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Queria que vi�ssemos at� nossa igreja, sozinhos pela 1� vez.
Originalmente era uma estufa.
� preciso consertar este �rg�o, tamb�m.
Anna.
Quero que n�s...
O que quer?
Quando nos casarmos, o velho Gransjo pode conduzir a cerim�nia?
Sim claro. Se voc� quer.
Aqui.
Aqui?
N�o entendo ao que est� se referindo.
Quer que nos casemos aqui?
S� voc� e eu. Gransjo e duas testemunhas
Podemos?
Mas n�o casaremos na catedral de Uppsala?
Um grande casamento com damas de honra e enfeites...
...e o Coro Acad�mico...
...e muitos familiares e amigos.
J� decidimos. N�o podemos mudar.
- N�o podemos? - J� decidimos.
Sim, voc� decidiu.
Mas voc� queria a participa��o do Coro Acad�mico.
Voc� e Ernst arrumaram tudo. Esqueceu?
N�o podemos mudar de ideia? � imposs�vel?
Sim, �.
Por qu�?
Porque quero ter um casamento de verdade.
Quero que seja espl�ndido e impressionante.
Quero celebrar um casamento alegre e inesquec�vel.
E os meus desejos?
Basta, ou come�aremos a discutir.
E isso n�o ficaria bem.
- N�o estou discutindo. - Mas eu sim.
Pense bem, Anna.
Eu j� pensei!
J� t�nhamos decidido.
Nosso casamento seria t�o grande quanto nossa felicidade.
Devia ter se oposto, ent�o. Talvez estivesse com medo.
Mas aqui � onde viveremos, n�o entende?
� importante come�armos nossa vida nesta igreja.
Importante pra voc�, talvez.
N�o entende o que eu quero dizer?
N�o quero entender.
Se voc� me amasse, compreenderia.
N�o me venha com bobagens.
E se voc� me amasse, deixaria ter meu casamento.
Voc� � t�o desrespeitosa. N�o entende que falo s�rio?
Vou dizer o que entendo.
Voc� n�o gosta de minha fam�lia.
Quer humilhar minha m�e.
Quer se vingar de um modo sofisticado.
Admita, Henrik!
� surpreendente como voc� interpreta tudo errado.
Quanta mal�cia.
� �bvio voc�, assim como sua fam�lia, est� contra mim.
Est� totalmente louco!
Quase matei meu pai para ficar com voc�.
S� pe�o um pequeno sacrif�cio.
�s vezes, Henrik, voc� parece de uma classe dolorosamente baixa.
Quer parece pior do que �.
E n�o fica bem.
Sua terr�vel pobreza, a sua inf�ncia infeliz...
e a sua coitada m�e.
Lembre da sua rea��o ao saber que Frida era camareira.
O seu tom de voz, o seu olhar.
N�o precisa usar camisas sujas ou meias rasgadas.
Ou ter caspa no cabelo ou as unhas sujas.
Cheiro de suor.
Voc� foi muito longe.
T�pico! o pastor n�o tolera a verdade.
N�o tolero a crueldade.
Bem...
Felizmente isso aconteceu antes do casamento.
Agora sabemos onde estamos.
Quase cometemos um erro terr�vel.
Oh, Deus, me perdoe.
Henrik, me perdoe. Eu disse coisas terr�veis.
Escute
Pode me perdoar?
Deve me perdoar.
Saia daqui! N�o quero voltar a v�-la jamais!
Voc� � malvada! Fora!
Est� louco.
Agora entendo por que mam�e tinha tanto medo de voc�.
Que bom!
Agrade�am a Deus que escaparam do horror...
da virgindade perdida.
Deus! Como voc� � cruel!
� um mentiroso!
Dos piores! N�o se sabe quando voc� mente!
Volte para Frida! Seria uma excelente esposa para um pastor!
Cale-se!
Come�o a reconhecer minha vida.
Agora compreendo.
Estava sonhando.
Agora estou acordado.
Aqui estou, em uma casa caindo os peda�os, no meio do nada.
Isto � uma loucura.
� uma loucura total.
Pensar que ter�amos filhos.
Tr�s filhos. Era isso que hav�amos planejado.
Como podemos seguir vivendo depois disso?
N�o sei.
Havia amor entre n�s.
O arruinamos por uma trivialidade.
� verdade.
Pod�amos casar em qualquer lugar.
J� n�o me importo com isso.
N�o nos casaremos. Posso ser sua empregada.
Estou cansado, Anna.
Eu tamb�m.
Como sairemos daqui?
Venha. Sente ao meu lado.
Voc� n�o vai me bater?
Est� gelada! Est� com frio?
Acredita que podemos ser mais inteligentes?
Sim, e mais cuidadosos, talvez.
Mais cuidadoso com o que nos foi dado?
Eu, Henrik Bergman, te aceito, Anna Akerblom...
Eu, Henrik Bergman, te aceito, Anna Akerblom...
...como minha leg�tima esposa...
...para cuidar e manter...
...na riqueza e na pobreza...
Com esse anel, eu te desposo
Eu, Anna Akerblom...
...te aceito, Henrik Bergman...
...como meu leg�timo esposo.
Na riqueza e na pobreza, para amar-te e respeitar-te...
� uma bonita recep��o.
Posso falar a s�s com Anna?
Que lindo casamento, Sra. Akerblom.
Mam�e...
H� uma coisa que preciso lhe dizer...
Henrik e eu adiamos nossa lua de mel.
Posso saber os seus planos?
Isso te entristece?
A lua de mel � algo agrad�vel.
Henrik e eu iremos para a It�lia no outro ano.
Podemos fazer isso.
Sim. Quais s�o seus novos planos?
Iremos direto para o Norte.
Amanh�?
Henrik tem mais vontade de come�ar do que eu pensava.
Devo estar com ele desde o come�o.
Eu compreendo perfeitamente.
Devo ceder um pouco, tamb�m.
Henrik tem cedido em tantas coisas.
Verdade?
Sim, mas n�o falemos disso.
Deve tentar gostar de Henrik.
S� um pouco.
O passado est� esquecido.
Tomara que d� certo.
Isso, outra vez...
Fique na cama at� que baixe a febre...
Aqui tem um rem�dio.
Tome duas destas p�lulas, duas vezes ao dia.
E ent�o Jesus disse...
"O que temos de alimento?" "S� 5 p�es e 2 peixes".
Ent�o Jesus pegou os p�es e os peixes...
...e os aben�oou.
Minha esposa chamar� o Doutor.
Ser� necess�rio? S� tem um resfriado.
Mas j� faz tempo. Ficar� bem.
- Adeus. - Adeus.
Acabou!
Estou farto de voc� beber e causar problemas.
N�o podem fazer isso com voc�, Arvid!
Amanh� voc� ir� embora daqui.
Est�o nos deixando sem nada!
Eu o avisei.
Fale pra ele, Arvid! Sempre diz alguma coisa!
Voltemos todos para o trabalho.
Arvid foi demitido pelo que disse na reuni�o de segunda-feira.
Vamos, por Deus!
Estamos buscando problemas.
Devemos nos reunir e conversar sobre isso.
Onde podemos nos reunir?
Nos expulsariam do trabalho.
Usem a capela.
Est� aquecida e podem entrar 150 pessoas.
Bem, aceitamos a oferta do pastor?
Poder�amos... se o pastor n�o mudou de ideia...
N�o mudei.
Na segunda, �s 4h da tarde.
Quero falar com o pastor Bergman.
Imediatamente.
Aguarde alguns instantes por favor. Terminarei em breve.
Bom dia.
Bom dia, irm�o. Vim ver seu assistente.
Est� bem.
Disse que est� ocupado.
Venha, Henrik. O cl�rigo pode ocupar-se disso.
O Sr. Nordenson deseja lhe falar.
Podem usar meu quarto, se quiserem.
Irei fazer o desjejum. Sentem-se aqui dentro.
Jamais vi tempo t�o terr�vel.
- Como se o diabo estivesse solto! - Queria me ver.
Sim, foi um impulso. Passava pela par�quia...
e pensei em entrar para falar com o jovem Bergman.
Ouvi que voc� suprimiu as tarefas caseiras para as turmas...
de crisma.
Mais ou menos.
Pode fazer isso?
N�o h� regras espec�ficas. S� dizem que devem...
...estar preparados adequadamente para a Comunh�o.
E voc� prepara as minhas filhas, n�o �, pastor?
Minha esposa se encerra com minha filha no seu quarto.
Se ajoelham e recitam uma ora��o que voc� ensinou.
S�o palavras de Santo Agostinho, n�o minhas.
Isso n�o importa. O que me preocupa � que me deixam de fora.
Voc� poderia incluir-se.
Imposs�vel. Nordenson ajoelhado entre as suas mulheres.
- Poderia tentar. - N�o.
Acho que todos entenderiam suas dificuldades.
Falou de mim com minha esposa, n�o � verdade?
Sua esposa veio me ver e pediu uma conversa reservada.
Verdade? Elin veio v�-lo.
Posso perguntar sobre o que conversaram?
Pode perguntar, mas n�o posso responder.
Desculpe, pastor. Esqueci seu voto de sil�ncio.
Perdoe t�-lo mencionado.
N�o se preocupe. Um deslize. � humano.
E como estava a reuni�o de domingo na capela?
Suponho que tenha enviado informantes.
- Gransjo disse algo? - Certamente.
Posso perguntar o qu�?
Foi muito espec�fico.
Se eu voltar a pensar em emprestar a capela...
...para reuni�es socialistas e revolucion�rias,...
...ele me denunciar� � Catedral.
Verdade? Raposa velha.
Mas a reuni�o foi in�til.
Arvid Fredin foi despedido mesmo assim.
Eu deveria ter falado.
Por acaso sua esposa...
...desaprovou sua decis�o repentina de emprestar...
...a capela?
Mais ou menos, sim.
V�?
Pastor, o que voc� acha de certa...
...coopera��o?
Coopera��o com quem?
Comigo. A pr�xima vez que houver problemas...
...suba ao p�lpito...
...ou em qualquer plataforma improvisada...
...e fale para as massas.
E o que devo dizer?
Poderia dizer, por exemplo...
...que o mais importante � que deixem de se matar...
...uns aos outros...
As pessoas...
... s�o muito maltratadas e humilhadas aqui.
E eu devo lhes aconselhar que sejam maltratados e humilhados?
Dever�amos dar por terminado esta conversa.
Tenho muito tempo.
N�o tem sido reconfortante.
- N�o. Tem me dado medo. - Sim?
Algumas pessoas me atemorizam.
N�o parou pra pensar, pastor...
que eu tamb�m posso estar atemorizado?
Ainda que de outro modo.
N�o.
Desculpe vir t�o cedo, Anna.
Entre. Entre e sente-se.
Como est� sua m�o?
O Dr. est� gostando muito do seu trabalho.
- Como se chama? - Petrus, filho de minha irm�.
Seu esposo a deixou e ela n�o pode...
...ocupar-se dele. Vive conosco.
Ir� para a escola?
Quando ir� come�ar?
No outono.
Acha que ser� divertido?
N�o sei. Ainda n�o fui.
Sabe ler e escrever?
E fazer contas. Sei a tabuada de multiplicar.
Ah �? Quem ensinou voc�?
- Aprendi sozinho. - Ningu�m te ajudou?
N�o.
Tem amigos?
Talvez goste de ficar s�.
Acho que sim.
E o que voc� l�?
Tem livros?
Temos velhas revistas de Natal.
L� principalmente uma enciclop�dia...
...mas s� temos um volume, "J-K".
Tenho alguns livros que iria gostar.
Leia isto, Petrus.
Quando terminar, tenho outros muito bons.
Colocaremos uma capa para proteg�-lo,...
...como na escola.
Agrade�a.
Obrigado.
Jamais vi o tempo t�o estranho.
Trov�es em fevereiro. � como o Ju�zo Final.
E essa batida?
N�o � nada. Est� imaginando coisas.
N�o est� ouvindo as batidas?
Quem poderia ser? Um fantasma?
Tome um pouco de leite quente.
Beba.
Por que veio, Petrus?
Seus pais vieram busc�-lo.
N�o s�o meus pais.
Est�o no lugar dos seus pais.
As coisas n�o poderiam ser melhores.
N�o.
Vem, ent�o?
Mas n�o quero.
N�o depende de voc� a decis�o.
N�o.
Bom, vamos, ent�o.
Deixe-o.
Isso n�o � maneira.
Petrus deveria ficar um tempo aqui.
Precisa de tempo para se acalmar e pensar.
Sim, ele � bem-vindo por uns dias.
Ol�, irm�zinha?
Deixa eu olhar pra voc�! Deixou crescer a barba!
Pegue meu cachecol. fazia -20 graus essa manh�.
E pelo menos -30 � noite.
Voc� est� bem. Sempre est� bem.
� o melhor do mundo. Eu te estranhei terrivelmente.
N�o podia imaginar.
Quando se est� feliz, ficamos insaci�veis.
Bem-vindo, Ernst.
Deus, como voc� engordou! Parece um pirata!
Sou t�o feliz.
- E mam�e? - Est� bem. Mandou um beijo.
Triste porque n�o voltou no natal.
Henrik pensou que seria uma trai��o...
...�s mulheres da par�quia.
Por que n�o a convidou para vir aqui?
Voc� sabe como � Henrik.
N�o pode esquecer e perdoar?
Como anda tudo?
N�o pode ficar somente uns dias?
Tenho que voltar amanh�.
Quase esque�o! Seu presente de Natal!
Mas... o que �?
De Ernst para Anna.
Um gramofone.
Que maravilha!
� o one step.
A dan�a da moda em Nova York.
One step?
Dan�am em todos os lugares. Me permite a honra?
- N�o, n�o posso... - Sim, pode!
Assim?
Henrik, vamos!
Dancemos, Henrik!
- Agora eu e voc�. - N�o, eu n�o.
Vamos, � divertido! Verdade!
Dag e eu nos divertiremos mais s� olhando.
Dancemos todos!
Dancemos! Voc� e eu, Ernst e Dag.
N�o, me deixe, Anna. S� me envergonharia.
Envergonhar-se? Vamos, dancemos os tr�s.
� um bom dan�arino. Lembra de nosso casamento?
Fa�a assim...
Era uma valsa.
Muito bem, dancemos o one step como valsa. Bra�o para cima.
Tire a batina, pastor!
N�o � s� Henrik que desaprova o one step.
Sou um idiota.
Tenho tend�ncia a ser ciumento.
Era s� uma brincadeira.
Sempre estrago as brincadeiras. N�o consigo evitar.
Esfregue aqui.
Tenho algo importante para dizer.
Algo que te interessar�.
Quero falar com voc� e com Henrik juntos.
N�o tomarei muito tempo. Nada desagrad�vel. Pelo contr�rio.
Henrik est� pescando no rio.
Petrus, corra at� l� e diga que venha.
Vejo que Petrus segue com voc�.
Ele te d� problemas?
Se recusa a voltar para casa. Est� bem aqui.
� bom, obediente e atento.
Ter� que encontrar uma solu��o.
Sim. Se soubermos como...
De onde tirou esta camiseta velha?
Pensei que tinha escondido bem.
- N�o lhe ofereceu nada? - N�o quero nada, obrigado.
J� estou incomodando muito.
Recebi uma carta...
...do meu bom amigo Primarius Anders Alop�us.
O Capel�o Maior da Corte.
Nos diz respeito?
Permitam que eu leia um trecho.
Comecemos aqui...
"Como sabe, o Sophiahemmet foi criado pela Rainha Sofia"
"Estava preocupada com a sa�de na Su�cia..."
"...e quis construir um hospital modelo"
"Sua Majestade, a Rainha Vit�ria..."
"...decidiu criar agora..."
"...um novo posto permanente". Sim, bem...
Esta � a parte importante.
"Em uma reuni�o do conselho, sua Majestade se interessou..."
"...particularmente pela capelania desocupada..."
"...e destacou a import�ncia de encontrar a pessoa adequada"
"De imediato, o Arcepisbo exclamou..."
"Creio que temos nosso homem!"
"Ao ser interrogado, o Arcebispo..."
"...mencionou um jovem sacerdote chamado Henrik Bergman".
Santo Deus.
N�o pode ser verdade.
N�o sei o que dizer.
N�o precisa dizer nada.
Pense e converse com Anna.
At� quando devemos decidir?
O quanto antes.
Significa que ter� que colocar as suas melhores roupas...
...ir para Estocolmo...
...e tomar um ch� no Pal�cio Real.
H� um escrito posterior...
...feito � l�pis.
"Enfatiza-se que Sua Majestade deseja..."
"...receber o Pastor e sua jovem esposa".
Agora os deixarei sozinhos, meus jovens.
E espero que estejam mais alegres do que confusos.
Obrigado por vir.
- Ir�o embora? - S� estamos conversando, Petrus.
Pensei que estavam falando isso.
Ent�o n�o estava escutando bem.
Ent�o n�o ir�o?
N�o seja tonto, Petrus.
Me parecia ter ouvido que iriam.
Devem se dirigir � Sua Majestade como Vossa majestade.
Devem evitar as refer�ncias diretas.
Sua Majestade faz perguntas e dirige a conversa.
� inapropriado fazer digress�es pessoais.
A conversa ser� breve.
Sua Majestade est� bastante cansada.
Por aqui.
Sua Majestade entra por ali...
...seguida pelo Capel�o da Corte.
Sua Majestade ir� saudar a esposa do pastor.
Voc� far� uma rever�ncia profunda e elegante.
Depois Sua Majestade ir� saudar o pastor.
Encantada. Fico feliz que possamos nos conhecer.
Obrigada por vir de t�o longe.
Vamos sentar.
Espero que gostem de um pouco de ch�.
Tiveram boa viagem?
Muito boa, obrigado. � somente um trem, sem mudan�as...
E o seu pequeno Dag?
Est� muito bem, obrigada. Cresce t�o r�pido...
Depositamos grandes esperan�as em voc�s.
Estamos um pouco assustados. Foi tudo t�o r�pido.
O envelope.
� um desenho � l�pis da casa proposta.
Oh, como � grande.
Tr�s quartos e cozinha...
... no primeiro andar. Quatro dormit�rios no de cima.
Planejamos a enfermaria no sal�o ensolarado do canto.
Tudo � impressionante.
Sei que ser� dif�cil para voc� abandonar Forsboda.
Ser� dif�cil.
A princ�pio, est�vamos inseguros.
Parecia que quer�amos escapar da nossa tarefa.
Nossa tarefa de vida.
Eu n�o temia tanto quanto Henrik.
Preocupava-me abandonar os necessitados
Tamb�m h� muito necessitados em um hospital, Sr. Bergman.
Eu sei.
Diga-me uma coisa, pastor.
Voc� acredita que...
nosso sofrimento � enviado por Deus?
- Minha opini�o pessoal? - � o que pergunto.
N�o, n�o creio que seja Deus.
Creio que Ele nos observa com dor.
Mas dizem que o sofrimento nos purifica.
Jamais vi sofrimento que ajudasse
Mas j� vi como ele pode deformar e destruir.
Pode trazer meu xale, Condessa?
Estou terrivelmente cansada hoje.
Devem me desculpar, queridos.
Obrigado por sua honestidade.
Assegure-se de que seu marido v� para a nova par�quia.
N�o me mudarei para Estocolmo! N�o tenho nada a ver com eles!
Sinto-me um idiota! Um perfeito idiota!
Agora eu entendo! Gra�as a Deus e � virgem!
O sofrimento vem de Deus?
O triunfo da estupidez!
Ouviu todas as idiotices lisonjeiras que disse? Estou louco!
Preciso lavar minha boca!
Acabaram-se as idiotices!
Voltamos para casa.
Basta.
Digo que n�o.
Eu disse que basta!
Se voc� pudesse me ouvir.
"Eu, eu".. que bobagem � essa?
"Digo que n�o", Isso � estupidez! Sim, estupidez!
Somos duas pessoas! Voc� e suas grandiosas opini�es.
Sou Anna. Sou sua esposa. E sou um de n�s!
Tenho direito de opinar.
Acho que est� agindo como uma primma donna hist�rica!
Sobre o que est� falando?
Como se atreve a decidir sobre...
...coisas que s�o vitais, Henrik? Vitais!
Choro porque voc� pisa em mim. E d�i!
Pisoteia sua amiga mais fiel...
...e choro por que isso me chateia.
Bem-vindo.
Lamento incomodar, mas vim por minhas filhas.
Muito respeit�vel de sua parte, Sr. Nordenson...
...mas Susanna e Helena s� estar�o livres daqui a uma hora.
Vim buscar minhas filhas.
Minhas filhas Susanna e Helena.
Entendo suas inten��es, mas n�o ser� poss�vel...
...por pelo menos uma hora.
Susanna e Helena est�o ocupadas.
Ah, sim? Ocupadas com outras coisas.
Susanna e Helena est�o ocupadas.
N�o estar�o livres por uma hora.
Susanna, venha aqui.
Vamos, meninas. N�o tenho todo o dia.
Vamos sair para resolver este problema.
Deve haver um mal-entendido.
Posso assegurar ao senhor que n�o h� nenhum mal-entendido, pastor.
N�o importa quando, nem onde...
...sua primeira obriga��o...
...� obedecer ao seu pai.
E se n�o fizerem isso?
Basta de brincadeiras, pastor Bergman.
Eu lhe pe�o amavelmente que elas venham com seu pai.
E seu eu lhe pedir que v� embora?
Usarei a for�a.
A for�a? Contra quem?
Contra qualquer um.
Est� b�bado.
Voc� tamb�m, pastor Bergman.
Mas de um modo muito pior.
Est� b�bado com o seu poder sobre minhas filhas.
Est� me humilhando deliberadamente na frente delas.
Susanna e Helena, v�o com seu pai.
Sua ordem chegou 3 segundos atrasada.
H� 15 segundos que decidi que minhas filhas n�o assistam...
...mais estes seus rituais sangrentos.
N�o pode fazer isso.
N�o posso o qu�?
N�o posso evitar de expor minhas filhas a um ultraje emocional?
Um jogo vil e est�pido?
Uma horr�vel orgia de sangue e l�grimas?
O que eu n�o posso, pastor?
Voc� � desprez�vel.
� vingativo...
...ciumento e repulsivo.
Basta, Henrik.
� interessante ouvir um padre denegrir um pai.
diante de seus filhos e testemunhas.
Por que somos t�o poucos ultimamente?
N�o vem � igreja nem �s reuni�es de trabalho.
Ningu�m pode me dar uma explica��o?
Perguntarei diretamente.
O que voc� acha, Sra. Talrot?
Creio que as pessoas est�o com medo.
Medo?
N�o sei, mas � o que penso.
Do que elas tem medo?
Todos sabem.
Eu n�o.
H� uma lista...
...das pessoas que frequentam as reuni�es de trabalho.
N�o entendo. Nordenson...
O gerente perguntou para o meu Adolph se eu ainda ia...
...nas reuni�es da mulher do pastor.
N�o � poss�vel.
Tudo est� ligado ao que aconteceu na turma de crisma...
...do ver�o passado.
Helena me contou...
...que seu pai jamais perdoar�...
...essa humilha��o diante de todos.
Magna, voc� sabia disso...
...e nos escondeu?
Existe uma outra explica��o.
O que quer dizer?
Conversaremos depois.
Por que n�o agora?
N�o se preocupem comigo. N�o poderia estar mais chateada.
Diga a todos n�s o que sabe, Magna.
H� rumores de que Henrik e Anna...
...foram ver a Rainha Vit�ria no Pal�cio em junho...
...e que Henrik seria Capel�o da Corte.
Todos comentavam.
Alguns ficaram tristes.
Outros diziam que Henrik era um falso por n�o dizer...
...que pensava em nos deixar.
Mas n�s n�o aceitamos, Magna.
A Henrik foi oferecido ser sacerdote de um hospital...
...patrocinado pela Rainha.
Ficamos tentados... mas quem n�o ficaria?
Mas Henrik n�o aceitou.
Henrik disse n�o � oferta.
Depende do �ngulo que olhar.
Nada mudou. N�s ficamos. Est� decidido.
Como uma esp�cie de sacrif�cio?
Queremos estar aqui.
S�o muito am�veis.
- Est� chateada? - N�o.
Estou triste.
Ainda n�o compreendo.
Claro que n�o.
Eu teria aceitado e teria ido embora daqui o quanto antes.
Ach�vamos que poder�amos ser �teis aqui.
�teis para qu�?
O que poderiam fazer um bom pastor e sua bela esposa aqui?
Neste lugar detest�vel?
Por que voc� vem todas as quintas...?
Gosto do pastor e de sua esposa.
Eu gostava de escut�-la lendo os romances em voz alta.
Gostava de estar com as outras mulheres.
Achava maravilhoso.
Adeus, ent�o.
Adeus e obrigada.
Obrigado por ajudar. Muito obrigado.
Agora n�o tenho d�vidas, Anna.
Agora � ainda mais importante que n�o abandonemos estas pessoas.
- Voc� j� vem? - Em seguida.
H� algo errado?
N�o, por qu�?
Ent�o irei me deitar.
J� vou.
Petrus deve ir embora. Quanto antes, melhor.
- Falaremos disso amanh�. - N�o, agora.
Que esc�ndalo por Petrus, um pobre diabo.
Nunca prometi que ele ficaria definitivamente...
...ou que seria sua m�e substituta.
Fale com a Sra. Johansson.
Eu entendo.
N�o posso me responsabilizar por mais uma crian�a.
N�o fique t�o chateada.
N�o estou chateada.
Tenho tentado am�-lo, mas n�o consigo.
Falarei com ela. Eu prometo.
R�pido. Amanh�.
- Eu prometo. - Estarei esperando.
Ele olha como um carneiro degolado e me irrita.
Ent�o fico brava comigo. N�o devo ser hostil.
Eu me levanto �s 6h, Anna.
Entende o que eu digo?
Entendo.
Acho que devemos dormir.
Boa noite, irritada.
N�o iremos mais aquecer o sal�o, nem a enfermaria.
S� aqueceremos a cozinha, o dormit�rio e o seu quarto.
- Est� com febre? - Est� tossindo muito.
Muito l�quido e abrigo.
Voc� � enfermeira. Deve saber.
Onde vai?
Ao correio. O pastor est� esperando o jornal.
Mas est� resfriada.
Vou de tren�. Limparam as ruas.
Tudo bem. Arrumarei as camas.
Comeremos em uma hora. Voc� estar�?
Certo que sim.
Leia para Dag enquanto arrumo as camas, Petrus.
R�pido, est� deixando o calor sair.
N�o posso escrever meu serm�o...
...sabendo que vou devolver Petrus.
Fa�a como quiser.
Devemos decidir juntos.
Decidir junto � o que voc� quer.
Pensemos no seu serm�o. Isso � o que importa.
Petrus � um ser humano.
E ent�o?
Nada.
N�o seja dif�cil, Anna.
Sou um ser humano e sua esposa.
Escreva seu serm�o. O resto...
...veremos depois. Tudo bem?
Petrus, volte!
- Bom dia, Sra. Johansson. -Bom dia, Sra. Bergman.
Desculpe a desordem. As duas crian�as est�o doentes.
� assim em toda a parte.
Tudo que � de Petrus est� aqui.
Como ele gosta de ler, coloquei uns livros.
Espero que compreenda que...
Claro, claro...
Adeus, ent�o, Petrus.
Acho que � melhor n�s irmos.
Obrigado por cuidar tanto dele.
� uma pena que tenha terminado assim.
Voc� e o pastor n�o poderiam cuid�-lo para sempre.
Era melhor assim.
N�o pod�amos t�-lo aqui.
Acho que ele compreendeu.
Nem sequer chorou.
Por que n�o responde?
N�o podemos seguir assim, Anna.
N�o tem raz�es para agir assim.
� como se fosse culpa minha.
Deixe isso e olhe pra c�!
Fale comigo!
Est� sangrando. Voc� se cortou com o prato.
N�o me importa.
As crian�as n�o precisam nos ouvir.
Voc� tem que falar comigo.
N�o tem sentido.
Qualquer coisa, Anna.
Tudo � melhor que o sil�ncio.
� voc� que diz. Eu tenho uma responsabilidade.
Responsabilidade com Dag e com o futuro filho.
Minha responsabilidade diz que devo ir embora daqui.
E isso � mais importante que minha lealdade a voc�.
N�o entendo.
Irei embora com Dag.
Voc� quer ficar. � a sua convic��o.
- Pra onde ir�? - Para casa.
Sua casa est� aqui.
N�o pode me machucar assim.
J� escrevi para mam�e.
Uma vit�ria.. e para ela!
Isso � a primeira coisa que pensa.
Eu pro�bo voc� de ir.
Voc� n�o pro�be nada, Henrik.
Por quanto tempo voc� vai ficar?
Quando voc� recuperar a racionalidade, discutiremos nosso futuro.
Que futuro?
Falei com Gransjo.
Ou melhor, ele me falou.
A oferta de Estocolmo segue de p�.
Andou conversando nas minhas costas?
Sim, posso dizer que sim.
Jamais perdoarei voc�.
J� sabemos. Agora vou terminar de lavar.
Saia daqui! N�o quero v�-la nunca mais!
Est� louco!
Sabia que isto aconteceria.
Sabia... que me deixaria.
Tem algum bom garoto aqui?
Ou s� tem velhas e esposas fugitivas?
Falarei s�rio. Vou parar com isso.
Tem algum bom garoto aqui?
Sim, tem.
Ah bom, ent�o...
Mere�o uma bebida!
Obrigada pela linda noite de Natal.
Pensei que tinha sido um desastre.
Dag aproveitou bastante.
E eu tamb�m, Mammchen.
Obrigada, Carl. Voc� � muito gentil.
N�o sou particularmente sentimental...
...mas tive vontade de chorar. V�rias vezes.
Mas me perguntava: Est� louca? Do que est� se queixando?
� preciso ser valente.
Recebi uma carta de Henrik esta manh�.
N�o queria perguntar.
- Disse que est� tudo bem. - �timo.
Manda abra�os.
Retribua quando escrever.
Eu o avisei: muito cuidado com a fam�lia Akerblom.
Reza a missa na grande igreja pelas manh�s.
Fecharam a capela.
Tudo est� correndo bem para ele?
Sim, ao menos parece.
Deu f�rias para Mia e Mejan.
E quem cozinha?
Os Gransjo tem o convidado para comer.
Fico feliz de que tudo esteja bem.
Ouvi que Anna est� em Uppsala.
Sim, � verdade.
O garoto tamb�m?
A m�e de Anna quer ver seu neto.
Sabe quando Anna ir� voltar, Henrik?
N�o.
O que houve?
N�o estou bem para me confessar.
Posso ir agora?
Claro.
N�o quero ser grosseiro e estou agradecido por...
Voc� sabe que segue em p� a oferta de Estocolmo.
Isso n�o se discute. Conhe�o meu lugar.
E sua esposa?
Ela tamb�m j� decidiu.
V�, pastor e fa�a algo de �til.
J� vai ir?
Tenho que voltar para a f�brica.
- Como vai tudo? - Excelente.
Quando Anna ir� voltar?
N�o sei, exatamente.
Queremos nossos sal�rios!
N�o podem fechar o lugar.
Abram!
Queremos nosso trabalho!
Queremos nosso dinheiro!
N�o tem sentido ficar aqui.
Uma delega��o especial da Comiss�o de Emprego...
...est� vindo para discutir...
...a reabertura da f�brica no Ano Novo...
H� d�vidas pendentes. Os credores est�o reunidos...
...e planejam continuar a produ��o.
Voltem para casa e esperam novidades.
Vamos dispersar!
N�o sei.
Tinha problemas.
N�o falava muito ultimamente.
N�o queria me preocupar.
N�o sei nada.
� sua carta de despedida.
Quer ouvir o que escreveu?
"Nos �ltimos anos, costumava ir ao meu quarto...
me encerrar e levar a arma at� minha boca."
"N�o posso dizer que estivesse desesperado."
"S� desejava me preparar para o inevit�vel".
"Ser� um grande al�vio entrar na solid�o...
final e , segundo o que penso, absoluta.
"N�o tenho por que me desculpar por minha morte...
..ainda que cause problemas pr�ticos de higiene."
"Nem tenho motivos para me desculpar por minha vida"
"Agora estou b�bado".
"Suficientemente b�bado."
"Assim ser� meu fim."
- Rezar� uma ora��o? - N�o creio.
O Sr. Nordenson n�o iria querer que eu lhe rezasse uma ora��o.
Obrigado, pastor, por dar aten��o � todas estas coisas.
Entre.
Estou com os dedos gelados.
Ent�o.. mudou a cozinha, Henrik.
Vejo que est� preparando seu serm�o.
Sei que incomodo. Irei r�pido.
S� ficarei at� recuperar o f�lego.
Como vai tudo?
Bem. Excelente.
Parece chateado.
Tudo vai bem, eu disse. Estou bem.
Era s� uma pergunta am�vel.
Sempre vem com sua compaix�o, Magda.
N�o posso viver como voc� gostaria.
Henrik, por favor...
Vou lhe dizer uma coisa. Sou um solit�rio. Na realidade...
...sempre fui.
O tempo com Anna e meu filho s� me confundiu.
Era como uma felicidade pensada para mim...
...que havia esperado secretamente durante anos.
Anna me fez crer. Anna e Dag.
Compreende?
Henrik... eu, tive uma conversa com Gransjo.
Pensamos que deveria viver conosco...
...e ocupar uma parte da casa s� pra voc�.
Espere, Henrik. Deixe eu terminar.
Teria seu quarto e sua cozinha, ou poderia comer conosco.
O Conselho da igreja aceitaria.
Poderiam fechar a capela para sempre sem problemas.
S�o am�veis ao pensar em mim...
...mas estou melhor vivendo...
...no fim do mundo. Poderei adquirir dureza, precis�o...
N�o encontro as palavras adequadas.
Devo enfrentar a mim mesmo todos os dias.
Devo viver na priva��o.
S� assim poderei ser um bom sacerdote.
N�o fui criado para desejos maiores.
Estou bem com esta vida.
Compreende?
Parece muito convincente.
Vou ir agora.
Mam�e, posso ir com a vov� colher flores?
O que voc� quer?
Foi um impulso.
Fiquei sabendo que havia um trem noturno.
Por que veio?
S� quero dizer que...
penso muito em voc� e no nosso filho.
Jamais voltarei.
Eu sei.
Diga o que disser.
Eu sei.
Sofri ang�stias terr�veis. Me senti uma traidora.
Mas j� estou melhor.
N�o fa�a isso de novo. Eu n�o iria tolerar.
Jamais ter� que voltar. Eu prometo.
Eu escrevi uma carta e aceitei a oferta.
Nos mudaremos para Estocolmo no outono.
Mas seremos capazes de perdoar um ao outro?
Ent�o voc� n�o quer ir?
Sabe que sim.
N�o desejo outra coisa.
� tudo o que quero.
Legenda e tradu��o: Andr� Vinicius Jobim
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