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[Alex] Sabe o quê, Eunice?
[Eunice] Eu sempre desconfiei do senhor com a filha da tua mulher.
[Eunice] Eu percebi os olhares.
Era olhar de homem pro corpo de uma mulher.
E ela pro senhor, atraída.
[Eunice] Hoje eu tive certeza. O senhor não estava no seu quarto.
Estava no quarto da Angel, que não quis abrir a porta pra eu entrar.
[ri baixo]
Olha, eu não te devo nenhum tipo de satisfação.
Mas pro teu governo, eu estava no meu escritório.
Eu ouvi. Eu escutei atrás da porta.
Ouvi o senhor dizendo que amava ela.
[Eunice] Vai negar?
[Alex] Com certeza, se você veio até aqui, é porque tinha alguma coisa em mente.
[Eunice] Senhor, essa informação tem muito valor. [Alex] Uhum...
[Alex] Me dá teu preço.
[Eunice] O bastante pra eu comprar uma casa no interior.
Uma casinha. Não precisa ser um palácio.
[Eunice] Eu quero voltar pra cidade dos meus pais.
Recomeçar minha vida.
Quem sabe, ter meu próprio restaurante.
É mais do que suficiente.
Eu podia dizer que é pouco.
O senhor sabe que tá na minha mão.
[Eunice] Mas é o suficiente, sim.
[Eunice] Eu vi que o senhor entendeu bem a nossa situação.
[Alex] Pra dar baixa na carteira, você fala com a minha secretária. Ela cuida de todos os pagamentos.
Sim, senhor.
[Alex] Agora, tem uma condição.
[Alex] Ou então, vou sustar esse cheque.
Diga.
Você vai embora imediatamente. Agora.
Vai fazer tua mala e vai.
Eu não quero que você encontre com a minha mulher.
[Alex] Se ela chegar por essa porta, você vai fingir que não tá.
Vou dizer que foi embora ajudar tua irmã. Sai pelo elevador de serviço.
Não tenho irmã.
[Alex] O que importa se você tem ou não tem irmã?
Eu quero que você vá embora agora.
Não encontre com a minha mulher.
Que saber?
Eu vou embora com prazer. Eu sempre odiei trabalhar aqui.
É?
Eu pensei que gostasse.
Cê se acha o máximo, né?
[Eunice] Vocês ricos se acham um máximo!
Bons patrões.
Agora, Dona Carolina não.
Ela, sim, é uma boa pessoa.
E não merece o que tá fazendo com ela, nem a filha que tem.
Você não toca no nome da Angel!
O senhor me fez de escrava.
Me fazia trabalhar aqui dia e noite. A hora que quisesse.
Você recebeu suas horas extras.
E as horas que eu perdi da minha vida?
Eu perdi meu namorado. Eu não tinha como encontrar meu namorado.
[ri alto]
[Eunice] Eu tinha que estar aqui, limpando a sua sujeira.
E ganhando muito menos do que o senhor gasta em uma noite...
...com uma puta.
Acho que eu já ouvi demais.
Pois eu não falei nem metade do que eu queria ter falado.
E não vai dizer, porque já tem dinheiro suficiente pra ir embora daqui.
E tem mais uma coisa...
Se você voltar...
Se pedir mais dinheiro...
...Se você abrir a boca...
Eu mando matar você.
[Alex] Entendeu?
O senhor não vai me ver nunca mais.
Que bom.
Adeus. [Alex] Adeus.
[Alex] Domício! Domício.
[Domício] Desculpa, Doutor Alex. Eu estava lá dentro vendo televisão.
[Domício] O senhor precisa de alguma coisa? [Alex] Não.
[Alex] Só gostaria de te informar que a partir de agora,
[Alex] não preciso mais dos seus serviços. Você está dispensado.
[Alex] Gostaria também que você fizesse suas malas e fosse embora.
Doutor Alex, não precisa me demitir. Eu sou um homem discreto.
Nunca comentei as coisas estranhas que acontecem aqui, nem vou comentar.
[Alex] Coisas estranhas?...
[Alex] Coisas estranhas, Domício...
[Alex] Quer dizer que você é um desses funcionários que vigiam a vida do patrão, é isso?
[Domício] Eu não tenho outra vida, Doutor Alex. Eu trabalho aqui. Eu durmo aqui.
[Domício] É impossível não perceber certas coisas que só acontecem aqui.
[Domício] Só sua mulher que não vê.
Nem mais uma palavra.
[Domício] Doutor Alex... por favor, me deixa trabalhar aqui...
[Alex] Aqui tem um cheque.
Você vai ligar pra minha secretária pra atualizar sua carteira profissional.
É um bônus.
Depois de tanto tempo... Eu não quero ir embora.
Ou você faz suas malas agora...
...ou você perde esse bônus.
[Alex] Domício.
[Alex] Boa sorte.
Eu não posso desejar o mesmo.
[Domício] Doutor Alex...
O senhor é um grande filho da puta.
[Alex] Um bando de cachorro, que morde a mão que dá o osso.
[Alex] Anos morando aqui na minha casa, pra quê?
[Alex] Pra ficar me olhando pelas costas, com inveja.
[Angel] E se eles falarem alguma coisa?
[Alex] Eu exigi que eles fossem embora imediatamente, ou eu sustava aqueles cheques.
[Angel] E agora?
[Alex] Agora a melhor coisa é ficar aqui sem ninguém.
[Alex] Pelo menos sem ninguém pra ficar observando a gente.
[Angel] Num apartamento desse tamanho?
[Alex] É. Num apartamento desse tamanho.
[Alex] Olha só...
[Alex] Deixa eu falar com a tua mãe.
[Alex] Cê sabe. Se eu falar com jeitinho, ela faz o que eu quiser.
[Alex] Sem copeira, sem cozinheira, sem mordomo.
[Alex] Quando sua mãe sair daqui... pra fazer qualquer coisa...
[Alex] ...Esse apartamento é nosso.
[♪ música reflexiva ♪]
♪♪♪
[Larissa ri sem graça] Sou eu, Larissa.
[homem] Eu já disse. Cê tá fedida. [Larissa] Eei...
[homem] Há quanto tempo cê não toma um banho?
[Larissa] Que importa, cara? Eu tomo um banho... [homem] Dias? Semanas?
[Larissa] Quer que eu tome um banho? Eu tomo. Fico gostosinha pra você.
[homem] Cê tá horrível! Cê tá se drogando, né? Tá na tua cara.
[homem] Larissa, acabou. Vai embora.
[homem] Larissa! Deu. Chega.
[Larissa] Cê tá me mandando embora?
[homem] Perdi o tesão, Larissa. [Larissa] Cadê o meu?
[homem] Teu o quê? [Larissa] Cadê o meu?
[homem] Teu o quê, garota?
[Larissa] Eu vim aqui, te dei preferência. Quero o meu.
[homem] Teu o quê, garota!?
Eu te dei preferência. Tinha outro cliente, mas vim pra cá.
[homem] O que cê quer!? [Larissa] Quero meu dinheiro! Minha grana!
Entendeu!? Meu dinheiro.
Eu vim aqui. Cumpre sua parte no trato, que eu cumpri a minha.
[homem] Cê acha que eu vou pagar uma puta fedida?
[Larissa] Me respeita. Me respeita!
[homem] Você não se dá o respeito. Quer que eu te respeite como?
[homem] Maluca.
[homem grita] Que é isso? Tá maluca!?
[homem] Larissa!
[homem] Larissa, calma. [Larissa] Eu vou quebrar tudo aqui.
Cê vai ver o prejuízo que eu vou te dar.
[homem] C-calma, calma. Larissa, calma!
Meu dinheiro! Meu dinheiro.
[homem] Teu dinheiro, tá bom, calma. Vou te dar seu dinheiro.
[homem] Vou te dar seu dinheiro. Calma.
[homem] Tá aqui.
Meu dinheiro! Cadê meu dinheiro!
[homem] Calma! Calma, Larissa. Tá aqui.
[homem] Tá aqui seu dinheiro.
[homem] Pronto.
[Larissa] Aí, ó.
[Larissa] O prejuízo. Não precisava nada disso.
[Larissa] Era só dar meu dinheiro. Não precisava.
[♪ música reflexiva ♪]
♪♪♪
[recepcionista] Foi tudo bem? [Larissa] Foi.
[recepcionista] Foi tão rápido.
Ele broxou.
[♪ música melancólica de orquestra ♪]
♪♪♪
♪♪♪ [Larissa chora alto]
♪♪♪
[Lourdeca] Não sabia que cê cozinhava tão bem.
[Visky] Eu sou prendada. [Lourdeca] Hum...
[Visky] Quer um queijinho? [Lourdeca] Um pouquinho.
Queijinho ralado pra você...
[Visky] Queijinho ralado pra mim.
Você precisa ver a minha carne assada.
[ambos] Humm....
[Visky] E o franguinho com limão...
É de babar!
Mas ó, só faço comida especial pra bofe.
É estratégia.
Vai, vai falando. Já-já encontra outro pra te dar porrada.
[Visky] Baleia, eu sequer dei um oi praquele bofe.
Eu nem sei de onde ele tirou que dei em cima dele.
Ai, sujo!
[Lourdeca] Por baixo de toda aquela sujeira tem um tipo.
Ele foi modelo, não foi?
[Visky] Só se foi em outra vida. Ele tá metido em droga.
Junto com a Larissa.
E aquela lá, coitada, já se afundou.
Se você não deu nem uma piscada pra ele, por que ele te deu porrada?
Aquilo é bofe. E bofe tem preconceito contra gay.
E basta eu abrir a boca que já sabem que eu sou gay.
[ri] Não precisa abrir a boca. Basta essa virada de mão.
[Lourdeca] Estava incrível.
Que seja, serpente venenosa! Que seja.
[Visky] O caso é que quando um bofe vê um gay, já acha que o gay tá afim.
[Visky] Estufa o peito e diz "qual foi, bicha? O que tá pegando? Tá me estranhando?"
[Visky] Depois parte pra porrada. Ele me bateu por preconceito.
Eu nunca pensei que fosse tão difícil ser gay.
[Visky] Às vezes dá vontade de chorar, Lourdeca.
[Visky] Tem cara que nem quer saber se a gente tem sentimento, se tem coração...
[Visky] Abre o zíper da calça e diz "chupa aí".
[Lourdeca] Cê deve estar precisando de carinho, né, Visky?
[Visky] Nem meu pai me dava carinho, Lourdeca.
[Lourdeca] Gorda também não ganha carinho.
[Lourdeca] Todo mundo acha que gorda nasceu pra ser melhor amiga.
[Lourdeca] Nunca o amor da vida.
[Visky] Ai, o que cê tá fazendo, baleia?
[Lourdeca] Cafuné. Só cafuné.
[Lourdeca] É meu jeito de demonstrar carinho.
[Visky] Ai...
[Visky] E você só vai fazer cafuné? Tarada...
[Lourdeca] É. Não vou fazer nada que você não queira.
[Lourdeca] A menos que...
[Visky] Ai, Lourdeca, me dá esse carinho. Me dá.
[Visky] Depois de uma porrada injusta como a que eu levei hoje...
[Visky] ...Tudo que eu quero é o seu carinho.
[Visky] Eu acho que você também precisa do meu.
[Um Sonho - Nação Zumbi toca ao fundo]
♪♪♪
[Pati] Cê me busca depois? Janta lá em casa!
[Gui] Eu não...
[Gui] Depois que seus pais se converteram, eles estão muito na moral.
[Gui] Capaz de até tentarem me converter.
[Pati] Ai... tá difícil pra mim.
[Pati] Eu sempre fui tão acostumada com liberdade e agora eles implicam com tudo.
[Pati] Se bem que cê é primo da Gi. Eles têm confiança.
[Gui] Mas é que tá cedo, ainda.
[Pati] Cê não tá querendo me assumir?
[Gui] Tô...
[Gui] A gente tá se dando bem, sempre fomos amigos...
[Gui] Mas Pati...
[Gui] Eu ainda tô curando as feridas.
[Pati] Tudo bem.
[Pati] Eu espero você esquecer a Angel.
[♪ A Letter to Elise - The Cure ♪]
♪♪♪
[Pati] Amanhã? [Gui] Tomorrow morning.
♪♪♪
[Bruno] Sabia que tô paradão em você?
É mesmo?
Também tô em você.
[Stephanie] Nunca pensei que seria tão legal.
[Bruno] E como você ia saber?
[Bruno] Não me conhecia.
[Bruno] Como ia criar alguma expectativa?
[Stephanie] É... é de quando a gente se encontrou na empresa do seu pai.
[Bruno] Entendi.
[Bruno] Cê voltou lá pra ver o estágio?
[Bruno] Não? [Stephanie] Uhm-uhm.
[Bruno] Quer que eu te dê uma força? [Stephanie] Não precisa.
[Bruno] Ué. Cê não quer ser estilista?
[Stephanie] É... Eu queria.
[Stephanie] É que eu tenho um desfile de um estilista francês pra fazer,
[Stephanie] e antes disso tenho outros desfiles, então eu tô bem ocupada.
[Stephanie] Mas tô ganhando uma grana também.
[Bruno] E aí você vai ficar assim sempre tãaao ocupada?
[Stephanie] Não.
[Stephanie] Eu vou arranjar um tempinho pra gente.
[Bruno] Cê jura? [Stephanie] Juro.
[Stephanie] Juro.
Eu tô apaixonado por você.
Sério?
Sério. [ri]
Eu sou um moleque na sua frente!
Não.
[Bruno] Cê tem vontade de dar risada.
Não. Cê é lindo.
♪♪♪
[Gui] Opa!
[Bruno] Foi mal, Gui.
[Bruno] A gente perdeu noção do tempo.
[Bruno] É... Stephanie, esse é meu primo, Gui.
[Stephanie] Oi, tudo bem?
Peraí, cê é modelo?
Sou.
[Gui] É, acho que te vi desfilando.
[Gui] Mó gata! Mandou bem.
[Bruno ri] Não enche o saco.
Obrigada. O elogio é sempre bom.
[Bruno] Eei, não vai ficar de olho nela também, não.
[Gui] Ô-ô-ô... Mulher de amigo meu... é homem!
[Gui ri]
[Bruno] Vamos, vou te levar pro táxi.
Sobe de novo pra gente bater um papo.
[Bruno] Tá. Já subo.
[Stephanie] Tchau, prazer.
♪♪♪
[Stephanie] Será que teu primo teve uma impressão boa de mim?
[Bruno] Ué, por que iria ter uma impressão ruim?
[Stephanie] Não sei. Ele me viu assim, desse jeito.
[Stephanie] Quem sabe o que ele vai pensar?
[Bruno] Só importa o que eu penso.
[Bruno] Eu amo você.
[Stephanie] Tenho que ir.
♪♪♪
[Gui ri alto]
Você é o melhor primo do mundo!
[Gui] É... Eu achando que cê estava pegando alguma gatinha da escola.
Cê aparece com aquele mulheraço!
É... Rolou!
[Gui] Esperou pra perder o cabaço, mas perdeu em grande estilo.
Ela é de programa?
Tá maluco?
Só pensa em coisa ruim.
Pra você, não existe nenhuma menina decente no mundo?
[Bruno] Ela é modelo. Quer ser estilista. [Gui] Hum.
Eu nunca fiquei tão amarradão em uma mina, sabia?
Até eu ficava, com esse corpão.
[ri] E o pior é que a gente se conheceu do nada!
Na empresa do meu pai. Ela tá afim de fazer um estágio.
Nem achei que ia rolar nada e a gente foi tomar um café.
Hum... Ela gosta de você, também?
Eu sinto que sim, sabia?
[Gui] Bru.
[Gui] Fala a verdade. Sou teu primo.
[Gui] Lance de grana não rolou mesmo? Ela nunca te pediu grana?
[Bruno] Cê vai perguntar de novo?
[Bruno] Cê sabe que eu nunca quis saber de garota de programa. Que saco!
[Bruno] Pra falar que não paguei nada, paguei um café. Na outra vez, foi ela que pagou.
[Gui] Táaa! Tá.
Cê tem o que aí? Açúcar? Mel?
Ela fala que eu sou lindo.
[Gui] Aaaah!
Eu não sei. A gente tá bobo um pelo outro, sabia?
Tô com inveja de você.
[Bruno] E você, ein?
[Bruno] Cê terminou com a Angel. Tá ficando com a Pati.
Não é a mesma coisa.
[Bruno] Cê ainda gosta da Angel, né?
Eu sou...
...apaixonado por ela.
Volta pra ela, então. Eu acho que ela também gosta de você.
[Gui] Não dá palpite.
Cê não sabe do lance todo, e nem vai saber.
Êee, tá bom.
[Bruno] Sai com essa energia, que hoje nada me deixa mal!
Mas...
É difícil.
Tão difícil ficar sem ela.
Arlete!
Alex?
Arlete?
[Alex] Oi, amor. [Carol] Oi.
[Carol] Desculpem, amores. Eu...
[Carol] A Darlene e o Joel apareceram de surpresa.
[Carol] Acabei jantando na casa da mamãe.
[Carol] Que é isso? Estão comendo comida chinesa?
[Alex] Cê não sabe a surpresa. [Carol] Que houve?
[Alex] Eu cheguei aqui mais cedo, porque sabia que cê ia chegar mais tarde,
[Alex] E não queria deixar a Angel sozinha.
[Alex] Aí... A Eunice...
[Alex] ...chega aqui, estava chorando...
...falando que queria ir embora...
...pediu demissão...
...porque a irmã ficou doente. Doença grave, de repente.
O cunhado tinha acabado de ligar pra pedir urgentemente que ela fosse pra lá,
ajudar com a família, com os sobrinhos... Enfim. Eu não podia segurar ela aqui.
Não...claro.
[Alex] Agora, cê não sabe o pior.
O Domício pediu pra sair também.
Ele também? [Alex] É.
[ri] Cê não vai acreditar.
Os dois estavam tendo um caso.
Não! [Alex] Sim.
Meu Deus...
[Carol] Eu nunca percebi!
[Alex] Eu já tinha desconfiança, mas...
Sabe quando você não quer acreditar, porque...
A ideia é tão absurda, eles são tão diferentes, mas enfim...
Pediu pra sair, saiu. Sabe como é pobre: vive em bando.
Para de falar mal de pobre, porque também venho de família pobre.
Bom, o fato é... que deixaram a gente na mão. Foi isso.
Ô mãe, eu comprei mais comida chinesa, se você quiser.
Tem pra você.
[Carol] Não, eu jantei.
[suspira] Ai...
[Carol] Meu Deus...
[Carol] Cê precisa visitar sua avó, filha. Ela está com saudades.
[Carol] Ela tá abatida. Tá magra!
[Angel] Prometo que eu vou, mãe.
[Angel] Também tô morrendo de saudade da vó, sabia?
[Carol] Mas... Porque vocês estão comendo nessa caixinha, ein, filha?
[Carol] Teu padrasto te trata tão bem.
[Carol] Cê devia pelo menos ter posto a mesa.
[Alex] Não, imagina. Pra mim tá ótimo assim.
[Alex] Eu só não sei como a gente vai ficar sem alguém pra ajudar.
[Alex] Eu sei que a Eunice tinha uma pessoa que vinha aqui uma vez por semana,
[Alex] pro trabalho mais pesado, mas...
[Carol] Ah, a Fátima! A Fátima é ótima.
[Carol] A gente pode chamar ela mais vezes.
[Alex] Sim, mas eu não tô acostumado a ficar sem alguém pra organizar tudo.
[Alex] Eu sei que você sempre foi dona de casa, mas poxa, é pedir demais.
[Carol] Bom...
[Carol] Na mão a gente não fica, porque eu tô aqui.
[Angel] Ô mãe...
[Angel] A gente podia dar um jeito, né?
[Angel] Enquanto a gente não arruma nenhuma empregada, nenhuma cozinheira.
[Carol] Olha, se quer saber, mais, viu?
[Carol] Porque sou mais como os americanos, os europeus.
[Carol] Em certos assuntos, pode parecer que sou caipira, mas não sou, viu?
[Carol] Acho até meio estranho ter alguém pra limpar a sujeira da gente.
[Alex] Isso é tipicamente americano.
[Carol] Isso é coisa de mundo civilizado!
[Carol] Onde as pessoas estudam e têm mais oportunidade.
Por isso que lá não tem empregada. Entendeu?
Não é igual aqui. Quando tem, ganha por hora.
Eu mesma, quando era casada com o pai da Arletinha, nunca tive empregada.
[Alex] Sim, mas agora você tem dinheiro.
Sim mas eu... gosto de arrumar a casa, gosto de cozinhar...
[Carol] Aprendi a fazer as receitinhas que você gosta...
[Alex] Mas eu não casei com você pra te transformar em uma empregada.
Mas eu nunca tive vocação pra ser dondoca.
[Angel] Minha mãe não gosta de ficar em casa sem fazer nada, mesmo.
Então pronto. Eu assumo a casa.
[Carol] Tá certo? Boto uma pessoa pra fazer o serviço pesado, mas cozinho.
Claro que não vai ser sempre que a gente vai gostar. Mas a gente vai se acertando.
Nosso quarto, eu arrumo.
A sua roupa, eu boto na lavanderia.
[Angel] E não gosto que ninguém mexa nas minhas coisas. Então eu arrumo meu quarto.
Pronto, e vamos lá.
[Carol] E o dia que tiver um jantar especial, a gente encomenda,
[Carol] como a gente sempre fez.
[Alex] Eu não sei o que seria de mim sem você.
E sem você também, Angel.
[Alex] Porque sei que você vai ajudar.
[Carol] Quer saber de uma coisa? Eu adorava o Domício e a Eunice,
[Carol] mas eu não aguentava, cercada de tanta etiqueta.
[Carol] Dona Carolina pra cá, Dona Carolina pra lá...
[Carol] Não gostava!
[Carol] Acho que vou ficar até com mais liberdade.
[Alex] Eu também...
[Alex] ...vou ficar... com mais...
[Alex] ...liberdade.
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
♪♪♪
♪ You are my angel ♪
♪♪♪
♪ Come from way above ♪
♪ To bring me love ♪
♪♪♪
♪ Love you, love you, love you, love you, love you, love you... ♪
♪♪♪
♪♪♪
[Roy] Quer dizer que o cara não queria pagar?
[Larissa] Dei uma dura nele. Fiz pagar à força.
[Roy] Quem esses caras pensam que são?
[Larissa] Fiquei maluca. O cara veio me tratar com falta de respeito, desprezo.
[Larissa] Logo ele que era louco por mim, ficava doido atrás de mim.
[Larissa] Aqui ó. Pega esse dinheiro e compra as pedras.
[Roy] Tá. Quentinha também?
[Larissa] É. Se der. Vem cá.
[Larissa] Vende isso aqui também. O celular.
[Roy] Cê vai ficar sem celular?
[Roy] E se pintar alguma coisa? Um cliente, um book rosa?
[Larissa] Eu saquei tudo, Roy.
[Larissa] É tudo executivo, perfumadinho... preconceituoso. Vê a gente e vai falando negócio de droga.
[Roy] Vontade de ir lá e dar umas porradas nele. [Larissa] Ficam se metendo na minha vida.
[Larissa] Não vai adiantar. Quer mulher de look careta.
[Roy] Eu não entendo. Pra mim cê é mó gata.
[Larissa] Cê também é mó gato pra mim. Não quer acabar com o book rosa?
[Larissa] Acaba com o book rosa. Vende isso aí. Tá tudo aí.
[Roy] E se o pessoal da agência te chamar? Pra mim, eles ainda vão vir te procurar de joelhos.
[Larissa] A Fanny vai vir. Ela vai vir pedir desculpa.
[Roy] E como ela vai te achar? [Larissa] Ela me acha!
[Larissa] O Sam não me achou? Minha mãe não me achou? Eles me acham.
[Larissa] Compra as pedras, Roy. [Roy] Tá.
[Roy] Espera aqui, que eu volto com as quentinhas. Tá certo?
[Roy] Depois, é pedra!
[♪ música dramática de orquestra ♪]
♪♪♪
[Larissa] Sinto uma loucura, uma coisa...
[Roy] Também.
[Larissa] Sinto nem vontade de trepar, só de ficar com você.
[Roy] É... Só de estar com você, tá bom.
[Roy] Essa é a loucura...
[Roy] É só a gente estar junto pra estar bem.
♪♪♪
[Giovanna] Peraí. Quero te mostrar uma coisa.
Cê pediu... Tá aqui.
[Anthony] Teu passaporte?
[Giovanna] É. Agora me diz, por que a pressa?
[Anthony] Ainda não posso te dizer.
[Anthony] Mas, com certeza, você vai usar esse passaporte muito antes do que pensou.
[Giovanna] Hmm.. Quanto mistério...
[Anthony] Começa a trazer umas roupas pra cá. Assim você não tem que sair com mala de casa.
[Anthony] Vai trazendo um pouco de cada vez, tá?
[Giovanna] Posso saber o que tá acontecendo?
[Anthony] Tô fisgando um peixe grande!
[Anthony] Espera pra ver o resultado da pescaria.
[♪ música eletrônica ♪] [♪ Ghosts and Creatures - Telekinesis ♪]
♪ I knew from the start ♪
♪ Full of ghost and creatures within our hearts ♪
♪ A ship on a lonely sea ♪
♪♪♪
[Giovanna] É melhor tomar cuidado. Meu pai conhece seu carro.
[Anthony] Teu pai vem visitar vocês de noite?
[Giovanna ri] Tem razão. Agora, nem de dia.
[Giovanna] Passou a fase culpado de quando ele me pegou fazendo programa.
[Giovanna] Mas eu tô de olho nele.
[Anthony] O que cê tá pensando em fazer?
[Giovanna] Já disse. Meu pai e a Angel estão morando juntos.
[Giovanna] Eles já tiveram um caso, e eu duvido que não tenham um caso de novo.
[Giovanna] Principalmente agora, que ela e o Gui se separaram.
[Anthony] É. Com o Gui, ela ficava afastada do seu pai. Sem ele...
[Anthony] ...É bem capaz de ela estar nos braços do seu pai.
[Giovanna] Pois é. Eu vou vigiar o apê.
[Anthony] Mas seu pai é esperto. Não vai ficar se encontrando com ela dentro de casa.
[Giovanna] Também acho que eles tenham um lugar pra se encontrar.
[Giovanna] Mas eu conheço o meu pai.
Convenci a minha mãe de ir ao cabelereiro com a Carolina toda semana.
Elas passam horas e horas e horas...
[Anthony] Safada!
Duvido que ele resista, sabendo que vai ter horas livres no apê com a Angel lá.
Vou ficar na moita.
Só não peço ajuda, porque, como eu disse, ele conhece o seu carro.
Mas eu tenho um amigo da escola que vai me ajudar. Dar uma de detetive.
[Anthony] O que cê vai fazer?
Primeiro... ter certeza das coisas.
Na próxima ida ao cabelereiro, vou vigiar meu pai e a Angel.
[Anthony] Mãe?
Anthony? O que foi?
[Fábia] Cê nunca vem em casa a essa hora, filho.
Eu não pude vir antes. Cê tá sem dinheiro, né?
Imagino que já comeu tudo que eu trouxe na última vez.
[Fábia] Cê sabe que eu como tão pouco. A bebida foi toda!
O que cê tem aí na mão?
[Fábia] É... perfume francês.
Ué. Vai sair agora?
[Fábia gagueja] Não, filho. Eu... eu...
[Fábia] Sabe que... eu...
[Anthony] Mãe... Cê bebeu perfume?
[Fábia] Não tinha mais nada aqui em casa...
[Anthony] Mãe, pelo amor de Deus, mãe!
[Anthony] Me diz. Eu saio, compro uísque pra você. Não bebe mais perfume.
[Fábia] Eu sei, é caro... [Anthony] Não é pelo preço, mãe!
[Anthony] É porque faz mal.
[Fábia] Filho... [Anthony] O que eu faço com você, mãe?
[Fanny] Não me venha com desculpas, Anthony!
[Fanny] Cê tá cheirando a perfume, e não é um perfume que eu conheço!
[Fanny] O que é? Conheceu uma terceira pessoa?
Como cê dá conta de tanta gente?
Tenho que retirar uma senha pra te encontrar?
É o perfume da minha mãe, Fanny.
[Fanny sarcástica] Tua mãe? Tá bom...
Que eu saiba, cê nem encosta na tua mãe.
[Anthony] Eu tive um momento de angústia, de total desespero.
Esse cheiro de perfume é do hálito da minha mãe.
[Fanny] Como assim?
Minha mãe bebeu um frasco de perfume francês.
Nossa...[ri sem graça]
Ela é a bêbada mais cara que eu conheço.
Não faz piada, Fanny. Minha mãe, porra.
[Fanny] Desculpa. Desculpa.
Eu brinquei porque o caso é grave, né. Cê vai ter que encontrar uma solução.
Eu sei o que cê quer. Quer que eu interne minha mãe em uma clínica. Mas não vou fazer isso.
Não posso fazer.
Como faço pra te ajudar?
[Fanny] Eu compro um barril de pinga e jogo tua mãe dentro?
Não. Ela prefere uísque envelhecido em barris de carvalho.
Anthony... Não vai ter outra solução.
Como eu vou ajudar minha mãe, Fanny?
Enquanto você estiver comigo...
...eu te ajudo a pagar uma casa de repouso excelente pra ela.
Mas e se acontece alguma coisa?
Com nós dois?
Não vai acontecer nada.
Eu te amo, Anthony.
Eu nunca vou me separar de você.
Sim, mas... pode acontecer tanta coisa nessa vida.
[ri curto]
[Fanny] Aqui, ó.
[♪ All Night Long - Aretha Franklin ♪]
♪♪♪
Uma ajudinha de custo.
Fanny, te ajudei a produzir o desfile do Maurice Argent.
Eu mereço ganho fixo por esse trabalho.
[Fanny ri baixo]
Cê sabe qual é o segredo de ter um michê pro resto da vida?
É dar apenas o que ele precisa naquele momento.
Se ele ficar rico... ele dá no pé.
Aprendeu com a experiência?
É!
Foi o que eu fiz com aquele velhote que me amava.
Depois que eu arranquei tudo dele...
...aí eu ó... me mandei.
Vendi as propriedades e montei a agência.
[Fanny] Quem ama demais... ganha calote.
[Anthony] Cê é muito dura, Fanny.
[Fanny] Te amo.
[Fanny] Tá? Te amo.
[Fanny] Você...
[Fanny] Você é o homem da minha vida.
[Fanny] Hum? [ri baixo]
[Anthony] Quer que eu te destrua? [Fanny] Uhum.
♪♪♪
[Alex] Maravilha, ein?
[Carol] Acordei cedo e fiz um super café da manhã pra vocês.
[Carol] Olha, filha. Suco de laranja. Vitamina C.
[Carol] Amor, torrada, mel, geleia.
[Alex] Geleia. Você é uma excelente dona de casa, meu amor.
[Carol] Não sabe como eu gosto de um elogio seu!
[Carol] Agora a surpresa, ein?
[Carol] Tã-ram!
[Angel surpresa] Ahh! Bolo de fubá, mãe!
[Alex] Fubá... [Angel] Ai, eu adoro bolo de fubá!
[Alex] Quanto tempo eu não como fubá...
[Carol] Não disse que eu gostava de cuidar de casa?
[Alex] Meu medo é engordar na sua comida.
[Carol] Cê não sabe a surpresa que vou preparar pro jantar.
[Alex] Vou com meu carro, cê vai com o motorista.
[Angel] Tá.
[Alex] Sabe que acho que vai dar certo isso da sua mãe cuidar do apartamento?
[Angel] Desde que ela não fique sobrecarregada...
[Alex] Sabe que ela gosta de cuidar de casa, né?
[Raulino] Doutor Alexandre, posso falar? [Alex] Que foi, Raulino?
[Raulino] Sei que demitiu a Eunice e o Domício.
[Raulino] Doutor Alexandre, eu também sei de coisa, mas nunca vou abrir minha boca pra falar uma palavra.
[Alex] Cê tá na rua só de falar assim comigo. Sabe disso, né?
[Raulino] Eu tenho mulher e filho pra criar, Doutor Alexandre. Emprego tá difícil.
[Raulino] Pelo amor de Deus, não me demite.
[Angel] Não demite ele, coitado.
[Alex] Levanta daí. Não sou santo pra ficar ajoelhado na minha frente.
Leva ela pra escola e fica à disposição da Carolina, sem dar um pio.
[Raulino] Eu sou cego, surdo e mudo.
[Angel] Tá, então vamos pra escola.
Cê tá com sorte. Ela gosta de você.
[jovens conversam]
[Angel] Gui, o que foi? Eu não quero confusão com a Patrícia.
[Gui] Eu sei. Mas preciso falar com você, hoje, depois da aula.
[Gui] Passa no meu apê. [Angel] Nem se eu fosse doida!
[Angel] Tenho foto depois e ainda tenho que passar na agência.
[Gui] Tem um café perto da agência. Eu te encontro lá. Promete que vai.
[Angel] Tá.
[repórter na TV] Clínica milionária fazia abortos.
A polícia acaba de descobrir uma clínica clandestina que realizava abortos em bairro nobre de São Paulo.
Após a morte de uma jovem de 20 anos, foi preso o proprietário da clínica.
O médico ginecologista, Everaldo Ramirez, de 45 anos...
Meu Deus.
[repórter] Através de denúncias, a polícia já estava investigando o caso,
[repórter] e com a morte da paciente, chegaram até a clínica.
[repórter] O médico oferecia o aborto através de um consultório particular...
[repórter] ...onde não despertava desconfiança e encaminhava as pacientes...
Doutor Everaldo...
Impossível.
...o aborto é permitido no Brasil em apenas...
É impossível.
[♪ música de clima investigativo ♪]
♪♪♪
[Angel] Gui.
[Gui] O que vai tomar, Angel?
[Angel] Hm... Cappuccino.
[Gui] Vê dois caps, brother.
Gui, nem sei o que vim fazer aqui, porque cê tá ficando com a Pati...
[Gui] Angel! Pelo menos eu tenho o direito de falar com você.
Tá. O importante é que eu vim, então.
Mas... o que cê tem pra falar comigo?
Angel, pra mim...
...tá difícil.
Tá difícil o quê?
[Gui] Viver sem você.
Eu vejo você e meu coração pula! Eu sinto falta...
[Gui] ...do teu beijo, do teu corpo. Sinto falta de você inteirinha.
Gui...
Cê tá querendo dizer que...
...que você ainda quer casar comigo?
É isso?
A gente vai casar?
[♪ Abertura: Angel - Massive Attack ♪]
♪♪♪
♪ You are my angel ♪
♪♪♪
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