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PALÁCIO IMPERIAL - TÓQUIO
Nosso adorado imperador
acaba de nos deixar.
Como ele não teve filhos,
temos que encontrar um herdeiro,
ou nosso império milenar
corre um sério perigo.
Eu o encontrei!
Em 1614,
um galeão japonês comandado
pelo samurai Hasekura Tsunenaga
desembarcou às margens
do Guadalquivir.
A missão dele
era seguir até Madri
para se reunir
com o Rei Felipe III
e iniciar relações diplomáticas
com o império espanhol.
Porém, um dos homens
se apaixonou por uma nativa
- e nunca mais voltou - ao Japão.
Ele se chamava Hitoshi Sitohito
e era sobrinho do imperador.
Após um ano,
o primogênito dele nasceu
e se transformou, por direito,
no herdeiro do trono.
Um direito passado
de geração a geração
até chegar aos dias de hoje.
Não, não.
Isso não pode, não! Não dá!
E onde está o Paco?
Onde está o Paco?
-Paco, você viu isto?
-O que foi?
- Querem que a gente - trabalhe mais.
-Fala sério!
-Como vamos trabalhar mais?
-Eles querem!
-Já trabalhamos demais.
-É sério.
-E o acordo?
-Me recuso!
-E os direitos do trabalhador?
-Vamos falar com o chefe!
-Vamos. Assim não dá.
Como era a música
do filme do Rio Kwai?
Ah, é! Era...
Isso mesmo.
Lá os japoneses
exploravam os ingleses,
mas agora querem explorar
os espanhóis.
- -Paco, o que está acontecendo? - -É...
Não podemos trabalhar mais,
não estão pagando.
E o acordo?
É isso, ou a fábrica
vai para a Índia.
-Para a Índia?
-Exato, para a Índia.
Então, é greve geral.
Não é isso, pess...?
Pessoal? Caramba, vocês!
-Miguel?
-É a comida dos meus filhos.
-Você só tem um, cara!
-Ele come demais, Paco.
Que pena...
-Isso não é justo!
-Eu não posso fazer nada.
Se quiser,
fale com os japoneses.
É isso, vou falar com eles.
Vão ver quem é Paco Japão!
Como você quiser,
mas vá trabalhar um pouquinho,
Paquito.
Vamos.
Mandei não beber essa porcaria.
Foi mal, mas preciso disso
pra aguentar essa vida escrava.
Tem razão.
-E a fábrica?
-A fábrica?
-Malditos japoneses.
-Filhos da puta.
- -Olha essa boca! - -Perdão.
Tem que comprar carne.
-Onde está a sua mãe?
-Na academia.
Esquerda.
Atenção.
Vamos lá!
Muito bem.
Mais um pouquinho.
Continuem.
- -Olá. - -Oi!
Tudo bem, meu amor?
-E aí? Tudo bem, bonita?
-Comprou a carne?
- -Oi, mãe. - -Pus na geladeira.
Muito bem. Acha que vai
se cozinhar sozinha?
Ele me mandou comprar,
não cozinhar.
Quando convém, você o escuta...
-Falha de comunicação.
-Falha... Espertinho, você!
E o seu pai?
Ele não faz nada!
Me aposentei,
já fiz a minha parte.
Agora vou descansar.
Vocês se provocando,
e eu o quê, meu amor?
Tenho jornada dupla,
trabalho lá e aqui,
-e ninguém me dá valor!
-Encarni...
Eu preparo o jantar,
e o garoto arruma a cozinha.
Tudo bem? Não se estresse.
- -Desculpe. - -Não foi nada.
Me deixe brincar com o garoto,
porque tive um dia de cão.
- -O que foi? - -O que foi?
- -Temos que trabalhar mais. - -Como?
-Vamos entrar em greve.
-Por favor, nada de greve.
Vão acabar demitindo você,
e as coisas não estão fáceis.
Não se preocupe.
Eu sei o que estou fazendo.
Toma essa, pai!
Eu ganhei, eu ganhei!
Sabe mesmo? Claro...
-Onde está a menina?
-Na biblioteca. Tem uma prova.
Trinta.
Quero o meu nome em japonês.
E andorinhas
saindo de uma gaiola,
porque eu sou uma, e este
vilarejo é a minha gaiola.
Quero que caia uma lágrima
do olho de uma andorinha,
porque ela sofre
pelas dores do mundo.
Acho que não cabe tudo.
Está dando pra trás?
Não. Por você,
eu tatuo qualquer coisa.
Vamos lá, tatue.
-Ai, caramba!
-É só álcool.
Viu? Você não gosta de mim!
Não sei o que fazer.
Estou cansada, preciso
de espaço e tempo, Curro.
-Espaço ou tempo?
-As duas coisas!
Preciso pensar, ampliar meus
horizontes, encontrar quem sou,
porque não me encontro, Curro.
-O que está dizendo?
-Sou uma andorinha!
Faço a tatuagem ou não?
Pode fazer.
Para ela saber do meu amor.
Por você,
eu tatuo o que for preciso.
Vamos lá!
Viu? Não me sinto amada
nesta relação.
Não levantem todos juntos,
ou vão quebrar as pernas.
Caramba, esse cara
é ruim demais!
Boa noite.
Boa noite.
Procuro
o Sr. Francisco Japão.
O Sr. Francisco Japão?
Claro, um momento.
Já venho.
-Paquito?
-O quê?
Vem cá.
Está aí na porta...
um japonês atrás de você.
- -Um japonês? - -É.
-Do Japão?
-Não sei,
mas a cara é de japonês.
-Ele veio despejar você.
-Da minha casa?
Espera. Me passa
essa cerveja aí.
-Por que ele veio a essa hora?
-Sei lá, é estranho.
-E ele está vestido formalmente.
-Por que pela porta dos fundos?
Sei lá, deve ser costume
lá da terra dele.
-Sim, da terra dele.
-Vamos ver, Paco.
Olá, boa noite.
Meu nome é Masahiro Hidaka.
O meu é Paco Japão,
é um prazer.
Posso entrar para conversar?
Como sabe,
nosso venerado
Imperador Satohito
morreu há quatro dias.
Infelizmente,
ele não deixou descendentes,
e nosso império milenar
pode desaparecer.
Caramba...
No início,
não achamos o senhor,
porque seus antepassados
mudaram seu sobrenome
para Japão.
- Sabe o que acontece - aqui em Coria?
Existia um sobrenome
que era japonês,
mas ninguém sabia falar,
então mudaram para Japão.
O importante é que é o senhor.
- -O senhor. - -Sou o quê?
O novo imperador do Japão.
É uma honra conhecê-lo,
Majestade.
Ele falou ao contrário?
Vou pro quarto.
Isso é confuso demais.
- -Boa noite. - -Tchau, mãe.
-Escove os dentes.
-Boa noite.
Tchau, cara.
Não me ouviu?
O Sr. Francisco Japão,
que é o senhor,
é o novo imperador do Japão!
Estou à sua disposição
para o que desejar, Majestade.
Fala sério!
É tarde pra tanta palhaçada!
Levante-se, por favor!
-Não acredita?
-Você olhou pra minha cara?
Tenho 40 anos, não sou criança.
Por favor,
me acompanhe até a porta.
Por favor.
Eu apresento a vocês
o novo imperador do Japão,
Sr. Francisco Japão. Três vivas
para o novo imperador.
-Banzai!
-Banzai!
O que está acontecendo?
Estão saudando
o novo imperador deles.
Então é verdade
que o meu Paquito
é o novo imperador do Japão?
Totalmente.
Banzai!
- O seu Paco... - Ai, me desculpe.
Seu marido é o legítimo herdeiro
do império japonês.
- Como assim? - Isso é impossível!
O senhor é
nossa última esperança.
O destino do nosso império
está nas suas mãos.
Paquito,
que responsabilidade enorme!
-Vamos sair daqui!
-Mãe, só pra eu entender.
Se o papai é o novo imperador,
você é a imperatriz,
e eu vou ser a infanta!
Claro.
-A Aris vai morrer de inveja.
-Infanta não, você vai estudar.
-Por quê?
-Não sou herdeiro de nada.
-Já cansei dessa palhaçada.
-Paquito, por favor!
- Venha aqui comigo. - Com licença.
-O que foi?
-E se for tudo verdade?
-Eu? Imperador do Japão?
-Por que não?
Já vimos coisas
mais estranhas na vida.
Bom, mesmo que seja verdade,
o que não é,
-eu não posso aceitar.
-Por quê?
- Não sabe - que eu sou republicano?
-O quê?
-Republicano, Encarni!
Me escute, Paquito.
É nossa primeira chance na vida.
Não podemos desperdiçar.
Não estou desperdiçando nada,
não é uma chance.
Não está me ouvindo?
Imperador do Japão...
Muito obrigado
pelo teatrinho,
mas nós acordamos cedo.
Boa noite.
Entrem, vamos.
Quanta bobagem!
- -Não saíram daqui a noite toda? - -Não, Majestade.
-Por quê?
-Até que o imperador diga
que podemos ir,
não podemos ir.
- Então eu sou mesmo - o imperador?
Exatamente, Majestade.
Isso dá no saco!
O que está fazendo?
-O senhor mandou dar no saco.
-Vai fazer tudo que eu mandar?
Claro que sim, Majestade.
Levante a perna.
Paquito, o que foi?
Por que ainda estão aqui?
Encarni, é verdade.
Eu sou o imperador do Japão.
-O que você acha?
-Que vamos para o Japão, não é?
Como assim?
O Japão é longe pra caramba!
Não, a gente vai ver.
A gente vai ver?
A gente vai ver?
Continue assim,
que um dia desses eu sumo.
- -Encarni... - -Dane-se.
"Madafaka",
nos vemos no Bar Finidi.
Encarni!
Saiam de Coria, japoneses!
Exploradores!
Não quero explorar ninguém.
Meu povo é um povo de paz,
como o seu.
Qual é? Paga logo
as horas extras, cara.
Por que nos odeia tanto?
Não conhece
a história da sua família?
Não.
Hasekura Tsunenaga
chegou a Coria del Río
há 400 anos.
E esse "A Secura Tsunami"
montou a fábrica?
Não, a fábrica foi um presente
do meu país
para comemorar os laços
que nos unem.
Ele trouxe o antepassado
de vocês num galeão.
Era samurai,
um nobre guerreiro
respeitado por todos.
-O que precisa pra ser samurai?
-Muito treinamento, disciplina
e sacrifício.
Começamos mal,
sou muito preguiçoso.
Para um pai,
um filho se tornar samurai
era uma grande honra.
- -É sério? - -Claro que sim.
Então quero ser samurai.
Para isso,
tem que ir ao Japão comigo.
-Pai!
-Caramba, moleque! Que susto!
- O que está - fazendo aqui?
Quero ir para o Japão.
Você vai ser imperador,
eu vou ser samurai tsunami.
Do que está falando?
Vá pra casa
e esqueça isso de Japão.
Então quero morar com você.
-Como assim, morar comigo?
-Quando vocês se divorciarem.
-Sua mãe quer se divorciar?
-Ela me disse outro dia.
- Sabia que você - ia estar parado.
Trabalhe um pouco.
Tudo bom, garoto?
Dentro de uns anos, você
vai trabalhar com o seu pai.
-Não, eu quero ser samurai.
-Samurai?
Isso, de tsunami.
Bem-vindos ao Bar do Finidi,
o maior jogador
do Real Betis Balompié.
Isto é um churro.
Churro.
Típico da Andaluzia.
Mas não confundam
com "surra",
que é outra coisa.
Vou te dar uma "surra"!
Entendeu ou quer que eu fale
com sotaque?
Isto é um churro.
Muito típico de...
Eu entendi tudo muito bem.
Churro e surra
são coisas bem diferentes.
Caramba! Você fala espanhol
melhor do que eu!
Por que não disse antes?
Olha. É só molhar
o churro no chocolate e comer.
Traduz, cara!
E aí? É bom, não é?
É ótimo, delicioso.
Paquito!
Quantas horas de voo
até o Japão?
Majestade!
Por que ele abaixou
e disse majestade?
- -Depois explico. - -Fala aí.
Depois eu conto.
Vá atender os outros.
-Venha e deixe de palhaçada.
-Majestade.
- -Vou impor minhas condições. - -Claro.
Quero um salário bom.
Nada de cortar horas extras.
- -Perfeito. - -E minha mulher vai trabalhar.
-Claro.
-É inquieta e é melhor que eu.
Ia fazer Economia, engravidou
e teve que cuidar do bebê.
Algo mais?
- -Escola boa para as crianças. - -Certo.
-E quartos separados.
-Considere feito.
E uma catana pra mim.
E quero tudo isso
colocado num papel,
para não acontecer
como o acordo.
Claro, Majestade.
Muitíssimo obrigado.
-Bom, então vamos para o Japão!
-Perfeito.
Vamos comemorar.
Paquito, e a catana?
Vocês gostam muito
de peixe cru, não é?
Nós gostamos de peixe frito
e de um bom vinho.
Se for espanhol, melhor.
Não é, Paquito?
Vou pedir outro,
já acabamos com este.
É verdade.
Não, senhora.
Senhora! Sente-se.
-Por quê?
-A Mariko vai.
Por que ela, se tenho
duas pernas maravilhosas?
Sim, mas o trabalho dela
é servir a Sua Majestade.
Qualquer coisa de que precisar,
peça à Mariko.
-Ela está há anos no palácio.
-Qualquer coisa?
-Sim, qualquer coisa.
-Paquito, qualquer coisa?
Eu preciso mudar o meu visual
e bem que queria
o cabelo dela.
- -Quer o meu cabelo? - -Eu adoraria.
- Vou cortar agora mesmo - e dou.
-Não, menina! É brincadeira!
-Por favor!
- Que loucura! - Estava brincando.
O cabelo era brincadeira,
-mas não a mudança de visual.
-Eu também quero mudar.
Não se preocupem.
Terão os melhores estilistas
à sua disposição.
Menos mal. Finalmente,
teremos uma foto decente,
e não a que seu primo tirou
quando casamos na prefeitura.
- -Vai começar... - -Na prefeitura?
- -É. - -Não casaram na igreja?
Na igreja...
Meu genro é alérgico a igreja.
O povo japonês
jamais aceitará um imperador
que não se casou pela cerimônia
tradicional shinzen shiki.
Sinsensiqui?
E o que é isso?
Uma cerimônia
num templo xintoísta
na qual a noiva se pinta
de branco dos pés à cabeça
para declarar a condição
de solteira aos deuses.
Bom, eu não entro numa igreja
nem de cara cheia, beleza?
Se quiserem ser imperadores,
têm que fazer isso.
Bom, ficamos em Coria
e que se dane, não é?
Que se dane. Isso.
- -Encarni... - -Me deixa.
Ela vai falar com o advogado
pra se divorciar.
Quer levar uma surra, moleque?
Encarni!
Por favor!
Não vê que não posso
aceitar isso?
O que vão pensar?
Sou sindicalista,
de esquerda e ateu!
Eu sei disso desde que você
não quis casar comigo na igreja.
E aceitei isso!
Olha, sempre sou eu
quem dá o braço a torcer.
Quem fica com as crianças
quando você sai de bicicleta?
Quem salvou você quando
furou os pneus do prefeito?
Por que está
me jogando na cara?
Por quê?
Porque eu estou cansada.
Queria ter outra vida, Paquito.
É isso.
Eu não sabia que você
queria viver como rainha.
Não como rainha, meu bem.
Eu, por mim,
moraria debaixo da ponte.
São as crianças, Paco.
Eles agora têm uma chance,
e você está jogando fora.
Olha, vou impor
apenas uma condição.
Não vou me confessar.
Meus pecados são meus.
-Está bem?
-Como quiser, Paquito.
- -Bom. - -Seus pecados são seus.
E o seu pai?
Não se preocupe,
eu cuido dele.
Vamos jogá-lo no rio?
- Não gosto - de brigar com você.
E não gosto de bicicleta,
mas é bom pra ficar longe.
-Mas que cara de pau!
-Vem...
Vamos transar aqui?
-Como em 1999, lembra?
-Paquito, não é hora de lembrar.
Não?
Tenho uma surpresa.
Minha passagem para o Japão.
E comprei com o meu dinheiro,
para não dizerem
que sou aproveitador.
Curro, eu não quero
continuar com isso.
Vamos ficar em Coria,
não vamos ao Japão.
Eu morro de medo de aviões.
Eles são grandes, voam...
Não entendo.
Não quero continuar
com isto aqui.
Preciso pensar,
ampliar meus horizontes,
encontrar quem sou.
-Mas eu amo você.
-Calado e depressa! Vai começar!
Paqui, pelo amor de Deus,
eu amo você.
Paqui!
Que barbaridade, Paquito!
Estou toda esmagada.
Quero ir ao banheiro.
Diria que está linda,
mas nem vejo você.
Parece animadora de torcida...
Ao se casarem,
vocês recebem a proteção
dos deuses.
Os cônjuges não devem se queixar
de desejos não realizados.
-Já estamos casados?
-Ainda não, Majestade.
Falta o mais importante,
o sakazuki.
Ah, claro, o sakazuki.
- É uma tigelinha - de saquê
que representa o céu, a terra,
o ser humano...
e simboliza a união
do casal com os deuses.
Paqui...
Agora vocês têm que beber
três goles.
-Três?
-Isso, três.
Como isso é forte!
Finalmente, estão casados
pelo shinzen shiki.
Não, meu querido.
Ainda não.
Agora sim.
Vamos todos para o Japão!
Boa!
Todos não.
Olha quantas luzes, Paco!
Caramba, quase morri.
Obrigado por votar em mim.
Paco, como você tem
estilo, meu amor.
Obrigado, obrigado.
- Bem-vindos ao novo lar - de vocês.
É enorme!
Parece o campo do Betis.
Calma. Isso é pelas horas extras
que a Kuruma não me pagou.
- -Desculpa, pai. - -Tudo bem.
Olha, olha! Que coordenação!
Não lembra o Village People?
É verdade!
É assim que se saúda
o imperador do Japão.
Escutem só...
Imperador. Olha a pompa disso!
Paquito, minha ficha
acabou de cair.
-Pois é.
-As princesas se sentem assim?
- Imperatriz, Encarni. - Você é imperatriz.
Oi, eu sou a Paqui,
a infanta.
- Majestade, - vamos entrar por aqui.
Que coisa mais linda!
Que coisa mais linda!
Olha que lindas!
O lugar é enorme.
Vamos jogar migalhas
para marcar o caminho.
-Ou grãos de arroz.
-Também pode ser.
As pessoas devem ficar exaustas
de tanto limpar.
-Pai, tem Zara no Japão?
-Cada uma...
-Sei lá. Deve ter.
-Boa!
Mas a taxa de divórcios
é muito baixa.
Olha o seu pai... Paco,
o que têm a ver Zara e divórcio?
Nossos quartos
são grandes assim também?
Claro que sim, senhorita.
Estou me sentindo a Elza
de "Frozen".
Não cante, ou nos expulsam.
Nesta cama,
descansaram todos os imperadores
desde a Dinastia Edo.
-Nesse mesmo colchão?
-Sim, senhora.
Bom, então é melhor
dar uma limpada.
Deve estar sujo.
Hidaka, só uma coisa.
Filho, se comporte,
por favor!
- -O que foi? - -Comporte-se.
-Onde fica o banheiro?
-Por essa porta, Majestade.
Os banheiros aqui
são um pouco diferentes.
Permita-me que ensine
o senhor a usá-lo.
Banheiro é banheiro.
Viemos de Coria,
não do século XVI.
Não tem segredo.
Tem mais botões que um avião!
Não cuspa em mim, caramba!
Vamos ver.
Que música é essa?
É um banheiro,
não uma discoteca!
Ei, eu só quero saber
onde o papel está.
Puta que o pariu!
- Caramba, - vai ser complicado cagar aqui.
Onde o papel está?
A merda do papel...
Não vou cagar hoje.
Que horror! O que aconteceu?
Aonde você foi?
- -O banheiro me atacou. - -O quê?
Aquilo parece
um parque aquático,
com jatos e música.
Não vou mais, viu?
- BOM DIA, BOA TARDE, - BOA NOITE
Vamos começar
com as saudações japonesas,
que são quatro
e dependem da hora do dia.
Ohayo gozaimasu, bom dia.
Konnichiwa, boa tarde.
Konbanwa, boa noite.
E oyasumi nasai,
bom descanso.
Agora repitam o que eu disser.
- Vamos começar - com "bom dia".
- "Vamos começar com bom dia."
-Não, Majestade.
-É para repetir em japonês.
-Ah, claro.
Tudo bem, Majestade.
Vamos recomeçar.
Repitam comigo.
Ohayo gozaimasu.
"Em Ohio goza mais a Isa".
Paco?
Quem é Isa?
Não sei quem é Isa
nem onde fica Ohio. Só repeti.
Sim. Você é um... papagaio.
- -Konnichiwa. - - "Com meu chihuahua."
-Konbanwa.
- "Como vai o Juan?"
-Oyasumi nasai.
- "Olha pra mim, Nassai."
Aprender japonês é fácil!
Quanto luxo!
- -Pegue devagar. - -Vamos.
Saúde.
Vamos comer.
Vamos pegar assim...
Precisam trazer pão.
Segure este
e movimente este outro.
Olha, olha!
É guacamole, não é?
Não, não!
Tome, beba isto.
Tem pão?
-Pronto.
-Como é? Como é isso?
- -É assim? - -Ensina para ela.
É mais fácil assim.
Não sei comer de palitinho.
Quero um garfo.
Que caipira! Ainda bem
que vou herdar o trono.
No Japão,
o herdeiro é o homem.
-Vocês sabiam disso?
-Não, não sabíamos.
Eu acho péssimo.
- Eu acho que não tem - que ser assim,
porque a Paqui nasceu primeiro.
Isso mesmo. E, em casa,
todos têm os mesmos direitos.
Lamento, Majestade,
mas a tradição milenar japonesa
proíbe que uma mulher
suba ao trono.
O quê? E o que mais
vocês proíbem? Posso perguntar?
Muitas coisas mais.
Por exemplo,
que a senhora fale em público.
-Como é que é?
-Não, isso não dá, Hidaka.
Ela não pode falar
só porque é mulher?
-É a tradição.
-Eu queria virar YouTuber.
"A Infanta Falante".
Sinto muito,
mas não será possível.
-Quero ser YouTuber!
-Vou tentar convencê-los,
-mas tradição é fogo.
-Que se dane a tradição!
-Subiu à cabeça.
-Tchau, Infanta Falante.
-Cala a boca.
-Eu me encarrego disso.
Espere, senhorita.
Pense que,
quando se fecha uma porta,
-abre-se uma janela.
-O quê?
Você não será imperatriz,
mas uma princesa.
Menos responsabilidade
e mais vantagens.
Pode continuar.
Todas as jovens do Japão
terão você como modelo.
- -Influencer oriental? - -Sim.
Gostei disso.
O que mais você me oferece?
Se você quiser,
posso apresentar
duas meninas
para mostrar a você
a Tóquio moderna.
Sim, quero conhecer
a Tóquio moderna. Sim.
Acredita que sinto falta
até do meu genro?
Currito, não envelheça.
Você fica sentimental.
Tarde demais, Sr. Francisco.
Sua neta partiu meu coração,
me deixou deprimido
- e com uma passagem - para Tóquio.
Espere aí.
-Ainda tem a passagem?
-Tenho. O voo é hoje à noite.
Por que não vai atrás dela?
- -Vá ao Japão, dê um beijão nela. - -Opa!
Perdão, Sr. Francisco.
Não posso.
Ela é uma andorinha,
precisa de espaço,
-sair de uma gaiola...
-O que é isso?
Não sei.
Mas eu amo sua neta
mais do que ao Betis.
Pois quer saber?
-Ela também ama você.
-Como o senhor sabe?
Ela ligou para o meu celular
e me disse.
-Vou fazer a mala para viajar.
-Espere aí.
-Também vai me deixar?
-Compre uma passagem e venha.
Filho, eu não posso,
não tenho dinheiro,
já me aposentei.
- Você trabalhou - o verão inteiro.
Está cheio da grana.
Olhe para ele.
Ele tem pouco tempo de vida.
-O dinheiro é para uma moto.
-Está bem.
Vá e mande lembranças
para todos.
Vou ficar aqui, sozinho,
morrendo lentamente,
enquanto vocês se divertem.
Não tem pena do coitado?
Essa geração
só tem jovens "eu-eu".
"Tudo para mim, tudo para mim.
Eu, eu..."
-Que nojo do seu egoísmo!
-Sinto muito, Sr. Francisco.
Tudo bem,
eu compro a passagem.
-Mas você me ajuda com a Paqui.
-Com certeza!
- Me vê um uísque, - vou ao Japão!
-Saindo um "João Caminhante"!
-Muito obrigado, meu filho.
-Ponha na minha conta.
-Vou pôr mais este, sim.
Mariko, isto aqui
é lindo demais, maravilhoso,
mas eu acrescentaria
uma coisinha, sei lá,
algumas roseiras,
umas quatro ou cinco,
um pé de limão,
um pé de romã...
para dar um pouco de cor.
E uma rede.
Sabia que a Baronesa Thyssen
recebe pessoas numa rede?
Se ela recebe, como eu, que sou
imperatriz, não vou receber?
Olha, estou me adaptando
bem com o japonês.
Está olhando o quê, Mariko?
O senhor ficará
dentro deste pavilhão,
a porta se abrirá,
e o senhor fará seu discurso
à nação. E...
Majestade,
o senhor está bem?
Estou. Me desculpe, Hidaka.
Estava distraído.
Eu estou bem, sim.
Eu só estava pensando
no meu pai,
no que ele diria se soubesse
que vou ser o imperador.
Sente falta dele?
Olha,
nunca passei um dia
sem pensar nele
pelo menos um pouco.
Ele morreu muito jovem,
a Encarni estava grávida
pela primeira vez.
Ele não conheceu os netos.
Essa é minha maior tristeza.
Os filhos
são reflexos fiéis dos pais.
O senhor largou sua vida
em Coria
para ajudar o povo japonês.
Isso me diz
que seu pai o educou bem,
que era uma grande pessoa.
Como o senhor.
E como são os seus filhos.
Hidaka, imperadores
não choram. Caramba!
Paquito?
-O que foi?
-Senhora? Espere.
Calma, Mariko, é conversando
que nos entendemos.
O que foi? Também não posso
tocar no jardim?
O que tem?
Ele é maior que Utrera.
E tem um olmo milenar.
Por isso mesmo eu adoraria
dar meu toque pessoal.
Cuidar do jardim
não é trabalho da imperatriz.
Não? Então qual é o trabalho
da imperatriz?
-Tocar a periquita imperial?
-Periquita imperial? O que é?
-A minha...
-Encarni, por favor. Por favor.
Nem você
vai me deixar falar?
Não é isso, é que...
Temos que dar o exemplo.
E, se não se importa,
Hidaka e eu estamos trabalhando.
Parecia fácil,
mas o imperador faz mais que ir
a jogos e entregar prêmios.
-Tem mais coisas.
-É? Que coisas?
Coisas de...
"imperar".
Vá catar coquinho, Paquito!
Vamos, Mariko,
minha querida.
Corajosamente.
É sempre a mesma coisa.
Ele vive trabalhando.
Ouviu o que ele me disse?
Temos que dar exemplo!
Como, se não posso falar?
Ora, eu só queria mudar
umas porcarias de umas flores!
Escute, Mariko!
Olhe nos meus olhos.
Seja esperta
e nunca se case. Nunca!
Seja uma mulher independente,
forte, corajosa e grande.
Esses daí têm medo de viver,
são uns machistas!
Machistas!
Perdão, Mariko, mas esse assunto
me deixa nervosa.
É. No Japão, o papel da mulher
é muito secundário.
É um país controlado
por homens.
Como a Espanha.
Eles são burros!
Por trás disso tudo,
o que tem é medo.
Mas vou dizer uma coisa.
Essa palhaçada vai acabar.
A partir de agora,
o momento é nosso. Nosso!
Sim, o momento é nosso.
Nossa,
mas você falou muito bem!
-Repita, por favor.
-É o nosso momento.
Repete mais forte!
É o nosso momento!
É o nosso momento!
É o nosso momento!
Muito bem, Mariko!
Sinto poder nesse seu olhar.
Venha, vamos alegrar
esse palácio.
Vamos, minha filha!
O senhor me ajudou a trazer
sua família para o Japão,
e eu o ajudarei a ser samurai
com a ajuda do Mestre Koike.
Hidaka, onde está o Koike?
Se você se senta no caminho,
fique de frente
para o caminho a seguir
e de costas
para o caminho já percorrido.
O que ele disse, Hidaka?
Hidaka?
Onde o Hidaka está?
Todo mundo some?
É assim que um ninja
tem que ser.
Ou fala comigo na minha língua
ou não vou entender.
Veja e aprenda, seu anão.
Você parece uma mola.
Faça de novo!
Postura, caramba!
Agora o ombro.
Vamos, meninas.
Giro.
Mãos para cima.
Olha como ela faz direitinho.
Você não tem molejo nenhum,
Mariko.
Costas para trás.
Mãos como uma pomba.
A mãozinha,
para cima e para baixo.
Majestade,
diga a ela para não fazer isso.
Caramba, Hidaka!
Você nunca teve comichão
para dançar, não?
Bem... Tive...
Assistentes não dançam
com a imperatriz.
As assistentes não dançam!
Bom, a Mariko não tem ginga,
é sem sal nem açúcar,
mas as outras
são bem graciosas.
- -Bom... - -O que quer que eu faça?
Não quero que faça,
quero que seja!
O imperador do Japão
nunca toleraria isso.
Vamos lá, as mãos!
Mãos, ombros, bumbum, tudo.
Fiquem loucas!
-Acha que vão nos deixar entrar?
-Claro que vão.
Vim ver minha filha,
que mora aí.
- -O quê? - -Não falo japonês.
E só diz agora? Bom,
a minha filha é a rainha...
-Imperatriz.
-Não me interrompa.
Minha filha é a imperatriz,
é a sua chefe.
E estou cansado.
Não sei que dia é, nem a hora.
Me deixe passar.
Olhe, não encoste em mim,
ou vou ficar bravo.
Espere, vou ligar para a Paqui.
-O cara fala em japonês.
-Merda!
-Tente com o seu celular.
-Está sem bateria.
Mas não se preocupe,
nós vamos entrar. Saia!
Pare! Vai matar o cara!
Eu vou matar esse cara!
Sabe com quem está falando?
-Está machucando.
-Vou matar esse cara!
Vai machucá-lo ou matá-lo!
Ele não está bem. Pare com isso.
Posso fazer uma pergunta?
Todas as perguntas
que quiser.
Acha que o povo japonês aceitará
alguém como eu como imperador?
Como assim,
"alguém como você"?
Ora, Hidaka!
Alguém como eu, um caipira.
Eu não sei falar japonês,
não sei usar os palitinhos.
Nem sei onde fica o Japão.
Fica perto da Austrália?
Se um rei japonês
chegasse à Espanha,
não falasse a língua,
não comesse gaspacho,
ninguém o aceitaria.
O povo japonês
é um muito respeitoso,
venera e adora seu imperador.
Claro. Adorávamos
o Rei Juan Carlos,
até saber que ele matava
elefantes. O amor vira ódio.
O senhor
tem um grande coração.
Só precisa mostrar isso
para o povo.
E como eu faço isso, Hidaka?
Quem não deu tudo,
não deu nada.
-Tenho que me esforçar mais?
-Exato, Majestade.
O demônio ocidental
sujou o nome da família real
e deve morrer
antes da coroação.
Eu disse: "Curro,
eu preciso de espaço,
e você, de sangue
nas veias". Sangue.
Já ficou preso numa relação?
Claro, Hisao. Eu e você
somos pessoas do mundo.
Nós estamos em Tóquio.
O Curro é um zé-ruela
que nunca saiu do vilarejo.
Percebeu? Eu sou
uma potranca desbocada.
Me mostre a Tóquio selvagem.
Wild Tokyo, garoto.
-Tóquio selvagem!
-Sim!
Quero aprontar. Sou a infanta,
mas sou muito louca.
Meninas, podem ir.
Eu cuido dele.
Os hotéis mais baratos
são os "hotéis cápsulas".
Será uma armadilha?
Não confio em ninguém.
São hotéis pequenos,
para quem bebeu.
-Hotéis para bêbados?
-Isso. Tem um aqui perto.
Ótimo. Mas vamos comer antes,
estou faminto.
Gosta de sushi?
Tenho cara de gato?
Quero é carne,
não peixe cru.
Dizem que a melhor carne
do mundo é Kobe,
-que é daqui.
-Então vamos comer isso.
Também é a carne
mais cara do mundo.
-E daí?
-Poxa! Eu estou pagando tudo.
Não seja sovina. Estamos
de férias, e só se vive uma vez.
- -Mas... - -Nada de "mas"!
Dinheiro é para gastar.
Senão, apodrece no bolso.
Nossa, o que é isto?
Foi a sua mãe que exagerou.
Venha para cá.
Eu olhei para o olmo
milenar e disse:
"É perfeito
para fazer uns espetinhos".
Não contem ao Hidaka, ele
não me deixa mexer no jardim.
- -Delícia. - -Obrigada.
Isso me lembra Fuengirola.
Você lembra?
O vovô
ficou parecendo camarão.
Nossa, que viagem foi aquela?
Ele só reclamou.
-Seu pai reclamou? Que raridade!
-Não comece.
- Ligou para ele? - Tem notícias dele?
Liguei, mas ele não estava.
Devia estar no bar.
- -É... - -A verdade
é que eu fico triste
por ter deixado meu pai lá.
Ele estaria adorando isto daqui.
Quando você for imperatriz
e eu for imperador,
-vamos trazê-lo para cá.
-Lugar para ele tem.
Me perco pra chegar ao quarto.
Parece um labirinto.
-Eu também.
-Pai, você sempre se perde.
É verdade.
Eu até me perdi em Coria.
-É mesmo. Já está pronto, né?
-Está, sim.
-Lavou as mãos?
-Claro. Me dê os pratos.
HOTEL CÁPSULA
Bom, assim.
Não acho posição.
Vamos dormir de conchinha?
Pare com isso,
Sr. Francisco!
Faz dez anos
que durmo sozinho.
Sua mulher morreu
há dez anos?
Sim, filho.
Dez anos sem Alicia.
O senhor a amava?
Como um bobo.
Alicia era a mulher
mais linda de Sevilha.
Que de Sevilha o quê?
Do mundo todo!
- Me lembro dela - todos os dias.
Sinto tanta saudade
que chega a doer.
Sua neta também
é a mulher mais linda,
e eu sinto falta dela.
Certo, vamos dormir.
O dia amanhã vai ser longo.
- -Boa noite. - -Boa noite, Sr. Francisco.
-Ai, caramba!
-Não se mexa mais.
Vamos, me dê mais espaço.
Vai pra lá, isso.
Então este homem é meu
tatara-tatara-tataravô,
-o sobrinho do imperador.
-Isso, Majestade,
mas falta mais um "tatara".
-Você não deixa passar nada.
-Claro que não, Majestade.
É que, no Japão,
ordem e precisão
- são extremamente - importantes.
Claro.
Olha só quem é!
-Que horas?
-Não vê que não, Tomi?
-Oi!
-Paquito!
Nossa, como você está
elegante, Paquito!
-Você está gostosão, Paquito.
-Mais respeito, Tomi!
Você está falando
com o imperador!
É verdade, me desculpe,
Majestade. Me desculpe.
Deixem de bobagem.
E aí, como vocês estão?
Tudo bem,
mas sentimos a sua falta.
É, eu também.
Adoraria estar tomando
um café com vocês.
Pois é...
Um café, Paquito?
Aqui já é meia-noite.
Bom, é meia-noite na Espanha,
mas aqui são 7h.
O meu hoje
é o ontem de vocês.
-Como assim, "meu hoje"?
-É que na Espanha é ontem aqui.
Aí pode ser hoje para vocês,
para mim é ontem,
mas para nós é o amanhã
de vocês em Coria.
Claro, o hoje dele
é nosso ontem.
O amanhã do Japão
é o agora de Coria, mas de dia.
- -Não, de noite. - -De noite.
Ah, agora sim, claro.
Eu não entendi nada.
Vamos recomeçar.
Que dia é aí no Japão?
Tomi, deixa de ser chato.
Miguel, e as coisas
lá na fábrica?
Como está o pessoal?
Péssimo, Paquito.
Você escutou o chefe.
Se não trabalharmos mais horas,
a fábrica vai para a Índia.
Então vou pintar
um ponto vermelho na testa
por precaução, sabe?
Não, você não vai pintar nada.
Vou dar um jeito.
Hidaka, o presidente da Kuruma
vem ao jantar?
Não está previsto.
Pois que esteja previsto,
estou mandando.
-Cara, esse é o meu Paquito.
-Claro!
Mas que Paquito?
O do meu hoje ou do meu ontem?
- -O quê? - -Não é igual.
O Paquito de hoje aqui
é diferente do de hoje lá.
Tenho que trabalhar, certo?
A gente se fala "ontem".
-Até amanhã e o hoje de ontem.
-O que está dizendo?
Esse é o meu pessoal.
O Japão está na frente
da Espanha não só no horário.
Querido povo do Japão,
como o imperador de vocês,
dirijo-me a vocês
e digo que,
como o imperador de vocês...
Majestade, o senhor
não precisa gritar tanto.
- E o que está fazendo - com a mão?
-É para segurar o megafone.
-Megafone?
O senhor não está
numa manifestação.
Aqui, todos vão ouvi-lo
muito bem.
Perfeito.
Quero mesmo que me ouçam
quando eu falar da mudança
na lei de sucessão.
Lei de sucessão?
Não!
Não acho que seja
o melhor momento, Majestade.
Hidaka, o melhor momento
é o imperador quem escolhe.
O primogênito
assumirá o trono,
- -seja homem ou mulher. - -Papai!
Caramba, moleque! Não sabe como
aparecer como alguém normal?
Queria saber
o que é "primogenital"?
Sua irmã é a primogênita.
Então eu quero ser
o primogênito.
Filho,
sua irmã vai assumir o trono.
É o mais justo.
Está bem? Agora vá,
que estamos ocupados.
E aí? Gostou do lámen?
Preferia o cozido
da minha mulher, mas está bom.
Aqui no Japão,
fazer barulho comendo
é sinal de respeito
e de boa comida.
Quanto mais barulho, melhor.
Achei que eles fossem porcos.
Amanhã vamos tentar
entrar no palácio?
Vim para cá ver a sua neta.
Meu braço ainda está doendo,
vamos dar outro jeito.
Como?
Um jeito que dá certo
no mundo inteiro.
- -A corrupção. - -A corrupção?
Sim, vamos dar dinheiro
para nos deixarem entrar.
-Quanto dinheiro a gente tem?
-13 mil ienes.
-Quanto dá isso em euros?
-100 euros.
-Só isso?
-O Japão é muito caro.
- E nós gastamos meio salário - no Kobe.
- Com 100 euros, - não fazemos nada.
Vamos jogar pôquer,
que esses cem viram mil.
Onde vou arrumar um jogo?
Sei lá, olhe no seu livro.
Tenho que fazer tudo?
Você gosta de macarrão, hein?
Sr. Francisco,
viu o nome deste lugar?
-Okakita.
-Okakita.
- Esses japoneses - são umas figuras.
A "caquinha" está boa,
não é mesmo?
Olá, Hidaka.
Majestade,
este é o presidente da Kuruma,
o Sr. Shoshito Taniguchi.
-Como é o nome dele?
-Shoshito Taniguchi.
Oi, "Chochito".
Muito prazer. Eu sou o Paco.
Não, pare, Majestade.
Pare, pare, por favor.
Nossa! Fiquei tonto.
Ele quer agradecer
pelos anos de serviço leal
como funcionário.
Claro. Agradeça a ele,
mas diga que a fábrica de Coria
explora os trabalhadores.
Ele diz que os funcionários
nunca fizeram uma queixa formal.
Como não?
Sempre fazíamos greve.
Aquilo era uma greve?
- No Japão, - quando fazem greve,
os funcionários aumentam
a produtividade.
O quê?
Não, na Espanha,
não levantamos o dedo pra nada.
Nem pra coçar o saco.
-Você traduziu isso?
-Claro, traduzo tudo.
-Para isso estou aqui.
-Não precisa!
Tem que perceber
o que é para traduzir ou não!
Não traduza para ele
o que estou dizendo, Hidaka!
Cara, você é robô? É isso?
Cala a boca!
E aí, japa?
-Vai ser perigoso, não vai?
-Perigoso?
Você não conheceu o meu sogro.
Aquele sim era perigoso.
Boa noite.
Viva Coria del Río
e o Real Betis Balompié.
China, me dê um uísque
e dê um pouco para ele.
- Ele não entende, - Sr. Francisco.
Bom...
quando se joga aqui?
Hidaka, diga ao "Chochito"
que eu, como novo imperador,
quero que ele cumpra
o acordo,
que pague as horas e os bônus,
dois por ano,
e que dê uma cesta de Natal
bem grandona.
Ele entende suas demandas,
mas, se a fábrica
não for mais produtiva,
ele terá que levá-la à Índia.
-Lá vem essa Índia...
-Ei, me traduza.
- -Senhora? - -Traduza, por favor.
Escute. Há dois anos, recebemos
máquinas novas japonesas.
Muito boas, aliás.
Mas sabe o que acontece?
- Enquanto um trabalha, - três olham.
Não podem demiti-los,
porque sai muito caro.
O pior é que não sai
mais tão caro...
Muito bem.
- Mas, se trabalharmos - em equipe,
dividimos as tarefas,
e o resultado triplica.
Em vez de turnos longos,
queremos mais turnos.
Se puser outro turno,
venderá mais carros.
Olé!
Isso.
O Sr. Taniguchi
analisará as demandas de vocês,
mas está muito impressionado
e surpreso
com a senhora por...
Se disser que é porque
sou mulher, apanha.
Eu ia dizer
"porque é jovem e capaz".
Olha só!
Então, agradeça a ele.
- O merdinha - parece ser gente boa.
Bom, agora ficamos
só eu e você.
Não tenho mais dinheiro,
- mas vou apostar - o meu relógio.
Sei que só custou três euros,
mas é tudo que tenho.
- Quer que eu aposte - o meu dedinho?
Ficou louco?
Não vou cortar meu dedinho.
Eu não, mas o menino vai.
Caramba, eu estava apertado.
-Perdi alguma coisa?
-Não, nada importante.
Fique aqui e não se mexa.
Além de tirar a cera
da orelha,
você usa o dedinho para quê?
-Nada. Por quê?
-Por nada. Só por curiosidade.
Senhora, quem comeu isto?
Não fui eu. Por quê?
É um peixe chamado fugu.
Ele é venenoso e pode ser...
-mortal.
-Ai, não exagera.
-É verdade.
-Meu rosto está doendo.
-Caramba!
-O que foi, mãe?
-Uma espinha pequenininha.
-Me deixa ver.
Não falei?
- Está deformada. - Parece uma bunda.
-Mãe!
-Não enche a sua irmã.
Ela parece um sapo!
-Vou chamar o médico.
-Por favor.
Vamos torcer para seu marido
não ter comido o peixe, ou...
-Olha para mim, amor.
-O que foi?
O que aconteceu?
Tem sujeira no meu dente?
Tem, mas tomara
que não fique aí pra sempre.
Acho que você está bonito.
-Meu rosto parece inchado.
-É?
Que estranho...
O que foi?
- -Pai, você está horroroso! - -Filha!
Filha!
Comeu algo ruim?
Vamos chamar o médico.
- -Ele vai se assustar. - -Quieto!
Meu olho não abre.
-Querem cortar meu dedo?
-Deve ser um costume japonês.
Nós temos o gaspacho, a sesta,
eles cortam dedinhos e fazem
barulho comendo. Cada um na sua.
Assim a Paqui
não vai voltar comigo.
- Por favor, - não cortem o meu dedo!
Me solta, cacete!
Sou o sogro do imperador.
Sou o sogro do imperador!
Obrigada.
- -Como está, Paquito? - -Melhor.
-Que bom...
-Minha cara estava enorme.
Para mim, sushi já deu.
Agora só verdura. É melhor.
Relaxa.
Amanhã fazemos uma salada.
Delícia. Ah, não!
Amanhã, não.
-Por que não?
-Já temos planos.
-O quê?
-Bom, só posso dizer que...
vamos estar sozinhos,
sem filhos.
Adoro planos sozinhos,
sem filhos. Mas por quê?
Bom, eu queria agradecer
- pelo que você fez - com o "Chochito".
Para!
O que você disse...
Você salvou a fábrica.
Você disse: "Trabalhar
em equipe, dividir o trabalho
e multiplicar o resultado".
De onde tirou isso?
Meu amor, você sabe
que eu estou sempre ligada.
Na verdade,
eu li numa embalagem.
-Mas deu certo, não deu?
-Como você é fofa!
Me dá um beijo agora mesmo.
- -Mãe? - -O quê?
-A privada enlouqueceu!
-Vou ver o que foi, Paquito.
Tinha que ter um salva-vidas
em cada banheiro aqui.
Sr. Francisco, isso dói.
Dói? Pegaram esse troço
na privada, está cheio de merda.
-Vai infeccionar?
-Cala a boca.
-Tatuado, você vai ser um deles.
-Não quero ser da Yakuza.
Não quer Yakuza, nem tatuagem,
nem ser estuprado...
-O que você quer?
-Que sua neta volte a me amar.
Manda fazer uma lágrima
no olho da andorinha,
- -pelas dores do mundo. - -Sim.
-O senhor não disse nada.
-A andorinha está linda.
A andorinha chorando, hein?
Chorando pelas dores do mundo.
-Uma lágrima espetacular.
-Isso.
Não parece outro planeta?
Que modernos!
Parece um troll, Encarni.
Paquito,
vamos ter que tirar os maiôs.
-Por que diz isso?
-Está tudo mundo pelado.
Não entendeu ainda?
"Quando em Roma..." Vamos!
- -Bom... - -Fazer o quê?
Achei que ficaríamos sozinhos.
Mas nós estamos à vontade.
Minha ideia era
um pouco mais romântica.
Ai, meu Deus...
O cara tem que ficar parado
aí no meio...
Se ele não virar...
Caramba, ele está
com o "japão" dele à solta.
Konnichiwa.
Carteira, guia, celular...
-E o seu celular?
-Celular? Eu nunca tive um!
Até logo.
Como a Paqui disse
que me amava mais que o Betis?
- -Bom... - -Ela não ligou, não é?
Você mentiu para mim,
disse que ela me amava
para ganhar uma viagem
para o Japão.
Quer saber? Você é
um mentiroso, uma pessoa ruim.
Filho, eu menti,
mas foi para você aprender.
A vida é maldosa.
O único maldoso é o senhor!
Eu confiava no senhor,
Sr. Francisco.
Eu confiava no senhor.
-Me escuta.
-Não encosta em mim.
- -Me ouça... - -Não encosta em mim.
Mil perdões.
Era isso
que eu tinha em mente,
e não aquele monte
de bundas japonesas.
Isso é melhor que o spa
aonde queríamos ir.
-Valeu a pena esperar.
-Valeu.
Lembra o que eu disse quando
beijei você pela primeira vez?
Lembro. Você queria me comer
no barco viking.
- -Fora isso... - -Então o quê?
Que eu estava apaixonado
e queria passar a vida
com você. Já faz 20 anos.
- -Não, 21. - -Isso, 21.
Paquito...
Não, Encarni.
-Sou o imperador do Japão.
-E eu sou a imperatriz.
Aqui somos só Encarni e Paco,
combinado?
-Caramba!
-O que foi isso, Paco?
Vamos ver...
-Querem nos matar.
-O que está acontecendo?
Vamos!
Como ousaram sair
do palácio sozinhos?
Eu e a Encarni queríamos
um pouco de intimidade.
Primeiro nos envenenam
com o peixe, e agora isso...
Acho coincidência demais.
É como se fosse um complô.
Querem matar a gente!
Quem sabia que vocês dois
iam sair?
Ninguém. Eu só contei
para a Mariko.
Quem nos serviu o peixe foi ela.
Eu sou inocente.
Isso é uma armadilha!
Senhora!
A Mariko não tinha motivos
para fazer isso.
Mariko é sobrinha
do antigo imperador.
-O quê?
-Passou a vida no palácio.
Claro, então ela deveria ser
a herdeira.
Ela só não é imperatriz
porque é mulher?
Isso mesmo, Majestade.
Claro que ela
queria matar a gente.
E você a coloca
como serviçal!
-Mas que cara de pau!
-Lamento, Majestade.
Foi uma falha de segurança.
Não.
A culpa foi nossa.
Fomos irresponsáveis.
Não devíamos ter saído.
Você não achou isso
quando estávamos lá na água.
Somos a família imperial!
- Faltam dois dias - para a coroação.
-Vamos ter toque de recolher.
-Nacional?
Por enquanto, só no palácio.
- -Marquei de sair. - -Desmarque!
- Não pode dizer isso. - Sou mulher!
-Mãe, fala alguma coisa.
-Desta vez,
o seu pai está certo.
Desmarque.
Pai, vou ser a sua sombra.
- Você nem vai notar - a minha presença.
Estou surtando.
Eu não sei.
Muito legal.
Hisao, como você é romântico!
Demorou pra gente
se entender, mas...
temos que ser rápidos.
Não posso sair do palácio.
Está bem?
Cara, que emoção!
Matte, matte.
Sim, matte.
Quanta água...
E essas luzes? Que maneiras!
Venha cá, filha da puta!
O que foi, Hisao?
Isso é uma pegadinha?
-Tóquio selvagem!
-Quase morri de susto!
E não chegue perto de mim,
que eu arrebento você!
- -Tudo bem. - -Paqui...
- -Que vergonha! - -Papai...
Que papai o quê?
E não responda!
Sabe o que tivemos que fazer
para não transmitirem isso?
- Ninguém podia sair do palácio, - ninguém!
Não queria ser
da família imperial?
Pronto,
agora esteja à altura.
Quase viramos
a vergonha nacional!
-Isso não é justo!
-Injusto é expor nossa família.
Chega, Paco.
Ela é jovem e é sua filha!
Finalmente está falando
como um imperador.
O que foi, meu coraçãozinho?
-Seu pai...
-Não é por ele, é por mim.
-Fui idiota.
-Na sua idade, é normal.
Eu não podia ter deixado, mãe.
O garoto foi um idiota, mas...
Não estou chorando pelo Hisao,
mas pelo Curro.
- -Pelo Curro? - -É.
E se erramos?
Se estávamos melhor em Coria?
Escuta, Paqui,
você não disse que queria
ser uma andorinha,
-que queria vibrar...
-E daí?
Não gostei do que encontrei.
Eu não sou moderna,
não sou infanta.
Quero voltar para casa.
Ai, minha filha...
Vou dizer uma coisa.
Você não é moderna
nem é infanta,
mas você é linda!
Vem cá.
Você está quieto.
Voltaram as hemorroidas?
Nem brinca,
isso está no lugar.
- Estou com saudade - do Paquito.
Eu também, mas se anime, Tomi.
- -Quer que eu lamba seu peito? - -Não!
- Só a minha mulher - lambe o meu peito.
Bom, e a minha namorada.
E a vizinha do quinto andar.
-Mas do Tinder, eu saí.
-Tudo bem, não lambo seu peito.
Mas o Paco foi
para dar um futuro aos filhos,
-para subir na vida.
-E eu fico feliz por ele,
-mas o Japão é longe demais.
-Demais!
Quer ligar para ele
para se animar?
Tudo bem.
-Mas onde ele está?
-No Japão, lógico.
Não. Ele está no ontem dele
ou no nosso amanhã?
Quero falar com o Paco de agora,
não com o do futuro.
Claro, se ligarmos para ele
agora, vai parecer amanhã.
Ele pode não atender,
por estar ocupado... imperando.
-E se escrevermos uma carta?
-Melhor.
Ela pode chegar
antes que a gente escreva.
- -É. - -Quando acordar, a carta já foi.
- -Não tem fuso horário. - -Claro.
Miguel, quando nós dois
botamos a cabeça para funcionar,
-não tem pra ninguém!
-Não tem mesmo.
- -Tem o endereço? - -Tenho.
Palácio Imperial
do Japão, número 1, Japão.
Por que número 1, Miguel?
Tomi, Tomi...
Porque é o Palácio Imperial.
Mais inteligente que você,
impossível.
-Tenho cérebro.
-Vem cá.
-Vou lamber a sua careca.
-A minha careca?
-E eu lambo o seu peito.
-Vem aqui.
Chegou seu grande dia.
- Você vai deixar de ser - sindicalista.
E não é só isso.
- Vou ser - o imperador do Japão.
No fim, para que escutem,
você tem que ter poder.
-Não tem jeito.
-Tome.
- -Pai. - -Agora não.
- -Pai! - -Agora não.
- -É só um minuto. - -Agora não!
Paco, pelo amor de Deus!
Me desculpe.
Estou preocupado.
-O que foi?
-Pensei melhor,
e acho melhor
a Paqui ser a imperatriz.
Não quero ser imperador
nem samurai.
Também não quero
ser imperatriz.
O que deu em vocês?
O Japão não é o meu lugar.
Quero voltar.
Eu também.
Todo mundo quer voltar
para Coria?
Vamos para casa, pai.
Sinto falta de ovo frito
com linguiça,
de andar de moto,
de ver o Betis com o vovô...
O Japão não é lugar para nós.
E não se preocupe com divórcio.
Eu menti.
Com divórcio?
Que divórcio?
- Ele disse - que você queria se divorciar.
-E você acreditou?
-Claro que não,
mas fiquei com medo
de você me deixar.
Acreditei um pouco nele...
Por isso a gente veio?
Viemos pelas crianças,
para terem um bom futuro.
É isso que importa.
Você também, afinal,
me apeguei após tantos anos.
Não como me apeguei à bicicleta,
mas bem mais que ao sofá.
Vou arrebentar você.
Vou arrancar a sua orelha.
De novo essa estrela!
Filho, você me salvou.
Claro, você é meu pai.
E lembre que quero
um game novo de Natal.
Aí está ela, Paco. Mariko!
Perdão, perdão!
Acusamos você, é verdade,
mas foi um erro.
Perdão, de coração.
Só quem se equivoca
faz grandes feitos, Majestade.
Seu cabelo é brilhante
até na prisão.
Que maravilha!
Você está bem?
Ai, que cara chato!
Mas ele vai ver quem eu sou.
Não me liga mais,
você é um saco, Hisao!
Não falo japonês
e não entendo nada.
Não me liga mais, caramba!
- -Paqui? - -Curro?
Curro!
Vovô!
- -O que fazem aqui? - -Vim ver você.
- -Me ver? - -Eu amo você.
Não vivo sem você.
Quero viver com você.
É verdade.
Ele passou a viagem me enchendo,
me dizendo que ama você.
Então, esqueça as andorinhas.
Dê uma chance e ele.
Não quero mais ser andorinha.
Só quero estar com o Curro.
- -Sério? - -Claro que sim.
- -Não gosta de andorinhas? - -Não.
-E de dragões?
-Dragões?
Caramba! Eu adoro dragões.
- -Amo você. - -Eu também.
Querido povo japonês,
apresento-me diante de vocês
com humildade
e de braços abertos.
O povo japonês
me deu a difícil missão
de salvar sua monarquia.
Trabalho para o qual, no início,
eu não estava preparado.
Mas agora eu estou.
- COROAÇÃO - DO NOVO IMPERADOR
Então vou tomar
minhas primeiras medidas.
É o meu Paquito.
A primeira
é mudar a lei de sucessão.
O papel da mulher neste país
está em segundo plano
há muitos anos.
Até hoje.
Uma vez feita essa mudança,
anuncio a segunda medida.
Eu abdico.
Subirá ao trono sua legítima
herdeira, Mariko Goto,
com quem fomos
muito injustos.
Que coragem, Paquito!
Um homem pode ter
o maior império do mundo,
- mas, sem sua família - ao seu lado,
não tem nada.
Vocês são o meu império.
O que mais amo neste mundo.
Querido povo japonês,
quando penso em vocês,
- me vem uma palavra - à cabeça:
recordar.
Ela vem do latim "recorde",
- "voltar a passar - pelo coração".
Eu, Paco Japão,
filho de Coria del Río, Sevilha,
sempre levarei vocês
em meu coração.
Sempre.
Arigato gozaimasu.
Sayonara.
Minha filha... Meu filho...
Muito bem!
Paquito,
você agiu muito bem.
- Estou morrendo - de orgulho de você.
O quê?
Sempre que nos beijamos,
vem uma estrela ninja.
Para com isso, bobo.
-Mas sou o seu bobo.
-Eu amo você.
E eu amo você.
Vou sentir falta
das aulas de japonês.
Eu estava aprendendo.
É, já não dizia mais
"chihuahua", por exemplo.
Não mesmo...
Muito obrigado, Hidaka.
Pela sua paciência,
pelo que me ensinou...
Vou voltar à Espanha
como uma pessoa melhor.
De nada, Majestade.
Foi uma honra para mim.
Nada de majestade,
não sou o imperador.
Me chame de você.
Odeio quem me chama de senhor.
- Está bem, - vou levar isso em conta.
Vou sentir a sua falta.
Hidaka, você é um homem bom.
Você também é gente boa,
Paquito.
Me dá um abraço, vai.
Paquito! Vamos,
senão perdemos o voo.
Perder o voo não!
Não vamos perder nada.
De onde vem a música?
Parece que é do salão.
Vamos para lá.
- -Para lá? - -Para lá, filho.
- -Vamos! - -Olé!
Olé, Mariko!
-Mas que gingado!
-Linda imperatriz!
Queremos menos horas,
queremos menos horas,
queremos menos horas.
Pode largar o megafone,
meu amor?
O que foi?
- Um pouco - de conciliação familiar.
Um pouco?
Paco, organize os turnos
para eu ir jantar.
- -Aproveite, chefe. - -Obrigada.
-Vem, vamos comer.
-Vem, já está tarde.
Claro que o nosso presidente
está contente.
A fábrica está tinindo.
Meu amor, se eu enchia
a geladeira com 20 euros,
isto aqui é moleza.
Pai, vai ver o futebol
com a gente?
Claro.
Vamos fazer cinco no Madri.
-Vamos ganhar de lavada.
-Vamos marcar seis.
Mãe, quer ir ao cinema
com a gente?
Claro. O que vão ver?
Estamos pensando
em ver o que saiu agora.
-Qual?
-Espere. Aquele não é o Hidaka?
-Como pode ser o Hidaka?
-É o Hidaka!
-Você está obcecada.
-É o Hidaka, sim!
Hidaka?
-O que foi?
-Finalmente encontrei vocês.
A Mariko, minha imperatriz,
foi sequestrada!
-O quê?
-É, ela foi sequestrada.
O povo japonês
precisa da sua ajuda.
A minha Mariko?
A minha Mariko?
É.
Paco, temos que ajudá-la.
Vamos para o Japão.
Garoto!
Olé!
Bravo!
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