�o � como n�s.
Voc� sabe disso.
O que eu sei?
Tenente...
N�o tenho espa�o. Coloque-o ali at� vagar uma cama.
D� �gua com a��car para hidrat�-lo. Aqui.
N�o, pequenos goles, para que seu est�mago n�o rejeite.
Tenente...
O que est� acontecendo?
� a comida.
Os sacos que vieram de Manila estavam contaminados.
Ficaremos assim para sempre?
N�o. Pioraremos.
Veja.
O que ele tem?
Chama-se berib�ri.
O organismo fica desnutrido, sem minerais.
Come�a pelas pernas, mas depois afeta o cora��o,
a cabe�a...
Berib�ri?
Significa "n�o consigo" em cingal�s.
N�o consigo andar, falar, dormir, comer...
Paralisa gradualmente seu corpo e, finalmente, a mente.
E como se cura?
Com frutas, carne, miudezas.
Exatamente o que n�o temos.
Eles enganaram voc�s!
Seus superiores est�o mentindo para voc�s!
A Espanha n�o est� em guerra.
Perdemos a soberania das Filipinas h� tr�s meses.
Tr�s meses!
- Soldado. - Vendemos as Filipinas!
- Soldado! - Agora lutam contra...
Capit�o?
Des�a.
Aquele idiota diz isso h� dias, n�o �?
Est� tudo bem, Capit�o?
O Tenente Mart�n me disse
que quer estudar Belas Artes.
E que precisa de uma carta de recomenda��o.
Tenho uma miss�o.
Uma miss�o?
Quem tiver coragem de realiz�-la,
sair� daqui com medalhas, eu te garanto.
Manila.
Manila?
Precisamos chegar a Manila.
� a �nica forma de descobrir o que realmente se passa.
Voc� tem pernas fortes e � esperto.
Poderia cruzar a Serra Madre, chegar a Manila
e voltar em quinze dias.
Estou pedindo, por favor.
Est� com medo?
S�o 200 quil�metros.
H� que atravessar a floresta.
N�o pense nisso.
S� Deus sabe o que ir� acontecer.
Mas tenho que descobrir como fazer isso.
Voc� est� enganado.
Pensar enfraquece voc�
e seu corpo.
Pensar... me enfraquece?
A maior parte de n�s
sofre e teme coisas
que podem nunca acontecer,
coisas que est�o apenas em nossas cabe�as.
Seu medo est� s� na sua cabe�a.
H� algo de errado?
Capit�o, o que foi?
Meu cachorro, meu cachorro.
Capit�o.
Quem � voc�?
Vigil!
Vigil! Chamem o Vigil, r�pido! R�pido!
Tenente, Tenente!
Ajudem-me.
Capit�o, est� me ouvindo?
Enrique.
Enrique!
- Ave Maria... - O que foi?
Ele vomitou algo preto e caiu.
Ter� que assumir, Tenente.
Senhor, encomendamos a alma de seu servo
para que, morto ao mundo, se volte ao Senhor.
E os pecados que por fragilidade da vida humana cometeu,
limpa-los com o perd�o de Sua miseric�rdia.
Por Jesus Cristo, nosso Senhor.
Am�m.
Desde que o capit�o me mandou para Manila...
O capit�o est� morto. Agora sou eu que mando.
� claro, Tenente. � que eu...
Ir para Manila � suic�dio.
Eles teriam te matado ao sair.
E n�o posso perder mais homens.
Algo mais?
N�o, Tenente.
Com sua permiss�o...
O cora��o, f�gado e miudezas s�o para os doentes.
Fa�a uma sopa para os outros com o que sobrar.
Sim, Tenente.
N�o vai dar.
Somos muitos. N�o vai dar.
N�o pense nisso.
Pensar te enfraquece.
N�o quero ser enterrado aqui.
Ningu�m vai te enterrar.
Eu vi como os levam.
Fique tranquilo, meu filho.
A morte n�o leva ningu�m sem a permiss�o de Deus.
E onde est� Deus, Padre?
Padre, me d� o frasco marrom. Alonso, o lavat�rio!
N�o me importa o que voc� roubar. Repolho, batatas, qualquer coisa fresca.
N�o podemos aguardar aqui. Precisamos acabar com o berib�ri.
N�o queria ser her�i?
� melhor do que cruzar Serra Madre at� Manila.
N�o consigo ir sozinho, Tenente.
Leve Jos�. Ser� bom para ele.
- N�o consigo mais. - Vamos, est� quase l�.
- Continue... - Merda, Jose!
Um cachorro!
Vamos! Vamos! Vamos, Carlos! Est�o vindo.
Vamos! Vamos!
R�pido! Vamos!
Minha Virgem! Minha Virgem!
Tenho que voltar! Deixe-me!
Tenho que ir!
Deixe-me ir!
Dever�amos ter trazido.
O qu�?
O cachorro.
Era grande.
N�o pense nisso agora.
O importante � salvar seu bra�o.
Vai ficar bom, n�o �?
Sen�o, tem seu bra�o esquerdo.
N�o ser� Goya, n�o �?
J� esteve com uma mulher?
Por que pergunta?
Eu n�o.
Nem com uma mulher da vida.
Meu av� materno morreu de s�filis.
Ele viuvou cedo...
e era muito mulherengo.
Quando piorou,
minha m�e e eu cuid�vamos das p�stulas de sua pele.
Fedia muito.
Como carne podre.
Acha que no c�u...?
N�o.
Como sabe o que vou perguntar?
Filho, nosso c�u � chato.
L� n�o h� virgens
nem donzelas, como o dos mouros.
Por que eles sim e n�s n�o?
Boa pergunta para o Criador.
Mas, se serve de consolo,
te digo que poderia ser pior.
Pior?
Nas religi�es orientais,
quando voc� morre,
come�a uma estrada de reencarna��es
que podem durar at� 70.000 vidas.
Algumas longas, como as dos elefantes.
E outras mais curtas, como as das...
baratas.
N�o quero ser uma barata.
Nem eu,
e � por isso que agrade�o a Deus
pela bendita sorte de ser crist�o,
mesmo se nosso c�u � uma merda.
Trouxemos laranjas.
Um presente do Comandante Luna.
O Comandante disse que voc�s podem plantar perto da igreja.
Ser� em territ�rio amig�vel.
Amig�vel?
Foi o que ele disse. "Amig�vel."
N�o vamos nos render por uma horta e algumas laranjas.
O Comandante pede que leiam isso.
S�o jornais de Manila.
O Comandante quer a paz.
N�o est� satisfeito em mandar seus homens, agora manda putas?
Voc� � um bom homem, Tenente.
Eu contei o que fez por mim.
- N�o fiz nada. - Salvou minha vida.
Fa�a o mesmo por seus soldados.
Salve-os.
O que eu fa�o n�o � da sua conta.
N�o somos rancorosos.
Gosto de homens espanh�is.
Em vez de ficarem a�,
trancados,
poderiam estar aqui,
celebrando,
se divertindo.
Saia daqui. V�!
� tudo verdade.
Recolham as coisas.
Devagar, devagar.
S� estou dizendo que eles podem entender errado.
Por aceitar presentes?
Sim, Tenente.
N�o quero saber.
Preciso de homens fortes,
homens saud�veis, sen�o como defenderemos essa igreja?
- Como fizemos at� agora. - Diga isso a Vigil.
Sua enfermaria est� cheia.
Diga isso ao Padre Carmelo, cansado de dar a extrema-un��o.
Certo.
Ou quer que a gente siga morrendo at� que voc� assuma o comando?
- N�o sei o que quer dizer. - Onde quer chegar, Sargento?
Consegue fazer melhor que eu?
Acha que tenho medo de morrer aqui?
N�o tenho ningu�m na Espanha.
N�o tenho mulher, nem filhos. Eu pedi para vir a essa guerra.
Ent�o fa�a a coisa certa, Tenente.
Como fizeram ao sermos massacrados?
Lutamos at� o fim.
Voc�s se renderam. � a diferen�a entre n�s dois.
Ningu�m se rende aqui,
n�o importa o que aconte�a ou quem caia.
Sargento...
Destrua esses panfletos.
Eles n�o saem desta sala.
31 DE DEZEMBRO DE 1898 SEIS MESES DE ESTADO DE S�TIO
Espanh�is, hoje � dia de celebrar.
Abaixem suas armas e venham para a cidade,
que estamos celebrando.
Podem se divertir! Ou�am o que digo e venham!
Olhem as mulheres que temos para voc�s!
Todas para voc�s!
Qual foi a �ltima vez que tocaram uma mulher, espanh�is?
Todo esse papo de dec�ncia! Esque�am os padres.
Esque�am a Espanha e venham para a cidade.
- Estamos celebrando. - Padre.
Abra todos os vinhos hoje. Deixe que os homens celebrem.
Aqui, filho.
N�o resta muito.
N�o.
� o suficiente para se despedir do ano.
Falava do �pio.
O qu�?
At� agora, nos ajudou a segurar.
Mas quando acabar, precisamos ser fortes, muito fortes. Especialmente aqui.
Os primeiros dias s�o os piores, mas passa.
Tudo passa.
Toma.
Anime-se.
A n�s, que saiamos dessa igreja vivos.
Vigil, algu�m viu o Padre Carmelo?
Eu o deixei na sacristia, visitando os doentes.
Encontre-o para que aben�oe o Ano Novo.
V� busc�-lo.
Padre...
Padre.
Padre, o que voc� fez?
Carlos, ele est� a�?
Carlos, encontrou o Padre Carmelo?
Ele est� aqui!
Chame o Vigil.
- Chame o Vigil. - Puxa, compadre...
Que sua alma descanse em paz. Am�m.
- Tenente. - Descansem. Todos.
- Estamos de guarda. - � uma ordem.
Preciso de seus beijos
Preciso
Eu te direi
Fogo de artilharia! Est�o disparando contra n�s.
- Algu�m v� para o campan�rio! - Vamos l�! Subam!
- Aos seus postos! - R�pido!
- Vamos! - Eles t�m um canh�o.
- De onde tiraram? - R�pido!
Vamos l�, r�pido!
Fogo!
O que est� acontecendo?
Protejam-se! Abaixem-se!
O que faremos?
- O canh�o est� fora do alcance. - Ent�o, o que faremos?
Fogo!
"A Senhora v� os ataques que o dem�nio e o mundo
acometem em todos os lados contra a f�,
no qual, para conseguir a gl�ria eterna,
desejamos, pela gra�a de Deus,
viver e morrer.
A Senhora, auxiliadora dos crist�os,
renova, para a salva��o de seus filhos,
as antigas vit�rias..."
Ajudem-me! Ajudem-me!
"Eles lhe confirmam o firme prop�sito..."
Nunca sairemos daqui. Morreremos, um a um.
- Hoje, amanh�, em uma semana... - Cale-se!
Precisamos sair e lutar.
Lutar como homens.
Se conseguirmos p�r p�lvora na brecha e selar,
o canh�o ir� explodir.
- Como chegaremos ao canh�o? - Com duas bolas. � o que falta a voc�s.
Preciso de todos os homens que possam lutar.
Ser� apenas um ataque r�pido.
Se der errado, acabou.
N�o haver� ningu�m para defender a igreja.
Mas se der certo...
Iremos em dois grupos
para que pensem que somos muitos e a surpresa seja maior.
Eu atacarei o flanco da direita, Sargento Jimeno, o da esquerda.
Darei tempo para chegarem a suas posi��es.
N�o podemos arriscar sinalizar.
Esperem at� que eu abra fogo.
Quanto tempo esperaremos aqui?
- At� que o tenente abra fogo. - O que ele est� esperando?
O que h� com voc�?
Nada.
Nada?
N�o est� pensando em nos desertar e se unir ao seu amigo?
N�o, n�o estou pensando em nada.
- O que � isso? - O qu�?
Est� ouvindo?
� um b�falo.
Saia da frente, merda!
O que est� fazendo?
Cubra sua boca para que n�o grite.
Amarre-o no ch�o.
Sargento, aqui h� crocodilos.
Ele � seu filho?
O canh�o! O que est�o esperando?
J� chega.
Pare! Carlos!
Est� morto, n�o v�?
Vamos, afastem-se! Vamos!
- Ali, atr�s da cabana! - Fogo! Fogo ali!
Aonde vai? Parado!
- O que est� fazendo? - Ele est� fugindo!
Aqui! Ajude-me!
- N�o consigo control�-los! - Temos que ir agora! Vamos!
- Est�o se reagrupando. - Peguem tudo! Vamos!
Peguem toda comida que encontrarem.
V�, Jimeno! Carlos e eu cobrimos voc�s.
Mexam-se! Vamos!
Vamos!
O fogo nos proteger�. Queimaremos a cidade toda.
Queimaremos tudo.
Carlos, temos que ir agora!
- Podemos vencer a guerra! - Carlos...
Podemos vencer.
O que aconteceu?
O Sargento encontrou uma coisa.
Escondida no por�o.
- H� quanto tempo est� fumando? - N�o sei do que est� falando.
N�o sabe?
- Voc� est� doente. - N�o.
- Acha que somos idiotas? - N�o negue.
- Pupilas dilatadas, arrepiado... - N�o � verdade!
- Levem-no para o por�o. - Podemos cur�-lo aqui.
- Deixem-me em paz! - N�o! Ao por�o!
- Vamos, ao por�o. - Deixem-me em paz!
- N�o estou doente! - Vamos! Vamos!
Soltem-me!
N�o!
- N�o fa�am isso comigo! - A pior coisa � a ansiedade.
Mantenha sua mente ocupada.
N�o...
N�o me deixem aqui! Meu Deus, eu imploro!
N�o me deixem aqui! Eu imploro!
Eu imploro.
Vinho para todos!
18 DE MAIO DE 1899
DEZ MESES DE ESTADO DE S�TIO
Bem-vindo ao mundo.
Est� tudo bem?
At� que enfim!
Um pouco de vinho?
Coma.
Recupere sua for�a.
Um navio!
Um navio na ba�a!
� espanhol?
N�o � um navio de patrulha espanhol.
� um uniforme de tenente-coronel, mas est� obsoleto.
Parece armadilha.
Vamos ouvir o que tem a dizer.
N�o deixem que chegue mais perto.
� apenas um homem. Temos tanto medo assim?
Mois�s, Pedro e Lopez, cubram-nos pela porta da frente.
Sou Crist�bal Aguilar e Casta�eda, Tenente-coronel,
sob ordens do General R�os.
Tenente Mart�n Cerezo, 2. Batalh�o de Ca�adores.
Estou aqui para entregar esse documento ao Capit�o Las Morenas.
Capit�o Las Morenas est� indisposto.
O que isso significa?
Significa que n�o pode receb�-lo.
Mas pode falar comigo.
- Deixe-me entrar na igreja. - Conversaremos aqui.
- O que disse? - Conversaremos aqui.
Com quem acha que est� falando? Sou seu superior.
Quem te assessorou? Esse uniforme est� obsoleto.
Eu ordeno que me deixe entrar na igreja imediatamente!
Devo denunci�-lo por insubordina��o?
Estou aqui para dar a ordem de entrega deste local.
Leia voc� mesmo.
Como sei se � leg�timo?
Tem a assinatura do General R�os.
� f�cil falsificar uma assinatura.
Esta � uma c�pia do jornal espanhol "El Imparcial",
com not�cias da perda das col�nias.
Acha que falsifiquei?
- Deixe para l�, eu j� vi jornais. - Est� agindo como um idiota!
Estou amparado pelo artigo 748 do regulamento de campanha que diz:
"Uma ordem de rendi��o por escrito deve ser verificada."
Chame o Capit�o Las Morenas. Ele me conhece.
Isso n�o ser� poss�vel.
Por que defender algo que j� n�o � da Espanha?
Ent�o por que nos atacam assim?
Os filipinos atacam porque voc�s n�o t�m o direito de estar aqui.
Leia o maldito documento!
Disse que a Espanha cedeu, no dia 10 de dezembro,
os seus territ�rios em ultramar aos Estados Unidos.
Cuba, Porto Rico e as Filipinas perderam a soberania espanhola.
Sua miss�o aqui acabou.
Veja voc� mesmo.
Quando se convencer, hasteie a bandeira branca.
Quanto antes acabarmos com essa loucura, melhor.
"Ao receber uma ordem de rendi��o por escrito de um superior,
sua execu��o fica suspensa at� que se verifique sua autenticidade,
enviando, se poss�vel,
uma pessoa de confian�a para confirm�-la verbalmente."
N�o caio nessa, ainda mais agora.
O tom e as frases que usam parecem reais.
Por que � o que querem, que pare�a real.
Chamou o capit�o, ele o conhecia.
E?
Se est� mentindo, n�o arrisca dizer algo que pode ser provado.
S� n�s sabemos que Enrique est� morto.
Ele � esperto. Quer nos confundir.
- E se for verdade? - N�o �!
N�o sabemos!
Se o Marechal o tivesse enviado,
ele teria vindo num barco de patrulha, n�o sozinho.
Se isso for verdade, estamos lutando h� quase um ano por nada.
Ningu�m est� lutando por nada!
Estamos nos defendendo de homens atirando com canh�es!
Perderam sua �ltima chance de sa�rem vivos, espanh�is.
Sua �ltima chance!
Est�o presos a� h� um ano
enquanto a Espanha ri de voc�s!
N�o morrer�o pela Espanha!
Morrer�o por serem idiotas.
� o que s�o, um bando de idiotas!
V�o se foder! V�o todos se foder!
Sabem como ser�o lembrados?
Sabem como ficar�o para a hist�ria?
Ficar�o conhecidos como os bobos de Baler!
Os porcos de Baler!
Por que n�o volta para a Espanha?
Ele n�o pode. Se ele voltasse sem n�s, seria fuzilado.
� claro.
Estamos em guerra, n�o?
Atirem!
N�o deixem que cheguem perto!
Atirem, porra! Atirem!
Tenente.
Quero respeitar as regras.
Com licen�a?
Serei a pessoa de confian�a que ir� verificar se � verdade.
Como ir� checar?
Irei a Manila, Tenente.
Andou fumando de novo?
- Se tiv�ssemos ouvido o capit�o... - Estaria morto.
- � o que teria acontecido. - N�o podemos seguir esperando.
Quer seu certificado de soldado exemplar.
Seu prefeito te enganou, Carlos.
- A escola n�o aceitar� pessoas como voc�. - Se ficarmos aqui, morreremos.
N�o vai chegar vivo a Manila.
Voc� vai voltar, n�o vai?
� claro.
Trarei refor�os.
N�o haver� ningu�m em Manila.
N�o importa.
Eu voltarei.
Americanos!
Ora, ora...
De onde ele veio?
Para onde ia?
Manila.
N�o h� espanh�is em Manila.
Meu ex�rcito?
Seu ex�rcito...
vendeu as Filipinas para os americanos.
Agora lutamos contra eles.
N�o s�o mais aliados?
N�o vieram ajudar.
Eles vieram para ficar.
Voc�s n�o sabiam de nada que estava acontecendo
presos naquela igreja, sabiam?
Est� sozinho, soldado.
N�o h� imp�rio,
nem ex�rcito, nem gl�ria para defender.
Minha guerra n�o � contra voc�s.
Voc� n�o � meu prisioneiro.
Se insistir em ir para Manila, te darei um cavalo.
Mas n�o h� nada l�.
Se voltar para a igreja, � um idiota.
N�o sou idiota.
Nem traidor.
Traidor do qu�... e de quem?
A Espanha vendeu as Filipinas para os ianques!
Nosso governo vendeu as Filipinas por 20 milh�es de d�lares!
Queriam que fiz�ssemos coisas heroicas
e no final s� se importavam com dinheiro.
Como sempre!
E o que acha que far�o com todo esse dinheiro?
Dar �s fam�lias dos mortos em Cuba, nas Filipinas
e Porto Rico?
Que o dar�o � sua m�e quando voc� estiver enterrado aqui?
N�o.
Ficar� para eles.
N�o est�o nem a� para n�s, Carlos.
Se quiser dar sua vida por um sem-vergonha, a escolha � sua.
� tudo mentira! N�o ia tentar chegar a Manila?
Manila est� ocupada pelos americanos.
Os filipinos est�o em guerra com eles.
- N�o temos nada a fazer aqui. - Eu que decido isso!
Realmente acha
que algu�m iria falsificar todos esses pap�is
pela gente, por essa igreja?
N�o v� quanto eles mentem?
20 milh�es por Porto Rico e as Filipinas? Que tipo de acordo � esse?
Voc� tem bom senso. Faria neg�cios assim?
Est�o nos dizendo que querem nos comprar,
que nossa rendi��o tem um pre�o,
e isso � um insulto � mem�ria de nossos mortos.
Sem falar na batalha naval em Santiago de Cuba.
N�o � genialidade ver que, se os navios n�o est�o prontos para lutar,
devem ficar no porto e defender a ba�a.
� quest�o de bom senso. Bom senso!
Acha que nossos l�deres em Madrid t�m bom senso?
Eles me mandaram aqui sem saber atirar, e sem botas...
Isso � diferente.
Uma coisa � serem inaptos, e outra � o que dizem os jornais.
Se algu�m desse ordens de enfrentar os americanos nessas condi��es,
deveriam ser mortos por trai��o.
Acha que um traidor nos comanda?
Um traidor n�o, Tenente.
Um incompetente.
N�o sou uma coisa nem outra.
E at� estar certo do que acontece l� fora, continuarei lutando.
Dispensado.
N�o sei.
N�o sabe?
� arriscado.
Arriscado? Ficar aqui, sim, � arriscado.
S�o apenas 200 metros.
Eles atirar�o em nossas costas.
N�o.
N�o quero mais lutar nenhuma guerra.
E se filipinos nos fizerem lutar com americanos?
Eles me deram sua palavra.
Se nos rendermos, nos deixar�o sair das filipinas.
N�o quero acabar como Juan,
incapaz de ir para casa.
Ficar aqui � loucura.
E n�o sou louco.
Ajoelhados! No ch�o!
Ajoelhados! Voc�s tr�s!
Eu sabia que fugiriam em algum momento.
N�o �?
Sabem qual � a pena por trai��o?
Sabem?
Parados!
Parados!
Querem nos entregar aos tagalos para nos matarem?
� o que queria?
N�o te matarei, Carlos.
N�o atiro em homens feridos.
E Jose e Carvajal?
Eles ser�o executados.
- Eu os convenci a ir. - Ser� amanh�.
- No p�tio. - N�o estamos em guerra.
- Voc� ouvir� daqui. - Est� enganado! Est� enganado!
Salvei sua vida duas vezes, Carlos.
N�o te mandei a Manila como o capit�o queria,
e te trouxe de volta nos meus ombros.
Quando estive enganado?
N�o...
N�o...
Fuzilar os soldados causar� um motim.
S�o desertores.
Lutaram por um ano, como os outros.
- As regras... - Fodam-se as regras!
N�o quer ver o que est� acontecendo.
Vai alinhar dois soldados contra a parede e pedir para outros seis atirarem?
Mois�s.
- Pegue seu rifle e siga-nos. - O qu�?
Seu rifle. Pegue-o.
Voc�, v� dormir.
Tenente, isso � ilegal.
Dessa forma, n�o sofrer�o.
Estou fazendo isso, Mois�s,
para que n�o sofram.
Mire.
Mire. � uma ordem.
Fogo.
Mirem no oficial!
T�m que mirar!
Coloquem os feridos nas camas livres.
TRANSFER�NCIAS DE PESSOAL
O que foi, soldado?
N�o teve coragem de fugir?
Est� bem?
Ainda h� tempo, n�o �, soldado?
Pare de falar!
� a ordem de rendi��o.
N�o porque fui derrotado.
Temos muni��o para mais dois meses.
E essa parede pode ser consertada.
Encontrei uma not�cia.
Uma not�cia real.
Na p�gina tr�s.
"Transfer�ncias de Pessoal."
S�o nomea��es de oficiais da infantaria.
Um deles � Francisco D�az.
Ele foi colocado em M�laga.
E?
Conhe�o Francisco h� 14 anos.
Servimos juntos no 17. Regimento Bourbon.
Sei que ele sempre quis ir para M�laga.
E da�?
Essa not�cia n�o pode ser falsa.
Pensei muito...
E n�o h� forma de explicar isso.
Os filipinos n�o tinham como saber o que diz a�.
N�o tem como.
Idiota, n�o �?
Uma not�cia absurda.
Uma nota sobre transfer�ncias...
Prova que os jornais est�o dizendo a verdade.
Como se sente, Tenente?
Obedeci fielmente ao regulamento de campanha.
Estou perguntando como se sente.
Pode ser que eu tenha me enganado, Carlos.
Posso ter cometido erros, mas minha consci�ncia est� limpa.
Ent�o diga.
Diga:
"Os filipinos estavam certos.
Os jornais diziam a verdade."
Diga.
Perdemos a guerra, Carlos.
Nosso ex�rcito se rendeu e perdemos.
� a �nica verdade.
2 DE JUNHO DE 1899 ONZE MESES DE ESTADO DE S�TIO
N�o temos nada branco. Acho que isso d�.
V� para o p�tio e fa�a o toque de aten��o, chamada e rendi��o.
Voc� ergue a bandeira.
Comandante.
Tenente.
� a ordem de rendi��o.
S� tenho uma condi��o, e n�o abrirei m�o dela.
Estou ouvindo.
N�o seremos presos nem entregaremos as armas.
- Acha que queremos vingan�a? - Muitos homens morreram.
Mais do meu lado que do seu, Tenente.
Mas meus homens n�o s�o foragidos nem assassinos,
e acho que mostramos isso.
N�o precisamos de prisioneiros,
e em rela��o �s armas,
podem lev�-las por toda minha jurisdi��o.
Depois disso,
ter�o que negociar com os americanos.
Pedirei aos meus homens que se despe�am de voc�s com uma guarda de honra.
Guarda de honra?
Passaram-se quatro s�culos, Tenente.
Tenente...
Estive analisando as certid�es de �bito.
Gostaria que os homens executados n�o fossem listados assim.
Estou pensando em suas fam�lias.
Em suas fam�lias ou nos seus superiores?
Diga que morreram de berib�ri.
Colocarei a verdadeira causa. � minha obriga��o.
Soldados!
Arrumem-se.
Quando sa�rem...
olhem para o c�u.
E perguntem a Deus onde esteve todo esse tempo?
Que se foda a Espanha!
Isso � para voc�.
Uma carta de conduta exemplar.
� uma piada?
Fiz uma para cada homem.
Seu prefeito saber� que veio e lutou.
Quando voltarmos � Espanha, contarei o ocorrido.
Espero que te expulsem do ex�rcito.
Se isso acontecer, ser� um favor para mim.
Aten��o!
Em frente!
Marchem!
O estado de s�tio de Baler terminou no dia 2 de junho de 1899, ap�s 377 dias.
17 soldados espanh�is morreram e quase 700 filipinos.
A queda de Baler sinalizou o fim
de um dos maiores imp�rios que o mundo j� conheceu
e causou uma trag�dia nacional na Espanha.
Dos sobreviventes, apenas Mart�n Cerezo recebeu a Cruz Laureada,
a mais alta distin��o militar.
Apesar do fim da guerra,
9000 espanh�is permaneceram nas filipinas abandonados � sorte:
soldados, padres, servidores e desertores
que seguiram l� pelo s�culo 20.
DEDICADO �QUELES QUE PARTICIPARAM DO S�TIO DE BALER.
Tradu��o das legendas: Amanda Jorgensen
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