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Original subtitles

Desgraçado!

Já te mostrei aquela estatueta?

NO EPISÓDIO ANTERIOR

Veja só que câmera linda.

Andou me filmando?

De agora em diante, você vai fazer contraespionagem.

Você tem muito…

muito…

mas muito mau hálito, Sr. Schuster.

Somos do Programa de Vítimas de Violência Doméstica.

- Quero ele morto. - Fechado.

Eliseo!

MAFIOSO - TRAPACEIRO ELISEO É UM PUTO

Basurto, escuta, você é um filho da puta!

Basurto, escuta, você é um filho da puta!

SINDICATO DE ZELADORES DA ARGENTINA

Companheiros.

- Ladrão! - Filho da puta!

Gostaria de um minuto de atenção. Quero agradecer a todos

por virem aqui dizer a esse lixo que está nos olhando

que o jogo dele acabou.

Filho da puta!

- Basurto, seu filho da puta! - Companheiros.

Temos que entender

que nosso país está nesta situação

por causa de traidores como o Eliseo Basurto

e suas práticas predatórias.

- Mas ele não vai mexer com a gente! - Não!

Trapaceiro! Ladrão de merda!

Puto do caralho! Covarde!

- Desgraçado! - Assim, não.

Voltem aqui, companheiros. Não vamos fazer o que ele quer.

- Por favor. - Como são primatas!

É uma honra passar a palavra

ao representante legal do nosso sindicato.

Aplausos, por favor, para o Dr. Matías Zambrano!

Concordo com cada palavra que nosso companheiro Gómez disse.

Ele foi o primeiro a perceber que nossos colegas estavam em perigo.

Uma salva de palmas ao Gómez.

Vou acabar com você, Zambrano.

Vou acabar com você.

Agora vou ler para vocês uma lista de exigências

que elaboramos com o sindicato para apresentar ao Sr. Basurto.

"Incluindo, mas não limitado, a recontratação dos colegas demitidos."

- Isso! - É!

"A dissolução da empresa Basurto Soluções Integradas S.A.

e o leilão de seus ativos."

Ótimo!

Isso, pelo menos, aliviará a dor causada por aquele imundo, aproveitador

e filho da puta chamado Basurto.

Basurto, maldito, não passa de um bandido!

Basurto…

MEU QUERIDO ZELADOR 3

Descobriu alguma coisa?

Sim, o Gómez disse que vão invadir o escritório.

Mas não se preocupe, o Gabriel mandou uma mensagem no grupo da empresa

chamando os rapazes pra ajudarem e mostrarem apoio.

- O Gabriel fez isso? - Fez.

Esse é meu garoto! Ótimo!

Você precisa subir e destruir tudo o que encontrar.

Contratos, orçamentos, fatura, tudo.

- Tudo que possa nos comprometer. - Certo.

- Vá. Espere! - O quê?

- Tire essa porcaria. - Sim.

Vá!

Estamos em pleno bairro de Belgrano, onde a situação é tensa.

Como podem ver, as imagens de violência são um lembrete dos protestos…

Não passará!

Os funcionários do Basurto vieram em sua defesa

e formaram uma barreira humana.

- Simbolicamente, estão abraçando a sede. - Não passará!

Vá se foder, Eliseo!

- Gabriel. - O quê?

Pegue a chave. Só quem mora aqui entra, ninguém mais.

Pode contar comigo, capitão.

- E muito obrigado por tudo, Gabriel. - É um prazer.

Não passará!

Quem é você, Jesus de Nazaré? Some daqui!

ZELADOR BSI

- Como está aí? - Ótimo, mas é muita coisa.

- E nossa gulosinha? - Leve-a à lavanderia.

- Esconda dentro da máquina de lavar. - Tá bom.

Depressa!

Não passará!

LIXO

Não me toque! Sem tocar!

Eu não te toco, e você não me toca!

Basurto, seu filho da puta!

Aguente firme!

Não me toque! Eu não estou te tocando! Tenha mais respeito, careca!

Mais respeito! Vá se foder, careca!

Exijo respeito, filho da puta!

Pois não?

Pode explicar o que está acontecendo?

Também estou surpreso, Renato. Não sei o que é isso.

Como vou sair com meus filhos?

Acho que é perigoso. Eles parecem violentos.

Você resolve isso, estão aqui por sua causa.

De maneira alguma.

É claramente uma vingança pessoal daquele rancoroso Dr. Zambrano, de novo.

Vocês sabem perfeitamente bem por que Zambrano saiu do prédio.

Não tem nada a ver com minha empresa.

Você anda se esquecendo da sua função ultimamente, Eliseo.

Só sabe pensar na sua empresa, e não no seu trabalho.

Meu sindicato tem um bom relacionamento com o dos zeladores.

Posso fazer uma ligação e pedir um favor.

Mas não por você.

Só quero que esta bagunça acabe.

Não será necessário, de jeito nenhum.

Por favor, não desperdice sua influência política.

Eu cuido disso.

Vou descer e resolver tudo. Boa tarde.

Pare.

Pessoal, deixem eles passarem.

- Com licença. - Está nos expulsando.

Deixe a polícia passar. Fique aqui.

Pra lá, pessoal. Isso.

- Como vai? - Bem.

Posso passar? Com licença. Tirem eles da frente, por favor.

Com licença, por favor.

Pessoal!

Senhor, afaste-se, por favor.

Afaste-se, senhor! Temos um mandado de busca!

É um protesto pacífico. Por favor, saiam.

Ouça, senhor…

"Senhor" uma ova! Por que atrapalha gente decente?

Vá atrás de assaltantes, criminosos. Não encha nosso saco.

Serei obrigado a te prender por interferir num procedimento judicial.

Peço que abra essa porta, por favor.

Abra.

- O que está fazendo? Pare! - Com licença, por favor.

- Com licença! - Espere! Solte ele!

Toque a campainha.

Eliseo Omar Basurto?

- Sim. Quem é você? - Sou o Dr. Rodrigo Salonia.

Tenho um mandado pra revistar o escritório da Basurto Soluções Integradas.

- Claro, podem entrar. - Vamos. Com licença.

Desculpem a bagunça, estamos redecorando.

Ramírez, marque esta caixa e leve à viatura.

Sim, senhor.

Vou verificar tudo e pedir pra ele assinar.

Leve tudo isso como prova.

Espere um pouco.

Deixe a planta que é minha. Pode levar o resto.

Miguel, por favor.

- Leve a planta à cozinha com cuidado. - Tá.

- O que vem a ser tudo isto? - Um passatempo.

Sou entusiasta de cartografia e modelagem.

Documente tudo isto, por favor.

Mas tenha muito cuidado.

Aqui está.

O que é isso?

Uma intimação do Honorável Congresso da Nação.

"Solicitamos que o Sr. Basurto

compareça perante a comissão bicameral

que investiga crimes contra o Estado Nacional

devido a repetidas violações contra a Lei do Contrato de Trabalho,

incorrendo em violência no trabalho

e formação de sindicato paralelo…"

Recomendo que procure aconselhamento legal.

Não precisa. Não confio em advogados.

Eu me viro sozinho.

Vamos conversar agora com alguém que muitos de vocês já devem conhecer.

O Dr. Gaspar Schuster, que por acaso conhece Eliseo Basurto e…

Não apenas o conheço, mas também devo muito a ele.

Ele me ajudou a abrir os olhos para uma realidade que eu não conhecia.

Precisamos de pessoas corajosas que nos ajudem a ver o que está na cara.

- O que pode dizer… - Esse é o tema do meu livro,

O Cérebro Insaciável.

O que pode nos dizer a respeito do Basurto?

Nada. Ele é um homem decente.

Um senhor honesto, trabalhador, gentil. Um doce de pessoa, um homem cativante.

Não tenho nada de ruim a dizer.

Tudo isso que está acontecendo, para mim, é uma vergonha.

Eu queria que este país tivesse mais trabalhadores como o Eliseo

e menos pessoas como esses bandidos que vivem do trabalho dos outros.

Aguente firme, Eliseo!

Muito obrigada.

Com licença, pode me dar um autógrafo?

- Claro. - Obrigada.

"Martucha."

Carranza, esfregue bem. Esqueceu uma parte.

Sim, Eliseo.

MAFIOSO

PROTESTO CONTRA AS AÇÕES DE ELISEO BASURTO

Basurto, por favor, um segundo.

Basurto, está com medo de comparecer ao Congresso?

Não há motivo. A verdade está do meu lado.

O Código Penal diz que você pode pegar nove anos por esses crimes.

O senhor tem advogado?

Não tenho e nem quero. Faço tudo sozinho.

O que acha do processo?

Um total disparate. Sem mais comentários. Com licença.

Basurto, por favor, um segundo.

Quando criou sua empresa, a Basurto Soluções Integradas S.A.,

o senhor estava ciente do regime penal tributário argentino?

CHEGA DE ABUSOS CONTRA OS TRABALHADORES

Com certeza. Conheço e respeito as leis do meu país à risca.

E não acha que exigir que seus funcionários lhe mandem a nota

esconde o fato de serem funcionários registrados?

De jeito nenhum.

E permita-me corrigi-la, senadora Capotorto.

Não são funcionários.

São autônomos, trabalhadores independentes.

Só ofereço um serviço

de recrutamento, representação e capacitação. Só isso.

- Não tem nem vergonha! - Não acredito nisso!

- Cara de pau! - Que pouca vergonha!

Silêncio, por favor!

Gostaria de fazer uma pergunta

aos membros desta comissão, com todo o respeito.

O Artigo 1067 do Código Penal

diz que não há infração punível se não houver dano.

Então vejamos.

Quem prejudiquei com minha empresa?

A associação de moradores? Não.

Estão recebendo um serviço excelente por um preço menor.

Os zeladores? Muito menos.

Estão recebendo mais pelo trabalho, além de outros benefícios.

- Bravo! - Silêncio.

- Bravo! - Ordem, por favor.

Também não estou prejudicando o Estado Nacional,

porque contribuo com ofertas de emprego.

Por favor, senadora e comissão. Quem estou prejudicando? O sindicato?

O mesmo sindicato que fez uma cena violenta estilo máfia

na frente da minha casa, onde crianças e idosos moram,

colocando em risco o trabalho de mais de uma dúzia de pessoas?

Isso não está certo, senadora.

- Qual é! - Veja só.

Este é meu cartão do sindicato.

Fui membro durante três décadas.

Não mais.

A partir de agora, apresento minha renúncia irrevogável

e deixo de ser representado pelo sindicato.

- Desgraçado! - Bravo!

Silêncio, por favor!

- Cale a boca, seu palhaço! - Silêncio!

- Cale a boca, seu palhaço! - Silêncio, por favor!

Assim como me recuso a ser representado pelo sindicato,

meus colegas fizeram o mesmo.

Não obriguei ninguém a isso.

Só ofereci uma opção melhor, e eles tiveram a liberdade de escolher.

- Seu rato imundo! - Bravo!

- Bravo, Eliseo! Belas palavras! - Não!

Diga o que você faz com aqueles que não quiseram renunciar, como eu.

Por favor, silêncio.

- Filho da puta! - Pare. Isso não resolve nada.

- Não sabe com quem está mexendo! - Não vai adiantar!

- Saia daqui! - Ordem!

- Ordem, por favor! - Vá embora!

Silêncio, por favor!

- Tá, já chega. - Você ficou fofo.

Não, fiquei horrível.

- Não! - Horrível, não gostei.

- Perdão, Eliseo. - Não.

- Me desculpe. - Está tudo bem.

Muito obrigado por ficar no meu lugar, Miguel.

Já sabe o que estão dizendo de você?

Quem?

Estão dizendo pra todo lado, televisão, rádio, internet.

Há discussões, debates e pesquisas sobre quem as pessoas apoiam,

você ou o sindicato.

O que as pesquisas dizem?

Está bem dividido, mas muita gente está torcendo por você.

Muitos dizem que queriam ter um Eliseo no prédio deles,

e alguns até disseram que é de um cara como você

que nosso país precisa para seguir em frente.

Sim, mas tem muita gente dizendo coisas horríveis.

Que você é sombrio e assustador, e não deixariam a chave na sua mão.

Chega, querida. Tudo bem. Ele já entendeu.

Por que não vão tomar um sorvete? Está um dia lindo. Podem ir.

- Você está bem? - Sim, estou bem. Obrigado.

Agradeço de verdade.

- Está bem. - Está bem.

- Vão. - Tchau, Eliseo.

- Obrigado. - Até mais. Tchau.

Vai ficar tudo bem.

Não precisa se preocupar com nada, meu bebê.

Sim!

Tudo vai ficar bem. Você vai ver.

E se, por acaso,

as coisas ficarem complicadas

e o papai tiver que se ausentar por um tempo,

o Miguel vai cuidar de você.

Sim.

Agora o papai tem que ir. Não me olhe assim.

Tudo bem?

O papai não vai deixar os homens maus fazerem nada com você.

Só uma pergunta, Dr. Zambrano.

- Só um minuto. - Não.

Qual é a sua opinião, já que é representante do sindicato de porteiros?

Primeiramente, sou o representante legal do sindicato de zeladores.

Para que as pessoas em casa entendam,

estamos confiantes de que o bom senso e a justiça prevalecerão.

Isso estabelecerá um bom precedente, principalmente pra malandros como Basurto,

que já deviam saber que a Argentina não pertence aos espertinhos.

Mas há muitas pessoas que o apoiam. Cidadãos comuns o veem como exemplo.

Essas pessoas dizem besteira porque opinar não custa nada.

Mas já chega. Hoje será o fim do Eliseo.

- Obrigado. - Obrigado.

- Muito obrigada. - Muito bem.

Acabamos de ouvir a opinião oficial do sindicato.

Vamos continuar transmitindo ao vivo

enquanto esperamos a decisão final da comissão a respeito de Eliseo Basurto,

que pode pegar até nove anos de prisão.

- Aqui está. - Obrigado.

- Com licença, senhor. - Sim.

Houve um pequeno atraso. Vou pedir que me acompanhe.

Estão te esperando no escritório da senadora Capotorto.

- Por aqui, por favor. - Claro.

Por favor, entre, Eliseo.

Venha aqui.

Sente-se.

Muito bem.

Basurto, é o seguinte.

A comissão chegou à conclusão de que deveria ser condenado.

Mas temos um pequeno problema.

Dr. Zambrano, por favor.

Bem, o Sr. Valdivieso, tesoureiro do sindicato,

acabou de me entregar uma mensagem

vinda do secretário-geral.

Parece que estão dispostos a negociar entre as partes

em um acordo privado e estritamente extraoficial.

Não entendi. Que tipo de acordo?

Um acordo de cavalheiros.

Aparentemente,

muitos zeladores de todo o país…

Não posso confirmar, por isso digo "aparentemente".

Parece que estão pedindo a desfiliação com o sindicato

para se juntar à sua empresa.

Temos que impedir essa saída em massa, porque, nesse ritmo,

o sindicato perderia metade dos membros em menos de um ano.

Nós, do corpo legislativo, somos obrigados a construir pontes

para proteger e cuidar da credibilidade das instituições.

Entendo perfeitamente. Mas no que consiste o acordo?

Unindo nossas mentes e boa vontade,

concluímos que seria melhor delimitar um tipo de campo de caça,

uma área exclusiva,

onde a Basurto Soluções Integradas possa operar livremente, sem restrições.

Uma espécie de zona de livre comércio.

Entende o que estamos dizendo, certo?

Pensamos que o mais justo seria

delimitar a área entre Cabildo, Libertador, Juramento

e a Rua Olleros.

Fora dessa área,

nada.

Em troca de quê?

Todas as acusações contra você serão retiradas.

Quero deixar claro que, pessoalmente, sou contra esse acordo de merda.

Para mim,

deveríamos continuar e acabar com sua raça.

Por favor, acalme-se.

Estou muito calmo.

E então, Eliseo?

Negócio fechado?

Levando em conta tudo que foi expresso nos considerandos anteriores

e nas audiências ut supra, a comissão decide…

absolver Eliseo Omar Basurto.

- Bravo! - Silêncio.

- Como isso é possível? - Silêncio.

- Devem estar malucos! - Silêncio, por favor!

Ordem!

Sessão encerrada.

Seu lixo!

Se safou dessa, hein, desgraçado.

Que dia longo, né?

Mas isso não acaba aqui.

Não está cansado, doutor?

Filho da puta!

O que vai fazer agora? Vai pra casa?

Seu merda!

Quer dividir um táxi?

Desgraçado do caralho!

Mande lembranças ao Ulises e um abraço à Srta. Beijinho.

- Basurto, por favor. - Não.

Obrigado por virem, mas não farei comentários.

Não vamos desistir.

Temos material de sobra pra derrubá-lo.

- Esqueça. Que material? - Provas.

São mais de 30 anos de golpes bem documentados.

Então sugiro que enfie isso no rabo.

Ele é intocável, à prova de balas. Aquele gato maldito tem sete vidas.

Sem comentários.

- O que acha… - Sem comentários.

Não vou falar nada.

Olá.

Eliseo?

Este lugar está impecável.

Não entendi.

Bem-vindo à central de atendimento e sede

da Basurto Soluções Integradas.

Podia ter me avisado. Eu te ajudaria.

- Isto é para você. - O que é?

Coco Sagasti,

o zelador do Arismendi e Virrey de Arredondo se aposentou.

A associação contratou nossa empresa,

e eu acho que você é a pessoa perfeita para substituí-lo.

Eu vou ser zelador?

Já estava na hora, Miguel.

Você tem todas as qualificações pra assumir essa função.

Além disso, percebi que não é muito bom no trabalho de escritório.

Números não são seu forte.

Não acredito, Eliseo! Muito obrigado!

Juro que não vou te decepcionar.

Mas e o escritório?

Vai contratar alguém pra me substituir?

Já contratei. Ela está na cozinha preparando chá.

Que rápido! Quem você contratou?

O Miguel chegou!

Bom dia!

- Aqui está. - Obrigado.

- Olá, querido. - Olá. Você não me disse nada.

Eliseo me fez assinar um acordo de confidencialidade.

Agradeço muito esta oportunidade.

Não precisa me agradecer.

Além disso, não gosto de estranhos entrando no meu apartamento.

E você já conhecia o lugar,

porque lembro que seu querido deixou você entrar escondido, né?

Então me pareceu a opção mais adequada.

Zelador.

Até que enfim.

- Posso te dar um abraço? - Melhor não.

Não gosto de contato físico, nem comigo nem entre vocês, por favor.

Deus me livre, no dia do pagamento,

vocês usarem este local sagrado para fins libidinosos.

Respeite o uniforme, Miguel, por favor.

Sim.

Parabéns.

Não. Pode ir embora, por favor. Não estou a fim.

Pare com isso, Gómez. Já acabou, esqueça.

Você aprendeu a lição.

Quis comer a comida do leão, mas isso não se faz.

Cada um tem seu próprio prato.

Você já tem o seu,

não deveria ficar de olho na comida dos outros.

Não vai me convencer a trabalhar para você.

Prefiro ir a Tucumán e colher cana-de-açúcar debaixo do sol

- do que ser seu empregado. - Está bem.

Por mim, tudo bem.

Desde que não se meta comigo, não vou me meter com você.

Mas você precisa se concentrar na sua comida.

Entendeu? Como se usasse antolhos, igual aos cavalos. Sem olhar pro lado.

Só pra frente.

Quando terminar de comer,

espere seu vizinho terminar também

e tudo ficará bem.

Mas precisa valorizar meu gesto

de deixá-lo manter seu emprego.

Foi como uma homenagem aos nossos anos de amizade.

Amizade, não, mas vizinhança.

Você é tão filho da puta que não consigo mentir pra você.

Não vou dizer que te adoro, mas tenho um pequeno apreço.

Uma coisa mínima, imperceptível.

Mas o apreço existe.

É inegável.

É mútuo.

Chegamos.

- Como está elegante! - Boa noite, família.

- Boa noite, Eliseo. - Como estão?

- Tudo bem? - Como vai o Faustino, aquele fofo?

Ele deve estar enorme. Já encontrou uma creche?

Sim, a Kinder Growland. É uma escola bilíngue.

- Fantástico. - Pois é.

O inglês é muito importante.

Sim, e ele aprende muito rápido. Escuta e repete tudo.

- É importante. - Amor, desculpe.

Pode subir na frente? Quero falar uma coisa com o Eliseo.

- Claro. - Ótimo.

- Boa noite, Eliseo. - Boa noite, senhora. Bom descanso.

- Algum problema, deputado? - Não.

Só queria te dizer que uma pessoa muito importante

viu você nas audiências e queria te conhecer.

É mesmo?

Quem é?

Você se safou, seu rato de merda!

Só que, mais cedo ou mais tarde, vão acabar com você.

Por favor, não comece, Bebita.

Porque os ratos oportunistas sempre têm o que merecem.

Bem, já acabou. Vou pedir, Beba, do fundo do meu coração,

que você não me persiga mais. Não quero mais ouvir sua voz. Adeus.

- Mas Eliseo… - Já chega, Beba.

Chega. Quero manter a lembrança da Beba boa, aquela que eu amava.

Não gosto da Beba má. Portanto, tchau, Bebita.

Some daqui! Desaparece, cacete!

Anda logo!

Bom dia, Sr. Basurto.

Bem-vindo. Por aqui, por favor.

Sr. Basurto, o presidente vai recebê-lo agora.

O presidente não tem relógio?

A reunião estava marcada para as 11h.

São 11h07.

Porque 11h são 11h.

Os horários devem ser respeitados aqui e em qualquer parte do mundo.

Peço desculpas.

- Siga-me, por favor. - Claro.

Por aqui.

MEU QUERIDO ZELADOR 3

Querem tentar de novo enquanto eu aponto os erros?

- Será que ajuda? - Ajuda, sim.

Ótimo. Ligue a música.

Vamos ver se está gravando.

Sim, está gravando.

Pronto. Vamos lá.

Muito bem. Mais sincronia.

Mais sincronia.

Isso! Ótimo.

Isso!

Vamos ver agora. A cortadinha. Isso!

Vamos ver.

Não, parem. Do começo.

Muito bem, meninas. Meu Deus!

Prestem atenção. Você dê um passo à minha esquerda.

Um pouco mais. Isso.

Concentrem-se, pelo amor de Deus. Vamos do começo. Agora!

Mexam esses quadris. Isso!

É isso aí!

Ótimo!

Agora façam a egípcia. Mãos pra cima. Muito bem.

Isso!

Olhem uma pra outra. Vamos lá.

Quero as duas mais conectadas. Vamos.

Vocês não estão ouvindo.

Não.

Não, foi tipo…

Vocês estão fazendo estranho. Não é…

Cada uma se mexe de um lado.

Coloque a música de novo. Vamos começar juntos. Devagar.

Concentrem-se e conectem-se.

Pronto. Vamos lá.

Devagar. Me observem.

Jesus amado!

Não está ficando bom. Corta!

Legenda: João Felipe da Costa

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