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Ainda me lembro...
Menina maravilhosa.
Era bastante doente quando nasceu.
Acabou por ser uma crian�a asm�tica,
mas quando se tornou m�e, era uma m�e maravilhosa,
uma m�e absolutamente maravilhosa.
Sempre a sorrir...
Tinha sempre um, "Ol� tia", entende.
O que lhe aconteceu foi t�o triste
que hoje ainda d�i,
e provavelmente ir� doer para sempre o que aconteceu com a Janet.
...e o teu pap�. Ol�.
Sabe, um dia... as mi�das v�o fazer-nos perguntas
e n�s ainda n�o vamos ter as respostas.
O que se diz a duas maravilhosas meninas quando elas perguntarem:
"O que aconteceu � mam�?"
Eles eram uma boa fam�lia.
And�mos todos juntos na mesma escola...
Brinc�mos juntos, fizemos muitas coisas juntos.
Eu tinha uma boa rela��o com os tios da Janet
deste lado.
Ainda continuo em choque, como � que eles deixaram isto acontecer.
Como foram t�o longe
para tentar cur�-la.
Foi pouco depois das cinco da tarde duma sexta
que o nosso centro de comunica��es recebeu uma chamada
pedindo a presen�a da pol�cia
numa morada em Wainuiomata.
Chamo-me Tasha Penny,
fui sargento detective em Lower Hutt,
segundo no comando da opera��o.
POL�CIA
O que nunca poder�amos ter esperado
quando entr�mos por aquela porta
foi o que estava prestes a revelar-se,
foi algo inacreditavelmente �nico,
algo inacreditavelmente tr�gico,
e algo muito desafiador.
Sempre que trabalhamos em qualquer caso, seja qual for,
� um privil�gio, temos um grande trabalho para fazer
e trabalhamos muito para compreender
como uma fam�lia p�de fazer isto a um dos seus.
Havia hist�rias divergentes sobre como a Janet morreu.
Alguns membros da fam�lia
disseram que ela morreu umas horas mais cedo
e de um problema mental ou doen�a.
Era uma quest�o de tentar desvendar o que tinha acontecido,
tentando voltar atr�s.
Falamos com cerca de 70 pessoas,
deix�mos que elas contassem a sua hist�ria.
Uma pessoa diz�-lo, provavelmente, n�o tem muito import�ncia,
mas quando um monte de pessoas
contam a mesma hist�ria
quer dizer que h� algo a�.
Sente-se.
Os interrogat�rios policiais e eventos recriados que se seguem s�o baseados
nas provas que foram entregues ou ouvidas pelo Supremo Tribunal.
O que me podes dizer sobre fazer uma promessa?
Uma promessa �... ser sincero
com a pessoa a quem fizeste a promessa.
Ent�o prometes-me
que tudo o que falarmos aqui, nesta sala, hoje, � a verdade?
Sim, se me conseguir lembrar.
Ent�o, o que te vou pedir
� s� que leias esta carta em voz alta.
"Eu, Gleny Wright, declaro e afirmo dizer a verdade,
e apenas a verdade,
durante o depoimento de hoje."
"Eu, John Tahana Rawidi...
declaro e afirmo
que direi a verdade no depoimento de hoje."
Esta fam�lia colaborou completamente com a pol�cia.
O meu nome � Phil Mitchell, Pertencia ao Conselho de Defesa,
com a principal tarefa de investigar o caso.
Eles acreditavam realmente que havia algo
muito mal�fico e perigoso nela.
N�o podemos apenas
agir em fun��o de cren�as bizarras e matar algu�m
e n�o se fazer nada em rela��o a isso.
O meu nome � Grant Burston, era da minha responsabilidade
liderar a equipa dos procuradores p�blicos
que conduziam o caso contra
as pessoas acusadas da morte da Janet.
O que tens para me contar hoje?
Coisas que aconteceram a semana passada.
O qu�?
Sobre Janet Moses.
Devemos come�ar por a�?
Eu s�...
desde a festa de 21 anos quando est�vamos no hotel Palisa.
S�BADO
No s�bado � noite, havia uma festa dos 21 anos
para a irm� da Janet, no hotel Palasa em Wainuiomata.
H� fam�lias unidas,
mas esta era extraordin�ria.
Uma fam�lia unida pode ser uma fam�lia
que almo�am juntos todos os domingos, mas estas pessoas,
viviam juntos, tinham a sua pr�pria equipa desportiva,
socializavam juntos.
Lembro-me in�meras vezes durante o julgamento
de pessoas a dizer que os seus melhores amigos eram os primos.
Faziam tudo juntos.
A Janet passou por algumas dificuldades
algumas semanas antes de morrer,
parecia ter havido uma mudan�a total e completa nela.
A Jan estava... sentada...
a olhar para a parede.
N�o parecia bem.
Foi um choque
para toda a gente que a rodeava,
parece que aconteceu tudo muito r�pido.
Chamo-me Dr. Rees Tapsell,
sou m�dico psiquiatra forense
e sou de origem Maori
e desde sempre estive envolvido na... rela��o,
sobretudo, entre a psiquiatria e a pr�tica cultural.
Janet tinha uma rela��o muito pr�xima e carinhosa
com a sua av�
e a sua av� faleceu recentemente
e ela tamb�m teve alguns problemas
em termos de relacionamentos.
Eu acho que a jun��o dessas duas situa��es
a colocaram sobre
bastante press�o e stress.
Quem � o Shane?
Era o companheiro da Janet,
estiveram juntos, aproximadamente, nove anos.
Fale-me sobre ele, nessa noite.
Ol� meus queridos.
V� l�, vamos embora.
Vou ficar mais um pouco com os rapazes.
Anda estar com as crian�as.
Adeus, Louse.
Ela descobriu que o companheiro a tra�a
e depois disso, tornou-se muito introvertida.
Deixaste a Janet em algum lado?
Fomos at� �s tias da Jan
e acab�mos por passar l� a noite.
DOMINGO
Eles v�m a�, eles v�m a�, eles v�m a�.
Eles v�m a�, eles v�m a�, eles v�m a�.
Eles v�m a�, eles v�m a�.
Jan.
Jan?
V� l�, anda para dentro,
v� l�, est� tudo bem.
A nossa menina estava em perigo,
decidimos lev�-la para casa do meu irm�o Johnny
e juntar a fam�lia para uma reuni�o,
para falar sobre ela, porque � que ela n�o andava bem.
Ei, tu, anda c�.
Eu acho que eles tinham reuni�es familiares com regularidade
para discutir qualquer assunto que surgisse,
o que � uma forma bastante agrad�vel,
quer dizer, talvez f�ssemos todos assim, h� muitas gera��es atr�s.
E infelizmente, a av� tinha falecido
e ela foi uma grande matriarca para aquela fam�lia
durante muito tempo, e era ela que assumia o comando
em situa��es como esta, mas ela n�o estava presente.
Nessas reuni�es h� algu�m
que lidera ou que tem a palavra, como � que funciona?
Sim, � o John, ele � uma esp�cie de l�der da nossa fam�lia.
Toda a gente deu ideias,
para tentar resolver o problema da Jan.
Normalmente, ela estava feliz, sim.
Sab�amos que havia algo de errado com ela.
Algo bastante profundo.
Ela n�o tinha l�grimas nem nada,
estava apenas ali sentada e por mais calor que tivesse
ela era incapaz de tirar o casaco.
As pessoas iam ter com ela e diziam:
"desculpa se te magoei de alguma forma," coisas do g�nero,
"Estamos todos aqui para ti e amamos-te."
E a Janet falou na reuni�o?
Ela apenas olhava para o ch�o.
� muito dif�cil ter a certeza
sobre o que realmente aconteceu � Janet,
mas todas as evid�ncias
sugeriam que ela estava a ficar psic�tica
e que estava a ter mudan�as extremas de humor.
� muito comum nas pessoas
incorporar as coisas que os outros dizem
e o que os outros fazem nas suas cren�as psic�ticas
e isso � ainda mais v�lido para as pessoas � volta dessa pessoa
na forma como elas possam ter entendido esse comportamento.
Pode ser depress�o.
Pode imaginar como � f�cil
tornar-se num ciclo vicioso.
Mas � importante relembrar
que enquanto eu poderia ter um paradigma m�dico
da forma como vejo e abordo a doen�a menta...
Nem toda a gente partilha esse paradigma.
� a minha montanha ancestral.
� a minha tribo.
Onde eu vivo.
e, Pouroto Ngaropo, era o meu nome.
Tive o privil�gio e honra de ser conselheiro cultural
do primeiro ministro da Nova Zel�ndia,
a muita honrada Helen Clark.
S� podes ir assim t�o longe num mundo espiritual
e dum ponto de vista Maori...
somos ambos esp�ritos,
e humanos.
Nos �ltimos 200 anos
tem havido um processo de coloniza��o
onde muitas das nossas cren�as e valores
t�m sido substitu�dos.
� importante manter as cren�as tradicionais Maori...
A cultura Maori, os costumes e as pr�ticas Maori,
em particular... A espiritualidade Maori.
Aqueles que s�o crentes, aqueles que t�m o conhecimento
e o reconhecimento e o respeito para o reino espiritual
sabem que h� coisas no mundo espiritual
que s�o positivas
e que h� tamb�m esp�ritos que s�o de natureza negativa.
O que mais falaram na reuni�o?
Havia uma est�tua de le�o
que tinha sido roubada, algumas semanas antes,
do Hotel Greytown.
A irm� da Jan, roubou uma est�tua
de Greytown, que era um le�o, um le�o branco.
- � t�o pesado. - Doem-me os m�sculos.
Pelo que me lembro, eles roubaram o le�o
porque eles pensaram que seria um s�mbolo significativo
para a decora��o da casa.
John tinha uma tatuagem de um le�o,
o le�o, de facto, era um dos s�mbolos da fam�lia
e o s�mbolo do seu grupo desportivo.
Chamo-me Heather Kavan.
Sou professora da Universidade de Massey.
Fa�o pesquisas sobre experi�ncias religiosas extraordin�rias.
Fiz um estudo sobre o julgamento do homic�dio de Mois�s
e senti uma conex�o com o caso
porque eu fui criada em Wainuiomata
e Wainuiomata � um lugar, bem, � um sub�rbio,
que est� rodeado por tr�s colinas, bastante atalhadas,
mas existem l� bolsas de intensa espiritualidade.
Chamo-me Tamati Cairns.
Sou de Wainuiomata e vivo em Wainuiomata
desde 1981.
Entregava o programa de trabalho social na minha terra.
Numa sess�o espec�fica tivemos Hohepa Kereopa,
levou-nos at� o pequeno riacho em Waymanner, e disse:
"Escolhe uma pequena pedra.
Agora, d� � tua pedra o nome de algu�m
ou de algo especial na tua vida."
Ent�o, todos o fizemos.
E Hohepa realizou a ora��o karakia tradicional
eu dei o nome � minha actua
em honra � minha kuia
que est� nesta foto,
e depois da karakia ele disse:
"Bem, se o vosso cora��o est� onde a vossa decis�o estava...
E acreditam no poder da ora��o karakia,
ent�o esta pedra agora � actua.
No caso do le�o, a Janet acreditava...
que havia algo de errado.
Essa condi��o est� nos olhos do crente.
N�o na nossa interpreta��o e tradu��o...
do que pensamos que �, � o que �.
Membros da fam�lia acompanham a Janet
at� ao pequeno apartamento em Wainuiomata
que era a casa do seu av�.
Prepar�mos o quarto para a Janet dormir,
mas ela n�o quis dormir l�
e dormiu na cama do Karl na sala.
Fui educada para saber sobre... esp�ritos e tudo isso,
mas da forma como fui educada, quando pegas em algo
ou de onde pegas,
sim, ela seria atingida, algo vai acontecer-te,
mas atinge sempre os mais fracos.
Sendo a Janet
a mais doente de todos,
sim, teria atingido a Janet.
Cerca da meia-noite, Alene ligou.
Disse para voltarmos para casa do pai
porque a irm� Ollie, m�e da Janet,
estava a come�ar a ficar assustada.
N�o!
Estivemos toda a noite de domingo acordados com ela.
SEGUNDA-FEIRA
Contactaram um tio, Jimmy Rahi,
um tohunga, ou seja, um sacerdote Maori.
A acusa��o n�o questionou
a chamada para o tohunga.
Era completamente apropriado na cultura Maori.
O tohunga � a liga��o
entre o espiritual e o f�sico,
o axis mundi.
� como consultar o padre duma igreja.
Eles confiariam, absolutamente,
no conselho que o tohunga lhes desse.
Esse conselho foi quase como a raiz do problema.
Tudo para ajudar a fam�lia.
Foi s� quando Jimmy saiu
que nos foi dito disse que era...
makutu.
Fala-me da maldi��o,
que queres dizer quando te referes � maldi��o?
�...
uma maldi��o Maori.
Deixa-te... mentalmente doente, acho que � isso.
� dif�cil de explicar.
Makutu n�o � algo que
possa ser visto como uma excentricidade,
�, simplesmente, parte integrante
da forma de vida dos Maori.
Nos tempos antigos, o makutu
era usado como um mecanismo de protec��o, ou de vingan�a
caso algu�m fizesse mal � tua fam�lia.
S�o amaldi�oados e causam-lhe danos na alma,
na mente, no cora��o, e naquilo que eles s�o.
� extremamente dif�cil
para um Pakeha, um neozeland�s de origem europeia,
conseguir informa��es dos Maori
sobre o makutu,
mas eu consegui encontrar um peda�o de informa��o
que foi uma tese de doutoramento escrita por Clive Clinton.
Os Maori disseram-lhe que pensavam muitas vezes
que os m�dicos brancos Pakeha,
diagnosticavam os sintomas makutu
como altera��es psiqui�tricas.
O que aconteceu a seguir?
Foi aben�oada com �gua, tipo a �gua benta do baptismo...
e com o karakia para expulsar o diabo.
Nunca se fala sobre este tipo de coisas.
Em 1814, os nossos antepassados foram introduzidos ao Cristianismo
apenas na Ba�a de Islands
mas s� agora se tornou numa das formas
em como o nosso povo v� os pr�prios conceitos.
Houve uma mudan�a de toda
a estrutura espiritual da sociedade Maori
e agora somos confrontados com o makutu,
como podemos entender o que est� a acontecer.
E o que estamos a fazer
para garantir que temos o melhor conselho...
� nossa volta?
Naquele momento, Jimmy Rahi teve uma revela��o,
uma revela��o
que iria mudar drasticamente o curso dos acontecimentos.
Ele disse que teve uma vis�o de tr�s garras e da Janet.
Ele avisou a fam�lia
que tinham de devolver a est�tua do le�o a Greytown
porque tinha l� outra que estava a sentir a sua falta
e era muito importante que elas estivessem juntas.
Jimmy disse que os le�es estiveram juntos cerca de cem anos.
E o que fez o Jimmy?
Acho que ele aben�oou...
e disse que o le�o tinha de voltar.
A possess�o espiritual � um assunto muito s�rio.
� um assunto de vida ou morte, n�o �?
O papel do tohunga � proteger a vida,
cuidar do espiritual e proteger as fam�lias.
TER�A-FEIRA
No dia a seguir, na ter�a-feira
havia um comboio, de oito ou nove viaturas
que foram de Wainuiomata para Wairarapa,
e voltaram para o hotel de Greytown.
Nessa altura, muitos deles
j� n�o iam trabalhar h� uma semana,
estiveram com ela o tempo todo, tomaram conta dela,
dedicaram-se ao bem-estar dela.
A Janet estava l�, o Jimmy Rahi estava l�, a hom�nima da Janet,
a av� paterna estava l�,
sabemos disso porque houve um incidente
que alarmou muita gente.
Janet.
N�o devias sequer estar aqui.
O que est�s aqui a fazer?
- N�o. - V� l� mi�da, tem calma.
N�o.
Acalma-te, est�s bem?
Quando o carro parar, vou-te matar!
Quando o carro parar, vou-te matar,
Vou-te matar!
Vou-te matar!
Vou-te matar, vou-te matar.
E o que aconteceu em Greytown?
Estacion�mos em frente a um bar...
fomos pelas traseiras e o le�o foi retirado.
No dom�nio espiritual de Maoridom
� tudo relacionado com bondade e amor, n�o morte.
Acabou agora, mi�da.
Acredito do fundo do cora��o
que eles saberiam dentro da fam�lia...
Est�s bem, mi�da.
...que atrav�s do poder da ora��o,
atrav�s do poder da bondade,
todas estas maldi��es podem ser eliminadas.
Aparentemente, nas horas seguintes, ela melhorou,
todos se sentiram como se lhes tirassem um peso de cima
e que as coisas iam melhorar a partir desse momento.
Volt�mos de Greytown para Wainilly
e acho que foram todos para o Karl
e depois comemos um prato de peixe e batatas fritas.
O tohunga disse-lhes: "Bem, voc�s sabem,
fiz o que eu pude,
voc�s devolveram o le�o e ela est� bem melhor."
Acho que este � um dos pontos de viragem tr�gicos
do que aconteceu.
O que o tio tem dito � que a Janet tem de descansar
e cuidar dela.
Das tr�s coisas que estavam com ela,
acho que duas delas tinham a ver com o le�o
e a �ltima tinha a ver com...
...o Shane.
Tinha a ver com o seu parceiro
ele abusava dela mentalmente e verbalmente.
O tio Jimmy disse que fez a sua parte,
mas que n�o faria nada em rela��o ao seu envolvimento com o Shane,
isso era com a fam�lia.
Infelizmente, alguns tratamentos m�dicos requisitados
obrigavam o tohunga
a ser hospitalizado durante v�rios dias
e isso tirou-lhe a possibilidade
de voltar para ajudar a fam�lia
quando as coisas n�o estavam bem.
�ramos uma fam�lia unida
e resolv�amos sempre os problemas juntos.
E as pessoas que morreram
est�o sempre l� para nos guiar.
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Abordando o dem�nio que eles acreditavam estar dentro dela,
disseram vezes sem conta.
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Eles v�m a�, v�m a�, v�m a�.
O dinheiro, o dinheiro, o dinheiro.
�...
Ela estava a tentar dizer-nos algo...
foi como um quebra-cabe�as...
tentar juntar as pe�as para resolver isso
O IMPACTO O IMPACTO O DINHEIRO? O DINHEIRO
e quando o fizemos, a solu��o apareceu.
QUARTA-FEIRA
Jesus Cristo, viemos em seu nome
e est� escrito que tudo o que pedimos, ser� dado.
Pedimos a cura completa para a Janet Moses.
Pedimos em teu nome, Jesus,
obrigado, Senhor.
Recebemos as tuas b�n��os para esta crian�a...
...e amor.
Am�m.
Vai com paz e amor.
Vai com paz e amor.
Vai com paz e amor.
Todos poder�o fazer as suas �guas para se limpar primeiro
antes do karakia.
No meio do c�rculo
e rodeada por toda a gente de m�os dadas...
dizendo o karakia.
As �guas de Jan est�o a ser feitas.
Vai com paz e amor.
- Bebe. - Vai com paz e amor.
Esta fam�lia tem uma grande liga��o com a �gua,
t�m rituais que aprenderam
com a av� e costumavam falar sobre isso,
Lembro-me que durante o julgamento,
falavam sobre fazerem as suas �guas
para os proteger.
Cada um tem de acreditar no seu cora��o
que vai acontecer,
n�o s� nas suas cabe�as ou dizendo as palavras,
basta que apenas uma pessoa n�o acredite no seu cora��o
e n�o ir� funcionar.
Mas todos pareciam faz�-lo e a defesa deles foi
que ela consentiu
estar envolvida nesse processo
e eles, os participantes, acreditaram piamente
que o que estavam a fazer estava a ajud�-la.
Mas esta � uma fam�lia que
respeita profundamente os seus anci�es
e quem era Janet para questionar
que o que estavam a fazer em seu interesse?
Eles n�o perguntaram nem consideraram
se a Janet consentia.
Podia ter dito: "N�o, n�o quero fazer parte disso."
�s vezes, ela estava sentada l� fora
a fumar um cigarro com os seus primos.
Ela poderia ter-se levantado e ter ido embora.
E n�o o fez.
Havia duas Janet,
havia a Janet que ia l� fora fumar,
e que estava feliz de voltar para dentro quando era hora de recome�ar
e depois havia a Janet que gritava, ela gritava.
Havia duas Janet
ent�o, qual delas era a que consentia?
Sai, deixa-a!
Deixa-a em paz. N�o podes t�-la!
Chamo-me Viv Bebbington
e vivo mesmo em frente � casa.
Conseguia ouvir tudo, os c�nticos e o bater dos p�s,
ouvia tudo aqui.
Era ensurdecedor.
Relembro que havia muitas pessoas, pareciam primatas,
aquilo era chocante,
mas alguns deles nem conseguiam entrar.
N�o te queremos perto desta casa.
Um dos parentes paternos de Janet sugeriu:
"Vamos chamar outro tohunga."
A fam�lia Rawiri n�o queria.
Alguns n�o tinham permiss�o
para estar no mesmo local que a Janet.
Alguns n�o podiam entrar,
tipo os pastores e assim, quer dizer, porqu�?
Essas pessoas poderiam ter ajudado.
Quando John chegou, disse:
"Vou fazer companhia � minha filha", chegou l�,
n�o o deixavam entrar em casa,
� muito triste porque o John teria outro tipo de ajuda
tenho a certeza que teria conseguido outro tipo de ajuda.
N�o sou pastor mas normalmente fa�o isso,
lido com pessoas doentes, foi por isso que fui l�,
mas grande parte da quest�o era,
n�o tinham a certeza do que estava a acontecer.
Muita gente gostava de saber mais sobre...
a cultura deles?
Querem saber mais sobre a cultura deles.
Mas n�o conhecem a l�ngua
e n�o conhecem o protocolo
e pensam que podem fazer isso,
se n�o sabes fazer, fazes mal,
bem, � isso que acontece.
Quarta-feira � noite, as coisas come�aram a intensificar-se
dentro daquela casa.
H� testemunhos variados
sobre a raz�o da Janet querer estar no chuveiro.
Uma das teorias �
que ela dava banho frequentemente � av�, que morreu,
ela desejava voltar ao passado e recriar
essa experi�ncia nost�lgica para ela.
Quando a Janet se levantava,
dirigia-se para o chuveiro...
ligava a �gua quente,
e depois ligava a �gua fria.
Eles diziam que era a sua esp�cie de arma
contra o dem�nio.
Era a �gua fria.
Mant�m a �gua fria.
Mant�m-na fria, mi�da.
Amamos-te mi�da, est� tudo bem, est� tudo bem.
V� l� mi�da, amamos-te.
V�amos a escurid�o a surgir nos seus olhos,
e ficavam...
realmente muito grandes.
N�o lutes, n�o combatas, amamos-te,
mant�m-te no frio, s� isso.
Mas quem disse:
"Esp�ritos maus n�o gostam de �gua fria?"
Ela n�o estava bem...
cuspia aquele muco.
Limpou-se, usando uma toalha
e decidiu-se que o makutu estava na toalha
e que mais ningu�m podia usar a casa de banho
onde estavam situados a sanita e o chuveiro.
Ela vomitava e saia o dem�nio.
O prop�sito da �gua,
passou de ser a purifica��o do corpo
a um instrumento que causava v�mito e assim intensificou-se.
Janet!
Onde...
Ent�o, o Shane estava por perto.
A Janet queria v�-lo?
Ningu�m lhe perguntou.
Ela n�o podia tomar decis�es.
Anda.
Janet.
Jan.
Janet!
Vamos chefe.
Ele era parte do problema.
Janet!
Era isso que faz�amos enquanto fam�lia,
mant�-lo afastado dela, para que ela ficasse bem.
Ela n�o te quer ver.
N�s estamos a tratar da merda que fizeste!
- A culpa disto � tua! - Minha?
Tu � que provocaste isto. Tu fizeste isto.
N�o precisas de estar aqui!
Come�ou uma espiral descendente,
a fam�lia bloqueava qualquer tipo de contacto externo.
Estavam t�o fechados...
isolados e asfixiantes.
Olha para os olhos dela...
Olha para os olhos dela.
Janet?
...v� l�.
Deita-te, anda l� mi�da.
Quem quer que estivesse l� debaixo
durante todo aquele tempo, nunca irei entender.
Vamos l� mi�da, vamos.
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Imaginem a press�o, o medo, a ang�stia,
o p�nico que se instala
em n�s, entende,
o teu amor por essa pessoa
estar ali e resistir.
Vai com paz e amor
QUINTA-FEIRA
Vai com paz e amor.
Vai com paz e amor.
Essas pessoas estavam privadas do sono,
algumas n�o dormiam � quatro cinco dias.
Vai com paz e amor
Vai com paz e amor
Eles continuavam a fazer as suas coisas.
Todos n�s aqui
est�vamos habituados � quietude do lugar,
n�o a todo aquele barulho.
Mas o que podemos fazer?
Ningu�m chamou a pol�cia, fechar as cortinas, e sabe...
J� vi o suficiente, j� chega.
Eu disse que precis�vamos de ser unidos como uma fam�lia.
Alguns de n�s n�o viam as suas crian�as h�...
dois, tr�s dias.
Eram cerca de uma d�zia de beb�s.
Eu e a m�e da Jan...
tent�mos p�-los confort�veis.
Ela continuava com vontade de ir para o chuveiro.
Algo dizia que os esp�ritos malignos queriam �gua quente.
Ela n�o gostava de �gua fria.
Bebe mi�da, anda.
N�o vais ceder.
Vomita tudo, mi�da.
N�s est�vamos l� com ela h� muito tempo...
Foram horas dif�ceis.
O poder era t�o forte...
e n�s a lutar contra ele.
E o pai tamb�m estava l�.
Tens de sair.
Sabes quem sou?
Sabes quem sou?
Eu estava t�o exausto quando sa� de l�.
Pareceu-me durar uma eternidade, sim.
Mas, de repente, ela simplesmente voltou...
boa como o ouro.
A Janet dos velhos tempos.
Boa como o ouro.
Tens de vir para casa comigo.
Muitas vezes o Gerald Moses pediu � Janet
para ir com ele.
Ele jurou que voltava na manh� seguinte
para ir buscar a sua filha
independentemente da sua relut�ncia em ir com ele.
Quando as coisas acalmaram,
t�nhamos o nosso beb� de volta � cama.
E tentamos acalm�-la
embora soub�ssemos que ela n�o estava bem.
Toda a gente estava a chorar,
est�vamos t�o aliviados por ela ter acalmado.
Deix�mo-la descansar um pouco.
Sentimos que ela estava a voltar a si mesma.
Sent�mo-nos � sua volta, � espera que ela acordasse.
E ela acordou,
andou �s voltas,
voltou a dormir.
Mas depois, mudou de novo.
Eu fui dormir...
e quando acordei foi uma cat�strofe.
Janet, est�s bem, Janet?
Eles v�m a�, eles v�m a�!
John!
Foi nesse momento que
a Janet teve uma grande mudan�a.
Ela disse que queria dar a sua vida pela sua fam�lia
para se sacrificar durante...
esta batalha iminente.
Eles v�m a�, eles v�m a�!
O que aconteceu?
Eles v�m a�, eles v�m a�.
Eles v�m a�, eles v�m a�!
Eles v�m a�, eles v�m a�!
Deixa-nos em paz!
Ela tinha um colar de uma escultura, tipo um osso,
que recebeu da av�.
Eles estavam a dizer que... o dem�nio
estava a ganhar toda a sua for�a da escultura de osso.
Johnny, traz as tesouras.
N�o, anda l�, s� um instante,
vais sentir-te melhor, anda l�.
V� l�.
Anda l�, vais sentir-te melhor, v� la.
� isso.
Deita-te, anda l�.
Tragam �gua.
Sim, anda l� Janet, bebe �gua, bebe.
V� l�, v� l�.
V� la. � bom para ti, est� bem?
Vai limpar tudo, v� la.
- Mais um. - Mais um.
Vai com paz e amor
D�-me �gua.
Mais �gua.
As crian�as n�o tinham acesso � casa de banho,
ali�s, ningu�m tinha acesso � casa de banho.
Quando as pessoas precisavam de se aliviar
faziam-no em fraldas e toalhas
e, �s vezes, na pr�pria roupa...
Ent�o, tornou-se um comportamento...
cada vez mais estranho.
Vai com paz e amor
V� l�, Jan. V� l�, querida.
N�s amamos-te, vamos tir�-lo de dentro de ti.
V� l� mi�da, linda menina, toma mais um pouco.
Vai com paz e amor, sai de dentro dela agora!
Inicialmente, era a Janet que lutava contra ele.
Era o dem�nio dentro dela...
e o dem�nio estava muito combativo.
Lembro-me de ela dizer...
tipo...
"Que se lixe."
Pens�vamos que era o Shane
que fazia isto � nossa sobrinha.
Ele disse: "N�o, foi aquele le�o."
Era vingan�a por t�-los separado.
O quarto estava incrivelmente quente, parecia um forno.
Por essa altura, estava tudo encharcado.
Vai com paz e amor
A �gua parecia nascer na cozinha
ent�o, peguei num ferro e fiz um buraco no ch�o.
Os olhos das crian�as estavam a ficar estranhos...
demon�acos,
pod�amos ver aquelas coisas a andar em redor deles.
Tens algo nos teus olhos
a andar em redor deles.
Como � que consegues tirar?
Sem poderes por l� a m�o e tir�-lo para fora.
Algumas das pessoas achavam
que deviam levar a Janet ao hospital,
mas eles n�o eram os l�deres.
Nem lhes passava pela cabe�a dizer:
"Parem, isto n�o est� bem."
Eles sentiam que n�o o podiam fazer
porque se o fizessem, bem, talvez
fossem tamb�m amaldi�oados
e acabar na mesma situa��o da Janet.
Era a for�a do grupo, e estava a prevalecer.
Eu acho que o mal estava em cada um de n�s.
Porque faz�amos coisas que, normalmente, n�o far�amos.
E depois fizeram uma regra
que era n�o olhar para os olhos da Janet
para n�o ficarem tamb�m possu�dos.
A Janet falava?
Dizia alguma coisa?
Houve um momento em que...
a Janet disse:
"Tia, para, deixa-me descansar um pouco."
E o que aconteceu?
Estavam a fazer ao Joshi...
a tentar que ele cuspisse todo aquele muco que estava dentro dele
lembro-me de o terem feito � Les, a ela,
e depois lembro-me...
que tamb�m o fizeram a mim.
N�o acredito que nos quisessem magoar.
Eles tinham as suas raz�es.
Larguem-me! Est�o-me a magoar, desapare�am!
Continuaram a faz�-lo, �s raparigas mais novas, durante horas.
Ela libertou-se ao mesmo tempo
que a Janet, tamb�m controlada
por uma d�zia de pessoas a segur�-la,
para ela n�o se libertar.
Contudo, o grupo interpretou isso como
que o makutu... duplicasse a sua for�a
ao unir aquela jovem e a Janet
e ent�o, aquelas jovens que se tinham libertado
foram novamente presas.
Ela tornou-se no segundo le�o de Greytown
...e era ela e a Janet... a trabalharem juntas.
Aquelas pessoas... eram bastante sensatas,
trabalhavam, praticavam desporto e tinham uma boa vida kiwi.
Toda a gente foi apanhada naquilo.
A histeria n�o � um estado incomum.
A maioria de n�s j� se sentiu um pouco hist�rico
e a hist�ria do mundo tem muitos exemplos,
onde s�o feitas coisas extremas
com base numa s�rie de cren�as
que para muitos de n�s, n�o fazem sentido.
Eu acho que o que aconteceu ali
podia ter acontecido com qualquer um de n�s
se estiv�ssemos fechados num quarto mais de cinco dias
sem dormir, com pouco para comer, c�nticos r�tmicos,
quarenta graus, a dan�ar, um medo intenso.
Acho que qualquer pessoa se descontrolava naquela situa��o.
Isto �... a condi��o humana.
Eu sei que a maioria das pessoas n�o compreende.
Makutu � o mal.
� preciso encontrar uma forma de p�r as coisas bem...
de trazer aquela pessoa de volta � realidade.
Gostava de encontrar algu�m
que conseguisse relatar isto � policia, porque...
acho muito dif�cil ser eu a faz�-lo.
SEXTA-FEIRA
A forma de morrer por afogamento
em terra seca ou na �gua � a mesma.
A �gua vai para os pulm�es,
e faz com que a membrana pulmonar inflame
e produza um l�quido espumoso
que � absorvido para os pulm�es
e que acaba por colapsar algumas vias a�reas.
Isso compromete a capacidade
de circula��o do sangue no corpo.
Espasmos nas cordas vocais...
o cora��o bate de forma alterada...
ela engole a pr�pria l�ngua.
At� ao ponto de bloquear a mand�bula
e em vez de pensarem,
"Meu Deus, fomos longe demais,"
os participantes julgaram que...
a mand�bula tinha sido bloqueada pelo makutu
para evitar que eles lhe dessem mais �gua.
Ent�o, eles abriram a mand�bula � for�a...
e ela...
morreu.
Quando foi que percebeu que a Janet
estava a chegar ao ponto que o corpo estava a ceder?
N�o percebi.
Quando � que reparou que ela tinha morrido?
N�o dei por isso.
Est�vamos a tentar p�r a outra rapariga bem.
Aquele lugar estava cheio de mal.
Tentei fazer manobras de reanima��o.
Mas n�o sei faz�-las.
Depois, disse para a minha mulher...
"Amo-te querida."
Porque pensei, sim, eu tamb�m estava destinado a ir.
Sim.
Porque eu fui um l�der para a fam�lia...
e pensei que tamb�m me iam apanhar.
A Jan, estava no ch�o...
estavam l� todos os meus irm�os � sua volta...
a tentar ressuscit�-la.
Est�vamos a tentar perceber se aquilo estava na casa.
Todas as crian�as...
Se o makutu estivesse l� em casa.
Quando perceberam que a Janet tinha morrido,
depositaram todos os esfor�os na outra jovem.
Sai da�, n�o ir�s t�-la.
Vais sair, vais deix�-la em paz, sai daqui.
J� tinham perdido uma, entende,
- n�o precisavam de perder outra. - Vais deix�-la.
Aquilo continuou por algumas horas ap�s a morte da Janet.
Sai daqui, sai daqui!
Vamos, mi�da.
Eu estava bastante assustada.
E disse: "Est�s a assustar-me..."
e depois ela disse:
"Tu tamb�m me assustas."
Sim, estavam a segurar os meus bra�os
porque eu estava a arranhar
a bater e a pontapear as pessoas.
E porque tentaste fazer isso?
Acho que era o dem�nio que tinha dentro de mim.
Fiquei completamente louca.
Disseste alguma coisa?
N�o me lembro muito bem...
Mas foi algo como:
"Parem, est�o a afogar-me,"
algo do g�nero.
"Vou morrer."
Fiquei, sabe, apagada,
apaguei completamente
e acho que foi quando eles quase me perderam...
e apaguei.
N�o sei mesmo
como se parece o dem�nio.
N�o sei o que eles procuravam,
e o que estavam a dizer e tudo.
Cerca da hora de almo�o ou final da manh�...
...um dos anci�es Maori locais
foi chamado e foi directo para a casa.
Um homem que eles chamavam de Pakika Dave
que � um homem europeu branco,
que � um guia espiritual
e um homem que eles respeitavam espiritualmente.
Ele disse que sentiu uma presen�a diab�lica
e recebeu uma mensagem espiritual,
aparentemente, da falecida av�.
Foi-se.
Amamos tanto a nossa fam�lia, sabe...
que nunca mais ir�amos fazer esse tipo de coisas aos nossos filhos.
O tohunga disse que a m�e estava muito zangada
porque t�nhamos os mi�dos l� enfiados...
n�o sei por quanto tempo.
E depois de aben�oar toda a gente que l� estava,
incluindo a Janet...
ele aconselhou que o outro membro
da fam�lia deveria ser levado para o hospital.
Era um apelo desesperado
de uma mi�da de 14 anos: "Parem, est�o a afogar-me,"
enquanto a for�avam a beber �gua
durante um exorcismo.
...Janet Moses.
...Janet Moses,
Janet Moses morreu durante...
Mataram uma jovem m�e.
- Mataram Janet Moses. - Durante um exorcismo.
- Exorcismo. - Cerim�nia de exorcismo.
Tem sido um caso muito controverso.
A tortura e a morte n�o s�o aceit�veis.
J� vi dezenas...
- Que monte de tretas. - Isto � voodoo.
- ...o livro pela sua capa. - Bruxaria.
- A comunica��o social ataca... - Familiares desesperados
para encobrir as faces dos acusados.
N�o me tire fotografias.
J� temos trag�dia suficiente. Est� bem?
Janet era uma jovem m�e que perdeu a vida.
� absolutamente fundamental que percebamos
como isto aconteceu
e, inevitavelmente, responsabilizar as pessoas
pelo que aconteceu.
SUPREMO TRIBUNAL
O que devem fazer as autoridades
quando um ser humano � morto nessas circunst�ncias.
Haviam duas acusa��es, homic�dio,
e uma de maus tratos a uma crian�a.
Contudo, n�o h� ind�cios
de que alguma das pessoas acusadas, ou a Janet,
usassem drogas.
A coisa mais estranha sobre o caso
foi ter cren�as espirituais profundas dos Maori serem abordadas
de uma maneira t�o formal, branca...
colonial, se preferirem.
O tribunal tentou ser sens�vel...
mas quando eles descreveram o que aconteceu,
foi como ler um cap�tulo dos julgamentos das bruxas de Salem.
A cren�a da fam�lia baseava-se em concep��es erradas
e desinforma��o,
nenhum dos peritos tinha ouvido falar
em deitar grandes quantidades de �gua
na pessoa afectada
como forma de lidar com makutu.
E, afinal de contas, o le�o
era de um par em cimento de ornamentos de jardim
que tinha sido comprado novo pelo dono do hotel.
Ele colocou iogurte nas est�tuas para tentar envelhec�-las
e faz�-las parecer mais velhas do que eram,
n�o eram, certamente, antiguidades.
� medida que o julgamento avan�ava,
as suas mais preciosas experi�ncias espirituais
foram descritas repetidamente como falsas cren�as.
Chegou a um ponto que n�o conseguia olhar para eles,
fazia-me chorar.
Acho que os advogados envolvidos,
tanto da acusa��o como da defesa, conseguiram ver a din�mica da fam�lia
e todos sentimos compaix�o por eles.
A opini�o p�blica estava dividida,
mas o j�ri parecia... solid�rio.
E agora as not�cias,
e o j�ri do caso de exorcismo de Janet Moses no tribunal de Wellington
j� tem uma senten�a, Simon.
- Simon... - foi uma longa espera para que este j�ri
chegasse a um veredicto,
muita gente no tribunal � espera de ouvir esse veredicto,
eis o que aconteceu.
Culpado.
Inocente, inocente, inocente.
Este cinco arguidos
foram considerados culpados ap�s cinco semanas de julgamento
e quase dois dias para deliberar as senten�as.
Tr�s outros membros foram absolvidos
e sa�ram em liberdade do tribunal.
Os dois l�deres da fam�lia, John Rawiri e Glenys Wright,
receberam pris�o comunit�ria
permitindo-lhes estar em casa com recolher obrigat�rio.
Eles, os co-autores e as tias de Janet Moses
tamb�m foram condenados a servi�o comunit�rio,
supervis�o e frequentar programas de educa��o cultural.
NOVA ZEL�NDIA
Isto foi s� uma resposta a uma morte tr�gica.
O j�ri, pelo veredicto, considerou os membros da fam�lia
que mataram a Janet, criminalmente respons�veis pela sua morte
e � um reconhecimento da inviolabilidade da vida.
Senten�as t�picas para homic�dios
s�o de quatro a seis anos...
mas nenhuma das justifica��es
para enviar pessoas para a pris�o pareciam estar presentes aqui.
N�o havia um valor dissuasivo aqui.
Castigo, bem, para que prop�sito serviria?
Sei que muita gente n�o acredita
no nosso sistema judicial
mas por mais que nos pare�am equivocados
� primeira vista,
eles acreditavam genuinamente que estavam a ajud�-la.
Deve ter sido uma semana depois.
Tivemos uma reuni�o no ma-lay...
e decidimos demolir a casa,
demoli-la.
Eu estava muito triste por ver aquilo, muito triste.
Todos os dias levantava-me e olhava atrav�s da minha janela
e n�o via nada... nada.
Bem, triste... not�cias tristes.
Por vezes, passamos por aquelas casas
e ainda vemos a nuvem a pairar no ar.
N�o se fazem essas coisas.
N�o percas tempo com coisas do passado.
Ouvi dizer que eles ainda acreditam
que a maldi��o ainda est� viva na fam�lia e � transmitida.
� compreens�vel que eles acreditem nisso.
Cren�as n�o s�o mais do que conclus�es
que tiramos com base na nossa experi�ncia.
H� ainda a possibilidade que makutu
tenha, de facto, atacado a Janet.
Ningu�m sabe, podem ter estado certos o tempo todo.
Para mim, n�o h� d�vida que ela estava possu�da
tanto do ponto de vista Maori como do ponto de vista cl�nico,
ela n�o estava bem...
e a maldi��o
� algo que a fam�lia continua a carregar.
O que eles v�o transmitir �s gera��es futuras
est� nas suas m�os.
T�m de lidar com o facto de
apesar de terem tentado fazer o melhor por ela
naquela situa��o...
ela morreu.
N�o conhecia a Janet,
conheci a Janet atrav�s... da investiga��o
portanto, s� conheci a Janet
atrav�s dos olhos de outras pessoas, pelo que elas dizem,
mas eu como m�e...
mexeu muito comigo.
Temos duas crian�as
que para o resto das suas vidas n�o t�m mais m�e
e o facto de serem t�o pequenas, a �nica mem�ria
que elas ter�o da m�e,
s�o as mem�rias que outras pessoas lhes dar�o dela.
Ela era uma m�e maravilhosa...
isso � o que lhes espero contar, o quanto ela as amava...
e como se preocupava com elas.
DEDICADO � MEM�RIA DE JANET MOSES
Traduzido por: D�rio Silva Ripadas por: RicardoB/2017
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