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UM + UMA
Cinco, seis. Dois, dois, tr�s...
N�o.
N�o sei por que n�o consegue. Precisa saltar.
Estava aqui e foi para l�. � aqui. O salto � aqui.
Est� aqui. Por que vai para tr�s? Deve ficar na mesma linha.
Vamos.
Cinco, seis, sete, oito.
Um, dois, tr�s, quatro. Salte!
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis, sete, oito.
M�sica. Podemos ouvir a m�sica?
Ayanna, sente-se. Voc� � perda de tempo.
Meninas, venham.
Certo. Ayanna, pode vir.
Depressa, por favor. R�pido.
Certo. Vamos de novo? Relaxa, pessoal.
�ltima tentativa, Ayanna. �ltima.
� agora ou nunca.
Foco!
Cuidado!
-Pare o carro! -N�o mesmo!
Pare o carro!
-Pare o carro! -O que � isso?
Pare o carro! Pare!
-Encoste. -O que est� fazendo, cara?
-R�pido! -Onde est� o pacote?
-Foda-se o pacote. -Foda-se voc�!
O que est� fazendo? O que � isso?
Vamos, mo�a. N�o desmaie, por favor.
N�o desmaie. Vamos, acorde. Por favor!
Chegaremos em dois minutos, aguente. Sai da frente!
Estamos quase no hospital. Dois minutos.
Vamos!
Tem algu�m a�? M�dico, por favor.
Socorro!
Algu�m ajude! Ela est� muito machucada.
M�dico?
M�dico?
Onde est�o todos?
Enfermeira! Um m�dico, por favor!
M�dico? Tem algum m�dico? Por favor, ajudem!
Decidi fazer um filme sobre sua hist�ria.
A hist�ria da sua vida, sua e dela.
Ser� um Romeu e Julieta moderno.
Romeu e Julieta?
Quem s�o esses?
A mais bela hist�ria de amor j� escrita.
-Mas quem � voc�? -Sou diretor. Fa�o filmes.
-Romeu e Julieta? -Sim.
Mas prefiro chamar de Julieta e Romeu.
Qual � seu nome, mesmo?
-Eu n�o disse? -N�o.
Alice.
Alice.
Ol�, Alice.
Ol�, Antoine.
Sabe quem eu sou?
Acho que o reconheci.
Foi por isso que veio?
N�o sei. Talvez.
N�o se arrepende?
-N�o, tudo bem. Sem arrependimentos. -�timo.
Posso fazer uma pergunta idiota?
Dada a situa��o, prefiro que seja idiota.
Al�m da sua m�sica, do que voc� mais gosta no mundo?
-Eu. -Eu?
-Sim. -S�rio?
-S�rio. -Mesmo?
-Tenho certeza que sim. -Claro que sim!
� verdade para todo mundo. Por isso o amor faz sucesso.
� o �nico jeito de amar algu�m que n�o n�s mesmos.
-Mas tenho espa�o para dois. -�?
�s vezes.
Boa not�cia.
E voc�? Do que gosta mais?
Do amor.
Em todas as formas.
-Tem namorado? -Sim.
Est�o juntos faz tempo?
-Tinha tr�s anos quando o conheci. -Nossa!
N�o, nunca encontrei nenhum cara t�o sexy quanto meu piano.
Quanto o qu�?
-Meu piano. -Certo.
Seus par�metros s�o altos.
Sempre toca em esta��es?
Sempre que posso. Adoro tocar em lugares p�blicos.
-� a primeira vez que perco um trem. -Aonde ia?
-Ver outra mulher. -Ent�o � um colecionador.
Um apaixonado. Um colecionador apaixonado.
D� no mesmo.
-Com licen�a. -Claro.
Sim? Sim, estou terminando agora.
Sinto muito.
Por tudo.
Obrigada.
Por tudo.
Com licen�a. Tem aspirina?
Obrigado.
JULIETA E ROMEU
Que avi�o � esse?
Um de nossos 380, um minuto na nossa frente.
Est� 2000 p�s abaixo de n�s. Vai para Singapura.
Temos a mesma trajet�ria, no come�o.
-Trabalho ou lazer? -N�o � lazer, quem me dera!
Estou compondo para um filme de Rahul Abhi,
um grande diretor da nova onda indiana.
Tipo Bollywood?
-N�o exatamente. -N�o?
� mais... � em preto e branco, formato 1:33.
� at� meio...
-Meio entediante! -Entendi!
Um filme de festival.
Mas o diretor ganhou um �scar.
-Certo. -Sim. Estou feliz.
Estamos em uma zona de turbul�ncia.
Para sua seguran�a, permane�a sentado e mantenha o cinto afivelado.
-Teria outra aspirina? -J� levo.
Aqui est�, senhor.
Fui procurar meu pai
Segui o canto da cigarra
O que ele estava fazendo? Tocando guitarra
O qu�? Te amo.
Estou muito feliz.
Se a mam�e pudesse nos ver...
Est� me ouvindo bem?
Quer casar comigo?
Me ouviu?
Achei que tinha desligado. Voc� faria isso.
Vou pegar minhas malas e te ligo de volta.
-Certo? Beijo. -Certo.
Qual � sua profiss�o?
M�sico.
G�nio da m�sica.
Obrigado.
Oi, Rahul! Como vai?
Qual � a programa��o?
Veja, eu gostaria de come�ar
pela grava��o do tema principal.
Com a orquestra.
Depois passamos para...
a cena do roubo, a sala de visita��o...
Terminamos com a coreografia na sa�da da pris�o.
Certo.
Em todo caso...
Svagata. Bem-vindo � �ndia.
-Namast�. -Namast�.
-Segure o volante. -Estou segurando.
Aqui n�s n�o dirigimos. Evitamos acidentes.
� um pa�s de dubl�s.
Se passar por uma farm�cia, pode parar?
-O que tem? -Dor de cabe�a.
-� frequente? -Come�ou no avi�o.
Se sobrevivermos ao hotel, tenho at� amanh� para descansar!
N�o. Temos um pequeno compromisso essa noite.
O embaixador organizou uma recep��o para voc�.
-Merda. -A nata de Bombaim.
Voc� � uma estrela aqui, sabia disso?
Uma superestrela, mesmo.
-Fale de novo. -De novo?
Repita. Sou muito famoso aqui?
Muito famoso?
-Voc� � muito famoso. -Mesmo?
O filme � mesmo uma hist�ria real?
-Isso mesmo. Sabe Sanjay, o ladr�o? -Sim.
Foi preso ao sair do hospital.
E como havia escolhido a vida da mo�a em vez do dinheiro...
E eles mesmos atuam? O ladr�o e a v�tima?
Sim.
S�o como deuses vivos, aqui na �ndia.
Por isso chamei o filme de Julieta e Romeu.
Muito esperto. Por que n�o Eva e Ad�o?
-� meu pr�ximo filme. -Mesmo?
Devemos sempre p�r as mulheres na frente.
-E voc�? Tem namorada em Paris? -Sim.
� pianista.
-Certo. -� linda.
Linda. Me sinto �timo quando estou com ela.
N�o sei bem por qu�.
Quando estamos juntos, parece que estou sozinho.
N�o � maldade.
Ela n�o me incomoda.
Nem eu a ela. Finalmente encontrei...
Ritmo? Equil�brio?
Ou a mim mesmo com peitos. Sabe?
Ela � como eu, s�rio.
N�o nos chateamos, � bom.
O �nico problema � que ela acabou de me pedir em casamento.
Foi agora, faz 15 minutos.
-N�o! -Sim.
-No aeroporto? -Isso.
Casamento para todos, mas n�o para mim.
Essas pessoas na rua, o que pensam da vida?
Como �?
Ou�a... eles aprendem. � a primeira vida.
E a melhor escola � o sofrimento.
� uma grande honra para a embaixada da Fran�a
festejar a presen�a de Antoine Abeilard,
grande compositor franc�s conhecido no mundo todo,
e vencedor do �scar pela trilha de Sinfonia do Acaso em 2010.
Festejamos tamb�m Rahul Abhi,
grande diretor da nova onda indiana.
Seus imensos talentos se uniram para o prazer de todos n�s.
Gostaria de homenagear esta colabora��o
franco-indiana gratificante.
Caro Antoine, bem-vindo � �ndia,
um pa�s onde tudo � poss�vel,
onde a vida e a morte t�m significado diferente de alhures.
O pa�s da...
Como dizer?
-Eternidade. -Eternidade, obrigado.
O pa�s da eternidade, de certo modo.
Caro Rahul, caro Antoine...
-Desculpe. -Brindo � todos.
Brindo aos magn�ficos atores Ayanna e Sanjay,
nossos novos Romeu e Julieta.
Julieta e Romeu.
Isso muda tudo, � outro filme.
-Julieta e Romeu. -Bravo!
Ent�o � a esposa do embaixador?
Algu�m tem de ser.
N�o � dif�cil? As jantas n�o s�o tediosas?
Depende de quem senta ao meu lado.
Certamente.
-Estou indo bem? -Muito bem.
Como escolhe os filmes para os quais compor?
Deixo isso com meu agente.
-Quem �? -Meu agente...
Parece clich�, mas � o acaso.
-Deixa o destino decidir por voc�. -Meu talento � a sorte. Tenho sorte.
Quando se trata de sorte,
creio que temos o que merecemos,
e, no fim, tudo que acontece � para o bem.
A vida � bem feita e sempre est� um passo adiante.
Cada um deve cumprir seu dharma pessoal.
-Sem perturbar o cosmos. -Dharma?
-A ordem natural das coisas. -Entendo. S�o teorias indianas?
Sim e n�o. � fundamental, �ntima e profundamente o que penso da vida.
Tudo acontece para o bem. Estou lendo um livro, O Segredo,
sobre pensamento positivo.
� louco como o poder do pensamento faz coisas acontecerem.
Basta pensar bem forte. Eu falo com o universo.
Digo: universo infinito, fa�a isso acontecer.
Sim, falo assim.
"Universo infinito, fa�a isso acontecer". Me motiva.
Quando pensamos... n�o ria!
Seus pensamentos decolam, se espalham...
Os pensamentos t�m poder. Eles colidem.
H� bilh�es de pensamentos no mundo e ao redor dessa mesa.
Voc� diz "universo infinito" e coisas podem acontecer.
Quando quero me livrar de um pensamento negativo,
vou ao banheiro e o jogo pela descarga.
Mando meu pensamento pelo cano.
Ou, �s vezes, pego um papel,
desenho dois c�rculos, escrevo seu nome, "Antoine".
Escrevo algo que voc� quer muito.
Corto no meio e queimo os peda�os at� virarem cinzas.
Que desocupada!
-Est� rindo de mim. -Porque n�o entendo.
Desculpe, � minha paix�o.
Fala muito bem.
N�o faz sentido, voc� n�o deve estar equipado...
-Quer dizer... -Acha que me falta o qu�?
Um pouco de espiritualidade. � um pragm�tico.
Posso encontrar espiritualidade aqui? Tem nas lojas?
� a �ndia! O centro da espiritualidade. Do sobrenatural.
Terra de mitos, deuses, milhares de hist�rias.
-E... -Voc� n�o teria uma aspirina?
-Dor de cabe�a? Eu o canso! -N�o mesmo, nada a ver.
-� educado. -Fui escoteiro.
Meu olho est� latejando.
Diga "universo infinito, acabe com essa dor".
Fale com o universo. Sempre o fa�o.
Funciona. � o poder do pensamento positivo.
-� casado? -Melhor do que isso, desculpe.
Estou apaixonado.
� �timo. Maravilhoso.
-Qual o nome dela? -Alice.
Legal, � um belo nome.
Alice no Pa�s das Maravilhas.
Foi aleat�rio, escapou.
Desculpe. Aposto que acontece sempre.
� bonito. D� a ideia de...
-O que ela faz? -� pedreira.
N�o, � pianista. �tima. Vir� aqui ap�s as grava��es.
Que legal. Que sorte ser uma artista.
N�o planejei.
Sempre achei que seria mais livre,
mas aconteceu, e me cai bem. Eu gosto.
Como disse, a m�sica �..
Eu tenho...
Nas suas veias.
O embaixador deve estar preocupado.
-O que �? -"Voc� � um artista", em hindi.
Ficaram calados!
� uma amostra da famosa arrog�ncia francesa.
Isso mesmo. Acertou em cheio.
� divers�o.
-Mas... -S�o os pequenos prazeres.
Deve saber disso, senhor embaixador.
Fico extasiado...
Isto � �timo. Achei que me entediaria, mas est� �timo.
-Mesmo. -Era a ideia.
-Entendo a rea��o. -Mas � muito legal.
A no��o do tempo...
-Sente falta da Fran�a? -Em nada.
Encontrei meu prop�sito aqui.
Me sinto perto da terra, das estrelas, da vida, do cosmos...
Me sinto pr�xima da espiritualidade.
E da estupidez? N�o pode estar longe.
N�o, mas me faz rir. Desculpe.
Adoraria ser convertido, mas � complicado.
N�o v� sinais por todos os lados?
Vou precisar de uma semana para me recompor, foi informa��o demais.
E sobre minha pergunta?
� s� no que penso.
Estou obcecado.
Puxa, continue pensando.
Estou obcecado em encontrar a resposta.
Podemos conversar quando voc� vier? Estou meio cansado.
-Te amo. -Sei.
-Ei. Te amo. -Eu tamb�m.
�timo.
Te amo meio cansada, mas ainda assim.
Beijo. Boa noite.
Boa noite.
Posso entrar?
Por favor.
-O que houve? -� que...
Parece que olhei para voc� toda a noite.
E?
Meu marido ficou com ci�mes.
Merda. Desculpe.
-Posso me sentar? -Sim.
Ele disse: "Voc� n�o parou de encarar!
Vai embora! Se achou bonito, vai com ele".
E aqui estou. Me expulsou.
Na vida, h� o que dizemos e o que pensamos.
� meio...
N�o. H� o que dizemos e o que ousamos dizer.
O que acha disso?
Acho que isso � rid�culo,
minha cabe�a est� me matando e adoraria dormir.
E no que pensava ao jantar?
-Tenho que dizer tudo? -Sim.
Me perguntei...
o que aconteceu, para querer trair seu marido.
"Ser� que � uma boa transa?"
-"Ser� que gosta de sodomia?" -Mesmo?
Nas margens do Ganges.
Foi isso que n�o ousei perguntar.
E eu me perguntei se n�o queria me tocar.
Voc� � direta!
Acabei de levar um fora.
Mas est� se adiantando muito. Normalmente...
Voc� � o ca�ador.
� meu papel. Mas est� me encurralando.
-� bom trocar os pap�is. -N�o � ruim, n�o mesmo.
-Mas eu... -Fiquei excitada de fazer isso.
-N�o estamos sonhando? -Com certeza.
-Que horas deve gravar amanh�? -Como?
Quando grava amanh�?
Dez horas.
Certo.
-Tudo bem? -Sim.
-Ol�. -Bom...
-Antoine? -Sim, Laurent.
Muito bom. Apenas desacelere antes do piano.
-Certo. -E as madeiras...
Conseguiu ouvir bem?
Pode tocar um pouco mais forte.
Cuidado com as pausas.
Estava acelerado, mais nos finais.
Certo. Quer mais fade in nos violinos?
-Mais express�o? -Um pouco.
-Tudo bem? -Bom trabalho, pessoal.
Desculpe, meu marido n�o p�de vir. Vim sozinha.
Certo.
Todos se divertiram ontem e o acharam muito simp�tico.
-Digo o mesmo. -Ainda mais o embaixador da R�ssia.
-Antoine? -Sim, desculpe.
Do come�o?
Vamos trabalhar a coda. Pegue do come�o.
Certo, do come�o. Do come�o, de novo.
-Sonhei com voc�, esta noite. -Mesmo?
O que eu fazia?
Voc� veio ao meu quarto depois que seu marido teve um ataque de ci�mes.
N�o houve ataque, fique tranquilo.
Pelo contr�rio. Quer dizer...
� interessante, porque voc� estava...
Estava muito transtornada e muito determinada.
-Eu queria consol�-la e puni-la. -Muito interessante.
Aqui filmamos muitos chapati westerns.
Chapati?
-N�o � spaghetti? -Chapati � um p�o indiano!
Namast�.
Obrigada, n�o sei como agradecer o suficiente.
N�o gostaria de comer conosco?
Comeremos rapidamente e retornaremos.
N�o quero atrapalhar.
� apimentado, � a �ndia!
-Mas � gr�tis. -Na embaixada tamb�m era!
Nunca disse o contr�rio.
Antoine! Senhora! Quero apresentar dois de meus melhores amigos.
Os grandes astros Priyanshu e Kalki.
-Muito prazer. -Sra. Embaixadora. Antoine Abeilard.
-Muito prazer. -Muito prazer.
-� bela. -Obrigada.
Sim, maravilhosa.
-Voc� tamb�m. -Obrigada.
-Aproveitem. -Adorei o cabelo.
-Mas n�o � real. -Certo.
-Aproveitem. -Onde sentamos?
Escolham. Na rotunda? J� os alcan�o.
Adoro a cena art�stica. T�o divertida! � bom variar.
Imagino.
Mas fica o dia todo na embaixada?
Claro que n�o, eu saio muito.
Se n�o estivesse indo viajar, viria sempre ouvir a grava��o.
Vai viajar?
Mais ou menos, � algo delicado.
Vou em uma peregrina��o da fertilidade.
Peregrina��o da fertilidade.
Percebi sua rea��o.
-Ainda n�o consegui ter filhos. -Sinto muito.
Meu marido e eu nos amamos, gostar�amos de ter um filho.
N�o � mais f�cil fazer amor toda hora?
Mas n�o conseguimos...
Fazer amor?
Engravidar.
-� quest�o de tempo. -Sim, mas muitas mulheres fazem isso.
� psicol�gico, depende da hist�ria de cada um.
E o que acontece na minha cabe�a n�o � f�cil.
Como � a peregrina��o?
� incr�vel! Devo ir at� Benares, uma cidade santa.
� uma celebra��o hindu,
milh�es de peregrinos se banham no Ganges, um rio santo.
� a jun��o de tr�s rios.
Conhe�o o Ganges. Sei o m�nimo.
A ideia de purifica��o � forte na �ndia.
As pessoas purificam suas almas.
� um momento de introspec��o, de lavar os pecados,
de deixar o corpo terrestre.
Deixamos os corpos para evitar uma reencarna��o...
-Eu vi isso! -Continue.
-Sou pragm�tico. -E toda a quest�o da fertilidade.
O vaso simboliza a M�e Terra.
O enchem de �gua e v�o ver Amma, no sul da �ndia.
-O que � Amma? -Amma �...
� incr�vel!
� uma das maiores l�deres espirituais de hoje, uma mulher...
Imagine Deus. Ela � um avatar de Deus.
� 100% sagrada. O sagrado permeia nossas vidas.
Quando o vi gravando antes, havia algo sagrado ali.
A m�sica � divina. E ela � 100% divina. D� amor incondicional.
N�o tem ego, desejo... Pode abra�ar dez mil pessoas por dia.
H� uma bela hist�ria sobre a fertilidade.
Uma mulher que n�o podia ter filhos foi at� Amma.
Amma a abra�ou e disse que ela teria uma crian�a.
Mas o m�dico disse que ela n�o estava gr�vida.
Ela voltou a Amma, que disse, voc� est� gr�vida, eu juro.
Mas o ultrassom ainda n�o mostrava nada.
Um ano se passou. Depois de 14 meses, ela deu � luz.
Foi um milagre. Uma lenda, talvez, mas um milagre.
Acredito em milagres.
Ela pode parar minha enxaqueca?
Enxaqueca n�o � nada para ela.
Ela faz coisas bem mais dif�ceis. S� precisa acreditar.
-Que horas � o avi�o? -N�o ando de avi�o.
Tenho medo.
Vou de trem. Peregrina��o, como os indianos fazem.
-Entendo. -Eu...
Ent�o vou de trem, quero fazer como...
-Quero pagar. Quer dizer... -� o namast�.
-Que motiva��o! -Quero fazer como eles fazem aqui.
-O que gosta no seu marido? -O que gosto?
-Acho que ele... ele tem um dom. -�?
� generoso.
� honesto. Sincero.
Puro.
Odeia mentiras e quer mudar o mundo.
-Que tal? -Nada mal!
Pode mudar o mundo e cuidar de voc� ao mesmo tempo?
-� poss�vel? -�, sim.
-Que trabalho! -Sim. E ele se questiona bastante.
Gosto de pessoas assim.
Me fa�o perguntas que ningu�m mais faz.
Como o qu�?
Elas v�m do nada. Quem cria ideias pr�-constru�das?
Por que os ausentes s�o os culpados? Quanto pesa uma balan�a?
-Legal. -Essencial!
Muito essencial.
Onde os p�ssaros pousavam antes dos cabos de luz?
Por que saber a velocidade da luz, mas n�o da escurid�o?
-Essa � �tima! -N�o � t�o pragm�tico assim!
A quem devemos o �ltimo suspiro?
Quando � que o bumerangue resolve voltar? Por qu�?
Quando � que o bumerangue resolve voltar? E por qu�?
-Nunca pensei nisso. -Porque n�o damos a m�nima!
Por isso. N�o ligamos. Mas eu ligo.
Como conheceu sua pianista?
� minha vez de perguntar sobre companheiros.
-� justo. -Isso. Como a conheceu?
Eu perdi um trem.
TODOS PODEM TOCAR!
-Posso tocar? -Sim, todos podem.
Obrigado.
-Toca bem. -Espero que sim! � meu trabalho.
-�? -Sim.
-Sempre toca em esta��es? -Todo dia.
Facilita a vida dos meus vizinhos.
Aqui, se n�o gostam, � s� continuarem andando.
-Ao menos � claro. -Sim.
Voc� tamb�m n�o toca mal.
Espero que sim! � meu trabalho.
� bom!
Vamos incomodar um pouco.
� uma bela hist�ria.
-� rara. -� verdade.
Se apaixona com frequ�ncia?
Honestamente? Toda hora.
-Estou sendo honesto. -E isso � �timo.
Mas � meio desanimador.
-Perde um pouco a raridade. -Sei.
� estranho, mas amo o amor. Gosto do sentimento.
Entendo.
Mas em tudo. Mulheres, m�sica... legumes.
Legumes.
N�o se apaixona pela pessoa, mas pelo amor.
Passa de mulher em mulher.
Imagino que as traia bastante.
Sem parar.
Ao menos, � sincero.
Mas � melhor evitar, quando d�.
Claro que n�o.
Por favor.
N�o sei se nos veremos...
-Um beijo? -Claro.
-Boa sorte. -Voc� tamb�m.
Minhas lembran�as ao embaixador. Quer dizer, Samuel.
-Cuide-se. -Obrigado.
Para a dor de cabe�a, banana, tamarindo e sal. Funciona!
Vou parar no hospital.
-Tchau, senhora! -Pregui�oso! N�o pare.
-Ela � legal. -Achei que n�o iria embora.
Desculpe, eu que a chamei para comer.
-Como est� a dor? -N�o est� horr�vel.
Deixe-a ver.
O co�gulo pode explodir a qualquer momento.
-N�o se preocupe. -Espere...
-Opera��o. -Tenho que voltar para Paris.
N�o pode voar, por causa da press�o no avi�o.
� muito arriscado.
Quanto mais esperamos, maior o risco.
N�o est� certo, Rahul. N�o mesmo.
Prefiro descobrir em Paris. Vamos.
-Faltam cinco minutos. -Prefiro us�-los ao m�ximo.
-J� estou melhor. -Fale com ela. N�o h� de ser nada.
Sr. Abeilard?
Sr. Abeilard?
Tenho um pedido.
Meu primeiro desejo � ter um filho.
Mas se pudesse falar a Amma sobre meu outro desejo, seria �timo.
Farei um pedido especial.
O que est� fazendo?
Beijo a m�o da minha esposa.
Que gentil da sua parte.
� suave.
N�o incomoda que eu ligue toda hora?
N�o, eu gosto.
Onde est�?
� uma tarefa, levo minha esposa � esta��o.
O que est� fazendo aqui?
Tenho tanta dor que optei pela medicina da alma.
Com licen�a.
Nossa, voc� �...
-� corajosa. -Sim.
Como me achou?
Seu marido disse que podia alcan��-la de avi�o.
-Se importa? -N�o, n�o.
-Pegamos um barco? -Isso. E depois um �nibus.
-N�o uma canoa? -N�o, um barquinho.
N�o sei.
� louco estar aqui.
N�o � bonito?
N�o foi ao m�dico?
-Fui, mas... -E?
Sa�, me assustei.
N�o gosto de m�s not�cias.
Medo do m�dico?
Ainda � um filhinho da mam�e.
Totalmente.
-Tem as ma��s do rosto da minha m�e. -�?
-Ela era bonita? -Mais do que isso!
� o amor da minha vida.
E seu pai?
Faz pouco tempo que o conheci.
Como assim?
-Quer saber? -Sim.
-Mesmo? -Sim.
Muito obrigado. � sua sa�de.
Viva a Fran�a!
Sempre leva estranhos para jantar?
-� a primeira vez. -Mesmo?
Muito obrigado.
Por que me encara assim?
-� a primeira vez que o vejo. -Nos conhecemos?
Talvez.
� policial.
-Est� se sentindo culpado? -N�o entendo.
Annie Abeilard.
-Quem? -Annie Abeilard. N�o lhe diz nada?
-Francesa? -Sim.
Conheci muitas francesas.
Louise, Martine...
Annie Abeilard. Atriz.
-E voc� era ator. -Eu? Ator?
Eu tentei.
Sem sorte.
Voc� dois estiveram em um Ettore Scola em 77.
Tem raz�o. Era...
N�s que nos am�vamos tanto. Lindo filme.
-E ent�o? -Aqui estou.
N�o entendo.
Annie!
Annie!
Meu Deus!
Olhe para mim. De frente.
N�o se mexa, eu comando.
Parado.
Para a direita. Olhe para mim. N�o se mexa.
Esquerda.
Muito bonito.
Mas creia, eu era ainda mais.
E sua m�e percebeu isso.
Isso � importante. Quando ela falou de mim pela primeira vez?
Faz tr�s meses.
Logo antes de partir.
Antes de partir. E?
Sempre que eu perguntava de meu pai...
O que ela dizia?
Dizia...
"� um perdedor. Quanto menos souber dele, melhor".
Quanto menos souber,
melhor.
Ela nunca contou que estava gr�vida?
N�o. Foi um caso.
Casos s�o complicados.
Viu seu pai depois disso?
Pode apostar! Est� na minha casa.
-� mesmo? -�.
Recuperando o tempo perdido.
� lindo, n�o?
Me explique. Aonde vamos?
Estamos cruzando o Ganges. Depois pegamos o �nibus.
Vamos � mela, tomar banho no Ganges.
H� dez mil pessoas l� que nos esperam.
Espero que cure sua dor de cabe�a.
Por isso que vim.
-Ainda d�i? -Est� bem.
-As crema��es s�o incr�veis, n�o �? -Sim.
Parece que s�o o meio mais r�pido de reencarnar.
Nunca saberemos de onde viemos nem para onde vamos.
Por isso � melhor aproveitar o que nos � oferecido.
Verdade.
Quando chegamos?
Estamos na �ndia. Sabemos a hora da partida, nunca a da chegada.
N�o tem aspirina a�?
Acho que n�o. Posso ver.
-Tenho perfume. Quer? -N�o.
Tenho...
Um segundo.
Um doce. N�o, acabou.
N�o tenho muita coisa, desculpe.
Uma palavra sua... Uma palavra sua e eu dou o fora.
Largo tudo.
Vamos montar uma barraquinha de crepe.
Melhor ainda, uma barraquinha de naan!
Ele tem uma boa cara.
-Como? -Minha l�ngua � o hindi.
Claro.
Quer ensinar o padre a rezar missa.
Concordo com ele.
S�o duas escolas. A de Jean-Charles, e...
-V� o cora��o quebrado? -Sim. Tamb�m v� sinais, agora.
Dif�cil evitar.
J� que estamos nisso, o que � uma mulher para voc�?
Quer mesmo saber?
Um homem aperfei�oado.
N�o estou de f�rias sem voc�. S�o dois dias! Um pouco de ar puro.
Estive no est�dio por seis meses.
N�o � um final de semana de amantes.
Tem dez milh�es de pessoas aqui, n�o duas.
Ela vai ao Ganges.
Um beijo, te ligo de novo. Te amo.
Estou meio perdida.
Diria que � por ali, mas...
Que m�sica colocaria nessa cena de multid�o?
Nada.
Talvez um cara assobiando.
Ou uma gaita.
Acabaria com um piano e uma orquestra.
Seria legal.
Para onde?
Temos que achar o p�er. N�o tenho ideia.
Para l�. Atravessamos o Ganges, onde fazem ablu��es.
Sim, meu amor?
Tudo bem.
� incr�vel, al�m do imagin�vel.
� surreal, � sublime, �...
Tantas pessoas! N�o sei explicar.
Estou vivendo algo poderoso.
Est� aqui na minha frente, no barco.
Ele quer dizer "al�".
Obrigado.
Bom dia, embaixador.
Bem, obrigado.
Minha namorada chegar� mais cedo, poderia enviar um carro para ela?
� muita gentileza, muito obrigado.
Vou passar para sua esposa. Tchau.
Obrigado.
Sim, eu sei. N�o se preocupe, voltaremos os tr�s.
-Com o beb�. -Te espero.
At� logo. Te amo.
Tchau.
Sim, meu amor?
Desculpe, Ministro.
Tudo bem?
� impressionante.
N�o sei se posso entrar.
-Medo ou covardia? -Covardia, � �bvio.
Me sentiria um vigarista tentando dar um golpe.
Entendo.
Ou�a isso.
"Em certas partes do Ganges, a vida aqu�tica � imposs�vel.
Um ter�o do esgoto � liberado nele.
Bact�rias coliformes chegam a 1,5 milh�es por centilitro".
Pare! Eu sei, li isso.
Mas � pot�vel.
-S�rio? -Sim, � pot�vel.
-� mesmo? -Claro que n�o!
Sei l�! Acredito em tudo que voc� diz, sou uma boba!
� para se purificar, n�o para se lavar.
Os 15 milh�es de indianos tampouco ficam doentes.
-� besteira. -O que � isso?
-Fa�a pela dor de cabe�a. -Espere!
Venha aqui!
Espere, tudo bem.
O que � isso?
-Estou filmando. -O qu�?
Um document�rio sobre a mela.
Estamos no quadro?
-Sim, estava filmando. -Eu n�o. Apague.
-Est� feliz agora? -Sim, obrigado. Bom dia.
-O que �? -Est� fazendo um document�rio.
-Onde podemos comer? -Como?
Queremos comer. Sabe onde podemos ir?
Vamos.
J� viram isso antes?
Talvez em fotos?
Os sadhus buscam a separa��o do corpo e do esp�rito.
Acreditam que ao se concentrarem...
Sim?
Esquecem a dor. E � isso. Pode ver, h� faquires de tudo.
E ele n�o � leve.
Vou em seguida.
Quero fazer.
-Quero ver! -� um desafio.
Eu te vejo.
�?
-Te vejo tamb�m. -Eu sei. O que olha?
Voc�.
Dormiu bem?
Eu dormi.
O que l�?
Se chama Um + Uma.
� sobre a humanidade.
Sobre um homem e uma mulher, Ad�o e Eva,
sobre como seu encontro levou a 7 bilh�es de n�s.
� sobre medita��o, paci�ncia, jovens.
Sobre os grandes privil�gios da vida...
Acredita nessas besteiras?
Passe toda a vida sem ser voc� mesmo, tudo bem.
N�o se conhecer, mentir para si mesmo, por que n�o?
-N�o sou eu mesmo. -N�o.
Sou eu e sou eu mesmo.
N�o sei quem voc� �. Sempre rindo...
-Tamb�m n�o te conhe�o. -� mesmo?
Na verdade, Um + Uma �...
O que � isso?
-Me pondo no seu lugar. -Vai em frente.
Como � ser eu?
-N�o se chateie. -Pode ir.
-E eu serei voc�. -Claro. Sou a Anna, voc� � Antoine.
-Sou Antoine. -Certo.
-Vou p�r a boina. -Vou pegar o livro.
Me endireito.
Voc� sempre escorrega, totalmente blas� e entediado.
De saco cheio de tudo.
-Sra. Embaixadora. -Sr. Blas�.
Um + Uma n�o � s� um livro,
� uma experi�ncia sobre altru�smo.
-N�o falo assim! -Fala.
-Estamos nisso ou n�o? -Tudo bem.
Na verdade � um livro...
� interessante.
Fala sobre um grupo,
pessoas de diferentes nacionalidades que decidem jantar juntas.
Querem encontrar uma l�ngua comum, a do cora��o.
Os bumerangues voltam ou n�o voltam? Quem se importa?
� besta ou o qu�? Ele volta ou n�o?
E as perguntas de merda dos passarinhos!
Onde pousavam antes dos fios de telefone?
Acho que se chateou porque acabou de se ver.
-Claro que n�o. � rid�culo! -Se ouviu e foi um choque.
Rid�culo!
-Um choque. -N�o mesmo!
Sim. � duro se encarar.
-Sua imita��o... -� hora de acordar, Anna.
Me deixe terminar. Sua m�sica � divina.
Mas � s� voc� abrir a boca que nos decepciona. Quase sempre.
Deveria ter um obo� na boca.
� legal, mais po�tico.
-� o instrumento do pobre. -Gostei.
-S� vou assobiar. -Verdade.
N�o concorda?
-Tem outro trem depois desse? -Isso.
E um barco.
E depois, Amma.
E depois, Amma.
O abra�o de Amma.
Como est� a dor?
Est� a�, est� te ouvindo.
Veio por mim ou pela dor de cabe�a?
O que prefere?
O que gostaria?
Voc� sabe.
Pela dor de cabe�a.
Al�?
Estou bem, querido. Onde est�?
Est� come�ando.
-Onde est�? -No aeroporto, esperando as malas.
J�?
Acho que tem um carro te esperando.
Sim, disseram que um motorista viria.
�timo, perfeito.
Certo, querida.
At� logo. Te amo.
Tamb�m te amo. Beijo.
Sim, boa viagem.
-Pare. -Certo, parei.
-Bem-vinda � �ndia! -Obrigada.
� gentil da embaixada, enviar um carro.
� o padr�o.
O embaixador � legal?
Muito legal.
Gosto dele.
-E a esposa? -Tamb�m.
Diria que � excepcional.
-Al�? -Sr. Embaixador?
Sim?
O jantar na embaixada russa foi adiado 30 minutos.
N�o preciso chegar antes de 20h45?
Isso, pode chegar em cima da hora.
Vai dirigir ou usar o motorista?
Vou com o motorista, iremos os dois.
-Obrigado por ligar. -At� de noite.
-Por que me enganou? -Era brincadeira.
Uma piada falha...
Foi assim que conheci minha esposa.
EMBAIXADA DA FRAN�A
-Por favor! -Sim?
-Quando a embaixada abre? -�s 10 horas.
Fui roubada, perdi tudo.
N�o tenho mala, documentos, passaporte...
Nem tenho como comprar um caf�.
Espere. Perdeu a mala ou foi roubada?
N�o sei. Eu adormeci no trem.
N�o lembro de nada.
Venha, vamos pegar um caf�. Me conte tudo.
-Mesmo? -Com certeza.
� da embaixada?
Mais ou menos.
Quanto tempo para tirar um passaporte?
Vamos conversar com calma.
-Posso mesmo subir? -Claro.
Certo. Porque...
-N�o tenho endere�o, telefone... -N�o consigo ouvir.
Quem � voc�, exatamente?
Sou o motorista pessoal do embaixador.
-O que voc� faz? -Sou professora.
-De qu�? -Filosofia oriental para crian�as.
Isso explica a viagem para c�.
Um pouco. A �ndia sempre me fascinou.
Aonde vamos?
Vamos abastecer, pegar um caf� e voltamos para a embaixada.
Te apresentarei ao embaixador.
Acreditei por uma hora que ele era o motorista.
Quando disse que era o embaixador, eu j� estava apaixonada pelo motorista.
Boa hist�ria.
-Estamos quase? -Falta um barco.
-N�o demora. -Sei.
Tenho uma amiga.
Somos pr�ximos.
-Tomara que consertem. -� comum na �ndia.
-O que � isso? -Amendoim.
Obrigada.
N�o estamos exagerando?
No qu�?
Em tudo.
-Foi voc� que veio para a esta��o. -Sim, eu sei.
Foi idiotice.
Me parece que est� prestes a...
esquecer um marido com quem quer um beb�.
E eu, a mulher que quer casar comigo.
N�o estou muito confort�vel.
N�o sei. Talvez.
Se eu contar todos os...
todos os pequenos momentos desde a embaixada,
os pequenos sinais que deu...
-Eu dei sinais? -Com certeza.
De que tipo?
O Ganges com roupa molhada foi um pouco demais.
Tive vergonha pelo barco do lado.
-Estava me purificando no Ganges! -Sim.
Todos no Ganges estavam molhados. Estava molhada como todo mundo.
N�o achei que fosse incomodar voc�.
No mais, sou civilizada, educada.
Eu sorrio, sou uma mulher. Se isso faz de mim uma puta...
Nunca disse isso. Nem diria.
� culpa sua tamb�m, olhe para voc�!
� sedutor, engra�ado, livre, tudo! O que fa�o com voc�?
N�o chore!
N�o estou, mas era para fazer o qu�?
Estamos ferrados, estamos fundo na merda!
Olha para voc�! Brincando, me fazendo rir. Esperava o qu�?
Casos n�o s�o coisa boa. Nunca d�o em nada.
Estamos indo reto para um desastre. Eu n�o...
Te respeito de verdade.
Voc� � tocante e n�o quero machuc�-la.
-Nem a mim. -Obrigada. � emocionante.
-Eu o atingi um pouco, ent�o. -Foi m�tuo.
J� que � t�o esperto, o que fazemos agora?
Continuamos.
-Voc� vai at� Amma e eu volto. -E a dor de cabe�a?
-Ainda est� a�. -Precisa ver Amma.
N�o tem mais alternativa.
Ent�o vamos os dois, mas como amigos.
Sabe, o que acaba de fazer � horr�vel.
Quero voc� ainda mais.
O que me disse �...
totalmente sexy.
N�o era essa a inten��o.
Quero que saiamos mais s�bios disso tudo.
-Soa pretensioso... -N�o, est� bem. Certo.
Me agrada ainda mais.
S� temos problemas de pessoas ricas. Nada grave.
Pegue amendoins.
Qual �! Vamos?
� um casamento ou um funeral?
Acho que um casamento.
Aonde v�o depois?
Acho que at� Amma para a b�n��o. Os veremos l�.
-Sabia que cresci em um barco? -Mesmo?
Meus pais adotivos eram marinheiros.
Passei a inf�ncia em uma barca, nos canais.
Quando estou na Fran�a, os visito na casa-barco.
Estamos quase. Certo. Que gentil!
Certo, eu direi.
Abra�os e beijos, at� depois.
Era Samuel. Ele disse que Alice ficar� na embaixada.
-Est� tudo indo bem. -Que legal.
Depois de vermos Amma, pegarei um voo.
Ser� dif�cil falar com voc� como amigo.
-Podemos deixar fluir. -Claro.
-Est� feliz? -Muito.
-E voc�? -Muito.
� bom sermos amigos!
E aqui no barco, qual seria a m�sica?
Poria uma �pera.
-�pera? -Certamente.
Certamente. Mas nunca escreveu uma.
E a trilha do filme � o qu�?
-Calma, deixe fluir. -Trilhas s�o �peras.
Se Mozart vivesse agora, comporia para filmes.
Os sucessos de Chopin e Rachmaninov foram usados em filmes.
Uma �pera sobre o qu�?
Mulheres no geral.
Eu devo a elas.
-Escrita por voc�? -Isso, por mim.
O que diria?
Algo bem simples. Que est�o certas, nove vezes a cada dez.
Mas sempre come�am pela d�cima vez.
Come�o a te conhecer.
� muito dif�cil manter a familiaridade.
"Deixe fluir".
-Tenho uma ideia. -Qual?
A terceira pessoa.
-Ela vai at� Amma? -Claro! E ele?
Ele vai, e depois tem um voo.
E ele ainda tem dor de cabe�a.
Ele estar� melhor depois.
MINHA RELIGI�O � O AMOR
Oi. O quarto do Sr. Abeilard, por favor.
Tem hor�rio marcado?
-Sim, ele me espera. -� o 206. Segundo andar.
Largue a arma! N�o, pare!
-Conseguiu dormir? -Quase nada.
Normal.
N�o daria certo.
-Muita bagagem. -Sim.
Pena.
-Sabe o que os indianos dizem? -N�o.
Dizem que o que importa nessa vida � se preparar para a pr�xima.
Estamos s� no esbo�o.
Caf� da manh�?
N�o � um sonho louco. Poderia ter acontecido.
Que horror.
Nunca fui t�o ruim.
Nem na primeira vez.
Toda nova mulher � uma primeira vez.
Quem foi a primeira?
A melhor amiga da minha m�e.
Sempre o melhor para o filho.
Se chamava Paula.
Grandes seios, grande professora.
� bom ter uma m�e compreensiva.
N�o, era...
Desculpe.
Deixe.
Achei que nunca terminar�amos.
Ali�s...
Acho que comecei do jeito errado.
-N�o, foi �timo. Foi do jeito certo. -Sim?
-Sim. -Fomos muito convencionais.
Talvez.
� Samuel.
Atenda.
Al�? Como est�?
Demorou para responder.
Desculpe, n�o estava perto do celular.
Tomei o caf� da manh� no terra�o.
Tentei ligar a noite toda.
Mesmo? Estava exausta.
Amma me deixou exausta.
Peguei no sono r�pido, n�o ouvi o telefone. Desculpe.
N�o deu certo com ela?
N�o, foi extraordin�rio.
Nunca me abra�aram assim.
-E Antoine? -O que tem ele?
Amma o ajudou? Se livrou da dor de cabe�a?
-Acho que sim, at� onde sei. -Ele est� a�?
Sim. Quer dizer, est� no quarto dele, n�o aqui.
Acho que volto essa noite.
-Que horas � o trem? -Na verdade, avi�o.
N�o tem mais medo de voar?
Depois de Amma, n�o temo mais nada.
Antoine volta com voc�?
N�o sei, n�o leio a mente dele.
Estarei no aeroporto.
Certo. Te aviso o hor�rio do pouso.
Que m�sica � essa?
� o afinador, afinando o piano.
-Beijo. -Certo.
-At� logo. -Cuide-se. At� depois, beijo.
-Se arrependeu? -N�o.
N�o.
Eu queria.
E voc�?
Me arrependo de ter sido ruim.
Quem liga? N�o foi ruim. �ramos n�s dois.
Talvez n�o estiv�ssemos � vontade.
Talvez, inconscientemente, quis�ssemos que fosse ruim.
Voc� foi ruim para voc�. N�o para mim.
N�o vai ser f�cil explicar que foi ruim.
-Vai contar? -Sim, prefiro contar.
Se eu for honesta, ele me perdoar� mais facilmente.
E voc�?
N�o.
N�o vai ser simples.
Simples demais.
Atende.
� sua vez.
Vamos!
Al�.
Sim? Tudo bem?
Todos aqui s�o atenciosos.
A sua cabe�a est� melhor?
N�o sei se � o efeito Amma, mas sim.
Boa not�cia. Amma parece incr�vel.
Estar� no aeroporto?
-Claro. -Certo.
N�o acho que devamos voltar para a embaixada.
Mas s�o t�o legais. N�o sei como recusar�amos.
Seria um insulto. Quer dizer, para o embaixador.
Tudo bem. At� depois. Beijo.
Est� estampados nas caras!
Se estivermos os quatro no aeroporto...
Senhoras e senhores, estamos no aproximando do aeroporto de Bombaim.
Fechem as mesas, endireitem as cadeiras e afivelem os cintos.
Os lavat�rios estar�o encerrados a partir de agora. Obrigada.
Lindo.
O que �?
� "Romeu e Julieta". Ali�s, "Julieta e Romeu".
� o tema que Antoine escreveu para o filme de Rahul.
-� bonito. -Sim, �.
Sempre acho que essas coisas s� acontecem com os outros.
Ou no teatro.
Por isso precisamos da reviravolta teatral.
Como assim?
-Estar no controle. -No controle do que? De quem?
No controle de...
Al�.
Como? Washington!
Diga ao Primeiro Ministro que retorno em dez minutos.
Estou buscando minha esposa no aeroporto.
Isso � maravilhoso!
Obrigado.
-Como vai, querido? -E voc�?
-Antoine. -Oi, Samuel.
-Alice. -Muito prazer. Anna.
-Caf�? -Claro.
Por ali.
Como foi com Amma?
Nem sei como descrever. Sabe?
N�o. Ela abra�a pessoas por 15 horas sem parar.
No in�cio n�o levei a s�rio, mas � bonito.
� m�gico. Ela doa amor, abra�a as pessoas. Cura as feridas.
� louco.
Ela tem olhar de crian�a,
cheio de generosidade e pureza.
-E sua dor de cabe�a? -Sumiu.
Incr�vel.
� um pouco cedo para saber se voc� est� gr�vida.
Acho que sim.
-Mas com Amma... -Milagres acontecem.
Com Amma, nunca se sabe.
Para mim, funcionou.
-Fui nomeado para Washington. -Que �timo!
-Washington � o melhor? -O melhor dos melhores.
-Para embaixadores. -Fico feliz de morarmos l�.
E a grava��o em Nova York? J� acabou?
Por que saiu assim do filme?
Eu disse. Foi para desanuviar...
E est�o remixando, n�o precisam de mim.
Ou�am, vou ser direto.
Foram recarregar as baterias.
E, n�o sei por qu�,
tenho a impress�o que os resultados foram muito al�m do esperado.
-Sim? -Sim?
Como imaginam, tentei ligar a noite toda. Em v�o.
Nunca desliga o telefone, ent�o me preocupei.
Liguei para o hotel. Ligaram para seu quarto.
N�o havia resposta, ent�o acordei sua namorada.
Pedi que entrasse em contato com voc�.
Mas tamb�m n�o houve resposta.
Ambos imaginamos o pior poss�vel.
Como n�o podia piorar,
ofereci uma bebida, depois outra e outra. Conversamos bastante.
Imaginamos tudo e mais um pouco.
Como est�vamos muito tensos, preocupados,
e eu diria at� muito infelizes,
Alice foi at� ao piano.
Entre Chopin e Mozart, um pouco de Ravel,
comecei a apreciar cada vez mais a companhia da sua namorada.
Em um momento de desaten��o ou desespero, decidi beij�-la.
O beijo se eternizou.
Quando acordamos,
acreditamos ser melhor contar tudo,
para tornar as coisas mais f�ceis para voc�s.
Ou mais dif�ceis.
A verdade sempre triunfa, e por isso ela � t�o inc�moda.
Est� rindo. Nunca est� s�rio.
Alice, pode perdoar meus desvios?
N�o. N�o posso.
Desculpe, mas n�o posso.
Acho que me fez um favor.
Me perdoa?
-Como? -Me perdoa?
N�o.
N�o seria a hora de p�r as cartas na mesa?
N�o acha que s�o cartas o suficiente para uma noite?
Acho que vou terminar minha m�sica.
Voc� vem comigo?
N�o?
-Tudo bem. Partimos como amigos? -S� partimos.
E agrade�o, fez um favor para mim tamb�m.
-Foi um prazer conhec�-los. -O prazer foi todo nosso.
Por que o amor � o �nico rem�dio para a dor que ele causa?
Sinto muito. Nunca deveria ter feito isso.
Espero que me perdoe, um dia.
� um homem maravilhoso e estraguei tudo.
S� quero dizer o que aconteceu.
-N�o, posso imaginar. -Imagina errado.
J� se perguntou coisas que ningu�m mais faz?
-N�o. -Quanto pesa uma balan�a?
Por que bumerangues d�o a volta?
Por que medir a velocidade da luz, n�o do escuro?
Onde os p�ssaros pousavam antes da inven��o dos fios de telefone?
Sabe?
Isso me fascina! Acho essas quest�es essenciais.
S�o as que valem ser feitas, as outras s�o um porre.
Foda-se o resto, porque a vida � um porre.
Nem sei mais o que quero. N�o sei o que desejo.
Obrigada por tudo. Obrigada por n�s. Obrigada por salvar minha vida.
N�o sei o que mais dizer.
E foi um prazer ter te conhecido.
E eu te amei. � isso.
Por favor.
Fique um pouco.
Por que falar essas asneiras?
N�o fizemos nada!
Poder�amos. Dever�amos.
Tivemos controle.
O que importa?
J� a esqueceu, �?
As melhores mem�rias s�o as que podemos esquecer.
J� li Marcel Aym�.
Sabe a diferen�a entre homem e mulher?
N�o.
A mulher.
Me vou.
E vou ver Amma. Tchau.
Sim, ministro.
Obrigado, ministro.
Sou o homem mais feliz do mundo.
Muito obrigado.
Bom dia.
-Vem de onde? -Nova York.
Me d� um aut�grafo?
-Sim. Para quem? -Solenne.
-Solenne. -Amei a trilha de Julieta e Romeu.
Obrigado. Mas j� faz tempo.
-O passaporte? -Desculpe.
Obrigado.
-Tchau. -Tchau.
Vou pegar a mala, me espera ali. Falta a mala.
J� venho.
Antoine, desce da�. O que � isso? Antoine?
Mam�e n�o gosta disso. N�o tem gra�a!
Antoine, desce agora!
Vem aqui. � perigoso. Vem, desce.
Aqui, desce.
Te falei para vir, n�o estou nada feliz.
O que �? Pare de rir, n�o tem gra�a.
Antoine, acalme-se. Pare.
Oi.
-Como vai? -Bem. E voc�?
-O que faz aqui? -Estou vindo de Roma.
E voc�?
Nova York.
Faz tempo.
-Estava compondo? -Sim. � tudo que sei fazer.
-N�o tem mais medo de voar? -N�o mais.
E voc�? Sem dor de cabe�a?
Estou bem.
� minha melhor amiga.
-Ol�. -Sua filha.
-E meu filho, Antoine. Diga "oi". -Oi.
Venham, vamos comprar doces.
Ent�o funcionou.
Sim.
J� faz tempo.
-Como? -Faz tempo.
-Cortou o cabelo? -Sim.
Que idade ele tem?
Quatro.
Nova York estava legal?
Sim, � sempre...
� sempre divertido.
-Mora em Paris? -Sim.
Ainda com meu pai, que est� ali.
Vai ver a criatura.
-Aqui. -� o dinossauro.
-Como est�? -Muito bem.
Anna, meu pai. Sua amiga e as crian�as.
N�o saiu daqui sozinho?
E voltei com uma fam�lia, sabe como �!
-Nunca vi o filme de Rahul. -Julieta e Romeu?
Est� na internet.
Vou ver.
-Onde estacionou? -L�.
Bom...
-Tchau. -Tchau.
Crian�as, se despe�am. Antoine, se despe�a.
-Tchau. -Tchau.
Tchau, senhor.
Vamos de t�xi?
Voc� � meu docinho?
ESGOTADO
Tchau.
Espere, querido.
Pai, m�e, est�o em casa?
Al�? Tudo bem? Sim.
Acabei de chegar do aeroporto.
Estou bem, querido.
N�o, prefiro te ver amanh�.
N�o quero que se chateie.
Tamb�m te amo.
Como est�? Estou em Paris.
Terminei mais cedo, sim.
Estou com meu pai. Te vejo essa noite?
Mam�e, o que � Julieta e Romeu?
Uma hist�ria de amor que tem um fim triste.
O que � uma hist�ria de amor?
� quando duas pessoas se amam, mas est�o sempre brigando.
Por isso que o fim � sempre triste?
Quem �, mam�e?
N�o sei. V� ver.
Quem �?
Antoine? Quem �?
� o cara do aeroporto com um buqu�.
Subrip: Pix Sincronia by DanDee
UM + UMA De Claude Lelouch
Legendas: Carolina Althoff
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