All language subtitles for Journey.To.The.Edge.Of.The.Universe.2008.720p.BluRay.x264-[YTS.AM]

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Original subtitles

Isto � o nosso mundo.

Um s�tio quente, confort�vel, familiar.

Mas afaste-se da fogueira e olhe para cima.

Os nossos pensamentos em breve se afastam.

Somos apenas espectadores insignificantes?

O Universo � acolhedor

ou hostil?

Pod�amos ficar aqui para sempre, a imaginar.

Ou podemos virar costas a esta praia

sair de casa

para ver o Universo

daqui, at� ao seu limite.

Para descobrir as suas maravilhas,

confrontar os seus horrores.

Mundos novos bonitos,

for�as negras mal�volas.

O in�cio dos tempos,

o fim do mundo.

Teremos a coragem de o ver,

ou fugiremos para casa?

H� apenas uma maneira de descobrirmos.

VIAGEM AOS LIMITES DO UNIVERSO

O limite do espa�o,

apenas 100 quil�metros acima.

Apenas 1 hora de viagem a partir de casa.

Ali em baixo a vida continua,

o tr�fego continua a fluir, as ac��es transaccionadas

e o "O Caminho das Estrelas" est� no ar.

Mas temos de deixar tudo isto para tr�s,

para mergulharmos no vasto e negro oceano.

Para o interior das sombras,

n�o muito longe de casa,

para a lua.

Muitos astronautas vieram neste sentido antes de n�s,

12 andaram mesmo na lua.

A um pouco mais de 400 mil quil�metros de casa,

tr�s dias numa nave,

t�o perto, que � como que nunca sa�ssemos de casa.

Familiar, segura, vis�vel da Terra.

Parece-se com um terreno de batalha deserto

bombardeado por milh�es de meteoritos e aster�ides.

Mas � pac�fico por enquanto.

� �bvio que n�o se deram grandes colis�es nos �ltimos milh�es de anos.

Isto traz-nos recorda��es.

O m�dulo lunar Apolo 11.

As primeiras pegadas de Neil Armstrong.

Parece que foram feitas ontem.

N�o existe ar para as modificar.

Elas devem sobreviver por milh�es de anos.

Talvez mais tempo que n�s...

O nosso tempo � limitado.

Precisamos de dar o nosso pr�prio passo gigante.

Mais longe que qualquer outro humano j� foi.

Na escurid�o, uma cara amig�vel,

a deusa do amor,

V�nus.

A estrela da manh�, a estrela do anoitecer.

�s vezes, recebe o novo dia do Este,

outras, diz boa noite do Oeste.

As espectaculares nuvens amarelas do planeta reflectem a luz solar.

� por isto que este � o planeta mais brilhante do sistema solar.

Uma irm� do nosso planeta.

Ela tem o mesmo tamanho e gravidade que a Terra.

Devemos estar seguros aqui.

Mas o sat�lite espacial V�nus Express diz-nos que estas nuvens espectaculares

s�o constitu�das por �cido sulf�rico letal.

Que a atmosfera esta sufocada com di�xido de carbono.

Os alarmes disparam.

V�nus � uma deusa bastante zangada.

O ar � irrespir�vel, a press�o insuport�vel e est� calor.

Aproximadamente 500 �C.

Se ficarmos demasiado tempo seremos corro�dos, sufocados, esmagados e cozidos.

Nada pode sobreviver aqui.

Como isto. Uma sonda rob�tica sovi�tica.

O seu forte revestimento foi destru�do pela atmosfera adversa.

T�o bonita da Terra, vista de perto, esta deusa � horr�vel.

Ela � a irm� vinda do inferno,

populada por milhares de vulc�es.

Todo aquele di�xido de carbono na sua atmosfera est� a reter o calor do sol.

Isto � o efeito de estufa enlouquecido.

Antes de ele aparecer, talvez V�nus fosse calmo.

Mais como o seu planeta irm�o, a Terra.

Se isso for verdade, isto poder� ser o futuro do nosso planeta.

Come�o a pensar que n�o dev�amos estar aqui,

que dev�amos voltar para tr�s.

Mas h� algo de hipn�tico acerca do Sol.

Como Medusa, demasiado terr�vel de observar,

demasiado poderosa para lhe resistir,

atraindo-nos adiante,

como a uma tra�a para uma chama.

Pequeno, derretido pelo Sol, Merc�rio.

Quando se chega demasiado perto do Sol, � isto que acontece.

As temperaturas alteram-se selvaticamente aqui.

� noite est�o -170 �C,

ao meio-dia est�o 400 �C.

Queimado, congelado, e observem aquelas cicatrizes.

Uma caracter�stica que merc�rio teve um passado violento.

A sonda espacial Messenger.

Esta a dizer-nos algo estranho.

Para o seu tamanho, este pequeno planeta tem uma for�a grav�tica poderosa.

Tem de ser mais pesado do que parece.

� como uma enorme bola de ferro,

coberta com uma fina camada de rocha.

O n�cleo do que uma vez foi um planeta muito maior.

Talvez um planeta � deriva embateu em Merc�rio,

lan�ando para longe as suas camadas externas, num jogo de pinball c�smico.

Planetas inteiros � deriva destruindo tudo no seu caminho, at� planetas inteiros.

E n�s estamos no seu caminho.

Vulner�veis, expostos, pequenos.

Tudo nos diz para voltarmos para tr�s.

Mas quem podia desafiar isto?

O Sol

em todo o seu esplendor.

A nossa luz,

as nossas vidas,

tudo o que fazemos � controlado pelo Sol.

Depende dele.

E mais do que isso, � o deus grego H�lios, conduzindo a sua carruagem pelos c�us,

o deus eg�pcio R�, renascendo todos os dias,

o Sol do solst�cio de Ver�o nascendo em Stonehenge.

Por milh�es de anos, isto foi o mais perto que se esteve de olhar para a face de deus.

150 milh�es de quil�metros de casa,

uma viagem de 20 anos de avi�o.

Desligando-o e estando ele t�o longe, n�o o saber�amos por 8 minutos inteiros.

� t�o grande que seria poss�vel encaixar um milh�o de Terras dentro dele.

T�o pesado que a sua gravidade controla todo o sistema solar.

Mas quem precisa de n�meros?

N�s temo-lo realmente.

N�s vemo-lo todos os dias,

uma face familiar no nosso c�u.

De perto � irreconhec�vel.

Um mar turbulento de g�s incandescente.

O term�metro eleva-se a mais de 5 mil �C.

No seu centro estar�o dezenas de milh�es de graus.

Quente o suficiente para desencadear uma reac��o nuclear,

transformando milh�es de toneladas de massa em energia

em cada segundo.

Mais do que toda energia alguma vez produzida pelo Homem.

Em casa vemos esta energia como luz,

sentimo-la como calor.

Mas visto de perto n�o h� nada de reconfortante acerca do Sol.

Est� t�o cheio de actividade el�ctrica e magn�tica

que explode nestes enormes c�rculos incandescentes

chamados proemin�ncias.

Cada uma libertando mais energia que dez milh�es de vulc�es.

Pod�amos passar a Terra por um destes ciclos

e ter ainda dezenas de milhares de quil�metros de sobra.

E nas suas origens, as camadas inferiores mais frias s�o expostas

fazendo pontos solares.

S�o uma frac��o mais frios que as vizinhan�as.

� por isso que s�o pretos,

mas ainda assim s�o mais quentes que qualquer coisa na Terra.

E tamb�m s�o enormes.

Alguns deles t�m pelo menos 50 mil quil�metros de di�metro.

Uma explos�o solar.

Um fluxo super-aquecido de g�s electrificado

lan�ando radia��o letal para o espa�o.

Mas um dia, tudo isto parar�.

O combust�vel solar ser� gasto.

Quando morrer, isso ser� o fim para a Terra tamb�m.

Este deus cria vida, e destr�i-a.

Exige que mantenhamos dist�ncia.

Este cometa passou demasiado perto.

Foi derretido pelo calor solar,

criando uma cauda que se prolonga por milh�es de quil�metros.

Est� um gelo aqui.

N�o h� d�vida de onde este cometa veio,

dos res�duos gelados do espa�o long�nquo.

Mas olhem para todo este vapor, g�isers e p�.

� o Sol de novo, derretendo o cora��o gelado do cometa.

Um tipo de bola de neve grande e suja,

coberta por peda�os de alcatr�o.

Pequenos gr�os do que parece mat�ria org�nica

preservada no gelo desde... quem sabe quando.

Talvez desde o in�cio do sistema solar.

Digamos que um cometa como este embateu na Terra h� milh�es de anos.

Talvez tenha trazido mat�ria org�nica e �gua,

os ingredientes essenciais para a vida.

Pode at� ter trazido as sementes da vida para a Terra que evolu�ram em mim e em si.

Mas digamos que embate na Terra agora...

pense nos dinossauros, extintos pela colis�o de um cometa ou aster�ide.

� apenas uma quest�o de tempo.

Eventualmente, um dia, a n�o ser que encontremos uma maneira de nos protegermos

teremos o mesmo destino dos dinossauros.

A Terra est� segura, por enquanto.

Mas se a vida na Terra fosse obliterada, estar�amos presos aqui fora,

sem abrigo

� deriva num universo hostil.

Precisar�amos de encontrar uma nova casa.

Entre os milh�es, bili�es de planetas deve existir um

que n�o seja demasiado quente ou demasiado frio, com ar, luz solar, �gua.

Com oxig�nio suficiente pod�amos viver confortavelmente.

O planeta vermelho.

Inconfund�vel, Marte.

Por s�culos olhamos para Marte em busca de companhia,

de sinais de vida.

Algures, ali em baixo, pode existir vida extraterrestre.

Mas estaremos preparados para a encontrar?

Preparados para reescrever os livros de hist�ria?

Para rasgar os livros cient�ficos? De por o mundo do avesso?

Que acontece a seguir?

Pode mudar tudo.

Mais do que qualquer outro planeta Marte captura a nossa imagina��o.

Pense em filmes de fic��o cient�fica, de com�dia. O que se segue?

Marcianos.

� tudo fic��o, certo?

Mas e se houver realmente algo aqui?

Se existe, est� a viver num planeta morto.

Os processos que tornaram a Terra habit�vel

acabaram h� centenas de milh�es de anos atr�s aqui.

Vermelho e morto.

Marte � um f�ssil gigante.

H� algumas coisas vivas.

Um redemoinho, grande, maior que os maiores tornados na Terra.

Existe vento aqui, e onde h� vento h� ar.

Ar que pode manter vida extraterrestre.

Mas � demasiado rarefeito para podermos respirar,

e est� cheio de di�xido de carbono sufocante.

N�o h� nada que proteja Marte dos raios ultravioletas.

E est� frio, temperaturas at� -80 �C.

�gua gelada no ch�o, nos p�los e at� na atmosfera. Neve.

� dif�cil acreditar que alguma coisa possa sobreviver aqui.

Mas na Terra existem criaturas que sobrevivem em frio extremo

calor e at� nos mais profundos abismos oce�nicos.

� como se a vida fosse um v�rus.

Adapta-se, espalha-se.

Talvez estejamos a espalhar o v�rus da vida pelo Universo neste momento.

Mesmo nas condi��es mais extremas a vida, geralmente, encontra uma maneira.

Mas num planeta morto

sem actividade geol�gica para repor os minerais e nutrientes no solo,

sem calor para derreter a sua �gua congelada

e todo este p�,

� dif�cil ver o onde se quer chegar.

Mas n�o podemos deixar de ver isto.

Monte Olimpo.

Um antigo e enorme vulc�o

Tr�s vezes mais alto que o Evereste.

T�o largo que se estenderia quase at� Espanha.

Desde a sua descoberta na d�cada de 70 que foi declarado extinto.

Parece que algo se passa nas suas encostas.

� como se lava flu�sse nelas.

Mas qualquer fluxo de lava deve ter acabado h� muito tempo,

obliterado por embates de meteoritos.

A n�o ser que este monstro n�o esteja morto no fim de contas.

Se n�o estiver, hoje em dia pode existir magma derretido debaixo da crosta.

Isto muda tudo.

Actividade vulc�nica pode estar a derreter o gelo do solo,

reciclando minerais e nutrientes, criando condi��es para a exist�ncia de vida.

Isto faz com que o Grand Canyon pare�a uma fresta no pavimento.

N�o tem fim.

� t�o comprido que se estenderia por toda a Am�rica do Norte.

Mas olhe,

sinais de actividade.

Eros�o e o que parece serem leitos secos no fundo do desfiladeiro.

Talvez a actividade vulc�nica tenha derretido gelo no solo,

enviando �gua por este vasto desfiladeiro.

Actividade essa que, sabemos hoje, poder estar ainda a derreter gelo,

criando �gua.

E onde h� �gua, pode haver vida.

Se encontrarmos �gua l�quida

h� uma hip�tese de encontrarmos seres vivos.

Divagando por esta paisagem deserta,

o rover Opportunity da NASA.

Est� a encontrar provas que estes planaltos est�reis j� foram lagos

ou oceanos, que podem ter suportado vida.

Olhe para estes canais.

Quando sondas em �rbita de Marte passam sobre eles

continuam a revelar alguns recentes.

Mais uma prova que Marte est� bem vivo.

Que pode existir �gua subterr�nea criando estes canais.

�gua que pode suportar vida marciana.

Agora tudo o que temos de fazer � encontr�-la.

A n�o ser que j� a tenhamos encontrado,

n�o em Marte, mas na Terra.

Existe uma teoria que afirma que aqui come�ou a vida

e depois se mudou para a Terra.

A ideia � a de que o impacto de um aster�ide

lan�ou fragmentos de Marte com min�sculos micr�bios

para o espa�o e para a jovem Terra,

onde semearam as origens da pr�pria vida.

N�o admira que achemos Marte fascinante.

Pode ser o nosso lar ancestral.

Se � verdade, significa que somos todos marcianos.

Marte que pens�vamos conhecer desapareceu,

substitu�da por este planeta novo, activo, em mudan�a.

E se n�o conhecemos Marte,

possivelmente o planeta mais estudado do sistema solar,

o que mais desconhecemos?

T�m de existir outros segredos l� fora,

� espera de serem descobertos.

Isto est� a tornar-se assustador.

� como estar dentro de um jogo de computador gigante.

Mas estes s�o todos bastante reais.

Aster�ides.

Alguns deles com centenas de quil�metros de largura.

Este deve ter cerca de 30 quil�metros de comprimento.

E olhem,

atracada nele,

uma sonda espacial.

N�o deve ter sido f�cil aterrar num aster�ide que orbita a 80 mil km/h.

� muito esfor�o para investigar destro�os.

Destro�os,

que por vezes colidem, partindo-se e precipitando-se para a Terra

como meteoritos.

Amuletos m�gicos,

talism�s sobrenaturais,

e mais que isso...

Acontece que foram destro�os como este que se juntaram e deram origem aos planetas,

incluindo o nosso.

Portanto, datando os meteoritos encontrados na Terra

sabemos que os planetas se formaram � 4,5 bili�es de anos atr�s.

Estes s�o os certificados de nascimento do nosso sistema solar,

do nosso planeta.

Mas por alguma raz�o, estas rochas n�o deram origem a um planeta.

Alguma coisa o deve ter impedido.

Alguma coisa poderosa.

J�piter.

Que monstro.

Pelo menos 1000 vezes maior que a Terra.

T�o grande, que poder�amos colocar todos os outros planetas dentro dele.

Algo t�o grande ter� uma grande influ�ncia nas vizinhan�as.

A sua gravidade impede os aster�ides de formarem um planeta.

E olhem s� para ele...

� deslumbrante.

Mas de perto

talvez as coisas n�o sejam bem o que parecem.

Este enorme planeta � quase todo g�s.

Aterrar aqui significaria afundarmo-nos nas suas camadas

talvez nunca encontrando superf�cie s�lida.

E o bonito aspecto de J�piter,

produto de viol�ncia extrema.

Roda a um ritmo enorme,

levantando ventos de centenas de km/h.

Desfigurando as nuvens em faixas, remoinhos.

E isto,

a legend�ria Grande Mancha Vermelha.

A maior e mais violenta tempestade do sistema solar.

Pelo menos 3 vezes o tamanho da Terra.

Alastra-se � pelo menos 300 anos.

Todas estas nuvens brilhantes provocaram uma tempestade el�ctrica.

Um s� raio � 10 mil vezes mais poderoso do que qualquer um em casa.

Parece que o melhor lugar,

o lugar mais seguro para observar J�piter,

� � dist�ncia.

� simplesmente lindo,

dan�ando nos p�los como a aurora na Terra.

Mas o leitor de radia��es est� a disparar.

Parece que at� estas s�o letais,

geradas por radia��es mort�feras atra�das do espa�o

pelo poderoso campo magn�tico de J�piter.

Come�amos a perceber que por aqui

nada � o que parece.

O Universo est� cheio de contradi��es,

rasteiras,

armadilhas.

Neste momento precisamos de um lugar seguro,

um s�tio para esticarmos as pernas,

recuperar o f�lego.

Talvez isto,

a lua multicolor Io, seja isso.

Aquelas cores bonitas s�o pedra fundida, enxofre, vulc�es,

libertando cinzas e enxofre em brasa para o c�u com centenas de quil�metros.

Isto n�o � nenhum s�tio seguro.

Este � o s�tio mais vol�til que vimos desde o Sol.

A nossa viagem m�gica ao limite do Universo

est� a tornar-se um voo desesperante.

Temos de continuar a acreditar,

a ter esperan�a que para al�m dos perigos h� maravilhas

� espera de serem descobertas.

650 milh�es de quil�metros de casa.

Que s�tio estranho.

E no entanto parece algo familiar.

Um pouco como o �rctico, com todo aquele gelo,

todas aquelas cristas e falhas.

Esta � Europa

e talvez, como no �rctico, este gelo esteja a flutuar em �gua,

�gua l�quida.

� um pensamento intrigante,

mas a 800 milh�es de quil�metros do Sol

certamente que Europa estar� congelada.

A n�o ser que a gravidade de J�piter esteja a causar fric��o no seu interior,

impedindo Europa de congelar,

permitindo que a vida se desenvolva na �gua subterr�nea.

Podemos estar a metros de dist�ncia de extraterrestres.

De todo um ecossistema de micr�bios,

crust�ceos, lulas at�.

A �nica coisa entre n�s e a possibilidade de vida extraterrestre

� esta camada de gelo.

Mas at� enviarmos uma nave espacial para perfurar o gelo

Europa manter-se-� um dos maiores mist�rios do sistema solar.

Tem cativado a nossa imagina��o.

Assombrando os nossos sonhos.

E aqui est�,

girando � nossa frente,

Saturno, a j�ia na coroa do sistema solar.

V�-lo faz com que tudo o que pass�mos

valha a pena.

H� algo m�gico acerca de Saturno.

Uma bola de g�s gigante t�o leve que flutuaria na �gua.

Os seus an�is espectaculares podiam ir da Terra � Lua,

mas t�m apenas algumas centenas de metros de profundidade.

Aquela � a �rbita da Cassini.

Est� a detectar emiss�es r�dio fantasmas,

provavelmente geradas por auroras nos p�los de Saturno.

Esta � a verdadeira m�sica das esferas.

E a Cassini diz-nos que estes an�is s�o provavelmente tudo o que resta

de uma lua destru�da pela for�a grav�tica de Saturno.

Beleza incompar�vel,

a partir de destrui��o total.

Bili�es de peda�os de gelo, alguns t�o pequenos como cubos de gelo

outros do tamanho de casas.

Eles chocam,

partem-se

re�nem-se.

� como uma fotografia do nosso sistema solar jovem,

quando g�s e p� orbitavam o Sol rec�m-nascido,

e a gravidade fazia a sua magia,

reunindo os fragmentos, at� que de destro�os como estes

o nosso lar emergiu.

Pod�amos ficar aqui para sempre atra�dos pelo encanto de Saturno.

Mas temos que nos arrastar para longe.

Temos ainda tanto que percorrer, tanto para aprender.

O que n�o � f�cil quando o maior objecto ao alcance � esta lua

envolvida em nuvens espessas.

Tit�.

Parece existir atmosfera aqui em baixo.

H� vento, chuva, at� esta��es.

E vejam estes rios, lagos e oceanos.

� o local mais parecido com a Terra que vimos at� agora.

Talvez afinal tenha valido a pena afastarmo-nos de Saturno.

Excepto que aquilo n�o � �gua, � g�s natural l�quido.

Deve haver aqui milhares de vezes mais g�s natural que em todas as reservas da Terra.

Se o consegu�ssemos levar para casa, poderia sustentar as nossas cidades,

abastecer os nossos carros, por milhares de anos.

Ou ent�o, um dia, possamos utiliz�-lo aqui,

para abastecer uma col�nia.

Isto assumindo que ainda n�o existe vida em Tit�.

A sonda espacial Huygens,

largada para a superf�cie de Tit� pela Cassini, est� aqui para descobri-lo.

Diz-nos que existem materiais org�nicos no solo.

Mas est� tanto frio... -180 �C.

N�o h� forma destes se unirem para formar vida.

A n�o ser que Tit� aque�a.

Prev�-se que o Sol venha a aquecer.

Quando o fizer, talvez vida flores�a aqui,

como na Terra, h� bili�es de anos atr�s.

� medida que a Terra fica demasiado quente para n�s,

talvez nos mudemos para Tit�.

Um dia talvez chamemos a este lugar distante, lar.

Lar.

Estamos agora a pelo menos um bili�o de quil�metros de dist�ncia.

Para l� deste ponto, perdemos contacto visual com a Terra.

Encontramo-nos num abismo,

observando as misteriosas fronteiras do sistema solar.

Se queremos entender o Universo, chegar aos seus confins,

temos de saltar.

Invis�vel da Terra, inexistente por grande parte da hist�ria.

Estamos na fronteira do sistema solar.

� como mergulhar num oceano profundo.

Aqueles an�is...

parece que �rano foi removido dos seus eixos,

influenciado por um planeta � deriva.

Aqui fora � assustador.

J� come�amos a sentir-nos pequenos,

sozinhos.

Talvez nos sintamos assim quando encontrarmos o que se encontra

no fim do Universo.

Mas ainda mal deix�mos a costa.

Reduzindo a Terra ao tamanho de uma ervilha,

viaj�mos menos que 2 quil�metros.

Mas para chegarmos � fronteira do sistema solar

temos de viajar mais 20 mil quil�metros.

Nas profundezas, outra estranha besta.

O deus do mar, Neptuno.

Este gigante encontra-se afogado em g�s.

E vejam, uma tempestade do tamanha da Terra

alimentada por ventos selvagens de 1.500 km/h.

Na Terra � o Sol que influencia o vento,

mas Neptuno est� demasiado longe.

Outra coisa deve estar a criar estes ventos ferozes.

Mas ningu�m sabe o qu�.

O nosso sistema solar � enorme.

� alarmante qu�o pouco realmente conhecemos dele.

Explorando em redor, eis algo onde recuperar.

Depois de todas aquelas bolas de g�s, uma lua s�lida.

Trit�o.

S�lida, mas inst�vel.

Observem estes g�isers, chamin�s c�smicas bombeando material desconhecido.

E esta lua roda em torno de Neptuno contrariando a sua rota��o.

Uma batalha c�smica de vontades.

Mas esta lua zangada ser� sempre derrotada.

A enorme for�a grav�tica de Neptuno est� a puxar Trit�o,

abrandando-o, atraindo-o.

Um dia, ser� despeda�ado por Neptuno.

� o fim.

N�o h� mais luas nem planetas para ver no nosso sistema solar.

Est� a ficar mais frio.

Estamos a afastar-nos do Sol,

a escapar do alcance dos seus tent�culos gravitacionais.

Mas olhem para tudo isto.

N�o � um vazio. Est� repleto de pedras congeladas,

esferas de gelo,

como Plut�o.

At� recentemente parecia que Plut�o estava sozinho,

para l� dele... nada.

Est�vamos enganados.

Mais mundos gelados.

Descobertas t�o recentes que n�o havia consenso para uma defini��o:

plut�ides, planetas-an�es, cubewanos�

Qualquer que seja o nome, as implica��es s�o as mesmas,

o nosso sistema solar n�o � o bonito modelo que pens�vamos.

Para l� de 13 bili�es de quil�metros de casa,

o objecto mais distante alguma vez visto a orbitar o Sol,

outro pequeno planeta gelado chamado Sedna,

descoberto em 2003.

A sua �rbita demora 10 mil anos e dista 130 bili�es de quil�metros do Sol.

Esperem... h� outra coisa aqui.

A 16 bili�es de quil�metros de casa, a sonda espacial Voyager Um.

Se n�o fosse por este monte de alum�nio e antenas

n�o ter�amos imagens dos planetas gigantes,

nenhuma pista acerca das suas luas estranhas.

Viaja vinte vezes mais r�pido que uma bala,

enviando mensagens para casa.

E vejam, de lado, aquele painel dourado,

uma esp�cie de mensagem intergal�ctica numa garrafa.

Cont�m uma apresenta��o gravada em diferentes linguagens.

E um mapa que mostra como encontrar o nosso sistema solar.

Mas se estivermos na selva, ser� sensato chamar por algu�m?

Qualquer um, qualquer coisa pode ouvir o chamamento,

descobrir onde vivemos e vir bater � porta.

Amig�veis ou n�o.

Uma nuvem de icebergs c�smicos parecendo estender-se para o infinito.

Parecem-se com o cometa que vimos anteriormente.

Talvez tenha come�ado a sua vida aqui,

at� que algo o desalojou enviando-o em direc��o ao Sol,

tal como os cometas que podem ter come�ado a vida na Terra

h� bili�es de anos atr�s.

E vendo todo este gelo, talvez tamb�m tenham transportado �gua para a Terra.

� um pensamento surpreendente,

a �gua dos oceanos, no seu caf�, at� no seu corpo,

tudo origin�rio desta distante m�quina de gelo.

Estamos a oito milh�es de milh�es, ou seja, um trili�o de quil�metros de casa,

mas na realidade, isto � apenas um passo de beb�.

Em frente, trili�es de quil�metros, bili�es de estrelas.

� altura de pararmos de olhar para dentro e come�armos a olhar para fora,

de entrarmos no grande e vasto Universo,

no espa�o interestelar.

Espa�o interestelar,

muito para l� do nosso sistema solar...

de que �s feito?

Bili�es de estrelas como o nosso Sol,

muitas com planetas,

muitos deles com luas.

� dif�cil decidir para que lado ir.

H� possibilidades infinitas em qualquer direc��o.

Qualquer que seja, vamos precisar de um s�rio poder de acelera��o.

40 trili�es de quil�metros de casa.

Uma viagem de 150 anos numa nave espacial.

E ainda apenas atingimos o primeiro sistema solar depois do nosso.

Alpha Centauri.

N�o uma, mas tr�s estrelas, girando em torno umas das outras,

presas num confronto celeste.

A gravidade de uma estrela atraindo a outra,

a sua extrema velocidade orbital mantendo-as separadas.

Se nos pus�ssemos no meio, pod�amos ser levados para a superf�cie de uma delas.

Vaporizados, a trili�es de quil�metros de casa,

t�o longe que os quil�metros j� nada querem dizer.

Vamos ter de nos expressar em anos-luz.

Um raio de luz leva 1 ano para percorrer 10 trili�es de quil�metros.

Portanto 40 trili�es de quil�metros s�o 4 anos-luz de casa.

� de doidos.

Dist�ncias t�o longas que est�o quase para l� da nossa compreens�o.

E excitantes.

Quem sabe que mundos estranhos se encontram adiante,

o que iremos descobrir quando, se, atingirmos o limite do Universo.

A 10 anos-luz de Terra, a estrela Epsilon Eridani.

Que an�is espectaculares de p� e gelo.

E algures ali, planetas a serem formados a partir de fragmentos.

A nascer diante de n�s.

Aster�ides e cometas por todo o lado.

Quase que estamos a ver o nosso pr�prio sistema solar,

h� bili�es de anos atr�s,

com cometas a entregar mol�culas org�nicas, �gua a estes jovens planetas,

desencadeando a vida tal como podem ter feito na Terra.

No centro de toda esta ac��o, uma estrela menor que o nosso Sol.

Est� ainda na sua inf�ncia.

Toda a vida neste sistema solar seria primitiva na melhor das hip�teses.

T�m de haver sistemas solares mais maduros e evolu�dos aqui fora.

Mas encontr�-los � como procurar uma agulha num palheiro c�smico.

A vinte anos-luz da Terra,

a estrela Gliese 581.

� da mesma idade do nosso Sol,

e na sua �rbita, este planeta.

Esta na dist�ncia ideal do seu sol, mais perto e a �gua evaporaria,

mais longe e ela congelaria.

Condi��es ideais para a vida ter evolu�do.

E se cometas se tiverem despenhado, entregando �gua e materiais org�nicos,

ent�o vida, seres complexos como n�s, at� civiliza��es como a nossa,

podem estar ali em baixo neste momento.

E se existirem, at� a esta dist�ncia eles podem sintonizar os nossos sinais de TV

e assistir a programas de h� vinte anos.

Mas at� gera��es futuras encontrarem maneira

de comunicar atrav�s de t�o grandes dist�ncias

tudo o que podemos fazer � especular.

N�s e eles,

a viver vidas paralelas desconhecendo a exist�ncia uns dos outros.

A n�o ser que a vida j� tenha existido e desaparecido.

� esse o problema dos cometas.

Eles s�o criadores e destruidores,

como os dinossauros descobriram da maneira mais dif�cil h� 65 milh�es de anos atr�s.

� esta a agulha no palheiro c�smico,

o mais perto que cheg�mos de um sistema solar habit�vel como o nosso.

Mas � uma hip�tese encontrada.

Podem existir milhares, milh�es de sistemas solares como este l� fora.

Ou ent�o nenhum.

Isto � enorme, e vejam, � o planeta Bellerophon.

Est� t�o pr�ximo do seu sol que foi um milagre ser descoberto.

O problema � que da Terra n�o conseguimos ver planetas assim t�o longe,

que s�o obscurecidos pelo brilho das suas estrelas vizinhas.

Mas os planetas t�m uma pequena influ�ncia grav�tica nas suas estrelas.

Medindo estes pequenos movimentos a trili�es de quil�metros de dist�ncia

e � poss�vel provar a sua exist�ncia.

Foi assim que se detectou Bellerophon na d�cada de 90.

Abrindo as portas � descoberta de milhares de outros planetas distantes.

65 anos-luz da Terra.

Ao sintonizar esta estrela brilhante

ter-se-ia os sinais de televis�o dos Jogos Ol�mpicos de Berlim de Hitler.

Estrelas g�meas.

� Algol, a estrela dem�nio,

temida desde a antiguidade devido ao seu comportamento sinistro.

Da Terra, parece piscar quando uma estrela passa em frente da outra.

De perto � ainda mais estranho.

Uma estrela expandiu-se at� � for�a grav�tica da outra.

Est� a ser sugada em direc��o a ela.

A quase 100 anos-luz de casa. Ou�am.

Uma das primeiras transmiss�es de r�dio emitidas, apenas um fraco sussurro.

N�s gostar�amos que todos os que ou�am esta transmiss�o, comuniquem connosco.

Estamos muito ansioso por saber at� onde ela chega.

E depois sil�ncio.

A partir daqui � como se a Terra nunca tivesse existido.

Quaisquer extraterrestres que vivam para l� n�o ter�o ideia que n�s l� estamos.

Parece que foi � uma vida que estivemos naquela praia,

a olhar para o c�u,

a pensar onde e quando nos encaix�vamos.

� tempo de apreciarmos as maravilhas que observamos,

n�o s� pelo que elas nos dizem sobre o nosso pr�prio mundo,

mas sobre o que nos podem dizer sobre o Universo,

o seu passado e o seu futuro.

Nas profundezas da nossa gal�xia, Via L�ctea, uma vasta biblioteca celeste,

cada estrela um livro com uma hist�ria para contar.

Est� tudo aqui, � espera que levantemos a capa.

As sete irm�s, filhas do antigo deus grego Atlas,

transformadas em estrelas para confortar o seu pai

enquanto ele segurava os c�us nos seus ombros.

E este gigante, Betelgeuse.

A maior e mais brilhante estrela que vimos at� agora.

Tem de ser pelo menos 600 vezes mais larga que o nosso Sol.

Mas isto, n�o � uma estrela.

Nem um planeta.

Nem como nada que alguma vez tiv�ssemos visto.

Um espectro fantasma, a mais de 1.300 anos-luz da Terra

a nuvem negra de �rion.

P� e g�s t�o denso que nos est� a esmagar

a desligar-nos do universo l� fora.

Ali, no interior, uma bola de luz,

puxando o p� e o g�s para si,

aquecendo, fundindo-se numa bola de g�s incandescente.

Como uma estrela, como o nosso Sol,

em miniatura.

Est�o milh�es de graus no seu interior,

t�o quente que come�a a desencadear reac��es nucleares,

do tipo das que mant�m o nosso Sol a brilhar,

criando energia, radia��o, luz.

Uma estrela est� a nascer.

Ou melhor, estrelas.

A nuvem negra de �rion � uma f�brica de estrelas gigante.

Estamos a testemunhar o nascimento do futuro universo.

Esper�vamos horrores hostis

mas encontr�mos umas das maiores maravilhas criadoras do Universo.

O nascimento de estrelas.

Talvez tenhamos falado cedo demais.

Jactos de g�s, explodindo para o exterior a 200 mil km/h,

lan�ando p� e g�s a milh�es de quil�metros.

� incrivelmente violento,

mas vejam os resultados.

n�o h� palavras.

Nebulosa, grandes nuvens de g�s em suspens�o no espa�o.

Sem vento aqui fora, elas v�o demorar milhares de anos a dispersarem.

Parecem formar uma enorme escultura estelar.

Faz-nos perceber que a natureza � mais que um cientista e engenheiro,

� um artista na maior das escalas.

Vimos algumas coisas estranhas,

mas isto � uma obra de arte.

Uma cabe�a gigante de um cavalo empinado no espa�o.

Estrelas nascem, crescem e depois... depois o qu�?

Morrem? Adormecem calmamente na noite? Ou acabam com um estrondo?

Algures entre aqui e o limite do Universo encontra-se a resposta.

A quase 4 mil anos-luz de dist�ncia,

nuvens luminosas suspensas no espa�o

em redor do que foi em tempos uma estrela como o nosso Sol.

Tudo o que resta dela s�o estes gases coloridos,

elementos formados por fus�o nuclear bem no interior da estrela

e libertados para o espa�o aquando a sua morte.

Verde e violeta, hidrog�nio e h�lio,

a mat�ria b�sica do Universo.

Vermelho e azul, nitrog�nio e oxig�nio,

os tijolos da vida na Terra.

Para n�s vivermos, estrelas como esta tiveram de morrer.

O oxig�nio nos nossos pulm�es, o nitrog�nio no nosso ADN,

foi tudo produzido por fus�o nuclear

em estrelas que morreram muito antes da Terra ter mesmo nascido.

N�s somos feitos de res�duos nucleares estelares.

A nossa �rvore geneal�gica come�a aqui.

No seu cora��o, o fantasma da estrela.

� uma an� branca.

Branca, quente, pequena,

mas incrivelmente densa.

Nos momentos finais da estrela os seus �tomos juntam-se a fundem-se,

fazendo-a t�o densa que uma simples colher de ch� desta an� branca

pesaria uma tonelada.

� um mau press�gio do destino do nosso Sol.

Daqui a 6 bili�es de anos ele transformar-se-� numa an� branca.

A sua morte implicar� o fim da vida na Terra.

Faz-nos pensar quantos mundos j� existiram e desapareceram,

hist�rias que ficaram por contar,

livros celestes perdidos para sempre.

Mas a maior hist�ria de todas permanece por contar.

Temos de retroceder no tempo, mesmo at� ao primeiro cap�tulo,

para contarmos a hist�ria de como o Universo come�ou.

Os restos espalhados de uma estrela morta,

uma nebulosa, a Nebulosa de Caranguejo.

Estamos a 6 mil anos-luz de casa,

dentro de um cemit�rio estelar.

Aprendemos tanto, vendo coisas que nunca ter�amos acreditado poss�veis.

Agora s�tios como estes,

maravilhas anteriormente para l� da imagina��o,

tomam-nos de surpresa.

Estamos prontos,

prontos para enfrentar o quer que se encontre adiante,

determinados a atingir o limite do Universo.

Parece morto,

mas talvez isto seja apenas a calma depois da tempestade,

depois de uma grande explos�o,

poderosa o suficiente para transformar uma estrela enorme numa nuvem de p� e g�s.

Uma Supernova.

O olho da tempestade, uma estrela girat�ria pulsante,

um pulsar.

A gravidade deve ter espremido o n�cleo da estrela gigante, resultando nisto.

S� tem 20 quil�metros de di�metro.

Incrivelmente denso.

Um ponto de alfinete dele pesaria milhares, talvez milh�es de toneladas.

Enquanto diminui, como um patinador no gelo girando com os bra�os esticados

e depois encolhendo-os, come�ou a girar mais r�pido.

Dois raios de luz, energia, radia��o, girando 13 vezes por segundo,

alimentando a enorme nuvem de p� e g�s.

H� tanta radia��o aqui... mais at� do que no Sol.

Aquilo foi facilmente a coisa mais mort�fera que encontr�mos at� agora.

Antes, ter-nos-ia aterrorizado,

mas agora percebemos que sem perigos n�o haveriam maravilhas,

sem pesadelos n�o existiriam sonhos.

Temos uma sensa��o estranha,

um pressentimento,

como se houvesse algo mau aqui fora,

uma presen�a mal�vola.

A �nica coisa que n�o quer�amos encontrar,

impossivelmente preto,

tapando as estrelas atr�s dele.

Estamos a olhar para a face da extin��o.

As sobras de uma estrela gigante, um buraco negro.

Em vez de se contrair numa an� branca ou num pulsar,

continuou simplesmente a diminuir.

A diminuir, a ponto de ter apenas alguns quil�metros de di�metro.

Muito mais denso que um pulsar, e imposs�vel de resistir.

Se passarmos demasiado perto n�o h� maneira de regressar.

Agora sabemos porque � um buraco negro.

A sua for�a grav�tica � t�o intensa que nem a luz consegue escapar.

Este aster�ide � um bocado de rocha s�lida,

mas est� na realidade a esticar, a ser arrastado para o buraco escancarado.

No interior n�o existe mat�ria como a conhecemos,

nem tempo, nem espa�o.

Todas as leis da f�sica colapsam.

O aster�ide desapareceu.

A verdade � que ningu�m sabe bem para onde.

Estamos a olhar para o limite da compreens�o humana.

Podem existir milh�es de buracos negros a divagar na nossa gal�xia,

talvez at� mais do que todas as estrelas no c�u,

mas n�o os ver�amos at� ser demasiado tarde.

Como esta estrela, espiralando,

desaparecendo atrav�s de um buraco invis�vel.

Quem pode afirmar que n�o vivemos dentro de um enorme buraco negro?

Que o Universo n�o est� dentro de um neste preciso momento,

o qual faz parte de um outro universo?

Pense nisso tempo suficiente e a sua cabe�a doer-lhe-�.

Por vezes parece que quanto mais vemos menos sabemos.

Mas sabemos que a nossa gal�xia � mais complexa e perigosa

do que alguma vez imagin�mos.

E ainda estamos na nossa pr�pria gal�xia, a Via L�ctea.

A grandeza do Universo ainda se encontra adiante.

As maravilhas, os perigos, os segredos, est�o l� fora.

Mas primeiro temos de encontrar maneira de sairmos da Via L�ctea.

Sete mil anos-luz de casa,

ainda bem dentro da nossa gal�xia.

� como estiv�ssemos numa densa floresta com �rvores, cada uma t�o bonita,

t�o fascinante, que � imposs�vel olhar para o lado,

para ver todo o cen�rio.

Temos de encontrar uma passagem, chegar ao limite da gal�xia.

S� a� podemos come�ar a entender onde ela e todos n�s come��mos.

Mas quando se encontram paisagens como esta � dif�cil partir.

Uma nuvem brilhante colossal sobreposta por estas enormes torres de p�,

os pilares da cria��o.

Como um portal para a gal�xia distante.

Ambos os pilares repletos de pequenos objectos.

Sistema solares embrion�rios,

cada um do tamanho do nosso sistema solar.

Outro monumento para a espantosa criatividade da natureza.

Temos de ignorar a sua cativante beleza.

� altura de nos afastarmos,

para continuarmos em direc��o ao fim da gal�xia.

Maravilhados com a beleza da Via L�ctea,

fomos cegos nos seus terrores e levados para um campo minado.

Como uma explos�o em c�mara lenta

nuvens gigantes de g�s saem desta estrela.

Uma estrela massiva, milh�es de vezes mais brilhante que o Sol.

Est� a entrar em fus�o. O seu combust�vel est� a acabar,

as reac��es nucleares que a sust�m a diminu�rem.

Assistimos aos seus �ltimos momentos.

Eventualmente o n�cleo ir� implodir.

O resultado: um novo buraco negro.

Uma estrela ainda maior e mais inst�vel.

Mas esta est� prestes a explodir.

E quando uma estrela deste tamanho morre

� cem vezes mais violento que uma Supernova.

Fomos dar com a morte de uma estrela de uma viol�ncia inimagin�vel,

uma Hipernova.

O n�cleo colapsou.

Est� a transformar-se num buraco negro.

E essa � a onda de choque, espalhando-se pela estrela,

enviando as suas camadas externas para o espa�o.

H� radia��o mort�fera por todo o lado,

suficiente para ter um efeito catastr�fico em qualquer planeta em redor.

Quando, h� 400 milh�es de anos, as esp�cies terrestres foram extintas,

o culpado pode ter sido uma destas.

Hipernovas mort�feras, cometas gelados, planetas � deriva,

an�s brancas, gigantes vermelhos,

Terra.

Pequenas gotas numa enorme piscina de luz branca.

A nossa gal�xia m�e.

Via L�ctea.

Quer�amos saber onde nos encaixamos...

Aqui est� a resposta.

Civiliza��es passadas e presentes,

todos os que j� viveram,

o insecto mais pequeno, a maior montanha,

tudo isso, invis�vel.

Nem mesmo um pequeno cisco.

O nosso lar � um planeta menor de uma estrela insignificante.

Se desaparecesse, quem reparava?

E no entanto ainda n�o encontr�mos s�tio melhor para vivermos,

ou onde pud�ssemos viver.

S� agora, longe de casa, � que come�amos a apreci�-la.

Olhem para todas estas estrelas.

Centenas de milhares delas.

De certo que uma delas, mais do que uma

ser� capaz de suportar vida.

Talvez aqui, neste agregado de estrelas,

a grande constela��o.

Nos anos 70, os astr�nomos enviaram uma mensagem nesta direc��o

contendo a nossa estrutura de ADN e a localiza��o do sistema solar.

Mas a dist�ncia � tal, que a mensagem s� chegar�

daqui a 25 mil anos.

N�o encontr�mos vida extraterrestre... ainda.

Nem encontr�mos raz�es para pensarmos que n�o esteja aqui...

algures.

H� uma equa��o

obtida para estimar o n�mero de outras civiliza��es avan�adas.

Inserindo os dados o resultado � chocante.

Podem existir milh�es de civiliza��es...

apenas na nossa gal�xia.

Tudo o que j� vimos pertence � Via L�ctea.

Cheg�mos ao momento de

de vermos outras gal�xias,

de vermos um cen�rio ainda maior

e talvez respondermos � quest�o:

de onde � que tudo isto veio?

Estamos prontos

para deixarmos o nosso sistema solar,

a nossa gal�xia,

e entrarmos no espa�o intergal�ctico.

Para l� da Via L�ctea

atrav�s do vasto espa�o entre gal�xias.

Contra todas as probabilidades,

cheg�mos ao espa�o intergal�ctico.

Aqui fora n�o h� horizonte.

At� as gal�xias mais pr�ximas est�o a milh�es de anos-luz.

Os restos de gal�xias destru�das pela for�a grav�tica da Via L�ctea.

Espalhadas por...

nada.

Isto � o mais pr�ximo do v�cuo que encontramos no Universo.

Mas at� isto n�o � totalmente vazio.

H� finas teias de g�s, resqu�cios de p�,

e algo mais...

mat�ria negra.

T�o misteriosa que n�o a conseguimos ver,

sentir, saborear, tocar

ou at� medir.

E no entanto � t�o comum que pode constituir 90% do Universo.

Se a mat�ria negra existe

significa que espa�o vazio � coisa que n�o existe.

At� aqui fora estamos rodeados de mat�ria.

S� sabemos que existe pelo seu efeito nas gal�xias,

como esta,

a Grande Nuvem de Magalh�es.

A mais de 6 bili�es de anos na nave mais r�pida da actualidade.

A 160 mil anos-luz da Via L�ctea,

no limiar do seu campo grav�tico.

Esta gal�xia devia rodar espa�o fora.

Mas algo a prende aqui.

Algo invis�vel,

poderoso...

Mat�ria negra.

Estrelas.

Constela��es.

Nebulosas.

� um vasto tesouro astron�mico.

Mas vejam, � como uma corda pulsante a cintilar.

� uma bola de fogo,

a afastar-se do que deve ter sido uma enorme explos�o.

Uma Supernova,

t�o brilhante, que quando a luz chegou � Terra em 1987

era vis�vel a olho nu,

e t�o violenta que desencadeou reac��es nucleares

agrupando �tomos resultando na cria��o de novos elementos:

ouro, prata, platina...

atirando-os para o espa�o.

O ouro no anel do seu dedo

foi forjado numa Supernova como esta,

a trili�es de quil�metros de dist�ncia, bili�es de anos atr�s.

Quando come��mos a viagem o Universo parecia separado,

uma coisa l� em cima no c�u.

Est�vamos errados.

A hist�ria do Universo � a hist�ria de todos n�s.

� reconfortante recordar enquanto nos aventuramos...

para cada vez mais longe...

cada vez mais r�pido.

A gal�xia Andr�meda.

A 2,5 milh�es de anos.

Viaja no espa�o quase a um milh�o de km/h.

Tudo no espa�o se est� a afastar,

como detritos de uma explos�o.

Estamos a ver esta gal�xia como ela era na altura

em que os nossos antepassados primatas pisaram pela primeira vez

as plan�cies africanas.

Avan�amos no espa�o

e avan�amos para o passado.

Isto n�o bate certo...

toda uma gal�xia a explodir!

Uma explos�o a esta escala ter� de ser causada

por outra gal�xia.

Parece o fim do mundo.

Mas j� vimos o suficiente para sabermos que n�o � assim t�o simples.

Esta gal�xia n�o ir� morrer,

ir� renascer.

Uma nova forma, talvez at� novas estrelas,

pois p� e g�s colidem criando fric��o, ondas de choque,

levando ao nascimento de estrelas.

Existe ordem neste caos,

um caminho para l� da variedade infinita.

Um intermin�vel ciclo de nascimento e morte,

cria��o e destrui��o.

� um caminho aberto por entre o grande tecido espacial,

que liga ambas as gal�xias.

Existem bili�es de gal�xias no Universo,

cada uma com milh�es, at� trili�es de estrelas,

possivelmente mais estrelas do que gr�os de areia em todas as praias da Terra.

E estas s�o que actualmente existem!

E as estrelas que j� desapareceram?

As estrelas a nascerem e as que ir�o nascer?

Finalmente come�o a ver todo o panorama,

e � maior que alguma vez imagin�mos.

Esta gal�xia,

a enorme Gal�xia do Cata-vento.

Est� t�o longe da Terra que se envi�ssemos uma mensagem para casa agora

demoraria 27 milh�es de anos a l� chegar.

Quem sabe se a nossa esp�cie, o nosso planeta

ainda l� estaria para a receber.

Provavelmente n�o.

Continuamos a viagem para tr�s no tempo.

Passamos a altura em que os dinossauros foram extintos.

Passamos o momento em que as primeiras criaturas andaram na Terra.

2 bili�es de anos-luz de casa.

Aproximamo-nos do fim do Universo.

Regredindo at� aos prim�rdios do tempo.

Isto n�o � uma gal�xia.

� mais brilhante que centenas de gal�xias juntas.

Um ofuscante raio de energia prolongando-se por trili�es de quil�metros.

Algo t�o grande e brilhante tem de ser incrivelmente poderoso.

A experi�ncia diz-nos que aqui, poder equivale a perigo.

Parece um quasar,

a coisa mais mort�fera do Universo.

Se �, a nossa viagem pode estar no t�rmino.

O fim est� quase � vista.

O mais letal, mais poderoso ser do Universo,

um quasar.

Um remoinho de g�s super quente

mais brilhante que centenas de gal�xias.

A fonte deste poder encontra-se dentro do seu cora��o

um cora��o de escurid�o,

um buraco negro massivo, t�o pesado como um bili�o de S�is.

Est� a desfazer estrelas inteiras, a sugar os seus gases,

a devor�-las...

at� � extin��o.

Perdidas para sempre do universo vis�vel.

Vimos o pior que o Universo pode apresentar,

as for�as mais poderosas e destrutivas que o Universo produz.

Vamos agora para o limite do Universo.

Est� quase ao nosso alcance.

Precisamos de ir mais longe, mais r�pido

se queremos ultrapassar os limites conhecidos do Universo.

8 bili�es de anos-luz de casa.

Mais gal�xias.

Mas estas parecem diferentes.

Esfarrapas, pequenas, pr�ximas umas das outras.

Estamos num passado t�o distante

que estamos a ver estas gal�xias antes mesmo da Terra existir.

Ainda s�o jovens, em crescimento.

Estamo-nos aproximar de onde e como tudo come�ou

h� 12 bili�es de anos atr�s.

Vejam as gal�xias.

Parecem pl�ncton primitivo a flutuar num vasto e negro oceano.

� m�gico.

Nuvens de p� e g�s a dan�arem

tomando forma, fundindo-se para criarem gal�xias.

Foi assim que a nossa gal�xia nasceu.

Est�o a desaparecer.

Regredimos para uma altura antes de as estrelas existirem,

para uma Idade escura c�smica.

E antes disso: luz.

O clar�o de uma enorme explos�o.

A explos�o que criou o universo que conhecemos.

Estamos quase l�.

� agora.

Conseguimos.

O limite do Universo.

130 bili�es de trili�es de quil�metros de casa.

13,5 bili�es de anos atr�s.

O exacto instante do Big Bang.

O mais violento e criador instante na hist�ria.

Tudo o que alguma vez aconteceu veio depois deste momento.

Todas as religi�es,

todas as culturas o ponderaram.

Mas ainda n�o sabemos o que desencadeou este acto de cria��o,

ou porqu�...

� aqui que acaba a nossa viagem.

E onde o Universo come�a.

Um ponto infinitamente quente, pequeno e denso irrompe.

Criando o espa�o, o tempo e mat�ria,

o nosso universo em si.

Primeiro � do tamanho de uma part�cula subat�mica.

Uma frac��o de segundo depois,

j� o pode segurar na palma da m�o.

Momentos depois � do tamanho da Terra.

Actualmente, a luz do Big Bang ainda se est� a espalhar,

como uma onda de est�tica.

A sua televis�o apanha-a.

Pode v�-la como est�tica, numa televis�o dessincronizada.

Continuamos...

a avan�ar no tempo,

acompanhando a onda de choque.

Tudo o que vimos na nossa viagem

s�o fa�scas que sa�ram do Big Bang.

Gal�xias, estrelas, planetas... tudo detritos.

De volta � nossa gal�xia.

Ao nosso sistema solar.

At� chegarmos a outra rocha,

rodopiando no resplendor do Big Bang.

A Terra.

Tivemos de ir ao passado para vermos o futuro.

Daqui a 3 bili�es de anos,

a gal�xia Andr�meda choca com a nossa.

Nasce uma nova gal�xia.

O Sol e os planetas sobrevivem,

mas s�o lan�ados numa grande �rbita em volta da nova gal�xia.

O Sol torna-se um gigante vermelho,

engolindo Merc�rio e V�nus,

queimando a superf�cie do nosso planeta,

destruindo toda a vida na Terra.

O Sol morre,

formando uma an� branca.

Estrelas vizinhas tamb�m morrem.

S�o substitu�das por an�s brancas,

pulsares,

buracos negros.

As luzes da gal�xia desaparecem.

Desde o Big Bang, o Universo tem vindo a enfraquecer,

a morrer,

n�o com um estrondo, mas com um um longo murm�rio desfalecido.

Mas pode haver uma hip�tese...

Um escape para o nosso Universo da extin��o.

Os nossos descendentes futuros poder�o encontrar um atalho

atrav�s do tempo e espa�o.

Um Wormhole.

Se existirem outros universos,

poder� levar os nossos descendentes do nosso Universo condenado

para um universo paralelo,

onde eles podem encontrar outra Terra

ainda nos primeiros tempos de vida.

Se forem sortudos eles viver�o

num novo universo.

Um novo lar.

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