All language subtitles for Taviani - As Afinidades Eletivas PT-BR

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Original subtitles

"AS AFINIDADES ELETIVAS"

A condessa Carlotta e o bar�o Edoardo...

se reencontram ap�s 20 anos.

Eles se amaram muito quando jovens.

E ent�o, circunst�ncias da vida os separaram.

O destino tornou a uni-los.

Nesse mesmo dia, Edoardo pediu-lhe para realizar...

sem medo, o que at� agora fora imposs�vel: Casarem-se.

Sim, somos quase da mesma idade.

Mas como mulher, sou mais velha que voc�.

Quero recome�ar, Carlotta.

Quero voltar a sentir o prazer de viver.

E isso s� ser� poss�vel ao seu lado.

Para o casamento, celebrado na presen�a de poucos amigos...

escolheram a Igreja de San Miniato.

Era a igreja preferida dos dois...

mas por raz�es opostas.

Carlotta, pela racionalidade de sua concep��o geom�trica...

Edoardo, pela impress�o misteriosa e m�gica...

que essa geometria despertava nele.

Se instalaram na propriedade herdada por Edoardo.

Queriam se dedicar juntos...

� nova ordena��o do terreno e do cultivo da terra.

UM ANO DEPOIS

J� � dia!

Vamos nos levantar? Ou quer dormir mais um pouco?

Fiquemos aqui mais um pouco.

- Carlotta? - Sim?

H� v�rios dias que quero lhe perguntar uma coisa...

mas acabo n�o conseguindo.

Eu percebi.

O correio parte hoje de manh� sen�o eu n�o diria nada.

O que �?

Queria convidar Ottone a passar alguns dias conosco.

O arquiteto?

Por qu�?

Sua situa��o n�o parece boa.

Tem sido obrigado a aceitar trabalhos aqu�m de sua capacidade.

Enfim, se sente desvalorizado e sofre com isso.

Poderia ser �til na reorganiza��o da propriedade.

Est� a par das inova��es t�cnicas mais recentes.

O que acha?

Ou�a, Edoardo...

sabe que gosto de satisfaz�-lo...

mas n�o foi isso que combinamos.

Fiquemos juntos, s� n�s dois. Nos reencontramos t�o tarde...

e agora...

me parece que alcan�amos um equil�brio perfeito.

E por que esse equil�brio seria imut�vel?

Por que n�o estend�-lo, j� que � t�o belo?

Porque tenho medo.

- Tenho um pressentimento. - Ah, as mulheres!

Logo voc� que � t�o racional, falando em pressentimentos?

� por isso que o amo. Continua a falar como um amante.

PS: DESTA VEZ, QUERIDO AMIGO

OS DESEJOS DE EDOARDO S�O OS MEUS

ESPERO QUE ESTEJA AQUI O MAIS BRE VE POSS�VEL

Olha o que eu fiz.

N�o faz mal, espere...

Veja.

"Est� mancha o far� compreender...

com que urg�ncia lhe escrevemos...

e com que impaci�ncia...

voc� � esperado."

Venha, entre. Vamos ver Carlotta.

H� quanto tempo n�o a vejo! H� quanto tempo n�o nos vemos?

Espere.

Vamos nos sentar.

Como vai voc�?

- Parece mais magro. - Um pouco.

De tanto ficar trancado em escrit�rios.

Mas est� bem... Deixou crescer as costeletas!

E j� tenho fios de cabelo branco, viu?

Voc�, pelo contr�rio, est� mais jovem.

� o que todo mundo diz.

Sinto-me bem aqui.

Voc� tamb�m vai se sentir.

Conosco, com Carlotta...

Carlotta?

Carlotta!

Veja isso, Edoardo! � um milagre da engenharia!

Chama-se teodolito. � para medir terrenos.

Colhi tr�s flores, para tr�s comemora��es.

- Tr�s? - Sim, Edoardo.

A chegada de Ottone � uma.

E hoje � dia de voc�s dois. Esqueceram?

Voc�s dois se chamam Ottone.

Pelo menos, se chamavam assim quando pequenos, n�o?

Mas depois, no col�gio, para evitar confus�o...

abri m�o deste nome.

Lembra-se? Voc� gostava mais de Edoardo...

e confesso que dito por Carlotta soa...

- muito bem. - Senhora, o jantar est� servido.

Esperem! Comeremos mais tarde.

Antes, vamos levar Ottone ao alto da colina.

N�o passamos o tempo todo aqui.

De l�, ver� toda a propriedade! � revigorante!

Ainda n�o consegui medi-la toda.

Veja, estende-se at� l� embaixo.

Vai ser a chance de experimentar o teodolito.

Podemos come�ar amanh�. Vou precisar de sua ajuda.

"As naturezas...

que se encontram e logo se unem...

s�o chamadas de afins.

Os alcalinos e os �cidos s�o um bom exemplo.

Os casos mais interessantes s�o quando 4 subst�ncias...

at� ent�o associadas 2 a 2, entram em contato.

Abandonam a uni�o anterior e criam uma nova.

Por isso, justifica-se plenamente...

o emprego da express�o 'afinidades eletivas'."

Nunca vai perder este h�bito?

Ao ler em voz alta, � como se expressasse algo que surge...

- da minha mente. - Entendo.

N�o me daria ao trabalho de ler se...

sei l�... se uma fresta se abrisse na minha testa.

Bastaria olhar para saberem o que eu diria.

Desculpe, � que este tema me fascina.

N�o � um assunto f�cil...

tentei ler o texto para n�o me perder...

n�o queria parecer um tolo.

Vamos ao laborat�rio. Farei uma demonstra��o.

Isso vai ajud�-los a compreender.

Imaginem que A esteja ligado a B...

e que C esteja ligado a D.

Se eu colocar os pares em contato...

observar�o que A se lan�ar� sobre D, e C... sobre B.

Digamos que seja uma imagem, mas...

como aplic�-la a n�s tr�s?

Voc�, Carlotta, � A. E eu sou seu B.

O C, evidentemente, � Ottone...

que me afasta de voc�.

A compara��o � falha, pois o A ficou sozinho.

Falta o D.

� justamente o que ia contar nesta noite.

Pretendo chamar Ottilia.

- Ottilia? - � minha filha adotiva.

Est� num internato desde que viemos para o campo.

Isso � �timo!

Cuidado, Ottone, o D est� a caminho!

Mas, Edoardo...

voc�, que � o meu B...

o que far� se retirarmos o seu C...

isto �, Ottone?

O B retornar� ao seu A...

a voc�, minha Carlotta...

pois voc� � o meu Alfa e o meu �mega.

Terminou o ano letivo...

e Ottilia n�o foi bem nos exames...

mas seu jovem professor escreveu a Carlotta:

"Ottilia � uma jovem introvertida e t�mida...

mas h� frutos tardios que se abrem a uma vida maravilhosa.

Ela quase n�o fala. Nunca a vi expressar nenhum desejo.

Ela se esquiva dos pedidos que lhe fazemos...

com um gesto irresist�vel. "

Ottilia, levante-se.

- N�o seja t�o humilde. - N�o � humildade.

Faz-me lembrar de quando era pequena...

e j� sabia que voc� me amava.

Eu, o mais humilde dos convidados...

dou as boas-vindas � rec�m-chegada...

sendo a beleza sempre a convidada mais apreciada.

Qual trabalho daremos � nossa convidada mais apreciada?

A diretoria escreveu que voc� � muito minuciosa.

Quem sabe n�o poderia cuidar do jardim?

Eu me ocupo do levantamento topogr�fico da propriedade.

Eduardo me ajuda.

Se quiser, encontre-nos no alto da colina.

Antes ser� preciso renovar seu guarda-roupa.

Voc� � linda de qualquer modo, mas vai ver, n�s duas...

� gentil sentir dor de cabe�a no lado esquerdo.

Eu sempre sinto no lado direito. Carlotta pode confirmar.

- � verdade. - Somos sim�tricos!

- Est� cansada? - Sim.

A viagem foi longa e as emo��es de hoje...

- Posso me retirar? - Claro.

Tinha raz�o. Ela � agrad�vel e diz coisas interessantes.

Interessantes? Mas ela n�o falou nada!

Mesmo?

� estranho...

Todos preparados!

Oitenta e oito graus...

vinte minutos, trinta e cinco segundos.

Oitenta e oito graus...

vinte e oito minutos, trinta e cinco segundos.

Edoardo, venha ver!

Voc� tinha raz�o...

� al�m do mais divertido!

- Ganhei! - Quero uma revanche!

D� o sinal!

Irrigaremos os terrenos planos para fazer jardins...

por meio de canais, com eclusas ligadas a um moinho de vento...

aqui no rio, no fundo do vale.

A nova estrada.

Agora ficar� assim, mas depois poderemos plantar �rvores...

ficar� mais agrad�vel para os camponeses.

Come�aremos amanh�.

Ainda n�o lhe contei, mas...

Carlotta teve outra id�ia. At� fez um esbo�o do terreno.

Eu o vi. Mas estou certo que achar� este projeto melhor...

porque � mais simples.

Carlotta � a mulher mais inteligente que conheci.

Sei que ela vai entender. Veja voc� mesmo.

Esta � a que ela imaginou. � mais agrad�vel, pelo bosque...

mas a minha � mais racional. E ela gosta do que � racional.

Venha.

Admirem! Eu escolhi o tecido e foi Ottilia que o fez sozinha.

- Vejam o resultado. - Muito bonito.

Uma jovem n�o deve ser t�o atenciosa com os homens.

Talvez entendam quando souberem como adquiri este h�bito.

Foi uma aula de Hist�ria sobre Carlos I, da Inglaterra.

Em seu julgamento, o punho de sua bengala se soltou.

Estava costumado �s pessoas se precipitarem para ajud�-lo.

Olhou em volta, esperando que algu�m o pegasse.

Mas ningu�m se mexeu.

Ent�o, ele se abaixou e pegou-o.

Agora, sempre que algu�m deixa cair algo...

eu me abaixo e o pego.

Da pr�xima vez, tentarei me controlar.

Com a chegada de Ottilia, seus cora��es se abriram.

Sentiram prazer na felicidade uns dos outros.

Carlotta rasgou seus esbo�os e ajudou Ottone em seu projeto.

Ottilia realizava uma c�pia do cat�logo da biblioteca...

que Edoardo havia escrito de pr�prio punho...

e que j� estava deteriorado pelo uso.

Nesse dia, encontraram-se no lago.

Edoardo tinha encomendado um barco...

e Ottone procurava o melhor lugar para construir o cais.

Qual o caminho mais curto para o lago?

- O da esquerda. - N�o, o da direita.

- Vamos apostar? - N�o gosto de apostas.

Confio em voc�, Carlotta. Vamos aceitar o desafio.

Est� bem.

Edoardo e Ottilia contra Ottone e eu.

Venha, vamos por aqui!

Sem correr!

Quero lhe pedir uma coisa.

O vidro de seu medalh�o � muito grande.

Sei que � o retrato de sua m�e...

mas se voc� cair, pode se machucar.

Eu n�o suportaria isso.

Por favor, tire-o e quarde-o em seu quarto.

Deixo-o com voc�.

Venceram!

Quanto tempo levamos?

N�o sei o que est� havendo. Nunca esque�o de dar corda.

Foram mais r�pidos que n�s.

Desculpe, Carlotta, n�o sei o que h� comigo...

esqueci est� carta no bolso. � para voc�.

Ando me esquecendo de tudo.

Vou l�-la mais tarde. Agora vamos descansar um pouco.

Os quatro amigos ent�o tiveram a impress�o...

ou o pressentimento...

que o tempo come�ava a n�o ter import�ncia para eles.

Edoardo, o marqu�s! Est� vindo com Laura!

- Quando chega? - Amanh�.

Ficar�o por quanto tempo?

Um dia e uma noite. Vou agora mesmo para casa.

Carlotta, espere. Iremos todos.

S�o bons amigos mas est�o habituados com a vida na Corte.

Aqui somos simples. Nem temos criados para servir � mesa.

Ensinarei Giuseppe e Eugenio.

Cuidam do jardim comigo, aprendem r�pido.

� uma boa id�ia. Eu me encarrego da decora��o.

Giuseppe!

Edoardo. O marqu�s e Laura n�o s�o casados.

N�o s�o um bom exemplo para Ottilia.

N�o vou coloc�-los no mesmo quarto.

As mulheres dormir�o numa ala e voc�s na outra.

- Vai ter de dormir sem mim. - Claro.

Aceitam?

Vou mostrar o que t�m de fazer.

- Vamos tentar. - Vou esper�-los.

At� mais tarde!

No teatro, a que vamos, talvez com frequ�ncia demais...

o casamento � a meta final, atrasada durante v�rios atos...

por uma s�rie de dificuldades.

Ao se concretizar, o pano desce, e aplaudimos, aplaudimos...

Mas na vida real � diferente.

Continuamos a atuar depois que o pano desce.

Se tornasse a se erguer...

ver�amos o que � realmente o casamento.

Ottilia, as palavras do marqu�s revelam...

seu prazer de conversar com amigos � mesa.

N�o se referem a nenhuma das pessoas presentes.

N�o concordo.

Para mim, o casamento � a base da civiliza��o.

Acalma os homens violentos e d� seguran�a �s mulheres delicadas.

� verdade que nem sempre � s� felicidade.

Afinal, a vida tem bons e maus momentos. Isso � inevit�vel.

- N�o basta recusar o casamento. - � verdade.

O inconveniente � que o casamento dura para sempre.

E como sabem, a vida � t�o inconstante.

Tenho um amigo, muito original...

que diz que o casamento n�o deveria durar mais de 5 anos.

- Cinco? - Sim, cinco.

O bastante para que se conhe�am...

enjoem um do outro, se separem...

e possivelmente, se reconciliem.

O contrato, ent�o, seria renovado por mais 5 anos.

Mas voc�s dois se completam de modo perfeito.

Formam um casal maravilhoso...

e sem d�vida o contrato ser� sempre renovado.

Sei de um que n�o ser� renovado.

Nossa amiga Luisa. Separou-se h� um m�s.

Fico triste em saber.

Imaginamos os amigos que est�o longe, felizes...

tendo realizado seus desejos.

E quando menos se espera, a vida sofre uma reviravolta.

Uma amiga fica novamente s� para enfrentar perigos ignorados.

H� um perigo que n�o � t�o desagrad�vel.

� que se interessar�o por ela novamente...

por suas qualidades e seus defeitos.

Casados, n�o interessamos a ningu�m.

Gosto desse arquiteto, gosto, gosto, gosto!

Sua forma��o � cl�ssica...

e tem talento, talento, talento!

Em um contexto mais amplo, seu trabalho causaria...

Uma fort�ssima impress�o!

Um homem como ele perde tempo no campo?

- Como assim? - Tenho um trabalho para ele.

Se recomend�-lo, fa�o-o feliz e agrado um amigo influente.

J� pensei na carta de apresenta��o.

Se tiver um mensageiro, a enviarei agora mesmo.

- Vou cuidar disso. - Mas guarde segredo.

Nosso amigo n�o deve saber de nada at� termos a confirma��o.

Desculpe!

Amiga querida...

posso ajud�-la?

N�o, obrigada.

Precisava ter visto a cara que ele fez...

quando Giuseppe engoliu a mosca.

- Giuseppe? - Sim.

Quis espantar a mosca de qualquer maneira.

Devia ter posto a travessa na mesa.

Foi uma decis�o desesperada.

- Fez o que seria mais r�pido. - � verdade.

- Ser� que o marqu�s notou? - N�o, acho que n�o.

Tenho a impress�o de que a marquesa...

N�o importa.

J� � meia-noite. Quero pedir um favor.

Prometi ver a marquesa, mas posso me perder nesses corredores.

N�o tivemos um minuto a s�s o dia inteiro.

Gostar�amos de um pouco de intimidade...

Me mostra o caminho?

Vamos.

Se bem que n�o � f�cil distinguir os quartos...

E estamos meio tontos, eu e voc�...

N�o v� se enganar de quarto.

Isso seria realmente...

Ottilia?

Ottone?

Quem �?

Sou eu.

Eu quem?

- Ouvi algu�m me chamar... - Voc� me assustou.

- E corri para socorr�-la. - N�o respeitou o nosso acordo.

Tanto pior...

ou melhor.

Quer me assustar de novo?

Quando Edoardo acordou, na manh� seguinte...

sentiu o ar carregado de press�gios...

como se o sol iluminasse um crime.

Nesse mesmo dia, Laura partiu com o marqu�s...

decidida a ajudar Carlotta, que tinha a mesma idade dela.

Estava convencida de que ela sofria por causa de Ottilia...

t�o jovem e irritante, que queria o seu marido.

Pretendia levar a garota para a Corte de Floren�a.

Laura, veja.

O que acha de minha nova aquisi��o?

Lmaginei que fosse mais espa�osa.

- Mas parece r�pida. - Vamos experimentar!

Acho que o cais ficaria bem l�, depois do bambuzal.

- Fica bem perto da trilha. - Vamos ver.

N�o vamos esperar Ottilia?

Ela me disse que tinha algo a fazer.

- O que foi, Edoardo? - Nada.

A dor de cabe�a de sempre.

Talvez seja melhor eu voltar.

N�o se preocupem, v�o voc�s dois.

Divirtam-se.

Acabei. Veja.

Quer comparar ao original?

Meu Deus.

Mas � igual...

Mas � a minha letra!

Voc� me ama, Ottilia.

Voc� me ama.

Este barco � f�cil de ser manejado.

Poder� us�-lo sozinha.

Por que sozinha?

Voc� falou com o marqu�s?

N�o. Por qu�? Mal tive tempo de me despedir.

Por nada.

Gostaria de ir para casa.

Encalhamos. Desculpe, eu estava distra�do.

A culpa tamb�m � minha. Esqueci que aqui era raso.

N�o, vai ser imposs�vel.

Enfim, o barco n�o � t�o f�cil de manejar.

Perdoe-me, Carlotta.

Este momento ficar� para sempre.

N�o podemos impedi-lo. Nem eu e nem voc�.

Mas n�o devemos nos envergonhar.

Sei que tem de partir.

Voc� partir�.

Apaixonado, Edoardo mal ocultava sua felicidade...

e se entregou totalmente � prepara��o dos fogos...

para celebrar o dia do nome de Ottilia e a partida de Ottone.

Edoardo n�o sabia que Carlotta, tamb�m apaixonada...

percebera seu amor por Ottilia.

Ela contou a Ottone:

Ottilia tamb�m partiria para se encontrar com Laura na Corte.

Viu como Giuseppe dan�a bem?

O jardineiro, aquele que engoliu a mosca.

Venha ver!

Quer dan�ar?

Quer dan�ar, Carlotta?

N�o.

Sr. Bar�o, quero apresentar a minha noiva.

Permite?

Orlando!

Orlando!

- Hugo! - N�o se mexam!

- Hugo! - Arranjem uma corda.

- Quem deixou subirem no barco? - N�o sei.

- Vamos, joque a corda! - Devagar, para n�o virar.

Ajude-nos, Giacomo est� se afogando!

Estou me afogando!

Temos de lev�-lo para casa.

Venha conosco, tem de trocar estas roupas.

Tem de pensar em voc� tamb�m.

R�pido, vamos lev�-lo.

Ottilia, venha.

- Carlotta, espere! - A festa terminou, Edoardo!

Ainda n�o! Faltam os fogos!

Agora n�o ter�o mais gra�a.

Esperem! Eu vou dar o sinal, esperem!

N�o vamos encerrar este dia no hospital.

Otilia n�o � irm� de caridade!

Os mortos despertar�o sem n�s e os vivos se aquecer�o!

Venha.

Amanh�, trarei amoras para voc�.

Obrigado, mas tenho de partir. Amanh�, estarei longe.

Voc� come as amoras por mim, certo?

Carlotta n�o estava pensando no homem que ela amava.

No fundo de seu cora��o...

sentia que a noite de amor com Edoardo...

tinha gerado um fruto.

Ela esperava um filho.

Sim, eles nos deixaram.

Ottone foi se encontrar com o marqu�s e Edoardo partiu...

em viagem pela Europa.

Acho que sabe por qu�.

Em situa��es confusas, quem v� mais claro, deve decidir.

Neste caso, sou eu.

Voc� ama Edoardo...

sem d�vida porque ele a ama.

Onde tudo isso nos levar�?

Edoardo e eu passamos da idade dessas loucuras.

Talvez pare�amos um pouco rid�culos.

Estamos novamente sozinhas.

Basta. Eu tamb�m vou partir.

Tamb�m achei que devia partir.

Mas Edoardo suplicou que n�o a deixasse ir.

Ficar� desesperado se souber que n�o vive mais aqui.

Quer que fique perto de mim e n�o no meio de estranhos.

Ele n�o interferir� em nossa vida...

e n�o saberemos nada da sua.

N�o acredito.

Ele disse que voc� amava Ottone e queria o div�rcio.

Encontrarei Edoardo.

Se encontr�-lo, lembre-lhe que espero um filho.

A crian�a ao nascer fizera com que ele se afastasse.

Sem avisar ningu�m, retornou ao seu regimento.

A guerra que recome�ara, favoreceu seu projeto.

Edoardo travou combates buscando a morte e n�o a vit�ria

Est� fora de perigo, mas ficou inconsciente por 10 dias.

Encontramos este bilhete em seu bolso.

Pedia para avisar s� voc�, e mais ningu�m.

Obrigado, capit�o. Fique tranq�ilo, cuidarei dele.

Quero ser franco com voc�.

Pode parecer rid�culo, mas eu queria morrer.

Sem Ottilia, a vida n�o tinha mais sentido.

Mas a morte n�o me quis. Acho que foi um sinal.

Hoje, eu quero viver e que Ottilia seja minha.

Em poucas palavras destruiu meus argumentos.

Como pode esquecer que ter� um filho com Carlotta?

Um filho que precisar� de uma m�e e um pai?

Os pais se iludem ao se acharem indispens�veis.

Jovens que perderam os pais ou passaram por dificuldades...

se sa�rem melhor que outros, por terem enfrentado tudo isso cedo.

Bordamos de rosa ou azul?

De azul. Ser� menino.

Como vai se chamar?

Edoardo. � a tradi��o da fam�lia.

Sei, Edoardo...

Mas como vai distinguir um do outro?

Edoardo I? Edoardo II?

N�o, eu n�o sou rainha.

Tem raz�o. Ter� o segundo nome de Edoardo.

E qual � seu segundo nome?

Ottone!

- Obrigada. - De nada.

Viu? Ainda n�o est� em condi��es.

� melhor esperar.

Sei que ama Carlotta e que ela o ama.

Receba-a de mim e me traga Ottilia.

Fala como um cavaleiro do Rei Arthur.

Por que n�o quer ser feliz?

Porque acho que um homem tem de se dominar.

Mesmo quando � infeliz.

Voc� gosta mesmo de sacrif�cio!

Eu sei.

Mas n�o saberia agir de outra maneira.

Assim que n�o precisar mais de mim, deixarei a lt�lia.

Vou para o Cairo.

O marqu�s me chamou para uma miss�o arqueol�gica...

Eu aceitei.

Uma virgem aqui! Saia, Srta. Ottilia! Saia!

Vamos, para fora. Saia!

Pare, voc� n�o pode entrar!

N�o, eu n�o conto.

Vamos.

Feche a porta.

Estava chorando?

Desculpe, n�o queria incomodar voc�.

S� me incomodaria se fosse um homem fraco.

As l�grimas de um homem corajoso me fazem chorar tamb�m.

Tome, leia.

Ele nasceu.

Chama-se Ottone.

Carlota deu o seu nome.

Ainda quer ir para a �frica?

O jardim estava apraz�vel...

e as duas mulheres velavam o sono da crian�a.

Ainda assim, pairava uma sombra em seus olhos...

uma inquieta��o proveniente justamente do ber�o.

A crian�a tinha o cabelo ruivo de Ottone e o sinal de Ottilia.

Aquela estranha noite de amor tinha gerado um milagre...

ou, talvez, um monstro.

Tem de acertar tudo. N�o pare antes do anoitecer.

N�o posso esperar at� amanh�.

Est� bem. Mas j� estou nervoso o bastante. Deixe-me ir.

Espere...

Se tudo correr bem, dispare dois tiros.

Estarei por perto.

Senhor arquiteto, que surpresa!

A Sra. Condessa n�o est�, mas entre e descanse, entre.

Onde ela est�?

Foi supervisionar a reconstru��o da quinta.

Obrigado. Conhe�o o caminho.

Espere...

Ottone est� falando com Carlotta, sobre eles...

e sobre n�s dois.

Meu Deus!

� Ottone! Tem o seu cabelo!

N�o, todos dizem que se parece comigo.

Veja, tem o mesmo sinal no rosto.

� verdade.

Pobre crian�a...

� fruto de uma dupla trai��o.

Agora sabe que, mesmo nos bra�os de Carlotta, eu desejava voc�.

Aten��o, acho que � Ottone nos chamando.

L�, procurem na vala! Vamos, procurem!

N�o, � um ca�ador.

� tarde. O beb� tem de comer �s sete.

Est� olhando para n�s!

Agora voc� tem de ir.

� Carlotta que deve decidir, inclusive por n�s dois.

E ent�o, serei sua mulher.

Agora, v�.

V�.

Tem algu�m a�?

Pierre, v� ver quem �.

Diga-lhe...

diga a esse homem que n�o estou.

V�!

Bom dia.

Procuro a Condessa.

Ela n�o est� aqui. N�o sei onde est�.

Meu querido, est� com fome.

J� � tarde.

A p� � muito longe?

Ent�o, vamos de barco. Voc� gosta do barco, n�o?

O caminho � mais curto e logo, logo vai comer.

Edoardo!

Edoardo!

Venha, venha.

Respire, respire!

N�o admite, mas sei que pensa como eu.

N�o quer admitir porque isso o choca.

Esse infort�nio �, na verdade, uma liberta��o.

Liberta��o?

O pobrezinho foi sacrificado por nossa felicidade.

S� Ottilia pode me dar de volta o filho...

que perdi hoje.

E voc�, n�o gostaria de ter um filho que se parecesse com voc�...

e que fosse realmente seu?

Precisa falar com Carlotta. Mais do que nunca.

Eu matei essa crian�a...

Eu hesitei, eu quis...

Mas agora sei o que devo fazer.

Fiz mal a todos voc�s, sem querer.

Muita gente depende da minha decis�o.

Pode dizer a Edoardo que aceito o div�rcio.

H� coisas que t�m de acontecer.

Eu e voc� n�o merecemos ser t�o infelizes...

mas n�o temos o direito de sermos felizes juntos.

Agora, olhe para ele.

- O que est� fazendo? - Eu tamb�m vou!

Precisa gritar deste jeito?

Vou com a Srta. Ottilia para o col�gio.

Sorte sua. Nunca sa� da aldeia.

Sabe onde vamos dormir? Num hotel.

- Calce os sapatos. - A carruagem j� chegou?

Faz bem em levar Agostina. Pelo menos ela est� feliz.

Gosto tanto de voc�! N�o v�, Ottilia.

Agora � a minha vez de ajoelhar.

Querida Carlotta, n�o insista.

Nem mesmo voc� conseguiria me deter.

N�o v� que sinto avers�o por mim mesma?

Sei que quer me ajudar e s� h� uma coisa que pode fazer:

Volte para Edoardo.

Srta. Ottilia, a carruagem chegou!

Estamos indo!

Preste aten��o: N�o se divorcie...

se n�o quer que eu me afogue para expiar minha culpa.

A Srta. Ottilia dormir� aqui.

S� vou deixar um bilhete para ela.

� claro. Devemos tanto ao senhor e � sua fam�lia.

- A ferida ainda d�i muito? - N�o, n�o. Basta n�o pensar nela.

�, isso � verdade!

"Quando ler esta carta, estarei perto.

Mas n�o tenha medo, n�o me ver�.

Sei o que pediu a Carlotta.

Estou disposto a viver com ela.

Mas tem de saber uma coisa: N�o terei for�as para isso...

se voc� se encerrar nesse col�gio...

ou se imagin�-la sozinha no mundo.

Vou segui-la por toda parte.

Fique conosco, Ottilia.

Deixe que o amor de Carlotta e o meu a protejam...

e tudo voltar� a ser como antes. Edoardo. "

Por aqui, Srta. Ottilia, � por aqui.

O Sr. Bar�o tamb�m est� aqui!

Venha comigo, venha.

Desculpe, Ottilia.

N�o queria que me encontrasse, juro.

Veja, h� uma carta para voc�.

Leia-a, por favor. Depois, far� o que quiser.

Corvo sujo, sapo fedorento, porco imundo...

que vaca, corvo sujo...

Srta. Ottilia, se soubesse que estava vindo...

Ningu�m me avisou.

Veja, esvaziamos o quarto.

Mas vou cuidar disso.

Ottilia escreveu aos seus amigos:

"Voltei porque � a �nica maneira de restabelecer a harmonia...

que encontrei ao chegar a esta casa.

Aceitem-me perto de voc�s, confortem-me com seu afeto.

Mas n�o pe�am que eu fale...

e permitam que eu coma s�, em meu quarto.

Agostina trar� minhas refei��es. "

E seus pedidos foram respeitados.

Os amigos alimentavam a ilus�o...

de que tudo voltaria a ser como antes.

"Pode-se dizer que o azul tem uma natureza obscura.

Esta cor afeta os olhos de um modo singular, indefin�vel.

Enquanto cor, � energia...

� uma contradi��o, composta de excita��o e paz.

Assim como o azul do c�u e das montanhas distantes."

Desculpe.

"E das montanhas distantes...

uma superf�cie azul parece se distanciar de n�s.

O azul nos d� uma impress�o de frio...

ali�s, lembra-nos a sombra.

Em seu estado mais puro...

o amarelo cont�m em si a ess�ncia do claro.

Tem uma qualidade discretamente estimulante...

de serenidade e de alegria."

N�o quer nada, Srta. Ottilia? N�o vai comer nada hoje tamb�m?

Posso?

� para mim?

N�o est� chegando muita �gua pelos canais de irriga��o.

Tem de lhe explicar o sistema de novo.

Posso mesmo levar isso para os meus irm�os?

Desculpe.

Vamos recome�ar.

Ela est� morrendo!

Ela vai morrer! A Srta. Ottilia vai morrer!

Lido, depressa! O m�dico est� na aldeia!

V� busc�-lo!

Rosanna!

Rosanna, chame o Sr. Bar�o, r�pido!

N�o sei onde ele est�! Ele saiu de manh� cedo...

� muito estranho...

espero que seja um desmaio passageiro.

Insista!

Meu Deus! Otilia!

- O que ela comeu hoje? - Fique aqui!

N�o, me solte!

- Responda. Desde quando? - N�o sei.

H� um m�s? H� mais de um m�s? Responda!

Eu n�o sei!

Responda!

Vamos, responda!

Foi ela que quis, eu s� obedeci.

Eu comia tudo no seu lugar!

Levava comida para os meus irm�os!

Mas n�o podia contar a ningu�m, era um jogo!

Ela me disse que era s� uma brincadeira!

Com�amos tudo e era gostoso, era t�o gostoso!

Pare, Agostina.

Ela est� morta.

Saia da�, n�o se esconda!

Agostina!

N�o tenha medo!

Agostina, onde est� voc�?

N�o foi culpa sua. Ela estava doente.

A Srta. Ottilia estava doente. Volte para casa!

O que est�o dizendo?

"Ela estava."

O que querem dizer?

Ei, voc�s, crian�as! Esperem!

Carlotta ordenou que Edoardo e Ottilia...

fossem enterrados juntos.

Quis que os caix�es ficassem abertos...

enquanto atravessavam o campo que eles tanto amavam.

Ordenou que ningu�m mais fosse sepultado na capela...

para n�o perturbar a paz dos dois amantes...

finalmente unidos.

A bagagem estar� aguardando, quando chegar.

Encontraram Agostina?

Est� escondida por perto.

Tem medo que eu a expulse e a sua fam�lia.

Mas ela ficar� aqui comigo.

Achava que uma mulher n�o devia ser t�o atenciosa com um homem.

Sinto-me como o pobre rei da Inglaterra.

O rei que perdeu tudo.

N�o, deixe-o comigo.

Talvez um dia tenha a oportunidade de passar para busc�-lo.

legenda ripada por davidonato Movimento Cinema Livre

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