All language subtitles for When Two Worlds Collide 2016

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Original subtitles

"Os direitos de propriedade das pessoas

sobre as terras que ocupam tradicionalmente

ser�o reconhecidos.

Os direitos das pessoas

as recursos naturais provenientes das suas terras

ser�o especificamente salvaguardados."

- UN ILO Conven��o de Povos Ind�genas e Tribais, N� 169, 1989

Cuidado.

Vou transformar-me no Tarzan.

De modo a crescer, o Peru precisa de expandir os seus mercados.

Precisamos de investimentos maiores na explora��o mineira, petr�leo e g�s.

� por isso que os convido a investirem no Peru.

Empres�rios americanos, tragam as vossas f�bricas para aqui. Venham!

Podem confiar que teremos estabilidade a longo prazo.

PRESIDENTE DO PERU 2007

N�o teremos conflitos pol�ticos.

Se fosse membro da C�mara Americana do Com�rcio,

eu investiria no Peru.

Claro que investiria!

FLORESTA AMAZ�NICA PERUANA

Parti-o.

O Alberto est� aqui.

Adoro a selva. Adoro a Amaz�nia.

Porque � isto que conhe�o.

Eu sou daqui.

ORGANIZA��O NACIONAL PARA PESSOAS NATIVAS DA AMAZ�NIA

Cresci num ambiente coletivo.

Onde todos apreciamos o que a terra nos d�.

O meu pai sempre me disse que a terra era emprestada.

N�o te � dada para fazeres aquilo que te apetece dela.

Quando temos algo emprestado, devemos cuidar disso,

ainda mais do que o seu dono.

Devemos entreg�-lo � futuras gera��es em ainda melhores condi��es.

V�s aquele lago?

Existiam golfinhos de rio ali.

Costumava brincar com esses golfinhos.

N�s amamos... o nosso... Peru.

Bom dia, professor.

Posso dizer ol� aos meninos?

O nome do meu filho significa Queda de �gua.

E tu? Levanta-te.

Os nativos sempre

seguiram o princ�pio de n�o saquear a natureza.

Em vez disso, respeitam-na.

As partes de uma planta

As nossas terras s�o sagradas para n�s.

A nossa terra � a semente da nossa exist�ncia.

Sem as nossas terras, n�o podemos viver.

Cacei uma presa na floresta.

PAI DE ALBERTO

Podia ter ca�o mais animais se tivesse tido mais tempo.

Sim, meu filho.

Outras regi�es t�m mais animais, mas aqui n�o.

Antes t�nhamos muitos animais.

Costumavam pastar junto ao leito do rio.

Agora n�o h� nada.

REGI�O NORTE DA AMAZ�NIA MAIS VELHA RESERVA DE PETR�LEO ATIVA NO PERU

Este � o oleoduto do norte do Peru.

Vejam como � mau. Todo submerso na �gua e na lama.

MONITOR AMBIENTAL DA COMUNIDADE

Agora ver�o os danos que o petr�leo bruto est� a causar na nossa regi�o.

Podem ver que o petr�leo bruto veio at� aqui.

Deixa as m�os pretas.

Aqui em baixo tamb�m tem muito petr�leo bruto.

No Inverno, o petr�leo bruto flutua at� aqui acima.

E os nossos peixes alimentam-se destas plantas.

A maioria dos nossos pacientes t�m cefaleias, n�useas e tonturas.

� devido aos derramamentos de petr�leo que contaminaram as nossas �guas.

A nossa �gua tem muitos metais t�xicos

ENFERMEIRA

que prejudicam o nosso povo.

As comunidades que foram expostas

t�m chumbo e c�dmio na corrente sangu�nea.

Est�o condenados � morte.

A acumula��o de dinheiro e riqueza

chamamos a esse tipo de desenvolvimento como "selvagem".

Porque, quer queiramos ou n�o, assassinamos a floresta tropical.

Matas uma cultura. Matas um povo inteiro.

AMAZ�NIA PERUANA

O presidente Alan Garcia viajou at� Paiche Sur

onde a Barrett Company ir� fazer a explora��o

de uma das maiores descobertas de petr�leo no nosso pa�s.

� muito emocionante.

Isto garante o nosso futuro e abre novas possibilidades para a nossa na��o.

O objetivo do governo � transformar o Peru num dos maiores exportadores de a�o,

g�s natural, petr�leo e minerais.

Um, dois, tr�s... Peru!

O presidente Garcia queria promover um grande investimento

na Amaz�nia,

mas as comunidades nativas apresentaram um obst�culo.

ADVOGADO DOS DIREITOS IND�GENAS

Em certa altura, ele chama as suas terras de um desperd�cio.

Por isso, � melhor deixar as companhias privadas comprarem as suas terras.

AEROPORTO INTERNACIONAL DE LIMA

O presidente Alan Garcia foi para os EUA para promover um Acordo de Com�rcio Livre

cheio de otimismo e grandes expetativas.

Estou muito otimista.

Acredito que o acordo ser� um grande passo em frente para o nosso pa�s.

O presidente Garcia aprovou uma s�rie de leis

para facilitar o acordo de com�rcio livre com os EUA.

Estavam entre essas leis, v�rias que afetaram

todas as comunidades nativas da Amaz�nia.

Com estas leis, tentou livrar-se das terras coletivas ind�genas.

Ou pelo menos tentar enfraquec�-las o mais poss�vel.

Algumas dessas leis foram criadas especificamente

para eliminar a propriedade coletiva.

Estas leis davam �s empresas privadas

EX-MEMBRO DO CONGRESSO

o direito de explorar os recursos da floresta tropical,

sem a permiss�o ou sequer consultar as comunidades locais.

As empresas estavam a receber um cheque em branco.

O acordo de com�rcio livre com os EUA � agora uma realidade.

O presidente Garcia assinou o acordo esta tarde.

Para n�s, a nossa terra nunca poder� ser vendida.

N�o negociamos a nossa terra.

E isso, � o que o governo do Garcia n�o compreende.

Como est�s, irm�o?

Estou aqui.

Como est�s?

Estou bem.

Como est�s?

� um prazer conhecer-te.

Dizem-te: "Toma, pega algum dinheiro

para que possamos extrair petr�leo e ouro das vossas terras."

Ter�o dinheiro por dois ou tr�s anos. E depois?

Nada.

O vosso rio contaminado. As vossas terras contaminadas.

N�o ficar� nada.

Apenas a morte. � isso que querem?

N�o, n�o.

Porque � que o Alan Garcia quer vender as nossas terras?

Deveria era vender o seu pal�cio.

Extrair petr�leo de l�.

Extrair ouro de l�.

Porque vem aqui para nos tramar?

Mas n�o podemos fugir.

Os nossos antepassados ensinaram-nos a defender a nossa terra.

Os nossos av�s e pais lutaram pelos direitos das nossas terras.

Porque n�o somos nada sem as nossas terras.

E a Conven��o de 169 estados diz claramente,

que o nosso povo tem o direito de decidir as suas pr�prias prioridades.

O direito de viver em paz.

O direito de viver numa terra digna.

O Peru � um signat�rio da Conven��o Internacional de 169,

que indica que quando o governo pretende aprovar uma lei

que afeta os direitos dos nativos,

deve consult�-los primeiro.

Isto n�o foi feito.

Al�m disso, as leis eram inconstitucionais.

A constitui��o estabelece que as terras nativas s�o n�o alien�veis.

Vamos dar as boas-vindas ao presidente da nossa organiza��o nacional,

o Sr. Alberto Pizango.

Sou um l�der comunit�rio, nascido e criado nestas terras.

Os meus pais criaram-me a beber �gua pura,

a respirar ar limpo,

a comer comida fresca.

Daria a minha vida

para proteger a nossa terra, a nossa �gua, o nosso ar.

Agora que est�o aqui, escuta-nos, l�der Alberto.

Leva a nossa mensagem ao governo do peru.

Por favor, digam-lhes que n�s existimos,

que tamb�m somos Peruanos.

Somos ind�genas, mas tamb�m somos peruanos.

BAIRRO

Em 2009, os l�deres ind�genas, representantes de 1350 comunidades

decidiram protestar as leis governamentais.

O que est�o a pedir as comunidades nativas?

Justi�a. Que os nossos direitos sejam respeitados.

ESCRIT�RIO DA AIDESEP 9 DE ABRIL DE 2009 - DIA 1 DO PROTESTO

Que as nossas terras e tradi��es sejam respeitadas.

Ol�.

Queria dar-lhes alguma informa��o sobre o protesto.

Estamos a organizar-nos.

Sabemos que conseguimos encher mais do que quatro barcos com pessoas.

Mas, ser�o provavelmente cerca de 15 barcos.

Isto � um protesto nacional pac�fico

nas nossas terras ancestrais.

Exigimos que o governo

revogue de imediato as leis que est�o a violar os nossos direitos fundamentais.

Os grupos �tnicos na Amaz�nia est�o em protesto.

Rejeitam um n�mero de leis que creem amea�ar as suas terras.

Os protestos acontecem em quatro regi�es na Amaz�nia,

esperam a resposta do governo.

Entretanto, a cidade de Iquitos foi o cen�rio

do maior ajuntamento de pessoas nativas de sempre.

Mais de 500 nativos chagaram nas suas vestes tradicionais,

a exigir os seus direitos.

S�o as pr�prias comunidades,

que n�o foram ouvidas por este governo.

CURVA DO DIABO

Temos duas fortes frentes aqui.

Cerca de 3000 pessoas.

Ind�genas Awaj�n Wampis, e tamb�m falantes espanh�is.

N�o existem ind�genas no Congresso que falem por n�s.

Apenas pessoas ricas que protegem os interesses de empresas transnacionais.

A AIDESEP segue a vontade do povo.

Somos meros porta-vozes

das decis�es dos nossos irm�os ind�genas.

Os ind�genas decidiram que este protesto continuar�

at� que o governo escute as nossas exig�ncias.

Pedimos que o governo nos receba de imediato

para evitar consequ�ncias lament�veis.

Quando temos recursos como petr�leo, g�s e madeira,

e pesca abundante na Amaz�nia que possa dar emprego a muitos.

Isso n�o pertence apenas a um grupo

que tiveram a sorte de nascerem l�.

A Amaz�nia pertence a voc�s e �s vossas crian�as.

Pertence a toda a na��o.

As riquezas do Peru pertencem a todos os Peruanos

e devem ser disfrutados por todos n�s.

Vida longa ao Peru!

Estamos hoje a falar com Alberto Pizango, presidente de AIDESEP.

Est�o a protestar.

Digam-nos o que se est� a passar.

N�o nos opomos ao desenvolvimento.

Somos sempre demonizados.

Dizem que os povos ind�genas s�o caprichosos,

s�o selvagens, n�o entendem o progresso.

� por isso que pensam que somos obst�culos ao desenvolvimento.

Isso n�o � verdade.

Queremos que o pa�s progrida,

mas sem colocar as nossas vidas em risco.

CURVA DO DIABO DIA 4

Al�m.

N�o pode passar!

N�o o deixem passar!

Patrulha rodovi�ria.

Este grupo ficar� aqui e n�o se mover�.

Devido aos bloqueios de estradas pelos ind�genas,

milhares de pessoas em San Martin est�o a sofrer,

por falta de servi�os e bens prim�rios.

Os grupos ind�genas bloquearam a via r�pida Fernando Bela�nde Terry.

Numa demonstra��o de for�a,

os protestantes tamb�m ocuparam a estrada principal de Yurimagas.

Usaram troncos de �rvores para a bloquear.

Alguns acamparam na pr�pria estrada.

Os cami�es estavam parados em toda a Amaz�nia.

Os governos regionais pediam a resolu��o do problema

porque o bloqueio estava a causar uma falta de bens.

Liderei uma comiss�o executiva para falar com os povos ind�genas

EX-PRIMEIRO MINISTRO PERUANO

representados por Alberto Pizango.

Encontramo-nos durante v�rios dias.

ESCRIT�RIO DO PRIMEIRO MINISTRO DIA 11

O Estado negligenciou

as comunidades ind�genas durante s�culos.

O governo do presidente Garcia ir� acabar com esta neglig�ncia

deste dia em diante.

Iremos rever as leis e mudaremos

quaisquer partes que afetem os nossos irm�os ind�genas.

Iremos eliminar as partes espec�ficas que os afetam,

mas sem prejudicar o pa�s.

Asseguramos que chegaremos a

uma solu��o permanente.

Propusemo-nos a identificar

os artigos espec�ficos que n�o gostaram.

Muito bem, avancemos.

Que partes espec�ficas pretendem eliminar?

Mas apenas continuaram a dizer, "Revoguem as leis, Revoguem as leis."

Era isso ou nada.

V�m a�.

Tivemos uma reuni�o produtiva.

Contudo, ainda n�o temos um acordo.

Mas, como disse, as conversa��es foram positivas.

E esperamos ter resultados concretos nas pr�ximas quatro horas.

Ministro...

� tudo o que posso dizer por agora.

Estavam a enganar-nos.

Como podemos aceitar mudan�as quando fizeram estas leis nas nossas costas?

N�o fomos consultados.

E s�o inconstitucionais. Assim, devem ser revogadas.

N�o podemos esperar resolver isto de imediato.

Estar�amos a mentir para n�s pr�prios.

Precisamos de uma solu��o duradoura que beneficiar� o nosso pa�s.

Sr. Pizango, o protesto ir� continuar?

� tudo o que podemos dizer por agora.

Teremos mais not�cias amanh�. Obrigado.

Sr. Pizango, os protestos ir�o continuar?

Centenas de ind�genas com lan�as, pintaram as caras e com vestes nativas,

rodearam a Esta��o de Petroperu N� 6 em Loreto.

ESTA��O DE PETR�LEO PETROPERU N� 6 DIA 15

Pessoas das comunidades ind�genas come�aram a chegar.

Chegaram pelo rio, em barcos, desde regi�es muito remotas.

Queriam tomar um local muito importante

ENGENHEIRO DA ESTA��O N� 6

para conseguir a aten��o do governo.

Na nossa regi�o, era a Esta��o N� 6.

Coordenamos

com o gerente da esta��o

L�DER IND�GENO

fechar o oleoduto.

Achamos que isto iria pressionar o governo.

Porque eles sabiam que fornec�amos petr�leo a todo o pa�s.

Est� aqui connosco esta noite, o presidente do AIDESEP, Alberto Pizango.

Boa noite, Sr. Pizango.

Obrigado por esta oportunidade de...

Tomaram o oleoduto Petroperu.

Se as linhas de g�s estiverem comprometidas

Lima poder� ficar sem eletricidade e colapsar.

E mesmo assim recusam-se a parar os protestos?

Isto n�o teria acontecido

se o governo tivesse escutado as nossas exig�ncias.

Mostramos as nossas preocupa��es perante as leis que foram aprovadas.

N�o v� que est� a colocar todo o pa�s em risco?

Mas, e os direitos dos ind�genas?

Tamb�m somos Peruanos.

Est� a correr um grande risco com a sua comunidade, Sr. Pizango.

Um despejo de protestantes est� iminente.

O pa�s n�o pode parar s� para si.

As leis protegem

as empresas, mas nunca protegem os direitos territoriais

dos povos ind�genas.

N�o vou ficar sem luz

s� porque n�o quer o di�logo.

Ningu�m na cidade ir�.

Obrigado. E espero que esteja mais recetivo ao di�logo.

Estamos recetivos ao di�logo.

N�o � isso que parece. Obrigado.

CURVA DO DIABO DIA 31

O protesto dura h� mais de um m�s,

e n�o se prev� uma solu��o.

Quando iremos parar de protestar?

A resposta est� com o presidente.

Se revogarem as leis hoje, n�s iremos embora.

Qualquer problema poder� ser resolvido se existir vontade pol�tica.

Ficaremos aqui at� �s ultimas consequ�ncias.

Estas pessoas n�o t�m coroas.

Estas pessoas n�o s�o cidad�os de primeira classe.

400 000 ind�genas n�o podem dizer a 28 milh�es de Peruanos

que "N�o t�m o direito de vir aqui".

Nem pensar.

� prov�vel que nos obriguem a regressar a tempos primitivos.

O governo tem sido extremamente paciente at� agora.

Mas o pa�s n�o pode ter uma arma apontada � cabe�a.

O governo deve agir com for�a para restabelecer a ordem.

As pessoas mant�m o estado para manter a ordem.

Isto tem de acabar.

O governo declarou um Estado de Emerg�ncia

em quatro regi�es da Amaz�nia.

MINISTRA DO INTERIOR

Este governo sempre tentou ser paciente e tolerante.

Mas n�o podemos aceitar este tipo de inquieta��o

que tenta enfraquecer o nosso governo.

N�o iremos permitir.

Estamos inteiramente dedicados a utilizar a nossa autoridade constitucional.

CURVA DO DIABO DIA 32

Apenas quero falar com um senhor.

Todos os outros devem manter-se afastados.

Movam-se um pouco mais para aqui.

Aproxime-se.

Vamos falar aqui.

Senhor.

Sim?

Sou comandante das For�as Especiais da Pol�cia.

Concordamos com o vosso protesto

e com as vossas reclama��es.

Infelizmente, n�o podemos apoi�-los.

O que queremos agora

� que abandonem a ponte pacificamente.

- Irm�os, pol�cias! - Irm�os, pol�cias!

- A nossa luta n�o � convosco! - A nossa luta n�o � convosco!

- A nossa luta � contra o governo! - A nossa luta � contra o governo!

- Irm�os do ex�rcito! - Irm�os do ex�rcito!

- A nossa luta n�o � convosco! - A nossa luta n�o � convosco!

- Alan Garcia � um traidor! - Alan Garcia � um traidor!

V�o por ali! V�o por ali!

Por aqui.

V�o por aqui!

Agarrem-no!

Espera.

Vamos.

Senhor!

Deixem-no em paz!

Assim como o governo declarou um Estado de Emerg�ncia,

n�s, o povo ind�gena, tamb�m declaramos

ESCRIT�RIOS

um Estado de Emerg�ncia nas nossas terras.

O nosso comit� central decidiu

declarar o nosso povo em insurg�ncia.

Isto significa que apenas seguiremos as nossas leis ancestrais.

E quaisquer for�as que entrem nas nossas terras

ser�o consideradas uma agress�o externa.

Porque est�o a dispensar o di�logo com o governo?

Eles devem avan�ar e revogar aquelas leis.

A nossa posi��o foi clara.

Noutras palavras: revoguem as leis ou a morte.

� isso que o nosso povo decidiu.

O Sr. Pizango anda � procura de derramamento de sangue.

Ele est� a enviar milhares de ind�genas para a guilhotina.

Ind�genas que apenas querem paz, mas a quem mentiram.

N�o queremos viol�ncia, mas porque o governo pensa que sim,

retir�mos a palavra insurg�ncia

mas iremos continuar com o nosso protesto

porque temos o direito de o fazer.

ESTA��O DE PETR�LEO N� 6 DIA 38

PERIGO!

�ramos 38 pol�cias, incluindo o comandante Montenegro.

Fomos destacados para a Esta��o N� 6 para manter a ordem.

POL�CIA EM SERVI�O NA ESTA��O N� 6

Mas 38 pol�cias n�o eram o suficiente quando est�o 1500 no exterior.

N�o era o suficiente.

ENCONTRO ENTRE PROTESTANTES E POL�CIAS NA ESTA��O PETROPERU N� 6

VOZ DO COMANDANTE

Os vossos l�deres disseram-nos que isto era um protesto pac�fico.

Apesar de estarmos num Estado de Emerg�ncia, queremos ser respeitadores.

Queremos que ningu�m se magoe ou algo pior.

Somos todos peruanos e todos amamos o nosso pa�s.

Assin�mos o Acordo de Entendimento com a Pol�cia,

de n�o nos atacarmos uns aos outros.

Porque a nossa luta � contra o governo.

Do poder executivo ao poder legislativo.

Mais ningu�m.

Passaram-se 50 dias desde o in�cio dos protestos.

E o problema � o mesmo:

se as leis n�o forem revogadas, os protestos continuam.

CONGRESSO PERUANO

Uma vez que o ramo executivo n�o fazia ten��es

de resolver o assunto,

abord�mos todos os diferentes partidos pol�ticos no Congresso.

Bancada por bancada, abord�mos todos os partidos pol�ticos.

PRESIDENTE DO CONGRESSO

Tenho de sair antes da 11h30.

Enviem algu�m para me substituir aqui.

Fale.

Estas s�o as nossas exig�ncias.

Uma das leis mais debatidas foi a lei 1090, a Lei Florestal.

A Lei Florestal permitia que partes da floresta tropical

deixassem de ser consideradas um recurso natural,

para poder ser tamb�m propriedade privada.

Os nossos irm�os ind�genas decidiram que se a lei 1090 fosse revogada

poriam um fim ao protesto.

As recomenda��es dizem que ela deve ser revogada,

e isso � tudo o que pedimos.

Quando estas leis estavam a ser debatidas em Congresso,

o governo pressionou o seu pr�prio partido

dizendo que se mudassem uma simples v�rgula ou par�grafo

nestas leis

EX-MEMBRO DO CONGRESSO

isso faria com que todo o Acordo de Com�rcio Livre ficasse anulado.

Isto era mentira.

As terras dos ind�genas nada tinham que ver

com o Acordo de Com�rcio Americano.

Nada.

Essa foi a grande fraude do governo de Alan Garcia.

O Garcia tinha a maioria no Congresso.

E eles reagiam em forma de apoio ao seu presidente.

Se ele n�o quisesse revogar as leis, eles n�o as revogariam.

Quando cheg�mos ao dia 56 do protesto, os partidos de oposi��o no Congresso

conseguiram colocar em debate a Lei Florestal 1090.

Acho que o Congresso est� a tomar uma boa atitude

em rela��o � resolu��o deste problema.

Mas � apenas uma das leis?

Sim, � apenas uma.

Mas esperamos que as outras leis contestadas

sejam consideradas inconstitucionais.

O debate

para revogar a Lei Florestal 1090 ir� continuar.

Iremos agora votar uma nova mo��o,

para suspender todo o debate sobre esta lei at� a Comiss�o Executiva

apresentar as suas recomenda��es.

Registem a vossa presen�a porque iremos votar.

Sem aviso, o partido do presidente Garcia apresenta uma mo��o

para suspender todo o debate sobre a Lei Florestal 1090.

Apresentam a mo��o

antes de muitos membros dos partidos da oposi��o terem chegado.

Registem a vossa presen�a.

Vamos votar a mo��o. Registem a vossa presen�a, congressistas.

Vamos encerrar a vota��o.

Trinta e oito votos a favor.

Vinte e um contra.

Nove absten��es.

A mo��o para suspens�o foi aprovada. Vamos avan�ar.

Est�o a brincar com os interesses do povo.

Ordem, por favor!

Queremos um debate. Um debate de ideias.

A sess�o come�ou �s 09h30. Todos sabiam disso.

T�m de entender que a Amaz�nia enfrenta s�rios problemas.

Toda a popula��o veio protestar.

J� n�o s�o apenas os ind�genas. Todos est�o na rua.

Apenas pedimos um debate democr�tico.

Se perdermos, perdemos. Se ganharmos, ganhamos. Assim funciona a democracia.

- Mas tem de colocar no calend�rio. - O assunto est� encerrado, congressista.

O governo e o seu partido deveriam pedir perd�o ao pa�s

por nos guiarem para um beco sem sa�da!

Congressista, avancemos para outro assunto.

Ganhou esta mo��o. Muito bem.

Mas pensem

o que ir� acontecer quando os ind�genas souberem?

Com todo o respeito, esse assunto est� encerrado.

� um assunto encerrado aqui, encerrado aqui.

Mas n�o est� encerrado na Amaz�nia.

O povo unido jamais ser� vencido!

O nosso povo esperava

que a Lei 1090 fosse revogada hoje.

E poder�amos ter suspendido de imediato o nosso protesto.

A CURVA DO DIABO DIA SEGUINTE 06H00

Est�o mortos! Est�o duas pessoas mortas ali em cima!

Est�o feridos!

Vamos ficar aqui.

Se nos v�o matar que nos matem aqui mesmo.

Levantar escudos!

Ali! O da camisa amarela. Apanhem-no!

Continuem a andar.

Ajudem-nos, por favor!

Socorro!

�gua! �gua!

Ele foi baleado! Foi baleado!

Filhos da m�e.

Chamem uma ambul�ncia!

T�xi, t�xi! Ajude-nos!

Leve-o para a cidade!

Estanquem a hemorragia.

Vamos lev�-lo.

H� muitos feridos com gravidade.

Estamos no meio de um terr�vel conflito.

Est�o a dispersar g�s lacrimog�nio por todo o lado.

N�o sabemos o que se est� a passar ali em cima.

Ouvimos que h� pessoas mortas e feridas,

mas � imposs�vel l� chegar.

- Algu�m se magoou. - Um pol�cia?

Sim, � capaz de estar morto.

Segura a cabe�a dele.

Por favor, parem de disparar.

Vamos lev�-lo!

Pela honra dos nossos colegas ca�dos, vamos terminar isto.

Por eles e porque nos est�o a ver.

Vamos acabar com isto.

Mas ningu�m faz nada a menos que eu o ordene!

Vamos fazer isto bem. Vamos acabar com isto.

O que est� feito, feito est�!

Lembrem-se do nosso lema,

"Nunca nos renderemos, raios partam isto"!

Vou queimar a tua c�mara.

Revistem as ambul�ncias a ver se t�m armas.

Vejam dentro!

Tragam-no para fora!

Sai, cabr�o.

Calma. Tenham calma.

N�o tenho nada.

Ele tem uma arma!

Tirem-no da�!

Sai daqui!

Aqui est� a arma que ele roubou.

Ele andou a dispar�-la.

Tira-lhe o cinto e prende-o.

N�o abras a boca ou dou-te um chuto na cabe�a, cabr�o.

Duas horas depois o conflito passou da Curva do Diabo para uma cidade ali perto.

- Est�o a fazer mira �s pessoas! - Cuidado!

Baixa-te! Baixa-te!

V�o-te balear!

Afastem-se!

Saiam da frente!

No confronto na Curva do Diabo, em Bagua,

oitenta e duas pessoas, protestantes e civis, foram baleadas.

Onze pol�cias morreram e um desapareceu.

Nove ind�genas morreram.

ESCRIT�RIOS MAIS TARDE NESSA MANH�

Imprensa internacional! N�o nos est�o a deixar entrar!

Jornal El Comercio!

Quero denunciar este ato.

Assassinaram os nossos irm�os.

Mataram-nos. Balearam-nos.

Um peda�o de papel com leis

que o governo poderia facilmente ter rasgado e escrito novas leis.

Mas uma vida perdida nunca poder� ser recuperada.

Da morte, ningu�m regressa.

Que pena que um governo democr�tico

esteja a fazer com que os Peruanos se estejam a matar uns aos outros.

Existe um mandado de pris�o em meu nome.

Contudo, � o governo que deve responder

por estes assassinatos

e por tudo o que aconteceu hoje.

Mas tamb�m h� pol�cias mortos.

H� pol�cias mortos, Sr. Pizango.

O nosso povo estava apenas a defender os seus direitos.

E os pol�cias? Quem � respons�vel pelas suas mortes?

O presidente, Alan Garcia.

Os nossos irm�os estavam reunidos de forma pac�fica

at� a pol�cia come�ar a disparar.

O povo n�o estava armado.

Ent�o porque h� pol�cias mortos?

Muito obrigado.

Vai-se entregar?

O governo agiu como um governo democr�tico

deve agir de acordo com a Constitui��o.

T�nhamos de restabelecer ordem e disciplina no nosso pa�s.

Primeiro que tudo,

onze pol�cias foram assassinados.

Cinco foram emboscadas e assassinados com lan�as.

Quatro morreram a tentar retomar a estrada.

Onze pol�cias assassinados. Onze!

N�o deixem que ningu�m vos diga que os ind�genas s�o as v�timas.

Os pol�cias � que s�o as v�timas.

Estas coisas n�o acontecem apenas pela Gra�a de Deus.

MINISTRA DO INTERIOR

Isto aconteceu porque existe uma conspira��o e um instigador.

O Sr. Pizango � sem d�vida respons�vel.

Talvez n�o seja respons�vel materialmente,

mas � sem d�vida respons�vel moral.

Ele agitou, for�ou, enganou, mentiu e manipulou os ind�genas

ao dizer-lhes que as suas terras j� estavam vendidas

e a sua �gua privatizada.

E que tinham de lutar at� � morte.

O sistema judicial deve prend�-lo de imediato,

para que este criminoso, o Pizango, possa enfrentar o peso da justi�a.

Diga-nos, por favor,

o que podemos fazer?

Temos de sair e enfrentar a Pol�cia e a imprensa.

Alguma novidade no mandado de captura?

Abram essa porta.

Por ali.

Fecha a porta. Fecha a porta.

Fecha a porta.

Vai por ali. Tem cuidado.

MAIS TARDE NESSE MESMO DIA

S�o 17h18

As not�cias com Armando Canchanya.

Temos uma chamada em linha. Boa tarde.

Ol�. Estou a ligar de Imazita.

Conte-nos o que se est� a passar a�.

Temos ref�ns 38 pol�cias e o seu comandante na Esta��o N� 6.

Lev�mo-los para as montanhas.

Fizemos isto porque os nossos irm�os foram abatidos em Bagua.

O que aconteceu na Esta��o N� 6 foi uma rea��o ao sucedido em Bagua.

A r�dio anunciou

que houve um genoc�dio na Curva do Diabo.

N�o foi verdade. Foi um exagero.

As not�cias enfureceram-nos.

Visto que a veda��o em arame farpado n�o era muito forte, eles derrubaram-na.

Eles dominaram os guardas e entraram.

ESTA��O N� 6 ENGENHEIRO

Disse-lhes na minha l�ngua:

L�DER IND�GENA

"Irm�os, n�o nos vamos magoar uns aos outros."

Mas eles ignoraram os seus l�deres.

Ficou tudo descontrolado.

Ningu�m tinha dito ao nosso comandante

o que tinha acontecido na Curva do Diabo.

Por isso, o coronel Montenegro n�o fazia ideia do que se estava a passar.

Montenegro disse: "N�o se preocupem, homens.

Eu resolvo isto falando com eles."

Mas os nativos atacaram-no.

POL�CIA AO SERVI�O NA ESTA��O N� 6

Come�aram a bater-lhe com os paus e tudo o que tinham.

Insultaram-nos: "Seus c�es miser�veis, � assim que v�o morrer."

Colocaram-nos aos 38 num armaz�m.

Enquanto est�vamos l� dentro, ouv�amos um helic�ptero a circular a �rea.

Mas n�o chegou a aterrar.

Perdemos qualquer esperan�a de chegarem apoios.

Disseram: "Comandante, venha aqui."

Tinham passado j� muitas horas.

"Re�na os seus homens e sigam-nos."

Levaram 18 homens.

O que querem em troca?

Queremos que a ministra do Interior

d� ordem � Pol�cia para se retirar.

O que acontecer� se as autoridades recusarem aceitar as vossas exig�ncias?

Infelizmente, o povo ir� execut�-los.

E n�o os conseguimos deter.

PR�XIMO DA ESTA��O PETROPERU N� 6 2 DIAS DEPOIS

FUNERAL DO COMANDANTE MONTENEGRO

O chefe da Pol�cia Nacional

ir� agora entregar a bandeira peruana

� fam�lia do coronel Miguel Montenegro.

- Miguel Antonio Montenegro. - N�s o saudamos!

- Miguel Antonio Montenegro. - N�s o saudamos!

Estou grata por ter tido um homem t�o maravilhoso na minha vida.

Ele era um bom filho, um bom irm�o,

um bom pai.

Foi um marido maravilhoso com quem partilhei 22 anos da minha vida.

Este � um momento muito doloroso para todos os que que te amavam.

Mas prometemos ter a tua for�a e seguir em frente.

Quero que esta flor simbolize a paz para todos.

Irm�os ind�genas,

n�o guardamos qualquer rancor contra voc�s.

Se conhecessem o meu marido um pouco melhor,

tenho a certeza de que o teriam protegido.

Porque o meu marido era o homem mais maravilhoso

que qualquer um de n�s poderia algum dia conhecer.

Obrigado por tudo, meu amor.

Gostaria de come�ar por prestar homenagem aos pol�cias

que foram assassinados.

Foram v�timas de selvageria, barbaridade e brutalidade.

O nosso pa�s foi v�tima

de uma conspira��o que visava manter-nos no passado.

As suas cren�as absurdas s�o sa�das do s�culo 19.

Juntaram os seus ex�rcitos nas profundezas da floresta tropical

e nas partes mais remotas da nossa na��o.

CURVA DO DIABO 3 DIAS AP�S O CONFRONTO

Ainda n�o encontr�mos o corpo de um dos pol�cias.

Estamos aqui � procura do seu cad�ver.

Acredita que o seu filho ainda est� vivo?

Acredito que ainda est� vivo.

PAI DO POL�CIA DESAPARECIDO

Se o governo j� esgotou todos os recursos de busca,

ent�o devem perguntar aos nativos.

Eles sabem onde ele est�, vivo ou morto.

Na floresta tropical, existem pessoas que sabem

como pensar, sentir, amar.

Cheg�mos a este ponto porque amamos a nossa terra.

De que outra forma nos podemos fazer ouvir?

O governo diz: "N�o podem tomar as estradas.

N�o podem fazer isso."

Gostaria de perguntar ao Sr. Alan Garcia

como pensa dialogar se ignora as raz�es de um povo cansado de dizer "n�o quero"?

Como podemos ser ouvidos sem tomar estas atitudes?

Isto n�o � culpa nossa.

Eu choro a morte dos pol�cias e dos nossos irm�os ind�genas.

Mas os pol�cias s�o chamados de "her�is"

porque lutaram contra o inimigo.

O que � que isso faz de n�s?

EMBAIXADA DA NICAR�GUA QUATRO DIAS DEPOIS DO CONFRONTO

Pode aproximar-se?

Queremos inform�-los que demos asilo ao Sr. Pizango.

E solicit�mos seguran�a no transporte

do Sr. Pizango do Peru at� � Nicar�gua.

Estamos a aguardar que as autoridades peruanas

processem o nosso pedido.

AEROPORTO INTERNACIONAL

Ele seguiu todo os protocolos para provar

que estava a ser perseguido politicamente.

Foi concedido asilo de acordo

com as leis internacionais.

Boa tarde.

Damos-lhes as boas-vindas ao Voo 4382 para a cidade de Managua.

A grande mente intelectual, o agitador, o cobarde fugiu.

Mas a justi�a prevalecer� sobre ele

e aqueles respons�veis por este massacre

de pol�cias.

No Peru, Alberto Pizango � acusado

de rebeli�o, insubordina��o, homic�dio e conspira��o contra o Estado.

A ministra do Interior, Mercedes Cabanillas, est� aqui connosco.

Veio de uma cerim�nia relacionada com estes tr�gicos acontecimentos.

Mais dez corpos de pol�cias chegaram hoje.

Estamos num luto profundo.

Existem for�as criminais e destruidoras que levaram estes homens

a massacrar os nossos irm�os, os pol�cias.

Um ato selvagem.

Sinceramente, eles s�o selvagens.

Mas 15 nativos tamb�m morreram.

N�o, penso que foi um n�mero menor.

O n�mero n�o interessa: oito, cinco, nove, dez.

N�o deveria haver nenhuma morte.

A imagem que se quer vender l� fora � que a Pol�cia massacrou os ind�genas,

que os nativos s�o marginalizados e abusados.

Mas � exatamente o contr�rio.

Temos de tratar politicamente um problema pol�tico, n�o acha?

Bem, mas eu...

N�o me refiro a si.

N�o era um problema para a Pol�cia resolver.

Eles tinham uma ideologia.

N�o se esque�a que isto aconteceu na sexta-feira.

Nessa quinta-feira, o Congresso decidiu n�o revogar a Lei 1090.

Os ind�genas pensaram "Isto � uma aldrabice!"

E depois o governo envia a Pol�cia.

Foi como deixar cair um f�sforo aceso na gasolina.

10 DIAS AP�S O CONFLITO

Longa vida � luta do povo amaz�nico!

Longa vida � luta do povo peruano!

Longa vida � nossa soberania nacional!

Abaixo as empresas transnacionais!

Abaixo o governo de Alan Garcia!

Estamos unidos neste protesto nacional!

AUDI��O CONGRESSISTA EM BAGUA

Ouvi um legislador dizer

que a lei dever� prevalecer

e que o povo deve apoi�-los.

CONGRESSISTA

Pergunto-vos: Acreditam na vossa verdade?

Ou poder�o estar errados?

� poss�vel que estas leis sejam inconstitucionais?

Temos uma obriga��o moral perante os mortos.

N�o podemos continuar a enviar os nossos irm�os pol�cias

como "carne para canh�o".

Isto � um problema pol�tico!

Este gabinete tem as m�os sujas de sangue

e n�o deveria manter-se por mais tempo.

Eu n�o respondo a coment�rios est�pidos, com todo o respeito.

N�o senhora, n�o respondo. Lamento.

Retire o que disse!

Como poderei retirar o que disse

quando a senhora � que afirmou que eu tinha as m�os sujas de sangue?

Cale a sua boca!

Sejamos decentes aqui. Ordem! Ordem!

Senhor congressista,

est� a obrigar-me a suspender a audi��o.

O governo n�o assassinou pol�cias.

O governo n�o assassinou nativos.

O sistema judicial encontrar� os culpados.

H� mortos.

CONGRESSISTA

E as mortes devem ser atribu�das ao governo.

O vosso governo ter� de carregar essas mortes at� ao fim da hist�ria.

E a hist�ria ir� julg�-los severamente

porque tudo isto poderia ter sido evitado.

Eu proponho a revoga��o imediata dessas leis

porque este governo j� perdeu toda a autoridade moral para o di�logo.

A SELVA N�O SE VENDE

PAL�CIO PRESIDENCIAL LIMA, 13 DIAS AP�S O CONFRONTO

"� tempo de reconhecer o que aconteceu.

E admitir os erros que todos n�s cometemos,

de uma ou outra forma.

� verdade que as leis originais foram feitas

sem consultar o l�der das comunidades ind�genas.

Mas isto foi porque acredit�vamos

que n�o teriam quaisquer influ�ncias na terra comum.

O primeiro-ministro decidiu voltar ao in�cio,

revogar as leis e iniciar um novo di�logo

para que possamos fazer novas leis que protejam a nossa Amaz�nia.

Sei que o crescimento pode criar tens�o.

Aprendi que modernizar o nosso pa�s com demasiada rapidez cria conflitos.

N�o tenhamos medo da mudan�a se isso fizer o pa�s avan�ar.

Mas, evitemos a morte e a dor porque s�o irremedi�veis.

Se aconteceram, vamos retificar,

reconciliemo-nos e recome�amos."

O comit� chegou a um acordo un�nime

para revogar estas leis.

Aqui est� a nossa recomenda��o para revog�-las.

Demiti-me apenas depois de resolver o problema. N�o fugi.

E contra a vontade de muitos,

pedimos ao Congresso a anula��o destas leis.

Apenas depois de resolver o problema

� que assumi a minha responsabilidade pol�tica.

Algu�m tinha de ser responsabilizado politicamente.

Por favor, senhores congressistas, vamos encerrar as vota��es.

Sessenta e seis a favor,

vinte e nove contra, e zero absten��es.

Treze dias ap�s os confrontos em Bagua,

o Congresso revoga duas das controversas leis,

incluindo a Lei Florestal 1090.

UM ANO DEPOIS

Custa-me muito,

do fundo do meu cora��o, que tenha havido perdas de vidas.

Que tenham morrido seres humanos.

N�o deveria ter acontecido.

N�o dever� nunca voltar a acontecer.

A minha casa, o meu lar � a Amaz�nia.

O meu cora��o, a minha mente ainda est� no Peru.

O governo diz que seremos consultados,

mas continuam a fazer neg�cios debaixo da mesa para permitir a entrada de empresas.

Continuam a leiloar a Amaz�nia.

O que vejo,

o que sinto e penso �

na grande amea�a que o nosso mundo enfrenta

e o quanto o estamos a contaminar.

Estamos a matar-nos uns aos outros.

As plantas est�o t�o felizes agora.

Est�o a matar a sua sede.

Sinto que, enquanto for vivo, tenho de fazer alguma coisa.

Por isso decidi que tenho de regressar.

Sei que existem muitas amea�as para enfrentar.

O governo que prender-me

para demonstrar a sua autoridade.

Algu�m que luta pelos seus direitos � considerado um criminoso.

E � por isso que tenho de regressar. Mesmo que v� preso, tenho de regressar.

SA�DA

Bem-vindo a Lima, Peru

AEROPORTO INTERNACIONAL

Abaixo com este governo repressivo!

Abaixo com as companhias petrol�feras na Amaz�nia!

Vida longa ao nosso irm�o Pizango!

Pizango � um assassino!

Estamos aqui em nome dos pol�cias que morreram em Bagua.

Mas al�m est�o pessoas a apoiar o Pizango. Qual � a vossa rea��o?

Considero-os cidad�os de terceira, pessoas incultas.

Como podem apoiar algu�m que incita � viol�ncia?

Ele � como um chefe de um gangue. Ele � um chefe de um gangue!

Como podem apoiar um criminoso que incita as pessoas a assassinar pol�cias?

Ele est� a sair. Teste, teste. Ele est� agora a sair.

Existe um mandado de pris�o para Alberto Pizango

por crimes de rebeli�o, rapto e conspira��o contra o Estado.

Existe uma forte presen�a policial aqui no aeroporto.

Justi�a! Justi�a! Liberdade para Pizango!

Boa tarde. Temos um mandado de pris�o em seu nome.

Por favor, acompanhe-me.

Qual � a acusa��o?

Venha comigo, por favor.

Temos de o revistar. Por favor, acompanhe-nos.

Por aqui, por favor.

Deve ir por ali.

Passageiros, por aqui, por favor.

Tem alguma declara��o, Sr. Pizango?

Abram alas!

Arrepende-se do que fez?

Diga-nos a verdade!

Mandou matar os pol�cias?

O que tem a dizer sobre os pol�cias assassinados?

� livre?

Um dia ap�s a sua chegada, Alberto sai em liberdade sob fian�a.

Ir� enfrentar dois julgamentos diferentes,

por acusa��es relacionadas com os confrontos em Bagua e na Esta��o N� 6.

Dizem que as pessoas da selva n�o sabem lutar!

Dizem que as pessoas da selva n�o sabem lutar!

Mas agora o Alan Garcia ir� ver o que o espera.

Mas agora o Alan Garcia vai ver o que se vai passar.

As acusa��es s�o fortes.

Alberto Pizango � acusado de ser um instigador.

Alegadamente, persuadiu e convenceu os protestantes a matar.

As acusa��es exigem a pena m�xima, pris�o perp�tua.

Isto � o que um regime repressivo faz.

ADVOGADO DOS DIREITOS IND�GENAS

O governo est� a usar o c�digo penal

para lidar com algo que os incomoda.

Exijo que aqueles que assassinaram os pol�cias enfrentem a justi�a.

EX-MINISTRA DO INTERIOR

E tamb�m os que mataram os nativos, por outra raz�o.

N�o se escondam por tr�s da pol�tica.

� tempo do processo legal seguir o seu curso natural.

� tempo de punir os respons�veis.

Ou usam uma coroa que lhes d� o direito de matar?

Nunca os l�deres coagiram algu�m a matar quem quer que fosse.

Devem ser absolvidos.

Mas existe muita press�o pol�tica

para fazer do Pizango e dos outros um exemplo,

de modo a calar futuros protestos sociais.

Estiveste ausente durante demasiado tempo

porque defendeste os direitos dos teus irm�os.

Agora que est�s de volta, estou feliz.

PAI DO ALBERTO

Est�s aqui connosco.

Estou muito preocupado com a tua situa��o.

E pe�o a Deus por ti.

PAI DO POL�CIA DESAPARECIDO

Espere aqui, por favor.

Aqui vamos n�s. Ele est� a entrar.

Come�amos dentro de tr�s segundos.

A 5 de Junho de 2009, mais de 30 pessoas morreram durante um confronto tr�gico.

E o major Bazan nunca foi encontrado.

O pai dele continua � procura e est� aqui connosco hoje.

Bem-vindo, Sr. Bazan.

Obrigado pela oportunidade.

Havia duas fotos que mostravam um ind�gena a levar o meu filho.

- Portanto, ele est� vivo. - O que � que essa foto lhe diz?

Que levaram o meu filho para uma comunidade ind�gena.

Como pai, acredito que o meu filho ainda est� vivo

porque ainda n�o encontrei qualquer prova de que estivesse morto.

Muitos pais perderam os seus filhos.

Mas foram capazes de enterr�-los.

� l� que os visitam e rezam por eles.

� l� que podem deixar a sua dor.

Mas a minha situa��o � completamente diferente.

Tenho de continuar � procura at� que Deus me ajude a encontrar o meu filho.

Se n�o o fizer, a minha vida n�o far� sentido.

Como est�?

� um prazer conhec�-lo.

- Muito bem. - Bom dia.

- Como est�? Estou bem. - Estou bem.

Quero ser inteiramente sincero.

O que aconteceu, aconteceu.

Mas pessoas como eu, um pai, continuam a pagar as consequ�ncias.

- � pai, certo? - Sim.

Sugiro

que n�o deixe isto continuar

como uma acusa��o p�blica.

Temos de ter confian�a nos nossos irm�os.

E com base nisso, assegurar-lhes que n�o haver� repres�lias.

Ia sentir-me mal se fosse, e ir com a Pol�cia eu n�o quero.

Sei que n�o levar� a lado nenhum.

O que aconteceu foi t�o grave

que as pessoas ficaram com medo.

Tudo o que quero � alguma informa��o, Sr. Pizango. Apenas isso.

Continuo a achar que ele est� numa das suas comunidades.

As pessoas perguntam porqu�?

N�o sei porqu�, mas ainda acho que � poss�vel.

Mas se for encontrado morto, pelo menos ter� sido encontrado.

Mesmo que encontre apenas um osso, irei para casa com paz de esp�rito.

Diga-me se precisar de alguma coisa.

PRIMEIRA AUDI��O DO JULGAMENTO DE BAGUA

Para todos os acusados, precisamos que entreguem a vossa identifica��o.

Este julgamento diz respeito aos acontecimentos

que tiveram in�cio a 9 de Abril de 2009.

Muito grupos nativos protestaram

e exigiram que o governo revogasse um determinado n�mero de leis

que, de cordo com eles, afetavam os seus interesses.

Neste contexto, pol�cias foram assassinados,

houve ferimentos e propriedade danificada.

Iremos provar que o acusado instigou os protestantes

para que cometessem estes crimes.

A primeira acusa��o � homic�dio qualificado pela morte de pol�cias.

Acusamos Alberto Pizango Chota, Joel Shimbukat,

Leo Timias, Santiago Manuin,

de instigadores deste crime.

AG�NCIA DE EXECU��O

Fiz parte de uma comiss�o investigadora e foi isto que aprendi.

COMISS�O INVESTIGADORA DE BAGUA

Existem duas formas de subir o monte. A Pol�cia veio por aqui.

Chegaram t�o perto

que os ind�genas confrontaram-nos.

Algumas das nossas pessoas ficaram feridas.

Um ferido, dois feridos,

mas quando feriram a terceira pessoa, os ind�genas desorientaram-se.

Come�aram a gritar: "Est�o a matar-nos!"

E pegaram nas suas armas.

Agarraram o seu filho.

E mataram os outros pol�cias.

Porque � que n�o o mataram a ele?

Essa � a minha pergunta.

Porque ele era o que dava as ordens.

Era o chefe.

Queriam lev�-lo como ref�m.

Mas assim que chegaram ao fundo da rua,

havia demasiadas pessoas e perderam o controlo.

Muito participaram. E tinham machados.

Levaram-no para o rio,

E foi l� que o assassinaram.

Ele foi desmembrado.

E atiraram-no em peda�os ao rio.

Promoveu o protesto amaz�nico?

Sou presidente da organiza��o

que segue

os pedidos deste povo.

Mas, em circunst�ncia alguma,

promovemos a viol�ncia.

Deu instru��es para bloquearem as estradas?

Em nenhum momento, senhor.

Apenas cumpri a miss�o de entregar ao governo as propostas do meu povo.

Deu instru��es aos nativos

para resistir ou confrontar a Pol�cia?

Para defender a sua posi��o na estrada?

N�o lhes dei ordens em momento algum.

Ordenou ou incitou os nativos

a magoar ou matar pol�cias?

N�o, senhor.

Quero dizer-lhe mais ainda, que do ponto de vista do meu povo,

eu venho do povo Kampu Piyawi,

seguimos o princ�pio de proteger toda a vida.

N�o podemos matar.

De acordo com a nossa filosofia, nem uma formiga podemos matar.

Porque at� essa formiga tem o direito � vida.

Sob esse princ�pio, como presidente do AIDESEP,

nunca ordenei quaisquer atos violentos.

Do povo humilde,

aqueles que trabalham para o seu pa�s, 23 est�o mortos.

Porqu�? Por causa da sede de poder e ambi��o do governo?

Porque querem vender os recursos naturais da Amaz�nia a outros pa�ses?

Empresas privadas e o governo querem enriquecer. E este � o pre�o.

O que se passa com este mundo

para que o petr�leo e o ouro valham mais do que uma vida humana?

Podem ver na parte central o territ�rio peruano.

� um dos raros territ�rios pouco explorados

em todo o mundo.

Isto � apenas o princ�pio do que podemos vir a descobrir.

A ponta do icebergue.

Muitas �reas ainda n�o foram perfuradas e muitas terras ainda est�o por licenciar.

As leis s�o revogadas e os projetos continuam a ser desenvolvidos.

A revoga��o das leis n�o parou, de todo, com os projetos na Amaz�nia.

Por culpa das empresas, temos de lutar!

Por culpa das empresas, temos de lutar!

Por culpa das empresas, temos de lutar!

Alberto, bem-vindo.

O mundo est� a mudar.

A ambi��o de explorar cada recurso natural existente

est� a cegar a humanidade.

O nosso l�der, Alberto Pizango, vai falar. Vamos dar-lhe a boas-vindas.

Presente! Presente! O Alberto est� presente!

N�s, o povo ind�gena, continuamos a lutar para sobreviver.

continuaremos a lutar para que a humanidade continue a ter

a selva, os bosques.

As nossas comunidades, o nosso povo,

somos protetores dos recursos naturais.

Este � o nosso lar.

Esta � a nossa terra.

Nunca mais um governo poder� vir � nossa casa

e destruir a nossa terra.

O povo unido jamais ser� vencido!

O povo unido jamais ser� vencido!

Desde que Alan Garcia deixou o cargo em 2011, o governo aprovou v�rias novas leis

adotando ind�strias de extra��o.

Grupos ind�genas e ambientalistas acreditam

que estas leis continuam a amea�ar os direitos dos ind�genas

e a enfraquecer as regulamenta��es ambientais.

Apesar do recente compromisso do governo de cessar a desfloresta��o antes de 2021,

a desfloresta��o da Amaz�nia peruana continua a crescer.

Alberto Pizango e 52 compatriotas ind�genas

aguardam o veredito final no caso Bagua.

O julgamento da Esta��o N� 6 que o acusa a ele e a mais 26 ainda n�o come�ou.

Nenhum membro do governo foi acusado.

Alan Garcia recusou diversos pedidos de entrevista para este filme.

Este filme � dedicado �s v�timas de Bagua e �s suas fam�lias.

Tradu��o: Carina Barbosa

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