All language subtitles for Madame.Claude.2021.2160p.NF.WEBRiP.DDP5.1.x265-182K.hr

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Original subtitles

BASEADO EM FATOS REAIS

NA VIDA IMAGINÁRIA DE FERNANDE GRUDET, MADAME CLAUDE,

NASCIDA A 6 DE JULHO DE 1923, ANGERS.

NETFLIX APRESENTA

Enquanto aqui estou, as meninas estão a trabalhar duro em Paris.

O negócio vai bem.

Recebo 30 %.

Cobro 500 francos por duas horas.

Ganho muito.

Com boa gestão, ficarei bem para o resto da vida.

Percebi cedo que os homens nos tratam como putas.

Decidi ser a rainha das putas.

Transformar os corpos numa arma e armadura.

Nunca mais ser a vítima.

Como estás?

- Obrigado. - Muito bem.

- Olá. Como estás? - Olá.

Estou bem.

Parabéns a você

Obrigada.

Para a menina Nadège

Uma salva de palmas

Chamo-me Sidonie.

Cresci em Lyon.

Escola privada.

Uma ama!

Gosto de raparigas,

rapazes da minha idade,

velocidade,

luxo e desafios.

Percebo. Terás de focar a tua energia.

Boa sorte.

- Desculpa? - Focar a minha energia.

Só em sonhos.

Vai. Caminha.

Tira o top.

Sempre quis ser alguém.

Primeiro, escolhi o meu nome.

Um nome adequado às minhas ambições.

E eu tinha ambição.

Olá, sim, fala a Claude.

Dois segundos, por favor.

Contratada à experiência. Desfruta da festa. Já lá vou ter.

Então?

Então?

É boa. Bem…

Muito boa.

Um turbilhão.

- A sério? - Sim. Excecional.

Inteligente, elegante, culta.

Não para homens que não gostam de ser superados,

mas, para mim, ela é ótima.

A de terça, Geneviève?

Boa.

Conversação?

Agradável. Grande apetite.

Na cama?

À mesa de jantar. Come muito.

As coxas são um pouco largas, não?

O meu ponto forte: discrição.

Alguns até duvidam que exista.

Até logo.

Outros acham que sou homem.

Teria gostado de ser homem.

Jacques Chabeau, o mistério à volta

do assassinato de Stefan Marković da Jugoslávia,

o ex-assistente e guarda-costas do ator, Alain Delon.

A primeira brigada passa a noite sem dormir por causa deste mistério…

Lembrem-se, tive um mau começo, nasci no sítio errado.

Aos 17, encontrei o amor…

Bem, um homem de passagem.

Engravidei. Problema.

Tinha acabado.

Não quis esta vida.

Deixei a minha filha com a avó e fui para Paris.

Estás bonita.

Gostas? É teu quando cresceres.

Armários, muita arrumação. Ficarás contente.

A casa de banho.

Mármore lindo.

- Gostas? É bom, não é? - Bem, sabes…

Sempre vivi no campo. Será estranho para mim.

Sim. Bem-vindas a Paris!

Eu prometi-te.

- Não faças essa cara! - Estou contente.

Pelo menos para a pequena.

Sim. Bem, sim…

Toma, querida. É para ti.

Toma.

Vá lá.

Estás feliz? Gostas?

Olá, sim, fala a Claude.

Em nome de quem está a ligar?

Charles. Sim, é um amigo.

Sim, claro.

Sim, as minhas meninas são sempre bem-comportadas.

Próxima terça-feira. Perfeito.

Foi ótimo ouvi-lo.

- O teu primeiro nome? - Clarence.

A partir de agora, é Virginie. Clarence não é prático.

- Posso vestir-me? - Ainda não.

Muito importante: higiene.

Mostra-me como limpas as partes íntimas.

Vem comigo.

Vá lá. Pega na luva.

Não, assim não. A tua mãe não te ensinou?

Primeiro, usas o bidé. Não é para os cães.

Vá lá. Espera. Dá cá.

Assim.

Vês? Não é complicado.

Atrás.

Muito bem!

Já estás aqui. Chegaste cedo. Dá-me dois minutos.

Há muito a fazer, mas acredito em ti.

Acabou. Não foi nada de mais.

- Não. - Vai lá.

Adeus.

Correu bem?

O cliente queixou-se?

- Não é: cliente. É: amigo. - Perdão. Amigo.

Ficou encantado, adorou-te.

Tenho um dom.

Diz-me, Sidonie.

Devo contratar-te?

Tenho 200 meninas excecionais. Muito mais bonitas.

Porque sou leal.

Já tenho clientes.

E venho do mundo deles.

Não tem de me ensinar. Eu conheço-os.

Poupa tempo.

Teve uma ideia genial. Recebe dinheiro da fonte.

Entra no meio deles, fingindo que elas são como eles.

Tomo o poder e fodo-os por dentro.

Combina comigo fodê-los por dentro.

Descanse, a minha mãe ensinou-me a lavar as partes.

Mas não bates à porta.

Tenho coisas a fazer. Anda. Vamos caminhar e falar.

Sê mais discreta e faremos grandes coisas.

- Que tal uma bebida para festejar? - Não bebo.

Trabalha demasiado. Nunca sai.

- Como sabes? - Saio muito.

Castel, certo? Não gosto nada.

Leve-me onde quiser.

Paris não era como imaginava.

Assim que lá cheguei, fiz amigos e vi-me numa esquina.

Para!

Parem!

Gostas de bater?

- Olá. Como estás? - Bem, obrigado.

- Como estás? - Bem.

- Pareces arrasado. - Sim.

Como estás, Nicole?

Apresento-te a Sidonie.

Demoro cinco minutos.

Três magistrados de uma vez. Resolvem-me conflitos.

Os irmãos Panzani do bar Le Lutetia.

Uma instituição de extorsão.

Ao lado, Marcantoni, um corso que preside o Les Trois Canards.

E o Jo Attia.

É um disparate.

Homens. Italianos, acho eu.

Vieram três.

Ameaças e tudo. Viste o Filou?

Agora, estão atrás de mim.

Têm fome.

Desesperados. Já não há respeito.

Deixemos a polícia tratar disso.

Tenho um contacto que me deve uma.

- Como assim? - Não vamos sujar as mãos.

Agora, trabalhamos com a polícia?

Agora, é melhor sermos discretos, sobretudo tu.

Aquele falhado, o Marković, qual é a dele?

Dizem que vão aparecer fotos.

Ouvi dizer que eram amigos. Atrapalhou-te?

Estás mal-informada. Ouvi que uma das meninas está na foto.

Não, despedi-a há muito tempo.

Tu é que estás mal-informado.

Não te esqueças.

Quanto menos souberes, melhor.

Se te perguntarem,

não sabes.

Champanhe para a Fernande.

Apresento-te a Sidonie.

O Jo é um velho amigo?

Neste negócio, tens de ter amigos.

Quando ganhamos dinheiro,

atraímos chacais.

Podemos parar com as formalidades? É cansativo.

Com prazer.

Tens um namorado secreto?

Não tenho tempo.

Olha para eles.

Nada mal. Conhece-lo?

Não.

Um pouco fraco.

Vou buscá-lo. Não para de olhar.

Não tenho tempo para o amor.

Boa noite.

Pago-te uma bebida?

Porque não?

Mais uma para elas.

Muito prazer. André.

Gostas de dançar?

O amor é uma doença.

Não se pode viver com uma doença.

Aos 25 anos, apaixonei-me e queria morrer.

Tomei comprimidos.

E não morri.

Acordei.

Fui curada.

Nada mal.

Vira-te.

Nada mal mesmo. Gostas?

- Acho-o elegante. - Então?

Que boneca!

Ótimo. Jackie Kennedy.

- A sério? - Mas mais bonita.

Anne.

- Não agradeces. - Obrigada.

É assim que me agradeces?

- Foi difícil na tua idade. - Não quero saber.

Vou levar-te a casa.

Não queres a tua mala?

Não quero ser como tu.

Nunca me senti à vontade numa esquadra.

Mas é assim. Coçam-me as costas. Eu coço as deles.

Olham para o outro lado. O fisco também.

- E pediram-me para estar atenta. - Estás atrasada.

Despachemos isto. Tenho uma reunião.

- Uma reunião importante? - Exato.

Estou a ouvir.

Aqui estão os ficheiros de dois novos amigos.

Céus!

Que bastardo!

Não parece bom para o Sr. Operação Mãos Limpas.

Quanto mais poder têm, menos querem na cama.

Não é o roto a dizer ao nu, porque não te vestes tu?

- Chata. - Falemos de outra coisa.

Uns idiotas andam a roubar o Pigalle.

Italianos.

Não vieram atrás de mim, mas não vai demorar.

Eu trato disso. Prometo.

Calma. Tens informações sobre o Marković?

Em Paris dizem que ele fazia orgias,

tirava fotos e chantageava os idiotas,

incluindo os idiotas do governo.

Orgias, é o teu campo.

Vou ver, mas não conheço o tipo.

Não?

O Marcantoni é amigo do Delon?

- Consta que sim. - Consta?

Vou andando.

- Ok! Ciao. - Ciao, linda.

Daniel!

Daniel!

Senta-te. Olha para isto. Não é para crianças.

Parece sodomia.

Gosta que lhe mijem em cima.

Urinem.

Bravo, Sr. Ministro.

Muito boas!

Perfeitas.

Bom trabalho. Estou contente.

Anda.

A postura não é nada boa.

Que pena. O rabo é o melhor.

Vestido bonito.

Fala a Claude.

Onde estás? Idiota!

Inacreditável!

Cliente errado! Idiota!

Como é possível? Como?

Italiano? Era um sotaque espanhol ou italiano?

Reparaste em algo estranho?

Não te esqueças de receber.

Sidonie. É a Claude.

Dormes depois. A idiota da Sophia foi ter com o cliente errado.

Sim, o cliente errado.

Vai ao Royal e salva isto.

Onde está o lobo? Onde está?

Calma. Não direi ao teu pai.

Viver e aprender.

Obrigada.

Reagiste rapidamente. Muito bem. Salvaste-me.

"Algumas perguntas para determinar

qual dos dois deve fazer um esforço extra?

Mulheres: Anseiam que o marido chegue do trabalho?

Trocariam de roupa para o agradar?

Dizem muitas vezes que o amam?

E é genuíno?

Mandariam os filhos para a cama cedo

para falar em paz com o marido?"

Acham que a Claude gosta de sexo?

Aposto que dá ordens enquanto fode.

De certeza.

Ela deu-te aulas de broches?

A mim não.

Pois, mas és especial. Como uma matrona.

És a preferida dela.

Não precisas.

Talvez não se assuma.

Isso mesmo.

- Não deve gostar de raparigas. - Tem amigos?

- É muito rígida. - Para o quê?

Cala-te. Está aqui.

Vá. Limpem isto. O Marlon Brando chega daqui a 15 minutos.

Vamos!

Os cafés, os copos, os cigarros.

Vá lá, meninas.

Estejam atentas. São eles que vos pagam.

Esperem. Fiquem aqui.

Olá, muito prazer.

Em dez anos, tornei-me burguesa.

Respeitável e respeitada pela elite parisiense.

Tinha dinheiro,

um homem.

Tinha apagado a minha pobreza.

Apagado a Fernande.

Vamos!

Nada me podia parar.

Intocável.

A tua mãe está à porta.

Diz-lhe que saí.

- Desculpe, não está. - Ai sim?

Foi tratar de uma coisa.

Quer deixar recado?

Não pode continuar. Nem toma conta da filha.

Não é bom para a menina.

Não quero que acabe como a mãe: uma puta.

Aqui estão as chaves. Dá-lhas. Compreenderá.

Adeus, Madame.

Ouviste?

- Estou? - Sou eu.

És tu!

Apanhámos os teus italianos. Está resolvido.

Não te esqueças de me avisar do Marković.

Isto está a ficar complicado. Viste as notícias?

Não, ainda não.

Devias.

Adeus.

Já estás aqui?

Não costumas vir cedo.

Adoro o espetáculo.

É o melhor espetáculo de Paris.

- Um cigarro, André? - Sim, claro.

Obrigado.

Deixo-vos a sós. Tenho trabalho a fazer.

Divirtam-se!

Enjoy, como dizem.

Fernande.

Que merda é esta do Marković?

Falam de fotos da Sra. Pompidou nua em ação.

O De Gaulle está furioso.

O ex-ministro está envolvido. Parece mau.

Ele, convidou-os para jantar para se salvar.

Não tenhas medo. Não é contigo.

Não tenho medo. Se caíres, caímos todos.

Não há razão para eu cair.

Deixa-nos, Fernande. Temos coisas para discutir.

Tudo isto é mau para o negócio.

Não têm nada.

Vem cá.

Não sei o que sabes, mas é melhor não falares.

Os teus novos amigos, polícias, pessoas no poder…

Se te calares, vai correr tudo bem.

Nada disso na minha casa.

E não com a Fernande.

Entendido?

Nunca falas sobre ti.

Fala-me um pouco de ti.

Não é interessante.

Eu não falo. Faço.

Não tens de me mentir.

Estou do teu lado.

Vai para casa.

Levanto-me cedo.

Agora?

- Estou? - Sim, é a Virginie.

A morada correta é Villa Hortensia, 22?

Estou numa cabine telefónica do outro lado da rua.

Liguei várias vezes. Não atende.

Liga outra vez. Não sejas idiota.

Suzanne!

Suzanne, chama a Josie. Parti uma unha.

Sim, claro.

Também queria dizer-lhe, Madame,

que acho que vou casar.

- A sério? - Sim.

Bem… Recebi uma mensagem do Frédéric de Grimbert.

Dizia: "Josie, estou a organizar…"

"Estou a organizar um grande banquete para nós."

Levou-me ao castelo dele.

Conheci os primos dele e tudo.

E falou-me de casamento.

Ficaria chateada por me ir embora?

De todo. Ficaria encantada.

Sua puta nojenta!

- Viria? - Claro.

É a Virginie!

Meu Deus! Entra.

O que aconteceu?

Fizeram-te isto?

Desembucha. Fala.

Sim, foram eles.

Armaram-me uma cilada.

Correram atrás de mim pelo jardim.

Pagaram-te?

Duzentos mil.

Pronto, vá lá.

Calma. Vai correr tudo bem. A sério.

Céus!

Calma. Não, mas…

Tens pele clara. Ficas marcada com pouco, mas desaparece em dois dias.

Não é nada.

Um bom banho, uma boa noite de sono e pronto.

Anda cá, meu coelhinho.

- Estou? - Estou? Sim, sou eu.

Prenderam o Marcantoni.

Analisaram o colchão onde o corpo foi encontrado

e o idiota comprou o mesmo.

Vai ser extraditado.

Não deves estar surpresa.

Queria dizer-te que vai haver consequências.

Obrigada, Georges.

Desde que vi a Sidonie, soube que ela ia longe.

Num ápice, tornou-se a minha mão direita,

apesar de ainda ter reservas.

Eu e o André encontrámos um equilíbrio.

Cada um por si e felicidade para todos.

Preferia o Georges. Não aguentava este tipo. Pretensioso.

Aposto que me deu um nome humilhante para me irritar.

- Olá, Violette. - Olá, Serge.

- Olá. - Olá.

Vês a rua à direita?

Há um bar a 100 metros daqui. É fácil encontrar. É o único.

Ele vem muito…

O Pompidou foi eleito. Subi um degrau.

Fiquei presa aos Serviços de Inteligência.

Vai vigiar-te.

Tens de o encontrar rapidamente.

Não garanto a tua segurança se fores apanhada antes de chegar ao quarto.

Uma vez no quarto, é nosso.

- Está bem? - Sim. Muito bem.

Primeiro vou deixá-lo vir até mim e depois…

Muito bem. Boa sorte.

Ótima escolha.

Tenho uma coisinha para ti.

Obrigada.

Diplomata. Chega amanhã.

Há um bónus de 20.000 porque temos um pedido especial.

Há um problema. Este senhor não é um dos meus amigos.

Vai ser.

Precisamos de gente de confiança. Ele está um pouco… perdido.

Perdido?

Muito perdido.

Aquele caso interminável com o Marković

estragou tudo.

E o teu amigo Marcantoni…

Não é meu amigo.

De agora em diante, serves a França.

O teu destino está ligado ao teu país, Claude.

Ser a Madame de França era perigoso.

Tornei-me numa instituição.

Então, expandi.

No topo de Marignan,

aluguei uma mansão na Boulainvilliers

para ficarmos juntos, como uma grande família.

- Olá, tudo bem? - Muito bem!

Divirta-se.

- Como está? - Muito bem, obrigado.

- Meu querido Paul. - Como está?

Estou a suar tanto!

Animais suam. Homens transpiram. Mulheres são quentes.

É o que chamamos de educação.

Os Visitandinos ensinaram-me tudo o que sei.

Foi aluna deles?

Quem é este idiota?

Sou simples.

O meu pai era o presidente da Câmara de Angers. Fui educada em Visitandine.

Comecei a mentir na escola.

Inventei uma casa grande para mim, novos pais.

Não deve ser fácil gerir isto tudo sozinha.

Uma mulher. Deve ter apoio.

Quanto maior a mentira, mais acreditam.

Basta de mim. Aborreço-o com as minhas histórias.

Disseram-me que nunca se aborrecem consigo, Claude.

A bajulação não o levará a lado nenhum.

Não foi bajulação.

Tinha de conhecer a chefe da minha filha.

Deve estar enganado.

Não.

Sidonie.

Sabe, sou velho demais para me enganar.

Acredite em mim.

Eu também.

Eis a Geneviève.

Pode ser?

Sim. É por conta da casa.

Deixo-vos a sós.

Quer sentar-se?

Sim, obrigado.

Quer uma bebida?

Mais um uísque, por favor. Obrigado.

Vem cá.

Aquele tipo.

Se causar problemas, põe-no na rua. Não te acanhes!

No centro de Paris,

no bairro da Câmara Municipal, entre Les Halles e Le Marais,

o Centro de Arte Contemporânea será construído em 1975.

A imensa estrutura de metal e vidro…

… a ideia principal de ligar as áreas de bem-estar aos distritos operários.

Num concurso entre 700 arquitetos de todo o mundo,

os jurados escolheram o design de uma empresa italiana.

O projeto consiste numa enorme caixa de vidro…

Estou?

Estavas a dormir?

Deixei os óculos em tua casa.

Dormias?

Sim, dormia.

Raios partam!

- O que foi? - Foda-se!

- Veste-te. - O que disse ela?

Ela vem cá. Tenho a certeza.

Esta construção está à escala

dos tempos antigos,

quando apareceram catedrais…

Onde está ela?

Onde está ela?

- De que falas? - Da pila que enfias em todo o lado!

Estavas a foder?

Está bem. Muito bem.

Estás comigo pelo dinheiro.

És uma puta.

Devias ter-me dito.

Não sou uma das tuas putas.

Sim, és uma puta.

Pelo menos, elas têm a coragem de dizer que fodem por dinheiro.

Logo, sê franco.

Sê franco.

Estás comigo por dinheiro.

Claude, para.

Não me toques.

Percebo porque é que a tua mãe e filha foram embora.

- O que disseste? - Nada.

O que disseste?

Querida.

Por favor, acalma-te.

Para.

Senta-te.

Senta-te, Claude.

Amo-te.

Não é o que parece.

Amo-te.

Amo-te mesmo.

Amo-te.

Fria e sensual.

Claro.

Está marcado. Quinta às 19h.

Falamos em breve, Louis.

Adeus.

Disse-te para atenderes quando não estou, não para tomares o meu lugar.

Ainda não estás morta o suficiente para me substituir.

Morta?

Sim, morta por dentro.

Ainda amas demasiado a vida.

Toma.

A Kate voltou do Chade.

Fiz algo errado?

Claude?

É o André.

É um inútil.

Estou a ficar mole. Não é bom.

É uma das minhas meninas.

Descobrirei eventualmente.

Bem, não sou eu. Demasiado velho.

Não achas o Jo velho demais.

- Estou enganada? - De que estás a falar?

O teu pai está em Paris.

- Como sabes? - Conheci-o ontem.

Veio intimidar-me na minha casa.

É um otário.

Resolve as tuas merdas.

Dois minutos, por favor!

O que faz o teu pai?

Negócios Estrangeiros.

Sim?

Apresento-te a Lola. Ela queria conhecer-te.

Vem ter comigo depois. Tenho uma missão delicada para ti.

Delicada?

Um diplomata.

O teu mundo.

Vai ajudar-te a endireitar a cabeça.

Estás bem, Sidonie?

Já vou.

A Claude repreendeu-te?

Fizeste algo errado?

Não é nada disso.

Estás bem?

Não te preocupes. Acordará em três horas com uma dor de cabeça.

Não se lembrará de nada.

Não vou mentir. O rabo também lhe vai doer.

- Amas-me? - Sim, amo-te.

Traz comida. Tenho fome.

Sim, capitã.

… OVNI. Caso se tenham esquecido, lembro-vos que significa…

Trago o habitual?

… mais conhecidos como discos voadores,

estabelecem uma explicação

de que isso é 98 % racional.

O que foi?

Depois de fechar,

um lunático entrou e matou o Filou.

À queima-roupa.

Depois, raptou a Nicole.

Disseram-me que a arrastou pelo cabelo.

Deixou-me louco.

A polícia achou-a quatro horas depois,

nua, na Floresta de Saint-Germain.

Viva.

Graças a Deus!

Cortamos-lhe os tomates.

Confia em mim, já está morto.

O que fazes aqui?

Se houver algo que possa fazer…

Uma missão delicada.

A Sidonie tem um dom.

A que me dá mais lucro.

Um prodígio da rata.

Se soubesses…

Vou ver a Nicole.

Calma. Vais encontrá-lo.

Os maus acabam sempre mal.

Todos os anos, levava umas quantas de férias.

As minhas preferidas.

Uma espécie de seminário. Fortaleceria a nossa ligação.

Vá lá!

Para!

Virginie?

- Estás bem? - Sim, estou bem.

Diz…

As fotos do diplomata são perfeitas.

Que talento.

São muito talentosas.

Já agora, o lunático que causou o caos à do Jo está preso.

Foi preso esta manhã. Não era o que o Jo queria,

mas a polícia chegou primeiro.

Primeiro, o Marcantoni. Agora, o Jo.

Ninguém é intocável, Claude.

Aproveita as férias.

… numa semana.

- O quê? - Não sabes nadar?

Sim.

Não é agradável?

É o paraíso.

Sim, eu sei.

Conheço o inferno.

Em pequena não tinha amigos.

O meu melhor amigo era um bode.

Mais inteligente e fiável do que muitos humanos.

Deixei-os uns com os outros, à sua tolice.

Fiquei com o meu bode.

Gostava do cheiro.

Podia confiar nele.

A embaixada dos EUA insistiu:

"O presidente não deve saber que é uma das tuas.

Apresenta-a como filha ou sobrinha do embaixador."

Respondi: "Tenho uma inglesa encantadora."

- Pensei logo na Kate. - Sim.

Kennedy foi um verdadeiro cavalheiro.

Bonito, charmoso, cortês.

Não te entusiasmes. És uma sósia falhada da Jackie.

Ligou-te porque és mais vadia.

Ninguém vos pode dizer a verdade. Quando engordaste, eu disse-te.

- É o homem mais poderoso do mundo. - Era.

Bem, ele amava-me.

Sim, claro, ele amava-te. "Ele amava-me."

Ele disse: eu amo-te?

Mas ele apaixonou-se mesmo. Ele apaixonou-se por ti.

- É verdade. - Sim.

Então, acreditam em mim?

Bem, quem pagar melhor,

mesmo que seja feio, não que isso importe,

é o Xá do Irão.

Um fim de semana de luxo e orgias.

Num barco o dia todo,

depois no palácio.

Foi interminável. Poupo-vos os pormenores.

Eu fui com o Salvador Dali.

Devias ter visto a cara dela quando voltou.

Coberta de esperma.

Alban!

Não, mas é verdade. Tu própria o disseste.

Estava cansada.

Eu tinha…

A comida não!

Quem foi?

Não. Cala-te.

Pede desculpa ou vou no primeiro avião.

Claude!

Parem!

Parem de ser tão irritantes!

Está tudo bem.

Até um pouco bem demais.

Estou feliz com a minha família.

A verdadeira família.

Está tudo claro.

O dinheiro assegura-o e todos aproveitamos.

Aí estás tu. Desapareceste.

Não estava longe.

Obrigada.

Amo-te.

Eu sei. Estou bêbeda e odeias sentimentos, mas amo-te.

Então?

Divertiram-se?

Villa Hortensia. Lá sabem divertir-se.

Gostas de te divertir, não é, Nadège?

Gostaste do jogo do refém?

Mostra-me!

Não correu mal.

Não estás muito mal.

És manhosa.

Queres mais? Já chega?

Chega ou queres mais?

Responde-me, sua puta!

Não te preocupes. O teu amado vem a caminho. Chamei-o.

Amamo-nos.

- O que disseste? - Amamo-nos, Claude.

O que estás a fazer?

Vais bater na tua mãe?

Olha para mim!

Olha para mim! Baixa os braços!

O teu amado está aqui!

Aqui está.

Sabia que era a Nadège. Que bom. Escolheste a mais suja.

Isso mesmo. Pisga-te! Puta!

Sua merdosa!

Ouve, Claude.

Cala-te!

Amamo-nos.

Não sabes o que isso é.

Nunca amaste alguém.

Sai!

Tomei uma decisão importante.

Chega de homens, ou pelo menos, chega de casos amorosos.

É um pouco triste.

Não vou desistir nem ser amarga. É uma escolha.

Temos de saber quando parar.

Cada um com a sua.

O que importa é ser feliz na vida.

Não dependo de ninguém.

Protegida pelo dinheiro,

poder.

Para, caraças!

Sem vulnerabilidades.

Nem fraquezas. Sem calcanhar de Aquiles.

O que faz?

Não sei.

Acho que devias ir ter com o teu pai

em vez de desperdiçares a vida.

Falámos. É boa pessoa.

Conhece o meu pai?

- Olá, meninas. - Olá.

Como estás, Claude?

Muito bem!

Obrigado, Sidonie. Podes ir.

- Temos de falar. - Depois.

O teu amigo Marcantoni saiu da prisão.

A fiança foi de 60 mil.

Vão continuar a atacá-lo.

Cabeças rolarão. É só o início.

Sem formalidades? Isso é novo.

Os tempos mudam, Claude.

É uma sorte ainda estares aqui.

Os tempos mudam mesmo.

Mas, por agora, sou a chefe.

Os teus amigos estão confortáveis na minha agenda.

Se te pedisse para matar alguém, farias?

Depende.

És mesmo estranha.

Isto não é um jogo, sabes?

É um velhote muito mau.

Sim?

O que é que ele te fez?

Algo que não se faz a um filho de sete.

Vou indo.

De certeza que não vens?

Não me apetece.

Porque haveria de ir ao Castel?

Não estou excitada como tu.

Vais meter-te em problemas.

Estás com mau aspeto.

Vou-me embora.

Vá lá, querida.

Não te preocupes. Vai correr bem.

Espero que sim.

Claro que sim.

Sou uma idiota.

Nunca estive tão longe.

Eu sei, mas três dias não é muito.

Anda.

A Espuma é inútil. Não limpa.

Comet, um novo produto para todos os fins.

O Comet limpa e deixa tudo mais brilhante.

Sem ferver, sem espuma.

Comet. E que belo cheiro.

Não há notícias da Virginie.

Temos de fazer algo.

Estamos a fazer o que podemos.

O caraças!

Calma. Não estamos em Pigalle.

E assustas os patos.

Estamos a falar de assuntos estatais. Percebes?

Não ganhas nada em ficares ansiosa.

Estou muito calma.

Não precisava que servisses o meu país. Quando entrei para a Resistência…

Comigo não. Não acredito nas tuas tretas.

Vamos encontrá-la.

As coisas estão complicadas entre o Chade e a RCA.

Aliás, diz à Kate que não pode voltar para o Chade.

Seria ótimo, se fosse um pouco discreta.

Isto vale para todos.

A Virgine nunca voltou.

Também desaparecera.

Na altura errada no lugar errado.

Era uma boa menina.

Acabar assim…

Conforta-me saber que muitas das meninas ficaram bem.

Atuando ou cantando.

Algumas até se tornaram princesas.

Não estás a comer, querida?

Não tenho fome.

Quando eras pequena, era difícil dar-te comida, lembras-te?

Disse ao Serge que só fazias o que querias.

Conheci a tua chefe.

Ela é especial.

Acha que está acima da lei, mas ninguém está.

Mais, ninguém está acima da morte.

Pagarás pelo que me fizeste.

- O quê? - Sabes muito bem.

Deliras. É a droga ou a vergonha de seres lésbica.

Estou a pensar mandar matar-te. Ou apresentar queixa.

Falas muito,

mas és fraca.

Falta-te coragem.

- Feliz Natal. - Feliz Natal.

Feliz Natal.

Toma.

Obrigada.

PARA A ANNE, FELIZ NATAL, MINHA FILHA

- O que fazes aqui? - Podemos conversar?

- Claro. - É importante.

- Está tudo bem? - Estou bem.

- Estás pálida. - Estou bem.

Não sei de onde veio, mas alguém me queria morta.

Não posso fazer nada. Está fora do meu controlo.

Os teus amigos estão a deixar-te.

Não vás à polícia.

Eu sei.

Ficaste demasiado confiante.

A partir de agora, estás por tua conta.

Não estás bem.

A polícia apareceu. Procuraram em todo o lado.

Receberam uma chamada a dizer que havia aqui um corpo.

Controla a janela, por favor.

- De que tens medo? - De tudo.

Sidonie, vai lá acima. Chama as miúdas.

Vou fechar por hoje.

Liga a TV, nas notícias.

O problema é que o Jo está fora de serviço.

O Marcantoni está comprometido.

Se acharem que sou fraca,

vão extorquir-me ou até matar-me.

Sabias que o Jo estava doente?

Sim, mas não queria que soubesses.

Não querias que soubesse?

Não seria assim tão mau…

Desliga, por favor.

Desliga!

- Sim? - Já soubeste?

Não ouvi nada.

Estás a dizer que não sabes quem pagou à chinesa para me matar?

Só sei que é o fim de uma era.

O fim de uma era, o cu! Não é o fim de nada!

Falemos do golpe no Chade!

A quem agradeces pelo bando do Bokassa?

O Marcantoni a sair da prisão?

Fizeste muitos inimigos. É uma sorte estares viva.

Desligou-me na cara, cabrão!

Cabrão!

Claude.

- O Serge conhece o meu pai. - Como?

O Serge conhece-o.

Não devia ter confiado em ti! Eu sabia!

Somos diferentes!

São sempre as mesmas pessoas que são enganadas! Não vês?

Traz-me miúdas! Eu devia saber!

Será o meu pai?

O teu pai ou não, que importa? Não é ninguém!

Para de olhar assim para mim.

Estraguei tudo.

Tudo para nada.

Tudo o que passei, tudo o que construí, para nada.

Estraguei tudo.

Deixa-me em paz.

As miúdas já eram.

Para a próxima, será melhor.

Fizemos o Bulevainvilliers fechar por violação da paz.

Está encurralada. Calma. Vai cair!

A agência está a tratar disso.

Muito bem. Obrigado.

- Pago uma bebida? - Com prazer.

Por favor.

Olha o bode dela.

É feio, como tu.

Fui para o campo enquanto as coisas acalmavam.

Com o Buldainvilliers fechado, as meninas trabalhavam em casa.

A maioria já o fazia, por isso, não teve impacto nos negócios.

Mas o que era bom acabou para nós.

Não podia durar.

A felicidade nunca dura muito.

- Como estás? - Bem.

Estive a pensar.

Vou acusar o meu pai.

Não querem saber se ele te fodeu.

Estão-se a cagar.

Já aconteceu.

Comigo, foi o meu tio. Calei-me.

Os tempos mudam, sabes.

Nada muda.

Nadinha.

Os homens tomam as decisões. Detêm o poder.

Nunca muda.

Devias tirar tempo para ti.

Tens dinheiro.

Estás a ficar velha.

Fica com o teu conselho.

Olha para ti, pobrezinha.

Estás completamente pedrada. Não te respeitas.

Falas de respeito?

Se vieste cá para me irritar, não te dês ao trabalho.

Em casa, tenho 300 meninas à minha espera, a contar comigo.

Não nasceram privilegiadas como tu.

Não o fazem por divertimento.

Por isso, desaparece com o teu amante.

Desaparece!

Adeus, Madame.

Está acabada.

É hora de se reformar.

Não sejas mau.

Não é ser mau. É verdade.

Já ouviste falar da revolução sexual? Woodstock?

Hoje em dia, ninguém pensaria em pagar por sexo.

O que sabes sobre isso?

Gostaria de apresentar queixa.

Por violação.

Contra o meu pai.

O do governo?

Merda!

- De certeza? - Sim.

Não é boa ideia.

- Porquê? O que acontece se o fizer? - Nada.

- Nada? - Nada.

Será a tua palavra contra a dele. Não és credível.

És uma puta.

Não tenho nada contra ti. Não é pessoal.

É apenas um conselho.

A Claude não vai acabar bem.

És educada, de uma boa família.

Começa uma vida nova.

Falta de respeito foi o que matou o Jo. Morreu disso.

Vou ter saudades dele.

Eu também.

Tinhas razão sobre o meu pai.

Não vou apresentar queixa.

Não adianta.

Vês? Eu disse-te.

Agora, tens de aguentar.

Nada voltou a ser como antes.

Pompidou está morto.

Com essas três palavras,

soubemos às 21h45, precisamente,

numa reportagem da agência de notícias,

que o presidente faleceu.

As notícias apanharam toda a gente de surpresa.

Por exemplo, surpreendeu os membros da…

Giscard acabara de ser eleito.

Com ele começaria uma nova era.

A minha notoriedade era um problema.

Oficiais de justiça! Abra a porta!

- Sim? - Olá, Madame.

- Olá. Tenham calma. - Temos um mandato.

O governo francês deu-me uma pena suspensa de dez meses

e uma multa de 11 milhões. Estava preocupada.

Boa noite, Claude.

Não te finjas surpresa por me veres.

Sou o teu anjo da guarda.

Já nada me surpreende. Já vi demais.

É por isso que aqui estou.

Aconselho-a a não falar do que viu.

A transmissão é má ideia.

A sério?

As entrevistas estão na berra.

Adaptei-me aos tempos.

Não fales demais.

Chateia-te eu ganhar tanto dinheiro.

É preciso coragem para fazer isso.

Diz aos teus amigos que sei o que estou a fazer.

Não és do mundo deles.

Nunca serás.

Desaparece, lacaio.

Digo isto porque gosto de ti.

Vamos a isso.

Convidei-a

e aceitou, porque acabou de publicar as suas memórias

num livro explicitamente chamado: Allô Oui.

Isto sugere que o telefone era a sua principal ferramenta.

Era a minha ferramenta, sim. Sempre foi.

Tenho de admitir,

que a imagem do sofrimento humano que apresenta

não é sem surpresa.

Do seu livro ficamos com a impressão

que tem feito trabalho humanitário nos últimos 15 anos.

Sim, praticamente.

Vocês, cavalheiros, têm momentos em que estão um pouco solitários, tristes.

Tentei preencher esses tempos tristes

com alguns momentos de alegria.

Que disparate!

Se eles soubessem…

Ela não vai divulgar tudo na televisão.

Lembras-te de quando os dois jornalistas idiotas escreveram um livro

e ela fez tudo para os impedir?

As chamadas, as ameaças…

Há muito a dizer.

Como a Virginie.

Confidencial.

Porque olhas para mim? Há coisas sobre mim, sobre ti, sobre ela e todas.

… pior do que eu, por exemplo, chamar ao seu trabalho de proxenetismo.

Anne?

O que fazes aqui?

Estava na zona e vi-te na televisão.

Entra.

Está a ser muito difícil?

Um pouco.

Vão apanhar-me no fim.

Sei que sim.

São as autoridades fiscais. Não é como se tivesse matado o meu filho.

- Estás com bom ar. - Estou bem.

Tens o meu anel?

Isso é uma aliança?

Sim, sou casada.

Conheço-o?

Não.

Estou grávida, mãe.

Não és um pouco nova?

Não.

Bem, então, vou ser avó?

Podias ter-me dito.

Como? Mudaste de morada.

Não compliques as coisas, sim?

Tenho problemas que cheguem.

Bem, vim dizer-te.

Queria que soubesses.

Queres menino ou menina?

Não sei.

Espero que seja um rapaz.

Já te vais embora?

Estou cansada.

Sobre o teu pai, estive a pensar.

Na minha vida, sempre que quis algo,

diziam-me que não teria sucesso.

No fim, consegui.

Apanhei-os desprevenidos.

Iam apanhar-me por evasão fiscal, como ao Al Capone.

Fui para os EUA.

Não me apanharam.

Nesse ano, o caso Marković foi retirado.

Fernande Grudet, está na hora. Hoje, é o dia.

América. Fiquei lá uns anos.

Não é país para mim.

A Imigração ficou com o meu caso. Fui deportada.

De volta a França.

Tentei esconder-me e voltei a fazer o que sabia melhor.

Bem, ela não tem papas na língua.

Podes crer.

Fui presa pela Sra. Monteil, a primeira comissária mulher.

O cúmulo da ironia.

Quem pensa ela que é?

Cumpri a pena.

Seis meses de preventiva.

Assistirei livre ao meu julgamento.

SETEMBRO DE 1992

Sim, é ela, em carne e osso.

A lenda viva da prostituição de classe alta.

Madame Claude, 69 anos, nome verdadeiro Fernande Grudet,

ligeiramente aborrecida com o seu sucesso na media.

"Porque não há motivo para se ficar irritado!", exclama Madame Claude.

A Madame Claude restabeleceu uma rede de 20 meninas?

"Uma rede muito pequena com cinco clientes habituais."

Recrutamento?

"Não me faltavam candidatas."

E os preços?

"À tarde, 5.000 por hora. À noite, 10.000 francos."

Olá, ligou para a Claude. Por favor, deixe mensagem.

Estou?

Eu…

Só te queria dizer que…

… foste uma das pessoas importantes da minha vida.

Foi por tua causa que consegui apresentar queixa.

Ele foi condenado.

Uma sentença de merda, mas enfim...

Segundo o magistrado, as meninas foram exploradas,

e Fernande Grudet fez muito dinheiro na vida

para falir, agora, como ela diz.

Claude, também te queria dizer que…

… te amava como nunca amei ninguém.

Só fui embora porque…

Tive de ir antes que me magoasses

como magoaste outras, como te magoaste a ti…

Pensa no teu bode.

O advogado de defesa, Sr. Szpiner, pediu clemência no julgamento

para esta velha indigna.

Madame Claude deixou o tribunal chocada com a dura condenação.

Três anos de prisão, dos quais seis meses já foram cumpridos em preventiva,

e uma multa de 1 milhão de francos.

Talvez vá roubar um milhão de francos para dar ao tribunal.

Não tenho o dinheiro.

É um dilema moral.

Até amanhã.

Não devia queixar-me. Vivo bem.

Solidão?

Nunca tive medo disso.

Morte?

Veremos amanhã.

MADAME CLAUDE MORREU A 15 DE DEZEMBRO DE 2015 EM NICE.

Legendas: Ema Nunes

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